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DANÇA
Michele Caroline da 
Silva Rodrigues
Dança de salão
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Descrever os fundamentos da dança de salão e a sua relação com a 
escola e a sociedade. 
  Relacionar diferentes teorias e conceitos da dança de salão na escola.
  Reconhecer os princípios didático-pedagógicos e a funcionalidade 
da dança de salão na escola.
Introdução
Dos conteúdos a serem contextualizados nas aulas de educação física, a dança 
é ainda pouco explorada no cotidiano escolar. além disso, trata-se de um 
tema permeado de julgamentos próprios de um senso comum que não se 
questiona para repensar possibilidades: “dança é coisa de menina”, "educação 
física serve para jogar bola” — ou seja, ideias limitadoras do trabalho docente 
devido às resistências apresentadas por parte dos estudantes. Frente a esses 
preconceitos, cabe aos profissionais da área propiciar vivências com o intuito 
de conhecer e desmistificar os estereótipos que perpassam a prática da 
dança, de modo que os alunos a reconheçam como um meio de descobrir 
e reinventar os próprios corpos e as suas identidades em construção.
No amplo conjunto de danças existentes em todo o mundo, destacamos, 
neste capítulo, o subconjunto das danças de salão. Tendo em vista questões 
de gênero, timidez ou dificuldade de relacionamento ainda não esclarecidas 
em todos os espaços escolares e grupos sociais, esse tipo de dança configura-
-se como um assunto pouquíssimo trabalhado nas aulas. Todavia, conta 
com potencial estimular a reflexão acerca de valores como o respeito às 
diversidades socioculturais, além de incentivar a interação e a movimentação.
Neste capítulo, estudaremos alguns dos fundamentos da dança de salão 
e as suas relações com a escola e a sociedade. Na segunda seção dos nossos 
estudos, relacionaremos diferentes teorias e conceitos dessa dança no 
âmbito escolar. Por fim, identificaremos os princípios didático-pedagógicos 
e a funcionalidade da dança de salão, bem como analisaremos possibili-
Dança de salão2
dades de atuação do educador físico perante dificuldades ou resistências 
hipotéticas face ao desenvolvimento do tema nas aulas de educação física. 
Fundamentos e relações com a escola
e a sociedade 
Ao estudarmos um tema gerador, primeiramente é necessário evidenciar o seu 
conceito central. No nosso caso, trata-se da dança de salão, que corresponde 
ao conjunto de danças dos mais variados estilos musicais e técnicas coreográ-
fi cas executadas entre casais como forma de lazer, integração, socialização ou 
competição. Como podemos supor, as danças de salão são assim chamadas 
devido à necessidade de salões e espaços amplos para a sua prática. 
Ao recorrermos à história do surgimento das danças de salão, chegaremos ao 
século XIV, mais precisamente às cortes reais europeias, em uma época em que 
dançar remetia a uma atividade pouco expressiva, dados os movimentos rígidos 
e de extrema preocupação com a estética, sobretudo naquilo que dizia respeito à 
postura dos envolvidos, sempre rija. Ainda assim, era uma prática de lazer comum 
entre a nobreza, que consolidava relações de amizade e até mesmo romances ou 
casamentos políticos por meio da dança de salão. Mais tarde, quando já estava 
formado o contingente burguês, essa modalidade restringiu-se à alta burguesia, ao 
passo que aos pobres reservaram-se as danças folclóricas. Em seguida, a dança de 
salão se difundiu nas Américas e, portanto, também no Brasil com o aumento do 
número de colonizadores, que disseminaram a prática em diversas regiões do País. 
Como consequência, inúmeras danças de salão surgiram em toda a América Latina, 
que ficou conhecida em todo o mundo pelos ritmos e técnicas da cultura local. 
A dança de salão é definida por certas ações, como girar sozinho ou acompanhado por 
outra pessoa; mover-se para frente, para trás ou para os lados; entre outros, conforme 
a criatividade do coreógrafo e dos bailarinos permitirem. O Volp (1994) a considera 
uma modalidade de dança em que dançarinos sincronizam passos e figuras aos pares 
ao som de música, mantendo-se dentro das normas sociais com relação ao contato 
entre si e entre os outros pares no salão. A depender do ritmo e da execução associada 
à dança, pode, inclusive, ser classificada como uma atividade física situada entre os 
graus de exigência leve e forte (PAULA, 2008).
3Dança de salão
Nos primórdios na nobreza europeia, na França, destacam-se as danças 
de salão denominadas polca, minueto e quadrilha; na Áustria, a valsa, que se 
consagrou como a mais popular no século XIX, integrando até hoje cerimônias 
formais. Na América do Sul, por sua vez, evidenciam-se e maxixe no Brasil e o 
tango na Argentina, ambas modalidades que estimularam maior expressividade 
e inserção de novos modos de dançar. Nesse contexto, o tango se destacou 
apesar de a Igreja Católica tentar bloquear a sua ascensão por considerá-lo um 
atentado à moral e aos bons costumes. Dessa forma, foi uma dança de salão 
que se popularizou intensamente até a Primeira Guerra Mundial, quando foi 
banido por proibição expressa.
Em 1924, o samba ganhou notoriedade na Europa, assim como os es-
trangeiros foxtrote, one step, valsa inglesa, blues e o já mencionado tango. 
Outra dança latina que obteve grande aceitação na Europa e nos Estados 
Unidos foi o ritmo caribenho chamado rumba. Embora contasse com boa 
aprovação na Europa, a exceção deu-se na Alemanha, onde os nazistas 
proibiram-na e julgaram-na como “música desfigurada” Durante a Segunda 
Guerra Mundial, derivaram do blues o boogie woogie, o jive, o jitterbug, 
o swing, o lindy hop e o rock-and-roll. Tendo em vista o aparecimento 
dessas diversas danças de salão, iniciou-se um movimento para torná-las 
esportivas, de modo que competições foram inauguradas em todo o mundo. 
Após os anos 1950, a valsa vienense ressurgiu e passou a integrar as já 
firmadas competições de dança da época, bem como os ritmos latino-
-americanos tango, rumba, chá-chá-chá e samba, além do deslumbrante 
paso doble espanhol (PAULA, 2008).
No Brasil, a dança de salão que mais se destacou foi, sem dúvidas, o 
samba. A sua origem assemelha-se às das polcas, valsas e tangos praticados na 
Europa, posto que foi uma forma de assimilar culturas de outros países para, 
então, desenvolver a nossa própria expressão artístico-cultural. Assim, surge 
o famoso samba de gafieira por volta dos anos 1940 e 1950 acompanhado por 
instrumentos como cavaquinho, violões, clarinetas e pandeiro, que se faziam 
presentes em cabarés da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Nesse cenário, outras 
modalidades que se destacaram foram as danças nordestinas: forró, xaxado, 
baião e xote, estilos bastante difundidos nos últimos anos, em especial o forró, 
que é popular em todo o País. 
Dança de salão4
No auge das discotecas, a popularidade das danças de salão diminuiu e esse subcon-
junto passou a ser entendido como voltado a pessoas mais velhas, já que não havia 
necessidade de um par para dançar nas discotecas. Somente a partir da década de 
1980 as danças de salão se popularizaram novamente, motivando a fundação de 
inúmeras escolas de dança e aulas em academias de musculação. 
A dança de salão é uma das bases culturais brasileiras. Afinal, a nossa 
diversidade configura uma riqueza cultural expressa também em ritmos e 
modos diversos de dançar, que se convertem em atrativos para conhecer e 
vivenciar o Brasil. Para além das questões de riqueza e diversidade cultural, 
a dança de salão suscita outros aspectos relevantes: a questão de gênero e as 
relações de poder. Ambos os apontamentos são um convite à reflexão acerca 
das relações de um indivíduo sobre outro, das forças ativas e passivas, dos 
estímulos e das respostas de corpos em movimento, envolvendo também os 
papéis sociais que ditam que a figura masculina determina os movimentos 
e a feminina responde aos seus comandos na execução da dança. Contudo, é 
importante contextualizar a origem dessasquestões durante a prática docente, 
de modo que os estudantes compreendam que elas fazem parte do desenvolvi-
mento da dança e, portanto, refletem concepções de mundo de determinadas 
culturas, mas são fluidas tanto no que tange a problematizações quanto no 
que diz respeito aos movimentos estéticos em si.
Diferentes teorias e conceitos na escola
Em primeiro lugar, é pertinente mencionarmos que a dança é um dos conteúdos 
a ser discutido nas escolas e, também, um direito de crianças e adolescentes. 
Sobre isso, destaquemos o Estatuto da Criança e do Adolescente, no qual en-
contramos artigos que preveem o direito e o acesso a cultura, lazer, educação, 
esportes, informação e espetáculos culturais. Logo, a dança é contemplada por 
esse documento, uma vez que se apresenta como linguagem artístico-cultural 
que pode até mesmo ser classifi cada como esporte. Portanto, não se trata 
apenas de uma atividade fundamental para o desenvolvimento de crianças e 
adolescentes, visto que também é seu direito enquanto cidadãos brasileiros. 
5Dança de salão
O direito à dança por parte de crianças e adolescentes foi promulgado pela Dance and 
the Child International, organização sem fins lucrativos que valoriza e prioriza esses 
grupos sociais. Os seus principais objetivos são (DACI BRASIL, 2008 apud VOLP, 2010): 
  promover oportunidades em todo o mundo para que crianças e jovens (0 a 18 
anos) possam experimentar a dança como criadores, intérpretes e espectadores;
  assegurar que os interesses de crianças e jovens relacionados com a dança sejam 
respeitados e desenvolvidos;
  encorajar pesquisas na área de dança para crianças e jovens;
  assegurar que a dança seja incluída no currículo escolar e em programas comunitários;
  promover o intercâmbio de ideias e programas escolares e comunitários na área 
de dança para crianças, jovens e profissionais a eles relacionados.
Tendo em vista a velocidade de acesso à informação gerada pelos meios 
tecnológicos que concentram praticamente toda a atenção dos estudantes, estudar 
dança no ambiente escolar torna-se um grande desafio. Apesar de o conteúdo 
estar presente nas nossas diretrizes educacionais, a dança é um dos conteúdos 
que mais exige criatividade e discernimento do professor de educação física. 
Como Marques (1999) ensina, é importante contextualizar “[...] levando o corpo 
e as emoções para as situações de aprendizagem, considerando tanto aspectos 
científicos, quanto pedagógicos, quanto artísticos” (VOLP, 2010, p. 216).
Assim como todo o conteúdo que a dança abrange, o subconjunto da dança 
de salão tem um papel fundamental na formação dos estudantes:
É aquela dançada aos pares, em contato, que desenvolvem estruturas de 
passos variados no salão harmonizando-os em relação à parceria e à música e 
deslocando-se no sentido anti-horário. É normalmente praticada em reuniões 
sociais das mais diversas e pode ou não ter um aspecto técnico associado ao 
seu desempenho (VOLP, 1994 apud VOLP, 2010, p. 216).
Em linhas gerais, trata-se de um estilo que exige movimentos entre duplas 
de bailarinos com o intuito de combinar mudanças de direção, giros e postura, 
permitindo conduzir ou ser conduzido, juntamente com a percepção aguçada 
do acompanhamento rítmico para captar as oportunidades de criação e im-
provisação de passos. Nesse sentido, a dança de salão incentiva o convívio 
social, a criatividade e o respeito advindo das relações interpessoais e do ato 
de movimentar-se em harmonia com o corpo do outro. Outro ponto se refere à 
Dança de salão6
resolução de problemas surgidos na ocasião da própria prática, pois diferentes 
velocidades ou capacidades de adaptação ao ritmo da música são dificuldades 
frequentes no âmbito das danças de salão. 
Para o ensino da dança de salão, é relevante percebermos as caracte-
rísticas e as dificuldades que a turma apresenta com vistas a efetivar a 
aceitação e o desenvolvimento do planejamento pedagógico. Dessa maneira, 
sugere-se iniciar as aulas com ritmos mais lentos para que, em um primeiro 
momento, os estudantes possam sentir o que é a dança de salão sem tantas 
variabilidades ou uma velocidade rítmica acentuada. Entretanto, não é 
proibido adotar ritmos mais rápidos e alegres, como a salsa ou o chá-chá-
-chá, por exemplo, que podem ser trabalhados com movimentos básicos 
e de forma individual para somente depois acrescentar-se a possibilidade 
de dançar a dois. Por serem envolvente e animado para a maior parte do 
público, costumam ser bem aceitos tanto no Ensino Fundamental quanto 
no Ensino Médio. 
Um obstáculo típico ao trabalharmos a dança de salão com crianças e 
jovens diz respeito à timidez relativa a dançar com uma pessoa de outro 
sexo, de forma que questões de respeito e a possibilidade de permitir-se 
dançar com outro corpo em geral são desafios para os profissionais que 
atuam com esses grupos. Justamente por isso, a dança de salão é essencial 
no desenvolvimento de cidadãos mais colaborativos e tolerantes às diver-
sidades motoras e socioculturais. Sobre tais relações entre linguagem e 
socialização com outros corpos, Souza (2004, p. 893 apud ZANIBONI, 
2007, p. 97) explica: 
A condição de possibilidade do humano é justamente esse intenso jogo entre 
corpos, é nele e só nele que um membro da espécie pode se reconhecer como 
tal, ou seja, pode se fazer sujeito, vir a ser um eu para outro. Em síntese, é 
no encontro entre corpos que a “carne se faz verbo” e, de maneira recíproca, 
o verbo incide sobre o corpo e nele se encarna, esculpindo-o e fazendo dele 
também linguagem, isto é, capaz de produzir, emitir e incorporar signos. 
Além disso, o corpo é linguagem quando faz coisas que produzem diferenças 
de sentido, mantendo e alimentando o desejo de diferir.
Nesse contexto, as relações entre os corpos envolvem o poder de afetar e 
ser afetado, conduzir e ser conduzido, agir e ser agido. 
7Dança de salão
A dança de salão pode ser interpretada como desejo, criação e força, uma vez que 
instiga a expressividade, a interação, os afetos e a construção das imagens de si e do 
outro. De acordo com Tavares (2001 apud ZANIBONI, 2007), vincula-se à necessidade 
de expressão de sentimentos, desejos, realidades e sonhos. Para a autora, a dança pode 
ser um caminho promissor de representação de experiências sensório-cinestésicas 
primitivas, bem como uma via de acesso à vida psíquica inconsciente.
Portanto, a dança de salão é um meio para que os estudantes desfrutem de 
experiências motoras e interpessoais diferentes das que os demais conteúdos das 
aulas de educação física possibilitam. As estratégias de ensino devem compor for-
mas de condução e encontro com outros corpos e ritmos. Para isso, é fundamental 
que os estudantes vivenciem e pratiquem a dança, estabelecendo e construindo 
estratégias individuais e coletivas para a resolução de conflitos e para a adaptação 
a cada parceiro, condução, ritmo, velocidade e fluidez de movimentos corporais. 
Princípios didático-pedagógicos
e funcionalidade
A dança de salão propicia inúmeros benefícios sociais, cognitivos e motores, além 
de estabelecer relações interpessoais. A necessidade de agir de acordo com a 
imanência de cada movimento corporal permite o desenvolvimento da criatividade 
em função da improvisação e estimula a solução de problemas. Da mesma forma, 
instiga o corpo a responder a comandos ou a ações a cada instante da dança e 
provoca a adaptação de ação e reação, bem como outros agentes que infl uenciam 
o seu desdobramento, como ambiente, espaço, música, ritmo e velocidade. Esse 
tipo de dança também permite o desvelamento de limitações ou capacidades 
físicas e habilidades motoras, tais como coordenação ampla, agilidade, equilíbrio, 
destreza, força, postura, capacidade cardiorrespiratória, entre outras.
Com a dança de salão como linguagem, as ações didático-pedagógicas 
(ZANIBONI, 2007): 
Dança de salão8
  favorecem o processo de (re)construção da imagem de si a partir da 
convivência entre “eu” e “tu” e, assim, estreitam osvínculos do “jogo 
do imaginário”;
  permitem o funcionamento da linguagem em uma situação em que se 
valoriza pulsões de vida, o que, consequentemente, pode permitir que a 
criança crie (para si e para o outro) um ambiente saudável de existência.
Assim, a dança de salão é uma linguagem artística de criação coletiva, 
intrínseca e de relações entre corpos motivados a fatores externos (música, 
ritmo, ambiente, etc.). Ademais, a dança de salão pode (ZANIBONI, 2007):
  permitir a criação de um espaço saudável de convivência em grupo;
  a partir da convivência, minimizar a angústia e o medo da solidão;
  favorecer que as crianças façam uma (re)construção saudável da sua 
imagem e da imagem do outro com quem dançam;
  a partir da construção, incentivar o respeito pelo corpo (simbólico) do outro;
  servir como motivação de uso de pulsões de vida para superar precon-
ceitos e valores sociais de si e do outro.
Em função da presença da dança de salão no Brasil, desde 2005 a Confederação 
Brasileira de Dança Esportiva integra a International Dance Sport Federation, tendo a 
sua sede em São Paulo (SP). Os objetivos principais da Confederação são a divulgação 
e a formação de professores capazes de ministrar cursos de dança esportiva e inserir 
o País no contexto mundial da dança esportiva, conforme definido pela instituição 
em 2008. A dança esportiva corresponde a uma modalidade esportiva e competitiva 
de dança de salão que obedece a regras definidas pela International Dance Sport 
Federation estabelecidas em 1930 na Inglaterra (RIED, 2008 apud VOLP, 2010).
Quanto aos princípios didático-pedagógicos e à funcionalidade da dança de 
salão nas aulas de educação física, sugere-se o uso de mídias digitais e a apre-
sentação de vídeos. Tendo em vista que muitos estudantes não possuem contato 
ou qualquer experiência com esse tipo de dança, apresentar vídeos é um potente 
recurso didático que facilita a compreensão da dança e das relações entre corpos 
e ritmos em geral. Vale mencionarmos que o intuito da utilização desse recurso 
não é a imitação daquilo que se observa, mas sim a exemplificação de variadas 
9Dança de salão
técnicas e estilos presentes no nosso País e ao redor do mundo, o que pode levar 
a compreender as possibilidades para a composição de passos entre dois corpos.
É preciso salientarmos aos nossos alunos as possibilidades de cada dança 
no que tange a saltos, giros, acrobacias, entre outras técnicas para que se 
sintam motivados a aprender e experimentar as variáveis que as danças de 
salão proporcionam, além de tornarem-se capazes de adaptá-las às capacidades 
e limitações corporais de cada um. Outro ponto relevante que se pode ser 
contextualizado com os estudos e o uso de vídeos é o conjunto de questões 
norteadoras acerca da relevância artístico-cultural e técnica. Por isso, devemos 
refletir sobre algumas questões (FREIRE, 2001): 
  Identificar os movimentos presentes na dança de salão: quais são as ações? 
Os movimentos são rápidos ou lentos, amplos ou restritos? Como é usado o 
espaço disponível para dançar? Em quais níveis e direções a dança acontece?
  Descrever as características e os estilos de cada dança.
  Descobrir quais são as tradições e a origem da dança apresentada, 
comentando e discutindo essas informações.
  Copiar certas ações e padrões rítmicos dos movimentos observados 
para integrá-los às próprias coreografias.
  Usar a criatividade para adaptar ou alterar os movimentos observados, 
assim como manter as características dos respectivos estilos de dança.
  Apreciar as similaridades e as diferenças entre os movimentos das 
danças apresentadas, bem como o tipo de música e os instrumentos 
que as acompanham.
O ensino de dança de salão deve levar em consideração a realidade 
local, as possibilidades e os interesses dos estudantes para que o conteúdo 
favoreça o desenvolvimento de questões técnicas e, sobretudo, de respeito, 
solidariedade e tolerância às limitações de cada indivíduo. Sobre isso, 
Marques (2003, apud FRIEDRICH, 2009, p. 9) afirma:
A escola pode fornecer parâmetros para sistematização e apropriação crítica, 
consciente e transformadora dos conteúdos específicos da dança e da sociedade. 
A escola tem papel de instrumentalizar e de construir conhecimento por meio 
da dança com seus alunos.
Nesse contexto, a dança de salão se converte em uma forma de manifestação 
dos movimentos corporais. No que tange ao viés educacional, pode servir 
como mecanismo de estímulo à crítica social, a valores, padrões e modismos 
Dança de salão10
vigentes ou, ainda, como processo performativo, trabalhando-se o movimento 
do corpo e as suas múltiplas sensações.
FREIRE, I. M. Dança-educação: o corpo e o movimento no espaço do conhecimento. 
Cadernos Cedes, ano XXI, nº. 53, abr. 2001. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2018.
FRIEDRICH, J. C. A dança de salão nas aulas de educação física. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2018.
MARQUES, I. A. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 1999.
PAULA, D. A. M. Dança de salão: história e evolução. 2008. 25 p. Trabalho de conclusão de 
curso (Licenciatura em Educação Física) — Instituto de Biociências de Rio Claro, Univer-
sidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2008. Disponível em: . 
Acesso em: 19 nov. 2018.
VOLP, C. M. A dança de salão como um dos conteúdos de dança na escola. Motriz, Rio Claro, 
v.16, nº. 1, p. 215-220, jan./mar. 2010. Disponível em: . 
Acesso em: 19 nov. 2018.
VOLP, C. M. Vivenciando a dança de salão na escola. São Paulo, 1994. Tese (Doutorado) 
— Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.
ZANIBONI, L. Dança de salão: uma possibilidade de linguagem. Revista Conexões, v. 5, nº. 
1, 2007. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2018.
Leituras recomendadas
ABREU, F. F. A mulher na dança de salão: sociabilidade, ensino e criação. 2011. Dissertação 
(Mestrado) — Programa de Pós-graduação em Ciência da Arte, Universidade Federal 
Fluminense, Niterói, 2011.
BRASILEIRO, L. T. O conhecimento no currículo escolar: o conteúdo dança em aulas de 
Educação Física na perspectiva crítica. 2001. Dissertação (Mestrado em Educação) — 
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2001.
CIN, J. D.; KLEINUBING, N. D. Dois pra lá e dois pra cá: as possibilidades da dança de salão nas 
aulas de educação física no Ensino Médio. Pensar a Prática, Goiânia, v. 18, nº. 4, out./dez. 2015.
GEHRES, A. F. Dançar nas escolas apesar das escolas: projeto em andamento. In: CON-
BRACE, 10., 1997, Goiânia. Anais... Goiânia, GO, 1997.
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