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AGENTES PÚBLICOS 
 
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Agentes Público 
Conceito: A expressão agente público é a mais ampla para designar de forma genérica e 
indistinta os sujeitos que exercem funções públicas, que servem ao Poder Público como 
instrumentos de sua vontade ou ação, independentemente do vínculo jurídico, podendo ser 
por nomeação, contratação, designação ou convocação. Independe, ainda, de ser essa função 
temporária ou permanente e com ou sem remuneração. Assim, quem quer que desempenhe 
funções estatais, enquanto as exercita, é um agente público. 
Espécies De Agentes Públicos: 
Servidor Público E Empregado Público 
Servidor Público: 
São servidores públicos aqueles que mantiverem vínculo profissional permanente com a 
Administração Direta, as Autarquias e Fundações de direito público, ou seja, com pessoas de direito 
público. 
Mantém relação com o estado em regime estatutário (Regime estatutário São servidores públicos 
estatutários, que ocupam – sempre – cargos públicos e mantém uma relação de natureza 
institucional). 
Sujeito Ao Regime Jurídico De Direito Público 
Titular De Cargo Público 
Empregado público (funcionário): 
Empregados públicos são pessoas físicas vinculadas com pessoas jurídicas de direito privado 
pertencentes à Administração Pública Indireta, empresa pública e sociedade de economia mista e 
fundações privadas. Possuem vínculo sempre contratual, pois regido pela CLT 
Mantém relação com o estado em regime celetista (São servidores públicos celetistas os que 
possuem um vínculo contratual com as entidades de direito público). 
Sujeito ao regime jurídico de direito privado 
Titular de emprego público 
O agente público é um gênero 
Servidor e empregado público é espécie deste gênero. 
Classificação dos agentes públicos: 
Agentes Políticos 
São ocupantes dos primeiros e mais altos escalões do poder público, sendo investidos no cargo 
através de nomeação, eleição, designação ou delegação. 
São agentes políticos os chefes do executivo, os membros do Tribunal de Contas, os membros do 
Poder Legislativo e Judiciário, defensores públicos e delegados da polícia. 
Agentes Administrativos 
São aqueles que estão sujeitos a uma hierarquia constitucional, independente de a administração 
pública ser direta ou indireta. 
Os servidores públicos e empregados públicos em geral são exemplos de agentes administrativos. 
Agentes Delegados 
 
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Estes recebem um encargo estatal com a finalidade de prestação de prestação de determinado 
serviço. 
Podemos tomar como exemplo de agentes delegados os leiloeiros e os concessionários. 
Agentes Honorìficos 
São aqueles requisitados para temporariamente desempenharem uma função pública. 
Os mesários e os jurados são exemplos desse tipo de agente. 
Agentes Credenciados 
Segundo Hely Lopes Meirelles “são os que recebem a incumbência da administração para 
representa-la em determinado ato ou praticar certa atividade específica, mediante remuneração do 
poder público credenciante”. 
São exemplos de agentes credenciados os professores substitutos e os médicos credenciados. 
Poderes, Deveres E Prerrogativas 
Poderes: Poder-dever: O servidor não pode se omitir. Os deveres de eficiência, de probidade e o de 
prestar contas. 
Deveres: Normalmente vêm previstos nas leis estatutárias, abrangendo, entre outros, os de 
assiduidade, pontualidade, discrição, urbanidade, obediência, lealdade. 
Prerrogativa: Privilégio atribuído a alguém por seu cargo; – Férias, licenças, vencimento ou 
remuneração e demais vantagens pecuniárias (= dinheiro), assistência, direito de petição, 
disponibilidade e aposentadoria. 
Cargo, Emprego E Função Públicos 
Os ocupantes de cargo público tem vínculo estatutário e institucional regido por um estatuto funcional 
próprio, na União a Lei 8.112/90. Em sentido contrário, o ocupante de emprego público tem vínculo 
trabalhista e contratual regido pela CLT. Obviamente há algumas diferenças resultantes disso, o 
vínculo estatutário, por exemplo, não é cabível a entidades privadas da Administração Pública 
Indireta; já o vínculo contratual ocorre em ambos os casos, logo as entidades de direito público 
podem possuir servidores públicos estatutários ou celetistas. 
Sobre a função pública, há as funções atreladas a cargos ou empregos e funções autônomas, como a 
função temporária, exercida por servidores temporários, e a função de confiança, exercida 
exclusivamente por servidores públicos titulares de cargos comissionados e se destinam apenas às 
atribuições de direção, chefia e assessoramento. 
Regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição 
Sugiro dar uma olhada na lei 8.1122/90 a partir do artigo 5 que dispõe sobre o regime jurídico único 
dos servidores públicos 
Provimento: 
 
Conceito: É o ato administrativo por meio do qual é preenchido cargo público (efetivo ou de 
confiança). 
Provimento Originário Ou Autônomo 
Tal provimento se materializa por nomeação. Após a nomeação, o estatuto estabelece o prazo de 30 
dias até a data da posse. Caso não se concretize nesse prazo, perderá efeito a nomeação. O 
nomeado só se tornará servidor após o ato da posse. Caso o agente não entre em exercício da 
função após 15 dias de sua nomeação, o servidor é exonerado do cargo. É a partir da data em que 
entra em exercício que começam a contar os prazos para todos os seus direitos relacionados ao 
tempo de serviço. 
 
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Provimento derivado vertical 2.2.1 Promoção Tem por escopo realizar uma elevação funcional do 
servidor de um cargo de uma classe para outro de uma classe superior. 
Provimento derivado horizontal 2.2.1 Readaptação Conforme preceitua o artigo 24 da lei 8.112/90, a 
readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis 
com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção 
médica. Caso haja reconhecimento de incapacidade absoluta, será aposentado. 
Provimento derivado por reingresso 2.3.1 Reversão(Art. 25) Conceito. 2.3.2 Reintegração(Art. 28) 
Conceito. 2.3.3 Recondução(Art. 29) Conceito. 2.3.4 Disponibilidade e aproveitamento(Art. 30, 31, 32) 
Conceito. 
Vacância: 
 Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de: 
 I – exoneração; 
 II – demissão; 
 III – promoção; 
 IV – (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 V – (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 VI – readaptação; 
 VII – aposentadoria; 
 VIII – posse em outro cargo inacumulável; 
 IX – falecimento. 
 Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício. 
 Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á: 
 I – quando não satisfeitas as condições do estágio probatório; 
 II – quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido. 
 Art. 35. A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança dar-se-
á: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 I – a juízo da autoridade competente; 
 II – a pedido do próprio servidor. 
 Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
Remoção 
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, 
com ou sem mudança de sede. 
 Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de 
remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 I – de ofício, no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 II – a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 
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 III – a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração: (Incluído 
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer 
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocadoservidores estatutários. 
 Encontravam-se, como dito, regidos pelas normas estatutárias então em vigor, já que, como 
corretamente observado por WOLGRAN JUNQUEIRA FERREIRA, "o regime estatutário repele o 
emprego, dada a sua íntima relação com a Consolidação das Leis do Trabalho, que data de 1943" 
(op. cit., p. 249) 
 Sem que houvessem sido efetivados, os servidores públicos celetistas foram alçados à qualidade 
jurídica de servidores estáveis, já com o advento do art. 19 do ADCT/88. 
 
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 Como à época inexistia previsão constitucional ou legal de estabilidade em serviço público, de duas, 
uma: ou deveriam eles ter sido considerados alçados à condição de estatutários, ainda que à falta de 
expresso texto legal declaratório neste sentido, ou regulamentador do respectivo Estatuto; ou ter-se-
ia que admitir uma figura esdrúxula, absolutamente inexistente à época, qual seja, o empregado 
público, regido pela CLT e estável de modo permanente – estabilidade esta não prevista na CLT. 
 
 Algo diferente deve ser o raciocínio quanto à situação dos servidores contratados antes de cinco 
anos da data da promulgação da Constituição Federal de 1988, ingressos no serviço público 
independentemente de concurso público. 
 Embora tenham passado a ocupar cargos efetivos, não adquiriram a estabilidade no serviço público, 
e a ocupação daqueles cargos só poderia se dar a título precário, já que, da mesma forma como 
antes do advento da CF/88 e ainda sob o regime da CLT, não possuíam garantia ao emprego, 
tampouco adquiriram tal direito por força do art. 19 do ADCT/88. 
 Esses servidores, ainda, deixaram de ser considerados "celetistas", já que seus empregos foram 
transformados, automaticamente, em razão da eficácia e da aplicabilidade imediatas do art. 19 do 
ADCT/88, em cargos públicos, mas não se tornaram servidores públicos estatutários, à falta de 
preenchimento dos requisitos para tal conversão estabelecidos por aquela norma constitucional 
transitória. 
 Conclui-se, assim, que o servidor originalmente contratado sob o regime da CLT, desde que há cinco 
anos da promulgação da Constituição Federal de 1988, por força da norma contida no art. 19, "caput" 
do ADCT, já era regido pelas normas estatutárias então vigentes, e não mais pela CLT. 
 E que, a despeito do § 1
o
. do art. 19 do ADCT/88, não há como ele ser estável sem que, previa e 
necessariamente, seja também efetivo. 
 Por tal motivo, apresenta-se equivocada, "data maxima venia", a assertiva de que "a estabilidade 
excepcional prevista no artigo 19 do ADCT/88 não significa efetividade no cargo, para a qual é 
imprescindível o concurso público", tantas vezes repetida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, 
como na ADI nº. 289-CE, acima referida. 
Retribuição Pecuniária De Cargos 
Na Constituição Federal de 1988 os termos vencimento e remuneração são usados com o mesmo 
sentido. A Constituição limita-se a diferenciar subsídio da remuneração. 
Subsídio é inovação trazida pela emenda constitucional 19/1998 (Reforma administrativa) e é termo 
aplicado aos valores pagos em parcela única aos ocupantes de certos cargos na administração 
pública (procuradores, juizeis, chefes dos executivos, defensores públicos, entre outros) , já a 
segunda é o valor recebido pelos servidores públicos submetidos ao regime jurídico estatutário. 
Outras espécie de rendimento que aplica-se aos trabalhadores das entidades públicas diretas e 
indiretas é o salário que conceitua-se como aquele valor pago aos empregados públicos, ou seja, 
aqueles agentes públicos admitidos no regime Jurídico Trabalhista estando sujeitos à Consolidação 
das Leis Trabalhistas (CLT). 
Apesar da constituição e diversas leis não tratarem com clareza as diferenças de vencimento e 
remuneração, mas diferencia-se subsídios e salários, a Lei ordinária nº 8.112/90 tratou de abordar as 
distinções entre Remuneração e Vencimento, como também trata de Proventos e Pensões, vejamos: 
 
Vencimento – é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei. ( art. 
40 da Lei 8.112/90). 
Remuneração – é o vencimento do cargo efetivo, acrescido dasvantagens pecuniárias permanentes 
estabelecidas em lei. (art. 41 da Lei 8.112/90). 
Provento – é a retribuição pecuniária a que faz jus o aposentado. 
Pensão – é o benefício pago aos dependentes do servidor falecido. 
 
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Mas o que seriam as vantagens pecuniárias que são acrescidas ao vencimento para termos a 
remuneração ? Segundo Hely Lopes Meirelles elas são: 
“vantagens pecuniárias são acréscimos de estipêndio do funcionário, concedidas a título definitivo ou 
transitório, pela decorrência do tempo de serviço (ex facto temporis), ou pelo desempenho de funções 
especiais (ex facto officii), ou em razão das condições anormais em que se realiza o serviço ( propter 
laborem), ou, finalmente, em razão de condições pessoais do servidor ( propter personam). As duas 
primeiras espécies constituem os adicionais ( adicionais de vencimento e adicionais de função), as 
duas últimas formam a categoria das gratificações de serviço e gratificações pessoais)”. 
Remuneração E Subsídio 
Remuneração é signo ambíguo na Constituição Federal, pois ora designa gênero, sendo sinônimo 
de retribuição, abrangendo atotalidade das espécies possíveis de estipêndio público (v.g., arts. 
37, XIII e 39, §8º da CF), ora designa espécie ou tipo de retribuição(v.g., arts. 37, X; 39, §6º da CF). 
Pode-se distinguir ainda entre remuneração do cargo (vg. Art. 39, §1º) e remuneração do agente (vg, 
Art. 39, §5º). 
Subsídio é espécie de retribuição, prescrita a agentes públicos expressamente referidos em lei ou na 
Constituição, definida em termos unitários, sem fracionamento estipendial, e submetida à reserva de 
composição constitucional, pois inadmite a criação pelo legislador infraconstitucional de vantagens 
acessórias ou complementares (Art. 39, § 4º da CF). 
O caráter unitário do subsídio implica a vedação à fragmentação dessa espécie de retribuição em 
parte fixa e parte variável, proibição ao fracionamento do subsídio em vantagens diversas ou sua 
decomposição em adicionais, abonos, prêmios, ou outro acréscimo de natureza remuneratória (Art. 
39, § 4º, CF, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). O caráter exclusivo do 
subsídio veda a criatividade do legislador infraconstitucional na definição dessa espécie de 
retribuição. 
Estão sujeitos a regime retributivo de subsídio apenas os membros de poder; detentores de 
mandato eletivo; ministros, secretários de estado e municípios; membros do MP Federal, 
Estadual e de Contas; magistrados; advogados da União; Procuradores dos Estados e do DF, 
inclusive o procuradores autárquicos; defensores públicos; servidores das carreiras de 
segurança pública; Conselheiros e Ministros dos Tribunais de Contas 
e, eventualmente, servidores públicos organizados em carreira por expressa definição legal 
(Art. 39, §8º da CF). A relação é rebarbativa e pouco técnica, pois diversos agentes nominados 
de forma isolada são membros de Poder, sendo referidos em duplicidade pelo mesmo 
dispositivo. 
Mas o subsídio pode ser percebido cumulativamente com vantagens paralelas de assento imediato 
na Constituição Federal, sem quebra de seu caráter unitário. A meu juízo são nove vantagens, a 
saber: 
a) décimo terceiro salário (Art. 7º,.VIII, c/c Art. 39, §3º); 
b) adicional noturno (Art. 7º, IX, c/c Art. 39, §3º); 
c) salário-família (Art. 7º, XII, c/c Art. 39, §3º); 
d) remuneração do serviço extraordinário (Art. 7º, XVI, c/c Art. 39, §3º); 
e) adicional de férias (Art. 7º, XVII, c/c Art. 39, §3º); 
f) abono de permanência (Art. 40, §19, CF); 
g) adicional ou prêmio de produtividade por economia de despesa (Art. 39, §6º, CF); 
h) gratificação de função (Art. 37, V, CF); 
i) indenizações (Art. 37, §11, CF). 
 
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Não é possível subsídio de empregopúblico, por diversas razões. Primeiro, por uma questão 
sistemática. Na norma definidora dos subsídios consta expressa remissão ao art. 37, X, vale dizer, à 
norma que estabelece a exigência de lei específica para aumento ou fixação do subsídio. Essa 
norma, como se sabe, não se aplica aos empregados públicos de empresas públicas e sociedades de 
economia mista, que podem ter aumentos definidos em acordos ou dissídios coletivos. Por outro lado, 
parece incompatível com o regime de emprego público a possibilidade de transformação unilateral do 
regime retributivo, em princípio contratual, para um regime de valor unitário, sem vantagens e 
gratificações, unilateralmente fixado por lei pelo Estado. 
Por igual, tampouco é adequado empregar o termo subsídio como substitutivo de provento ou 
pensão. Não cabe, por exemplo, prever subsídio vitalício para ex-governadores, ex-presidentes, ex-
parlamentares ou situações equivalentes. As leis que preveem termos semelhantes são 
inconstitucionais, porquanto ferem o art. 40, caput, e §4º e §13, da Constituição Federal, instituindo 
modalidade de aposentadoria ou pensão segundo critérios especiais em hipótese não autorizada pela 
lei fundamental. 
Por isso, o subsídio pode ser definido como a contraprestação pecuniária regular, definida em valor 
único, por lei ou por ato com eficácia de lei, como retribuição ao exercício de cargo, função ou 
mandato público, incompatível com o acréscimo de vantagens complementares de matriz 
exclusivamente infraconstitucional. 
Todas as vantagens retributivas criadas exclusivamente com base em lei são incompatíveis com os 
subsídios. Estes apenas admitem as vantagens remuneratórias estabelecidas na própria Constituição 
Federal e, em termos genéricos, as vantagens indenizatórias. 
A admissão das vantagens constitucionais complementares ou paralelas ao subsídio, previstas na 
Constituição Federal decorre, entre outros, do disposto no art. 39, §3º, com a redação da emenda 
constitucional 19, que reza: 
“Art. 39, §3º. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, 
IX, XII, XIII, XV, XVI, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados 
de admissão quando a natureza do cargo o exigir.” 
O dispositivo referido não distingue o agente que percebe a sua retribuição em regime de subsídio ou 
de remuneração para fins de assegurar o gozo de direitos sociais fundamentais, como o 13º salário 
(Art. 7º,.VIII), o adicional noturno (Art. 7º, IX); o salário-família (Art. 7º, XII), a remuneração do serviço 
extraordinário (Art. 7º, XVI), o adicional de férias (Art. 7º, XVII). Outros direitos constitucionais, no 
entanto, seriam ineficazes se não conciliados também com a norma do art. 37, § 4º, da Constituição, 
como o direito de perceber abono de permanência (Art. 40, §19, CF), adicional ou prêmio de 
produtividade por economia de despesa (Art. 39, §6º, CF), gratificação de função (Art. 37, V, CF) e 
indenizações (Art. 37, §11, CF). 
A fixação do subsídio não pode ser fracionada, deve ser feita em valor único, mas além do subsídio 
os agentes públicos titulares de cargos públicos poderão receber as vantagens indicadas, em 
paralelo, com especial destaque para as indenizatórias. 
Acumulação De Cargos, Empregos E Funções 
Guia do Servidor 
É a situação do servidor que ocupa mais de um cargo, emprego ou função pública. 
Requisitos Básicos: 
Conforme a Constituição Federal, é permitida a acumulação de: 
1. dois cargos de professor; 
2. um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
3. dois cargos de profissionais da área de saúde. 
 
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Procedimentos: 
A comprovação da acumulação será feita pelo servidor, anualmente, mediante: 
1. declaração de acumulação atestada pela chefia imediata e pelo diretor da unidade ou órgão; 
2. documento atualizado fornecido pelo órgão onde exerce a atividade, comprovando: cargo, 
emprego ou função, data de admissão e horário semanal; 
3. descrição de atividades, quando necessário. 
Informações Gerais: 
1. A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos ou funções em autarquias, fundações 
públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos 
Estados, dos Territórios e dos Municípios. 
2. Não é permitida a acumulação em: 
a)dois cargos de professor com soma maior que 60 horas semanais; 
b) um cargo de professor com um outro técnico ou científico com soma maior que 60 horas semanais; 
c) dois cargos de professor com Dedicação Exclusiva; 
d) proventos de aposentadoria com vencimentos com soma maior que 60 horas semanais. 
3. Deve-se verificar, sempre, a compatibilidade de horários, respeitando-se intervalos para repouso, 
alimentação e distância a ser percorrida entre um emprego/cargo ou função e outro. A acumulação de 
cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação de horários. 
4. A acumulação de proventos e vencimentos somente é permitida quando se tratar de cargos, 
funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma permitida pela Constituição. 
5. São considerados cargos técnicos ou científicos os seguintes: 
a) aqueles para cujo exercício seja indispensável e predominante a aplicação de conhecimentos 
científicos ou artísticos, obtidos em nível superior de ensino e; 
b) aqueles para cujo exercício seja exigida habilitação em curso legalmente classificado como 
técnico, de grau ou nível superior de ensino; e 
c) os cargos ou empregos de nível médio, cujas atribuições lhe emprestem características de 
"técnico". 
6. São considerados cargos ou empregos de profissionais da saúde aqueles cujas atribuições estão 
voltadas, exclusivamente e no sentido estrito, para a área da saúde. 
7. O docente em regime de Dedicação Exclusiva não poderá exercer outra atividade remunerada 
pública ou privada, salvo as exceções, abaixo descritas, em caráter esporádico: 
a) participação em extensão e pós-graduação; 
b) instrução em treinamentos; 
c) participação, mediante convite, em eventos e/ou em atividades técnicas relacionadas com a área 
específica de especialidade do docente; 
d) consultoria; 
e) organização de eventos; 
f) coordenação e/ou participação em convênios, desde que haja previsão orçamentária para tal fim; 
 
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g) outras, a critério do Colegiado do Departamento. 
8. No caso de acumulação ilegal, comprovada a boa-fé, por meio de processo disciplinar sumário, o 
servidor optará por um dos cargos, empregos ou funções. 
9. Nos casos de acumulação ilegal, comprovada a má-fé, a pena prevista é a de demissão após a 
conclusão do Processo Disciplinar sumário. 
10. O servidor não poderá exercer o comércio, exceto como acionista, cotista ou comandatário, nem 
participar de gerência ou administração de empresa privada ou sociedade civil e, nessa condição, 
transacionar com o Estado. 
Fundamentos Legais: 
1. Arts. 37, incisos XVI e XVII e 95, parágrafo único, inciso I da Constituição Federal de 1988. 
2. Decreto nº 2.027/96, de 11/10/96 (D.O.U. 14/10/96 ). 
3. Emenda Constitucional nº 34/2001 e Emenda Constitucional 47/2005. 
4. Instrução Normativa MARE nº 11/96 de 17/10/1996. 
5. Arts. 5º, incisos II e III e 7º da Lei nº 8.027, de 12/4/90 (D.O.U. 13/4/90). 
6. Arts. 118, 119, 120, 132, inciso XII e 133 da Lei nº 8.112, de 11/12/90 (D.O.U. 12/12/90), alterados 
pelo art. 10 da Lei nº 9.527/97 (D.O.U. 11/12/90). 
7. Art. 133, § 7º da Lei nº 9.527/97, de 10/10/97 (D.O.U. 11/12/97). 
8. Ofício nº 1387/2001-SRH de 10/08/2001. 
9. Ofício n.º 381 /2002/COGLE/SRH/MP de 27/12/02. 
10. Ofício Nº 13/2002-COGLE/SRH de 02/01/02. 
11. Ofício Nº 75/2005/COGES/SRH/MP 
12. Parecer DRH/SAF nº 346, de 27/10/91 (D.O.U. 22/11/91). 
13. Parecer AGU nº GQ 145 de 30/03/1998. 
14. Orientação Consultiva nº 17/97 DENOR/SRH/MARE de 12/11/97. 
Portaria DRH/SAF nº 15, de 24/4/90 (D.O.U. 26/4/90) alterada pela Portaria DRH/SAF nº 162, de 
17/5/90 (D.O.U.21/5/90). 
Vacância no Serviço Público Federal Conforme a Lei 8.112/90 
São hipóteses de vacância: 
A) por extinção de vínculo: 
 
A.1) Exoneração – dispensa do servidor público a seu pedido ou pela Administração (ex ofício); 
A.2) Demissão – é imposta ao servidor pelo cometimento de falta disciplinar e tem a natureza 
sancionatória; 
A.3) Anulação do ato de investidura – quando o ato de investidura for desfeito por ter sido declarado 
sem validade jurídica. 
A.4) Falecimento – o falecimento produz extinção automática do vínculo; 
B) Por modificação do vínculo 
 
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B.1) Aposentadoria – é a transferência para inatividade remunerada, pode ser compulsória, voluntária 
e por invalidez.; 
B.2) Readaptação – quando ocorre a investidura do agente em cargo incompatível com a limitação 
que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, fixada por inspeção médica; 
B.3) Posse em outro cargo inacumulável – a impossibilidade de acumulação de cargos impede a 
posse no novo cargo. 
B.4) Promoção – provimento em cargo mais elevada da carreira do servidor público. 
Conforme o artigo 33 da lei 8.112 de 1990 são: 
Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de: 
I – exoneração; 
II – demissão; 
III – promoção; 
IV – ascensão; (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
V – transferência (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
VI – readaptação; 
VII – aposentadoria; 
VIII – posse em outro cargo inacumulável; 
IX – falecimento. 
Das Formas De Provimentos 
Nomeação: a nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimentoefetivo depende de 
prévia habilitação em concurso público de provas oude provas e títulos, obedecidos a ordem de 
classificação e o prazo desua validade. Assim aquele que desejar ser servidor público federalterá que 
se submeter a uma verdadeira maratona. 
Conforme preleciona Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: “Sempre que oprovimento decorrer de 
concurso público haverá nomeação e o provimentoé efetivo e originário. Se fulano ingressou num 
hospital federal porconcurso como enfermeiro, mais tarde conclui o curso de medicina edeseja 
exercer esta profissão no mesmo hospital, terá que fazer novoconcurso, para o cargo de médico. Se 
aprovado, será nomeado no novocargo e depois tomará posse. Embora fulano de possuísse um 
vínculoanterior com a mesma administração, nenhuma relação há entre oprovimento desse cargo de 
médico e seu cargo anterior. Sua nomeaçãocomo médico decorre exclusivamente de sua aprovação 
no novo concurso eseu provimento, portanto é originário”. Direito administrativo. Marcelo alexandrino 
e Vicente Paulo -4º Ed. Rio de Janeiro: Impetus,2002 Pag. 233.Segundo Celso Ribeiro Bastos, 
“provimento é o ato pelo qual oservidor público é investido no exercício de um cargo, ou 
funçãopública, pode ser originário ou derivado”. “Provimento originário ou autônomo- primeira 
investidura. É aforma de provimento em que o preenchimento se faz originariamente,isto é 
independentemente de qualquer relação anterior entre oindivíduo e o serviço público. Esse 
preenchimento só ocorre pornomeação ou contratação, dependendo do regime jurídico de que 
setrate.” 
“Provimento derivado é aquele que procede de um vinculo anteriorentre o servidor e a Administração 
e pode dar-se por: derivaçãovertical, reintegração, recondução e reversão ex officio”. Bastos, Celso 
Ribeiro, 1938- Curso de direito administrativo 2º ed –São Paulo:saraiva,1996 pg.298. São muitas as 
exigências feitas aos candidatos a cargos públicosefetivos. Os editais contemplam grande conteúdo 
programático para asprovas escritas. 
Há também a possibilidade de serem submetidos aprovas de títulos, além de curso de formação, 
teste físico e examesmédicos. Todos preliminar a nomeação.Os demais requisitos para o ingresso e o 
desenvolvimento doservidor na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela leique fixar as 
diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamentos nos termos 
da redação dada pelaLei nº 9.527, de 10.12.97. 
O concurso público terá validade de até 2 (dois ) anos, podendo serprorrogado uma única vez, por 
igual período .É importante frisar quenão se abrirá novo concurso enquanto houver candidato 
 
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aprovado emconcurso anterior com prazo de validade não expirado. Todavia antes doefetivo 
exercício deve o candidato tomar posse e antes de tomar possedeve ser nomeado. A nomeação é 
um ato unilateral da administração e a posse é um ato bilateral. A posse dar-se-á pela assinatura do 
respectivo termo, no qual deverãoconstar as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os 
direitosinerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alteradosunilateralmente, por qualquer das 
partes, ressalvados os atos deofício previstos em lei. A posse ocorrerá no prazo de trinta dias 
contados da publicação do atode provimento e poderá dar-se mediante procuração específica. 
Éimportante deixar claro que só haverá posse nos casos de provimentode cargo por nomeação. 
 É de quinze dias o prazo para o servidorempossado em cargo público entrar em exercício, contados 
da data daposse. Na lição de Hely Lopes Meirelles, “provimento é o ato pelo qual seefetua o 
preenchimento do cargo público, com a designação de seutitular”. “As duas principais classificações 
doutrinárias sobre o provimentodizem respeito à durabilidade e à origem. Assim, quanto 
àdurabilidade, o provimento pode ser efetivo, vitalício ou em comissão;quanto à origem, originário ou 
derivado.” Vejamos; Formas de provimento quanto à durabilidade. “A Constituição Federal prevê três 
hipóteses de provimento doscargos públicos: efetivo, vitalício e em comissão”. 
“Denomina-se provimento efetivo aquele originado de nomeação porconcurso público, assegurado o 
direito à estabilidade após três anosde efetivo exercício...”112 Meirelles, Hely Lopes. Direito 
administrativo brasileiro. 26. Ed. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 392. Da Promoção é a forma de 
provimento pela qual o servidor passa para cargosituado em classe mais elevada, dentro da carreira 
a que pertence. 
 Há como dito ser necessário um cargo que disponha um escalonamento decarreira. Não é possível, 
como dito, um agente de polícia ser promovido adelegado, pois este é outro cargo e a promoção só 
se opera naestrutura de um mesmo cargo.Assim, se um agente de polícia deseja ser delegado deve 
prestarconcurso e prover o cargo por intermédio de uma nomeação. Da readaptação imaginemos que 
uma pessoa logrou êxito em concurso público, foinomeado, tomou posse e entrou em exercício no 
cargo de policialfederal. Ocorre que sofreu um acidente e em razão disto ficou com umalimitação 
física que o impossibilitou o exercício regular de suasfunções. O que fazer com o servidor então? Se 
julgado incapaz para o serviço público, será aposentado. 
Todavia pode o servidor ser readaptado nos termos da lei 81112/90: readaptação é a investidura do 
servidor em cargo de atribuições eresponsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido 
em suacapacidade física ou mental verificada em inspeção médica. Todavia a readaptação será 
efetivada em cargo de atribuiçõesafins, respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade 
eequivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de cargovago, o servidor exercerá suas 
atribuições como excedente, até aocorrência de vaga. É razoável, por exemplo, que o servido agente 
de polícia passe a trabalhar interno, todavia é defeso que atue como um delegado, pois este é outro 
cargo que deve ser provido por nomeação enão por Readaptaçã. Como bem assevera o autor José 
dos Santos Carvalho Filho: ”readaptação é forma de provimento pela qual o servidor passa a 
ocuparcargo diverso do que ocupava ,tendo em vista a necessidade decompatibilizar o exercício da 
função pública com a limitação sofridaem sua capacidade física ou psíquica. E a recondução é o 
retorno doservidor que tenha estabilidade ao cargo que ocupava anteriormente,pormotivo de sua 
inabilitação em estágio probatório relativo a outrocargo ou pela reintegração de outro servidor ao 
cargo do qual teve quese afastar”. 
Manual de Direito Administrativo 20º edição revista,ampliada e atualizada até 157 2008 pg580. José 
dos Santos Carvalho Filho. Da reversão imaginemos que este mesmo servidor foi aposentado e 
situação superveniente fez tal servidor retornar a Administração Pública. Diz-se reversão o fenômeno 
de retorno à atividade de servidoraposentado nas seguintes situações: por invalidez, quando junta 
médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou no interesse da administração, 
desde que: 
a)tenha solicitado a reversão; 
b) a aposentadoria tenha sido voluntária; 
c) estável quando na atividade; 
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores àsolicitação; 
e) haja cargo vago. 
 
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É óbvio que a reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação e não 
poderá reverter o aposentado quejá tiver completado 70 (setenta) anos de idade. Do aproveitamento 
como dito acima se no momento da reintegração encontrar-se provido o cargo, o seu eventual 
ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro 
cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Assim, pode o servidor ficar em casa a disposição do 
órgão recebem do proporcional ao tempo de serviço até que o órgão central do sistema de pessoal 
civil determine o imediato aproveitamento de servidor em disponibilidade em vaga que vier a ocorrer 
nos órgãos ou entidades da administração pública federal. 
 Este retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-ámediante aproveitamento obrigatório 
em cargo de atribuições evencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado. Será tornado sem 
efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o servidor não entrar em exercício no prazo 
legal, salvo doençacomprovada por junta médica oficial. Da reintegração imaginemos agora que este 
mesmo servidor foi aposentado ou exonerado de maneira ilegal e consequentemente invalidada a 
sua aposentadoria por sentença administrativa ou judicial. Chamaremos de reintegração 
areinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ouno cargo resultante de sua 
transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com 
ressarcimento detodas as vantagens nos termos do art.28 da lei 8.112/90. Note que a lei diz servidor 
estável, todavia é óbvio que mesmo oservidor não estável deve ser reintegrado caso o seu 
afastamento tenha sido de maneira ilegal. 
Trata-se de controle externo se declarado pelo judiciário ou aplicação do princípio da autotutela se 
decidido demaneira administrativa. Se no momento da reintegração encontrar-se provido o cargo, o 
seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou 
aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Da recondução como dito acima se 
no momento da reintegração encontrar-se provido ocargo, o seu eventual ocupante será reconduzido 
ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em 
disponibilidade. A recondução é, portanto, o retorno do servidor estável ao cargoanteriormente 
ocupado e decorrerá em duas situações: inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; 
oureintegração do anterior ocupante. Em qualquer hipótese encontrando-se provido o cargo de 
origem, o servidor será aproveitado em outro, observado o disposto no art. 30. Da lei 8.112/90. 
Há divergência doutrinária se pode ser reconduzido aquele servidor queapesar de ainda não ter sido 
integralmente avaliado no novo cargodemonstra interesse em retornar ao cargo de origem por 
entender quenão se adaptar as novas funções.Firmamos entendimento que é altamente possível, 
mesmo antes doresultado da avaliação de desempenho reconduzir o servidor ao cargoanterior em 
razão da existência da sua estabilidade no serviçopúblico. 
 Formas De Vacância 
Exoneração: a exoneração de cargo efetivo dar-se a pedido do servidor, ou de ofício. Neste último 
caso a exoneração na hipótese de não satisfeitasas condições do estágio probatório ou ainda 
quando, tendo tomadoposse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido. Caso haja a 
nomeação sem que exista a posse não há o que se falar em exoneração. 
 Nesse caso a nomeação será tida sem efeito. Na lição Celso Ribeiro Bastos “Exoneração é o 
desligamento do funcionário sem caráter punitivo. Poder dar-se a pedido quando se tratar de servidor 
nomeado em caráter efetivo ou ex officio quando setratar de servidor em cargo de confiança”. Curso 
direito administrativo/Celso Ribeiro Bastos-2ª Ed-São Paulo: Saraiva 1996. Pág. 301. 
Segundo a inteligência Art. 21 da lei 6.123/90 o servidor habilitadoem concurso público e empossado 
em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anosde 
efetivo exercício. Todavia com o advento da emenda constitucional19 tal prazo foi prorrogado para 3 
anos. Assim, o servidor não estável poderá ser exonerado quando não satisfeitas as condições do 
estágio probatório. Agora, depois de adquirida a estabilidade será possível o servidor ser exonerado? 
Ou seja, a tão sonhada estabilidade do servidor público efetivo é absoluta ou relativa? Se o servidor é 
ocupante de cargo em comissão já sabemos que não há estabilidade, pois como bem preleciona o 
artigo 35 da lei 8.112/90, a exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de 
confiançadar-se a juízo da autoridade competente ou a pedido do próprioservidor. Quanto ao servidor 
efetivo a resposta é negativa. Não há estabilidade absoluta, isto é o que se abstrai do texto 
 
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constitucional no que tange a despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios que não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. 
Assim, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências 
Incluídas pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998:I - redução em pelo menos vinte por cento das 
despesas com cargos emcomissão e funções de confiança; (Incluído pela Emenda Constitucionalnº 
19, de 1998)II - exoneração dos servidores não estáveis. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) (Vide Emenda Constitucional nº 19, de1998)§ 4º Se as medidas adotadas com base no 
parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei 
complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder ocargo, desde que ato 
normativo motivado de cada um dos poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade 
administrativaobjeto da redução de pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº19, de 1998)§ 5º 
O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior farájus a indenização correspondente a 
um mês de remuneração por ano deserviço. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)§ 6º 
O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores seráconsiderado extinto, vedada a 
criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro 
anos.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)§ 7º Lei federal disporá sobre as normas 
gerais a serem obedecidas naefetivação do disposto no § 4º. (Incluído pela Emenda Constitucionalnº 
19, de 1998). A exoneração do cargo em comissão não precisa de motivação. 
Todavia se motivado deve ser a expressão da verdade. Caso contrário a exoneração pode ser 
considerada nula em homenagem a teoria dos motivos determinantes. Conforme preleciona Hely 
Lopes Meirelles, ”exoneração não épenalidade, não é demissão do servidor, por não convir á 
administração sua permanência uma vez que seu desempenho funcional não foi satisfatório nessa 
fase experimental sabiamente instituída pelaconstituiçãopara os que almejam a estabilidade no 
serviço pública”. Hely Meirelles Direito administrativo Brasileiro. 32ªediçao pág. 446 editora Malheiros 
Ltda. 
Demissão: de missão é uma forma vacância em razão de cometimento de uma infração penal ou 
administrativa. Honestidade, probidade e idoneidade são pressupostos da atividade administrativa. 
Presume-se, portanto, que os atos administrativos praticados pelos agentes sejam legítimos. Quando 
o servidor comete falta grave passa a não fazer mais por merecer estes status. Recebe, então, a 
punição desde que seja precedida do devido processo legalonde se oportuniza a ampla defesa e o 
contraditório que são corolários do estado democrático de direito. 
 Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e agravidade da infração cometida, os 
danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e o 
santecedentes funcionais.O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento legal 
e a causa da sanção disciplinar. Segundo o ensinamento de Hely Meirelles “ A demissão ,entretanto, 
como pena administrativa que é, poder ser aplicada em qualquer fase aoestável e ao instável desde 
que o servidor cometa infração disciplinar ou crime funcional regularmente apurado em processo 
administrativo ou judicial não há demissão ad .nutum , como não há exoneração disciplinar “. Hely 
Meirelles Direito administrativo brasileiro. 32ªediçao pág. 449 editora Malheiro Ltda. 
A demissão será aplicada nos seguintes casos previstos no Art. 132. dalei 8.112/90: 
I - crime contra a administração pública; 
II - abandono de cargo; 
III – inassiduidade habitual; 
IV - improbidade administrativa; 
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; 
VI - insubordinação grave em serviço; 
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de 
outrem; 
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; 
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo; 
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional; 
XI - corrupção; 
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; 
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117 abaixorelacionados. 
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, emdetrimento da dignidade da 
função públicação 
 
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X - participar de gerência ou administração de sociedade privada,personificada ou não personificada, 
exercer o comércio, exceto naqualidade de acionista, cotista ou comanditário; (Redação dada pelaLei 
nº 11.784, de 2008; 
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartiçõespúblicas, salvo quando se tratar de 
benefícios previdenciários ouassistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge 
oucompanheiro; 
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquerespécie, em razão de suas 
atribuições; 
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro; 
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas; 
XV - proceder de forma desidiosa; 
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição emserviços ou atividades particulares; 
 Promoção: a promoção é um importante instrumento motivador ela é sem dúvidas, fomentadora do 
princípio da eficiência na proporção que garante aos servidores um escalonamento no mesmo cargo 
público seja porantiguidade, ou seja, por merecimento. 
Considerações Finais 
Fica claro, portanto, que existem sete formas de provimento na lei8.112/90, a saber: nomeação; 
promoção; readaptação; reversão; aproveitamento; reintegração; recondução. Todavia, só a 
nomeação étida como forma de provimento originário, pois não necessita dacondição prévia de 
servidor enquanto que as demais tidas comoderivadas necessitam desta condição. A transferência e 
a ascensão nãomais encontram guarita no nosso ordenamento jurídico por terem sidorevogadas pela 
lei 9.527/97 e por não ter sido recepcionada pelaConstituição de 1988. 
Introdução 
Primeiramente, é necessário tecer alguns comentários sobre a responsabilidade da autoridade 
instauradora do processo e dos membros da comissão de processo. 
Deve-se gizar que a autoridade administrativa, os membros da comissão, que der causa à prescrição 
administrativa, bem ainda se fizer conluio para o fim de punir o servidor acusado, não respeitando o 
justo processo, responderá administrativa, penal e civilmente. 
Vejamos o §2º do art. 169 da lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre a responsabilidade da autoridade 
que der causa à prescrição: 
“Art. 169 [omissis][...] 
§ 2o A autoridade julgadora que der causa à prescrição de que trata o art. 142, § 2o, será 
responsabilizada na forma do Capítulo IV do Título IV.” 
Nesse passo, devemos atentar que a ação disciplinar inicia-se com a instauração do processo 
disciplinar e este ocorrerá com o conhecimento da autoridade de alguma prática de ilícito 
administrativo na administração. 
Diz o art. 143 da lei nº 8.112/1990: 
“Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a 
sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao 
acusado ampla defesa.” 
A autoridade não tem disponibilidade da ação disciplinar. Ao ter ciência de qualquer irregularidade, 
ela tem o dever de iniciar a ação disciplinar, mediante sindicância investigatória, acusatória ou 
processo administrativo disciplinar, se já houver materialidade e indícios de autoria. 
O capítulo IV, do Título IV, trata dos ilícitos administrativos – arts. 116, 117 e 132, da lei nº 8112/1990 
– sendo certo que as instâncias, penal e administrativa, são independentes (art. 121 e 125, lei nº 
8112/1990). 
 
A autoridade administrativa que não instaurar processo disciplinar em razão de irregularidade que 
 
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chegou ao seu conhecimento, pode ainda responder por improbidade administrativa, nos termos do 
art. 132 da lei nº 8.112/1990, que prevê, inclusive, pena de demissão. 
Igualmente, caso a autoridade não instaure sindicância ou processo administrativo disciplinar em 
razão de conhecimento de irregularidade no serviço público, ela responderá pelo crime de 
prevaricação ou mesmo corrupção passiva, a depender do tipo de crime que tenha praticado. Tais 
crimes estão previstos no Código Penal: 
“Prevaricação 
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição 
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 Corrupção Passiva 
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da 
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal 
vantagem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 
12.11.2003) 
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o 
funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. 
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever 
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
Condescendência Criminosa 
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração 
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da 
autoridade competente: 
Pena - Detenção, De Quinze Dias A Um Mês, Ou Multa.” 
Outrossim, a autoridade e membros podem responder por improbidade administrativa se suas 
condutas se enquadrarem na lei nº 8.429/1992, mais precisamente as condutas descritas no art. 11: 
“Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública 
Art. 11. Constitui ato deimprobidade administrativa que atenta contra os princípios da administração 
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e 
lealdade às instituições, e notadamente: 
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;” 
Embora muitos autores entendam que a improbidade administrativa não está contida na modalidade 
responsabilidade civil, não se pode olvidar que ela (improbidade) tem aspectos civis, administrativos. 
Assim, o servidor, além de ter de ressarcir o dano à luz do Código Civil, poderá sofrer as sanções do 
art. 12 da lei nº 8.429/1992. É tanto verdade a assertiva acima que o próprio art. 12 dessa lei 
preceitua que as sanções ali previstas serão aplicadas sem prejuízo das sanções penais, civis e 
administrativas. Isso quer dizer que a lei de improbidade administrativa, além de prever 
ressarcimento, estabelece outras sanções em razão de condutas ímprobas praticadas por agente 
público e terceiros, como partícipe. 
O objetivo deste livro não é discorrer sobre a essência da lei de improbidade administrativa, todavia, é 
bastante que se saiba que a autoridade administrativa e membros de comissão respondem também 
nos termos dessa lei. 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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Atente-se para a redação do art. 12 da lei nº 8.429/1990: 
“Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação 
específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem 
ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: (Redação dada pela 
Lei nº 12.120, de 2009).[...] 
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, 
suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o 
valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber 
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos. 
Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano 
causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente”. 
 Assim, tanto a autoridade quanto os membros podem responder administrativa, penal e civilmente 
quando derem causa à prescrição ou mesmo quando usarem o processo administrativo disciplinar 
para atingir fim escuso e, ainda, por atos de improbidade administrativa. 
2. Responsabilidade administrativa, penal e civil do servidor público 
O servidor público, indubitavelmente, responde no âmbito civil, penal e administrativo pelo exercício 
irregular de suas funções. Muitas vezes, quando o servidor comete um ilícito administrativo, este 
pode atingir as duas outras esferas, civil e penal. 
Dizem os arts. 121 e 125 da lei nº 8.112/1990: 
“Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas 
atribuições. 
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre 
si.” 
A própria lei nº 8.112/1990 ressalva que a sanção administrativa pode cumular-se com a civil e penal. 
Dentre elas, ainda há a responsabilidade por atos de improbidade administrativa, conforme previsão 
da lei nº 8.429/1992. 
Na verdade, o Estatuto dos servidores não é lei própria para definir responsabilidade penal e civil do 
servidor público. Esse artigo apenas lembra às autoridades administrativas e à comissão de processo 
que se o ilícito administrativo cometido pelo servidor corresponder a alguma conduta prevista como 
crime, ou mesmo se constituir em ilícito civil, cópia do processo deve ser encaminhado para as 
autoridades competentes para apurar aquela mesma conduta, sob a ótica do penal, civil, ou mesmo 
do ato de improbidade administrativa, nos termos da lei nº 8.429/1992. 
Nesse ponto, vale citar as digressões de Ivan Barbosa Rigolin[1]: 
“Este dispositivo fixa, sem dúvida com abuso de competência, que o servidor responderá civil, penal e 
administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições. 
Que a L. 8.112 pode estabelecer a responsabilidade administrativa de seu servidor é lógico e de 
esperar; que estabeleça responsabilidade civil e penal, só será isso admissível como lembrete ou 
recordação às autoridades. Não será nunca a Administração quem apurará a responsabilidade civil 
do servidor, nem muito menos penal, mas única e exclusivamente o Poder Judiciário, por suas 
seções civil e criminal. 
Na fixação da responsabilidade civil e criminal do servidor a L. 8.112 pretende apenas recordar às 
autoridades que, quando a Administração apurar possível existência de crime ou de lesão contra seu 
patrimônio, em procedimentos passíveis de ações judiciais reparatórias, deverá encaminhar à Justiça 
a competente queixa, para possível instauração de ação penal, sem se omitir evidentemente o 
Ministério Público nesta necessária apreciação; ou mover a competente ação civil (União versus 
servidor fulano de tal), de indenização.” 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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 De toda forma, esse artigo não é desnecessário, porquanto, é sempre bom lembrar às autoridades 
administrativas de seu dever de dar ciência aos órgãos encarregados de apurar crimes, ilícito civil e 
improbidade administrativa. 
A responsabilidade civil do servidor público está assim definida na lei nº 8.112/1990: 
“Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que 
resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros. 
§ 1o A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma 
prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial. 
§ 2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em 
ação regressiva.” 
Por fim, impende ressaltar que o fato de ter o servidor tríplice responsabilidade não quer dizer que a 
autoridade administrativa apurará os fatos imputados a ele em todas as esferas, deve-se limitar 
apenas ao aspecto administrativo de sua conduta. 
3. Responsabilidade penal 
A responsabilidade penal do servidor público decorre de uma conduta contrária às leis penais e à lei 
de contravenção penal, Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941. 
Os fatos que constituem crimes estão previstos a partir do art. 121 do Código Penal, bem como em 
uma gama de leis extravagantes no nosso ordenamento jurídico, que seria humanamente impossível 
enumerar todas elas neste livro. Apenas consigne-se que os crimes eleitorais, previstos no Código 
Eleitoral, são essencialmente crimes comuns, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal – 
STF. 
Os crimes cometidos por servidores públicos são apurados pelos órgãos definidos na Constituição da 
República Federativa do Brasil e no Código de Processo Penal. 
O art. 144 da Constituição Federal define as atribuições das polícias, e o §1º, inciso I, estabelece que 
à Polícia Federal reserva-se a atribuição de apurar as infrações penais, no âmbito federal. 
Colacionamos os dispositivos pertinentes abaixo: 
“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para 
a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos 
seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se a:" (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e 
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim comooutras 
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, 
segundo se dispuser em lei;” 
O art. 4º do Código de Processo Penal estabelece que a autoridade policial é que tem atribuições 
para investigar crimes, in verbis: 
 
“Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas 
 
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circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela 
Lei nº 9.043, de 9.5.1995). 
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a 
quem por lei seja cometida a mesma função.” 
A ressalva do parágrafo único refere-se àqueles órgãos cujas autoridades podem instaurar inquérito 
administrativo, tais como a Polícia Militar e as Forças Armadas. 
No caso das Polícias Militares e das Forças Armadas, o Código de Processo Penal dá competência 
às autoridades administrativas desses órgãos para instaurar inquérito militar para apurar crimes 
cometidos por seus integrantes. 
E, ainda, as Assembleias Legislativas, a Câmara Federal e o Senado Federal instituíram a chamada 
Polícia Legislativa. Pelo menos no caso do Senado, há Resolução específica que outorga à Polícia 
Legislativa competência para instauração de inquérito, caso ocorra algum crime dentro de suas 
dependências, busca e apreensão, etc. 
A Resolução do Senado Federal nº 59/2002 disciplina as atribuições da Polícia Legislativa. Foi 
ajuizada uma ação direta de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal pela Mesa do Senado, 
em 2009, para confirmar a constitucionalidade dessa resolução, pois houve vários questionamentos 
acerca das atribuições da chamada Polícia Legislativa de instaurar inquérito policial, busca e 
apreensão, etc, pois tal atribuição, segundo a Constituição Federal, está reservada à Polícia Federal 
e Civil dos Estados. Há notícias, nos jornais, que o STF declarou inconstitucional essa resolução; até 
o momento não houve publicação do acórdão, portanto, deixamos de fazer qualquer comentário. 
Todavia, filiamos à corrente que considera inconstitucional a criação dessas polícias legislativas. 
Por sua vez, a ação penal somente pode ser iniciada pelo Ministério Público, que é 
o dominus litis, nos termos do art. 129, inciso I da Constituição Federal e art. 24 do Código de 
Processo Penal: 
“Constituição Federal De 1988 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; 
Código De Processo Penal 
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas 
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do 
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo”. 
Deve-se ressaltar, no entanto, que os crimes mais comuns cometidos pelo servidor público em razão 
de suas atribuições, que podem constituir também ilícito administrativo, são os apresentados abaixo 
(Título XI: Dos crimes contra a administração pública; capítulo I: Dos crimes praticados por 
funcionário público contra a administração em geral), mas é apenas um rol enumerativo, pois existem 
outros, com certeza: 
“Peculato 
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público 
ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor 
ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de 
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. 
Peculato Culposo 
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: 
 
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Pena - detenção, de três meses a um ano. 
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, 
extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. 
Peculato Mediante Erro De Outrem 
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro 
de outrem: 
Pena - Reclusão, De Um A Quatro Anos, E Multa. 
Inserção de dados falsos em sistema de informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir 
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração 
Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: (Incluído 
pela Lei nº 9.983, de 2000)) 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de 
2000) 
Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática 
sem autorização ou solicitação de autoridade competente: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração 
resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 
2000) 
 Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento 
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; 
sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave. 
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas 
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
Concussão 
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes 
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. 
Excesso De Exação 
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, 
quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: (Redação 
dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) 
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para 
recolher aos cofres públicos: 
 
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Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
Corrupção Passiva 
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da 
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal 
vantagem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 
12.11.2003) 
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o 
funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. 
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever 
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
 Facilitação de contrabando ou descaminho 
Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 
334): 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) 
Prevaricação 
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição 
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: 
Pena - detenção, de três meses a um ano,e multa. 
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao 
preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros 
presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007). 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 
Condescendência Criminosa 
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração 
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da 
autoridade competente: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
Advocacia Administrativa 
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, 
valendo-se da qualidade de funcionário: 
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. 
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa. 
Violência Arbitrária 
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência. 
 
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Abandono De Função 
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: 
Pena - detenção, de um a três anos, e multa. 
 Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado 
Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar 
a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído 
ou suspenso: 
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
Violação De Sigilo Funcional 
Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou 
facilitar-lhe a revelação: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. 
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra 
forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da 
Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: (Incluído pela Lei nº 
9.983, de 2000) 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
Violação Do Sigilo De Proposta De Concorrência 
Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo 
de devassá-lo: 
Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa. 
Funcionário Público 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou 
sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade 
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a 
execução de atividade típica da Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) 
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo 
forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da 
administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo 
poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980)” 
 
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Naturalmente, o rol apresentado acima poderia sistematicamente aumentar, todavia, é difícil exaurir 
as inúmeras condutas do servidor público, que em razão de suas atribuições, pode eventualmente 
cometer crimes. Deve-se atentar que qualquer crime ou contravenção cometida por servidor público 
na repartição pública ou em razão de suas funções pode ensejar uma punição disciplinar, como já 
asseverado sem prejuízo das sanções civis e penais. 
Tome o seguinte exemplo: um servidor público federal, dentro da repartição, inicia uma briga com um 
colega de serviço e vem a assassiná-lo. O crime é de homicídio e será apurado pela Polícia Federal. 
A denúncia será oferecida pelo Ministério Público Federal e o julgamento será realizado pelo Poder 
Judiciário Federal. E naturalmente, a autoridade administrativa deverá instaurar processo disciplinar, 
não para apurar o homicídio, que não é da sua competência, mas para apurar se a conduta do 
servidor condiz com os ditames da Administração Pública. Nesse caso, muito provavelmente a 
autoridade expedirá Portaria, que descreverá o fato e o enquadrará em um ou mais dos seguintes 
ilícitos administrativos previstos no art. 132, da lei nº 8.112/1990: 
“Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: [...] 
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; 
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de 
outrem”; 
Outro exemplo: o servidor subtrai bem móvel da repartição pública. Trata-se de cometimento de 
suposto peculato-furto, previsto no art. 312 do Código Penal. Porém, a autoridade administrativa, 
nesse caso, também, não poderá fazer juízo de valor do crime em questão. Apenas ao editar a 
Portaria para abertura do processo administrativo disciplinar, deverá descrever o fato e enquadrar a 
conduta nos tipos previstos na lei nº 8112/1990, mais precisamente nos artigos 116, 117 e/ou 132. 
Assim, a autoridade administrativa somente instaurará o processo administrativo disciplinar, sem que 
faça juízo de valor do crime. Deve apenas se ater aos aspectos administrativos da conduta, pois os 
órgãos competentes acima citados devem apurar e processar o servidor por prática de crime. 
4. A culpa e o dolo como pressuposto da responsabilidade disciplinar 
A maioria dos autores que escrevem sobre Direito Disciplinar afirmam que não há necessidade de 
perquirir o dolo do servidor, posto que basta a presença da voluntariedade do servidor público para 
que seja punido. Dentre esses autores, destacamos José Armando da Costa e Antonio Caros Alencar 
Carvalho. 
De fato, a responsabilidade administrativa do servidor é sempre subjetiva. Ela não se satisfaz apenas 
com a mera comprovação de um resultado do ilícito administrativo. A responsabilidade subjetiva 
prescinde da intenção ou voluntariedade do servidor de praticar o ato lesivo, a ilicitude. Assim, deve-
se não só comprovar a ocorrência, fato enquadrável como ilícito administrativo, bem ainda que tal fato 
tenha ocorrido em razão da intenção/voluntariedade do servidor, de determinado ânimo subjetivo. 
Muito embora a lei nº 8.112/1990, mais precisamente o art. 124, não preveja a presença do dolo ou 
culpa para a responsabilidade administrativa, não podemos cogitar de responsabilidade objetiva 
administrativa do servidor público, pois, em nosso sistema jurídico, vige o princípio da culpabilidade. 
O nosso sistema jurídico não acolheu a responsabilidade objetiva ou qualquer espécie de 
responsabilidade pelo resultado em se tratando de prática de ilícitos por um ser humano. Não há 
direito penal do autor em nosso sistema jurídico. Vige, assim, o princípio da culpabilidade, que requer 
a subjetividade da responsabilidade quer administrativa, quer penal.[2] 
Assim, quando a lei 8.112/1990 se refere à responsabilidade administrativa, esta será sempre a 
subjetiva. Por isso, afirma-se que será sempre uma pessoa o sujeito ativo de um ilícito administrativo, 
com a intenção/voluntariedade (dolo ou culpa) de praticá-lo. 
Por fim, vige no Direito moderno o caráter pessoal do ilícito, o princípio da culpabilidade, o princípioda personalidade da sanção e sua individualização, conforme a Constituição da República Federativa 
do Brasil. 
 
 
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Acerca do conceito de dolo, tem-se que o Direito Disciplinar deve procurar auxílio no Direito Penal. 
Assim está estabelecido no art. 18, inciso I do Código Penal: 
“Art. 18: Diz-se o crime: 
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. 
II - Culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. 
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente.” 
Em relação ao art. 18, II, é a doutrina que vai definir o que é imprudência, negligência e imperícia. A 
doutrina define culpa como sendo “a inobservância do dever objetivo de cuidado manifestada numa 
conduta produtora de um resultado não querido, objetivamente previsível.”[3] 
Desse modo, para se punir um servidor público pela prática de um ilícito administrativo, é necessário 
que ele tenha consciência e vontade para realizar a conduta descrita na lei nº 8.112/1990. 
A primeira parte do art. 18, inciso I, “doloso, quando o agente quis o resultado”, traduz-se na vontade 
do agente em realizar a conduta proibida, isto é, há um ato volitivo para cometer o crime. A segunda 
parte, “ou assumiu o risco de produzi-lo”, diz que o agente não quer realizar o tipo penal, quer algo 
diferente; todavia, assume o risco de produzir o resultado perpetrado pelo tipo penal. Conforme Julio 
Fabbrini Mirabete, na primeira parte do art. 18, I, há dolo direto e na segunda parte, há dolo 
eventual.[4] 
Com salienta o penalista Cézar Roberto Bitencourt: “O dolo é constituído por dois elementos: o 
cognitivo e o volitivo.”[5] Ainda afirma esse autor:[6] 
“Dolo é a consciência e vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal, ou, na 
expressão de Welzel, “Dolo, em sentido técnico penal, é somente a vontade de ação orientada à 
realização do tipo de um delito”. O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. 
Pela definição, constata-se que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o 
conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizá-la.” 
As normas contidas no Código Penal em relação ao crime doloso são de observância obrigatória no 
momento da adequação do fato típico. Do mesmo modo, entendemos que em se tratando do ilícito 
administrativo, deve-se perquirir o dolo do servidor. 
A lei nº 8.112/1990, em seus arts. 138, 140, estabelece que a responsabilidade administrativa, pelo 
menos no caso de abandono de cargo, decorre do ato intencional do servidor, in verbis: 
“Art. 138. Configura abandono de cargo a ausência intencional do servidor ao serviço por mais de 
trinta dias consecutivos. (grifamos) 
Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será adotado o 
procedimento sumário a que se refere o art. 133, observando-se especialmente que: (Redação dada 
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)[...] 
a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa do período de ausência intencional do 
servidor ao serviço superior a trinta dias; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) (grifamos) 
b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de falta ao serviço sem causa 
justificada, por período igual ou superior a sessenta dias interpoladamente, durante o período de doze 
meses; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à 
responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, indicará o respectivo 
dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono de cargo, sobre a intencionalidade da ausência 
ao serviço superior a trinta dias e remeterá o processo à autoridade instauradora para julgamento. 
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)” (grifamos) 
 
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Ora, há aí um gérmen da presença do dolo, pois a intenção do agente é exatamente o ato volitivo 
para a prática do ato ilícito. 
Antônio Carlos Alencar Carvalho, ao discorrer sobre a “noção de dolo no campo do direito 
administrativo, afirma que “Diz-se que uma conduta é dolosa quando o servidor público deseja o 
resultado (dolo direto) ou assume o risco de produzi-lo (dolo eventual).[7] 
Igualmente, Sebastião José Lessa entende que a responsabilidade disciplinar prescinde do dolo[8]: 
“Percebe-se, de início, que não há no preceito do art. 124, que cuida da responsabilidade disciplinar, 
menção expressa ao dolo ou à culpa, diferentemente do que ocorre na redação do art. 122, que trata 
da responsabilidade civil. 
Mas isso não quer dizer, a bom aviso, que o dolo e a culpa sejam irrelevantes quando se cogita da 
censura disciplinar. 
Em verdade, existem transgressões disciplinares que diante da intensidade danosa só se 
caracterizam com a presença do dolo, como, por exemplo, o prevalecimento abusivo do cargo para 
lograr proveito pessoal, bem como o recebimento de propina (art. 117, incs. IX e XII, lei nº 8.112/90).” 
Finalmente, alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça consagram o princípio da culpabilidade 
como pressuposto da sanção disciplinar, mais precisamente a responsabilidade administrativa terá 
como exigência fulcral a presença do dolo.[9] 
Assim, o princípio da culpabilidade vige também no Direito Disciplinar, devendo os membros de 
comissão de processo e a autoridade administrativa perquirirem a presença do dolo/culpa quando da 
apreciação da responsabilidade administrativa do servidor acusado de prática de ilícito administrativo. 
Naturalmente, quando o servidor público praticar um ato por culpa, negligência, imprudência ou 
imperícia, sua conduta pode merecer uma reprimenda menos severa do que quando praticar o ato 
por dolo, pois havendo a presença deste, em muitos casos, poderá ser aplicada a sanção de 
demissão. 
Então, deve-se frisar que os ilícitos administrativos previstos no art. 132 da lei nº 8.112/1990 sempre 
necessitará da presença do dolo do servidor para que possa ser apenado com a demissão. Por outro 
lado, para a aplicação da sanção de advertência e suspensão (art. 116 e parte do art. 117 da lei nº 
8.112/1990), apenas a presença da culpa em sentido estrito (negligência, imprudência e imperícia) é 
necessária para enquadrar o servidor nos ilícitos administrativos previstos nos arts. 116 e art. 117 da 
lei nº 8.112/1990. 
5. Responsabilidade Civil 
A responsabilidade civil pode ser contratual ou extracontratual, chamada também de “Aquiliana”. A 
contratual decorre de inadimplemento contratual e depende de uma prévia relação jurídica. A 
extracontratual (Aquiliana) decorre da violação do dever geral de não causar danos a outrem. É a 
chamada teoria “Ulpiano”. 
No Brasil, foram adotadas as teorias da responsabilidade objetiva e subjetiva, ou seja, teoria da culpa 
e teoria do risco. A responsabilidade subjetiva pressupõe uma conduta culposa, dano e nexo de 
causalidade. A objetiva pressupõe conduta, dano e nexo de causalidade, conforme se vê nos arts. 21, 
XXIII, “d” e 225, §3º da Constituição Federal. 
O Código Civil distingue duas espécies de responsabilidade: contratual e extracontratual. Os arts. 
186, 187 e 927 tratam da responsabilidade extracontratual, a ver: 
“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e 
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente 
os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. 
 
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Parágrafo único. Haverá obrigação de repararo dano, independentemente de culpa, nos casos 
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, 
por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” 
Por sua vez, quanto à responsabilidade contratual, esta não interessa ao nosso estudo, entretanto, 
citem-se os arts. 395 e s. e 389 que tratam da referida responsabilidade contratual, in verbis: 
“Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e 
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de 
advogado. 
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos 
valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. 
Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e 
exigir a satisfação das perdas e danos.” 
A responsabilidade objetiva pode ser legal ou judicial. Ela é legal quando, obviamente, a lei previr que 
a pessoa responderá objetiva e judicialmente quando o juiz dispensa a apreciação da culpa em 
decorrência de atividade de risco que a pessoa desenvolve. 
Impende ressaltar, também, que a responsabilidade da Administração Pública é, em regra, objetiva, 
em decorrência do que dispõe o art. 37 da Constituição da República, in verbis: 
“Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº. 19, de 1998) [...] 
XXII[...] 
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos 
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o 
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.” 
Como se vê, o servidor público responde pelo ato ilícito somente quando houver dolo ou culpa, à luz 
do art. 186 do Código Civil e inciso XXII, §6º (última parte), do art. 37 da Constituição da República. 
A responsabilização civil requer que se comprove que, de alguma forma, o servidor, comissiva ou 
omissivamente, agindo de forma dolosa ou culposa no exercício de seu cargo, atuou ou pelo menos 
contribuiu de forma indireta para a ocorrência do fato. Nesse caso, não se tolera diluição da 
responsabilização entre diversos servidores se for possível a individualização ou se a administração 
não for capaz de identificar o responsável. 
Em alguns casos, o servidor público não responderá pelo ilícito civil, por força do art. 188 do Código 
Civil: 
“Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo 
iminente. 
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o 
tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do 
perigo.” 
6. Dependência do processo administrativo disciplinar em relação ao processo penal: conseqüencias 
advindas da conduta do servidor pela prática de ilícito administrativo quando absolvido pelo juiz 
criminal 
 
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A responsabilidade administrativa do servidor público é apurada mediante processo administrativo 
disciplinar sem prejuízo da apuração pela Polícia Judiciária, caso o fato apurado também constitua, 
em tese, crime. 
Caso o servidor público seja processado criminalmente, é desnecessário esperar o desenlace do 
processo criminal, pois as instâncias são independentes, em regra, a teor dos arts. 121 e 125 da lei nº 
8.112/1990, que estabelecem o seguinte: 
“Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas 
atribuições. 
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre 
si.” 
Não raro, as condutas ilícitas perpetradas pelo servidor público em razão de seu cargo constituem 
ilícito administrativo e crime. Já discorremos que a autoridade administrativa somente apurará o ilícito 
administrativo, devendo enviar cópias para o Ministério Público para requisitar à Polícia Judiciária a 
instauração de inquérito policial. 
Assim, o servidor público poderá sofrer a reprimenda no âmbito da Administração Pública, inclusive 
com a demissão, dependendo da gravidade do ilícito praticado, bem como poderá ser condenado à 
sanção de reclusão ou detenção no juízo criminal. São estanques as instâncias, como já dito. 
 Todavia, o art. 126 da lei nº 8.112/1990 estabelece uma regra a independências das instâncias 
administrativa e penal quando o servidor é absolvido no juízo criminal em razão da existência do fato 
ou comprado que o servidor acusado não é o autor do crime. Eis o teor do art. 126: “A 
responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a 
existência do fato ou sua autoria.” 
Essa regra está disposta no art. 386 do Código de Processo Penal, in verbis: 
“Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: 
I - estar provada a inexistência do fato;[...] 
IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690, 
de 2008)” 
Ora, se houver comprovação no processo penal de que o fato apontado como crime nunca existiu, 
bem ainda que o servidor público não praticou o crime, é óbvio que tal decisão judicial terá reflexo no 
processo administrativo disciplinar, pois o fato apurado pela Administração Pública e aquele apurado 
pelo Juízo Criminal é o mesmíssimo fato. Nesse caso, a sentença penal faz coisa julgada para a 
Administração Pública, que não poderá processar o servidor público; e se o servidor tiver sido 
processado e sofrido alguma sanção, o processo administrativo disciplinar deverá ser revisto e extinto 
em razão daquela sentença, retirando-se a sanção dos assentamentos funcionais do servidor. 
Caso o servidor tenha sido demitido em regular processo administrativo, a Administração Pública 
deverá reintegrá-lo em razão dessa sentença absolutória. Caso não o faça, deve o servidor ajuizar 
ação na justiça com esse propósito. 
Igualmente, se for reconhecido no Juízo Criminal que o servidor público praticou o fato escudado 
pelas excludentes de ilicitude ou culpabilidade, tal decisão fará coisa julgada para a Administração 
Pública. Vejamos o que diz o art. 386, inciso VI do CPP: 
“Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: 
VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e 
§ 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua 
existência”; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) 
As causas que excluem o crime ou isentam o acusado de pena (exclusão de ilicitude e culpabilidade) 
foram tratadas no item 3.3.1.Portanto, recomendamos a leitura desse item. 
 
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A respeito do tema, Nestor Távora nos ensina:[10] 
“A sentença absolutória poderá reconhecer circunstância que exclua o crime, ou seja, uma situação 
de excludente de criminalidade. É o Código Penal que estabelece, em seu art. 23, que “não há crime 
quando o agente pratica o fato”: (1) “em estado de necessidade”; (2) “em legítima defesa”; e, (3) “em 
estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito”. A incidência da coisa julgada 
criminal no cível dependerá, aqui, não só de qual hipótese se trata, mas também de quem 
desencadeou a situação excludente.[...] 
 Diversa das hipóteses aludidas até este ponto, é a da sentença que absolve o réu por reconhecer 
excludente de culpabilidade, isto é, em situações que isentamno 
interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas 
expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica 
oficial;(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for 
superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em 
que aqueles estejam lotados.(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
Da Redistribuição E Substituição: 
Da Redistribuição 
 Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito 
do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação 
do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 
10.12.97) 
 I – interesse da administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 II – equivalência de vencimentos; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 III – manutenção da essência das atribuições do cargo; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 IV – vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades; (Incluído pela Lei 
nº 9.527, de 10.12.97) 
 V – mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional; (Incluído pela Lei nº 
9.527, de 10.12.97) 
 VI – compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou 
entidade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 § 1o A redistribuição ocorrerá ex officio para ajustamento de lotação e da força de trabalho às 
necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou criação de órgão ou 
entidade.(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 § 2o A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará mediante ato conjunto entre o órgão central 
do SIPEC e os órgãos e entidades da Administração Pública Federal envolvidos. (Incluído pela Lei nº 
9.527, de 10.12.97) 
 § 3o Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, extinto o cargo ou declarada 
sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for redistribuído será colocado 
em disponibilidade, até seu aproveitamento na forma dos arts. 30 e 31. (Parágrafo renumerado e 
alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 § 4o O servidor que não for redistribuído ou colocado em disponibilidade poderá ser mantido sob 
responsabilidade do órgão central do SIPEC, e ter exercício provisório, em outro órgão ou entidade, 
até seu adequado aproveitamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
Da Substituição 
 Art. 38. Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo 
de Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou, no caso de omissão, 
previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade. (Redação dada pela Lei nº 
9.527, de 10.12.97) 
 
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 § 1o O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o 
exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza Especial, nos afastamentos, 
impedimentos legais ou regulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá 
optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período. (Redação dada pela Lei nº 9.527, 
de 10.12.97) 
 § 2o O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de direção ou chefia ou de 
cargo de Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais do titular, 
superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que 
excederem o referido período. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 
 Art. 39. O disposto no artigo anterior aplica-se aos titulares de unidades administrativas organizadas 
em nível de assessoria. 
Direitos E Vantagens 
Vencimento E Da Remuneração 
O Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei (art. 
40). Nenhum servidor receberá, a título de vencimento, importância inferior ao salário-mínimo. 
A Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes 
estabelecidas em lei (art. 41). O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter 
permanente, é irredutível (§3º,art. 41). 
O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, 
exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial (art. 48). 
Formas de provimento na Administração Pública Federal 
Provimento é o ato administrativo de preenchimento de cargo público, regulamentado no Brasil pela 
Lei Nº 8.112, de 11 de novembro de 1990. 
De acordo com a legislação, o provimento poderá se dar 
mediante nomeação, promoção, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração e reconduçã
o. 
Cada uma destas formas de provimento tem um significado especial na administração pública e 
especificam a forma legal de acesso ao cargo público no Brasil. 
Cada uma destas formas de provimento tem um significado especial na administração pública e 
especificam a forma legal de acesso ao cargo público no Brasil. 
Originária: pressupõe a inexistência de uma relação jurídica anteriormantida entre o Servidor e a 
Administração. 
A única forma de Provimento Originário é a nomeação, que pode ser realizada em caráter Efetivo 
ou para Cargos de Provimento em Comissão. 
Derivada: as formas derivadas de provimento dos cargos públicos, decorrem de um vínculo anterior 
entre Servidor e Administração. 
 Promoção: é a elevação de um Servidor de uma classe para outra dentro de uma mesma carreira. 
Com isso, houve a vacância de um cargo inferior e conseqüentemente o provimento do cargo 
superior. 
 Nomeação - Cargo Efetivo: pressupõe a aprovação em concurso público de provas ou de provas 
e Títulos – sabemos que a aprovação em concurso NÃO ENSEJA O DIREITO ADQUIRIDO À 
NOMEAÇÃO. 
 Aproveitamento: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que se encontrava em disponibilidade e 
foi aproveitado – deve realizar-se em cargo semelhante àquele anteriormente ocupado. A 
 
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Administração deve realizar o aproveitamento de forma prioritária, antes mesmo de realizar 
concurso para aquele cargo. 
 Readaptação: é a passagem do Servidor para outro cargo compatível com a deficiência física que 
ele venha a apresentar. 
 Reversão: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor aposentado por invalidez quando 
insubsistentes os motivos da aposentadoria – pode acontecer para o mesmo cargo se ele ainda 
estiver vago ou para um outro semelhante. Se não houver cargo vago, o Servidor que reverter 
ficará como EXCEDENTE. 
 Reintegração: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que fora demitido, quando a demissão for 
anulada administrativamente ou judicialmente, voltando para o mesmo cargo que ocupava 
anteriormente. Dá-se com o ressarcimento de todas as vantagens que o servidor deixou de receber 
durante o período em que esteve afastado. 
 Recondução: é o retorno ao cargo anteriormente ocupado, do servidor que não logrou êxito no 
estágio probatório de outro cargo para o qual foi nomeado decorrente de outro concurso. 
O servidor poderá progredir na mesma carreira, nos diversos escalões de uma mesma carreira. 
Diante do entendimento do STF, entendeu-se que Ascensão Funcional e a Transferência SÃO 
INCONSTITUCIONAIS. 
 Transferência: era a passagem de um Servidor de um quadro para outro dentro de um mesmo 
poder, também era uma forma de vacância e de provimento. Implicava em uma mudança de um 
quadro para outro, ferindo uma norma constitucional. 
 Ascensão: significava a passagem de uma carreira para outra. 
A Ocupação De Cargos, Empregos E Funções Públicas No Brasil 
Apanhado Histórico 
A análise do histórico brasileiro na ocupação dos cargos, empregos e funçõesde pena, tais como: [...]” 
Essa regra está estampada no art. 65 do Código de Processo Penal que afasta até o ilícito civil 
quando o ato for praticado sob as excludentes de ilicitude: 
“Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em 
estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício 
regular de direito.” 
Assim, vale essa regra para o Direito Administrativo Disciplinar com todas as suas nuanças. 
Igualmente, a prescrição do crime reconhecida no Juízo Criminal afastará o processo administrativo 
disciplinar quando o ilícito administrativo for capitulado como crime, desde que o processo 
administrativo não tenha sido julgado pela autoridade administrativa, a teor do art. 142, § da lei nº 
8.112/1990, que estabelece: 
“Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: [...] 
§ 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capituladas 
também como crime”. 
O art. 397 do Código de Processo Penal preceitua que o juiz absolverá sumariamente o acusado 
quando reconhecer a extinção da punibilidade: 
“Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá 
absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). [...] 
IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).” 
Deve-se ler o art. 142 da lei nº 8.112/1990 em cotejo com o art. 397, inciso IV do CPP e com os arts. 
107 e 109 do Código Penal, que prevê as causas de extinção de punibilidade e prazos de prescrição, 
a saber: 
“Extinção da punibilidade 
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [...] 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;[...] 
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 
110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, 
verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). 
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; 
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; 
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; 
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; 
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; 
 
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VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, 
de 2010).” 
O Superior Tribunal de Justiça explicitou bem essa regra no julgamento do MS 16075.[11] 
Naturalmente, somente a hipótese de prescrição se aplica ao processo administrativo disciplinar, ou 
seja, o reconhecimento pelo juiz criminal de que houve prescrição pode obstar a abertura de 
processo administrativo disciplinar ou impedir que ele seja ultimado, caso tenha sido iniciado. 
Impende ressaltar que se o processo administrativo disciplinar já tiver sido julgado pela autoridade 
administrativa, não há de se falar em prescrição, uma vez que o reconhecimento dessa modalidade 
de extinção de punibilidade no Juízo Criminal não fará coisa julgada para a Administração Pública, 
pois não se trata de apreciação de fatos pela justiça criminal, mas de questão de direito. Ademais, a 
abertura de processo administrativo disciplinar independe de instauração de ação penal (art. 121 e 
125 da lei nº 8.112/1990), assim, a Administração Pública poderá ser mais ágil que o Judiciário para 
processar o servidor público. 
De qualquer forma, sabe-se que dificilmente essa modalidade de prescrição prevista no art. 142 da lei 
nº 8.112/1990 ocorrerá, pois, em geral, a Administração Pública é rápida para promover a apuração 
dos ilícitos administrativos. 
É de se observar que, no caso de reconhecimento da prescrição pelo Juízo Criminal, o juiz não 
analisa o mérito da ação penal, pois a prescrição é preliminar de mérito. Aqui não se aprecia os fatos. 
A prescrição é uma matéria de Direito apenas. É dizer que o fato existiu, mas o Estado não foi rápido 
o suficiente para processar e julgar o acusado. Assim, do mesmo modo que o tempo fulmina a ação 
penal, fulminará também a ação administrativa. 
7. Conclusão 
A responsabilidade do servidor público é bastante ampla, uma vez que responde em todas as esferas 
do direito, pois, pela prática de ilícito administrativo, responde civil, penal e administrativamente. 
Desse modo, é de ver que o servidor tem mais responsabilidade que a maioria dos cidadãos, pois 
deve ter sempre em mente que sua finalidade é servir a sociedade com profissionalismo e cuidar dos 
bens (dinheiros públicos – bens corpóreos e não corpóreos) que são colocados à sua disposição. 
O cargo público deve ser exercido com zelo e se deve ter sempre como premissa básica a finalidade 
pública da função que exerce. 
A culpa e o dolo como pressuposto da responsabilidade disciplinar são relevantes na medida em que 
dá possibilidade fática da individualização da sanção administrativa, sendo certo que até mesmo a 
absolvição é possível quando se analisa tais pressupostos, como por exemplo, quando houver 
alguma excludente ou atenuante. 
Mire-se também que o processo administrativo disciplinar, às vezes, pode depender da conclusão do 
processo penal. Essa interdependência não é a regra, é exceção à regra. Por isso, os membros de 
comissões de processo devem ficar atentos para o procedimento administrativo. Ademais, não devem 
se descurar dos princípios constitucionais norteadores do processo, da administração, de forma a não 
causar injustiças ou, ainda, não promover uma apuração séria dos fatos. 
Assim, entender as várias nuances da responsabilidade do servidor público é condição sine qua 
non para que os membros de comissão possam conduzir um processo justo para a sociedade, justo 
para o servidor, acusado. 
Indubitavelmente, no direito disciplinar, a responsabilidade do servidor público pela prática de atos 
ilícitos é tema espinhoso. Não raro, a prática de um fato considerado ilícito resvala não só na 
responsabilidade administrativa, como na responsabilidade penal e civil. Os membros de processo 
administrativo disciplinar devem ficar atentos a essas nuances, pois na apuração dos fatos exige-se 
que a comissão faça uma análise da conduta do servidor em todas essas vertentes (administrativa, 
penal e civil). As comissões e a autoridade têm o dever legal de comunicar às autoridades 
competentes quando se deparar com indícios de cometimento de crimes, ilícitos cíveis, por ventura, 
cometidos pelo servidor, acusado em processo disciplinar. É certo que não incumbe às comissões e 
nem à autoridade fazer juízo de valor acerca de fatos que possam ser considerados crimes, mas sim 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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remeter cópia dos autos às autoridades competentes. Outrossim, não devem se descurar que o 
servidor público responde por dolo ou culpa, portanto, deve-se fazer uma análise dos ilícitos 
administrativos para que se possa definir qual dos elementos está presente, o dolo ou a culpa. 
Sindicância E Processo Administrativo Disciplinar 
A sindicância é mero procedimento investigativo, sendo incabível a apresentação de defesa, visto que 
somente pode haver defesa após a formalização de acusação, e esta somente se formaliza quando 
da instauração do processo administrativo disciplinar. 
No início do período colonial, o governo português, para estimular o povoamento, o cultivo e 
exploração das terras brasileiras, utilizou-se do instituto das sesmarias, atribuindo aos donatários 
grandes extensões territoriais, mas não submeteu os povoamentos existentes ao controle dos 
donatários, sendo naqueles estabelecido governo local relativamente “autônomo”, dirigido por um 
chefe municipal ou procurador e por um conselho ou câmara, composto por habitantes locais, ao qual 
incumbiaas questões “judiciais”, em procedimento semelhante ao adotado, à época, em Portugal. 
 
Com o início do desenvolvimento da colônia brasileira, foi estabelecida a função jurisdicional no 
Brasil, com a instituição, em meados do século XVI, de um corpo judicial composto de juízes 
ordinários, com jurisdição municipal ou “de nomeação régia” (juiz-de-fora), e, a partir de 1609, dos 
tribunais de apelação. Nessa época, de um modo ainda rudimentar, existia no Brasil colonial unidade 
de jurisdição, posto que as decisões administrativas eram passíveis de submissão ao crivo do Poder 
Judiciário. 
 
Com a reforma decorrente da Lei de 22 de dezembro de 1761, o Marquês de Pombal instituiu os 
primórdios do que posteriormente veria a ser denominado de processo administrativo, mediante 
procedimentos da Administração em revisar e julgar os seus próprios atos, contudo, após a 
Declaração de Independência e influenciado pelas profundas mudanças políticas e institucionais 
ocorridas no mundo decorrentes do liberalismo provocado pela revolução francesa, o Imperador D. 
Pedro I extinguiu, em 1827, todos os órgãos responsáveis por processos administrativos, tendo-os 
recriado tão somente em 1831. 
 
Mas em 1841, influenciado pelo recém criado contencioso administrativo francês, o Imperador, mais 
que simplesmente manter a existência do contencioso administrativo, estabeleceu no Brasil a 
dualidade de jurisdição, instituindo o contencioso administrativo para todas as causas relacionadas 
com a atuação do Poder Executivo. 
 
Em 1859, foi atribuída força de sentença judicial às decisões do contencioso administrativo, posto que 
somente poderiam estas ser anuladas pelo Conselho de Estado, em sistema similar ao previsto na 
Lei Francesa n.º 16, de 24/05/1870 que estabelecia que “As funções judiciárias são distintas e 
permanecerão separadas das funções administrativas. Não poderão os juízes, sob pena de 
prevaricação, perturbar, de qualquer maneira, as atividades dos corpos administrativos.” 
 
Mas como, no sistema geral do contencioso administrativo brasileiro, não havia coordenação e 
uniformidade, e devido também ao fato de o Conselho de Estado não exercer suas funções com 
independência e hegemonia, o contencioso administrativo distanciou-se tanto do paradigma francês 
que Visconde do Uruguay chegou a afirmar que, à exceção do contencioso do Ministério da Fazenda, 
no mais, era “um verdadeiro caos”. 
 
Com a deposição do Imperador em 1889 e sob a franca inspiração da democracia norte-americana, 
foi promulgada, em 24 de fevereiro de 1891, a “Constituição da República dos Estados Unidos do 
Brazil”, a qual consagrou o regime republicano e federativo bem como a separação dos poderes. 
Neste momento afastou-se o Brasil do sistema de justiça francesa, adotando-se o sistema de 
jurisdição única, competindo ao Poder Judiciário inclusive as situações anteriormente atribuídas ao 
contencioso administrativo, à semelhança do que fora feito no sistema norte-americano, quando da 
promulgação da 5ª Emenda, em 1878, que estabeleceu o due process of law. 
 
Apesar de o contencioso administrativo ter continuado a existir no direito brasileiro, foram-lhe 
retiradas as suas funções jurisdicionais e viu-se este, a partir de então, atribuído tão somente de 
funções de controle interno da administração, mas, por falta de organização e sistematização, 
continuou havendo grande sobreposição de procedimentos e repetição de fases processuais entre 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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este e o processo judicial. 
 
Em 1969, por força dos artigos 110 e 111 da Constituição de 1969, in litteris, institucionalizou-se a 
coexistência do processo administrativo disciplinar com o processo judicial. 
 
“Art. 110. Os litígios decorrentes das relações de trabalho dos servidores com a União, inclusive as 
autarquias e as empresas públicas federais, qualquer que seja o seu regime jurídico, processar-se-ão 
e julgar-se-ão perante os juízes federais, devendo ser interposto recurso, se couber, para o Tribunal 
Federal de Recursos. 
 
Art. 111. A lei poderá criar contencioso administrativo e atribuir-lhe competência para o julgamento 
das causas mencionadas no artigo anterior.” 
 
Todavia, quando da promulgação da Emenda Constitucional n.º 7, de 13/04/77, que alterou o §4º do 
artigo 153 da Constituição de 1969, dando-lhes a redação abaixo transcrita, foi restabelecia, ainda 
que de forma limitada, a dualidade jurisdicional, ao prever-se que o Poder Judiciário somente poderia 
ser acionado após serem exauridas as instâncias administrativas 
 
“§4º A lei não poderá excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão de direito individual. O 
ingresso em juízo poderá ser condicionado a que se exauram previamente as vias administrativas, 
desde que não exigida garantia de instância, nem ultrapassado o prazo de cento de oitenta dias para 
a decisão sobre o pedido.” 
 
Mas em 1988, quando da promulgação da Carta Magna ora em vigor, retornou o instituto do 
contencioso administrativo a mero procedimento de controle interno da Administração, extinguindo-se 
a necessidade de sua existência prévia para ingresso em juízo, e, visando extinguir os abusos por 
vezes ocorrentes nos órgãos contenciosos administrativos, explicitou o direito, já pré-existente, à 
ampla defesa no processo administrativo. 
 
Por conseguinte, resta hoje o contencioso administrativo restrito a questões específicas, 
especialmente no âmbito tributário, bem como no âmbito funcional da Administração Pública em 
relação aos seus servidores. 
 
No âmbito funcional, o direito brasileiro atual prevê a figura do processo administrativo disciplinar 
como competente para apurar e punir faltas praticadas pelos servidores públicos, sem, contudo, 
retirar ao Poder Judiciário o controle jurisdicional sobre essas questões. Entretanto, tem sido 
freqüentemente confundido o processo administrativo disciplinar com a figura da sindicância, 
utilizando-se a Administração desta para aplicar punições, quando somente por meio daquele 
poderiam estas ser aplicadas. 
 
Processo administrativo disciplinar não se confunde com sindicância, posto que aquele, segundo 
lecionava o saudoso Prof. Hely Lopes Meirelles, “é o meio de apuração e punição de faltas graves 
dos servidores públicos e demais pessoas sujeitas ao regime funcional de determinados 
estabelecimentos da Administração”, e enquanto sindicância, segundo o mesmo ensinador, “é o 
meio sumário de elucidação de irregularidades no serviço para subseqüente instauração de processo 
e punição ao infrator,... e não tem base para punição, equiparável ao inquérito policial em relação à 
ação penal. É o verdadeiro inquérito administrativo que precede o processo administrativo disciplinar.” 
 
Por diversas vezes foram as Cortes Judiciais brasileiras chamadas a se manifestar sobre a matéria, 
tendo, como nas Ementas abaixo transcritas, traduzido de forma cristalina a essência da sindicância 
e a distinção desta em relação ao processo administrativo disciplinar. 
 
“EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. Funcionário. Demissão. Procedimento 
administrativo. Cerceamento de defesa. Lei 8.112/90, art. 132, XIII e art. 117, IX. 
 
I – Sindicância e procedimento administrativo disciplinar: distinção, certo que aquele é, de regra, 
medida preparatória deste (Lei 8.112/90, artigos 143, 145, 154)” 
 
(STF Pleno, ac. un., MS n.º 21635-PE, Rel. Min. Carlos Velloso, CJ 20/04/95)” 
 
 
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“EMENTA: Constitucional e Administrativo – Militar – Exclusão a bem da Disciplina – Ausência de 
procedimento administrativo – Devido processo legal – Aplicação dos princípios do contraditório e da 
ampla defesa aos litigantes, em procedimento disciplinar militar – Art. 5º, LV, da CF/88 – Nulidade do 
ato administrativo. 
 
(TRF 1ª Região, 2ª turma, Apelação Cível n.º 100069731, Rel. Juíza Assusete Magalhães, DJ 
11/03/94)” 
 
A sindicância possui natureza, não processual, mas de procedimento investigativo, similar ao 
inquéritopolicial, configurando-se como mecanismo de elucidação de irregularidades no serviço, 
podendo transcorrer com informalidade e sem ciência ao investigado, nesse sentido transcreve-se a 
fundamentação dada pelo ilustre Ministro José Delgado, ao julgar o Agravo de Instrumento n.º 
275892/RJ. 
 
“O inquérito administrativo... constitui mera fase investigatória, assim denominada por sinonímia à 
expressão sindicância administrativa, que precede ao processo administrativo e que tem por fito 
apurar a ocorrência de fato ilícito que, uma vez provada a sua materialidade e autoria, propiciarão a 
instauração deste último, onde se demonstrará a culpabilidade dos indiciados. 
 
Em nada difere do inquérito policial previsto no Código de Processo Penal, tendo o mesmo caráter 
inquisitório, não constituindo constrangimento ilegal a sua instauração contra qualquer cidadão. 
 
...O inquérito administrativo precede o processo administrativo disciplinar, tal como o inquérito policial 
antecede à ação penal. 
 
...O contraditório só se instalará após a instauração do processo administrativo, instruído com o que 
se apurar no inquérito administrativo. 
 
...Dispensa defesa do sindicato e publicidade seu procedimento por se tratar de simples expediente 
de verificação de irregularidade e não de base para punição, equiparável ao inquérito policial em 
relação à ação penal. É o verdadeiro inquérito administrativo que precede o processo administrativo 
disciplinar. 
 
Simples investigação de fatos e da eventual responsabilidade pela sua prática, caso ilícitos, 
inexistindo acusação no sentido formal não autorizam o contraditório, sob pena de tornar a apuração 
de qualquer fato inviável, com a instauração de contraditório quando, sequer, exista um indiciado.” 
 
Portanto, a sindicância é mero procedimento investigativo, sendo incabível a apresentação de defesa, 
visto que somente pode haver defesa após a formalização de acusação, e esta somente se formaliza 
quando da instauração do processo administrativo disciplinar, sendo afrontante ao direito brasileiro a 
utilização da Sindicância como procedimento sumário para aplicação de penalidades, mesmo de 
menor monta, como costuma fazer a Administração Pública no Brasil. 
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_________________________________________________________________________________públicas deve 
ser realizada levando-se em conta as circunstâncias históricas da evolução de nossa 
sociedade, desde a ocupação inicial do território por parte dos descobridores até os nossos 
dias com sua conformação institucional e constitucional plenamente estabelecida. 
Para tanto, deve-se iniciar com uma análise retrospectiva da evolução do tema desde o 
descobrimento até a outorga da Constituição Monárquica. 
Efetivamente a ocupação do território brasileiro iniciou com a instituição do sistema de 
capitanias hereditárias ainda no período colonial e, para que melhor se possa compreender tal 
sistema, há que se ter compreensão do sentido, das circunstâncias inaugurais da colonização 
do Brasil. 
As aventuras ultramarinas dos europeus resultaram no descobrimento de um território 
continental, de enorme tamanho e povoado por nativos considerados, pelos padrões culturais 
europeus, pouco evoluídos. 
As circunstâncias que detonam esse processo são basicamente econômicas, como se pode 
apurar consultando uma das obras fundantes da consciência nacional: Formação do Brasil 
Contemporâneo: Colônia, de Caio Prado Júnior, a saber: 
Tudo que se passa são incidentes da imensa empresa comercial a qual se dedicam os países 
da Europa a partir do séc. XV, e que lhes alargará o horizonte pelo Oceano afora. Na tem outro 
caráter a exploração da costa africana e o descobrimento e colonização das Ilhas pelos 
portugueses, o roteiro das Índias, o descobrimento da América, a exploração e ocupação de 
seus vários setores. É este último o capítulo que mais nos interessa aqui; mas não será, em 
sua essência, diferente dos outros. É sempre como traficantes que os vários povos da Europa 
abordarão cada uma daquelas empresas que lhes proporcionarão sua iniciativa, seus 
esforços, o acaso e as circunstâncias do momento em que se achavam. (1999, p. 22-23) 
 
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Com o caráter unicamente extrativista de sua empresa, o colonizador português não tinha 
qualquer intenção ou possibilidade de se estabelecer com ânimo de permanência, como foi o 
caso da colonização americana do norte. 
Centrando seus esforços na extração de metais preciosos e exploração de madeira, 
especialmente da espécie Pau-Brasil, não dispunha de população suficiente e disposta a se 
estabelecer no mundo novo. 
Essa a conclusão da análise histórica levada a efeito por Raimundo Faoro em sua monumental 
obra Os Donos do Poder: 
Na América a situação se apresenta de forma inteiramente diversa: um território primitivo 
habitado por rala população indígena incapaz de fornecer qualquer coisa de realmente 
aproveitável. Para os fins meramente mercantis que se tinham em vista, a ocupação não se 
podia fazer como nas simples feitorias, com um reduzido pessoal incumbido apenas do 
negócio, sua administração e defesa armada; era preciso ampliar estas bases, criar um 
povoamento capaz de abastecer e manter as feitorias que se fundassem e organizar a 
produção dos gêneros que interessassem o seu comércio. A idéia de povoar surge daí, e só 
daí. [...] No seu conjunto, e vista no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos 
toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, mais complexa que a antiga feitoria, mas 
sempre com o mesmo caráter que ela, destinada a explorar os recursos naturais de um 
território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização 
tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, 
tanto no econômico como no social, da formação e evolução históricas dos trópicos 
americanos. (2001, p. 135- 136) 
Sendo o sentido inicial da colonização a atividade mercantil-extrativista, intentou o 
colonizador, ao perceber o quanto seria difícil assentar população que desse sustento aos 
seus intentos, considerando a inapetência dos indígenas nativos para o trabalho proposto, 
uma divisão e distribuição do território descoberto para os portugueses que optassem por se 
estabelecer definitivamente na colônia, baseando o labor na mão-de-obra africana escravizada. 
Havia grande reticência da já pequena população portuguesa da época em migrar para ser 
instrumento de trabalho ordinário e fastidioso, acedendo somente na hipótese de fazer-se 
senhor de terras e patrão. 
Essa a observação de Caio Prado Júnior em outra obra: História Econômica do Brasil: 
Nas demais colônias tropicais, inclusive no Brasil, não se chegou nem a ensaiar o trabalhador 
branco. Isto porque nem na Espanha, nem em Portugal, a quem pertencia a maioria delas, 
havia, como na Inglaterra, braços disponíveis e dispostos a emigrar a qualquer preço. Em 
Portugal, a população era tão insuficiente que a maior parte de seu território se achava ainda, 
em meados do séc. XVI, inculto e abandonado; faltavam braços por toda a parte, e empregava-
se em escala crescente mão-de-obra escrava [...]. Se vamos à essência da nossa formação, 
veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros 
gêneros; mais tarde, ouro e diamantes, depois algodão, e em seguida café, para o comércio 
europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e 
sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que organizarão 
a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura social, bem 
como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; 
inverterá os cabedais e recrutará mão-de-obra de que precisa: indígenas ou negros 
importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, 
mercantil, constituir-se-á a colônia brasileira. (1985, p. 21-23) 
Portanto, é nesse contexto que foi estabelecido o sistema de distribuição de terras para os 
colonizadores portugueses, denominado de capitanias ou capitanias hereditárias, ou seja, com 
a clara intenção de ocupar o território e fixar o elemento humano e ainda desbravar o 
continente. 
O território foi dividido em doze capitanias, irregulares, todas firmadas no sentido longitudinal 
à linha do Equador e, portanto, com frente para oceano1 . 
 
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Apenas algumas capitanias prosperaram, entretanto colaboraram para a criação dos primeiros 
núcleos de povoamento, que vão repercutir fundamentalmente na ocupação do território. Tal 
idéia é demonstrada por José Afonso da Silva: 
A colonização do Brasil começou efetivamente pela organização das capitanias hereditárias, 
sistema que consistiu na divisão do território colonial em doze porções irregulares, todas 
confrontando com o oceano, e sua doação a particulares (escolhidos entre a melhor gente), 
que estivessem decididos a morar no Brasil e fossem suficientemente ricos para colonizá-lo e 
defendê-lo. 
Das doze capitanias, poucas prosperaram, mas serviram para criar núcleos de povoamento 
dispersos e quase sem contato uns com os outros, contribuindo para a formação de centros 
de interesses econômicos e sociais diferenciados nas várias regiões do território da colônia, o 
que veio a repercutir na estruturação do futuro Estado Brasileiro. (2006, p. 69) 
Os donatários, titulares de uma concessão de capitania, tinham poder absoluto dentro de seus 
domínios, eram um reflexo da autoridade do Rei, exerciam jurisdição e nomeavam servidores 
públicos. 
Segundo César Trípoli (1936) as terras do Brasil, assim partilhadas e dadas pelo rei de 
Portugal a fidalgos portugueses chamaram-se capitanias em virtude de serem atribuídas aos 
donatários a denominação e funções de capitão, significando chefe superior. A expressão 
capitania era, portanto, sinônimo de chefia, superintendência, governança. O adjetivo 
qualificativo hereditárias servia para indicar um dos principais caracteres jurídicos da doação, 
pois somente poderia ser transmitida nos moldes da sucessão. As capitanias hereditárias 
também foram denominadas de donatarias para indicar que se tratava de terras em que vinhaa 
ser exercida a jurisdição exclusiva dos donatários. 
Esse sistema de povoação apresentou os primeiros registros de nomeação para o exercício de 
funções públicas, ao livre arbítrio do capitão. 
Em 1549 foi instituído o sistema de Governo Geral, introduzido um sistema unitário em 
contraposição ao sistema das capitanias, aos diversos governos autônomos sucedeu um 
sistema de governo centralizador, em coexistência com as capitanias. 
Tomé de Souza foi o primeiro governador nomeado, com poderes estabelecidos em 
documento denominado Regimento do Governador Geral. Francisco José Oliveira Vianna 
esclarece o teor do documento: 
Os regimentos dos governadores-gerais têm, de fato, a maior importância para a história 
administrativa do país: antecipavam-se às cartas políticas, pelo menos na delimitação das 
funções e no respeito exigido das leis, forais e privilégios, atenuando o arbítrio, fixando a 
ordem jurídica. [...] em torno desse órgão central organizavam-se outros órgãos elementares e 
essenciais à administração: o ouvidor-mor , encarregado geral dos negócios da justiça; o 
procurador da fazenda , encarregado das questões e interesses do fisco real; o capitão-mor da 
costa , com a função da defesa do vasto litoral, infestado de flibusteiros.(1956, p.199) 
A esse poder também foram sendo acrescidas paulatinamente as capitanias, que, perdendo o 
seu caráter feudal, pela mitigação de seus poderes onipotentes, também perderam seu caráter 
de unidades autônomas e tornando-se regiões ou províncias, sujeitas diretamente ao 
governador geral. Observe-se que todas as capitanias ficaram em tal situação, tanto as que já 
haviam perdido seu caráter hereditário quanto as que tinham revertido, por abandono ou 
renúncia, à coroa. 
Faoro, delimitou essa quadra fundamental na germinação das estruturas do Estado brasileiro: 
Os quinze anos das donatarias, tempo muito curto para definir uma tendência ou para definir 
um rumo, sofrem drástico corretivo. O governo geral, instituído em 1548, instalado na Bahia, 
no ano seguinte, não extinguiu as capitanias. De imediato, as atribuições públicas dos 
capitães se incorporaram no sistema do governo-geral, fiscalizados por um poder mais alto, 
em assuntos militares, da fazenda e da justiça. A instituição, no seu lado particular, prolongou-
 
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se até o século XVIII, quando a última capitania reverteu ao patrimônio real, reversão tardia, em 
homenagem á outorga vitalícia e hereditária. (2001, p. 166-167) 
Nesse período surgiram os primeiros municípios brasileiros. O município, como as capitanias 
e o governo geral, obedecia, no molde de outorga de poder público, ao quadro da monarquia 
central do século XVI, gerida pelo estamento cada vez mais burocrático . (FAORO, 2001, p. 171-
172) 
O Senado da Câmara ou Câmara Municipal era o órgão do poder local, composto de oficiais , 
eleitos entre os denominados homens bons da terra , ou seja, os representantes eram os 
grandes proprietários rurais ou seus indicados. 
A fase monárquica inicia-se com a chegada de D. João VI ao Brasil em 1808. 
Conforme Silva (2006, p. 73 e ss), instalou-se a família real no Rio de Janeiro, para onde foi 
alocado toda a estrutura estatal, tal como a polícia, a justiça, os órgãos administrativos, 
especialmente o Conselho de Estado, a Intendência Geral de Polícia, o Conselho da Fazenda, a 
Mesa da Consciência e Ordens, o Conselho Militar, o Desembargo do Paço, a Casa da 
Suplicação, a Academia de Marinha, a Junta Geral do Comércio, o Juízo dos Falidos e 
Conservador dos Privilégios, o Banco do Brasil, a Casa da Moeda, a Impressão Régia, etc., 
sendo que a atuação desses órgãos esteve fixada e circunscrita ao Rio de Janeiro, poucos 
efeitos alcançando no restante do País, onde a tradição da apropriação privada do poder 
público pelos mais aquinhoados permaneceu e se estende até os dias presentes. 
Com a proclamação da Independência, essa nova estrutura estatal pública e política deveria 
ser fundada em um instrumento regulador do exercício do poder e que assegurasse a unidade 
nacional, com um poder centralizador e uma organização nacional que fizessem frente aos 
diversos poderes locais e regionais espalhados pelo interior do País. 
A disseminação do constitucionalismo forjou a teoria da necessidade de um texto político, 
uma carta fundamental que declarasse os direitos do homem e estabelecesse mecanismos de 
separação dos poderes, em consonância com a Declaração dos Direitos do Homem e do 
Cidadão de 1789, a qual estabelece, em seu artigo 16, que não tem constituição a sociedade 
onde não é assegurada a garantia dos direitos nem determinada a separação dos poderes.’’ 
O texto que nos foi ofertado foi a Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 
1824, que, em eu artigo 1º, declara que O império do Brasil é a associação política de todos os 
cidadãos brasileiros , em seu artigo 2º que O seu território é dividido em províncias [...] e em 
seu artigo 4º que A dinastia imperante é a do Senhor D. Pedro I, atual Imperador e Defensor 
Perpétuo do Brasil . 
A Constituição previu em seu artigo 4º a separação dos poderes em quatro: poder legislativo, 
poder moderador poder executivo e poder judicial. 
O aspecto mais característico desse texto foi a instituição do poder moderador, delegado 
privativamente ao Imperador, que lhe atribuía, nos termos do artigo 98, [...] a chave de toda a 
organização política é delegada privativamente ao Imperador, como chefe supremo da nação e 
seu primeiro representante, para que, incessantemente vele sobre a manutenção da 
independência, equilíbrio e harmonia dos demais poderes políticos. 
Efetivamente o Imperador exercia o poder moderador nomeando os senadores (art. 101, § 1º), 
nomeando e demitindo livremente os ministros de estado (art. 101, § 6º) e exercia o poder 
executivo, pois dita o artigo 102 que O Imperador é o chefe do poder executivo, e o exercita 
pelos seus ministros de Estado sendo que entre suas principais atribuições destacam- se a de 
nomear os magistrados (art. 102, § 3º) e prover os mais empregos civis e políticos (at. 102, § 
4º). 
O desenrolar dos anos e o respectivo desencadear dos acontecimentos, assim como o ideal 
republicano e a necessidade de adaptação ao modelo federativo, na visão de Russomano 
(1984), vão desenbocar nos acontecimentos que levarão à ruptura institucional, com a 
Proclamação da República e a elaboração da primeira constituição republicana do Brasil. 
 
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Os Conceitos De Efetividade 
Efetividade é a característica, particularidade ou estado do que é efetivo, ou seja, o que é real, 
verdadeiro e legítimo. Pode ser também a consequência ou o efeito daquilo que é real; a realidade ou 
a existência. 
O significado de efetividade também está relacionado com aquilo que se consegue verificar, cuja 
existência seja real e verdadeira, incontestável. 
A palavra efetividade pode fazer referência àquilo que é permanente, definitivo, estável, fixo, não 
interrompido. Exemplo: a efetividade trabalhista de um funcionário público. 
A efetividade na administração está ligada à particularidade daquilo que é capaz de atingir suas 
metas. Já a efetividade militar é uma circunstância do serviço efetivo que é desenvolvido em um 
órgão militar. 
Sinônimos de efetividade 
 realidade 
 competência 
 verdade 
 legítimo 
Efetividade Do Processo 
A efetividade é um dos princípios do direito processual. A efetividade do processo consiste na 
garantia de descobrir qual das duas partes está com a razão e entregar para cada uma o verdadeiro 
e real valor que merecem. 
Um processo judicial ideal, portanto, deverá ter a máxima efetividade possível, garantindo não 
apenas o direito material, mas também uma resposta em tempo razoável e satisfatório. 
Eficiência, Eficácia E Efetividade 
Efetividade, eficiência e eficácia são palavras às vezes consideradas como sinônimos, no entanto 
existem algumas diferençasentre os significados distintos de cada uma. É possível que uma ação 
seja ao mesmo tempo realizada com eficiência, eficácia e efetividade, como também pode ser eficaz 
sem ser eficiente. 
A efetividade é a qualidade do que atinge seu objetivo, é a capacidade de funcionar regularmente, 
satisfatoriamente, fazendo referência ao que é real e verdadeiro. Exemplo: “O resultado da reunião foi 
bastante efetivo”. 
A eficiência é a qualidade do que se faz com excelência, que dá bom resultado, que produz o efeito 
desejado com competência. Exemplo: “O trabalho foi realizado com eficiência”. 
Eficácia é chegar ao objetivo proposto, é cumprir a função, a meta, é executar o que foi determinado. 
Exemplo: “O equipamento mostrou ser eficaz”. 
Estabilidade/Disponibilidade 
O servidor nomeado por concurso público nomeado para cargo efetivo será considerado estável após 
3 (tres) anos de efetivo exercício cumprido em estágio probatório, posteriormente só perderá o cargo 
em virtude de sentença judicial transitada em julgado mediante processo administrativo em que lhe 
seja assegurada ampla defesa (C.F./88). 
O servidor estável é nomeado para cargo efetivo por concurso público, com mais de três anos de 
efetivo exercício e posteriormente só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em 
julgado mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa (C.F./88 - Art. 
41, § 1º e 4º, redação dada pelo Art. 6º da E.C. 19/98; L. 10.261/68 - Arts. 217 e 218). 
 
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O servidor estável estará em disponibilidade remunerada até seu adequado aproveitamento em outro 
cargo quando o cargo ocupado for extinto por lei ou for considerado desnecessário(L. 10.261/68 - Art. 
219, II). 
No caso de reintegração decorrente de decisão judicial, o reintegrado poderá ficar em disponibilidade 
remunerada se o cargo tiver sido extinto (L. 10.261/68 - Art. 219, I; L.C. 180/78 - Art. 32, § 2º). 
 
Os servidores em disponibilidade devem perceber vencimentos proporcionais ao tempo de serviço 
(C.F./88 - Art. 41, § 3º, nova redação dada pelo Art. 6º, da E.C. 19/98). 
O tempo em que o funcionário permanecer em disponibilidade é computado para fins de 
aposentadoria (L. 10.261/68 - Art. 83). 
Obs: Há também a estabilidade concedida pela Constituição Federal de 1988 a servidores 
(extranumerários, temporários (Lei 500/74) e celetistas), que se encontravam em exercício na data de 
sua promulgação (5/10/88) e que contavam com 5 (cinco) anos de exercício no serviço público 
(C.F./88 - Art. 19 - A.D.C.T.; C.E./89 - Art. 18 - A.D.C.T.). 
Estabilidade E Disponibilidade 
Acórdão 
Vistos, relatados e discutidos êstes autos de agravo de instrumento (art. 174, § 20, do R.I.) n" 
29.369, do Rio Grande do Norte, sendo agravante Estado do Rio Grande do Norte e agravado 
Adelfo de Oliveira Melo. 
Acordam os Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, à unanimidade, dar 
provimento ao agravo, ut notas taquigráficas anexas. 
Brasília, 15 de março de 1966. - Hahnemann Guimarães. Presidente. - Pedro Chaves. Relator. 
Relatório 
o Sr. Ministro Pedro Chaves - O agravado foi nomeado em 19-12-60, em caráter efetivo, para 
cargo isolado criado pela Lei n~ 2.727, de 30-11-60. 
Tomou posse e entrou no exercício do cargo. Entretanto, pela Lei n" 2.677, de 21-2-61, foram 
anulados e declarados sem efeito as leis e atos promulgados entre 14-11-60 a 28-1-61. Com 
fundamento nessa Lei n" 2.677 foi considerada sem efeito a nomeação do agravado que pediu 
e obteve mandado de segurança para ser reintegrado no cargo. 
o Estado do Rio Grande do Norte interpôs recurso extraordinário, denegado pelo despacho de 
f. 7, de que agravou há- bil e oportunamente. 
Nesta instância, opinou a Procuradoria-Geral pelo não provimento. 
VOTO 
o Sr. Ministro Pedro Chaves (Relator) - A questão sob julgamento é idêntica a inúmeras outras 
já apreciadas por êste ego Tribunal. Em última análise o que se discute é o efeito da lei nova, 
anulatória de outras consideradas inconstitucionais, sôbre os atos praticados na vigência 
delas, considerados sem efeito. 
No julgamento da representação 512, de que fui Relator (7-12-62) e no recurso extraordinário 
n9 48.655, relatado pelo eminente Ministro Luis GaIlotti (Diário da Justiça, 20-8-64) assentou o 
Supremo Tribunal jurisprudência no sentido da constitucionalidade do Decreto n~ 3. 806, e da 
Lei n~ 2.677, de 21-2-61, na forma ainda da Lei n9 2.800, de 21-8-62, não havendo assim como 
apoiar a decisão recorrida GU'~ fulminou êsses mesmos documentos legislativos. 
Por essa razão, não havia como deixar de prover o agravo para a subida do recurso 
extraordinário denegado. Há, no entanto. na espécie. uma circunstância de fato e de direito 
que merece destaqtH.'. e que o agravado Adelfo de Oliveira r,,!elo, ao ser empossado e entrado 
no exercicio do cargo, já se encontrava no gôzu da situação de estabilidade. 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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Se é certo que o estágio prob..lt6rio não protege o funcionário contra os efeitos da extinção do 
cargo, não é menos verdade que a estabilidade encontra guarida no preceito do art. 189, 11, 
parágr..lfo unico, da Constituição federal. que garante a disponibilidade remunerada até 
obrigatório apro_ veitamento em outro cargo de n2.tt.reza e vencimentos compatíveis. 
Mas a decisão recorrida foi par" alé:m da meta constitucional e mandou reintegrar o agravado, 
criando assim uma situação jurídica, em flagrante contraste com o preceito constitucional que 
só o julgamento do recurso poderá esclarecer. 
Pelo exposto, dou provimento ao agravo, para mandar subir o recurso. 
DECISÃO 
Como consta da ata, a decisão foi a seguinte: A Turma unânime deu provimento ao agravo. 
Presidência do Exmo. Sr, Mínistro Hahnemann Guimarães. Relator, o Exmo. Sr. Ministro Pedro 
Chaves. Tomaram parte no julgamento os Exmos. Srs. Ministros Aliomar Baleeiro, Adalicio 
Nogueira, Pedro Chaves, Vilas-Boas e Hahnemann Guimarães. 
Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: 
 I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os 
requisitos estabelecidos em lei; 
 II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de 
provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei 
de livre nomeação e exoneração; 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os 
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de 
provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na 
forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre 
nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual 
período; 
 IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso 
público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados 
para assumir cargo ou emprego, na carreira; 
V - os cargos em comissão e as funções de confiança serão exercidos, preferencialmente, por 
servidores ocupantes de cargode carreira técnica ou profissional, nos casos e condições previstos 
em lei; 
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e 
os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e 
percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e 
assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical; 
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei complementar; 
 
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VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de 
deficiência e definirá os critérios de sua admissão; 
 IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade 
temporária de excepcional interesse público; 
X - a revisão geral da remuneração dos servidores públicos, sem distinção de índices entre 
servidores públicos civis e militares, far-se-á sempre na mesma data; 
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente 
poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, 
assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento) 
 XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração dos 
servidores públicos, observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos poderes, os 
valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso 
Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e seus correspondentes nos 
Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como 
remuneração, em espécie, pelo Prefeito; (Vide Lei nº 8.448, de 1992) 
 XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da 
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 
1998) 
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da 
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, 
aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, 
o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados 
Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal 
de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em 
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este 
limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser 
superiores aos pagos pelo Poder Executivo; 
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de vencimentos, para o efeito de remuneração de 
pessoal do serviço público, ressalvado o disposto no inciso anterior e no art. 39, § 1º ; 
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de 
remuneração de pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem 
acumulados, para fins de concessão de acréscimos ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico 
fundamento; 
 
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XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem 
acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
XV - os vencimentos dos servidores públicos são irredutíveis, e a remuneração observará o que 
dispõem os arts. 37, XI e XII, 150, II, 153, III e § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
18, 1998) 
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, 
ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 
2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver 
compatibilidade de horários: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos privativos de médico; 
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver 
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
c) a de dois cargos privativos de médico; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões 
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001) 
 XVII a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, empresas 
públicas, sociedades de economia mista e fundações mantidas pelo Poder Público; 
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, 
empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, 
direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de 
competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; 
XIX - somente por lei específica poderão ser criadas empresa pública , sociedade de economia mista, 
autarquia ou fundação pública; 
XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa 
pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último 
caso, definir as áreas de sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades 
mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada; 
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações 
serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a 
todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas ascondições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de 
qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. 
(Regulamento) 
 
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XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, 
terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, 
inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
 
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter 
caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou 
imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. 
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da 
autoridade responsável, nos termos da lei. 
§ 3º As reclamações relativas à prestação de serviços públicos serão disciplinadas em lei. 
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, 
regulando especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção 
de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos 
serviços; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, 
observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
(Vide Lei nº 12.527, de 2011) 
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou 
função na administração pública. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da 
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação 
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. 
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor 
ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. 
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos 
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o 
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da 
administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta 
e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder 
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo 
à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - o prazo de duração do contrato; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos 
dirigentes; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
III - a remuneração do pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e 
suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos 
Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
 
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§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos 
arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos 
acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em 
lei de livre nomeação e exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (Vide 
Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput 
deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao 
Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, 
como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, 
limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados 
Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
Art. 38. Ao servidor público em exercício de mandato eletivo aplicam- se as seguintes disposições: 
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de 
mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
19, de 1998) 
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego 
ou função; 
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado 
optar pela sua remuneração; 
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens 
de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo 
compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior; 
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de 
serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento; 
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados 
como se no exercício estivesse. 
SEÇÃO II 
DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS 
DOS SERVIDORES PÚBLICOS 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua 
competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública 
direta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4) 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de 
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos 
Poderes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-4) 
§ 1º A lei assegurará, aos servidores da administração direta, isonomia de vencimentos para cargos 
de atribuições iguais ou assemelhados do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo, 
Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou 
ao local de trabalho. (Vide Lei nº 8.448, de 1992) 
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório 
observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada 
carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
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II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de1998) 
III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 2º Aplica-se a esses servidores o disposto no art. 7º, IV, VI, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, 
XVIII, XIX, XX, XXII, XXIII e XXX. 
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o 
aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos 
para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os 
entes federados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, 
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de 
admissão quando a natureza do cargo o exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários 
Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, 
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou 
outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação 
entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o 
disposto no art. 37, XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e 
da remuneração dos cargos e empregos públicos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de 
recursos orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia 
e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, 
treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, 
inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do 
§ 4º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
Estabilidade e efetividade no art. 19 do ADCT/88. 
 A postura do Supremo Tribunal Federal na defesa da exigência do concurso público para provimento 
de cargos e empregos nas Administrações Públicas dos três entes políticos, dos três Poderes, é, sob 
todos os aspectos, digna de aplausos. 
 A Suprema Corte, em várias oportunidades, pôs termo a vários e vários abusos praticados pelas 
Administrações Públicas em todos os seus níveis. São exemplos: a ADI nº. 186-8-PR (Pleno, Rel. 
Min. Francisco Rezek, dec. un., DJU 15.9.1995), quando declarou-se inconstitucional o provimento 
derivado de cargo de "agente fiscal do Estado" por "detentor do emprego de conferente da Secretaria 
de Estado das Finanças"; o RE nº. 365.368-AgR (1
a
. Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julg.: 
22.5.2007, DJU 29.06.2007), quando julgou-se inconstitucional a criação de 42 cargos de livre 
nomeação, contra apenas 25 cargos de provimento efetivo criados, por ofensiva aos critérios de 
proporcionalidade e de razoabilidade; a ADI nº. 3233- PB (Pleno, Rel. Min. Joaquim Barbosa, dec. 
un., DJU 28.5.2007), oportunidade em que decidiu-se inconstitucional a criação de funções de 
confiança de livre nomeação sem que tais funções demandassem habilidade profissional específica, 
e nem que apresentassem características de poder de comando inerente aos cargos de direção; e a 
ADI nº. 289-9-CE (Pleno, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, dec. un., DJU 16.3.2007), quando declarou-
se – longe de ser pela primeira vez, e talvez mais longe ainda de ser pela última – inconstitucional 
legislação estadual que ampliava os requisitos para a aquisição da estabilidade excepcional prevista 
no art. 19 do ADCT/88. Enfim, a Súmula nº. 685 é, sem dúvida, um retrato fiel dessa jurisprudência 
altamente promotora dos princípios republicanos mais nobres – da igualdade de todos perante a lei, e 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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da igualdade de oportunidades diante do Estado segundo o mérito de cada um: isonomia e 
impessoalidade. 
 Não obstante, a jurisprudência desenvolvida pelo Supremo Tribunal Federal a respeito da 
estabilidade excepcional instituída pelo art. 19 do ADCT/88, e sua relação com o instituto da 
efetividade, merece ser objeto de algumas considerações. 
 Em relação aos servidores celetistas, contratados há cinco anos antes da promulgação da 
Constituição Federal, o art. 19, "caput", do ADCT/88 determinou, com eficácia e aplicabilidade plenas, 
que os servidores originariamente contratados para empregos públicos na Administração Federal 
direta e autárquica, ou fundacional – autárquica –seriam considerados "estáveis". 
 Até aí, poder-se-ia admitir a continuidade do vínculo celetista, já que o instituto da estabilidade não é 
exclusivo – ou, pelo menos, não era exclusivo, considerando-se as modificações introduzidas pela 
Emenda nº. 19/98 – da natureza estatutária do vínculo. 
 Ainda hoje, existem situações de empregados de empresas privadas, regidos pela CLT, mas 
protegidos pela estabilidade no emprego, ainda que provisória, como a empregada gestante, na 
hipótese prevista no art. 10, II, letra "b" do ADCT/88. 
 Mas deve-se conjugar a "estabilidade" assegurada no "caput" do art. 19 do ADCT/88 com a 
"efetividade" prevista no § 1
o
. deste mesmo artigo, até porque o tempo de serviço do servidor 
aprovado no "concurso para fins de efetivação" seria "contado como título". 
 Ora, só poderia ser "contado como título", como critério para classificação nesse concurso, cujo 
resultado, em havendo aprovação, seria a atribuição da qualidade de "efetivo" ao servidor que já 
havia sido "estabilizado" pelo referido art. 19, "caput" do ADCT/88. 
 Por outro lado, é certo que não há que se falar em "efetividade" no sistema da CLT. 
 Ocorre que o legislador constitucional incidiu em invencível contradição quando da formulação do § 
1
º
., citado. 
 É que, por definição e princípio, a "efetividade" sempre foi pressuposto para a aquisição da 
"estabilidade" no cargo público, e não o inverso. 
 A título exemplificativo, vejam-se as palavras de LÚCIA VALLE FIGUEIREDO: 
 "Cargos efetivos são os que não prescindem de concurso público para a sua titularização. Como o 
próprio nome diz, efetivo é qualidade inerente ao cargo. Este supõe a necessidade de permanência 
de seu titular. Destarte, o cargo efetivo pode ser ocupado, temporariamente, por funcionário não 
estável." (Curso de Direito Administrativo, Malheiros Editores, 1995, 2
a
. ed., p. 381) 
 Igualmente, HELY LOPES MEIRELLES: 
 "A nomeação em caráter efetivo é a condição primeira para a aquisição da estabilidade. A 
efetividade, embora se refira ao servidor, é apenas um atributo do cargo, concernente à sua forma de 
provimento, e, como tal, deve ser declarada no decreto de nomeação e no título respectivo, porque 
um servidor pode ocupar transitoriamente um cargo de provimento efetivo (casos de substituição, por 
exemplo), sem que essa qualidade se transmita ao seu ocupante eventual. (...) 
 "Não há confundir efetividade com estabilidade, porque aquela é uma característica da nomeação, e 
esta é um atributo pessoal do ocupante do cargo, adquirido após a satisfação de certas condições de 
seu exercício. A efetividade é um pressuposto necessário da estabilidade. Sem efetividade não pode 
ser adquirida a estabilidade." (Direito Administrativo Brasileiro, Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 
16
a
. ed., 1991, p. 377) (grifei) 
 CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO entende que a "efetivação" "é um plus em relação à 
estabilidade",pois o Texto Constitucional "mencionou os funcionários concursados, isto é, titulares de 
cargo efetivo ou vitalício". Mas, em continuação, afirma que "se se estabilizaram no cargo para o qual 
se concursaram, são, na verdade, efetivos ou vitalícios". (Regime Constitucional dos Servidores da 
Administração Direta e Indireta, Revista dos Tribunais, São Paulo, 1991, 2
a
. ed., p. 122). Ora, se 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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cronologicamente a estabilidade no serviço público se dá quando o funcionário já é efetivo, logo, em 
momento posterior à aquisição da efetividade, como pode ser esta um plus em relação àquela? 
 MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, depois de reconhecer que a efetividade seja pressuposto 
lógico e necessário para a aquisição da estabilidade do servidor público "stricto sensu", diz: 
 "O reconhecimento de estabilidade a esses servidores não implica efetividade, porque esta só existe 
com relação a cargos de provimento por concurso: a conclusão se confirma pela norma do § 1
o
. do 
mesmo dispositivo, que permite a contagem de tempo de serviço prestado pelos servidores que 
adquiriram essa estabilidade excepcional, "como título quando se submeterem a concurso para fins 
de efetivação, na forma da lei". (Direito Administrativo, Ed. Atlas, São Paulo, 1996, 7
a
. ed., p. 377) 
 Mas a autora não explicou a contradição acima apontada. 
 WOLGRAN JUNQUEIRA FERREIRA defende o entendimento de que "o art. 19 do Ato das 
Disposições Constitucionais Transitórias não estabilizou os empregados no serviço público, apenas 
os servidores" (Comentários ao Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União, 
EDIPRO, 1993, 3
a
. ed., p. 250) 
 O argumento não convence, pelo simples fato de que, à época em que promulgada a Constituição 
Federal de 1988, o termo "servidor público" era o gênero, sendo suas espécies o funcionário público e 
o empregado público. 
 Como dito por DIÓGENES GASPARINI: 
 "SERVIDORES PÚBLICOS – São caracterizados pela profissionalidade (prestam serviços à 
Administração pública direta e indireta, como profissionais), pela dependência do relacionamento (as 
entidades a que se vinculam prescrevem seus comportamentos nos mínimos detalhes, não lhes 
permitindo qualquer autonomia) e pela perenidade (não – eventualidade) da relação de trabalho que 
ajustaram com as referidas entidades. Não importa, então, o regime, estatutário ou celetista, pelo 
qual se vinculam à Administração Pública direta e indireta, se a relação de trabalho é marcada por 
essas notas. Todos são servidores públicos. A expressão designa os que prestam serviço sob o 
regime estatutário ou celetista e abarca tanto os que se ligam às entidades públicas (União, Estado – 
Membro, Distrito Federal, Município, autarquias e fundações públicas) como os que se vinculam às 
entidades privadas criadas pelo Poder Público, como são as sociedadesde economia mista, as 
empresas públicas e as fundações privadas. Por isso, com acerto, como observa Celso Antônio 
Bandeira de Mello, a expressão "não é restrita aos agentes titulares de cargos ou apenas dos que 
estejam ligados a entidades de direito público" (Regime Constitucional, cit., p. 32)". (Direito 
Administrativo, Ed. Saraiva, São Paulo, 1995, 4
a
. ed., p. 116-117) 
 Foi em razão dessa não-restrição que o STF, quando do julgamento do AgRRE nº. 223.426-8-MG 
(2
a
. Turma, Rel. Min. Carlos Velloso, dec. un., DJU 21.3.2003, p. 62), reconheceu a legitimidade de 
empregado celetista, "contratado pela FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO", mas "lotado na Secretaria de 
Estado de Planejamento e Coordenação Geral" no período de 01.10.1980 a 31.12.1987, e de 
01.01.1988 a 31.07.1990 como "contratado pela CREDIREAL SERVIÇOS GERAIS E 
CONSTRUÇÕES S/A", porém, "lotado na Secretaria de Estado de Assuntos Municipais", e "em 
exercício, há mais de cinco anos", sem que tivesse havido qualquer "dia de interrupção" daquele 
exercício, para ser estabilizado no serviço público estadual, como servidor estatutário. 
 Deve-se notar, por sinal, que o Eg. STF, quando do julgamento da ADI nº. 88-8-MG (Pleno, Rel. Min. 
Moreira Alves, dec. un., DJU 08.9.2000, p. 03), declarou inconstitucional lei estadual que permitia a 
estabilização no serviço público, como funcionário, de "empregado público" "contratado por entidade 
de direito privado sob controle direto ou indireto do Estado", e que, "mediante convênio, preste 
serviços de natureza permanente à administração direta estadual". 
 Ou seja, em evidente contradição com a linha de pensamento adotada quando do julgamento 
AgRRE nº. 223.426-8-MG... 
 De todo modo, e isso foi feito quando do julgamento da ADI nº. 289-CE (Pleno, Rel. Min. Sepúlveda 
Pertence, dec. un., DJU 16.3.2007), é importante ressaltar que não há como se falar 
em efetividadesem que se tenha em vista, exclusivamente, a figura do cargo público, "não se 
compreendendo um sem o outro", como dito pelo Exmo. Sr. Ministro Relator. 
 
AGENTES PÚBLICOS 
 
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 O legislador constituinte podia ter alterado muita coisa, inclusive matérias antes protegidas pelos 
institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. 
 Porém, para tudo há limites, inclusive para o poder legiferante pleno. 
 Como diz o conhecido brocardo a respeito do Parlamento britânico, "o Parlamento pode tudo, menos 
transformar homem em mulher, e vice-versa". 
 A assertiva bem-humorada traduz a amplitude do poder exercido pelo Parlamento na Grã-Bretanha, 
cujas leis são insuscetíveis de controle de constitucionalidade pelos juízes da Coroa – eles, também, 
funcionários, e não membros de um Poder autônomo e independente. 
 "Mutatis mutandis", o mesmo pode ser dito no caso do Parlamento brasileiro, então investido da 
qualidade de Poder Constituinte originário. 
 Podia mudar muitas coisas, quase tudo. 
 Menos afrontar a natureza, a lógica das coisas e os princípios sedimentados não só em longa 
tradição jurídica, mas também legislativa e jurisprudencial. 
 O legislador constituinte brasileiro, enfim, equivocou-se quando da redação do § 1
o
. do art. 19, já que 
no "caput" deste mesmo artigo concedeu o mais – a estabilidade no serviço público. 
 De que adiantaria fazer depender o menos – a efetividade – de futura participação do servidor em 
concurso? 
 E se não for aprovado, não continuará estável, por direito adquirido? 
 Daí porque é correto entender-se que a norma constante no art. 19, "caput", do ADCT/88 já era 
imediatamente aplicável e plenamente eficaz antes mesmo da vigência e da eficácia da Lei nº. 
8.112/90, e assim, que o empregado público tornou-se, também, imediatamente ao advento daquele 
artigo constitucional transitório, funcionário público. 
 E assim, tanto para os ativos, como para os inativos. 
 Neste sentido, o Pleno do STF quando do julgamento do MS nº. 21.521-CE (Rel. Min. Carlos Velloso, 
dec. un., DJU 06.8.1993, p. 14.902), quanto a benefício estatutário devido a dependentes de servidor 
falecido na qualidade formal de "celetista", ou seja, antes do advento da Lei nº. 8.112/90, mas após a 
promulgação da CF/88: 
 "CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. PENSÃO POR MORTE. TOTALIDADE DOS 
VENCIMENTOS OU PROVENTOS DO SERVIDOR FALECIDO. PENSAO CONCEDIDA 
ANTERIORMENTE À LEI nº. 8.112/90. CF/88, art. 40, § 5
o
. LEI nº. 8.112/90, art. 42, art. 215, art. 248. 
 Pensão por morte concedida anteriormente à Lei nº. 8.112/90: passa a ser mantida pelo órgão ou 
entidade de origem do servidor. Lei nº. 8.112/90, art. 248. Deverá ela corresponder ao valor da 
respectiva remuneração ou provento, observado o teto inscrito no art. 37, XI da Constituição. CF, art. 
40, § 5
o
.; Lei nº. 8.112/90, arts. 215 e 42. 
 Mandado de segurança deferido." 
 A Lei nº. 8.112/90, em seu art. 243, § 1
o
., determinou que "os empregos ocupados pelos servidores 
incluídos no regime instituído por esta lei ficam transformados em cargo, na data de sua publicação", 
mas, na verdade, os antigos servidores celetistas já eram, desde o advento do art. 19 do ADCT/88,

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