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1 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO COACHING E MENTORING 2 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999 atua no mercado capixaba, des- tacando-se pela oferta de cursos de gradua- ção, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimen- to: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sem- pre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com cons- ciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institui- ções avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MiSSÃo Formar profissionais com consciência cida- dã para o mercado de trabalho, com ele- vado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. ViSÃo Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci- da nacionalmente como referência em qualidade educacional. GRUPO MULTIVIX 3 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO BiBLioteCa MULtiViX (Dados de publicação na fonte) As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com de Oliveira Barbosa Sonia, e Bernadeth Gandra Brandão Viviane Dificuldades de Aprendizagem / de Oliveira Barbosa Sonia, e Bernadeth Gandra Brandão Viviane. – Serra: Multivix, 2019. eDitoriaL Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix Serra 2019 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. FaCULDaDe CaPiXaBa Da Serra • MULtiViX Diretor Executivo Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretora Acadêmica Eliene Maria Gava Ferrão Penina Diretor Administrativo Financeiro Fernando Bom Costalonga Diretor Geral Helber Barcellos da Costa Diretor da Educação a Distância Pedro Cunha Conselho Editorial Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente do Conselho Editorial) Kessya Penitente Fabiano Costalonga Carina Sabadim Veloso Patrícia de Oliveira Penina Roberta Caldas Simões Revisão de Língua Portuguesa Leandro Siqueira Lima Revisão Técnica Alexandra Oliveira Alessandro Ventorin Graziela Vieira Carneiro Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo Carina Sabadim Veloso Maico Pagani Roncatto Ednilson José Roncatto Aline Ximenes Fragoso Genivaldo Félix Soares Multivix Educação a Distância Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia Direção EaD Coordenação Acadêmica EaD 4 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Aluno (a) Multivix, Estamos muito felizes por você agora fazer parte do maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional. A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoei- ro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão de qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na mo- dalidade presencial quanto a distância. Além da qualidade de ensino já comprova- da pelo MEC, que coloca todas as unidades do Grupo Multivix como parte do seleto grupo das Instituições de Ensino Superior de excelência no Brasil, contando com sete unidades do Grupo en- tre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa- -se bastante com o contexto da realidade local e com o desenvolvimento do país. E para isso, pro- cura fazer a sua parte, investindo em projetos so- ciais, ambientais e na promoção de oportunida- des para os que sonham em fazer uma faculdade de qualidade mas que precisam superar alguns obstáculos. Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é: “Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores.” Entendemos que a educação de qualidade sempre foi a melhor resposta para um país crescer. Para a Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o mundo à sua volta. Seja bem-vindo! APRESENTAÇÃO DA DIREÇÃO EXECUTIVA Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretor executivo do grupo Multivix 5 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO LiSta De FigUraS > FIGURA 1 - Processo de coaching 16 > FIGURA 2 - Aspectos importantes do processo de coaching 16 > FIGURA 3 - Brecha de Aprendizagem 16 > FIGURA 4 - Diamante lapidado e não lapidado. Analogia ao processo de coaching 18 > FIGURA 5 - Esquema para definir coach, coach e coaching 21 > FIGURA 6 - Os três pilares do coaching 25 > FIGURA 7 - Esquema para descobrir o valor por trás da meta 31 > FIGURA 8 - 3 Ms exigidos dos profissionais no mercado contemporâneo 37 > FIGURA 9 - Mudança de foco do olhar sobre as pessoas nas organizações 40 > FIGURA 10 - Foco do coaching 42 > FIGURA 11 - Orientação para o desenvolvimento de novos líderes-coaches 47 > FIGURA 12 - Base de conhecimento do coaching 47 > FIGURA 13 - Habilidades de um coach 48 > FIGURA 14 - Etapas para materialização dos sonhos 64 > FIGURA 15 - Fase para a implementação do programa de mentoring nas organizações 84 > FIGURA 16 - Funções de mentoring 86 > FIGURA 17 - Papel do Executivo 94 > FIGURA 18 - Competências individuais duráveis 117 > FIGURA 19 - Desdobramento do CHA 118 > FIGURA 20 - Gestão por competências 120 > FIGURA 21 - Gestão por competências 122 > FIGURA 22 - Educação corporativa: articulando os conceitos de competências, gestão do conhecimento e aprendizagem 125 6 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO LiSta De QUaDroS > QUADRO 1 - Modelo de Plano de Ação 29 > QUADRO 2 - Como fortalecer as pessoas com o empowerment 98 7 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO SUMÁrio 1UNIDADE 2UNIDADE 1 entenDenDo o UniVerSo Do CoaChing 15 1.1 ENTENDENDO O UNIVERSO DO COACHING 15 1.1.1 PARA INÍCIO DE CONVERSA: O QUE É O COACHING? 15 1.1.2 PARA QUEM O COACHING É INDICADO? 19 1.1.3 PERSONAGENS ENVOLVIDOS NO PROCESSO 19 1.1.3.1 COACHEE 19 1.1.3.2 COACH 20 1.1.4 COACHING E DIFERENCIAÇÃO DE OUTRAS ABORDAGENS 21 1.1.5 NICHOS DE COACHING 23 1.1.6 OS TRÊS PILARES DO COACHING 25 1.1.6.1 METAS 26 1.1.6.2 VALORES 29 1.1.6.3 CRENÇAS 32 ConCLUSÃo 34 2 a iMPortÂnCia Do CoaChing no ConteXto eMPreSariaL 36 2.1 A IMPORTÂNCIA DO COACHING NO CONTEXTO EMPRESARIAL 37 2.1.1 COACHING: UMA REALIDADE NECESSÁRIA NAS ORGANIZAÇÕES 37 2.2 AS PESSOAS COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO DAS ORGANIZAÇÕES 39 2.3 O FOCO DO COACHING 40 2.4 COACHING FORMAL E INFORMAL42 2.5 COMO SE TORNAR UM COACH DENTRO DAS EMPRESAS 45 2.5.1.1 AS HABILIDADES DE UM COACH 48 2.6 A LIDERANÇA COMO PROPULSOR DO DESENVOLVIMENTO 49 2.6.1 LÍDER-COACH: COACHING COMO ESTRATÉGIA DE LIDERANÇA 49 ConCLUSÃo 53 8 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4UNIDADE SUMÁrio 3 o CoaChing CoMo eStratÉgia De aUtoDeSenVoLViMento 55 3.1 AUTODESENVOLVIMENTO 56 3.2 AUTOCONHECIMENTO 58 3.2.1 COMO AMPLIAR O AUTOCONHECIMENTO 61 3.2.2 O PAPEL DOS SONHOS PARA POTENCIALIZAR O AUTOCONHECIMENTO 62 3.3 AUTOCOACHING 66 3.4 FERRAMENTAS DE AUTOCOACHING 68 3.4.1 FERRAMENTA PARA DESCOBRIR OS SEUS TALENTOS NATURAIS 68 3.4.2 FERRAMENTA PARA DESCOBRIR E DECLARAR A SUA MISSÃO DE VIDA 70 3.4.3 FERRAMENTA PARA APRENDER A DECLARAR A SUA VISÃO DE FUTURO 72 3.4.4 FERRAMENTA PARA REALIZAR A AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE SATISFAÇÃO: RODA DA VIDA 73 ConCLUSÃo 74 4 Mentoring naS organiZaÇÕeS 76 4.1 O QUE É O MENTORING 76 4.2 MENTORING INFORMAL 77 4.3 MENTORING FORMAL 78 4.4 BENEFÍCIOS DO MENTORING 79 4.5 COMO IMPLEMENTAR UM PROGRAMA DE MENTORING NAS ORGANIZAÇÕES 80 4.5.1 DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DO PROGRAMA 80 4.5.2 DEFINIÇÃO DE QUEM SERÃO OS APOIADORES DO PROGRAMA 81 4.5.3 ESTABELECER UM PLANEJAMENTO DE TODAS AS ATIVIDADES A SEREM REALIZADAS 81 4.5.4 SELEÇÃO DE MENTORES E MENTORADOS 81 4.5.5 ORIENTAÇÃO PARA OS MENTORES E MENTORADOS 82 3UNIDADE 9 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 5UNIDADE 6UNIDADE SUMÁrio 4.5.6 COMO SERÃO FORMADOS OS PARES 83 4.5.7 ACOMPANHAMENTO E AJUSTES 83 4.5.8 AVALIAÇÃO DO PROGRAMA 83 4.6 FUNÇÕES DE MENTORING 84 4.6.1 FUNÇÕES DE TRABALHO E CARREIRA 84 4.6.2 FUNÇÕES SOCIOEMOCIONAISS 85 4.6.3 FUNÇÕES MODELAR 85 4.7 O MENTORING NO EXERCÍCIO DA LIDERANÇA 86 4.8 FASES DO PROGRAMA DE MENTORIA 87 4.8.1 INICIAÇÃO 87 4.8.2 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO 87 4.8.3 FASE DA SEPARAÇÃO 88 4.8.4 FASE DA REDEFINIÇÃO OU FINALIZAÇÃO 88 4.9 FERRAMENTAS DE MENTORING 89 5 ProCeSSo De gerenCiaMento De taLentoS hUManoS no ÂMBito CorPoratiVo 93 5.1 GESTÃO DE PESSOAS 93 5.1.1 EMPOWERMENT 97 5.1.2 OS DESAFIOS DA GESTÃO DE PESSOAS 98 ConCLUSÃo 109 6 gerenCiaMento De reCUrSoS hUManoS CoM PoStUra CoMParti- LhaDa e Por reSULtaDoS 111 introDUÇÃo 111 6.1 UMA NOVA GESTÃO DE PESSOAS: A COMPARTILHADA 112 6.2 GESTÃO POR COMPETÊNCIAS 114 10 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO SUMÁrio 6.2.1 O QUE É COMPETÊNCIA 114 6.2.2 COMPETÊNCIAS TÉCNICAS E COMPORTAMENTAIS 118 6.2.3 GESTÃO DE COMPETÊNCIAS 119 6.2.4 DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS POR COMPETÊNCIAS 123 6.2.5 REMUNERAÇÃO POR COMPETÊNCIAS 126 ConCLUSÃo 127 reFerÊnCiaS 129 11 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO iConograFia ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS 12 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Prezado aluno, seja bem-vindo! Coaching e Mentoring são temas fascinantes e que muito têm ajudado pessoas e organizações a performarem melhor, a terem melhores resultados e a encontrarem mais sentindo para as suas existências, permitindo, assim, utilizarem o máximo do seu potencial e a serem mais realizadas e felizes. Ao longo desta disciplina você terá acesso aos conceitos de Coaching e Mentoring, assim como à sua importância para as organizações no contexto empresarial. Enfa- tizaremos também o valor do processo de autodesenvolvimento e como as técnicas e ferramentas dessa disciplina podem contribuir para isso. Também serão dedicadas algumas unidades para falarmos sobre o processo de gerenciamento de talentos hu- manos no âmbito corporativo, passando por Gestão por Competências. Será dado destaque especial ao papel das pessoas como recursos e como parceiras das orga- nizações. Falaremos sobre Gestão Estratégica e Inovadora, e como operacionalizar e gerenciar recursos humanos com postura compartilhada para resultados. Queremos muito que este conteúdo faça sentido para você no seu dia a dia e, para tanto, procuramos articular teoria e prática, exemplificando, apresentando curiosi- dades e sugerindo leituras complementares, também sinalizando os aspectos que merecem um pouco mais de atenção. Fique atento! A nossa proposta é criar um espaço propício para aprendizado e reflexão, que são comportamentos imprescindíveis para atingir os objetivos pessoais e de carreira. Ressaltamos que o sucesso desta disciplina, assim como os resultados que podem advir desse conhecimento, dependem, em grande parte, do seu empenho e dedi- cação para aplicar o que aprender. Por isso, participe dos fóruns, faça as atividades e interaja! Bons estudos! 13 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Objetivos da disciplina Ao final desta disciplina, esperamos que você seja capaz de: • Recordar os principais conceitos trabalhados, assim como reproduzi-los em uma situação diferente da original. • Interpretar as informações recebidas, associando-as a seu conhecimento an- terior sobre o tema abordado, Coaching e Mentoring. • Empregar os conhecimentos adquiridos no ambiente organizacional e na sua vida de uma maneira mais ampla. • Analisar, comparar e classificar dados e suposições em busca de uma solução para eventuais demandas e solicitações. • Sintetizar e articular conhecimentos para chegar a uma resolução. • Apreciar e julgar elementos de acordo com critérios preestabelecidos. 14 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Discuta os conceitos de dificuldades de aprendizagem e o fracasso escolar. > Analise o fenômeno das dificuldades de aprendizagem e seus aspectos. > Aponte reflexões sobre o fracasso escolar no processo de ensino- aprendizagem. UNIDADE 1 15 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 1 ENTENDENDO O UNIVERSO DO COACHING O Coach é uma das profissões de maior ascendência nos últimos anos. O uso do Coa- ching nas empresas vem aumentando em todo o mundo, inclusive no Brasil. Desta forma, conhecer essa metodologia e entender como ela pode ser útil tornou-se qua- se uma necessidade de primeira ordem, pois o mercado tem buscado por profissio- nais que se preocupem com seu autodesenvolvimento, que façam a autogestão de suas carreiras e que sejam proativos e atentos às técnicas e aos conceitos aplicados no mercado. Mais do que apresentar conceitos, procurou-se nesta unidade demonstrar com exem- plos práticos como o coaching pode ser um diferencial competitivo para você e sua carreira. Portanto, dedique-se à leitura do material que foi elaborado e procure colo- car seu aprendizado em prática no dia a dia. Lembre-se de que conhecimento só faz sentido se você o colocar em prática e alterar a sua forma de fazer. Para obtermos resultados diferentes, precisamos também atuar de forma diferente. “A mente não deve encher-se como um recipiente, mas acender-se como um fogo. ” (Plutarco) 1.1 ENTENDENDO O UNIVERSO DO COACHING 1.1.1 PARA INÍCIO DE CONVERSA: O QUE É O COACHING? Para explicar e exemplificar ao mesmo tempo o que vem aser o coaching, gosta- ria de fazer um convite. Imagine que você tem uma meta, pode ser qualquer meta, por exemplo, chegar ao peso ideal, preparar-se para ocupar uma posição profissional desejada, desenvolver uma competência específica, realizar uma viagem ou, quem 16 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO sabe, passar em um concurso público. Nós vamos chamar esse momento de Ponto a, que é o seu estado atual, e a sua meta é o Ponto B, conforme demonstrado no esquema a seguir. FIGURA 1 - PROCESSO DE COACHING Processo de Coaching Estado atual Estado desejado Ponto A Ponto B Fonte: esquema de conhecimento público. Adaptada pela autora. O processo de coaching ajuda você a sair o ponto A para o Ponto B. Para tanto, é necessário trabalhar alguns aspectos, a saber: a definição de foco, o planejamento, a ação, a melhoria contínua e o resultado. FIGURA 2 - ASPECTOS IMPORTANTES DO PROCESSO DE COACHING Definição de foco Planejamento Ação Melhoria contínua Resultados Fonte: elaborada pela autora. Uma definição similar de coaching é dada por Leonardo Wolk, em seu livro Coa- ching: a arte de Soprar Brasas. Para ele, coaching é um processo de aprendizagem. É um processo no qual o coachee se abre para novas possibilidades de ação. Ele con- sidera ainda o estado atual, representado no esquema acima como Momento 1, e o estado desejado, como momento 2, e a diferença entre um e outro como, também chamada de brecha de aprendizagem (WOLK, 2016). O esquema abaixo representa essa definição: FIGURA 3 - BRECHA DE APRENDIZAGEM Brecha de aprendizagem m1 m1 Fonte: WOLK, 2016, p. 22. 17 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Wolk ainda acrescenta que o processo de coaching “é um convite para sair da zona de conforto para se questionar a forma a maneira como se pensa, como se comunica, como se observa e age, para encontrar novas respostas para antigos e novos proble- mas” (WOLK, 2016, p.23). Caso queira saber um pouco mais sobre os conceitos práticos para as dú- vidas de líderes que desejam desenvolver equipes de alta performance, in- dependentemente do tamanho do grupo, leia o livro Coaching: A Arte de Soprar Brasas, de Leonardo Wolk. Ao se iniciar um processo de coaching é preciso definir o foco, aonde se pretende chegar e o que se quer alcançar. Parece simples, mas a grande maioria das pessoas até sabem o que não querem, mas não sabem o que querem. Portanto, definir o alvo a ser alcançado é um dos aspectos mais importantes para o atingimento dos resul- tados desejados. Assim que se definir o foco, torna-se necessário realizar um planejamento com as melhores ações e estratégias que devem ser colocadas em prática pelo cliente. É importante ressaltar que as ações devem ser implementadas pelo cliente, e não pelo profissional que está conduzindo o processo, o Coach. Durante a implementação de cada atividade é possível que o coachee descubra no- vas formas de fazer, e é aí que entra o processo de melhoria contínua, de fazer melhor o que está aprendendo a fazer bem. É preciso dar destaque especial para as Ações que devem sem implementadas. Em função disso, existe jargão que diz: “não existe coaching sem ação”. Pois, se não houver ação, também não acontecerão resultados, e coaching também é resultado. 18 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Resumindo: o coaching ajuda o indivíduo ou a empresa a sair do Ponto A para o Pon- to B com foco, Planejamento, Ação e Melhoria Contínua. É possível que neste momento você esteja se perguntando como isso tudo aconte- ce. E a resposta é: por meio da utilização de várias ferramentas e técnicas testadas e aprovadas, oriundas de diversas áreas do conhecimento humano, por exemplo, a Psicologia, Filosofia, Medicina, Neurociências e Administração, que têm o propósito de embasar a sua atuação de forma a abarcar a diversidade e complexidade da Na- tureza Humana. Uma outra forma de exemplificar o processo de Coaching é compará-lo com o pro- cesso de lapidação de diamantes. No Coaching, assim como no processo de lapidação, o potencial já existe antes que o processo aconteça e ele é ainda mais valorizado com a aplicação das técnicas corre- tas que permitem ao brilho emergir. FIGURA 4 - DIAMANTE LAPIDADO E NÃO LAPIDADO. ANALOGIA AO PROCESSO DE COACHING Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019. De acordo com Lages e O’Connor: Coaching é uma parceria em que o Coach ajuda o seu cliente a atingir o me- lhor da sua vida pessoal e a produzir os resultados que ele quer em sua vida, pessoal e profissional. A intensão desse método é similar à de outras profissões de suporte: ajudar uma pessoa a mudar da maneira que ele a quer e supor- tá-la na transformação para o melhor que ela pode ser (LAGES; O’CONNOR, 2013. p. 17). 19 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Por isso, não é de se admirar a popularidade que o coaching vem ganhando nos úl- timos anos, especialmente nas duas últimas décadas, e isso deve aos resultados que se podem alcançar com essa poderosa metodologia. Resumindo, o coaching ajuda a você a responder uma questão fundamental: como posso ser melhor? 1.1.2 PARA QUEM O COACHING É INDICADO? O coaching é indicado para todos aqueles que querem atingir melhores resultados, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Lages e O’Connor afirmam que: As pessoas recorrem ao coaching porque querem ser felizes, ou mais felizes. Elas desejam uma vida satisfatória, repleta de boas experiências. Quem bons relacionamentos, um trabalho que apreciem e que lhes dê orgulho, onde po- sam usar seus talentos e ganhar dinheiro (LAGES; O’CONNOR, 2013. p. 10). 1.1.3 PERSONAGENS ENVOLVIDOS NO PROCESSO As palavras parceria, comprometimento, ação e resultados definem bem o que vem a ser o processo de coaching. E, nesse sentido, para que tudo isso ocorra, é necessário o envolvimento de alguns personagens, a saber: 1.1.3.1 COACHEE O Coachee é a pessoa que está em busca de processo de mudança, transformação e/ ou desenvolvimento, e para tanto busca o apoio de um Coach. O Coachee também pode ser chamado de cliente, aquele que contrata o processo. Pode parecer estranho, mas para se tornar um Coachee também são necessários alguns requisitos. O primeiro deles é começar por uma meta, um sonho, o desejo de mudar e transformar algo na vida. Também se faz necessário avaliar o quanto está em- penhado em dispender energia para realizar as ações necessárias para atingir novos resultados. O Coachee precisa estar muito comprometido com o seu desempenho. 20 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO E, talvez o mais importante, essa pessoa precisa estar emocionalmente preparada para o processo. Pessoas que estejam apresentando alguma descompensação que comprometa as estruturas psíquicas e funcionais da mente não são clientes indicados para o processo de coaching. Por isso, faz-se necessária a análise e o entendimento da demanda antes de aceitar um novo cliente. Um exemplo clássico é de uma pessoa que acabou de perder um ente querido. É possível que neste momento ela precise mais do apoio de um terapeuta para ajudá-la a viver o luto do que de um Coach. 1.1.3.2 COACH A palavra Coach é originária do idioma Inglês e, na tradução literal, significa treinador. Trata-se de um profissional qualificado nas técnicas e metodologias com as quais irá conduzir o processo e auxiliar o coachee e as empresas no desenvolvimento de com- petências e no alcance de resultados fantásticos.Para Lages e O’Connor (2013), um Coach é o nosso orientador no processo de sermos o melhor que pudermos. Em função da ascensão contínua da profissão, o universo do coaching atrai todos os anos milhares de pessoas que pretendem se tornar profissionais habilitados para aplicar a metodologia. Todavia, para que não se cometa equívocos, é importante estar atento a algumas características imprescindíveis ao bom Coach, por exemplo, capa- cidade de ouvir e estabelecer uma escuta ativa profunda; comunicar-se com clare- za e assertividade; ter comprometimento com o cliente e seus objetivos, confiança, compaixão e generosidade, mas, acima de tudo, o Coach deve possuir uma enorme vontade de contribuir com o desenvolvimento do outro, de uma forma desprendida. Um bom Coach precisa se livrar das amarras da arrogância e vaidade, observáveis na Natureza Humana, pois os holofotes devem estar direcionados para o cliente e seus resultados. No processo de coaching quem brilha é o Coachee, e não o Coach. “Os Coaches ajudam o cliente a explorar o presente e desenhar o futuro. Eles levam o cliente de onde ele estão para ande eles querem ir fornecendo-lhes mais opções, recursos, para suas jornadas” (LAGES; O’CONNOR, 2013. p. 10). É necessário entender que o papel do Coach é de coadjuvante, para que o persona- gem principal, o Coachee, entre em cena e faça o espetáculo acontecer. 21 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Ainda é importante ressaltar que o papel do Coach não é dar as respostas prontas, mas ajudar o seu cliente a encontrar as melhores respostas para as suas questões. Neste sentido, uma definição que cabe muito bem mencionar aqui é de Leonardo Wolk que diz: “mais que um facilitador, o Coach é um provocador. Sendo um provo- cador, constitui-se como um facilitador de aprendizagem”. FIGURA 5 - ESQUEMA PARA DEFINIR COACH, COACH E COACHING Coach Coaching Coachee Profissional que conduz o processo (com ferramentas e técnicas) Processo que possibilita desenvolvimento Pessoa que passa pelo processo (descobertas/desenvolvmento de conferências) Fonte: elaborada pela autora. 1.1.4 COACHING E DIFERENCIAÇÃO DE OUTRAS ABORDAGENS É muito comum que o coaching seja confundido com outras abordagens de desen- volvimento humano, por exemplo, terapia, mentoring, counsoling, consultoria e trei- namento/ensino; portanto, faz-se necessário marcar aqui as diferenças. Veja a seguir o objetivo de cada um desses conceitos. • Coaching: é um processo que tem como objetivo melhorar a performance de indivíduos, grupos ou empresas, elevando os resultados positivos. Essa aborda- gem tem o respaldo de inúmeras técnicas, ferramentas e metodologias, que aumentam a assertividade e o alcance dos resultados desejados. Assim como outras abordagens de desenvolvimento humano, o coaching tem tam- bém os seus princípios, a saber: suspender qualquer tipo de julgamento, o tempo que acontece o processo é presente, mas com o foco no futuro, e as ações e tarefas são partes fundamentais, sem falar da ética e confidencialidade que envolvem todo o processo. 22 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para abarcar a realidade de forma sistêmica e entender a diversidade do universo humano, o coaching adota como pilares: o Ser Humano, o Método, as Técnicas e Fer- ramentas e as Competências Humanas. Eles e inter-relacionam e se complementam para o atingimento dos resultados propostos. Os diálogos mantidos entre o profissional que conduz o processo e seu cliente têm o propósito encontrar os melhores caminhos para se atingir a meta proposta. A cada encontro de coaching, por meio de perguntas direcionadas, o Coach ajuda o seu cliente a realizar insights e descobertas, e implementá-las. • terapia: propõe-se trabalhar dores mais “profundas” da existência humana. Existem diversos tipos de terapia, mas de uma forma geral, o enfoque maior, diferentemente do coaching, é entender o passado para elaborar novas for- mas de aprendizado e para adoção de um estilo de vida mais saudável e de acordo com a realidade. Via de regra, as terapias são realizadas por profissio- nais graduados e licenciados para exercer a profissão, por exemplo, psicólogos, médicos psiquiatras e psicanalistas. • Mentoring: é considerado também um poderoso instrumento para o desen- volvimento, com foco mais voltado para o lado profissional de um indivíduo. O Mentor, profissional que conduz o processo, normalmente é uma pessoa expe- riente que ajuda outra pessoa com menos experiência no tema que precisa de- senvolver. Tome como exemplo uma pessoa que é referência em Liderança: ela pode realizar mentoria com um profissional recém-promovido para a profissão. O Mentor atua como um guia para essa pessoa que está sendo auxiliada. Este tipo de atuação permite o desenvolvimento de competências específicas em um menor tempo, otimizando recursos e promovendo melhores resultados, com a vantagem de uma supervisão constante. Esse tema será abordado em maior profundidade em uma unidade exclusiva desta disciplina. • Counsoling: na tradução literal, significa “aconselhamento”. É também con- siderado um processo de desenvolvimento humano mais diretivo, em que o Counseler, ou conselheiro, expõe soluções para resolução dos problemas de seu cliente. Essa abordagem é indicada para pessoas que precisam do 23 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO conhecimento profundo de alguém que domina o assunto para respostas imediatas e, muitas das vezes, emergenciais. • Consultoria: é considerada uma relação de apoio, em que um profissional/ empresa mais experiente disponibiliza a prestação de serviços para uma área específica de seu domínio. Normalmente, as consultorias são contratadas por pessoas ou empresas que não possuem Know-how em um determinado as- sunto e precisam implementar mudanças ou novos processos. Os processos de consultorias costumam nascer de uma demanda específica, que é desen- volvida em um período contratado. Ao final do processo, depois da entrega realizada, há interrupção da prestação de serviços, podendo ser recontratado, quando houver necessidade. • treinamento: tem como objetivo desenvolver competências técnicas ou com- portamentais por meio da transferência de conhecimento. Os treinamentos podem ser presenciais (em sala de aula ou no próprio local de trabalho, on the job training) e na modalidade a distância. Uma das principais caracte- rísticas do treinamento é o desenvolvimento de novas habilidades. Portanto, essa abordagem é bem objetiva no sentido de ensinar a fazer algo. Costuma ser mais estruturada para apresentar como os processos são desenvolvidos e como a repetição deve ocorrer para que os resultados sejam alcançados, con- forme o previsto. O objetivo dessas definições não é demonstrar que uma abordagem é melhor que a outra, mas que cada uma tem propósitos diferentes. Entender isso, é fundamental para evitar eventuais confusões na contratação de um eventual serviço e de não aten- der as expectativas propostas. 1.1.5 NICHOS DE COACHING O coaching tem a sua origem no esporte, com o coaching esportivo. A migração do coaching para o mundo empresarial acontece de forma mais enfática no início dos anos 1990, nos EUA, sobre a influência de um dos seus precursores, Timothy Gallwey. 24 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Tim Gallwey, como é conhecido, era treinador de Tênis e percebeu que as técnicas utilizadas por ele para treinar atletas poderiam ser replicadas para o mundo orga- nizacional. Uma das principaisdescobertas de Tim, registradas em seu livro O Jogo Interior de Tênis, foi perceber que era possível vencer qualquer jogo nas quadras, des- de que o jogo interior, aquele que travamos conosco mesmo, fosse vencido primeiro. Para ele, o nosso maior opositor não é o adversário que está do outro Caso queira saber um pouco mais, leia o livro O Jogo Interior de Tênis, de W. Timothy Gallwey, que é considerado por muitos o “pai do Coaching”. Existem inúmeros nichos, que são oportunidades para a aplicação do Coaching. La- ges e O’Connor (2013) destacam: Coaching de Vida, Coaching de Carreira, Coaching Executivo, Coaching Empresarial, ou Business Coaching, e Coaching Esportivo. Com o crescimento da demanda por coaching, o mercado foi se diversificando e criando alguns nichos de atuação, conforme a seguir. • Coaching de vida: este tipo de atuação ajuda o cliente a “cuidar” de diversas dimensões da vida, a saber: relacionamento, saúde, educação de filhos, etc. • Coaching empresarial ou business coaching: o foco de atuação nessa modali- dade são executivos de empresas. Quanto mais alto o nível hierárquico, maior também é o nível de solidão e necessidade de ter um profissional que apoie e contribua para o desenvolvimento e resultados. • Coaching de carreira: de uma forma geral, os seres humanos estão buscando por mais satisfação e realização, e isso inclui também ter melhor qualidade de vida realizando a profissão que se escolheu. Neste contexto é que entra o coa- ching de carreira, que tem como objetivo apoiar o indivíduo para se preparar para ocupar uma nova posição que lhe traga satisfação e para uma transição 25 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO de carreira; em alguns casos, até na definição de que carreira seguir. As pes- soas estão buscando perceber sentido no trabalho que realizam. Por isso, ge- ralmente quando essa expectativa não é concluída cria-se um nível grande de insatisfação, pois somos felizes quando usamos todo o potencial que temos e, em alguns casos, o que temos e desconhecemos. • Coaching esportivo: é considerado o berço do coaching. Essa abordagem aju- da esportistas e atletas a atingirem as suas metas ligadas aos esportes. Pratica- mente todos atletas importantes possuem um Coach. Não se propõe aqui de discorrer sobre todas as abordagens de maneira minuciosa, visto que existem inúmeras, por exemplo, relacionamento, saúde, fitness, emagreci- mento, entre outros, por se entender, que esses são subnichos derivados de nichos mais macros, como o Nicho da Vida, por isso, optou-se por tratar os temas de forma mais abrangente. Todavia, é importante ressaltar que, independentemente do tipo de coaching, as ha- bilidades exigidas do Coach são semelhantes, assim como o formato de sessões para o atingimento dos objetivos. 1.1.6 OS TRÊS PILARES DO COACHING Imagine que o processo de Coaching é um banquinho sustentado por três pernas, sendo que uma se chama Metas; a segunda, Valores; e a terceira, Crenças. FIGURA 6 - OS TRÊS PILARES DO COACHING Metas Valores Crenças Fonte: elaborada pela autora. 26 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O foco principal do coaching é o atingimento da meta, entretanto, durante a cami- nhada, o Coach apoia e encoraja o seu cliente a conhecer mais profundamente os valores e desafia crenças limitantes. Esses pilares permitem focar no atingimento do objetivo desejado (Meta), entender quais são os valores que estão por trás de cada meta (Valores) e, por fim, como as crenças existentes podem estar contribuindo ou não para os resultados desejados. Nas páginas que se seguem, falaremos detalhadamente sobre cada uma delas. 1.1.6.1 METAS Um bom processo de coaching começa com uma boa definição de metas. Quanto mais clara, específica, relevante e mensurável for, maiores serão as possibilidades de obter sucesso, afinal, são as metas que nos impulsionam para a frente. “As metas são o alicerce do coaching” (LAGES; O’CONNOR, 2013. p. 31). As metas podem ter duas vertentes, as metas de resultado e as metas de processo. As primeiras formam o objetivo final, aonde se quer chegar, já as segundas, elas re- metem à jornada, a um plano detalhado para atingir o objetivo final. Um bom Coach deve apoiar o seu Coachee a definir suas metas, para tanto, é impor- tante estar atentos a algumas premissas: • as metas devem ser expressas de forma positiva: a meta deve dizer o que o cliente quer, e não o que não quer. Estabelecer metas negativas é o mesmo que ir ao mercado com uma lista daquilo que não se quer comprar. É comum as pessoas dizerem que não querem perder dinheiro, ao invés de dizer o quanto de dinheiro se quer ganhar. Se você pretende estabelecer novas metas para a sua vida, algumas perguntas orientadoras podem apoiá-lo, por exemplo, “o que você quer?”, “o que você quer em vez disso?” e “o que você prefere ter no lugar?”. • Metas devem ser específicas: quanto mais clara e específica for a sua meta, tanto melhor e mais fácil será atingi-la e mensurá-la. Sem sombra de dúvidas, é mais fácil ser específico para metas palpáveis, como comprar um carro, uma casa, realizar uma viagem, do que para metas abstratas, como ser mais auto- confiante. Nesse último caso, a dica é definir uma situação que demonstrará 27 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO que você se sentirá autoconfiante, por exemplo, conseguir realizar a minha sustentação oral de defesa de monografia de conclusão de curso. Algumas perguntas podem direcioná-lo a definir metas de forma mais específica, a sa- ber: “o que exatamente você quer?”, “como pode descrever a sua meta com maior precisão?”, “qual é o tempo que será dispensado?” e “em quanto tempo quer atingir a sua meta?”. • Metas precisam ser possíveis de feedback: é importante definir a forma de mensurar que você está no caminho certo para atingir a sua meta. Perguntas do tipo “como a meta será medida?”, “como ele saberá que está na rota certa?”, “quais são as evidências/marcos que ele terá ao longo da trajetória?” ajudam muito a fazer os follow-ups e, se necessário, estabelecer novos portas com o objetivo de não se perder no meio do caminho. Tomemos como exemplo uma pessoa que tem como objetivo atingir o peso ideal. Uma forma de fazer as medições é estabelecer períodos em que se possa realizar verificações, nesse caso, poderia ser pesar ou até mesmo consultar um médico para avaliar outros indicadores de saúde, como massa corporal, índices de hormônios e vitami- nas, por exemplo. • Mobilizar recursos necessário: ao definir uma meta, deve-se pensar nos recur- sos que serão necessários. Muitas pessoas desconsideram essa etapa e podem correr o grande risco de não atingir o que se projetou. Os recursos variam mui- to de meta para meta e normalmente envolvem, tempo, pessoas (amigos, fa- miliares, colegas de trabalho) e objetos (equipamentos, softwares, acesso rede de computadores). As perguntas orientadoras nesse caso são: “quais são os recursos necessários?”, “quais dos recursos já possuo?” e “onde e como conse- guirei os recursos necessários? ”. • Ser proativo: parece óbvio, mas é muito importante dizer que as metas são de responsabilidade de seus autores, e não de terceiros. Contudo, é muito co- mum observar durante os processos de coaching o cliente tentando desen- volver metas e delegá-las a para terceiros, e isso definitivamente não funciona! A responsabilidade de realizar as ações necessárias ao atingimento das metas deve ser sempre de quem quer atingi-las, mesmo que para isso ele precise do apoio de alguém, mas a responsabilidade de conseguir esse apoio é de quem quer ter a meta atingida.Delegar metas a terceiros é o mesmo que delegar a direção da sua vida a outra pessoa, além de ser fonte de constantes frustações. Para evitar esse tipo de situação, pergunte-se sempre: “até que ponto essa meta está sob o meu controle?”, “o que farei?”, “como posso conseguir apoio de outras pessoas?” e “qual pode ser a minha contrapartida para conseguir apoio de terceiros?”. 28 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • Consequência da meta: em coaching é comum dizer que as metas devem ser “ecologicamente corretas”. Mas o que significa isso? É importante certificar-se de que a minha meta não causará mal a terceiros ou ao entorno. É necessário considerar qual será o efeito em outras pessoas. Nesse sentido, o Coach deve estar atento para apoiar o seu cliente, pois não é ético aceitar apoiar a realiza- ção de metas que prejudiquem pessoas ou a sociedade. As perguntas orien- tadoras para esse tópico são: “quais são as consequências para mim e para as outras pessoas?” e “qual é o preço da sua meta?”. • Definir um plano de ação: como já foi mencionado anteriormente, não existe coaching sem ação. Para que os resultados sejam atingidos, conforme se pro- põe, é importante pensar nas ações deverão ser implementadas. Neste sentin- do, deve-se tomar cuidado com as metas muito grandes, pois podem parecer distantes da realização e causar desmotivação e até mesmo desistência ao longo do caminho. Por isso, recomenda-se que metas grandes sejam divididas em pequenas metas. Por exemplo, suponha que você tem como meta elimi- nar 10 quilos do seu atual peso. Se você se fixar apenas no objetivo final, pode ficar desmotivado, mas se programar para eliminar 500 gramas por semana, uma meta factível, em um mês terá eliminado 2 quilos e ao final de 5 meses terá atingindo a sua meta. Ainda utilizando esse exemplo, é preciso fazer com que cada dia contribua para o alcance da sua meta. Neste caso, qual será a rotina de alimentação? Quais alimentos posso consumir e quais não posso? Farei atividades físicas? Uma dica de ouro para elaboração de um plano de ação é colocar no plano o que é possível colocar na agenda e ser realizado. Tome como exemplo um plano de ação que tenha a seguinte tarefa: alimentar-se melhor. Como você colocaria isso na agen- da? Não é possível, certo? Então, precisa reescrever a melhor ação para que atinja o objetivo de alimentar melhor. Exemplo: estabelecer um cardápio e segui-lo fielmente. Uma boa forma de visualizar as ações é utilizar planilhas eletrônicas que podem ser impressas pela melhor visualização. Um modelo muito utilizado nos processos de coaching é o 5W e 2H, que é uma ferramenta de qualidade, utilizada em processos de melhoria contínua nas empresas. 29 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Os 5 Ws são representados pelas palavras do idioma Inglês: What (o que precisa ser feito), Who (quem fará a ação acontecer), Where (onde a ação irá acontecer), Why (porque fazer) e os dois Hs por How (como) e How Much (quanto custa). Essa meto- dologia pode ser transcrita para uma planilha. Veja o modelo. QUADRO 1 - MODELO DE PLANO DE AÇÃO PLANO DE AÇÃO NOME: META: DATA DE ELABORAÇÃO O QUE (AÇÃO) QUEM FARÁ ONDE QUANDO POR QUE SERÁ FEITA COMO SERÁ FEITA QUANTO CUSTA Fonte: adaptada pela autora do modelo 5W e 2H. Essa é uma ferramenta simples, mas muito poderosa, pois permite medir a evolução das ações implementadas. É importante chamar atenção ainda um aspecto muito importante na definição de um plano de ação, que é a coluna Quem fará, que deve ser preenchida sempre com o nome do responsável pelo plano de ação. Lembre-se de que não se faz planos para outros realizarem! 1.1.6.2 VALORES Falar de valores parece ser algo abstrato, mas é extremamente importante, pois co- nhecer e respeitar os próprios valores é o mesmo que viver uma vida coerente com aquilo que se acredita. Mas o que vem a ser valor? Valor é tudo aquilo que é importante para uma pessoa. Os valores normalmente sustentam e embasam as nossas decisões. Se você parar para pensar, toda vez que fez algo ou deixou de fazer, foi baseado em algum valor. Por mais que essa decisão não tenha sido consciente, o seu valor estava lá orientando você. Os nossos valores são expressões do que nós somos e também podem ser conside- rados como “estado de espírito e princípios de ação normalmente abstratos, como por exemplo, amor, honestidade, diversão, saúde, respeito, lealdade, integridade, 30 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO segurança e amizade” (LAGES; O’CONNNOR, 2013. p. 41). Com o objetivo de visualizar melhor essa situação, vamos supor que você recebeu uma proposta para trabalhar fora do país, mais precisamente, uma missão na África. É uma proposta muito interessante profissionalmente, pois vai dar a você uma proje- ção muito grande em sua área de atuação, a remuneração é formidável, além disso, você poderá contribuir com a vida de muitas outras pessoas, um desejo antigo seu. Mas, para isso, você precisa fica longe da sua família por pelo menos um ano. Acres- cente ainda que você acabou de ter um filho e aceitar essa proposta significa não acompanhar o desenvolvimento do primeiro ano dele. Você tem como valor família, trabalho e sucesso profissional, e agora, qual decisão tomar? Para tomar essa decisão é necessário ter em mente quais são os principais valores e qual é a hierarquia deles para você neste momento da sua vida. Mas o que vem a ser hierarquia de valores? É quando um valor sobrepõe ao outro e essa sobreposição pode ser temporária ou definitiva. Vamos supor que você tenha como valores básicos: família, trabalho, realização pessoal, saúde, integridade e lealdade. Você precisa defi- nir qual é o mais importante para você neste momento, ou seja, aquele que vai gerar mais congruência com o momento da sua vida. Ainda seguindo o exemplo mencionado, neste caso não existe resposta certa e erra- da, pois, independentemente da decisão, ela será tomada considerando o valor mais importante para você no momento. Possivelmente alguns definiriam por aceitar a proposta, enquanto outros não hesitariam em descartá-la imediatamente. Em coaching, uma das formas de identificar quais são os valores de um cliente é fazendo perguntas do tipo: “o que é importante para você nesse momento? ”, “o que chama sua atenção nessa proposta? ”, “porque você aceitaria ou não aceitaria esse trabalho? ”. É importante destacar que, quando alguém define uma meta para si próprio, ela foi baseada em seus valores, portanto, reconhecer quais são os valores que estão por trás de uma meta é de grande importância. Quando valores são negligenciados, a meta final será vazia, desprovida de sentido, o que pode comprometer inclusive o atingi- mento dela. Por isso, é importante que, durante o processo de coaching, o Coach ajude o seu cliente a descobrir quais são os valores que estão por trás da sua meta. Apenas para tornar mais concreto o que está sendo dito, apresenta-se a seguir o diá- logo fictício de uma sessão de coaching, em que a meta do cliente é passar em um 31 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO concurso público federal para a área de saúde, por acreditar que a independência financeira e a estabilidade profissional são valores inegociáveis. • Coach: quando você estiver trabalhando no serviço público, o que isso lhe proporcionará? • Cliente: muita satisfação. • Coach: quando você tiver muita satisfação, o que isso vai lhe proporcionar? • Cliente: eu me sentirei realizado porajudar pessoas a cuidarem de sua saúde. • Coach: e quando você ajudar as pessoas a cuidarem de sua saúde, o que isso vai lhe proporcionar? • Cliente: a sensação de missão realizada. • Coach: e o que significa para você missão realizada? • Cliente: poder utilizar todo o meu conhecimento em favor da humanidade. • Coach: e onde ficam a independência financeira e a estabilidade profissional? • Cliente: acabo de perceber que elas são importantes para mim, mas não são os meus principais motivadores para passar em um concurso público. • Coach: e quais são os outros motivadores? • Cliente: contribuir com pessoas que precisam de profissionais competentes para cuidarem de sua saúde. O processo para descobrir o valor central da meta pode ser representado pelo esque- ma abaixo: FIGURA 7 - ESQUEMA PARA DESCOBRIR O VALOR POR TRÁS DA META Meta “Quando você obtiver (a meta), o que isso lhe proporcionará? “Quando você obtiver (o valor) o que isso lhe proporcionará? Continue a mesma pergunta até atingir o valor central Valor Fonte: elaborada pela autora. 32 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.1.6.3 CRENÇAS Em um mundo tão pragmático como o nosso, assim como valores, falar em crenças pode parecer um tanto quanto abstrato e sem sentido. As crenças podem ser enten- didas como tudo aquilo que se acredita, não sendo precisamente verdades, mas o que se acredita serem as verdades. Não está necessariamente relacionada às crenças religiosas, mas ao que o indivíduo acredita ser a verdade sobre si, sobre as coisas e sobre o mundo. As crenças podem ser consideradas fortalecedoras, quando lhe conferem poder para realizar, e as limitantes, quando restringem a realização de algo. As crenças ditam as regras da vida de uma pessoa, pelas quais se acredita viver. “Crenças são princípios de ação, não teorias vazias” (LAGES; O’CONNNOR, 2013. p 111). Para saber em que uma pessoa acredita, basta observar o que ela faz, não aquilo que ela diz que acredita. A maioria das nossas crenças são formadas a partir das nossas experiências, mas tam- bém podemos escolher aquilo que queremos acreditar. Assim, podemos ter mais controle sobre as nossas ações e realizações. Se você estiver satisfeito com os seus resultados, mantenha as suas crenças, mas se você não estiver, examine quais são aquelas que podem estar comprometendo o seu desempenho. Identificar quais são as crenças limitantes é um grande diferencial em um processo de coaching, pois elas podem agir como sabotadores das metas. Identifica-se cren- ças limitantes com a pergunta: “o que impede você de atingir sua meta?”. “Crenças limitantes são as principais acusadas por nos deter de atingirmos nossas metas e vivenciar os nossos valores” (LAGES; O’CONNNOR, 2013. p. 117). Com o intuito de tornar mais ilustrativo, seguem alguns exemplos de crenças que podem ser consideradas limitantes: “tenho que trabalhar muito para ganhar dinhei- ro”, “falar inglês é difícil”, “só pessoas de sorte conseguem sucesso na vida”, “eu nunca consigo o que quero”, “dinheiro é para se gastar”. Um dos grandes perigos das crenças limitantes é que quem a tem normalmente não a percebe assim. Daí a importância de um profissional qualificado, como Coach, para ajudar o cliente a identificar e desafiar essas crenças, auxiliando-o na elaboração de uma nova crença fortalecedora. 33 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Se você tiver interesse em conhecer as suas crenças, responda à planilha para identificação as crenças limitantes. Planilha para verificação de crenças limitantes Pense em uma meta muito importante para você. Em seguida, leia cada uma das sentenças abaixo e dê uma pontuação de 1 a 10, sendo que 1 indica que você acredita pouco e 10 que você acredita totalmente na sua declaração. 1. eu mereço atingir [minha meta] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Não acredito Acredito totalmente 2. eu tenho as aptidões e habilidades necessárias para atingir [minha meta] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Não acredito Acredito totalmente 3. É possível atingir [minha meta] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Não acredito Acredito totalmente 4. [minha meta] é clara 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Não acredito Acredito totalmente 5. [minha meta] é desejável 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6. [minha meta] é ecológica (não vai prejudicar ninguém) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Não acredito Acredito totalmente 6. [minha meta] vale a pena 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Não acredito Acredito totalmente Pontuações baixas (menores que 7) pode significar que existem crenças limi- tantes com relação a meta ou que ela não foi devidamente pensada. Fonte: Adaptado de LAGES; O’CONNOR, 2013. 34 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO CONCLUSÃO Essa primeira unidade, se propôs a fazer uma introdução ao Universo do Coaching, destacando conceitos básicos para o entendimento e aplicabilidade da disciplina. O Coaching por se tratar de uma metodologia, relativamente nova, ainda é bastante confundido com outras abordagens de desenvolvimento humano, por isso, optou-se em marcar aqui essa diferença. Um dos principais fundamentos do coaching é o Ser Humano e, em função da sua di- versidade, é possível observar também diversas segmentações de abordagens, visan- do o atendimento das metas propostas. Nessa unidade foram abordadas o coaching de vida, carreira e esportivo, entretanto, dentro desses enfoques ainda é possível ob- servar subdivisões que deixam o processo ainda mais focado. Observou-se também para que os resultados desejados sejam atingidos de maneira sustentável, é necessário que o processo seja sustentado pelos pilares, Metas, Valores e Crenças. O tema coaching é extremamente interessante e vasto e não se teve a intensão de esgotá-lo em um capítulo, mas abrir a mente para confabular novas possibilidades de aplicação. Nos capítulos que se seguem será possível aumentar o conhecimento sobre essa fantástica metodologia que cada dia mais tem sido utilizada pelas pessoas e organi- zações como ferramenta de desenvolvimento e expansão de consciência. 35 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Apontar o coaching como uma realidade necessária às organizações, esclarecer que as pessoas são o diferencial competitivo das empresas, assim como aplicar as abordagens do coaching formal e informal. > Debater sobre como desenvolver coaching dentro das organizações, assim como reunir as principais competências para se tornar um coach e, além disso, estimular o desenvolvimento da liderança coach dentro das organizações. UNIDADE 2 36 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 2 A IMPORTÂNCIA DO COACHING NO CONTEXTO EMPRESARIAL Desenvolver pessoas, além de ser uma das principais vantagens competitivas das or- ganizações, é sem sombra de dúvidas, nesse momento da atualidade, uma necessi- dade, principalmente quando se fala do mercado brasileiro. No Brasil vive-se um cenário de grandes déficits educacionais, sem falar do analfabe-tismo funcional, que se aproxima de 30% da população jovem e adulta1. Dessa forma, em muitas situações, as empesas precisam mais do que desenvolver, mas “formar” profissionais para desempenhar funções de acordo com o nível de qualidade e en- tregas exigidas. Neste capítulo, propõe-se abordar o coaching como uma realidade necessária nas organizações, uma vez que possibilita o desenvolvimento das pessoas, assim como discorrer sobre as modalidades de coaching (formal e informal), requisitos básicos para se formar um bom coach. Esperamos que faça sentido para você e para a carreira. Então, boa leitura e bons estudos! 1 Fonte: AE. Brasil tem cerca de 38 milhões de analfabetos funcionais. Correio do Povo, 5 ago. 2018. Disponível em: ht- tps://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/brasil-tem-cerca-de-38-milh%C3%B5es-de-analfabetos-funcio- nais-1.268788. Acesso em: 26 mar. 2019. 37 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 2.1 A IMPORTÂNCIA DO COACHING NO CONTEXTO EMPRESARIAL 2.1.1 COACHING: UMA REALIDADE NECESSÁRIA NAS ORGANIZAÇÕES Para iniciar esta unidade, valer-se-á de uma pergunta (as perguntas geram movimen- to, inquietação e provocam aprendizado). A pergunta é: qual é o grande movimento percebido nas organizações bem-sucedidas da atualidade? Você já tinha parado para pensar sobre isso? A resposta é: a adoção de programas de mudança e inovação atrelados a robustos programas de desenvolvimento e educação continuada de seus colaboradores. O objetivo desse movimento é ajustar o desenvolvi- mento organizacional às demandas constantes e crescentes de um mercado altamen- te competitivo e que não perdoa deslizes. “Algumas organizações vão além e procu- ram se antecipar e promover elas mesmas as mudanças que acontecerão no mundo dos negócios e que serão imediatamente copiadas” (CHIAVENATO, 2017, p. 57). Em nenhum outro momento da história da humanidade as pessoas foram tão exigi- das como agora, “as organizações querem que as pessoas produzam mais e melhor” (CHIAVENATO, 2017, p. 74). FIGURA 8 - 3 MS EXIGIDOS DOS PROFISSIONAIS NO MERCADO CONTEMPORÂNEO E com menos recursos Produzir melhor Produzir mais MenosMelhorMais Fonte: elaborada pela autora. “Neste sentido, torna-se indispensável que as pessoas aprendam a aprender constan- te e incessantemente. Mudar, mudar e mudar: essa é a palavra de ordem nas empre- sas inovadoras” (CHIAVENATO, 2017, p. 57). 38 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para promover as mudanças necessárias e o desenvolvimento contínuo, essas pes- soas/profissionais precisam de um apoio. Aí surge o papel das lideranças, atuar como apoiador e desenvolvedor. Entretanto, nem sempre a liderança está preparada ou dispõe de tempo e, em alguns casos, vontade para isso. É nesse contexto que o coaching e o mentoring surgem como ferramentas que podem contribuir imensamente. Essas abordagens podem ser utilizadas de forma individual ou coletiva, a depender da necessidade e disponi- bilidade dos profissionais envolvidos. É importante ainda mencionar que as organizações vivenciam hoje um momento de transição no que diz respeito à forma de fazer a gestão das pessoas, o final da transição do antigo modelo de Departamento Pessoal, que tinha apenas atribuições burocráticas e legais, o que alguns especialistas da área têm chamado de Recursos Humanos Estratégicos. Aliás, outro ponto bastante discutido pelos especialistas é o próprio termo “recursos”. O cerne da questão é que as pessoas não podem ser consideradas como recursos, muito pelo contrário, são elas que geram recursos para as organizações. “O que des- taca hoje é a gestão do conhecimento, inovação e a dimensão humana. Isso significa que as organizações precisam de pessoas motivas e comprometidas” (GOMES; BAR- CAUI, 2015, p. 8). Outro movimento que se observa é que a área de Desenvolvimento Humano – DHO, como algumas empresas mais de vanguarda têm chamado, passa a ser uma área de apoio no processo de gestão das pessoas, cabendo essa responsabilidade à lide- rança imediata. Portanto, os gestores e DHO precisam atuar como parceiros estratégicos, que têm em comum um único objetivo, o desenvolvimento das pessoas para o consequente desenvolvimento organizacional, pois, em um mundo com tantas mudanças, é pra- ticamente impossível o crescimento de uma empresa, sem ser sustentado por um forte desenvolvimento das pessoas. 39 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 2.2 AS PESSOAS COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO DAS ORGANIZAÇÕES Um dos primeiros passos para a promoção da mudança é a percepção da necessida- de de mudar, sem ela, não existe mudança. Vivemos em tempos de mudanças que precisam ser compreendidas em to- das as suas vertentes para que as pessoas possam entendê-las, aceitá-las e delas participar mais ativamente, pois contra elas não adiantará lutar, pois a sua força, dimensão e impacto certamente quebrará qualquer forma de resis- tência ativa ou passiva. (CHIAVENATO, 2017, p. 389) Portanto, é imprescindível que as empresas percebam que o diferencial competitivo e que pode contribuir imensamente para o crescimento duradouro reside na disse- minação do conhecimento. E quem é o detentor do conhecimento? A resposta óbvia é: são as pessoas. “E cada vez mais, a sobrevivência e o sucesso de cada organização dependerão do de- sempenho e das competências das pessoas, principalmente daquelas que trabalham com o conhecimento e adotam tecnologias avançadas” (CHIAVENATO, 2017, p. 420). Ter tecnologia e softwares de última geração não é mais suficiente, isso pode ser comprado por qualquer um que tenha recursos financeiros. Se as pessoas não qui- serem acompanhar as mudanças e se desenvolverem, nada mudará no cenário or- ganizacional. Não adianta ter o melhor equipamento do mundo, se as pessoas não estiverem dispostas a operá-lo. Assim sendo, “o desafio principal é fazer com que pessoas comuns aprendam a reali- zar coisas extraordinárias a partir do conhecimento construído” (CHIAVENATO, 2017, p. 441). Contudo, uma grande parte das organizações ainda está aprendendo a utilizar o me- lhor do potencial das pessoas. Em muitos casos, esse conhecimento ainda está na cabeça das pessoas e não há gestão do conhecimento para a disseminação da infor- mação para que ela se torne da empresa e não de uma única pessoa, que às vezes ainda joga com o conhecimento em benefício próprio. 40 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Nesse contexto, “as organizações bem-sucedidas, são aquelas que sabem gerar, de- senvolver, catalogar, organizar, divulgar, compartilhar e aplicar rentavelmente o co- nhecimento” (CHIAVENATO, 2017, p. 458). Assim, no mundo contemporâneo, as pessoas estão deixando de ser mão de obra para serem o ‘capital intelectual’ das organizações, a principal vantagem competitiva. FIGURA 9 - MUDANÇA DE FOCO DO OLHAR SOBRE AS PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES Principal vantagem competitiva das organizações Mão de obra Fonte: elaborada pela autora. 2.3 O FOCO DO COACHING De acordo com Chiavenato (2017) “o Coach deve focalizar alguns aspectos básicos e fundamentais, a saber, pessoas, aprendizagem, competências, desempenho/resulta- dos, futuro e Liderança” (CHIAVENATO, 2017, p. 3.771). A seguir, nos deteremos em cada um desses aspectos. Foco nas pessoas O coaching envolve a relação entre duas pessoas; o coach é quem conduz o processo; e o coachee é quem passa por ele. Assim sendo, o foco principal não poderia deixar de ser as pessoas que se envolvem em uma relação que se retroalimenta com oobjetivo de desenvolver novas compe- tências e novas perspectivas de uma situação. 41 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Portanto, é imprescindível que o coach conheça muito sobre pessoas, para que possa entender as pretensões de seu cliente, quais são os aspectos a desenvolver, o que o estimula, e sobre os seus problemas com as possíveis soluções. É muito importante ressaltar que, para que essa relação aconteça, confiança e respei- to são indispensáveis ao processo. Foco na aprendizagem Usando a nomenclatura de games, o objetivo do coaching é preparar o cliente para a próxima fase, quando acontece a aprendizagem de novas habilidades. Mas aprender também significa desaprender, o que não mais faz sentido no novo contexto. Foco nas competências Esse item é consequência do anterior, pois o aprendizado está focado no desenvolvi- mento de novas competências, pessoas e organizacionais. Quando se fala em competência, é necessário detalhar os itens que a compõem, a saber: • Conhecimento: está relacionado com a informação e conceito, ao conteúdo de uma disciplina específica. • habilidade: é a capacidade de saber fazer, de colocar em prática o conhe- cimento. É importante enfatizar que a habilidade só é desenvolvida com a prática. • Julgamento: é a capacidade de avaliar a melhor situação para aplicar o conhe- cimento. Analisar os prós e os contras. • atitude: é a vontade de fazer, de colocar em prática o conhecimento, habili- dade e julgamento. Sem atitude, todo o resto fica perdido. É muito comum observar em empresas, profissionais com habilidade, conhecimento, mas ne- nhuma vontade de colocar em prática o que se sabe. Foco no desempenho/resultados Como já mencionado anteriormente, o principal objetivo do processo de coaching é potencializar os resultados e aumentar o desempenho. Para tanto, é necessário estabelecer metas e os indicadores para servir de norteadores, acompanhar constan- temente o avanço das mesmas e, se necessário, alterar a rota para garantir o atingi- mento dos resultados esperados. Afinal, o que não é medido não pode ser avaliado. 42 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Foco no futuro O tempo em que se desenrola o processo de coaching é o presente, entretanto, o foco é mudar e/ou criar uma nova realidade no futuro. Para tanto, é necessário que o coach, junto com o seu cliente, desenvolva a visão que se quer atingir no futuro. Essa visão funcionará como uma bússola que vai orientar, nortear as ações que de- vem ser implementadas para o alcance dos objetivos desejados, é a partir dessa visão que o foco é estabelecido. Foco na liderança Por fim, mas não menos importante, vale destacar que um bom coach exerce a li- derança sobre o seu coachee, mas não é qualquer liderança, é aquela que contribui para o aprendizado, que provoca mudanças e renovação, uma liderança renovadora. FIGURA 10 - FOCO DO COACHING Foco do coaching Pessoas Aprendizagem Competências Desempenho Futuro Liderança Fonte: adaptada pela autora a partir de CHIAVENATO (2017). 2.4 COACHING FORMAL E INFORMAL Quando se fala em coaching há de considerar que ele pode ocorrer na modalidade formal ou informal. A seguir, será explicada a diferença entre uma e outra modalidade. Coaching formal O coaching formal é o processo marcado principalmente pela presença de um con- trato, definição clara de um coach e um coachee (cliente), regularidade das ses- sões, confidencialidade dos temas abordados e, quase sempre, pagamento das ses- sões. Vale notar que, em alguns processos, não há pagamento, como é o caso dos 43 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO probonos. Probono é o nome que se dá ao processo de coaching gratuito, que pode ter caráter de aprendizagem. Normalmente, após a formação de coaching, para que o participante possa completar a qualificação teórica, a instituição formadora exige um número mínimo de horas de atendimento, que comumente é feito através de clientes probonos. Para melhor exemplificar o processo de coaching formal, tome como exemplo um profissional passando por um processo de transição em sua carreira, ele pode contra- tar um processo de coaching de carreira ou career coaching, como é chamado por alguns. Ou seja, o cliente percebe necessidade de ter apoio de um profissional apto a apoiá-lo, está disposto a se dedicar aos encontros e atividades decorrentes dele e também está ciente do pagamento que terá que realizar, assim como da frequência e horários das sessões. Outro exemplo de coaching formal são os processos contratados pelas empresas para os seus colaboradores. Esses processos podem ser realizados por coaches externos ou internos, que fazem parte do quadro de empregados da empresa, e têm as mesmas características mencionadas acima, regularidade das sessões, contrato de prestação de serviços, definição de um objetivo claro a se atingir e confidencialidade. O objetivo do coaching formal pode variar conforme a demanda/necessidade do cliente, mas essas características estarão presentes em todos eles. Coaching informal Já o coaching informal, como o próprio nome nos remete a pensar, é marcado pela informalidade. Não há presença de contrato, e não necessariamente há uma conti- nuidade de encontros ou uma regularidade dos mesmos. Além disso, não há uma obrigatoriedade de se ter uma formação em coaching, desde que as intervenções promovam reflexões e insights. Um exemplo comum de coaching informal são conversas entre amigos, em que um deles ajuda o outro a refletir obre um tema aleatório realizando perguntas que per- mitam a reflexão em vez de dar conselhos, que é o mais comum em uma conversa de amigos. Em algumas situações, essas perguntas podem ser propositais, pois a pessoa conhe- ce as ferramentas e técnicas de coaching, em outros casos são intuitivas, mas tanto em uma situação quanto na outra há geração de novas ideias e reflexões. Às vezes, 44 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO essas perguntas podem partir de pessoas que não têm a mínima noção do que as suas intervenções provocarão. Um exemplo típico são perguntas feitas por crianças com grande inocência e que nos deixam extasiados, não é verdade? Você já teve uma experiência assim? Quando isso acontece, normalmente, ficamos perplexos, quase sempre pela simplicidade como as crianças percebem e resolvem os problemas e nos perguntamos o porquê de não termos pensado isso antes. Outro tipo de comum de coaching informal é o coaching realizado por líderes aos seus liderados. Nesse caso o líder realiza intervenções no dia a dia de sua equipe. Para ficar mais claro, imagine que um colaborador cometeu um erro, em vez de pergun- tá-lo o porquê de o erro ter acontecido, o que desencadearia uma série de desculpas prontas e pensadas previamente, o líder pode fazer uma ou mais das seguintes in- tervenções: o que você pode fazer para que isso não volte a ocorrer? O que depende só de você para que esse erro não aconteça novamente? Em uma situação similar no futuro, o que você pode fazer? Ou ainda: o que você aprende com essa situação? É importante perceber que o foco do coaching, seja ele formal ou informal, não é o problema, mas sim a solução, pois o problema normalmente já é conhecido, e se faz necessário pensar em uma solução para o mesmo. Entretanto, essa mudança de chave ou de mindset, termo em inglês, que significa mudar a forma de pensar, não ocorre de uma hora para outra, é preciso treino, paciên- cia e principalmente disciplina para não ‘cair na tentação’de agir como ‘guru’ dando todas as respostas e criando uma dependência enorme na relação líder-liderado. Vale destacar que um líder que adota a abordagem de coaching em suas conversas com os seus colaboradores está atuando como líder-coach e utiliza a abordagem de coaching informal. Para exemplificar, gostaria de pedir a sua permissão para compartilhar uma situação que aconteceu comigo quanto tive a grata experiência de aprender muito com um líder que atuava como líder-coach. Vamos lá: no início da minha carreira, quando ain- da era estagiária em uma grande empresa, houve uma movimentação nas empresas do grupo, o que resultou em uma troca de gerentes. Nessa troca, ganhei um novo gestor. E, assim como fazia com o gerente anterior, sempre que tinha um problema, levava-o para que o meu gerente me desse a solução. Era quase uma troca: eu lhe dou um problema, e você me dá a solução. 45 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Logo em uma das primeiras vezes que isso aconteceu, fui surpreendida com uma pergunta que nunca mais esqueci: e o que você pensou para solucionar essa situa- ção? Fiquei engasgada, pois o meu mindset não era esse, ainda não tinha sido ‘pro- gramada’ para pensar nas soluções. Engoli a seco e respondi que não havia pensado em nada. Então ele pediu que eu pensasse em uma solução e lhe apresentasse mais tarde, e foi o que fiz. Algumas horas depois, voltei com uma possível solução e, nova- mente, fui surpreendida com outra pergunta que me tirou o fôlego: e se isso não der certo, qual é o plano B? E eu também não tinha pensado no plano B, uma nova “saia justa”. A partir do ocorrido, todas as vezes que tinha que discutir sobre um problema com esse gestor, sempre pensava em uma solução para o mesmo e também nos planos A, B, C, afinal, o seguro morreu de velho, não é? Posso dizer que tive um grande salto no meu desenvolvimento pessoal e profissional. Sem sombra de dúvidas, é mais cômodo receber respostas prontas, mas isso deixa as pessoas acomodadas, sem atitudes e dependentes da liderança. O líder precisa aju- dar, assim como o coaching, os seus colaboradores e a sua equipe, a mudar de nível, a evoluir e depender cada vez menos da liderança para propor solução para eventuais problemas que aconteçam na rotina do trabalho. 2.5 COMO SE TORNAR UM COACH DENTRO DAS EMPRESAS Mesmo para os especialistas, definir o que vem a ser um coach não é uma tarefa fácil, em função da sua abrangência de atuação, complexidade e do tamanho da sua res- ponsabilidade. Chiavenato, um dos mais proeminentes autores da área de Gestão e Desenvolvimento Humano, assim define: “O Coach é um formador e encaminhador de talentos. Muito mais do que isso, o Coach é tudo aquilo que o conceito popular privilegia e envolve – um treinador, preparador, técnico, conselheiro, guru” (CHIAVE- NATO, 2017, p. 2.126). Diante dessa definição, fica a pergunta: que empresário ou empresa não gostariam de ter em seu quadro de funcionários diversos coaches? Coaches ajudam a formar e desenvolver talentos. Eles contribuem com o progresso dos negócios. Muito mais que um modismo, que tem tempo de duração, o coaching veio para ficar e contribuir para a renovação que as organizações tanto clamavam. 46 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Com uma missão desse tamanho, o processo de formação de novos coaches exige uma grande preparação, a começar por características pessoais imprescindíveis, pas- sando por conhecimentos necessários, e as habilidades que serão desenvolvidas com a prática diária. Pois um bom coach é coach a todo momento, não só quando está com o seu cliente, mas se faz presente toda vez que observa uma possibilidade de intervenção e atuação – atuando muitas vezes como coach informal. Organizações inovadoras têm como premissa a identificação e formação de novos coaches, que atuarão no processo de desenvolvimento continuado de seus colabo- radores. Em muitos casos, esses coaches são líderes que agregam ao seu estilo de liderança as premissas do coaching. Vale ressaltar que essa não é uma tarefa fácil e requer muito investimento, principalmente de tempo. O primeiro passo para desenvolver coaches ou líderes-coaches é realizar o mapea- mento das pessoas que possuem o potencial a ser desenvolvido. Isso pode acontecer de uma maneira mais tradicional, com indicações através do ‘feeling’ dos Gestores de DHO (Desenvolvimento Humano e Organizacional), ou através de processos de avaliação mais sistêmicos, os conhecidos assessments. Para realizar esse tipo de ava- liação, as empresas podem recorrer a consultorias especializadas ou utilizar o próprio capital intelectual interno, desde que se tenham as ferramentas de avaliação neces- sárias e o conhecimento para isso. Vale ressaltar ainda que, esse processo de identificação e formação de coaches ou líderes-coaches envolve a percepção e engajamento da alta administração das em- presas. Os principais executivos precisam estar cientes e entenderem que esse é um processo importante, para não dizer vital, para a sobrevivência organizacional, dada a competitividade e agressividade do mercado por resultados duradouros e sustentá- veis. Sendo assim, o líder precisa ser o principal desenvolvedor de pessoas. O ponto de partida para o desenvolvimento de novos líderes ou líderes-coaches deve ser o planejamento estratégico da organização. Aliás, esse planejamento deve nor- tear todas as ações da empresa. É necessário entender quais são os resultados orga- nizacionais almejados; só a partir daí será possível debruçar na definição da metodo- logia empregada e quais conteúdos deverão ser trabalhados para que esses líderes possam contribuir com os resultados pleiteados. 47 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO FIGURA 11 - ORIENTAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE NOVOS LÍDERES-COACHES Planejamento Estratégico Preparação das pessoas Metas Atingidas Definição dos objetivos organizacionais Como objetivo de desenvolvê-las para atingir os objetivos traçados Através das competências organizacionais desenvolvidas Fonte: elaborada pela autora. Todavia, há de se ressaltar que a maioria das organizações ainda está engatinhan- do nesse processo de identificar e desenvolver os líderes que atuarão como coaches dentro das organizações, pois isso requer uma visão muito acurada e assertiva dos principais executivos da organização e uma atuação muito firme da área de DHO. Para Chiavenato (2017), a base de conhecimento do coaching precisa principalmente girar em torno dos seguintes aspectos: a organização e suas necessidades, as pessoas e sua natureza, os clientes e o ambiente de negócio onde a empresa está inserida. FIGURA 12 - BASE DE CONHECIMENTO DO COACHING A organização e sua necessidades As pessoas e sua natureza Os clientes e suas demandas O ambiente de negócio onde a empresa está inserida Fonte: elaborada pela autora. “Saber reunir, conjugar, integrar, conciliar, arranjar e juntar todas as peças dessa equa- ção” (CHIAVENATO, 2017, p. 2.257) é o trabalho de um bom coach. 48 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 2.5.1.1 AS HABILIDADES DE UM COACH Muito além de conhecer o método e as técnicas de coaching para se tornar um coa- ch de resultados, há de desenvolver algumas habilidades vitais, a ter ou desenvolver (CHIAVENATO, 2017): • habilidade de caráter: essa habilidade está ligada aos valores, base que sus- tenta as ações, e contribuem para a credibilidade do coach. • habilidades relacionais: capacidade de se comunicar, deestabelecer diálogo que promova a reflexão e insights, de estabelecer conexão com os clientes. • habilidade de mediação: capacidade de usar a empatia para apoiar na reso- lução dos conflitos de forma mediadora. • habilidade de sabedoria: o coach deve ser, acima de tudo, uma referência, e para ser referência precisa estar aberto ao autodesenvolvimento, buscar ter uma compreensão clara dos problemas que lhe são apresentados, buscando sempre ter o foco na solução dos mesmos. • habilidades integradoras: capacidade de motivar e inspirar as pessoas. • habilidade de ação: o coach deve ser dedicado e comprometido com os ob- jetivos de seu cliente, ajudando a entrar em ação e executar o plano traçado. FIGURA 13 - HABILIDADES DE UM COACH Habilidades do Coach Caráter Relacionais Mediação Sabedoria Integradoras Ação Fonte: Chiavenato (2017, p. 2.337 – edição Kindle). 49 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 2.6 A LIDERANÇA COMO PROPULSOR DO DESENVOLVIMENTO Nesse cenário de mudança e transformação, onde o desenvolvimento das pessoas ganhou destaque, não se pode omitir a importância da liderança no desenvolvimen- to do seu time. “As empresas precisam de líderes talentosos e de pessoas realmente preparadas e mobilizadas” (CHIAVENATO, 2017, p. 3.704). E ninguém melhor que o líder para assumir essa posição de aglutinador das pessoas. Em função disso, o investimento em desenvolvimento da liderança através de proces- sos de educação continuada é de grande importância. Portanto, a liderança precisa considerar que, além de todo o instrumental adquirido em treinamentos, a aplicabilidade dos conceitos, a oportunidade de colocar em prá- tica e vivenciar no dia a dia os conceitos e teorias para se criar um repertório sólido e desenvolver novas competências. O líder que tem um colaborador realizando um processo de coaching, seja com um coach externo ou interno ou ainda um processo conduzido pelo próprio líder, deve incentivar que os encontros sejam frequentes para checar a aplicabilidade das novas aprendizagens e, se for necessário, recalcular a rota, criando novos caminhos e novas possibilidade. “Apoio e suporte, motivação, orientação e retaguarda, são aspectos que não podem faltar nesse relacionamento” (CHIAVENATO, 2017, p. 3.720). 2.6.1 LÍDER-COACH: COACHING COMO ESTRATÉGIA DE LIDERANÇA Nos últimos tempos, as ferramentas de coaching vêm sendo incorporadas à gestão de pessoas como um diferencial no estilo de liderança; a esse estilo chama-se de lí- der-coach. Mas o que vem a ser um líder-coach? Pode-se dizer que é um líder cujo estilo de liderar tira o foco de si e coloca-o nas pes- soas. Através da atuação do líder como um facilitador, que favorece o despertar das competências de cada um dos liderados, incentivando-os a dar o melhor do seu po- tencial. Nas palavras de Felipe Mussalém, é “aquele que orienta o caminho de desco- bertas de seus liderados. Fazendo com eles sintam mais participativos nas tomadas de decisões” (MUSSALÉM, 2011, p. 142). 50 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O líder-coach tem como uma de suas principais premissas o desenvolvimento dos seus liderados, empoderando-os para usarem o seu potencial, na maioria das vezes desconhecido, com isso, contribuindo para atingir novos patamares de desempenho. O líder-coach “sabe que o caminho para o sucesso só ocorre por meio das pessoas, de- vido a isso ele se empenha em conhecê-las, saber sempre mais sobre o que se passa com cada uma delas, compreendendo as suas necessidades” (MARQUES, 2012, p. 41). A atuação do líder-coach é uma quebra de paradigma, pois tira o líder do lugar co- mum, de ser o provedor das respostas para ser aquele que faz as perguntas. Um bom líder-coach precisa dominar a arte de realizar perguntas que ajudem os seus lidera- dos a refletirem sobre os problemas e as possíveis soluções. Para tanto, o líder tem que se despir da vaidade de estar no centro das atenções, de ser ‘guru’ de todas as possíveis soluções, para ser um ‘lapidador’ de talento, aquele que ajuda o outro a brilhar mais que ele próprio. Um líder, que se propõe a atuar como líder-coach ajuda as pessoas a encontrar o próprio caminho, em vez de dizer de pronto por onde têm que seguir, mesmo que ele saiba qual é a resposta. Para exemplificar, criaremos uma situação de um possível problema identificado também em uma organização fictícia: O supervisor operacional da equipe de atendimento chega para o seu gestor e co- munica que a atual recepcionista terá que se afastar por 40 dias em função de pro- blemas de saúde. Essa é uma posição que não pode ficar descoberta. Então, ele pede a opinião do seu gestor e é surpreendido com uma pergunta, conforme o diálogo descrito a seguir. • Gestor: O que você pensou como alternativa para a situação? • Supervisor: Em trazer um funcionário temporário para realizar as atividades durante o tempo de afastamento. • Gestor: E essa pessoa terá tempo hábil para aprender todas as atividades? • Supervisor: Acho que não, pois o afastamento será imediato. • Gestor: Temos alguma alternativa interna para realizar essa substituição? • Supervisor: Talvez uma das secretárias possa assumir temporariamente o pos- to, acumulando as funções temporariamente. 51 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO O supervisor pensa mais um pouco e reinicia a conversa. • Supervisor: Mas acho que ficaria muito puxado, e ela não teria o conhecimento suficiente de todas as atividades operacionais. • Gestor: Que alternativa vem à sua cabeça? • Supervisor: Ah! Talvez a outra recepcionista, que trabalha no primeiro turno, possa realizar horas extras e cobrir temporariamente essa ausência. • Gestor: O que você precisa fazer? • Supervisor: Perguntar para ela. • Gestor: E qual poderia ser o plano B, na possibilidade de ela não aceitar? • Supervisor: Boa pergunta, chefe! O supervisor pensa mais um pouco e responde: • Supervisor: E se contratarmos uma pessoa que pudesse acompanhar as ativi- dades da recepcionista do primeiro turno e permanecer no segundo turno, já com as orientações? • Gestor: O que você acha dessa possibilidade? • Supervisor: É mais uma alternativa a ser avaliada. • Gestor: Então, o que deve fazer? • Supervisor: Vou agora mesmo verificar essas duas possibilidades e lhe mante- nho informado sobre a decisão. • Gestor: Você apresentou excelentes possibilidades, parabéns pelo belo traba- lho que vem fazendo junto a sua equipe! Aguardo por notícias suas! Até breve! No diálogo acima, o gestor poderia simplesmente ter dado a resposta ao seu super- visor, entretanto, preferiu investir um pouco mais de tempo e ajudá-lo a encontrar as próprias respostas e acreditar mais nas suas escolhas. É isso que faz um líder-coach. O “Líder-coach é o líder que inspira os outros, que favorece o aprendizado, que busca alternativas, motiva, descobre possibilidades” (MUSSALÉM, 2011, p. 144). 52 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para se tornar um líder-coach, é necessário dedicação e esforço. É importante res- saltar que nem todas as pessoas estão preparadas para ser um líder-coach, pois a transformação deve acontecer de dentro para fora. Do contrário, soará como falso e não vai funcionar. Dessa forma, pode-se afirmar que o primeiro passo para se tornar um líder-coach é o desejo de transformação e mudança. É um processo que exige dedicação, constância de propósito, foco e disciplina, pois algumas pessoas podem responder rapidamente aos estímulos dados, enquanto ou- tras precisarão de mais investimentode tempo com as conversas de coaching. En- tretanto, quando se sabe qual é a meta a ser atingida, o investimento fará sentido e valerá à pena. Atuar como líder-coach é servir de inspiração para que o liderado possa encontrar o melhor do seu potencial e viver a sua melhor versão, usando os seus talentos na potencialidade máxima. Para resumir, pode-se dizer que coaching é a arte de fazer perguntas e, com isso, fazer as pessoas refletirem e aprenderem com suas reflexões. Aliás, esse também é o papel da verdadeira liderança. Você concorda? Serão disponibilizadas abaixo algumas indicações de leitura, para que você possa se aprofundar mais no assunto. O livro Leader Coach: Coaching como filosofia de liderança é uma boa al- ternativa para quem quer se aprofundar mais no tema. O autor José Roberto Marques é sem dúvida um dos coaches mais famosos do Brasil. Por ter muita experiência, José Roberto escreve utilizando uma linguagem muito acessível e com muitos exemplos que podem ajudá-lo a compreender mais o universo do coaching, assim como utilizar a metodologia no desempenho da liderança. 53 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Conhecer outros estilos de liderança vai ajudar você a compreender ainda mais sobre a importância da aplicabilidade do líder-coach. Portanto, uma boa referência para ampliar o seu conhecimento sobre o tema é o livro do Daniel Goleman Liderança: A Inteligência Emocional na Formação do Líder de Sucesso. Além de abordar o tema inteligência emocional, o livro traz os principais estilos de liderança. Vale muito a pena a leitura! CONCLUSÃO Como foi possível observar, a necessidade de desenvolvimento contínuo das pessoas é uma demanda evidente das empresas na contemporaneidade, visto que as pes- soas são o maior diferencial competitivo das organizações modernas. A grande questão é como esse desenvolvimento deve ser feito, para que ocorra de maneira continuada. É aí que coaching e mentoring surgem como importantes alter- nativas para contribuir com esse processo. Empresas de vanguarda estão preocupadas em formar pessoas, principalmente os seus líderes, para que eles possam trabalhar constantemente o desenvolvimento das pessoas, atuando na maioria das vezes como líderes-coaches, visto que utilizam os princípios e ferramentas de coaching. 54 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Apontar o autocoaching como uma alternativa para ampliar o autoconhecimento e o autodesenvolvimento. > Esclarecer sobre a corresponsabilização no processo de desenvolvimento, assim como aplicar algumas ferramentas de autocoaching no autodesenvolvimento. > Debater sobre Missão, Visão e Valores como balizadores e norteadores das nossas decisões e ações. Além disso, estimular o desenvolvimento pessoal e profissional. UNIDADE 3 55 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 3 O COACHING COMO ESTRATÉGIA DE AUTODESENVOLVIMENTO Como educadora, defendo que todo conhecimento só faz sentido se for usado para melhorar a nossa vida e a de outros. Conhecer por conhecer é apenas ocupar espaço no HD da nossa mente. Por isso, a proposta desta unidade é que você possa usar os conhecimentos do Coa- ching e empregá-los na sua vida para realizar as transformações que tanto deseja ou, em alguns casos, das quais tanto precisa. Esta unidade trará dicas de como realizar o autocoaching, utilizando algumas ferra- mentas de coaching que serão apresentadas. Aproveite esta unidade para aplicar os conhecimentos construídos em sua vida, mu- dando ou melhorando aquilo que você julga necessário. Para tanto, é indispensá- vel que você seja muito sincero com você mesmo, que possa se despir de eventuais máscaras que tem que usar no seu dia a dia, seja como em seus relacionamentos pessoais ou profissionais. Esta unidade se dedicará a falar sobre autodesenvolvimento, autoconhecimento e autocoaching, além de apresentar e ensinar a utilização de algumas ferramentas de autocoaching. Aproveite para descobrir e potencializar a melhor versão de você mesmo! Sucesso! o Coaching como estratégia de autodesenvolvimento “Você não pode mudar as circunstâncias, as estações ou os ventos, mas pode mudar a si mesmo.” (Jim Rohn, palestrante motivacional) 56 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 3.1 AUTODESENVOLVIMENTO O que é Autodesenvolvimento? Esse é o tipo de pergunta que traz a resposta contida em si mesmo. O sufixo “auto” nomeia algo que é próprio ou que funciona por só. Já “desenvolver” significa quebrar laços, sair do status quo, seja em qualquer uma das áreas do desenvolvimento hu- mano, como, por exemplo, o campo físico emocional, mental, social e, por que não, também o espiritual, para atingirmos novos patamares de evolução. Em um mundo com rápidas e constantes mudanças, quem não se desenvolve corre o risco de ficar desatualizado, ultrapassado, aquém do seu tempo e, muitas vezes, até preterido pelo mercado de trabalho. O que vivemos atualmente faz lembrar uma passagem do livro “Alice no País do Es- pelho”, no qual Alice e a Rainha Vermelha, personagens narradas pelo autor Levis Car- roll, correm muito e permanecem no mesmo lugar. Ao questionar esse fato, a Rainha responde para Alice: “é preciso correr muito para ficar no mesmo lugar. Se você quer chegar a outro lugar, corra duas vezes mais”. Ficar no mesmo lugar é o mesmo que ficar para trás, sem evolução e sem mudanças. Apesar de algumas empresas investirem bastante no desenvolvimento de seus co- laboradores, essa é uma responsabilidade que cada profissional precisa entender como sua. Não dá para delegar o próprio desenvolvimento na mão de um terceiro, seja esse terceiro a empresa ou instituições de ensino; por isso, o termo traz o sufixo “auto” antes da palavra “desenvolvimento”. Autodesenvolvimento, ou seja, desenvol- ver a si mesmo. 57 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO responsabilidade Conta uma história “zen” que, em um monastério, havia um discípulo que sempre desafiava o seu mestre. Certa vez, trazendo às costas um pássaro pre- so em suas mãos, o discípulo parou desafiante frente ao mestre e perguntou: “Mestre, aqui às minhas costas, trago um pássaro; você que sabe tudo, diga- -me: está vivo ou morto?” (Dessa forma, se o mestre dissesse que o pássaro estava vivo, enfocá-lo-ia, e, se dissesse que estava morto, abriria suas mãos e o deixaria voar). O mestre olhou-o nos olhos, com respeito e compaixão, res- pirou profundamente e, com muito amor, lhe respondeu: “isso depende de você. A solução está em suas mãos!” Fonte: WOLK, 2016. p. 23. A história descrita é uma forma de exemplificar que, por mais que contemos com o apoio de mestres maravilhosos, a responsabilidade pelas nossas ações, assim como as consequências advindas de cada uma delas, estará sempre em nossas mãos. Igual- mente acontece com o nosso processo de desenvolvimento; podemos contar com o apoio dos nossos líderes e instituições, mas isso não exime a nossa responsabilidade como protagonistas da nossa história. O desenvolvimento de competências é um tema que tem extrapolado as fronteiras do ambiente educacional e organizacional. Um fato que evidencia isso é o relatório sobre o futuro do trabalho apresentado no Fórum Mundial das Nações Unidas, ONU, em setembro de 2016. Esse relatório descreveu 10 competências que todo profis- sional precisa desenvolver, caso aindanão as tenha. São elas: flexibilidade cognitiva, negociação, orientação para servir, julgamento e tomada de decisões, inteligência emocional, coordenação com os outros, gestão de pessoas, criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas complexos. As competências citadas anteriormente têm sido fundamentais para a elaboração de diversos programas de desenvolvimento organizacional e de cursos disponibilizados 58 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO pelas instituições de ensino. Conhecer as próprias competências e os gaps de de- senvolvimento é o ponto zero, a linha de partida para esse processo. É aí que entra o autoconhecimento como um divisor de águas. Para nos adaptarmos e sobrevivermos nesse mundo de intensas e constantes cobran- ças, é necessário apresentar uma grande abertura para o aprendizado, para o novo e, principalmente, termos a flexibilidade cognitiva para desaprendermos as coisas que não fazem mais sentido e a desapegar do que não agrega mais. Esse é o desafio que se faz presente; por isso, o convite é mergulhar profundamente no processo de autoconhecimento para que, habilitados a fazer a liderança de nós mesmos, possamos contribuir com o desenvolvimento de outros e usar o nosso co- nhecimento de forma positiva para a transformação da nossa sociedade e, por que não, sermos mais ambiciosos no mundo em que vivemos. Afinal, como dizia Mahat- ma Gandhi: “temos que ser a mudança que queremos ver no mundo”. As verdadeiras mudanças começam pela transformação de nós mesmos de dentro para fora, e não o contrário. Então mãos à obra! Para conhecer no detalhe as 10 competências mencionadas, pesquise na internet o Relatório do Fórum Econômico Mundial e leia as 10 competências que todo profissional precisa desenvolver. 3.2 AUTOCONHECIMENTO Como o próprio termo nos leva a pensar, autoconhecimento significa conhecer a si mesmo. Uma definição relativamente fácil de fazer, mas, na prática, conhecer-se pro- fundamente é, para a maioria das pessoas, uma das tarefas mais desafiadoras da vida. Apesar de ter ganhado foco nas últimas décadas, principalmente pela grande ênfase dada ao autodesenvolvimento e à autogestão da carreira, conhecer a si mesmo é uma 59 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO pretensão remota da humanidade. Na Grécia antiga, essa já era uma preocupação de seus habitantes, o que pode ser evidenciado pela descrição gravada na entrada do templo de Delfos: “Conhece a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses, pois se o que procuras não encontrares primeiro dentro de ti, não acharás em lugar algum”. Entretanto, a nossa educação, talvez possamos dizer, a nossa cultura, não tem esse cunho. Aprende-se sobre quase tudo na escola, desde os sistemas celulares ao fun- cionamento do universo, mas não somos “alfabetizados” para compreender a nós mesmos, as nossas emoções e os nossos sentimentos. Nossos olhos, treinados para perceber tudo que se encontra do lado de fora, não con- seguem olhar para dentro de nós mesmos. Com isso, somos capazes de falar muito bem sobre as coisas que acontecem fora, mas não das que acontecem dentro de nós mesmos, das nossas emoções, dos nossos sentimentos. Talvez seja por isso que, quando algo de errado ocorre em nossas vidas, estamos sem- pre buscando respostas do lado de fora. Mas o que é o lado de fora? É o mundo e seus acontecimentos, são os outros, com os quais convivemos, esposas, esposos, filhos, os amigos, chefes, professores, gover- nantes, a empresa e essa lista pode chegar ao infinito. Buscamos sempre um terceiro para ser o culpado por algo a que não conseguimos responder. Então, que tal tomar as rédeas da sua vida, colocando-se como o protagonista de tudo que lhe acontece? Neste momento, talvez você esteja se perguntando: mas eu tenho controle de tudo que me acontece? De fato, não temos esse total controle de tudo que nos acontece, mas temos o con- trole das nossas reações, ou melhor, das nossas ações ao que nos acontece. Você já parou para pensar que um mesmo acontecimento pode causar reações completa- mente diferentes em pessoas diferentes? Quero narrar uma história que ouvi há muitos anos. Tentarei reproduzir aqui as ideias principais. Essa história narrava a saga de dois irmãos gêmeos, que foram separados logo na infância. Em função do alcoolismo do pai, foram dados à adoção para famí- lias diferentes. Muitos anos se passaram e os irmãos se encontraram já adultos. Um 60 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO deles era bem-sucedido profissionalmente, conseguiu juntar um bom patrimônio, constituiu família, enfim, conseguiu realizar-se dentro de suas pretensões. Já o outro não conseguiu se formar, não construiu uma carreira e tornou-se um alcoólatra, assim como o pai. Intrigado com a diferença de vida observada entre os dois irmãos, um conhecido em comum realiza a mesma pergunta para os dois e a resposta para as distintas situa- ções foi praticamente a mesma: tendo o pai que tinha, vivendo a infância que vivi, não poderia me transformar em outra coisa. Ou seja, uma mesma situação, um mesmo impulso foi percebido completamente diferente pelos irmãos. E, a partir dessa percepção, cada um tomou um destino e construiu a vida que lhes parecia mais conveniente. Ou seja, não é o fato em si que faz a diferença, mas a forma como interpretamos e vivenciamos esse fato. Citando Jean Paul Sartre, filósofo francês que viveu no início do século passado: “não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Essa é uma frase que deveria soar aos ouvidos quase como um mantra, que deve ser repetido inúmeras vezes. Ou melhor, o nosso olhar para os fatos são preponderantes para as escolhas que faze- mos em nossas vidas. Por isso, o autoconhecimento torna-se tão importante! Quando temos essa consciência, podemos direcionar o nosso olhar para aquilo que vai nos levar ao lugar a que tanto desejamos chegar. A todo momento, podemos fazer esta escolha: a de olhar para o problema ou de visualizar a solução. E essa diferença sutil de olhares pode definir toda uma vida, uma vida de conquistas e realizações ou uma vida de fracassos e derrotas. O relato anterior foi respaldado por diversos especialistas em comportamento huma- no, levando-nos à conclusão de que autoconhecimento é uma competência-âncora que pode fazer toda a diferença. Além disso, é perfeitamente possível de ser desen- volvido e aperfeiçoado, desde que se perceba a necessidade e se tenha desejo para tanto. José Roberto Marques, um dos maiores especialistas em coaching do Brasil, em seu livro “Coaching positivo”, menciona que “o homem já possui dentro de si todas as soluções para suas dúvidas, ele só precisa saber acessar a sua inteligência superior ou essência, que pode ser traduzida por Self” (MARQUES, 2015, p. 25). 61 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Dessa forma, optou-se em disponibilizar, aqui, algumas dicas sobre perguntas que, se respondidas com bastante sinceridade, podem contribuir bastante com essa jorna- da. Convido-o para muito mais que lê-las, mas refletir sobre elas. Está pronto? Então, vamos lá: • Quais são as minhas maiores qualidades? • Qual é o meu principal talento? • O que preciso melhorar em mim para me tornar a pessoa que quero ser ou para atingir os resultados que tanto desejo? • O que gosto de fazer? O que me dá prazer? O que faz brilharem os meus olhos? • O que faz o meu coração bater mais forte? O que me faz perder a noção do tempo?• Como quero estar daqui a 5, 10, 15 anos? • Que história quero contar da minha história? Quais serão as lembranças da minha vida, que me orgulharei de ter? As perguntas podem ir ao infinito; o importante é que elas o tirem da zona de con- forto, que o movimentem, que o levem para um nível acima do que está atualmente. Portanto, continue fazendo perguntas e buscando pelas suas respostas. Não se inco- mode se não tiver as respostas de pronto, pois o que mais conta é o movimento por buscá-las. Autoconhecimento é um tema vasto, que permite a produção de incontáveis pági- nas, textos e livros. Entretanto, pela limitação de espaço e para que possamos dar um foco, temos que restringir aos aspectos mais relevantes sobre o tema. Por isso, não vou dizer que quero finalizar esse capítulo com a pergunta abaixo, pois, com certeza, o tema não será finalizado, mas, talvez, fazer uma provocação que o leve a buscar conhecer mais sobre o tema: Para onde você tem direcionado o seu olhar: para os problemas ou para as soluções? 3.2.1 COMO AMPLIAR O AUTOCONHECIMENTO Com o propósito de mostrar a importância do autoconhecimento, Marques (2015) utiliza a analogia do mapa do tesouro para demonstrar os benefícios do autoconhe- cimento. Ele nos convida a pensar que, se tivéssemos um mapa que nos levaria a um 62 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO grande tesouro, enfrentaríamos os obstáculos necessários para encontrá-lo, certo? Da mesma forma, é o tesouro do seu EU, aquilo que existe de mais precioso em você. Neste capítulo, daremos algumas dicas do mapa da mina para que possa encontrar o seu erário que já está dentro de você e, talvez, você desconheça. Vamos lá? Existem inúmeras formas de aumentar o autoconhecimento. Entretanto, aqui da- remos ênfase às formas que privilegiam o autocoaching, ou self Coaching, como é comumente chamado no universo do coaching, como, por exemplo, observar e re- fletir sobre os próprios comportamentos, ter um diário de bordo para o registro dos principais aprendizados e insights que lhe ocorrem ao longo do dia. Essa é, inclusive, uma excelente ferramenta para acelerar resultados e promover aprendizados. Ainda de acordo com Marques, a felicidade, o sucesso e tudo o que almejamos só irão acontecer se vivermos em harmonia. Nesse sentido, “o Self Coaching visa auxiliar as pessoas a encontrarem o equilíbrio, por meio da reflexão e do autoconhecimento” (MARQUES, 2015, p. 34). 3.2.2 O PAPEL DOS SONHOS PARA POTENCIALIZAR O AUTOCONHECIMENTO Toda realização começa por um sonho. Qualquer coisa antes de existir fisicamente existiu primeiro no sonho de alguém que buscou materializá-lo. Os sonhos, além de nos impulsionarem, possuem o poder quase mágico de modificar a existência hu- mana para algo mais leve, mais gostoso de ser vivido. Quem não sonha dificilmente atingirá algo verdadeiramente grande. Os sonhos são combustíveis da esperança de dias melhores e da felicidade, e se te- mos sonhos a realizar, é porque queremos estar mais felizes. Realizar nossos sonhos utilizando nossos talentos, todos os dias, pode ser uma equação para um estado de espírito diário de felicidade (PACHECO, 2012, p. 549). E, a propósito, quais são os seus sonhos ou qual é o seu grande sonho? O que você gostaria de fazer para se sentir mais realizado e feliz? Qual é a marca que você gosta- ria de deixar neste planeta? Como quer ser lembrado pelas pessoas? 63 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Convido-o a parar um pouco a leitura e dedicar-se a escrever os seus principais so- nhos. Esse é um exercício simples, mas poderoso! Faça a lista dos seus sonhos, ou o seu dream list. Coloque no papel tudo que está na sua cabeça. Neste momento, não se preocupe se seus sonhos são grandes, pequenos, fáceis ou difíceis de se realizar. Simplesmente escreva-os! Peço gentilmente que só siga a leitura após realizar essa atividade. Pronto? Como foi a experiência? Como está se sentindo agora? Talvez você até esteja se perguntando por que as pessoas têm sonhos. E posso arris- car em dizer que, qualquer que seja a sua resposta, no fim das contas, o que busca- mos é a felicidade. E, apesar de parecer simples assim, às vezes damos muitas voltas para percebermos que a felicidade não estava assim tão distante; ela realmente pode estar morando ao lado. É importante dizer que não é o tamanho dos sonhos que faz a diferença, mas o quan- to ele nos faz feliz. Muitos sonhos podem parecer pequenos aos olhos de pessoas mais ambiciosas, mas, se fazem sentido para o seu sonhador, é o que importa. Uma das formas de colocar os nossos sonhos em prática é declará-los para o universo. Esse não é o único, mas o primeiro passo de grande importância, pois nos tornamos mais eficientes e produtivos à medida que conseguimos externar as nossas ideias, no caso, os nossos sonhos. Mas será que todos os sonhos podem se tornar realidade? “Se você pode sonhar, você pode realizar”: essa é uma clássica frase do Walt Disney e também um dos principais pressupostos do coaching, que diz: “todos possuem recursos para a realização de seus sonhos”. Entretanto, para os sonhos se tornarem realidade, antes, precisamos transformá-los em projetos e esses projetos em ações. É necessário um bom planejamento para transformar os sonhos em algo palpável. Ou seja, estruturar um plano, transformar esse plano em objetivos e, posteriormente, em metas pode encurtar o caminho e tornar os seus sonhos mais factíveis. 64 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO FIGURA 14 - ETAPAS PARA MATERIALIZAÇÃO DOS SONHOS Projeto/plano Objetivos Metas/Ações Declaração Sonhos Fonte: Elaborado pela autora. Resumindo, é indispensável ter em mente o que se quer, para quando se quer e quais as ações são indispensáveis para atingir os objetivos propostos e ir à luta, suar a cami- sa e transformar esse suor em resultado. Aliás, metas são sonhos dotados de pernas. Então, que não faltem metas, ou melhor, pernas para os nossos sonhos. Vale ressaltar um outro ponto fundamental para a realização dos sonhos: a coerência com os seus valores pessoais. Nossos sonhos e objetivos precisam estar alinhados com os nossos valores, aquilo que nos é caro, caso contrário, corremos o risco de nos boicotarmos, mesmo que isso seja de forma inconsciente. Apenas para exemplificar e deixar mais clara a importância dos valores, será disponi- bilizada uma lista de alguns dos valores humanos: respeito, honestidade, humildade, empatia, senso de justiça, educação, solidariedade, ética, coragem, bondade, liberda- de, tolerância, união, cooperação, disciplina, ambição, trabalho, família, religião, saú- de, cuidado, paixão, inovação, competitividade, esforço, civismo, honra. 65 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO E, para fazer ainda mais sentido para você, convido-o a fazer a sua própria lista de valores em duas etapas. • etapa 1: Liste os seus dez principais valores. • etapa 2: Agora, ordene esses valores conforme as prioridades para você. Lem- bre-se de que os valores prioritários, aqueles que são mais importantes, são os que você não abriria mão em hipótese alguma; já os valores menos prioritários podem ser “negociados” situacionalmente. Agora, para que fique ainda mais clara a importância de conhecermos os nossos va- lores, tomemos como exemplo uma pessoa que tenha como seus principais valores a família e a segurança financeira. Se essa pessoa começar a dedicar-se muito ao tra- balho, a ponto de prejudicar o convívio familiar, por mais que alcance os resultadosfinanceiros e possa proporcionar à família o conforto que o dinheiro pode comprar, os resultados podem parecer vazios e sem sentido. Portanto, o ideal é equilibrar as ações de forma que os dois valores sejam atingidos, sem que um atrapalhe a realização do outro. Vale, ainda, destacar que tão importante quanto a realização dos sonhos é saber cur- tir o caminho que se faz para atingi-los. Vamos supor que você tenha o sonho de escalar uma grande montanha. Se apenas pensar na realização do seu sonho, que é alcançar o topo, você não aproveitará a jornada, não conseguirá perceber as belezas do caminho, as plantas, os animais, as paisagens e corre-se o risco de, quando chegar finalmente ao cume, você se questionar: era isso mesmo? Valeu a pena? Colocar a felicidade apenas no futuro é um grande risco. Há pessoas que pensam que serão felizes quando finalmente conseguirem se formar, ou atingir o emprego dos so- nhos, a promoção tão esperada, ou depois do casamento, ou, para algumas, quando se separarem... O fato é que essas pessoas nunca valorizam e vivenciam o presente com intensidade. Talvez a grande pergunta de coaching que possa ser feita é: o que posso fazer para ser feliz agora? O coaching, apesar de ser movimentado pela realização de algo no futuro, no caso sonhos, objetivos e metas, tem o seu foco no presente. Afinal, o presente é o único tempo em que podemos fazer algo. Podemos aprender com o passado, ressignifican- do as experiências. Já o futuro, esse é apenas uma ilusão, pois, quando chegar, será presente. Você já tinha pensado nisso? Assim sendo, se você viver um bom presente, se orgulhará do seu passado e, com certeza, estará construindo o futuro que tanto 66 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO deseja, para vivê-lo, algum dia, como presente. Então, não desperdice o grande pre- sente que a vida deu a você hoje. Aliás, presente não tem esse nome à toa, concorda? E você, como tem usufruído do seu presente? Talvez a grande sacada seja sonhar muito e fazer com que cada dia contribua para a realização do seu sonho, pois os sonhos nos impulsionam, nos dão gás, energia e vita- lidade, porém sem se descuidar e perder a noção da importância de viver o presente de forma intensa. Parece fácil falar, mas como fazer de fato isso? A resposta a essa pergunta reforça ain- da mais a importância de nos conhecermos, de aumentarmos continuamente o nível de consciência a nosso respeito e também sobre o funcionamento da vida. Ou seja, pode-se concluir que o autoconhecimento possibilita o autodesenvolvimento, que, por sua vez, aumenta a autoconfiança, a autoestima, retroalimentando o ciclo com automotivação e autocontrole. Portanto, investir em autoconhecimento é um investimento muito rentável. Uma rentabilidade que, às vezes, pode ser medida em moedas, mas é medida principal- mente pelo nível de segurança e felicidade que temos a possibilidade de angariar para as nossas vidas. 3.3 AUTOCOACHING Antes de falar do autocoaching propriamente dito, é didático que se retome o con- ceito de coaching. Resumindo tudo o que foi tido até o momento, pode-se entender que o coaching é um processo que ajuda as pessoas a produzirem resultados excep- cionais em suas vidas, sejam no aspecto pessoal, carreira, negócios e organizações. Uma pessoa normalmente busca o processo de coaching quando, em um “determi- nado momento, percebe estar vivendo em dissonância e em constante estado de in- satisfação e desconforto” (PACHECO, 2012, p. 610). O coaching é aplicado para quem está buscando reinventar-se e isso pode acontecer pela simples vontade de mudar ou em função de algo externo que está demandando essa mudança. Podemos resumir tudo isso dizendo que objetivo do coaching é levar a pessoa do es- tado atual (ponto A) ao estado desejado (ponto B). Todavia, para que esse movimento 67 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO aconteça, o estado desejado precisa mostrar as suas vantagens em relação ao esta- do atual para que haja motivação para a realização do movimento e para empregar esforços para tanto. É necessário que a pessoa visualize os benefícios de forma clara. Como também já foi demonstrado aqui, esse processo é formado por dois persona- gens principais: o Coach e o Coachee, em que o Coach é quem conduz o processo utilizando de técnicas e ferramentas e ajuda o Coachee a encontrar as melhores res- postas para as suas dúvidas e/ou questões apresentadas, potencializando, assim, os seus resultados. De acordo com a Sociedade Latino-Americana de Coaching (SLAC), o “coaching é um processo no qual o cliente forma uma parceria com um Coach, com o propósito de identificar e alcançar metas” (PACHECO, 2012, p. 610). Já no autocoaching é que a própria pessoa é quem conduz o seu processo; não existe a figura do Coach, o Coachee é o seu próprio Coach. No entanto, assim como no pro- cesso tradicional de coaching, o foco de atuação pode variar tanto para os aspectos profissionais como para os pessoais, identificando os objetivos e as metas e trançando planos para colocá-los em ação. “O processo de autocoaching tem a ver com você ser o seu próprio líder: você vai liderar o seu processo, vai poder definir melhor para onde você quer ir e se monitorar no dia a dia” (PACHECO, 2012, p. 753). Para tanto, é necessário começar por um profundo processo de autoconhecimento, resgatando os sonhos, revisitando o sistema de crenças e valores, pois entender quais são os nossos valores e crenças nos permite também desvendar os nossos comporta- mentos habituais, possibilitando a ação de forma mais consciente. É imprescindível que a pessoa que pretende realizar o autocoaching aprenda a en- tender as suas emoções e ouvir as suas intuições, percebendo, assim, os sinais que o seu corpo e a mente dão a todo instante. Além disso, é indispensável treinar a fa- zer perguntas certas, no momento certo, para si próprio, perguntas que promovam mudanças, as famosas perguntas poderosas de coaching. Um “candidato” ao auto- coaching precisa desafiar-se constantemente e gerar o desconforto necessário para promover as mudanças desejadas. Outro aspecto fundamental para o autocoaching é conhecer as próprias habilidades, gostos e talentos naturais, pois esses aspectos favorecem para o desenvolvimento da autoconfiança. 68 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Além disso, entender o nível de satisfação com cada uma das áreas da vida ajuda a definir a área que servirá como alavanca para impulsionar as demais, ajudando na busca de equilíbrio entre elas. A partir daí, será possível definir ações e traçar um planejamento para a realização das metas de curto, médio e de longo prazo. 3.4 FERRAMENTAS DE AUTOCOACHING Ao longo desta unidade, procurou-se introduzir, nos temas tratados, exercícios que proporcionam a ampliação da consciência para diversos aspectos da vida. Entretanto, com o objetivo de organizar de forma mais didática, optou-se por tratar em um tópico à parte algumas ferramentas, que têm como objetivo a tomada de consciência, o autoconhecimento, o autodesenvolvimento, o autocoaching. 3.4.1 FERRAMENTA PARA DESCOBRIR OS SEUS TALENTOS NATURAIS Uma das primeiras etapas do autocoaching está relacionada a descobrir os seus ta- lentos, especialmente os seus talentos naturais. O talento natural é aquele que de- senvolvemos com muita naturalidade, facilidade e, principalmente, com muito pra- zer. São aquelas coisas que fazemos e nas quais não percebemos o tempo passar; em muitos casos, até perdemos a noção da hora. O talento natural “é aquilo que fazemos com muita naturalidade e facilidade, e fazemos de formadiferenciada, de modo su- perior e com menor esforço” (PACHECO, 2012, p. 1092). A Psicologia Positiva chama esse estado de flow, ou estado de fluxo. Quando atingi- mos o estado de fluxo, significa que estamos usando as nossas capacidades na po- tencialidade máxima, o que nos traz uma sensação de bem-estar e de realização. Já ficou comprovado que pessoas que entram constantemente nesse estado melhoram significativamente os seus índices de saúde e, principalmente, aumentam os níveis de felicidade. 69 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Apenas a título de esclarecimento, a Psicologia Positiva é o ramo da ciência psicológi- ca que se baseia “na crença de que é possível identificar e compreender, desenvolver, promover e cultivar os mecanismos necessários para viver de maneira significativa e satisfatória” (MARQUES, 2015, p. 56). Mesmo com todas essas descobertas das ciências, ainda hoje é possível observar o esforço colossal de algumas pessoas e empresas em desenvolver os pontos fracos de uma pessoa. As pessoas são estimuladas a ajustarem as suas fraquezas para que elas se tornem pontos fortes. Dessa forma, todos os anos são gastos rios de dinheiro para que as pessoas fiquem no máximo medianas nas referidas competências considera- das como o ponto fraco. Preferem investir tempo e dinheiro na tarefa infrutífera de corrigir suas fraquezas, achando que, desse modo, as pessoas atingirão a excelência. Na contramão dessa prática, o Instituto Gallup lançou, em 2008, o livro “Descubra Seus Pontos Fortes”. Esse livro muda a forma de visualizar o aperfeiçoamento de nos- so desempenho profissional. Os autores Marcus Buckingham e Donald O. Clifton des- cobriram “a revolução dos pontos fortes”. É muito mais fácil se tornar excelente naqui- lo que você já é bom do que se tornar mediano no que não é o seu talento natural. Por isso, é de suma importância conhecer os seus talentos. Para tanto, algumas per- guntas de coaching podem e devem ser utilizadas: O que você faz muito bem? Que atividade você realiza melhor do que muitas pessoas? Pense em coisas/atividades que você faz com muita satisfação, mesmo que não tenha um retorno financeiro para tanto. Ao descobrir os seus talentos naturais, a dica é: use a sua energia, tempo e dinheiro, se for o caso, para aprimorar o que você já faz muito bem. Cuide de seus pontos fra- cos para que eles não te joguem no buraco, mas com a clara convicção de que muito dificilmente eles se tornarão seus pontos fortes. Para saber mais sobre como potencializar os seus pontos fortes, uma boa indicação de leitura é o livro “Descubra Seus Pontos Fortes”, de Marcus Buc- kingham e Donald O. Clifton. 70 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 3.4.2 FERRAMENTA PARA DESCOBRIR E DECLARAR A SUA MISSÃO DE VIDA Antes de iniciar as orientações para a descrição da sua Missão de Vida, é importante entender o que vem a ser missão. A missão é a razão de ser, o porquê de existirmos. Falar de missão é resgatar a nossa essência. Parece algo difícil de ser feito, mas é vital para que possamos perceber mais sentido na nossa existência e buscar objetivos e metas que sejam coerentes com a nossa missão. Quando atingimos um grau um pouco mais elevado de autoconhecimento, é pos- sível perceber que a nossa missão esteve o tempo todo do nosso lado, sem que a percebêssemos. Tomemos como exemplo a missão de Maria (personagem fictícia): “Minha missão é contribuir com o desenvolvimento de outras pessoas, orientando-as e instruindo, ao mesmo tempo que também me desenvolvo e evoluo como pessoa e profissional”. Maria, desde criança, teve essa preocupação com os outros; no tempo de escola, dava aulas particulares para colegas de classe, montava uma mesa de es- tudo no terreiro da sua casa. Quando cresceu, fez magistério, cursou a faculdade de Psicologia e fez algumas formações em coaching. Foi durante uma dessas formações que teve a oportunidade de refletir sobre a sua missão e declará-la, mas essa missão foi o que moveu grande parte das suas escolhas durante a vida. Entretanto, agora ela a reconhece, ou seja, ela descobriu o seu propósito maior para viver, qual é a verdadei- ra motivação, o que a faz levantar da cama todos os dias, acordar cedo e dormir tarde, o que faz brilhar os seus olhos e seu coração bater mais forte. Assim como os sonhos, não importa o tamanho da missão, o importante é que ela represente a sua razão de ser. Tem pessoas que acreditam que a sua missão é cuidar dos filhos, dar uma boa educação a eles, contribuir para que sejam pessoas de bem e que possam impactar positivamente as pessoas com as quais convive. Outras pessoas colocam como missão de vida buscar a cura de uma determinada doença, cuidar de outros, ensinar, governar nações, libertar povos, viver e lutar por uma causa, alegrar pessoas, deixar o mundo mais bonito com a sua arte e por aí vai... Vale notar que declarar uma missão desconexa da sua vida pode até servir “para inglês ver”, mas de fato não vai representá-lo. Fica muito claro quando alguém tem uma missão e vive verdadeiramente por ela ou quando apenas quer fazer bonito para os outros. 71 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Apenas a título de exemplificação e identificação, tomemos como exemplo algumas figuras públicas que marcaram a história: Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá e Mahatma Gandhi. Todos eles tinham uma missão e viveram por ela. Nelson Mandela viveu para acabar com o regime do Apartheid na África do Sul. Ele não perdeu de vista essa missão, mesmo durante os quase 30 anos em que viveu em uma prisão e manteve a sua coerência até o fim de sua vida. Seguindo com os nossos exemplos, Madre Tereza dedicou a sua vida aos pobres, cuidou de pessoas em condições des- favorecidas, abdicando-se muito para isso. E Gandhi lutou pela independência da Índia, sem que, para isso, fosse necessário usar de violência. Ele pregava a paz e que a verdadeira mudança deve começar conosco; a importância da coerência das ações: se queremos a paz, não podemos fazer a guerra. Ao ler esses exemplos, é possível que vários outros tenham vindo à sua cabeça. Use-os de inspiração, mas não se intimide com eles. Como mencionado anteriormente, não é o tamanho da missão que importa, mas a coerência entre as suas ações. Então, agora chegou a grande hora de você escrever a sua missão, caso ainda não tenha feito. Para tanto, vamos nos valer de algumas perguntas para levá-lo a refletir sobre o tema. • Qual é a sua missão? • Qual é o legado que pretende deixar neste planeta? • Como quer ser lembrado pelas pessoas com as quais conviveu? • Como tem usado os seus talentos naturais na concretização da sua missão de vida? Após refletir sobre essas perguntas, redija a sua missão em aproximadamente um parágrafo. Lembre-se de que a sua missão precisa representar as suas ações. Evite fazer como algumas empresas na época de acreditação de qualidade, que escrevem missões maravilhosas, que nada têm a ver com a sua prática diária, são apenas para fazer bonito para o auditor e os órgãos certificadores. Algumas pessoas conseguem realizar essa atividade de pronto, sem muito sofrimen- to; outras demoram um pouco mais. A dica para saber se está no caminho é: o quanto está confortável com a sua missão? Ela representa as suas ações e a sua vida? Enquan- to estiver desconfortável com ela, é sinal de que talvez ainda tenha que fazer ajustes. 72 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para fechar esse tema, quero deixar uma frase do LucianoPacheco, autor do livro “Autocoaching: seja dono do seu destino”: “tenha um nobre propósito de vida e a vida terá real sentido para ser vivida” (PACHECO, 2012, p. 1269). Para saber mais sobre o tema Missão, leia o livro “Autocoaching: seja dono do seu destino”, de Luciano Pacheco. 3.4.3 FERRAMENTA PARA APRENDER A DECLARAR A SUA VISÃO DE FUTURO Agora que você já tem a relação dos seus talentos naturais, já conhece os seus valores, que já declarou a sua Missão de Vida, está na hora de escrever a sua visão de futuro. A visão é um direcionador de nossas ações, é aonde queremos chegar, é como nos vemos no futuro. As visões podem ser de curto, médio e longo prazo e podem sofrer alterações, à medida que se alcança uma e que outra pode entrar no lugar. Apenas para ficar mais didático, a referência que se usou aqui para curto, médio e longo pra- zo: até um ano – curto prazo, até 5 anos – médio prazo, mais de 6 anos – longo prazo. Utilizaremos aqui o exemplo de uma visão de carreira de uma jovem profissional. Ela tem atualmente 25 anos e sua visão é que, aos 35 anos, já esteja ocupando uma posi- ção de Diretoria em uma empresa de grande porte. Ela está finalizando um MBA em finanças e pretende ir para os EUA fazer uma qualificação internacional em finanças, o que lhe dará maior visibilidade. Além disso, é extremamente dedicada às ativida- des profissionais e aos estudos, sendo promovida recentemente para um cargo de Analista Sênior. Assim como a Missão, a Visão não pode estar desconectada das ações. Por exemplo, se sua visão é ter um corpo de atleta, ter uma saúde boa, minimamente você precisa realizar ações que o levem em direção a essa Visão. Do contrário, não será uma visão, será uma ilusão. 73 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Agora convido você a escrever a sua visão de curto, médio e longo prazo. Onde quer estar em um ano? Em cinco anos e em 10 anos? Expanda a sua visão para todos os aspectos da sua vida, profissional, pessoal, fami- liar, saúde e bem-estar, ou para aqueles que são mais relevantes para você neste momento. 3.4.4 FERRAMENTA PARA REALIZAR A AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE SATISFAÇÃO: RODA DA VIDA Assim como no coaching, o objetivo do autocoaching é levá-lo do ponto A, estado atual, ao ponto B, estado desejado. Para tanto, é necessário entender como anda o seu nível de satisfação com cada uma das principais áreas de sua vida. Para tanto, vamos lançar mão de uma poderosa ferramenta de coaching: a Roda da Vida. Uma ferramenta simples, mas que promove reflexões profundas. Para isso, você precisará desenhar um círculo e dividi-lo em 8 fatias, como se fosse uma pizza de 8 pedaços. Cada pedaço representará simbolicamente uma área de sua vida. Aqui priorizaremos as seguintes áreas: Saúde, Relacionamento, Ambiente, Espiritualidade, Desenvolvimento Pessoal, Entretenimento e Lazer, Carreira, Recursos Financeiros/Dinheiro. Se não fizer sentido pra você, pode trocar os nomes das áreas ou substituir por outros. O importante é que essa roda represente a sua vida. Para cada uma dessas áreas, você fará as seguintes perguntas: qual é o meu nível de satisfação com essa área? De 0 a 10, o quanto estou satisfeito? E, à medida que for respondendo, você vai colorindo a roda. Considere que o centro da roda é o marco zero e a borda é o 10. Portanto, o seu nível de satisfação aumenta, quando se aproxi- ma da borda. Após realizar essas perguntas para cada uma das áreas e colorir toda a roda, olhe para ela com bastante atenção, pois ela, metaforicamente, representa a sua vida. Como a percebe? O que está bom? O que precisa melhorar? Qual dessas áreas você precisa priorizar neste momento para servir como área-alavanca, aquela que vai impulsionar o desenvolvimento de outras? Lembre-se de que a área-alavanca não é necessariamente a área com a menor nota, mas a que é mais importante para você no contexto atual da sua vida. 74 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Após definida a área-alavanca, trace um plano com as ações que precisa implemen- tar para impulsionar essa área. O que você precisa fazer? Quando fará? Com quais recursos? É de fundamental importância que mantenha esse plano sempre próximo de seu alcance e que você possa realizar pequenas ações todos os dias para atingir o estado desejado, o famoso ponto B. Se você tem interesse em saber mais sobre o autocoaching, uma excelente sugestão é o livro do Ricardo Melo “Coaching de dentro para fora”, da editora Qualimark. CONCLUSÃO Como se pode observar ao longo desta unidade, o Autoconhecimento é de funda- mental importância para as nossas vidas. Conhecer-se melhor pode encurtar o nosso caminho para a tão desejada felicidade. Esse é um processo que pode até ter data para começar, mas não tem fim. Quanto mais nos conhecemos, mais percebemos que podemos ir além. Algumas das ferramentas apresentadas aqui podem ser aplicadas em diversos mo- mentos da sua vida e podem contribuir com essa jornada ao mais maravilhoso desti- no que se pode imaginar: o nosso ser. Espero que esta unidade possa ter contribuído com a sua jornada e que, de alguma forma, tenha feito a diferença positiva em sua vida. Boa viagem e curta o caminho! 75 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Apontar o mentoring como uma possibilidade de desenvolvimento das pessoas dentro das organizações. > Esclarecer as formas como podem ser implementados programas de mentoring. > Debater sobre os benefícios do mentoring tanto para o mentorado quanto para os mentores e as organizações. > Traçar a implementação do mentoring formal dentro das organizações, assim como reunir e apresentar algumas ferramentas que podem ser aplicadas em um processo de mentoring. UNIDADE 4 76 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4 MENTORING NAS ORGANIZAÇÕES O mentoring não é algo novo, sempre existiu nas relações humanas de uma manei- ra informal. Ao longo da sua vida, você tem a sorte e a oportunidade de cruzar com excelentes mentores que apoiam em sua trajetória. Esses mentores podem ocupar a posição de algum familiar, professor ou até mesmo amigo. Basta que alguém que disponha de conhecimento e experiência em uma determinada área queira compar- tilhar com alguém que necessite e que tenha predisposição para aprender. Em função dos excelentes resultados que se pode obter com a utilização dessa me- todologia, estudiosos se propuseram a formatá-la de maneira que mais pessoas e organizações pudessem usufruir de seus benefícios. Essa unidade se propõe a apresentar o mentoring como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento de competências que ainda tem muito para ser explorada pelas organizações. Mentoring naS organiZaÇÕeS “O investimento que fazemos nos outros é das únicas coisas que traz dividendos para sempre” (Anônimo) 4.1 O QUE É O MENTORING Para iniciar esta unidade, será rememorado o conceito de mentoring. Mentoring ou mentoria é uma relação de parceria que acontece entre duas pessoas, em que uma se disponibiliza a apoiar o desenvolvimento da outra. Essa relação é composta por dois personagens, o mentor e o mentorado. Via de regra, a pessoa que atua como mentora possui mais experiência e conheci- mento em determinada área e se dispõe a compartilhar esse conhecimento com o seu mentorado. O mentor oferece suporte para o desenvolvimento do mentorado, apoiando-o, inclusive emocionalmente, quando necessário. 77 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MECnº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO O processo de mentoring pode acontecer sempre que uma pessoa com perfil de mentor se disponibiliza a contribuir com outra pessoa, que, por sua vez, aceita essa colaboração. 4.2 MENTORING INFORMAL A maioria das relações de mentoring acontece de modo informal, ou seja, sem que haja um acordo prévio e estabelecimento de papéis. É possível que você já tenha tido vários mentores em diversos momentos da sua vida ou já tenha até atuado como um mentor. Os mentores podem ser encontrados em toda parte, como no seio familiar, nas instituições de ensino e nas relações entre amigos. Eles podem aparecer a qual- quer momento, quando menos se espera. A aproximação entre o mentor e mentorado em um processo de mentoring infor- mal pode acontecer tanto por iniciativa do mentor quanto do mentorado. Por exem- plo, uma pessoa pode se aproximar de outra pelo desejo de ajudá-la a crescer e a se desenvolver, compartilhando as suas experiências e conhecimentos, pela simples vontade de auxiliar e fazer o bem. Normalmente, isso ocorre entre amigos, nas rela- ções familiares, com colegas de trabalho, entre professores e alunos, de uma maneira muito natural. Portanto, esse tipo de relacionamento de mentoring é chamado de espontâneo ou natural. Quando menos se percebe, uma pessoa já está ajudando a outra. Como costuma dizer Erlich (2017), um dos maiores especialistas do tema no Brasil, ocorre uma “química”, uma espécie de vinculação emocional baseada em ad- miração e confiança recíprocas. O motivo da promoção desse encontro pode ser a necessidade de ajudar algum ente querido ou pela simples característica que algumas pessoas possuem de querer co- laborar com outras, mesmo que não tenham uma relação tão próxima de seu men- torado, somente por fazer parte da sua natureza solidária. É possível que, neste momento, estejam passando pela sua cabeça diversas lembran- ças em que você tenha recebido esse tipo de ajuda, sem mesmo perceber que es- tava sendo mentorado por uma pessoa que queria facilitar o seu caminho. Por sua vez, também é provável que você já tenha estado do outro lado, colaborando com desenvolvimento de outros. Essa é a dinâmica do mentoring informal, os papéis não são fixos, não têm hora nem momento para acontecer, ele simplesmente acontece quando os componentes se unem. 78 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4.3 MENTORING FORMAL O mentoring formal pode ser entendido como uma evolução do mentoring informal aplicado dentro de instituições, sejam públicas, privadas, do segmento social e/ou religioso. Ao contrário do informal, o mentoring formal é planejado e estruturado para aten- der à necessidade de pessoas que demandam desenvolver alguma competência, seja no âmbito pessoal, seja no profissional. Além disso, vale mencionar que, assim como no coaching, o mentoring formal respeita os princípios da individualidade e confidencialidade. Dependendo de cada organização, o nível de estuturação vai desde um es- quema bem simples (por exemplo, explicar aos funcionários o que é mento- ring e estimulá-los a formar pares mentor-mentorado), até chegar ao nível de programas muito estruturados, com recursos bem planejados e dimensiona- dos (ERLICH, 2017, s/p). O processo de mentoring rompe os muros das organizações após a percepção de que vários profissionais de sucesso haviam recebido apoio de um mentoring. Os pri- meiros registros de mentoring formal foram nos Estados Unidos, no final da década de 1970, entretanto demorou pouco para que esta virasse uma prática aplicada em diversos países de todo o mundo. Profissionais da área de desenvolvimento humano começaram a estudar e a publicar sobre as características e benefícios do mentoring, o que contribuiu para que essa prática ganhasse maior notoriedade dentro das organizações. No Brasil, ainda há muita oportunidade para ampliar a utilização do mentoring. Isso se deve ao desconhecimento de muitos que poderiam beneficiar-se e beneficiar as suas respectivas organizações com o trabalho do mentoring. Além disso, ainda acon- tece dificuldade de discernimento entre coaching e mentoring. Em um mundo de negócios carregado de mudanças e transformações contínuas e gradativamente mais velozes, as empresas precisam rapidamente renovar-se de ma- neira constante para que possam se manter atualizadas e competitivas (CHIAVENA- TO, 2008, VIII). Nesse sentido, o mentoring surge como uma grande oportunidade de 79 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO desenvolvimento e de transformação das pessoas através do conhecimento de outras ainda mais experientes e, por que não, uma forma de fazer a gestão do conhecimen- to de uma organização. Para saber mais sobre o tema procure o e-book “O poder do mentoring nas organizações”. Esse e-book foi escrito por Paulo Erlich e está disponível na Internet. 4.4 BENEFÍCIOS DO MENTORING Elrich (2017) destaca alguns benefícios do mentoring para os mentorados. Entre eles, estão aprendizagem mais rápida, aumento da autoconfiança, adaptação às mudan- ças organizacionais, crescimento profissional, melhora nos relacionamentos, diminui- ção do nível de estresse. Mas os benefícios não se restringem apenas às pessoas que passam pelo processo de mentoring. Os próprios mentores também se beneficiam. Melhoram a sua satisfação pessoal e profissional ao contribuir com outros, aumentando e fortalecendo a sua rede de relacionamentos e ganhando notoriedade e reconhecimento pelos mento- rados e demais integrantes da organização. Na sequência dos beneficiados pelos processos de mentoring, estão as empresas ou organizações que promovem e investem nesse tipo de relacionamento (ELRICH, 2017) destaca alguns desses ganhos, a saber: • Maior agilidade no aprendizado organizacional. • Maior celeridade no processo de adaptação de novos colaboradores. • Retenção do conhecimento implícito, ou seja, aquele que normalmente está na cabeça das pessoas e não é compartilhado em manuais e procedimentos. • Melhor aproveitamento do capital intelectual da empresa. 80 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • Desenvolvimento de líderes. • Melhoria das relações e clima organizacional. • Fortalecimento da cultura organizacional. • Redução dos investimentos em treinamento, uma vez que os mentores são funcionários que atuam de forma voluntária, e, como consequência, aumento da produtividade O mentor exerce um papel decisivo: Na abertura e na ampliação da visão de mundo do mentorado. Expande seus horizontes, tanto no meio corporativo quanto fora dele. Faz com que o men- torado pense sobre questões ainda não cogitadas e, por consequência, que seja impulsionado com novas atitudes, ideias e estratégias com maior valor agregado (GOMES, 2015, p. 730). 4.5 COMO IMPLEMENTAR UM PROGRAMA DE MENTORING NAS ORGANIZAÇÕES Para obter o sucesso esperado por um programa de mentoring, é necessário que ele seja bem planejado e organizado. Para tanto, deve-se pensar em algumas etapas, a saber: 4.5.1 DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DO PROGRAMA A primeira ação é refletir sobre o que se deseja alcançar com o programa. Quais são os objetivos que se anseia atingir? Pretende-se promover integração e adaptação de novos colaboradores ou o objetivo é transmitir o conhecimento tácito que está na ca- beça de colaboradores veteranos que podem deixar a empresa a qualquer momento e levar consigo todo o know how acumulado durante anos? Independentemente do objetivo, é importante pensar em como esse processo con- tribuirá com as estratégias da empresa. Isso facilita os argumentos de quemvai 81 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO defender e/ou implementar o programa. 4.5.2 DEFINIÇÃO DE QUEM SERÃO OS APOIADORES DO PROGRAMA Via de regra, programas de mentoring são implementados e gerenciados pela área de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO). Entretanto, para que não haja sobrecarga de atividades e o risco do programa cair no limbo, é importante que se forme uma equipe para realizar os acompanhamentos dos pares mentores e mento- rados durante o tempo que se relacionarão nesse processo. As pessoas dessa equipe devem ser treinadas e orientadas para realizarem tal atividade. 4.5.3 ESTABELECER UM PLANEJAMENTO DE TODAS AS ATIVIDADES A SEREM REALIZADAS Esse planejamento deve se propor a responder às seguintes perguntas: qual será a quantidade de pares? Quem serão os mentores? Como serão convidados? Quais cri- térios serão usados para a formação de pares (localização, afinidade, determinação da própria empresa)? Como será montado o plano de trabalho de cada dupla? Como será realizado o acompanhamento do trabalho? E comunicação para a organização sobre o programa? Como será mensurado o sucesso do programa? O ideal é montar um grande plano para facilitar o acompanhamento da evolução das ações e evitar deixar de cumprir alguma fase importante e comprometer a qualidade do programa. 4.5.4 SELEÇÃO DE MENTORES E MENTORADOS A escolha dos mentorados é sempre mais fácil, pois, via de regra, quase todo mundo quer se desenvolver. Um dos grandes desafios em um programa de mentoring é identificar quem serão os 82 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO mentores, pois estes precisam ter as competências que agregam no desenvolvimen- to dos mentorados e das organizações. Além de possuir as competências necessárias para compartilhar, essas pessoas preci- sam ter desejo e disponibilidade de tempo para se dedicarem ao programa. Talvez você esteja se perguntando: quais outros requisitos precisa ter um mentor? É fato inquestionável que o mentor precisa ter conhecimento e experiência úteis para o mentorado. Mas isso não é suficiente, pois se ele não tiver abertura para comparti- lhar esse conhecimento, nem gostar de contribuir com o desenvolvimento de outros, volta-se à estaca zero. Somando aos aspectos já mencionados, é indispensável que o mentor tenha um comportamento exemplar e uma conduta inabalável. Para incrementar ainda mais o perfil do mentor, é desejável que ele tenha abertura ao aprendizado e características de encorajar o desenvolvimento do seu mentorado. Para fechar com chave de ouro, se o mentor tiver uma boa rede de relacionamento para acionar quando necessário, será ainda melhor. Resumindo, o mentor: Deve possuir alguns atributos indispensáveis à prática da mentoria, tais como: empatia, perspicácia, discrição, crença no potencial do mentorado, sutileza na abordagem, compreensão das limitações humanas, ética e respeito ao indiví- duo (GOMES, 2015, p. 727). 4.5.5 ORIENTAÇÃO PARA OS MENTORES E MENTORADOS Tanto os mentores quanto os mentorados precisam estar cientes de seus papéis e responsabilidades no processo de mentoring. Além disso, os mentores precisam aprender técnicas e ferramentas sobre como vão transmitir os seus conhecimentos, assim como entender as funções do mentoring. 83 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Já os mentorados são orientados sobre como se comportar para aproveitarem ao máximo o processo. 4.5.6 COMO SERÃO FORMADOS OS PARES O ponto de partida pode ser entender as competências dos mentores e as necessida- des de desenvolvimento dos mentorados. A partir daí, é necessário fazer o cruzamen- to das informações dos pares que se beneficiarão dessa relação. O levantamento dessas informações pode advir de conhecimento prévio das pessoas que trabalham no DHO e/ou dos responsáveis pelo programa, auxiliado pelo preen- chimento de questionários que podem ser disponibilizados tanto para os candidatos a mentores quanto aos mentores. Também pode ser complementado pela realiza- ção de entrevistas presenciais. Deve-se levar em conta não só o conhecimento e experiência, mas também as carac- terísticas de comportamento e disponibilidade para se dedicar ao programa. Tomar todos esses cuidados não garante em 100% que o relacionamento dará certo, mas sem sombra de dúvidas aumenta muito a possibilidade de obtenção de sucesso. 4.5.7 ACOMPANHAMENTO E AJUSTES Durante o tempo de relacionamento do processo de mentoring, os pares recebem acompanhamento e suporte da equipe responsável pelo programa que avalia a ne- cessidade de ajustes e eventuais mudanças de rota. 4.5.8 AVALIAÇÃO DO PROGRAMA A avaliação deve ocorrer não somente ao final do processo, mas ao longo dele. Além disso, precisa contemplar todas as partes envolvidas, como o mentor, o men- torado, a liderança do mentorado e a empresa, representada pela alta direção e 84 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Desenvolvimento Humano e Organizacional. É um processo que visa ter uma visão 360º para que oportunidades de melhorias sejam contempladas e implementadas em um próximo ciclo do programa. FIGURA 15 - FASE PARA A IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE MENTORING NAS ORGANIZAÇÕES Definição dos Objetivos Definição dos Apoiadores Planejamento das Ações Seleção dos Mentores e Mentorados Formação dos Pares Acompanhamento e Ajustes Avaliação do Programa Fonte: Elaborada pela autora, 2019. 4.6 FUNÇÕES DE MENTORING Na década de 1970, a professora norte-americana Kathy Ellen Kram realizou uma pesquisa sobre as principais funções de mentoring (ELRICH, 2017). Essas funções es- tão classificadas em três categorias, a saber: funções de trabalho e carreira, funções socioemocionais e função modelar. No texto que segue, você terá acesso aos principais aspectos levantados por ela e adaptados por Elrich (2017). 4.6.1 FUNÇÕES DE TRABALHO E CARREIRA As funções de trabalho e carreira amparam o mentorado a se desenvolver dentro da organização e contribuem para o seu progresso de carreira. As funções de carreira estão relacionadas abaixo: • orientação: oferece treinamentos, instruções e dicas para evoluir em direção aos objetivos de carreira. • Proteção: ajuda o mentorado a evitar erros técnicos ou de comportamento, 85 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO afastando-o de riscos que podem comprometer o seu crescimento. • exposição e visibilidade: à medida que o mentorado vai se desenvolvendo, o mentor cria oportunidades para expor o seu trabalho, demonstrando as suas competências. • Patrocínio: com a evolução do mentorado, o mentor pode indicá-lo e patroci- ná-lo para concorrer a posições de maior visibilidade e importância dentro da organização. 4.6.2 FUNÇÕES SOCIOEMOCIONAISS Cuidam de uma competência considerada como âncora, pois suporta toda as outras competências técnicas: a emoção. Não saber lidar com as próprias emoções pode levar a perder todo o investimento em competências técnicas. As competências so- cioemocionais consideradas foram: • aceitação: é a capacidade de o mentor aceitar o outro como ele é, sem julga- mentos ou juízo de valor. No processo de mentoring, não pode haver hierar- quia na relação entre mentor e mentorado, portanto o tratamento igualitário entre as partes é de fundamental importância para o sucesso do processo. • escuta e aconselhamento: a escuta ativa é a capacidade de ouvir na essência o que é dito pelo mentorado.Ela é importante para o estabelecimento de diá- logos produtivos e construção de um processo de aconselhamento. • Confirmação: é a evolução da aceitação. À medida que o relacionamento vai criando vínculos, evolui para a confiança, fundamental para que o processo siga. • abertura para relacionamento: o processo de mentoring pode evoluir criando abertura para o desenvolvimento de relações mais profundas e duradouras. Em alguns casos, pode se transformar em amizades que duram muitos anos. 4.6.3 FUNÇÕES MODELAR O mentor, muitas vezes, é colocado na posição de modelo a ser seguido. Isso ocorre pelo fato de o mentorado admirar tanto o comportamento, as atitudes e o conheci- mento do mentor. 86 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Em muitos casos, o mentorado começa a imitar os comportamentos admirados para, aos poucos, ir construindo o seu próprio estilo. FIGURA 16 - FUNÇÕES DE MENTORING Funções do Mentoring Orientação Proteção Exposição e Visibilidade Proteção Aceitação Confirmação Abertura para o relacionamento Papel de Modelo Funções de Trabalho e Carreira Funções Socioemocionais Função Modelar Escuta e aconselhamento Fonte: Adaptada de ERLICH, 2017. 4.7 O MENTORING NO EXERCÍCIO DA LIDERANÇA É redundante dizer que as expectativas sobre posição de liderança são enormes. En- tre as atribuições de um líder, estão a manutenção do clima organizacional, a gestão de pessoas e processos e as funções de educador, coach e mentor. Mas será que os líderes das empresas estão preparados para tudo isso? E a resposta para a maior parte dos casos é um estrondoso não. O fato de ter uma posição não significa estar pronto para ela. Este com certeza seria o mundo ideal, mas existe um gap enorme, para não falar em abismo, entre o ideal e o mundo real. Como já foi demonstrado aqui, o mentoring pode trazer enormes vantagens tanto para o mentorado quanto para o mentor, especialmente para as organizações nas quais essas pessoas atuam. Entretanto, se as empresas quiserem que seus líderes atuem como mentores, extraindo ao máximo o que a metodologia possibilita, é 87 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO necessário prepará-los para tal. Essa preparação pode ser interna, se a organização detiver pessoas qualificadas para isso, ou externa, utilizando empresas especializadas. Hoje é possível encontrar diver- sos bons cursos, ofertados por instituições conceituadas, que preparam líderes para atuarem como mentores de forma efetiva. Portanto, para dizer que a liderança efetivamente atua como líder mentora, é neces- sário investir no desenvolvimento desse público, para que a ferramenta possa trazer o retorno que se propõe. Também para que não perca a credibilidade, associando à metodologia uma imagem negativa, o que não corresponde com os resultados que são possíveis de obter. Vale ressaltar que é um investimento que vale a pena ser feito, pois “o líder mentor auxilia o mentorado a encontrar seu caminho com recomendações especificas e ne- cessárias ao seu crescimento” (GOMES, 2015, p. 826). 4.8 FASES DO PROGRAMA DE MENTORIA A mentoria formal, assim como um processo de coaching, tem início, meio e fim. Confira abaixo as fases da mentoria. 4.8.1 INICIAÇÃO É uma fase muito importante, pois é nesse momento que são estabelecidos acordos, acontecem as apresentações e a revelação do motivo pelo qual busca-se acompa- nhamento. É também nessa fase que o mentor explica como funcionará a mentoria e define os papéis e responsabilidades. Nesse momento, é superaplicável a máxima que “o combinado não sai caro”. 4.8.2 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO Essa fase é também nomeada por alguns especialistas do tema como cultivo. Nela acontece o diagnóstico, realizado por meio de questionamentos, e uma escuta 88 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO apurada, também chamada de escuta ativa. É nessa fase que o mentor procura entender a vida do mentorado de forma integral, não restringindo apenas aos aspectos profissionais. Vale ressaltar que não se trata de uma mera curiosidade, mas de levantar fatos e dados que poderão ser úteis para uma compreensão mais sistêmica da vida do mentorado, como vida familiar e social, além de questões ligadas aos aspectos emocionais, sonhos, aspirações e desejos. Isso possibilita entender o modus operandis do mentorado, para direcionar as inter- venções de acordo com as necessidades de desenvolvimento. Para que essa fase transcorra de forma fluida, é necessário demonstrar muito respeito e cuidado com a história do mentorado, pois isso o encorajará a se soltar mais e se demonstrar como verdadeiramente é, facilitando sobremaneira todo o processo. 4.8.3 FASE DA SEPARAÇÃO O nome separação pode remeter ao final do processo, mas não é isso. Essa fase é apenas uma lembrança para a importância de reforçar a autonomia do mentorado. É fundamental não alimentar o grau de dependência profunda, que pode gerar qua- se uma simbiose. O mentorado, apesar de aprender muito com seu mentor, precisa desvincular as suas ações das do seu mentor. Este, com certeza, será uma inspiração para muitas situações, mas sem que isso crie profundos graus de dependência, aliás, esse não é o objetivo do processo de mentoring. 4.8.4 FASE DA REDEFINIÇÃO OU FINALIZAÇÃO Essa é a última fase. Assim como o processo é marcado por uma iniciação formal, é importante que a finalização também o seja. Essa etapa permite medir o caminho percorrido e identificar as competências desenvolvidas. Aqui vale destacar que, mesmo com a finalização do processo de mentoring, em alguns casos, devido aos vínculos criados e ao profundo sentimento de gratidão e respeito, o relacionamento pode evoluir para amizades duradouras, o que pode con- tribuir para intervenções de mentoring informal, mas sem qualquer ligação com o 89 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO programa institucionalizado já encerrado. 4.9 FERRAMENTAS DE MENTORING Assim como o processo de coaching, no mentoring é possível aplicar algumas ferra- mentas que contribuirão para a definição de objetivos, reflexão e análise. Deve-se, contudo, tomar cuidado para as sessões não se tornarem apenas uma mera aplicação de ferramentas. Elas devem ser usadas com cautela e de acordo com o objetivo do encontro. Devem ser um instrumento para facilitar a conversa, e não um fim em si. Abaixo estão disponibilizados alguns exemplos de ferramentas que podem ser uti- lizadas para facilitar as conversas de mentoring. Importante ressaltar que não são as únicas, mas apenas sugestões para que o mentor possa usar em momento oportuno para extrair o melhor do seu mentorado. - Perguntas: as perguntas são poderosas, pois promovem a reflexão, a criação de pos- sibilidades e geração de aprendizado. Perguntas abertas são mais favoráveis para esse processo pelo fato de contribuírem com novos insights. Para fazer perguntas “produ- tivas”, é muito importante que o mentor saiba exatamente aonde quer conduzir o seu mentorado. - escuta ativa: escutar ativamente é a habilidade de transcender o que está sendo expressado diretamente e considerar também os sentimentos, as ideias e os pensa- mentos que estão por trás daquilo que está sendo dito. Para tanto, é importante se livrar de julgamentos e preconceitos e “entrar no mundo” do mentorado - Dream list: a lista dos sonhos ajuda a definir meta para a vida como um todo. Essa lista serve para definir o que se quer e espera da vida e para quando se espera. Como aplicar a ferramenta: entregar uma folha de papelem branco para que o men- torado escreva uma lista de sonhos, desejos, metas, objetivos e planos. Em seguida, pedir para categorizar os sonhos em profissionais, pessoais, qualidade de vida ou outros. Orientar a escolher um dos sonhos para transformar em objetivos, 90 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO utilizando a técnica SMart (específico, mensurável, atingível, relevante e tempo para realização). - roadmap: o roadmap, como o nome sugere, é uma espécie de mapa do caminho, uma ferramenta visual e descritiva que descreve o passo a passo para o atingimento do objetivo. - SWot análise: identificação das forças e fraquezas (internas), oportunidades e ameaças (externas). - análise do campo de força: essa ferramenta ajuda a identificar as forças favoráveis e as forças que “jogam contra” o atingimento do objetivo. Pega-se uma folha de papel e a divide ao meio. Em um lado, lista-se a situação atual, no lado oposto, a situação desejada. Logo abaixo da situação atual, listam-se as forças que impulsionam para o objetivo desejado. Abaixo do objetivo desejado, as forças que “puxam” para a situação atual. Faz-se uma análise do campo de forças, procurando fortalecer as forças impul- sionadoras e enfraquecer as forças contrárias ao atingimento do objetivo. Após essa análise, elabora-se um plano de ação. CONCLUSÃO Como pôde-se observar ao longo desta unidade, os benefícios do mentoring são inú- meros. Essa é uma metodologia relativamente barata de ser implementadas, ao se considerar os enormes ganhos de sua implementação para o desenvolvimento das pessoas, a manutenção da cultura e a aprendizagem organizacional. O mentoring também contribui para a gestão do conhecimento e transmissão de conhecimento tácito de uma geração a outra dentro organizações. É um universo a ser explorado, visto que ainda é pouco utilizado nas instituições, em particular as brasileiras. Para que o programa de mentoring não seja percebido apenas como um modismo ou como mais uma metodologia importada para a realidade brasileira sem as devi- das customizações, é fundamental que o objetivo seja bem avaliado antes de seguir para os passos da implementação. A pergunta “o que se deseja com um programa de mentoring?” deve ser muito bem explorada. 91 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Além disso, o mentoring é um programa que requer acompanhamento, um “dono” para fazer a gestão do processo como um todo e apoiar os mentores e mentorados. Caso contrário, corre-se o risco de cair no descrédito ou, na melhor das hipóteses, de não alcançar os resultados almejados. Há de se destacar ainda que o processo de avaliação contínua deve ocorrer e, a qual- quer momento que se fizer necessário, modificações devem ser implementadas vi- sando à qualidade do processo. Sem sombra de dúvidas, o universo do mentoring é ainda um campo riquíssimo a ser explorado, visto que ainda é pouco utilizado nas instituições – em particular, as brasileiras. 92 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Recordar os principais conceitos trabalhados, assim como poderá reproduzi-los em uma situação diferente do original. > Empregar os conhecimentos adquiridos no ambiente organizacional. > Debater sobre gestão de pessoas nas organizações. > Aplicar os conceitos sobre gestão de pessoas. > Analisar os principais desafios das organizações no que diz respeito à gestão de pessoas. > Investigar as principais causas do turnover nas organizações. > Discutir sobre temas aplicados na área de gestão de pessoas, como, por exemplo, Empowerment e Engajamento. UNIDADE 5 93 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 5 PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE TALENTOS HUMANOS NO ÂMBITO CORPORATIVO Dizer que o mundo em que vivemos está muito mais complexo e que as pessoas al- cançaram um nível de conscientização muito elevado que as tornam também mais exigentes, talvez seja uma redundância. Entretanto, é importante considerar esse ce- nário para falar de gestão de pessoas e talentos humanos no ambiente corporativo. É neste mundo complexo repleto de pessoas mais conscientes de seu poder pessoal e extremamente exigentes que as organizações estão inseridas. Dessa forma, para iniciar esta unidade, algumas perguntas se fazem necessárias, por exemplo: como gerenciar os talentos humanos no âmbito corporativo, de forma que eles tragam os resultados desejados? O que fazem os líderes que conseguem sucesso nesta emprei- tada? Qual é o diferencial? É exatamente isso que você verá nesta unidade, o caminho desafiador, mas gratifi- cante de desenvolver e aglutinar pessoas dentro das organizações em prol de uma missão, atingindo os objetivos estratégicos. Está preparado? Então vamos lá! “Gerenciamento é substituir músculos por pensamentos, folclore e supersti- ção por conhecimento, e força por cooperação.” (Peter Druker) 5.1 GESTÃO DE PESSOAS Independentemente da área de atuação, da entrega que será feita, do serviço ou produto que serão elaborados, o gestor contará com o apoio de uma equipe, ou seja, de pessoas. Por isso, aprender e/ou aperfeiçoar a forma de fazer gestão dos talentos 94 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO humanos é condução sine qua non para o sucesso de qualquer liderança e organi- zação, pois “por onde quer que o executivo vá, ele terá sempre pessoas como base de seu trabalho, como membros de sua equipe e como elementos que o ajudam a alcançar objetivos e ser bem-sucedido” (CHIAVENATO, 2015, p.385). Fazendo uma analogia com uma orquestra sinfônica, assim como o maestro rege os músicos, o executivo rege as pessoas dentro das organizações. Cada uma tem o seu talento e a sua importância na grande ‘orquestra organizacional’ e, se um desafinar, pode comprometer o resultado, a entrega final de todos. Para que tudo aconteça de acordo com o desejado, é necessário que a liderança assuma as responsabilida- des pelo treinamento e desenvolvimento, proporcionando conhecimentos e gerando oportunidades para a ampliação das competências. Não é obrigatoriamente neces- sário que o líder coloque a mão na massa, mas o seu papel como maestro corporativo é fundamental para que tudo funcione de maneira integrada e sinérgica. A seguir, você poderá observar um quadro elaborado por Chiavenato (2015) que re- sume as funções do líder que atua como verdadeiro gestor de pessoas. FIGURA 17 - PAPEL DO EXECUTIVO Missão Visão Objetivos Equipe Controlando a equipe Escolhendo a equipe Recompensando a equipe Modelando a equipe Preparando a equipe Incentivando a equipe Avaliando a equipe Executivo como missionário Executivo como visionário Executivo com ação proativa Executivo como gestor de equipes O que somos O que queremos ser Onde queremos chegar Como quem vamos contar Fonte: Chiavenato, 2015, p.387 As atividades de gestão envolvem pessoas; “portanto elas devem transcorrer em 95 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO perfeita sintonia, ser implementadas corretamente e monitoradas continuamente para produzir os resultados desejados” (VANCEVICH, 2008, p. 4). Ainda considerando o papel da liderança no ambiente organizacional, Ferraz (2018) cita Jim Colling, um estudioso de destaque na área de gestão de negócios, que faz outra analogia sobre a gestão depessoas. Ele compra a gestão de pessoas com a gestão de grandes embarcações. Ele menciona que o comandante, assim como os líderes nas organizações, precisa: 1. Embarcar as pessoas certas e desembarcar as erradas. 2. Colocar as pessoas certas nas funções certas. 3. Decidir a rota com as pessoas certas. 4. Ter como principal prioridade manter ao menos 90% das pessoas cer- tas nos lugares certos (FERRAZ, 2018, p.157). Se você sentiu vontade de saber mais sobre essa interessante analogia, uma excelente sugestão de leitura é Gente de resultados: manual prático para formar e liderar equipes enxutas e de alta performance. Neste livro, ao autor trata o tema gestão de uma maneira leve e traz inúmeros exemplos que faci- litam a visualização na prática e a retenção de conhecimento. Os líderes perspicazes e que obtêm os melhores resultados organizacionais já per- ceberam que só é possível atingir os objetivos traçados com as pessoas e não através delas. Essa frase, mais do que uma diferenciação semântica, traz uma grande distin- ção na forma de fazer a gestão de pessoas, que aliás vem passando por profundas transformações dentro das organizações, conforme afirma Eduardo Carmello, escri- tor e grande estudioso sobre como aumentar a performance organizacional através da gestão diferenciada de pessoas: O tempo de gerir pessoas como se fossem um bando ou estatísticas está com os dias contados. Toda organização com chances de crescer precisa de gesto- res capacitados para transformar estratégia em ação. É necessário conquistar eficácia na execução por meio do desenvolvimento individual e coletivo de sua equipe (CARMELLO, 2013, p.11). 96 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Realmente não dá para fazer a gestão de pessoas considerando-as como uma gran- de massa que possui necessidades iguais ou parecidas e que estão no mesmo nível de desenvolvimento e entregas de resultados. Carmello (2013) introduz um termo inovador que propõe tratar a pessoa em sua individualidade, considerando as suas necessidades e particularidades, a “Gestão da Singularidade”. Entretanto, o que vem a ser isso? Nas palavras do próprio Eduardo Carmello, Gestão da Singularidade é: A capacidade que uma organização e seus gestores têm de maximizar seus resultados por meio da melhoria de performance e inovação da equipe, cons- truindo estratégias distintas para talentos em níveis diferentes de performan- ce, engajamento e conhecimento (CARMELLO, 2013, p.11). Esse estilo é fundamentado na máxima Aristotélica, que prevê: oferecer o recurso cer- to, na medida certa, no momento certo, pelo motivo certo e da maneira certa. É possível que, ao ler o texto acima, você deve estar pensando: isso é realmente pos- sível? A resposta, sem medo de errar é: sim! Entretanto, não se tem ainda uma solu- ção mágica. É preciso muito esforço e trabalho duro. Por isso, o nível de dedicação e aprofundamento no conhecimento da equipe por parte da liderança precisa ser diferenciado. O executivo precisa realmente se aplicar no conhecimento do seu time de maneira individualizada e personalizada para que se possa customizar o seu es- tilo, de acordo com o nível de performance, engajamento e conhecimento de cada integrante da equipe. No decorrer desta unidade, você terá oportunidade de visualizar a aplicação prática dessas abordagens teóricas apresentadas até o momento. Vamos juntos! 97 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO O livro Gestão da singularidade: alta performance para equipes e líderes diferenciados, de Eduardo Carmelo, é uma bibliografia indispensável para pessoas que desempenham função de gestão de equipe ou que preten- dem se prepararem para assumirem posição de liderança no futuro. O autor apresenta estratégias para a realização de uma gestão que trabalha para extrair o melhor de cada integrante da equipe e, como isso, ter os melhores resultados. 5.1.1 EMPOWERMENT As grandes transformações vivenciadas principalmente nas últimas três décadas, de- correntes da evolução tecnológica, especialmente na área de Tecnologia da Informa- ção (TI), desencadeou muitas mudanças, especialmente, na economia, que, por sua vez, desdobrou em mudanças organizacionais. Para tornar a gestão mais rápida, diminuindo os processos burocráticos, muitas orga- nizações tem usado o Empowerment. Esse é um termo oriundo do idioma inglês que significa empoderamento. Uma estra- tégia de gestão que visa empoderar as pessoas, dando-lhes mais liberdade de atua- ção nas empresas. O cerne do Empowerment é que as pessoas participem das tomadas decisões e com- partilhem a gestão do negócio, diminuindo por sua vez a centralização das decisões e a burocratização dos processos. É uma estratégia que valoriza a corresponsabilização da gestão; entretanto, para que ela funcione, não é suficiente apenas dizer que uma empresa adota tal ação, mas é necessário criar condições para que ela aconteça. 98 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Chiavenato (2015) alerta que o executivo deve apoiar e assessorar as pessoas forne- cendo retaguarda e suporte para que elas possam assumir antigas responsabilidades que antes eram centralizadas e monopolizadas pelos líderes. Nesse sentido, ele lista uma série de ações que são necessárias para o fortalecimento do empowerment. É o que você poderá observar na tabela disponibilizada a seguir. QUADRO 2 - COMO FORTALECER AS PESSOAS COM O EMPOWERMENT Não economize tempo com as pessoas. Elas valem todo e qualquer investimento. Envolva as pessoas na escolha de suas tarefas e nos métodos para executá-las. Treine, treine e volte a treinar. Faça do treinamento uma atividade constante. Crie um ambiente de cooperação, compartilhamento da informação e do conhecimento. Faça isso também com a definição de objetivos. Encoraje as pessoas a trabalhar com iniciativa própria, a tomar as suas decisões e ajude-as a delinear as possíveis alternativas de soluções. Saia do caminho. Deixe que as pessoas coloquem suas ideia e sugestões em prática. Mantenha altas moral e confiança recíproca, reconhecendo os sucessos e encorajando o desempe- nho excepcional. Proporcione qualidade de vida às pessoas, tornando o ambiente de trabalho gostoso e o trabalho agradável. Como retorno, elas lhe proporcionarão qualidade nos produtos e serviços. Abra as portas e as janelas. Ouça as pessoas, festeje suas opiniões e dê-lhes a força e a autonomia necessárias para fazerem seu próprio trabalho. Simplifique as coisas, reduza estruturas, diminua a distância em relação às pessoas. Redesenhe o papel e as tarefas das pessoas para proporcionar-lhes autodireção e autoavaliação. Elimine as regras burocráticas, os regulamentos internos e as condições humilhantes de trabalho. O sucesso de uma empresa depende cada vez menos de um gênio na ponta de cima e cada vez mais de um pessoal motivado na base. Fonte: CHIAVENATO, 2015, p. 396. 5.1.2 OS DESAFIOS DA GESTÃO DE PESSOAS “Quando uma organização se preocupa de verdade com as pessoas, toda sua filosofia, cultura e orientação refletirá essa crença.” (VANCEVICH) Como já deve ter sido possível observar até aqui, fazer gestão de pessoas é uma ta- refa desafiadora que envolve diversos aspectos que se interagem mutuamente e o tempo inteiro. Portanto, para se prepararem para obter os melhores resultados com 99 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO as pessoas, líderes e organizações precisam estar atentos aos desafios que envolvem essa tarefa. Nesse sentido, os líderes precisam atuar como os precursores das mudanças organi-zacionais, necessárias para acompanhar as crescentes demandas do mercado mo- derno. Eles não devem apenas “adaptarem-se às mudanças, mas, sobretudo, criá-las e promovê-las dentro de suas organizações, se é que pretendem sobreviver em um mundo cada vez mais diferente e mais competitivo, onde a estabilidade e a previsibi- lidade deixaram de existir há muito tempo” (CHIAVENATO, 2008, p.113). Serão mencionados, aqui, alguns desafios relacionados à gestão de pessoas. Não se tem a pretensão de esgotar o tema, mas sim evidenciar determinados itens que po- dem interferir nesse processo. Daremos destaque aos seguintes itens: mapeamento e identificação de talentos, ca- pacitação e desenvolvimento, clima organizacional, engajamento das pessoas dentro das organizações e retenção de talentos. Isso não significa dizer que eles são os úni- cos, mas possuem grande relevância no desafio de gerir pessoas. • Mapear e identificar talentos Qual gestor nunca sonhou em ter uma equipe composta por colaboradores prepara- dos para responderem aos desafios organizacionais, engajados com os propósitos da empresa, que tenham iniciativa e proatividade? O primeiro passo para a realização desse sonho é a efetivação de um excelente pro- cesso de escolha dos membros que farão parte da equipe. Os gestores, juntamente à área de Desenvolvimento Humano – DHO, ou Recursos Humanos, como ainda é chamado em muitas empresas, devem se dedicar a busca- rem dentro da organização e/ou no mercado, pessoas que atendam às necessidades da função, setor e empresa simultaneamente. O tempo gasto no processo seletivo é um verdadeiro investimento para a formação de equipes de alta performance. Todas as etapas de um processo seletivo devem ser atentamente realizadas, desde a definição de um perfil coerente, a divulgação da vaga utilizando os canais apro- priados, a seleção dos currículos, a aplicação de ferramentas para mapeamento do perfil e culminando com uma entrevista bem-feita. Todo o cuidado que cerca esse 100 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO processo é pouco, pois uma seleção equivocada pode ter um custo imensurável para as organizações. Por isso, o melhor momento para se demitir uma pessoa é na sele- ção, quando ela ainda nem foi contratada. • Desenvolver e capacitar os colaboradores Após uma seleção bem-feita, que garantiu uma boa escolha, o gestor deve se preocu- par em integrar o novo membro à equipe e à organização, capacitando e desenvol- vendo-o de acordo com as necessidades e os desafios que irá enfrentar. Por mais que um profissional já venha com a experiência desejada, são necessários ajustes para conhecer e adaptar à cultura organizacional e às particularidades do negócio. Por isso, desenvolver pessoas é de suma importância para o sucesso da em- presa e mais um desafio da gestão de pessoas. Além disso, com as evoluções constantes de tecnologia, mudanças do cenário eco- nômico, alteração de processos e sistemas que exigem dos profissionais uma postura dinâmica que possibilite a adaptação e retorno rápido e, para dar conta de tudo isso, é indispensável que o desenvolvimento e capacitação. Esse desenvolvimento, como já vimos em unidades anteriores, pode ocorrer por meio de treinamentos pontuais, programas mais extensos de desenvolvimento e educação continuada ou utilizando os processos de coaching, mentoring e até de counsoling, quando aplicável. O essen- cial é utilizar a ferramenta certa para a pessoa certa. Profissionais qualificados trazem ganhos de eficiência técnica/operacional nos rela- cionamentos internos e externos e produzem mais e melhor. Atualmente, no universo corporativo, muito tem se falado sobre a autorresponsabi- lização pelo desenvolvimento e pela carreira. É importante que o líder incentive o autodesenvolvimento; entretanto, pode contribuir com feedbacks sobre o trabalho e entregas de cada uma das pessoas de sua equipe. Além disso, a liderança pode e deve dar dicas sobre competências a desenvolver e que aspectos do comportamento devem ser eliminados. As empresas, por sua vez, também têm investido pesado no desenvolvimento das pessoas. Algumas possuem processos mais organizados com as estruturas robustas de universidades corporativas (este será um tema que estudaremos com mais de- talhes na próxima unidade). Isso porque, se elas não conseguirem desenvolver as 101 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO pessoas que nela atuam, podem ter o seu crescimento comprometido e, como con- sequência, perderá vantagens competitivas no mercado. • Clima organizacional O clima organizacional é outro fator que deve ser levado em conta. Zelar por um clima que seja agradável para a coletividade é também um papel fundamental da liderança. Este também não é um dos aspectos mais fáceis da gestão, mas algumas ações sim- ples podem ajudar a melhorar bastante. A saber: valorizar integração e espírito de colaboração entre as pessoas e criar um clima de confiança e respeito. Se você não puder confiar em algum integrante de sua equipe, é melhor não ter essa pessoa com você. Pense nisso! São muitos os fatores que interferem no clima organizacional e abordaremos aqui al- guns deles. McClelland Citado por Daniel Goleman, em seu livro A inteligência emo- cional na formação do líder de sucesso, menciona seis fatores-chave que influenciam o ambiente de trabalho de uma organização: - sua flexibilidade — ou seja, quão livres os funcionários se sentem para inovar sem serem impedidos pela burocracia; - sua sensação de responsabilidade com a organização; - o nível dos padrões que as pessoas adotam; - a sensação de precisão sobre o feedback de desempenho e adequação das recompensas; - a clareza das pessoas sobre missão e valores; - e, finalmente o nível de compromisso com um propósito comum (GOLE- MAN, 2015). O que se pode extrair da citação acima é que as pessoas precisam sentir que fazem parte de algo maior, que contribuem com a missão da empresa com o seu trabalho e, para tanto, têm flexibilidade para aplicar o seu potencial e que a empresa confia em suas entregas. É comum que as empresas de médio a grande porte contratem e apliquem pesquisa de clima organizacional. Entretanto, por ser um investimento relativamente elevado, normalmente esse tipo de pesquisa é aplicado em intervalos mínimos de um a dois 102 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO anos. Em função disso, o líder precisa estar atento às nuances do comportamento das pessoas da sua equipe, fazendo leitura e diagnóstico do ambiente profissional, atuando quando for necessário. • engajar pessoas dentro das organizações Antes de entrar no mérito sobre o que fazer para engajar pessoas dentro das organi- zações, faz-se necessário estabelecer a diferença entre motivação e engajamento. Es- ses são dois termos que comumente são usados como sinônimos, mas que carregam em seu cerne, grandes diferenciações. Quem está inserido no ambiente organizacional, tanto da função de liderado, mas especialmente na de liderança, já ouviu alguém comentar: precisamos motivar as pessoas. É comum que logo após a essa afirmativa surjam ideias, como, por exemplo, contratar um treinamento outdoor (treinamento realizado em lugares abertos com realização de atividades ao ar livre que promovam a participação e integração da equipe), palestrantes motivacionais, implantação de atividades físicas no trabalho ou até o incentivo para a prática de meditação. Sem sombra de dúvidas, essas são prá- ticas que vão trazer qualidade de vida para as pessoas; entretanto, não vão deixá-las mais ou menos motivadas. Podem no máximo, deixá-las mais eufóricas,mas, logo, em seguida, voltam ao status inicial que se encontravam. Por que isso acontece? Muito simples! Porque a motivação é interna, é algo que vem de dentro. Tome, por exemplo, o motivo que leva as pessoas a levantarem cedo da cama, trabalharem pesado ao longo de todo o dia, estudar à noite, dormirem tarde e no dia seguinte repetirem a mesma rotina. Por mais que ação possa ser a mesma, as motivações são bem diferentes. Por isso, a tarefa de motivar outras pessoas é inútil. Podemos sim, criar situações que favoreçam a motivação, mas não teremos garantia que ela acontecerá. Assim sendo, é mais razoável falar em ações que geram engaja- mento das pessoas. Engajar pessoas, ao contrário de motivá-las, abrange a coletividade para que sejam atingidos objetivos comuns a uma equipe e/ou organização e que dependem do es- forço em conjunto. Para tanto, as pessoas alinham os próprios interesses aos objetivos da empresa para buscarem soluções conjugadas com todo o time. Pessoas engaja- das entendem o papel da ação individual no resultado da equipe. Sob esse aspecto, o autor Daniel Pink, na obra Drive: a surpreendente verdade sobre 103 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO o que nos motiva, apresenta os três elementos que são preponderantes para que o engajamento aconteça, a saber: autonomia, domínio e propósito. Vale ressaltar que essa conclusão é resultado de quatro décadas de estudos sobre a motivação humana. Aqui você terá um breve resumo sobre o que significa cada um desses três elementos: • autonomia: é a habilidade ou capacidade de dirigir (drive) as nossas pró- prias vidas. As pessoas possuem essa necessidade de sentirem-se ‘do- nas de si’ e terem a percepção que fazem o melhor por elas mesmas. Talvez você esteja pensando, como que isso pode ser transposto para o am- biente organizacional? E a resposta é: ajudando os profissionais perceberem que são responsáveis pelas próprias atividades, mas que elas impactam de maneira sistêmica, o resultado de toda a organização. Quando isso acontece, eles se responsabilizam mais pelos resultados e, consequentemente, enga- jam-se mais. • Domínio: o domínio pode ser entendido como a busca pela excelência, a vontade de fazer sempre melhor e, com isso, fazer a diferença positiva. No ambiente corporativo, desafiar as pessoas a perseguirem a excelência, desco- brindo talentos antes nem imagináveis, pode ser uma fonte preciosa para en- gajar pessoas. É importante que os gestores acreditem que todas as pessoas possuem talentos e que algumas só precisam ser lapidadas para que possam demonstrar o que estava antes, guardado (aliás, esse é um princípio do coa- ching, lembra-se?). Isso ajuda as pessoas a sentirem-se mais autoconfiantes, realimentando o ciclo virtuoso de buscarem por novos talentos, fortalecendo o processo de autodesenvolvimento. • Propósito: diz respeito a alguma coisa maior, de entender o sentido e significa- do de realizar algo. É deixar de fazer uma atividade, simplesmente fazer, mas alcançando o que está por traz do que se faz. Por isso, é recomendado que um líder, ao solicitar algo a um colaborador da sua equipe, explique o motivo do trabalho que irá realizar, evidenciando o propósito que está por traz daquela solicitação. Quando as pessoas entendem o que fazem e por que fazem, elas se envolvem e dedicam-se mais. Um exemplo clássico do que estamos falando são as pessoas que realizam atividades 104 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO repetitivas que não enxergam valor, que não conhecem o propósito de sua realiza- ção. Elas tendem a realizar sem comprometimento, podendo ter elevadas taxas de erros, culminando em desmotivação, baixa produtividade e em casos mais críticos, até em uma doença ocupacional. Se você é líder ou pretende ser, lembre-se sempre de falar sobre o propósito das demandas que solicitar aos seus liderados. Isso fará toda a diferença! É possível observar na bibliografia de diversos estudiosos da área de gestão de pes- soas que o engajamento é fundamental para o atingimento das metas e objetivos organizacionais. Chiavenato (2015) também traz as suas contribuições para a melho- ra do nível de engajamento organizacional que possibilitará o sucesso do negócio, a saber: • Alinhamento dos colaboradores com a estratégia organizacional. • Satisfação e sucesso pessoal dos colaboradores. • Forte parceria entre executivo e sua equipe de colaboradores. • Engajamento e desempenho dos colaboradores. • Diálogo contínuo e uma linguagem comum para discutir desempenho, carreira e sucesso mútuo: das pessoas e organizações. • Desenvolvimento para beneficiar a empresa e seus colaboradores. De maneira geral, o que se pode observar, como sendo um ponto de intercessão na fala de praticamente todos os que se dedicaram ao estudo do engajamento. É que as pessoas precisam sentir-se parte importante dos processos organizacionais e que a comunicação é fator preponderante, pois ninguém se engaja com aquilo que desconhece. Além disso, é fundamental destacar que os profissionais de uma organização preci- sam perceber o ganho de todos os membros envolvidos, no caso a organização e o próprio profissional. Todos precisam sair ganhando! A percepção que a balança está desequilibrada, principalmente quando ela tende para o lado da organização, pode ser um fator que vai minar o engajamento. Vale ressaltar ainda que “o funcionário satisfeito não é automaticamente mais produ- tivo. Porém, funcionário insatisfeito tende a pedir demissão com mais frequência, a faltar mais vezes e a produzir trabalho de qualidade inferior em comparação ao tra- balhador satisfeito” (VANCEVICH, 2008, p. 12). Portanto, hoje um dos grandes desafios 105 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO é criar condições de trabalho que proporcionem: respeito às individualidades, bem- -estar, orgulho de pertencer a um ambiente que favoreça o trabalho em equipe e vontade de colaborar e servir. As empresas também precisam passar credibilidade em suas ações e demonstrar imparcialidade em suas decisões. Great Place to Work (GPTW) é uma empresa Americana de Consultoria fun- dada em 1994, por Robert Levering, e atualmente possui 59 escritórios espa- lhados por todo o mundo. Essa empresa tem como missão avaliar organizações para ajudá-las a cons- truir uma sociedade melhor, transformando cada organização em um Great Place to Work for all. Anualmente, a GPTW realiza uma pesquisa sobre as melhores empresas para se trabalhar. Aqui no Brasil o resultado dessa pesquisa é divulgado em diversas revistas de negócios e de RH. Estar entre as melhores empresas para se trabalhar é dizer para o mercado e para os profissionais que a organização se importa em gerar um bom am- biente de trabalho e que valoriza as empresas. Chiavenato (2015, p. 397) descreve as cinco dimensões/critérios aos quais as empresas são submetidas. o MeLhor LUgar Para traBaLhar1 O Great Place to Work, capitaneado por Robert Levering, destaca um modelo de cin- co dimensões para localizar e analisar os bons ambientes de trabalho. As melhores empresas para trabalhar utilizam intensamente essas cinco dimensões no seu am- biente interno. 1 Extraído do Livro Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas, de Idalberto Chiavenato (CHIAVENATO, 2015, p.397). 106 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • Credibilidade: esta dimensão está diretamente envolvida com a liderança da organização e inclui aspectos como competênciana direção do negócio, in- tegridade e consistência na condução da visão organizacional, bem como in- tensidade e profundidade da comunicação. Credibilidade significa o grau de confiança e crença que as pessoas depositam na organização ou na equipe. • respeito: aborda o respeito pelas pessoas, reconhecimento pelo trabalho bem-feito, oportunidades de desenvolvimento e envolvimento das pessoas em decisões. Respeito define como as pessoas se sentem confiáveis dentro da organização ou da equipe. • imparcialidade: gestão isenta de partidarismos ou preconceitos em que as decisões são justas claras, objetivas e imparciais. A imparcialidade está intima- mente relacionada com a equidade e a justiça na organização. • orgulho: orgulho de pertencer à organização ou à equipe em que trabalha. O sentimento de orgulho representa provavelmente o maior indicador que uma pessoa está bem no ambiente de trabalho. Quanto maior o orgulho maior comprometimento com os objetivos da organização ou equipe. • Camaradagem: contexto de relacionamento humano dentro da organização da equipe; vontade de colaborar e cooperar, de ajudar os outros. Quanto maior a camaradagem, maior o nível de confiança que um indivíduo deposita nas demais pessoas que trabalham na organização ou na equipe. A revista Exame anualmente realiza uma pesquisa entre as empresas nacionais, que é publicada no seu número As Melhores Empresas para Trabalhar, tendo por base os critérios do Great Place to Work, adaptados para o nosso país. É interessante ver o que elas estão fazendo. • reter talentos Essa não é uma ação isolada, mas o conjunto de várias, algumas mencionadas aqui, como a seleção de pessoas, o treinamento e desenvolvimento, o engajamento e cli- ma organizacional. Não é possível negar também a importância de um bom progra- ma de remuneração que cuide para que as pessoas tenham uma remuneração justa e que seja atraente e competitiva. Contudo, vale destacar que a remuneração isolada, por si só, não é o principal fator de retenção de pessoas, pois cada vez mais as pessoas buscam a satisfação plena de suas necessidades. 107 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO De uma maneira geral, as empresas que se preocupam com a retenção das pessoas devem estar atentas aos seguintes aspectos: • Estabelecer processos de Atração e Seleção (R&S) robustos que garantam a escolha e contratação de um perfil aderente às necessidades do cargo, setor e empresa. • Oferecer planos de remuneração justos e competitivos. Como vimos, a remu- neração não é o único fator preponderante para uma mudança ou permanên- cia em uma empresa, mas pode ser um diferencial. • Apresentar oportunidades de desenvolvimento e crescimento, com incentivo à educação. • Proporcionar perspectivas de carreiras. Nesse sentido, ter uma trilha de car- reiras desenhada com simuladores que avaliam o perfil atual do colaborador, comparando-o com o perfil do cargo desejado e aponta gaps de desenvolvi- mento pode ser um grande diferencial. • Cuidar do clima organizacional, proporcionando um ambiente agradável, fa- vorável ao desempenho do trabalho. É importante dar destaque aqui no indicador usado para medir o nível de retenção nas empresas é o turnover. Esse termo, oriundo do inglês, significa rotatividade. Atra- vés do indicador de turnover é possível mensurar o percentual de movimentação (entradas e saídas) de pessoas nas organizações. A título de curiosidade, o cálculo do turnover é feito considerando o número de des- ligamentos, dividido pelo número de colaboradores multiplicado por 100, para se obter um valor percentual, conforme demonstrado no esquema a seguir. Turnover = Número de demissão Número de funcionários X 100 108 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Com o objetivo de tornar o conceito mais claro, tome, como exemplo, uma empresa que tem 3500 funcionários e que teve 35 desligamentos no mês de março/19, o total do turnover do mês será de 1%. Turnover = 35 3500 X 100 =1% O turnover pode ser classificado em passivo e ativo, sendo que é considerado passivo aquele cuja saída do colaborador se dá por iniciativa da empresa, enquanto que o turnover ativo se dá por ação do próprio colaborador. Um elevado turnover passivo pode indicar problemas no Recrutamento e Seleção (especialmente quando ele ocorre nos seis primeiros meses de empresa) ou no pro- cesso de onboarding, termo usado para designar o processo de adaptação e capaci- tação dos recém-admitidos em uma organização. Já um elevado turnover ativo, pode sinalizar para problemas de clima organizacional e até mesmo relacionamento com a liderança. Os índices de turnover podem também ser influenciados por fatores externos, como, por exemplo, fatores econômicos e políticos. A análise desse indicador deve ser mi- nuciosa e considerar todos os fatores que podem estar contribuindo para elevar os números para que as causas sejam atacadas na raiz, visto que uma alta rotatividade gera perda do capital intelectual e desacelera o crescimento das organizações. Além das pesquisas de clima, uma ferramenta que pode ajudar na identificação da causa da rotatividade são as entrevistas de desligamento. Essa ferramenta, se bem utilizada, pode elucidar questões importantes para o estudo das causas que levam as pessoas a quererem sair da empresa. O acompanhamento dos indicadores de gestão de pessoas, aqui representados pelo 109 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO turnover, é de grande relevância para que ações de correção e melhoria sejam im- plantadas, visando sempre atrair e reter as melhores pessoas que contribuam com os resultados organizacionais. CONCLUSÃO As constantes mudanças vivenciadas nos últimos anos, especialmente nas três últi- mas décadas, que influenciaram o estilo de vida, os valores das pessoas e a econo- mia mundial, entre outras coisas, também influenciam a forma de fazer gestão de pessoas. Essa atividade vem passando por inúmeras mudanças para se adequar às crescentes exigências. As pessoas são o diferencial competitivo da organização, por isso todos os processos que envolvem gestão de pessoas devem ser cuidadosamente verificados, desde a atração e seleção, o processo de onboarding (adaptação à nova organização que in- clui os treinamentos iniciais), capacitação e desenvolvimento, remuneração, carreira e clima organizacional. A gestão de pessoas sai da responsabilidade exclusiva dos Recursos Humanos, como ainda é chamado por muitas empresas, para ser uma responsabilidade comparti- lhada com as lideranças, que deixam de ser simples demandantes para serem ato- res protagonistas desse processo, daí a importância de se desenvolvê-las para essa missão. Até breve! 110 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Recordar os principais conceitos trabalhados, assim como reproduzi-los em uma situação diferente da original. > Empregar os conhecimentos adquiridos ao ambiente organizacional. > Definir competências, assim como o que são competências técnica e comportamental. > Debater sobre gestão por competências. > Aplicar os processos de gestão por competências. > Analisar os principais passos para a implantação de gestão por competências. > Discutir sobre os processos de desenvolvimento de competências e suas nuances. UNIDADE 6 111 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO 6 GERENCIAMENTODE RECURSOS HUMANOS COM POSTURA COMPARTILHADA E POR RESULTADOS Esta unidade tem como proposta trabalhar o tema gerenciamento de recursos hu- manos com postura compartilhada e por resultados. O destaque dado à palavra “compartilhada” é, principalmente, em função da evolução da forma de fazer a ges- tão de pessoas, que antes era um atributo apenas da área de recursos humanos (RH) – como ainda é chamada em muitas empresas ainda hoje –, para ser uma respon- sabilidade compartilhada também com os gestores. O RH sai da cena principal e começa a atuar como coadjuvante desse processo, apoiando as lideranças para que elas agreguem essa atividade com o primor que ela demanda. A identificação das competências organizacionais, assim como a gestão por compe- tências e todos os aspectos que a envolvem, será abordada como fator crítico para a obtenção dos resultados desejados. A ênfase que será dada aqui ao tema competências ultrapassa as competências téc- nicas requeridas para o bom desempenho das funções, bem como competências comportamentais que, como será demonstrado aqui, têm o papel de impulsionar o desempenho. Enfim, pretende-se mostrar a importância do tema para o alcance dos resultados or- ganizacionais tão desejados não só pelos acionistas das organizações, mas por todas as partes interessadas, principalmente os próprios colaboradores. INTRODUÇÃO Falar sobre gestão compartilhada nas empresas é algo que, talvez, há algum tempo fosse realmente inconcebível. 112 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O Recurso Humano (RH) reinava imperioso, absoluto, e era o representante maior dos acionistas, aquele que mandava prender e também soltar, quase um guardião dos interesses da empresa, e somente dela. As pessoas não tinham muita vez nem voz. A liderança, por sua parte, cuidava quase que exclusivamente da gestão de processos, e quando o problema envolvia pessoas, mandava para o RH resolver. Diziam: “passe no RH e veja” ou “vá para o RH agora!” Que bom que o mundo mudou e, junto com ele, a forma de fazer gestão de pessoas. Hoje a gestão compartilhada é utilizada na maioria esmagadora das empresas, pro- movendo maior sinergia, sem falar de um processo mais profissionalizado e embasa- do nas melhores práticas de gestão. RH e liderança mudaram de fase e se desenvolveram e continuam desenvolvendo para enfrentarem os desafios do dia a dia, que não param de crescer. Cuidar do “ativo” mais precioso das empresas, que são as pessoas, é o ponto de con- vergência de RH e lideranças que tem uma única missão: gerar os melhores resulta- dos para todas as partes interessadas. Lideranças e RH não podem ser mais vistos como lados opostos que “brigam” por objetivos diferentes, mas, sim, como um time que se complementa para uma melhor performance organizacional. Esse é o propósito! 6.1 UMA NOVA GESTÃO DE PESSOAS: A COMPARTILHADA Há muito tempo a gestão de pessoa deixou de ser uma responsabilidade única e exclusiva da área de recursos humanos, para ser compartilhada com a liderança. Ela é sim “uma função de staff e de assessoria da área de RH” (CHIAVENATO, 2015, p. 9). Os gestores, que antes tinham a função exclusiva de realizar atividades específicas de gestão, como o planejamento, a organização e o controle de suas áreas, agora tam- bém lideram pessoas. Isso porque perceberam que: De nada adianta tentar melhorar a realização das tarefas utilizando novas tec- 113 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO nologias, equipamentos, métodos e processos se não se melhorar a gestão das pessoas e sobretudo, investir pesadamente nelas (CHIAVENATO, 2015, p. 9). Assim como o gestor operacional é pessoalmente responsável se uma máqui- na quebra e a produção cai, é responsável pelo treinamento, pelo desempe- nho e pela satisfação dos funcionários (VANCEVICH, 2008, p. 14). Essa nova forma de gerir pessoas também muda sobremaneira o papel do RH. Este agora assume uma posição de facilitador, de parceiro das lideranças e dos colabora- dores, do negócio e dos acionistas. Suas ações precisam estar alinhadas com os in- teresses desses stakeholders. Uma ação ou programa jamais deve ser implantado só porque o mercado está implantando ou porque é “modinha” entre as empresas na- cionais, ou pior, de outros países. Tudo que for pensado e adotado deve contemplar os interesses de um ou mais dos personagens envolvidos na trama organizacional, de preferência que sejam ações que possibilitem atender aos interesses comuns. Como parceiro estratégico da liderança, talvez uma das funções mais importantes do RH, sem o desmerecimento das demais, é o desenvolvimento das lideranças, pois é a partir daí que todas as demais ações de gestão se desdobrarão. Dessa forma, faz-se necessário mapear as competências de liderança e traçar planos coletivos e indivi- duais para desenvolvê-las. Na sequência, lideranças e RH precisam se preocupar com o desenvolvimento do time, das pessoas que farão as atividades acontecerem, a empresa funcionar e que, efetivamente, trazem resultados. Também se faz necessário mapear as competências que são vitais para o negócio, para posteriormente identificar os gaps que cada inte- grante precisa desenvolver para realizar as entregas necessárias. Criar e aplicar métodos justos e transparentes de avaliação e remuneração é vital para a contribuição de um clima interno favorável para a motivação e engajamento. As pessoas precisam perceber a imparcialidade nesses processos, que devem des- tacar mais o mérito do que as preferências individuais. Os feedbacks precisam ser pontuais, baseados em fatos e dados e sobre aspectos que sejam possíveis as ações de melhoria. Como tudo isso acontece ao mesmo tempo, junto e misturado, a liderança precisa de uma assessoria constante de profissionais que se dedicam ao estudo das melhores técnicas para atrair e selecionar pessoas, ao desenho das melhores práticas de edu- cação corporativa, de remuneração, gestão do clima e mudanças. Atualmente, todos 114 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO esses papéis são representados pela figura de um business partner, termo em inglês que significa “parceiro do negócio”. Um Business Partner, ou simplesmente BP, ao mesmo tempo em que se aproxima das áreas buscando uma compreensão mais profunda das especificidades do negó- cio para apresentar soluções customizadas, também faz uma ponte entre a gestão e as demais áreas do RH. Essa é uma função relativamente nova nas organizações, ela surgiu na década de 1980 por meio de estudos realizados pelo especialista em desenvolvimento de pes- soas David Ulrich. O propósito do BP é ajudar a empresa a garantir um melhor ali- nhamento entre os objetivos estratégicos e as práticas de RH, evitando conflitos de interesses. O business partner, por estar muito próximo das lideranças, em diversos momentos atua, mesmo que informalmente, como coaching e mentoring de seus clientes inter- nos. Assim sendo, esse é um profissional que precisa ter um conhecimento amplo so- bre diversos temas da gestão, liderança, negócios e mercado. Precisa ter uma mente aberta para o aprendizado e trabalhar constantemente o autodesenvolvimento, para que possa realizar um trabalho de excelência. Para fechar essa primeira parte da unidade, não se pode deixar de reforçar sobre a importância da evolução da gestão das pessoas, visto que, sem elas, o melhor equipa- mento ou a melhor tecnologia não funcionam. São as pessoas que dão vida a qual- quer organização, portanto cuidar delas é vital. Além disso, “uma empresa somente se moderniza quando a gestão das pessoas que nela trabalham, moderniza antes”(CHIAVENATO, 2015, p. 11). 6.2 GESTÃO POR COMPETÊNCIAS 6.2.1 O QUE É COMPETÊNCIA Para ter uma gestão alinhada com os objetivos estratégicos, é necessário fazer o ma- peamento das competências organizacionais, dos cargos/funções e das pessoas. Mas, antes de se enveredar por esse caminho, é necessário responder a uma pergunta 115 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO preliminar: o que é competência? Muitos estudiosos da área de gestão já se debruçaram sobre a definição desse con- ceito. Veja alguns deles citados por Rogério Leme: - Claudia Domingos: “É um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que afetam a maior parte do trabalho de uma pessoa e que se relacionam com seu de- sempenho no trabalho” (LEME, 2005, p.17). - Scott B. Parry: “Um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes correla- cionadas, que afeta parte considerável da atividade de alguém, que se relaciona com seu desempenho...” (LEME, 2005, p. 17). - Fleury: “Competência é um saber agir responsável e reconhecido, que implica mo- bilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo” (LEME, 2005, p. 17). Apesar de algumas pequenas diferenciações de linha de estudo, existe um consenso que competência é conhecimento, habilidade e atitude, o famoso CHA. O conheci- mento representa o saber teórico, a habilidade, o saber fazer, e a atitude, a vontade de querer fazer. O conhecimento é o primeiro passo para se adquirir competência em algo. Ele é a base em que tudo começa e pode ser adquirido em diversas fontes, a saber, livros, revistas, vídeos educativos, educação formal, em processos de coaching e mentoring, em treinamentos técnicos e comportamentais, entre outras. A habilidade, por sua vez, só é desenvolvida com a prática. Para desenvolvê-la, é ne- cessário de um mínimo de técnica, ou seja, conhecimento. Para ficar mais fácil a visualização, tome, por exemplo, uma pessoa que está aprendendo a dirigir. Em um primeiro momento, ela precisa conhecer sobre o funcionamento do veículo, sobre as regras de mecânica e física, evoluindo para normas de circulação. Entretanto, co- nhecer tudo isso não é suficiente para que ela pegue um carro e saia circulando pelas vias, aliás, isso seria um grande risco! Antes é necessário que ela pratique o que aprendeu dirigindo veículos com a presença de um instrutor que a orientará e acom- panhará o progresso. Continuando com esse exemplo, quando uma pessoa começa a praticar algo novo, ela precisará pensar muito no que está fazendo e quais são os próximos passos. Ou 116 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO seja, esse é um saber consciente, ela sabe que sabe, mas ainda não tem o automatis- mo de um veterano. Um aprendiz de motorista pensa e calcula todos as suas ações, a hora de pisar no freio, na embreagem, no acelerador, quando deve trocar a marcha e é muito comum que alguns passos sejam invertidos, provocando os famosos erros de iniciante. Mesmo com os erros, é importante persistir para ganhar prática e experiência. Ainda utilizando o exemplo de aprender a dirigir, chega um momento depois de tanto pra- ticar, que a pessoa nem pensa mais sobre o que está fazendo, simplesmente faz, e, às vezes, concomitantemente com outras atividades: conversa, lê outdoor, ajeita a crian- ça no banco de traz, passa batom, briga com o parceiro, entre outras coisas. Quando isso acontece, ela desenvolveu a habilidade e seu saber passa ser inconsciente, ela nem sabe que sabe, mas quando é necessário acionar o conhecimento, ele está ali, pronto para ser usado. Bom, já se falou sobre dois aspectos da competência e agora falta o terceiro, a atitu- de. Essa está ligada à ação e, principalmente, à vontade de fazer, o querer colocar em prática aquilo que se aprendeu. De nada adianta conhecer o funcionamento do veí- culo, regras de mecânica e circulação, ligar e colocar o carro para andar, se você não vai até a garagem e tem a atitude de sair dirigindo. Pode parecer uma frase clichê, mas todo conhecimento, toda habilidade só faz sentido se for colocada em prática. A atitude é tão importante e muitas vezes é o que falta nos profissionais dentro das organizações. É comum se observar profissionais que sabem fazer, possuem a habili- dade e desenvoltura, mas que não querem fazer, falta-lhes atitude! Esse tema é tão interessante que inspirou Maurício de Paula a escrever um livro que ele intitulou de “O A do chá”, em que A remete à atitude. Se você tiver interesse de conhecer mais sobre a importância da atitude no desempenho profissional das pessoas, leia o livro “O A do chá”, de Maurício de Paula. 117 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Chiavenato (2015), além de considerar o Conhecimento, Habilidade e Atitude (CHA), ainda acrescenta um novo item ao conceito de competência, o julgamento. O esquema a seguir representa muito bem a definição do autor sobre competências: FIGURA 18 - COMPETÊNCIAS INDIVIDUAIS DURÁVEIS Conhecimento Saber know-how Aplicar o conhecimento Visão global e sistêmica Resolver problemas Saber fazer bem equipe Proporcionar Soluções Avaliar a situação Obter dados e informações Ter espírito crítico Julgar os fatos Ponderar com equilíbrio Definir prioridades Tomar decisões Atitude empreendedora Criatividade e inovação Agente de mudança Iniciativa e riscos Foco em resultados Autorresponsabilização Aprender a aprender Aprender continuamente Ampliar conhecimento Transmitir conhecimento Compartilhar conhecimento Saber fazer Saber analisar Saber fazer acontecer Perspectiva Julgamento Atitude Fonte: CHIAVENATO, 2015, p.10 Portanto, de acordo com esse conceito, pode-se concluir que uma pessoa competen- te é aquela que consegue conjugar os seus conhecimentos com as habilidades, sabe fazer os melhores julgamentos e apresenta atitudes arrojadas. Uma pessoa compe- tente demonstra qualidades, que, por sua vez, são percebidas por terceiros. Pois “não adianta ter competências, é necessário que as outras pessoas reconheçam sua exis- tência a partir de seus resultados” (CHIAVENATO, 2015, p. 11). 118 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 6.2.2 COMPETÊNCIAS TÉCNICAS E COMPORTAMENTAIS As competências são comumente divididas em competências técnicas e compor- tamentais. As competências técnicas estão relacionadas ao saber e saber fazer (co- nhecimento e habilidade), já as competências comportamentais dizem respeito ao querer fazer (atitude), conforme demonstrou Leme no esquema a seguir: FIGURA 19 - DESDOBRAMENTO DO CHA Conhecimento Saber Competência Técnica Habilidade Saber fazer Competência ComportamentalAtitude Querer fazer Fonte: LEME, 2005 p.18 Para tornar mais clara essa definição, novamente veja exemplos. Considere um ana- lista de sistemas ou qualquer outro profissional, que estudou em uma das melhores faculdades do país. Durante a faculdade, suas notas foram excelentes e, ao final do curso, recebeu o título de destaque acadêmico. Ou seja, ele construiu conhecimento. Ao sair da faculdade com o seu currículo acadêmico invejável, não foi difícil conseguir uma excelente colocação no mercado. Entretanto, para a surpresa do gestor que o contratou, apesar da carga de conhecimento e a habilidade com a qual manuseia os sistemas, suas atitudes não são as melhores: ele não cumpre os horários, falta sem avisar, some no meio do horário de trabalho, atrasa com as suas entregas e não se compromete muito com quase nada. Esse é um exemplo claro deque o conhecimento e habilidades sozinhos não são suficientes para a entrega dos resultados. “O CH sem o A não é competência” (LEME, 2005, p. 19). Por isso, um bom sistema de avaliação de competências deve considerar tanto os conhecimentos e habilidades, sem abrir mão da atitude. A atitude é fundamental para a entrega de resultados. Entretanto, muitos profissionais ainda não percebe- ram isso, investem “rios de dinheiro” para estudarem em excelentes escolas, fazem intercâmbios para aprenderem outros idiomas, investem tempo para estudarem as 119 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO tecnologias de ponta da sua área de atuação, mas jogam tudo no lixo quando não cuidam do seu comportamento. É muito comum as pessoas serem contratadas pelo seu conhecimento e serem de- mitidas pelas suas atitudes. O mais complexo de entender é como profissionais com grande capacidade cognitiva e intelectual tenham tanta dificuldade para perceber isso. Às vezes, a pessoa é demitida várias vezes pelo mesmo motivo, mas só a muito custo percebe que precisa mudar o seu comportamento para ser um profissional completo. Sendo assim, a grande dica é que você invista muito em aprender continuamente, em praticar com afinco o que aprendeu, para desenvolver habilidade, mas sem abrir mão de um comportamento ilibado, exemplar, que agregue valor ao conhecimento que você dedicou tanto para adquirir. Do contrário, você entrará na lista das pessoas que rasgam dinheiro, sem se darem conta disso. Isso é muito triste de se ver! 6.2.3 GESTÃO DE COMPETÊNCIAS A gestão de competências pode ser entendida como um programa de gestão que tem como objetivo definir quais são as competências organizacionais, a forma de mapeá-las, assim como serão descritas, mensuradas e avaliadas para posterior desdo- bramento em outras ações, como plano de desenvolvimento, remuneração e trilhas de carreira. Chiavenato assim define a gestão por competências: Um programa sistematizado e desenvolvido no sentido de definir os proces- sos perfis profissionais que proporcionem maior produtividade e adequação ao negócio, identificando os pontos de excelência e os pontos de carência, suprindo lacunas e agregando conhecimento e habilidades, tendo por base certos critérios objetivamente mensuráveis. (CHIAVENATO, 2015, p.12) Um programa de gestão de competências deve contemplar alguns aspectos impor- tantes, a saber: identificação das competências essenciais ao negócio, a elaboração de um “dicionário de competências” (para que fique claro para todos o que signi- fica cada uma delas, evitando interpretações equivocadas), como essas competên- cias serão desdobradas nos diversos níveis da organização, quais serão os comporta- mentos observáveis que demonstram a aderência dos profissionais às competências 120 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO mapeadas, assim como serão as métricas, a forma de avaliação e o desdobramento das ações em planos de desenvolvimento. Fazer a gestão por competências envolve todos os subsistemas de RH, desde o ma- peamento das competências, a atração e seleção de pessoas, a avaliação e capacita- ção. É o que descreve o esquema a seguir: FIGURA 20 - GESTÃO POR COMPETÊNCIAS Mapeamento das competências Remuneração por competências Avaliação por competências Treinamento e Desenvolvimento por Competências Descrição das Competências Atração e Seleção por Competências Fonte: Adaptado pela autora do esquema de Roberto Madruga, 2018 Rogério Leme (2005), em seu livro “Aplicação prática de gestão de pessoas por com- petências”, sugere algumas etapas que devem ser contempladas na implantação da gestão por competências, conforme está relacionado a seguir. • Sensibilização: comunicar de maneira assertiva sobre o que vem a ser esse processo, como acontecerá e como será o envolvimento das pessoas. • Caso essa etapa seja ignorada ou malfeita, poderá comprometer todas as ou- tras que se seguem. • Definir as competências organizacionais: essas competências normalmente são definidas a partir da missão, visão, valores e estratégias da empresa. As competências organizacionais, de certa forma, são a tradução da estratégia da empresa. • Definir as competências de cada função: a partir da definição das compe- tências organizacionais, o próximo passo é analisar como serão desdobradas de acordo com o desafio de cada cargo ou função. 121 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO • Identificar as competências dos colaboradores: após o mapeamento, a empresa precisa definir como avaliará os seus colaboradores. Precisa forma- tar uma avaliação que seja aplicável a todos os níveis da organização, respei- tando, é claro, a complexidade de cada função. Para a implementação dessa avaliação, é necessária uma grande conscientização das lideranças e suas res- pectivas equipes. Tanto o líder precisa estar preparado para avaliar quanto os colaboradores para serem avaliados e receberem feedbacks. As pessoas precisam entender o processo como algo que agregará para o seu próprio desenvolvimento. O intervalo indicado pelos especialistas entre uma avaliação e outra é anual. Esse intervalo de tempo permite a implementação das ações de desenvolvimento e a ob- servação da evolução dos comportamentos e resultados. • Desenvolver os colaboradores: após o processo de avaliação, devem ser ge- rados planos de desenvolvimento, que podem contemplar ações individuais ou coletivas. Essas ações de desenvolvimento podem ser compostas de ati- vidades diversas que envolvem a participação da liderança, colaboradores e empresa. É um processo de corresponsabilização. Apesar da responsabilidade do desenvolvimento profissional ser sempre individual, ela é potencializada quando conta com o apoio da liderança e da empresa. • Acompanhar a evolução/gestão por competência: o acompanhamento dos resultados é de fundamental importância para a consolidação do modelo. Nesse processo, a área de RH pode gerar relatórios das ações implementadas, munindo as lideranças de informação para acompanhar e contribuir com o desenvolvimento dos profissionais de suas respectivas equipes, potencializan- do o desempenho dos mesmos. As duas últimas etapas devem se repetir anualmente e as demais, apenas quando houver mudanças significativas na atuação da empresa, que impliquem em revisão da missão, visão, valores e/ou estratégias organizacionais. 122 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O livro “Aplicação prática de gestão de pessoas por competências”, de Rogé- rio Leme, é uma excelente sugestão para quem tem interesse de aprofundar ainda mais os conhecimentos sobre o tema. Chiavenato (2015) também descreve as etapas de um programa de gestão por com- petências. Essa descrição, assim como o desdobramento das respectivas ações, está representada no esquema a seguir: FIGURA 21 - GESTÃO POR COMPETÊNCIAS Fonte: CHIAVENATO, 2015, p.13 123 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO Vale ressaltar que todo o processo deve ocorrer com grande transparência e as pes- soas precisam perceber sentido no programa. Programas de gestão por competên- cias que não desdobrem em ações de desenvolvimento, remuneração e carreira, por exemplo, podem perder a credibilidade e servir para atender ao famoso ditado po- pular “para inglês ver”. Ainda é importante mencionar que implementar um programa assim requer um grande investimento de tempo, dinheiro e energia, portantoos idealizadores, cura- dores e executores precisam elaborar muito bem os seus objetivos e persegui-los incessantemente. Do contrário, será mais um programa que perderá a credibilidade e será fonte de desperdício de recursos. Infelizmente, ainda existem empresas que implementam programas assim apenas para cumprir o protocolo para atender a requisitos de certificações da qualidade, não existindo no cerne dos objetivos o desenvolvimento e crescimento das pessoas e, por consequência, o da organização. O resultado nem precisa ser mencionado, não é verdade? 6.2.4 DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS POR COMPETÊNCIAS Não é novidade para os brasileiros as deficiências de educação formal do Brasil, prin- cipalmente a oferecida pelas escolas públicas e disponibilizada de maneira gratuita para a população. A consequência desse fato reflete nas organizações que contratam esse público para fazer parte do seu quadro funcional. É muito comum se encontrar profissionais com formação superior, mas que apresentam erros grosseiros na escrita, na fala do próprio idioma, fora a dificuldade de interpretação de textos. Para aumentar ainda mais os gaps entre as competências desejadas e as requeridas, somam-se as constantes mudanças e as inovações tecnológicas, as mudanças de legislações e as atualizações nas diversas áreas do conhecimento, o que exige uma aprendizagem contínua. Em muitas situações, as empresas, para preencherem vagas, precisam abrir mão de requisitos considerados como básicos para a posição, por não encontrarem profissio- nais habilitados para suprir as necessidades. 124 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Com a admissão desses profissionais, vem o desafio de desenvolver e aperfeiçoar as competências necessárias para que o profissional realize as entregas imprescindíveis para a posição. Para satisfazer a carência educacional e de conhecimento é que entra em cena nas organizações a área de treinamento e desenvolvimento, que, em muitas empresas, já está evoluindo para o conceito de educação corporativa, cuja missão é aperfeiçoar e desenvolver competências de acordo com as estratégias organizacionais. Marisa Eboli, pioneira em educação corporativa no Brasil, reforça essa necessidade: O papel dos centros de capacitação nas empresas e organizações e o processo de aprendizagem em situação de tralho precisam lidar com o fato d que os adultos chegam ao mercado sem qualificações adequadas para atuar num meio em que a comunicação escrita e a capacidade de abstração são pré-re- quisitos. Assim as unidades de educação corporativa têm de, muitas vezes, completar a formação escolar básica. Sem pilares sólidos não há educação continuada sustentável (EBOLI, 2004, p.18). Empresas que adotam o modelo de educação corporativa possuem uma grande visão de futuro, pois estão focadas em conceber e implantar sistemas eficazes de desenvolvimento das pessoas baseados no que há de mais moderno em sistemas educacionais (EBOLI, 2004). É importante ressaltar que a área de educação corporativa fortalece o processo de gestão por competência, pois possibilita a articulação entre a gestão de competên- cias e gestão do conhecimento, ajudando na construção e desenvolvimento de com- petências críticas que contribuirão para a diferenciação estratégica da organização. É o que demonstra a figura a seguir: 125 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO FIGURA 22 - EDUCAÇÃO CORPORATIVA: ARTICULANDO OS CONCEITOS DE COMPETÊNCIAS, GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM Fonte: EBOLI, 2004, p.53 Na prática, quando uma empresa trabalha de forma integrada com a gestão de com- petências, todas as ações de educação, desde uma intervenção simples e pontual, até um programa de educação continuada ou o desenvolvimento de times técnicos e de liderança, terão como base as competências que precisam ser aprimoradas ou desenvolvidas. Cada ação precisa estar correlacionada a uma ou mais competências que serão trabalhadas. A área de educação corporativa atualmente conta com soluções educacionais que facilitam muito o aprendizado e o desenvolvimento de competências. A gamificação e o design thinking são alguns exemplos. A primeira trabalha com a aplicação de games nas intervenções educacionais e a segunda traz aplicações do design para os processos de aprendizagem. 126 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Além dessas, a tecnologia é outra grande aliada, principalmente com o advento das plataformas digitais, as famosas Learning Management System (LMS), que disponibi- lizam diversos recursos, síncronos (apresentados em tempo real) e assíncronos (arqui- vos de áudio, vídeo ou texto que são disponibilizados e usados de acordo com a dis- ponibilidade de tempo da pessoa em desenvolvimento), que dão base ao processo de aprendizagem, possibilitando o seu planejamento, implantação e avaliação. Com a utilização dessas plataformas, os programas de desenvolvimento podem ocor- rer na modalidade blended, mesclando intervenções presenciais e a distância. A Educação a Distância (EAD) é relativamente nova no Brasil e ainda é vítima de pre- conceitos por parte daqueles que preferem a antiga relação entre professor e aluno, na qual o professor é o agente principal do processo de aprendizagem. No sistema EAD, os papéis se invertem, o aluno passa ser o protagonista, portanto aqui aplica-se, e muito, a máxima de que não é o professor que ensina, mas o aluno que aprende. Apesar desse preconceito, é a modalidade que mais cresce no Brasil e tem sido a solução para muitas pessoas que não têm condições de frequentar aulas presenciais. Também têm sido amplamente utilizada pelas empresas, principalmente as que possuem uma larga dispersão geográfica. Além disso, apesar do investimento inicial para as empresas, ao longo do tempo a educação a distância torna-se mais acessível que a presencial. Pode-se concluir que investir em soluções educacionais traz grandes mudanças para as empresas, tanto no ambiente interno quanto no externo, pois criam e realçam as vantagens competitivas de forma duradoura e essas vantagens são percebidas pelo mercado. “Educar colaboradores de forma estruturada e profissional é uma das estra- tégias empresariais de retorno mais rápido” (MADRUGA, 2018, p. 511). 6.2.5 REMUNERAÇÃO POR COMPETÊNCIAS A remuneração por competências ou por performance é uma estratégia relativamen- te nova dentro dos subsistemas de recursos humanos. Assim como o desenvolvimento de pessoas e a atração e seleção, a remuneração por competências tem como fundamento as competências. Nesse processo, ela leva em 127 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO consideração a quantidade e a complexidade de competências para a pontuação do cargo e a definição do grade salarial. Ou seja, cargos com uma complexidade maior de competências terão uma pontuação maior e, portanto, uma remuneração tam- bém maior. Tome como exemplo um cargo que exija competências de liderança, domínio téc- nico de uma determinada área, fluência em inglês e espanhol. Esse cargo terá uma remuneração maior que um cargo que só exija competências técnicas. CONCLUSÃO Como foi possível notar ao longo desta unidade, realizar um processo como esse re- quer muito trabalho, sinergia e integração entre os subsistemas de recursos humanos e as lideranças. Entretanto, é uma ação que vale a pena, uma vez que demonstra uni- cidade da gestão, coerência e desenvolve as pessoas de acordo com as necessidades da empresa e contribui para a competitividade organizacional. Semsombra de dúvidas, essa atividade requer um aprofundamento de estudo teó- rico sobre competências e gestão por competências, além de um grande conheci- mento da própria organização, o que demanda a participação de profissionais mais seniores e/ou o apoio de consultorias especializadas, para conduzir um processo ro- busto. Com isso, todo o conjunto de ações que serão implementadas terão mais cre- dibilidade e se diminui significativamente a possibilidade de erro e retrabalhos. Como já mencionado, a área de recursos humanos, no novo modelo de gestão, assu- me o papel de assessoria para que as lideranças possam exercer de fato a gestão de pessoas. As duas frentes realizam trabalhos conjuntamente para que todas as ações convertam no atendimento às estratégias organizacionais, aumentando, assim, as possibilidades de obter os resultados positivos. Pode-se concluir, com o que foi dito em todas as unidades desta disciplina, que in- vestir em pessoas é um dos melhores investimentos, se não o melhor, que as orga- nizações podem fazer. Cuidar das pessoas que cuidarão de tudo que existe dentro de uma empresa, daquelas que fabricam os produtos ou realizam os serviços im- prescindíveis para a satisfação do cliente. Quando as pessoas se sentem cuidadas, 128 CoaChing e Mentoring FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO respeitadas e percebem perspectivas de desenvolvimento e carreira, elas também cuidarão daquilo que é de interesse das organizações. É uma via de mão dupla e um processo de ganha-ganha. As pessoas “podem ser a solução e não o problema, podem ser a oportunidade e não a dificuldade, a alavanca e não o obstáculo, podem ser a vantagem competitiva da empresa” (CHIAVENATO, 2008, p. 322). Para tanto, é necessário saber como fazer com que o seu potencial emerja em sua capacidade máxima. Em função disso, é impres- cindível muita preparação, cuidado e, sobretudo, uma grande sensibilidade para lidar com gente. Pense nisso e até breve! 129 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CoaChing e Mentoring SUMÁRIO REFERÊNCIAS LAGES, Andrea; O’Connor, Joseph. Coaching com PNL: O melhor Guia Prático para alcançar o melhor resultado em você e em outros. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualimark Editora, 2013. WOLK, Leonardo. Coaching: a arte de soprar brasas. Rio de Janeiro: Qualimark Editora, 2016. CHIAVENATO, Idalberto. Coaching e Mentoring: Construção de Talentos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. CHIAVENATO, Idalberto. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. São Paulo: Editora Manole, 2008. MARQUES, José Roberto. Leader Coach: Coaching como Filosofia de Liderança. 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