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AULA 2 
PERFIL DO GERENTE DE 
PROJETOS EM PROJETOS ÁGEIS 
Prof. Robson Vettori Ferezin 
 
 
2 
TEMA 1 – LIDERANÇA 
Na primeira aula, entendemos de forma bem contextualizada o impacto da 
cultura para a estruturação das organizações, especialmente quando 
consideramos uma mudança de mentalidade, como é o caso da agilidade. É 
importante considerarmos também que a criação de um ambiente ágil (saudável) 
tem relação com uma figura muito importante para a empresa, a equipe e os 
projetos: o gerente de projetos. O perfil do gerente de projetos em projetos ágeis 
é considerado fundamental para o bom desempenho da equipe, do projeto e da 
operacionalização dos métodos ágeis. 
A aula de hoje tratará justamente do papel do gerente de projetos em 
ambientes ágeis, que está envolto em liderança, competências técnicas e gestão 
estratégica de negócios. Esse tripé está amparado por processos adequados que 
podem representar elevação de maturidade da equipe, qualidade nas entregas e 
projetos de sucesso. 
A liderança corresponde à primeira definição importante do tema desta 
nossa segunda aula, pois é com base neste conceito que veremos os 
desdobramentos para entender efetivamente o papel do gerente de projetos em 
projetos ágeis. Segundo o Guia PMBOK® (2017), liderança corresponde a 
conhecimento, habilidades e comportamentos necessários para orientar, motivar 
e dirigir uma equipe para ajudar a organização a atingir as suas metas de negócio. 
Chiavenato (2020) vai além e estabelece que liderança é o processo de 
exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços para realização de 
objetivos. Assim, é possível afirmar que liderança e motivação andam juntas, são 
dependentes e de extrema importância nas organizações, pois pessoas 
motivadas e bem orientadas produzem mais, são eficientes, eficazes, 
proporcionam melhores resultados e, ainda, apresentam características voltadas 
à inovação, além de dispor de alta produtividade quando em equipes. 
Os líderes atuam em uma organização com a função de planejar, organizar, 
coordenar e controlar as tarefas realizadas pelos demais funcionários a fim de dar 
suporte a eles. De acordo com Camargo e Ribas (2019), diante de um cenário 
corporativo extremamente volátil, incerto, complexo e a ambíguo, é necessário 
que as organizações repensem nos modelos de gestão adotados, o que inclui o 
gerenciamento de projetos. 
 
 
3 
Sandler (2008) afirma, ainda, que a liderança e o sucesso como gestor 
estão relacionados a fatores como motivação da equipe, atração e retenção de 
talentos, planejamento e organização do trabalho, desempenho da equipe e 
desenvolvimento a longo prazo. Assim, mesmo quando falamos em gestão de 
projetos em menores escalas de tempo, é importante observar esses tópicos para 
mensurar nosso desempenho e, consequentemente, proporcionar maiores 
chances de sucesso. Assim, o bom líder precisa saber se comunicar, ser claro, 
efetivo e atingir todos da equipe, além de monitorar e estar atento e à disposição 
da equipe. 
Segundo Chiavenato (2020), a abordagem dos estilos de liderança se 
refere àquilo que o líder faz e seu estilo de comportamento para liderar. O autor 
descreve que, de modo geral, há três tipos de liderança. 
• Liderança autocrática: Neste tipo de liderança, o líder centraliza todas as 
suas decisões diretamente nas atividades e em suas próprias opiniões, 
sendo um tipo mais dominador. O líder autocrático conduz sua equipe com 
muita energia, porém com baixa valorização das competências de cada 
membro, além da constante cobrança de resultados. Neste formato, apesar 
de, muitas vezes, este líder conseguir atender a uma grande demanda, o 
ambiente de trabalho pode ser afetado e ocasionar a redução da qualidade, 
o que torna uma grande desvantagem deste modelo. 
• Liderança liberal: A liderança com estilo mais liberal é também conhecida 
como liderança laissez-faire, do francês "deixai fazer", pois este líder 
oferece grande liberdade nas atividades da equipe. Este tipo de liderança 
mais liberal é recomendável aos grupos com mais autonomia, que contam 
com pessoas mais maduras para suas funções, como acontece 
eventualmente em projetos que utilizam métodos ágeis. A desvantagem da 
liderança liberal pode aparecer quando há membros do time dependentes 
de controle, pois dificilmente conseguirão ser produtivos neste formato. Se 
isto não acontecer, o líder pode focar em questões mais estratégicas ou 
relevantes para a qualidade dos processos. 
• Liderança democrática: O líder democrático é aquele que permite maior 
participação dos colaboradores nas tomadas de decisão da equipe, 
inclusive na própria divisão de tarefas, mas não deixa de estar sempre 
presente. Esta liderança exige ainda mais o empenho do líder, porém 
oferece maior equilíbrio nos processos e no ambiente da organização. Ele 
https://blog.solides.com.br/chiavenato/?__hstc=68844302.69d976646b1a8bfdc7bc833ed3029980.1604854015112.1606078085649.1606690820139.6&__hssc=68844302.1.1606690820139&__hsfp=2634393704
 
 
4 
não é liberal a ponto de deixar a equipe mais autônoma nem autoritário em 
não consultar os colaboradores. O modelo democrático pode apresentar 
desvantagens em grupos muito desqualificados, e isso exigirá maior 
atenção por parte do líder em suas decisões feitas em conjunto. 
De acordo com Camargo e Ribas (2019), além dos estilos de liderança 
descritos anteriormente, é possível elencar alguns modelos que podem, inclusive, 
ser combinados com os estilos anteriores. 
• Liderança Motivacional: Esse estilo busca objetivos atuando no emocional 
das pessoas. Muitas vezes, esses líderes inspiram os colaborares a 
fazerem mais do que estava estipulado e até mais do que achavam 
possível. Com seu forte otimismo, nos momentos de crise, unem pessoas 
e objetivos com sua grande fluência verbal. 
• Liderança Estratégica: O líder estratégico preenche lacunas entre a 
necessidade de novas possibilidades e a necessidade de viabilidade, 
fornecendo um conjunto de hábitos, com pensamento estratégico voltado 
aos resultados esperados naturalmente pela empresa. 
• Liderança Técnica: Aqui o líder é o detentor do maior conhecimento e 
capacidade técnica. É aquele que sabe dizer o que fazer e em que 
resultado vai dar. Assim, passa segurança à equipe e estabelece modelos 
e processos eficazes a seguir. 
• Leader Coach: Esse estilo tem um aspecto transformador também muito 
útil para iniciar mudanças em organizações, seja nos grupos e até em si 
mesmo. Essa liderança é baseada nos princípios do coaching e estimula o 
desenvolvimento de novas habilidades e aprimora capacidades e 
competências. Assim, lidera com assertividade, apresentando desafios e 
novidades motivadoras para criar um ambiente empreendedor e 
colaborativo, com o intuito de formar novos líderes. 
É importante ressaltar que, independentemente do estilo de liderança, o 
líder pode ser crítico, observador, e, às vezes, até perfeccionista, mas usa essas 
características para inspirar as pessoas com seu exemplo, não sendo agressivo, 
soberbo ou alguém que humilha as pessoas. O bom líder acredita na performance 
da equipe e na qualidade do trabalho, se mantém sempre atualizado e proporciona 
o crescimento para a sua equipe de maneira que todos de desenvolvam juntos. 
Por isso, é acessível à comunicação e aos feedbacks, aprecia a utilização da 
 
 
5 
inteligência coletiva, solicita opiniões, estabelece limites e dá abertura para 
manifestações, sempre no intuito de potencializar os resultados da sua equipe. 
Definitivamente, liderança é o principal comportamento de um bom líder. É 
preciso saber exatamente “o que” deve ser realizado e “como” fazer para que seus 
colaboradores o vejam como um líder verdadeiro, alguém que os inspira, que dá 
abertura para participar e os faz trabalhar com mais confiança. Diante disso, saber 
atuar como um líder em uma equipe é fundamental para seu sucesso como gestor.Contudo, chegar a esse objetivo não é tarefa fácil. 
Além de mostrar resultados, ter domínio pleno das funções e ser um 
profissional engajado, para ser um bom líder é preciso ter qualidades específicas 
que vão além da liderança – exatamente as que o diferem dos demais. Sales 
(2020) lista as principais qualidades de um bom líder. 
• Comunicação: Ser capaz de descrever de maneira clara o que você quer é 
extremamente importante para o bom funcionamento de uma equipe. O 
líder deve ser o principal interlocutor da equipe com a alta gestão e outras 
áreas, departamentos ou projetos, patrocinadores, clientes e internamente 
junto à própria equipe. Criar um ambiente de trabalho mais produtivo 
depende de uma comunicação assertiva. 
• Honestidade: Um líder precisa ser admirado para ser seguido e, para isso, 
a conduta ética deve ser exemplar. Normalmente, os líderes seguem e 
passam aos subordinados valores e crenças da empresa, e o ideal é 
incentivar seus funcionários a criar o hábito da honestidade, o que 
influenciará o ambiente de trabalho e os resultados. 
• Capacidade de delegar: Delegar funções é essencial para criar uma equipe 
organizada e eficiente. Além de mostrar confiança nos colaboradores, você 
também tem liberdade para focar nas suas competências e na estratégia. 
O caminho para delegar é identificar os pontos fortes de cada um da equipe 
e aproveitar essas particularidades. 
• Capacidade para definir metas: Em pequenas e grandes empresas, 
existem sempre muitas coisas a fazer e metas a alcançar. Para não ficar 
perdido entre tantas atividades, o líder deve criar uma pequena lista do que 
realmente é prioridade. Além disso, os líderes precisam comunicar os 
objetivos e as metas de maneira simples e direta à equipe, pois a clareza 
facilita o alcance do resultado esperado e simplifica a busca por soluções 
eficientes. 
 
 
6 
• Senso de humor: O ambiente de trabalho influencia na produtividade e o 
bom humor proporciona um ambiente saudável para a relação, o que pode 
significar melhores resultados. 
• Confiança: Qualquer projeto enfrentará momentos mais delicados, mas 
cabe ao líder mostrar confiança no negócio e passar tranquilidade à equipe. 
É fato que boa parte do trabalho do líder é apagar incêndios e manter a 
moral da equipe, assim como o nível de confiança no negócio. 
• Compromisso: Se você espera que sua equipe trabalhe duro e o faça com 
qualidade, você é o primeiro a dar esse exemplo. Não há motivação maior 
do que ver o líder comprometido com o projeto que você também ajuda a 
criar. Provar seu comprometimento com a empresa só vai ganhar o respeito 
dos colaboradores, assim como inspirá-los a ir além. 
• Atitude positiva: Se sua equipe está feliz e otimista, ela não vai se importar 
de se doar um pouco mais por um objetivo comum. Assim, ser otimista e 
ter atitudes positivas tornarão o ambiente mais leve e produtivo. 
• Criatividade: Como líder, é importante aprender a tomar decisões rápidas 
e lidar com improvisos. Nesses casos, é importante estar atento à 
criatividade, o que pode ajudá-lo muito nesses momentos, pois nem tudo 
vai ocorrer conforme o planejado. Geralmente, basear-se nas experiências 
passadas pode ajudar a tomar uma boa decisão. 
• Aprimoração constante: Melhorar seu desenvolvimento pessoal pode 
ajudá-lo a se tornar um líder melhor. Para construir uma carreira, você deve 
manter-se aberto às mudanças e estar disposto a crescer. Realizar uma 
avaliação periódica de suas próprias habilidades também contribui para 
saber se suas competências estão no nível adequado ou se têm de ser 
melhoradas. Um bom líder precisa ter uma conduta distinta, que possa ser 
espelhada pelos demais funcionários. Além disso, ser capaz de liderar 
significa ter consciência de que se aprimorar constantemente é 
fundamental. 
Não há como deixar de relacionar este tema com a liderança servidora, 
formato em que é aplicado o pensar não somente nos negócios, mas nas pessoas. 
Essa é, talvez, a mudança mais relevante que deve ocorrer nas empresas quando 
falamos em liderança e direcionamento para uma cultura ágil. Um líder servidor 
valoriza ideias, contribuições e regularmente busca opiniões com seus colegas de 
trabalho, estabelecendo uma cultura de transparência e respeito. Os líderes 
https://blog.tangerino.com.br/erros-na-gestao-de-pessoas-que-prejudicam-a-produtividade-no-trabalho/
 
 
7 
servidores praticam e disseminam o ágil. Essas características, assim como 
outras mais, devem fazer parte do perfil do gerente de projetos em projetos ágeis. 
No entanto, fique tranquilo! Falaremos mais a respeito deste propósito no próximo 
tema. 
TEMA 2 – LIDERANÇA EM PROJETOS ÁGEIS 
Quando se trata de Agile, por mais que os times sejam autogerenciáveis, a 
figura do líder ainda é fundamental e sua função na equipe torna-se mais 
especializada para determinadas atividades de gestão. O gerenciamento de 
projetos em uma empresa que adota Métodos Ágeis deve ser muito mais voltado 
à colaboração e participação, por meio de uma liderança servidora. 
Segundo o Guia Ágil (2017), as abordagens ágeis enfatizam a liderança 
servidora como forma de empoderar as equipes. A liderança servidora 
corresponde à prática de liderar pelo serviço à equipe, concentrando-se na 
compreensão, no atendimento das necessidades e no desenvolvimento dos 
membros da equipe para permitir que esta tenha o melhor desempenho possível. 
O papel de um líder servidor é facilitar a descoberta da equipe e a definição de 
ágil, além de abordar o trabalho do projeto na ordem a seguir. 
• Propósito: Trabalhe com a equipe para definir o “porquê” ou o propósito de 
maneira que todos possam se engajar e se aliar ao objetivo do projeto. 
Toda a equipe otimiza em nível do projeto, não em nível da pessoa; 
• Pessoas: Uma vez que o propósito é estabelecido, incentive a equipe a 
criar um ambiente em que todos possam ter sucesso. Peça a cada membro 
da equipe que contribua durante todo o trabalho do projeto. 
• Processo: Não planeje seguir o processo ágil “perfeito”, mas sim buscar 
resultados. Quando uma equipe multifuncional entrega o valor final com 
frequência e reflete sobre o produto e o processo, as equipes são ágeis. 
Não importa como a equipe chama seu processo. 
Ainda segundo o Guia Ágil (2017), as seguintes características da liderança 
servidora permitem que os líderes de projetos se tornem mais ágeis e facilitem o 
sucesso da equipe: 
• Promover a autoconsciência; 
• Ouvir; 
• Servir os membros da equipe; 
 
 
8 
• Ajudar o crescimento das pessoas; 
• Coaching vs Controlar; 
• Promover segurança, respeito e confiança; 
• Promover energia e inteligência. 
A liderança servidora não é uma exclusividade do ágil, mas depois de 
praticá-la, os líderes podem ver o quão bem a liderança se integra no valor e na 
mentalidade ágil. 
Quando a organização conta com líderes que desenvolvem a liderança 
servidora ou habilidades de facilitação, fica mais propensa à adoção da agilidade. 
Como consequência, eles ajudam a equipe a colaborar mutuamente para entregar 
valor mais rapidamente. Ademais, equipes ágeis bem-sucedidas adotam a 
mentalidade de evolução, na qual as pessoas acreditam que podem aprender 
novas habilidades. Assim, quando os líderes servidores acreditam que todos 
podem aprender, todos se tornam mais capazes. 
De acordo com o Guia Ágil (2017), os líderes servidores gerenciam 
relacionamentos para criar comunicação e coordenação como equipe e na 
organização. Esses relacionamentos ajudam os líderes a transitar pela 
organização para apoiar a equipe, o que contribui para a remoção de 
impedimentos e facilita a agilidade dos processos. 
Quando gerentes de projetos atuam como líderes servidores, a ênfase 
passa de “gerenciar a coordenação” para “facilitar a colaboração”. Facilitadores 
ajudam todos a proporcionar o seu melhor em termos de trabalho, incentivam a 
participação, a compreensão e a responsabilidadecompartilhada da equipe para 
o resultado dela, além de ajudarem a equipe a criar soluções aceitáveis e 
promover a colaboração e a integração. De igual forma, um líder de projetos ágeis 
incentiva a colaboração por meio de reuniões altamente interativas, diálogos 
informais, compartilhamento de conhecimento, bem como trabalha na equipe 
questões relacionadas à iniciativa, integridade, inteligência emocional, 
honestidade, colaboração, humildade e vontade de se comunicar, para que toda 
a equipe possa trabalhar bem. 
TEMA 3 – O PAPEL DO GERENTE DE PROJETOS 
O papel do gerente de projetos é fundamental para o sucesso do projeto, 
pois é o ator que figura como principal interlocutor entre as partes interessadas do 
 
 
9 
projeto, além de ser o centralizador de informações, conflitos, decisões e o 
responsável pelo direcionamento e gestão da equipe. Assim, definir e estabelecer 
claramente o papel do gerente de projetos para a organização e para os projetos, 
uma vez que ele pode variar em determinadas circunstâncias, representam um 
dos primeiros importantes passos na definição da estratégia. 
Segundo o Guia PMBOK® (2017), o gerente de projetos desempenha um 
papel crítico na liderança de uma equipe para atingir os objetivos do projeto. 
Normalmente, a função do gerente de projetos é adaptada à organização da 
mesma forma com que os processos do gerenciamento de projetos são adaptados 
para atender aos projetos. Assim, o papel do gerente de projetos é diferente do 
papel do gerente de operações ou do gerente funcional, pois não é sua 
responsabilidade supervisionar uma unidade de negócios ou a eficiência das 
operações. O compromisso deste profissional é liderar a equipe responsável para 
atingir os objetivos do projeto, sempre trabalhando de maneira alinhada às 
expectativas de todas as partes interessadas. 
O Guia Ágil (2017) afirma que o papel do gerente de projetos em um 
ambiente ágil pode ser indefinido, pois os frameworks não definem claramente a 
função deste profissional no âmbito ágil, e os gerentes estão acostumados a estar 
no centro da coordenação do projeto, acompanhando e representando a equipe e 
o status para a organização. No entanto, ao trabalhar com projetos ágeis, os 
gerentes de projetos deixam uma posição central para servir à equipe e à 
gerência, pois são líderes servidores, com ênfase no coaching de pessoas, na 
promoção da colaboração na equipe, na distribuição de responsabilidades para a 
equipe e no alinhamento das necessidades das partes interessadas. 
Segundo Camargo (2020), o planejamento do projeto ainda é 
responsabilidade do gerente de projetos, porém o principal papel do 
gerenciamento de projetos em uma empresa que adota métodos ágeis deve ser 
muito mais voltado à colaboração e menos à liderança hierárquica. Assim, é 
importante destacar que o valor do gerente de projetos não está na sua posição, 
mas na capacidade que ele tem de melhorar as pessoas, de criar um ambiente 
colaborativo e de estar à disposição da equipe para remoção de impedimentos e 
superação de obstáculos ao longo do projeto. 
Com significativa importância e atuação ampla, o gerente de projetos 
precisa ter pensamento estratégico, gerir benefícios e ser hábil em múltiplas 
abordagens, tanto preditivas quanto adaptativas, uma vez que desempenha papel 
 
 
10 
fundamental nesse processo, pois atua muito mais como um apoiador do que um 
controlador. Em linhas gerais, seu papel pode ser representado pelos seguintes 
termos: 
• Age como um líder para garantir adesão aos métodos por meio de reuniões, 
definições de papéis e feedbacks. Ao fazer isso, ele se transforma em 
um facilitador; 
• Acompanha o status do projeto com relação a indicadores de custos, 
cronograma, escopo, qualidade e custos, resolve conflitos e serve 
de interface entre equipe e as demais partes interessadas; 
• Protege o time de influências externas e se coloca à frente da equipe para 
dialogar com os envolvidos no projeto. Dessa forma, ele repassa aos 
membros do grupo apenas o necessário e remove empecilhos que surjam 
no decorrer do projeto. 
Como o gerente de projetos ágeis tem como papel principal ser um 
facilitador, ele resolverá problemas que já estão no escopo de um gerente de 
projetos comum, como gestão do tempo, integração, orçamento, qualidade, 
recursos, riscos e contratos. No entanto, precisará integrar o projeto a outras 
atividades da empresa, proteger sua equipe contra intervenções externas que 
atrapalhem o andamento do projeto e aperfeiçoar constantemente processos e 
práticas. 
Como podemos observar, a figura do Gerente de Projetos continua sendo 
extremamente importante para a performance do projeto e as entregas de 
resultado, pois exerce papel fundamental na condução do projeto e orientação à 
equipe, em que o “servir” deve ser o ponto central da gestão. 
TEMA 4 – APTIDÕES E HABILIDADES DE UM GERENTE DE PROJETOS ÁGEIS 
As aptidões e habilidades de um gerente de projetos, segundo aplicação 
do Project Management Institute (PMI) junto ao Project Management Competency 
Development (PMCD), permeiam um triângulo de talentos, o qual pode ser 
representado pelas seguintes arestas. 
• Gerenciamento Técnico de Projetos: Conhecimentos, habilidades e 
comportamentos relativos ao domínio em gerenciamento de projetos, 
programas e portfólios, ou seja, relacionados ao domínio técnico da função; 
 
 
11 
• Gerenciamento Estratégico e de Negócios: Conhecimentos e expertise no 
setor e na organização, de forma a melhorar seu desempenho e fornecer 
expressivos resultados ao negócio; 
• Liderança: Conhecimentos, habilidades e comportamentos necessários 
para orientar, motivar e dirigir uma equipe para ajudar a organização a 
atingir as suas metas de negócio. 
Segundo Camargo (2020), para uma organização ágil, com vários projetos 
realizados ao mesmo tempo, é muito útil haver um gerente de projetos que se 
encarregue de assuntos relacionados ao projeto em si, com o conhecimento 
aprofundado das áreas de conhecimento essenciais do gerenciamento 
(Integração, Escopo, Cronograma, Custos, Qualidade, Recursos, Comunicações, 
Riscos, Aquisições e Partes Interessadas). Por meio de um perfil mais 
colaborativo e consultivo, pode atuar na adequação e institucionalização de 
processos e ferramentas, além do foco servidor nas pessoas. 
Segundo Massari (2018), além das habilidades técnicas de gestão de 
projetos, as seguintes características (soft skills) devem ser aplicadas ao longo do 
ciclo de vida do projeto: Negociação, Escuta Ativa e Comunicação, Métodos de 
Facilitação, Diversidades Culturais e Resolução de Conflitos. A partir dos 
próximos tópicos, veremos com mais detalhes cada uma dessas importantes 
habilidades. 
4.1 Negociação 
Quanto maior a quantidade de partes interessadas em um projeto, maior o 
conflito de interesses e de personalidade. Pode haver conflitos sobre conteúdo 
dos requisitos, priorização ou até sobre a definição de pronto (done). Neste 
momento, o gerente de projetos deve se utilizar de sua habilidade de negociação 
para alinhamento, por meio da promoção de cada ponto de vista, das vantagens 
e desvantagens e, assim, encontrar o melhor cenário decisor sem que haja 
desmotivação. 
O melhor cenário para uma negociação é aquele que gera uma solução em 
que todos os lados saem satisfeitos com o resultado, lembrando que o foco está 
no projeto, não em interesses pessoais. 
 
 
 
12 
4.2 Escuta ativa e comunicação 
A escuta ativa é uma técnica que auxilia a manter um diálogo eficiente, em 
que o ouvinte é capaz de interpretar e assimilar todo o conteúdo expresso pelo 
interlocutor de maneira sincera. Durante a comunicação, é comum não 
absorvermos as informações expressas pelo interlocutor, seja pelo excesso de 
conteúdo apresentado, pela falta de concentração ou pela dificuldade de analisar 
e interpretar o que realmente está sendo dito. Observe os níveis de escuta ativae tente descobrir qual é o seu nível atualmente. 
• Nível 1 – Escuta interna: Enquanto você escuta as palavras que o 
interlocutor diz, você pensa: “o que isso me afetará?”, e perde o conteúdo 
da mensagem. 
• Nível 2 – Escuta focada: Neste nível, torna-se forte a prática da empatia, 
pois, ao ouvir a mensagem, você se coloca na mente do interlocutor e 
captura a mensagem que está sendo passada. 
• Nível 3 – Escuta global: Neste nível ocorre a prática da empatia realizada 
de maneira ideal, pois, além de ouvir a mensagem, você captura 
movimentos, postura, tom de voz e expressões do interlocutor. Neste 
estágio, a mensagem está sendo capturada de maneira integral, incluindo 
os sentimentos do interlocutor. 
A escuta ativa tenta quebrar esse ciclo de poucas interpretações, com o 
desenvolvimento de habilidades de comunicação que garantem um diálogo linear 
e eficiente, podendo ser aplicada na sua vida pessoal e profissional. 
Segundo o Guia PMBOK® (2017), pesquisas mostram que os gerentes de 
projetos bem-sucedidos utilizam habilidades de relacionamento, comunicação e a 
manutenção de uma atitude positiva. A comunicação pode ser aplicada em todo 
o projeto e, em conjunto com a escuta ativa, trata-se de uma poderosa habilidade. 
4.3 Métodos de facilitação 
O gerente de projetos ágeis deve atuar como o facilitador da equipe, 
especialmente durantes as reuniões com as partes interessadas. Neste contexto, 
é essencial que haja objetivo para a reunião, regras básicas, tempo determinado 
e garantia de que a reunião seja produtiva e de que todos tenham a chance de 
https://rockcontent.com/br/blog/habilidades-de-comunicacao/
 
 
13 
contribuir. De igual forma, ele é o facilitador de qualquer situação que envolva o 
projeto ou diretamente a equipe. 
Segundo o Guia PMBOK (2017), pesquisas mostram que os gerentes de 
projetos bem-sucedidos utilizam habilidades essenciais de modo consistente e 
efetivo, e destacam o relacionamento, a comunicação e a manutenção de uma 
atitude positiva. 
4.4 Diversidades culturais 
Pessoas são diferentes, e cada indivíduo tem uma personalidade e 
características distintas. Assim, a habilidade de fazer com que a soma desses 
indivíduos que formam a equipe e as demais partes interessadas estejam em 
constante alinhamento torna-se um grande desafio. Neste aspecto, devemos levar 
em consideração diferenças não apenas de personalidade, mas culturais e de 
idioma. 
Para que essa diversidade seja efetiva, uma boa técnica é proceder com 
uma reunião de kick-off interativa para que todos tenham oportunidade de se 
conhecer e entendam um pouco mais a diferença cultural que estão envolvidos. 
4.5 Resolução de conflitos 
O conflito pode ser uma excelente fonte de desacordo construtivo, na qual 
as diversas opiniões podem ser utilizadas a favor dos projetos. Porém, para que 
isso ocorra, o líder deve saber lidar com o conflito e entender que tipo de 
abordagem pode utilizar. 
• Força: É o famoso “ponto final, quem decide aqui sou eu” – esta talvez seja 
a pior forma de lidar com o conflito e só deve ser utilizada quando o conflito 
ultrapassou a esfera profissional e está no pessoal. 
• Retirada: Esta abordagem ocorre quando o conflito se “resolve 
automaticamente”, em que o problema costuma se estender. 
• Conciliação: Neste caso, o líder tenta fazer com que os dois lados cedam 
um pouco e pode ser efetivo a curto prazo, mas como é uma resolução 
“perde-perde”, o conflito pode retornar em futuro próximo. 
• Acomodação: Conhecida popularmente como “panos quentes”, ocorre 
quando o líder enfatiza os pontos de acordo e ignora os pontos de 
desacordo. Novamente, pode ser atuante a curto prazo. 
 
 
14 
• Colaboração: É quando há a busca pelo consenso. Pode ser efetiva 
dependendo no nível em que se encontra. 
• Confronto: Costuma ser a melhor forma de resolver conflitos, pois as partes 
tentam entender a causa-raiz do conflito e propor alternativas de “ganha-
ganha”. 
TEMA 5 – PERFIL ESTRATÉGICO E DE NEGÓCIOS 
As habilidades de gerenciamento técnico de projetos são definidas para 
aplicar efetivamente o conhecimento em gerenciamento de projetos e fornecer os 
resultados esperados para o projeto. 
As áreas de conhecimento anteriormente citadas descrevem muitas dessas 
habilidades necessárias, pois são encaradas como especialidades em gestão de 
projetos. Contudo, as habilidades de gerenciamento de projetos estratégico e de 
negócios envolvem a capacidade de identificar a visão geral de alto nível da 
organização e de negociar efetivamente e implementar decisões e ações que 
apoiem o alinhamento estratégico e a inovação. Estas habilidades podem incluir 
um conhecimento prático de outras funções, como finanças, marketing e 
operações. 
Segundo o Guia PMBOK (2017), para tomar as melhores decisões sobre a 
entrega bem-sucedida dos seus projetos, é essencial que o gerente de projetos 
conheça os seguintes aspectos da organização: 
• Estratégia; 
• Missão, visão e valores; 
• Metas e objetivos; 
• Produtos e serviços; 
• Operações; 
• Aspectos de mercado e concorrência; 
• Priorização e valor para o produto/cliente. 
Ao aplicar o conhecimento de negócios, o gerente de projetos será capaz 
de tomar decisões e prover recomendações estratégicas apropriadas para o 
projeto, aspectos de negócio essenciais do projeto e trabalhar constantemente 
com o patrocinador, a equipe e as demais partes interessadas para desenvolver 
uma estratégia apropriada para entregar o projeto. 
 
 
15 
Chegamos ao final de mais uma aula. Esperamos que tenha aproveitado e 
entendido a relevância do papel do gerente de projetos para um ambiente ágil, 
bem como suas respectivas responsabilidades e características exigidas para o 
perfil deste importante profissional. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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https://blog.solides.com.br/o-comportamento-de-um-bom-lider/

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