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Marcela Giácoman & Marina Libório UNICAP - 7º Período ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA GASTROENTEROLOGIA -- CONCEITO: Doença Parasitária Crônica produzida por Trematódeos do Gênero Schistosoma, que Habitam o Sistema Venoso Portal ou Vesical (Homem, Alguns Animais) SINONIMOS: Xistose | Doença do Caramujo | Barriga D’água EPIDEMIOLOGIA ➢ Incidencia: Mundo = ± 200 Milhões | Brasil = 6 - 7 Milhões ➢ S. mansoni: Endêmico (52 Países) → Brasil = Principal Reservatório da América do Sul (Nordeste*) ↳ 19 Estados Brasileiros – Maior Endemicidade: AL | PE (82 Municipios)| SE | BA | MG ETIOLOGIA (parasitose) * Brasil (Unica Especie) ➢ Parasitas Humanos: Parasita - Schistosomatidae (família) | Schistosoma (gênero) * Nordeste ○ Espécies (5): S. mansoni* | S. japonicum | S. haematobium | S. intercalatum | S. mekongi ➢ Hospedeiro Intermediário: Molusco (caramujo, água doce) - Planorbidae (família) | Biomphalaria (gênero) ○ Espécies (3): B. Glabrata*| B. Straminea* | B. Tenagophila ➢ Hospedeiro Definitivo: Vertebrados (Homem, Mamiferos) CICLO EVOLUTIVO - Evolução → 2 Estágios de Vida: Assexuado (Hospedeiro Intermediário) | Sexuado (Homem) Schistosoma Ovo Comprimento = ± 150mm | Oval | Espículo Lateral | Casca Transparente | Miracídio Vivo no Interior (larva) = Ovo Maduro (em 7 dias) → Forma Encontrada nas Fezes | Rompe em Contato com Agua ↳ Produz Enz. Proteolíticas → Atravessa: Mucosa e Parede Intestinal → Alcança a Luz Intestinal Miracídio Comprimento = ∼ Ovo | Oval | Vive 8 horas | Tegumento coberto de Cílios (Movimento na Água) | Glândulas Anteriores (Penetração e Adesivas) | 1º Estágio de Vida Livre Esporocisto Origem: Após Penetração do Miracídio no Caramujo → Perde: Cílios | Glândulas de Penetração Cercária Origem: Esporocisto 2º | Comprimento = ± 0,5cm | Cauda Bifurcada | Glândulas (Penetração e Adesivas) | 2º Estágio de Vida Livre | Larvas - Infectantes: Por 12 horas após a eclosão Esquistossômulo Forma no Hospedeiro Homem Verme Adulto Esbranquiçado | Longo | Delgado | Comprimento = 10 - 15mm | Largura = 1 - 2mm | Sexos Separados | Habitat: Sistema Venoso do Hospedeiro → Sistema Porta*: Ramos Terminais da Mesentérica Inferior e/ou Vesicais nas Vênulas da Parede do Intestino (plexo hemorraidário) | Vida Media = 5 anos (até 30 anos) | ↑ Capacidade de Ovopostura (até 2 anos) ♂ Menor (± 1cm) | Grosso | Tegumento coberto de Tubérculos | Dobra-se sobre Si Mesmo, na prate posterior, Formando um Canal onde a Fêmea fica Acasalada (Canal Ginecóforo) no Estágio Adulto ♀ Maior (± 1,5 cm) | Fina | Tegumento Liso | Acoplada ao Macho, durante o Estágio Adulto, nas Vênulas Mesentéricas → Ovoposição: 100 - 300 ovos/dia TRANSMISSÃO: Contato com Água Contaminada com Cercarias (rios, lagos e açudes) → Cercaria Penetra na Pele Humana → Dermatite Cercariana ou Dermatite dos Nadadores ➢ Tempo de Penetração: 5 - 15 minutos ➢ Áreas Mais Atingidas (Pele e Mucosas): Pés + Pernas ➢ Horário: 10 - 16 horas (↑ Luz Solar/Calor) ➢ Local da Penetração (pele): Prurido local + Irritação | Eritema | Edema | Pápula | Dor CICLO BIOLOGICO → Tipo: Heteroxênico 1. Ovo Rompe em Contato com a Água → Libera Miracidio (Vivo/Infectantes: 8 - 10 horas) → Penetra no Caramujo → Esporocisto 1º (Perde: Cílios | Glândulas de Penetração) → Esporocisto 2º → Cercária (Após 4 semanas) - Nada livrimente na água ↳ 1 Miracidio = Milhares de Cercárias = Larvas - Infectantes: Por 12 horas após a eclosão 2. Cercárias Penetram Ativamente (Pele e Mucosas) no Homem (Hospedeiro Definitivo) → Perda da Cauda, Transformando-se em Esquistossômulos 3. Esquistossômulos → Circulação Venosa ou Linfática → Migração: a. Pulmão - Por Dias b. Circulação Geral (através da veia porta) c. Figado + Sistema Porta Intra-hepático (onde habita até a forma adulta) → Habitat dos Vermes Adultos: Maturação Sexual → Origina: Machos e Fêmeas Adultas → Reprodução Sexuada = Acasalamento Marcela Giácoman & Marina Libório UNICAP - 7º Período i. Migram para o Parênquima Hepático: Esplenomegalia | Febre | Sintomas Pulmonares | Linfadenopatia Generalizada 4. Migração Retrógrada → Fêmea+Macho Migram Juntos Contra o Fluxo Sanguíneo 5. Sistema Porto Mesentérico (Veias Mesentéricas - Inferior*): Ovopstura (100 - 300 ovos/dia), em 4 - 6 Pós-Infecção 6. Ovo Imaturo → 7 dias → Ovo Maduro: Reação Inflamatória + Produz Enzimas Proteolíticas → Atravessa: Mucosa e Parede Intestinal → Alcança a Luz Intestinal a. ⅓ – Eliminados nas Fezes (Ovo Maduro = 90 - 95%): Perpetuação do Ciclo, se, Condições Ambientais ↳ Penetração Cutânea ↔ Aparecimento dos Ovos nas Fezes = 3 - 4 semanas b. ⅓ – Corrente Sanguínea → Fígado: Ciculação Portal i. Embolização de Pequenos Ramos Intra-hepáticos da Veia Porta ii. Miracidio → Libera Antígenos → Reação Inflamatória Granulomatosa, com Formação de Colágeno Posterior → Fibrose Periportal = Achado Tipico | Granulomas Hepáticos/Intestinais (Evolução: Nodulos Cicatriciais)| Hepatoesplenomegalia ↳ Depende: Nº de Ovos | Grau da Resposta do Hospedeiro c. ⅓ – Pemanece na Mucosa Intestinal i. Disseminação de Ovos → Áreas de Necrose → Enterocolite Aguda → Granulomas QUADRO CLINICO FORMAS CLÍNICAS CARACTERISTICAS DIAGNOSTICO Esquistossomose Aguda ★ Doença Febril – 15 e/ou 45 dias Pós-Infecção ★ Causa: Reação Imune (hipersensibilidade) do Hospedeiro, 2ª à Exposição Maciça aos Antígenos Liberados pelos Esquistossômulos e 1ª Oviposição ○ Lesões Hepatoesplenicas: Hipersensibilidade do Hospedeiro** aos Antígenos Solúveis Secretados pelos Ovos ★ Mais Acometidos: Indivíduos Ø Contato com Ag do SM ★ Oligoassintomática (despercebida em área endêmica). Forma de Instalação e Quadro Clínico variam com o indivíduo ★ Dividida em: Forma Inaparente | Forma Toxêmica Fase Pré-Postural ★Inicio: 15 dias Pós-Infecção ★Sintomatologia Variada ○ Forma Inaparente – Assintomática + PF (+) ○ Oligoassintomática – Mal-estar | Febre (+/-) | Problemas Pulmonares (Tosse) | Mialgia | Desconforto Abdominal | Quadro de Hepatite Aguda (Provavel Causa: Produtos da Destruição dos Esquistossômulos) PF: Inaparente (+) Toxêmica (+) Testes Imunologicos (-) Leucocitose com Eosinofilia Acentuada (>1.000)* → Cd (eosinofilia acentuada): Evitar a Reação de Hipersensibilidade (Corticoide, por 10 dias), antes de Tratar a EM ↑ Globulinas Bioquímica Hepática (Transaminases): Leves Alterações Forma Aguda ★Inicio: 45 dias Pós-Infecção (dura até 120 dias) – Forma Toxêmica ○ Evolução para Fase Cronica: 4 - 6 meses ★Sintomatologia Acentuada - Doença Aguda Febril Intesa (Acompanha 1º Grande Surto de Ovoposição) ○ Geral: Sudorese | Calafrios | Cefaleia | Emagrecimento | Febre Alta | Urticaria | Astenia | Mialgia | Artralgia | Diarreia-Disenteria | Náusea | Vômito | Dor Abdominal | Tenesmo | Hepatoesplenomegalia Discreta | Linfadenopatia Generalizada | Tosse, Sibilo, Hemoptise (ocasionalmente) = Sindrome de Loeffel (Reação hipersensibilidade Pulmonar) Confundida com TB → Tosse Persistente, que Não Passa com Nada ○ Primoinfecção Maciça ou Pós-Reinfecção: HAP | Hipotensão | Choque → Internar ★Ø Tratamento: Sintomas Podem Persistir por 60 - 90 dias, com Remissão Espontânea em 60 - 90 dias – Por Isso Que Muitas Vezes Só Descobre Lá Na Frente, Quando Já Tá Com Consequênciae edema. Apesar de não serem muito frequentes, alguns especialistas tem encontrado tumorações localizadas, anômalas, denominadas de “formas pseudoneoplásticas”. Os raros casos vistos parecem que se devem à presença de grande numero de ovos num determinado ponto, provocando inflamação, com neoformulação celular e fibrosamento. Esses casos podem ser confundidos com carcinoma e, após a cirurgia, elucida-se a real causa da tumoração ou pólipo. Fígado As alterações hepáticas típicas surgem a partir do início da oviposição e formação de granulomas. Em consequência, teremos um quadro evolutivo, dependendo do numero de ovos que chega a esse órgão, bem como do grau de reação granulomatosa que induzem. No início o fígado apresenta-se aumentado de volume e bastante doloroso a palpação. Os ovos prendem-se nos espaços porta, com a formação de numerosos granulomas. Com o efeito acumulativo das lesões granulomatosas em torno dos ovos, as alterações hepáticas se tornarão mais sérias. O fígado, que inicialmente aumenta de volume, numa fase mais adiantada pode estar menor e fibrosado. Nesta fase, aparece o quadro de “Fibrose de Symmers”, ou seja, uma Peripileflebite granulomatosa, com neoformação conjuntivo – vascular ao redor dos vasos portais onde se vê uma retração da capsula hepática (capsula de Glisson) por fibrosamento dos espaços porta e manutenção da integridade do parênquima hepático. Dessa forma não se nota a cirrose hepática, mas sim a fibrose do órgão, cuja retração de sua capsula em numerosos pontos provoca a formação de saliências ou lobulações. Assim sendo, os granulomas hepáticos irão causar uma Endoflebite aguda e Fibrose periportal, a qual provocará obstrução dos ramos intra-hepáticos da veia porta com formação de pequenos trombos. Esta obstrução trará, como consequência, a manifestação mais típica e mais grave: a Hipertensão Portal. Essa Hipertensão Portal poderá intensificar-se com a evolução da doença causando no paciente uma série de alterações que seriam as seguintes: ● Esplenomegalia ● Varizes ● Ascite (Barriga D’água) Esplenomegalia Marcela Giácoman & Marina Libório UNICAP - 7º Período Inicialmente, ocorre uma hiperplasia do tecido reticular e dos elementos do Sistema Monocítico Fagocitário (SMF) que é provocada por um fenômeno imunoalérgico. Observa-se, predominantemente na polpa vermelha e centro germinal dos folículos linfoides, uma proliferação basofílica que coincide com um aumento de imunoglobulinas e posteriormente, devido principalmente a congestão passiva do ramo esplênico (veia esplênica do sistema porta) com distensão dos sinusoides. Varizes Desenvolvimento da circulação colateral anormal intra-hepática (shunts) e de anastomoses do plexo hemorroidário, umbigo, região inguinal e esôfago, numa tentativa de compensar a circulação portal obstruída e diminuir a hipertensão portal. Essa circulação colateral do esôfago leva à formação das “Varizes Esofagianas”, que podem romper-se provocando uma hemorragia, muitas vezes fatal. Ascite Este achado é visto nas formas hepatoesplenicas mais graves e é decorrente das alterações hemodinâmicas, principalmente a hipertensão. Prevenção A esquistossomose mansoni tem na espécie humana seu principal hospedeiro definitivo e as modificações ambientais produzidas pela atividade humana favorecem a proliferação dos caramujos transmissores. As condições inadequadas de saneamento básico são o principal fator responsável pela presença de focos de transmissão. É uma doença tipicamente condicionada pelo padrão socioeconômico precário que atinge a maioria da população brasileira. A presença de caramujos transmissores ou potencialmente transmissores, em uma vasta área do território nacional ligada às intensas migrações das populações carentes das áreas endêmicas à procura de empregos ou melhoria de condições de vida, aponta fortemente para formação de novos focos de transmissão. Esta situação resultaria na ampliação da já extensa área onde a doença se instalou. Estas considerações só permitem a inferência de que o controle e, quiçá, a erradicação da doença no Brasil, se situam, infelizmente, em futuro remoto. Apesar desta situação, é importante salientar que cada foco de transmissão tem características próprias e que a estratégia de controle tem que levar em conta estas peculiaridades. Assim, em pequenos focos, restritos às vezes a uma única coleção aquática, o aterro ou canalização deste criadouro pode resultar na extinção do foco. As medidas profiláticas gerais são: ● Tratamento da População ● Saneamento Básico ● Produtos cercaricidas de uso tópico Tratamento O tratamento quimioterápico da esquistossomose através das drogas mais modernas, oxamniquina e praziquantel, devem ser preconizados para a maioria dos pacientes com presença de ovos viáveis nas fezes ou na mucosa retal. Deve-se considerar que a esquistossomose mansoni é uma doença resultante da reação inflamatória dos ovos nos tecidos e que, diariamente, cada casal de S. mansoni pode levar à formação de cerca de 200 granulomas. Marcela Giácoman & Marina Libório UNICAP - 7º Período Desta maneira, a esquistossomose apresenta efeito acumulativo de lesões, o que pode resultar ao longo do tempo, no aparecimento de formais graves da doença. Por outro lado, mesmo nos indivíduos com cargas parasitárias baixas, podem ocorrer complicações, como a presença de ovos na medula espinhal levando à paraplegia e também, devido a características peculiares do sistema imunológico individual, pode ocorrer deposição de imunocomplexos na membrana basal glomerular gerando reação inflamatória com graves consequências renais. Em casos de indivíduos com alterações neurológicas, mulheres grávidas, doenças cardíacas graves e hepatite, deve-se estudar criteriosamente o uso de ambas as drogas. A suposição de que os vermes mortos por quimioterapia, quando levados pela circulação porta, causariam lesões apreciáveis no fígado está descartada e, hoje em dia, não é mais considerada relevante. O tratamento quimioterápico demonstrou, em vários estudos epidemiológicos, que pode prevenir as formas graves da doença e a faixa etária mais favorecida pelo tratamento seria a de jovens até 20 anos.e edema. Apesar de não serem muito frequentes, alguns especialistas tem encontrado tumorações localizadas, anômalas, denominadas de “formas pseudoneoplásticas”. Os raros casos vistos parecem que se devem à presença de grande numero de ovos num determinado ponto, provocando inflamação, com neoformulação celular e fibrosamento. Esses casos podem ser confundidos com carcinoma e, após a cirurgia, elucida-se a real causa da tumoração ou pólipo. Fígado As alterações hepáticas típicas surgem a partir do início da oviposição e formação de granulomas. Em consequência, teremos um quadro evolutivo, dependendo do numero de ovos que chega a esse órgão, bem como do grau de reação granulomatosa que induzem. No início o fígado apresenta-se aumentado de volume e bastante doloroso a palpação. Os ovos prendem-se nos espaços porta, com a formação de numerosos granulomas. Com o efeito acumulativo das lesões granulomatosas em torno dos ovos, as alterações hepáticas se tornarão mais sérias. O fígado, que inicialmente aumenta de volume, numa fase mais adiantada pode estar menor e fibrosado. Nesta fase, aparece o quadro de “Fibrose de Symmers”, ou seja, uma Peripileflebite granulomatosa, com neoformação conjuntivo – vascular ao redor dos vasos portais onde se vê uma retração da capsula hepática (capsula de Glisson) por fibrosamento dos espaços porta e manutenção da integridade do parênquima hepático. Dessa forma não se nota a cirrose hepática, mas sim a fibrose do órgão, cuja retração de sua capsula em numerosos pontos provoca a formação de saliências ou lobulações. Assim sendo, os granulomas hepáticos irão causar uma Endoflebite aguda e Fibrose periportal, a qual provocará obstrução dos ramos intra-hepáticos da veia porta com formação de pequenos trombos. Esta obstrução trará, como consequência, a manifestação mais típica e mais grave: a Hipertensão Portal. Essa Hipertensão Portal poderá intensificar-se com a evolução da doença causando no paciente uma série de alterações que seriam as seguintes: ● Esplenomegalia ● Varizes ● Ascite (Barriga D’água) Esplenomegalia Marcela Giácoman & Marina Libório UNICAP - 7º Período Inicialmente, ocorre uma hiperplasia do tecido reticular e dos elementos do Sistema Monocítico Fagocitário (SMF) que é provocada por um fenômeno imunoalérgico. Observa-se, predominantemente na polpa vermelha e centro germinal dos folículos linfoides, uma proliferação basofílica que coincide com um aumento de imunoglobulinas e posteriormente, devido principalmente a congestão passiva do ramo esplênico (veia esplênica do sistema porta) com distensão dos sinusoides. Varizes Desenvolvimento da circulação colateral anormal intra-hepática (shunts) e de anastomoses do plexo hemorroidário, umbigo, região inguinal e esôfago, numa tentativa de compensar a circulação portal obstruída e diminuir a hipertensão portal. Essa circulação colateral do esôfago leva à formação das “Varizes Esofagianas”, que podem romper-se provocando uma hemorragia, muitas vezes fatal. Ascite Este achado é visto nas formas hepatoesplenicas mais graves e é decorrente das alterações hemodinâmicas, principalmente a hipertensão. Prevenção A esquistossomose mansoni tem na espécie humana seu principal hospedeiro definitivo e as modificações ambientais produzidas pela atividade humana favorecem a proliferação dos caramujos transmissores. As condições inadequadas de saneamento básico são o principal fator responsável pela presença de focos de transmissão. É uma doença tipicamente condicionada pelo padrão socioeconômico precário que atinge a maioria da população brasileira. A presença de caramujos transmissores ou potencialmente transmissores, em uma vasta área do território nacional ligada às intensas migrações das populações carentes das áreas endêmicas à procura de empregos ou melhoria de condições de vida, aponta fortemente para formação de novos focos de transmissão. Esta situação resultaria na ampliação da já extensa área onde a doença se instalou. Estas considerações só permitem a inferência de que o controle e, quiçá, a erradicação da doença no Brasil, se situam, infelizmente, em futuro remoto. Apesar desta situação, é importante salientar que cada foco de transmissão tem características próprias e que a estratégia de controle tem que levar em conta estas peculiaridades. Assim, em pequenos focos, restritos às vezes a uma única coleção aquática, o aterro ou canalização deste criadouro pode resultar na extinção do foco. As medidas profiláticas gerais são: ● Tratamento da População ● Saneamento Básico ● Produtos cercaricidas de uso tópico Tratamento O tratamento quimioterápico da esquistossomose através das drogas mais modernas, oxamniquina e praziquantel, devem ser preconizados para a maioria dos pacientes com presença de ovos viáveis nas fezes ou na mucosa retal. Deve-se considerar que a esquistossomose mansoni é uma doença resultante da reação inflamatória dos ovos nos tecidos e que, diariamente, cada casal de S. mansoni pode levar à formação de cerca de 200 granulomas. Marcela Giácoman & Marina Libório UNICAP - 7º Período Desta maneira, a esquistossomose apresenta efeito acumulativo de lesões, o que pode resultar ao longo do tempo, no aparecimento de formais graves da doença. Por outro lado, mesmo nos indivíduos com cargas parasitárias baixas, podem ocorrer complicações, como a presença de ovos na medula espinhal levando à paraplegia e também, devido a características peculiares do sistema imunológico individual, pode ocorrer deposição de imunocomplexos na membrana basal glomerular gerando reação inflamatória com graves consequências renais. Em casos de indivíduos com alterações neurológicas, mulheres grávidas, doenças cardíacas graves e hepatite, deve-se estudar criteriosamente o uso de ambas as drogas. A suposição de que os vermes mortos por quimioterapia, quando levados pela circulação porta, causariam lesões apreciáveis no fígado está descartada e, hoje em dia, não é mais considerada relevante. O tratamento quimioterápico demonstrou, em vários estudos epidemiológicos, que pode prevenir as formas graves da doença e a faixa etária mais favorecida pelo tratamento seria a de jovens até 20 anos.