Prévia do material em texto
Petição inicial no novo CPC No novo Código de Processo Civil, o procedimento comum é aplicável a todas as causas (inclusive, subsidiariamente, aos especiais e à execução), salvo disposições em contrário (art. 318 e seguintes no Novo CPC). Entendemos que as novidades apontam para a simplificação no processo de conhecimento, pois teremos apenas o procedimento comum e os procedimentos especiais, não havendo mais a previsão do procedimento sumário (Apesar disso, as causas previstas no art. 275, II do CPC Velho continuam na competência dos Juizados Especiais). Neste artigo veremos os seguintes temas: · Quais são os Requisitos da Petição Inicial e as peculiaridades do pedido inicial; · Como requerer diligências para descoberta de dados desconhecidos; · Em quais casos o juiz poderá determinar a emenda à Petição inicial e como se dá seu processamento; · Indeferimento da Petição inicial e quais os recursos contra esse ato. Requisitos da petição inicial no procedimento comum A petição inicial no Novo CPC não se afasta dos requisitos atuais, do art. 282 do CPC/73, conforme se extrai do novo artigo 319: Art. 319. A petição inicial indicará: I – o juízo a que é dirigida; II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV – o pedido com as suas especificações; V – o valor da causa; VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. Como se vê, há duas alterações significativas nos incisos do art. 319 do Novo CPC, vejamos: 1. Art. 319, II – a qualificação agora exige expressamente que o autor afirme se há união estável, além de ser exigido o endereço eletrônico; 2. Art. 319, VI – Atualmente, a audiência prévia de conciliação ou mediação é obrigatória e uma das poucas hipóteses em que pode ser afastada é justamente quando as partes (ambas) afirmam que não tem interesse na autocomposição. A opção do autor, assim, não afasta a audiência, apenas dá ao réu a opção de também manifestar-se neste sentido (caso em que, concordando com o autor, a audiência será afastada). Destaco que o autor só precisa dizer que não quer, pois a necessidade da audiência é presumida. (OBS: A multa referente à ausência do réu à audiência só pode ser aplicada se houver expressa menção a essa punição no documento de citação). 3. Não há mais exigência expressa de pedido de citação do réu, entendo que tal deveria realmente ser suprimido, uma vez que proposta a ação contra o réu, é absolutamente nítido o desejo do autor de citação daquela parte (previsão anterior no art. 282, VII do CPC Velho). Entendo que o direito do autor de requerer a não realização da audiência pode ser manifestado – por aditamento à petição inicial – até a expedição da citação do réu. Além disso, se houver uma negociação entre autor e réu antes do prazo (a meu ver decadencial) para requerer a desistência da audiência (10 dias), o juiz também poderá dispensá-la com base na liberdade das partes (negócio jurídico processual), conforme permissivo do art. 190 do Novo CPC. Diligências para descoberta de dados no Novo CPC O art. 319, §1º do Novo CPC dispõe que “Caso não disponha das informações previstas no inciso II (qualificação), poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção“. Assim, por exemplo, o autor poderá requerer justificadamente o acesso a bancos de dados públicos para a busca do endereço do réu. Obviamente, a diligência deverá ser justificada e não pode ser utilizada de forma indiscriminada. A qualificação não essencial para a citação do réu poderá ser convalidada, ou seja, o juiz não deve prender-se meramente aos requisitos formais, se o objetivo do processo puder ser conseguido sem parcela da qualificação das partes. Além disso, o art. 319 do novo CPC prevê, ainda, que a integralidade dos dados requeridos no seu inciso II pode ser dispensada “se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça” Peculiaridades do pedido inicial O pedido inicial do autor teve alguns aprimoramentos no novo CPC. O art. 322 do novo CPC tem a seguinte redação: Art. 322. O pedido deve ser certo. § 1o Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios (pedido principal inclui acessórios, ainda que não requeridos expressamente). § 2o A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boa-fé. As obrigações em prestações sucessivas serão automaticamente incluídas na condenação, independente de declaração expressa do autor, salvo se já estiverem pagas ou consignadas (art. 323 do novo CPC). Conforme o art. 334, se o juiz acolher o pedido inicial (se preencher os requisitos básicos e não for caso de improcedência sumária), será designada audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência. Acredito que a prática dos tribunais será a de designar imediatamente (via sistema) a audiência, independente de análise judicial da petição inicial como o que se realiza na maioria dos juizados especiais e no PJe. Mas não é esse o espírito e vontade do Novo CPC que demanda análise dos requisitos mínimos de admissibilidade da petição inicial. A audiência obrigatória de conciliação ou mediação pode ser dividida. Na interpretação dos pedidos e dos demais atos postulatórios, o Juiz deve sempre levar em consideração a efetiva vontade da parte, afastando, por exemplo, erros de grafia e até de semântica quando estiver claro que a parte quis dizer outra coisa, aplicando-se o art. 112 do Código Civil (“Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem“). Indeferimento da petição inicial Segundo o Novo CPC, a petição inicial será indeferida quando (art. 330): I – for inepta; II – a parte for manifestamente ilegítima; III – o autor carecer de interesse processual; IV – não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. O § 1o do art. 330 do Novo CPC, deve ser reconhecida a inépcia da petição inicial quando: I – lhe faltar pedido ou causa de pedir; II – o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III – da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; IV – contiver pedidos incompatíveis entre si. É sempre bom destacar que o indeferimento da petição inicial pode ser parcial, caso em que o recurso será o agravo de instrumento. Emenda da petição inicial no novo Processo Civil Se o juiz verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 (mencionado acima) e 320 (documentos essenciais), ou que “apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito“, deverá intimar o autor, para que no prazo de 15 dias emende a inicial ou a complete, sob pena de indeferimento, conforme o artigo 321. Lembrando que, nos termos do art. 219 do Novo CPC, os prazos serão contados em dias úteis, salvo disposição expressa em contrário. Assim, antes de indeferir a petição inicial cabe ao magistrado determinar a emenda. Recurso contra o indeferimento da petição inicial Se houver o indeferimento total da petição inicial, o autor poderá recorrer através do recurso de apelação. O recurso de apelação contra o indeferimento da petição inicial possui excepcional efeito regressivo, ou seja, é facultada a retratação pelo juiz que proferiu a decisão, que no novo CPC deve ocorrer no prazo de 5 dias. Se não houver a retratação, o juiz intimará o réu para contrarrazões normalmente e encaminhará o feito ao Tribunal para julgamento. O indeferimento da petição inicial também pode ser parcial, ou seja,apenas uma parcela dos pedidos não será processada no mesmo processo. A decisão que indefere apenas parte da petição inicial não é terminativa, pois não põe fim ao processo, motivo pelo qual será cabível o agravo de instrumento. O agravo de instrumento pode ser aplicado neste caso pela combinação dos arts. 354, parágrafo único; 485, I; e 1.015, XIII, todos do Novo CPC, passo a transcrevê-los apenas para fixação: Art. 354. Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, incisos II e III, o juiz proferirá sentença. Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I – indeferir a petição inicial; Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: XIII – outros casos expressamente referidos em lei. A combinação dos três artigos somados ao fato de tratar-se de decisão interlocutória implica a necessidade de reconhecer o cabimento do agravo de instrumento. Conclusão O novo CPC é um marco no Processo Civil moderno e é atual e pujante. Não há como estudar o tema sem entender como o processo se inicia, ou seja analisar a petição inicial e seus requisitos. Tutela Provisória no Novo CPC! Tutela Provisória. O novo CPC modificou todo o sistema de tutela judicial fundada em cognição sumária. Isto é, a tutela antecipada e a tutela cautelar passaram a respeitar o mesmo regime legal, diferentemente do Código de 1973. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência: · Tutela de Urgência – será concedida quando forem demonstrados elementos que indiquem a probabilidade do direito, bem como o perigo na demora da prestação da tutela jurisdicional; · Tutela da Evidência – dispensa a demonstração do perigo da demora, nos seguintes casos: ficar caracterizado abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas mediante prova documental e houver tese firmada em demandas repetitivas ou em súmula vinculante; se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito; a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. A tutela de urgência é subdivida em cautelar e antecipada, com ambas podendo ser concedidas em caráter antecedente ou incidental. A tutela de evidência só ocorre em caráter incidental. Resumo: Tutela Provisória: · Tutela de Urgência: 1. Tutela de Urgência Cautelar 2. Tutela de Urgência Antecipada · Tutela de Evidência Com isso, a Tutela de Urgência e a de Evidência são espécies de Tutelas Provisórias. Por sua vez, a Tutela de Urgência subdivide-se em Tutela Cautelar e Antecipada, que serão estudadas linhas à frente. Quanto ao momento em que são requeridas, a tutela de urgência pode ser pleiteada em caráter antecedente ou incidente. Por sua vez, a tutela de evidência só pode ser requerida incidentalmente. É plenamente possível pleitear a tutela de urgência em caráter preparatório (antecedente) ou no curso de um processo que já esteja em andamento (incidente). A tutela de urgência antecipada assegura a efetividade do direito material. O autor deve demonstrar para o juiz que, além da urgência, o meu direito material estará em risco se eu obtiver a concessão da medida. O autor, ao receber a concessão da medida, precisará apenas de sua confirmação posteriormente, pois a tutela antecipada já o satisfaz (e garante o direito material). Ex: necessidade de urgente internação. A concessão da tutela de urgência antecipada garante o direito à internação. Já a tutela de urgência cautelar assegura o direito processual, pois está em risco a efetividade do processo futuro e não o direito material em si. A parte precisa demonstrar, além da emergência, que a efetividade do futuro processo estará em risco se eu obtiver a medida de imediato. Ex: autor que descobre que o réu está dilapidando o patrimônio para não pagar as dúvidas; deve apresentar uma tutela de urgência cautelar para indisponibilidade do patrimônio, com vistas a garantir o processo de cobrança da dívida. Se a urgência ocorra no curso de algum processo, o autor deve informar ao juízo a emergência surgida, pleiteando, em caráter incidente, a tutela cautelar. A tutela de evidência só ocorre em caráter incidente (no curso de um processo que já esteja em andamento), porque, pela sua própria natureza, a pretensão está relacionada com a antecipação da sentença. Até porque, desde o início do processo, a pretensão já foi elaborada com fins à obtenção de uma sentença de mérito e sem urgência. Peculiaridades da Tutela Provisória: · A tutela provisória requerida em caráter incidental (no curso de um processo que já esteja em andamento) NÃO depende do pagamento de custas. Até porque o pedido de tutela provisória incidental seguirá no processo principal. · A tutela provisória (urgência ou de evidência) conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada. · A tutela provisória conservará a eficácia durante o período de suspensão do processo, salvo decisão judicial em contrário. Se o processo for suspenso por qualquer motivo, a tutela provisória será mantida eficaz, salvo se decisão fundamentada determinar em sentido contrário. · O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da tutela provisória (poder-dever geral de cautela do Juiz). A efetivação da tutela provisória observará as normas referentes ao cumprimento provisório da sentença, no que couber. · Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela provisória, o juiz motivará seu convencimento de modo claro e preciso. Todas as decisões judiciais devem ser motivadas, inclusive as que decidem acerca de tutela provisória (art. 93, IX, da CF-88). · Competência: A tutela provisória será requerida ao juízo da causa principal (pedido incidente) ou ao juízo competente para conhecer do pedido principal (quando for pedido antecedente). · Em regra, na ação de competência originária de tribunal e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão jurisdicional competente para apreciar o mérito, no respectivo Tribunal (Turma, Câmara, Relator, etc – conforme Regimento Interno da Corte). Tutela de Urgência. Disposições Gerais. São requisitos para a concessão da Tutela de Urgência (antecipada ou cautelar): · quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito (fumus boni iuris – plausibilidade jurídica) – isto é, aparência do direito alegado, sendo um juízo de probabilidade de acolhimento das alegações deduzidas pelo autor em sua Petição Inicial. · perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo (periculum in mora). A despeito do preenchimento de tais requisitos, o Juiz pode exigir como garantia, caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer. Esta caução pode ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. A tutela de urgência pode ser concedida desde o início do processo (liminarmente) ou após justificação prévia. A tutela de urgência de natureza ANTECIPADA NÃO será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. Somente será concedida a tutela antecipada se for possível a reversão dos efeitos concretos concedidos pela decisão provisória. Como a concessão da tutela é de forma antecipada, com base em juízo sumário e não exauriente dos elementos constantes do processo, é necessário que a medida possa, em tese, ser revertida, caso o réu, ao final consagre-se vencedor da lide. Ex: não poderá ser concedida tutela antecipada para derrubar casarão tombado pelo patrimônio histórico, sob alegação de que não representa mais os valores difusos protegidos; caso venha a ser derrubado antes da finalização do processo, não poderá ser reconstruído da mesma forma (a medidaautorizada é irreversível). Com isso, é preciso que as partes possam retornar ao status quo anterior, caso a Tutela Antecipada não se confirme no julgamento final do processo. A tutela de urgência de natureza CAUTELAR pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito. Para evitar tumulto processo, o CPC determina que a parte responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa, além de possível reparação por dano processual, se ocorrer algumas das hipótese abaixo: · a sentença lhe for desfavorável; · obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios necessários para a citação do requerido no prazo de 5 DIAS; · ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal; · o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. A responsabilidade será consubstanciada por meio de indenização liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que possível. Procedimento da Tutela Antecipada Requerida em Caráter Antecedente. A demora do processo pode atingir de forma decisiva o direito pleiteado pela parte. O legislador, atento a tal fato, criou a figura da Tutela Antecipada requerida em caráter antecedente, com o objetivo de conceder aos sujeitos do processo formas de afastar os prejuízos gerados pelo tempo total até a ultimação do processo. A regra é que a parte receba os efeitos da decisão jurisdicional somente com seu trânsito em julgado. A tutela antecipada implica exatamente em entregar ao autor os mesmos efeitos da decisão final, só que de forma antecipada, antes do trânsito em julgado, desde que preenchidos certos pressupostos. Nos casos em que a urgência for contemporânea (atual) à propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com: · a exposição da lide, · do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou · do risco ao resultado útil do processo. Caso o magistrado acate o pedido de tutela antecipada, deverão ser adotadas as seguintes medidas: · o AUTOR deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 DIAS ou em outro prazo maior que o juiz fixar; · o RÉU será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação; · não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado da data da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; Peculiaridades da Petição Inicial: · Se não for realizado o aditamento da inicial, o processo será extinto SEM resolução do mérito. · O aditamento será realizado nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais. · Na petição inicial o autor terá de indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final. · O autor indicará na petição inicial que pretende valer-se do benefício (requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final). · Se o Juiz entender que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 DIAS, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito. Estabilização da Tutela de Urgência Antecipada. Se não for manejado recurso (agravo de instrumento) em face da decisão de concessão da tutela antecipada, ela tornar-se-á estável. O recurso cabível é o agravo de instrumento. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I – tutelas provisórias; Com a estabilização da decisão de tutela de urgência antecipada, o processo será EXTINTO. Contudo, qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada estabilizada. A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou invalidada por decisão de mérito proferida na ação manejada para esses fins. Ademais, qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos em que foi concedida a medida, para instruir a petição inicial da ação para revisão, reforma ou invalidação da tutela antecipada estabilizada. O desarquivamento pode servir para instrução da ação. O juízo da concessão da tutela antecipada é prevento para o julgamento desta ação. A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos efeitos só será afastada por decisão que a revir, reformar ou invalidar, proferida em ação ajuizada por uma das partes. O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada extingue-se após 2 ANOS, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo. Se decorrido o prazo de 2 ANOS sem impugnação, as partes terão de conviver com uma decisão que, a despeito de não transitar em julgado, não será suscetível de reforma por ato judicial. Procedimento da Tutela Cautelar Requerida em Caráter Antecedente. As tutelas de urgência cautelares têm caráter instrumental. Elas não recaem sobre o mérito em si, mas sobre os instrumentos que asseguram a efetividade do processo. Exemplo: provimento jurisdicional que confere à parte o direito de acesso a provas documentais necessárias à discussão de mérito que estejam em poder de terceiros. Como vimos, a tutela de urgência cautelar também poderá ser conferida em caráter antecedente ou incidente. Se deferida na modalidade antecedente, a parte autora também poderá lançar mão da petição simplificada, mas deverá aditá-la dentro de 30 dias, de modo a indicar o pedido principal. Seguem os requisitos da petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter antecedente: · indicação da lide e seu fundamento; · a exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo; O réu será citado para, no prazo de 5 DIAS, contestar o pedido e indicar as provas que pretende produzir. Se o réu for revel (não contestação), os fatos alegados pelo autor serão presumidos como verdadeiros (aceitos pelo réu como ocorridos), caso em que o juiz decidirá dentro de 5 DIAS. Se houver contestação, seguirá o procedimento comum. Com a concessão e a efetivação da tutela cautelar, o pedido PRINCIPAL deve ser formulado pelo autor no prazo de 30 DIAS, caso em que será apresentado nos mesmos autos em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não dependendo do adiantamento de novas custas processuais. O CPC faculta ao autor apresentar o pedido cautelar e principal conjuntamente. A causa de pedir poderá ser aditada no momento de formulação do pedido principal. Apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a audiência de conciliação ou de mediação, por seus advogados ou pessoalmente, sem necessidade de nova citação do réu, posto que este já foi citado no pedido de tutela cautelar. Não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado da data da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver conciliação. Hipóteses de cessação da eficácia da tutela concedida em caráter antecedente: · autor não deduzir o pedido principal no prazo legal; · não for efetivada dentro de 30 DIAS; · juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo autor ou extinguir o processo SEM resolução de mérito. Caso ocorra a cessação da eficácia da tutela cautelar, é vedado à parte renovar o pedido, salvo sob novo fundamento. O indeferimento da tutela cautelar não obsta a que a parte formule o pedido principal, nem influi no julgamento desse, salvo se o motivo do indeferimento for o reconhecimento de decadência ou de prescrição. Se o Juiz entender que o pedido tem natureza antecipada, o juiz observará o procedimento da tutela de urgência antecipada. Tutela da Evidência. Na tutela de evidência não existemedida em caráter antecedente, pois, pela sua própria natureza, a pretensão está relacionada com a antecipação da sentença de forma que, desde o início do processo, a pretensão já foi elaborada com fins à obtenção de uma sentença de mérito e sem urgência. As tutelas de evidência não têm uma classificação em espécies. Contudo, a sua concessão ocorre se preenchidos os seguintes critérios: · quando o direito (material) da parte que pleiteia a tutela é evidente; · quando uma das partes está manifestamente protelando o processo ou abusando do exercício do direito de defesa – caso em que a tutela da evidência está vinculada não necessariamente à evidência do direito material pleiteado, mas à evidência de que é preciso pôr um fim ao processo. As tutelas de evidência servem para demonstrar para o juiz que, independentemente da urgência, o direito é tão evidente, que o caminho do processo pode ser acelerado. Bem como, para demonstrar que há protelação da outra parte. Exemplo de tutela de evidência: o autor propõe uma ação para obter a restituição de uma taxa que, em sede de recurso repetitivo, foi reconhecida como devida. Com efeito, seguem os requisitos para a concessão da tutela da evidência: · ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; · as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante – cabe decisão liminar; · se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa – cabe decisão liminar; · a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. A tutela da evidência NÃO depende da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, como ocorre com a tutela de urgência. CITAÇÃO CONFORME O NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ㅤ 1- O QUE É CITAÇÃO Em resumo, citação é aquele momento em que o réu é chamado a comparecer no processo, quando a relação processual se triangulariza, pois haverá autor, réu e juiz atuando em conjunto. A citação é um pressuposto processual de validade do processo. Veja o que o Código de Processo Civil define sobre o tema: Art. 238 Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual 2- EFEITOS DA CITAÇÃO Quando a citação é realizada e é válida, ela produz alguns efeitos, que vão atingir todos que fazem parte daquela relação processual. São basicamente 5 efeitos: · Induz litispendência para o réu: Consiste a litispendência em tornar completa a relação processual trilateral (juiz, autor e réu) em torno da lide.Por força da litispendência, o mesmo litígio não poderá voltar a ser objeto, entre as partes, de outro processo, enquanto não se extinguir o feito pendente. · Torna a coisa litigiosa: Uma vez que o réu é citado, aquele bem jurídico que está sendo discutido naquela demanda passar a estar diretamente ligado ao processo e sofre suas consequências. · Preclusão para o autor do direito de poder modificar sua petição inicial: A partir da citação do réu, o autor não poderá alterar sua causa de pedir, o pedido ou sua petição inicial.Após a citação, a autor somente poderá alterar a inicial apenas com autorização do réu e até a fase de saneamento. · Constituição em mora do devedor: Caso a demanda esteja discutindo uma dívida em que não haja uma data para o pagamento, a citação cria essa data e a partir dela começa a conta a mora (atraso) do devedor diante daquela obrigação. · Interrupção da prescrição- Com o despacho inicial positivo do juiz e determinação da citação do réu ou executado, dá-se um efeito de direito material com a interrupção da prescrição. Atenção: A contagem é feita a partir da data da propositura da ação e não do despacho do juiz! Ou seja, o efeito retroage. Afinal, o autor só tem domínio do tempo até propositura a ação, pois proposta a ação, o andamento do processo depende do Poder Judiciário. Essa regra também se aplica a decadência! 3- REGRA GERAL PARA A CITAÇÃO Pelo CPC, a citação deve ser pessoal. ART. 242 A citação será pessoal, podendo, no entanto, ser feita na pessoa do representante legal ou do procurador do réu, do executado ou do interessado. Porém, há exceções. São elas: Exceção 1- Na pessoa do representante legal ou na pessoa do procurador do réu, do executado ou do interessado. Exceção 2- Na ausência do citando e quando a ação se originar de atos por eles praticados a citação será feita na pessoa de seu: mandatário, administrador, preposto ou gerente. Exceção 3- O locador que se ausentar do Brasil sem cientificar o locatário de que deixou, na localidade onde estiver situado o imóvel, procurador com poderes para receber citação será citado: Na pessoa do administrador do imóvel encarregado do recebimento dos aluguéis. Exceção 4– Pessoa de Direito Público: É realizada perante o órgão de Advocacia Pública responsável por sua representação judicial. Exceção 5- Citando Pessoa Jurídica será válida a entrega do mandado a: Pessoa com poderes de gerência geral ou de administração ou funcionário responsável pelo recebimento de correspondências. 4- OBRIGATORIEDADE DA CITAÇÃO A citação, em regra, é obrigatória em todos os processos. Porém, há 2 exceções previstas em lei: Exceção 1- Indeferimento da petição inicial (direito processual) Exceção 2- Improcedência liminar do pedido (mérito da demanda) Outro ponto que é importante destacar, o comparecimento espontâneo do réu no processo supri a nulidade ou falta de citação (ART. 239, §1º) 5- PROCEDIMENTO DA CITAÇÃO Regra Geral: A citação poderá ser feita em qualquer lugar que se encontre o réu, o executado ou interessado. As exceções visam preservar a dignidade da pessoa humana, princípio constitucional, que deve ser preservado durante o processo judicial. Exceção 1- Militar em serviço ativo. Será citado na unidade em que estiver servindo, se não for conhecida sua residência ou nela não for encontrado. Exceção 2– De quem estiver participando de ato de culto religioso; Exceção 3– De cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo ou afim, em linha reta ou na linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias seguintes; Exceção 4- De noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento; Exceção 5- De doente, enquanto grave o seu estado. Exceção 6- Quando se verificar que o citando é mentalmente incapaz ou está impossibilitado de recebê-la. Se constatada a incapacidade, a citação será feita na pessoa do curador. No caso da exceção 6, o juiz nomeará médico para examinar o citando, que apresentará laudo no prazo de 5 (cinco) dias. Reconhecida a impossibilidade, o juiz nomeará curador ao citando, observando, quanto à sua escolha, a preferência estabelecida em lei e restringindo a nomeação à causa 6- TIPOS DE CITAÇÃO De acordo com o Novo Código de Processo Civil, há 6 tipos de citação possível. São elas: 1. Citação Postal 2. Citação Por Oficial de Justiça 3. Citação Com Hora Certa 4. Citação Por Edital 5. Citação Por Chefe de Secretaria 6. Citação Por Meio Eletrônico 7. 7- CITAÇÃO POSTAL É a regra geral. A citação por correspondência é real, pois se tem a comprovação que o réu a recebeu. Independe de deferimento Exceção 1: Nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3o; Exceção 2: Quando o citando for incapaz; Exceção 3: Quando o citando for pessoa de direito público; Exceção 4: Quando o citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência; Exceção 5: Quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma. 8- CITAÇÃO POR OFICIAL DE JUSTIÇA Ocorre por determinação legal ou quando a citação postal tiver sido frustrada. 9- CITAÇÃO COM HORA CERTA Aquele que acontece depois que o oficial de justiça tenha ido 2x ao local e não encontrou o citando. O Oficial de Justiçainforma a pessoa que se encontrar no local que voltará em dia e hora específicos para proceder com a citação. Ele deve procurar saber as causas que levaram a ausência do réu. Será efetivada mesmo que a pessoa da família ou o vizinho que houver sido intimado esteja ausente. Ou se, embora presente, a pessoa da família ou o vizinho se recusar a receber o mandado. Feita a citação com hora certa, o escrivão ou chefe de secretaria enviará ao réu, executado ou interessado, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da juntada do mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrônica, dando-lhe de tudo ciência. 10- CITAÇÃO POR EDITAL É um tipo de citação ficta pois não se tem certeza que o réu a recebeu. A citação por edital é cabível em 3 hipóteses segundo o artigo 256 do NCPC: I – na ação de usucapião de imóvel; II – na ação de recuperação ou substituição de título ao portador; III – em qualquer ação em que seja necessária, por determinação legal, a provocação, para participação no processo, de interessados incertos ou desconhecidos. Considera-se inacessível, para efeito de citação por edital, o país que recusar o cumprimento de carta rogatória. No caso de ser inacessível o lugar em que se encontrar o réu, a notícia de sua citação será divulgada também pelo rádio, se na comarca houver emissora de radiodifusão. O réu será considerado em local ignorado ou incerto se infrutíferas as tentativas de sua localização. Há também alguns requisitos para que a citação por edital seja realizada. São eles: I – a afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das circunstâncias autorizadoras; II – a publicação do edital na rede mundial de computadores, no sítio do respectivo tribunal e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, que deve ser certificada nos autos; III – a determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre 20 e 60 dias, fluindo da data da publicação única ou, havendo mais de uma, da primeira; IV – a advertência de que será nomeado curador especial em caso de revelia. Atenção: A parte que requerer a citação por edital, alegando dolosamente a ocorrência das circunstâncias autorizadoras para sua realização, incorrerá em multa de 5 vezes o salário-mínimo. 11- CITAÇÃO POR CHEFE DE SECRETARIA Quando a parte comparece ao balcão da serventia judiciária, a pessoa é diretamente citada pelo escrivão ou chefe de secretaria. 12- CITAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO É um meio de citação real, muito comum para pessoas jurídicas. As empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio. Resposta do réu (Processo Civil) - (Lei nº 13.105/15) Princípio da ampla defesa, bilateralidade da audiência, defesa indireta, de rito ou contra o processo, defesa de mérito ou contra o mérito, defesas dilatórias e peremptórias. PROCESSO CIVIL | 31/JUL/2002 Atualizado de acordo com o Novo CPC (Lei nº 13.105/15) (23/jun/2016) 1. Direito de defesa Todo réu possui direito de ampla defesa, consoante determina o art. 5º, inciso LV, da CF. No processo civil, tal direito é exercido através da citação, que "é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de se defender”. A defesa é o “poder jurídico de que se acha investido o réu e que lhe possibilita opor-se à ação que lhe é movida”. Todavia, não é imprescindível que o réu se defenda. O princípio da bilateralidade da audiência impõe que o processo se desenvolva entre as duas partes, assegurando-se ao réu a oportunidade (e não a obrigação) de se defender. Há, assim, um ônus de se defender, significando que a omissão do réu em se defender será perfeitamente legítima, mas poderá acarretar consequências jurídicas. Por exemplo: findo o prazo de resposta, não mais poderá o autor desistir da ação sem a concordância do réu (art. 485, § 4º, do CPC), pois a partir desse momento, presume-se o interesse do réu a uma sentença de improcedência, ao lado do interesse do autor a uma sentença de procedência. 2. Características Assim como o direito de ação, o direito de defesa é também um direito público (pois é exercido em relação ao Estado); autônomo (pois independe da existência do direito material), e abstrato. Porém, difere daquele porque no direito de ação o autor formula um pedido, já no direito de defesa não, o réu não faz um pedido a quem o aciona (o autor), mas sim ao Estado, como, por exemplo, pedir uma sentença que reconheça a improcedência da pretensão do autor. 3. Espécies A defesa do réu pode dirigir-se: a) ao próprio instrumento de que se utiliza o autor: neste caso, o réu admite que a pretensão deduzida pelo autor é legítima, mas ele visa trancar ou postergar seu fim em decorrência de algum vício ou nulidade da mesma. Esta forma de defesa é conhecida como defesa indireta, de rito ou contra o processo; b) contra a pretensão deduzida pelo autor: neste caso, o réu visa uma sentença negando a pretensão do autor, pois alega que é ilegítima. Esta defesa denomina-se defesa de mérito ou contra o mérito. 4. Classificação As defesas contra o processo se classificam em dilatórias e peremptórias. a) dilatórias: apenas suspendem ou dilatam o curso do processo. · alegação de incompetência absoluta do juízo (art. 337, inciso II, do CPC); · existência de processo conexo (art. 337, inciso VIII, do CPC); · incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização do cônjuge (art. 337, inciso IX, do CPC); · falta de caução ou outra prestação que a lei exige (art. 337, inciso XII, do CPC). Em todas essas hipóteses, haverá a necessidade de se decidir quanto a competência ou a conexão, ou suprir-se a falta de capacidade da parte, o defeito de representação ou a ausência de autorização, e assim por diante. Não termina o processo, mas apenas posterga o seu término. b) peremptórias: são aquelas que, se acolhidas, põem fim ao processo, sem exame do mérito. · alegação de litispendência ou coisa julgada (art. 337, incisos VI e VII, do CPC); · carência da ação (art. 337, inciso XI, do CPC); · inépcia da petição inicial (art. 337, inciso IV, do CPC). 5. Prazo O art. 335 do CPC estabelece que o réu poderá oferecer, no prazo de 15 (quinze) dias, em petição escrita dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção. O início dos prazos estabelecidos para o procedimento ordinário variam conforme a forma de citação. Vê-se a importância daquele carimbo de “juntada” que é lançado nos autos e que se constitui numa certidão da prática desse ato, fixando o início do prazo de defesa. Início dos prazos para o procedimento ordinário: · citação pelo Correio: na data em que for juntado aos autos o aviso de recebimento (AR); · citação por mandado do juiz: na data da juntada do mandado de citação aos autos; · citação por carta de ordem, precatória ou rogatória: na data da juntada da carta de ordem, precatória ou rogatória devidamente cumprida; · citação por edital: na data do término do prazo fixado no edital. Obs.: Existindo vários réus, conta-se o prazo do último ato realizado – último aviso de recebimento, último mandado, última carta (art. 231, §1°, do CPC), sendo que o prazo para responder ser-lhes-á comum (art. 335, §1° do CPC), isto é, corre ao mesmo tempo para todos eles. Mas, se não estiverem representados pelo mesmo advogado, será contado em dobro – 30 dias (art. 229 do CPC). É importante salientar que, nesse caso, o procurador de um dos réus deve comunicar ao juiz essa circunstância – a de que não representa todos – até o 15º dia, juntando a procuração. Outra consequência é que o advogado não poderá retirar o processo para elaborar a defesa do réu que lhe outorgou procuração, pois prejudicaria a defesa do outro réu, salvo se a retirada for feita em conjunto pelos procuradores, ou comunicarem o ajuste entre eles para a retirada, ressalvada a obtenção de cópias para a qual cada procurador poderá retirá-los pelo prazo de duas a seis horas independentemente de ajuste e semprejuízo da continuidade do prazo (art. 107, §§ 2º e 3°, do CPC). Se depois que alguns réus forem citados, houver desistência contra aqueles que ainda não foram citados, o prazo de defesa começa na data em que os citados forem intimados da decisão que acolheu o pedido de desistência quanto aos demais. O prazo conta-se não do dia da juntada ou do término do prazo do edital, mas do dia útil seguinte ao ato (art. 224, § 3º, do CPC). Haverá suspensão do prazo nas férias forenses (art. 220 do CPC). Se o término recair num feriado ou em dia que houver fechamento do fórum ou antecipação do término do expediente, prorroga-se até o primeiro dia útil imediato (art. 224, § 1º, do CPC). Não se pode esquecer, também, a preclusão consumativa. Sabe-se que a preclusão é a perda da faculdade ou direito de praticar um ato processual. Por outro lado, sabe-se que os prazos são fixados em função de sua utilidade para a prática de um ato processual. Assim, em princípio, se o réu oferecer a sua resposta no 10º dia do prazo, não mais terá os 5 dias restantes, pois praticou o ato para o qual fora estabelecido o prazo. Não poderá, por exemplo, aditar a defesa apresentada. Os atos indicados no art. 335 têm de obedecer a forma escrita e indicar o juízo para o qual é dirigida a resposta. Pode ser entregue diretamente no cartório por onde tramita o feito ou protocolizada na comarca, ou ainda em qualquer protocolo judicial, de qualquer comarca do Estado de São Paulo, se o feito tramita perante a Justiça Comum deste.