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. DIREITO DO TRABALHO I SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4 CONCEITO ................................................................................................................. 5 CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DO TRABALHO .................................................. 7 PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO ............................................................... 9 O Princípio da Proteção ........................................................................................ 10 Princípio in dubio pro operario ................................................................. 11 Princípio da condição mais benéfica ........................................................ 12 Princípio da aplicação da norma mais favorável ...................................... 13 Princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas .................................. 14 Princípio da continuidade da relação de emprego............................................. 15 Princípio da inalterabilidade contratual lesiva ................................................... 16 Princípio da intangibilidade salarial .................................................................... 16 Princípio da primazia da realidade ...................................................................... 17 ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO .................................................................. 21 Varas do Trabalho ................................................................................................. 23 Tribunais Regionais do Trabalho......................................................................... 24 Tribunal Superior do Trabalho ............................................................................. 25 ACORDO, CONVENÇÃO E DISSÍDIO COLETIVO DE TRABALHO ........................ 27 A prevalência do acordado sobre o legislado .................................................... 28 Fim da ultratividade dos acordos e convenções coletivas ............................... 30 REGULAMENTO DA EMPRESA .............................................................................. 31 Poder de organização ........................................................................................... 32 Poder de controle .................................................................................................. 32 Poder disciplinar ................................................................................................... 33 Limites ao poder diretivo ...................................................................................... 34 INTERPRETAÇÃO DA NORMA TRABALHISTA ...................................................... 35 Interpretação ......................................................................................................... 37 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 40 INTRODUÇÃO O direito do trabalho, também chamado de direito trabalhista, é um ramo do direito privado que é responsável por regular a relação jurídica entre trabalhadores e empregadores, baseado nos princípios e leis trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Constituição Federal de 1988 regem as normas e regras que estabelecem os critérios mínimos para que essa relação seja harmoniosa e lícita, preservando os direitos de ambas as partes e a dignidade humana do trabalhador. Dentro das relações sociais contemporâneas, a função social de uma pessoa é geralmente estabelecida a partir do papel que ela desempenha no seu trabalho. Não é incomum, ao conhecer uma pessoa, que se pergunte o nome dela e “o que ela faz/no que ela trabalha”. O trabalho, portanto, não tem apenas o papel de garantir a renda. É por meio dele que conhecemos pessoas, estabelecemos relacionamentos e nos enquadramos dentro da sociedade. Mesmo assim, a relação jurídica do trabalho (num contrato realizado entre duas partes) é importante para garantir o sustento do trabalhador e, principalmente, a sua proteção e segurança, uma vez que essa relação é desigual, com uma parte menos favorecida do que a outra. O trabalhador oferece ao empregador suas habilidades, força de trabalho e tempo, enquanto o empregador lhe oferece dinheiro. Essa relação contratual para o trabalho, naturalmente desproporcional, precisa ser protegida por leis específicas que garantam amparo à parte hipossuficiente (o trabalhador). Dessa forma, as leis trabalhistas não só servem para manter uma relação jurídica de trabalho harmoniosa entre trabalhadores e empregadores, mas também protege a força de trabalho do país, garantindo direitos (alguns deles potestativos) e proteção, estabelecendo padrões que preservem a dignidade da pessoa humana. CONCEITO A definição do Direito do Trabalho pode ser analisada tanto sob um prisma subjetivista, enfocando as partes da relação justrabalhista (sendo o Direito do Trabalho aquele conjunto de normas e institutos destinados a regular o direito dos trabalhadores), quanto sob o aspecto objetivista, com destaque para o objeto principal do Direito do Trabalho, caso em que este seria a reunião de regras, princípios e institutos que regulam as relações de emprego. Explica o doutrinador Maurício Godinho Delgado (2003) que a melhor definição do Direito do Trabalho deveria conter ambos os aspectos, eis que a análise sob o primeiro prisma tem a vantagem de valorizar o caráter teleológico do Direito do Trabalho, que seria a melhora das condições de trabalho, enquanto o enfoque objetivista valoriza a categoria jurídica essencial do Direito do Trabalho, qual seja, a relação empregatícia. Deve ainda a definição abranger tanto o Direito Individual do Trabalho como o Direito Coletivo do Trabalho. Desta forma, o Direito do Trabalho é definido pelo supra citado autor como o complexo de princípios, regras e institutos jurídicos que regulam, “no tocante às pessoas e matérias envolvidas” (Delgado, 2003), sendo: “A relação empregatícia de trabalho e outras relações normativamente especificadas, englobando, também, os institutos, regras e princípios concernentes às relações coletivas entre trabalhadores e tomadores de serviços, em especial através de suas associações coletivas” (Delgado, 2003). A denominação “Direito do Trabalho” é, indubitavelmente, a mais utilizada nos dias atuais. Entretanto, este ramo também já possuiu outras denominações na história, tais como, Direito Industrial, Direito Sindical, Direito Corporativo, Direito Operário e Direito Social. Quanto às quatro primeiras expressões, estas já se encontram superadas pela doutrina, haja vista que não são hábeis a abrangerem todas as especificidades da matéria tratada pelo ramo do Direito em comento. Entretanto, a denominação Direito Social ainda é relativamente prestigiada. Os que defendem esta expressão afirmam que o Direito Social é um terceiro gênero do Direito, ao lado do Direito Público e do Direito Privado, e tem por escopo a cooperação e o solidarismo. Segundo seus adeptos, tal Direito assim deveria ser denominado em razão de ter nascido para resolver os problemas sociais dos trabalhadores, e por fundar-se na prevalência do coletivo sobre o privado. A expressão Direito Social, todavia, é alvo de duras objeções pelos doutrinadores. Refuta-se, principalmente, esta denominação, em razão da tendência socializadora de todo ramo do Direito, até mesmo do Direito Civil, o que pode ser exemplificado pelo Direito do Consumidor. O consumidor é fortemente protegido pelo sistema jurídico, e nem por isso este ramo é denominado “Direito Social”.O mesmo se diga em relação ao Direito Ambiental, que preza pelo aspecto social e pela proteção da coletividade. Na realidade, todo Direito é social, pelo que a expressão em análise seria demasiadamente abrangente. Entretanto, a expressão Direito do Trabalho também é alvo de críticas sem razão de sua amplitude, eis que tal ramo do Direito não abrange todas as relações de trabalho, como, por exemplo, o trabalho autônomo, o estagiário e o trabalhador eventual. Alguns afirmam, por isso, que a expressão mais adequada seria “Direito Empregatício”. Esta denominação, lado outro, seria restrita, tendo em vista que atualmente o Direito do Trabalho regula outras situações que não aquelas estritamente empregatícias, o que é o caso do trabalhador avulso. Desta forma, a doutrina optou, majoritariamente, pela denominação “Direito do Trabalho”. Acreditamos que esta é de fato a terminologia mais adequada, principalmente se a reforma trabalhista, como se pretende, ampliar a competência da Justiça do Trabalho para todas as outras relações de trabalho que não as empregatícias, mesmo que tais relações continuem a serem regidas por outros ramos do Direito. Por fim, cumpre diferenciarmos a denominação “Direito do Trabalho” de “Legislação do Trabalho”, expressão defendida por alguns na fase de consolidação deste ramo do Direito. Na verdade, não há que se falar em “Legislação do Trabalho”, haja vista que há uma universalidade de normas trabalhistas não restritas às leis, mas que englobam também institutos peculiares do ramo como as convenções e acordos coletivos de trabalho e as sentenças normativas, além de existirem também princípios doutrinários não necessariamente expressos em lei. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DO TRABALHO Como todo ramo autônomo, o Direito do Trabalho conta com suas características próprias, as quais – junto de suas normas e princípios – o diferenciam dos demais ramos. Assim como há divergência quanto à adoção do critério para a definição de Direito do Trabalho, também há quanto às características deste ramo. Todavia, algumas características se destacam entre diversos autores, são elas: protecionismo, intervencionismo, tendência ampliativa, imperatividade, coletivismo, justiça social e a socialidade. Nesse sentido, o protecionismo talvez seja a característica mais marcante do Direito do Trabalho, na medida em que ele tem por função tutelar o trabalhador, protegendo-o do detentor do poder econômico. Isso porque, em uma relação de trabalho, o empregado é hipossuficiente em relação ao empregador, estando em posição de subordinação. Essa tutela é conferida por meio de normas estatais que restringem a autonomia patronal na estipulação das regras do contrato de trabalho e confere ao sindicato o poder de reivindicação. Assim, o intervencionismo é justamente a intervenção feita pelo Estado nas relações entre empregado e empregador. A imperatividade, por sua vez, é entendida como a obrigatoriedade de observância da norma imposta pelo Estado e da norma celebrada com a organização sindical. Isso significa que as normas de direito do trabalho são imperativas, ou seja, devem ser cumpridas pelas partes envolvidas. Assim, embora as normas trabalhistas sejam flexíveis, os empregadores estão obrigados a respeitarem as disposições mínimas. Um exemplo disso é a que a CLT garante o pagamento de uma hora extra de, pelo menos, 50% superior ao valor da hora normal. O empregador, portanto, não pode se furtar de pagar esse mínimo (salvo celebração de acordo de compensação de horas), ainda que possa pagar um percentual superior. Já a característica de coletivismo do direito do trabalho se refere à ideia do trabalhador como integrante de uma classe, e não individualmente considerado. A justiça social é outra característica do Direito do Trabalho, uma vez que tem a função de tratar desigualmente os desiguais, na medida da sua desigualdade. O Direito do Trabalho age para corrigir a relação de desigualdade que existe entre empresário e trabalhador e, assim, promover os fins sociais almejados pela sociedade. Já a tendência ampliativa se justifica por ser o Direito do Trabalho um ramo do Direito ainda em formação. Em razão disso, ele tende a incluir nas suas regulamentações um número cada vez maior de relações laborais. Esse movimento de ampliação de seu conteúdo, inclusive, pode ser observado desde o momento de sua concepção como ramo autônomo, quando o trabalho temporário e o avulso ainda não eram regulamentados. Por fim, o Direito do Trabalho também se caracteriza por sua socialidade ou humanização, que nada mais é do que a prevalência dos interesses sociais sobre os individuais. Trata-se de uma clara tentativa de mitigação da concepção individualista que impera no Direito. A previsão do artigo 8º da CLT de que nenhum interesse individual ou interesse de classe pode prevalecer sobre o interesse público é uma ratificação da socialidade no Direito do Trabalho. PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO Cada princípio, individualmente, possui sua importância e função bem definida dentro do mundo justrabalhista, no entanto, no conjunto, formam uma sólida e complexa estrutura de proteção que busca o equilíbrio da relação jurídica desigual existente no cotidiano da relação de emprego. Faz-se importante o conhecimento dos princípios que orientam o direito do trabalho, no entanto, não nos prenderemos neste trabalho a analisar profundamente todos os princípios especiais do ramo juslaboral, contudo, apresentaremos sucintamente os principais, ressaltando o princípio relacionado diretamente vinculado ao presente estudo. Sem que seja conferida menor importância aos princípios aplicados ao segmento juscoletivo, contudo, devido ao foco do presente trabalho pender sobre os direitos e princípios individuais vinculados às relações de trabalho, a estes últimos pesa a necessidade de uma abordagem mais detalhada, a qual será feita a seguir. O Princípio da Proteção Encontramos neste princípio a representação da base do Direito do Trabalho em relação aos demais princípios do ramo juslaboral. Expressa uma estrutura de regras, institutos e princípios que confere ao empregado, polo hipossuficiente na relação de trabalho, condições favoráveis, equilibrando o plano jurídico existente na relação de trabalho. Considerável parte da doutrina indica este princípio como sendo a essência do Direito do Trabalho devido a influencia sobre toda a estrutura e características próprias deste ramo jurídico especializado, qual seja, a proteção do obreiro. Neste raciocínio, Plá Rodriguez, citado por Eduardo de Oliveira Campos (2009), define o princípio como esclarece: [...] Enquanto no direito comum uma constante preocupação parece assegurar a igualdade jurídica entre os contratantes, no Direito do Trabalho a preocupação central parece ser a de proteger uma das partes com o objetivo de, mediante essa proteção, alcançar-se uma igualdade substancial e verdadeira entre as partes. Deste modo, o princípio da proteção tem a finalidade de propiciar uma interpretação da relação de emprego segundo a qual se busca a melhoria de condição de vida para o empregado, face à sua desproporção econômica em relação ao empregador. (CAMPOS, 2009). Sob esse aspecto principiológico, vale destacar que o princípio da proteção tem como essência o fundamento do Direito Trabalhista que surgiu para nivelar as desigualdades sociais claramente existentes nas lides as quais se propõe solucionar, próprias do ramo justrabalhista. Nesse contexto, merece especial destaque os ensinamentos do grande jurista uruguaio Américo Plá Rodriguez, citado por Maurício Godinho Delgado (2013), o qual destaca a abrangência do princípio por meio de três diferentes dimensões: o princípio in dubio pro operario, o princípio da condição mais benéfica e o princípioda norma mais favorável. Verdade é que esse princípio basilar abrange quase todos os outros princípios do Direito do Trabalho na medida em que buscam essencialmente uma proteção especial aos interesses dos obreiros, afirmação corroborada pelos ensinamentos de Maurício Godinho Delgado (2013) ao tratar do princípio da proteção: [...] a noção de tutela obreira e de retificação jurídica da reconhecida desigualdade socioeconômica e de poder entre os sujeitos da relação de emprego não se desdobra apenas nas três citadas dimensões. Ela abrange, essencialmente, quase todos os princípios do Direito Individual do Trabalho. Princípio in dubio pro operario O princípio in dubio pro operario ou in dubio pro misero é o desdobramento lógico e concretizador do princípio da proteção. Materializa-se quando uma norma dotada de obscuridade ou interpretações ambíguas deve prevalecer aquela mais benéfica ao trabalhador. Assim, o princípio é aplicável somente quando se estabelece dúvida sobre os alcances da prova, sendo inaplicável quando este é insuficiente. Ruprecht (1995), citando Alonso Garcia (1980) afirma que: O princípio pró-operário se opõe no plano de sua formulação teórica ao de segurança jurídica, sobretudo quando traduzido na aplicação de normas que suponham a violação do que isso significa. A estabilidade da norma e a estabilidade da relação constituem garantia do ordenamento jurídico. Para que seja devidamente aplicado, é necessária a observância de dois requisitos básicos os quais fornecem a base para a existência do princípio do in dubio pro operario. O primeiro requer veracidade e autenticidade da dúvida quanto ao alcance de determinada norma jurídica, de maneira a coibir as tentativas de criação de novos direitos em favor da classe trabalhadora. Insta salientar que o intérprete da lei jamais substituirá o legislador. O segundo requisito, desdobrando-se como uma conclusão do primeiro, exige a consonância da interpretação adotada com a vontade do legislador. Embora seja o princípio in dubio pro operario uma das mais antigas referências doutrinárias relativa aos princípios juslaborais, contemporaneamente vem passando por questionamentos quanto a abrangência temática, visto a existência de um princípio específico que abrange a obrigatoriedade da aplicação da norma mais favorável e o aparente conflito com o princípio do juiz natural no que tange a avaliação e valoração das provas, hoje por sendo de justiça, pacificada pela teoria processual do ônus da prova. Contudo, destaca-se que a essência da velha diretriz se mantém viva pelo princípio da norma mais favorável. Princípio da condição mais benéfica Por este princípio, entende-se que as condições mais favoráveis constantes no contrato de trabalho, bem como dentre dispositivos concorrentes, devem ser preservadas, integrando assim um caráter de direito adquirido. Introduzida pela legislação, disposto no art. 468, da CLT, bem como pela jurisprudência trabalhista através das Súmulas 51, I e 288 do TST, o presente princípio dispõe que as cláusulas contratuais benéficas só poderão ser suprimidas quando substituídas por dispositivos que concederem vantagens mais amplas, sendo vedada a alteração para condições menos vantajosas. Assim sendo, quando do surgimento de uma nova regra que seja menos favorável, esta não se aplicará aos que já trabalharam sob as diretrizes anteriores, excetuando-se no caso das relações futuras. Se a alteração acarretar qualquer prejuízo para o trabalhador, esta será inválida, mesmo que o empregado tenha concordado. Faz-se imperioso salientar a existência de limitações de modo que a regra anterior somente será revogada por meio de disposição expressa contida na norma posterior, a necessidade de que haja consideração e fundamentação de que as normas novas sejam mais benéficas que as antigas, e a observação de que a nova regra encontra-se num sistema compensatório, em outras palavras, se a nova condição for menos benéfica, outras garantidas deverão ser instituídas para remediarem a derrogação da regra antiga. Em suma, o princípio da condição mais benéfica, encontra identidade na manifestação do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. Princípio da aplicação da norma mais favorável Informa este princípio que o operador do direito trabalhista deve optar pela regra mais favorável ao obreiro. No âmbito do direito do trabalho, essa forma de decidir a norma a ser aplicada se sobrepõe aos tradicionais critérios usados para resolver o conflito de normas no direito brasileiro. Por este motivo Tissembaum, citado por Ruprecht (1995) destaca que “este princípio é o de maior significação no Direito do Trabalho e que consagra um postulado totalmente distinto do Direito Comum”. Em uma visão ampla deste princípio, encontra-se compreendida três funções: informadora, ao influenciar o processo de construção das novas leis, de modo que aperfeiçoem o sistema jurídico, favorecendo a condição social do trabalhador; interpretativa ou normativa quando dispõe sobre a interpretação da norma que melhor se identifica com o sentido social do direito do trabalhador; e hierarquizante, que considera a hierarquia normativa, contudo, vê o Direito do Trabalho como plurinormativo, indo ao encontro da regra mais favorável, sem, no entanto, se olvidar do conjunto de regras que compõe o sistema jurídico e os sentidos básicos que sempre devem informar o fenômeno do Direito, sob o risco de criar ordens jurídicas provisórias e próprias para cada caso concreto. Baseando-se na fundamentação essencial de Tissembaum para o entendimento desse princípio, o lado prático da questão orienta que as normas supostamente conflitantes devem ser aproximadas e comparadas, ignorando consequências econômicas remotas e apreciações subjetivas das partes. A análise deve prevalecer sobre a situação da coletividade trabalhadora, uma categoria profissional, e não sobre o trabalhador específico, de maneira isolada. O intérprete da lei deve preferir a norma mais vantajosa, ainda que não corresponda aos critérios formais e tradicionais presentes nos conflitos normativos. Neste mesmo sentido Ruprecht (1995) esclarece que: A possibilidade de melhorar a posição dos trabalhadores constitui uma exceção do princípio da intangibilidade de regra imperativa, hierarquicamente mais elevada, razão pela qual uma disposição deve ser considerada ilícita quando se pode duvidar que seja mais favorável aos interesses dos trabalhadores. Por derradeiro, cabe salientar a existência de três sistemas distintos, originados de três correntes doutrinárias, utilizados para a determinação do emprego da norma benéfica: o primeiro e mais aceito pela doutrina e jurisprudência é conhecido como teoria do conglobamento, no qual é considerado o diploma normativo como um todo, estabelecendo a comparação entre duas normas em sua totalidade e excluindo a possibilidade de aplicar de forma simultânea disposições de ambas. O segundo sistema é denominado de teoria da acumulação, defende a extração das disposições mais favoráveis de cada norma, com respectiva aplicação das normas mais favoráveis consideradas isoladamente, desta forma, criando-se um novo diploma normativo. O terceiro, chamado de teoria do conglobamento mitigado, na qual é considerada as regras jurídicas mais favoráveis, respeitando-se a unidade do instituto ou da matéria. Devido ao trabalho despendido para a análise e comparação entre os institutos que se pretende aplicar esta teoria não tem expressividade no direito do trabalho brasileiro. Princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas Os direitos garantidos, pelo Estado, na legislação trabalhista ao trabalhador, são irrenunciáveis, indisponíveis e inderrogáveis e traduz a imperatividade das regras trabalhistas. Este princípio traz em essência a inviabilidade técnico-jurídicada capacidade do empregado abrir mão, mesmo que por sua própria vontade, das vantagens e proteções que o ordenamento juslaboral e o contrato devem minimamente conceder. Assim, não há contrato ou acordo que possa tornar esses direitos inefetivos. Desta maneira, o poder econômico dos empregadores não encontra caminhos de pressão ou coação contra o trabalhador para que este abra mão de seus direitos. Embora, seja aparentemente simples a compreensão deste princípio, parte da doutrina diverge sobre o alcance, fundamentos e significado, em relação a sua aplicação no Direito do Trabalho. Entende Maurício Godinho Delgado (2013) que o princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas deve ter tecnicamente esta nomenclatura, tendo em vista a amplitude da palavra "indisponibilidade" que transcende o termo "irrenunciabilidade", o qual é um ato unilateral. Desta forma, por este princípio, são inválidos todos os atos de renúncia ou transação, qualquer ato bilateral que importe em qualquer prejuízo ao obreiro. Por fim, esclarece Delgado (2013), que o entendimento racionalmente aceito sobre a significação do princípio, se traduz na "inviabilidade técnica-jurídica de poder o empregado despojar-se, por sua simples manifestação de vontade, das vantagens e proteções que lhe asseguram a ordem jurídica e o contrato". Princípio da continuidade da relação de emprego O interesse objetivado por este princípio é a continuidade da relação de emprego, de maneira que este se prolongue ao longo do tempo. Desta feita, por regra, os contratos são pactuados por prazo indeterminado. Em situações excepcionais, são permitidos contratos temporários, todas previstas em lei, contudo, desrespeitado os critérios dessa exceção, serão considerados os contratos como de prazo indeterminado. Considerando a garantia prevista pelo princípio da continuidade, buscando o prolongamento e estabilidade das relações de trabalho, ensina Olea et al. (1974) citado por Rodriguez (1997) que: O contrato de trabalho é, por assim dizer, um negócio jurídico de extrema vitalidade, de uma grande dureza e resistência em sua duração. O princípio geral do direito contratual de conservação do negócio, para que surta todos os seus efeitos, desejados pelas partes e pelo ordenamento jurídico, atua no contrato com especial intensidade. Em 1967, com a introdução da Lei nº 5.107/66 (FGTS), o princípio de continuidade da relação de emprego perdeu parcela considerável de sua força. Em 1988, a constituição federal estabelece a aplicação do FGTS como regra às relações de emprego. Posteriormente, a aparente incompatibilidade do FGTS com institutos de proteção da permanência do trabalhador no emprego foi afastada, sendo fortalecido o entendimento sobre a importância desse princípio por meio da proteção contra a despedida arbitrária e sem justa causa, bem como a instituição do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, instrumentos valiosos na prevenção da quebra do pacto laboral desmotivado. Por fim, cabe destacar que o presente princípio é suporte fático para um importante instituto justrabalhista: a sucessão de empregadores. Princípio da inalterabilidade contratual lesiva Considerada um dos principais princípios do direito civilista, plenamente aplicável ao ramo justrabalhista, com as devidas adaptações, o brocado pacta sunt servanda que integra o significado de que os acordos devem ser cumpridos. Porém, esse princípio não é absoluto, concedendo espaço para as alterações contratuais favoráveis ao empregado, as quais são naturalmente permitidas pela legislação trabalhista. De outra sorte, o princípio da inalterabilidade contratual lesiva, atua rigidamente contra as alterações desfavoráveis ao trabalhador, de tal modo que são expressamente vedadas por lei laboral, conforme se pode verificar por meio dos artigos 444 e 468, da CLT. Em suma, o princípio da inalterabilidade contratual lesiva proíbe a modificação dos contratos de maneira prejudicial ao obreiro, mesmo que seja com o seu consentimento, tal alteração será considerada inválida à luz da legislação laboral. Princípio da intangibilidade salarial O presente princípio estabelece que uma série de dispositivos legais que buscam proteger o salário do empregado, tendo em vista a função social que este desempenha na sociedade, bem como ser o salário a mais importante contrapartida da prestação de serviço na relação de emprego. A importância do tema é tão expressiva que tal proteção não se limita ao ramo justrabalhista, tendo especial proteção por um princípio jurídico geral previsto na constituição brasileira, o princípio da dignidade da pessoa humana. Projeta-se a partir desse princípio, o princípio da irredutibilidade salarial registrada na própria Constituição Federal de 1988 em seu art. 7º, inciso VI. Embora haja sobre o salário uma abrangente proteção legal, esta irredutibilidade não é absoluta, sendo comportado pela própria Constituição, exceções relacionadas à flexibilização e a redução temporária de salários mediante acordo ou convenção coletiva em ocasiões especificas desde que observados critérios específicos. Princípio da primazia da realidade Por ser o princípio da primazia da realidade um importante instrumento para compreensão do tema proposto no presente estudo, nos deteremos de maneira mais detalhada ao presente princípio, o qual será abordado sob a luz do direito laboral para o desfazimento de contratações simuladas. Chamado também como princípio do contrato realidade, este princípio informa sobre a priorização dos fatos ocorridos concretamente durante a prestação dos serviços, sobrepondo-se à eventual manifestação de vontade durante a relação jurídica, de forma que a prática habitual altera o contrato de trabalho, resultando, desta forma, novos direitos e obrigações entre as partes. Baseado na busca da verdade real que se mostra muito mais efetiva e intensa, tem sua origem no artigo 112 do Código Civil, o qual dispõe que "nas declarações de vontade se atenderá mais à atenção nelas consubstanciadas do que ao sentido literal da linguagem", destacando-se a prevalência da intenção das partes em detrimento da formal estrutura de sua expressão. No Direito Juslaboral, o princípio da primazia da realidade encontra seu enfoque no artigo 9º da CLT, o qual estabelece que "São nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação." Assim sendo, temos que o contrato de trabalho não exaure todas as características da relação trabalhista existente no instrumento escrito, incorporando todas as atividades e características geradoras de direitos ocorridas no cotidiano do empregado durante sua prestação de serviço. Nas sábias palavras de Arnaldo Sussekind (1993) esse princípio se define como aquele que, "em razão do qual a relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes, ainda que sob capa simulada, não correspondentes à realidade". O valor deste princípio mostra-se especialmente importante quando analisado o contexto histórico em que se desenvolveu; em um mundo do trabalho em que o contrato era meramente o cumprimento de um formalismo, visto que não possuía vínculos com a realidade diária, que em verdade, os contratantes eram totalmente desiguais. Para tentar minimizar essas distorções, o Estado passou a interferir nas relações de trabalho, criando dispositivos, que muito embora pareçam contraditórios, criavam uma nova desigualdade. Contrariando o entendimento dos operadores do direito civilista, para os quais todos os contratos eram de natureza civil decorrentes do princípio da "pacta sunt servanda", prevalente nas relações contratuais civis e livres da intervenção estatal; foi implantado na legislaçãotrabalhista o princípio da primazia da realidade com nítida interferência do Estado na formação e execução do contrato. O Direito do Trabalho surgiu com o objetivo de nivelar as desigualdades consequentes da liberdade de contrato entre pessoas com poder e capacidade econômica diferente existente à época, contratos que fatalmente conduziriam a diferentes formas de exploração. Tem-se assim, que o Direito do Trabalho surgiu para ação pontual da realidade que marca as relações de trabalho, realidade esta que por muitas vezes passam distante das formulações legais abstratas ou mascarada pela liberdade contratual, situação em que o princípio da primazia da realidade tem sua expressão máxima. Segundo o entendimento de Sérgio Pinto Martins, (2002) o princípio da primazia da realidade reside no sentido de que a verdade está muito mais nos fatos efetivamente constatados do que propriamente nos documentos a eles relacionados, este último, de menor importância ao se fazer essa comparação. Neste mesmo sentido é o ensino de Maurício Godinho Delgado (2013) segundo o qual, o presente princípio, denominado de princípio da primazia da realidade sobre a forma, revela-se como importante ferramenta na busca da verdade real nos litígios trabalhistas, desta forma: O princípio da primazia da realidade sobre a forma constitui-se em poderoso instrumento para a pesquisa e encontro da verdade real em uma situação de litígio trabalhista. Não deve, contudo, ser brandido unilateralmente pelo operador jurídico. Desde que a forma não seja da essência do ato, o intérprete e aplicador do direito deve investigar e aferir se a substância da regra protetiva trabalhista foi atendida na prática concreta efetivada entre as partes, ainda que não seguida estritamente a conduta especificada pela legislação. Algumas considerações a respeito deste princípio são de grande valor para uma concreta interpretação e compreensão dos reais propósitos desse trabalho, para tanto, faremos menção de precisas e minuciosas observações de Plá Rodrigues (1997) sobre o princípio da primazia da realidade: [...] o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, deve-se dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos. Esclarece ainda o jurista (RODRIGUEZ, 1997) que o: Desajuste entre os fatos e a forma pode ter diferentes procedências: 1) resultar de uma intenção deliberada de fingir ou simular uma situação jurídica distinta da real (esta que nos dará suporte à defesa do tema relacionado neste trabalho); [...] 2) provir de um erro; [...] 3) derivar de uma falta de atualização dos dados; [...] 4) originar-se da falta de cumprimento de requisitos formais. Em qualquer das quatro hipóteses apontadas por Plá Rodrigues, os fatos devem prevalecer sobre as formas. Assim sendo, cabe apontar que a aplicação deste princípio acarreta, consequentemente, na relativização da prova documental, a qual, dada a sua formalidade, pode ser constatada por outros princípios ou meios processuais do direito trabalhista, de tal maneira que se impera a aplicação desse princípio sempre que surgirem situações em que os fatos falarem mais do que as próprias provas surgidas na busca de solução de litígios trabalhistas, de modo que a produção de provas seja realizada em condições de igualdade pelas partes. Deve-se, contudo, trazer à lembrança que a proteção ao obreiro não é ilimitada, devendo ser facultada, constantemente, a oportunidade para que se alcance uma decisão de maneira justa, mesmo que contrário ao interesse do empregado. Por derradeiro, Plá Rodrigues formulou o princípio da primazia da realidade defendendo a prevalência da realidade juslaborativa sobre as formas normativas escritas, de maneira que havendo discordância entre o que realmente ocorre na prática e o registrado em documentos e acordos, deve prevalecer o que ocorre no terreno dos fatos; é a ideia do contrato realidade defendida por Mário de la Cueva, no qual os efeitos jurídicos e a aplicação do Direito do Trabalho não decorrem do acordo de vontades que integram o contrato de trabalho, mas, sim, da execução deste pela atuação do trabalhador na empresa. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO Ao lado do Legislativo e Executivo, o Judiciário corresponde a um dos poderes da União (art. 2º da CR/88), cujo principal objetivo é a solução definitiva dos conflitos de interesse em substituição à justiça privada. Tal poder é exercido através da jurisdição. Trata-se de função estatal atribuída a agentes públicos (juízes e tribunais) que aplicam o direito ao caso concreto, reconhecendo ou não a pretensão deduzida em juízo pela parte. Para Carlos Henrique Bezerra Leite (2018), a jurisdição é una independente da natureza jurídica do conflito. Todavia, para fins didáticos, a doutrina admite a sua divisão conforme alguns critérios. No tocante às regras de competência, a jurisdição pode ser comum ou especial. Ela é especial quando trata de matérias que extrapolam às atribuições da Justiça Estadual e Federal ordinárias. É o caso, por exemplo, da Justiça do Trabalho (arts. 111 a 117 da CR/88) e da Justiça Eleitoral. Com a edição da Emenda Constitucional nº 45, a competência da Justiça do Trabalho sofreu expressiva ampliação. Além dos conflitos oriundos da relação de emprego (arts. 2º e 3º da CLT), ela passou a ser responsável pelo julgamento das ações envolvendo relação de trabalho em sentido amplo, sem prejuízo de outras que guardam estreita ligação com o tema. Art. 2º da CLT: Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. §1º: Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. Art. 3º da CLT: Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único: Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Nesse sentido, são também da competência da Justiça do Trabalho, por força do art. 114 da CR/88, as ações que: envolvem o direito de greve; tratam de matérias ligadas à representação sindical; discutem penalidades administrativas aplicadas pela fiscalização do trabalho; executam as contribuições sociais reconhecidas em suas sentenças; abrangem acidentes do trabalho. Do ponto de vista organizacional, a Justiça do Trabalho integra o Poder Judiciário da União tendo, portanto, a sua estrutura federalizada. Nos termos do art. 111 da CR/88, os seus órgãos são: o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais do Trabalho e os Juízes do Trabalho que atuam nas suas respectivas Varas do Trabalho. Como é possível perceber no esquema abaixo, o Supremo Tribunal Federal não integra a Justiça do Trabalho, porém, em sede de Recurso Extraordinário, ele possui competência para julgar as causas decididas em única ou última instância (no TST), quando a decisão violar o texto constitucional ou declarar a inconstitucionalidade de lei federal. O Ministério Público, por sua vez, não compõe o Poder Judiciário. É instituição autônoma, permanente e essencial à função jurisdicional do Estado na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127 da CR/88). Varas do Trabalho O 1º grau da jurisdição trabalhista é composto pelas Varas do Trabalho. Geralmente, elas abrangem um ou mais municípios, cabendoà lei fixar a sua competência territorial. Até a Emenda Constitucional nº 24/99, as Varas do Trabalho eram chamadas de Juntas de Conciliação e Julgamento (art. 644, “c” da CLT), compostas por um juiz do trabalho e dois juízes leigos (sem formação jurídica) denominados vogais, que representavam os empregadores e empregados. Tal representação paritária também se estendia aos Tribunais Regionais e ao Tribunal Superior do Trabalho. Uma vez extinta essa representação classista na Justiça do Trabalho, é preciso ter cuidado ao ler os dispositivos que tratam do tema, pois, embora ainda presentes na CLT, eles se encontram revogados. Atualmente, na Vara do Trabalho, atua um juiz titular que é auxiliado por um juiz substituto, ambos nomeados e empossados pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho respectivo. Não sendo as ações de competência originária do TRT, todas as demais, conforme previsão do art. 114 da CR/88, são processadas e julgadas nas Varas. 23 (art. 112 da CR/88 c/c art. 668 da CLT). E de suas sentenças caberá Recurso Ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho competente. Art. 112 da CR/88: A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Art. 668 da CLT: Nas localidades não compreendidas na jurisdição das Juntas de Conciliação e Julgamento, os Juízos de Direito são os órgãos de administração da Justiça do Trabalho, com a jurisdição que lhes for determinada pela lei de organização judiciária local. Se na localidade houver mais de um juízo de direito, a competência para o julgamento das ações trabalhistas será determinada entre os juízes cíveis, seja por distribuição ou pela divisão judiciária local nos termos da lei (art. 669, §1º da CLT). Por fim, cabe destacar a importante função do distribuidor (arts. 713 a 715 da CLT). É ele que irá distribuir as reclamatórias trabalhistas, pela ordem rigorosa de entrada e sucessivamente, às diversas Varas do Trabalho, o que impede a escolha prévia de uma ação por parte do magistrado. Além de reforçar a imparcialidade no julgamento das reclamatórias, o distribuidor garante que as ações sejam distribuídas de forma equilibrada, a fim de evitar uma sobrecarga de trabalho em uma Vara em detrimento de outras. Com a adoção do Processo Judicial Eletrônico (PJe – JT) pela Justiça do Trabalho, a tendência é o desaparecimento do distribuidor, pois é o sistema informatizado que se encarrega da distribuição automática das ações trabalhistas. Tribunais Regionais do Trabalho Os TRT`s correspondem ao 2º grau da jurisdição trabalhista e são compostos por juízes do trabalho de carreira (chamados de Desembargadores do Trabalho), promovidos alternadamente por antiguidade e merecimento, bem como por membros do Ministério Público e advogados, segundo as regras estabelecidas no art. 94 da CR/88: Art. 94 da CR/88: Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. Parágrafo único: Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subsequentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação. De acordo com o art. 115 da CR/88, cada TRT é composto de no mínimo 07 juízes com idade entre 30 e 65 anos, nomeados pelo Presidente da República. O número de desembargadores varia em função do volume de processos submetidos ao Tribunal, podendo ser distribuídos ou não em Turmas. Aos Tribunais Regionais do Trabalho cabe elaborar os seus Regimentos Internos para dispor sobre a competência e funcionamento de seus órgãos jurisdicionais e administrativos (art. 96, I, “a” da CR/88). É, pois, muito importante que os advogados conheçam as normas internas dos Tribunais em que atuam para a adequada prestação de serviços. Em sede recursal, compete aos Tribunais julgar os recursos das decisões das Varas do Trabalho e, originariamente, as ações rescisórias, dissídios coletivos, mandados de segurança e demais ações previstas em lei e no seu Regimento Interno. Tribunal Superior do Trabalho Ocupando a cúpula da jurisdição trabalhista, o TST é composto por 27 ministros, dentre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 65 anos de idade, com notável saber jurídico e reputação ilibada. São nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal (art. 111-A da CR/88). Tal como ocorre nos Tribunais Regionais do Trabalho, um quinto das vagas do TST é ocupada por membros do Ministério Público do Trabalho e advogados (art. 94 da CR/88). E as vagas restantes destinam-se aos desembargadores do trabalho que são juízes de carreira. Conforme o Regimento Interno do Tribunal Superior do Trabalho, a sua sede fica em Brasília, apresentando o órgão jurisdição sobre todo o território nacional. Além da sua composição plena, ele é divido em: Órgão Especial, Seções, Subseções Especializadas e Turmas. No total, existem 08 Turmas com 03 ministros cada uma. A Presidência, Vice-Presidência e a Corregedoria-Geral são os cargos de direção do TST, preenchidos através da eleição dos ministros mais antigos, com mandato de 02 anos e vedada a reeleição. Durante o exercício, os ministros eleitos deixam de compor as Turmas e passam a gozar de novas atribuições previstas no Regimento Interno do Tribunal. Resumidamente, compete ao TST uniformizar a interpretação da legislação trabalhista e decidir, em última instância, questões de ordem administrativa da Justiça do Trabalho. As demais competências do Tribunal e de seus órgãos estão discriminadas no Regimento Interno, com destaque para o art. 74 da Resolução Administrativa nº 1.937/2017: Art. 74 da RA nº 1.937/2017: Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar, conciliar e julgar, na forma da lei, em grau originário ou recursal ordinário ou extraordinário, as demandas individuais e os dissídios coletivos que excedam a jurisdição dos Tribunais Regionais, os conflitos de direito sindical, assim como outras controvérsias decorrentes de relação de trabalho, e os litígios relativos ao cumprimento de suas próprias decisões, de laudos arbitrais e de convenções e acordos coletivos. ACORDO, CONVENÇÃO E DISSÍDIO COLETIVO DE TRABALHO O artigo 7º, inciso XXVI da Constituição Federal, estipula que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais o reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO: O artigo 611 da CLT, define Convenção Coletiva de Trabalho como o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO: É o acordo que estipula condições de trabalho aplicáveis, no âmbito da empresa ou empresas acordantes, às respectivas relações de trabalho. A celebração dos acordos coletivos de trabalho é facultada aos sindicatos representativos das categorias profissionais, de acordo com o art. 611 § 1º da CLT. DISSÍDIO COLETIVO: Poderá ser ajuizada ação de Dissídio Coletivo, quando frustrada a autocomposição de interesses coletivos em negociação promovida diretamente pelos interessados, ou mediante intermediação administrativa do órgão competente do Ministério do Trabalho. A legitimidade para o ajuizamento é das entidades sindicais, ou quando não houver entidade sindical representativaou os interesses em conflito sejam particularizados, cabe aos empregadores fazer o ajuizamento. Conforme artigo 612 da CLT, os sindicatos só poderão celebrar Convenções ou Acordos Coletivos de Trabalho, por deliberação de Assembleia Geral especialmente convocada para esse fim, consoante o disposto nos respectivos Estatutos. Nas entidades sindicais que tenham mais de 5 mil associados, em caso de segunda convocação, o quórum de comparecimento e votação é de 1/8 dos associados. E, além disso, a estipulação da convenção ou acordo coletivo de trabalho, não pode ser superior a 2 anos. O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação parcial de convenção ou acordo, está subordinado, em qualquer caso, à aprovação de assembleia-geral dos sindicatos convenientes ou partes acordantes (artigo 615 da CLT). A prevalência do acordado sobre o legislado A principal inovação trazida com a Reforma em relação aos acordos e convenções coletivas foi a adoção de uma nova regra, a da prevalência do acordado sobre o legislado. O assunto foi tratado em artigo anterior em nossa página, mas em síntese significa que o que ficar convencionado em negociações trabalhistas tem preponderância sobre a lei. Conforme redação dada pela Lei nº 13.467/17: Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho, observados os incisos III e VI do caput do art. 8º da Constituição, têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (Redação dada pela Medida Provisória nº 808, de 2017) I - pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II - banco de horas anual; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) III - intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) IV - adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei no 13.189, de 19 de novembro de 2015; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) V - plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado, bem como identificação dos cargos que se enquadram como funções de confiança; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) VI - regulamento empresarial; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) VII - representante dos trabalhadores no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) VIII - teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho intermitente; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) IX - remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado, e remuneração por desempenho individual; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) X - modalidade de registro de jornada de trabalho; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) XI - troca do dia de feriado; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) XII - enquadramento do grau de insalubridade e prorrogação de jornada em locais insalubres, incluída a possibilidade de contratação de perícia, afastada a licença prévia das autoridades competentes do Ministério do Trabalho, desde que respeitadas, na integralidade, as normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho; (Redação dada pela Medida Provisória nº 808, de 2017) XIII - (Revogado Medida Provisória nº 808, de 2017) XIV - prêmios de incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de incentivo; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) XV - participação nos lucros ou resultados da empresa. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (...). Assim, o artigo 611-A elenca um rol de direitos que podem ser modificados ou extintos com as convenções e acordos trabalhistas, esse rol não é taxativo, mas apenas exemplificativo. Importante salientar que a regra tem ressalvas, com limitações quanto aos assuntos passíveis de negociação, que estão elencados no artigo 611-B da CLT, que são direitos considerados essenciais e fundamentais, por isso não podem sofrer modificações, sob pena de ser ato ilícito. Sendo assim, o legislador limita a autonomia das partes nessas negociações, por isso é preciso ficar atento quanto aos direitos a serem tratados. Fim da ultratividade dos acordos e convenções coletivas A Reforma Trabalhista também alterou o parágrafo 3º do artigo 614 da CLT, extinguindo a ultratividade dos acordos e convenções coletiva do trabalho. Para esclarecimento, a ultratividade diz respeito a aplicação do disposto nas negociações mesmo após o termino de seu prazo, que é de até dois anos. A ultratividade era aplicada nas relações trabalhistas devido ao entendimento dos Tribunais do Trabalho, sendo editada a Súmula nº 277 do TST para regulamentar a questão. Com a Reforma a ultratividade se extingue, continuando o prazo de validade dos acordos estipulado em dois anos, mas sendo necessário a celebração de um novo para manter seus efeitos. Assim, os sindicatos passam a ter maior destaque e importância através das negociações e acordos, que precisam acontecer em determinado período de tempo, para manter os direitos negociados das categorias. REGULAMENTO DA EMPRESA Dentro da relação de emprego, a subordinação do empregado constitui uma das características fundamentais para a configuração do vínculo empregatício, contudo, pouco se fala a respeito da contrapartida à subordinação do obreiro, que é o poder de direção do empregador sobre as atividades exercidas pelo empregado no âmbito da relação de trabalho. O poder diretivo do empregador, de acordo com Amauri Mascaro Nascimento (2009), consiste na faculdade atribuída ao empregador de dirigir o modo como a atividade do empregado é exercida em decorrência do contrato de trabalho e no âmbito da atividade empresarial. Fundamentado no Artigo 2º, da CLT, o poder diretivo do empregador se divide em três prerrogativas fundamentais dentro do local de trabalho: poder de organização, poder de controle e poder disciplinar. Poder de organização O poder de organização da atividade do empregado abrange a prerrogativa do empregador de dirigir a atividade empresarial, organizando-a de acordo com os fatores de produção, tendo em vista o objetivo fundamental da empresa, sendo decorrente da própria natureza da propriedade e responsabilidade do empregador sobre a empresa, com este assumindo os riscos inerentes à atividade empresarial. A organização da empresa não se limita ao aspecto econômico, mas também social, que abrange desde o dever do empregador à prestação de assistência gratuita aos filhos de até 06 anos dos empregados, com o fornecimento de creche ou pré- escola, passando por faculdades como o estabelecimento de regulamentos internos e planos de carreira para os empregados. Por fim, a prerrogativa de organização da empresa confere ao empregador a determinação quanto às normas de caráter técnico a serem seguidas pelos empregados, as quais podem ser transmitidas por contato verbal individual ou coletivo, ou por comunicados escritos. Poder de controle O poder de controle do empregador, também chamado de poder fiscalizatório, abrange as prerrogativas concernentes à capacidade de fiscalização e acompanhamento contínuo da atividade desempenhada pelo empregado, justificando-se pela necessidade de ciência do empregador de que vem recebendo o serviço para o qual o empregado fora contratado. O poder de controle se distingue do poder de organização por seu caráter específico à atividade desempenhada por cada empregado e seu comportamento no local de trabalho, ao passo que o poder de organização se dedica a gestão da atividade empresarial como um todo. São atos típicos do exercício do poder de controle do empregador o controle de portarias, as revistas, o emprego de circuito fechado de televisão, controle de horários e frequência do trabalhador,prestação de contas, controle de qualidade do serviço prestado, monitoramento do uso de e-mail corporativo. Poder disciplinar O poder disciplinar do empregador constitui a prerrogativa de exercício da autoridade sobre o trabalho realizado pelo empregado, complementando o poder de direção da atividade profissional com a capacidade de impor sanções disciplinares. O exercício do poder disciplinar deve necessariamente seguir o estatuto interno da empresa, quando existir, ou as convenções coletivas de trabalho, sendo ambas as normas subordinadas à legislação. Em que pese não esteja expressamente prevista em lei, admite-se o uso de advertências por escrito para o empregado, sob o argumento de que a autorização pela lei de sanção mais grave, como a suspensão, prevista pelo Artigo 474 da CLT. Com a autorização da aplicação de sanção mais grave e prejudicial pelo empregador, inexistem impedimentos para a aplicação de sanção mais branda, a qual não priva o empregado do trabalho e do recebimento de salário. Ainda dentro do poder disciplinar, o empregador possui a prerrogativa de encerrar o contrato de trabalho em decorrência da prática de falta grave do empregado, que torne a continuidade do vínculo empregatício insustentável, seja através da demissão por justa causa, seja através do ajuizamento de inquérito para apuração de falta grave, nos casos em que o empregado for dotado de estabilidade por força de lei ou convenção coletiva. Limites ao poder diretivo O poder diretivo do empregador e seu exercício não são ilimitados, possuindo limites tanto externos quanto internos. Os limites externos ao poder diretivo são aqueles previstos na Constituição, nas leis, nos acordos e convenções coletivas de trabalho, regulamentos internos da empresa e no contrato de trabalho firmado entre as partes; ao passo que os limites internos são pautados pela boa-fé objetiva das partes e o exercício regular de direito. O poder diretivo do empregador deve ser exercido com parcimônia, dentro de limites claramente estabelecidos e conhecidos pelas partes, não podendo o exercício do poder de direção pelo empregador contrariar as leis ou aviltar a dignidade do empregado, submetendo-o a situações vexatórias, tais como revistas íntimas ou outras condutas que lesem os direitos fundamentais do trabalhador. INTERPRETAÇÃO DA NORMA TRABALHISTA A interpretação do Direito é sempre necessária, sejam as normas obscuras ou claras, para se buscar o seu verdadeiro alcance. Para interpretar o Direito do Trabalho é preciso perquirir sobre seu sentido e alcance por meio de um trabalho interpretativo científico, e não meramente embasado em interesses econômicos, políticos e outros. A tarefa de interpretar o Direito do Trabalho começa com os doutrinadores e advogados, estes que são os primeiros juízes das causas, que levarão ao Judiciário o seu entendimento sobre as normas legais e, finalmente, os juízes do Trabalho têm a tarefa de dizer sobre o alcance das normais trabalhistas, se estão ou não em conformidade com a Constituição Federal, que é a lei maior a ser observada por todos. Por isso, o primeiro cuidado do intérprete de uma lei é verificar se ela se conforma com a Constituição Federal no do seu conteúdo. Como farol para esta importante tarefa do intérprete do Direito do Trabalho assegura o artigo 1º da Constituição Federal que a República Federativa do Brasil tem como fundamentos a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. O artigo 3º, por sua vez, consagra que constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Já o artigo 170 da mesma norma maior, que trata da ordem econômica no Brasil, preconiza que ela se fundamenta na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa e tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados, entre outros, os princípios da busca do pleno emprego. No ponto central do papel do Direito do Trabalho, o artigo 7º da Constituição Federal estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, todos aqueles inseridos nos seus incisos. São os chamados direitos mínimos, estando incluídos neles o piso vital mínimo ou patamar civilizatório, como denomina Maurício Godinho Delgado (2009). Como afirma Mauro Schiavi (2018): É consenso na doutrina, com grande prestígio da jurisprudência, principalmente a dos Tribunais Superiores, que a proteção à dignidade da pessoa humana é o fundamento de todo o ordenamento jurídico e também a finalidade última do Direito. A interpretação do direito não pode estar divorciada dos princípios constitucionais e, principalmente, dos princípios que consagram direitos fundamentais. Por isso, a moderna doutrina tem se posicionado no sentido de que os princípios fundamentais da Constituição Federal têm caráter normativo, tendo aplicabilidade imediata como se regras fossem. Esse piso vital mínimo de direitos visa a incluir socialmente os trabalhadores e garantir e implementar a proteção à dignidade da pessoa humana, o que está de acordo com o princípio protetor do Direito do Trabalho, que é a sua razão de ser, como medida de efetividade dos direitos fundamentais da pessoa humana e da realização do princípio da igualdade entre os atores sociais partícipes da relação de trabalho: trabalhador e o empregador. Assim, na busca de um norte para interpretar o Direito do Trabalho não se pode esquecer da segunda norma legal mais importante no nosso ordenamento jurídico (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), que no seu artigo 5º consagra uma das mais importantes regras para o intérprete, dizendo que “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” (BRASIL, 2010). O juiz deve, antes de aplicar a lei, interpretá-la e buscar o seu sentido e alcance. A interpretação da lei é sempre sociológica e teleológica e pode resultar na ampliação da norma (artigos 5º e 6º da CF 1988 — direitos fundamentais), na sua restrição ou na declaração de validade ou não do seu conteúdo por meio do controle difuso. Assim, o Poder Judiciário trabalhista tem a importante tarefa de determinar os fins sociais da lei trabalhista e o bem comum que ela visa a proteger, como algo que agrada e interessa a todos, ao povo, à comunidade e não apenas a uma parcela, especialmente àquela que detém os poderes econômico e político. Por isso, é de grande importância o papel do juiz do Trabalho, quer na interpretação das normas jurídicas materiais e processuais, quer na sua aplicação. Isto porque, como mostra a prática forense diária, "o Direito não é exatamente aquilo que está na lei, mas o que o juiz diz no caso concreto". É o magistrado quem dará a palavra final, sendo apenas provisória a interpretação dada pelos outros agentes do processo (o Ministério Público, o advogado etc.). Assim, para que o Direito do Trabalho seja efetivo e cumpra o seu papel de inclusão social dos trabalhadores, é preciso que o juiz esteja familiarizado com os problemas que envolvem o direito laboral, pois é ele um verdadeiro "médico das feridas sociais" (MELO, 2022), que são muitas e crescem a cada dia no nosso país. Interpretação a) Métodos de interpretação: • Gramatical/ literal; • Histórica; • Teleológica/ finalística: é a que mais atende o direito do trabalho, pois busca- se a finalidade da norma no direito do trabalho. Ex. Interpretação da norma como mais favorável para o empregado. • Lógico-sistemática: É também indispensável ao direito do trabalho, sistematizando a CLT (que é muito antiga) com a CR/88. EX: Art. 61 § 2º, CLT c/c Art. 7º, XVI CR/88. b) Tipologia dainterpretação: • Quanto ao resultado: Declarativa (quando o comando legal disse expressamente o que queria), extensiva (Quando o comando normativo diz aquém do que deveria); restritiva (utilizada quando o comando normativo escrito traz mais que deveria). • Quanto ao intérprete: Autêntica (Feita pelo legislador), jurisprudencial (Advinda do judiciário), doutrinária (De cunho dos doutrinadores). Integração a) Analogia (procedimento de integração de normas) Requisitos: • Existência de uma lacuna no direito; • Existência de um dispositivo legal regulando situação semelhante; • Existência de um ponto de contato entre situação regulada na norma e a situação para a qual não existe norma (Ex. Art. 72, utilizado tanto para os ali elencados quanto para os digitadores, que tem o ponto de contato no trabalho com as mãos). Aplicação a) No tempo: Súmula 277, TST. • Normas heterônomas (as provenientes do Estado, LINDB, Art. 2º, § 2º e SS) • Normas autônomas, 3 teorias: 1. Teoria da aderência irrestrita: Uma vez negociados e integrados aos contratos, os direitos não mais poderão ser suprimido. 2. Teoria da aderência limitada pelo tempo: Fixa de acordo com o tempo que está previsto no próprio instrumento. 3. Teoria da aderência limitada por revogação: A convenção coletiva é vigente até que a próxima a revogue. Teoria hoje adotada pelo TST. b) No espaço: Art. 651, CLT e Sum. 207, TST (cancelada) • As competências territoriais são definidas, em regra, pelo local de prestação do trabalho. • As competências para conhecer e julgar as causas trabalhistas são determinadas de acordo com o local de prestação de trabalho (desenvolvimento do contrato), em regra. • Em relação ao direito material, a regra geral é o princípio da territorialidade (que diz que será aplicada ao local de trabalho as regras do local onde se cumpre o trabalho). • Os acordos e convenções coletivas somente serão aplicadas ao local de vigência. REFERÊNCIAS BAPTISTA, Francisco de Paula. Compêndio de Hermenêutica Jurídica. São Paulo, SP: Saraiva, 1984. BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 4. ed. São Paulo: Ltr, 2008. BELÉM, Evandro de Oliveira e OLIVA, José Roberto Dantas. A importância do princípio da proteção na esfera do Direito do Trabalho. 2009. Disponível em: . Acesso em: 14 jul. 2022. 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