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A Transformação Digital na Educação no 
Mundo Globalizado 
 
Artigo - Transformação Digital e a Nova Globalização 
Maurício Antônio Lopes 
Presidente da Embrapa 
Quem quer que use os serviços do Uber, esse aplicativo para telefone celular que mobiliza 
um serviço de transporte semelhante ao prestado pelos taxistas, relata a mesma coisa: é 
atendido com rapidez por um motorista muito atencioso em um automóvel novo, com água 
gelada, revistas e jornais do dia. Logo descobre ser possível conectar-se a outro aplicativo, 
que lhe permite escolher músicas a seu gosto durante o trajeto. A despesa é até 35% 
inferior à de um táxi tradicional, e a cobrança é online, sem manuseio de dinheiro ou 
cartões de crédito, com recibo enviado por e-mail. 
O Uber é um dos frutos da nova globalização, definida não apenas pela troca de bens, 
serviços e capital entre países, mas também, e cada vez mais, por tudo que envolve fluxos 
de dados e informações digitais, como comércio eletrônico, computação em nuvem, 
videogames, redes sociais, dentre outros. Em estudo recente, o Instituto McKinsey Global, 
de Nova Iorque, concluiu que os fluxos transfronteiriços de bens, serviços, finanças, 
pessoas e dados, na última década, aumentaram o PIB global em cerca de 10% − em 
2014 um valor equivalente a cerca de US$ 7,8 trilhões. Os fluxos de dados e informações 
representaram cerca de US$ 2,8 trilhões deste ganho. O que é surpreendente, pois os 
negócios de base digital só se tornaram possíveis há cerca de 15 anos, enquanto o 
comércio tradicional existe há séculos. 
Uma nova globalização está nascendo com a transformação digital, fenômeno que produz 
profundas mudanças na forma como a tecnologia é criada, gerenciada e consumida. Se, 
há vinte anos, menos de 3% das pessoas tinham um telefone celular, hoje, mais de 65% 
dos habitantes do planeta têm um. Com a revolução digital, novas formas de trabalho e 
negócios estão surgindo, com impactos para trabalhadores, clientes, fornecedores e 
parceiros de todas as organizações, públicas ou privadas. A transformação digital expande 
oportunidades para que mais empresas, indivíduos e países participem da economia 
global. E muda o eixo dos negócios, já que empresas tradicionais, que, por exemplo, 
buscam vantagem competitiva em mão de obra abundante e barata, perderão espaço para 
aquelas que apostam em tecnologia e inovação. 
Essa mudança pode acentuar assimetrias, já que a lógica da nova economia digital 
favorece francamente as economias desenvolvidas, cujas indústrias avançam rapidamente 
para a fronteira da nova globalização. Deficiências em infraestrutura, que impactam a 
conectividade com o mundo digital, e em educação, que limitam a capacidade criativa e 
inovadora e o acesso aos serviços e bens do mundo digital, são dificuldades críticas para 
a participação dos países em desenvolvimento na nova economia. Isso pode levar a 
rupturas e exclusão, exigindo dos governos novas formas de apoio e suporte aos 
excluídos digitais. Cerca de 3,2 bilhões de pessoas no mundo já acessam a internet, mas, 
em 2015, outros quatro bilhões de pessoas ainda permaneciam desconectados do mundo 
digital. 
Esta rápida mudança tecnológica representa um imenso desafio para países como o 
Brasil, que precisarão, em curto espaço de tempo, redesenhar setores e negócios, da 
indústria pesada à agricultura e ao setor de serviços, para se alinharem ao novo cenário 
competitivo. Novos players, como o Uber, representam grande desafio para os negócios 
tradicionais, pois oferecem vantagens substanciais aos consumidores e ganham espaço 
com rapidez. Além disso, o impacto da transformação digital no mercado de trabalho 
precisará ser cuidadosamente considerado. Estudo recente concluiu que as tecnologias 
digitais em uso têm potencial para automatizar até 45% das tarefas realizadas pelas 
pessoas, o que, apenas nos EUA, equivaleria a uma economia anual de US$ 2 trilhões em 
salários. 
É certo que o Brasil precisará ajustar diversos setores da sua economia, seja finanças, 
varejo, transporte, logística, etc, a esta nova realidade. Por exemplo, segmentos 
estratégicos da agricultura e da bioeconomia − economia sustentável baseada em 
recursos biológicos e processos limpos e renováveis − são espaços privilegiados para o 
país na nova globalização digital. Nesses setores essenciais, conquistar a fronteira 
tecnológica não é só um desafio comercial, mas um imperativo estratégico. Ao incorporar, 
por exemplo, práticas e processos de precisão, amplo uso de sensores e mecanismos 
sofisticados de previsão e resposta a variações de clima, a agricultura, que é um 
importante pilar da economia brasileira, poderá assegurar equilíbrio nas três vertentes da 
sustentabilidade – econômica, social e ambiental, o que é uma exigência dos 
consumidores em todo o mundo. 
Mas é preciso compreender que a transformação digital não é apenas um destino a 
alcançar, mas uma jornada feita de mudanças contínuas em processos e modelos de 
negócios. Com a dinâmica alucinante que marcará o futuro digital, uma coisa é certa: o 
mundo experimentará uma nova globalização e aqueles que resistirem, presos aos 
paradigmas da era pré-digital, irão perecer ou viver pressionados por constantes "ventos e 
trovoadas". 
 
 
O artigo traz o exemplo de um serviço que, através do uso da tecnologia digital, revolucionou o 
mercado. Oferecendo uma prestação de serviço existente de modo mais econômico, ágil e 
cômodo para o cliente, apresentando um custo inferior ao praticado, foi possível fazer melhor 
e com menos. Dessa forma, o artigo traz uma realidade possível, que empresas buscam a todo 
o tempo para terem sucesso no mercado. 
Fazendo uma correlação direta com o espaço educacional (que mais nos interessa nesse 
momento de estudo), da mesma forma, instituições de ensino têm alterado o conceito de 
ensino/aprendizagem, inserindo, por exemplo, a educação a distância ou híbrida no mercado a 
custos mais baixos, proporcionando ao estudante acesso à formação de forma mais barata, 
prática e facilitada. 
Esse movimento é fruto da globalização e do uso em massa dos telefones celulares e 
computadores por parte dos consumidores, que passam, através dessas ferramentas, a 
consumir serviços e produtos de forma digital, como é o caso da educação. 
Assim, esses avanços têm levado o setor educacional a ser redesenhado sob uma nova 
realidade e um novo paradigma estratégico que veio para ficar. 
 
Transformação digital na Saúde e na 
Educação são debatidos no último 
dia do Futurecom Digital Summit 
08/07/2020 
Mais de 11 mil pessoas, com participação de internautas de todas 
as regiões do Brasil e de 22 países, tiveram acesso às discussões 
virtuais em oito dias de jornada 
O legado deixado pela pandemia do coronavírus já aponta para as 
grandes mudanças que o mundo globalizado tem absorvido em 
poucos meses de um aprendizado exponencial em todas as 
camadas sociais e corporativas. É o que destacam os participantes 
do último dia de debates do Futurecom Digital Summit no 
painel “Três anos de Transformação Digital em três meses: Como 
será a Sociedade do ponto de vista de saúde, educação, econômico 
e social em 2022?”. 
O encontro virtual reuniu Sidney Klajner, presidente da Sociedade 
Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Luis Cabral, vice-
presidente do Caribbean and Latin America (CSG); Carlos Melles, 
diretor-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e 
Pequenas Empresas (Sebrae); e Carlos Henrique Costa Ribeiro, 
chefe da Divisão Acadêmica de Engenharia da Computação do 
Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA). 
O Futurecom Digital Summit, organizado pela Informa Markets, 
totalmente gratuito, em oito dias de discussões on-line, que 
ocorreram entre os dias 22 de junho a 2 de julho, atraiu um público 
de mais de 11 mil pessoas, com participação de internautas 
de todas as regiões do Brasil e de 22 países, que tiveram
chegar nesses objetivos” (Participante D). 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B36
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B29
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B22
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#f2
Figura 2 Recursos indicados pelos entrevistados como fundamentais para o seu crescimento 
profissional como pesquisador da prevenção 
O perfil de gestor e militante da causa prevenção permite atender às demandas das 
políticas públicas, segundo os entrevistados. Um dos entrevistados exemplificou: “a 
demanda da sociedade é urgente e as políticas públicas não esperam o tempo 
necessário para a ciência comprovar evidências” (Participante E). Como indicado 
pelo relatório da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial, usuários, 
trabalhadores e gestores do campo da saúde e de outros setores solicitam 
investimentos e serviços em atenção básica e promoção de saúde mental (Sistema 
Único de Saúde, Conselho Nacional de Saúde, Comissão Organizadora da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - 
Intersetorial, 2010). Nesse cenário, as características pessoais apresentadas, como a 
crença de que a prevenção pode contribuir para transformações sociais, 
possivelmente oriunda de suas trajetórias de resistência política, associados ao 
perfil negociador de gestor, seriam vitais para responder a essa demanda social. 
Recursos educacionais e ocupacionais. Os recursos educacionais e ocupacionais 
mencionados pelos participantes foram o conhecimento de múltiplas teorias e áreas 
de conhecimento (para além da área de formação inicial), domínio de diversos 
métodos de pesquisa, experiência de formação no exterior, acesso a programas 
preventivos manualizados e dispor de equipes engajadas e competentes. O 
conhecimento de diferentes abordagens teóricas foi destacado por todos os 
entrevistados. 
Entre as abordagens teóricas, os pesquisadores citaram a necessidade de um 
conhecimento acurado de teorias do desenvolvimento humano, como o Modelo 
Bioecológico do Desenvolvimento (Bronfenbrenner, 1979/1996), a psicologia positiva (Seligman 
& Csikszentmihalyi, 2000), os estudos sobre a resiliência (Palludo & Koller, 2007) e a compreensão 
ampla e holística proposta pela saúde pública e saúde coletiva (Aguiar & Ronzani, 2007). 
Essas abordagens são coerentes com as histórias profissionais dos pesquisadores, 
como descrito previamente. Durante a jornada profissional dos entrevistados, essas 
teorias foram alicerces para que eles pensassem preventivamente e pudessem 
elaborar intervenções. 
A diversidade metodológica foi apontada como outra condição primordial para que 
os pesquisadores construíssem suas carreiras em prevenção no Brasil. Os 
pesquisadores indicaram a necessidade de metodologias mistas, com técnicas 
quantitativas e qualitativas. Como discutido no ciclo da pesquisa em prevenção, 
esse prevê diferentes etapas com perguntas de naturezas diversificadas e, por isso, 
métodos distintos podem ser necessários. 
Ter experiência de formação no exterior foi indicado como recurso essencial. 
Segundo os entrevistados, as experiências internacionais que tiveram durante o 
mestrado, doutorado e/ou pós-doutorado foram determinantes para se 
aproximarem da prevenção e ampliarem seu conhecimento sobre como fazer 
intervenções preventivas. Alguns pesquisadores tiveram o primeiro contato com a 
prevenção em sua experiência internacional, outros narraram que foi através da 
internacionalização que aprenderam a desenvolver intervenções preventivas e 
ampliaram seus métodos de avaliação. O contato internacional foi o recurso 
necessário para avançarem da pesquisa básica para intervenções. A longa e sólida 
história de pesquisa em prevenção em outros países pode justificar a relevância do 
suporte internacional (Albee, 1982). 
O acesso a intervenções internacionais manualizadas é outra contribuição da 
experiência no exterior. Os pesquisadores atribuíram o acesso a materiais 
internacionais, principalmente no formato de guias, manuais e descrição de 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B12
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B34
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B34
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B27
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B3
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B4
procedimentos, como suporte para implementarem intervenções. A partir dos 
manuais, o treinamento de estagiários, alunos e auxiliares de pesquisa era 
facilitado, o que agiliza o trabalho de criação ou customização das intervenções à 
realidade brasileira e consequente aumento da amostragem dos participantes. A 
literatura aponta que essa disponibilidade de materiais de replicação é uma etapa 
fundamental para a disseminação de intervenções, confirmada pelos entrevistados 
(Elliot & Mihalic, 2004). Em adição, os entrevistados destacam que as equipes funcionam 
satisfatoriamente se forem equipes produtivas e com suporte social e afetivo entre 
seus membros. 
Alguns entrevistados sugeriram que o fato de não limitarem seu estudo e aplicação 
à academia é um suporte à sua prática, conforme ilustrado neste relato: “eu acho 
fundamental vestir outra camisa, ver outras demandas, colocar a mão na massa” 
(Participante F). Os pesquisadores indicaram sua participação em organizações civis 
e em programas públicos como possibilidade basilar para conhecerem a realidade e 
pautar suas ações, inclusive acadêmicas, em propostas possíveis. Esse perfil 
múltiplo e aberto a experiências sociais concretas tem sido valorizado por órgãos 
nacionais de fomento (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, 2012) e avaliado 
positivamente em discussões sobre a disseminação da prevenção. 
Recursos ambientais. Os recursos ambientais caracterizaram-se por formalizações 
de redes entre pesquisadores e parcerias com órgãos acadêmicos e políticos (Figura 
2). A formalização de redes de pesquisadores inclui o contato com outros 
pesquisadores com a mesma formação e tema de pesquisa. Para tanto, indicam as 
parcerias obtidas por meio dos conselhos regionais e federais, principalmente os 
conselhos de psicologia e eventos promovidos por associações nacionais, como, por 
exemplo, os congressos da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e as reuniões 
da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP). Os 
entrevistados sugerem, também, a parceria com profissionais de outras áreas de 
formação que investigam o mesmo objeto de estudo. Os pesquisadores acreditam 
que o fato de participarem de equipes multidisciplinares tem sido um estímulo e 
ampliação do entendimento da prevenção e da própria prática. 
A formalização de grupos de estudo e grupos de trabalho em comunidades 
científicas nacionais e órgãos públicos seria uma estratégia de operacionalização da 
parceria com profissionais de diversas áreas. Dessa forma, os pesquisadores 
sugerem a participação em grupos disponíveis na Sociedade para o Progresso da 
Ciência (SBPC), por exemplo. Outros ambientes, que eles têm buscado parcerias, 
são os grupos de estudo e grupos de trabalho dos grandes órgãos de fomento, 
como a CAPES, o CNPq e
fundações regionais de amparo à pesquisa e, por fim, em 
grupos técnicos de prefeituras, governos estaduais e ministérios, como o Ministério 
da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério da Saúde. Os pesquisadores 
indicaram incluir a discussão da prevenção em grupos com temas diversos, visto 
que não há grupos específicos de prevenção nas sociedades acadêmicas e em 
órgãos públicos. 
As parcerias internacionais são outro tipo relevante de rede profissional (Lo Bianco, 
Almeida, Koller, & Paiva, 2010). Os pesquisadores apontaram que esse tipo de parceria 
proporciona agilidade ao avanço da área. Eles salientaram que o processo de 
adaptação cultural de intervenções com evidência de efetividade é mais rápido que 
a criação de intervenções e avaliações subsequentes, desde que a adaptação seja 
pertinente e respeitosa para com a cultura local. Para a internacionalização, os 
especialistas indicam que o contato pode ser iniciado por meio de visitas técnicas, 
participação em eventos internacionais e publicação em outras línguas, 
preferencialmente em inglês. 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B16
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B17
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#f2
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#f2
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B20
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B20
Para jovens pesquisadores, os entrevistados indicaram a formação de grupos de 
estudos e buscar se inserir em grupo de pesquisa já existentes, além dos todos os 
recursos discutidos. O valor dos grupos de estudo pode ser exemplificado na fala de 
um dos entrevistados: “quando nos procuram, as pessoas pedem um recurso ou 
alguma coisa, algo que temos orientado é: forme um grupo de estudos. Isso vai ser 
mais importante para você do que assistir uma conferência” (Participante A). 
Formação Profissional para a Atuação e Pesquisa em Prevenção 
A primeira recomendação para a formação profissional, feita pelos participantes, é 
a inclusão do ensino da prevenção nas diretrizes curriculares dos cursos de 
psicologia. Embora as diretrizes incluam ações preventivas em saúde mental como 
responsabilidade do psicólogo (Câmara de Educação Superior/ Conselho Nacional de Educação, 2004), os 
profissionais entrevistados indicaram uma deficiência de disciplinas específicas de 
prevenção e de práticas preventivas durante a formação. Para tanto, os 
entrevistados sugeriram a inclusão de disciplinas conceituais de prevenção, a 
inserção de conteúdos de prevenção em outras disciplinas e o desenvolvimento de 
atividade práticas preventivas desde o início do curso, preferencialmente em locais 
com demandas sociais diversas. 
Os pesquisadores indicaram cinco temas atuais que seriam essenciais para o ensino 
da prevenção: (a) metodologia científica para elaboração de intervenções; (b) 
conhecimento aprofundado de estatística e métodos de avaliação; (c) práticas 
psicológicas baseadas em evidências; (d) técnicas de gerenciamento e (e) 
conhecimento de políticas públicas das diferentes áreas de atuação do psicólogo. 
Metodologia de pesquisa e estatística são entendidas como condições para a 
elaboração e avaliação de intervenções preventivas. Como apontado na discussão 
sobre a pesquisa e a extensão, a ampliação de conhecimento em métodos diversos 
e estatística seria de fundamental importância para o desenvolvimento de 
intervenções cientificamente validadas, sejam elas com métodos quantitativos, 
qualitativos ou mistos, beneficiando o pesquisador e a população. Entretanto, essa 
parece ser uma lacuna presente na formação em psicologia (Pfromm Netto, 2007). 
O ensino de práticas baseadas em evidências é outra área de investimento para o 
avanço da prevenção. Para os entrevistados, buscar informações e avaliar a 
literatura especializada na área é fundamental para a formação sólida de 
profissionais da prevenção. Essa busca tem sido enriquecida pela discussão sobre a 
análise da melhor evidência disponível. Como defendido pela American 
Psychological Association (American Psychological Association, 2005), há necessidade de que 
evidências sejam apresentadas. Os entrevistados salientaram que a formação em 
práticas baseadas em evidências incluiria os professores, uma vez que muitos 
desconhecem essa temática. 
O domínio das políticas públicas e o ensino de técnicas de gerenciamento foram 
indicados como conhecimentos primordiais para disseminação dos programas 
preventivos. O conhecimento de políticas públicas incluiria políticas em todos os 
campos de atuação do psicólogo, como, por exemplo, políticas de saúde, cultura, 
educação, de proteção à criança e ao adolescente, de apoio aos idosos, de direitos 
humanos, de segurança pública e da previdência social, para que os programas 
possam ser disseminados pelos órgãos públicos. 
Um entrevistado enfatizou que a disseminação dos programas é uma questão de 
“business”. Para o entrevistado, ter uma linguagem acessível e focada nos 
benefícios advindos da prevenção e não puramente acadêmica, é requisito para 
estreitar os laços com os gestores públicos, como exemplificado em sua fala: 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B13
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B28
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B7
Como é que você vai vender o seu produto, a prevenção, seu pacote de prevenção 
para um gestor, você tem que mostrar que vale a pena ele investir, porque aí eu 
acho que é assim, chega neste ponto é uma questão de business. (Participante E) 
Esse mesmo argumento foi defendido em um estudo internacional ao afirmar que a 
inserção de estratégias de marketing e de gerenciamento de projetos, comuns às 
organizações privadas, por pesquisadores e universidade, poderia acelerar a 
disseminação de programas preventivos (Rotheram-Borus & Duan, 2003). 
Desafios e Perspectivas para a Prevenção em Saúde Mental no Brasil 
O primeiro desafio apontado pelos pesquisadores está relacionado às peculiaridades 
da atuação pesquisador-professor no Brasil. Os entrevistados indicaram que o perfil 
do pesquisador brasileiro é caracterizado pelo acúmulo de funções e um suporte 
reduzido de profissionais contratados que possam auxiliá-lo. Em geral, segundo o 
relato dos entrevistados, o pesquisador é o idealizador do projeto, o coletor de 
dados, o facilitador da intervenção, o suporte da instituição onde a intervenção é 
desenvolvida, o analista de dados, o supervisor de estágio, o professor de 
disciplinas gerais, o revisor de artigos e, em alguns casos, o coordenador da 
graduação ou pós-graduação. Não há profissionais contratados para dar suporte à 
implantação e avaliação das intervenções ou, quando existem, são insuficientes 
para atender às demandas dos pesquisadores. 
Os entrevistados indicaram a ausência de uma área de pesquisa em prevenção em 
saúde mental no Brasil. Os pesquisadores destacaram essa lacuna em sua 
identidade, pois, em geral, são identificados como especialistas da condição 
prevenida em seus estudos, como, por exemplo, pesquisador do tema violência, de 
álcool e drogas, de comportamento antissocial na infância e não como 
pesquisadores em prevenção. Dessa forma, indicaram áreas de conhecimento 
fundamentais para o profissional de prevenção e para a possível e futura criação de 
uma área de prevenção em saúde mental no Brasil. 
A prevenção estaria na interseção entre as áreas de atuação dos profissionais. 
Assim, percebe-se que a prevenção é um campo multiprofissional que faz
uso de 
conhecimentos produzidos em áreas de conhecimento como o desenvolvimento 
humano, avaliação de programas, ciência política, saúde coletiva, economia, 
pedagogia, serviço social, antropologia, educação física e direitos humanos, por 
exemplo. Como indicado pelos pesquisadores, o suporte de diferentes áreas de 
conhecimento enriquece o entendimento dos fenômenos a serem prevenidos. 
Entretanto, a ausência de uma área específica enfraquece a identidade do estudioso 
como pesquisador da prevenção e dificulta parcerias e avanços para a área. 
A organização da rede de saúde mental que prioriza o tratamento foi apontada 
pelos participantes como outra barreira para a prevenção. Por razões históricas 
associadas à reforma psiquiátrica, a prioridade da política de saúde mental tem sido 
a expansão e consolidação dos serviços de base comunitária a pessoas já 
adoecidas. Contudo, nos últimos anos tem havido uma pressão social crescente 
para que serviços de atenção básica e promoção de saúde mental sejam inseridos 
na política nacional de saúde mental (Sistema Único de Saúde, Conselho Nacional de Saúde, Comissão 
Organizadora da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial, 2010). A inclusão da prevenção e 
promoção de saúde mental na agenda política é certamente um dos desafios 
cruciais para a área. 
Uma síntese dos desafios e alternativas de enfrentamento sugeridas pelos 
pesquisadores está disposta na Tabela 1. 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B32
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#t1
Tabela 1 Desafios e alternativas relativos à pesquisa em prevenção em saúde mental no 
Brasil, segundo os participantes 
Desafios Alternativas sugeridas 
1. Avaliação dos 
resultados da 
intervenção preventiva 
Avaliar resultados em grupos de comparação não expostos à intervenção. 
2. Ausência da 
prevenção como área 
de conhecimento 
científico 
Informar os conselhos profissionais os avanços da área e contar com a divulgação deste em 
materiais como as revistas dos conselhos. Criar fóruns de discussão e seminários sobre a 
prevenção em saúde mental. Apresentar resultados de intervenções em eventos e congressos 
científicos. Criar grupo de estudo ou grupos de trabalho específicos para a prevenção em 
saúde mental em sociedades acadêmicas. 
3. Difusão do 
conhecimento 
científico 
Transformar os resultados de estudos científicos em textos e materiais acessíveis ao 
entendimento por público leigo. Divulgação de material de difusão científica de forma ilimitada e 
gratuita por páginas virtuais, programas de televisão, programas de rádio, revistas impressas e 
entrevistas com pesquisadores. 
4. Adesão e retenção 
de participantes 
Realizar intervenções na comunidade de origem dos participantes. Realizar intervenções em 
parceria com instituições ou órgãos públicos e privados, como Organizações Não 
Governamentais e Estratégia Saúde da Família. Incluir nas intervenções os agentes sociais da 
comunidade alvo, como professores, pais, líderes comunitários e médicos. Realizar pesquisas 
sobre os fatores preditores de desistência e engajamento para participar de intervenções. 
Replicar os estudos como estratégia para ampliar a amostra. 
5. Falta de recursos 
para estudos 
longitudinais 
Obter fomento em editais de apoio para pesquisas de curta duração (como dois anos), mas 
coletar dados longitudinalmente por meio de editais sucessivos. 
Os pesquisadores sugeriram alguns passos para uma agenda de pesquisa em 
prevenção no Brasil, que se subdividiria em três partes: a implementação e 
avaliação de programas preventivos, a formalização da área de prevenção em 
saúde mental e a disseminação de intervenções. 
Em primeiro lugar, como agenda para implementação e avaliação de intervenções 
preventivas, os pesquisadores entrevistados sugeriram: estreitar os laços da 
prevenção com a área da avaliação psicológica; adaptar e validar instrumentos para 
serem utilizados como medidas de avaliação de intervenções; desenvolver 
competência para a implantação e avaliação de intervenções baseadas em 
evidências durante a formação; aprimorar as tecnologias já existentes, com 
ampliação de recursos de avaliação e análise da efetividade desse material; 
desenvolver intervenções preventivas em equipe multidisciplinar, com parceria 
entre profissionais da saúde, professores, médicos, estatísticos e economistas; 
reconhecer e formalizar parcerias com pesquisadores da América Latina, para 
desenvolver intervenções facilitadas pela proximidade cultural dos países latinos e 
avaliar mediadores e moderadores para que as intervenções sejam mais breves, 
mais baratas e com bons efeitos. 
Em segundo lugar, no que diz respeito à formalização de uma área de prevenção 
em saúde mental, foram propostas as estratégias: realizar encontros de 
pesquisadores da prevenção, como simpósios e congressos; realizar pesquisas com 
profissionais de diferentes formações, investindo em parcerias interdisciplinares e 
participar de editais de pesquisa de inovação, buscando informação sobre os órgãos 
financiadores de pesquisa. 
Em terceiro lugar, no que concerne à disseminação, os participantes enfatizaram a 
comunicação com gestores e a população em geral e o investimento em estudos 
longitudinais. Especificamente, recomendaram: transformar os resultados de 
pesquisas em materiais interessantes para o público leigo; criar manuais e textos 
que facilitem a replicação das intervenções por outros profissionais em qualquer 
região do país; aprender a conduzir estudos longitudinais por meio de colaboração 
com parceiros de diferentes grupos e áreas de pesquisa e investir em pesquisas 
que analisam o custo-efetividade das intervenções preventivas. Essa análise 
ampliaria a comunicação entre pesquisadores e gestores públicos e privados. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Os relatos de pesquisadores em prevenção em saúde mental apontam desafios e 
direções para o avanço da área no país. A produção de conhecimento em prevenção 
em saúde mental no Brasil, segundo os pesquisadores entrevistados, pode se 
beneficiar de uma amplo conjunto de medidas, incluindo o desenvolvimento de 
múltiplas competências teóricas e metodológicas, a interlocução entre campos de 
conhecimento, a elaboração de medidas de avaliação adequadas à cultura 
brasileira, a aproximação entre as atividades de pesquisa e extensão, o 
aprimoramento do ensino de prevenção na graduação, a construção de redes de 
pesquisadores, a colaboração internacional e o diálogo entre a academia e as 
políticas públicas. 
Este estudo apresenta algumas limitações. Os achados aqui apresentados resultam, 
exclusivamente, de entrevistas com pesquisadores com produção regular publicada 
em artigos científicos nas bases de dados citadas (SciELO e PePSIC). Estudos 
futuros poderiam incluir outros autores relevantes no cenário da prevenção em 
saúde mental, tais como gestores de políticas públicas, gestores de organizações 
privadas que desenvolvam programas relacionados à prevenção e profissionais “da 
linha de frente”, como agentes comunitários de saúde, professores, funcionários de 
Organizações Não Governamentais, líderes comunitários e educadores, que atuam 
diretamente na implementação de ações preventivas. 
Esses achados resultam de um estudo inovador, baseado na busca de informações 
com os especialistas da área, que representam quase a totalidade de pesquisadores 
com alta produtividade no campo. Esses resultados, aliados aos obtidos em 
revisões da literatura da área (Abreu & Murta, 2016; Abreu et al., 2016; Menezes, 2013) e escuta a 
outros informantes-chave, podem subsidiar planos de ação para o avanço do 
ensino,
pesquisa e prática em prevenção em saúde mental no Brasil. Os avanços 
demandam tempo e um alto investimento pessoal, profissional e financeiro. Esse 
tempo poderá ser reduzido se a pesquisa em prevenção continuar sendo conduzida 
por profissionais capacitados e munidos de mais recursos, derivados das políticas 
científicas, da formação profissional continuada e da construção de redes de 
pesquisa, nacionais e internacionais. 
 
A proposta da segunda indicação de leitura obrigatória é complementar a 
reflexão acerca do tema “preservação da saúde mental no mundo globalizado em 
que vivemos”, voltando nosso olhar para a realidade nacional. 
O artigo apresenta, a partir do uso da técnica Delphi, experiências e 
recomendações de pesquisa com prática contínua de prevenção em saúde mental. 
Além de apresentar os principais impactos complicadores considerando a 
realizada do País e como políticas públicas, discutem como os profissionais se 
posicionam em relação às melhorias nas condições que são acometidos com 
alguma forma de doença mental, bem como apontam maneiras de prevenir 
adotadas no País. 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B2
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B1
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B23
O artigo comenta ainda sobre as 1021 solicitações urgentes para a melhoria dos 
serviços de saúde mental no Brasil decorrente da IV Conferência Nacional de 
Saúde Mental, a penúltima realizada no País, que gerou o último relatório de 
sugestões de melhorias de serviços de saúde mental no Brasil. Seguem os dados 
para os interessados em acessar o relatório da IV Conferência Nacional de Saúde 
Mental: 
 
Orientações para Leitura Obrigatória 
com comentários sobre as indicações 
 
https://books.google.com.br/books?id=Ihb0AgAAQBAJ&lpg=PA11&ots=PsHoomn
69K&dq=sa%C3%BAde%20mental%20e%20aten%C3%A7%C3%A3o%20psicossoc
ial%20paulo%20amarante%20pdf&lr&hl=pt-BR&pg=PA12#v=onepage&q&f=false 
 
Para Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde é, em linhas gerais, um 
estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na 
ausência de doença ou enfermidades. Ou seja, fale de saúde não é só fale da 
doença, e por isso a visão da OMS é bem moderna, mesmo essa descrição do 
conceito tendo surgido por volta de 1946, pois abarca o sujeito com um todo, 
individual e não coletivo. 
E Saúde Mental? Esse termo não tem uma definição determinada pela OMS, 
assim como a saúde, mas podemos estabelecer uma relação entre a ideia de 
doença, enfermidade também e tratar dele. E também estabelecer a conclusão de 
que falar de Saúde Mental seria muito mais do que seu negativo, ou seja, muito 
mais do que falar de transtornos e doenças mentais. 
Mas seria então falar do que exatamente? 
Para chegarmos em alguma resposta, primeiro, como nos traz Paulo Amarante no 
Capítulo 1 da obra apresentada, temos que compreender que não existe uma só 
forma de ver o mundo, ou seja, um modo correto e um errado de apreender a 
existência. A partir daí, refletir o quanto é complicado estabelecer um só conceito 
de normalidade. 
E por que pensar sobre normalidade? 
Porque, no geral, ao pensarmos no adoecimento mental, nos deparamos com o 
tema daquilo que não é normal, tendo no seu ponto máximo, por exemplo, a 
loucura. O louco seria, em teoria, o ponto máximo da ausência de saúde mental. 
Mas o que é a loucura? Ou seja, o que é ser mentalmente normal? 
https://books.google.com.br/books?id=Ihb0AgAAQBAJ&lpg=PA11&ots=PsHoomn69K&dq=sa%C3%BAde%20mental%20e%20aten%C3%A7%C3%A3o%20psicossocial%20paulo%20amarante%20pdf&lr&hl=pt-BR&pg=PA12#v=onepage&q&f=false
https://books.google.com.br/books?id=Ihb0AgAAQBAJ&lpg=PA11&ots=PsHoomn69K&dq=sa%C3%BAde%20mental%20e%20aten%C3%A7%C3%A3o%20psicossocial%20paulo%20amarante%20pdf&lr&hl=pt-BR&pg=PA12#v=onepage&q&f=false
https://books.google.com.br/books?id=Ihb0AgAAQBAJ&lpg=PA11&ots=PsHoomn69K&dq=sa%C3%BAde%20mental%20e%20aten%C3%A7%C3%A3o%20psicossocial%20paulo%20amarante%20pdf&lr&hl=pt-BR&pg=PA12#v=onepage&q&f=false
Diante dessas questões, Amarante evoca que vários teóricos, partindo nessa 
direção, deparam com outra questão: quem define o que é normal? 
E assim, chegamos cada vez mais perto de compreender que, quando pensamos 
nisso, percebemos que falar de Saúde Mental não é falar de um conceito em si, 
mas de um campo de conteúdos em movimento. Tratamos em si de uma luta por 
definir o modo correto ou o modo errado de viver nas sociedades, ou seja, o que 
é ou não normal. Sendo sem desvio que surge, então, o adoecimento, o transtorno 
e a loucura. 
Seria, então, pensar saúde mental um modo de controlar o pensamento das 
pessoas? 
Não só. Porque há sim um bem-estar, algo que é palpável quando cuidamos de 
nosso estar mental, que se reflete no psíquico e também no físico. Mas isso varia 
conforme o contexto no qual estamos inseridos. Nem tudo que traz bem-estar o é 
em qualquer lugar do mundo. Isso é tão claro que, por exemplo, em algumas 
culturas, ouvir vozes não é tido como um problema de saúde mental, 
entende? Enquanto em outras, é sinônimo de insanidade. Ou seja, o que temos 
por normalidade, loucura e, sendo assim, saúde mental é uma construção social e 
cultural – e, muitas vezes, política. 
Outro exemplo da importância dessa discussão é muito próximo de nós. Em um mundo 
onde devemos produzir o tempo todo, trabalhar muito mais do que nossas moldes, 
qualquer indício de tristeza ou de cansaço é denominado depressivo e, logo, tido como 
depressão. Não que a depressão não exista, mas por que ela surge em destaque em um 
mundo onde não se pode descansar? É de se pensar. 
E por que pensar sobre isso para refletir sobre a saúde mental em um mundo 
globalizado? Acreditamos que fica claro que, primeiro, porque precisa compreender o 
como se comum o que seria esse campo da saúde mental, suas regras, o que é normal, o 
motivo desse normal ser o que é, para então entender que ele varia conforme a realidade 
das culturas e das sociedades, como dito. 
O normal está o tempo todo sendo questionado por nós, de forma consciente ou não, 
pois ele prejulga uma rigidez da mente que não existe na prática. O texto de Amarante é 
sucinto, como toda essa obra, porque apresenta um panorama da transformação desse 
campo, que envolve questões sobre adoecimento mental, loucura, internação, bem-estar, 
principalmente no contexto do Brasil. Essa leitura é passo inicial fundamental para 
pensarmos globalmente sobre os cuidados médicos em Saúde mental daqui para frente, 
partindo do ponto inicial de compreensão esse amplo conceito. 
 
Saúde Mental tem tudo a ver com o tempo e o espaço. O tempo, porque é nele 
que se dá a vida, caracterizada por um recorte no tempo do mundo. O espaço, 
porque é nele que se dá a existência, o ser no tempo se localiza em algum lugar. 
A pandemia de 2020, por conta do Covid-19, veio colocar em várias questões 
elementos que se relacionam diretamente com o tempo e o espaço. Primeiro, 
porque dialoga diretamente com nossa permanência neste mundo, com a vida e, 
por assim dizer, com a morte. A fragilidade de manter esse recorte por vontade 
própria, ou seja, por manter a vida ficou evidente. Do espaço, porque percebemos 
que o mundo inteiro está mais conectado do que nunca e um problema que, 
aparentemente, não tem “nada a ver” com certa sociedade porque está 
acontecendo do outro lado do planeta, pode, sim, afetar todo o planeta. Nunca 
estivemos tão conectados, e não é só da internet que estamos falando. 
Neste vídeo, o Psicólogo e Mestre em Ciências Sociais Aldo Zaiden, a Médica 
psiquiatra doutora em Filosofia e Ativista da Luta Antomanicomial Ana Marta 
Lobosque, o Doutor em Psicologia Social Marcos Garcia e o Médico Psiquiatra 
Paulo Amarante refletem sobre o impacto transformações em nossa história,
em 
nossas vidas. Como lidar com o luto? Com o medo? Com ansiedade que esse 
momento trouxe e que ainda ressoará por muitos anos em nossa cultura? Na 
cultura do mundo? Como prevenir seus impactos? É possível fazer isso? 
Pensar Saúde Mental hoje é pensar um campo vasto, que abarca muito mais do 
que medicina. É se debruçar sobre as relações, sobre as incertezas e sobre o que 
nos é mais humano: a razão e os afetos. É escolher o que fazer com o tempo que 
nos é dado, no espaço em que habitamos e com aqueles com os quais nos 
relacionamos. Tudo isso diante da possibilidade de que o que aí está pode mudar 
a qualquer momento, pois é da vida a transformação e a impermanência. 
 
 
 
 
 
 
https://drive.google.com/viewerng/viewer?url=https%3A//library.educause.edu/-/media/files/library/2020/3/2020_horizon_report_pdf.pdf&embedded=true
https://drive.google.com/viewerng/viewer?url=https%3A//library.educause.edu/-/media/files/library/2020/3/2020_horizon_report_pdf.pdf&embedded=true
acesso 
aos debates virtuais com a mesma qualidade dos conteúdos do 
encontro físico do Futurecom 2020, que será realizado de 27 a 29 
de outubro. 
O Digital Summit contou com aproximadamente 30 horas de conteúdos preparados e 
apresentados por um verdadeiro ecossistema composto por mais de 100 profissionais 
representantes de empresas, associações e sindicatos de diferentes vertentes e 
segmentos da economia brasileira. Todo o conteúdo gerado nesses encontros virtuais 
está disponível no site do Futurecom 2020. 
https://cryptoid.com.br/2020/07/
https://www.futurecom.com.br/pt/home.html
Como será a relação consumidor x negócio? Qual será o modelo de gestão e 
estrutura? Foram os principais questionamentos debatidos neste encerramento do 
evento on-line. “A pandemia acabou sendo uma grande lente de aumento para o setor 
da saúde sobre aquilo que é ineficaz e, também, daquilo que é bom”, destaca Sidney 
Klajner, presidente do Albert Einstein. 
 
O sistema de saúde já impunha desafios de maior acessibilidade da população à área 
de saúde, às práticas assistenciais, à redução de desperdícios, a uma gestão 
coordenada de recursos da área, à reiteração por melhor financiamento da saúde para 
ampliar o acesso, enfim, a atual circunstância escancarou essas ineficiências. 
 
“Alguns avanços foram percebidos, especialmente este recurso da 
virtualização da relação, que estamos utilizando agora no 
Futurecom Digital Summit.” 
 
“Isso não foi diferente com a evolução que tivemos na telemedicina, 
na qual o Einstein foi pioneiro ao lançar em 2012, mas que o País 
ainda age com uma legislação feita em 2002, onde obriga a 
necessidade de ter médico nas duas pontas, impedindo de 
aproveitar as vantagens deste tipo de ferramenta, vencendo 
barreiras logísticas e geográficas, sem uma distribuição homogênea 
da medicina no Brasil.” 
 
“Mas com o decreto, ainda que temporário, conseguimos chegar em 
outros estados para dar capacitação profissional com ferramentas à 
distância, principalmente em UTIs”, afirma Klajner. 
Na opinião do presidente do Albert Einstein, “o grande avanço que a 
pandemia está nos trazendo é a possibilidade de discutir as 
ineficiências de maneira mais transparente para que, ao término 
desta crise, possamos influenciar positivamente o incentivo à 
inovação, à indústria nacional em saúde, à capacitação adequada. 
“É o desejo de fazer com que desafios de quem atua na saúde, 
principalmente para melhorar a longevidade e questões como 
doenças crônicas, possa ser exercido por meio de um sistema único 
e arrojado e que pode melhorar ainda mais”. 
 
A falta de uma liderança na gestão de saúde para cumprir a Constituição 
sentida nas esferas municipal, estadual e federal também foi colocada em 
debate, reforçando que a própria população irá tirar aprendizados com esse 
momento e poderá pressionar e influenciar lideranças políticas para conquistar 
esses avanços, juntamente com a atuação de players, stakeholders e 
empreendedores que têm interesse em melhorar todo esse ecossistema de 
saúde. 
 
No setor do empreendedorismo, Carlos Melles, diretor-presidente 
do Sebrae, atenta para o fato de que o universo de micro e 
pequenas empresas no mundo inteiro representa cerca de 99,5% 
de quase todas as empresas de todos os países. 
E no PIB (Produto Interno Bruto), esse percentual alcança em 
média 55% de participação das empresas nos países mais 
evoluídos. No Brasil, chega a 27%, conquistando também o seu 
protagonismo, com 18 milhões de pequenos empreendedores. 
“Iniciamos em fevereiro de 2019 um planejamento de modernização 
para as unidades de Sebrae de 27 estados e passamos a atuar em 
rede, digitalizados, tendo o digital como a comunicação mais 
importante para sermos o Sebrae que o Brasil precisa.” 
“Trabalhamos em sinergia com as áreas de governo, ministérios, 
prefeituras, lideranças, programas empreendedores como Sebrae 
Tec, desenvolvimento de regiões, entre outras, para elevar o nível, 
olhando a produtividade para ser competitivos”. 
 
Ao focar nesse aspecto, a consequência foi, sem dúvida, conquistar 
mais prosperidade para o setor PME, projetando um PIB 40% para 
os próximos dez anos. “Precisamos criar bons líderes para sermos 
bem liderados. E queremos preparar empreendedores para o 
futuro”, diz Carlos Melles. 
Entre as mudanças que a atual conjuntura provocou no Sebrae, 
registrou-se um movimento intenso de inclusão e transformação 
digital. “Não imaginávamos que estivéssemos tão bem preparados. 
E fizemos tudo o que precisava nesses três meses. Conseguimos 
colocar todos os nossos colaboradores em home office e exercer 
nosso principal ativo que é o atendimento de maneira exemplar. A 
procura para cursos aumentou em 160%. Nos surpreendemos com 
a grande transformação que fomos capazes de fazer em tão pouco 
tempo”, comemora Melles. 
 
“Temos que ser solidários e buscar parceiros para as pequenas empresas, 
incentivando a compra nesse meio. Foi o que fizemos, estimulando os 
aplicativos, como WhatsApp, e tivemos um crescimento significativo. É preciso 
retomar, reabrir, mas digitalmente”. Os incentivos ao crédito também têm sido 
olhados com muita atenção pelo Sebrae. 
 
Carlos Ribeiro, vice-reitor do ITA, ressaltou que na educação as 
tecnologias já estavam disponíveis. “O primeiro grande avanço foi 
genérico e um tanto vago, mas bastante significativo. Destacamos a 
experiência geracional (pessoas na faixa de 40 a 60 anos) das 
atuais lideranças com a crise mundial – situação que, até então, 
não tinham vivido.” 
“Mas produziu os resultados usuais, com a capacidade 
extraordinária da humanidade de se adaptar a uma dificuldade 
repentina, utilizando os meios disponíveis”, afirma Ribeiro. 
Aconteceram dois impactos na área da educação com avanços 
imediatos. Primeiro, as formas de interação em geral, que 
ocorreram em outras áreas, como a possibilidade de conduzir 
discussões, algo comum no ensino superior, como eventos de parte 
da rotina do professor, com participação em banca de defesas de 
teses, reuniões para discussão de projeto, com pessoas em lugares 
diferentes. 
“Esse novo modelo de encontro, até por uma questão de custo, vai 
ser a norma agora. Eventualmente, serão necessárias discussões 
presenciais para casos mais complexos, mas para a atividade de 
rotina o avanço é claro”, destacou o vice-reitor do ITA. 
No caso do modelo de negócios de educação, o chamado projeto 
pedagógico, é difícil falar de um avanço perene. Já existiam 
tecnologia e processos de políticas pedagógicas ligados ao ensino 
à distância, já praticado de forma consistente por muitas 
instituições, que envolve um framework específico, diferente do 
ensino clássico, dotado de um conjunto de tecnologia para atender 
quem não tem acesso ao campus. 
Do ponto de ensino presencial, em todos os níveis, o grande 
avanço foi no know how na disponibilização e busca do 
conhecimento de professores e alunos no uso de tecnologia para 
disseminação de conteúdos clássicos (apostilas, material), 
conteúdos de videoaula e, também, nas formas de interação com 
ferramentas de ensino on-line). 
A experiência de muitas instituições é de adoção massiva dessas 
tecnologias, professor tendo que reaprender a como dar aula 
usando esses instrumentos. Isso representa um avanço, pois, em 
várias instâncias, esse modelo é útil. Mas não há uma expectativa 
de se transformar em um modelo único. 
“Acreditamos que possa ser usado, no futuro, em um modelo 
híbrido, com essas tecnologias sendo parte do processo. A 
educação tem uma questão que torna as mudanças complicadas, 
especialmente quando precisam ser adotadas de forma 
emergencial, uma vez que a educação tem caráter reflexivo, as 
mudanças são lentas, que impactos têm, o que não combina com 
alterações bruscas”, pontuou Carlos Ribeiro. 
Ele reforçou que “adquirimos essa experiência e sabemos como 
tratar essas situações de mudanças abruptas.
A maioria das 
grandes instituições vai incorporar essas tecnologias. É fato que o 
ensino presencial tem características que não podem ser 
substituídas pela virtualização, mas há vários aspectos que este 
formato pode se beneficiar dessas tecnologias”. 
O maior avanço é a possibilidade de professores e alunos de se 
envolverem mais fortemente com ferramentas que já estavam 
disponíveis e que podem ser usadas de forma mais massiva. 
Luis Cabral, VP da CSG, que participou da conferência on-line 
direto dos Estados Unidos, destacou a revolução digital catalisada 
pela pandemia e, especialmente, a demanda das pessoas por 
hiperconectividade, uma mudança muito acelerada pela 
circunstância atual, que vai permanecer e será adotada por vários 
mercados e governos. 
Na parte de tecnologia, com provedores de telecomunicações e de 
serviços, a população enxerga a conectividade de forma imediata, 
seja pelo uso de chamadas de vídeo, ao pedir refeições em 
aplicativos, entre outras funcionalidades que foram implementadas 
a toque de caixa nos últimos meses. 
“Mas a mudança estrutural que essas empresas sofreram para 
prover essa conectividade é que foi o grande diferencial. É uma 
questão muito complexa e desafiadora. Temos que ter um cuidado 
com a segurança dos dados dessas pessoas e todo o sistema tem 
que caminhar nesse sentido”, afirma Cabral. 
Modelos do futuro 
Quais serão os impactos? Como vamos repensar esses modelos 
em um futuro próximo? Como vamos atender, por exemplo, o 
sistema de telemedicina, com uma conexão rápida? Luis Cabral 
reforçou que um outro ponto importante é a legislação. 
“É fundamental que o 5G entre no mercado brasileiro, precisamos 
da velocidade da conexão. Há a necessidade de aportar tecnologia 
para otimizar modelos de negócios, ou seja, é preciso ter toda uma 
infraestrutura para atender a diferentes frentes. Há ainda os 
desafios financeiros para investir em tecnologia”, alertou o VP da 
CSG. 
No suporte da saúde, a telemedicina se mostra extremamente 
eficaz. E o 5G também é primordial para que esse sistema ganhe 
escala e solidez, com uma cirurgia podendo ser realizada à 
distância. As consultas e atendimentos on-line também são 
bastante eficientes com benefícios como o de evitar o deslocamento 
de médicos e de pacientes. 
“80% de urgências leves são resolvidas por telemedicina”, explicou 
o presidente do Albert Einstein, que destacou que esse sistema 
coloca os médicos como tutores da saúde, uma transformação 
possibilitada com o auxílio da tecnologia. 
A tecnologia avança nas guerras. E a pandemia é uma guerra. Com 
isso, a transformação digital que já está há algum tempo em curso 
foi acelerada e otimizada, com ampliação do uso de Inteligência 
Artificial e big data, que permite avaliar um grande volume de 
dados. “Podemos ter um tratamento para determinado paciente de 
acordo com o sequenciamento genético”, pontou Sidney Klajner. 
“Essa transformação digital está acontecendo e foi impulsionada 
porque todas as instituições que trabalham com essa tecnologia 
dedicaram seus esforços no combate à pandemia, seja na coleta de 
um hemograma, interpretação por imagem e de dados que 
permitem fazer alguma projeção”, afirmou ele. 
O Sebrae também avança no contexto da transformação digital. E 
um dos exemplos trazidos pelo diretor-presidente da instituição foi a 
parceria firmada com o Magazine Luiza, Mercado Livre e Buscapé 
no uso de marketplaces, com inclusão de micro e pequenos 
empresários nessas plataformas digitais para vender seus produtos. 
“Melhoramos também os ambientes de startups, com aportes de 
recursos, para apoio às inovações, com as fintechs. “Entendemos 
que a retomada tem que ser digital, precisamos que estejamos 
todos aptos a conviver com esse mundo novo”, destacou Carlos 
Melles. 
É consenso que o cenário em 2022 será de mudanças significativas 
em diferentes setores provocadas pela transformação digital, com 
aspectos fundamentais como a questão comportamental que se 
aplica na educação, no empreendedorismo, na medicina, entre 
outros segmentos. 
Hoje, há um modelo de interação social que está mudando. A 
entrega deste serviço será por meio de uma transformação digital 
completa, desde a infraestrutura até o final da cadeia deste 
consumidor, com sistema de inteligência artificial e análise de 
dados, por exemplo. “Teremos uma evolução digital que vai mudar 
a forma como as pessoas interagem com as outras e com os 
negócios cada vez mais digital e a experiência do cliente tem que 
ser fim a fim”, concluiu Luis Cabral, VP da CSG. 
Inovar, adaptar e transformar é tema de painel no Futurecom Digital 
Summit 
Futurecom Digital Summit discute sobre as cidades inteligentes e as 
tecnologias a serviço da Justiça na pós-pandemia 
Sobre o Futurecom 
O Futurecom, o maior e mais importante evento de tecnologia, 
telecomunicação e transformação digital da América Latina, chega à 
22ª edição, que acontece de 27 a 29 de outubro. Lançado em 1998, 
na cidade de Foz do Iguaçu, o Futurecom foi transferido para 
Florianópolis posteriormente, onde ocorreu entre 2001 e 2007. A 
partir de sua décima edição, passou a ser realizado em São Paulo, 
com duas edições no Rio de Janeiro em 2012 e 2013. A realização 
https://cryptoid.com.br/banco-de-noticias/inovar-adaptar-e-transformar-e-tema-de-painel-no-futurecom-digital-summit/
https://cryptoid.com.br/banco-de-noticias/inovar-adaptar-e-transformar-e-tema-de-painel-no-futurecom-digital-summit/
https://cryptoid.com.br/banco-de-noticias/futurecom-digital-summit-discute-sobre-as-cidades-inteligentes-e-as-tecnologias-a-servico-da-justica-na-pos-pandemia/
https://cryptoid.com.br/banco-de-noticias/futurecom-digital-summit-discute-sobre-as-cidades-inteligentes-e-as-tecnologias-a-servico-da-justica-na-pos-pandemia/
da Futurecom seguirá as normas e regras estabelecidas pelas 
instituições estaduais e municipais. 
Sobre a Informa Markets 
A Informa Markets cria plataformas para indústrias e mercados 
especializados para fazer negócios, inovar e crescer. Nosso 
portfólio global é composto por mais de 550 eventos e marcas 
internacionais, sendo mais de 30 no Brasil, em mercados como 
Saúde e Nutrição, Infraestrutura, Construção, Alimentos e Bebidas, 
Agronegócio, Tecnologia e Telecom, Metal Mecânico, entre outros. 
Oferecemos aos clientes e parceiros em todo o mundo 
oportunidades de networking, viver experiências e fazer negócios 
por meio de feiras e eventos presenciais, conteúdo digital 
especializado e soluções de inteligência de mercado, construindo 
uma jornada de relacionamento e negócios entre empresas e 
mercados 365 dias por ano. 
 
A notícia traz informações recentes sobre a temática da transformação digital na 
educação, que foi discutida no Futurecom, maior evento de tecnologia, telecomunicação 
e transformação digital da América Latina. 
Considerando o atual cenário do Coronavírus, o texto aponta as transformações rápidas 
e emergenciais necessárias para uma adaptação educacional imediata frente à condição 
imposta de isolamento social. 
Ao discutir questões de saúde e de trabalho desafiadoras, colocadas pelo cenário da 
pandemia, destacou-se o impacto da tecnologia no campo da educação. Modificou-se a 
forma de interação com os estudantes, as quais passarão a ser a prática rotineira a ser 
seguida, ainda que sem restrições impostas pelo Covid-19. O ensino online trouxe uma 
nova forma de ensinar e de aprender, fazendo uso de tecnologias diversas. 
 
Tendências na educação digital: as 
previsões do Horizon Report 
 
O relatório Horizon Report – Edição para o Ensino Superior é publicado 
anualmente com as perspectivas de adoção das tecnologias digitais na 
educação superior. As análises consideram cenários de curto, médio e longo 
prazo e projetam de que forma tal tecnologia poderá ser utilizada na educação. 
Mas será que as previsões vêm se concretizando? 
Veja o que era esperado para o momento
atual nas previsões do relatório de 
2015. 
https://library.educause.edu/resources/2019/2/horizon-report-preview-2019
O que previa o Horizon Report de 2015 
TECNOLOGIAS A SEREM ADOTADAS NO CURTO PRAZO – 1 ano 
ou menos (ou seja, em 2016) 
 Bring Your Own Device – BYOD (traga o seu próprio dispositivo): 
Utilização do próprio recurso de tecnologia do aluno para aprender online. 
Ainda vemos muitas instituições que compram computadores e tablets 
para uso dos alunos. Mas a tendência de que cada um use o próprio 
dispositivo se consolida, especialmente no ensino superior. Hoje se fala 
muito em web responsiva (que se adapta a diferentes dispositivos) e 
mobile first (projetar um website primeiro para celular e depois adaptar 
para computador). Essas tendências de design adaptável a diferentes 
dispositivos mostram que o BYOD veio para ficar. 
 Learning Analytics and Adaptive Learning: Learning analytics é 
aplicação de web analytics no perfil do aluno e na análise das suas 
atividades de aprendizagem online. Adaptive learning é aplicação de 
learning analytics em softwares e ambientes virtuais de aprendizagem em 
abordagens de ensino não lineares, ou seja, que se adequam à performance 
de aprendizagem do estudante. Essa proposta está dentro do guarda-chuva 
do ensino personalizado e com a inteligência artificial está sendo possível 
criar grandes plataformas para ensino adaptativo. Ou seja, demorou um 
pouco mais para se desenvolver do que o previsto inicialmente, mas 
também parecem ser tendências que vieram para ficar. 
 
 
 Augmented and Virtual Reality – Realidade virtual e aumentada: A 
realidade virtual cria ambientes gerados por computação gráfica que 
simulam a presença da pessoa. Já a realidade aumentada sobrepõe uma 
camada de informação digital ao mundo físico por meio de uma tela. Há 5 
anos atrás se falava muito nas cavernas digitais como ambiente de 
realidade virtual. Hoje, com os óculos VR, é muito mais fácil e barato ter 
acesso a esse tipo de tecnologia, ambas amplamente usadas hoje em dia. 
 Makerspaces – Espaços Maker: Ambientes que aliam robótica com 
impressora 3D e outros recursos em espaços para explorar a criatividade e 
aprender com as mãos na massa. Quem teve a oportunidade de visitar a 
BETT Educar 2019 pode perceber a quantidade de empresas divulgando 
seus kits, robôs, etc para criar espaços makers nas escolas. Os makerspaces 
vieram para ficar. Vale à pena olhar mais de perto que tipo de uso 
pedagógico se está fazendo dos espaços maker nas escolas e faculdades. 
 Affective Computing – Computação afetiva: Propõe que humanos 
podem programar máquinas para reconhecer, interpretar e simular 
emoções humanas. A robô Sophia passou pelo Brasil no ano passado e 
causou o maior frisson. O fato de ela não só reconhecer expressões 
humanas como ter uma aparência humana e simular as nossas 
https://www.bettbrasileducar.com.br/
https://www.bettbrasileducar.com.br/
https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2018/01/10/robo-sophia-ja-sabe-andar.htm
https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2018/01/10/robo-sophia-ja-sabe-andar.htm
expressões chega a assustar. A inteligência artificial vem trazendo 
novas possibilidades para a computação afetiva. Tirando a robô Sophia 
que, ao que me consta, não é muito utilizada para fins educacionais, 
talvez o desenvolvimento da computação afetiva não seja como se 
imaginava. Por outro lado, o uso da inteligência artificial para trabalhar 
as competências socioemocionais é um grande tema no momento. 
 Robotics – Robótica: Trata de se projetar e aplicar robôs na educação 
superior. Nesse contexto, robôs são as máquinas automatizadas que 
cumprem uma determinada quantidade de tarefas. Vemos atualmente 
uma grande integração de robôs com atividades produtivas mas 
também aplicadas ao cenário educacional como, por exemplo, o uso de 
chatbot para ajudar em processos de tomada de decisão. 
 
 
Veja que a maioria das tendências apontadas se concretizou, ainda que não 
necessariamente da forma esperada e nem no tempo previsto. A realidade 
aumentada, por exemplo, ainda tem grande potencial de crescimento e o 
learning analytics crescerá conforme a inteligência artificial se desenvolva. 
Horizon Report 2019: Prevendo o futuro 
das tecnologias na educação superior 
Dado que as previsões do relatório costumam ter grande proximidade com a 
realidade, vale à pena olhar para o relatório deste ano para ter uma ideia do 
que virá pela frente. Como o Horizon Report 2019 ainda não está disponível 
em português, fiz um resumo com as principais informações. 
CURTO PRAZO – 1 ano ou menos (2020) 
 Mobile Learning: Vêm se desenvolvendo há uma década e hoje se 
consolida como parte importante das estratégias educacionais híbridas. O 
foco já não está nos aplicativos, mas sim na conectividade e conveniência. 
Questões como a responsividade, ubiquidade (acesso a qualquer hora, em 
qualquer lugar) e personalização de conteúdo, estão mais consolidadas, 
mas ainda são críticas para se ter sucesso da experiência de aprendizagem 
com dispositivos móveis. 
 Analytics Technologies – Tecnologias analíticas: Trata de sistemas e 
dados personalizados e preditivos. A computação tem capacidade cada vez 
mais crítica de coletar, analisar e interpretar dados, o que pode ajudar as 
instituições de ensino na análise de dados para tomar decisões estratégicas. 
MÉDIO PRAZO – 2 a 3 anos (2021-2022) 
 Mixed Reality – Realidade mista: Trata de um espaço híbrido que 
integra tecnologias digitais com o mundo físico, criando simulações de 
https://edupyxis.com/2019/03/09/porque-mobile-learning-e-uma-boa-ideia/
https://edupyxis.com/2019/03/09/porque-mobile-learning-e-uma-boa-ideia/
ambientes que misturam os dois mundos. São exemplos a holografia e 
realidade aumentada interativa, com possibilidade de interação com os 
objetos virtuais. 
 Artificial Intelligence – Inteligência artificial: Em poucas palavras, é o 
uso de sistemas de computador para realizar tarefas que costumam ser 
associadas à cognição humana. Os principais usos a médio prazo estão 
relacionados à análise de grandes bases de dados (big data) para fazer 
previsões que forneçam embasamento para o processo de tomada de 
decisão das pessoas. 
LONGO PRAZO – 4 a 5 anos (2023-2024) 
 Blockchain: É uma forma de registro digital descentralizado, usado 
atualmente em criptomoedas. Com o blockchain é possível criar um 
modelo de certificação altamente confiável, que tem potencial para 
revolucionar a certificação do ensino superior, por exemplo, como um 
sistema de verificação de credenciais. [Quer saber mais sobre blockchain? 
Deixe um comentário!] 
 Virtual Assistants – Assistentes virtuais: Alexa, Siri, Google Assistant 
já estão presentes nos nossos telefones celulares e em pequenas caixas de 
som nas nossas casas. Nesse caso, a inteligência artificial é aplicada para 
fazer reconhecimento de voz e interação com o usuário. Existe um grande 
potencial dos chatbots apoiarem o processo de aprendizagem. 
É interessante acompanhar a tendência de se aplicar tecnologias digitais cada 
vez mais sofisticadas na educação. Fica a reflexão: de que maneira as 
mudanças nas tecnologias implicam em novas práticas de ensino? Você pode 
acessar a versão completa do Horizon Report 2019 – em inglês – nesse 
link. Você usa alguma das tecnologias apresentadas para ensinar? Deixe um 
comentário e compartilhe a sua experiência! 
Texto publicado em izabelrego.com Todos os direitos reservados. 
Sobre a autora: 
Izabel Rego de Andrade é pesquisadora de ensino de línguas e tecnologias 
educacionais. Atuou na criação e desenvolvimento de cursos para educação a 
distância e ensino híbrido como autora, conteudista, coordenadora e tutora. É 
autora dos artigos desse blog entre outras publicações. 
 
 
 
https://library.educause.edu/resources/2019/2/horizon-report-preview-2019
https://library.educause.edu/resources/2019/2/horizon-report-preview-2019
https://library.educause.edu/resources/2019/2/horizon-report-preview-2019
Relatório de tendências agora discute o 
que deu errado em previsões para o 
ensino superior 
 Projetos de aprendizagem combinada e o redesenho dos espaços de 
aprendizado, que se expandem do físico para o virtual, são tendências 
de curto prazo para adoção da tecnologia no ensino superior, diz o 
relatório Horizon Report: 2019 Higher Education Edition. O estudo 
funciona como guia de referência e planejamento de tecnologia para 
educadores, líderes de ensino superior, administradores, formuladores 
de políticas e especialistas em tecnologia. 
 “Com mais de 17 anos de pesquisa e publicações, o projeto Horizon 
pode ser considerado a exploração mais antiga da educação de 
tendências tecnológicas emergentes que apoiam o ensino, o 
aprendizado e a pesquisa criativa”, afirma o sumário do estudo, criado 
em 2002 pela ONG New Media Consortium e organizado pela ONG 
Educause desde o ano passado. 
Temos dois links de leitura que fazem uma breve análise sobre o Horizon Report 2019, 
tratando-se de um relatório que possui tradição e excelência; é desenvolvido pelo New 
Media Consortium (NMC) e compilado pela Organização Não Governamental 
(ONG) Educase desde 2018. O relatório serve como referência e guia de planejamento 
de tecnologia para os educadores, gestores de Ensino Superior, administradores, 
formuladores de políticas e profissionais de tecnologia. 
A análise presente nos dois links está relacionado ao relatório de 2019, embora já 
tenhamos uma nova publicação em 2020. Esse relatório foi desenvolvido com 98 
especialistas da área e traz as principais tendências de tecnologia e educação, de modo a 
guiar como instituições ou gestores a acelerar a adoção das tecnologias e também trazer 
os principais desafios que impedem a adoção, ou o porquê algumas tecnologias 
relatadas em versões anteriores falharam ou não tiveram sucesso na aplicação em 
grandes escalas. 
Seguem algumas das principais tendências que devem ter impacto significativo nas 
maneiras como faculdades e pesquisas abordam sua missão principal de ensino, 
aprendizagem e pesquisa. 
Assim, nenhum curto prazo (próximos um a dois anos) temos o seguinte: 
 Redesenho dos espaços de aprendizagem; 
 Projetos de blended learning, ou ensino híbrido. 
Já no médio prazo (próximos três a cinco anos): 
 Desenvolver culturas de inovação; 
https://library.educause.edu/resources/2019/4/2019-horizon-report
http://porvir.org/?s=tecnologia&t=1
https://www.nmc.org/
https://www.educause.edu/
https://www.educause.edu/
 Foco crescente na definição da aprendizagem. 
E no longo prazo (por cinco ou mais anos): 
 Repensar como as instituições funcionam; 
 Cursos modularizados ou individualizados. 
Quanto aos desafios desafios que impedem a adoção de tecnologia no Ensino Superior, 
são organizados em três categorias relacionadas à dificuldade de resolução, vejamos: 
 Desafios de nível mais baixo de resolução: 
o Melhoramento da fluência digital; 
o Aumento da demanda por experiência de aprendizado digital e especialização 
em design instrucional. 
 Desafios de difícil solução: 
o Os papéis em evolução do corpo docente com as estratégias da edtech; 
o Foco no sucesso do aluno. 
 Desafios de alta complexidade: 
o Avanços na igualdade digital; 
o Reflexão sobre a prática de ensino. 
Quanto às tecnologias previstas para o futuro na Educação Superior, o relatório inclui 
possibilidades que merecem destaque no ensino, na aprendizagem, pesquisa e 
investigação criativa no futuro, a saber: 
 Previsões para um ano ou menos: 
o Mobile learning; 
o Análise de dados. 
 Previsões para dois a três anos: 
o Realidade mista; 
o Inteligência artificial. 
 Previsões para quatro a cinco anos: 
o Blockchain; 
o Assistentes virtuais. 
O relatório de 2019 se volta às opções anteriores, especificamente quanto às opções de 
tecnologia que seria aplicada à educação e que não fosse necessariamente aplicada em 
escala; mereceram destaques: 
 Jogos e gamificação: as expectativas e realidades; 
 Realidade aumentada e mista: por que, quando e como situar a aprendizagem em 
contextos autênticos? 
 Aprendizagem adaptativa: compreendendo o seu progresso e potencial. 
Este assunto é extremamente importante para os estudantes e as instituições de ensino, 
pois mostra quais são as tendências de tecnologia e/ou inovação na educação deve ser 
aplicada no futuro. 
Assistiremos à entrevista do filósofo Mário Sergio Cortella, quem discute o tema de 
inovação na educação e a relação com as famílias. Note que os alunos atuais não são os 
mesmos de 10, 15 ou 20 anos atrás e, por vezes, a educação tradicional sem inovação os 
trata como se fossem equivalentes. 
Fazer como eu fiz não é fazer o que eu fiz, 
mas é fazer o que eu faria se eu estivesse agora. 
Observemos que não podemos repetir exatamente como foi feito no passado, mas dar 
atualidade para aquilo que está agora. As gerações que estão hoje no Ensino 
Fundamental, Médio ou Superior, já nasceram com a tecnologia e nós, docentes e 
discentes, devemos compreender e nos adaptar a esta nova realidade, trazendo isto para 
a educação. 
As tecnologias não podem ser utilizadas apenas para a distração e o entretenimento, 
devendo ser empregadas no contexto educacional, de modo que as famílias têm papéis 
importantes neste processo. 
Assista ao vídeo indicado e reflita sobre a nova realidade deste mundo conectado para, 
então, estabelecer a relação com a educação e como você aprende. 
Assim, tente relacionar o texto sobre o Horizon report, que mostra quais tecnologias 
serão empregadas no futuro da educação, e reflita sobre como isto poderá impactar na 
sua maneira de aprender e ensinar. 
Bons estudos! 
 
 
Preservação da Saúde Mental no Mundo 
Globalizado 
 
Contextualização 
Caro (a) aluno (a), 
Você já percebeu como o termo pandemia tornou-se comum em nossa linguagem 
em função das implicações da propagação do novo coronavírus? As 
consequências da covid-19, de proporção intercontinental, acarretaram mudanças 
nos padrões de comportamento de muitos, a ponto de nos vermos obrigados a 
criar novos padrões de comportamento, os quais inclusivos nomeamos de “o 
novo normal”. 
Mas o fato é que, a despeito da inegável gravidade das sequelas do novo 
coronavírus em todo o mundo, temos vivido, há tempos, uma epidemia oculta, 
que, lamentavelmente, não tem repercutido em mudanças tão irrelevantes no 
estilo de vida das pessoas. Trata-se dos distúrbios de saúde mental. 
Não é por acaso que esse é o mal do século. Apesar de oculta, a abrangência têm 
sido cada vez maior. De acordo com o estudo publicado pela Our World In Data, 
entidade que reúne dados de estudos mundiais, estimava-se em 2018[1], que pouco 
mais de uma em cada 10 pessoas no mundo (10,7%) sofria de alguma forma de 
transtorno mental. Entre os mais jovens os dados são mais alarmantes, segundo 
como Nações Unidas, até 20% dos adolescentes em todo o mundo, de distúrbio 
de saúde mental[2]. 
Convido-o, por meio da leitura dos textos, à reflexão sobre quais os esforços tem 
sido feito para preservação da saúde mental no mundo globalizado em que 
vivemos. O primeiro texto reflexão mais global considerando o contexto dos 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O segundo, traz a ótica da 
realidade brasileira para o cuidado da saúde mental. Aproveite para pensar sobre 
o que você tem feito para preservar a sua saúde mental. Lembre-se de que ela é 
fundamental para que alcance todos os demais objetivos que você tem. 
 
A leitura atribuída ao artigo publicado pela Rede de Inovação em Saúde 
Mental do relatório elaborado pela comissão da revista Lancet sobre uma agenda 
global de saúde mental no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável (ODS). 
Passada uma década da série Lancet de 2007 sobre saúde mental global, uma 
comissão de 28 pesquisadores da revista The
Lancet reavaliou uma agenda global 
de saúde mental considerando o contexto das 17 metas globais comuns pela 
Geral das associações das Nações Unidas (ONU): 
 
 1 
1 
Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; 
 2 
2 
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a 
agricultura sustentável; 
 3 
3 
Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades; 
 4 
4 
Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de 
aprendizagem ao longo da vida para todos; 
 5 
5 
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; 
 6 
6 
Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos; 
 7 
7 
Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para 
todos; 
 8 
8 
Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno 
e produtivo e trabalho decente para todos; 
 9 
9 
Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável 
e fomentar a inovação; 
 10 
10 
Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles; 
 11 
11 
Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e 
sustentáveis; 
 12 
12 
Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis; 
 13 
13 
Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos; 
 14 
14 
Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o 
desenvolvimento sustentável; 
 15 
15 
Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de 
forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação 
da terra e deter a perda de biodiversidade; 
 16 
16 
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, 
proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis 
e inclusivas em todos os níveis; 
 17 
17 
Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o 
desenvolvimento sustentável. 
O resultado deixa evidente, entre os vários aspectos que, não há desenvolvimento 
sustentável sem saúde mental, e que, não se trata somente da questão humanizadora e 
moral, mas que olhar para saúde mental é olhar também para saúde econômica. 
A indicação da leitura obrigatória traz o resumo do material da The Lancet, produzido 
pela Rede de Inovação em Saúde Mental e, traduzido para Língua Portuguesa, mas 
para aqueles que desejam ter interesse, segue a indicação do relatório, completo em 
inglês: 
A Pesquisa em Prevenção em Saúde Mental no Brasil: 
A Perspectiva de Especialistas 
Este estudo investigou experiências e recomendações de pesquisadores em prevenção 
primária em saúde mental no Brasil, com vistas a subsidiar uma agenda de trabalho 
para o fortalecimento nacional da área. Utilizou-se a técnica Delphi e dez pesquisadores, 
especialistas em prevenção, foram entrevistados. Investimentos na aproximação entre 
pesquisa e extensão, incremento do ensino de prevenção, parceria com diversas áreas 
de conhecimento e estudos de validação de instrumentos para avaliação de programas 
foram citados como necessidades. Foram apresentados recursos pessoais, profissionais 
e ambientais, percebidos como apoiadores para a construção da carreira. Foram 
abordadas direções futuras para a área, tais como a construção de redes de pesquisa e 
a difusão de programas preventivos. São discutidas implicações dos dados para uma 
agenda de pesquisa. 
 
Condições socioeconômicas precárias, desemprego, baixa escolaridade, fraca rede de apoio, habitação 
insegura, trabalho informal, estressores ocupacionais e falta de acesso aos bens de consumo estão entre os 
principais riscos à saúde mental de adultos brasileiros (Ribeiro, Andreoli, Ferri, Prince, & Mari, 2009; Santos & Siqueira, 2010). 
No Brasil, esse quadro é agravado pelas inúmeras barreiras na busca e acesso ao tratamento, falta de 
equipes treinadas e de serviços adequados (Brasil, Ministério da Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, Coordenação 
de Saúde Mental, 2007). 
Nesse sentido, o relatório da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial apresentou 1021 
solicitações urgentes para a melhoria dos serviços de saúde mental no Brasil (Sistema Único de Saúde, Conselho 
Nacional de Saúde, Comissão Organizadora da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial, 2010). Entre as melhorias, a 
implantação de serviços em atenção primária e promoção de saúde mental foram destacadas por usuários, 
trabalhadores e gestores como uma prioridade. Assim, serviços capazes de promover saúde e prevenir 
agravos à saúde mental parecem ser consensualmente percebidos como relevantes. 
A prevenção primária em saúde mental consiste em ações que buscam evitar o surgimento de transtornos 
específicos (Albee, 1982). Segundo modelo de Weisz e colaboradores de compreensão da prevencão, esta 
faria parte de um desenho integrativo entre promoção, prevenção e tratamento (Weisz, Sandler, Durlak, & Anton, 
2005). Assim, a promoção teria como foco a disponibilização de recursos capazes de empoderar indivíduos 
e coletividades a enfrentar adversidades pessoais e contextuais e incrementar bem-estar. 
A prevenção, complementarmente, teria como objetivo a redução dos riscos de aparecimento de 
problemas, incluindo os níveis de exposição ao risco (universal, seletiva e indicada), enquando o 
tratamento refere-se à assistência àqueles que já apresentam o diagnóstico de um transtorno mental. Nesse 
modelo, promoção, a prevenção e o tratamento são percebidos como estratégias complementares e que 
podem se sobrepor. 
A produção de conhecimentos na área tem seguido um ciclo de pesquisa caracterizado por seis etapas 
(Mrazek & Haggerty, 1994). A primeira etapa abarca a identificação do problema e sua prevalência, por meio de 
estudos descritivos e epidemiológicos. A segunda etapa consiste na investigação dos fatores de risco e de 
proteção relacionados ao problema, os quais permitem o planejamento de alvos a serem abordados nos 
programas preventivos. A terceira etapa foca o desenvolvimento de programas preventivos, seguido do 
teste piloto, quando é avaliada a adequação de procedimentos e materiais de intervenção e instrumentos e 
técnicas de avaliação. A quarta etapa é o teste avançado ou avaliação de eficácia do programa, quando são 
avaliados os benefícios gerados, obtidos por grupos participantes em comparação a grupos não expostos 
ao programa, por meio de estudos experimentais. A próxima etapa é a avaliação de efetividade, também 
realizada através de estudos experimentais, para investigar a manutenção de benefícios do programa 
implementado, por multiplicadores em novas comunidades. Na última etapa, tem-se a difusão de 
intervenções baseadas em evidências de eficácia e efetividade em serviços e/ou políticas públicas. 
A existência de programas de pós-graduação específicos em Ciência da Prevenção, usualmente 
multidisciplinares e localizados na América do Norte (Eddy, 2011) e Europa, sociedades científicas (como 
a Society for Prevention Research e a European Society for Prevention Research) e periódicos 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B30
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B33
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B11
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B11
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B35
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B4
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B37
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B37
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B25
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B15
especializados (como o Prevention Science) representa alguns dos indicadores do avanço desse campo de 
conhecimento mundo afora. Todavia, revisões da literatura, recentes da produção nacional destinadas à 
identificação de estudos de avaliação sistemática de programas preventivos para diferentes populações 
(XXX-autor omitido para evitar identificação, 2012) e programas de promoção de saúde mental e 
desenvolvimento positivo para crianças (Menezes, 2013), constataram haver um número relativamente 
reduzido de estudos no Brasil, ainda que crescente nos últimos anos. 
Abreu e Murta (2016) identificaram 11 publicações, cujos alvos eram a prevenção de problemas de 
comportamento, violência, abuso sexual, abuso de álcool e drogas e vazio existencial. Menezes (2013) 
localizou 16 publicações focadas na promoção de competências social, emocional, cognitiva e moral em 
crianças. Ambas as revisões encontraram uma predominância de estudos pré-experimentais e quase-
experimentais, sem avaliações de follow-up e com amostras pequenas. Adicionalmente, verificou-se que 
grande parte dos estudos em prevenção encontram-se nas etapas iniciais do ciclo de pesquisa em 
prevenção (estudos para avaliar prevalência, identificar fatores de risco, desenvolver programas 
preventivos e conduzir teste piloto), sendo escassos os estudos para avaliação de eficácia, efetividade e 
difusão (Abreu, Miranda, & Murta, 2016). 
Esse estado atual de produção de conhecimento representa um importante crescimento na produção 
científica nacional, comparado-se aos achados de mais de uma década atrás (Benetti, Ramires, Schneider, Rodrigues & 
Tremarin, 2007; Murta 2007), que apontaram à época ampla produção na descrição de prevalência, sintomas e 
fatores de risco de transtornos mentais, sobretudo em crianças e adolescentes e escassa produção de 
estudos voltados para o desenvolvimento, avaliação de eficácia e efetividade e difusão de programas de 
prevenção em saúde mental no país. 
O aumento em publicações que apresentam o desenvolvimento de programas preventivos e testes 
preliminares de sua adequação salientam um progresso, ao mesmo tempo em que evidenciam a 
necessidade de se fazer avançar a área, rumo a estudos de avaliação de eficácia, efetividade e difusão. O 
fortalecimento da pesquisa e do ensino em prevenção em saúde mental viria ao encontro das necessidades 
correntes no campo das políticas públicas em saúde no Brasil, que tem solicitado profissionais 
capacitados para uma atuação competente em prevenção e promoção de saúde na comunidade (Aguiar & 
Ronzani, 2007; Dimenstein, 1998; Ferreira Neto, 2008; Ronzani & Rodrigues, 2006). 
Nesse cenário, uma das estratégias para se planejar medidas para o desenvolvimento desse campo é 
conhecer a opinião de pesquisadores atuantes na área, para se levantar subsídios para agendas de trabalho 
que sirvam ao avanço das práticas de pesquisa e ensino em prevenção em saúde mental no Brasil. Assim, 
o presente estudo teve, por objetivo, descrever a perspectiva dos especialistas sobre a pesquisa em 
prevenção em saúde mental no Brasil. Os seguintes questionamentos foram os norteadores deste estudo: 
que trajetórias profissionais especialistas brasileiros em pesquisa em prevenção em saúde mental 
construíram? Como se dá o ciclo da pesquisa em prevenção em suas experiências? Que recursos eles 
julgam favorecedores da construção de carreiras em prevenção? Que recomendações eles fazem para o 
ensino de prevenção? Que desafios e perspectivas eles acreditam que essa área de pesquisa vive 
atualmente no Brasil? 
MÉTODO 
Participantes 
Participaram 10 pesquisadores brasileiros que apresentam publicações contínuas em prevenção em saúde 
mental, dos quais quatro eram pesquisadores seniores (doutores há mais de 10 anos, com atuação em 
docência e/ou pesquisa e produção científica relevante em prevenção em saúde mental) e seis eram jovens 
pesquisadores (doutores há menos de 10 anos, docentes e/ou pesquisadores, com produção de pesquisa 
em prevenção recente, inferior a 10 anos). A formação dos entrevistados foi, majoritariamente, psicologia 
(n = 9 psicólogos), seguida de medicina (n = 1). Dos 10 entrevistados, três atuam em prevenção do uso 
abusivo de álcool e drogas, cinco em prevenção de fatores de risco para problemas de comportamento na 
infância, um pesquisador em prevenção da violência e um em prevenção de fatores de risco à saúde 
mental entre adolescentes. 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B23
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B2
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B23
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B2
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B10
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B10
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B26
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B3
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B3
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B14
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B18
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B31
Delineamento 
Realizou-se um estudo descritivo, por meio da técnica Delphi. Essa técnica consiste na consulta a 
especialistas em um dado campo de pesquisa, sobre temas de seu conhecimento. O nome dessa técnica 
faz alusão ao Oráculo de Delfos, centro religioso da Grécia Antiga, consultado para tomada de decisões, 
conselhos e orientações. Usualmente, os participantes de estudos com a técnica Delphi são alcançados via 
internet e convidados a responder a instrumentos de autorrelato, em mais de uma ocasião, para se chegar a 
um consenso ao final da coleta de dados, acerca do tópico investigado (Bartholomew, Parcel, Kok, Gottlieb & Fernández, 
2011). No presente estudo, optou-se pela coleta de dados face a face e em sessão única por meio de 
entrevista, para se promover a retenção dos participantes e evitar desistências. 
Instrumento 
Utilizou-se um roteiro semiestruturado para condução da entrevista, que contemplava seis eixos 
temáticos: (1) história profissional relacionada à prevenção; (2) recursos pessoais e profissionais para se 
tornarem referências na área; (3) formação e competências necessárias para atuar com prevenção; (4) 
desafios e estratégias de enfrentamento para a prevenção em saúde mental no Brasil e (5) agenda de 
pesquisa para a área. 
Procedimentos 
Foram convidados a participar da pesquisa pesquisadores brasileiros que desenvolvem intervenções 
sistematicamente avaliadas, em prevenção primária em saúde mental, identificados a partir de uma 
revisão sistemática de estudos da área (XXX, 2012). Tal estudo foi identificado como a primeira revisão 
sistemática da literatura nacional de intervenções de prevenção primária para desfechos negativos em 
saúde mental e como fonte de estudos e identificação. Para tal, a busca foi conduzida sem limite inicial de 
data para publicação, com data final até março de 2012. Os artigos iniciais foram encontrados a partir das 
seguintes palavras-chave “prevenção”, “atenção
primária”, “atenção básica” e “promoção de saúde”, nas 
bases SciELO e PePSIC. A partir da identicação de intervenções sistematicamente avaliadas, foram 
identificados grupos de estudos e os autores dos estudos, que deram origem a outra revisão sistemática 
que identificou quem faz e a forma como faz prevenção em saúde mental no Brasil (Abreu et al., 2016). Assim, 
ambas as revisões foram utilizadas como base para o desenvolvimento desse estudo e identificação dos 
sujeitos de pesquisa. 
Nas revisões (Abreu & Murta, 2016; Abreu et al., 2016), foram encontradas 11 intervenções preventivas, 
sistematicamente avaliadas e os autores dessas intervenções foram selecionados como participantes da 
pesquisa. Ao todo, foram identificados 14 pesquisadores, com publicações constantes na área e 12 foram 
convidados a participar da pesquisa. Dois pesquisadores faziam parte do mesmo centro de pesquisa e 
optou-se por entrevistar apenas um, o outro pesquisador não entrevistado é o segundo autor deste estudo. 
O primeiro contato com os pesquisares foi virtual, por e-mail, quando foi apresentado o objetivo do 
estudo. Dos 12 contatados, 11 responderam ao e-mail, aceitando o convite de participar da pesquisa e, ao 
final, 10 foram entrevistados. Todas as entrevistas foram realizadas, por pesquisador treinado, no local 
escolhido pelo participante entrevistado. A duração aproximada das entrevistas foi de 45 minutos a uma 
hora. 
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa xxxx (nome omitido para evitar identificação). 
Todos os entrevistados foram devidamente informados acerca do propósito da pesquisa, deram o seu 
consentimento e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e seus direitos foram 
resguardados. 
Análise dos Dados 
As entrevistas foram gravadas em áudio. Em seguida, as informações foram transcritas e o conteúdo 
organizado conforme os seis eixos temáticos propostos: história profissional relacionada à prevenção; 
recursos pessoais e profissionais para se tornarem referências na área; formação e competências 
necessárias para atuar com prevenção; desafios e estratégias de enfrentamento para a prevenção em saúde 
mental no Brasil e agenda de pesquisa para a área. A análise das transcrições se baseou na análise de 
conteúdo, do tipo temático e estrutural (Bardin, 1977). Inicialmente, fez-se uma leitura flutuante dos dados, 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B9
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B9
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B2
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B2
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https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B8
em seguida, foram estabelecidas as categorias e subcategorias e, por fim, realizou-se a comparação e a 
horizontalização das categorizações de cada entrevista, para visualização geral das informações. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
A História dos Pesquisadores e sua Relação com a Prevenção em Saúde Mental 
A história dos pesquisadores com a prevenção em saúde mental é marcada pela inquietação com o 
modelo tradicional de saúde e de psicologia. Pesquisadores seniores e jovens pesquisadores relataram 
histórias diferentes, em resposta às nuances de suas gerações. Os pesquisadores seniores, em geral com 
mais de 55 anos de idade, narraram que a sua história teve início com a insatisfação de um modelo de 
saúde (e psicologia), com foco exclusivo na remediação, nos estudos de psicopatologias e no tratamento. 
Assim, para além desse modelo de pesquisa e prática que priorizava a doença, o modelo biomédico, os 
pesquisadores buscaram alternativas de formação. Frente a esse “estilo da época”, os pesquisadores 
encontraram, em teorias do desenvolvimento humano e na saúde pública, possibilidades de uma atuação 
preventiva. Segundo os pesquisadores, as teorias do desenvolvimento rompiam com os conceitos 
prioritariamente patologizantes ao propor o entendimento das várias etapas do desenvolvimento saudável 
e ilustrar formas de intervenções para a promoção de saúde (Ronzani & Rodrigues, 2006). A saúde pública os 
alicerçava ao propor uma atuação mais comunitária, coletiva, dinâmica, interdisciplinar e acessível à 
população (Aguiar & Ronzani, 2007). 
O momento social e político influenciou diretamente a tomada de decisão dos pesquisadores. O contato 
com a prevenção pelos pesquisadores seniores foi ao final da década de 70, no decorrer da década de 80 e 
início dos anos 90 do século passado. Historicamente, esse foi o período da implantação do Sistema 
Único de Saúde- SUS, da reforma psiquiátrica, da discussão sobre a democratização de acesso aos 
serviços de psicologia e o descontentamento com o modelo biomédico (Machado, Monteiro, Queiroz, Vieira & Barroso, 
2007). 
O início das discussões sobre prevenção em saúde mental no Brasil é semelhante ao vivenciado em outras 
nações, fortemente atrelado ao conceito de justiça social, como descrito em diferentes estudos por um dos 
primeiros teoricos da prevenção, George Albee (Albee, 1983, Albee, 1986). Naquela época, reivindicava-se o acesso 
dos brasileiros a condições básicas de saúde, como alimentação, trabalho, educação e lazer. Igualmente, 
os defensores da pesquisa e prática em prevenção em saúde mental propunham o investimento em ações 
para erradicação da pobreza, acesso a direitos e promoção de bem-estar para população como estratégias 
para prevenção aos transtornos mentais (Albee, 1982). 
As demandas apresentadas vão ao encontro do contexto social e político vivenciado em vários países, 
marcados por altos índices de desemprego, problemas sociais graves, redemocratização após regimes 
ditatoriais e reflexões sobre o compromisso social da psicologia. Esse último aspecto pode ser 
exemplificado na fala de um dos entrevistados: “não era uma coisa (as intervenções) muito, digamos 
assim, sistematizada, mas era uma coisa que tinha uma faceta política bastante forte” (Participante A). 
Os jovens pesquisadores participaram de uma história respaldada pela tutoria dos pesquisadores seniores 
e de uma visão mais ampla durante a formação da graduação e/ou pós-graduação. Embora, a crítica de 
uma formação tradicionalmente clínica, individualizada e elitizada ainda estivesse presente em sua 
formação, os jovens pesquisadores tiveram o suporte de professores e de discussões que apresentavam 
algumas alternativas preventivas. Historicamente, sua formação e prática incluíram contribuições das 
discussões sobre a clínica ampliada (Ferreira Neto, 2008) e sobre a inserção dos profissionais de saúde (e 
psicólogos) na saúde pública, saúde coletiva e políticas sociais (Dimenstein, 1998), no Modelo Bioecológico de 
Desenvolvimento Humano (Bronfenbrenner, 1979/1996), na logoterapia (Frankl, 1946/1989) e na psicologia positiva 
(Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). 
O Ciclo da Pesquisa em Prevenção Proposto pelos Pesquisadores 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B31
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B3
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B21
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A prevenção em saúde mental no Brasil ainda é incipiente, sendo considerada por 
alguns como “artesanal”. Com esse termo, um dos entrevistados definiu como os 
pesquisadores passam pelas etapas do ciclo da pesquisa em prevenção. Em sua 
fala, o pesquisador afirmou: “artesanal no sentido de você pensar a ferramenta, 
pensar o recurso, implementar um projeto piloto para poder aperfeiçoar” 
(Participante B). Em seu caráter artesanal, o ciclo da pesquisa em prevenção 
vivenciado pelos pesquisadores brasileiros é distinto do ciclo da prevenção proposto 
pela literatura (Mrazek & Haggerty, 1994). 
A experiência dos pesquisadores brasileiros difere do proposto pela literatura, por 
ser acrescido de uma fase de validação de instrumentos (Figura 1). Segundo o 
narrado por todos os entrevistados, os pesquisadores precisaram ou ainda precisam 
adiar a implantação das intervenções preventivas, mesmo no estágio do estudo 
piloto baseado na teoria, para voltar à etapa anterior e adaptar e validar 
instrumentos ou mesmo criar novas medidas. A escassez de instrumentos 
adequados para o Brasil é apresentada como um grande desafio para o avanço da 
pesquisa em avaliação de programas preventivos. 
Figura 1 O ciclo da pesquisa em prevenção segundo os pesquisadores brasileiros 
A Relação entre Pesquisa e Extensão nas Universidades e as Implicações 
para as Intervenções Preventivas 
No contexto universitário, existe uma relação peculiar entre a extensão e a 
pesquisa. Em alguns momentos, ambas estão associadas e, em outros, são ações 
distintas. Na prática dos pesquisadores seniores, a prevenção teve início com a 
extensão e a inserção do psicólogo na comunidade. Segundo os pesquisadores, a 
extensão era vista como o local da universidade destinado à prática da prevenção, 
em que as intervenções preventivas eram ofertadas à população. Assim, a 
prevenção era reconhecida como uma das formas de oferecer à sociedade uma 
parcela do conhecimento que a universidade estava produzindo. Como efeito 
colateral, a extensão não tinha entre suas prioridades a sistematização de seus 
resultados (Miyazaki, Domingos, Valério, Santos & Rosa, 2002). 
A falta de sistematização da extensão e a valorização da pesquisa em detrimento 
da extensão pode ser um dos entraves para os avanços das intervenções 
preventivas. Alguns pesquisadores citaram a extensão como uma atribuição menos 
valorizada na prática do pesquisador brasileiro. Um dos entrevistados exemplificou 
da seguinte forma: “eu sinto um pouco, na academia especificamente, esse 
preconceito com quem está fazendo extensão. Geralmente quem está na 
prevenção, está também nessa perspectiva da extensão, como se fosse o primo 
pobre, o primo rico é a pesquisa” (Participante C). 
Essa crença dos pesquisadores pode estar associada a um número 
exponencialmente maior de pesquisas básicas publicadas, em comparação às 
pesquisas sobre intervenções. Segundo os dados de uma revisão da área, até 
março de 2012 haviam sido publicados 374 artigos de prevenção em saúde mental. 
Desses, 256 eram estudos de fundamentação, 31 eram intervenções preventivas e 
somente 11 desses foram sistematicamente avaliados (Abreu & Murta, 2016). 
A exigência de produtividade sobre pesquisadores acaba por gerar o que um dos 
entrevistados se referiu como “A neurose obsessiva do lattes”. O sentido que o 
termo evoca pode ser identificado como outra variável que permite compreender o 
investimento em publicações de natureza descritiva, típicas dos estágios iniciais do 
ciclo de pesquisa em prevenção, em detrimento de pesquisas de desenvolvimento 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B25
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#f1
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B24
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722018000100512&lng=pt&tlng=pt#B2
de programas preventivos, avaliação de eficácia, efetividade e difusão, que 
requerem um tempo mais longo para planejamento e coleta de dados. 
Essa expressão foi utilizada para fazer referência à pressão sofrida pelos 
pesquisadores para publicação de artigos em periódicos científicos, os quais devem 
ser registrados em seus currículos, para posterior utilização como fontes de dados 
para avaliação por agências de fomento à pesquisa e à pós-graduação no Brasil. 
Um dos critérios de classificação da produtividade de pesquisadores e da qualidade 
dos programas de pós-graduação é o número anual dessas publicações. Um dos 
entrevistados assim se manifestou acerca disso: 
Então a gente vai por ensaio e erro, vai ensaiando até chegar ao final: o artigo 
(refere-se ao artigo de uma intervenção quasi-experimental desenvolvida por ele), 
durante dez anos. O que é mais fácil? Você em seis meses fazer uma pesquisa, 
escrever e publicar. Então tem esse caminho da neurose obsessiva do Lattes que a 
gente vai publicando, sem pensar nessa prática: para que e para quem eu estou 
publicando? (Participante C) 
A queda na qualidade das publicações e, até mesmo, as possíveis implicações dessa 
demanda para o adoecimento dos pesquisadores têm sido discutidas no meio 
acadêmico (Tuleski, 2012). Avaliações indicam que a qualidade das publicações tem sido 
comprometida, mesmo com crescimento numérico dessas. Um estudo (Regalado, 2010) 
que apresentou o Brasil como o 13º no ranking internacional de número de 
publicação indicou que o impacto das publicações dos pesquisadores nacionais é 
pequeno e a quantidade de patentes é ainda menor. Isso é coerente com os 
resultados de outra publicação de uma revista nacional, especializada em 
divulgação científica, que indicou os entraves brasileiros para a transformação de 
conhecimento em tecnologia (Marques, 2012). Assim, a quantidade de publicações e sua 
qualidade, medida em termos de seu impacto social, continuam sendo algo 
discutível no mundo acadêmico. 
Como alternativa à separação entre pesquisa e extensão e consequente 
empobrecimento da avaliação de programas preventivos oferecidos à comunidade, 
é proposto, pelos pesquisadores, participantes um modelo de coalizão entre ambas. 
A extensão contribuiria para a inserção da produção científica na comunidade, 
enquanto a pesquisa auxiliaria com avaliações sistemáticas. Como resultado, os 
pesquisadores poderiam atender ao seu compromisso ético e social, que é 
transformar o conhecimento em tecnologia acessível e útil à sociedade, com 
evidências empíricas de seus resultados. O pesquisador ganharia publicações de 
maior qualidade metodológica, impacto expressivo e a população um serviço 
respaldado pela ciência. 
Recursos Bioecológicos para a Construção de Carreiras na Pesquisa em Prevenção 
Recursos pessoais. Os participantes mencionaram como recursos pessoais a paixão 
(pela temática estudada), resiliência, dedicação, resistência à frustração, senso de 
humor, motivação e habilidades em gestão (Figura 2). O perfil de gestor está 
associado a habilidades como capacidade de comunicação com pessoas em 
diferentes posições, habilidade de negociação e flexibilidade. Outra característica de 
gestor indicada pelos pesquisadores é a capacidade de pensar na pesquisa e seus 
desdobramentos de forma estratégica, como pode ser observado na fala: “a área é 
um contínuo, uma linha que em que é preciso pensar na sustentabilidade (...) 
sempre pensei num planejamento estratégico, eu sempre planejei aonde eu queria 
chegar e como eu conseguiria

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