responsabilidade dos socios
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RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS EM FACE DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS DA 
PESSOA JURÍDICA 
Juliana Legunes Nenes
1
 
 Reisson Ronsoni dos Reis
2
 
 
 RESUMO 
Não é incomum, embora não dependa somente da vontade do Fisco, a desconsideração da 
personalidade jurídica de pessoas jurídicas e o redirecionamento de obrigações tributárias 
para a pessoa dos sócios, não necessariamente, embora mais facilmente identificável no 
Código Tributário Nacional (CTN), gerentes e administradores. Constata-se que isso se dá 
quando o sócio pratica alguma ilicitude ou irregularidade, seja em face da lei, seja em razão 
do estatuto ou contrato-social, o que faz com que, mesmo que não seja o nome do sócio 
inicialmente vinculado ao fato gerador, por sua culpa ou seu dolo, seja tal chamado à 
responsabilização. 
Palavras-chave: Código Tributário Nacional; fato gerador; ilicitude; responsabilização. 
 
Abstract: Is not unusual, though not solely dependent upon the will of the Treasury, 
the piercing the corporate veil of corporations and redirection of tax obligations to the 
person of the partners. Not necessarily, although more readily identifiable in the National 
Tax Code (CTN), are the managers and administrators. It appears that this happens when 
the partner practice any illegality or irregularity, whether in the face of the law, either 
because of the status or social contract. Which means that, even if it is not the name of the 
partner initially linked to the fact generator, it\u2019s your fault or intent, this is called 
accountability. 
 
1
 Acadêmica de Direito da Universidade Luterana do Brasil \u2013 ULBRA, campus Gravataí. E-mail: 
julianalnenes@hotmail.com 
2
 Acadêmico de Direito da Universidade Luterana do Brasil \u2013 ULBRA, campus Gravataí. E-mail: 
reissonr.r@hotmail.com 
 
 
2 
 
Key-words: National Tax Code; generator fact; wrongfulness; accountability. 
 
Sumário: 1. Introdução; 2. Espécies de Responsabilidades Societárias Previstas no CC 
e em Lei Específica e sua Diferenciação na Cobrança de Débitos da PJ na Pessoa de seus 
Sócios de Acordo com o CC e com Lei Específica; 3. Requisitos do CTN para 
Responsabilização do Sócio; 4.Análise de Súmulas e de Jurisprudência sobre a 
Responsabilização do Sócio; 5. Considerações Finais; 6. Referências. 
1. INTRODUÇÃO 
 
O presente trabalho tem por objetivo expor o que dispõem os Códigos Tributário e 
Civil, os posicionamentos sumulados e jurisprudenciais, bem como doutrinários em face da 
obrigação tributária de sócios com relação a pessoas jurídicas e de fatos geradores a estas 
vinculados. Para tanto, analisa o à luz de doutrinadores específicos e gerais quando tratam da 
matéria de executar sócio por crédito da pessoa jurídica. Disso, compara-se com o que 
defendem as cortes em relação ao extremo ato de se fazer com que o Fisco mire como 
agente passivo o sócio, o que se demonstra não ser apenas pela livre vontade da Fazenda 
Pública. 
 
2. ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADES SOCIETÁRIAS PREVISTAS NO 
CC E EM LEI ESPECÍFICA E SUA DIFERENCIAÇÃO NA COBRAÇA DE 
DÉBITOS DA PJ NA PESSOA DE SEUS SÓCIOS DE ACORDO COM O CC E COM 
LEI ESPECÍFICA 
 
Para que se possa analisar de que forma cada sócio se responsabiliza e se pode ser 
responsabilizado para com os débitos da Pessoa Jurídica relativos ao Fisco, é imperioso que 
se observe como se comporta a responsabilidade dos sócios de cada espécie societária em 
face de terceiros. Isso porque, tal compreensão, por si só, já trará algumas formas pelas quais 
 
 
3 
o sócio responderá por créditos tributários, ou seja, em razão de relações com terceiros. 
Dessa forma, tem-se para objeto de estudo a definição dada por Mamede sobre o que 
são as sociedades. Para o referido autor, sociedades são reuniões de pessoas para 
consecução de determinado fim
3
, sendo o fim aqui apreciado, assim como para Mamede, o 
fim econômico
4
 de que se revestem as sociedades estudadas no Direito Empresarial
5
. 
Nessa ótica, tomam-se inicialmente as sociedades não personificadas
6
, ou seja, aquelas 
em que existe uma sociedade fática, podendo ou não existir um contrato escrito entre os 
sócios, mas a sociedade não foi levada a registro
7
. Tal tipo de sociedade se desdobra em 
mais duas, a sociedade em comum e a sociedade em conta de participação. 
A sociedade em comum
8
 é aquela em que há um contrato entre os sócios, mas não há 
registro daquela, logo, não há personalidade jurídica
9
. Sendo assim, a responsabilidade de 
cada sócio entre si está de acordo com o acertado no contrato
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, porém, tal contrato não pode 
produzir efeitos da relação da sociedade perante terceiros. Nessas, por disposição do artigo 
990 do Código Civil, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações 
sociais
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, pois, não existe uma pessoa jurídica com personalidade própria. Entretanto, como 
descreve Mamede, há a possibilidade de não serem todos os sócios responsabilizados, essa 
se faz quando o terceiro prejudicado tinha prévio conhecimento de que o sócio estava 
 
3
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 04. 
4
 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. 6ª ed. Vol 1. São Paulo: Saraiva, 
2012, p. 41. 
5
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 04. 
6
 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. 6ª ed. Vol 2. São Paulo: Saraiva, 
2012, p. 22/27. 
7
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 12/13. 
8
 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. 6ª ed. Vol 2. São Paulo: Saraiva, 
2012, p. 52. 
9
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 14. 
10
 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. 6ª ed. Vol 2. São Paulo: Saraiva, 
2012, p. 52/53. 
11
 MAMEDE, Gladston. Direito Empresarial Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 19. 
 
 
4 
exercitando ato com excesso de poderes
12
. Ocorrendo isso, apenas os envolvidos 
responderão, obviamente após comprovado o ocorrido inequivocamente. 
Oportuniza-se aqui, um fato em que os sócios são, na verdade, o contribuinte previsto 
pelos tributos da sociedade, vez que a pessoa jurídica não existe. Em essa não existindo, 
cada um dos sócios passa ser responsável originário pelo adimplemento do tributo de que dê 
causa à obrigação tributária, mesmo que em nome da sociedade, ainda não existente no 
campo de direito, o que não impedirá, nos termos do contrato não registrado, o sócio de 
cobrar regressivamente os demais sócios por ter sido ele a alcançar valores aos cofres 
públicos quando ficou estipulado ato contrário no contrato entre os sócios. 
Outrossim, vislumbra-se a sociedade em conta de participação
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, também uma das 
espécies societárias sem personalidade jurídica. Nessa sociedade há a figura do sócio 
ostensivo, que é aquele que se apresenta para, em nome próprio, tratar relações jurídicas 
com terceiros, e não em nome da sociedade
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. Com isso, analogicamente, tem-se que esta 
espécie de sociedade é como um grupo de pessoas que elegem um campeão que as defenda. 
Se ele ataca (negocia) é responsabilidade dele, bem como se ele é atacado (chamado a 
pagar). O sócio ostensivo, ao negociar pela sociedade, mas apenas em nome dele, coloca-se 
com um anteparo ilimitado para qualquer cobrança que viria a ser feita à pessoa jurídica 
inexistente de direito aqui. Logo, tributos devidos pela