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Dessa forma, por mais que não se tenha falado 
expressamente acerca da perda de uma chance, a 
situação fática narrada leva o julgador a compreender 
que o dano decorreu de uma atuação que poderia ter 
sido evitada se o advogado tivesse sido diligente na 
atuação do processo.
Diante disso, é nítido que a causa de pedir, no caso, faz 
referência à perda da chance de sair vencedor na ação 
monitória ou, pelo menos, de reduzir os efeitos de 
eventual procedência dos pedidos autorais. A conduta 
de não observar o prazo para apresentar defesa em 
autos judiciais equivale à perda da chance de obter uma 
situação mais favorável na demanda judicial.
Ademais, a postulação na demanda é de indenização 
por danos materiais, tanto que o autor esclareceu, como 
exige a legislação processual civil, a extensão da lesão 
provocada pelo advogado e o valor do ressarcimento 
pretendido.
Diferentemente é o caso do Recurso Especial n. 
1.190.180-RS, no qual a Quarta Turma deste Tribunal 
assentou a ocorrência de julgamento extra petita na 
hipótese em que o autor formula indenização por danos 
materiais e a sentença, ao aplicar a teoria da perda de 
uma chance, condena o réu a pagar a reparação por 
danos morais.
Nesse aspecto, ainda cabe ressaltar que os pedidos 
formulados devem ser examinados a partir de uma 
interpretação lógico-sistemática, não podendo o 
magistrado se esquivar da análise ampla e detida da 
relação jurídica posta, mesmo porque a obrigatória 
adstrição do julgador ao pedido expressamente 
formulado pelo autor pode ser mitigada em observância 
aos brocardos da mihi factum dabo tibi ius (dá-me os 
fatos que te darei o direito) e iura novit curia (o juiz é 
quem conhece o direito).
Assim, inexiste o alegado julgamento extra petita, 
pois o autor postulou indenização por danos materiais 
e as instâncias ordinárias condenaram o réu em 
conformidade com o pedido, apenas concedendo a 
reparação em menor extensão.
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Cafiaspirina está grávida com 4 meses de gestação e 
tem certeza de que o bebê que espera é de Disney, seu 
concubino há 14 anos. Cafiaspirina tem certeza de que o 
filho é de seu “amante”, pois seu marido, Faraó, está em 
coma há 14 meses, interditado e relativamente incapaz, 
pois não consegue expressar a sua vontade. Quando Dis-
ney recebe o comunicado que Cafiaspirina está grávida 
diz que não se sente preparado para a paternidade e 
resolve desfazer o relacionamento amoroso. Diante do 
caso concreto, responda:
(A) Convencido da existência de indícios da paternidade, 
em virtude do estado de coma de Faraó e do concu-
binato de Cafiaspirina e Disney, o juiz deverá fixar ali-
mentos gravídicos que perdurarão até o nascimento 
da criança, que compreenderão os valores suficien-
tes para cobrir as despesas adicionais do período de 
gravidez e que sejam dela decorrentes, da concep-
ção ao parto.
(B) Como Cafiaspirina é casada, a despeito de seu mari-
do estar em coma, há presunção absoluta no sentido 
de que Faraó seja o pai da criança.
(C) Se o juiz condenar Disney ao pagamento dos alimen-
tos gravídicos, após o nascimento com vida, os ali-
mentos gravídicos só serão convertidos em pensão 
alimentícia em favor do menor com a comprovação 
do resultado do exame de DNA.
(D) Convencido da existência de indícios da paternidade, 
em virtude do estado de coma de Faraó e da união 
estável paralela de Cafiaspirina e Disney, o juiz deve-
rá fixar alimentos provisórios a Cafiaspirinia, tendo-se 
em conta o término do relacionamento entre os dois.
Letra a.
Lei n. 11.804, de 5 de novembro de 2008.
Disciplina o direito a alimentos gravídicos e a forma 
como ele será exercido e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte lei:
Art. 1º Esta Lei disciplina o direito de alimentos da 
mulher gestante e a forma como será exercido.
Art. 2º Os alimentos de que trata esta Lei 
compreenderão os valores suficientes para cobrir as 
despesas adicionais do período de gravidez e que sejam 
dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as 
referentes a alimentação especial, assistência médica 
e psicológica, exames complementares, internações, 
parto, medicamentos e demais prescrições preventivas 
e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além 
de outras que o juiz considere pertinentes.
Parágrafo único. Os alimentos de que trata este artigo 
referem-se à parte das despesas que deverá ser custeada 
pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que 
também deverá ser dada pela mulher grávida, na 
proporção dos recursos de ambos.
Art. 6º Convencido da existência de indícios da 
paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que 
perdurarão até o nascimento da criança, sopesando 
as necessidades da parte autora e as possibilidades da 
parte ré.
Parágrafo único. Após o nascimento com vida, os 
alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão 
alimentícia em favor do menor até que uma das partes 
solicite a sua revisão.
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do 
casamento os filhos:

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