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DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
 
PONTO 02 – DAS LESÕES CORPORAIS E DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
 
CAPÍTULO II 
DAS LESÕES CORPORAIS 
 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
Lesão corporal de natureza grave 
§ 1º Se resulta: 
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
§ 2° Se resulta: 
I - Incapacidade permanente para o trabalho; 
II - enfermidade incurável; 
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
IV - deformidade permanente; 
V - aborto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
Lesão corporal seguida de morte 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o 
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
Diminuição de pena 
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social 
ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta 
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. 
Substituição da pena 
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de 
detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis: 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; 
II - se as lesões são recíprocas. 
Lesão corporal culposa 
§ 6° Se a lesão é culposa: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
Aumento de pena 
§ 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses 
dos §§ 4º e 6º do art. 121 deste Código. 
 § 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121. (Perdão 
Judicial) 
Violência Doméstica 
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge 
ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, 
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de 
hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 
11.340, de 2006) 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são 
as indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). 
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se 
o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 
11.340, de 2006) 
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força 
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, 
ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, 
em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído 
pela Lei nº 13.142, de 2015) 
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo 
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: (Incluído pela Lei nº 
14.188, de 2021) 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). (Incluído pela Lei nº 14.188, de 
2021) 
 
1 – Introdução / Bem Jurídico 
Conforme a própria conceituação da Exposição de Motivos, o crime de lesão 
corporal “é definido como ofensa à integridade corporal ou saúde, isto é, como todo e 
qualquer dano ocasionado à normalidade funcional do corpo humano, quer do ponto 
de vista anatômico, quer do ponto de vista fisiológico ou mental”. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
 
 
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Em outras palavras, configura-se a lesão corporal sempre que houver 
qualquer ofensa à integridade física e à saúde fisiológica ou mental do ser humano, 
ausente o animus necandi, isto é, a intenção de matar, pois, nesta hipótese a lesão 
configurará tentativa de homicídio. 
Segundo Rogério Greco deve ser entendido como lesão corporal “não somente 
aquelas situações de ofensa à integridade corporal ou à saúde da vítima criadas pelo 
agente, como também a agravação de uma situação já existente”. 
Cortar o cabelo contra a vontade da vítima caracteriza lesão corporal? 
1ª corrente: caracteriza o art. 129, mas é indispensável que a ação provoque 
uma alteração desfavorável no aspecto exterior do indivíduo. 
2ª corrente: configura o delito de injúria real, pois a lesão objetiva humilhar. 
Conforme Rogério Sanches tanto pode caracterizar o art. 129 quanto a injúria 
real (art. 140, § 2º), a depender do dolo do autor. 
O bem jurídico tutelado incolumidade física do indivíduo, que abrange a 
integridade física e a saúde fisiológica e mental. 
A integridade física é um bem jurídico disponível? O consentimento do 
ofendido exclui o crime? 
Segundo a maioria somente poderá haver disponibilidade do bem integridade 
física se a lesão for de natureza leve e não contrariar os bons costumes. 
Reforçando este entendimento temos a Lei 9.099, segundo a qual o crime de 
lesão corporal leve depende de representação da vítima. 
 
2 – Sujeitos do Crime: 
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, não requerendo a lei qualquer 
condição especial. Ressalve-se apenas a lesão especial do § 9º que vai requerer condição 
específica do sujeito ativo. 
Já quanto ao sujeito passivo, inicialmente também poderá ser qualquer 
pessoa, exceto naqueles casos do inciso IV do § 1º (lesão grave por aceleração de 
parto), inciso V do § 2º (lesão gravíssima por aborto), § 9º do art. 129 (Violência 
doméstica), § 12 (lesão contra membro das forças de segurança do Estado ou seus 
familiares) e § 13 (vítima mulher). 
Nos dois primeiros casos somente a gestante poderá ser sujeito passivo. 
Já no caso do § 9º poderá ser sujeito passivo o conhecido CCADI (cônjuge, 
companheiro, ascendente, descendente e irmão), bem como aquele com quem o agente 
conviva ou tenha convivido, ou em face de quem esteja prevalecendo das relações 
domésticas de coabitação ou de hospitalidade. 
No caso do § 12, introduzido em nosso Código Penal, a vítima será autoridade 
ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema 
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, ou seus familiares. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
 
 
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Por fim, na hipótese do § 13, recentemente incluído pela Lei n. 14.188/2021, a 
vítima será mulher, valendo aqui todas as observações que fizemos quando da análise 
do homicídio qualificado pelo feminicídio. 
 
3 – Elementos Objetivos do Tipo: 
A conduta penal é “Ofender a integridade corporalou a saúde de outrem”. 
Segundo Bitencourt, “ofensa à integridade corporal compreende a alteração, 
anatômica ou funcional, interna ou externa, do corpo humano”. 
Já a ofensa à saúde “compreende a alteração de funções fisiológica do 
organismo ou perturbação psíquica”. 
Neste ponto é relevante tecer algumas considerações sobre o exame de corpo 
de delito, que adquire especial relevo no crime em estudo. 
Tratando-se de crime que deixa vestígios será imprescindível à realização de 
prova pericial (Veja-se art. 158 do CPP). Ademais, por meio do exame pericial é que 
comprovaremos a natureza das lesões, realizando-se, desse modo, a perfeita adequação 
do tipo. 
Após a vítima ser submetida ao exame de corpo de delito os peritos médicos 
elaborarão o chamado Auto de Corpo de Delito (ou ACD), que se trata de um relatório 
minucioso sobre as lesões sofridas pela vítima, inclusive com respostas à quesitos que 
trabalham com as circunstâncias qualificadoras do crime. É comum, no dia a dia 
forense, chamar o exame pelo nome de seu próprio resultado. Assim, rotineiramente 
ouvimos frases como: Fulana deverá ser submetida a ACD de lesão corporal. 
Sempre que houver necessidade, e principalmente no caso da lesão grave do 
inciso I, § 1º (incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias), será 
necessário o ACD Complementar, para o caso de o primeiro exame ter sido incompleto 
ou para se comprovar que a vítima ficou incapacitada por mais de trinta dias. 
Nesse sentido há previsão expressa no art. 168 do CPP: 
Art. 168. Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido 
incompleto, proceder-se-á a exame complementar por determinação da 
autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério 
Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor. 
§ 1o No exame complementar, os peritos terão presente o auto de corpo de 
delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo. 
§ 2o Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1o, 
I, do Código Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado 
da data do crime. 
§ 3o A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova 
testemunhal. 
Obs. No caso das lesões leves, cujo procedimento é regido pela Lei n. 9.099, 
tem-se aceitado o relatório médico em substituição ao exame pericial. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art129%C2%A71i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art129%C2%A71i
 
 
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4 – Elementos Subjetivos do Tipo: 
É o dolo (direto ou eventual), consistente na vontade e consciência de ofender 
a integridade física ou a saúde corporal de outrem. 
Admite-se punição quando praticado na modalidade culposa e preterdolosa. 
 
5 – Consumação e tentativa: 
Tratando-se de crime material consuma-se no exato instante em que se verifica 
a lesão à integridade física ou à saúde fisiológica ou mental da vítima. 
Atenção: no caso de haver lesões múltiplas, permanece íntegra a unidade 
delitiva, não havendo que se falar em vários crimes de lesão corporal. 
Neste ponto, conforme lições de Rogério Sanches, importa salientar que 
“Equimoses (manchas escuras ou azuladas devidas a uma infiltração difusa de sangue 
no tecido subcutâneo) e hematomas (acúmulo de sangue em um órgão ou tecido, 
geralmente bem localizado e definido, normalmente causado por traumatismo e 
alterações sanguíneas) são considerados lesões à integridade física. Já o eritemas 
(semelhantes a uma mancha de cor avermelhada e ocorre devido a dilatação de vasos 
sanguíneos periféricos) e a simples provocação de dor não constituem lesões.” 
(Manual de Direto Penal: parte especial. 7ª ed. Editora JusPodivm: Salvador, 2015. p. 
100). 
Admite-se a tentativa quando a lesão corporal for dolosa, excluindo-se, 
logicamente, no caso de lesão culposa ou preterdolosa. 
Vale acentuar que existe uma certa dificuldade em se visualizar a ocorrência 
de lesão corporal tentada. Contudo, como bem lembrado por Bitencourt, tal dificuldade 
relaciona-se com a complexidade da prova em tais situações, o que, contudo, não diz 
respeito à dogmática penal, sendo matéria pertinente ao Direito Processual Penal. 
 
6 – Lesão Corporal de Natureza Leve (art. 129, caput): 
Temos aqui uma infração de menor potencial ofensivo, cuja ação penal será 
pública condicionada à representação da vítima (art. 88 da Lei 9.099/95). 
Conceito de lesão leve: o conceito é formulado por exclusão, isto é, leve será 
a lesão que não for grave, gravíssima ou seguida de morte. 
Não podemos confundir o crime de lesão corporal com a contravenção 
penal de vias de fato (art. 21 da Lei das Contravenções), pois nesta não existe (e sequer 
é a intenção do agente) qualquer dano à incolumidade pessoal da vítima (ex: mero 
empurrão, puxão de cabelos). 
Atenção: é possível a aplicação do princípio da insignificância, quando a lesão 
for “levíssima”, como um arranhão por exemplo. 
Contudo, vale lembrar, se esta lesão for em âmbito doméstico, o entendimento 
que prevalece, inclusive no STJ é pela inaplicabilidade do princípio. Veja-se Súmula 
589/STJ: 
 
 
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“É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções 
penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.” 
 
7 – Formas qualificadas: 
Embora o Código Penal não o diga expressamente, o que temos nos §§ 1º, 2º e 
3º são formas qualificadas pelo resultado, já que, diante de eventos mais graves ali 
previstos, tem-se nova pena base. 
Importa também ressaltar que, especialmente pela forma como os dois 
parágrafos são redigidos (Se resulta), temos, preliminarmente, a ideia de que se tratam 
todos de delitos preterdolosos ou preterintencionais, nos quais, seguido de uma conduta 
dolosa, tem-se um resultado agravador culposo. 
Contudo, e este é o ponto que justifica todo este aparte, devemos nos atentar 
que há algumas formas qualificadas que são, essencialmente, preterdolosas, porquanto 
somente se configuram quando o resultado agravador decorrer de culpa, enquanto há 
outras que admitem o resultado agravador tanto a título de culpa ou dolo. 
Neste último caso o elemento subjetivo quanto ao resultado agravador não fará 
a mínima diferença para fins de adequação típica da conduta, devendo ser valorado 
negativamente no quantitativo de pena, quando da fixação da pena base (1ª etapa). 
Entendemos, ressalvada melhor análise, que o legislador penal, e talvez a 
própria dogmática penal (até onde nos permite a ousadia) não trilhou um bom caminho 
ao trabalhar com a matéria desta forma no art. 129, e em outros poucos casos em que se 
verifica situação semelhante. 
Acreditamos ser bastante óbvio que entre um resultado doloso e outro culposo 
há uma distância muito grande no desvalor da conduta, de tal maneira que o ideal, como 
ocorre na grande maioria das situações, é termos penas abstratas diferentes para os dois 
contextos. 
 
8 – Lesão Corporal de Natureza Grave (art. 129, § 1º): 
 
- Incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias: 
Este resultado agravador é punido tanto a título de culpa quanto a título de 
dolo. 
Na expressão “ocupações habituais” deve se abranger não apenas as 
atividades laborais, ligadas ao trabalho da pessoa, mas também atividades 
recreativas e de lazer. 
O que a doutrina tem exigido é que estas “ocupações” sejam lícitas, 
mesmo que imorais. 
Para que reste configurada esta qualificadora é necessário que a vítima seja 
submetida a um exame pericial complementar, trinta dias após os fatos. No entanto, tem 
se admitido, diante da impossibilidade de exame complementar, que a esta prova seja 
suprida por testemunhas. Na verdade, o próprio § 3º do art. 168 do Código de Processo 
Penal tem previsão expressa neste sentido.DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Observações: 
1ª) este prazo de trinta dias é de natureza penal, o que implica dizer que 
deve ser computado o dia da lesão e descontado o dia do vencimento. 
2ª) a simples vergonha de aparecer em público, em decorrência das lesões 
sofridas, não caracteriza esta qualificadora. 
 
- Perigo de vida: 
Este resultado agravador somente é punido a título de culpa, tratando-se, 
assim, de um crime preterdoloso, que não admite tentativa. Há dolo no antecedente 
(lesão) e culpa no consequente (resultado agravador risco de vida). 
Se restar provado que o agente teve dolo de causar o perigo de vida o crime 
não será lesão corporal grave, mas sim tentativa de homicídio. 
Outro detalhe é que esta circunstancia deve estar devidamente 
demonstrada pelo laudo pericial, resultando em uma probabilidade concreta e efetiva 
de resultado letal em razão da lesão sofrida, não bastando menções genéricas ao local 
da lesão. Seguindo ainda neste sentido e, desta feita, compilando Bitencourt, “o laudo 
pericial deve descrever objetiva e fundamentadamente em que consiste o perigo de 
vida”. 
Por fim, não excede anotar que, como se passa com todos os crimes culposos, 
o resultado lesivo tem que ser previsível. Se, diante das circunstancias fáticas, era 
absolutamente impossível ao agente antever o risco de vida à vítima, não há que se falar 
nesta qualificadora, sob pena de responsabilização penal objetiva. 
 
- Debilidade permanente de membro, sentido ou função: 
Este resultado agravador pode ser causado a título de dolo (direto ou 
eventual) ou culpa. 
A debilidade consiste na diminuição, enfraquecimento da capacidade 
funcional, que não necessita ser perpétua, bastando que seja permanente ou 
duradoura. Em outras palavras, mesmo que seja possível corrigir-se a debilidade, por 
qualquer tipo de tratamento, estará configurada a qualificadora. 
Membros: são as partes do corpo que se prendem ao tronco. Podem ser 
superiores: braços, antebraços e mãos; ou inferiores: pernas, coxas e pés; 
Sentido: são cinco: visão, audição, olfato, tato e paladar. 
Função: é a atividade específica desempenhada por um órgão do corpo 
humano. As sete principais funções que temos é: digestiva, respiratória, circulatória, 
secretora, reprodutora, sensitiva e locomotora. 
 
- Aceleração de parto: 
Aqui também o resultado agravador somente poderá ser praticado a título 
de culpa, configurando, desse modo, um crime preterdoloso, que não admite 
tentativa 
 
 
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É imprescindível que o feto nasça com vida e sobreviva, pois se vier a 
morrer teremos configurada uma lesão gravíssima (aborto). 
 
9 – Lesão Corporal Gravíssima (art. 129, § 2º): 
Embora o Código Penal não se utilize da expressão “lesão corporal 
gravíssima”, para diferenciar esses resultados qualificados daqueles trazidos pelo § 1º, a 
doutrina e jurisprudência têm se valido de tal nomenclatura. 
Se bem observarmos, verificaremos que as lesões gravíssimas constituem 
resultados bem mais graves e irreparáveis de grande parte das situações já previstas no § 
1º. Assim, para a “aceleração de parto” temos o “aborto”; para a “debilidade de 
membros, sentido e funções” temos a “perda ou inutilização”, e para a “incapacidade 
para as ocupações habituais por mais de trinta dias” temos a “incapacidade permanente 
para o trabalho”. 
 
- Incapacidade permanente para o trabalho: 
Este resultado agravador tanto pode ser praticado a título de dolo (direto ou 
eventual) quanto a título de culpa. 
Segundo a doutrina a incapacidade para o trabalho deve ser genérica, ou 
seja, o ofendido deve ficar impossibilitado de exercer qualquer atividade laborativa, e 
não apenas a que anteriormente exercia. 
Rogério Greco, no entanto, adverte que tal posicionamento deve ser adotado 
com cautela, de modo a não se admitir interpretações muito elásticas, pois, a rigor, 
sabemos da existência de tetraplégicos que se dedicam à atividades laborativas, como a 
pintura, por exemplo. 
Assim, não se pode dar ao dispositivo uma interpretação que o torne 
inaplicável. 
Ademais, embora se exija que a incapacidade seja duradoura, não é 
necessário que ela seja perpétua, irreversível. 
 
- Enfermidade incurável: 
No conceito de Fernando Capez, enfermidade incurável “é a doença (do corpo 
ou da mente) que a ciência médica ainda não conseguiu conter nem sanar; a moléstia 
que evolui a despeito do esforço técnico para debelá-la”. 
Em resumo, enfermidade incurável é aquela para a qual a medicina atual 
ainda não dispõe de tratamento curativo. 
Questão interessante neste ponto diz respeito à transmissão dolosa do 
vírus HIV. 
Segundo Fernando Capez, presente o animus necandi, a transmissão dolosa do 
vírus HIV poderá configurar o crime de homicídio, que se consumará com a eventual 
morte da vítima. Este também é o entendimento de Rogério Greco. 
 
 
 
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- Perda ou inutilização de membro, sentido ou função; 
Este resultado agravador pode ser atribuído ao agente a título de dolo ou culpa. 
Obs. Tratando-se de órgãos duplos a perda de um deles não configura esta 
qualificadora, e sim a debilidade de membro, sentido ou função. 
 
- Deformidade permanente; 
Este resultado agravador pode se dar tanto pela forma dolosa quanto culposa. 
Deformidade: consiste no dano estético, aparente, considerável, 
irreparável pela própria força da natureza e capaz de provocar impressão 
vexatória. 
Conforme a maioria da doutrina é necessário, para configuração da 
qualificadora, que o dano seja aparente, contudo, tal expressão não exige que o dano 
seja visível, ou seja, mesmo que se dê em parte íntima do corpo da vítima poderá 
configurar a qualificadora. A idéia de aparente relaciona-se com o dano de considerável 
gravidade. 
A idade, o sexo, a condição social, podem influenciar na configuração da 
deformidade permanente? 
De acordo com Nelson Hungria, a idade, o sexo e a condição social da vítima 
devem ser tomadas em consideração no apreciar a deformidade. 
Permanente: deve ser compreendida como duradoura e não como 
perpétua, irreversível. Assim, mesmo que a deformidade possa ser revertida, por 
uma cirurgia plástica, por exemplo, teremos presente a deformidade permanente. 
Cuidado: não se pode exigir que a vítima procure cirurgia para encobrir os 
ferimentos. Contudo, optando pela cirurgia plástica fica afastada a qualificadora, 
segundo alguns autorizando, até mesmo, a revisão criminal. 
 
- Aborto. 
Assim como ocorre no caso da aceleração de parto, neste caso somente 
podemos falar de PRETERDOLO. Se houver dolo do agente, direto ou eventual, 
para a morte do feto, o crime em questão será o de aborto e não o de lesão 
gravíssima. 
 
Observações finais: 
1ª) Coexistência de qualificadoras: 
Imaginemos a hipótese de uma lesão que resulte incapacidade para as 
ocupações habituais por mais de trinta dias e, ainda, deformidade permanente. Neste 
caso teremos a concomitância de uma qualificadora grave e outra gravíssima. Como fica 
esta situação? 
 
 
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Deverá prevalecer a lesão gravíssima, para fins de configuração do tipo 
previsto no art. 129, § 2, IV, devendo aquela lesão prevista no art. 129, § 1º, I ser 
considerada quando da fixação da pena, nas circunstancias judiciais (art. 59). 
2ª) Resultado agravador doloso e culposo: 
É de se observar, como bem apontado por Cezar Roberto Bitencourt, que o 
Código Penal, em algumas das formas qualificadas de lesão corporal, admite-as tanto na 
forma dolosa quanto culposa, não fazendo distinção de penas em um ou outro caso. 
Diante dessa omissão legislativa, referido autor sugere que tal circunstância 
seja considerada pelo juiz no momento de definição da pena in concreto.10 – Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º): 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o 
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
Trata-se de delito eminentemente preterdoloso, em que o agente atua com 
dolo de lesão corporal, devendo o resultado morte lhe ser atribuído a título de culpa. 
Dessa forma, não admite tentativa. 
Qual a diferença entre lesão corporal seguida de morte e homicídio culposo? 
Apesar de em ambos termos o resultado morte decorrente de culpa a distinção 
consiste no dolo de lesão presente no primeiro e ausente no segundo. 
Observações: 
1. O caso fortuito ou a imprevisibilidade do resultado eliminam a configuração 
do crime preterdoloso, respondendo o agente por lesões corporais. Ex: A durante uma 
briga com B em uma praia desfere um soco neste, que, ao cair, bate com a cabeça em 
uma grande pedra, que se encontrava totalmente oculta debaixo da areia. 
2. Se o antecedente doloso consiste em uma simples vias de fato 
(contravenção penal) o evento morte caracteriza homicídio culposo, ficando a 
contravenção absorvida. 
 
11 – Diminuição de pena (art. 129, § 4º): 
Conforme o art. 129, § 4º, se o autor agir impelido por motivo de relevante 
valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta 
provocação da vítima, o juiz poderá reduzir a pena de um sexto a um terço. 
Notem que se trata das mesmas privilegiadoras do homicídio, dispensando-
se assim, maiores comentários. 
Ressalve-se tão somente que o privilégio é aplicável na lesão leve, nas 
qualificadas e na seguida de morte, inclusive na violência doméstica, não obstante 
a posição topográfica dos dispositivos. Presentes os requisitos legais trata-se de 
redução obrigatória, uma vez que consiste em direito subjetivo do réu. 
 
 
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Atenção: embora tenhamos doutrinadores como Greco e Capez adotando o 
entendimento supra, não podemos deixar de mencionar que há outros, como Bitencourt 
e Nucci, para os quais o privilégio (diminuição de pena do § 4ª) não se aplica à lesão 
leve, já que neste caso teria incidência o § 5º, que prevê a substituição de prisão por 
multa. 
 
12 – Substituição de Pena (art. 129, § 5º): 
Conforme o § 5º o juiz, no caso de lesões leves, poderá substituir a pena de 
detenção pela de multa em duas hipóteses: 
- no caso de lesão corporal privilegiada, ou 
- se as lesões forem recíprocas. 
Notem que ocorrendo lesões leves e tendo o agente cometido o crime impelido 
por relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em 
seguida a injusta provocação da vítima, o julgador terá duas opções: 
1ª) aplicar o § 4º, diminuindo a pena de um sexto a um terço; 
2ª) substituir a pena de detenção pela pena de multa. 
O juiz, tendo em conta o disposto na parte final do art. 59, segundo a qual a 
pena a ser aplicada será aquela necessária e suficiente para a reprovação e 
prevenção do crime, deverá optar entre a diminuição ou a substituição. 
O que o juiz não pode deixar de fazer é, presentes tais circunstancias, deixar de 
adotar uma ou outra opção legislativa, uma vez que constituem direito subjetivo do réu. 
Atenção: notem que a doutrina não é uníssona quanto à esta dupla 
possibilidade do juiz, havendo aqueles, como Bitencourt e Nucci, que entendem que não 
se aplica a diminuição de pena na lesão leve. 
Observação: no caso de violência doméstica ou familiar CONTRA A 
MULHER, ficará impossibilitada a substituição da pena privativa de liberdade 
pela pena de multa, por força do art. 17 da Lei n. 11.340/06. 
Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem 
como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. 
Por fim, anote-se que para Fernando Capez o art. 5º não possui qualquer 
aplicação prática, pois, na regra geral do Código Penal, pena igual ou inferior a um ano 
já podem ser substituídas por multa (art. 44, § 2º, 1ª parte). 
 
13 – Lesão Corporal Culposa (art. 129, § 6º): 
Conforme previsto no art. 129, § 6º se a lesão for culposa a pena será de 
detenção de dois meses a um ano. 
Obs. 1: na lesão corporal culposa, seja a lesão leve, grave ou gravíssima, 
sempre teremos configurado o art. 129, § 6º. Na verdade a gravidade da lesão será 
considerada pelo juiz na fixação da pena base (art. 59). 
 
 
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Obs. 2: temos uma lesão corporal culposa especial no Código de Transito 
Brasileiro. Detalhe: a pena da lesão culposa no CPB é de 2 meses a 1 ano; já no CTB a 
lesão culposa tem pena de 6 meses a 2 anos. 
E aí podemos fazer, inicialmente, o mesmo raciocínio feito no homicídio 
culposo: o desvalor da lesão culposa pratica no trânsito é maior do que o desvalor da 
lesão culposa normal. Agora, o absurdo é que não há previsão de lesão dolosa na 
direção de veículo automotor, o que no leva a concluir que, se tal conduta ocorrer, 
deveremos aplicar a lesão dolosa do CPB. Ocorre que a lesão culposa do CTB é 
punida com o dobro da pena da lesão dolosa do CPB. Então, quando se praticar uma 
lesão culposa no transito, se ela for leve, é melhor dizer que foi dolosa. 
 
14 – Aumento de pena (art. 129, § 7º) e Perdão judicial (art. 129, § 8º): 
Conforme o § 7º a pena será aumentada de um terço se ocorrer quaisquer das 
hipóteses dos §§ 4º e 6º do art. 121. 
Assim, se a lesão for culposa, a pena será aumentada de um terço se o crime 
for resultado da inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício; se o agente 
não presta socorro à vítima; não procura diminuir as conseqüências do seu ato ou foge 
para evitar a prisão em flagrante. 
Sendo dolosa a lesão a pena será aumentada do mesmo quantum, no caso do 
crime ser praticado contra menor de quatorze ou maior de sessenta. 
E mais, a pena também será aumentada de um terço até a metade se o crime 
for praticado por milícia privada ou grupo de extermínio. 
Por fim, também se aplica à lesão culposa o perdão judicial, lembrando-se que 
embora o Código de Transito não preveja o perdão judicial para o caso de lesão culposa, 
poderá tranquilamente ser aplicado, como resultado de uma interpretação que leva em 
conta as razões do veto de tal disposição naquele texto legal, bem como em atenção ao 
princípio da isonomia. 
 
15 – Violência Doméstica (art. 129, §§ 9º, 10 e 11): 
No § 9º do art. 129 temos uma lesão corporal especial, que se verifica 
quando o crime for praticado contra algum membro do CCADI, ou com quem o agente 
conviva ou tenha convivido, ou ainda, prevalecendo-se das relações domésticas de 
coabitação ou de hospitalidade. 
Desde já é importante que se esclareça que não podem ser confundidas as 
figuras da violência doméstica comum com a violência doméstica contra a mulher. 
Com o recente acréscimo do § 13, que qualifica a lesão quando praticada 
contra mulher por razões da condição do sexo feminino, teremos que dificilmente o § 9º 
será aplicado quando a vítima for mulher. 
E mais, nesta hipótese, restando configurada a violência doméstica e familiar 
contra a mulher, nos termos do art. 5º da Lei Maria da Penha, além da aplicação de pena 
mais grave do que a prevista no caput art. 129 (a pena sai do patamar de detenção de 
três meses a um ano e passa para reclusão de um a quatro anos), devemos lembrar que 
 
 
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não terá aplicação a Lei 9.099/99, o que implica em um tratamento mais severo, não se 
admitindo, por exemplo, substituição da pena por cesta básica, prestação pecuniária ou 
mesmo aplicação isolada da pena de multa. 
Se a lesão corporal for grave, gravíssima ou seguida de morte, e, além disso, 
praticada contra cônjuge, companheiro, ascendente,descendente ou irmão, segundo 
dispõe o § 10, deverá incidir um aumento de pena de um terço. 
Atenção: embora seja até desnecessário, não custa lembrar que as penas 
previstas no § 1º, § 2º e § 3º é que serão aumentadas de um terço. 
Já no § 11, prevê se também o aumento da pena em um terço no caso de 
violência doméstica praticada contra vítima deficiente. 
Por fim, deve ser lembrado que, mesmo na hipótese de lesão leve, tratando-se 
de violência doméstica e familiar contra a mulher, decidiu o STF, em controle 
concentrado de constitucionalidade, que a ação penal é pública incondicionada, 
pois a Lei n. 11.340/06, veda a aplicação da Lei n. 9.099/95. Neste sentido temos 
também a Súmula nº 542 do STJ: 
“A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica co
ntra a mulher é pública incondicionada.” 
A autolesão configura crime? 
Em relação à lesão corporal não há que se falar em crime, até por conta do 
princípio da alteridade, segundo o qual não há infração penal em condutas não lesionam 
bens jurídicos de terceiros. 
Contudo, é de se ponderar que em algumas situações a autolesão, praticada 
com uma finalidade específica, pode vir a configurar crime. 
É o que ocorre, por exemplo, com o crime de fraude para receber valor de 
seguro (art. 171, § 2º, V), em que o agente se autolesiona a fim de receber valor de 
seguro. 
Outra possibilidade nos é trazida no art. 184 do CPM, em que a autolesão pode 
ser utilizada com a finalidade de criar ou simular incapacidade física que inabilite a 
pessoa para o serviço militar. 
 
16 – Lesão Corporal contra integrantes das forças de segurança do Estado: 
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força 
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, 
ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, 
em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído 
pela Lei nº 13.142, de 2015) 
Trata-se de inovação introduzida pela Lei n. 13.142/2015, que tem a mesma 
finalidade de qualificadora similar introduzida no § 2º do art. 121, razão pela qual valem 
os mesmos comentários feitos em relação àquele dispositivo. 
Importa acentuar, apenas, que quando esta lesão for de natureza 
gravíssima ou resultar morte, teremos um crime hediondo, tal qual previsto no 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art2
 
 
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novo inciso I-A, do art. 1º da Lei n. 8.072/90, introduzido pela lei citada no 
parágrafo retro. 
 
 
17 – Lesão Corporal contra Mulher, por razões da condição do sexo feminino: 
 
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo 
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: (Incluído pela Lei nº 
14.188, de 2021) 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). 
Trata-se de inovação introduzida pela Lei n. 14.188/2021, que, por certo, tem 
por objetivo combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, que no Brasil, 
em que pese dos esforços da Lei Maria da Penha, continua atingindo índices 
assustadores. 
No entanto, o legislador aqui, como sói acontecer tantas vezes, infelizmente, 
também não andou bem ao introduzir esta nova forma qualificada. 
Aqui o legislador considerou como mais gravosa, e por isso a qualificou, a 
lesão corporal quando praticada contra a vítima mulher e motivada por razões da 
condição do sexo feminino que, como já vimos no § 2-A do art. 121 (ao qual, inclusive, 
o § 13 faz remissão direta) caracteriza-se quando o crime envolver violência doméstica 
e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
Até aí tudo bem, o problema, no entanto, é que o legislador, da forma como 
fez, restringiu a aplicação de referida forma qualificada apenas à lesão simples, já que 
nada trouxe para a hipótese de esta lesão contra mulher por razões da condição do sexo 
feminino ser agravada por uma das circunstâncias qualificadoras do § 1º e 2º, o que, 
verdade seja dita, muitas vezes ocorrerá. 
Assim, estamos com o Rogério Greco, para quem “Essa qualificadora 
somente terá aplicação nas hipóteses de lesões corporais simples, conforme o disposto 
no art. 1º da Lei nº 14.188, de 28 de julho de 2021. Isso porque, caso as lesões sofridas 
pela mulher sejam de natureza grave (§ 1º do art. 120 do CP) ou mesmo gravíssima (§ 
2º do art. 129 do CP), como as penas previstas, respectivamente, nos preceitos 
secundários dos §§ 1º e 2º do art. 129 do Código Penal são superiores àqueles 
cominadas no § 13, aqueles deverão ser aplicadas em detrimento deste último”. 
A nosso juízo, melhor teria laborado o nosso Poder Legislativo se tivesse 
criado uma majorante para esta circunstância, de 1/3, por exemplo, a ser aplicada nas 
lesões corporais qualificadas como grave e gravíssima, bem como na lesão corporal 
seguida de morte e, porque não, na própria violência doméstica do § 9º. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4

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