Prévia do material em texto
215 280 c) as pessoas políticas não podem exigir ou majorar tributos antes de decorridos três meses da entrada em vigor da lei que os instituiu ou aumentou. d) as pessoas políticas não podem exigir tributos sem que haja prévia autorização orçamentária para a cobrança deles em cada exercício financeiro. Comentários A alternativa B está correta. O princípio da anterioridade genérica está insculpido no art. 150, III, “b”, CRFB. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; Frisa-se que o marco temporal é a data da publicação da lei, ao contrário do princípio da legalidade, cujo marco temporal para aplicação aos novos fatos geradores é a data da vigência dessa mesma lei. Ademais, o princípio existe para proteger o contribuinte, não impedindo, pois, a imediata aplicação das mudanças que diminuam a carga tributária a que o contribuinte está sujeito ou que não tenham qualquer impacto sobre essa carga tributária. Em complemento, o STF54 entende que a norma que se restringe a mudar prazo para pagamento de tributo, mesmo antecipando-o, não agrava a situação do contribuinte, não se sujeitando à regra da anterioridade do exercício. A alternativa A está incorreta. A assertiva aborda o princípio da irretroatividade tributária (art. 150, III, “a”, CRFB). Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; As discussões sobre referido princípio se assentam nos fatos geradores periódicos, que se prolongam no tempo. 54 STF, RE-AgR 274.949/SC, Rel. Min. Sydney Sanches, d.j. 13/11/2001). 216 280 Nesses casos, a lei estipula exatamente o instante da completude e perfeição, o que faz com que tais fatos possam ser tratados como instantâneos. Ex1: IPVA (propriedade do carro, que se prolonga no tempo), mas a lei coloca a data 1º de janeiro para completude do fato gerador para surgimento da obrigação tributária. Ex2: CSLL, apurado em 31 de dezembro de cada ano. A alternativa C está incorreta. O princípio da anterioridade mínima ou nonagesimal, advindo com a EC 42/03, proíbe que sejam cobrados tributos antes de decorridos 90 dias da data de publicação da lei que os instituiu ou aumentou. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Assim, não basta que a lei que majore ou institua impostos seja publicada no exercício financeiro anterior. É necessário que a norma aguarde 90 dias para que irradie seus efeitos, garantindo mais segurança ao contribuinte. A alternativa D está incorreta. O Princípio da Anualidade não é mais observado. Segundo o art. 146, § 34, 2ª parte, da Constituição de 1946, um tributo somente poderia ser cobrado em cada exercício se tivesse autorizado pelo orçamento anual. Assim, em todos os anos, o orçamento a ser executado teria de arrolar todos os tributos a serem cobrados, sob pena de entender-se não autorizada a exigência. Segundo Harrison Leite, com a entrada em vigor da anterioridade tributária (art. 150, III, “b”, CRFB) a partir da EC n. 01/69, não se tornou mais necessário vincular a cobrança do tributo a uma autorização orçamentária, não se podendo mais falar em anualidade tributária. Obs1: Anualidade tributária (que não existe mais) é diferente do princípio da anualidade do Direito Financeiro, que indica, simplesmente, que o orçamento é ânuo, isto é, que o intervalo de tempo em que se estima as receitas e se fixa as despesas é de um ano, coincidente com o exercício civil, conforme art. 34, Lei n. 4.320/64. Q11. TRF3/TRF3 – Juiz Federal Substituto/2016 Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa incorreta. a) Segundo o STJ, o prazo prescricional para a cobrança da taxa de ocupação de terrenos de marinha é de cinco ou dez anos, a depender do período considerado, uma vez que os débitos posteriores a 1998 são submetidos ao prazo decenal, à luz do que dispõe a Lei nº 9.636/98, e os