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Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 1
CAP 22 & 23 – CÔNICAS
ELIPSE
Origem
Vamos considerar um cone. Utilizando um plano inclinado em relação ao eixo e que
intersecte todas as geratrizes do cone, faremos um corte como mostra o desenho
seguinte:
Nesse caso, a secção cônica obtida é chamada elipse.
Definição
Dados dois pontos F1 e F2, pertencentes a um plano α, seja 2c a distância entre eles.
Elipse é o conjunto dos pontos de α cuja soma das distâncias a F1 e F2 é constante 2a.
Elipse = { }aPFPFP 221 =+∈α
Assim, temos:
QF1 + QF2 = 2a
RF1 + RF2 = 2a
SF1 + SF2 = 2a
A1F1 + A1F2 = 2a
A2F1 + A2F2 = 2a
B2F1 + B2F2 = 2a
Notemos também que A1A2 = 2a
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Elementos principais
F1 e F2 � focos
O � centro
A1A2 � eixo maior
B1B2 � eixo menor
2c � distância focal
2a � medida do eixo maior
2b � medida do eixo menor
a
c
� excentricidade
Relação notável: 222 cba +=
OBS: Área de uma elipse � baS ⋅⋅= pi
Equação reduzida da elipse de centro na origem e focos pertencentes ao eixo das
abscissas
Tomemos um sistema cartesiano ortogonal tal que:
A1A2 ⊂ x e B1B2 ⊂ y
É evidente que os focos são os pontos:
F1(-c, 0) e F2(c, 0)
Nestas condições, chama-se equação reduzida da elipse a equação que P(x, y), ponto
genérico da curva, verifica. A dedução é imediata: P ∈ elipse ⇔ PF1 + PF2 = 2a, então:
( ) ( ) ( ) ( ) aycxycx 200 2222 =−+−+−++
Desenvolvendo, temos:
122
2
2
2
=
−
+
ca
y
a
x
Como 222 cba += , temos:
12
2
2
2
=+
b
y
a
x
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Equação reduzida da elipse de centro na origem e focos pertencentes ao eixo das
ordenadas
Analogamente ao que vimos se a elipse apresenta:
A1A2 ⊂ y e B1B2 ⊂ x
Temos:
PF1 + PF2 = 2a
( ) ( ) ( ) ( ) acyxcyx 200 2222 =−+−+++−
Desenvolvendo, temos:
12
2
2
2
=+
b
x
a
y
Equação reduzida da elipse de centro no ponto O’(xo, yo) e focos pertencentes a
uma reta paralela ao eixo das abscissas
Se uma elipse tem centro no ponto O’(xo, yo) e
A1A2 // x, sua equação em relação ao sistema
auxiliar x’O’y’ é:
1)'()'( 2
2
2
2
=+
b
y
a
x
Portanto, sua equação relativamente ao sistema
xOy é:
1)()( 2
2
0
2
2
0
=
−
+
−
b
yy
a
xx
Equação reduzida da elipse de centro no ponto O’(xo, yo) e focos pertencentes a
uma reta paralela ao eixo das ordenadas
Analogamente, se uma elipse tem centro no ponto
O’(xo, yo) e A1A2 // y, sua equação em relação ao
sistema xOy é:
1)()( 2
2
0
2
2
0
=
−
+
−
b
xx
a
yy
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OBS: É importante verificar o que acontece com a equação da circunferência de centro
C(xo, yo) e raio r, se dividirmos tudo por r2:
( ) ( ) 1)()( 2
2
0
2
2
022
0
2
0 =
−
+
−
⇒=−+−
r
yy
r
xx
ryyxx
Essa é a equação de uma elipse de centro C(xo, yo) e com os dois semi-eixos iguais ao
raio, ou seja, a = b = r. Além disso, a excentricidade é nula, pois e =
a
c
e, nesse caso
c = 0, já que 022222 =−=−= rrbac . Isso mostra que a circunferência é um caso
particular da elipse, e que, quanto mais próximo de zero for a excentricidade, “mais
circular” será a elipse.
HIPÉRBOLE
Origem
Vamos considerar um cone e um plano qualquer que secciona as duas folhas do cone
conforme mostra a figura:
Nesse caso, a secção cônica obtida é denominada hipérbole.
Definição
Dados dois pontos distintos F1 e F2, pertencentes a um plano α, seja 2c a distância entre
eles. Hipérbole é o conjunto dos pontos de α cuja diferença (em valor absoluto) das
distâncias a F1 e F2 é constante e igual a 2a (sendo ca 220 << ).
Hipérbole = { }aPFPFP 221 =−∈α
Assim, temos:
QF2 - QF1 = 2a
RF2 - RF1 = 2a
SF1 - SF2 = 2a
A1F2 - A1F1 = 2a
A2F1 - A2F2 = 2a
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Elementos principais
F1F2 � focos
O � centro
A1A2 � eixo real ou transverso
B1B2 � eixo imaginário
2c � distância focal
2a � medida do eixo real
2b � medida do eixo imaginário
a
c
� excentricidade
Relação notável: 222 bac +=
OBS: Notemos que, sendo a hipérbole uma curva aberta, o significado geométrico do
eixo imaginário B1B2 é, por enquanto, abstrato.
Equação reduzida da hipérbole de centro na origem e focos sobre o eixo das
abscissas
Tomemos um sistema cartesiano ortogonal tal que:
A1A2 ⊂ x e B1B2 ⊂ y
É evidente que os focos são os pontos:
F1(-c, 0) e F2(c, 0)
Nestas condições, chama-se equação reduzida da hipérbole a equação que P(x, y), ponto
genérico da curva, verifica. A dedução é imediata: P ∈ hipérbole ⇔ aPFPF 221 =− ,
então:
( ) ( ) ( ) ( ) aycxycx 200 2222 ±=−+−−−++
Desenvolvendo, temos:
122
2
2
2
=
−
−
ac
y
a
x
Como 222 bac += , temos:
12
2
2
2
=−
b
y
a
x
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Equação reduzida da hipérbole de centro na origem e focos sobre o eixo das
ordenadas
Analogamente ao que vimos se a hipérbole apresenta:
A1A2 ⊂ y e B1B2 ⊂ x
Temos:
aPFPF 221 =−
( ) ( ) ( ) ( ) acyxcyx 200 2222 ±=−+−−++−
Desenvolvendo, temos:
12
2
2
2
=−
b
x
a
y
Equação reduzida da hipérbole de centro no ponto O’(xo, yo) e focos pertencentes a
uma reta paralela ao eixo das abscissas
Se uma hipérbole tem centro no ponto O’(xo, yo) e
A1A2 // x, sua equação em relação ao sistema auxiliar
x’O’y’ é:
1)'()'( 2
2
2
2
=−
b
y
a
x
Portanto, sua equação relativamente ao sistema xOy é:
1)()( 2
2
0
2
2
0
=
−
−
−
b
yy
a
xx
Equação reduzida da elipse de centro no ponto O’(xo, yo) e focos pertencentes a
uma reta paralela ao eixo das ordenadas
Analogamente, se uma hipérbole tem centro no ponto
O’(xo, yo) e A1A2 // y, sua equação em relação ao
sistema xOy é:
1)()( 2
2
0
2
2
0
=
−
−
−
b
xx
a
yy
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OBS: Assíntotas da hipérbole
Demonstra-se que toda hipérbole admite duas retas, s1 e s2, passando pelo seu centro e
tangenciando os dois ramos da curva no ponto impróprio (ponto infinitamente afastado
da reta). As retas s1 e s2 recebem o nome de assíntotas. Suas equações, no caso em que
o centro da hipérbole é a origem, são:
(s1): x
a
by ⋅= ou x
b
ay ⋅=
(s2): x
a
by ⋅−= ou x
b
ay ⋅−=
PENSE NISTO: Como ficariam as equações das assíntotas quando o centro da
hipérbole for um ponto qualquer do plano xOy?
OBS: Hipérbole Eqüilátera
Quando temos b = a, o retângulo MNPQ é na realidade um quadrado. Nesse caso, as
assíntotas tornam-se perpendiculares e a hipérbole é denominada hipérbole eqüilátera.
A equação dessa hipérbole eqüilátera de centro O(xo, yo) é:
1)()( 2
2
0
2
2
0
=
−
−
−
a
yy
a
xx
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PARÁBOLA
Origem
Vamos considerar um cone seccionado por um plano paralelo à geratriz, como mostra o
desenho seguinte:
Nesse caso, dizemos que foi obtida uma secção cônica chamada parábola.
Definição
Dados um ponto F e uma reta d, pertencentes a um plano α, com F ∉ d, seja 2p a
distância entre F e d. Parábola é o conjunto dos pontos de α que estão a mesma distância
de F e d.
Parábola = { }),(),( dPdFPdP =∈α
Assim, temos:
VF = VV’
PF = PP’
QF = QQ’
RF = RR’
SF = SS’
Elementos principais
F � foco
d � diretriz
p � parâmetro (outros autores definem o parâmetro como a distância do foco à diretriz)
V � vértice
Reta VF � eixo de simetria
Relação notável: pVF =
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Equação reduzida da parábola com vértice naorigem e foco no eixo das abscissas
Tomemos um sistema cartesiano ortogonal com
origem no vértice da parábola e eixo das
abscissas passando pelo foco. É evidente que o
foco é
( )0 , F p
E a diretriz d tem equação
px −=
Nestas condições, chama-se equação reduzida da parábola a equação que P(x, y), ponto
genérico da curva, verifica. A dedução é imediata: P ∈ parábola ⇔ PF = PP’, então:
( ) ( ) ( ) ( )
( ) ( )
22222
222
2222
22
0
ppxxyppxx
pxypx
yypxypx
++=++−
+=+−
−++=−+−
pxy 42 =
Exemplo
Uma parábola com parâmetro p, vértice na origem e foco no eixo dos x, tem equação:
pxy 42 = , se F à direita de V pxy 42 −= , se F à esquerda de V
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Equação reduzida da parábola com vértice na origem e foco no eixo das ordenadas
Analogamente ao que vimos, se a parábola apresenta vértice na origem e foco no eixo
das ordenadas, temos:
PF = PP’
( ) ( ) ( ) ( )22220 pyxxpyx ++−=−+−
pyx 42 =
Exemplo
Uma parábola com parâmetro p, vértice na origem de foco no eixo y, tem equação:
pyx 42 = , se F acima de V ou pyx 42 −= , se F abaixo de V
Equação reduzida da parábola com vértice no ponto V(xo, yo) e VF // x
Se uma parábola tem vértice no ponto V(xo, yo) e VF // x,
sua equação em relação ao sistema auxiliar x’Vy’ é:
( ) '4' 2 pxy =
Portanto, sua equação relativamente ao sistema xOy é:
( ) ( )020 4 xxpyy −=−
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Equação reduzida da parábola com vértice no ponto V(xo, yo) e VF // y
Analogamente, se uma parábola tem vértice no ponto
V(xo, yo) e VF // y, sua equação relativa ao sistema xOy
é:
( ) ( )020 4 yypxx −=−
Exemplo
Uma parábola de vértice V(7, 8) e parâmetro p =
2
3
apresenta equação:
( ) ( )768 2 −=− xy se VF // x e F à direita de V ou
( ) ( )867 2 −=− yx se VF // y e F acima de V
Notemos ainda que uma parábola de V(7, 8) e parâmetro p =
2
3
apresenta a seguinte
equação:
( ) ( )768 2 −−=− xy se VF // x e F à esquerda de V ou
( ) ( )867 2 −−=− yx se VF // y e F abaixo de V
OBS: No estudo das funções quadráticas cbxaxy ++= 2 os gráficos foram chamados
de parábola. Na verdade, aquelas parábolas e as estudas nesta apostila são as mesmas,
pois quando usamos a técnica de completar quadrados podemos transformar qualquer
equação do tipo cbxaxy ++= 2 , em uma do tipo ( ) ( )020 4 yypxx −=− .
Pela técnica de completar quadrados podemos transformar a equação cbyayx ++= 2 ,
em uma do tipo ( ) ( )020 4 xxpyy −=− .
Logo, toda equação do 2º grau nas variáveis x ou y quando redutível a cbxaxy ++= 2
ou cbyayx ++= 2 representa uma parábola.
Note que as considerações acima só são válidas se 0≠a .
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OBS: Há autores que usam a equação reduzida da parábola de uma maneira diferente:
Tomemos um sistema cartesiano ortogonal com origem no vértice da parábola e eixo
das abscissas passando pelo foco. É evidente que o foco é
0 ,
2
F p
E a diretriz d tem equação
2
p
x −=
Nestas condições, chama-se equação reduzida da parábola a equação que P(x, y), ponto
genérico da curva, verifica. A dedução é imediata: P ∈ parábola ⇔ PF = PP’, então:
( ) ( )
44
22
2
0
2
2
22
2
2
2
2
2
2
2
2
2
ppxxyppxx
p
xypx
yypxypx
++=++−
+=+
−
−+
+=−+
−
pxy 22 =
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INTERSECÇÃO DE CÔNICAS
É regra geral na Geometria Analítica que, dadas duas curvas 0) ,( =yxf e 0) ,( =yxg ,
a intersecção delas é o conjunto dos pontos que satisfazem o sistema:
=
=
0) ,(
0) ,(
yxg
yxf
Esse conceito é usado para achar a intersecção de duas retas, de uma reta e uma
circunferência e de duas circunferências. O mesmo conceito se aplica para obter a
intersecção de uma reta e uma cônica, de uma circunferência e uma cônica, de duas
cônicas, etc.
TANGENTES A UMA CÔNICA
Uma reta t e uma cônica λ, coplanares, são tangentes se, e somente se, têm um único
ponto comum. (No caso da parábola, deve-se exigir que a reta tenha um único ponto
com a curva e não seja paralela ao eixo da parábola).
A reta (t): 0=++ kbyax e a cônica (λ) 0) ,( =yxf têm um único ponto comum se o
sistema de equações:
=
=++
(II) 0) ,(
(I) 0
yxf
kbyax
admitir uma única solução (xo, yo).
Seja ∆ o discriminante da equação do 2º grau resultante da substituição da incógnita y
de (I) em (II). A reta t e a cônica λ são tangentes se, e somente se, ∆ = 0.
OBS: Você também pode diferenciar implicitamente a equação da cônica, encontrando
assim o coeficiente angular da reta tangente em um ponto qualquer da cônica. Daí, dado
o ponto genérico da cônica e o coeficiente angular da reta tangente você pode verificar a
equação da reta tangente.
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Vamos exercitar um pouco...
1) Identifique a cônica representada pela equação 0116542897 22 =−++− yxyx .
Solução
Primeiramente, vamos agrupar os termos de mesma variável:
116)549()287( 22 =−−+ yyxx
116)6(9)4(7 22 =−−+ yyxx
Completando os quadrados
)9(9)4(7116)96(9)44(7 22 −+=+−−++ yyxx
63)3(9)2(7 22 =−−+ yx
Dividindo ambos os membros da equação por 36, obtemos:
1
7
)3(
9
)2( 22
=
−
−
+ yx
Pelas fórmulas de translação, façamos:
3
2
−=′
+=′
yy
xx
E, portanto:
1
79
22
=
′
−
′ yx
que é a equação reduzida da hipérbole em relação ao sistema x’O’y’ sendo O’ (-2, 3).
Mas:
392 =∴= aa
772 =∴= bb
Logo:
Eixo real � 62 =a
Eixo imaginário � 722 =b
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Sendo:
222 bac +=
4=c
Focos � F1(-6, 3), F2(2, 3)
Esboço da hipérbole
2) Identifique a cônica representada pela equação 0436894 22 =+−−+ yxyx .
Solução
Primeiramente, vamos agrupar os termos de mesma variável:
4)369()84( 22 −=−+− yyxx
4)4(9)2(4 22 −=−+− yyxx
Completando os quadrados
)4(9)1(44)44(9)12(4 22 ++−=+−++− yyxx
36)2(9)1(4 22 =−+− yx
Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 16
Dividindo ambos os membros da equação por 36, obtemos:
1
4
)2(
9
)1( 22
=
−
+
− yx
� elipse translada em relação a origem O.
Centro � C (1, 2)
392 =∴= aa
242 =∴= bb
Vértices � A1(-2, 2), A2(4, 2), B1(1, 0), B2(1, 4)
Para determinarmos os focos precisamos do valor de c:
222 cba +=
249 c+=
5=c
Portanto
Focos � F1( 51− , 2), F2( 51+ , 2)
Excentricidade �
3
5
==
a
c
e
Esboço da elipse:
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ROTAÇÃO DE SISTEMA
Seja θ uma rotação dada no sistema xOy, obtendo assim um novo sistema x’O y’. Aqui,
podemos considerar º900 << θ .
Considere a base ortonormal { }21 ,eeB rr= , sendo )0,1(1 =er e )1,0(2 =er .
Rotacionando 1e
r
e 2e
r
obtemos a base ortonormal { }21 ,uuB rr=′ , tal que para o sistema
xOy, temos:
211 sincos)sin,(cos eeu
rrr θθθθ +==
212 cossin)cos,sin( eeu
rrr θθθθ +−=−=
Seja P um ponto do plano.
No sistema xOy, temos 21),( eyexyxOP
rr
+==
No sistema x’O’y’, temos 21),( uyuxyxOP
rr
′+′=′′=
Daí,
2121 uyuxeyex
rrrr
′+′=+
( ) ( )212121 cossinsincos eeyeexeyex rrrrrr θθθθ +−′++′=+
( ) ( ) 2121 cossinsincos eyxeyxeyex rrrr θθθθ ′+′+′−′=+
Como as coordenadas de um vetor são únicas, temos:
′+′=
′
−
′=
θθ
θθ
cossin
sincos
yxy
yxx
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Exemplo: No sistema xOy, considere P(2, -1). Quais as coordenadas de P no sistema
rotacionado x’O’y’ de um ângulo 3/pi ?
Solução
Temos
3
piθ = . Então,
2
1
3
coscos =
=
piθ e
2
3
3
sinsin =
=
piθ
Assim,
′+′=
′
−
′=
θθ
θθ
cossin
sincos
yxy
yxx
′+′=
′−⋅′=
2
1
2
3
2
3
2
1
yxy
yxx
Para 2=x e 1−=y , temos:
′+′=−
′−⋅′=
2
1
2
31
2
3
2
12
yx
yx
Resolvendo o sistema, obtemos
2
31−=′x
2
13 −−=′y
MÉTODO PRÁTICO PARA A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE ROTAÇÃO
Considere a equação 022 =+++++ FEyDxCyBxyAx
Para obter uma equação a partir de uma rotação do plano sem termo “cruzado” xy, basta
considerar a parte 22 CyBxyAx ++ , pois o restante implica em translação.
Temos,
′+′=
′
−
′=
θθ
θθ
cossin
sincos
yxy
yxx
Assim,
( ) ( )( ) ( ) 0cossincossinsincossincos 22 =′+′+′+′′−′+′−′ θθθθθθθθ yxCyxyxByxA
que é a equivalente da equação inicial em relação ao sistema x’O y’, obtido do sistema
xOy por uma rotação de um ângulo θ . Desenvolvendo-a, obtemos:
Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 19
( ) ( )
( ) 0sincos2sincossincos2
cossincossinsinsincoscos
22
222222
=′′+−+−+
+′+−+′++
yxCBBA
yCBAxCBA
θθθθθθ
θθθθθθθθ
Como nosso objetivo é obter uma equação que não contenha o produto das variáveis,
igualamos o coeficiente de yx ′′ a zero, ou seja, impomos para θ a condição:
( ) 02cos2sin =+− θθ BAC
( ) θθ 2sin2cos CAB −=
CA
B
−
=
θ
θ
2cos
2sin
CA
B
−
=θ2tan
Lembre-se!!!
θθθ cossin22sin =
com 2/0 piθ <<
DISCUSSÃO:
I) Se A = C, então θ2tan não existe. Ou seja,
2
2 piθ = e
4
piθ = .
Daí
2
2
sincos == θθ ,
e
′+′=
′
−
′=
θθ
θθ
cossin
sincos
yxy
yxx
⇒
( )
( )
′+′=
′−′=
yxy
yxx
2
2
2
2
II) Suponha CA ≠ . Logo devemos encontrar θsin e θcos a partir de
CA
B
−
=θ2tan .
Como
θ
θ
θθ
θ
θ
θ
2cos
112tan
2cos
1
2cos
2cos
2cos
2sin
2
2
22
2
2
2
=+⇒=+
θ
θ
2tan1
12cos 2+
±=
Qual o sinal? Em
θ
θθ
2cos
2sin2tan = , para 2/0 piθ << , temos: piθ << 20 .
Logo, 02sin >θ . Daí θ2cos e θ2tan devem ter o mesmo sinal. Então,
02tan >θ ⇒
θ
θ
2tan1
12cos 2+
+=
02tan <θ ⇒
θ
θ
2tan1
12cos 2+
−=
Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 20
Pela fórmula do arco metade,
⇒=− θθθ 2cossincos 22
2
2cos1
cos2cos1cos2
2
2cos1
sin2cossin21
2
2
θθθθ
θθθθ
+
=⇒=−
−
=⇒=−
*Note que utilizamos: 1cossin 22 =+ θθ
Temos,
2
2cos1
cos
θθ +=
2
2cos1
sin θθ −=
2/0 piθ <<
Exemplo: Usando uma rotação de eixos convenientes, transforme a equação abaixo em
uma que não contenha o termo em xy.
0244 22 =−+++ yxxyyx
Solução
1º PASSO: calcular θ2tan :
Pela equação geral utilizada 022 =+++++ FEyDxCyBxyAx , sabemos que A = 4, B
= 4 e C = 1.
3
4
14
42tan =
−
=
−
=
CA
Bθ
2º PASSO: calcular θ2cos :
Como o valor de θ2tan é positivo, o valor de θ2cos também é positivo. Com isso,
temos:
5
3
9/161
1
2tan1
12cos 2 =+
=
+
+=
θ
θ
3º PASSO: calcular θsin e θcos
5
1
2
5/31
2
2cos1
sin =−=−= θθ
5
2
2
5/31
2
2cos1
cos =
+
=
+
=
θθ
Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 21
4º PASSO: De posse dos valores de θcos e θsin , podemos substituí-los na equação
′+′=
′
−
′=
θθ
θθ
cossin
sincos
yxy
yxx
.
( )
( )
′+′=
′
−
′=
yxy
yxx
2
5
1
2
5
1
5º PASSO: De posse dos valores de x e y em relação a x’ e y’, podemos substituí-los na
equação inicial da cônica 0244 22 =−+++ yxxyyx .
( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 02
5
122
5
12
5
12
5
142
5
12
5
14
22
=
′+′−′−′+
′+′
′
−
′+
′+′+
′
−
′ yxyxyxyxyxyx
Desenvolvendo, temos:
0
5
22
5
1
5
12
5
2
5
14
5
44
5
1
5
26
5
1
5
24
5
4
5
14
5
1
5
24
5
1
5
44 22
=′
−−+′
−+′′
−+−+
+′
−++′
++
yxyx
yx
Efetuando, obtemos
yx ′=′
5
12
� parábola
Observe que esta parábola é também o gráfico da equação 0244 22 =−+++ yxxyyx
em relação ao sistema xOy.
Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 22
EQUAÇÃO GERAL DO SEGUNDO GRAU (COMPLEMENTO)
O gráfico de uma equação do segundo grau pode ser uma elipse (a), uma hipérbole (b),
uma parábola (c), um ponto (d), um par de retas (e), uma única reta (f) ou o conjunto
vazio.
Veja alguns exemplos
1) ( ) ( ) 031 22 =++− yx ou 0106222 =++−+ yxyx � ponto
2) ( )( )
=−
=+
⇒=−+⇒=−
0
ou
0
0022
yx
yx
yxyxyx � par de retas
3) 0594 22 =++ yx � conjunto vazio
OBS: No caso das figuras d, e, e f, a cônica é dita degenerada.
Feito por Leonardo Machado Cavalcanti durante UFPE 2009.1 23
DESENHANDO AS CÔNICAS
Elipse: Lápis, dois alfinetes e barbante
Hipérbole: Régua, lápis, alfinetes e barbante.
Parábola: Régua, esquadro, lápis, alfinete e barbante
* Anotações de Sala de Aula do Professor Adriano Pedrosa de Almeida durante UFPE 2009.1
* Geometria Analítica – Um tratamento vetorial – Ivan de Camargo e Paulo Boulos – 3ª edição
* Fundamentos da Matemática Elementar Volume 7: Geometria Analítica – Gelson Iezzi
* Geometria Analítica – Reis/Silva – 2ª edição
* Geometria Analítica – Steinbruch e Winterle – 2ª edição