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<p>DESENVOLVIMENTO</p><p>GERENCIAL E</p><p>LIDERANÇA</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Descrever a teoria de liderança transformacional.</p><p>> Definir a teoria de liderança transacional.</p><p>> Relacionar teorias contemporâneas de liderança com os desafios para a</p><p>atuação do líder em relações públicas.</p><p>Introdução</p><p>Nas relações humanas, a figura do líder exerce um papel importante para coor-</p><p>denar e inspirar os seus subordinados no desenvolvimento de um determinado</p><p>objetivo, seja qual for o contexto. Contudo, à medida que a sociedade tem se</p><p>tornado mais complexa, esse papel tem sido exercido de forma muito intensa nas</p><p>organizações para conseguirem lidar com a infinidade de informações existentes</p><p>e com a multiplicidade de perfis dos seus funcionários.</p><p>Neste aspecto, surgiram as teorias transacional e transformacional como</p><p>modelos de aplicação da liderança nas organizações atuais. A primeira refere-se</p><p>a um estilo de liderança baseada nas relações de troca, em que, ao cumprir o seu</p><p>dever, um funcionário pode ser beneficiado ou penalizado diante dos resultados</p><p>apresentados. Já a segunda estimula a criação de um significado comum entre a</p><p>equipe para que todos trabalhem em prol de um mesmo objetivo, sendo o líder</p><p>uma figura de inspiração e exemplo para os demais.</p><p>Teorias</p><p>contemporâneas</p><p>de liderança</p><p>Jessica de Cássia Rossi</p><p>É neste contexto que está a atuação da função de relações públicas para</p><p>gestores e subordinados no processo de liderança, que nem sempre é algo fácil,</p><p>mas sim marcado por desafios do contexto contemporâneo.</p><p>Neste capítulo, você vai conhecer as reflexões sobre a teoria transformacional</p><p>de liderança e o estilo de liderança transacional. Além disso, vai entender os</p><p>desafios que o profissional de relações públicas precisa enfrentar nos processos</p><p>de liderança.</p><p>Teoria de liderança transformacional</p><p>Diante de um cenário cada vez mais competitivo e instável no mercado cor-</p><p>porativo, o papel do líder se transformou significativamente. Ele passou a</p><p>ser concebido como alguém que se preocupa com as expectativas de seus</p><p>funcionários, rompendo uma série de barreiras de uma figura autoritária</p><p>para demonstrar uma postura mais humana e inspiradora para a sua equipe.</p><p>As teorias contemporâneas de liderança apresentam um sujeito mais</p><p>flexível, apto a lidar com as incertezas e gerenciar crises e conflitos (KOTTER,</p><p>2000). Desse modo, o líder contemporâneo conhece melhor sua equipe e</p><p>suas aptidões e se torna mais próximo dela — ou seja, não é mais visto como</p><p>alguém intocável —, além de mostrar-se como um sujeito com limitações que</p><p>as reconhece e busca superá-las, inspirando as pessoas ao redor e ajudando</p><p>a construir a credibilidade da organização.</p><p>Nesse sentido, o foco da liderança contemporânea passou a ser a relação</p><p>entre líderes e liderados, e alguns dos principais modelos são a transacional</p><p>e a transformacional. Essas abordagens substituíram estilos de liderança</p><p>anteriores, como a comportamental, que se baseava na postura do líder e</p><p>não em suas características, e a situacional, orientada para as pessoas ou</p><p>tarefas que focavam no desempenho da equipe e no alcance de metas (FARIA;</p><p>MENEGHETTI, 2011).</p><p>As teorias contemporâneas abordam como os líderes podem ajudar as</p><p>organizações a lidarem com empregados cada vez mais exigentes em relação</p><p>às empresas em que trabalham. Eles ajudam a captar essas demandas junta-</p><p>mente com as instituições e a mediar o relacionamento com seus empregados,</p><p>tornando-se, inclusive, um diferencial competitivo para a empresa em sua</p><p>área de atuação.</p><p>O líder tem o papel de conduzir sua equipe rumo aos objetivos corporativos,</p><p>levando em conta a personalidade e os interesses dos seus liderados. Ele</p><p>pensa de modo abrangente, envolvendo todos nas decisões e estimulando</p><p>a participação e a responsabilidade de todos. A liderança valoriza o bem-</p><p>Teorias contemporâneas de liderança2</p><p>-estar da sua equipe e a criatividade na busca de soluções para os problemas</p><p>identificados, tendo bastante flexibilidade para se adaptar às mudanças e</p><p>situações cotidianas.</p><p>A figura do líder não está ligada apenas a aspectos produtivos, como</p><p>defende a abordagem gerencial sobre liderança; na realidade, ela envolve</p><p>outros fatores, como sociais e políticos, que devem também ser considerados.</p><p>Foi pensando nisso que James MacGregor Burns lançou, em 1978 (BURNS,</p><p>1978), o texto seminal sobre a liderança transformacional, a qual inaugura um</p><p>novo conceito de liderança, mais condizente com as relações que envolvem</p><p>os seres humanos em ambientes organizacionais.</p><p>O autor desenvolveu sua teoria usando como exemplo a atuação de grandes</p><p>estadistas frente às crises enfrentadas por uma nação, pois entendia que a</p><p>liderança é um processo que se retroalimenta, já que envolve:</p><p>[...] a criação de novos líderes a partir das pessoas que estão ao redor, envolvendo-as</p><p>não apenas com as tarefas rotineiras, mas dando às mesmas, além de reconheci-</p><p>mento, perspectivas e condições de desenvolvimento da capacidade de tomada</p><p>de decisão (CALAÇA; VIZEU, 2015, documento on-line).</p><p>Burns acreditava que o que mantém a relação do líder e dos liderados</p><p>é um ideal em comum, evitando a polarizações entre as partes. Uma das</p><p>referências usadas pelo pesquisador é o conceito de liderança carismática</p><p>de Max Weber, mas do qual discorda sobre a afirmação de que carisma é</p><p>uma graça divina; para Burns, a liderança é pautada pela moral e a figura do</p><p>líder pode inspirar sua equipe a desistir de interesses particulares em prol</p><p>de valores coletivos, ou seja, o bem comum.</p><p>O pesquisador acreditava que o gestor e sua equipe deveriam comparti-</p><p>lhar os mesmos valores e princípios, tendo em vista um objetivo em comum</p><p>e que satisfaça também as partes envolvidas, “[...] proporcionando assim</p><p>proporcionando assim um ambiente profissional marcado pela satisfação e</p><p>colaboração mútua” (ABELHA; CARNEIRO; CAVAZOTTE, 2018, documento on-line).</p><p>A liderança transformacional é pautada por um tipo de gestão especí-</p><p>fica, em que a mudança no comportamento tanto da empresa quanto dos</p><p>funcionários é estratégia para se obter o objetivo almejado para o bom</p><p>andamento dos negócios. Nesse processo, é realizado um trabalho conjunto</p><p>entre líder e seus liderados, identificando os aspectos positivos e os aspectos</p><p>que precisam ser melhorados a fim de que haja transformação e vantagem</p><p>competitiva para a empresa.</p><p>A abordagem transformacional enfatiza a atuação proativa dos líderes,</p><p>uma vez que “[...] eleva os níveis de consciência de seus seguidores sobre</p><p>Teorias contemporâneas de liderança 3</p><p>os interesses coletivos inspiradores e ajuda os seguidores a alcançar resul-</p><p>tados de desempenho excepcionalmente altos” (HOY; MISKEL, 2015, p. 401).</p><p>A expectativa é que o líder transformacional incentive e inspire a equipe a</p><p>alcançar seus objetivos, mas levando em conta as características individuais</p><p>de cada liderado.</p><p>Nessa perspectiva, o líder transformacional tem o papel de influenciar</p><p>sua equipe a seguir seus comportamentos. Por isso, os empregados, muitas</p><p>vezes, admiram seu gestor e buscam alcançar as metas estipuladas por ele.</p><p>No entanto, estudos mais recentes apontam que esse tipo de gestor nem</p><p>sempre exerce liderança, principalmente em empregados mais motivados</p><p>(ABELHA; CARNEIRO; CAVAZOTTE, 2018).</p><p>Portanto, é importante que o gestor conheça as motivações de cada um</p><p>dos seus subordinados, ou seja, deve entender a sua personalidade a fim de</p><p>poder escolher as estratégias mais adequadas para inspirá-los. Quando o</p><p>líder conhece cada um dos seus liderados, ele tem a possibilidade de explorar</p><p>o potencial máximo de sua equipe e ter um equilíbrio de interesses tanto</p><p>do contratante e quanto dos contratados em prol dos resultados a serem</p><p>alcançados.</p><p>Entre as vantagens da liderança transformacional está a agregação dos</p><p>empregados, uma vez que estimula cada um a se envolver no processo de</p><p>transformação da empresa, bem como a compreendê-la de forma sistêmica.</p><p>Desse modo, promove-se a sinergia entre o líder e os liderados,</p><p>em que ambos</p><p>desenvolvem uma postura crítica e participam da negociação de soluções</p><p>para os desafios identificados.</p><p>Nesse sentido, o papel da liderança transformacional está em criar um</p><p>sentido e participação da equipe nos processos decisórios da organização.</p><p>Assim, os funcionários compreendem qual é o seu papel e quais são os valo-</p><p>res que regem a conduta corporativa. O gestor tem o papel de inspirar “[...]</p><p>profundamente seus seguidores a se doarem e a transcenderem seus próprios</p><p>interesses em prol de benefícios gerais perseguidos pelo grupo” (ABELHA;</p><p>CARNEIRO; CAVAZOTTE, 2018, documento on-line).</p><p>O fator que garante a motivação da equipe é a construção de um ideal</p><p>comum, partilhado por todos, em vez de interesses individuais, como é o</p><p>caso da liderança transacional. O líder fomenta a participação visando ao</p><p>crescimento moral de todos e torna-se responsável por reforçar os valores</p><p>comuns ao grupo e inspirá-los ao longo do processo.</p><p>A particularidade da liderança transformacional é uma perspectiva que</p><p>está mais voltada para a evolução das pessoas frente às suas limitações.</p><p>Esse estilo de liderança tem como particularidade a preocupação humani-</p><p>Teorias contemporâneas de liderança4</p><p>zada e transformadora dos seus liderados, tendo, portanto, um caráter mais</p><p>processual.</p><p>Teoria de liderança transacional</p><p>A liderança é um fenômeno que vem sendo buscado por muitas organizações</p><p>na atualidade, sendo a sua forma de condução bastante variável à realidade e</p><p>aos objetivos de uma organização. Desse modo, para entender como ela pode</p><p>ser aplicada pela área de relações públicas em diferentes contextos corpo-</p><p>rativos, é relevante compreender também a teoria transacional de liderança.</p><p>Burns, em 1978, em contrapartida à liderança transformacional, desen-</p><p>volveu a expressão “liderança transacional”, fundamentado nas reflexões</p><p>do “O príncipe”, de Maquiavel (1998). Para descrever esse tipo de relação, o</p><p>pesquisador apontou que sempre haverá entre os homens aqueles “simples</p><p>de espírito” que estarão sujeitos a um “homem fraudulento”, o qual poderá</p><p>enganá-los, um paralelo ao papel desempenhado por príncipes. A partir da</p><p>metáfora da raposa e do leão, usada por Maquiavel, Burns reflete sobre o</p><p>papel do líder transacional:</p><p>A um príncipe nunca faltam desculpas legítimas para explicar suas violações de</p><p>fé. A história moderna fornecerá inumeráveis exemplos desse comportamento,</p><p>mostrando como o homem consegue seu melhor se souber como jogar com seu</p><p>lado raposa. Mas é uma parte necessária da natureza humana que você deve</p><p>esconder com cuidado, devendo ser um grande mentiroso e hipócrita. Os homens</p><p>são tão simples de espírito, e tão dominados por suas necessidades imediatas,</p><p>que um homem fraudulento sempre vai encontrar muitos que estão prontos para</p><p>ser enganados (MAQUIAVEL, 1998, p. 42).</p><p>Por esse raciocínio, o pesquisador mostrou que os líderes podem ser</p><p>também transacionais ao usar sua “[...] influência na manipulação de recursos</p><p>para o atendimento dos interesses individuais dos envolvidos” (CALAÇA; VIZEU,</p><p>2015, documento on-line). Desse modo, a liderança pode ser exercida por meio</p><p>da troca, do benefício das partes envolvidas, em que o papel do líder é ser</p><p>articulador, “[...] como alguém que usa do poder que lhe é atribuído para ga-</p><p>rantir a obediência dos seguidores” (CALAÇA; VIZEU, 2015, documento on-line).</p><p>Por meio de sua influência nas decisões, os líderes conduzem os processos</p><p>para o atendimento dos interesses particulares de cada liderado. A troca</p><p>de favores é a motivação que conduz a atuação do líder e de cada liderado,</p><p>configurando o líder como alguém estrategista ao conseguir a obediência</p><p>da sua equipe por meio do poder que detém.</p><p>Teorias contemporâneas de liderança 5</p><p>Trata-se de um tipo de liderança em que o responsável pela equipe se</p><p>comporta como chefe, mas não como líder. Entre suas ferramentas, está a</p><p>submissão às regras e o comprometimento com as metas estabelecidas, em</p><p>que a recompensa é o resultado proporcional do desempenho de cada indiví-</p><p>duo. Refere-se à uma troca em que o líder atende às demandas individuais das</p><p>pessoas se elas cumprirem o que deve ser feito. O líder age de forma reativa,</p><p>apenas resolvendo os problemas que surgem e não se antecipando a eles.</p><p>[...] as relações transacionais seriam caracterizadas por laços superficiais, funda-</p><p>mentados na troca de interesses e busca de objetivos pessoais, uma espécie de re-</p><p>lação contratual entre líder e liderados, baseada em recompensas contingenciais de</p><p>cunho material e social (ABELHA; CARNEIRO; CAVAZOTTE, 2018, documento on-line).</p><p>Os liderados não participam dos processos decisórios, somente cumprem</p><p>as exigências definidas por seus supervisores. É focada nos resultados a</p><p>serem obtidos em detrimento da qualidade de vida de seus colaboradores,</p><p>usando a ideia de punição ou recompensa para responder ao desempenho</p><p>dos seus funcionários.</p><p>A liderança transacional entende que cada indivíduo tem um papel a</p><p>cumprir dentro de um processo corporativo e que o reconhecimento ocorrerá</p><p>somente se cada um cumprir o seu papel, sem pensar a coletividade e sem</p><p>respeitar a complexidade humana. Em tempos atuais, em que os sujeitos têm</p><p>mais acesso à informação e mais oportunidade de dar seu posicionamento, a</p><p>partir de uma série de tecnologias digitais, torna-se difícil conseguir manter</p><p>a motivação de uma equipe fundamentada apenas no cumprimento das</p><p>obrigações. Perde-se a dimensão simbólica da construção da relação e da</p><p>construção de significados comuns tão próprios aos seres humanos e que os</p><p>fazem se sentirem motivados ao longo de um processo corporativo.</p><p>No entanto, é um estilo de liderança que pode funcionar melhor em</p><p>algumas situações do que a liderança transformacional. Ela funciona bem nos</p><p>casos em que se precisa obter bons índices de produção em curto espaço de</p><p>tempo. O papel do líder, então, está em comandar e supervisionar as ações</p><p>dos seus subordinados, os quais são recompensados ou punidos conforme</p><p>o seu desempenho. Trata-se de uma situação de pressão que, para alguns</p><p>indivíduos, é melhor aceita, principalmente aqueles que se submetem bem</p><p>a prazos, procedimentos padronizados e papéis bem-definidos.</p><p>As recompensas pelas atividades prestadas são a moeda de troca da</p><p>liderança transacional; por exemplo, quando o diretor de uma escola “[...]</p><p>fornece novos materiais instrucionais ou tempo de planejamento aumentado</p><p>Teorias contemporâneas de liderança6</p><p>para os professores para que eles consigam instituir um novo programa</p><p>curricular” (HOY; MISKEL, 2015, p. 401).</p><p>Em muitas situações, o líder transacional tem a finalidade de potencializar</p><p>a produção a partir das demandas da organização em que está inserido. Seu</p><p>foco está em direcionar os subordinados para o atendimento das metas e</p><p>dos objetivos corporativos, que são, muitas vezes, autoritários e burocráticos</p><p>(ABELHA; CARNEIRO; CAVAZOTTE, 2018). Desse modo, a liderança transforma-</p><p>cional é mais compatível com organizações que são mais hierarquizadas e</p><p>têm atividades de risco.</p><p>Como se verifica, a liderança transacional é mais direcionada a situações</p><p>que se requer maior controle, mas disciplina e alguma crise. Desse modo,</p><p>para evitar que há algo de errado, a figura de um líder autoritário pode ser</p><p>necessária para o funcionamento dos processos corporativos. Portanto,</p><p>compreende-se que ela não deve ser abandonada, mas ser utilizada em casos</p><p>em que realmente seja adequada e se a cultura organizacional compreender</p><p>valores que demandam uma atuação mais hierárquica e disciplinada dos</p><p>subordinados.</p><p>As teorias contemporâneas de liderança</p><p>e os desafios da liderança em relações</p><p>públicas</p><p>Uma das competências da atividade de relações públicas é o trabalho de</p><p>mediação e articulação de interesses no espectro da organização e de públicos</p><p>estratégicos. A função está presente em diferentes organizações com múlti-</p><p>plos modelos de gestão e cultura e influencia na maneira como a liderança</p><p>é exercida em cada contexto. Assim, faz-se</p><p>necessário que o profissional da</p><p>área desenvolva a liderança ou auxilie os líderes corporativos de diferentes</p><p>maneiras.</p><p>Na contemporaneidade, as organizações têm que lidar com uma quantidade</p><p>significativa de informações e se deparam com um mercado de trabalho cada</p><p>vez mais competitivo, que exige adaptações constantes e cuidado em lidar com</p><p>seus empregados. A condução dessas questões, normalmente, é atribuída aos</p><p>gestores corporativos, os quais precisam lidar com diferentes gerações, que</p><p>percebem os problemas e os desafios sob perspectivas variadas. Desse modo,</p><p>é necessário criar um clima favorável para aceitação dessas mudanças por</p><p>parte dos funcionários a fim de obter o que há de melhor em cada um deles.</p><p>Teorias contemporâneas de liderança 7</p><p>Para tratar dessas questões, é necessário preparar os gestores corpora-</p><p>tivos para ouvirem e negociarem a demanda do público interno. Há que se</p><p>considerar vários aspectos, como realização pessoal, o trabalho em equipe,</p><p>a rotatividade de funcionários etc., para se obter a motivação de cada sujeito</p><p>que atua na realização dos objetivos organizacionais. Contudo, nem sempre a</p><p>mudança de comportamento individual é algo fácil; representa, na verdade,</p><p>um grande desafio para as gestões corporativas contemporâneas, como</p><p>aponta Kotler (2010, p. 70):</p><p>Muitos comportamentos positivos não são adotados por diversas razões. Alguns</p><p>comportamentos atuais são decorrentes de vícios e exigem muita força de vontade</p><p>para mudar; alguns são espontâneos e repetidos sem muita reflexão e preocupação</p><p>informada. Algumas mudanças de comportamento envolvem custo ou esforço</p><p>desagradáveis, enquanto outros não dispõem de um sistema ou de pessoas que</p><p>auxiliem ou facilitem o comportamento.</p><p>Diante dos desafios expostos, cabe refletir sobre como o profissional de</p><p>relações públicas pode exercer a liderança e lidar com os estilos de liderança</p><p>transformacional e transacional para ajudar os gestores corporativos. Por</p><p>meio da comunicação, o profissional pode auxiliar no processo educacional</p><p>dos gestores para que se comportem como líderes inspiradores ou mais</p><p>autoritários e que os liderados participem dos processos enquanto equipe</p><p>ou que cumpram suas funções e sejam recompensados por seus esforços.</p><p>Desenvolver processos comunicativos e disponibilizar informações para</p><p>gestores e funcionários são as principais ferramentas que os profissionais de</p><p>relações públicas dispõem para enfrentar os desafios da liderança. Seja em</p><p>qual contexto for, a atuação desses profissionais deve-se pautar pela ética</p><p>e pela integridade na preparação de gestores e funcionários, pois se houver</p><p>transparência e diálogo entre as partes, o desenvolvimento da liderança</p><p>se tornará mais compreensível e os problemas serão mais administráveis.</p><p>Disponibilizar informação sobre o que é organização, quais são os seus diri-</p><p>gentes líderes, onde querem chegar, qual o seu estilo de gestão e cultura, o</p><p>que se espera dos funcionários e também o que eles esperam da organização</p><p>é um caminho que pode tornar o relacionamento das partes envolvidas mas</p><p>equilibrado. A informação auxilia também a motivar e envolver cada um ou a</p><p>equipe, seja na liderança transacional ou transformacional, respectivamente,</p><p>nos processos e estratégias para o alcance dos objetivos organizacionais.</p><p>Portanto, a comunicação e a informação são recursos de que o profissional</p><p>de relações públicas dispõe para enfrentar os desafios contemporâneos da</p><p>liderança transformacional ou transacional.</p><p>Teorias contemporâneas de liderança8</p><p>Relações públicas é uma função de liderança e gestão que ajuda a atingir objeti-</p><p>vos, definir filosofia e facilitar a transformação da organização. Os profissionais</p><p>de relações públicas se comunicam com todos os públicos internos e externos</p><p>relevantes para desenvolver relações positivas e criar coerência entre as metas</p><p>da organização e as expectativas da sociedade. Esses profissionais desenvolvem,</p><p>executam e avaliam os programas da organização que promovem intercâmbio</p><p>de influências e entendimento entre as partes e os públicos de uma organização</p><p>(LATTIMORE et al., 2012, p. 23).</p><p>Se o líder for bem assessorado por um profissional de relações públicas,</p><p>exercerá seu papel de modo mais natural diante de seus subordinados, já que</p><p>conhece e compreende seus interlocutores. No entanto, é necessário reconhe-</p><p>cer que nem sempre é fácil se construir fluxos de comunicação e informação</p><p>nas organizações, uma vez que cada qual tem um modo de ser que influencia</p><p>totalmente em como a função relações públicas será desempenhada. Além</p><p>disso, no ambiente contemporâneo as corporações precisam lidar com uma</p><p>série de variáveis do ambiente externo e adaptá-las ao ambiente interno,</p><p>bem como com a demanda por comunicação em diferentes esferas.</p><p>Por fim, pode-se considerar que entre os principais desafios da área de</p><p>relações públicas frente à liderança estão o relacionamento e a articulação</p><p>de interesses entre gestores e funcionários. Desse modo, trata-se de uma</p><p>função estratégica que deve ser valorizada assim como outros cargos dire-</p><p>tivos, mas não apenas para resolver problemas; antes de tudo é necessário</p><p>agir para evitá-los.</p><p>Referências</p><p>ABELHA, D. M.; CARNEIRO, P. C. da C.; CAVAZOTTE, F. de S. C. N. Liderança transformacional</p><p>e satisfação no trabalho: avaliando a influência de fatores do contexto organizacional</p><p>e características individuais. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, v. 20, nº 4, p.</p><p>516-532, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbgn/v20n4/pt_1983-0807-</p><p>rbgn-20-04-00516.pdf. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>BURNS, J. M. Leadership. New York: Perenium, 1978.</p><p>CALAÇA, P. A.; VIZEU, F. Revisitando a perspectiva de James MacGregor Burns: qual é a</p><p>ideia por trás do conceito de liderança transformacional? Cadernos EBAPE-BR, v. 13, nº</p><p>1, p. 121-135, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cebape/v13n1/1679-3951-</p><p>-cebape-13-01-00121.pdf. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. Liderança e organizações. Revista De Psicologia, v.</p><p>2, nº 2, p. 93-119, 2011.</p><p>HOY, W. K.; MISKEL, C. G. Administração educacional: teoria, pesquisa e prática. 9. ed.</p><p>Porto Alegre: AMGH, 2015. (E-book).</p><p>KOTLER, P.; LEE, N. R. Marketing contra a pobreza. Porto Alegre: Bookman, 2010. (E-book).</p><p>Teorias contemporâneas de liderança 9</p><p>KOTTER, J. P. Afinal, o que fazem os líderes: a nova face do poder e da estratégia. São</p><p>Paulo: Campus, 2000.</p><p>LATTIMORE, D. et al. Relações públicas: profissão e prática. 3. ed. Porto Alegre: AMGH,</p><p>2012.</p><p>MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Paz e Terra, 1998.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>MARQUES, J. R. A diferença entre liderança transformacional e transacional. 2019.</p><p>Disponível em: https://www.ibccoaching.com.br/portal/lideranca-e-motivacao/a-</p><p>-diferenca-entre-lideranca-transacional-e-transformacional/. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>PENSER. Liderança transformacional: o que é, importância e vantagens. 2018. Dispo-</p><p>nível em: https://penser.com.br/lideranca-transformacional/. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos</p><p>testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da</p><p>publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas</p><p>páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Teorias contemporâneas de liderança10</p>

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