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Transtornos de 
Ansiedade
Guilherme Constant – Psiquiatra
Preceptor - residência de psiquiatria UFAL/Uncisal
Psiquiatra: SIASS-UFAL (Arapiraca)
Epidemiologia dos transtornos de ansiedade
● Transtornos mentais mais comuns (28% dos adultos ao longo da vida)
● Tendem a ter inicio mais precoce que outros transtornos mentais
○ Fobia específica (11 anos)
○ Fobia social (14,3 anos)
○ T. pânico (30,3 anos)
○ TAG (34,9 anos)
● Maior risco para outros transtornos mentais (t.
por uso de substâncias) e doenças clínicas
(cardiovasculares)
Transtornos de ansiedade no Brasil
• OMS (2017): Brasil é o país com maior prevalência de
transtornos de ansiedade
• 9,3% da população (18.657.943 pessoas)
• População do estado do Rio de Janeiro: 17,4 milhões
Quando a ansiedade passa a ser um transtorno?
Ansiedade adaptativa
• Resposta a uma ameaça (dano corporal, punição, vergonha...)
• Adequado em intensidade e duração 
Ansiedade patológica
• Desproporcional à situação
• Persistente além da situação
Desempenho x excitação (Yerkes e Dodson)
Transtornos de ansiedade - fisiopatologia
● Amígdala: resposta de medo através de diversas conexões cerebrais:
○ Emoção de medo
○ Resposta motora à ameaça (luta, fuga ou paralisação)
○ Resposta autonômica (↑Frequência cardíaca e respiratória, ↑PA)
○ Resposta hormonal (↑Cortisol)
● Alças corticoestriadotalamo-corticais (CETC): resposta de preocupação
○ Sofrimento ansioso, expectativas apreensivas, catastrofização, pensamentos obsessivos...
Circuitos da amígdala e CETC: Serotonina, noradrenalina, 
dopamina, glutamato, GABA...
Circuitos da amígdala e CETC: Serotonina, noradrenalina, 
dopamina, glutamato, GABA...
Principais transtornos de ansiedade
Transtorno de ansiedade 
generalizada (TAG)
Transtorno de ansiedade 
generalizada (TAG) Transtorno do pânicoTranstorno do pânico
Fobia específicaFobia específicaTranstorno de ansiedade 
social (fobia social)
Transtorno de ansiedade 
social (fobia social)
AgorafobiaAgorafobia
TAG: generalizadaTAG: generalizada
T. pânico: novos ataques de 
pânico
T. pânico: novos ataques de 
pânico
Fobia social: situações 
sociais, avaliação
Fobia social: situações 
sociais, avaliação
Agorafobia: multidões, 
espaços abertos/fechados...
Agorafobia: multidões, 
espaços abertos/fechados...
Fobia específica: estímulo 
fóbico
Fobia específica: estímulo 
fóbico
O tratamento será
individualizado, baseado
nos sintomas
Caso clínico
● Alessandra, 26 anos, estudante universitária, casada. Tem
uma filha (2 anos), em aleitamento materno.
● Paciente vem ao consultório se queixando de “TDAH”.
Relata falta de concentração, com grande dificuldade para
assistir aulas, estudar e memorizar o que lê.
● Quando questionada sobre outros sintomas, relata sentir muita “agonia”: sente-
se tensa praticamente todos os dias, com preocupações exageradas por
problemas mínimos ou mesmo sem motivo. Frequentemente fica com “a
cabeça a mil”, com pensamentos acelerados e desagradáveis acerca de suas
preocupações. Relata ainda insônia, com dificuldade para iniciar e manter o
sono.
Caso clínico
● Os sintomas vêm se agravando nos últimos meses, quando passou a ficar muito
impaciente, irritando-se com facilidade com sua filha e chegou a ter explosões de raiva
com seu marido. Sente-se muito inquieta e com a sensação de estar sempre “por um
fio”.
● Vem sentindo-se muito triste nos últimos meses, sem motivação para ir à faculdade e
sem ver graça nas atividades de lazer. Apresenta baixa autoestima e sensação de culpa
pelos sintomas.
● Diz que o quadro iniciou há cerca de 1 ano e meio, quando voltou a
trabalhar após sua filha completar 6 meses. Passou a sentir-se
sobrecarregada com as cobranças excessivas no trabalho e as obrigações
da maternidade, sentindo-se incapaz de conciliar as duas funções.
Caso clínico
● Alessandra recebeu o diagnóstico de transtorno de ansiedade
generalizada (TAG).
● O psiquiatra explicou acerca dos sintomas cognitivos do TAG e da
possibilidade de sintomas depressivos associados ao diagnóstico,
encaminhou à psicoterapia e lhe prescreveu Sertralina 50mg/dia, pois
a paciente ainda estava amamentando.
?
Transtorno de ansiedade generalizada (DSM-5)
Ansiedade excessiva, de 
difícil controle
Na maioria dos dias, por 
pelo menos 6 meses
Em diversos 
contextos/situações
Inquietação ou “nervos à flor da pele”
FatigabilidadeAssociada a pelo 
menos 3 sintomas:
1
2
Dificuldade de concentração (“branco”) Perturbação do sono3 6
Irritabilidade
Tensão muscular
4
5
TAG – características clínicas
● Transtorno comum (2-6% da população)
● Curso crônico e flutuante
○ Baixa taxa de remissão (22% em um ano)
● 88% dos pacientes têm comorbidades psiquiátricas
○ T. depressivo maior: 54%
○ T. do pânico: 23%
○ T. por uso de substâncias: ↓5x a chance de remissão do TAG
Caso clínico
● Lucas, 21 anos, estudante universitário, chega ao pronto-atendimento
com quadro de dor precordial, palpitações, dispneia e parestesias em
MSE. Ao ser avaliado, estava muito ansioso, com medo de estar
morrendo; não conseguia explicar bem as queixas. Foram solicitados
ECG e troponina, ambos sem alterações.
● Durante o tempo da realização dos exames, os sintomas tiveram melhora
parcial. O paciente então relatou que os sintomas começaram de
maneira muito súbita, sem fator precipitante e rapidamente atingiram o
auge. Disse ainda que vinha tendo crises similares nos últimos dias, de
menor intensidade.
Caso clínico
● Lucas relatou que há alguns meses vinha tendo muita dificuldade na
faculdade, de modo que passou a sentir-se constantemente ansioso,
insone, irritável e com dificuldade de concentração, o que piorava seu
desempenho acadêmico. Teve a primeira crise durante uma prova, há
duas semanas, e desde então os episódios vêm se repetindo. Com
medo, Lucas deixou de sair de casa sozinho e faltou às últimas provas.
● O paciente foi diagnosticado com transtorno de ansiedade generalizada
e transtorno do pânico. No pronto-atendimento, foi medicado com
Clonazepam 0,5mg, com melhora dos sintomas agudos, e encaminhado
ao psiquiatra.
Transtorno do pânico (DSM-5)
Ataques de pânico recorrentes ou inesperados
Seguido por pelo 
menos um mês de: OU
Preocupação persistente com novos ataques
Mudanças desadaptativas de comportamento
Surto abrupto de 
medo ou 
desconforto 
intenso
Alcança o pico 
em minutos
Associado a pelo 
menos 4 sintomas:
Palpitação, taquicardia
Sudorese
1
2
Tremores3
Sensação de falta de ar4
Sensação de asfixia5
Dor/desconforto torácico6
Náusea ou desconforto abdominal7
Parestesias
Desrealização ou despersonalização
Medo de perder o controle
Medo de morrer
10
11
12
13
Tontura ou desmaio
Calafrios ou ondas de calor
8
9
Ataque de pânico
Tratamento dos transtornos de 
ansiedade
Tratamento
● Psicoterapia e/ou farmacoterapia
○ Tratamento psicoterápico: Maior nível de evidência com TCC
● TAG: Eficácia equivalente; combinação seria mais eficaz para quadros 
moderados/graves
● T. pânico: TCC demonstrou maior eficácia que tratamento farmacológico. 
A combinação é superior a ambos isoladamente (1ª linha)
● Medicações de primeira linha
ISRS*
Duais (IRSN)
No TAG: Pregabalina
● Segunda/terceira linha
○ Benzodiazepínicos (diazepam, alprazolam, bromazepam...)
○ Outros antidepressivos (bupropiona, tricíclicos, mirtazapina, trazodona...)
○ Quetiapina
Transtornos de ansiedade: 
tratamento farmacológico
AntidepressivosAntidepressivos
Tratamento farmacológico
● Antidepressivos: mesmas doses usadas na 
depressão
○ Avaliação de resposta: 4-8 semanas
○ Manutenção após remissão: pelo menos 1 ano
● Falha no tratamento: combinação de fármacos
○ Pregabalina (TAG)
○ Benzodiazepínicos (sobretudo T. pânico)
○ Antipsicóticos atípicos (TAG e T. pânico) Quetiapina, Risperidona, Aripiprazol, OlanzapinaQuetiapina, Risperidona, Aripiprazol, Olanzapina
Pregabalina
● Ligante α2δ: liga-se a canais de cálcio sensíveis a voltagem (VSCC)
○ Inibem a liberação de neurotransmissores excitatóriosAnsiolítico
(↓ Liberação de neurotransmissores pela amígdala e CETC: ↓ medo e preocupação)
Ansiolítico
(↓ Liberação de neurotransmissores pela amígdala e CETC: ↓ medo e preocupação)
AnticonvulsivanteAnticonvulsivante Tratamento de dor crônicaTratamento de dor crônica SedativoSedativo
Benzodiazepínicos na ansiedade
Benzodiazepínicos: a maior parte das 
prescrições é na atenção primária
Benzodiazepínicos: a maior parte das 
prescrições é na atenção primária
Não trata efetivamente transtornos de 
ansiedade
Não trata efetivamente transtornos de 
ansiedade
Dependência, sonolência diurna, tontura e 
quedas, prejuízo cognitivo e de memória
Dependência, sonolência diurna, tontura e 
quedas, prejuízo cognitivo e de memória
POTTIE, K. et al. Deprescribing benzodiazepine receptor agonists: evidence-based clinical practice guideline. Canadian Family Physician – MAI/2018
(2020)
Benzodiazepínicos na ansiedade
Evitar em monoterapiaEvitar em monoterapia
Evitar em uso contínuoEvitar em uso contínuo
Evitar após situações de trauma – ↑ risco 
de transtorno de estresse pós-traumático
Evitar após situações de trauma – ↑ risco 
de transtorno de estresse pós-traumático
POTTIE, K. et al. Deprescribing benzodiazepine receptor agonists: evidence-based clinical practice guideline. Canadian Family Physician – MAI/2018
Benzodiazepínicos na ansiedade
Útil no controle agudo de crises 
de ansiedade
Útil no controle agudo de crises 
de ansiedade
Exemplo: 
Clonazepam 0,25 – 0,5mg SOS
Exemplo: 
Clonazepam 0,25 – 0,5mg SOS
Uso prolongado: possibilidade em 
quadros de ansiedade refratários
Uso prolongado: possibilidade em 
quadros de ansiedade refratários

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