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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESPAÇO GEOGRÁFICO, 
ECONOMIA E COMÉRCIO 
INTERNACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rodolfo dos Santos Silva 
 
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INTRODUÇÃO 
Esta disciplina tem como objetivo estudar o espaço geográfico e as formas 
como o ser humano se apropria dos recursos disponíveis, de forma espontânea 
ou planejada, com base nos mecanismos de exploração com maior ou menor 
racionalidade, interferindo nas formas encontradas na natureza e se apropriando 
dos diferentes saberes, de forma a modificar os espaços conforme seus 
interesses, sejam eles institucionais, culturais, econômicos ou sociais. Serão 
apresentadas as bases teóricas do conhecimento geográfico e os fundamentos 
teóricos da economia. São duas ciências distintas que se complementam na 
análise do sistema econômico e geográfico, o qual se intensifica na complexidade 
da política, do espaço, do comércio e do mundo dos negócios. 
Atualmente, análises da realidade utilizando-se de instrumentos 
disponibilizados pela economia e pela geografia têm contribuído para apontar as 
constantes dificuldades econômicas, políticas e sociais vivenciadas pelas 
populações em diferentes espaços geográficos do mundo. As análises são 
realizadas com base no momento atual, porém não deixando de levar em 
consideração a formação econômica, geográfica e sócio-histórica dos países. 
Nesta aula, apresenta-se uma conceituação teórica básica da geografia, tendo 
como referencial teórico alguns de seus maiores expoentes. Depois, são 
apresentados os fundamentos econômicos tendo como base as escolas do 
pensamento econômico e as contribuições de seus principais economistas. 
O objetivo desta aula é conduzi-lo(a), por meio de uma linha histórica-
geográfica, aos principais conflitos econômicos e sua relação com a geografia e a 
política. Os descobrimentos, o aperfeiçoamento das técnicas e o desenvolvimento 
das tecnologias vão implicar na ampliação da produção, na busca por novos 
espaços de fontes de matérias-primas e de mercados consumidores, 
intensificando a luta pela dominação de territórios que possam garantir maiores 
vantagens aos Estados e ao capital. 
TEMA 1 – BASE TEÓRICA DO CONHECIMENTO GEOGRÁFICO 
A geografia e a economia são fundamentadas em conhecimentos 
científicos que vêm desde a Antiguidade, evoluíram com o tempo e continuam seu 
processo de transformação com a introdução de novos conhecimentos adquiridos 
junto às novas realidades e conjunturas existentes. Ambas as ciências tornaram-
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se mais específicas a partir do século XVIII, com a expansão colonial europeia e 
o desenvolvimento da industrialização. Ao lecionar geografia na Universidade 
Konigsberg, na Prússia Oriental, Immanuel Kant (1724-1824), filósofo prussiano, 
teve como seu seguidor mais entusiasta o geólogo e botânico Alexandre von 
Humboldt (1769-1859). 
Humboldt desenvolveu estudos sobre as paisagens e descreveu com 
precisão muitos espaços geográficos e ambientes naturais, antes desconhecidos 
pela academia científica e pelos povos da Europa. Karl Ritter (1770-1859), em sua 
Geografia comparada, propôs o estudo geográfico dos lugares, uma relação entre 
o indivíduo e sua localização geográfica. Friedrich Hatzel (1844-1904), 
influenciado pelas ideias darwinistas, propagou conceitos de que o ser humano 
era produto dos recursos proporcionados pelo ambiente natural e, quanto mais 
explorasse tais recursos, maior seria sua chance de progredir. Ao afirmar a 
relação entre espaço geográfico e poder, Ratzel proporcionou a base teórica 
utilizada para a legitimação da expansão do Império Alemão. As teorias 
desenvolvidas por Hatzel forneceram ao campo da geografia um leque de estudos 
sobre o ser humano e sua relação com o território. 
 Desenvolvida no contexto de pós-guerra franco/prussiana e da Comuna 
de Paris, a escola francesa tem em Paul Vidal de La Blache (1845-1918) um dos 
maiores opositores às teorias desenvolvidas por Hatzel. La Blache, responsável 
por embasar teoricamente a geografia clássica francesa, desenvolveu o 
possibilismo, que entendia que a natureza não determinava o comportamento do 
ser humano e o ser humano não dominava a natureza. Contudo, a natureza 
oferecia ao ser humano os recursos necessários para transformá-la. Para esse 
autor, o ser humano ocupou diversos pontos da superfície terrestre e, onde 
esteve, adaptou-se utilizando habilidades e técnicas para explorar os recursos 
ambientais existentes. No desenvolvimento de seus estudos, La Blache promoveu 
a necessidade de levantar os recursos humanos, os recursos econômicos e os 
recursos naturais para exploração de cada região. 
 Lacoste (2008) afirma que a geografia não serve apenas como disciplina 
escolar, sem pretensões políticas ou econômicas, em que simplesmente 
professores ensinam e alunos aprendem sobre as capitais dos países, regiões, 
relevos, clima e vegetação. A geografia é um forte instrumento científico e 
epistemologicamente ligado ao conhecimento, unindo práticas e estratégias de 
controle e de manutenção de poder. Ela é necessária a todos aqueles que mantêm 
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em seu controle o aparelho estatal, “pois a Geografia serve, em princípio, para 
fazer a guerra” (Lacoste, 2008, p. 22). 
TEMA 2 – FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA ECONOMIA 
 A economia, como a maioria das ciências, tem sua base na Grécia Antiga, 
mas é a partir do século XVI, com as escolas mercantilistas e fisiocratas que suas 
grandes linhas são traçadas. A economia moderna tem suas raízes em Adam 
Smith (1723-1790), com a divisão do trabalho e o liberalismo econômico. 
Defendendo o laissez faire, laissez passer, esse economista escocês alcançou 
notoriedade ao publicar em 1776, A riqueza das nações: investigação sobre a sua 
natureza e suas causas. Na obra, o autor lança os alicerces do liberalismo 
econômico ao defender a não intervenção do Estado no mundo dos negócios, 
destacando a existência de uma mão invisível, conduzida por interesses 
individuais, que seria a responsável por levar a sociedade a colher os resultados 
de uma economia que promoveria o bem-estar de toda a coletividade. 
 Outro grande nome da economia foi David Ricardo (1772-1823), que 
baseou a sua teoria na análise da produção, distribuição e tributação do produto. 
Esse autor, ao analisar os custos da produção agrícola, formulou teorias sobre os 
problemas econômicos, de como os resultados do processo produtivo são 
distribuídos de forma diferenciada entre as classes que compõem a sociedade, e 
afirmou que todos os custos se resumem aos custos do trabalho, dando sua 
contribuição para a teoria do valor do trabalho e da mercadoria. Ricardo também 
contribuiu para a economia internacional por meio de sua Lei dos Custos 
Comparativos ou Teoria das Vantagens Comparativas. No desenvolvimento 
dessa Lei, Ricardo buscou demonstrar que cada país deveria se especializar na 
produção dos bens que possuísse melhor dotação de fatores. Assim, o país 
importaria um produto, mesmo que pudesse produzi-lo, mas o preço de 
importação deveria ser inferior ao preço do produto fabricado internamente. A 
especialização favoreceria os países na troca de bens e serviços com outros 
países. No desenvolvimento de suas teorias, esse autor britânico deu as bases 
necessárias para que Karl Marx (1818-1883) formulasse a sua teoria crítica à 
economia capitalista. 
O economista e filósofo alemão Karl Marx desenvolveu a sua teoria 
fundamentado na crítica ao modo de produção capitalista e em especial aos 
economistas clássicos. Em 1844, publicou Manuscritos econômico-filosóficos,no 
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qual critica os socialistas utópicos por não perceberem o processo de alienação 
capitalista e também os economistas políticos da época, por defenderem o 
processo de exploração e acumulação capitalista. Para Marx, a ansiedade do 
lucro e da acumulação de capital levava o ser humano a viver em uma sociedade 
desumanizada pelo aumento da propriedade privada. Em resposta à teoria do 
valor do trabalho, de Ricardo, Marx escreve a Teoria da Mais-Valia. Se Ricardo 
entendia que era nos custos do trabalho que estava o valor da mercadoria, Marx 
afirma que a riqueza gerada pelo trabalho, valor da mercadoria, está sendo 
acumulada pelo capitalista individualmente e não pelos trabalhadores que a 
produziram. Em 1848, junto de seu amigo Friedrich Engels, escreveu o Manifesto 
Comunista, no qual realizaram uma análise da sociedade por meio do 
materialismo histórico e propuseram a união do proletariado para uma sociedade 
revolucionária igualitária, de transição, do socialismo para o comunismo. 
TEMA 3 – SISTEMAS ECONÔMICOS E SOCIAIS 
 O espaço geográfico é o resultado da ação do ser humano sob determinada 
área da superfície terrestre, ao passo que o sistema econômico é a forma política, 
econômica e social de organização dos seres humanos para produzir os bens e 
serviços de que necessitam, assim como decidem a melhor maneira para 
distribuição e consumo desses bens e serviços, de modo a garantir que 
contemplem toda a sociedade. O capitalismo e o socialismo são as formas de 
organização em sistemas econômicos nos diferentes espaços geográficos da 
superfície terrestre. 
3.1 Do capitalismo liberal ao capitalismo do bem-estar social 
O capitalismo, baseado no sistema de livre mercado, é conduzido de forma 
predominante pela iniciativa das forças de mercado e pelos interesses privados, 
em que há a propriedade dos meios de produção. Defendendo uma intervenção 
mínima do Estado na economia, o liberalismo de Adam Smith e seus seguidores 
formularam as bases de sustentação econômica desse sistema, quem tem no livre 
jogo da oferta e da procura a forma de regulação entre os preços das mercadorias 
e dos salários dos trabalhadores. Nesse sistema, os capitalistas, donos dos meios 
de produção, comércio e bancos, têm como principal objetivo o lucro, ao passo 
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que o trabalhador busca manter sua reprodução por meio dos ganhos salariais 
obtidos. 
No início do século XX, mais precisamente nas décadas de 1920 e 1930, o 
capitalismo passou por crises de produção e consumo, o que acabou levando o 
Estado a intervir diretamente na economia. A partir da década de 1930, surge um 
modelo de capitalismo em que prevalecem as forças de mercado, porém há forte 
presença do Estado nos setores que necessitam de regulação e de investimentos 
em infraestruturas. Existem setores da economia pelos quais os investidores 
privados não se interessam, principalmente por demandarem elevados níveis de 
recursos e muito tempo para se obter o retorno lucrativo. Jonh Maynard Keynes 
(1883-1946), em sua obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (1936), 
questionou a autorregulação do mercado e sua mão invisível e criticou a crença 
dos liberais de que para toda produção haveria demanda. Keynes defendeu a 
intervenção estatal em uma economia em desequilíbrio, com políticas adequadas 
de investimentos para geração de emprego e renda e incentivos à iniciativa 
privada para promoção da demanda efetiva. É visível nas economias capitalistas, 
ainda que se queira defender o contrário, uma considerável atuação do Estado na 
economia. 
3.2 Do socialismo da URSS ao socialismo chinês 
O sistema econômico socialista tem como característica a centralização 
das decisões por parte de um órgão central de planejamento estatal. Nesse 
sistema, existe uma predominância da propriedade coletiva dos meios de 
produção. Surgido com base no socialismo científico marxista, esse sistema 
econômico foi implantado primeiramente em 1917, com o surgimento da União 
das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Após a Segunda Guerra Mundial, 
com a divisão espacial da superfície terrestre em dois grandes blocos 
econômicos, um socialista e outro capitalista, países como China, Cuba e Coreia 
do Norte se tornaram socialistas. Com a queda do muro de Berlim (1989) e a 
desintegração da URSS (1992), muitos países socialistas se tornaram adeptos do 
chamado socialismo de mercado. Neste modelo de economia socialista, há uma 
abertura para que as grandes multinacionais e o capital privado internacional 
também possam atuar em países socialistas, mas com certo controle estatal, 
como vem ocorrendo atualmente na China. 
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TEMA 4 – O ESTADO E SUA ORGANIZAÇÃO ESPACIAL 
Os Estados se dão em torno de um território, onde vive determinada 
população que busca extrair dele todos os recursos para sua sobrevivência. Com 
base em normas, regras e leis, essa população vive sob um regime de governo. 
Os regimes de governo, de acordo com Mallmann, Balestrin e Silva (2017), podem 
ser divididos em monarquias, quando poder é exercido por um soberano por meio 
de cargo vitalício e hereditário, e repúblicas, quando o poder é exercido por um 
chefe de Estado eleito para esse fim por um período de tempo preestabelecido. 
Atualmente, poucos são os países no mundo regidos por monarquias. Existem 
diferentes maneiras de se escolher o chefe de Estado nas repúblicas. Em alguns 
países, a população escolhe democraticamente seus governantes com 
diversificações na participação política. Em outros, os governantes são impostos 
à população por meio de golpes de Estado, sem o direito de escolha, como ocorre 
nos regimes ditatoriais e totalitários. 
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até o início da 
Primeira Guerra Mundial, existiam pouco mais de 50 países. Atualmente, são mais 
de 193 países separados por fronteiras territoriais. Há ainda alguns territórios em 
disputas e outros que não são reconhecidos pelos membros da organização. 
Figura 1 – Divisão territorial dos países 
 
Créditos: Frees/Shutterstock. 
 
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Essa configuração espacial foi se desenvolvendo historicamente não de 
forma harmoniosa, mas depois de muitos conflitos. Há mais de 4.000 anos, muitos 
povos já organizavam seus territórios por meio de um Estado, com hierarquia 
social, e espaços que se configuravam, apesar de suas complexidades, em 
verdadeiras cidades. Foi o desenvolvimento de espaços de cultivos e colheitas, 
realizados por determinados grupos de pessoas, que proporcionaram o 
abastecimento da urbanidade. É na cidade que diferentes ofícios puderam ser 
exercidos, como o de sacerdote, soldado, comerciante, legislador, construtor de 
templos e edifícios, entre tantos outros. 
Tudo isso favoreceu com que alguns pudessem planejar, adquirir 
conhecimentos e escrever. A evolução da escrita impulsionou o surgimento de 
novas civilizações, tornando mais fácil a comunicação e a divulgação de novas 
maneiras de fazer as coisas entre os povos. Dos conquistadores gregos aos 
romanos, dos chineses aos hindus, surgem novas formas de administração da 
vida em sociedade. Neste contexto, as cidades-Estado gregas serviram como 
base essencial de organização política, com a inserção de preceitos democráticos 
e de conceitos culturais, religiosos e filosóficos. 
A ampliação das rotas de comércio, com as facilidades geradas pelas 
inovações tecnológicas da navegação e dos transportes terrestres,A
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economias. A fuga do Imperador Guilherme II, quando a Alemanha já estava 
derrotada, acabou por deixar nas mãos de civis a assinatura do tratado de paz, 
em condições totalmente desfavoráveis ao país. A Alemanha, na assinatura do 
Tratado de Versalhes (França), em 29 de junho de 1919, foi severamente 
penalizada, tendo que devolver territórios e colônias antes conquistados, entre 
eles Alsácia e Lorena à França e indenizar os países vencedores do conflito. Além 
disso, a rica região de produção industrial de Sarre, geograficamente estratégica 
para a Alemanha, foi cedida à França, para exploração, por 15 anos. 
Figura 3 – Tratado de Versalhes 
 
Fonte: . Acesso em: 4 jun 2019. 
A Alemanha do pós-guerra, já dentro de um novo modelo de Estado, que 
ficou conhecido como República de Weimar, em um primeiro momento foi mantida 
com certo isolamento, principalmente pela intransigência francesa, que queria o 
seu enfraquecimento. A necessidade de arcar com tais custos fez com que a 
Alemanha passasse por uma crise econômica sem precedentes, com uma das 
maiores inflações percebidas até hoje. Conforme Vasconcellos (2012), nessa 
hiperinflação, um dólar americano chegou a valer 4.000.000.000.000 de marcos 
alemães. O período foi marcado por inúmeras manifestações e levantes 
oposicionistas, além do surgimento de partidos que vão do comunismo ao de 
extrema direita, condenando, internamente, as imposições sofridas pela 
Alemanha por meio do tratado. Esse isolamento provocou a aproximação da 
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Alemanha ao socialismo da URSS, e os EUA, percebendo isso, acabaram por 
manter fortes relações econômicas com os alemães, não aceitando cumprir e nem 
assinar as restrições econômicas estabelecidas pelo Tratado de Versalhes. 
O fim da Primeira Guerra Mundial proporcionou o desmembramento de 
territórios e o surgimento de diversos países (Tchecoslováquia, Polônia, Hungria, 
Iugoslávia, entre outros), e mobilizou os Estados a se prepararem para o 
enfrentamento de conflitos internos e uma futura nova guerra de proporções 
geográficas ainda maiores. A partir da década de 1920, as dificuldades de 
reestruturação foram muitas, e países como França e Inglaterra, antes potências 
econômicas, passavam por dificuldades para financiar a reconstrução de seus 
territórios. Enquanto isso, Itália e Alemanha viam crescer em seus domínios 
discursos de descontentamentos com as formas de governo, criando espaços 
para o aparecimento de partidos políticos de tendências nacionalistas e fascistas. 
Foi nesse contexto que surgiu o Partido Nazista, na Alemanha. 
Enquanto os países europeus buscavam se recuperar das ruínas 
ocasionadas pela máquina de destruição de seus inimigos, os Estados Unidos 
viam sua indústria crescer com o fornecimento de material bélico e para a 
reconstrução e recuperação desses países. No final da década, o mundo passou 
a enfrentar uma grande crise econômica. Primeiro, a evolução nos métodos e nas 
técnicas produtivas, em seguida, a concentração de poucas e grandes indústrias 
com alto padrão de desenvolvimento tecnológico e grande capacidade produção, 
dando origem aos cartéis e trustes. Essa concentração foi predatória para as 
pequenas e médias indústrias e também para milhões de empregos. Isso afetou 
os negócios e ocasionou um dos maiores problemas para o mundo capitalista, a 
quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Como consequência, surgiu uma nova 
composição geográfica e nova natureza do comércio internacional. 
TEMA 5 – A NOVA COMPOSIÇÃO GEOGRÁFICA E A NATUREZA DO 
COMÉRCIO INTERNACIONAL 
O fechamento das vagas no mercado de trabalho, em decorrência da 
falência de inúmeras empresas, ocasionou queda no consumo e desaquecimento 
na economia. O liberalismo de mercado, pregado por Adam Smith e seus 
seguidores, entre eles o presidente norte-americano Herbert Hoover, fizeram crer 
que a ampliação do volume de estoque e o aumento da produção gerariam novas 
demandas, aumentando o fluxo de renda da economia. Essa crença na condução 
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natural do mercado, inclusive do mercado internacional, e as facilidades para 
aquisição de ações no mercado financeiro levaram a economia americana a uma 
grande euforia, elevando o valor e a quantidade de ações ofertadas na Bolsa de 
Valores de Nova York. Porém, em 24 de outubro de 1929, a bolsa quebrou, e junto 
dela a economia norte-americana, impactando todas as economias mundiais. 
Os EUA, a partir da introdução de novas formas de produção, tecnologia e 
um grande contingente de imigrantes, com inversões de muitos recursos 
financeiros, se tornaram a grande potência econômica entre o final do século XIX 
e início do século XX. O desenvolvimento da agricultura, com a introdução de 
técnicas de plantio e aumento das áreas plantadas, e os investimentos estatais 
em estradas e ferrovias, com meios de transportes para escoar a produção ligando 
as diversas regiões às grandes cidades do país, possibilitaram o desenvolvimento 
urbano e industrial, além de tornar o país um dos maiores produtores agrícolas do 
mundo e impulsionar suas exportações. Conforme Souza (2005, p. 39) “Entre 
1910/1920, as exportações norte-americanas cresceram 372% e as importações 
239%. Durante os anos de 1920, a economia norte-americana cresceu 54%, 
contra 25% na década anterior”. 
Poucos meses antes da crise de 1929, a economia americana parecia estar 
no certo do liberalismo econômico, conforme previa a Lei de Say, para toda oferta 
haveria demanda. O presidente norte-americano Herbert Hoover entendia que o 
Estado não deveria se preocupar com o mercado, responsável por sua própria 
autorregulação. As ações na Bolsa de Valores disparavam em função das 
facilidades encontradas para o seu financiamento e de sua popularização. O 
crescimento da produção também gerava expectativa sobre as possibilidades de 
lucros que essas empresas aufeririam no futuro, gerando grande especulação 
sobre o valor de suas ações. Quase tudo levava à crença de que os ganhos seriam 
fáceis e de que prosperidade não teria fim. A corrida para a prosperidade gerava 
um grau de confiança em boa parte dos americanos, que apostavam com 
veemência nos “loucos anos vinte” (roaring twenties). 
Em 23 de outubro de 1929, teve início o período que ficou conhecido como 
o “Crash de Wall Street”, quando as ações da General Motors (GM) foram 
colocadas à venda com quedas em seus valores em relação aos preços ofertados 
em dias anteriores. Daí para frente, o sonho americano de enriquecimento e 
prosperidade tornou-se um pesadelo. Na Quinta-Feira Negra, nome pelo qual 
ficou conhecido o dia 24 de outubro de 1929, milhões de ações foram colocadas 
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à venda com sérias consequências não só para os investidores mas para toda a 
economia americana. A recessão atingiu globalmente a economia, arrastando os 
diversos países interdependes do sistema capitalista, e o mundo conheceu uma 
crise que envolveu o setor agrícola, industrial e comercial, resultando na grande 
depressão do século XX. 
Saiba mais 
Veja o filme Os loucos anos 20, sobre a crise de 1929: 
. 
Para a proteger suas economias da grande depressão, muitos países se 
fecharam em Estados autoritários e totalitários. Os EUA, em 1932, elegeram um 
democrata em substituição aos políticos liberais anteriores que acreditavam 
fortemente nas leis de mercado como aquelas que colocariam a economia de volta 
ao caminho do crescimento e da prosperidade.A
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economias. A fuga do Imperador Guilherme II, quando a Alemanha já estava 
derrotada, acabou por deixar nas mãos de civis a assinatura do tratado de paz, 
em condições totalmente desfavoráveis ao país. A Alemanha, na assinatura do 
Tratado de Versalhes (França), em 29 de junho de 1919, foi severamente 
penalizada, tendo que devolver territórios e colônias antes conquistados, entre 
eles Alsácia e Lorena à França e indenizar os países vencedores do conflito. Além 
disso, a rica região de produção industrial de Sarre, geograficamente estratégica 
para a Alemanha, foi cedida à França, para exploração, por 15 anos. 
Figura 3 – Tratado de Versalhes 
 
Fonte: <http://net.lib.byu.edu/~rdh7/wwi/versa/vmap3.gif>. Acesso em: 4 jun 2019. 
A Alemanha do pós-guerra, já dentro de um novo modelo de Estado, que 
ficou conhecido como República de Weimar, em um primeiro momento foi mantida 
com certo isolamento, principalmente pela intransigência francesa, que queria o 
seu enfraquecimento. A necessidade de arcar com tais custos fez com que a 
Alemanha passasse por uma crise econômica sem precedentes, com uma das 
maiores inflações percebidas até hoje. Conforme Vasconcellos (2012), nessa 
hiperinflação, um dólar americano chegou a valer 4.000.000.000.000 de marcos 
alemães. O período foi marcado por inúmeras manifestações e levantes 
oposicionistas, além do surgimento de partidos que vão do comunismo ao de 
extrema direita, condenando, internamente, as imposições sofridas pela 
Alemanha por meio do tratado. Esse isolamento provocou a aproximação da 
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Alemanha ao socialismo da URSS, e os EUA, percebendo isso, acabaram por 
manter fortes relações econômicas com os alemães, não aceitando cumprir e nem 
assinar as restrições econômicas estabelecidas pelo Tratado de Versalhes. 
O fim da Primeira Guerra Mundial proporcionou o desmembramento de 
territórios e o surgimento de diversos países (Tchecoslováquia, Polônia, Hungria, 
Iugoslávia, entre outros), e mobilizou os Estados a se prepararem para o 
enfrentamento de conflitos internos e uma futura nova guerra de proporções 
geográficas ainda maiores. A partir da década de 1920, as dificuldades de 
reestruturação foram muitas, e países como França e Inglaterra, antes potências 
econômicas, passavam por dificuldades para financiar a reconstrução de seus 
territórios. Enquanto isso, Itália e Alemanha viam crescer em seus domínios 
discursos de descontentamentos com as formas de governo, criando espaços 
para o aparecimento de partidos políticos de tendências nacionalistas e fascistas. 
Foi nesse contexto que surgiu o Partido Nazista, na Alemanha. 
Enquanto os países europeus buscavam se recuperar das ruínas 
ocasionadas pela máquina de destruição de seus inimigos, os Estados Unidos 
viam sua indústria crescer com o fornecimento de material bélico e para a 
reconstrução e recuperação desses países. No final da década, o mundo passou 
a enfrentar uma grande crise econômica. Primeiro, a evolução nos métodos e nas 
técnicas produtivas, em seguida, a concentração de poucas e grandes indústrias 
com alto padrão de desenvolvimento tecnológico e grande capacidade produção, 
dando origem aos cartéis e trustes. Essa concentração foi predatória para as 
pequenas e médias indústrias e também para milhões de empregos. Isso afetou 
os negócios e ocasionou um dos maiores problemas para o mundo capitalista, a 
quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Como consequência, surgiu uma nova 
composição geográfica e nova natureza do comércio internacional. 
TEMA 5 – A NOVA COMPOSIÇÃO GEOGRÁFICA E A NATUREZA DO 
COMÉRCIO INTERNACIONAL 
O fechamento das vagas no mercado de trabalho, em decorrência da 
falência de inúmeras empresas, ocasionou queda no consumo e desaquecimento 
na economia. O liberalismo de mercado, pregado por Adam Smith e seus 
seguidores, entre eles o presidente norte-americano Herbert Hoover, fizeram crer 
que a ampliação do volume de estoque e o aumento da produção gerariam novas 
demandas, aumentando o fluxo de renda da economia. Essa crença na condução 
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natural do mercado, inclusive do mercado internacional, e as facilidades para 
aquisição de ações no mercado financeiro levaram a economia americana a uma 
grande euforia, elevando o valor e a quantidade de ações ofertadas na Bolsa de 
Valores de Nova York. Porém, em 24 de outubro de 1929, a bolsa quebrou, e junto 
dela a economia norte-americana, impactando todas as economias mundiais. 
Os EUA, a partir da introdução de novas formas de produção, tecnologia e 
um grande contingente de imigrantes, com inversões de muitos recursos 
financeiros, se tornaram a grande potência econômica entre o final do século XIX 
e início do século XX. O desenvolvimento da agricultura, com a introdução de 
técnicas de plantio e aumento das áreas plantadas, e os investimentos estatais 
em estradas e ferrovias, com meios de transportes para escoar a produção ligando 
as diversas regiões às grandes cidades do país, possibilitaram o desenvolvimento 
urbano e industrial, além de tornar o país um dos maiores produtores agrícolas do 
mundo e impulsionar suas exportações. Conforme Souza (2005, p. 39) “Entre 
1910/1920, as exportações norte-americanas cresceram 372% e as importações 
239%. Durante os anos de 1920, a economia norte-americana cresceu 54%, 
contra 25% na década anterior”. 
Poucos meses antes da crise de 1929, a economia americana parecia estar 
no certo do liberalismo econômico, conforme previa a Lei de Say, para toda oferta 
haveria demanda. O presidente norte-americano Herbert Hoover entendia que o 
Estado não deveria se preocupar com o mercado, responsável por sua própria 
autorregulação. As ações na Bolsa de Valores disparavam em função das 
facilidades encontradas para o seu financiamento e de sua popularização. O 
crescimento da produção também gerava expectativa sobre as possibilidades de 
lucros que essas empresas aufeririam no futuro, gerando grande especulação 
sobre o valor de suas ações. Quase tudo levava à crença de que os ganhos seriam 
fáceis e de que prosperidade não teria fim. A corrida para a prosperidade gerava 
um grau de confiança em boa parte dos americanos, que apostavam com 
veemência nos “loucos anos vinte” (roaring twenties). 
Em 23 de outubro de 1929, teve início o período que ficou conhecido como 
o “Crash de Wall Street”, quando as ações da General Motors (GM) foram 
colocadas à venda com quedas em seus valores em relação aos preços ofertados 
em dias anteriores. Daí para frente, o sonho americano de enriquecimento e 
prosperidade tornou-se um pesadelo. Na Quinta-Feira Negra, nome pelo qual 
ficou conhecido o dia 24 de outubro de 1929, milhões de ações foram colocadas 
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à venda com sérias consequências não só para os investidores mas para toda a 
economia americana. A recessão atingiu globalmente a economia, arrastando os 
diversos países interdependes do sistema capitalista, e o mundo conheceu uma 
crise que envolveu o setor agrícola, industrial e comercial, resultando na grande 
depressão do século XX. 
Saiba mais 
Veja o filme Os loucos anos 20, sobre a crise de 1929: 
<https://www.youtube.com/watch?v=1EmHcCUKiBY>. 
Para a proteger suas economias da grande depressão, muitos países se 
fecharam em Estados autoritários e totalitários. Os EUA, em 1932, elegeram um 
democrata em substituição aos políticos liberais anteriores que acreditavam 
fortemente nas leis de mercado como aquelas que colocariam a economia de volta 
ao caminho do crescimento e da prosperidade.A crise havia se tornado um grande 
problema político para os governantes. A população acreditava que a saída 
poderia vir do próprio Estado, e políticos como Franklin Dellano Roosevelt (EUA), 
Getúlio Vargas (Brasil), Benito Mussolini (Itália), Francisco Franco (Espanha), 
Antônio Salazar (Portugal) e Adolf Hitler (Alemanha) também. Cada um ao seu 
modo buscou enfrentar a crise do capitalismo. 
Nos EUA, Franklin Dellano Roosevelt assumiu o governo em substituição 
ao seu compatriota republicano Hebert Hoover, e conclamou as empresas e os 
trabalhadores para um novo acordo (New Deal). O New Deal passou a representar 
a solução para o futuro da economia americana. Por meio de uma política baseada 
em programas sociais e econômicos, Roosevelt implementou medidas para 
combater o desemprego, distribuir renda, sobretaxar as grandes fortunas e facilitar 
o consumo ao ampliar o crédito e controlar a taxa de juros. Com o New Deal, o 
Estado passou a coordenar as ações da economia americana, com fortes 
inversões públicas em bancos e na iniciativa privada para garantir a produção e o 
consumo. Os gastos públicos e os investimentos em grandes projetos estatais 
deram aos programas de Roosevelt forte aceitação popular e conotação de bem-
estar social, o que o levou a ser o único presidente eleito nos EUA por quatro 
mandatos consecutivos. 
No Brasil, Getúlio Vargas assumiu o governo do país em 1930 e implantou 
uma ditadura até 1945. Entre suas ações governamentais estão a criação de 
políticas votadas à normatização do trabalho e do controle estatal da economia. 
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Durante o período da grande depressão, o governo brasileiro adquiriu milhões de 
toneladas de café dos grandes produtores nacionais e mandou queimá-las para 
manter o preço do produto no mercado internacional. Teve como principais 
parceiros econômicos durante a década de 1930 os governos da Itália e da 
Alemanha, chegando a deixar dúvidas sobre de que lado o Brasil se posicionaria 
durante o confronto da Segunda Guerra Mundial. Uma forte pressão americana, 
com promessas de apoio ao projeto de industrialização e de transferências de 
tecnologias em diversos setores, inclusive de apoio militar, fez com que Getúlio 
se posicionasse ao lados dos aliados na guerra. 
Houve mudança significativa no comércio internacional a partir da década 
de 1930, e a maioria dos países passou a buscar uma reestruturação política e 
econômica. De modelo hegemônico internacional, a Europa perdeu espaços para 
as economias americana e japonesa, e afundou-se em problemas econômicos e 
sociais, com disputas internas entre as diversas tendências políticas que 
buscavam propor formas de reconstrução dos países, sejam por vias do 
socialismo, do liberalismo ou do conservadorismo. Assim, grupos radicais 
conservadores, que combatiam as ideias liberais e o socialismo, por medo de 
aproximação com os soviéticos, chegaram ao poder em alguns países. Esses 
grupos conservadores pregavam a instalação de modelos de economia e política 
de agressividade centralizadora, confiscadora e de controle ditatorial. Os modelos, 
defendidos por grupos de extrema direita, passaram a exacerbar o nacionalismo, 
a pregar o racismo, o antiliberalismo, a intolerância aos socialistas e comunistas 
e também aos grandes grupos econômicos e empresas monopolistas 
internacionais. Foi assim que o fascismo se firmou como modelo político e 
econômico na Itália e o nazismo se configurou na Alemanha. 
Na Itália, com a Marcha sobre Roma, realizada em 1922, o fascismo 
chegou ao poder com Benito Mussolini. Os fascistas culpavam os comunistas, 
socialistas e liberais pela crise econômica e social vivenciada pela Itália e, 
também, por não darem a ela o merecido retorno pelo envolvimento na Primeira 
Guerra Mundial. Com propostas de enfrentamento da crise por meio de decisões 
políticas ditatoriais, Mussolini se tornou o “Duce”, inclusive com a permissão dos 
membros da Coroa Espanhola para governar por decretos. O Partido Fascista 
punia com rigor seus adversários políticos e mantinha sob ameaças o restante da 
população que pudesse se revoltar. Promulgou leis que mudaram as relações de 
trabalho no país e não mediu esforços para exportar o fascismo a outras nações. 
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O Tratado de Versalhes impôs ao povo alemão condições difíceis de serem 
aceitas, o que ocasionou, além dos problemas econômicos, o surgimento de 
muitos grupos internos que divergiam do acordo assinado pelos liberais e da 
República de Weimar, e pretendiam derrubá-los do poder. Entre esses grupos 
estavam os representantes do Partido Nacional-Socialista, inimigo declarado dos 
marxistas, judeus e estrangeiros. Os liberais não resistiram à crise econômica e, 
aos percalços da grande depressão de 1929, os conflitos internos se 
intensificaram. Em 1932, o Partido Nazista chegou ao poder, e, a partir daí, a 
política econômica e externa da Alemanha mudou. O governo passou a realizar 
obras públicas e a investir pesadamente no setor industrial, principalmente no 
fortalecimento do poderio bélico do país, fortalecendo o capitalismo nacional. 
 
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Labur, 2007. 
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Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. 
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FRANCO JUNIOR, H.; CHACON, P. P. História econômica geral. São Paulo: 
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impactos e desafios de uma urbanização. Curitiba: InterSaberes, 2016. 
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Paulo: Saraiva, 2012. 
 
 
 
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