Processo do Trabalho - Prova AV1.pdf
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Prova: Processo do Trabalho 
 
1. Princípios processuais do trabalho 
1.1. Da proteção 
Pelo princípio da proteção, o caráter tutelar, 
protecionista, tão evidenciado no direito material do 
trabalho, também é aplicável no âmbito do processo 
do trabalho, o qual é permeado de normas, que, em 
verdade, objetivam proteger o trabalhador, parte 
hipossuficiente da relação jurídica laboral. 
Portanto, considerando a hipossuficiência do obreiro 
também no plano processual, a própria legislação 
processual trabalhista contém normas que objetivem 
proteger o contratante mais fraco (empregado). 
Frise-se que não se trata de o juiz do trabalho 
instituir privilégios processuais ao trabalhador, 
conferindo tratamento não isonômico entre as partes, 
mas sim de o magistrado respeitar o ordenamento 
jurídico vigente, uma vez que a própria lei 
processual trabalhista é permeada de dispositivos 
que visam proteger o obreiro hipossuficiente. 
Logo, o princípio da igualdade ou isonomia, previsto 
no art. 5.° da CF/1988, determinando que todos são 
iguais perante a lei, é perfeitamente respeitado pelo 
processo do trabalho, pois é a própria lei 
instrumental trabalhista que cria alguns privilégios 
ao obreiro, para lhe garantir a isonomia em relação 
ao empregador. 
O princípio da igualdade, pois, consiste em tratar de 
maneira igual os que se encontram em situação 
equivalente e de maneira desigual os desiguais, na 
medida de suas desigualdades. 
 
1.2. Da conciliação 
O art. 764 da CLT contempla, de forma explícita, o 
princípio da conciliação, ao dispor que os dissídios 
individuais ou coletivos submetidos à apreciação da 
Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à 
conciliação. Neste contexto, os juízes e tribunais do 
trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e 
persuasão no sentido de uma solução conciliatória 
dos conflitos (art. 764, § 1.°, da CLT). 
Frise-se que, mesmo após encerrado o juízo 
conciliatório, é lícito às partes celebrar acordo que 
ponha termo ao processo (art. 764, § 3.°, da CLT). 
No procedimento comum (ordinário), em dois 
momentos a proposta conciliatória é obrigatória: 
após a abertura da audiência (art. 846 da CLT) e 
após razões finais (art. 850 da CLT). 
Já no procedimento sumaríssimo, estabelece o art. 
852-E da CLT que \u201caberta a sessão, o juiz 
esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da 
conciliação e usará os meios adequados de persuasão 
para a solução conciliatória do litígio, em qualquer 
fase da audiência\u201d. 
Por outro lado, impende destacar que cabe ao juiz do 
trabalho, ao celebrar o acordo, verificar a 
observância das normas de proteção ao trabalhador 
(normas imperativas, de ordem pública), bem como 
atestar se as bases acordadas não são prejudiciais ao 
obreiro, podendo o magistrado recusar a 
homologação do acordo quando o mesmo 
representar, em verdade, renúncia de direitos pelo 
empregado. 
Aceita a conciliação proposta, será lavrado o 
respectivo termo de conciliação (considerado um 
título executivo judicial \u2013 art. 876 da CLT), valendo 
como decisão irrecorrível para as partes, salvo para a 
Previdência Social, quanto às contribuições que lhe 
forem devidas. 
 
1.3. Jus postulandi 
O princípio do jus postulandi da parte está 
consubstanciado no art. 791 da CLT, o qual 
estabelece que os empregados e os empregadores 
poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do 
Trabalho e acompanhar as suas reclamações. 
Nessa esteira, o art. 839, a, da CLT também salienta 
que a reclamação trabalhista poderá ser apresentada 
pelos empregados e empregadores, pessoalmente, ou 
por seus representantes, e pelos sindicatos de classe. 
Logo, em função do jus postulandi, reclamante e 
reclamado poderão atuar sem a presença de 
advogados, perante os juízos de primeiro grau e 
Tribunais Regionais. A atuação perante o TST, 
como se verá abaixo, não segue esta regra. 
Uma corrente minoritária defendia que, após a 
Constituição Federal de 1988, em função de o art. 
133 estabelecer que o advogado é indispensável à 
administração da justiça, o art. 791 da CLT não mais 
estaria em vigor, em face da incompatibilidade com 
o texto constitucional mencionado. 
Essa corrente ganhou mais força com a edição da 
Lei 8.906/1994 (Estatuto da OAB) que, em seu art. 
1°, I, considerava atividade privativa da advocacia 
\u201ca postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e 
aos juizados especiais\u201d. 
Os tribunais trabalhistas, contudo, em sua maioria, 
firmaram jurisprudência no sentido de que o art. 791 
da CLT está em vigor, permanecendo o jus 
postulandi da parte na Justiça do Trabalho, mesmo 
após a promulgação da Constituição Federal de 
1988. 
Tal jurisprudência restou confirmada com o 
julgamento da ADI 1.127, proposta pela Associação 
dos Magistrados do Brasil \u2013 AMB, na qual o 
Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional 
a expressão \u201cqualquer\u201d, constante do art. 1°, I, da 
Lei 8.906/1994 (Estatuto da OAB), prevalecendo o 
entendimento de que é possível a parte postular sem 
a presença do advogado, em algumas hipóteses. 
Recentemente foi publicada a Súmula 425 do TST, 
que dispõe: 
\u201cO jus postulandi das partes, estabelecido no art. 
791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos 
Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a 
ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de 
segurança e os recursos de competência\u201d. 
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Portanto, o jus postulandi não prevalece no TST. 
Logo, em caso de recurso de revista interposto, ele 
deverá ser subscrito por advogado, assim como 
qualquer outro recurso que venha a tramitar no TST. 
Em outras palavras, o jus postulandi doravante 
somente prevalecerá nas instâncias ordinárias. 
Em caso de eventual recurso extraordinário para o 
Supremo Tribunal Federal, ou mesmo recurso 
encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (para 
examinar, por exemplo, conflito de competência), 
também deve ele ser subscrito por advogado, sob 
pena de o apelo não ser conhecido. 
 
1.4. Celeridade 
É um reflexo direto da simplicidade e da 
informalidade dos atos. O Processo Trabalhista, por 
cuidar, na maior parte dos casos, de verbas salariais 
que serão usadas para a subsistência da parte, deve 
ser realizado de maneira rápida e simples. 
 
1.5. Identidade física do juiz 
O princípio da identidade física do juiz determina 
que o juiz que colheu a prova (depoimento pessoal 
das partes, oitiva das testemunhas, esclarecimentos 
verbais do perito etc.) é quem deve proferir a 
sentença. 
Esse princípio ganha especial relevância uma vez 
que é na inquirição direta das partes e testemunhas 
que o juiz consegue firmar o seu convencimento, 
alcançando a verdade real, esta muitas vezes não 
reproduzida nas atas de audiência. 
O art. 132 do CPC prestigiou o princípio da 
identidade física do juiz ao afirmar que: 
\u201cArt. 132. O juiz, titular ou substituto, que concluir 
a audiência julgará a lide, salvo se estiver 
convocado, licenciado, afastado por qualquer 
motivo, promovido ou aposentado, casos em que 
passará os autos ao seu sucessor\u201d. 
 
1.6. Irrecorribilidade imediata das decisões 
interlocutórias 
Decisão interlocutória, conforme previsto no art. 
162, § 2.°, do CPC, é o ato pelo qual o juiz, no curso 
do processo, resolve questão incidente. 
O processo do trabalho traz em seu bojo uma 
peculiaridade ao informar, no art. 893, § 1°, da CLT, 
que as decisões interlocutórias não são recorríveis de 
imediato, somente permitindo-se a apreciação do seu 
merecimento em recurso da decisão definitiva. 
O Tribunal Superior do Trabalho, em relação à 
possibilidade de recurso em face de decisão 
interlocutória, por meio da Resolução 127/2005, 
publicada no DJU em 16.03.2005, revisou a Súmula 
214, que passou a ter a seguinte redação: 
\u201cS. 214/TST \u2013 Decisão interlocutória. 
Irrecorribilidade. Na Justiça do Trabalho, nos termos 
do art. 893, § 1°, da CLT, as decisões interlocutórias
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Ana Paula
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