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Pediatria 1 Meningites Bacterianas Infecção purulenta das meninges e do espaço subaracnoide; Etiologia Recém-nascido: Streptococcus B, E.coli, Klebsiella, Listeria De 1 a 3 meses: Streptococcus B, E.coli, Klebsiella, Listeria + Meningo e Pneumococo De 3 meses até 50-55 anos: Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo → acompanhadas por infecções pulmonares, otites, sinusites) > 50-55 anos: Meningococo + Pneumococo + Listeria Qual o agente mais comum de todos? • 1° Pneumococo • 2° Meningoco • 3° Tuberculose • 4° Haemophilus Etiopatogenia Para chegar ao sistema nervoso, as bactérias precisam: 1. Aderir ao epitélio da mucosa da nasofaringe do hospedeiro e aí proliferar; 2. Ter disseminação hematogênica 3. Invadir o interior dos vasos e sobreviver à ativação do sistema complemento; 4. Atravessar a barreira hemato encefálica (BHE) e hematoliquórica (BHL), atingindo o LCR; 5. Sobreviver e replicar-se no LCR → reação inflamatória → edema → hipertensão intracraniana. Manifestações: Tríade: FEBRE + CEFALEIA + RIGIDEZ DE NUCA/VÔMITOS Além disso podem ocorrer sinais neurológicos focais, dependendo do local acometido. Nas formas mais graves, pode-se ter: irritabilidade, sonolência, delírio, torpor, coma e até mesmo morte. No recém-nascido: hipotermia, recusa alimentar, cianose, convulsões, apatia e irritabilidade que se alternam e, respiração irregular e icterícia. Composto por três síndromes principais e a presença de 2/3 sugere diagnóstico de meningite aguda: Síndrome de hipertensão intracraniana: cefaleia intensa, náuseas, vômitos e confusão mental. Habitualmente os vômitos são precedidos por náuseas, sendo menos comum os vômitos em jato. Síndrome toxêmica: febre alta, mal-estar e agitação psicomotora. Síndrome da irritação meníngea: que se manifesta por → rigidez da Nuca: Kernig e Brudzinski Pediatria 2 - Rigidez da nuca: flexão anterior da cabeça, com o paciente em decúbito dorsal. O paciente vai apresentar graus de resistência, com espasticidade muscular reflexa. - Sinal de Kernig: paciente em decúbito dorsal; faz a flexão da coxa sobre o abdome cerca de 90° a perna é estendida. Quando o paciente tem a irritação meníngea, o paciente resiste à extensão da perna. - Sinal de Brudzinski: ao fazer a flexão anterior da cabeça, o paciente flete ligeiramente os joelhos. . ! . Meningoencefalite = meningite + encefalite (acometimento de parênquima) → manifesta-se por alteração do estado mental, convulsões, déficit neurológico foca, alteração de pele; Diagnóstico Em crianças, o diagnóstico é mais difícil, contudo, os achados mais frequentes são: febre, irritabilidade, prostração, vômitos, convulsões e abaulamento de fontanela. . ! . Presença de petéquias refere quadro de meningite causada por meningococo, sendo um quadro grave de meningococcemia (Síndrome de Waterhouse-Friderichesen – destruição hemorrágica das adrenais devido a um quadro de sepse pelo meningococo). Outros exames: hemocultura, hemograma A confirmação diagnóstica é feita pelo exame do LCR. As principais alterações são: Aspecto levemente turvo a francamente purulento Aumento de pressão do LCR: uma vez que a maioria das meningites cursa com hipertensão intracraniana, devido a dificuldade na reabsorção do LCR no nível do espaço subaracnóideo. Aumento no número de células (pleocitose): >1000 leucócitos por mm3 Proteínas totais elevadas, geralmente acima de 100mg/dl. Taxas de glicose muito baixas, geralmente inferiores a 10mg/dl e tendendo a zero. Presença de bactérias no exame bacteriológico direto, através do método Gram. Culturas geralmente são positivas, mas demoram pro resultado ficar pronto. Pesquisa de antígeno bacteriano por contra-imunoeletroforese e provas de aglutinação do látex. Pressão Proteína Glicose Células Cultura > 18 cmH2O > 45 mg/dl 500 cél/mm – aumento de polimorfonucleares – pleocitose Positiva em > 80% Lembrar que → pneumococo = gram Positivo; meningococo = gram Negativo. Solicita exame de imagem antes da punção lombar, se: Imunossuprimidos ou câncer História de TCE recente Redução grave do nível de consciência Pediatria 3 Papiledema Déficit neurológico focal . ! . Nunca atrasar antibiótico esperando para fazer punção lombar; Condições que se deve postergar a coleta do liquor: Sinais neurológicos focais; Sinais evidentes de hipertensão intracraniana Edema cerebral agudo Insuficiência respiratória aguda ou hipotensão Trombocitopenia grave ou distúrbios da coagulação Infecção de pele (celulite ou abcessos) que recobre as vértebras lombares Diagnóstico diferencial Fungo ou tuberculose Pressão Proteína Glicose Células ADA/Tinta da china > 18 cmH2O > 45 mg/dl 18 cmH2O > 45 mg/dl NORMAL Aumento de linfomononucleares Negativa Tratamento As meningites bacterianas são emergências médicas, devendo iniciar o tratamento rapidamente, antes mesmo de conhecer o agente etiológico. Pode-se utilizar corticosteroides antes da dose de antibiótico, pra redução da resposta inflamatória. Antibioticoterapia: Recém-nascido até 3 meses: de 14-21 dias Ampicilina 100-300mg/kg/dia 8h/8h + Cefotaxima 100-200mg/kg/dia 12h/12h OU Ampicilina + Gentamicina 5-7,5 mg/kg/dia 12/12h. Após 3 meses: Ceftriaxona + vancomicina Meningococo (Gram -): por 5 a 7 dias • Penicilina G cristalina 200.000-400.000 UI/kg/dia 4h/4h OU • Ampicilina 200-300mg/kd/dia OU • Ceftriaxona 100mg/kg/dia 12/12h. Pneumococo (Gram +): por 10 a 14 dias • Penicilina G cristalina 200.000-400.000 UI/kg/dia 4h/4h OU • Ampicilina 200-300mg/kd/dia OU • Ceftriaxona 100mg/kg/dia 12/12h OU • Cefotaxima 200mg/kg/dia OU • Vancomicina 60mg/kg/dia de 6h/6h. Pediatria 4 H. influenzae: por 7 a 10 dias • Ceftriaxona 100mg/kg/dia OU Cefotaxima 200mg/kg/dia. Maior que 55 anos: • Ceftriaxona + ampicilina com ou sem vancomicina. Pode fazer: Corticoide: dexametasona 20min antes do antibiótico; Internação em isolamento respiratório (por gotículas) por 24h após início de antibiótico, só em casos de meningite por Hemofilos e Meningococo. Em casos de hipertensão intracraniana grave (apneia, bradicardia, miose ou midríase)→ elevação da cabeça; pode ser feito uso do manitol 0,5-2 g/kg Crises convulsivas devem ser controladas com fenobarbital e fenitoína. Controle do tratamento: Quando pedir LCR de controle? Paciente não tiver resposta adequada após 48h de ATB Lactentesde dor localizada na região lombossacral que posteriormente se transforma nos sinais de irritação meníngea. Pediatria 5 O vírus da varicela zoster apresenta os sintomas clássicos + acompanha fortes dores radiculares na região intercostal ou na região perineal. Quadro clínico: qualitativamente semelhante ao bacteriano, porém menos intenso. Diagnóstico: feito através da análise do LCR. Aumento do número de células (linfócitos, monócitos e macrófagos). . ! . Em meningites virais causadas por enterovírus, pode ter aumento de neutrófilos. Proteína e glicose normal Pesquisa de bactérias e fungos é negativa. A etiologia viral, pode ser confirmada pelo PCR. Tratamento: vai ser sintomático, devendo ser utilizado corticoide somente para casos em que a resposta inflamatória é intensa e mantida e/ou acompanhada por HIC Meningo encefalite herpética: Causada pelo herpes simples tipo 1 (HSV-1) Clínica: Meningite + encefalite → alteração de comportamento, déficit neurológico focal Diagnóstico: Punção lombar com padrão de LCR viral + Exame de imagem: acometimento de lobo temporal Tratamento: aciclovir 6 Pediatria