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TRATAMENTO DE COMPROMETIMENTOS NO CONTROLE POSTURAL DISCIPLINA: Fis ioterapia neurofuncional CONTROLE POSTURAL O controle postural envolve a capacidade de controlar a posição do corpo no espaço por propósitos duplos de orientação e estabilidade postural DEFINIÇÕES ORIENTAÇÃO POSTURAL: é a habilidade de manter uma relação apropriada entre os segmentos corporais e entre o corpo e o ambiente da tarefa; INSTABILIDADE POSTURAL: também chamada de equilíbrio, é a habilidade de controlar o centro de massa (CM) em relação à base de suporte (BS) EQUILÍBRIO: TERMOS BÁSICOS E DEFINIÇÕES É um termo genérico usado para descrever o processo dinâmico por meio do qual a posição do corpo mantém-se estabilizada. EQUILÍBRIO ESTÁTICO: O corpo está estabilizado em repouso; EQUILÍBRIO DINÂMICO: O corpo está estabilizado enquanto o individuo se movimenta CENTRO DE MASSA (CM): É um ponto que corresponde ao centro de massa corporal total e é onde o corpo se encontra em perfeito equil íbrio; CENTRO DE GRAVIDADE (CG): Refere-se a projeção vertical do centro de massa até o solo; BASE DE APOIO (BA): é def inida como perímetro da área de contato entre o corpo e sua superfície de apoio; EQUILÍBRIO: TERMOS BÁSICOS E DEFINIÇÕES LIMITES DE ESTABILIDADE Refere-se às fronteiras até onde a pessoa pode oscilar, mantendo o equilíbrio, sem mudar sua BA. Essas barreiras se modif icam constantemente dependendo da tarefa, da biomecânica da pessoa e de aspectos do ambiente. CONTROLE DO EQUILIBRIO O equilíbrio é um atarefa complexa de controle motor que envolve a detecção e a integração de informações sensoriais para avaliar a posição e o movimento do corpo no espaço e na execução de resposta musculo esqueléticas apropriadas para controlar a posição do corpo. SISTEMA NERVOSO SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO Sistemas sensoriais e controle do equilíbrio A percepção da posição do próprio corpo e de seu movimento no espaço requer uma combinação de informações provenientes de receptores periféricos de múltiplos sistemas sensoriais, incluindo os sistemas visual, somatossensorial (receptores proprioceptivos, articulares e cutâneos) e vestibular. SISTEMA VISUAL O sistema visual fornece informações relativas (1) à posição da cabeça com respeito ao ambiente; (2) à orientação da cabeça para manter os olhos nivelados; e (3) à direção e à velocidade dos movimentos da cabeça, pois conforme a cabeça se move, os objetos ao redor movem-se na direção oposta SISTEMA SOMATOSSENSORIAL O sistema somatossensorial fornece informações sobre a posição e o movimento do corpo e das partes do corpo, uma em relação à outra e em relação à superfície de apoio. fusos musculares, os órgãos tendinosos de Golgi (sensíveis ao comprimento e à tensão muscular), os receptores articulares (sensíveis à posição, ao movimento e à carga articular) mecanorreceptores da pele (sensíveis à vibração, ao toque leve, à pressão profunda e ao alongamento da pele) SISTEMA VESTIBULAR O sistema vestibular fornece informações sobre a posição e o movimento da cabeça com respeito à gravidade e às forças de inércia. Os receptores nos canais semicirculares (CSC) detectam a aceleração angular da cabeça, ao passo que os receptores nos otólitos (utrículo e sáculo) detectam a aceleração linear e a posição da cabeça com respeito à gravidade. Os principais sistemas sensoriais que geram pistas para o controle do equilíbrio são o visual, o somatossensorial e o vestibular. Eles geralmente são comprometidos em casos de transtornos neurológicos. Os impulsos vestibulares, visuais e somatossensoriais normalmente são combinados de forma imperceptível para produzir nosso senso de orientação e movimento. A informação sensorial que chega é integrada e processada no cerebelo, gânglios da base e área motora suplementar. ESTRATÉGIAS MOTORAS PARA CONTROLE DO EQUILÍBRIO Para manter o equil íbrio, o corpo precisa ajustar continuamente sua posição no espaço, de modo que o CM da pessoa f ique em cima da BA ou para trazer o CM de volta para a posição após uma perturbação. estratégia de tornozelo, de quadril e do passo O SNC usa três sistemas de movimento para recuperar o equil íbrio após o corpo ser perturbado: sistemas ref lexo, automático e voluntário. SISTEMA REFLEXO Os reflexos de “estiramento” mediados pela medula espinal compreendem a primeira resposta às perturbações externas. Eles têm as latências mais curtas ( 150 ms), dependem dos parâmetros da tarefa e produzem respostas motoras altamente variáveis (p. ex., segurar em uma superfície de apoio estável próxima ou afastar-se de uma condição de desestabilização) REFLEXO AUTOMÁTICO têm latências intermediárias (80 a 120 ms) e são as primeiras respostas que efetivamente impedem as quedas. Elas produzem movimentos rápidos com relativamente poucas variações entre as pessoas ESTRATÉGIA DE TORNOZELO No apoio tranquilo e durante pequenas perturbações (p. ex., perturbações de baixa velocidade que em geral ocorrem sobre uma superfície f irme e ampla), os movimentos do tornozelo agem para restaurar o CM da pessoa para uma posição estável. ESTRATÉGIA DE QUADRIL Para perturbações externas rápidas e /ou amplas ou para movimentos executados com o CG perto dos limites de estabilidade, é empregada a estratégia de quadril. A estratégia de quadril usa f lexão ou extensão rápida do quadril para mover o CM dentro da BA ESTRATÉGIA DO PASSO Se uma força intensa desloca o CM além dos limites de estabilidade, um passo para a frente ou para trás é usado para alargar a BA e recuperar o controle do equilíbrio. O passo descoordenado que ocorre após um tropeção sobre uma superfície irregular é um exemplo da estratégia do passo. INTERVENÇÕES PARA MELHORA DO CONTROLE POSTURAL 1) Intervenção sensorial, 2) Intervenção mecânica, 3) Intervenção nas estratégias de equilíbrio, nas reações de endireitamento e nas reações de proteção, 4) Intervenções mistas, globais. INTERVENÇÃO SENSORIAL • Uso de informação sensorial adicional; • Uso de estratégias para aumentar a informação somatossensorial nos pés evitando uso excessivo da visão durante a postura em pé EXEMPLO DE INTERVEÇÃO INTERVENÇÃO SENSORIAL Uso de toque leve: a oscilação postural tende a ser reduzida durante a posição ortostática por meio de toque leve fornecido pelo terapeuta ou toque leve executado pelo paciente em uma superfície de apoio; Uso de foco externo: O uso do foco externo pode ser usado para atividades de controle postural em ortostatismo ou sentado Cuidado com espelho! Quando colocamos espelho na frente de um paciente sem nenhum tipo de foco externo, o paciente pode ficar dependente de saber como está o controle postural somente pela visão. o uso de referências concretas (foco externo) no espelho pode facilitar a habilidade de controle postural sentada ou em pé. Indivíduos com problemas perceptuais têm dificuldade em perceber noções de lateralidade ou profundidade, portanto, o espelho deve sempre ser acompanhado de referências perceptuais concretas (por exemplo, colar uma fita na linha média do espelho na posição vertical, ao mesmo tempo que cola outra fita na posição vertical e na linha média da camiseta do paciente; neste momento, o paciente deverá alinhar as duas fitas, e de maneira voluntária irá corrigir a postura sentada ou em pé). INTERVENÇÃO MECÂNICA Estas intervenções visam ao ganho mecânico necessário para garantir estabilidade e, ao mesmo tempo, mobilidade em cada postura Os pacientes precisam se manter estáveis, seguros, equilibrados em cada postura Intervenção mecânica Para treinar este binômio, estabilidade e mobilidade, é necessário o ganho na amplitude do limite de estabilidade e no envoltório de oscilação. E como conseguir esse ganho de amplitude? Tratamento1) o alongamento pode ser eleito quando existem quadros importantes de retração muscular impedindo o movimento; 2) o fortalecimento deve ser usado quando há necessidade de ganho de força; 3) o uso de exercícios ativos; 4) exercícios de estabilidade postural, com isometrias também podem ser incorporados; 5) deslocamento de peso entre os membros e treino de percepção da descarga de peso; INTERVENÇÕES NAS ESTRATÉGIAS DE EQUILÍBRIO INTERVENÇÕES As clássicas estratégias observadas em indivíduos saudáveis na posição ortostática devem ser trabalhadas em casos de déficit em controle postural. Treino das estratégias de tornozelo, quadril, tronco, passo INTERVENÇÕES MISTAS As intervenções mistas podem incluir o uso comum de estratégias reativas, antecipatórias, a variabilidade de solos /texturas, de bases de apoio, alternância de descarga de peso em segmentos, além do fortalecimento, alongamento e treino de agilidade. Treino multissensorial e motor variado, funcional REFERÊNCIAS KINSNER, C; COLBY, L. A; BORSTAD, J. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 7 ed. Manole. São Paulo, 2021 LUVIZUTTO, G. J; SOUZA, L. A. P. S. Reabil i tação Neurofuncional : teoria e prática. Thieme Revinter. 1ª ed. Rio de Janeiro, 2022