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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
DIRETORIA DE TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
CURSO DE MATEMÁTICA
FRANCISCA ISABEL CRISTINA SILVA CORREIA
A UTILIZAÇÃO DOS JOGOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA NAS TURMAS DO EJA
PASSAGEM FRANCA – MA
2024
FRANCISCA ISABEL CRISTINA SILVA CORREIA
A UTILIZAÇÃO DOS JOGOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA NAS TURMAS DO EJA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Matemática da Universidade Federal do Maranhão, como requisito para obtenção do título de Licenciatura em Matemática.
	Orientadora: Natarsia Camila Luso Amaral
PASSAGEM FRANCA – MA
2024
FRANCISCA ISABEL CRISTINA SILVA CORREIA
A UTILIZAÇÃO DOS JOGOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA NAS TURMAS DO EJA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Matemática da Universidade Federal do Maranhão, como requisito para obtenção do título de Licenciatura em Matemática.
Aprovação em: ________/________/__________
___________________________________________________________________
Orientador
___________________________________________________________________
1º Examinador
___________________________________________________________________
2º Examinador
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente à Deus, que me deu força para chegar até aqui.
Aos meus familiares e amigos que me apoiaram e incentivaram todos os anos que estive na faculdade.
A minha orientadora por toda colaboração, apoio, atenção e paciência.
Aos demais professores e colegas que fizeram parte dessa etapa decisiva em minha vida.
“Motivação é a arte de fazer as pessoas fazerem o que você quer que elas façam porque elas o querem fazer”. 
	
Dwight Eisenhow
RESUMO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que visa a isenção de pessoas que estão há algum tempo afastada da sala de aula, com o intuito de proporcionar a conclusão do ensino médio. A maioria dos alunos dessa modalidade são pessoas que trabalham o dia e estudam à noite, chegando à escola cansados e desmotivados. Por isso, é importante o professor utilizar diferentes metodologias de ensino, para que a relação ensino-aprendizagem não fique rotineira e desgastada, principalmente na Matemática, com à contínua necessidade de recorrer a conteúdos passados. Uma das possíveis soluções é a utilização de jogos didáticos no ensino da Matemática. O estudo tem como objetivo apresentar sugestões de jogos didáticos de matemática que podem ser utilizados em sala de aula, a fim de reduzir as dificuldades dos estudantes na disciplina de matemática na Educação de Jovens e Adultos. O presente estudo classifica-se como bibliográfico. Para a obtenção dos dados foi realizado uma busca nas bases de dados Scielo e Periódicos Capes. Foram selecionados três trabalhos que apresentam jogos didáticos de matemática, que podem ser utilizados na EJA. Nos trabalhos pesquisados foram encontrados três jogos didáticos que podem ser utilizados na EJA, a fim de reduzir as dificuldades de aprendizagem da Matemática. 
Palavras-Chave: Jogos Didáticos, EJA, Matemática.
ABSTRACT
Youth and Adult Education (EJA) is a teaching modality that aims to exempt people who have been away from the classroom for some time, with the aim of providing them with the completion of secondary education. The majority of students in this modality are people who work during the day and study at night, arriving at school tired and unmotivated. Therefore, it is important for the teacher to use different teaching methodologies, so that the teaching-learning relationship does not become routine and worn out, especially in Mathematics, with the continuous need to refer to past content. One of the possible solutions is the use of didactic games in teaching Mathematics. The study aims to present suggestions for didactic mathematics games that can be used in the classroom, in order to reduce students' difficulties in the mathematics subject in Youth and Adult Education. This study is classified as bibliographic. To obtain the data, a search was carried out in the Scielo and Periódicos Capes databases. Three works were selected that present didactic mathematics games, which can be used in EJA. In the researched works, three didactic games were found that can be used in EJA, in order to reduce difficulties in learning Mathematics.
Keywords: Didactic Games, EJA, Mathematics.
SUMÁRIO
	1.
	INTRODUÇÃO............................................................................................
	09
	2.
	REFERENCIAL TEÓRICO.........................................................................
	11
	2.1
	O ensino-aprendizagem da Matemática e a EJA.....................................
	14
	2.2
	O jogo como ferramenta de ensino e aprendizagem..............................
	18
	3.
	METODOLOGIA..........................................................................................
	22
	4.
	RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................
	24
	5.
	CONCLUSÃO.............................................................................................
	30
	
	REFERÊNCIAS...........................................................................................
	32
1. INTRODUÇÃO
Muitas são as dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), principalmente na disciplina de matemática, pois requer uma “bagagem de conhecimentos” adquiridos nas séries anteriores, e como a maioria desses alunos passaram muito tempo fora do ambiente escolar, se faz necessário uma dedicação maior por parte do professor, a fim de reduzir essas dificuldades. 
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) a educação de jovens e adultos é destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. A maioria dos estudantes dessa modalidade são pessoas que estão há muito tempo sem estudar e que trabalham o dia para estudar à noite. 
No contexto da prática docente o aluno da EJA, especialmente, é um grande desafio, necessita de um tipo de ensino diferenciado, includente, a fim de mantê-lo com entusiasmo na escola (GEITENS, 2013).
Para Almeida, Dantas e Cruz (2013) o jogo lúdico como forma de reforçar um conteúdo, ou até mesmo iniciá-lo, em sala de aula é bastante interessante e significativo, já que os alunos realmente conseguem aprender brincando e sem perceber muitas vezes, que está construindo o conhecimento. 
Estudos como esse são de suma importância, pois a partir dele o professor adquire o conhecimento sobre alguns jogos didáticos que podem ser trabalhados em sala de aula, a fim de auxiliar no processo ensino-aprendizagem da Matemática na Educação de Jovens e Adultos.
O estudo tem como objetivo apresentar sugestões de jogos didáticos de Matemática que podem ser utilizados em sala de aula, a fim de reduzir as dificuldades dos estudantes na disciplina de matemática na Educação de Jovens e Adultos. 
No contexto da prática docente, o aluno da EJA especialmente, é um grande desafio, pois necessita de um tipo de ensino diferenciado, includente, a fim de mantê-lo com entusiasmo na escola. É necessário que o professor seja capacitado para criar e reconhecer estratégias educacionais em função das situações particulares observadas por seus alunos jovens e adultos, buscando metodologias diferenciadas que facilitem no processo ensino aprendizagem. 
Os jogos matemáticos em sala de aula podem ser um recurso metodológico eficaz no sentido de motivar o ensino aprendizagem da matemática, tornando as aulas mais atrativas e desafiadoras, mostrando que a matemática pode ser interessante e estimulando os alunos a serem capazes de buscar soluções, enfrentar desafios, criar estratégias e se tornarem pessoas críticas. Neste sentido, os jogos podem ser usados para inserir, refletir e analisar conteúdos, visando um aprofundamento dos temas trabalhados. Devendo assim serescolhido e preparado com atenção para que os alunos adquiram os conceitos matemáticos pretendidos.
Consideramos que o jogo, em seu aspecto pedagógico, auxilia o professor na aprendizagem de estruturas matemáticas, muitas vezes de difícil compreensão; é também produtivo ao aluno, por desenvolver a sua capacidade de pensar, refletir, analisar e compreender conceitos matemáticos, com autonomia e cooperação. 
Teve-se como objetivo geral estimular o aprendizado da matemática, de forma lúdica e criativa, através da realização de jogos, superando resistências e dificuldades dos alunos da EJA quanto a esse conhecimento. Dentre os objetivos específicos, podemos citar: Incentivar os alunos na leitura, interpretação e discussão das regras do jogo; Propor o registro das jogadas ou estratégias utilizadas no jogo; Proporcionar discussões que possibilitem aos alunos entenderem os conhecimentos adquiridos; Incentivar a monitoria entre os alunos através do ensino dos jogos matemáticos. 
Trata-se de um estudo bibliográfico. A revisão sistemática da literatura foi realizada a partir das bases de dados on-line, como SCIELO e PERIÓDICOS CAPES, por meio da procura de produção científica que propusessem a utilização de jogos lúdicos pedagógicos no ensino de matemática. Na busca foram utilizados os descritores: jogos didáticos, EJA, matemática. A partir da busca, foram selecionados cinco trabalhos que apresentam jogos didáticos de matemática, que podem ser utilizados na EJA, por envolver conteúdos do ensino médio e de séries anteriores com o intuito do aluno fazer uma revisão dos assuntos. Os trabalhos foram selecionados por apresentar além das instruções do jogo sua aplicação em sala de aula.
2. REVISÃO DE LITERATURA
A educação é uma prática social que consiste na apropriação do saber historicamente produzido, ou seja, na própria atualização cultural e histórica do homem. De acordo com Candau (2008), o horizonte de sentido da educação é formar pessoas capazes de ser sujeitos de suas vidas, conscientes de suas opções e atores sociais comprometidos com um projeto de sociedade e humanidade. 
Para D’Ambrosio (2012), a educação é uma estratégia de estímulo ao desenvolvimento individual e coletivo, gerada pelos grupos culturais para facilitar que cada pessoa atinja o seu potencial e para estimular cada indivíduo a colaborar com outros na busca do bem comum.
Desde a antiguidade o jogo foi elemento de discussão para o ensino, acreditava-se que por meio dele, o ato de educar pudesse tomar rumos que abrangia a imaginação, a curiosidade e a própria aprendizagem de maneira alegre e eficaz. Sendo os jogos utilizados por diversos povos, como egípcios, romanos e maias. Para esses povos os jogos tinham a finalidade de ensinar valores, normas e padrões de vida advindos das gerações antecedentes. 
As relações com o lúdico se fazem presente em diversas áreas do conhecimento, na filosofia, Platão citado por Almeida apud Alves (2001, p.16), diz que “o aprender brincando” era mais importante e deveria ser ressaltado no lugar da violência e da repressão.
A palavra jogo pode apresentar muitas definições e existem vários significados para ela, por exemplo, no Aurélio (2004) jogo é: “atividade física ou mental fundada em sistemas de regras que definem perda ou ganho, passatempo, jogo, vício de jogar, série de coisas que formam um todo, balanço, oscilação, manha, astúcia”. 
Huizinga (1980) define jogo como: “uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana”. Enfim, são várias as definições e até sinônimos para ele. A mesma atitude pode ser jogo ou não jogo, dependendo da cultura ou da forma que se faz entendimento.
Para algumas pessoas, o jogo pode ser visto apenas como recreação, ou seja, como bem-estar para aqueles que jogam, enquanto para outras pode ser visto como um suporte na aquisição do conhecimento ou, ainda, há os que pensam que os jogos são uma preparação para a vida adulta, é um meio de aquisição de regras, fato característico da vida em sociedade.
Além da Constituição Federal de 1988, a Lei 9394/1996 (BRASIL, 1996), que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, também prevê acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para os que não os concluíram na idade própria e se refere a esta educação como “Educação de Jovens e Adultos”.
A modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos (EJA), ainda popularmente conhecida como supletivo, tem a intenção de garantir o direito a educação como condição indispensável em uma sociedade democrática, é de extrema necessidade para reparação dos danos sociais, educacionais e profissionais, para milhares de brasileiros que privados de participar da escolarização na idade regular.
O propósito da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é proporcionar o acesso à Educação Básica aos que não tiveram condições frequentar a escola na faixa etária determinada nas Diretrizes Curriculares propostas e na Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresenta desafios específicos, e um dos principais está relacionado à dificuldade de engajamento dos alunos no processo de aprendizagem da matemática. Como premissa principal, este estudo perpassa a perspectiva de Grando (2004) quando a autora infere que a sua percepção por análise de jogo é "a reflexão desenvolvida pelos alunos sobre os procedimentos utilizados na elaboração de estratégias e resolução de situações-problema presentes no jogo ou definidas a partir dele." (Grando, 2004, p.9)
Os estudantes da Educação de Jovens e Adultos têm muitas peculiaridades nos mais variados sentidos, dentre elas estão: o tempo de afastamento dos estudos, as dificuldades de aprendizagem, além do fato de ser um público diverso e de diferentes faixas etárias, formado por adolescentes, jovens, adultos e idosos que estão em busca de melhores condições de trabalho e, consequentemente, de vida. Em virtude disso, esta modalidade de ensino precisa de atenção especial por parte do poder público, dos gestores, dos educadores e da sociedade em geral.
No decorrer dos últimos anos a Matemática, disciplina de fundamental importância na formação dos cidadãos, sofreu mudanças significativas. Porém, ela continua sendo considerada uma das maiores vilãs dentre as disciplinas, sendo responsável por altos índices de reprovação de alunos. Podemos afirmar que as dificuldades na aprendizagem desta disciplina são motivadas pelas próprias características da disciplina, pela capacitação por vezes inadequada dos professores referente a esta disciplina e pela falta de contextualização.
Atualmente há muitas reflexões, discussões e pesquisas a respeito das dificuldades de aprendizado na área de Matemática em todos os níveis e modalidades de ensino, inclusive na Educação de Jovens e Adultos. Os autores Oliveira e Bitencourt (2015) concordam e afirmam que na última década do século XXI cresceu o número de pesquisas que se preocupam com o ensino de Matemática em modalidades diferenciadas, como é o caso da EJA. 
Aguirre e Quevedo (2010) também destacam as constantes e crescentes reflexões e pesquisas sobre as dificuldades de aprendizado em Matemática ao perceberem a preocupação dos professores com o aumento do índice de reprovação na disciplina de Matemática, principalmente na Educação de Jovens e Adultos.
Os jogos pedagógicos utilizados nas aulas devem atender aos anseios dos estudantes e o professor deve passar segurança, além de demostrar paciência para se obter o aproveitamento desejado. Aula atraente e motivadora é um estímulo a mais na aprendizagem dos estudantes, e para que isso aconteça, os professores precisam ter o domínio do conteúdo e estratégias que dinamizem a permanência do aluno em suas aulas. Deve-se salientar que é necessário envolver conceitos básicos das operaçõesfundamentais com a realidade dos estudantes. As atividades propostas devem ser adequadas e claras, contendo as informações preliminares para o entendimento da motivação para o desenvolvimento da pesquisa.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998, p. 42), é consensual a ideia de que não existe um caminho que possa ser identificado como único e melhor para o ensino de qualquer disciplina. No entanto, conhecer diversas possibilidades de trabalho, em sala de aula, é fundamental para que o professor construa sua prática. Dentre elas, destacam-se a História da Matemática, as tecnologias da comunicação e os jogos, recursos que podem servir como instrumentos para a construção das estratégias de ensino da Matemática. Assim é importante o professor conhecer as diversas possibilidades de trabalho para construir a sua prática.
Diversos estudos têm demonstrado os benefícios do uso de jogos no ensino da matemática na EJA. Uma das principais vantagens é o aumento do engajamento dos alunos. Os jogos proporcionam uma experiência lúdica e desafiadora, que estimula a participação ativa dos estudantes e torna a aprendizagem mais motivadora (Apresentação & Teixeira, 2014).
Além disso, esses jogos oferecem um ambiente propício para a aplicação prática dos conceitos matemáticos, permitindo que os alunos experimentem situações-problema reais e desenvolvam habilidades de resolução de problemas e raciocínio lógico.
O uso de jogos em sala de aula motiva e desperta o interesse do aluno, tornando a aprendizagem mais atraente e significativa. Em aulas com jogos, o aluno é um ser ativo no seu processo de aprendizagem, ao contrário de como se dá em aulas tradicionais, em que ele é um ser passivo. Sabe-se que o jogo possibilita momentos de prazer aos alunos e é considerado um recurso pedagógico importante no aprendizado da Matemática.
Tendo em vista esta heterogeneidade do público da Educação de Jovens e Adultos, reunidos em uma mesma turma, é primordial que o professor seja um profissional comprometido com o fazer pedagógico e com a transformação de vida desses alunos e que construa uma prática que tente atender às diferentes necessidades de aprendizagem.
2.1 O ensino-aprendizagem da Matemática e a EJA
Sabe-se que, desde o início da vida escolar, muitos alunos apresentam temor em relação à Matemática. Esta insatisfação deixa claro que existem problemas que precisam ser revertidos, pois ainda há escolas centradas em procedimentos mecânicos, desprovidos de significados para os estudantes.
Quando falamos em matemática, geralmente, fazemos referência a algo difícil, frio ou até mesmo com pouca inovação. Esta alusão se deve ao fato de que muito provavelmente, quando tivemos contato com ela, sobretudo em sala de aula, o professor conduziu e/ou ainda conduz o processo de ensino e aprendizagem de modo exclusivamente tradicional, com aulas expositivas e prendendo-se, na maioria das vezes, apenas ao livro didático.
Ensinar Matemática de forma contextualizada deve ser obrigatoriamente uma das preocupações dos docentes, pois há a necessidade de o ser humano compreender os fenômenos que o cerca a fim de ampliar, aprofundar e organizar, progressivamente, o seu conhecimento e a sua intervenção sobre estes fenômenos. Isso sempre impulsionou a humanidade na construção do conhecimento matemático.
O conceito de Educação de Jovens e Adultos, EJA, surgiu apenas com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96, pois anteriormente era chamada de Educação de Adultos. Essa modalidade de ensino da educação básica contempla o ensino fundamental e médio gratuito para jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade própria. A carga horária é a metade da destinada ao ensino regular fundamental e médio.
Os educandos matriculados na EJA têm histórias de vida, na sala de aula encontram-se indivíduos com idades, naturalidade, histórico familiar, diferentes, alguns já possuem um currículo profissional outros ainda nem ingressaram no mercado de trabalho. O nível de conhecimento dentro de uma mesma turma é variado, é possível ter um aluno que em sua profissão se articula muito bem, mas não lê/ escreve nada ou precariamente, e o discente que conhece as letras e/ou números, mas não aprendeu a decifrá-los.
Nesta direção, Covaleski e Koehler (2010) destacam que a educação destinada a jovens e adultos dá oportunidade de estudo para pessoas que ficaram à margem da escolaridade, seja porque ingressaram cedo no mercado de trabalho ou porque viveram experiências escolares frustradas.
Para Camboim e Marchand (2010), a modalidade de ensino direcionada a jovens e adultos tem ocupado papel de destaque no processo de democratização da escola brasileira nas últimas décadas e ressaltam ainda que as discussões a respeito da EJA giram em torno de como proporcionar aos jovens e adultos o acesso a uma educação de qualidade.
Uma coisa em comum entre esses estudantes, é que não foram alfabetizados em idade regular, e agora precisam tentar recuperar o tempo perdido, e conciliar os estudos, com as novas responsabilidades que vieram com o decorrer dos anos em suas vidas como filhos, família e trabalho. Para que uma aula atinja o propósito do processo de ensino aprendizagem, são necessários dois elementos principais: o professor com seu conhecimento, planejamento e didática, e o aluno que deve ter seu desejo de saber aguçado pelo primeiro.
Segundo Lungarzo (1991, p. 111), “a Matemática tem uma função quase tão essencial em nossa vida quanto a linguagem. Praticamente todas as pessoas, com qualquer grau de instrução, se utilizam de uma ou outra forma de Matemática”. É possível percebê-la com um simples olhar, seja nos contornos, nas formas, nas medidas ou nas operações básicas que são utilizadas constantemente. 
Sendo assim, a partir dos mais variados campos da atividade humana, torna-se cada dia mais necessário o domínio de alguns conceitos e processos matemáticos, para desenvolver a capacidade de raciocinar logicamente, atividade fundamental para a maioria das profissões, pois “a utilização do cotidiano das compras para ensinar Matemática, revela práticas aprendidas fora do ambiente escolar, uma verdadeira Etnomatemática do comércio” (D’Ambrosio, 2005, p. 23).
A ação pedagógica dos professores na maioria das escolas é seguir à risca o planejamento e a quantidade de conteúdos programados. Assim, a aprendizagem do aluno deixa de ser o objetivo primordial. A realidade das salas de aula é fator preocupante, pois em nenhum momento são geradas situações para que o aluno seja criativo, crítico, investigativo e desafiador, explorando os seus conhecimentos prévios e descobrindo que a Matemática é um objeto de pesquisa para trabalhar com situações problema.
Levando em consideração os fatos mencionados, percebe-se que as concepções matemáticas precisam ser modificadas, alteradas para que o ensino-aprendizagem matemático alcance uma renovação. “A educação enfrenta em geral grandes problemas. O que considero mais grave, e que afeta particularmente a Educação Matemática de hoje, é a maneira deficiente como se forma o professor” (D’Ambrosio, 2005, p. 83).
Ainda hoje, nota-se que os processos no ensino de matemática para adultos são realizados com métodos ou atividades preparadas para crianças, além disso, Duarte (2009) afirma também que os adultos têm dificuldades para associar a matemática escolar com a matemática utilizada em suas experiências cotidianas, sentindo-se muitas vezes ignorantes com relação ao aprendizado da Matemática.
Cabe destaque para D’Ambrosio (2012, p. 104) que afirma que “contextualizar a matemática é essencial para todos (...)”. Essa contextualização é essencial para a educação de todos, pois promove a igualdade e a justiça social.
A Escola é o lugar instituído pela sociedade para que esse encontro aconteça de maneira mais eficiente, para que os objetivos da aula - com o planejamento prévio do professor, onde devem ser considerados os mais diversos aspectos possíveis como o volume de informações que se pretende apresentar, a adequaçãoao público-alvo, o tempo e o local disponível - sejam alcançados. O indivíduo que frequenta a EJA tem a necessidade de um ensino diferenciado, que o faça se sentir parte do processo, incluso, que o entusiasme a prosseguir na escola, e dê força e perspectivas para superar os desafios de frequentar uma escola depois de um turno de trabalho exaustivo.
No que se refere à contextualização dos conteúdos matemáticos, Vasconcelos (2008) defende que ela não pode ser compreendida como uma redução aos aspectos utilitários dessa ciência, abordando-se apenas o que o professor considera como parte do cotidiano do aluno: 
Embora as situações do dia a dia tenham grande importância no sentido de favorecer a construção de significados para muitos conteúdos a serem estudados, faz-se necessário considerar a possibilidade de construção de significados a partir de questões internas da própria Matemática, caso contrário, muitos conteúdos seriam descartados por não fazerem parte da realidade dos alunos. Além disso, muitas razões explicam uma formação básica para todas as pessoas e o aspecto utilitário é apenas uma delas (VASCONCELOS, 2008, p. 46).
O professor precisa ter conhecimento e estratégias diferenciadas que atendam situações, dificuldades e medos que os seus alunos possam apresentar no cotidiano escolar, facilitando assim o processo de ensino aprendizagem.
Na Educação de Jovens e Adultos é crucial que os professores busquem meios diferenciados de ensinar para que os estudantes tenham uma aprendizagem mais significativa, de forma que façam uma relação entre o que aprenderam na escola e a sua realidade social. Por isso é importante que o professor desta modalidade de ensino conheça seus alunos, seus conhecimentos prévios, bem como o contexto ao qual ele está inserido e as necessidades que o levaram a retornar à escola (OLIVEIRA; BITENCOURT, 2015).
Sendo assim, uma das formas de ensino seria mudar o processo educacional, dando espaço aos alunos para atuarem como seres que pensam e agem. O professor deve ser o orientador, um monitor, não o centro do saber.  Também é de suma importância a aplicação de novas propostas metodológicas que visem a uma melhoria no ensino da Matemática, tais como Etnomatemática, modelagem matemática e a ludicidade, no uso de jogos.
2.2 O jogo como ferramenta de ensino e aprendizagem
O jogo pedagógico desenvolvido na escola como atividade lúdica deve ser: desafiador, ter objetivo, garantir a participação de todos os jogadores do início ao fim e o professor deve respeitar o desejo do aluno em jogar ou não (GRANDO, 2004). O trabalho com jogos na sala de aula de Matemática pode preparar o aluno “para se adaptar ao mundo do trabalho, desde que o caráter lúdico do jogo não seja comprometido” (GRANDO, 2000, p. 33).
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de matemática não há um caminho exclusivo para o ensino de qualquer disciplina, em particular, a matemática. As possibilidades de trabalho são muitas, na qual o educador poderá construir sua própria prática. Sendo assim, o jogo se torna um recurso que fornece os contextos do problema e ao mesmo tempo, faz com que o aluno desenvolva estratégias para solucioná-lo. 
O jogo deve ser visto como um importante instrumento pedagógico, para favorecer a aprendizagem do aluno, em especial a aprendizagem matemática e através dos jogos, os educandos vão percebendo que é possível aprender de forma divertida, passando assim, a compreender e a utilizar convenções e regras que serão empregadas no processo de ensino aprendizagem, tendo um melhor aprendizado em relação aos conteúdos vistos e que a escola não é o único local de realização de atividades matemáticas. 
Aprender matemática através de jogos para nossos educandos não é considerado como um momento para a aprendizagem, pois o aluno não identifica a ligação entre a atividade lúdica e a possibilidade de se aprender a matemática. Para a maioria dos nossos alunos, o intervalo das aulas é ligado ao momento de descontração, conversa, jogos e a aprendizagem é ligada ao contexto de trabalho. 
Com relação à intervenção pedagógica, o professor (a) deve esclarecer dúvidas, questionar estratégias e decisões, solicitar justificativas de suas jogadas, observar necessidades e propor desafios, incentivar a expressão com a oralidade, sistematizar e observar a organização, o interesse, registros, verificar se os alunos fazem previsões ou reconhecem seus erros nas jogadas, usam papel e lápis. (GRANDO, 2008).
Com a utilização dos jogos, os alunos se esforçam para superar obstáculos, tanto cognitivos quanto emocionais, sendo que se estão motivados, ficam mais ativos mentalmente. Sendo o jogo livre de pressões e avaliações faz com que haja uma maior aprendizagem.
Segundo Kishimoto (1999, p.96), 
“Sabemos que as experiências positivas nos dão segurança e estímulo para o desenvolvimento. O jogo nos propicia a experiência do êxito, pois é significativo, possibilitando a autodescoberta, a assimilação e a integração com o mundo por meio de relações e de vivências”.
Segundo Alves (2007, p.26), “para Moura (1994), o jogo tem a finalidade de desenvolver habilidades de resolução de problemas,” onde o educando tem a oportunidade de aprender os conteúdos matemáticos e ao mesmo tempo construir instrumentos necessários á ação de aprender. Ao se trabalhar com as atividades lúdicas, o aluno aprende brincando, sem obrigatoriedade ou imposição do educador, motivando-se para uma nova aprendizagem e fixação de noções já conhecidas. 
A Matemática é uma área de conhecimento que possibilita ao educando entender a realidade a sua volta e agir sobre ela. Ela tem um papel essencial na formação de capacidades intelectuais e no desenvolvimento do pensamento, da criatividade, da autonomia e da capacidade do aluno para enfrentar desafios, contribuindo assim com a formação deste aluno como cidadão. 
Todavia, conforme destacado por Vasconcelos (2008), apesar da importância atribuída ao ensino e à aprendizagem de Matemática, o seu ensino tem sido caracterizado por altos índices de reprovação, o que faz muitos acreditarem que esta disciplina é direcionada apenas a pessoas mais “talentosas”.
Para Martin e Bisognin (2012), pensar a Matemática significa pensar numa articulação com situações reais, que tenha significado para o educando, com objetivo de formar um cidadão que tenha capacidade de transpor os conhecimentos adquiridos na escola para a sua vida em sociedade. Desse modo, ao interagir o novo conhecimento com o que ele já possui, o aluno “[...] modifica os conhecimentos adquiridos, transferindo-os para outras áreas e articulando um novo conhecimento” (MARTIN; BISOGNIN, 2012, p. 20).
De acordo com Ryn & Trevisan (2016), os jogos auxiliam na compreensão dos conceitos matemáticos, proporcionando uma abordagem concreta e tangível, permitindo que os alunos visualizem e manipulem os elementos matemáticos de forma interativa. Isso facilita a compreensão dos conceitos abstratos e promove uma aprendizagem mais significativa e duradoura. Além disso, os jogos promovem a prática constante dos conteúdos matemáticos, contribuindo para a consolidação e a retenção dos conhecimentos adquiridos.
Os jogos também promovem o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e o trabalho em equipe. Durante as partidas, os alunos são incentivados a interagir, colaborar, comunicar suas ideias e negociar estratégias com os colegas e essa interação social fortalece as habilidades de comunicação, cooperação e respeito mútuo, além de proporcionar um ambiente inclusivo e colaborativo de aprendizagem (Brasil, 2002).
Desafiar nossos alunos com os jogos faz com que haja um progresso na aprendizagem do aluno, desenvolvendo competências para a resolução de problemas.
Apesar dos benefícios evidentes, o uso de jogos no ensino da matemática na EJA também apresenta desafios e considerações relevantes. Um dos principais desafios é a seleção adequada dos jogos, levando em consideração os objetivos de aprendizagem e a faixa etária dos alunos. É essencial escolher jogos que sejam apropriadospara as habilidades matemáticas e que proporcionem desafios adequados ao nível de conhecimento dos estudantes (Brasil, 2002).
É importante observar que o jogo pode propiciar tanto a construção de conhecimentos novos, um aprofundamento do que foi trabalhado ou ainda, revisão de conceitos já aprendidos, servindo como um momento de avaliação processual pelo professor e de autoavaliação pelo aluno. (BRASIL, 2014, p.5).
É possível citar alguns jogos que podem ser utilizados na aprendizagem da matemática, como: Sudoku, Mancala, Torre de Hanói, Cinco linhas, Ouri, Bingo com operações matemáticas, Salute, Cubo de Rubik, Tangran, Amarelinha Matemática, mas há muitos outros que podem também ser adaptados e utilizados com esse objetivo.
Para Alves (2007), é preciso urgentemente repensar a formação do professor que atua na Educação de Jovens e Adultos para capacitá-lo a estabelecer pontos de mediação entre o saber matemático escolar e o saber matemático do cotidiano dos alunos.
Na mesma linha de raciocínio, Aguirre e Quevedo (2010) ressaltam a importância do professor criar possibilidades para que as experiências Matemáticas dos educandos construídas em situações do dia a dia ou do trabalho sejam incorporadas na construção de novos saberes na sala de aula.
Podemos dizer que, o jogo, numa visão pedagógica, ajuda o professor no processo de ensino aprendizagem das estruturas matemáticas, considerada por muitos de difícil compreensão, facilita a interdisciplinaridade, para o aluno é de grande auxílio porque aflora a sua capacidade de pensar, refletir, analisar e compreender conceitos matemáticos, com maior facilidade, autonomia e cooperação, promove a socialização nos trabalhos em grupo.
Além disso, é importante que os professores estejam devidamente preparados para utilizar os jogos de forma eficaz, isso requer um entendimento profundo dos conceitos matemáticos abordados, bem como habilidades pedagógicas para integrar as atividades lúdicas ao currículo e fornecer suporte adequado aos alunos durante o processo de aprendizagem (Brasil, 2002).
Outro aspecto a ser considerado é a necessidade de avaliação efetiva dos resultados obtidos com o uso de jogos. É fundamental que sejam estabelecidos critérios claros de avaliação, que permitam identificar o impacto das atividades lúdicas no aprendizado dos alunos. A análise dos resultados contribuirá para o aprimoramento contínuo das práticas pedagógicas e a adaptação dos jogos às necessidades específicas dos alunos da EJA.
3. METODOLOGIA
Com o intuito de discutir sobre as principais temáticas apontadas neste estudo, foi utilizada a pesquisa bibliográfica com uma abordagem qualitativa e quantitativa. Foram consultadas produções científicas relacionadas a importância do estudo de metodologias de ensino na formação inicial dos professores, realizada por diferentes autores, tais como Alves (2007), Geitens (2013), Almeida, Dantas e Cruz (2013), D’Ambrósio (2012), Camboim (2010), Vasconcelos (2008), dentre outros.
Para a fundamentação teórica foram usados como fonte de pesquisa: textos acadêmicos, publicações periódicas e revistas publicadas no período entre 2000 e 2024, bem como sites especializados no assunto com a finalidade de buscar, na literatura, aspectos relevantes à temática apresentada. 
Como primeira etapa da revisão, realizou-se um levantamento bibliográfico que teve por finalidade obter referências sobre determinado tema (CERVO; BERVIAN, 2002). Os dados obtidos são provenientes do Portal de Periódicos da CAPES por permitirem o alcance de obras dessa área de forma gratuita e integral, configurando-se o âmbito da pesquisa. O primeiro acesso à plataforma ocorreu em 08/11/2024 e o uso das palavras-chave respeitou o idioma da fonte de pesquisa. Não houve recorte temporal pré-estabelecido; todos os artigos revelados na pesquisa foram inicialmente considerados, enquadrando trabalhos do período de 2000 a 2024, totalizando 96 artigos. O operador booleano utilizado na busca foi o AND e, nesse primeiro momento, consistiu na aferição dos artigos que continham, em sua apresentação textual, os termos anos iniciais, matemática e jogos.
Os critérios de inclusão são: apresentação das palavras-chave em qualquer parte textual da obra; tipologia do texto – artigo; disponibilidade – online e gratuito. Já os critérios de exclusão foram: não se tratar de uma prática com a aplicação dos jogos; a prática não compreende o público da educação infantil e/ou ensino fundamental I; arquivo repetido; arquivo não abre. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram retirados os textos que não estavam contextualizados com o objeto de estudo deste trabalho, obtendo 26 trabalhos (2000-2024) para análise.
Para mapear os artigos, estabeleceram-se as seguintes questões de pesquisa que orientam as análises a um detalhamento maior: Qual tipo de jogo é predominante: manual ou digital?; De que forma os jogos são aplicados em sala de aula?; Como se deu a construção desses jogos?; Em qual ano escolar o uso de jogos é mais frequente e quais os conteúdos matemáticos?; Existe avaliação pré e/ou pós-jogo?; Como é a participação da criança ao longo do processo?
Os artigos selecionados estão organizados como: AT (Artigo) considerando o título, ano da publicação, o periódico, e, se no trabalho consta o tema Jogos Matemáticos e EJA, Motivação e Interesse, e/ou Ensino aprendizagem.
Quanto às produções acadêmicas; Dissertações e Teses, a pesquisa deu-se via Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o termo utilizado no campo de busca foi: “Jogos Matemáticos e Educação de Jovens e Adultos”. O catálogo apresentou um total de 180, e desses trabalhos, foram feitas restrições na busca. Desses trabalhos foram selecionados 30, dos quais foram selecionados como material de análise 12, sendo seis (6) Teses e seis (6) Dissertações que estavam alinhadas ao propósito da busca, para essa revisão. A intenção era averiguar os jogos matemáticos em sala de aula e sua influência na motivação e interesse dos alunos da EJA pela Matemática.
Os trabalhos constantes (artigos, dissertações e teses) apresentados para esta revisão, ofereceram elementos de estudos teóricos e metodológicos a respeito dos jogos matemáticos na EJA e sua influência na motivação e interesse no ensino e aprendizagem em Matemática. Percebe-se também nos trabalhos demonstrados que praticamente todos afirmam que os jogos matemáticos interferem de modo positivo na aprendizagem matemática, ressaltando as dificuldades dos alunos, com relação à disciplina Matemática, e evidenciando também as adversidades que os professores dessa modalidade encontraram para exercer suas atividades em sala de aula, por não terem material didático adequado e o esforço em buscar metodologias ativas, a fim de facilitar e melhorar a aprendizagem dos alunos.
Considerando a relevância dos trabalhos encontrados e o objetivo desta pesquisa, foram utilizadas as questões de pesquisa previamente descritas neste texto para guiar a análise dos dados. Além disso, para ter um panorama geral das publicações analisadas, foram observados os principais referenciais, os periódicos e os anos de publicação dos artigos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com Nunes, Bryant & Sylva (2009), jogos matemáticos podem promover a compreensão conceitual, estimular o pensamento crítico e fortalecer a confiança dos alunos em relação às suas habilidades matemáticas. Através da participação ativa em atividades lúdicas, os alunos têm a oportunidade de aplicar os conhecimentos matemáticos de forma prática e contextualizada, o que contribui para uma aprendizagem mais significativa (Grando, 2004).
Segundo Boaler (2016), oferecer aos alunos a liberdade de explorar diferentes abordagens matemáticas encoraja o pensamento flexível e promove uma compreensão mais profunda dos conceitos. O autor ressalta que o reconhecimento do esforço e das conquistas individuais dos alunos contribui para um ambiente de aprendizagem positivo e motivador.
A didáticautilizada, pelo docente pode ser a mais diversa, deve estar de acordo com o tema, a faixa etária da turma, o tempo e local (que não precisa ser necessariamente a sala de aula, devendo o professor ser criativo para que os alunos tenham o maior contato possível o conteúdo que está sendo tratado, dentro ou fora da escola), sempre pensando na melhor maneira de fomentar no aluno a vontade de aprender, de pesquisar, dando ao discente a oportunidade de interagir durante a aula, integrando o seu conhecimento prévio, e fazendo-o pensar além.
Na concepção de uma aula mais humana, que entenda e respeite as habilidades e limitações dos alunos, entendemos que a aprendizagem contribui para o desenvolvimento integral do ser e não pode se reduzir a cópias ou reproduções de uma realidade, na qual a escola se encontra inserida. (ROBSON E INFORSATO, 2011, p. 82).
Os jogos matemáticos além de ser um bom recurso metodológico, que auxilia no aprofundamento do tema da aula, aproxima a matéria ao meio ambiente do aluno, fazendo-o refletir e analisar os conteúdos apresentados com outro olhar, estimulando a busca de soluções, a criação de estratégias, e encarar os desafios com uma perspectiva de vitória.
O jogo na escola foi muitas vezes negligenciado como uma atividade de descanso ou apenas como um passatempo. Embora esse aspecto possa ter lugar em algum momento, não é essa a ideia de ludicidade de um trabalho sobre a qual organizamos nossa proposta, porque esse viés tira a possibilidade de um trabalho rico, que estimula as aprendizagens e o desenvolvimento de habilidades matemáticas por parte dos alunos. Quando propomos jogos nas aulas de matemática, não podemos deixar de compreender o sentido da dimensão lúdica que eles têm em nossa proposta (Smole et al., 2007, p. 10).
Os jogos matemáticos além de ser um bom recurso metodológico, que auxilia no aprofundamento do tema da aula, aproxima a matéria ao meio ambiente do aluno, fazendo-o refletir e analisar os conteúdos apresentados com outro olhar, estimulando a busca de soluções, a criação de estratégias, e encarar os desafios com uma perspectiva de vitória.
Esses resultados reforçam a relevância dos jogos matemáticos no contexto da educação de jovens e adultos. Ao utilizar abordagens lúdicas, é possível envolver os alunos de forma ativa, despertar seu interesse pela disciplina e fortalecer suas habilidades matemáticas (Beraldi & Mattos, 2020). 
A incorporação de jogos matemáticos no processo de ensino e aprendizagem pode contribuir para superar possíveis lacunas no conhecimento matemático de alunos que interromperam seus estudos por longos períodos (Bastos-Junior &Freitas, 2018).
Os jogos podem tornar as aulas mais estimulantes, prazerosas e significativas, além disso, trazem contribuições culturais, sociais, afetivas, motoras e cognitivas contribuindo com a redução da evasão escolar e favorecendo a aprendizagem. Os discentes mostram disposição para brincar, jogar, contar e a ouvir histórias, construindo um cenário imaginário no qual criam e representam diferentes personagens. Nos momentos de jogo, empenham-se com seriedade e prazer, procurando aprimorar, conhecer e desafiar suas habilidades. 
Segundo Groenwald e Timm (s/d) cabe a nós enquanto educadores matemáticos procurar alternativas para aumentar a motivação para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, concentração, atenção, raciocínio lógico-dedutivo e o senso cooperativo, desenvolvendo a socialização e aumentando as interações entre os indivíduos.
De acordo com Gallego (2007) o jogo, além de ser um objeto sociocultural em que a matemática está inserida, ele é uma atividade natural no desenvolvimento dos processos psicológicos básicos; supõe um “fazer sem obrigação externa e imposta”. Já que a aprendizagem da matemática está totalmente ligada à compreensão, isto é, apreensão do significado, os parâmetros curriculares nacionais (PCN´s) salientam que os jogos são fontes de significados, e, portanto, possibilitam compreensão, geram satisfação, formam hábitos que se estruturam num sistema. (BRASIL, 1998).
Ressalta-se que para isso, é essencial que os profissionais da educação conheçam as relações entre a ludicidade, os estágios do desenvolvimento e a vida sociocultural dos estudantes para avaliar, quais jogos são mais adequados aos interesses, conceitos e habilidades dos discentes, também os objetivos pretendidos. O professor é um mediador da relação do aluno com um novo mundo de aprendizagens.
Esses resultados reforçam a importância dos jogos matemáticos como uma estratégia pedagógica eficaz para a educação de jovens e adultos. Através dos jogos, os alunos são incentivados a participar ativamente das atividades, desenvolver habilidades matemáticas e ganhar confiança em suas capacidades. Além disso, a abordagem diversificada das multiplicações promove uma compreensão mais ampla dos conceitos e estimula o pensamento crítico.
Almeida, Santos e Carneiro (2016) nos chamam à atenção para o espaço em que nossos estudantes estão socialmente inseridos porque esse espaço no qual estão convivendo requer uma compreensão de matemática e, nossos alunos ao irem para a escola já levam consigo situações que a envolvem, ou seja, possuem uma matemática articulada a formas culturais distintas de matematizar, associada ao contexto cultural do estudante, que nós, educadores, devemos valorizar e utilizar de seus conhecimentos prévios matemáticos, pois o primeiro passo “cabe ao professor, frente à sua formação, fazer críticas à sua disciplina e romper com velhos paradigmas” (URPIA et al., 2021).
Os jogos devem ser inseridos nas aulas de matemática, numa tentativa de auxiliar o aluno a agir livremente sobre suas ações e decisões, fazendo com que o mesmo desenvolva capacidade de compreender e aceitar as dinâmicas cotidianas, tornando o educando mais flexível e aberto a mudanças.
Pensando nas possibilidades de jogo no ensino da matemática na EJA, o que necessita ser destacado é que em vários momentos, jovens e adultos, exercem atividades com jogos em seu cotidiano, fora de sala de aula. E muitos destes jogos, geralmente de forma indireta, exploram noções matemáticas que são simplesmente vivenciados durante sua ação sem nos darmos conta deste fato.
Conforme Silva (2005): 
Ensinar por meio de jogos é um caminho para o educador desenvolver aulas mais interessantes, descontraídas e dinâmicas, podendo competir em igualdade de condições com os inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola, despertando ou estimulando sua vontade de frequentar com assiduidade a sala de aula e incentivando seu envolvimento nas atividades, sendo agente no processo de ensino e aprendizagem, já que aprende e se diverte, simultaneamente (p. 26). 
Ao ensinar matemática, deve-se ter como objetivo, desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente e a capacidade de resolver problemas. Como educadores, devemos procurar alternativas para estimular e motivar a aprendizagem de nossos alunos, desenvolvendo a autoconfiança, a organização, concentração, atenção, raciocínio lógico-dedutivo e o senso cooperativo, desenvolvendo assim a socialização e aumentando as interações do indivíduo com outras pessoas. 
Neste sentido, os jogos podem ser usados para inserir, refletir e analisar conteúdos, visando um aprofundamento em temas trabalhados. Devendo assim ser escolhido e preparado com atenção para que os educandos adquiram os conceitos matemáticos pretendidos.
Borin (1996) reflete esta questão afirmando:
Outro motivo para a introdução de jogos nas aulas de matemática é a possibilidade de diminuir bloqueios apresentados por muitos de nossos alunos que temem a Matemática e sentem-se incapacitados para aprendê-la. Dentro da situação de jogo, onde é impossível uma atitude passiva e a motivação é grande, notamos que, ao mesmo tempo em que estes alunos falam matemática, apresentam também um melhor desempenho e atitudes mais positivas frente a seus processos de aprendizagem (p. 09).
A utilização dos jogos como recursodidático exige um bom planejamento, com metodologia e objetivos bem definidos, que além de auxiliar o professor também proporcione momentos de reflexão sobre a prática e ensino de determinado conteúdo de forma que ao mesmo tempo favoreça a relação professor, aluno e saber matemático.
Muitos são os argumentos que fundamentam a recorrência à utilização do jogo como princípio educativo, como os PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais –, pois além de reconhecerem o expresso ligeiramente acima, acrescentam “[...] que os jogos façam parte da cultura escolar, cabendo ao professor analisar e avaliar a potencialidade educativa dos diferentes jogos e o aspecto curricular que se deseja desenvolver” (PCN, 1997, p. 36). 
A BNCC (Base Nacional Comum Curricular), um documento normativo que define um conjunto de aprendizagens essenciais que os alunos devem desenvolver ao longo do seu processo formativo, ressalta que a aprendizagem matemática ocorre quando se consegue atribuir significado a ela e este significado tanto pode ser possibilitado pelos objetos matemáticos quanto por outros meios, como no caso, o cotidiano ou “[...] malhas quadriculadas, ábacos, jogos, livros, vídeos, calculadoras, planilhas(...)[que] têm um papel essencial para a compreensão e utilização das noções matemáticas” (BRASIL, 2018, p.276, grifo nosso). 
Silva (2016) sinaliza que o lúdico, como uma das possibilidades [e tentativa] de proporcionar momentos de maiores aprendizagens em sala de aula, vem ganhando cada vez mais espaço no âmbito escolar: desperta o interesse do aluno, possibilita momentos de interação, potencializa a relação professor-aluno, aluno-aluno, bem como uma formação cidadã, pois se trabalha diversas dimensões formativas do sujeito, isto é, social, cultural, cognitiva, relacional, pessoal e dentre outras.
Levando em consideração que, mesmo estes educandos tentando retornar à sala de aula, por certos motivos, acabam evadindo novamente. Carvalho (2014) aponta que uma das formas de se tentar fazer com que esses alunos permaneçam pode ser o uso da ludicidade atrelado aos conteúdos; Guimarães e Bueno (2021) reconhecendo a aplicabilidade do lúdico no ensino da EJA, reforçam que os alunos são estimulados e participam nas aulas, tornando-se mais independentes e reconhecedores de seus potenciais.
Huizinga (l998, p. 33), escreve que o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, com fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida cotidiana”. Abrange jogos de força e de destreza, jogos de sorte, de adivinhação, exibições de todo gênero.
Fonseca e Simões (2014) e Lima e Fonseca (2018) ressaltam que é preciso repensar o papel tanto da escola quanto do ensino de matemática, principalmente, no âmbito da formação/ educação de alunas e alunos trabalhadores, pois é um público que possui uma rotina cansativa e é oportuno repensar em metodologias que despertem mais o interesse nas aulas de matemática e que a escola seja um ambiente mais prazeroso para esses alunos.
Percebeu-se que a Matemática ainda é muito “temida” por muitos estudantes, que acreditam que esta disciplina é muito complexa e destinada apenas a algumas pessoas mais “privilegiadas”. Nesse sentido, a partir da revisão bibliográfica realizada neste estudo, pode-se afirmar que a contextualização, ao tornar a Matemática mais aplicável à realidade, facilita a compreensão de seus conteúdos por parte dos alunos, principalmente para o público da Educação de Jovens e Adultos que historicamente se sentem “excluídos” do processo educativo.
O ensino de Matemática na EJA possibilita um caminho para uma educação democrática e deve ser ministrado de forma que os conhecimentos prévios, as experiências profissionais e cotidianas dos jovens e dos adultos sejam adequadamente aproveitadas, possibilitando de fato uma melhor compreensão dos problemas sociais vividos pelos jovens e pelos adultos no cotidiano, no trabalho e na escola.
Assim, a participação ativa dos alunos, o desenvolvimento de habilidades de cálculo mental, a confiança nos resultados obtidos e a abordagem diversificada das multiplicações são aspectos positivos que demonstram a eficácia da utilização de jogos matemáticos na educação matemática, em especial na EJA. Portanto, os jogos matemáticos devem ser considerados como uma estratégia pedagógica relevante para promover o aprendizado e o engajamento dos alunos na disciplina de matemática na EJA.
5. CONCLUSÃO
É relevante ressaltar que os jogos matemáticos podem ser especialmente benéficos para alunos que ficaram parados em seus estudos por longos períodos. Através dessas atividades lúdicas, eles têm a oportunidade de revisar conteúdos e preencher lacunas no conhecimento matemático, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades cognitivas e emocionais.
Os resultados da pesquisa permitem afirmar que a participação dos alunos da EJA em atividades com jogos proporcionou um ambiente de ajuda mútua, divertimento, segurança, confiança, estímulo e motivação no desenvolvimento de competências matemáticas, por isso, não são apenas um instrumento de aprendizado matemático de crianças, mas também de jovens e adultos.
Fazer uso de jogos é eficaz quando a intenção é motivar a compreensão e aprendizagem da matemática, as aulas podem ser mais atrativas e desafiadoras, mostrando aos alunos que a matemática pode ser interessante, que os desafios têm soluções, e que eles podem encontrar recursos para resolver, criar estratégias e formar as suas próprias críticas.
Tanto docente quanto discentes não podem encarar o jogo como uma parte da aula sem significado didático, ao contrário é preciso se conscientizar de que aquele momento é importante para a formação, pois é o momento para usar os conhecimentos e experiências para participar e argumentar na busca de solução e resultado frente ao problema imposto pelo jogo.
As situações de jogos devem assim serem consideradas parte das atividades pedagógicas, justamente por serem elementos estimuladores de desenvolvimento. É a partir deste princípio que os alunos podem se sentir encorajados a explorar conteúdos matemáticos através dos jogos, o que pode conduzir a utilizá-los em favor de uma aprendizagem mais significativa de certos conteúdos
Desta forma, pode-se afirmar que as práticas educativas contextualizadas precisam estar presentes no ensino e aprendizagem das diversas áreas de conhecimento, sendo importante e necessário tornar o ambiente escolar um contexto agradável para o educando, no qual haja troca de experiências entre ele e o professor. 
Nesta direção, a contextualização é uma alternativa importantíssima para a permanência do aluno da Educação de Jovens e Adultos na escola, visto que ao associar os conteúdos abordados em sala de aula com a realidade do estudante pode contribuir para o melhor entendimento dos conteúdos, principalmente da área de Matemática.
Portanto, conclui-se que a inclusão de jogos matemáticos no processo de ensino e aprendizagem na educação de jovens e adultos é uma estratégia promissora. Essa abordagem estimula o engajamento dos alunos, fortalece suas habilidades matemáticas e contribui para um aprendizado mais significativo. Recomenda-se que educadores e pesquisadores explorem e implementem cada vez mais atividades com jogos matemáticos, adaptando-as às necessidades específicas dos alunos e aproveitando os benefícios que essa abordagem pode oferecer no contexto educacional.
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