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AULA 2 PERFIL DO GERENTE DE PROJETOS EM PROJETOS ÁGEIS Prof. Robson Vettori Ferezin 2 TEMA 1 – LIDERANÇA Na primeira aula, entendemos de forma bem contextualizada o impacto da cultura para a estruturação das organizações, especialmente quando consideramos uma mudança de mentalidade, como é o caso da agilidade. É importante considerarmos também que a criação de um ambiente ágil (saudável) tem relação com uma figura muito importante para a empresa, a equipe e os projetos: o gerente de projetos. O perfil do gerente de projetos em projetos ágeis é considerado fundamental para o bom desempenho da equipe, do projeto e da operacionalização dos métodos ágeis. A aula de hoje tratará justamente do papel do gerente de projetos em ambientes ágeis, que está envolto em liderança, competências técnicas e gestão estratégica de negócios. Esse tripé está amparado por processos adequados que podem representar elevação de maturidade da equipe, qualidade nas entregas e projetos de sucesso. A liderança corresponde à primeira definição importante do tema desta nossa segunda aula, pois é com base neste conceito que veremos os desdobramentos para entender efetivamente o papel do gerente de projetos em projetos ágeis. Segundo o Guia PMBOK® (2017), liderança corresponde a conhecimento, habilidades e comportamentos necessários para orientar, motivar e dirigir uma equipe para ajudar a organização a atingir as suas metas de negócio. Chiavenato (2020) vai além e estabelece que liderança é o processo de exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços para realização de objetivos. Assim, é possível afirmar que liderança e motivação andam juntas, são dependentes e de extrema importância nas organizações, pois pessoas motivadas e bem orientadas produzem mais, são eficientes, eficazes, proporcionam melhores resultados e, ainda, apresentam características voltadas à inovação, além de dispor de alta produtividade quando em equipes. Os líderes atuam em uma organização com a função de planejar, organizar, coordenar e controlar as tarefas realizadas pelos demais funcionários a fim de dar suporte a eles. De acordo com Camargo e Ribas (2019), diante de um cenário corporativo extremamente volátil, incerto, complexo e a ambíguo, é necessário que as organizações repensem nos modelos de gestão adotados, o que inclui o gerenciamento de projetos. 3 Sandler (2008) afirma, ainda, que a liderança e o sucesso como gestor estão relacionados a fatores como motivação da equipe, atração e retenção de talentos, planejamento e organização do trabalho, desempenho da equipe e desenvolvimento a longo prazo. Assim, mesmo quando falamos em gestão de projetos em menores escalas de tempo, é importante observar esses tópicos para mensurar nosso desempenho e, consequentemente, proporcionar maiores chances de sucesso. Assim, o bom líder precisa saber se comunicar, ser claro, efetivo e atingir todos da equipe, além de monitorar e estar atento e à disposição da equipe. Segundo Chiavenato (2020), a abordagem dos estilos de liderança se refere àquilo que o líder faz e seu estilo de comportamento para liderar. O autor descreve que, de modo geral, há três tipos de liderança. • Liderança autocrática: Neste tipo de liderança, o líder centraliza todas as suas decisões diretamente nas atividades e em suas próprias opiniões, sendo um tipo mais dominador. O líder autocrático conduz sua equipe com muita energia, porém com baixa valorização das competências de cada membro, além da constante cobrança de resultados. Neste formato, apesar de, muitas vezes, este líder conseguir atender a uma grande demanda, o ambiente de trabalho pode ser afetado e ocasionar a redução da qualidade, o que torna uma grande desvantagem deste modelo. • Liderança liberal: A liderança com estilo mais liberal é também conhecida como liderança laissez-faire, do francês "deixai fazer", pois este líder oferece grande liberdade nas atividades da equipe. Este tipo de liderança mais liberal é recomendável aos grupos com mais autonomia, que contam com pessoas mais maduras para suas funções, como acontece eventualmente em projetos que utilizam métodos ágeis. A desvantagem da liderança liberal pode aparecer quando há membros do time dependentes de controle, pois dificilmente conseguirão ser produtivos neste formato. Se isto não acontecer, o líder pode focar em questões mais estratégicas ou relevantes para a qualidade dos processos. • Liderança democrática: O líder democrático é aquele que permite maior participação dos colaboradores nas tomadas de decisão da equipe, inclusive na própria divisão de tarefas, mas não deixa de estar sempre presente. Esta liderança exige ainda mais o empenho do líder, porém oferece maior equilíbrio nos processos e no ambiente da organização. Ele https://blog.solides.com.br/chiavenato/?__hstc=68844302.69d976646b1a8bfdc7bc833ed3029980.1604854015112.1606078085649.1606690820139.6&__hssc=68844302.1.1606690820139&__hsfp=2634393704 4 não é liberal a ponto de deixar a equipe mais autônoma nem autoritário em não consultar os colaboradores. O modelo democrático pode apresentar desvantagens em grupos muito desqualificados, e isso exigirá maior atenção por parte do líder em suas decisões feitas em conjunto. De acordo com Camargo e Ribas (2019), além dos estilos de liderança descritos anteriormente, é possível elencar alguns modelos que podem, inclusive, ser combinados com os estilos anteriores. • Liderança Motivacional: Esse estilo busca objetivos atuando no emocional das pessoas. Muitas vezes, esses líderes inspiram os colaborares a fazerem mais do que estava estipulado e até mais do que achavam possível. Com seu forte otimismo, nos momentos de crise, unem pessoas e objetivos com sua grande fluência verbal. • Liderança Estratégica: O líder estratégico preenche lacunas entre a necessidade de novas possibilidades e a necessidade de viabilidade, fornecendo um conjunto de hábitos, com pensamento estratégico voltado aos resultados esperados naturalmente pela empresa. • Liderança Técnica: Aqui o líder é o detentor do maior conhecimento e capacidade técnica. É aquele que sabe dizer o que fazer e em que resultado vai dar. Assim, passa segurança à equipe e estabelece modelos e processos eficazes a seguir. • Leader Coach: Esse estilo tem um aspecto transformador também muito útil para iniciar mudanças em organizações, seja nos grupos e até em si mesmo. Essa liderança é baseada nos princípios do coaching e estimula o desenvolvimento de novas habilidades e aprimora capacidades e competências. Assim, lidera com assertividade, apresentando desafios e novidades motivadoras para criar um ambiente empreendedor e colaborativo, com o intuito de formar novos líderes. É importante ressaltar que, independentemente do estilo de liderança, o líder pode ser crítico, observador, e, às vezes, até perfeccionista, mas usa essas características para inspirar as pessoas com seu exemplo, não sendo agressivo, soberbo ou alguém que humilha as pessoas. O bom líder acredita na performance da equipe e na qualidade do trabalho, se mantém sempre atualizado e proporciona o crescimento para a sua equipe de maneira que todos de desenvolvam juntos. Por isso, é acessível à comunicação e aos feedbacks, aprecia a utilização da 5 inteligência coletiva, solicita opiniões, estabelece limites e dá abertura para manifestações, sempre no intuito de potencializar os resultados da sua equipe. Definitivamente, liderança é o principal comportamento de um bom líder. É preciso saber exatamente “o que” deve ser realizado e “como” fazer para que seus colaboradores o vejam como um líder verdadeiro, alguém que os inspira, que dá abertura para participar e os faz trabalhar com mais confiança. Diante disso, saber atuar como um líder em uma equipe é fundamental para seu sucesso como gestor.Contudo, chegar a esse objetivo não é tarefa fácil. Além de mostrar resultados, ter domínio pleno das funções e ser um profissional engajado, para ser um bom líder é preciso ter qualidades específicas que vão além da liderança – exatamente as que o diferem dos demais. Sales (2020) lista as principais qualidades de um bom líder. • Comunicação: Ser capaz de descrever de maneira clara o que você quer é extremamente importante para o bom funcionamento de uma equipe. O líder deve ser o principal interlocutor da equipe com a alta gestão e outras áreas, departamentos ou projetos, patrocinadores, clientes e internamente junto à própria equipe. Criar um ambiente de trabalho mais produtivo depende de uma comunicação assertiva. • Honestidade: Um líder precisa ser admirado para ser seguido e, para isso, a conduta ética deve ser exemplar. Normalmente, os líderes seguem e passam aos subordinados valores e crenças da empresa, e o ideal é incentivar seus funcionários a criar o hábito da honestidade, o que influenciará o ambiente de trabalho e os resultados. • Capacidade de delegar: Delegar funções é essencial para criar uma equipe organizada e eficiente. Além de mostrar confiança nos colaboradores, você também tem liberdade para focar nas suas competências e na estratégia. O caminho para delegar é identificar os pontos fortes de cada um da equipe e aproveitar essas particularidades. • Capacidade para definir metas: Em pequenas e grandes empresas, existem sempre muitas coisas a fazer e metas a alcançar. Para não ficar perdido entre tantas atividades, o líder deve criar uma pequena lista do que realmente é prioridade. Além disso, os líderes precisam comunicar os objetivos e as metas de maneira simples e direta à equipe, pois a clareza facilita o alcance do resultado esperado e simplifica a busca por soluções eficientes. 6 • Senso de humor: O ambiente de trabalho influencia na produtividade e o bom humor proporciona um ambiente saudável para a relação, o que pode significar melhores resultados. • Confiança: Qualquer projeto enfrentará momentos mais delicados, mas cabe ao líder mostrar confiança no negócio e passar tranquilidade à equipe. É fato que boa parte do trabalho do líder é apagar incêndios e manter a moral da equipe, assim como o nível de confiança no negócio. • Compromisso: Se você espera que sua equipe trabalhe duro e o faça com qualidade, você é o primeiro a dar esse exemplo. Não há motivação maior do que ver o líder comprometido com o projeto que você também ajuda a criar. Provar seu comprometimento com a empresa só vai ganhar o respeito dos colaboradores, assim como inspirá-los a ir além. • Atitude positiva: Se sua equipe está feliz e otimista, ela não vai se importar de se doar um pouco mais por um objetivo comum. Assim, ser otimista e ter atitudes positivas tornarão o ambiente mais leve e produtivo. • Criatividade: Como líder, é importante aprender a tomar decisões rápidas e lidar com improvisos. Nesses casos, é importante estar atento à criatividade, o que pode ajudá-lo muito nesses momentos, pois nem tudo vai ocorrer conforme o planejado. Geralmente, basear-se nas experiências passadas pode ajudar a tomar uma boa decisão. • Aprimoração constante: Melhorar seu desenvolvimento pessoal pode ajudá-lo a se tornar um líder melhor. Para construir uma carreira, você deve manter-se aberto às mudanças e estar disposto a crescer. Realizar uma avaliação periódica de suas próprias habilidades também contribui para saber se suas competências estão no nível adequado ou se têm de ser melhoradas. Um bom líder precisa ter uma conduta distinta, que possa ser espelhada pelos demais funcionários. Além disso, ser capaz de liderar significa ter consciência de que se aprimorar constantemente é fundamental. Não há como deixar de relacionar este tema com a liderança servidora, formato em que é aplicado o pensar não somente nos negócios, mas nas pessoas. Essa é, talvez, a mudança mais relevante que deve ocorrer nas empresas quando falamos em liderança e direcionamento para uma cultura ágil. Um líder servidor valoriza ideias, contribuições e regularmente busca opiniões com seus colegas de trabalho, estabelecendo uma cultura de transparência e respeito. Os líderes https://blog.tangerino.com.br/erros-na-gestao-de-pessoas-que-prejudicam-a-produtividade-no-trabalho/ 7 servidores praticam e disseminam o ágil. Essas características, assim como outras mais, devem fazer parte do perfil do gerente de projetos em projetos ágeis. No entanto, fique tranquilo! Falaremos mais a respeito deste propósito no próximo tema. TEMA 2 – LIDERANÇA EM PROJETOS ÁGEIS Quando se trata de Agile, por mais que os times sejam autogerenciáveis, a figura do líder ainda é fundamental e sua função na equipe torna-se mais especializada para determinadas atividades de gestão. O gerenciamento de projetos em uma empresa que adota Métodos Ágeis deve ser muito mais voltado à colaboração e participação, por meio de uma liderança servidora. Segundo o Guia Ágil (2017), as abordagens ágeis enfatizam a liderança servidora como forma de empoderar as equipes. A liderança servidora corresponde à prática de liderar pelo serviço à equipe, concentrando-se na compreensão, no atendimento das necessidades e no desenvolvimento dos membros da equipe para permitir que esta tenha o melhor desempenho possível. O papel de um líder servidor é facilitar a descoberta da equipe e a definição de ágil, além de abordar o trabalho do projeto na ordem a seguir. • Propósito: Trabalhe com a equipe para definir o “porquê” ou o propósito de maneira que todos possam se engajar e se aliar ao objetivo do projeto. Toda a equipe otimiza em nível do projeto, não em nível da pessoa; • Pessoas: Uma vez que o propósito é estabelecido, incentive a equipe a criar um ambiente em que todos possam ter sucesso. Peça a cada membro da equipe que contribua durante todo o trabalho do projeto. • Processo: Não planeje seguir o processo ágil “perfeito”, mas sim buscar resultados. Quando uma equipe multifuncional entrega o valor final com frequência e reflete sobre o produto e o processo, as equipes são ágeis. Não importa como a equipe chama seu processo. Ainda segundo o Guia Ágil (2017), as seguintes características da liderança servidora permitem que os líderes de projetos se tornem mais ágeis e facilitem o sucesso da equipe: • Promover a autoconsciência; • Ouvir; • Servir os membros da equipe; 8 • Ajudar o crescimento das pessoas; • Coaching vs Controlar; • Promover segurança, respeito e confiança; • Promover energia e inteligência. A liderança servidora não é uma exclusividade do ágil, mas depois de praticá-la, os líderes podem ver o quão bem a liderança se integra no valor e na mentalidade ágil. Quando a organização conta com líderes que desenvolvem a liderança servidora ou habilidades de facilitação, fica mais propensa à adoção da agilidade. Como consequência, eles ajudam a equipe a colaborar mutuamente para entregar valor mais rapidamente. Ademais, equipes ágeis bem-sucedidas adotam a mentalidade de evolução, na qual as pessoas acreditam que podem aprender novas habilidades. Assim, quando os líderes servidores acreditam que todos podem aprender, todos se tornam mais capazes. De acordo com o Guia Ágil (2017), os líderes servidores gerenciam relacionamentos para criar comunicação e coordenação como equipe e na organização. Esses relacionamentos ajudam os líderes a transitar pela organização para apoiar a equipe, o que contribui para a remoção de impedimentos e facilita a agilidade dos processos. Quando gerentes de projetos atuam como líderes servidores, a ênfase passa de “gerenciar a coordenação” para “facilitar a colaboração”. Facilitadores ajudam todos a proporcionar o seu melhor em termos de trabalho, incentivam a participação, a compreensão e a responsabilidadecompartilhada da equipe para o resultado dela, além de ajudarem a equipe a criar soluções aceitáveis e promover a colaboração e a integração. De igual forma, um líder de projetos ágeis incentiva a colaboração por meio de reuniões altamente interativas, diálogos informais, compartilhamento de conhecimento, bem como trabalha na equipe questões relacionadas à iniciativa, integridade, inteligência emocional, honestidade, colaboração, humildade e vontade de se comunicar, para que toda a equipe possa trabalhar bem. TEMA 3 – O PAPEL DO GERENTE DE PROJETOS O papel do gerente de projetos é fundamental para o sucesso do projeto, pois é o ator que figura como principal interlocutor entre as partes interessadas do 9 projeto, além de ser o centralizador de informações, conflitos, decisões e o responsável pelo direcionamento e gestão da equipe. Assim, definir e estabelecer claramente o papel do gerente de projetos para a organização e para os projetos, uma vez que ele pode variar em determinadas circunstâncias, representam um dos primeiros importantes passos na definição da estratégia. Segundo o Guia PMBOK® (2017), o gerente de projetos desempenha um papel crítico na liderança de uma equipe para atingir os objetivos do projeto. Normalmente, a função do gerente de projetos é adaptada à organização da mesma forma com que os processos do gerenciamento de projetos são adaptados para atender aos projetos. Assim, o papel do gerente de projetos é diferente do papel do gerente de operações ou do gerente funcional, pois não é sua responsabilidade supervisionar uma unidade de negócios ou a eficiência das operações. O compromisso deste profissional é liderar a equipe responsável para atingir os objetivos do projeto, sempre trabalhando de maneira alinhada às expectativas de todas as partes interessadas. O Guia Ágil (2017) afirma que o papel do gerente de projetos em um ambiente ágil pode ser indefinido, pois os frameworks não definem claramente a função deste profissional no âmbito ágil, e os gerentes estão acostumados a estar no centro da coordenação do projeto, acompanhando e representando a equipe e o status para a organização. No entanto, ao trabalhar com projetos ágeis, os gerentes de projetos deixam uma posição central para servir à equipe e à gerência, pois são líderes servidores, com ênfase no coaching de pessoas, na promoção da colaboração na equipe, na distribuição de responsabilidades para a equipe e no alinhamento das necessidades das partes interessadas. Segundo Camargo (2020), o planejamento do projeto ainda é responsabilidade do gerente de projetos, porém o principal papel do gerenciamento de projetos em uma empresa que adota métodos ágeis deve ser muito mais voltado à colaboração e menos à liderança hierárquica. Assim, é importante destacar que o valor do gerente de projetos não está na sua posição, mas na capacidade que ele tem de melhorar as pessoas, de criar um ambiente colaborativo e de estar à disposição da equipe para remoção de impedimentos e superação de obstáculos ao longo do projeto. Com significativa importância e atuação ampla, o gerente de projetos precisa ter pensamento estratégico, gerir benefícios e ser hábil em múltiplas abordagens, tanto preditivas quanto adaptativas, uma vez que desempenha papel 10 fundamental nesse processo, pois atua muito mais como um apoiador do que um controlador. Em linhas gerais, seu papel pode ser representado pelos seguintes termos: • Age como um líder para garantir adesão aos métodos por meio de reuniões, definições de papéis e feedbacks. Ao fazer isso, ele se transforma em um facilitador; • Acompanha o status do projeto com relação a indicadores de custos, cronograma, escopo, qualidade e custos, resolve conflitos e serve de interface entre equipe e as demais partes interessadas; • Protege o time de influências externas e se coloca à frente da equipe para dialogar com os envolvidos no projeto. Dessa forma, ele repassa aos membros do grupo apenas o necessário e remove empecilhos que surjam no decorrer do projeto. Como o gerente de projetos ágeis tem como papel principal ser um facilitador, ele resolverá problemas que já estão no escopo de um gerente de projetos comum, como gestão do tempo, integração, orçamento, qualidade, recursos, riscos e contratos. No entanto, precisará integrar o projeto a outras atividades da empresa, proteger sua equipe contra intervenções externas que atrapalhem o andamento do projeto e aperfeiçoar constantemente processos e práticas. Como podemos observar, a figura do Gerente de Projetos continua sendo extremamente importante para a performance do projeto e as entregas de resultado, pois exerce papel fundamental na condução do projeto e orientação à equipe, em que o “servir” deve ser o ponto central da gestão. TEMA 4 – APTIDÕES E HABILIDADES DE UM GERENTE DE PROJETOS ÁGEIS As aptidões e habilidades de um gerente de projetos, segundo aplicação do Project Management Institute (PMI) junto ao Project Management Competency Development (PMCD), permeiam um triângulo de talentos, o qual pode ser representado pelas seguintes arestas. • Gerenciamento Técnico de Projetos: Conhecimentos, habilidades e comportamentos relativos ao domínio em gerenciamento de projetos, programas e portfólios, ou seja, relacionados ao domínio técnico da função; 11 • Gerenciamento Estratégico e de Negócios: Conhecimentos e expertise no setor e na organização, de forma a melhorar seu desempenho e fornecer expressivos resultados ao negócio; • Liderança: Conhecimentos, habilidades e comportamentos necessários para orientar, motivar e dirigir uma equipe para ajudar a organização a atingir as suas metas de negócio. Segundo Camargo (2020), para uma organização ágil, com vários projetos realizados ao mesmo tempo, é muito útil haver um gerente de projetos que se encarregue de assuntos relacionados ao projeto em si, com o conhecimento aprofundado das áreas de conhecimento essenciais do gerenciamento (Integração, Escopo, Cronograma, Custos, Qualidade, Recursos, Comunicações, Riscos, Aquisições e Partes Interessadas). Por meio de um perfil mais colaborativo e consultivo, pode atuar na adequação e institucionalização de processos e ferramentas, além do foco servidor nas pessoas. Segundo Massari (2018), além das habilidades técnicas de gestão de projetos, as seguintes características (soft skills) devem ser aplicadas ao longo do ciclo de vida do projeto: Negociação, Escuta Ativa e Comunicação, Métodos de Facilitação, Diversidades Culturais e Resolução de Conflitos. A partir dos próximos tópicos, veremos com mais detalhes cada uma dessas importantes habilidades. 4.1 Negociação Quanto maior a quantidade de partes interessadas em um projeto, maior o conflito de interesses e de personalidade. Pode haver conflitos sobre conteúdo dos requisitos, priorização ou até sobre a definição de pronto (done). Neste momento, o gerente de projetos deve se utilizar de sua habilidade de negociação para alinhamento, por meio da promoção de cada ponto de vista, das vantagens e desvantagens e, assim, encontrar o melhor cenário decisor sem que haja desmotivação. O melhor cenário para uma negociação é aquele que gera uma solução em que todos os lados saem satisfeitos com o resultado, lembrando que o foco está no projeto, não em interesses pessoais. 12 4.2 Escuta ativa e comunicação A escuta ativa é uma técnica que auxilia a manter um diálogo eficiente, em que o ouvinte é capaz de interpretar e assimilar todo o conteúdo expresso pelo interlocutor de maneira sincera. Durante a comunicação, é comum não absorvermos as informações expressas pelo interlocutor, seja pelo excesso de conteúdo apresentado, pela falta de concentração ou pela dificuldade de analisar e interpretar o que realmente está sendo dito. Observe os níveis de escuta ativae tente descobrir qual é o seu nível atualmente. • Nível 1 – Escuta interna: Enquanto você escuta as palavras que o interlocutor diz, você pensa: “o que isso me afetará?”, e perde o conteúdo da mensagem. • Nível 2 – Escuta focada: Neste nível, torna-se forte a prática da empatia, pois, ao ouvir a mensagem, você se coloca na mente do interlocutor e captura a mensagem que está sendo passada. • Nível 3 – Escuta global: Neste nível ocorre a prática da empatia realizada de maneira ideal, pois, além de ouvir a mensagem, você captura movimentos, postura, tom de voz e expressões do interlocutor. Neste estágio, a mensagem está sendo capturada de maneira integral, incluindo os sentimentos do interlocutor. A escuta ativa tenta quebrar esse ciclo de poucas interpretações, com o desenvolvimento de habilidades de comunicação que garantem um diálogo linear e eficiente, podendo ser aplicada na sua vida pessoal e profissional. Segundo o Guia PMBOK® (2017), pesquisas mostram que os gerentes de projetos bem-sucedidos utilizam habilidades de relacionamento, comunicação e a manutenção de uma atitude positiva. A comunicação pode ser aplicada em todo o projeto e, em conjunto com a escuta ativa, trata-se de uma poderosa habilidade. 4.3 Métodos de facilitação O gerente de projetos ágeis deve atuar como o facilitador da equipe, especialmente durantes as reuniões com as partes interessadas. Neste contexto, é essencial que haja objetivo para a reunião, regras básicas, tempo determinado e garantia de que a reunião seja produtiva e de que todos tenham a chance de https://rockcontent.com/br/blog/habilidades-de-comunicacao/ 13 contribuir. De igual forma, ele é o facilitador de qualquer situação que envolva o projeto ou diretamente a equipe. Segundo o Guia PMBOK (2017), pesquisas mostram que os gerentes de projetos bem-sucedidos utilizam habilidades essenciais de modo consistente e efetivo, e destacam o relacionamento, a comunicação e a manutenção de uma atitude positiva. 4.4 Diversidades culturais Pessoas são diferentes, e cada indivíduo tem uma personalidade e características distintas. Assim, a habilidade de fazer com que a soma desses indivíduos que formam a equipe e as demais partes interessadas estejam em constante alinhamento torna-se um grande desafio. Neste aspecto, devemos levar em consideração diferenças não apenas de personalidade, mas culturais e de idioma. Para que essa diversidade seja efetiva, uma boa técnica é proceder com uma reunião de kick-off interativa para que todos tenham oportunidade de se conhecer e entendam um pouco mais a diferença cultural que estão envolvidos. 4.5 Resolução de conflitos O conflito pode ser uma excelente fonte de desacordo construtivo, na qual as diversas opiniões podem ser utilizadas a favor dos projetos. Porém, para que isso ocorra, o líder deve saber lidar com o conflito e entender que tipo de abordagem pode utilizar. • Força: É o famoso “ponto final, quem decide aqui sou eu” – esta talvez seja a pior forma de lidar com o conflito e só deve ser utilizada quando o conflito ultrapassou a esfera profissional e está no pessoal. • Retirada: Esta abordagem ocorre quando o conflito se “resolve automaticamente”, em que o problema costuma se estender. • Conciliação: Neste caso, o líder tenta fazer com que os dois lados cedam um pouco e pode ser efetivo a curto prazo, mas como é uma resolução “perde-perde”, o conflito pode retornar em futuro próximo. • Acomodação: Conhecida popularmente como “panos quentes”, ocorre quando o líder enfatiza os pontos de acordo e ignora os pontos de desacordo. Novamente, pode ser atuante a curto prazo. 14 • Colaboração: É quando há a busca pelo consenso. Pode ser efetiva dependendo no nível em que se encontra. • Confronto: Costuma ser a melhor forma de resolver conflitos, pois as partes tentam entender a causa-raiz do conflito e propor alternativas de “ganha- ganha”. TEMA 5 – PERFIL ESTRATÉGICO E DE NEGÓCIOS As habilidades de gerenciamento técnico de projetos são definidas para aplicar efetivamente o conhecimento em gerenciamento de projetos e fornecer os resultados esperados para o projeto. As áreas de conhecimento anteriormente citadas descrevem muitas dessas habilidades necessárias, pois são encaradas como especialidades em gestão de projetos. Contudo, as habilidades de gerenciamento de projetos estratégico e de negócios envolvem a capacidade de identificar a visão geral de alto nível da organização e de negociar efetivamente e implementar decisões e ações que apoiem o alinhamento estratégico e a inovação. Estas habilidades podem incluir um conhecimento prático de outras funções, como finanças, marketing e operações. Segundo o Guia PMBOK (2017), para tomar as melhores decisões sobre a entrega bem-sucedida dos seus projetos, é essencial que o gerente de projetos conheça os seguintes aspectos da organização: • Estratégia; • Missão, visão e valores; • Metas e objetivos; • Produtos e serviços; • Operações; • Aspectos de mercado e concorrência; • Priorização e valor para o produto/cliente. Ao aplicar o conhecimento de negócios, o gerente de projetos será capaz de tomar decisões e prover recomendações estratégicas apropriadas para o projeto, aspectos de negócio essenciais do projeto e trabalhar constantemente com o patrocinador, a equipe e as demais partes interessadas para desenvolver uma estratégia apropriada para entregar o projeto. 15 Chegamos ao final de mais uma aula. Esperamos que tenha aproveitado e entendido a relevância do papel do gerente de projetos para um ambiente ágil, bem como suas respectivas responsabilidades e características exigidas para o perfil deste importante profissional. 16 REFERÊNCIAS CAMARGO, R. Qual o papel do Gerente de Projetos dentro dos Métodos Ágeis? 12 mar. 2020. Robson Camargo Projetos e Negócios. Disponível em: . Acesso em: 18 jan. 2021. CAMARGO; R.; RIBAS, T. Gestão Ágil de Projetos: as melhores soluções para suas necessidades. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna administração. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2020. MASSARI, V. L. Gerenciamento Ágil de Projetos. Rio de Janeiro: Brasport, 2018. PORTAL Dale Carnegie. O que é liderança? Conceito e definição. 6 mar. 2018. Dale Carnegie. Disponível em: . Acesso em: 18 jan. 2021. PROJECT Management Institute PMI. Guia Ágil. Pennsylvania: PMI, 2017. PROJECT Management Institute PMI. Guia PMBOK®: um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. Pennsylvania: PMI, 2017. PROVINCIATTO, M.; CAROLI, P. Sprint a Sprint: erros e acertos na transformação cultural de um time ágil. São Paulo: Editora Caroli, 2020. SALES, G. Liderança: o comportamento de um bom líder. 5 jun. 2020. Sólides. Disponível em: . Acesso em: 18 jan. 2021. SANDLER, L. Tornando-se um extraordinário gerente: os 5 elementos essenciais para o sucesso. Trad. Rita Myrian Zagordo. São Paulo: Clio Editora, 2014. https://blog.solides.com.br/o-comportamento-de-um-bom-lider/