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Complexo Temático I - 5° Período
Dor
Autora:
Ana Lígia de Araújo Nicácio - @ligiaemed
Material produzido por Ana Lígia de Araújo Nicácio, E-email analigianicacio@gmail.com, Ig @ligiaemed, para uso pessoal e privado. Este
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SUMÁRIO
SP 1.1 Tá quente…
Tutoria
● Vias da dor
Morfofuncional:
● Vias da dor: do receptor à analgesia medicamentosa por anti-inflamatórios não
esteroidais
Medicina Laboratorial
● Vias da dor: do receptor à analgesia medicamentosa por anti-inflamatórios não
esteroidais
TBL
● Nocicepção e psicossomática da dor
SP 1.2 Nem existe mais…
Tutoria
● Dor neuropática, anestesia e analgesia e sensibilização central e periférica
Morfofuncional
● Dor neuropática: fenômenos fisiológicos e estruturais
Medicina laboratorial
● Aplicação terapêutica da gabapentina
TBL
● Anestesia e analgesia
SP 1.3 Não me toque!
Tutoria
● Fibromialgia
Morfofuncional
● Contração do músculo estriado esquelético
Medicina laboratorial
● Introdução aos fármacos antidepressivos
TBL
● Abordagem e avaliação clínica da dor
SP 1.4 Uma pedra no caminho
Tutoria
● Nefrolitíase e dor visceral
Morfofuncional
● Dor referida e dor irradiada: compreendendo os conceitos morfofuncionais do sistema
urinário
Medicina laboratorial
● Farmacologia dos agentes antiespasmódicos
TBL
● Opióides
SP 1.5 Cuidados, o quê?
Tutoria
● Dor neoplásica, cuidados paliativos e opióides
Morfofuncional
● Aspectos morfofuncionais do sistema esquelético com ênfase na coluna vertebral e no
plexo venoso vertebral
Medicina laboratorial
● Estudo dos fármacos analgésicos opioides
TBL
● Cuidados paliativos
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Tutoria SP 1.1 Tá quente…
Introdução à fisiopatologia da dor
Objetivos de aprendizagem:
1. Descreva e classifique os tipos de dor. ✅
2. Descreva os tipos de receptores da dor. ✅
3. Quais são as vias de transmissão da dor? ✅
4. Quais os fatores desencadeantes da dor? ✅
5. Qual é o mecanismo da dor no processo inflamatório?
✅
6. Conceitue o limiar da dor. ✅
7. Quais são os moduladores da dor e seus mecanismos?
(Fé, ambiente, temperatura...) ✅
8. Qual a classificação das queimaduras e as orientações
de cuidado primário para cada tipo? ✅
9. Conceitue e classifique a automedicação e seus riscos.
✅
1 - Descreva e classifique os tipos de dor:
Definição: A dor é definida pela International
Association for the Study of Pain (IASP) como uma
experiência sensitiva e emocional desagradável,
associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão
tecidual real ou potencial.
● Além disso, é um componente do sistema de
defesa do organismo. Fornece um rápido aviso
ao sistema nervoso para iniciar uma resposta
motora e minimizar o prejuízo físico.
Dor VS nocicepção: Nocicepção é a capacidade de
detecção do estímulo nocivo, já dor é o termo técnico
usado para a percepção consciente subjetiva.
Dor referida: É a dor sentida pela pessoa em local
diferente daquele onde é produzido o estímulo que causa
a dor.
Em geral, a área da dor visceral e da dor referida são
inervadas pelo mesmo segmento da medula espinal.
Classificação:
Quanto ao local de origem:
● Periférica;
● Central.
● Visceral;
● Somática.
Quanto ao aspecto temporal:
Dor aguda: se manifesta transitoriamente, em um
período de minutos ou semanas, associada a lesão de
tecidos ou órgãos. É autolimitada e se resolve com a
cura do dano. Pode evoluir para dor crônica. Ex:
pós-trauma, infarto. Em geral, a maioria das fontes
considera que essa dor pode durar no máximo 3 meses.
Dor crônica: prolongada, normalmente com difícil
identificação temporal e/ou causal. Pode resultar de
uma condição crônica (artrite reumatoide, diabetes,
AVC etc) ou por lesão previamente tratada ou curada.
Não se resolve por conta própria. É uma dor que pode se
originar no corpo, no cérebro ou na medula espinhal,
podendo ser neuropática, nociplástica, nociceptiva ou
idiopática (sem causa aparente). A dor é considerada
crônica quando tem no mínimo 3 meses, alguns autores
consideram 6 meses.
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Conceito de duas dimensões (tempo e patologia
física):
● Curta duração ou alta patologia física (acima da
diagonal) > dor aguda
● Baixa patologia física ou longa duração (abaixo
da diagonal) > dor crônica
Quanto ao mecanismo fisiopatológico:
Dor nociceptiva: é aquela originada por dano tecidual
potencial ou real em um tecido não neural devido a
ativação de nociceptores. Nesse tipo de dor é possível
correlacionar a dor com o estímulo desencadeante.
Compreende a dor somática e a visceral, resultado de
danos teciduais mais comuns e frequentes nas situações
inflamatórias, traumáticas e invasivas, ou isquêmicas.
● Dor somática: sensação dolorosa rude,
exacerbada pelo movimento (dor "incidental"). É
aliviada pelo repouso, é bem localizada e
variável, conforme a lesão básica. Exemplos:
dores ósseas, pós-operatórias, dores
musculoesqueléticas, dores artríticas, etc.
● Dor visceral: é provocada por distensão de
víscera oca, mal localizada, profunda,
opressiva, constritiva. Frequentemente
associa-se a sensações de náuseas, vômitos e
sudorese. Muitas vezes há dores locais
referidas, como em ombro ou mandíbula
(relacionadas ao coração), em escápula
(referente a vesícula biliar) e em dorso
(referente ao pâncreas). Exemplos: câncer de
pâncreas, obstrução intestinal, metástase
intraperitoneal, infarto agudo do miocárdio,
colecistite, pancreatite, etc.
Dor neuropática: é uma sensação de dor causada por
danos ou doenças no sistema nervoso somatossensorial.
Essa dor pode ser aguda e ardente, originando-se de
alterações na via nervosa que transmite sinais de dor ao
sistema nervoso central (SNC) ou de mudanças nos
neurônios dentro do próprio SNC. Ela pode afetar tanto
o sistema nervoso periférico quanto o central e pode
persistir mesmo após a resolução do dano tecidual
original ou do processo inflamatório associado à lesão.
Os sintomas da dor neuropática incluem sensações como
queimação, peso, agulhadas, ferroadas ou choques, às
vezes acompanhados de formigamento ou
adormecimento (parestesias) em uma parte específica
do corpo. Exemplos de condições associadas à dor
neuropática incluem neuropatia diabética, neuralgia do
nervo trigêmeo, neuralgia pós-herpética e outras
neuropatias periféricas.
Dor nociplástica: relacionada a nocicepção alterada a
despeito da clara evidência de que não há dano tecidual
real ou potencial causando ativação dos nociceptores
periféricos ou evidências de lesão no sistema
somatossensorial. O termo DN é utilizado tanto
científica como clinicamente, referindo-se aos indivíduos
que se queixam de dor e hipersensibilidade em regiões
com tecidos aparentemente normais e sem quaisquer
sinais de neuropatia. Exemplos: fibromialgia, enxaqueca
e síndrome do cólon irritável.
Fonte: Manual de Avaliação e Tratamento da Dor, UEPA,
2020.
2 - Descreva os tipos de receptores da dor.
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Nociceptores: são neurônios com terminaçõesefeitos
anticonvulsivantes da gabapentina em animais.
● Lembre! Para que ocorra a liberação de
neurotransmissores na fenda sináptica, o cálcio
precisa entrar nos terminais axônicos e se
ligarem às vesículas sinápticas, influenciando na
liberação dos neurotransmissores;
● Com a ligação da gabapentina a à subunidade
α2δ, os canais de cálcio dependentes de
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https://www.sbahq.org/wp-content/uploads/2022/12/Manejo-da-dor.pdf
https://www.sbahq.org/wp-content/uploads/2022/12/Manejo-da-dor.pdf
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/8057/1/5455_10965.pdf
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/8057/1/5455_10965.pdf
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/8057/1/5455_10965.pdf
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/8057/1/5455_10965.pdf
voltagem não se abrem e o cálcio não entra para
exercer seu papel;
● Logo, não acontece a liberação de
neurotransmissores excitatórios.
Figura - relembre como ocorre a liberação de
neurotransmissores na fenda sináptica
Indicação clínica:
● Epilepsia
A gabapentina é indicada como monoterapia no
tratamento de crises parciais com ou sem generalização
secundária, em adultos e em crianças a partir de 12 anos
de idade. A segurança e eficácia da monoterapia em
crianças com menos de 12 anos de idade não foram
estabelecidas.
A gabapentina também é indicada como terapêutica
adjuvante no tratamento de crises parciais com ou sem
generalização secundária em adultos e em crianças a
partir de 12 anos de idade.
● Dor Neuropática
A gabapentina é indicada para o tratamento da dor
neuropática em adultos a partir de 18 anos de idade. A
segurança e eficácia em pacientes com menos de 18 anos
não foi estabelecida.
Fonte: Manual de farmacologia e terapêutica de
Goodman
6 Quais são as opções terapêuticas medicamentosas e não
medicamentosas para a dor no membro fantasma?
Para a abordagem terapêutica da DMF, preconiza-se a
Reabilitação Integral. Esse modelo inclui uma equipe
multiprofissional que pode avaliar e reabilitar o indivíduo
que sofreu a amputação desde o pós-operatório
imediato. O tratamento inicia em ambiente hospitalar
com o controle da dor, e segue após a alta hospitalar,
com orientação e acompanhamento no processo de
colocação de prótese para adquirir independência
funcional e social.
Tratamentos invasivos ➜ cirurgias abrasivas foram
progressivamente suspensas por baixo grau de
evidência. Implantação de eletrodos em nível espinhal
dorsal para estimular o mecanismo endógeno de controle
da dor e implantes no córtex motor para tratamento de
DMF refratária.
A terapia farmacológica ➜ é similar ao manuseio da dor
neuropática. Inicia-se com fármacos que envolvem
antidepressivos tricíclicos e anticonvulsivantes, e outros
analgésicos convencionais como opióides. Anestesias com
bloqueio local ou epidural com administração de
lidocaína, fentanil, ou outros anestésicos.
Psicoterapia ➜ Tem como objetivo a aceitação da perda
de um segmento corporal, considera-se que a negação da
amputação, a dramatização da dor, a perda de esperança
sejam fatores que prejudicam o manuseio da DMF.
Fisioterapia ➜ também apresenta baixo grau de
evidência científica no tratamento da DMF.
• TENS (estimulação elétrica transcutânea): início dos
anos 1980. Justifica-se pelo efeito fisiológico da TENS
sobre o corno posterior da medula espinhal, cuja
projeção do dermátomo estimulado faz referência à
porção do membro amputado.
• Protetização: década de 1990. Evidências ainda
singelas demonstram que adquirir função com o membro
fantasma pelo uso de próteses em membros superiores
ou em membros inferiores poderiam contribuir
diretamente à reorganização cortical proteger do ponto
de vista neurofisiológico o surgimento da DMF.
Fonte: Tratado da Dor
7 Qual Qual a importância do tratamento multiprofissional
para dor do membro fantasma?
Abordagem Integrada: A dor do membro fantasma é
uma síndrome multifacetada que transcende os limites
puramente físicos, abrangendo também dimensões
emocionais e psicológicas. Uma abordagem
multiprofissional se revela crucial para uma intervenção
holística, contemplando todos esses aspectos de forma a
prover alívio efetivo da dor.
Variedade de Expertises: Profissionais oriundos de
distintas disciplinas, incluindo médicos, fisioterapeutas,
psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros,
aportam perspectivas diversas ao tratamento da dor do
membro fantasma. Tal diversidade propicia uma
compreensão mais abrangente da condição, viabilizando a
implementação de estratégias terapêuticas mais
eficazes.
Abordagem Personalizada: Em vista das singularidades
de cada indivíduo frente à dor do membro fantasma, um
enfoque multiprofissional se destaca por possibilitar a
concepção de planos de tratamento personalizados,
adaptados às necessidades específicas de cada paciente.
Comunicação e Sinergia: A integração de uma equipe
multiprofissional facilita a comunicação entre os
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diferentes profissionais envolvidos no cuidado,
garantindo uma coordenação efetiva do tratamento. Tal
sinergia minimiza lacunas na assistência e assegura uma
cobertura integral das demandas do paciente.
Ampla Gama de Intervenções: Por meio da colaboração
entre profissionais de distintas especialidades, os
pacientes têm acesso a um vasto leque de intervenções
terapêuticas, englobando desde modalidades
medicamentosas até técnicas de fisioterapia, terapia
cognitivo-comportamental e estratégias de relaxamento.
Esta diversidade de abordagens aumenta as chances de
encontrar uma terapia eficaz para cada caso.
Suporte Emocional: Reconhecendo o impacto substancial
da dor do membro fantasma no bem-estar emocional,
profissionais de saúde mental, como psicólogos e
psiquiatras, desempenham um papel fundamental ao
oferecer suporte emocional e auxiliar os pacientes no
enfrentamento do estresse, ansiedade e outras
questões emocionais associadas à condição.
8 Diferencie anestesia e analgesia (descreva os tipos de
anestesia)
Anestesia: consiste no estado de total ou parcial
ausência de dor e outras sensações durante um
procedimento cirúrgico, exame diagnóstico ou
terapêutico. Pode ser dividida em:
1. Anestesia geral: compreende a abolição da
percepção das sensações e a perda da
consciência. Induz-se um estado neurológico em
que o indivíduo não responde a estímulos
ambientais. A consciência é abolida, e a
capacidade do corpo de reagir ao estímulo
nociceptivo é controlada de maneira reversível
por uma variedade de fármacos.
2. Anestesia regional: compreende técnicas que
propiciam a anestesia em uma área do corpo
secundária à aplicação de anestésico local aos
nervos ou plexos nervosos que suprem
determinada área corporal. Às técnicas
utilizadas são:
● Anestesia neuroaxial: é aquela obtida
pela ação dos anestésicos locais nas
raízes nervosas espinhais. O anestésico
pode ser injetado no espaço
subaracnóideo (anestesia espinal,
raquianestesia ou anestesia
subaracnóidea) ou no espaço epidural
(anestesia peridural ou epidural)
● Bloqueio de nervos periféricos:
técnica que bloqueia a condução
nervosa ou plexos nervosos usando
anestésicos locais. Pode bloquear um
membro superior ou inferior utilizando
diferentes abordagens.
Analgesia: é a abolição, total ou parcial, espontânea ou
terapêutica, da sensibilidade à dor sem supressão das
outras propriedadessensitivas, nem perda de
consciência. Os fármacos analgésicos são classificados
em opióides e não opióides.
- Preserva a consciência;
- Preserva a sensibilidade;
- Preserva a função motora.
Fontes: livro “Rotinas em Anestesiologia e Medicina
Perioperatória” +
https://labs.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista1/volume1_
a_dor(II)/cap5.htm + dicionário Michaelis
9 Explique como ocorre a neuromodulação na sensibilização
central e periférica da dor e correlacione com hiperalgesia,
alodinia e Windup
Mecanismos de sensibilização:
Sensibilização periférica: consiste na responsividade
aumentada e redução do limiar de neurônios nociceptivos
na periferia para estimulação de seus campos
receptivos. Em linhas gerais, a sensibilização periférica
resulta de alterações locais associadas à inflamação.
● Após a lesão tecidual, as células liberam
diversas substâncias, a“sopa inflamatória”, a
qual estimula os nociceptores das fibras C e
A-delta a transformarem esses estímulos em
potencial elétrico;
● É gerado um microambiente que rodeia os
nociceptores e os estimula continuamente,
diminuindo o seu limiar de ativação e/ou
aumentando a magnitude da resposta nas
terminações periféricas das fibras nervosas
sensitivas. Como consequência, ocorre a
transmissão de sinais aferentes até ao corno
dorsal da ME e a formação de um processo de
inflamação neurogénica.
● A lesão tecidual induz alterações gênicas e
também a nível do gânglio espinal, que a longo
prazo modificam a resposta às fibras aferentes
(nociplasticidade). A expressão dos canais de
sódio é aumentada e dos canais de potássio
diminuídos. Os canais de sódio próximos à lesão
participam da excitabilidade periférica.
Sensibilização central: consiste no aumento da
responsividade de neurônios nociceptivos no sistema
nervoso central aos estímulos aferentes normais e
subliminares. Tem-se um estado de “hiperexcitabilidade”
no SNC. A sensibilização central é responsável pelo
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https://labs.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista1/volume1_a_dor(II)/cap5.htm
https://labs.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista1/volume1_a_dor(II)/cap5.htm
aumento da excitabilidade da sinapse, o que se traduz na
prática clínica pela alodínia e hiperalgesia.
● Após estimulação intensa ou lesão persistente,
a ativação dos nociceptores C e A-delta
promove a liberação dos mais diversos
neurotransmissores excitatórios.
● A contínua liberação de neurotransmissores e
ativação destes receptores contribui para
despolarizar os neurónios pós-sinápticos
ativando os receptores NMDA quiescentes (que
normalmente são bloqueados pelo Mg+2+). Tais
receptores, quando ativados, permitem o
influxo de sódio e cálcio, e o efluxo de potássio
ao nível celular. O influxo de cálcio permite a
ativação de múltiplas cinases de proteínas que
fosforila outras subunidades dos receptores
NMDA, prolongando a abertura dos canais e a
despolarização membranar. Esta cascata de
eventos aumenta a excitabilidade dos neurónios
e facilita a transmissão das mensagens
dolorosas ao cérebro.
Wind-up: consiste no aumento da intensidade da dor ao
longo do tempo em decorrência da repetição dos
estímulos veiculados pelos aferentes periféricos C que
ativam o receptor NMDA e acarretam aumento
progressivo da reatividade dos neurônios do CDME.
Constitui a fase inicial dos processos que geram a
sensibilização central.
Alodinia: Dor que ocorre durante um estímulo que
normalmente não provocaria dor. O estímulo leva a uma
resposta inesperadamente dolorosa nesses indivíduos. É
importante ressaltar que a alodinia envolve uma mudança
na qualidade de uma sensação, seja tátil, térmica ou de
qualquer outro tipo, havendo perda de especificidade
sensorial.
Hiperalgesia: A hiperalgesia ocorre quando há um
aumento da dor a um estímulo que normalmente provoca
dor, e pode ser observada após diferentes tipos de
estimulação somatossensorial aplicada a diferentes
tecidos. É importante diferenciar hiperalgesia e alodinia.
A hiperalgesia reflete dor aumentada a um estímulo que
causa dor, enquanto a alodinia reflete dor a estímulos
que não causam dor. Pode ser dividida em:
● Central: resultante da sensibilização central, a
qual ocasiona amplificação dos sinais de dor
transmitidos para o cérebro, levando à
percepção exagerada e prolongada da dor.
● Periférica: resultante da sensibilização
periférica, a qual provoca a redução do limiar da
dor e a maior responsividade aos estímulos
lesivos.
Fontes: Tratado da Dor + *TF - Os mecanismos FP de
modulação da dor cronica.pdf (uc.pt)
10 - Quais as escalas da dor e sua aplicabilidade?
Quanto a intensidade (Escore da dor): A dor pode ser
avaliada por diferentes escalas de intensidade.
1. Escala Visual Analógica (EVA): não há um
consenso acerca da idade mínima para sua
utilização, mas em termos gerais é melhor
usada com maior frequência a partir dos 6 anos.
2. Escala Visual Numérica: clinicamente, pode ser
utilizada a partir do momento que a criança
consiga interpretar os números
3. Escala descritiva ou qualitativa: É mais
comumente utilizada em idosos. Sendo a última
opção para uso entre as escalas de
autoavaliação.
4. Escala de faces de Wong Baker: sua principal
vantagem é sua fácil utilização. É indicada para
crianças ou para pacientes com limitações
cognitivas. Por conta disso, é a escala de mais
fácil compreensão, sendo a preferível para
pacientes entre quatro e sete anos
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https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
Fonte: Manual de Avaliação e Tratamento da Dor, UEPA,
2020.
11 Explique a síndrome dolorosa complexa regional
Síndrome dolorosa regional complexa: é uma dor
neuropática crônica caracterizada por dor em queimação
ou profunda persistente, acompanhada por certas
anormalidades que aparecem na mesma área da dor. Ela
é caracterizada por dor cuja distribuição se inicia
distalmente, em uma extremidade, após trauma, e é
desproporcional em magnitude ou duração em relação ao
curso natural da dor em um quadro de lesão tecidual
semelhante. A dor é espontânea, mas tipicamente pode
ser também evocada.
● A dor regional (sem território ou dermátomo
neural específico) é o marco desta condição
clínica e costuma ser desproporcional ao curso
de qualquer lesão ou evento traumático
conhecido.
Há dois tipos:
● SCDR do tipo 1 ou distrofia
simpático-reflexa: resulta de lesão nos
tecidos, exceto no tecido nervoso, como ocorre
quando o osso e os tecidos moles (como
ligamentos e tendões) são esmagados em um
acidente. Ela também pode se desenvolver após
amputação, ataque cardíaco, acidente vascular
cerebral ou câncer (como câncer de pulmão,
mama, ovário ou cérebro). O tipo 1 comumente
ocorre depois de um membro lesionado ser
tratado com um molde de gesso ou tala para
imobilizá-lo.
● SDCR do tipo 2 ou causalgia: resulta de lesão
nos nervos.
Manifestações clínicas:
● Hiperalgesia, alodinia, mudança de cor e
temperatura da pele, sudorese, edema,
alteração de fâneros, sinais de distrofia
localizada, redução de força, tremores ou
distonia e osteoporose focal.
● A unha torna-se grande, porque o indivíduo se
recusa a cortá-la.A pele torna-se fina, lisa e
brilhante.
● Na fase mais tardia, os pacientes se
apresentam com atrofia muscular e retração de
articulações e tendões.
● Dor contínua, limitação do movimento,
instabilidade vasomotora, alterações cutâneas e
desmineralização óssea não homogênea, com
início após trauma ou cirurgia.
As manifestações ocorrem após processo lesivo inicial,
que podem ser fraturas ou lesões de extremidades
(SCDR tipo I ou distrofia simpático-reflexa) ou lesões
de nervos periféricos específicos (SCDR tipo II ou
causalgia).
Também é possível delimitar dois fenótipos entre os
pacientes: periférico (predomínio de sintomas
inflamatórios, como edema e eritema) e central
(predomínio de sensibilização central, como alodínia e
alterações motoras).
Etiologia:
A etiopatogenia desta síndrome ainda não é
completamente compreendida, mas parece estar
relacionada a microangiopatia e/ou anormalidades do
sistema simpático causando isquemia das áreas
afetadas.
Ambos os tipos de síndrome complexa de dor regional
(SCDR tipos I e II) são causados por uma lesão inicial
que é superada em duração e distribuição, porém seus
mecanismos não são totalmente compreendidos.
Acredita-se que ocorra uma disfunção do sistema
nervoso simpático, sendo esse o modelo mais estudado
atualmente. Nesse sentido, haveria resposta
inflamatória e cicatricial exacerbada após a lesão
precursora, levando às manifestações de dor e
alterações vasomotoras após estímulo traumático, por
exemplo uma cirurgia ou uma fratura.
Diagnóstico
O diagnóstico compreende, essencialmente, a dor e
depende de história compatível com os tipos de
síndrome complexa de dor regional, excluindo outras
patologias que expliquem a dor ou as alterações
observadas. Os estudos de eletroneuromiografia
costumam ser normais até estágios avançados da
doença. A diferença entre o diagnóstico de ambos os
tipos de SCDR se dá na identificação do fator
desencadeante, que na síndrome do tipo I ocorre após
evento lesivo qualquer (fraturas, lesões de
extremidades) e a do tipo II ocorre após lesão de nervo
específico. Em seguida, para ambos os casos, é
observada dor espontânea, alodínia ou hiperalgesia cujos
limites não se restringem a um nervo específico ou são
desproporcionais ao evento inicial. Além disso, é
observada a presença de edema, alterações vasomotoras
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cutâneas ou sudomotoras na região dolorosa. O
diagnóstico precoce melhora o prognóstico dos
pacientes, logo é importante se atentar para o risco do
desenvolvimento desta síndrome durante o
acompanhamento pós-operatório.
Atividade simpática na dor neuropática:
Sob condições fisiológicas, as terminações nervosas
aferentes primárias não são sensíveis às catecolaminas,
portanto, o sistema simpático não causa dor. No entanto,
lesões de nervos periféricos induzem uma
hipersensibilidade noradrenérgica fazendo com que
contribua para estimular uma dor neuropática. Em alguns
casos, a dor neuropática pode levar a um aumento na
atividade simpática, resultando em um estado de
hiperatividade simpática conhecido como "síndrome de
dor regional complexa" ou "distrofia simpática reflexa".
Nesses casos, a noradrenalina pode contribuir para a
amplificação da dor neuropática através da ativação
excessiva dos sistemas simpáticos.
Fontes: Tratado da Dor + Porto +
https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/67/o/semi2011_
Camila_Franca_1c.pdf
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https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/67/o/semi2011_Camila_Franca_1c.pdf
Morfofuncional SP 1.2 Nem existe mais…
Dor neuropática: fenômenos fisiológico e estruturais
Objetivos de aprendizagem:
1. Diferenciar gânglio e nervo espinal, e relacionar com a
organização dos plexos lombar e lombossacral;
2. Analisar facilitação periférica e central da dor.
Medula espinal, gânglios, nervos e vias aferentes
Revisão anatomia da medula:
Funículo, tratos e fascículos
Trato: feixe de fibras nervosas com aproximadamente
a mesma origem, mesma função e mesmo destino. As
fibras podem ser mielínicas e amielínicas.
Fascículo: usualmente o termo se refere a um trato
mais compacto.
Funículo: o termo é usado para a substância branca da
medula; um funículo contém vários tractos ou fascículos.
Aspectos histológicos dos gânglios nervosos:
Gânglio: acúmulo de corpos de neurônios fora do SNC,
os quais são envoltos por uma cápsula de tecido
conjuntivo. Os gânglios são divididos em:
● Autonômicos: corpos de neurônios eferentes.
● Sensoriais: corpos de neurônios aferentes.
Gânglios autonômicos: formações bulbosas ao longo do
nervo.
● Parassimpáticos: interior de certos órgãos.
Normalmente, apresentam menor número de
neurônios, sem cápsula de tecido conjuntivo
(contínuos com o estroma do órgãos)
● Simpáticos: cadeia de gânglios próximas à
coluna vertebral (T1-L2). São envolvidos por
cápsula de tecido conjuntivo.
Gânglios sensoriais:
● Cranianos: associados aos nervos cranianos
● Espinais: localizados na raiz dorsal dos nervos
espinais. Normalmente são pseudo unipolares.
Ps: dentro do SNC os corpos de neurônios são
organizados em núcleos.
Aspectos histológicos dos nervos:
Conceito: consiste em feixes de axônios fora do SNC,
envoltos por células de Schwann revestidas por lâmina
basal. Eles dividem-se em:
● Nervos cranianos > 12 pares que se ligam ao
sistema nervoso central diretamente pelo
encéfalo;
● Nervoso espinhais: 31 pares que se ligam
diretamente à medula.
Nervo calibroso: é formado por
● Epineuro:
- Reveste o nervo externamente;
- Tecido conjuntivo.
● Perineuro:
- Reveste feixes de axônios;
- Formado por células alongadas unidas
por junções oclusivas (passagem de
moléculas e defesa);
● Endoneuro:
- Reveste os axônios;
- Delicada camada de tecido conjuntivo
rico em fibras reticulares sintetizadas
pelas células de Schwann.
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Formação do plexo lombar:
Plexo lombar: forma-se anteriormente aos processos
transversos lombares, dentro da inserção proximal do
músculo psoas maior. É formado pelos ramos ventrais
dos nervos espinais L1, L2, L3 e L4, com uma
contribuição do ramo ventral do 12 nervo torácico.
Formação dos nervos do plexo lombar:
T12 envia um ramo que se comunica com L1. A partir da
comunicação de T12 e L1, surgem 2 ramos: um superior e
outro inferior.
● Do ramo superior, surgem 2 nervos do plexo: o
iliohipogástrico e o ilioinguinal.
● O ramo inferior da comunicação de T12 com L1
se comunicará com L2, a partir dessa
comunicação, surgirá o nervo genitofemoral.
Os ramos ventrais de L2, L3 e L4, todos eles
apresentarão divisões posteriores e anteriores.
● Divisões posteriores de L2 e L3, se unem
formando o nervo cutâneo femoral-lateral
● Divisões posteriores de L2, L3 e L4 se unem
para formar o nervo femoral
● Divisões anteriores de L2, L3 e L4 se unem para
formar o nervo obturatório.
Figura - Nervos do plexo lombar:
Figura - Nervos do plexo lombar
Plexo lombossacral: as raízes do plexo lombossacral são
formadaspelos ramos ventrais do nervos espinais L4,
L5, S1, S2, S3 e S4. Esses ramos ventrais apresentarão
divisões anteriores e posteriores.
● Divisões anteriores de S2, S3 e S4 se unem
para formar o nervo pudendo > se distribui
para a região do períneo;
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● Divisões posteriores de L4, L5 e S1 se unem
para formar o nervo glúteo superior > inerva
glúteo médio, glúteo mínimo e tensor da face
alar;
● Divisões posteriores de L5, S1 e S2 se unem
para formar o nervo glúteo inferior > inerva o
músculo glúteo máximo;
● O nervo isquiático é formado por dois
componentes: nervo tibial e o nervo fibular
comum.
- O nervo tibial é formado pela união das
divisões anteriores de L4, L5, S1, S2 e
S3.
- O nervo fibular comum é formado pelas
divisões posteriores de L4, L5, S1 e
S2.
O nervo isquiático deixa a pelve pelo forame isquiático
maior, surge na região glúteo logo abaixo do músculo
piriforme, desce pela parte posterior da coxa e, nessa
parte, inerva os músculos semitendinoso,
semimembranoso e a cabeça longa do bíceps femoral. O
nervo fibular comum inerva a cabeça curta do bíceps
femoral. Na região poplíteo, o nervo isquiático se divide
na fossa poplíteo em: nervo fibular comum (o qual se
divide em superficial e profundo) e no nervo tibial e na
planta do pé emite seus ramos terminais: nervos
plantares.
Figura - Plexo lombossacral
Figura - Nervos do plexo lombossacral
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Atividade - Plexo lombar e lombossacral
Facilitação periférica e central da dor:
Facilitação periférica: após a amputação, os nervos
periféricos remanescentes podem se tornar
sensibilizados, gerando sinais de dor intensificados. Isso
pode ser resultado de danos nos nervos durante o
processo cirúrgico ou de processos inflamatórios e
cicatrização no local da amputação. Além disso, os
nociceptores (receptores de dor) nos tecidos
circundantes podem se tornar mais sensíveis e
responsivos a estímulos dolorosos, aumentando a
percepção da dor.
Facilitação central: após a amputação, ocorrem
alterações neuroplásticas na medula espinal e no
cérebro, incluindo reorganização do mapa cortical e
aumento da excitabilidade neuronal. Além disso, a
ativação de circuitos neurais relacionados à memória e à
emoção pode contribuir para a persistência da dor do
membro fantasma, tornando-a mais difícil de ser
controlada.
Questões de aprendizagem:
1. Como pode ocorrer a dor neuropática por
amputação de membros, em especial em relação
aos elementos celulares e a mediação química
envolvida?
2. Ainda que um determinado paciente lesione um
membro sem necessidade de amputação, ele
ainda teria maior sensibilidade à dor no local?
Justifique sua resposta utilizando um trecho de
sua leitura.
Fontes: Netter + Princípios de Anatomia Humana
(Tortora) + Aulas do Ulife + Neurociência da Mente e do
Comportamento (Roberto Lent)
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Medicina laboratorial SP 1.2 Nem existe mais…
Aplicação terapêutica da gabapentina
Objetivos de aprendizagem:
1. Analisar o mecanismo de ação da gabapentina e sua
aplicação clínica;
2. Correlacionar o efeito terapêutico da gabapentina
desejado para o tratamento de dor crônica com os
efeitos adversos deste fármaco;
3. Analisar a toxicidade e principais contraindicações do
uso da gabapentina.
Aplicação terapêutica da gabapentina
Conceito: a gabapentina pertence a classe dos
anticonvulsivantes, que são um grupo de fármacos que
visam inibir a hiperexcitabilidade neuronal clássica de
crises epiléticas. Foi desenvolvida como agonista do
GABA, mas hoje sabe-se que ela não atua por meio dos
mesmos mecanismos que esse neurotransmissor
inibitório.
Farmacocinética:
● Biodisponibilidade: não é proporcional à dose.
Quanto maior a dose menor a
biodisponibilidade. É aproximadamente 60%;
● Picos de concentração plasmática: entre 2 a 3
horas após administração oral;
● Alimentação não influencia na sua
farmacocinética;
● Meia-vida: 5 a 7 horas;
● Não se liga a proteínas plasmáticas;
● É eliminada exclusivamente nos rins. O
clearance plasmático é reduzido em idosos e
portadores de insuficiência renal.
Mecanismo de ação:
A gabapentina penetra rapidamente no cérebro e
previne convulsões em uma série de modelos animais de
epilepsia. A gabapentina não possui afinidade pelos
receptores GABA-A ou GABA-B nem altera o
metabolismo do GABA. Não se liga a outros
neuroreceptores ou sítios de neurotransmissão cerebral
e não interage com os canais de sódio. A gabapentina
liga-se com alta afinidade à subunidade α2δ
(alfa-2-delta) dos canais de cálcio
voltagem-dependentes propondo-se que a ligação à
subunidade α2δ esteja envolvida nos efeitos
anticonvulsivantes da gabapentina em animais.
● Lembre! Para que ocorra a liberação de
neurotransmissores na fenda sináptica, o cálcio
precisa entrar nos terminais axônicos e se ligar
às vesículas sinápticas, influenciando na
liberação dos neurotransmissores;
● Com a ligação da gabapentina a à subunidade
α2δ, os canais de cálcio dependentes de
voltagem não se abrem e o cálcio não entra para
exercer seu papel;
● Logo, não acontece a liberação de
neurotransmissores excitatórios.
Figura - relembre como ocorre a liberação de
neurotransmissores na fenda sináptica
Aplicação terapêutica:
Epilepsia: a gabapentina é indicada como monoterapia no
tratamento de crises parciais com ou sem generalização
secundária, em adultos e em crianças a partir de 12 anos
de idade.
A gabapentina também é indicada como terapêutica
adjuvante no tratamento de crises parciais com ou sem
generalização secundária em adultos e em crianças a
partir de 12 anos de idade.
Dor Neuropática: a gabapentina é indicada para o
tratamento da dor neuropática em adultos a partir de 18
anos de idade. A segurança e eficácia em pacientes com
menos de 18 anos não foi estabelecida.
Toxicidade:
Não foi observada toxicidade aguda com risco de vida
nos casos de superdoses de gabapentina de até 49 g.
● Os sintomas da superdose incluem tontura,
visão dupla, fala empastada, sonolência, perda
de consciência, letargia e diarréia leve. Todos
os pacientes se recuperaram totalmente com
terapêutica de suporte. A redução da absorção
de gabapentina em doses maiores pode limitar a
absorção do fármaco quando superdoses são
ingeridas e, consequentemente, minimizar a
toxicidade.
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Contraindicações:
● Contraindicada a pacientes com
hipersensibilidade à gabapentina e outros
componentes da fórmula;
● Contraindicada para menores de 12 anos.
Reações adversas na dor neuropática:
Advertências e precauções:
● Gerais: suspensão ou troca em pacientes
epilépticos deve ser feita gradualmente;
● Uso concomitante com opióides e outros
depressores do SNC: devem ser prescritos
com cautela. Em geral, com doses reduzidas,
visto que há risco de depressão do SNC
(sonolência,sedação, depressão respiratória
etc);
● Reações alérgicas e anafilaxia: há riscos. A
gabapentina deve ser descontinuada nessas
suspeitas;
● Abuso e dependência: Os pacientes tratados
com gabapentina devem ser monitorados quanto
a sinais e sintomas de abuso ou dependência da
gabapentina (por exemplo, desenvolvimento de
tolerância, aumento da dosagem e
comportamento de procura de droga);
● Sintomas e abstinência: podem ser relatados
em alguns pacientes após a descontinuação. Os
sintomas relatados com mais frequência incluem
ansiedade, insônia, náusea, dores, sudorese,
tremor, dor de cabeça, depressão, sensação
anormal, tontura e mal-estar;
● Mulheres com potencial para
engravidar/Contracepção: O uso de
gabapentina no primeiro trimestre da gravidez
pode causar defeitos congênitos graves no feto.
A gabapentina não deve ser usada durante a
gravidez, a menos que o benefício para a mãe
supere claramente o risco potencial para o feto.
As mulheres com potencial para engravidar
devem fazer uso de método contraceptivo
eficaz;
● Fertilidade: não há efeito sobre a fertilidade
em estudos com animais
● Uso durante a lactação: A gabapentina é
excretada no leite materno. Devido ao efeito no
lactente ser desconhecido, deve-se ter cuidado
em administrar gabapentina a lactantes. A
gabapentina deve ser utilizada em lactantes
apenas se os benefícios superarem os riscos
para o bebê.
● Efeitos na Habilidade de Dirigir e Operar
Máquinas: o paciente deve ser orientado a não
dirigir ou operar máquinas potencialmente
perigosas até que se saiba que o medicamento
não afeta as suas habilidades de executar estas
atividades.
Fonte: Bulário Anvisa.
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TBL SP 1.2 Nem existe mais…
Anestesia e analgesia
Objetivos de aprendizagem:
1. Saber diferenciar anestesia/sedação/analgesia;
2. Saber diferenciar as diferentes indicações de tipo de
anestesia/ sedação/ analgesia;
3. Conhecer as medicações mais utilizadas.
Bases das anestesiologia
Conceito de anestesia: estado induzido de ausência de
dor ou outras sensações durante um procedimento
cirúrgico, diagnóstico ou terapêutico.
Objetivos:
● Suprimir a sensibilidade dolorosa e a resposta
autonômica ao trauma cirúrgico com manutenção
ou não da consciência, dependendo do tipo da
técnica escolhida;
● Proporcionar condições ideais para a ação da
equipe cirúrgica;
● Monitorar e manter as funções vitais do
paciente durante a cirurgia;
● Propiciar um pós-operatório de boa qualidade,
reduzindo a chance de complicações e
facilitando a reabilitação.
Tipos de anestesia:
● Anestesia geral: compreende a abolição da
percepção das sensações e a perda da
consciência. Induz-se um estado neurológico em
que o indivíduo não responde a estímulos
ambientais. A consciência é abolida, e a
capacidade do corpo de reagir ao estímulo
nociceptivo é controlada de maneira reversível
por uma variedade de fármacos.
- Há perda total ou parcial de reflexos,
incluindo incapacidade de manter a via
aérea ou responder adequadamente aos
comandos verbais.
● Anestesia regional: compreende técnicas que
propiciam a anestesia em uma área do corpo
secundária à aplicação de anestésico local aos
nervos ou plexos nervosos que suprem
determinada área corporal. Às técnicas
utilizadas são:
● Anestesia neuroaxial: é aquela obtida
pela ação dos anestésicos locais nas
raízes nervosas espinhais. O anestésico
pode ser injetado no espaço
subaracnóideo (anestesia espinal,
raquianestesia ou anestesia
subaracnóidea) ou no espaço epidural
(anestesia peridural ou epidural)
● Bloqueio de nervos periféricos:
técnica que bloqueia a condução
nervosa ou plexos nervosos usando
anestésicos locais. Pode bloquear um
membro superior ou inferior utilizando
diferentes abordagens.
Sedação: é um estado alterado de consciência,
caracterizado por vários níveis de depressão do SNC,
obtido mediante o uso de diferentes medicamentos, com
objetivo de proporcionar conforto ao paciente durante a
realização de procedimentos diagnósticos, terapêuticos
ou procedimentos cirúrgicos menores. A sedação pode
ser dividida em:
1. Sedação leve: o paciente responde a comandos
verbais, e os reflexos protetores estão normais
ou minimamente alterados.
2. Sedação moderada: resposta forçada a
estímulo verbal ou tátil. A função
cardiovascular e a ventilação estão
preservadas.
3. Sedação profunda: o paciente dificilmente
responde a comandos verbais, mas responde a
estímulos dolorosos. A ventilação pode ser
comprometida. O anestesista deve estar
preparado para converter para anestesia geral
se necessário.
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Figura - Indicações para sedação, anestesia geral e regional.
Figura - principais fármacos utilizados na sedação
Componentes da anestesia:
● Hipnóticos: propofol, cetamina, agentes
inalatórios, benzodiazepínicos, tiopental e
etomidato.
● Opióides: remifentanil, fentanil, sulfentanil,
alfentanil
● Bloqueadores neuromusculares: Atracúrio,
Cisatracúrio, Rocurônio, Vecurônio, Pipecurônio.
Em geral, os medicamentos usados na anestesia são
hipnóticos, opióides, bloqueadores neuromusculares,
inalatórios, anestésicos locais e adjuvantes.
A consciência e a dor podem ser abolidas em uma
profundidade anestésica menor que a necessária para a
abolição da função motora. Por isso, um movimento não
significa que o paciente vai acordar. Porém, quando o
paciente está sob efeito de bloqueadores
neuromusculares, essa resposta de movimento sinaliza
inadequação do plano anestésico.
Analgesia: é a abolição, total ou parcial, espontânea ou
terapêutica, da sensibilidade à dor sem supressão das
outras propriedades sensitivas, nem perda de
consciência. Os fármacos analgésicos são classificados
em opióides e não opióides.
- Preserva a consciência;
- Preserva a sensibilidade;
- Preserva a função motora.:
Princípios de tratamento da dor aguda:
Analgesia preemptiva e preventiva:
● Analgesia preemptiva: intervenção analgésica
antes da lesão tecidual.
● Analgesia preventiva: O objetivo desse modelo
seria reduzir a sensibilização ao estímulo nocivo
no pré, no intra e no pós-operatório, com adoção
de medidas terapêuticas em todos os momentos
do perioperatório.
Figura - analgesia preventiva
A analgesia preventiva é eficaz para reduzir a ativação
de nociceptores e a necessidade de opióides e seus
efeitos adversos no pós-operatório.
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O uso de analgésicos não opioides sistêmicos, como
anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), paracetamol,
antidepressivos, alfa-2-agonistas, deve integrar um
regime multimodal perioperatório para a analgesia
preventiva.
Terapia analgésica multimodal: empregam uma
variedade de agentes que interferem nas quatro etapas
de processamento da dor (transdução, transmissão,
modulação e percepção). Os princípios da terapia
analgésica multimodal incluem:
1. o controle efetivo da dor pelo efeito aditivo ou
sinérgico de dois ou mais analgésicos;
2. a redução da quantidade individual de fármacos
administrada, especialmente de opioides,e a
redução da incidência, intensidade e potencial
de efeitos adversos;
3. a atenuação da resposta
neuroendocrinometabólica ao estresse
cirúrgico.
A abordagem multimodal melhora a efetividade da
analgesia e permite uso de quantidades menores de cada
agente, minimizando seus efeitos adversos.
Figura - Diferentes fármacos ou estratégias devem ser usados para atingir todos os quatro elementos do processamento
da dor (transdução, transmissão, modulação e percepção).
Esquema de adequação do tratamento analgésico
combinado com a intensidade da dor pós-operatório
Analgesia peridural: método efetivo no controle de dor
aguda pós-operatória. É uma técnica avançada que só
deve ser administrada em unidade hospitalar.
Fármacos usados para analgesia peridural:
● Anestésicos locais: Os anestésicos locais (ALs)
mais utilizados são bupivacaína e ropivacaína.
● Opióides via peridural: Opióides lipofílicos,
como fentanil e sufentanil, difundem-se
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preferencialmente dentro da gordura peridural
e rapidamente para o plasma, redistribuindo-se
para o tronco cerebral via corrente sanguínea,
causando efeitos supraespinais. Os opióides
hidrofílicos no espaço peridural, como a
morfina, difundem-se no líquido cerebrospinal
(LCS) e têm maior ação nos receptores opióides
espinhais.
- Morfina: Costuma ser administrada em
dose única no espaço peridural. Tem
lento início de ação, mas uma longa
duração e alta incidência de efeitos
adversos.
- Fentanil: Opioide lipofílico que produz
analgesia de início rápido, duração
curta e um mecanismo de ação
basicamente supraespinal secundário à
captação sistêmica
Uso de opióides no pós-operatório:
Vias de administração: oral, venosa, subcutânea e neuroaxial.
Opioides usados no pós-operatório:
● Morfina: A morfina é o opioide mais utilizado no
pós-operatório. Produz analgesia, euforia e
sensação de bem-estar dose-dependente.
Mesmo pequenas doses aumentam o limiar e
modificam a percepção do estímulo álgico.
● Fentanil: O fentanil é um opioide sintético com
seletividade ao receptor µ, 80 vezes mais
potente do que a morfina após injeção
intravenosa. Diferentemente da morfina, que
apresenta acúmulo de metabólitos na
insuficiência renal, o fentanil pode ser usado
com segurança.
● Metadona: A metadona é um opioide sintético
com atividade antagonista NMDA e µ-agonista.
Com doses repetidas, entretanto, a metadona
pode acumular-se nos tecidos e a redistribuição
para o plasma pode fazer sua meia-vida
prolongar-se muito (efeito analgésico de 8-12
horas). Essa meia-vida longa explica o risco
potencial de toxicidade cumulativa.
● Codeína: A codeína é o opioide fraco de escolha
na dor leve a moderada. Não está indicada na
via intravenosa. Constipação (muito prevalente),
náuseas e vômitos, tontura e sonolência são
seus principais efeitos colaterais.
● Tramadol: É um opioide fraco. O tramadol
aumenta a liberação de serotonina e inibe a
recaptação de noradrenalina. Por seu múltiplo
mecanismo de ação, é adequado para casos que
cursam com dor neuropática. Causa menos
constipação intestinal, depressão respiratória e
dependência do que os outros opioides em doses
equipotentes. Está fortemente associado ao
desenvolvimento de náuseas e vômitos.
● Meperidina: A meperidina apresenta 1/10 da
potência da morfina. Após a injeção
intravenosa, fornece efeito analgésico muito
curto. Apresenta risco de acúmulo de
metabolitos tóxicos (normeperidina),
principalmente na insuficiência renal ou
hepática.
● Nalbufina: A nalbufina é um
agonista-antagonista opióide. Seus efeitos
analgésicos ocorrem por ação no receptor
opióide do tipo K. Atenua os efeitos adversos
dos opióides. Sua potência analgésica é
equivalente à da morfina (10 mg de nalbufina
equivalem a 8-10 mg de morfina). Quando
administrada após ou concomitantemente a
analgésicos opióides agonistas µ (morfina,
oximorfona, fentanil), pode reverter
parcialmente ou bloquear a depressão
respiratória narcótico-induzida.
Analgesia controlada pelo paciente: consiste na
administração intravenosa intermitente de doses de
analgésicos conforme a demanda do paciente. O paciente
controla a anestesia dentro de limites preestabelecidos.
Também é estabelecido um intervalo de segurança.
- Vantagens: e o paciente é capaz de controlar a
sua analgesia. A PCA venosa mantém o nível
sérico analgésico de forma mais efetiva,
minimiza os efeitos colaterais e melhora a
satisfação do paciente.
- Escolha do opióide: Tanto a morfina como o
fentanil são comumente administrados via PCA
venosa. A meperidina não é recomendada para
uso em PCA devido ao acúmulo de metabólitos
tóxicos (normeperidina) que promove.
Fontes: Rotinas em Anestesiologia e Medicina
Perioperatória
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Tutoria SP 1.3 Não me toque!
Fibromialgia
Objetivos de aprendizagem:
1. Explique a fisiopatologia da fibromialgia. ✅
2. Descreva o diagnóstico de fibromialgia e suas
manifestações clínicas.✅
3. Apresente o diagnóstico semiológico da dor da
fibromialgia. ✅
4. Elenque os diagnósticos diferenciais da fibromialgia
(pesquisar dor miofascial)✅
5. Quais os principais fatores de risco da fibromialgia
relacionando com sua epidemiologia✅
6. Discorra sobre os fatores desencadeantes e
agravantes da fibromialgia.✅
7. Quais as opções de tratamento da fibromialgia?
(Farmacológicos e não farmacológicos)✅
8. Quais as classes farmacológicas, mecanismo de ação e
indicação clínicas dos medicamentos mencionados no
caso (Amitriptilina e Cetoprofeno) ✅
9. Qual importância da equipe multidisciplinar no
acompanhamento de tratamento da fibromialgia.✅
10. Defina infiltração anestésica e apresente seus tipos e
indicações.✅
11. Explique a importância dos pontos de gatilhos e como
identificá-los.
1 Explique a fisiopatologia da fibromialgia.
Conceito: é uma síndrome crônica, caracterizada por dor
musculoesquelética generalizada, fadiga, distúrbios do
sono e distúrbios cognitivos e do humor.
Fisiopatologia: A fisiopatogênese da FM é complexa e
envolve aspectos ainda não totalmente elucidados.
Alguns fatores são considerados. Trata-se de uma dor
nociplástica.
Dentre os fatores envolvidos tem-se:
● Genética;
● Gatilhos periféricos;
● Disfunções dos sistemas autonômico e
hormonal;
● Anormalidades psicofisiológicas;
● Anormalidades na neurotransmissão e
estruturação no SNC.
Pode-se entender a FM como uma “síndrome de
sensibilização central definida como uma resposta
anormal e inadequada do SNC a estímulos periféricos”.
A seguir, algumas explicações baseadas em estudos
recentes:
● Hiperatividade glutamatérgica no sistema
límbico: o córtex sensorial primário apresenta
maior conectividade entre seus neurônios, um
aumento do glutamato no córtex posterior da
ínsula e hiperatividade da amígdala, responsável
pelo grau de alerta a estímulos externos.
● Alteração da atividade inibitória normal de
estímulos nociceptivos: uma área importante na
modulação descendente, a área rostral do giro
do cíngulo anterior, é disfuncional e baixos
níveis de GABA, um neurotransmissor
inibitório, foram encontrados na ínsula.
● Pacientes com FM apresentam wind-up:
potencialização dos estímulos nociceptivos no
corno posterior da medula > relação com
receptores NMDA e seu agonista glutamato,
além disso, neurotransmissores comoa
substância P e o fator de crescimento neuronal
também estão relacionados com a sensibilização
da medula.
● Outros aspectos clínicos:
- O sono não reparador pode levar a
menor atividade de sistemas
descendentes de controle da dor.
- Alterações endócrinas pela ativação
constante do eixo
hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA)
podem colaborar com sintomas não
dolorosos - relação com resposta ao
estresse.
- Aspectos psicológicos,
comportamentais e sociais agravam o
quadro.
Fonte: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia
2 Descreva o diagnóstico de fibromialgia e suas
manifestações clínicas
Diagnóstico: o diagnóstico é clínico, associado aos
sintomas apresentados e aos critérios diagnósticos que
serão abordados na questão seguinte. A realização de
exames de imagem e laboratoriais são úteis apenas para
descartar outras enfermidades, visto que não há
alteração na fibromialgia.
Manifestações clínicas: caracteriza-se como síndrome
de dor musculoesquelética difusa, associada a fadiga,
insônia, distúrbios disfuncionais variados e sintomas
psiquiátricos diversos. Dentre as principais
manifestações tem-se
● Dor crônica, difusa e de carácter variável;
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● Dor relatada em queimação, pontada, peso ou
cansaço;
● Paciente tem dificuldade de localizar a dor,
muitas vezes aponta para regiões
periarticulares, como músculos, ligamentos,
bursas e tendões;
● Frequentemente inicia na nuca, no pescoço e
nos ombros;
● A dor é agravada por estresse emocional,
esforço físico e frio;
● Frequentemente associada à sensação
subjetiva de parestesias e edemas, sobretudo
nas mãos e nos antebraços;
● Pode ser relatado fenômeno de Raynaud, boca
seca, tonturas e outras disautonomias;
● Presença de pontos dolorosos (tender points) >
resposta dolorosa de intensidade variável em
áreas pressionadas por força padrão;
● Fadiga e dificuldade de realizar atividades
diárias;
● Sono leve e não reparador > piora a fadiga e a
dor. Em estudos polissonográficos apresentam
“Intrusões alfa”
● Distúrbios de cognição: memória curta,
dificuldade para aprender uma nova tarefa,
processamento de informações e solução de
problemas
● Muitos pacientes apresentam transtornos de
humor (ansiedade, depressão, TOC e síndrome
do pânico), o que exacerba os sintomas e
prejudica enfrentamento da doença;
● Pode apresentar sintomas satélites: síndrome
da fadiga crônica, síndrome do cólon irritável,
cistite intersticial, cefaléia, disfunção da
articulação temporomandibular e síndrome das
pernas inquietas.
Fontes: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia +
Amerepam - Manual de Reumatologia
3 Apresente o diagnóstico semiológico da dor da
fibromialgia
Critérios diagnósticos: os atuais critérios baseiam-se
nas escalas do Índice de Dor Generalizada (IDG) e na
de Gravidade dos Sintomas (EGS).
1. Escala do índice de Dor Generalizada (IDG): são
assinaladas 19 regiões em que o paciente sente dor,
obtendo-se um escore que se situa entre 0 e 19.
2. Escala de Gravidade dos Sintomas (EGS): avalia-se
a gravidade dos sintomas de fadiga, sono não reparador
e sintomas cognitivos em uma escala de 0 a 3 e o
número de sintomas entre dor abdominal, cefaléia e
depressão, também em escala de 0 a 3. A EGS varia
entre 0 e 12.
● Interpretação: O diagnóstico da FM é sugerido
quando o IDG é maior ou igual a 7, associado à
EGS maior ou igual a 5 ou um IDG entre 3 e 6
com um EGS maior ou igual a 9.
● A presença de dor difusa e sintomas presentes
por pelo menos 3 meses são condições
necessárias para o diagnóstico.
● Não há, nestes critérios, a necessidade de
excluir outras condições para confirmar o
diagnóstico de FM. (Livro da Sociedade
Brasileira de Reumatologia)
Histórico de critérios:
Critério de 1990 da ACR: incluía dois principais
critérios:
● Presença de dor generalizada: A dor deve
estar presente em ambos os lados do corpo,
acima e abaixo da cintura e na região axial (por
exemplo, dor na coluna vertebral ou no
pescoço). Essa dor deve ter sido presente por
pelo menos três meses.
● Pontos dolorosos: O paciente deve apresentar
sensibilidade em pelo menos 11 dos 18 pontos de
tensão específicos do corpo quando submetidos
a uma pressão de aproximadamente 4 kg/cm².
Esses pontos incluem áreas como o pescoço,
ombros, tórax, cotovelos, nádegas, joelhos e
região lombar.
American College of Rheumatology (2010; modificado)
Neste critério foram retirados os pontos dolorosos e
incluídos outros sintomas além da dor. Eles devem estar
presentes na mesma intensidade, há pelo menos 3
meses, e não pode existir outra condição que os
justifique.
Foram estabelecidos dois escores para avaliação da FM,
um referente à dor e outro aos sintomas associados. O
índice de dor generalizada (IDG) é formado por 19
possíveis áreas dolorosas. Já a escala de gravidade dos
sintomas (ES) pontua até 12 pontos, de acordo com a
gravidade dos sintomas
Critérios de classificação da fibromialgia propostos
pelo American College of Rheumatology em 2016:
● Dor generalizada, definida como dor em pelo
menos quatro de cinco regiões preestabelecidas
● Os sintomas deverão estar presentes em um
nível similar durante, pelo menos, 3 meses
● As pontuações do índice de dor generalizada
(WPI) > 7 e a escala de gravidade dos sintomas
(SSS) > 5; ou WPI de 4 a 6 e SSS > 9.
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O diagnóstico de fibromialgia é válido
independentemente de outras doenças concomitantes,
inclusive reumáticas:
Assertivas:
Índice de dor generalizada (WPI/IDG): observar o
número de regiões onde o paciente apresentou dor na
última semana. A dor foi em quantas áreas? Escore
variará de 0 a 19
•Região 1 – Superior esquerda:
● Mandíbula esquerda
● Ombro esquerdo
● Braço esquerdo
● Antebraço esquerdo
•Região 2 – Superior direita:
● Mandíbula direita*
● Ombro direito
● Braço direito
● Antebraço direito
•Região 3 – Inferior esquerda:
● Quadril (nádega, trocanter), esquerdo
● Coxa esquerda
● Perna esquerda
•Região 4 – Inferior direita:
● Quadril (nádega, trocanter), direito
● Coxa direita
● Perna direita
•Região 5 – Axial:
● Pescoço
● Coluna dorsal
● Coluna lombar
● Tórax*
● Abdome*
Escala de gravidade dos sintomas (SSS/EGS): O SSS é
a soma do escore de gravidade dos três sintomas -
fadiga, sono não restaurador e sintomas cognitivos -
(variação de 0 a 9) mais a soma (variação de 0 a 3) da
presença ou ausência dos seguintes sintomas: cefaleia
(0 ou 1), dor ou cãibras no abdome (0 ou 1),
sintomas de depressão (0 ou 1). Estes três últimos
sintomas deverão ter acontecido nos últimos 6 meses. O
escore final de gravidade (SSS) variará de 0 a 12
Resultado: O índice de gravidade da fibromialgia seria a
soma do WPI e da SSS. Quanto mais grave a doença,
maior a soma desses dois índices.
Critério AAPT 2019: identificando a fibromialgia
principalmente como um distúrbio de dor, os critérios
diagnósticos centrais incluem:
Critérios diagnósticos da AAPT para fibromialgia:
Nota 1: a presença de outro distúrbio de dor ou
sintomas relacionados não exclui o diagnóstico de
fibromialgia. No entanto, recomenda-se uma avaliação
clínica para avaliar qualquer condição que possa explicar
totalmente os sintomas do paciente ou contribuir para a
gravidade dos sintomas.
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Nota 2: a dor, o distúrbio do sono e a fadiga foram
identificados pelo OMERACT - uma rede informal de
profissionais de saúde - como sintomas centrais da
fibromialgia.
Fontes: Reumatologia - Diagnóstico e Tratamento, 5ª
edição + Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia
4 Elenque os diagnósticos diferenciais da fibromialgia
Diagnóstico diferencial: é amplo, pois há diversas
doenças que podem causar dor difusa, como doenças
neurológicas e neuromusculares, polimialgia reumática,
hipotireoidismo, hiperparatireoidismo, osteomalacia,
miopatias, mieloma múltiplo, infecções virais,
síndromes paraneoplásicas, doenças autoimunes etc.
Mas duas condições merecem atenção especial:
1. Síndrome da dor miofascial;
2. Síndrome da fadiga crônica.
Síndrome da dor miofascial:
Conceito: é caracterizada por dor muscular regional que
está associada à presença de um ou mais
pontos-gatilho (PG) - áreas de sensibilidade aumentada.
Epidemiologia: a SMD é comum em idosos, atletas,
trabalhadores com atividades físicas intensas e
sedentários. As áreas mais afetadas são: cervical,
lombar e ombros.
Quadro clínico:
● Dor muscular regional, descrita como em peso,
queimação ou latejante. Pode ser persistente
ou paroxística;
● Pode piorar com frio, fadiga e sobrecarga
muscular;
● Pode apresentar PGs ativos ou latentes. Os
ativos estão associados a dores espontâneas e
reproduzem a dor referida quando
pressionados;
● Durante a palpação do PG, pode ocorrer uma
contração muscular local (twitch response);
● É frequentemente acompanhada de contratura
ou rigidez muscular, limitando o movimento da
região afetada;
● Não há perda objetiva de força, mas pode haver
fraqueza subjetiva;
● Manipulação excessiva da região afetada pode
agravar a dor e contraturas.
● Sinais de disautonomia e distúrbios
proprioceptivos podem estar presentes.
● Distúrbios do sono, estresse emocional e
alterações do hábito intestinal podem estar
associados e agravar o quadro.
Diagnóstico:
Síndrome da fadiga crônica (SFC): sua apresentação
inicial é caracterizada por fadiga intensa, associada a
sintomas que sugerem processo infeccioso subjacente.
Pode estar presente em até 50% dos pacientes com FM,
mas é um dado difícil de ser avaliado, pois a fadiga é um
dos sintomas mais comuns de FM.
● Porém, pacientes que apresentam fadiga
importante, presente por pelo menos seis
meses, que não melhora com o repouso,
piorando muito após a atividade física, são
compatíveis com a definição de SFC;
● Em um quadro sugestivo de SFC, é preciso
afastar causas secundárias, como depressão.
● Aspectos relacionados com disautonomia, como
hipotensão postural, podem ser mais evidentes
nestes pacientes e sua correção pode ajudar a
melhorar os sintomas.
● Tratamento: Inclui aspectos do tratamento da
FM, como manter o paciente ativo.
Fonte: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
5 Quais os principais fatores de risco da fibromialgia
relacionando com sua epidemiologia
A FM apresenta alta prevalência, acometendo cerca de
0,2% a 5% da população mundial. No Brasil, a prevalência
é de 2,0% a 2,5%.
● É mais frequente em mulheres, sobretudo na
faixa de 30 a 55 anos;
● É a segunda doença reumática mais comum no
Brasil, atrás da osteoartrite;
● Mais comum em idosos, mas também pode
acometer crianças e adolescentes;
● Acomete mais pessoas com melhor nível
educacional e poder aquisitivo (não se
relacionada a fatores socioeconômicos);
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material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
● É mais frequente em pacientes com história
familiar da doença;
● Risco eleva-se em parentes de primeiro grau e
pacientes portadores de doenças crônicas.
Genética:
- Polimorfismo no gene da catecolamina
O-metiltransferase (COMT) pode predispor à
fibromialgia devido ao seu papel na inibição
descendente da via da dor
- Polimorfismos gênicos que influenciam
serotonina, noradrenalina e dopamina ocorrem
em alguns pacientes com fibromialgia
Fontes: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia +
Livro “Reumatologia -Diagnóstico e Tratamento, 5ª ed” +
Amerepam - Manual de Reumatologia.
6 Discorra sobre os fatores desencadeantes e agravantes da
fibromialgia
Fatores que potencialmente contribuem para o
desenvolvimento da fibromialgia:
Anormalidades endócrinas
- Respostas anormais do cortisol
- Diminuição dos níveis de hormônio do
crescimento
Estressores
- Infecções como parvovírus, vírus Epstein-Barr,
doença de Lyme e febre Q;
- Trauma físico
- Estresse psicológico
- Estresse oxidativo
- Exposição ao estresse pré-natal
Disfunção do sistema nervoso autônomo
Deficiência de vitaminas (particularmente vitamina
B12)
Fatores agravantes:
- Falta de sono;
- Alterações climáticas;
- Estresse crônico;
- Má alimentação;
- Condições clínicas coexistentes: artrite,
síndrome do intestino irritável, ou enxaquecas,
podem agravar os sintomas da fibromialgia.
Fonte: Dynamed
7 Quais as opções de tratamento da fibromialgia?
(Farmacológicos e não farmacológicos)
Tratamento não farmacológico:
● Educação: o sucesso terapêutico se vincula ao
conhecimento do paciente sobre sua condição e
sua adesão ao tratamento, o que se relaciona
com a educação.
● Exercícios: O estímulo aos exercícios físicos
está entre as medidas consideradas essenciais
para o tratamento da FM. Os exercícios
aeróbicos (tanto no solo quanto aquáticos) são
os mais estudados e reduzem sintomas,
melhoram a funcionalidade, os aspectos
emocionais e a qualidade de vida.
● Terapias psicológicas: A terapia psicológica
(com terapia cognitivo-comportamental) é mais
amplamente utilizada para pacientes com
ansiedade, depressão relacionada à dor,
catastrofização ou aqueles que precisam de
estratégias adicionais de enfrentamento.
● Outras modalidades não farmacológicas:
Algumas modalidades têm sido apresentadas
pela literatura, porém com resultados ainda não
conclusivos, como a acupuntura, a quiropraxia e
a massagem.
Tratamento farmacológico:
Inibidores duais (inibidores da recaptação de
serotonina-norepinefrina [SNRI]):
● Duloxetina: inicia-se com 30 mg, com dose
terapêutica de 60 mg – único com registro na
ANVISA para FM. Uma vez ao dia.
● Venlafaxina: acima de 150 mg/dia, podendo
chegar a 300 mg/dia.
● Milnaciprano: 50 mg por via oral duas vezes ao
dia
Tricíclicos em baixas dose: administrados antes de
dormir, demonstraram objetivamente melhorar o sono e
a dor.
● Amitriptilina (antidepressivo): na dose de 10 a
75 mg à noite
● Ciclobenzaprina (relaxante muscular): na dose
de 5 a 10 mg na hora de dormir (dose diária
máxima de 30 mg).
Anticonvulsivante (alfa-2-delta ligantes):
● Pregabalina: pode chegar a 450 mg/dia,
divididos ou não durante o dia.
● Gabapentina: dose mínima de 1.800 mg dividida
em 3x, podendo chegar a 2.400 mg.
Tramadol: o efeito analgésico é mais provável devido ao
seu efeito SNRI e não devido à sua fraca ligação ao
receptor opioide mu.
Outras terapias devem ser avaliadas para tratamento
das comorbidades:
● Inibidores seletivos da recaptação da
serotonina (ISRSs) podem ser usados para
tratar a depressão associada, mas não
recomendados para a dor:
- Citalopram 20-40 mg/dia por via oral
Material produzido por Ana Lígia de Araújo Nicácio, E-email analigianicacio@gmail.com, Ig @ligiaemed, para uso pessoal e privado. Este
material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
- Fluoxetina20-80 mg/dia por via oral
- Paroxetina 20-60 mg/dia por via oral
● Modafinil: foi descrito em séries
retrospectivas não controladas para o
tratamento da fadiga. A dose varia entre 50 e
200 mg.
● Trazodona: pode ajudar nos distúrbios do sono.
Dose inicial de 25 mg, máxima de 200 mg.
● Pramipexole: na síndrome das pernas inquietas.
Iniciar com 0,25 mg 1 a 3 horas antes de dormir
até a dose máxima de 2 mg.
● Naltrexona: em dose baixa (máximo 4,5 mg/dia)
– considerada ainda experimental.
Fontes: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia +
Dynamed.
8 Quais as classes farmacológicas, mecanismo de ação e indicação
clínicas dos medicamentos mencionados no caso (Amitriptilina e
Cetoprofeno)
Amitriptilina:
Classe farmacológica: antidepressivo tricíclico
Mecanismo de ação:
- Inibição de receptação: A amitriptilina inibe o
mecanismo de bomba da membrana responsável
pela captação da norepinefrina e serotonina nos
neurônios adrenérgicos e serotonérgicos.
Farmacologicamente, essa atividade pode
potencializar ou prolongar a atividade neural,
uma vez que a recaptação dessas aminas
biogênicas é fisiologicamente importante para
suprir suas ações transmissoras.
- Bloqueio de receptores: bloqueio de
receptores serotoninérgicos, alfa-adrenérgicos,
histamínicos e muscarínicos. Esse bloqueio está
mais relacionado com seus efeitos adversos.
Indicação clínica: O cloridrato de amitriptilina é
recomendado para o tratamento da depressão em suas
diversas formas e enurese noturna, na qual as causas
orgânicas foram excluídas. Além disso, os ADTs,
principalmente a amitriptilina, têm sido utilizados para
auxiliar na prevenção de enxaqueca e tratar síndromes
de dor crônica.
Cetoprofeno:
Classe farmacológica: Anti-inflamatório não esteroidal
(AINE)
Mecanismo de ação: O cetoprofeno possui
propriedades antiinflamatória, antitérmica e apresenta
atividade analgésica periférica e central. Inibe a síntese
de prostaglandinas e a agregação plaquetária, no
entanto, seu mecanismo de ação não está completamente
elucidado.
Indicação clínica: O cetoprofeno possui atividade
anti-inflamatória, analgésica e antitérmica e é indicado
para o tratamento de:
- Processos reumáticos: artrite reumatóide,
espondilite anquilosante, gota, condrocalcinose,
reumatismo psoriático, síndrome de Reiter,
pseudo-artrite, lúpus eritematoso sistêmico,
esclerodermia, periarterite nodosa,
osteoartrite, periartrite escápulo-umeral,
bursites, capsulites, sinovites, tenossinovites,
tendinites, epicondilites;
- Lesões ortopédicas: contusões e
esmagamentos, fraturas, entorses, luxações;
- Algias diversas: nevralgia cérvico-braquial,
cervicalgia, lombalgia, dor ciática,
pós-operatórios diversos
Fonte: Bula e Farmacologia Ilustrada (Livro)
9 Qual importância da equipe multidisciplinar no
acompanhamento de tratamento da fibromialgia?
A importância da equipe multidisciplinar no
acompanhamento do tratamento da fibromialgia reside
na sua capacidade de oferecer uma abordagem holística
e personalizada para uma condição complexa e
multifacetada. Esta abordagem engloba diversas
especialidades médicas, como reumatologia, neurologia,
psiquiatria, fisioterapia e nutrição, visando uma
avaliação completa dos sintomas e necessidades
individuais de cada paciente.
A equipe multidisciplinar é crucial para o gerenciamento
adequado dos medicamentos utilizados no tratamento
da fibromialgia, garantindo a otimização das doses e
minimizando os riscos de interações medicamentosas.
Além disso, ela desempenha um papel fundamental na
implementação de terapias complementares, tais como
fisioterapia, terapia cognitivo-comportamental,
acupuntura e exercícios terapêuticos, que têm
demonstrado benefícios significativos no alívio dos
sintomas e na melhora da qualidade de vida dos
pacientes.
Outro aspecto relevante é o suporte emocional e
psicológico oferecido pela equipe multidisciplinar, que
auxilia os pacientes no enfrentamento do estresse, da
ansiedade e da depressão frequentemente associados à
fibromialgia. Esta abordagem integrada e colaborativa,
centrada nas necessidades individuais de cada paciente,
é essencial para um tratamento eficaz e abrangente da
fibromialgia.
Material produzido por Ana Lígia de Araújo Nicácio, E-email analigianicacio@gmail.com, Ig @ligiaemed, para uso pessoal e privado. Este
material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
10 Defina infiltração anestésica e apresente seus tipos e
indicações.
Conceito: A infiltração anestésica é um procedimento
no qual um anestésico local é injetado diretamente no
tecido próximo à área onde a intervenção cirúrgica ou o
procedimento médico será realizado. O objetivo é
bloquear a condução dos impulsos nervosos, tornando a
área insensível à dor durante o procedimento.
Mecanismos do bloqueio dos nervos pelos anestésicos
locais:
O bloqueio local pelos anestésicos está relacionado com
o bloqueio temporário da condutância dos canais de
sódio. Os canais de sódio são bloqueados quando estão
ou abertos ou inativos. Não sendo bloqueados quando
estão fechados.
Esse bloqueio pode ocorrer diretamente, ligando-se ao
substrato dos canais de sódio e impedindo sua abertura.
(anestésicos hidrossolúveis)
Outra forma seria através de anestésicos lipossolúveis
interagirem com a camada lipídica das membranas dos
neurônios e expandirem-se. Essa expansão faz com que o
canal iônico de sódio seja obstruído.
Os anestésicos locais possuem mais afinidades às fibras
do tipo A > B > C, uma vez que a presença da mielina é um
fator que ajuda no bloqueio anestésico, já que ele
precisará atingir apenas os nós de Ranvier.
À nível ambulatorial, a anestesia pode ser feita em
pequenos procedimentos, desde que a dose do
anestésico não ultrapasse 3,5 mg de lidocaína.
São exemplos de anestésicos locais:
● Lidocaína
● Prilocaína
● Mepivacaína
● Etidocaína
● Bupivacaína
● Ropivacaína
● Levobupivacaína
Como funciona a infiltração com anestésicos:
Existem formas de aplicações de anestésicos locais
distintos, como, por exemplo, o uso tópico, infiltrativo
local, bloqueio de campo e bloqueio de nervo. Explicando
cada um:
● Uso tópico: consiste no uso tópico de
anestésico, por meio de uma pomada, ex.: EMLA
(lidocaína 25mg/g e 25mg/g de prilocaína). Ele
possui efeito apenas em peles íntegras e é
utilizado apenas para procedimentos que não há
incisuras, como a execução de uma punção
arterial ou venosa.
● Infiltrativo local: Consiste na injeção direta no
tecido que se deseja anestesiar. É indicada para
pequenas lesões cutâneas, incisões de pele para
drenar coleções subcutâneas (hematomas,
abcessos), exérese de pequenos tumores e
corpos estranhos, sutura de ferimentos
causados por traumatismo.
● Bloqueio de campo: consiste em realizar a
anestesia próximo ao local de incisura. Essa
técnica possui particular benefício no couro
cabeludo, na região cervical (traqueostomia), na
parede abdominal anterior e nas extremidades.
Figura - bloqueio de campo
● Bloqueio de nervo: consiste na injeção
anestésica no trajeto dos troncos nervosos ou
ao longo das fibras dos nervos periféricos. A
vantagem é que não deforma os tecidos a serem
operados. A concentração é maior, mas a
quantidade é menor.
Figura - bloqueio do nervo mediano
Toxicidade
Os anestésicos podem entrar pela corrente sanguínea e
causar efeitos sistêmicos, principalmente no Sistema
nervoso central e sistema cardiovascular. Os casos de
toxicidade estão associados com sobredosagem,
absorção exagerada ou injeção intravascular exagerada.
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material pode ser protegido por direitos autorais e não pode serreproduzido ou repassado para terceiros.
● Neurotoxicidade:
Os bloqueadores periféricos não causam hiperexcitação
do SNC, mas sim, uma inibição de ambos os impulsos,
porém, o facilitatório predomina e isso já é o suficiente
para causar convulsões. (aumento de consumo de O2,
redução da perfusão cerebral).
● Cardiotoxicidade
● Respostas alérgicas
Indicações:
Dor crônica: As infiltrações podem ser utilizadas no
tratamento da dor crônica em diversas condições, como
dor lombar crônica, dor miofascial, dor neuropática e
síndrome do túnel do carpo.
Dor inflamatória: Em casos de dor associada a
processos inflamatórios, como artrite reumatoide,
artrite psoriásica ou bursite, as infiltrações com
anestésicos e corticosteróides podem ser indicadas para
reduzir a inflamação e aliviar a dor.
Dor aguda: As infiltrações também podem ser
utilizadas no tratamento da dor aguda, como a dor
decorrente de uma lesão esportiva, entorse ou trauma.
Redução da dor durante procedimentos cirúrgicos
menores: Durante procedimentos cirúrgicos menores
realizados sob anestesia local, as infiltrações
anestésicas são frequentemente usadas para entorpecer
a área cirúrgica e proporcionar alívio da dor durante o
procedimento.
Fontes: medicina ambulatorial e anestesiologia – James
Manica
11 Explique a importância dos pontos de gatilhos e como
identificá-los.
Conceito: Os pontos-gatilho miofasciais (PGMs) são
definidos como nódulos palpáveis presentes numa faixa
tensa localizada no músculo que, espontaneamente ou à
dígito-pressão, produzem um padrão de dor referida
reconhecida pelo paciente. O PG miofascial foi por muito
tempo definido como “um foco ‘hiper irritável’ de um
músculo estriado, associado a uma nodulação palpável
‘hipersensível’ em uma ‘banda tensa muscular’”.
Um painel de especialistas propôs critérios formais para
o diagnóstico de um PG em 2018. Um PG seria definido
por 2 dos seguintes 3 critérios:
● Uma dor ou sensação referida;
● Um ponto hipersensível;
● Ou uma banda tensa muscular (“Banda tensa” é
a porção permanentemente contraída que
contém o PG muscular).
Destaca-se que a identificação da banda tensa não seria,
de acordo com esses critérios, obrigatória – o que é
coerente com não ser, em músculos profundos, sequer
possível –, bastando a identificação de um ponto
hipersensível e sua sensação referida.
Classificação:
● PG´s ativos: o PG seria ativo caso reproduzisse
uma sensação usual do paciente. Os PG ativos
estão associados a dores espontâneas e
reproduzem a dor referida quando
pressionados. Os PG ativos normalmente estão
em uma banda rígida de contratura muscular e
podem estar presentes em qualquer músculo.
● PG´s latentes: o PG seria latente caso o
sintoma não lhe parecesse familiar. Os PG
latentes são pontos dolorosos que têm potencial
para se tornar ativos.
● PG´s primários: Será primário quando
persistente apesar da resolução da condição
que o originou.
● PG´s secundários: serão secundário, ou
satélite, quando mantido por um foco
nociceptivo persistente.
PGs podem ser epifenômenos, sem importância para a
dor em questão, ou responsáveis diretos pela dor,
quando sua inativação a resolve prontamente.
PGs podem ser não musculares (ou não miofasciais, um
termo talvez inapropriado).
Tender points X Pontos de gatilho: Um equívoco,
bastante comum, ocorre entre a conceituação de tender
point e PGM. O tender point provoca dor local e não
referida, podendo ser encontrado tanto na musculatura
como em estruturas ósseas e articulares.
Como identificar os PG´s? O diagnóstico dos PGMs é
essencialmente clínico, sendo extremamente importante
a anamnese e avaliação física bem realizada, a fim de
identificar as características clínicas. Os PGMs são
pontos encontrados nos tecidos moles miofasciais que
apresentam hipersensibilidade, bandas tensas e dor
referida, a qual pode ocorrer espontaneamente ou a
digito-pressão.
Alguns meios diagnósticos têm sido implementados à
avaliação dos PGMs, a fim de dar maior acurácia à
localização desses pontos, como a termografia,
eletromiografia e eletropalpação.
● Eletropalpação: consiste na utilização de um
gerador de pulso, programando-o nos
parâmetros da TENS Convencional, associado à
palpação. Ao localizar os PGMs, o avaliador
percebe a eletroestimulação durante a
palpação.
● Termografia: o diagnóstico perpassa pela
captação infravermelha da emissividade de
calor pela pele mostrando hot spot (locais de
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maior emissão de calor) em região de PGMs, que
poderiam ser confirmados com o exame clínico.
● Eletromiografia: a atividade elétrica
espontânea tem sido documentada como
característica dos PGMs, mesmo quando o
músculo se encontra em repouso
Importância:
1. A importância do estudo desses pontos se dá
pela ampla sintomatologia gerada por eles, como
dor referida que, por vezes, são confundidas
com dor visceral , diminuição da flexibilidade
muscular, fraqueza muscular e alteração da
propriocepção.
2. Além disso, identificação desses pontos podem
ser relevantes para direcionar o tratamento e
diagnóstico do paciente.
Fontes: Livro “Medicina Ambulatorial: Condutas de
Atenção Primária Baseadas em Evidências” + Artigo
“PONTOS-GATILHO MIOFASCIAIS: ARTIGO DE
REVISÃO”
Morfofuncional SP 1.3 Não me toque!
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Contração do músculo estriado esquelético
Objetivos de aprendizagem:
1. Diferenciar os componentes de uma célula muscular
estriada esquelética, relacionando com o processo de
contração muscular e com os órgãos sensoriais
presentes no tecido muscular.
2. Sintetizar o mecanismo de ativação dos receptores
sensoriais presentes no músculo estriado esquelético.
3. Analisar os músculos do tronco que atuam no cíngulo
do membro superior.
Aspectos histológicos do tecido muscular
Existem três tipos de tecido muscular: esquelético,
cardíaco e liso.
● Tecido muscular esquelético: é assim chamado
porque a função da maioria dos músculos
esqueléticos é movimentar os ossos do
esqueleto.
● Tecido muscular cardíaco: é encontrado
apenas no coração, onde forma a maior parte da
parede do coração. De modo semelhante ao
músculo esquelético, o músculo cardíaco é
estriado, mas sua ação é involuntária.
● Tecido muscular liso: está localizado nas
paredes das estruturas internas ocas, como
vasos sanguíneos, vias respiratórias e a maioria
dos órgãos na cavidade abdominopélvica.
Aspectos histológicos do músculo esquelético:
Organização do tecido do músculo esquelético:
1. Epimísio: tecido conjuntivo que reveste o
músculo como um todo.
2. Perimísio: septos que partem do epimísio em
direção ao centro do músculo, separando-o em
feixes.
3. Endomísio: camada delgada de tecido conjuntivo
formada por fibras reticulares e células do
tecido conjuntivo entre as fibras musculares.
Figura - epimísio, perimísio e endomísio
Feixes de células:
- Longas;
- Cilíndricas;
- Com estriações transversais;
- Multinucleadas (núcleo na periferia logo abaixo
do sarcolema - membrana plasmática);
- Sarcoplasma é repleto de miofibrilas envoltas
por retículo sarcoplasmático.
A fibra muscular é formada por milhares de
miofibrilas. Essas miofibrilas são:
● Filamentos cilíndricos;
● 1 a 2 micrômetros;
● Paralelas ao eixonervosas
livres, os quais respondem a vários estímulos
nociceptivos intensos (químico, mecânico ou térmico) que
causam ou têm potencial para causar dano tecidual. Tais
neurônios são responsáveis pela transdução do estímulo
doloroso, levando o impulso nervoso para a medula, onde
se conecta com o neurônio II.
Tipos de nociceptores:
Nociceptores polimodais: respondem a diversos
estímulos, como os mecânicos, térmicos e químicos
possuem pequenas fibras C amielinizadas que conduzem
impulsos na velocidade menor de 3 m/s.
Nociceptores mecânicos: seletivos para estímulos
mecânicos.
Nociceptores térmicos: seletivos para estímulos
térmicos.
Nociceptores mecânicos e térmicos possuem fibras A
delta mielinizadas, que conduzem impulsos na
velocidade de 3 m/s a 40 m/s.
Nociceptores silenciosos: são encontrados nas vísceras.
Essa classe normalmente não é ativa pela estimulação
nociva; em vez disso, a inflamação e vários agentes
químicos reduzem drasticamente seu limiar de disparo.
Fontes: Silverthorn + Neurociências de Bear.
3 - Quais são as vias de transmissão da dor?
Vias de processamento da dor
Primeiramente, precisamos entender que os sinais
aferentes dos nociceptores são levados ao SNC por
dois tipos de fibras sensoriais primárias:
1. Fibras A-delta: suas fibras mielinizadas
transmitem a dor rápida, que é descrita como
aguda e localizada.
2. Fibras C: suas fibras finas não mielinizadas do
tipo C transmitem a dor lenta, que é descrita
como surda e difusa.
A sensação mais comum por essas vias é percebida como
dor, mas quando a histamina ou algum outro estímulo
ativa um subgrupo de fibras C, percebe-se prurido.
Via de Dor Aguda e Temperatura (Via
neoespinotalâmica – trato espinotalâmico
lateral):
Receptores: tanto na dor quanto na temperatura os
receptores são terminações nervosas livres.
Neurônio I: os corpos celulares estão presentes no
gânglio espinal. O prolongamento periférico desse
neurônio se liga aos receptores pelos nervos espinais. O
prolongamento central entra na medula pela raiz dorsal
e vai até a coluna posterior (dorsal), onde faz sinapse
com o neurônio II.
Neurônio II: Da coluna posterior, os axônios do
neurônio II cruzam a comissura branca e vão para o
funículo lateral oposto, de onde ascenderam
cranialmente formando o trato espinotalâmico lateral.
● Ao nível da ponte, o trato espinotalâmico lateral
une-se com o trato de outra via (a
espinotalâmica anterior), formando o lemnisco
espinhal. Esse último termina no tálamo (onde
ocorrerá a sinapse com o neurônio III).
Neurônio III: localizam-se no núcleo ventral
póstero-lateral do tálamo. A partir daí, esse neurônio
III é retransmitindo por radiações talâmicas até o
córtex somatossensorial (área somestésica);
Imagem - Via Neoespinotalâmica/Trato espinotalâmica lateral
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Considerações:
● Impulsos originados nos termorreceptores e
nociceptores;
● Há evidências de que a via neoespinotalâmica é
responsável apenas pela sensação de dor aguda
e bem localizada na superfície do corpo > a
chamada “dor em ponta”.
● Por essa via chegam ao córtex impulsos
originados no tronco e nos membros do lado
oposto.
● Os impulsos já se tornam conscientes em nível
talâmico.
Via paleoespinotalâmica
Além da via neoespinotalâmica, há uma via
paleoespinotalâmica, constituída pelo trato
espinorreticular, e pelas fibras retículo-talâmicas (via
espino-retículo-talâmica).
Neurônio I: localiza-se nos gânglios espinais e penetram
na medula do mesmo modo que os das vias de dor e
temperatura espinotalâmica;
Neurônio II: situam-se na coluna posterior. Seus
axônios dirigem-se ao funículo lateral do mesmo lado e
do lado oposto e sobem para constituir o trato
espino-reticular. Este sobe na medula junto ao trato
espinotalâmico lateral e termina fazendo sinapse com os
neurônios III em vários níveis da formação reticular.
Neurônio III: Localizam-se na formação reticular e
dão origem às fibras retículo-talâmicas que terminam
nos núcleos intralaminares (neurônios IV).
● Essa via paleoespinotalâmica forma núcleos
intralaminares (neurônios IV da via), que se
projetam para territórios muito amplos do
córtex.
● Além disso, essa via não possui organização
somatotópica. Logo, é responsável por um tipo
de dor pouco localizada e crônica, sendo uma
dor em queimação.
● Alguns neurônios III desta via, situados na
formação reticular, projetam também para a
amígdala, o que pode ter relação com o
componente afetivo da dor.
Via trigeminal:
A informação da dor (e da temperatura) face e do
terço anterior da cabeça segue por uma via ao tálamo,
análoga à via espinhal. As fibras de pequeno diâmetro do
nervo trigêmeo fazem a primeira sinapse com neurônios
sensoriais secundários no núcleo espinhal do trigêmeo
no tronco encefálico. Os axônios de neurônios II que
saem desse núcleo decussam e ascendem ao tálamo pelo
lemnisco trigeminal, onde farão sinapse com o neurônio
III.
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material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
Fontes: Neuroanatomia funcional (Machado) +
Neurociências (Bear)
4 - Quais os fatores desencadeantes da dor?
A dor pode ser desencadeada por estímulos físicos
(mecânicos ou térmicos) ou químicos que excitam
nociceptores, os quais despolarizam e levam sinal
doloroso por meio de nervos ao SNC.
Em geral, a sequência de fatores que levam a
sensação dolorosa incluem:
Estímulo lesivo > sensibilização do nociceptor > potencial
de ação > transmissão do potencial de ação ao SNC >
ativação de neurônios secundários que transmitem
informações ao tálamo > ativação de neurônios terciários
que transmitem informações ao córtex cerebral >
interpretação do estímulo como doloroso no córtex.
● A duração e a intensidade do estímulo inicial
conduzem à sensibilização periférica e
posteriormente à sensibilização central que
aumenta de forma sinérgica a percepção da
dor.
Além disso, deve-se entender que a intensidade da
sensação dolorosa é, ainda, modulada por diversos
fatores, nomeadamente os genes, o género, a
interpretação cognitiva, o contexto emocional e
motivacional de cada doente, bem como os contextos
social, cultural e religioso.
Fonte:
https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/T
F%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%
C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
5 - Qual o mecanismo da dor no processo inflamatório?
Sensibilização central vs periférica: ambos os
processos estão relacionados com a percepção e
intensidade da dor.
● Sensibilização periférica: ocorre nos
nociceptores em resposta a irritação e
inflamação. Com isso, tem-se a liberação de
mediadores que provocam a redução do limiar
da dor e a maior responsividade aos estímulos
lesivos (hiperalgesia periférica);
● Sensibilização central: consiste em um estado
de hiperexcitabilidade no SNC, levando a um
processamento aumentado dos estímulos
dolorosos. Com isso, tem-se aumento da
excitabilidade neuronal, facilitação de
transmissão de sinais nociceptivos e diminuição
da inibição descendente da dor. Isso resulta em
uma amplificação dos sinais de dor transmitidos
para o cérebro, levando à percepção exagerada
e prolongada da dor (hiperalgesia central).
A hiperalgesia pode, ainda, ser classificada em:
● Hiperalgesia primária: é um tipo de
sensibilização, no sítio da lesão tecidual,
caracterizada por limiar reduzido de dor,
sensibilidade aumentadamaior da fibra (percorrem a
extensão);
● Formadas por sequências repetidas de
sarcômeros.
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Sarcômeros: unidades protéicas responsáveis pela
contração muscular
● Delimitados por dois discos Z;
● Nos discos Z ancoram-se os filamentos finos
(actina, troponina e tropomiosina);
● Filamentos finos (actina) se dirigem ao centro
do sarcômero e suas extremidades se
intercalam com filamentos grossos (miosina).
Aspectos histológicos do fuso muscular:
Fuso muscular: são receptores presentes no músculo
esquelético que captam modificações no próprio músculo
(proprioceptores).
● São delimitados por cápsula de tecido
conjuntivo. A cápsula envolve e forma um
espaço isolado no interior do fuso. Dentro
desse espaço, o fuso contém fluido e fibras
musculares modificadas;
● Além disso, encontra-se fibras musculares
modificadas (fibras intrafusais - algumas longas
e espessas outras menores e delgadas)
O fuso é inervado por fibras sensoriais (aferentes)
● As fibras aferentes detectam modificações no
comprimento (distensão) das fibras musculares
intrafusais;
● Levam esta informação para o SNC.
● Essas informações são processadas e voltam
por meio de axônios eferentes, garantindo a
contração regulada.
Figura - Fuso neuromuscular
A ativação do fuso promove mecanismos reflexos que
atuam sobre outros grupos musculares associados ao
músculo que contraiu para controle de postura e
coordenação motora. Além disso, atuam sobre o grau de
tensão das fibras intrafusais, por meio das fibras
nervosas eferentes do SNC que inervam as fibras e as
mantêm tensionadas, evitando distensão.
Junção neuromuscular: a sinapse entre um neurônio
motor somático e uma fibra muscular esquelética é
chamada de junção neuromuscular (JNM).
● Os neurônios chegam ao epimísio (tecido
conjuntivo que recobre as fibras musculares)
por meio dos nervos;
● No local de contato com a fibra muscular, os
prolongamentos dos neurônios perdem a bainha
de mielina. Eles são recobertos apenas por uma
fina camada de citoplasma das células de
Schwann.
Às extremidades dilatadas das terminações nervosas se
aproximam do sarcolema (membrana da célula muscular),
formando a placa motora. Na placa motora, as
dilatações das terminações, junto com depressões do
sarcolema , formam as junções neuromusculares.
Entre a membrana da terminação nervosa e da fibra
muscular há um espaço delgado (onde são liberados os
neurotransmissores).
As porções dilatadas das terminações nervosas são
ricas em mitocôndrias e vesículas contendo acetilcolina.
O sarcolema da junção é rico em receptores
colinérgicos nicotínicos (receptores ionotrópicos)
Quando o potencial de ação chega aos terminais
nervosos ocorre a liberação de acetilcolina para fenda
existente na junção neuromuscular. Com isso, a
acetilcolina se liga aos receptores presentes no
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sarcolema e tem-se o influxo de sódio para o
sarcoplasma e consequentemente despolarização.
Vamos entender melhor como isso ocorre?
Fonte: Silverthorn
Eventos que determinam a contração muscular esquelética
No processo de contração muscular, tem-se os seguintes
eventos:
● Eventos na junção neuromuscular;
● Acoplamento-excitação-contração;
● Sinal de Ca+2;
● Ciclo de contração relaxamento.
Logo, tem-se:
1. A ACh é liberada na junção neuromuscular,
liga-se aos receptores ionotrópicos e ativa
canais dependentes de ACh.
2. Ocorre o influxo de Na+ que supera o efluxo de
K+, a membrana despolariza, gerando um
potencial de ação da placa motora.
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3. O potencial de ação que penetra no túbulo T
produz uma alteração conformacional no
receptor de DHP.
4. A mudança conformacional do receptor de DHP
causa a abertura dos canais RyR de liberação de
Ca2+ do retículo sarcoplasmático e o Ca2+ entra
no citoplasma.
5. O cálcio liga-se à troponina, deslocando a
tropomiosina e permitindo a ligação entre actina
e miosina, dando início ao processo de
contração. Para a miosina se curvar e se ligar a
actina, é preciso que ocorra a hidrólise de uma
molécula de ATP. Do mesmo modo, para que a
miosina se desligue da actina, também é
necessário a hidrólise do ATP.
Figura - compreenda os eventos envolvendo a troponina e a tropomiosina na contração muscular
6. As cabeças da miosina executam o movimento
de força.
7. O filamento de actina desliza em direção ao
centro do sarcômero. À medida em que a actina
e a miosina deslizam uma sobre a outra, o
sarcômero todo encurta, aproximando a linha Z
com a linha M. Como os sarcômeros nas
miofibrilas contraem, a fibra muscular inteira
vai encurtar, quando essa fibra contrai como um
todo, o músculo produz força suficiente para
mover o corpo.
8. Relaxamento: as bombas de cálcio (Ca2+-
-ATPases) do retículo sarcoplasmático
bombeiam o Ca2+ de volta ao RS.
9. A redução da [Ca2+] citosólico livre desfaz a
ligação entre o Ca2+ e a troponina.
10. A tropomiosina volta a recobrir o sítio de
ligação. Quando as cabeças da miosina são
liberadas, os elementos elásticos puxam os
filamentos de volta para a posição de repouso.
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Reflexos musculares
Reflexo miotático de estiramento: consiste em um
reflexo no qual tem-se uma contração muscular
(encurtamento) em em resposta ao estiramento de um
músculo.
● É controlado pelo receptor Fuso Muscular
presente nos músculos esqueléticos.
● O arco reflexo do reflexo miotático de
estiramento é composto por uma fibra aferente
do tipo Ia que provém do fuso muscular.
● Na medula espinhal a fibra se ramifica e atinge
a substância cinzenta medular.
Quando um peso é colocado sobre o músculo e esse
começa a se alongar, ocorre um estiramento do fuso
muscular. O estiramento da região central do fuso leva a
uma despolarização dos terminais axônicos. O aumento
resultante de descarga de potenciais de ação dos
axônios Ia despolariza sinapticamente os neurônios
motores alfa, que respondem com um aumento de suas
frequências de potenciais de ação. Isso faz o músculo se
contrair e, portanto, encurtar.
O reflexo patelar é um exemplo de reflexo de
estiramento > quando o médico bate no tensão abaixo do
joelho, esse tendão estende muito rapidamente. Por
reflexo, o músculo do quadríceps da coxa contrai e faz a
perna estender.
Reflexo miotático inverso: consiste em um reflexo no
qual tem-se uma contração muscular excessiva que
produz uma resposta de relaxamento muscular.
● É controlado pelo órgão tendinoso de Golgi, um
receptor localizado no tendão do músculo.
● O arco reflexo do reflexo miotático invertido é
composto por uma fibra aferente do tipo Ib.
Os axônios Ib entram na medula espinhal, ramificam-se
repetidamente e fazem sinapse com interneurônios
especiais inibitórios Ib, no corno ventral. Em
circunstâncias extremas, este arco reflexo Ib pode
proteger o músculo de ser sobrecarregado. No entanto,
sua função normal é regulara tensão muscular dentro de
uma faixa ideal. À medida que a tensão muscular
aumenta, a inibição do neurônio motor aumenta diminui a
contração muscular e vice-versa.
Fonte: Neurociências de Bear.
Músculos posteriores e anteriores do tronco e do ombro
Músculos anteriores do tronco e do ombro:
Vista anterior: músculo reto do abdome, músculo
oblíquo externo do abdome, músculo peitoral maior,
músculo peitoral menor, músculo oblíquo interno do
abdome, músculo transverso do abdome, músculo serrátil
anterior, músculo esternocleidomastóideo, músculo
deltoide, músculo bíceps braquial, músculo
coracobraquial e músculo subescapular.
Figura - musculares anteriores do tronco e do ombro
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● Vista posterior: músculo trapézio, músculo
latíssimo do dorso, músculo tríceps braquial,
músculo supra espinhal, músculo infra espinhal,
músculo redondo maior, músculo redondo menor,
músculos rombóides (maior e menor), músculo
serrátil posterior, músculo levantador da
escápula, músculo esplênio (da cabeça e do
pescoço), músculo eretor da espinha (músculos
espinal, longuíssimo e iliocostal).
Figura - músculos posteriores do tronco e do ombro
Figura - músculos posteriores do dorso
Figura - músculos profundos do dorso
Quais músculos fazem parte do manguito rotador e
qual a função desses músculos?
O manguito rotador é composto por quatro músculos
principais que estabilizam e ajudam no movimento do
ombro. Esses músculos são:
● Supraespinal
● Infraespinal
● Redondo Menor
● Subescapular
Esses músculos trabalham em conjunto para fornecer
estabilidade dinâmica ao ombro e facilitar os
movimentos de rotação e elevação do braço.
Estabilização da articulação do ombro: Os músculos
do manguito rotador trabalham em conjunto para
estabilizar a cabeça do úmero (osso do braço) dentro da
cavidade glenóide da escápula (osso do ombro). Isso
ajuda a manter a integridade e a congruência da
articulação do ombro durante movimentos complexos.
Movimento do braço: Além de sua função de
estabilização, os músculos do manguito rotador também
auxiliam nos movimentos do braço, como abdução,
adução, rotação interna e rotação externa. Eles
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trabalham em conjunto com outros músculos do ombro e
do braço para fornecer estabilidade e controle durante
esses movimentos.
Fonte: Netter + Anatomia Humana Van D. Graaff.
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Medicina laboratorial SP 1.3 Não me toque!
Introdução aos fármacos antidepressivos
Objetivos de aprendizagem:
1. Analisar os aspectos farmacocinéticos e
farmacodinâmicos, a toxicidade e efeitos adversos
dos antidepressivos.
2. Diferenciar as classes de antidepressivos, analisando
a mais indicada para tratamento de fibromialgia.
3. Analisar a importância terapêutica da combinação de
fármacos antidepressivos e fármacos
anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) para o
tratamento de fibromialgia.
4. Classificar os neurotransmissores e receptores de
acordo com a estrutura de cada molécula.
Relembrando como ocorre uma sinapse química:
1. Sinapse química: Ocorre por intermédio dos
neurotransmissores.
● O espaço entre membranas nesse tipo de
sinapse é chamado fenda sináptica
● A transmissão é unidirecional;
● O elemento pré-sináptico geralmente é um
terminal axonal e o pós-sináptico geralmente é
um dendrito.
● Vesículas sinápticas: São estruturas que
possuem grânulos secretores, os quais
secretam e armazenam os neurotransmissores.
A informação que chega ao elemento pré-sináptico vem
na forma de potenciais de ação propagados pelo axônio
até os terminais.
● A informação elétrica do potencial de ação (PA)
precisa ser convertida em informação química.
Por isso, o PA causa a liberação de
neurotransmissores na fenda sináptica.
Como ocorre essa liberação? As vesículas com
neurotransmissores ficam próximas à membrana
pré-sináptica. Quando o PA chega no terminal axonal,
abrem-se canais de cálcio voltagem-dependentes. O
Ca+2 entra no líquido intracelular e ativa proteínas
chamadas “proteínas de fusão”, que fundem à membrana
da vesícula com a membrana pré-sináptica, liberando os
neuromediadores para a fenda sináptica.
Principais grupos de neurotransmissores e a
localização de seus receptores:
Antidepressivos
A maioria dos fármacos antidepressivos úteis
clinicamente potencializa, direta ou indiretamente, as
ações da norepinefrina e/ou da serotonina (5-HT) no
cérebro. Dentre as principais classes de fármacos
antidepressivos tem-se:
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Figura - Locais de ação dos antidepressivos nas
terminações nervosas noradrenérgicas (no alto) e
serotonérgicas (embaixo).
ISRSs, IRSNs e ATCs aumentam a neurotransmissão
noradrenérgica ou serotonérgica bloqueando o
transportador de norepinefrina ou serotonina nos
terminais pré-sinápticos (NET, SERT).
Agora, vamos estudar mais a fundo dois exemplos de
fármacos antidepressivos.
Amitriptilina: é um antidepressivo tricíclico (ADT´s). Os
ADTs bloqueiam a captação de norepinefrina e
serotonina no neurônio pré-sináptico e, portanto, se
fossem descobertos atualmente, poderiam ser referidos
como ICSNs, exceto pelas diferenças nos efeitos
adversos dessa nova classe de antidepressivos.
● Farmacocinética: Os ADTs são bem absorvidos
após a administração oral. Por sua natureza
lipofílica, são amplamente distribuídos e
facilmente penetram o SNC. Como consequência
da biotransformação de primeira passagem
muito variável, os ADTs têm biodisponibilidade
baixa e inconsistente. Esses fármacos são
biotransformados pelo sistema microssomal
hepático (e assim podem ser suscetíveis aos
fármacos que induzem ou inibem as isoenzimas
CYP450) e são conjugados com ácido
glicurônico. Por fim, os ADTs são excretados
como metabólitos inativos pelos rins.
● Farmacodinâmica:
- Inibição da captação do
neurotransmissor: Os ADTs e a amo-
xapina são inibidores potentes da
captação neuronal de norepine- frina e
serotonina no terminal nervoso
pré-sináptico.
- Bloqueio de receptores: Os ADTs
também bloqueiam os receptores
serotoninérgicos, α-adrenérgicos,
histamínicos e muscarínicos. Ainda não
se sabe se alguma dessas ações é
responsável pelo benefício terapêutico
dos ADTs. Contudo, as ações nesses
receptores provavelmente são
responsáveis por muitos dos seus
efeitos adversos.
● Indicação clínica: Os ADTs são eficazes no
tratamento de depressão moderada e grave.
Alguns pacientes com transtorno de pânico
também respondem aos ADTs, particularmente
a amitriptilina, têm sido usados para auxiliar a
prevenção da enxaqueca e tratar síndromes de
dor crônica
Fluoxetina:
● Farmacocinética: A fluoxetina é bem absorvida
após administração oral. Concentrações
plasmáticas máximas são alcançadas dentrode
6 a 8 horas. A fluoxetina se liga firmemente às
proteínas do plasma e se distribui largamente.
Concentrações plasmáticas estáveis são
alcançadas após doses contínuas durante várias
semanas e, após doses prolongadas, são
similares às concentrações obtidas em 4 a 5
semanas. A fluoxetina é extensivamente
metabolizada no fígado à norfluoxetina e em
outros metabólitos não identificados, que são
excretados na urina. A meia-vida de eliminação
da fluoxetina é de 4 a 6 dias e a de seu
metabólito ativo é de 4 a 16 dias. A dosagem is
ISCS´s devem ser reduzidas em pacientes com
insuficiência hepática.
Farmacodinâmica: A fluoxetina é um inibidor
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seletivo da recaptação da serotonina, sendo
este seu suposto mecanismo de ação. A
fluoxetina praticamente não possui afinidade
com outros receptores tais como α1, α2 e
β-adrenérgicos, serotoninérgicos,
dopaminérgicos, histaminérgicos H1,
muscarínicos e receptores do GABA.
● Indicação clínica: O cloridrato de fluoxetina é
indicado para o tratamento da depressão,
associada ou não a ansiedade, da bulimia
nervosa, do transtorno obsessivo-compulsivo
(TOC) e do transtorno disfórico pré-menstrual
(TDPM), incluindo tensão pré-menstrual (TPM),
irritabilidade e disforia.
Toxicidade e efeitos adversos dos antidepressivos:
Efeitos adversos dos inibidores seletivos da
recaptação de serotonina:
● Distúrbios do sono: sonolência ou insônia.
Paroxetina e fluvoxamina são mais sedativos
que estimulantes. Pacientes com sonolência
excessiva podem se beneficiar de ISCS´s
estimulantes, como fluoxetina e sertralina.
● Disfunções sexuais: Disfunções sexuais,
incluindo perda de libi- do, ejaculação
retardada e anosgarmia, são comuns com os
ISCSs. Uma opção para lidar com as disfunções
sexuais induzidas pelos ISCSs é trocar o
antidepressivo por outro com menos efeitos
adversos sexuais, como a bupropiona ou a
mirtazapina. Alternativamente, a dosagem pode
ser diminuída;
● Efeitos gastrintestinais: Náuseas, êmese e
diarréia;
● Ansiedade;
● Sudoração;
● Interação de fármacos.
Superdosagem de ISCS´s: Doses excessivas de ISCS
em geral não causam arritmias cardíacas, com exceção
do citalopram, que pode causar prolongamento do
intervalo QT. (Nota: os ADTs têm risco significativo de
causar arritmias em doses excessivas.) Convulsões são
possíveis porque todos os antidepressivos podem baixar
o limiar convulsivo. Todos os ISCSs têm potencial de
causar síndrome serotonina, especialmente se forem
usados em presença de IMAO ou outro fármaco
fortemente serotoninérgico. Essa síndrome inclui sinais
como hipertermia, rigidez muscular, sudoração,
mioclonia (abalos musculares clônicos) e alterações no
estado mental e nos sinais vitais.
Efeitos adversos dos antidepressivos tricíclicos:
- O bloqueio dos receptores muscarínicos leva a
visão turva, xerostomia, retenção urinária,
taquicardia sinusal, constipação e agravamento
do glaucoma de ângulo fechado;
- Afetam a condução cardíaca de modo similar ao
da quinidina e podem causar arritmias que
ameaçam a vida em situação de dose excessiva;
- Bloqueiam os receptores α-adrenérgicos,
causando hipotensão ortostá- tica, tonturas e
taquicardia reflexa;
- A sedação pode ser significativa, especialmente
durante as primeiras semanas do tratamento, e
está relacionada com a capacidade que esses
fármacos têm de bloquear os receptores H1
histamínicos;
- Pode haver ganho de massa corporal;
- Ocorre menos disfunção sexual do que nos
ISCS`s.
- Interações medicamentosas:
MAO: monoaminoxidase
Importância da combinação de antidepressivos e
AINE para o tratamento da fibromialgia:
Anti-inflamatórios não hormonais apresentam indicação
bastante reduzida na FM. Podem ter alguma utilidade,
preferencialmente em baixas doses e por curtos
períodos, em condições reumatológicas eventualmente
associadas e podem ser úteis para um alívio inicial.
Todavia, a melhor evidência para uma melhora a longo
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prazo continua sendo o uso antidepressivos. Tais
fármacos são os mais utilizados no tratamento de
manutenção. Entre os tricíclicos, a amitriptilina é o
fármaco que reúne mais informação na literatura, inibe a
recaptação tanto de noradrenalina como de serotonina, o
que em sistemas moduladores descendentes gera
analgesia central. Seu nível de recomendação entre
diretrizes é elevado, com tendência a se orientar doses
abaixo de 50mg/dia com melhora não somente da dor,
como de fadiga e sono.
Em linhas gerais, os AINES podem reduzir processos
inflamatórios subjacentes à fibromialgia, enquanto os
antidepressivos vão atuar mais diretamente na
modulação da percepção da dor.
A combinação desses fármacos será útil no controle da
dor e pode reduzir a necessidade da utilização de doses
mais elevadas de tais medicamentos.
Fontes: Farmacologia Ilustrada (livro) +
https://doi.org/10.5935/2595-0118.20180049
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TBL SP 1.3 Não me toque!
Abordagem e avaliação clínica da dor
Objetivos de aprendizagem:
Abordagem e avaliação clínica da dor
Conceito: experiência sensitiva e emocional
desagradável associada a um dano tecidual potencial ou
real.
● A dor possui múltiplas dimensões: sociais,
emocionais, psicológicas, culturais etc.
Aspectos importantes:
● Qualidade: “em queimação”, “em pontadas”...
● Temporalidade: quando começou, quando
piorou…
● Intensidade
● Localização
Diagnóstico:
● História clínica (1°)
● Exame físico (2°)
● Exames complementares (3°)
Síndromes:
Consiste em um conjunto de sinais e sintomas que
enquadram um paciente em determinado grupo de
doentes.
Síndromes dolorosas:
● Normalmente se associam a outras síndromes;
● Consiste em um diagnóstico localizatório
● Auxiliam no diagnóstico etiológico.
A seguir, estudaremos as principais síndromes
dolorosas:
Dor nociceptiva: ativação do sistema somatossensitivo
por estímulos nocivos aos tecidos.
● É primariamente fisiológica;
● Nocicepção consiste no fenômeno de
transdução dos estímulos nocivos, por meio de
energia mecânica, térmica ou química, em
atividade eletroquímica nas terminações
nervosas livres nas fibras A-delta e C no
sistema nervoso periférico (SNP), presentes em
quase todos os tecidos do organismo.
● Exemplos: traumatismo, processos
inflamatórios.
● Isquêmica ou infiltrativa.
Pode ser dividida em:
Somática: bem localizadas.
● Piora com estímulos mecânicos e movimentação.
● É descrita como aperto, peso ou pressão;
● Lesões traumáticas ou inflamatórias do
aparelho locomotor como fraturas, entorses,
osteoartrites, tenossinovites, bursites etc.
Visceral: Ocorrem em condições médicas envolvendo
diferentes órgãos ou sistemas. Às vísceras são sensíveis
à distensão, isquemia e/ou inflamação e relativamente
insensíveis ao corte ou queimor, diferentemente do que
ocorre com a dor somática;
● Sensação vaga, difusa e mal localizada;
● Normalmente, na linha média, ao nível do
esterno inferior ou epigástrio;
● Provocafortes reações autonômicas;
● Possui componente emocional e comportamento
de imobilismo;
● Comumente evocam posturas antálgicas de
flexão do tronco e abdômen
Ex: Isquemias coronarianas ou mesentéricas, obstruções
intestinais, peritonites, pancreatites etc.
Dor viscero-somática referida: Convergência de
aferentes viscerais e somáticos.
● A dor da isquemia coronariana irradia-se para o
membro superior esquerdo e mandíbula;
● Dor do pâncreas para a região dorsal;
● Dor da apendicite para fossa ilíaca direita;
● Lesões subdiafragmáticas para a fossa
supraclavicular.
Dor neuropática: lesão direta ou doença no sistema
somatossensitivo.
● A ocorrência da dor neuropática está
condicionada a presença de síndrome sensitiva
superficial;
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● Tem-se comprometimento das fibras A-delta e
C no sistema nervoso periférico (SNP) ou das
vias espino córtico talâmicas no sistema nervoso
central (SNC);
● A depender da localização da lesão pode ser
periférica ou central.
A dor neuropática pode gerar:
Sinais sensitivos “negativos” ou deficitários, como
hipoestesia térmica, ao frio e/ou ao calor, a hipoalgesia
e hipoestesia táctil superficial;
Sinais “positivos” ou de hipersensibilidade: alodinia
mecânica ou térmica, a somação temporal ou hiperpatia e
a hiperalgesia.
Diagnóstico da DN: é centrado na anamnese e exame
físico:
● DN possível: dor com distribuição
neuroanatomicamente plausível com lesão no
SNP ou SNC.
● DN provável: quando associada a déficits
somatossensitivos com a mesma distribuição.
● DN definitiva: definitivo na presença de exame
complementar que ateste a lesão.
Figura - causas possivelmente relacionadas à dor neuropática, subdivididas em lesões centrais periféricas e suas
principais subclassificações
Exames complementares para diagnóstico de dor
neurpática:
● Ressonância magnética: para diagnóstico de
lesões no SNP ou SNC.
● Eletroneuromiografia: regista a velocidade de
condução nervosa e serve para verificar a
presença de lesões que afetam os nervos e
músculos, como pode acontecer em doenças
como neuropatia diabética, esclerose lateral
amiotrófica, doença de guillain-barré ou
síndrome do túnel do carpo, por exemplo.
● Potencial evocado somatossensitivo: avaliar a
via aferente > se há algum bloqueio na
passagem. O teste é útil na avaliação de
doenças da medula espinhal, doenças
desmielinizantes e outras doenças neurológicas.
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Tratamento baseado em evidências para dor
neuropática:
Dor miofascial: é uma síndrome definida como dor dor
muscular que se origina em pontos específicos dolorosos,
chamados “pontos de gatilho”.
● A reprodução da dor pelo paciente ou de parte
dela, através do estímulo de bandas tensas
durante a palpação muscular, é o aspecto mais
importante da síndrome, pois relaciona
pontos-gatilho à dor relatada pelo paciente;
● Muitas vezes a dor manifesta-se à distância,
conhecida como dor referida, um dos principais
sintomas da dor miofascial, mediada por
mecanismo de sensibilização central e
periférica.
Fatores potencialmente associados à síndrome
dolorosa miofascial:
Fatores mecânicos
● Dismetria de membros
● Escoliose
● Espondilose
● Osteoartrite
● Estresse mecânico postural relacionado ao
trabalho
● Lesão por esforço repetitivo
● Síndrome de hipermobilidade
Fatores metabólicos e nutricionais
● Estados hipometabólicos – hipotireoidismo
● Deficiência de ferro
● Deficiência de vitamina D
● Deficiência de vitamina B12
Dor nociplástica: não se enquadra como neuropática ou
nociceptiva. Sem lesão ou injúria tecidual (dor
nociceptiva) e sem lesão somatossensitiva (dor
neuropática)
● Dor crônica;
● Dores disfuncionais
● Anormalidades no processamento central da
informação nociceptiva.
● Exemplos: fibromialgia, cefaleias primárias,
lombalgias de crônicas de causa indeterminada,
síndrome do intestino irritável e dores
torácicas primárias.
Fibromialgia:
● Pode possuir etiologias potencialmente
causadoras associadas: hipotireoidismo, uso de
inibidores de aromatase etc.
● Sem uma etiologia específica subjacente:
fibromialgia sem doença associada.
● Na fibromialgia tem-se uma resposta dolorosa
amplificada
Sinais e sintomas associados à fibromialgia:
Cefaleias primárias: a cefaleia é o sintoma e a doença
Exemplos de cefaleias primárias
● Enxaqueca
● Cefaléia por tensão
● Cefaléia trigêmino-autonômicas
● Outras
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Enxaqueca: os sintomas premonitórios são
- Bocejos;
- Irritabilidade;
- Fadiga;
- Diurese;
- Desânimo;
- Desejos alimentares;
- Inatenção.
Enxaqueca sem aura: A enxaqueca sem aura é a
manifestação mais comum da alteração e se caracteriza
por uma dor de cabeça latejante e que pode se tornar
incapacitante.
- Alta prevalência;
- Fronto - temporal unilateral alternante ou
bilateral;
- Progressiva e latejante;
- Duração > 4 horas;
- Piora aos esforços;
- Fotofobia;
- Audiofobia.
Enxaqueca com aura: A aura é um sintoma resultante
das alterações neurológicas associadas à enxaqueca,
sendo considerada um aviso fisiológico para uma crise de
dor.
● ⅓ dos pacientes;
● A aura é marcada por alterações sensoriais que
se manifestam principalmente por meio da
visão;
● O paciente pode enxergar pontos brancos,
flashes de luz, imagens cintilantes, vista
embaçada com manchas escuras e até mesmo
imagens brilhantes em “ziguezague”;
● Além das alterações na visão, o paciente pode
sentir fenômenos temporários como parestesia
e astenia.
Enxaqueca transformada (cefaleia crônica diária)
● Cefaléia diária ou quase diária;
● Apresenta episódios de exacerbação;
● Associada ao abuso de analgésicos em 80% dos
casos.
● Tratamento: retira os analgésicos e faz
corticoide por 30 dias
Cefaleia tensional:
● Holocraniana em aperto ou em peso, irradiada
para região cervical e escapular;
● Palpação dolorosa da musculatura cervical e
pericraniana.
Cefaleia em salvas (trigêmino-autonômica):
● Dor intensa;
● Órbito-fronto-temporal unilateral;
● Episódica com duração de 15 a 180 minutos;
● Repetitiva durante o dia;
● Espontânea, desencadeada pelo sono ou por
bebida alcoólica;
● Fenômenos autonômicos: ptose, miose, injeção
conjuntival, lacrimejamento, coriza e sudorese
ipsilateral à dor.
Dados importantes na avaliação da cefaleia:
Sinais de alerta nas cefaleias:
● Cefaleia de início tardio;
● Evolução progressiva;
● Manifestação abrupta;
● Interfere com o sono;
● Aumenta com manobras de Valsalva;
● Mudança na forma de apresentação;
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● Perda de peso e febre;
● Alterações neurológicas focais.
Síndrome do intestino irritável:
● Distúrbios gastrointestinais crônicos;
● Sintomas incluem dor abdominal, excesso de
gases, diarreia e prisão de ventre;
● Diagnóstico é feito com base em critérios
clínicos e exclusão de outras condições;
● Tratamento envolve mudançasna dieta,
medicamentos e terapias para controlar os
sintomas.
Dores torácicas primárias:
Figura - Principais doenças cardíacas e não cardíacas
que se manifestam com dor/desconforto torácico
Fonte: Linha de Cuidado do MS.
Dor mista: ocorrência simultânea ou a sobreposição de
mais de uma síndrome dolorosa.
● A lombociatalgia decorrente da compressão
radicular por hérnia discal é um bom exemplo
dessa convergência de mecanismos.
● A herniação discal aguda é geradora de reação
inflamatória e ativação de nociceptores nas
estruturas adjacentes;
● A compressão de raiz nervosa é causa de
síndrome radicular com manifestações motoras
e sensitivas (dor neuropática), com irradiação
para o dermátomo correspondente a
compressão radicular em questão e dor mista da
musculatura paravertebral e das cinturas
escapular ou pélvica.
● Acidente vascular encefálico, presente em 11%
a 55% dos pacientes, que se refere a diversas
condições dolorosas, as quais incluem dor
neuropática central, cefaleia, síndrome de dor
complexa regional, dor relacionada à
espasticidade e dor musculoesquelética, que
compreende a síndrome dolorosa miofascial, o
ombro doloroso e outras dores articulares.
Dor aguda OU Dor crônica:
● Em condições fisiológicas, dor aguda tem
função protetora como mecanismo de alerta;
● Decorre de lesão tecidual identificável que, ao
ser resolvida, resulta em desaparecimento da
dor.
● Dor aguda é frequentemente autolimitada e,
segundo a classificação da IASP, tem duração
inferior a três meses.
● Quadro álgico com duração superior a três
meses, de forma contínua ou recorrente,
usualmente não exercem função protetora e
persistem após a resolução da condição causal e
é considerado dor crônica.
Fontes: Tratado de Neurologia da Academia Brasileira
de Neurologia + Aula do TBL + Ministério da Saúde.
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Tutoria SP 1.4 Uma pedra no caminho
Nefrolitíase e dor visceral
Objetivos de aprendizagem:
1. Sobre a nefrolitíase: conceito, epidemiologia,
fisiopatologia, apresentação clínica, diagnóstico e
tratamentos não farmacológicos e farmacológicos
(detalhar o mecanismo de ação dos medicamentos).✅
2. Cite os diagnósticos diferenciais da nefrolitíase. ✅
3. Quais as complicações da nefrolitíase? ✅
4. Caracterize a dor visceral (dor referida, dor
irradiada, vias neurológicas e aspectos clínicos). ✅
5. Explique o mecanismo da dor referida na nefrolitíase
(topografia vs estimulação da dor pela via neural) ✅
6. Quais os medicamentos, farmacocinética,
farmacodinâmica, indicação clínica e efeitos adversos
dos antiespasmódicos?✅
1. Sobre nefrolitíase: conceito, epidemiologia, fisiopatologia,
apresentação clínica, diagnóstico e tratamento.
Conceito: são depósitos minerais cristalinos que se
formam nos rins e podem ocorrer em 1 a 20% da
população durante sua vida, sendo mais comuns em
homens que em mulheres.
Epidemiologia e fatores de risco:
➜ Epidemiologia: Acomete 12 a 14% dos homens e 6%
das mulheres durante a vida. Mais comuns a partir da 3a
década de vida. Após o primeiro episódio sintomático de
litíase, a recorrência aumenta, sendo de 15% em 1 ano e
de 50% em 5 anos.
➜ Fatores de risco:
● História prévia ou familiar de nefrolitíase;
● Bypass gástrico, cirurgia bariátrica, síndrome
do intestino curto (aumentam a absorção de
oxalato);
● Infecções urinárias de repetição,
principalmente por Proteus e Klebsiella;
● Baixa ingestão de líquidos (supersaturação da
urina);
● Hipertensão arterial, diabetes, obesidade, gota,
exercício físico excessivo;
● Diarreia crônica: perda de bicarbonato causa
urina ácida – maior risco de cálculos por ácido
úrico;
● Sedentarismo; imobilização prolongada;
● Uso de medicamentos: indinavir, ritonavir,
saquinavir, aciclovir, sulfadiazina, triantereno.
Fisiopatologia:
O processo físico-químico de formação de cálculos
depende de uma cascata complexa de eventos que
ocorrem quando o filtrado glomerular (FG) atravessa o
néfron. Inicia-se então pelos seguintes eventos,
gradativamente: supersaturação → nucleação →
crescimento → agregação → adesão ao urotélio.
Com isso, temos uma urina que se torna supersaturada
em relação aos sais formadores de cálculo, de modo que
íons dissolvidos se precipitam para fora da solução e
formam os cristais. Após sua formação, os cristais
podem fluir com a urina ou ficar retidos no rim em
pontos de ancoragem ou áreas de constrições que
promovem crescimento e agregação.
Quando os cálculos renais iniciam sua migração para
eliminação, eles se movem do rim para esses pontos de
ancoragem que são conhecidos como junção
ureteropiélica (JUP), os cruzamentos dos vasos ilíacos e
junção ureterovesical (JUV), que são regiões de
estreitamento do ureter. Neste caso, dependendo do
tamanho do cálculo em relação ao ureter (normalmente
3mm) durante o percurso, o cálculo obstrui o rim,
manifestação por meio da distensão da pelve renal, os
cálices e a cápsula renal, devido ao aumento na pressão
interna do sistema coletor. É nesta etapa que gera a
típica cólica decorrente da passagem do cálculo.
Esse aumento de pressão também poderá aumentar a
pressão hidrostática do trato urinário, podendo causar a
falha no peristaltismo normal e a queda na taxa de
filtração glomerular (TFG).
Tipos de cálculos e suas causas comuns:
Apresentação clínica:
● Podem ser assintomáticas, principalmente se o
cálculo estiver em um cálice renal
● Cólica renal: dor intensa em cólica, localizada no
flanco, que pode irradiar para virilha,
testículos, área suprapúbica ou grandes lábios
● Dor abdominal com características imprecisas
● Hematúria micro ou macroscópica (70 a 95%)
● Náuseas, vômitos
● Disúria, urgência urinária.
Diagnóstico: anamnese + exames complementares.
EXAMES COMPLEMENTARES
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● Exame simples de urina: hematúria,
leucocitúria
● Dosagem de ureia e creatinina para avaliação
da função renal
● Urocultura na suspeita de infecção associada
● Tomografia computadorizada (TC) sem
contraste é o exame de escolha. Detecta litíase
e obstrução. Dilatação ureteral sem cálculos
pode significar passagem recente de cálculos.
Define outros diagnósticos
Figura - Tomografia computadorizada de abdome sem
contraste: cálculo coraliforme.
● Ultrassonografia (USG) nos casos de
contraindicação à radiação. Sensível para
obstrução das vias urinárias. Detecta cálculos
radiolucentes. Baixa sensibilidade para cálculos
pequenos ou ureterais ou em pacientes obesos
● Urografia excretora: menor sensibilidade do
que a TC, risco do contraste, pouco usada
atualmente. Diagnóstica rim espongiomedular
● Radiografia de abdome não identifica cálculos
pequenos, radiolucentes ou cálculos sobrepostos
pelo intestino. Pode ser realizada após TC para
avaliar se o cálculo é radiopaco, ou seja, se
contém cálcio em sua composição
Tratamento:
Alívio da dor:
● Primeira escolha: dipirona 1 a 2 g por via
intravenosa (IV), a cada 6 horas (dipirona +
butilbrometo de escopolamina não aumenta o
efeito analgésico e pode aumentar distensão
abdominal e obstipação); ou anti-inflamatórios
não esteroides (AINEs) – alta potência
analgésica, reduzem edema da musculatura
ureteral. Cuidado com o uso em pacientes renais
crônicos ou desidratados pelo risco de piora da
função renal
● Segunda escolha:opioides – alta potência
analgésica, podem induzir náuseas, vômitos e
retenção urinária
Tratamento para acelerar a eliminação de cálculos:
utilizado em pacientes com episódios de dor controlados
ambulatorialmente, cálculos pequenos ( 10 mm
são dificilmente eliminados
● Intervenções urgentes são necessárias em
pacientes com infecção das vias urinárias
associada, deterioração da função renal, dor ou
vômitos intratáveis ou obstrução em rim único
ou transplantado
● Litotripsia extracorpórea por ondas de choque
utilizada principalmente nos cálculos proximais 2 cm) ou impactados,
incluindo cálculo coraliforme
● Duplo J é necessário nos casos de edema ou
inflamação após remoção do cálculo, ou nos
casos de rim único ou anormalidades anatômicas
● Pacientes assintomáticos com cálculosna transmissão e processamento central,
bem como na modulação da dor. Na sensibilização
central da dor visceral, diferentemente do sistema
somático, onde estímulos prolongados são necessários
para a ativação dos receptores NMDA, parece que tal
receptor pode ser ativado por estímulos viscerais de
baixa intensidade.
Transmissão e processamento central:
As vias aferentes primárias que inervam as vísceras se
projetam para o SNC por três vias:
a) O nervo vago e seus ramos;
b) Dentro e ao longo de vias eferentes simpáticas;
c) No nervo pélvico, com eferentes
parassimpáticos e seus ramos.
Ao entrar na coluna dorsal da medula espinal (CDME), os
aferentes viscerais terminam nas lâminas de Rexed I, II
e V e X na ME. Os aferentes viscerais constituem 10%
de toda entrada aferente na medula espinal.
Estudos demonstram haver uma convergência
viscerossomática no CDME, no qual fibras aferentes
somáticas e viscerais terminam no mesmo nível. Os
aferentes viscerais frequentemente ativam o mesmo
neurônio espinhal, como aquele ativado por estímulos
nocivos somáticos. Consequentemente, a dor é percebida
erroneamente como originada de tecidos somáticos >
DOR REFERIDA.
Em algumas situações, às dores de origem nas
estruturas somáticas podem predominar no quadro de
dores viscerais, como a dor irradiada para o dorso na
pancreatite.
Há também convergência víscero-visceral nos neurônios
de segunda ordem. Isso pode provocar alodinia e
hiperalgesia em estruturas viscerais que são distantes
da víscera que provocou primariamente a dor. P.ex:
hiperalgesia de cólon retossigmoide em pacientes com
pancreatite crônica.
Vias que transmitem a informação da medula ao
encéfalo:
● A maioria ascende pelo trato espinotalâmico até
o tálamo;
● Outras vias: espino-hipotalâmica, trato
espinorreticular e trato espinosolitário.
● O tálamo projeta para várias regiões, como
ínsula, hipotálamo, amígdala e áreas corticais
altas.
Uma parte dos aferentes ascende pelo trato
espinomesencefálico, que se refere a uma rede neuronal
complexa, incluindo a PAG e a RVM. Essa rede
compreende a base estrutural do controle descendente
da dor e modula o processo de dor no nível espinhal
através de inibição descendente ou de vias facilitadoras.
Apresentação clínica da dor visceral:
A) Dor visceral verdadeira: dor usualmente vaga,
difusa e de localização imprecisa. Ocorre
devida a baixa densidade de inervação sensorial
visceral e à extensa divergência de entrada dos
estímulos com o sistema nervoso autônomo.
Pode ser difícil de identificar no início. Pode se
associar com fenômenos autonômicos (palidez,
sudorese, náusea, vômito, alteração de PA e FC,
distúrbios gastrointestinais) e fortes reações
emocionais (ansiedade, angústia e sensação de
morte). Não há correlação direta entre
intensidade da dor e a extensão da injúria.
B) Dor referida e hiperalgesia (convergência
viscerossomática): dor visceral pode se
apresentar referida em uma localização
somática. Isso ocorre devido à convergência da
inervação de órgãos viscerais com áreas
somáticas em um mesmo segmento da medula.
Pode estar associada a hiperalgesia devido a
fenômenos de sensibilização central.
C) Hiperalgesia visceral: aumento de
sensibilidade de um órgão interno, de tal modo
que até mesmo um estímulo não patológico ou
normal pode produzir dor. Tem muita associação
com a dor visceral e deve-se a fenômenos de
sensibilização central e periférica.
D) Hiperalgesia vísceras-visceral: é um aumento da
dor devido à interação sensorial entre dois
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diferentes órgãos internos que dividem pelo
menos parte de seus circuitos aferentes.
Dor referida: é uma das principais formas de
manifestação da dor visceral. mPode ser definida como
uma sensação dolorosa superficial percebida distante da
estrutura onde se a originou (visceral ou somática).
Possíveis explicações:
1. Teoria de Ruch: A dor referida se deve a
projeções viscero-somáticas convergentes. As
aferências sensoriais nocivas viscerais e
somáticas convergem para um conjunto comum
de neurônios de projeção, como neurônios do
trato espinotalâmico, dentro do sistema
nervoso central. Portanto, os axônios dos
nociceptores provenientes das regiões lesada
(víscera) e referida (pele) convergem sobre o
mesmo segundo neurônio de transmissão (WDR)
no corno dorsal da medula. Essas informações
são projetadas para o encéfalo e lá são
interpretadas erroneamente como sensação em
áreas somáticas.
2. Teoria de Penfield: a dor referida depende de
impulsos provenientes da região do tecido
profundo lesado, produzindo uma sensibilização
da área referida por meio de um reflexo
axônico, ou seja, da transmissão de impulsos de
uma ramificação a outra do mesmo axônio
nociceptivo.
Figura - Dor referida: . O estímulo doloroso procedente
de uma víscera é conduzido pelo neurônio aferente
visceral (1) e penetra na medula com o neurônio aferente
somático (2), responsável pela sensibilidade superficial
daquele metâmero. Seja qual for a origem do estímulo –
pele ou víscera –, este será conduzido aos centros
superiores através do feixe espinotalâmico (3).
Dor irradiada: caracteriza-se por ser sentida à
distância de sua origem, mas em estruturas inervadas
pela raiz nervosa ou em um nervo cuja estimulação é
responsável pela dor. Exemplo clássico é a ciatalgia,
provocada pela compressão de uma raiz nervosa por
hérnia de disco lombar. A dor irradiada parte de um
ponto de origem e segue o trajeto do nervo.
Figura - dor irradiada: . Dor irradiada por hérnia discal
entre L4 e L5 (lombociatalgia), comprimindo a raiz de
L5. A dor é irradiada para a nádega, face posterolateral
da coxa e posterolateral da perna
Via espino hipotalâmica
● Relaciona-se com o componente autonômico da
dor visceral
Fontes: Tratado da Dor + Neurociência da Mente e do
Comportamento (Roberto Lent) + Semiologia do Porto.
5 Explique o mecanismo da dor referida na nefrolitíase (topografia
vs estimulação da dor pela via neural)
IRRADIAÇÃO DA DOR NOS DIVERSOS TIPOS DE
CÁLCULOS:
● Cálice renal: cálculos ou outros objetos em
cálices ou divertículos caliciais podem causar
obstrução e cólica renal. A dor é do tipo
profundo e indeterminado no flanco ou nas
costas.
● Pelve renal: cálculos na pelve renal com mais de
1cm de diâmetro comumente obstruem a junção
ureteropélvica, em geral provocando dores
intensas no ângulo costovertebral, em um ponto
imediatamente lateral ao músculo sacroespinhal
e imediatamente abaixo da 12a costela. Com
frequência a dor se irradia para o flanco e
também anteriormente até o quadrante
abdominal superior ipsilateral.
● Partes superior e média do ureter: cálculos ou
outros objetos na parte superior ou média do
ureter causam, com frequência, dor intensa e
aguda nas costas (ângulo costovertebral) ou no
flanco. Dor associada a cálculos ureterais
frequentemente se projeta até as regiões
inervadas pelas raízes dos nervos espinais e
dermátomos correspondentes. Assim, a dor de
cálculos ureterais superiores irradia-se até as
regiões lombar e do flanco. Cálculos ureterais
médios tendem a causar uma dor que se irradia
saudo-anteriormente, de maneira encurvada e
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em forma de faixa, na direção das partes
abdominais média e inferior. No início, essa
faixa dolorosa acompanha a margem costal
inferior, mas sedesvia caudalmente na direção
da pelve óssea e do ligamento inguinal.
● Ureter distal: cálculos na parte inferior fervor
do ureter frequentemente causam dor que se
irradia até a virilha ou o testículo, em homens, e
até os grandes lábios em mulheres. Essa dor
referida muitas vezes é gerada a partir do
ramo ilioinguinal genital dos nervos
genitofemorais.
Fonte: Urologia de Smith
6 Quais os medicamentos, farmacocinética, farmacodinâmica,
indicação clínica e efeitos adversos dos antiespasmódicos?
Conceito: são medicamentos que atuam no controle e
alívio de espasmos musculares, que são contrações
involuntárias e excessivas dos músculos.
Grupos de antiespasmódicos:
1. Agentes relaxantes diretos do músculo liso
(mebeverina, agentes derivados de papaverina);
2. Anticolinérgicos (butilhioscina, hioscina
(escopolamina), hiosciamina, levocina,
dicicloverina, butilescopolamina, trimebutina e
bromuro de cimetropio);
3. Agentes bloqueadores dos canais de cálcio
(bromuro de pinaverio, bromuro de otilonio,
alverina, fenoverina, rociverina y pirenzepina).
Indicação clínica: desconfortos causados por diarreia,
dor abdominal, constipação, cólicas menstruais, dores
por cálculos renais e biliares.
Reações adversos:
● Sistema digestório: boca seca, náuseas,
vômitos, dificuldade de deglutição, pirose,
constipação.
● SNC: barramento visual, midriase (dilatação da
pupila), fotofobia, cicloplegia, aumento da
pressão intraocular.
● Sistema geniturinário: hesitação e retenção
urinárias, disúria. Os antagonistas muscarínicos
reduzem o tônus normal e amplitude das
contrações dos ureteres e da bexiga.
● Sistema cardiovascular: alteração da
frequência cardíaca.
Fontes: Farmacologia de Goodman + Farmacologia Básica
e Clínica + Site buscopan
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material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
Morfofuncional SP 1.4 Uma pedra no caminho
Dor referida e dor irradiada: compreendendo os conceitos morfofuncionais do sistema
urinário
Objetivos de aprendizagem:
1. Correlacionar a morfologia macro e microscópica do
ureter aos órgãos adjacentes e inervação.
2. Diferenciar dor referida e dor irradiada.
3. Correlacionar o conceito de dermátomo à dor
referida.
Sistema Urinário
Figura - vísceras geniturinárias
Estruturas do sistema urinário e trajeto da urina
Trajeto da urina: A gota de água vai do plasma para o
interior de tubos ocos (néfrons), composição do líquido
vai mudando, forma-se a urina, a qual sairá dos rins por
um tubo chamado ureter que irá até a bexiga urinária. A
bexiga é preenchida até que inicia-se o reflexo na
micção. Essa urina é eliminada pela uretra.
Localização do rim: Os rins, que têm formato oval,
retiram o excesso de água, sais e resíduos do
metabolismo proteico do sangue e devolvem nutrientes e
substâncias químicas. Estão situados no retroperitônio
sobre a parede posterior do abdômen, um de cada lado
da coluna vertebral, no nível das vértebras T XII a L
III.
Para localizar o rim, palpe:
● Processo espinhoso de TXII e de LIII.
● Corpo da XI costela.
● Crista ilíaca.
E considere que o rim:
● Está situado no retroperitônio.
● Entre TXII e LIII.
● Margem medial a cerca de 5cm da coluna
vertebral.
● Polo superior na altura da XI costela.
● Rim direito está cerca de 2,5 cm abaixo que o
esquerdo.
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● Polo inferior aproximadamente a 1 dedo da
crista ilíaca.
● Dimensões: 10 cm de altura, 5 cm de largura,
2,5 cm de espessura.
Ureteres: anatomia e inervação:
Ureteres são tubos musculares que conduzem a urina
dos rins até a bexiga urinária.
● Localização do ureter: superiormente
começam a partir do ápice das pelves renais.
Inferiormente, terminam abrindo-se na bexiga
urinária através os óstios ureterais. Cada
ureter assume uma posição de
aproximadamente 5 cm em sentido lateral a
partir do processo espinhoso da primeira
vértebra lombar. A partir daí, os ureteres se
estendem até a altura da espinha ilíaca
póstero-superior em cada lado.
Para localizar o ureter, palpe:
● Processo espinhoso de LI à LV.
● Espinha ilíaca póstero-superior.
E considere que:
● O trajeto do ureter se dá na direção da espinha
ilíaca póstero superior, protegido pelo
processos costiformes
Em seu trajeto abdominal, os ureteres são
retroperitoneais, cruzam a região da abertura superior
da pelve e transitam pela parede pélvica em sentido
anterior até terminarem se abrindo na bexiga urinária.
Constrições ureterais: são regiões de estreitamento do
lúmen ureteral. Em geral, tem-se 3 constrições durante
o trajeto dos ureteres. Há um tendência de
aprisionamento de cálculos renais na região dessas
constrições.
● 1° constrição: localiza-se na transição entre a
pelve renal e o início do ureter (transição
pelve-ureteral).
● 2° contrição: ocorre quando os ureteres
atravessam a abertura superior da pelve, no
cruzamento com a bifurcação das artérias
ilíacas comuns.
● 3° constrição: ocorre quando os ureteres
atravessam a parede da bexiga urinária (parte
intramural)
Figura - Constrições do ureter
Qual a relação entre as constrições do ureter e
hidronefrose e infecção urinária?
1. Hidronefrose: Uma constrição uretérica pode
impedir o fluxo normal da urina do rim para a
bexiga. Isso pode levar a um acúmulo de urina
no rim, causando dilatação dos cálices renais e
do sistema coletor, o que é conhecido como
hidronefrose. Se não for tratada, a
hidronefrose pode levar a danos renais
permanentes.
2. Infecções Urinárias: As constrições ureterais
podem criar um ambiente propício para o
acúmulo de urina infectada, predispondo à
ocorrência de infecções urinárias. O acúmulo de
urina estagnada pode fornecer um meio de
cultura favorável para o crescimento
bacteriano, aumentando o risco de infecções
urinárias. Além disso, o fluxo urinário
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prejudicado devido à constrição pode dificultar
a eliminação adequada de bactérias e resíduos
do trato urinário, contribuindo ainda mais para
o desenvolvimento de infecções.
Inervação dos ureteres:
Os nervos para os ureteres são provenientes de plexos
autônomos adjacentes (renais, aórticos, hipogástricos
superiores e inferiores). As fibras aferentes (de dor)
dos ureteres seguem as fibras simpáticas em sentido
retrógrado para chegarem aos gânglios sensitivos de
nervos espinais e aos segmentos T10–L2 ou L3 da medula
espinal.
● Compreender essa inervação simpática dos
ureteres é importante para avaliar os locais de
dor referida;
● A dor ureteral geralmente é referida para o
quadrante inferior ipsilateral do abdome,
principalmente na região inguinal.
Dermátomo: faixas da pele inervadas por uma única raíz
dorsal, ou seja, por um único segmento medular.
Histologia do ureter:
O ureter transporta a urina do rim para a bexiga. É
revestido por um epitélio impermeável à água e aos íons.
A contração peristáltica do músculo liso move a urina do
rim para a bexiga.
Estruturas histológicas:
● Mucosa urinária
- Epitélio de transição: consiste em
duas a três camadas de células na
parte superior do ureter com até dez
camadas de células perto da bexiga.
-Lâmina própria: espessa camada de
tecido conjuntivo denso irregular rico
em colágeno e fibras elásticas
● Camada muscular: A camada muscular (Mus) é
formada por uma camada longitudinal interna
(MLl), uma camada circular média (MLc) e uma
camada longitudinal externa (MLl). No entanto,
a camada longitudinal externa é encontrada
somente na extremidade inferior do ureter.
● Camada adventícia: é a camada de
revestimento, formada por tecido conjuntivo
frouxo com vasos sanguíneos, nervos e células
adiposas.
Dor referida e dor irradiada:
Dor irradiada: caracteriza-se por uma dor que pode ser
sentida à distância de sua origem, mas em estruturas
inervadas pela raiz nervosa ou em um nervo cuja
estimulação é responsável pela dor. Necessariamente
tem lesão nervosa.
Dor referida: É uma sensação percebida a distância da
estrutura que a originou, ou seja, é uma sensação que
não está associada com o local exata do dano que
provocou a dor.
Fontes: Anatomia orientada para a clínica (Moore) +
Histology Guide + Aulas do ulife
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Medicina laboratorial SP 1.4 Uma pedra no caminho
Farmacologia dos agentes antiespasmódicos
Objetivos de aprendizagem:
1. Analisar os aspectos farmacocinéticos e
farmacodinâmicos dos antiespasmódicos. Analisar
os efeitos adversos, indicações e contraindicações
dos antiespasmódicos.
Conceito: são medicamentos que atuam no controle e
alívio de espasmos musculares, que são contrações
involuntárias e excessivas dos músculos.
Grupos de antiespasmódicos:
4. Agentes relaxantes diretos do músculo liso
(mebeverina, agentes derivados de papaverina);
5. Anticolinérgicos (butilhioscina, hioscina
(escopolamina), hiosciamina, levocina,
dicicloverina, butilescopolamina, trimebutina e
bromuro de cimetropio);
6. Agentes bloqueadores dos canais de cálcio
(bromuro de pinaverio, bromuro de otilonio,
alverina, fenoverina, rociverina y pirenzepina).
Indicação clínica: Medicamentos utilizados no
tratamento de espasmos musculares (cólicas intestinais,
cólicas renais, cólicas biliares, espasmos associados a
lesões musculoesqueléticas, cólicas menstruais etc).
Os antiespasmódicos são muito utilizados no tratamento
de cólica renal. Normalmente, os AINES são mais
efetivos no controle desse tipo de dor. Porém, podem
prejudicar a função renal, por isso opta-se por
antiespasmódicos.
Farmacocinética:
Administração:
● Oral; Subcutânea; Intramuscular; Intravenosa;
● Outras vias.
Quando administrados por via oral:
● São absorvidos pelo intestino;
● Disponibilizados para a circulação sanguínea;
● Cerca de 50 a 75% de metabolização hepática.
Antiespasmódicos de estrutura quaternária, após
administração oral, possuem baixa biodisponibilidade
plasmática > escolher outra via de administração para
fármacos com essa estrutura.
Farmacodinâmica:
● Ação periférica: relaxamento do músculo liso
● Ação central: inibição da transmissão de sinais
que causam a contração muscular
Antagonistas dos receptores de acetilcolina: atua
inibindo a atividade da acetilcolina na sinapse dos nervos
parassimpáticos, fazendo com que impulsos que se
propagam ao longo do nervo parassimpático não sejam
transmitidos da terminação axônica para um órgão ou
uma estrutura.
● Classificados de acordo com os receptores ao
qual se ligam:
- Antimuscarínicos;
- Antinicotínicos.
Os antagonistas dos receptores muscarínicos (fármacos
parassimpatolíticos) são antagonistas competitivos,
cujas estruturas químicas geralmente contêm grupos
éster e grupos básicos na mesma proporção encontrada
na ACh, mas apresentam um grupo aromático volumoso
em vez do grupo acetil. Os dois compostos de ocorrência
natural, a atropina e a hioscina (também conhecida como
escopolamina), são alcalóides encontrados em plantas
solanáceas. Os compostos de amônio quaternário, os
quais apresentam ações periféricas muito similares
àquelas produzidas pela atropina, não têm ações centrais
pelo fato de não penetrarem no cérebro; trata-se do
butilbrometo de hioscina e da propantelina
● Classificação de acordo com a estrutura do
fármaco:
- Amina terciária: atravessa a barreira
hematoencefálica;
- Amônio quaternária.
Reações adversas:
● Sistema digestório: xerostomia, náuseas,
vômitos, dificuldade de deglutição, pirose,
constipação.
● SNC: barramento visual, midríase (dilatação da
pupila), fotofobia, cicloplegia, aumento da
pressão intraocular, vertigem, sedação e
confusão mental.
● Sistema geniturinário: hesitação e retenção
urinárias, disúria. Os antagonistas muscarínicos
reduzem o tônus normal e amplitude das
contrações dos ureteres e da bexiga.
● Sistema cardiovascular: alteração da
frequência cardíaca, palpitações, arritmia.
Fontes: Farmacologia de Goodman + Farmacologia Básica
e Clínica + Site buscopan + Aula do ulife
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TBL SP 1.4 Uma pedra no caminho
Opióides
Objetivos de aprendizagem:
Esse tbl também contemplará os objetivos de medlab
da SP 1.5!
- “Analisar os aspectos farmacocinéticos e
farmacodinâmicos dos analgésicos opióides e os
possíveis efeitos adversos.
- Sintetizar a importância do uso de analgésicos
opióides para o tratamento de dor oncológica.”
Definição: são substâncias derivadas do ópio e podem
ser classificadas como naturais, semissintéticos e
sintéticos.
● Naturais: morfina, codeína, papaverina;
● Semissintéticos: heroína, diamorfina,
buprenorfina. São produzidos pela modificação
da molécula de morfina;
● Sintéticos: fentanil, sufentanil, alfentanil,
remifentanil, meperidina, metadona, entre
outros. São manufaturados por síntese em vez
de modificação química da morfina.
Classificação quanto a interação com o receptor:
1. Agonistas: ativam o receptor
2. Antagonistas: não ativam o receptor
3. Agonistas-antagonistas: apresentam efeitos
opostos em diferentes tipos de receptores
Farmacocinética:
Em geral, os opióides são bases fracas (pKa de 6,5-8,6)
altamente lipossolúveis, que apresentam elevada ligação
protéica. Sua alta lipossolubilidade facilita a passagem
para o sítio efetor, o que acelera o início da ação.
1. Meia vida contexto-dependente: descreve o
tempo necessário para que a concentração
plasmática de um fármaco caia em 50% após o
término da infusão contínua. O remifentanil é o
opióide ideal para infusão contínua, pois
apresenta uma pequena meia-vida
contexto-dependente.
2. Constante (KeO): É uma constante de
velocidade de equilíbrio e corresponde a
velocidade na qual um fármaco deixa o
compartimento central e entra no
compartimento de ação (biofase).
3. Meia vida de equilíbrio: É o tempo para que a
concentração na biofase atinja 50% da
concentração plasmática (metade do fenômeno
de equilíbrio).
Farmacodinâmica:
Primeiramente, vamos conhecer os receptores opióides,
os quais são divididos em 3 famílias:
1. mi (ⲙ): principais responsáveis pela analgesia
supra espinhal e espinhal. Se dividem em 2
tipos:
- ⲙ¹: responsável pela analgesia
- ⲙ²: são responsáveis pela
hipoventilação, bradicardia e
dependência física
2. kappa (κ): também promove analgesia
supraespinhal e espinhal, porém menos efetiva
para a dor intensa do que os receptores ⲙ. A
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depressão respiratória também é menos comum
na sua ativação do que na ativação de mi.
3. delta (𝛅): promove analgesia supraespinhal e
espinhal.
Figura - classificação dos receptores opióides
Os receptores opióides são ativados por três peptídeos
endógenos conhecidos como encefalinas, endorfinas e
dinorfinas. Os opióides simulam a ação desses ligantes
endógenos e resultam na ativação da via moduladora da
dor (sistema anti-nociceptivo).
Esses receptores, quando ativados, desempenham
diferentes funções.
Possui ação de se ligar a receptores opiáceos e realizar
os seguintes mecanismos:
● Fecha os canais de cálcio fazendo com que o
cálcio não entre no neurônio, impedindo a
liberação da vesícula sináptica e,
consequentemente, a transmissão do sinal do
neurônio pré-sináptico.
● Permite que os canais de potássio fiquem
abertos, fazendo com que o potássio consiga
sair do neurônio pós-sináptico causando a sua
hiperpolarização.
● Inibição da adenilato-ciclase: enzima que
converte ATP em AMP cíclico e realiza a
cascata de fosforilação que irá sinalizar a
produção de neurotransmissores.
Ação supraespinhal
● O opióide agonista se liga ao receptor Mi.
● O GABA que estava inibindo a atividade da PAG
é inibido.
● A PAG irá liberar aminoácidos excitatórios, os
quais irão atuar no bulbo (LC e NMR).
● O bulbo irá liberar serotonina e noradrenalina,
as quais irão para a medula. – LC: noradrenalina,
NMR: serotonina.
● Na medula, mais especificamente no corno
dorsal.
● Após isso, tem-se a inibição da via da dor.
● A serotonina, dependendo do receptor no corno
dorsal, possui efeito inibitório (5-HT1 e
5-HT7).
● Já a noradrenalina, possui efeito inibitório.
Ação espinal:
● Na medula espinhal, os opiáceos possuem ação
de inibir a transmissão à nível do corno dorsal.
● Os opioides, ao se ligarem aos seus respectivos
receptores, fazem com que transmissores
peptídicos sejam reduzidos.
● O mecanismo é explicado pelo fechamento dos
canais de cálcio dos neurônios pré-sinápticos e
abertura dos canais de potássio dos neurônios
pós-sinápticos.
● Esses mecanismos fazem com que a informação
dolorosa não seja transmitida para níveis
superiores da medula e, consequentemente, não
chegue ao encéfalo.
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Ação periférica:
● A aplicação de opioides em concentrações altas
em um nervo periférico pode causar um efeito
semelhante ao dos anestésicos locais.
● Essa ação não é revertida pela naloxona.
● Os opióides conseguem reduzir a dor local em
casos de hiperalgesia.
● Não se sabe o mecanismo certo dessa via.
Efeitos adversos: há diversos efeitos os quais têm
variabilidade interindividual e podem ser revertidos com
a naloxona.
● Sistema cardiovascular: redução do tônus
simpático e aumento do tônus parassimpático.
De forma geral, não causam depressão
miocárdica ou hipotensão.
● Liberação de histamina: a histamina causa
dilatação das arteríolas terminais e efeitos
cardíacos diretos, hipotensão pode ocorrer.
● Ventilação: os opióides promovem depressão
dose-dependente da ventilação por efeito
direto nos centros respiratórios do tronco
encefálico.
● Sistema nervoso central: reduzem de forma
modesta o consumo de oxigênio, o fluxo
sanguíneo cerebral e a pressão intracraniana
(PIC). Não são capazes de produzir
irresponsividade e amnésia mesmo em altas
doses.
● Efeito antitussígeno: a inibição da tosse é uma
ação bem conhecida dos opioides e tem origem
central. Reduzem a reatividade da via aérea
superior e os reflexos respiratórios inferiores,
facilitando a intubação orotraqueal.
● Rigidez muscular: os opióides interagem com
receptores dopaminérgicos e ƴ-aminobutíricos,
podendo aumentar o tônus muscular e causar
rigidez, dificultando a ventilação manual.
● Trato biliar: aumento do tônus da musculatura
lisa da vesícula biliar e do esfíncter de Oddi de
forma dose-dependente.
● Trato gastrintestinal: ocorre constipação e
retardo no esvaziamento gástrico.
● Náuseas e vômitos: promovem estimulação
direta da zona-gatilho quimiorreceptora no
assoalho do 4º ventrículo, causando náuseas e
vômitos.
● Trato geniturinário: promovem inibição dos
reflexos de micção resultando em retenção
urinária, especialmente quando administrados
na via espinal.
● Miose: estímulo do núcleo Edinger-Westphal do
nervo oculomotor (ativação parassimpática) e
promovem constrição pupilar.
● Prurido: não ocorre devido a histamina.
Alterações cutâneas como eritema de face,
pescoço e tórax ocorrem por vasodilatação.
Mecanismos adaptativos:
Tolerância: consiste no fato de que o uso contínuo da
droga faz com que o corpo se acostume com a presença
dela, ou seja, serão necessárias doses mais altas para
surgir o mesmo efeito. Tem-se a perda gradual do efeito
medicamentoso.
Dependência: acontece quando o corpo se adapta a uma
droga e começa a precisar dela para funcionar
normalmente. A interrupção do uso do medicamento é
marcada por uma síndrome de abstinência.
Vício: estado de intoxicação periódico ou crônico,
prejudicial ao indivíduo e à sociedade, produzido pelo
uso repetido de uma droga. Tem como características a
necessidade absoluta de continuar a utilizar a droga
(compulsão) e de obtê-la por qualquer meio e, ainda,
tolerância, dependência psíquica e, às vezes,
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dependência física. Meperidina caiu em desuso pela sua
alta capacidade de vício em poucas doses.
Hiperalgesia induzida por opióides: aumento da
sensibilidade à dor causada por exposição ao opioide.
Deve ser considerada quando o aumento repetido da
dose falha em analgésico, provoca promover efeito
exacerbação da dor ou diminui o efeito do opióide de
forma inexplicável. Três mecanismos têm sido propostos
para explicar a HIO: ativação NMDA, aumento da
liberação de neuropeptídeos excitatórios e facilitação
das vias nociceptivas.
Propriedades de cada opioide:
Morfina: É um opióide natural da classe dos alcalóides
fenantrenos. Atua como agonista puro, sendo
considerado um opióide forte. A morfina é o protótipo
contra o qual os demais opióides são comparados em
termos de potência.
Propriedades clínicas:
● É um analgésico potente com ação sedativa e
ansiolítica, podendo provocar euforia e disforia;
● Causa depressão ventilatória dose-dependente
pela redução da responsividade do centro
respiratório ao CO2;
● Reduz o reflexo de tosse por efeito no centro
medular da tosse;
● Provoca liberação de histamina com
vasodilatação periférica, por mecanismo
provavelmente diferente dos receptores µ;
● Tem mínimos efeitos cardiovasculares, embora
a redução do tônus simpático e a liberação de
histamina possam causar hipotensão,
especialmente em pacientes criticamente
doentes;
● Possui efeitos no sistema gastrintestinal
comuns a outros opioides.
Meperidina: É um opioide sintético, derivado da
fenilpiperidina, agonista puro, com efeitos similares aos
da morfina e com um décimo de sua potência analgésica.
Propriedades clínicas:
● Apresenta semelhança estrutural com a
atropina, podendo, ao contrário dos outros
opióides, produzir taquicardia;
● Tem propriedades conhecidas de anestésico
local, o que pode justificar seu efeito de
redução na contratilidade cardíaca e aumento
das pressões de enchimento quando utilizada
em altasa estímulos
supralimiares e dor espontânea.
● Hiperalgesia secundária: por sua vez, é o
desenvolvimento de uma área aumentada de
hiperalgesia e alodinia circundando o sítio da
lesão.
Agora, vamos compreender esse processo e sua
relação com a inflamação:
Após uma lesão tecidual, tem-se o processo inflamatório,
o qual provoca um estado doloroso persistente que se
caracteriza por ardência, sensação de pulsação ou dor
difusa e contínua com resposta anormal à dor
(hiperalgesia).
Essa dor reflete os efeitos dos fatores ativos ( como
prostaglandinas, bradicinina, citocinas e íons H+ entre
outros mediadores) liberados no local lesado, as quais
podem ativar terminações dos pequenos aferentes de
limiar alto (fibras Aδ e C) e reduzir a intensidade do
estímulo necessária para ativar estas fibras aferentes
sensoriais (sensibilização periférica). A bradicinina
estimula diretamente a despolarização dos
nociceptores. As PGE´s não causam dor diretamente
mas aumentam muito a sensibilidade dos nociceptores a
outros estímulos. A substância P é um peptídeo
sintetizado pelos próprios nociceptores. Ela causa
vasodilatação e liberação de histamina e sensibiliza
outros nociceptores do entorno, podendo causar
hiperalgesia secundária. Além disso, o tráfego aferente
contínuo desencadeado pela lesão provoca a ativação das
vias facilitadoras espinais, ampliando o grau de ativação
do cérebro por determinado estímulo.
● Ocorre uma alteração no potencial de repouso,
a qual facilita o disparo do potencial de ação.
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https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
● Após a lesão, a ativação dos axônios
mecanorreceptores AB por um toque leve pode
resultar em dor. Portanto, outro mecanismo de
hiperalgesia envolve uma interação sináptica
(linha cruzada) entre a via do tato e a via da
dor na medula espinal;
● A dor provocada por lesão dos tecidos é
classificada como “nociceptiva”.
Fontes: Neurociências (Bear) + Manual de Farmacologia
e Terapêutica (Goodman)
6 - Conceitue o limiar da dor:
O limiar da dor é definido como o ponto de estimulação
no qual um indivíduo percebe a sensação como dolorosa.
É a intensidade mínima de um estímulo nocivo que é
capaz de ativar os nociceptores, receptores sensoriais
especializados em detectar estímulos dolorosos, e gerar
um sinal que é transmitido ao sistema nervoso central
para ser interpretado como dor. Este limiar varia
consideravelmente entre indivíduos e pode ser
influenciado por diversos fatores fisiológicos,
psicológicos e ambientais.
● O limiar da dor também é influenciado pelos
fenômenos de sensibilização descritos na
questão anterior.
7 - Quais são os moduladores da dor e seus mecanismos?
A dor é modulada por uma série de estímulos
excitatórios (glutamato) e inibitórios (GABA), os quais
podem produzir mais ou menos dor. Ainda, sabe-se que
aspectos emocionais como estresse, medo, ansiedade e
a duração da dor interferem no mecanismo de ativação
do sistema opióide envolvido na modulação da analgesia.
Figura - Mecanismo De modulação endógena da dor
Regulação Aferente/Espinhal/Segmentar: A dor
provocada pelos nociceptores pode ser reduzida pela
atividade simultânea de mecanoceptores de limiar baixo
(Fibras Aβ). Isso ocorre quando você massageia a pele
após confundi-la. Teoria do portão da dor: certos
neurônios do corno dorsal, os quais projetam seus
axônios pelo trato espinotalâmico, são excitados tanto
por axônios sensoriais de grande calibre (fibras Aβ)
quanto por axônios de pequeno calibre (A-delta e C). Há
um interneurônio inibitório que comunica a via tátil e a
via da dor. Ao ser excitado pela via tátil, esse
interneurônio tem efeito inibitório sobre o neurônio de
projeção da dor no corno dorsal. Ao ser excitado pela
via nociceptiva, esse interneurônio é inibido. Portanto, o
efeito inibitório do interneurônio sob a via da dor será
reduzido.
● A atividade apenas do axônio nociceptivo
resultaria em projeção máxima. Porém, no
disparo simultâneo com o sinal tátil, isso não
ocorre.
● Logo, quando os axônios de mecanoceptores
acionam conjuntamente com os nociceptores,
tem-se redução do envio de sinais nociceptivos
ao encéfalo, o que suprime a sensação dolorosa.
Figura - ilustração da comunicação da via tátil e
dolorosa via interneurônio na medula.
Material produzido por Ana Lígia de Araújo Nicácio, E-email analigianicacio@gmail.com, Ig @ligiaemed, para uso pessoal e privado. Este
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Regulação Descendente/supraespinhal:
Há duas áreas do tronco encefálico envolvidas na
modulação descendente da dor: A Substância Cinzenta
Periaquedutal (PAG) e a RVM (rostral ventromedial
medular).
Figura - Note onde se localiza a PAG e RVM
As vias inibitórias descendentes comunicam-se com o
corno dorsal da medula espinhal através de sinais
químicos, incluindo opioides endógenos, serotonina
(5-HT) e norepinefrina (NE).
● A PAG influencia a modulação descendente da
dor através de suas conexões recíprocas com a
RVM, integrando retroinibição com diferentes
estruturas do sistema límbico (córtex
cingulado anterior, o córtex pré-frontal, o
córtex insular e amígdala), o que confere a
modulação emocional e afetiva da dor.
● A estimulação ou inativação não seletiva dos
neurónios da RVM pode suprimir ou aumentar a
nocicepção. Ex: a aplicação de opioides na RVM
produz analgesia e a aplicação de CCK
hiperalgesia.
1. Sistema serotoninérgico: possui papel
bidirecional na modulação da dor.
● A 5-HT pode ser excitatória ou inibitória, seu
efeito depende do subtipo de receptor ativado.
Alguns induzem a antinocicepção enquanto
outros a nocicepção.
● Os neurónios serotoninérgicos dos núcleos da
rafe originam projeções ascendentes difusas
para estruturas límbicas, estando implicados na
etiologia e tratamento de alterações do humor
e esquizofrenia.
● Os neurônios da PAG enviam axônios
descendentes para várias regiões situadas na
linha média do bulbo, principalmente para os
núcleos da rafe (neurônios liberam
serotonina). Esses neurônios bulbares projetam
axônios para os corpos dorsais da medula
espinal, onde deprimem a atividade dos
neurônios nociceptores.
2. Sistema noradrenérgico: papel antinociceptivo
ao atuar em adrenoceptores alfa-2.
● Do tronco cerebral, partem axônios
noradrenérgicos direto para a ME, onde inibem
a resposta pré e pós-sináptica de neurônios
espinhais transmissores da dor. A ativação dos
adrenoceptores alfa-2 espinhais inibe a
transmissão do estímulo nociceptivo ao nível da
ME ao inibir a liberação de
neurotransmissores excitatórios. Por outro
lado, estudos recentes demonstraram que a
ativação de receptores α1 provoca
despolarização de interneurônios GABA,
aumentando a inibição.
3. Sistema opioide: Os opioides endógenos são
expressos por vias descendentes com origem na
PAG através da ativação de receptores opioides
nas terminações pré- e pós-sinápticas dos
neurônios do corno dorsal. Substâncias como
morfina, codeína, heroína e outras com ações
similares, chamadas opioides, produzem
analgesia profunda quando administradas de
forma sistêmica. Essas substâncias atuam se
ligando de forma firmedoses;
● Provoca liberação de histamina, o que, somado
ao efeito cardiovascular descrito, pode
produzir hipotensão grave;
● Não deve ser administrada em conjunto com
inibidores da monoaminoxidase (IMAOs), pois
bloqueia a recaptação de serotonina, podendo
levar à síndrome serotonérgica (hipertermia,
hipertensão ou hipotensão, rigidez muscular,
convulsões, coma e morte).
Codeína: É um alcalóide natural derivado do ópio, sendo
considerado um opioide fraco.
Propriedades clínicas:
● Usado para dor leve a moderada ou como
fármaco complementar no pós-operatório.
● � É um excelente antitussígeno, mesmo em
doses baixas (15 mg);
● Tem baixo potencial aditivo; � É um analgésico
de fraca potência: 60 mg de codeína, VO, têm a
potência analgésica equivalente a 650 mg de
ácido acetilsalicílico. O número necessário para
tratar (NNT) é de 12 para obtenção de 50% de
alívio da dor no contexto de dor aguda
pós-operatória quando utilizada isoladamente;
● As formulações com paracetamol associado
apresentam efeito sinérgico e redução do NNT
para 3,6;
● O início de ação ocorre em 30 a 60 minutos, e a
duração do efeito é de 4 a 6 horas;
● A constipação é o principal efeito adverso.
Metadona: É um opióide sintético da classe das difenil
propilaminas, com potência equivalente e características
farmacológicas semelhantes às da morfina.
Propriedades clínicas:
● Possui atividade antagonista dos receptores
NMDA e inibe a recaptação de serotonina,
sendo amplamente utilizada no tratamento da
dor crônica;
● Pode prolongar o intervalo QT e levar a
torsades de pointes e até mesmo parada
cardíaca, especialmente em pacientes de risco
(hipopotassemia, hipomagnesemia, doença
cardíaca estrutural);
● Tem efeitos adversos similares aos da morfina,
podendo levar à síndrome de abstinência,
embora de instalação mais lenta e com sintomas
menos graves;
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material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
● Pode ser usada para prevenção de sintomas de
abstinência ou para terapia de substituição de
opioide em usuários crônicos;
● Não deve ser usada como primeira linha na dor
aguda, ficando reservada apenas para pacientes
selecionados, como aqueles alérgicos à morfina
ou com insuficiência renal.
Fentanil: É um opioide sintético, agonista puro da classe
das fenilpiperidinas, com potência 75 a 100 vezes
superior à da morfina. É um dos opióides mais utilizados
na prática anestésica.
Propriedades clínicas:
● Não causa liberação de histamina;
● Mantém a estabilidade cardiovascular mesmo
em altas doses, embora possa causar
instabilidade hemodinâmica quando associado a
outros fármacos depressores, como
benzodiazepínicos;
● Reduz a frequência cardíaca e pode causar
hipotensão em pacientes cujo débito cardíaco
depende dela, como, por exemplo, em neonatos;
● Tem potencial para causar rigidez torácica e
risco de depressão ventilatória devido à alta
potência;
● Pode desencadear mioclonias sem atividade
convulsivante na indução;
● Tem intensidade de prurido equivalente a de
outros opióides;
● Apresenta efeito antitussígeno.
Sufentanil: É um opióide sintético com potência
analgésica de 1.000 vezes a da morfina e de 5 a 10 vezes
a do fentanil, sendo o opióide mais potente disponível.
Propriedades clínicas:
● Apresenta perfil farmacológico similar ao do
fentanil, com analgesia mais prolongada e menos
depressão respiratória em doses equivalentes;
● Mantém a estabilidade hemodinâmica mesmo em
altas doses, podendo, contudo, causar
bradicardia;
● É muito utilizado por via espinal durante a
analgesia de parto
Remifentanil:É um opióide sintético, agonista puro,
derivado da fenilpiperidina, com potência semelhante à
do fentanil.
Propriedades clínicas:
● É ideal para procedimentos longos ou que
requerem a combinação de altas doses de
opioides e rápido despertar;
● Apresenta fácil titulação no transoperatório
(rápido equilíbrio plasma-cérebro);
● Não promove analgesia pós-operatória, sendo
necessária administração de outra medicação
para esse fim após a interrupção da infusão;
● Pode desencadear hiperalgesia após a
suspensão. Antagonistas do receptor NMDA
como cetamina (mesmo em baixas doses)
reduzem esse efeito, sugerindo mecanismo
relacionado à alteração desses receptores;
● É uma alternativa para analgesia de trabalho de
parto (infusão contínua ou PCA) pela rápida ação
e eliminação, com menor risco de depressão
fetal, porém é menos efetivo que técnicas de
neuroeixo e apresenta risco de depressão
respiratória materna.
● Não deve ser utilizado no neuroeixo pelo fato
de conter glicina na sua formulação.
Alfentanil: É um análogo do fentanil, porém 5 a 10 vezes
menos potente.
Propriedades clínicas:
● Apresenta rápido início e término de ação. É o
opióide ideal para estímulos nociceptivos
breves, como laringoscopia ou indução do tipo
sequência rápida;
● Tem grande variação interpessoal no clearance;
● Possui meia-vida de eliminação prolongada em
pacientes com falência hepática, idosos e
obesos. Não se altera na insuficiência renal.
Oxicodona: É um derivado da morfina com maior
biodisponibilidade (50-80%) via oral.
Tramadol: É um análogo da codeína, 5 a 10 vezes menos
potente que a morfina, com biodisponibilidade oral de
68%.
Propriedades clínicas:
● Além da afinidade pelos receptores µ e também
K e delta (fraca), promove inibição da
recaptação de serotonina e noradrenalina,
responsável por parte de seu efeito analgésico;
● Tem como vantagens menor depressão
respiratória e limitado potencial de abuso
quando comparado aos outros opióides. Pode ser
útil em dor crônica ou neuropática pelo duplo
mecanismo de ação;
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● É ineficaz para dor aguda pós-operatória de
alta intensidade (fraca potência). Apresenta
elevada incidência de náuseas e vômitos;
● Reduz o limiar convulsivo.
Tapentadol: É um opióide oral sintético, recentemente
aprovado para uso em dor moderada a intensa.
Agonistas-antagonistas: São fármacos que se ligam aos
receptores opióides µ, com atividade fraca (agonismo
parcial) ou nenhuma atividade (antagonismo), agindo
também em receptores K e delta. Essas medicações
foram desenvolvidas com o objetivo de promover
analgesia com menor potencial de abuso e dependência.
● Possuem efeito teto tanto para analgesia
quanto para depressão respiratória e, por isso,
nunca ganharam popularidade de uso e acabam
sendo reservados para pacientes que não
toleram opióides ou para reversão de depressão
respiratória causada por agonistas, sem
reversão completa da analgesia.
Antagonistas: São fármacos que possuem alta afinidade
pelos receptores µ, sendo capazes de deslocar o opióide
agonista desses sítios sem ativá-los, promovendo
antagonismo.
- Naloxona: É antagonista dos três receptores
opióides, sendo o fármaco de escolha para
tratamento da depressão respiratória por
opioides;
- É capaz de reverter também prurido, retenção
urinária, rigidez torácica e espasmo biliar
provocado por opioides;
- É altamente lipossolúvel com rápido início de
ação (1-2 minutos após dose IV) e curta
duração (30-45 minutos), sendo
frequentemente necessárias doses repetidas ou
infusão contínua para manter os efeitos
antagonistas desejados, sobretudo para
opióides de ação prolongada;
- Seu principal efeito adverso é a reversão da
analgesia, que, se realizada de forma
abrupta,pode levar a efeitos cardiovasculares,
comohipertensão, taquicardia e edema
pulmonar por dor e ativação do sistema nervoso
simpático. Pode desencadear sintomas graves
de abstinência em pacientes dependentes de
opioides.
Fonte: Rotinas em Anestesiologia e Medicina
Perioperatória
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Tutoria SP 1.5 Cuidados, o quê?
Dor neoplásica, cuidados paliativos e opióides
Objetivos de aprendizagem:
1. Dor neoplásica: conceito, fisiopatologia, aspectos
clínicos e manejo. ✅
2. Defina opióides, seu mecanismo de ação, indicação
clínica, efeitos adversos, consequências do uso
abusivo e contra indicações?✅
3. Explique a escala analgésica e sua aplicação?
(OMS)✅
4. O que são cuidados paliativos, indicação/objetivos e
protocolos relacionados?
5. Quais são os profissionais envolvidos nos cuidados
paliativos?✅
6. Como a dor crônica afeta a vida do paciente e de sua
família, sobretudo, os aspectos biopsicossociais. (Dor
neoplásica)✅
1 Dor neoplásica: conceito, fisiopatologia, aspectos clínicos e
manejo
Conceito: não possui uma definição específica, uma vez
que o câncer não é considerado uma única doença. Além
disso, a dor neoplásica possui uma etiologia multifatorial,
podendo ser relacionada ao tumor, ao tratamento ou à
presença de morbidades associadas.
Fisiopatologia: pode ser nociceptiva, neuropática,
psicogênica ou mista.
● Nociceptiva: compreende a dor visceral e
somática e é concomitante ao dano tecidual,
isto é, lesão identificável.
● Neuropática: consiste na dor relacionada à
existência de processos somatossensoriais
aberrantes no sistema nervoso central ou
periférico.
● Dos mista: envolve processos nociceptivos e
neuropáticos.
● Dor psicogênica: raramente é observada no
doente com câncer, pois, geralmente, pode ser
relacionada a lesões físicas. No entanto,
sabe-se que fatores cognitivos, emocionais e
sociais contribuem, significativamente, para
agravar ou aliviar a dor
Em geral, a fisiopatologia apresenta o mesmo processo
da dor não oncológica, com os seguintes aspectos: (1)
ativação de aferentes sensoriais por estímulos
nociceptivos, (2) transdução, (3) transmissão, (4)
modulação e (5) percepção.
● Nociceptores são ativados e tem-se o disparo
do potencial de ação;
● A condução do impulso ocorre por fibras
rápidas A-delta e lentas C;
● Corpo celular encontra-se na raiz dorsal da
medula, onde ocorre a sinapse I;
● Interneurônios dentro das lâminas I e II do
corno dorsal amplificam ou atenuam a
neurotransmissão;
● O neurônio II atravessa a linha média e
ascendem até o tronco encefálico e o tálamo no
quadrante ântero lateral da metade
contralateral da medula espinhal pelo trato
espinotalâmico;
● Fibras sensoriais associadas a respostas
afetivas também ascendem na medula
dorsolateral contralateral ao tálamo mediano ou
tronco cerebral, e então, ao córtex cingulado e
ao lobo límbico;
● A modulação descendente ocorre através da
medula cinzenta periaquedutal e da medula
ventral rostral com axônios que atravessam o
funículo lateral dorsal;
● Essa modulação ocorre por conexões dos
neurônios aferentes secundários no corno
dorsal ou através de conexões com
interneurônios nas lâminas I ou II.
Aspectos clínicos:
Os aspectos clínicos da dor oncológica depende de sua
etiologia. Por exemplo, um tumor que causa lesão
tecidual vai provocar uma dor nociceptiva, que pode ter
manifestações de dor somática ou visceral a depender
do tecido afetado, Já um tumor que provoca dano aos
nervos pode causar uma dor neuropática. A
quimioterapia também pode provocar NPIQ (neuropatia
induzida por quimioterapia).
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A imagem a seguir relata as principais características
dos diferentes tipos de dor que podem ocorrer no
câncer
Figura - características clínicas dos diferentes tipos de dor
Manejo da dor: as intervenções para o controle da dor
compreende o uso de medidas farmacológicas, físicas e
cognitivas comportamentais. Recomenda-se o uso de
intervenções múltiplas, que possibilitem uma melhor
resposta analgésica, visto a possibilidade de
interferirem, simultaneamente, na supressão dolorosa.
Os princípios básicos para o tratamento da dor
oncológica foram estabelecidos pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) e revistos por estudiosos e
pela OMS:
1. A terapêutica preferencial para o alívio da dor
deve ser o tratamento do câncer em si, sempre
que possível; quimioterapia, radioterapia e
cirurgias, se adequadas, são as primeiras opções
escolhidas.
2. Fazer o diagnóstico da dor (dor neuropática,
por nocicepção, mista) e reconhecer as
estruturas envolvidas (vísceras, ossos, nervos
etc.) é fundamental.
3. O controle da dor envolve medidas como o uso
de drogas analgésicas; procedimentos de cunho
educativo, comportamental e cognitivo; controle
do sofrimento emocional; meios físicos;
bloqueios nervosos; secção de vias sensitivas; e
estimulação do sistema modulador de dor.
4. O uso de drogas analgésicas e adjuvantes é
recomendado. Propõe-se o uso de analgésicos
antiinflamatórios não-hormonais e agentes
opióides agonistas fracos e fortes para dores
com intensidade crescente. A estes, devem ser
associados medicamentos adjuvantes
(antidepressivos, anticonvulsivantes,
neurolépticos, entre outros).
5. Preconiza-se o uso preferencial da via oral e a
administração dos fármacos em horários
preestabelecidos e também sob regime de
demanda (dose de resgate, se necessário), para
controlar os picos de dor (dor incidental).
6. Intervenções anestésicas e neurocirúrgicas são
indicadas em casos de dores resistentes aos
tratamentos farmacológicos e complementares.
Tratamento com procedimentos onco terápicos:
radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia (usada em
tumor dependente de hormônio), cirurgia radical ou
paliativa (remoção das anormalidades anatômicas
geradas pela neoplasia ou de suas consequências).
Tratamento sintomático da dor: deve seguir escala
ascendente da potência medicamentosa ou da
complexidade dos procedimentos antálgicos.
Tratamento farmacológico: consegue controlar a dor
dos doentes com câncer adequadamente em 70-90%
dos casos. O tratamento ser iniciado logo após as
primeiras manifestações da dor; os analgésicos simples
(acetaminofen, dipirona e vominol), os analgésicos
anti-inflamatórios não hormonais (AINES) e os opioides
de baixa ou de elevada potência são os medicamentos
mais utilizados para tratar a dor aguda; os analgésicos
simples, os AINES e os opióides de baixa ou de elevada
potência, associadamente aos antidepressivos,
neurolépticos e/ou anticonvulsivantes antineurálgicos,
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são os medicamentos mais utilizados para tratar a dor
crônica; corticosteróides, os bloqueadores da atividade
osteoclástica, os miorrelaxantes, os moduladores de
atividade neurovegetativa e os anestésicos locais são
indicados para casos especiais. Apesar das
controvérsias, os medicamentos devem ser prescritos
de acordo com escala crescente de potência analgésica e
de acordo com a intensidade da dor, respeitando-seas
questões individuais de cada caso, tal como proposto
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ➜ escada da
dor.
Medicina física: a cinesioterapia, as órteses e as
próteses permitem restaurar e melhorar o desempenho
funcional das estruturas comprometidas e da marcha. A
Crioterapia é indicada para o tratamento da dor,
especialmente aguda, causada por afecções
musculoesqueléticas, traumáticas ou inflamatórias.
Estimulação elétrica transcutânea é útil para o
tratamento da dor causada por lesões traumáticas
localizadas, da síndrome dolorosa miofascial e da dor
decorrente de neoplasias. Acupuntura é eficaz para
tratamento de SDM, da dor por traumatismo das partes
moles ou por afecções oncológicas.
Procedimentos psicossociais: A adoção de atitudes
encorajadoras, o esclarecimento das situações com
clareza e polidez, a psicoterapia de apoio individual ou
em grupo, as técnicas de relaxamento, o biofeedback, a
hipnose e os programas psicoeducativos são efetivos em
casos selecionados.
Procedimentos anestésicos: os bloqueios anestésicos
aliviam temporariamente a dor, causam vasodilatação e
podem controlar a causalgia.
Procedimentos neurocirúrgicos funcionais: indicados
para controlar a dor quando a expectativa de via é
superior a 3 meses, e as medidas mais conservadoras
são insatisfatórias.
Procedimentos neuroablativos: neurotomias,
simpatectomias, rizotomias, lesão do trato de lissauer e
do CPME, nucleotratomia trigeminal caudal e pontina
estereotáctica, cordotomia, etc.
Implante de dispositivos para a administração de
fármacos analgésicos no SNC: indicado para
tratamento de dor nociceptiva e/ou neuropática em
doentes que não melhoraram, melhoraram parcialmente
ou necessitaram de doses exageradas da analgésicos por
via sistêmica para tratar a dor.
Fontes: “Tratado de Dor” + “Dor e cuidados paliativos:
enfermagem, medicina e psicologia” + Tratado de
Oncologia
2 Defina opióides, seu mecanismo de ação, indicação clínica,
efeitos adversos, consequências do uso abusivo e contra
indicações?
Definição: são substâncias derivadas do ópio e podem
ser classificadas como naturais, semissintéticos e
sintéticos.
● Naturais: morfina, codeína, papaverina;
● Semissintéticos: heroína, diamorfina,
buprenorfina. São produzidos pela modificação
da molécula de morfina;
● Sintéticos: fentanil, sufentanil, alfentanil,
remifentanil, meperidina, metadona, entre
outros. São manufaturados por síntese em vez
de modificação química da morfina.
Em geral, os opióides são bases fracas (pKa de 6,5-8,6)
altamente lipossolúveis, que apresentam elevada ligação
protéica. Sua alta lipossolubilidade facilita a passagem
para o sítio efetor, o que acelera o início da ação.
Classificação quanto a interação com o receptor:
4. Agonistas: ativam o receptor
5. Antagonistas: não ativam o receptor
6. Agonistas-antagonistas: apresentam efeitos
opostos em diferentes tipos de receptores
Indicação clínica: Analgésicos opióides são
principalmente utilizados para tratamento de dor aguda
e crônica, moderada a intensa. Além disso, analgésicos
opióides estão indicados para:
● Redução de ansiedade e sedação do paciente
antes da cirurgia. Pacientes relaxados e
sedados são mais fáceis de anestesiar (i. e.,
necessitam de menor dose de anestésico na
indução), além de ser mais fácil mantê-los sob
anestesia;
● Sustentação da anestesia (i. e., como adjuvante
durante a anestesia);
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● Alívio de ansiedade em pacientes com dispneia
(dificuldade de respirar) associada a edema
pulmonar;
● Alívio de dor associada a infarto do miocárdio
(sulfato de morfina é o agente de escolha);
● Manejo da dependência de opiáceos;
● Indução de sedação consciente antes de
procedimento diagnóstico ou terapêutico em
ambiente hospitalar;
● Tratamento de diarreia grave e cólica intestinal
(pode-se utilizar tintura canforada de ópio);
● Alívio de tosse intensa e persistente (codeína
pode ser útil, embora seu uso tenha declinado).
Mecanismo de ação: Os agonistas opióides causam
analgesia por meio da sua ligação à receptores acoplados
à proteína G que se localizam no cérebro, regiões da
medula espinhal e terminais periféricos envolvidos na
modulação da dor. Existem diversos receptores opióides
no nosso organismo, são eles kappa, delta e me.
Esses receptores, quando ativados, desempenham
diferentes funções.
Possui ação de se ligar a receptores opiáceos e realizar
os seguintes mecanismos:
● Fecha os canais de cálcio fazendo com que o
cálcio não entre no neurônio, impedindo a
liberação da vesícula sináptica e,
consequentemente, a transmissão do sinal do
neurônio pré-sináptico.
● Permite que os canais de potássio fiquem
abertos, fazendo com que o potássio consiga
sair do neurônio pós-sináptico causando a sua
hiperpolarização.
● Inibição da adenilato-ciclase: enzima que
converte ATP em AMP cíclico e realiza a
cascata de fosforilação que irá sinalizar a
produção de neurotransmissores.
Ação supraespinhal
● O opióide agonista se liga ao receptor Mi.
● O GABA que estava inibindo a atividade da PAG
é inibido.
● A PAG irá liberar aminoácidos excitatórios, os
quais irão atuar no bulbo (LC e NMR).
● O bulbo irá liberar serotonina e noradrenalina,
as quais irão para a medula. – LC: noradrenalina,
NMR: serotonina.
● Na medula, mais especificamente no corno
dorsal.
● Após isso, tem-se a inibição da via da dor.
● A serotonina, dependendo do receptor no corno
dorsal, possui efeito inibitório (5-HT1 e
5-HT7).
● Já a noradrenalina, possui efeito inibitório.
Ação espinal:
● Na medula espinhal, os opiáceos possuem ação
de inibir a transmissão à nível do corno dorsal.
● Os opioides, ao se ligarem aos seus respectivos
receptores, fazem com que transmissores
peptídicos sejam reduzidos.
● O mecanismo é explicado pelo fechamento dos
canais de cálcio dos neurônios pré-sinápticos e
abertura dos canais de potássio dos neurônios
pós-sinápticos.
● Esses mecanismos fazem com que a informação
dolorosa não seja transmitida para níveis
superiores da medula e, consequentemente, não
chegue ao encéfalo.
Ação periférica:
● A aplicação de opioides em concentrações altas
em um nervo periférico pode causar um efeito
semelhante ao dos anestésicos locais.
● Essa ação não é revertida pela naloxona.
● Os opióides conseguem reduzir a dor local em
casos de hiperalgesia.
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● Não se sabe o mecanismo certo dessa via.
Efeitos adversos: há diversos efeitos os quais têm
variabilidade interindividual e podem ser revertidos com
a naloxona.
● Sistema cardiovascular: redução do tônus
simpático e aumento do tônus parassimpático.
De forma geral, não causam depressão
miocárdica ou hipotensão.
● Liberação de histamina: a histamina causa
dilatação das arteríolas terminais e efeitos
cardíacos diretos, hipotensão pode ocorrer.
● Ventilação: os opióides promovem depressão
dose-dependente da ventilação por efeito
direto nos centros respiratórios do tronco
encefálico.
● Sistema nervoso central: reduzem de forma
modesta o consumo de oxigênio, o fluxo
sanguíneo cerebral e a pressão intracraniana
(PIC). Não são capazes de produzir
irresponsividade e amnésia mesmo em altas
doses.
● Efeito antitussígeno: a inibição da tosse é uma
ação bem conhecida dos opioides e tem origem
central. Reduzem a reatividade da viaaérea
superior e os reflexos respiratórios inferiores,
facilitando a intubação orotraqueal.
● Rigidez muscular: os opióides interagem com
receptores dopaminérgicos e ƴ-aminobutíricos,
podendo aumentar o tônus muscular e causar
rigidez, dificultando a ventilação manual.
● Trato biliar: aumento do tônus da musculatura
lisa da vesícula biliar e do esfíncter de Oddi de
forma dose-dependente.
● Trato gastrintestinal: ocorre constipação e
retardo no esvaziamento gástrico.
● Náuseas e vômitos: promovem estimulação
direta da zona-gatilho quimiorreceptora no
assoalho do 4º ventrículo, causando náuseas e
vômitos.
● Trato geniturinário: promovem inibição dos
reflexos de micção resultando em retenção
urinária, especialmente quando administrados
na via espinal.
● Miose: estímulo do núcleo Edinger-Westphal do
nervo oculomotor (ativação parassimpática) e
promovem constrição pupilar.
● Prurido: não ocorre devido a histamina.
Alterações cutâneas como eritema de face,
pescoço e tórax ocorrem por vasodilatação.
Contraindicações:
● Alergias;
● Histórico de abuso e substâncias;
● Pacientes com depressão respiratória
significativa;
● Gravidez e lactação: alguns opióides como
morfina, fentanil e oxicodona são
contraindicados. Pois podem estar associados a
complicações para o feto, como síndrome de
depressão respiratória e abstinência.
Repercussões do uso abusivo:
Com o uso abusivo de opióides, tem-se a perda do efeito
com a exposição aos opiáceos. Processos estes que
podem ocorrer por exposição crônica:
● Tolerância: consiste no fato de que o uso
contínuo da droga faz com que o corpo se
acostume com a presença dela, ou seja, serão
necessárias doses mais altas para surgir o
mesmo efeito. Tem-se a perda gradual do
efeito medicamentoso.
● Dependência: acontece quando o corpo se
adapta a uma droga e começa a precisar dela
para funcionar normalmente. A interrupção do
uso do medicamento é marcada por uma
síndrome de abstinência.
● Vício: estado de intoxicação periódico ou
crônico, prejudicial ao indivíduo e à sociedade,
produzido pelo uso repetido de uma droga. Tem
como características a necessidade absoluta de
continuar a utilizar a droga (compulsão) e de
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obtê-la por qualquer meio e, ainda, tolerância,
dependência psíquica e, às vezes, dependência
física. Meperidina caiu em desuso pela sua alta
capacidade de vício em poucas doses.
● Hiperalgesia induzida por opióides: aumento
da sensibilidade à dor causada por exposição ao
opioide. Deve ser considerada quando o aumento
repetido da dose falha em analgésico, provoca
promover efeito exacerbação da dor ou diminui
o efeito do opióide de forma inexplicável.
Fontes: Manual de Farmacologia e Terapêutica + livro de
Anestesiologia
3. Explique a escada analgésica e sua aplicação? (OMS)
Conceito: consiste em um modelo desenvolvido em 1986
pela OMS para a lenta introdução e titulação de
analgésicos.
A O.M.S recomenda a escada analgésica para orientação
em relação à terapia com opióides, sendo:
● A dor leve (EV entre 1 e 3) é tratada com
Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs),
Dipirona, Acetaminofen e adjuvantes.
● Na dor moderada (EV entre 4 e 7), associa-se o
1º degrau aos opióides fracos, como Codeína e
Tramadol.
● Na dor intensa aos opióides fortes (EV maior do
que 7), como Morfina, Fentanil, Metadona e
Oxicodona.
Figura - Escada Analgésica da OMS
Analgésicos não opióides: Podem ser utilizados
isolados, dependendo do nível da dor e podem ser
associados a opióides, a fim de reduzir a dose de opioide
utilizada.
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Analgésicos opióides fracos:
Analgésicos opióides fortes
Os opióides possuem ação obstipante potente, o que
pode indicar o uso de laxativo associado ao opioide.
Adjuvantes: Os agentes adjuvantes são medicamentos
formulados, primeiramente, para outras finalidades
terapêuticas, não a analgésica, mas que possuem ação
analgésica. Estão incluídos nesse grupo os
antidepressivos, os neurolépticos e os
anticonvulsivantes. Nos pacientes com câncer, essas
drogas podem ser combinadas com analgésicos primários
em qualquer dos três passos da escada analgésica para
alcançar um melhor controle da dor, que não pode ser
alcançado se houver um desequilíbrio entre a dose
terapêutica e a tóxica.
Fonte:
https://www.hcor.com.br/area-medica/wp-content/uplo
ads/sites/3/2021/12/17-Protocolo-de-dor.pdf
4. O que são cuidados paliativos, indicação/objetivos e
protocolos relacionados?
Definição: segundo a International Association for
Hospice and Palliative Care (IAHPC), com apoio da OMS,
cuidados paliativos (CP) são “cuidados holísticos ativos,
ofertados a pessoas de todas as idades que se
encontram em intenso sofrimento relacionados à sua
saúde, proveniente de doença grave, especialmente os
pacientes que estão no final da vida. O objetivo dos
cuidados paliativos é, portanto, melhorar a qualidade de
vida dos pacientes, de suas famílias e de seus
cuidadores”.
Figura - Evolução do conceito de CP
Princípios de atuação:
■ Aliviar a dor e outros sintomas responsáveis por
sofrimento;
■ Afirmar a vida e reconhecer a morte como um
processo natural;
■ Não antecipar nem prolongar ou adiar a morte;
■ Integrar aspectos psicológicos e espirituais ao
cuidado;
■ Oferecer um conjunto de cuidados e suporte para
ajudar o paciente a viver da maneira mais ativa possível
até a morte;
■ Oferecer suporte para a família compreender e se
organizar durante o processo da doença e do luto;
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https://www.hcor.com.br/area-medica/wp-content/uploads/sites/3/2021/12/17-Protocolo-de-dor.pdf
https://www.hcor.com.br/area-medica/wp-content/uploads/sites/3/2021/12/17-Protocolo-de-dor.pdf
■ Acessar, por meio de uma equipe multiprofissional, as
necessidades do paciente e da família, incluindo
assistência ao luto, se necessário;
■ Melhorar a qualidade de vida, influenciando
positivamente a evolução da doença;
■ Instituir cuidados paliativos (CP) precocemente no
curso de evolução da doença em conjunto com
tratamentos modificadores da doença responsáveis por
prolongar a vida;
■ Incluir investigações diagnósticas necessárias para
melhor compreensão e manejo das possíveis
complicações clínicas capazes de causar sofrimento.
Indicações de cuidados paliativos: Para indicar o CP,
são necessários conhecimento técnico adequado e
percepção do ser humano como agente da própria
história e determinante de seu próprio curso de adoecer
e morrer. O profissional deve se questionar: quem é o
paciente? Qual é a funcionalidade atual e prévia do
paciente? Qual é o diagnóstico? Qual é a fase da
doença?
● Avaliação da funcionalidade: é fundamental
para a vigilância da curva evolutiva da doença e
se constitui em elemento valioso na tomada de
decisões, previsão de prognóstico e diagnóstico
de terminalidade. Algumas escalas podem ser
utilizadas para avaliar a funcioalidade: Palliative
Performance Scale (PPS), Karnofsky Palliative
Scale (KPS) e escalas de Katz, Lawton e
Barthel.
● Diagnóstico: é dividido em 3 grandes grupos de
doenças - oncológicas, crônicas e
neurodegenerativas.- Oncológicas: paciente oncológico se
mantém estável por um período até que
ocorra uma redução abrupta da
funcionalidade em razão da progressão
da doença, levando-o à morte;
- Crônicas: apresentam vários períodos
de crise aguda e recuperação (com
retorno de funcionalidade menor que a
anterior da agudização) entre o
diagnóstico e a morte;
- Neurodegenerativas: caracterizam-se
por perda contínua da funcionalidade
de maneira lenta e gradual do
diagnóstico até o óbito.
● Fases da doença: são divididas em 6 fases de
A a F. Os cuidados paliativos devem ser
realizados entre a fase C e E.
Fase A: corresponde ao início do processo evolutivo,
sendo a terapia modificadora da doença (TMD) a maior
necessidade. Necessita de pouca ou nenhuma
intervenção de CP especializada. Normalmente o
seguimento é ambulatorial.
Fase B: há diminuição de propostas terapêuticas
voltadas para a TMD e necessidade da terapêutica de CP
crescente e gradual. Trata-se do momento ideal para
atenção psicossocial e criação de vínculo com a família e
o paciente. Se evento agudo reversível, considerar
medidas invasivas;
Fase C: o paciente já apresenta doença avançada com
critérios de terminalidade. Sinais de progressão da
doença acarretados pelo tratamento modificador
instituído podem ser observadas, como a piora da
funcionalidade progressiva e perda ponderal, e é
necessário aumento da demanda de controle de sintomas
e da organização multiprofissional da assistência voltada
a abordagem assertiva do sofrimento, uma vez que as
limitações funcionais serão cada vez maiores e a
disponibilidade de alguém para ajudar serão cada vez
mais importante. Os CP são fundamentais, mas a TMD
em intercorrências agudas, como processos infecciosos,
não está contraindicada. Terapêutica invasiva e medidas
artificiais de sustentação de vida não são proporcionais;
Fase D: caracteriza-se por fase final de vida com
prognóstico de dias a semanas, muito provavelmente a
última internação do paciente, não sendo apropriadas
medidas invasivas. Pode-se observar sinais de mau
prognóstico (baixo status funcional, baixa ingestão oral,
dispneia, delirium e edema). Pode ser manejada em
domicílio quando do desejo do paciente e da família e
sintomas controlados; se não for possível, o melhor local
de internação seria o hospice;
Fase E: caracteriza-se pelas últimas horas de vida do
paciente, conhecida como processo ativo de morte. A
terapêutica deve ser voltada estritamente para
controles de sintomas e desconfortos nas esferas física,
psíquica e espiritual. É fundamental a assistência de uma
equipe especializada em CP disponível 24h.
Fase F: o paciente já faleceu e é iniciado o processo de
luto da família, com duração variável. A ação da equipe
de CP depende da demanda apresentada, tornando-se
comum que os profissionais da psicologia, capelania e
assistência social sejam requisitados, embora o médico
também permaneça próximo.
Figura - fases da doença
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Protocolos:
Ferramentas de triagem para identificação da demanda
da abordagem de cuidados paliativos:
Supportive and Palliative Care Indicators Tool
(Brazilian version) - SPICT -BR: O SPICT é um guia
para identificação de pessoas sob o risco de
deterioração e morte. Seu objetivo visa avaliar esse
grupo de pessoas para necessidade de suporte e cuidado
paliativos.
● A ferramenta apresenta indicadores gerais de
piora da saúde e indicadores clínicos
específicos das mais variadas condições
avançadas de saúde, que visam identificar, de
maneira holística, as necessidades do paciente e
favorecer a tomada de decisão compartilhada
em relação aos objetivos e planejamento
avançado de cuidados;
● Apesar de não ser descrita como uma
ferramenta prognóstica, alguns estudos
mostram que, havendo duas condições de
declínio geral associadas, há risco aumentado
para óbito dentro dos próximos 12 meses.
Gold Standards Framework (GSF): O GSF é uma
ferramenta estruturada e usada, principalmente, por
médicos generalistas em hospitais e instituições de
longa permanência para idosos (ILPI), para permitir o
reconhecimento precoce de pacientes com condições
limitantes de vida, ajudando-os a planejar os cuidados
com antecedência e propiciando uma melhor qualidade de
vida. Foi descrita, inicialmente em 2004, sendo tema de
diversos artigos já publicados. Nela, são consideradas
três etapas para sua aplicação:
1. a “Pergunta surpresa”;
2. critérios de declínio clínico geral;
3. critérios de declínio específicos de cada
doença.
A “Pergunta Surpresa” é um modo já
reconhecido na literatura para avaliação da
necessidade de CP7 . Trata-se de uma pergunta
realizada ao médico que conduz a assistência do
paciente, da seguinte forma: “Você se
surpreenderia se este paciente falecesse nos
próximos 12 meses?”
NECPAL CCOMS-ICO: foi idealizada em um projeto
que teve como objetivo fundamental melhorar a atenção
paliativa, mediante a identificação precoce dos
pacientes com doenças que ameaçam a vida, expandindo
sua atuação para portadores de doenças não oncológicas
e em qualquer nível de atendimento em saúde. O NECPAL
inclui especificidades de diversas doenças em estágio
avançado (câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica,
insuficiência cardíaca, doenças renais e hepáticas, por
exemplo), além do uso inicial da “Pergunta Surpresa”. O
NECPAL-BR é positivo caso a “Pergunta surpresa”
apresente resposta “não” e pelo menos um dos outros
itens receba resposta “sim”.
Figura - algoritmo para a identificação precoce dos
pacientes em terminalidade e manejo.
Avaliação da funcionalidade:
● Palliative Performance Scale(PPS): é muito
utilizada na indicação de cuidados paliativos,
permite estabelecer prognóstico e
funcionalidade do doente.
● Escala de Karnofsky (KPS): é uma escala de
desempenho que foi inicialmente desenvolvida
para avaliar a capacidade física em pacientes
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oncológicos, mas que tem tido seu uso aplicado
para a avaliação de outras doenças crônicas
incapacitantes.
● Escala de ECOG: também serve para medir o
estado geral dos pacientes em Cuidados
Paliativos.
Fonte: Manual de Clínica Médica (Antônio Carlos Lopes)
+ Manual de Cuidados Paliativos do Hospital Sírio
Libanês
https://isgh.org.br/intranet/images/Servicos/Protocol
os/isgh_protoco_cuidado_paliativo.pdf
5. Quais são os profissionais envolvidos nos cuidados
paliativos?
Equipe multiprofissional de cuidados (relacionada à
assistência ao paciente e à família): uma equipe de
profissionais que trabalham em conjunto para
desenvolver e implementar um plano de cuidados. Sua
composição varia de acordo com os serviços necessários
para enfrentar os problemas identificados,
expectativas, necessidades e oportunidades. Uma equipe
multiprofissional inclui normalmente um ou mais médicos,
enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos,
conselheiros espirituais e voluntários. Outras disciplinas
podem fazer parte da equipe, se os recursos
permitirem. Uma atuação interdisciplinar implica
integração e articulação dinâmica de conhecimentos e
práticas para um mesmo fim.
A equipe de cuidados paliativos pode ser formada por
diversos profissionais, dentre eles assistente social,
capelão, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta,
fonoaudiólogo, médico, nutricionista, psicólogo e
odontólogo, além de funcionários
técnico-administrativos.O recrutamento de cada
profissional depende das demandas provindas de
pacientes e familiares.
Fonte: Livro “Vamos falar de Cuidados Paliativos”, da
SBGG
6. Como a dor crônica afeta a vida do paciente e de sua família,
sobretudo, os aspectos biopsicossociais. (Dor neoplásica)
Como seres humanos, todos temos necessidades físicas,
psicológicas, sociais, emocionais, espirituais, práticas e
de informação. No entanto, quando uma doença nos
atinge, podemos não ser capazes de atender às nossas
necessidades diárias da mesma maneira. Novas
demandas podem aparecer, e ansiedades e incertezas
podem emergir. Logo, a dor crônica neoplásica pode
ocasionar diversos efeitos na vida da família e do
paciente, abrangendo muitos aspectos biopsicossociais.
● Aspectos biológicos: a dor crônica neoplásica
pode gerar comprometimento físico,
influenciando no bem-estar geral no paciente.
Por exemplo, a dor será exacerbada se houver
alteração no padrão de sono ou fadiga intensa e
o inverso também pode acontecer.
● Aspectos sociais: a dor intensa afeta as
relações sociais, e familiares dos pacientes,
limitando a capacidade de participação social e
de manter relações interpessoais. Para a
família, também pode haver sobrecarga por
precisar gerenciar as responsabilidades do dia a
dia e equilibrá-las com a necessidade do
paciente.
● Aspectos psicológicos: Durante o curso de uma
doença, pode haver vários impactos
psicológicos. A doença, frequentemente, nos
remete aos pensamentos sobre vulnerabilidade
pessoal e perda de controle sobre a vida do
outro. Não somente a imagem corporal sofre
mudanças, mas também sua própria percepção
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https://isgh.org.br/intranet/images/Servicos/Protocolos/isgh_protoco_cuidado_paliativo.pdf
https://isgh.org.br/intranet/images/Servicos/Protocolos/isgh_protoco_cuidado_paliativo.pdf
de si mesmo, de quem são, e suas auto-estima
são modificadas. Quando uma pessoa não é
capaz de atender às suas expectativas, não é
capaz de alcançar uma meta que é importante
ou não é capaz de manter relacionamentos
significativos, surge a angústia psicológica. A
angústia psicológica pode manifestar-se como
ansiedade ou depressão e pode ser vivenciada
em diversos graus de intensidade.
Figura - aspectos envolvidos na questão do doente grave
e avançado.
Fonte: Livro “Dor e Cuidados Paliativos: enfermagem,
medicina e psicologia”
Ps! Não haverá resumo de medlbab 1.5, pois os
objetivos já foram atingidos nas Qas e no TBL da SP
1.4!
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Morfofuncional SP 1.5 Cuidados, o quê?
Aspectos morfofuncionais do sistema esquelético com ênfase na coluna vertebral e no
plexo venoso vertebral
Objetivos de aprendizagem:
1. Analisar as relações anatômicas dos ossos da coluna
vertebral correlacionadas aos com os plexos venosos
vertebrais;
2. Avaliar a indicação e a importância dos exames de
imagem e de Medicina nuclear na pesquisa,
identificação e seguimento das metástases ósseas.
Anatomia e vascularização da coluna vertebral
Curvaturas da coluna vertebral: A coluna vertebral em
adultos tem quatro curvaturas que ocorrem nas regiões
cervical, torácica, lombar e sacral. As cifoses torácica
e sacral são côncavas anteriormente, enquanto as
lordoses cervicais e lombares são côncavas
posteriormente.
Figura - curvaturas da coluna vertebral
As cifoses torácica e sacral são curvaturas primárias
que se desenvolvem durante o período fetal em relação à
posição fetal
As lordoses cervical e lombar são curvaturas
secundárias que resultam da extensão a partir da
posição fetal fletida. Elas começam a aparecer durante
o período fetal, mas só se tornam evidentes na lactância.
Figura - Anatomia de superfície das curvaturas da
coluna vertebral.
Funções: As curvaturas da coluna vertebral
proporcionam flexibilidade adicional (resiliência com
absorção de choque), aumentando ainda mais a
flexibilidade proporcionada pelos discos.
Vértebras: No adulto, a coluna vertebral tem
habitualmente 33 vértebras, organizadas em cinco
regiões: 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares,
5 sacrais e 4 coccígeas.
Figura - características anatômicas de uma vértebra
típica
Cervicais: C1 e C2 são vértebras atípicas
● C1 (atlas): não tem corpo nem processo
espinhoso.
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● C2 (áxis): A vértebra C II, também denominada
áxis, é a mais forte das vértebras cervicais. C
I, que sustenta o crânio, gira sobre C II (p. ex.,
quando a pessoa diz “não” com a cabeça).
● C3-C7: são vértebras típicas.
Processo espinhoso bifurcado - apenas em cervicais
Torácicas:
● T1-T12:
Possui fóveas - áreas de articulação para às costelas
Lombares:
● L1-L5
Sacrais e coccígeas:
● S1-S5
● Coccígeas I a IV
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Plexo Venoso Vertebral
As veias espinais formam plexos venosos ao longo da
coluna vertebral dentro e fora do canal vertebral. Tais
plexos são:
A. Plexos venosos vertebrais internos (anterior e
posterior)
B. Plexos venosos vertebrais externos (anterior e
posterior)
Esses plexos se comunicam pelos forames
intervertebrais.
Ambos os plexos são mais densos nas porções anterior e
posterior, e são relativamente esparsos lateralmente.
As veias basivertebrais, grandes e tortuosas,
formam-se nos corpos vertebrais. Elas emergem dos
forames nas superfícies dos corpos vertebrais
(principalmente na face posterior) e drenam para os
plexos venosos vertebrais externos anteriores e
principalmente para os plexos venosos vertebrais
internos anteriores, que podem formar grandes seios
longitudinais.
As veias intervertebrais recebem veias da medula
espinal e dos plexos venosos vertebrais enquanto
acompanham os nervos espinais através dos forames
intervertebrais para drenar nas veias vertebrais do
pescoço e veias segmentares (intercostais, lombares e
sacrais) do tronco.
Plexo venoso e metástase: Os plexos venosos, por sua
natureza interconectada e extensiva, podem servir como
rotas para a disseminação de células cancerígenas. Por
exemplo, o plexo venoso vertebral é uma via comum para
a disseminação de células cancerígenas de tumores na
região abdominal e pélvica para a coluna vertebral,
resultando em metástases ósseas.
Figura - Drenagem venosa da coluna vertebral - A. A drenagem venosa acompanha a irrigação arterial e entra nos plexos
venosos vertebrais externos e internos. Também há drenagem anterolateral das faces externas das vértebras para as
veias segmentares. B. O denso plexo de vasos de paredes finas no canal vertebral, formado pelos plexos venosos
vertebrais internos, consiste em anastomoses sem válvulas entre seios venosos longitudinais anteriores e posteriores.
Figura - Plexo venoso vertebral
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Fundamentos de imagem oncológica
Figura - Imagem de RX AP - Lesão ovalada com
hipoatenuação na metáfise umeral
Figura - RX de pelve AP - diversas áreas mal definidas
de hiperatenuação, evidenciando metástases blásticas
Figura - TC de pulmão com múltiplas lesões
arredondadas e sólidas de diferentes tamanhos
Características analisadas nos exames de imagens que
permitem a indicação de um tumor maligno:
1. Lesões com bordas irregulares: Tumores
malignos frequentemente têm bordas
irregulares ou mal definidas nas imagens, ao
contrário dos tumores benignos, que tendem a
ter bordas mais bem definidas e regulares.
2. Invasão de estruturas adjacentes: Tumores
malignos têm maior probabilidade de invadir e
destruir tecidos vizinhos, o que pode ser
observado nas imagens como erosão ou
destruição dos tecidos circundantes.
3. Presença de calcificações irregulares: Certos
tipos de tumores malignos podem apresentar
calcificações irregulares nas imagens, que
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muitas vezes são diferentes das calcificações
benignas, que tendem a ser mais uniformes.
4. Padrão de crescimento infiltrativo: Tumores
malignos muitas vezes apresentam um padrão de
crescimento infiltrativo, onde as células
cancerígenas se espalham em direção aos
tecidos circundantes de forma difusa e
desordenada.
5. Presença de metástases: A identificação de
múltiplas lesões em diferentes locais do corpo
nas imagens sugere a presença de metástases,o
que geralmente é indicativo de um tumor
maligno.
6. Aumento do realce após contraste: Em exames
de RM ou TC com contraste, os tumores
malignos podem mostrar um aumento
significativo no realce após a administração do
contraste, devido ao aumento do suprimento
sanguíneo e à permeabilidade vascular.
Lesões líticas: Lesões líticas são caracterizadas por
áreas de perda óssea ou destruição do osso. Lesões
blásticas são caracterizadas por um aumento na
densidade óssea, geralmente indicando um processo de
formação óssea excessiva.
RELEMBRE!!!
Hipoatenuação: Refere-se à diminuição da densidade
radiográfica de um tecido ou estrutura em relação aos
tecidos circundantes na imagem. Na prática clínica, isso
geralmente significa que o tecido ou estrutura em
questão aparece mais escuro do que o normal. Causas
comuns de hipoatenuação incluem edema, infiltração
gordurosa, infarto, necrose e líquido.
Hiperatenuação: Refere-se ao aumento da densidade
radiográfica de um tecido ou estrutura em relação aos
tecidos circundantes na imagem. Na prática clínica, isso
geralmente significa que o tecido ou estrutura em
questão aparece mais claro do que o normal. Causas
comuns de hiperatenuação incluem calcificações,
hemorragias, concentração de contraste iodado em TC e
tecidos densos como osso.
Fontes: Anatomia Orientada para Clínica (Moore) + Aulas
do ulife (imagem)
TBL SP 1.5 Cuidados, o quê?
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Cuidados paliativos
Objetivos de aprendizagem:
Cuidados paliativos
Conceito: consiste em uma abordagem que melhora a
qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e
seus familiares, que enfrentam problemas associados a
doenças que ameaçam a vida.
● Aumenta a qualidade de vida, sem ganho ou
prejuízo na expectativa de vida;
● É uma abordagem integral da pessoa e da
família.
De acordo com a OMS, cuidados paliativos são:
“Uma abordagem que visa a melhorar a qualidade de vida
de pacientes e familiares no contexto de uma doença
grave e ameaçadora da vida, por meio da prevenção, do
alívio do sofrimento, da identificação precoce e do
tratamento impecável da dor e de outros sintomas e
problemas físicos, psíquicos, sociais e espirituais”.
Cuidados Paliativos não se baseiam em protocolos,
mas sim em princípios:
● Promover o alívio da dor e de outros sintomas
desagradáveis.
● Afirmar a vida e considerar a morte como um
processo normal da vida.
● Não acelerar nem adiar a morte. I
● Integrar os aspectos psicológicos e espirituais
no cuidado do paciente.
● Oferecer um sistema de suporte que possibilite
ao paciente viver tão ativamente quanto
possível até o momento da morte.
● Oferecer sistema de suporte para auxiliar os
familiares durante a doença do paciente e a
enfrentar o luto.
● Garantir abordagem multiprofissional para
focar as necessidades dos pacientes e seus
familiares, incluindo acompanhamento no luto.
● Melhorar a qualidade de vida e influenciar
positivamente o curso da doença.
● Iniciar o mais precocemente possível,
juntamente com outras medidas terapêuticas.
Aplicabilidade e benefícios:
Os cuidados paliativos visam oferecer cuidados
adequados e dignos aos pacientes com doenças
ameaçadoras à vida, sejam elas com ou sem possibilidade
curativa. Na literatura internacional, esse tipo de
abordagem é associado a benefícios e melhorias, dentre
eles pode-se destacar:
● Melhor planejamento prévio de
cuidados;melhora da qualidade de vida;
● Redução de sintomas desagradáveis;
● Maior satisfação dos pacientes e do núcleo
cuidador;
● Melhor utilização dos recursos do sistema de
saúde.
Legislação e bioética:
O ordenamento jurídico do mundo e do Brasil reconhece
a terminalidade da vida e o processo de morrer como
instâncias técnicas da prática médica, cuja abordagem é
da alçada do profissional da saúde.
A fase final de vida e o processo ativo de morte
constituem um processo irreversível que pode durar dias
a semanas. Entende-se que procedimentos que visem a
evitar sua ocorrência serão fúteis, danosos e poderão
prolongar o tempo de morte e promover um grande
sofrimento. O CP reconhece a morte como um processo
e colabora para a sua condução natural, proporcionando
conforto, interação familiar e evitando o sofrimento.
Sobre a distanásia: Procedimentos para impedir a
morte em curso (irreversível) não estão de acordo com o
que a lei permite e poderão ser caracterizados como
constrangimento ilegal. Conclui-se que a distanásia, ou
prolongamento inadequado do processo de morrer, pode
ser tipificada como crime.
Sobre a ortotanásia: o Conselho Federal de Medicina
(CFM) brasileiro aprovou a Resolução nº 1.805/2006,
sobre a prática da ortotanásia, que autoriza o médico a
limitar ou suspender tratamentos, no caso de doença
grave sem possibilidades de cura, e a ofertar cuidados
paliativos, desde que com consentimento do paciente ou
seu representante legal.
O respeito à autonomia é previsto pela Lei estadual n.
10.241 de 1999 (Lei Covas), tornando apropriado o
processo de decisão compartilhada sobre os
tratamentos que considera adequado receber em fim de
vida. O desejo do paciente e da família deve ser sempre
levado em conta na tomada de decisão, de maneira
compartilhada. Porém, a decisão técnica de
procedimentos representa uma indicação do profissional
da saúde
Diretivas Antecipativas de Vontade (Resolução n. 1.995
do CFM em 2012) : As diretivas antecipadas de vontade
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(DAV) são consideradas um gênero de documento
referente às manifestaçõesde vontade, em que o
paciente maior de idade (18 anos ou mais), com
autonomia e capacidade de decisão preservadas, dispõe
sobre como devem ser tomadas as decisões de
tratamento médico quando ele não tiver mais condições
para tal.
Cenário para os cuidados paliativos:
● APS;
● SAD/Cuidados Transicionais.
● Hospital;
● Hospice: unidades não hospitalares de cuidados
paliativos, em tempo integral, para realizar
assistência a pacientes com doenças avançadas.
Não realiza procedimentos muito invasivos.
Filosofia de cuidados destinada a pacientes em
cuidados paliativos exclusivos. Os paradigmas
da filosofia hospice são:
■ controle da dor e de outros sintomas;
■ comunicação franca e honesta;
■ qualidade de vida;
■ autonomia;
■ equipe multiprofissional;
■ princípios bioéticos e ortotanásia;
■ morte como evento natural da vida.
● Emergência.
Cuidados paliativos e cuidados curativos: os cuidados
paliativos não devem substituir os cuidados curativos
apropriados, entretanto, preconiza-se uma melhor e
mais precoce integração dos CP com o tratamento
modificador de doenças.
Figura - Papel dos Cuidados Paliativos durante a doença
e o luto.
Indicações e protocolos relacionados: Estão
detalhados em “Tutoria”.
Conceitos importantes:
Eutanásia: quando, por misericórdia ou piedade, o
agente realiza uma “ação” causadora da morte
Mistanásia: paciente não recebe assistência médica.
Ocorre em decorrência de má gestão da saúde pública e
de omissão dos responsáveis.
Distanásia: postergação injustificável da morte para
além de qualquer benefício por meio da obstinação
terapêutica; priorização indevida da quantidade de vida,
negligência ao cuidado humano de quem está morrendo,
investimento inaceitável em recursos inúteis e adoção de
paradigmas inadequados, não apenas científicos, mas
comerciais, que viola os direitos humanos e a dignidade
do paciente.;
Ortotanásia: “boa morte”, natural, justa, sem
sofrimentos. O início do processo natural da morte, se
inevitável, deve ser respeitado. Procedimento
absolutamente lícito e ético.
Fonte:
https://isgh.org.br/intranet/images/Servicos/Protocolo
s/isgh_protoco_cuidado_paliativo.pdf
https://victoriahospice.org/wp-content/uploads/2019/0
7/pps_-_portuguese_brazilian_-_sample.pdf
Material produzido por Ana Lígia de Araújo Nicácio, E-email analigianicacio@gmail.com, Ig @ligiaemed, para uso pessoal e privado. Este
material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros.
https://isgh.org.br/intranet/images/Servicos/Protocolos/isgh_protoco_cuidado_paliativo.pdf
https://isgh.org.br/intranet/images/Servicos/Protocolos/isgh_protoco_cuidado_paliativo.pdf
https://victoriahospice.org/wp-content/uploads/2019/07/pps_-_portuguese_brazilian_-_sample.pdf
https://victoriahospice.org/wp-content/uploads/2019/07/pps_-_portuguese_brazilian_-_sample.pdfespecificamente a
vários tipos de receptores opioides no sistema
nervoso e, além disso, o próprio sistema nervoso
produz substâncias endógenas semelhantes à
morfina, as chamadas endorfinas.
● Em linhas gerais, com a ativação desses
receptores, tem-se a atenuação da
excitabilidade neuronal e redução da liberação
de neuropeptídeos pró nociceptivos. Pode haver:
modulação do influxo de cálcio, inibição dos
canais de Na +, abertura de canais de potássio…
4. Sistema endocanabinoide: são eficazes
analgésicos em situações de dor aguda, dor
inflamatória e dor neuropática. Os receptores
CB1 e CB2 estão acoplados a proteínas G,
ligando-se aos endocanabinoides (CBs) e
atuando por inibição sináptica retrógrada,
diminuindo as concentrações de cálcio
pré-sináptico e ativando canais de potássio,
reduzindo a libertação de neurotransmissores,
como o glutamato.
Fonte: Neurociências (Bear) + *TF - Os mecanismos FP
de modulação da dor cronica.pdf (uc.pt)
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https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89619/1/TF%20-%20Os%20mecanismos%20FP%20de%20modula%C3%A7%C3%A3o%20da%20dor%20cronica.pdf
8 - Qual a classificação das queimaduras e as orientações de
cuidado primário para cada tipo?
Conceito: é uma lesão tecidual decorrente de trauma
térmico, elétrico, químico ou radioativo. Em nosso meio a
lesão térmica permanece sendo a mais frequente.
Classificação quanto ao tipo de queimadura:
Térmicas: são as mais frequentes e que resultam da
transferência de energia de uma fonte de calor para o
organismo.
Químicas: podem ser provocadas por ácidos ou bases
que quando absorvidos podem provocar lesão para órgãos
internos. O grau de destruição dos tecidos depende da
natureza do agente químico, da sua concentração e da
duração do contacto com a pele.
Elétricas: podem ser causadas por disparos elétricos ou
pela passagem direta de corrente elétrica através do
corpo. O primeiro produz queimaduras idênticas às
térmicas. O segundo apresenta uma porta de entrada
(local de contato com a corrente elétrica) e uma porta
de saída (local de saída de corrente após uma trajetória
pelo corpo). Ambas provocam danos profundos.
Por radiação: são causadas pela transferência de
radiação para o corpo. A mais comum é a radiação solar.
Inalatória: lesão causada por calor, em que existe
inalação de monóxido de carbono ou fumo (que contém
outros diferentes tipos de gases)
Quanto à profundidade das Queimaduras:
Primeiro grau: limitadas à epiderme, manifestando-se
por eritema e dor moderada, não ocorrendo bolhas nem
comprometimento de anexos cutâneos. Tratadas com
analgésico e mais comumente causadas por exposição
solar. Cuidados: água corrente natural
Segundo grau:
● Superficiais: comprometem toda epiderme até
porções superficiais da derme, são muito
dolorosas, com superfície rosada, úmida e com
bolhas.
● Profundas: comprometem toda epiderme e a
camada reticular da derme. A pele se mostra
seca, com coloração rosa pálido, podendo
comprometer a vascularização. Pode apresentar
dor moderada.
● Cuidados: não estourar bolhas pequenas e
precisa de atendimento médico. Bolhas grandes
precisam ser esvaziadas.
Terceiro e quarto grau: compromete epiderme, derme
e hipoderme. A área pode ser tanto pálida quanto
vermelho-amarelada. Costuma não apresentar dor.
Compromete pele, subcutâneo, músculos e até ossos.
Típico de queimaduras elétricas.
● Necessidade de atendimento médico o quanto
antes.
Complexidade das queimaduras:
Segundo o Ministério da Saúde, o indivíduo queimado
pode ser classificado em três níveis:
● Pequeno queimado: paciente com queimaduras
de 1o e 2o graus, com até 10% da área corporal
atingida.
● Médio queimado: paciente com queimaduras de
1o e 2o graus, com SCQ entre 10 e 25%, ou
queimaduras de 3o grau, com até 10% da SCQ,
ou queimadura de mão e/ou pé.
● Grande queimado: paciente com queimaduras de
1o e 2o graus, com SCQ > 26%, ou queimaduras
de 3o grau > 10% da SCQ, ou queimadura de
períneo. Além desses critérios, inclui ainda a
vítima de queimadura de qualquer extensão que
esteja associada a uma ou mais das seguintes
situações: lesão inalatória, politrauma, trauma
craniano, trauma elétrico, choque, insuficiência
renal, insuficiência cardíaca, insuficiência
hepática, distúrbios de hemostasia, embolia
pulmonar, infarto agudo do miocárdio, quadros
infecciosos graves decorrentes ou não da
queimadura, síndrome compartimental e
doenças consuptivas.
Manejo inicial:
1. Afastar o paciente da fonte de queimadura
Realizar ABCDE do trauma:
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A: Visualizar via aérea, se houver indícios de inalação ou
de queimadura de via aérea SEMPRE intubar, mesmo
estando o paciente ventilando bem. Lembrar de
transferir para Centro de Queimados.
B: Observar padrão respiratório e sempre que alterado
proceder a intubação.
C: Qualquer vítima com mais de 20% de SCQ necessita
de reposição volêmica. Como todo trauma deve-se
estabelecer 2 acessos calibrosos (abocath 16) e infundir
Ringer lactato usando a fórmula de Parkland de 2-4
ml/kg /%SCQ desse total metade deve ser infundido
nas primeiras 8 horas da queimadura e o restante nas
outras 16 horas.
● Lembrar que deve-se monitorar diurese para
que permaneça entre 0,5-1 ml/kg/h.
● Em pacientes com queimadura elétrica sempre
monitorizar atividade cardíaca. Se o paciente
tem várias áreas queimadas, variando em
profundidade, as de primeiro grau não entram
na contagem para reposição.
D: estado neurológico. Avaliar pela escala de Glasgow
E: exposição de toda superfície corporal. Este passo é
muito importante, uma vez que permite identificar o tipo
de queimadura e a profundidade da lesão
Tratamento:
1: Lavar abundantemente a área traumatizada com
solução fisiológica 0,9%.
2: Após a lavagem deve-se cobrir a lesão a fim de evitar
a perda de calor e diminuir riscos de infecção. Esse
procedimento pode tanto ser feito com gaze vaselinada
ou jelonet (para queimaduras de 2º grau superficiais),
quanto com uma sulfonamida como a Sulfadiazina de
Prata (para segundo grau profunda e terceiro grau) a
qual é muito utilizada em nosso meio.
3: Analgesia deve ser feita conforme a gravidade do
paciente podendo ser através de analgésicos comuns ou
com narcóticos via oral ou intravenoso.
4: Lesões de segundo e terceiro graus, sempre que
necessário, deverão ser debridadas e eventualmente
tratadas com enxerto, esse procedimento geralmente
ocorre dentro da primeira semana da queimadura.
Deve-se sempre realizar escarotomia em lesões
circunferenciais nos membros e no tórax a fim de evitar
déficit de perfusão nos membros e a disfunção
respiratória.
5: Em pacientes com queimaduras de 2º grau orientar a
troca diária de curativos.
6: Nas queimaduras elétricas, ficar atento para lesão
muscular, devendo-se dosar mioglobina na urina e
observar o membro queimado para que não desenvolva
síndrome compartimental. Nesses casos deve-se realizar
fasciotomia precoce.
Fonte:
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/02/879480/m
anejo-clinico-do-paciente-queimado.pdf
9 - Conceitue e classifique a automedicação e seus riscos.
Conceito: É o ato de tomar remédios por conta própria,
sem orientação médica.
Riscos: O uso de medicamentosde forma incorreta pode
acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que
sua utilização inadequada pode esconder determinados
sintomas. Dentre os principais riscos, tem-se
Intoxicação - usar doses inadequadas de remédios pode
causar diversos impactos na saúde, desde a ineficácia do
tratamento, até a overdose da substância no organismo,
que leva a intoxicação.
Interação medicamentosa - há risco de um
medicamento ingerido reagir em contato com outro que
a pessoa usa de forma contínua. Neste caso, um pode
anular ou potencializar os efeitos do outro.
Alívio dos sintomas que mascara o diagnóstico correto
da doença - usar remédios para aliviar imediatamente
dor e mal-estar pode esconder a real causa daqueles
sintomas. Dessa forma, a doença não é tratada
corretamente e pode se agravar.
Reação alérgica - ingerir medicamentos que não foram
prescritos por um profissional da saúde pode causar
reações não esperadas no organismo.
Dependência - Algumas substâncias proporcionam mais
chances de vício quando tomadas em doses incorretas e
por tempo além do indicado por um médico.
Resistência ao medicamento - o uso indiscriminado de
um remédio pode facilitar o aumento da resistência dos
microrganismos àquela substância. No caso dos
antibióticos, por exemplo, pode prejudicar a eficácia de
tratamentos em infecções futuras.
Fonte: Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde +
Pfizer Brasil
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https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/02/879480/manejo-clinico-do-paciente-queimado.pdf
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Morfofuncional SP 1.1 Tá quente…
Vias da dor: do receptor à analgesia medicamentosa por anti-inflamatórios
não esteroidais
Objetivos de aprendizagem:
1. Correlacionar os aspectos microscópicos da pele
com os receptores nervosos presentes no
órgão;
2. Classificar os receptores de dor, bem como
suas principais vias;
3. Diferenciar as fibras nervosas quanto à
quantidade de mielina e as vias de dor aguda e
dor crônica.
Aspectos microscópicos da pele
Camadas da pele:
Epiderme: Camada mais superficial; consiste em epitélio
escamoso estratificado;
Derme: Camada profunda da pele: composta de tecido
conjuntivo;
● Camada papilar: Camada mais superficial da
derme. Contém suprimento neurovascular para
epiderme.
● Camada reticular: A camada mais profunda da
derme.
Hipoderme: Camada de gordura subcutânea; composta
de células de gordura.
Características das queimaduras:
Nociceptores, fibras nervosas, mielinização e característica da
dor:
Análise do diâmetro vs velocidade de condução:
Note que, quanto maior o diâmetro de condução, maior a
velocidade de condução.
● Como sabemos, a mielinização dos neurônios
aumenta a eficiência e rapidez da condução do
impulso nervoso.
- Ao passar pelas partes mielinizadas
tem-se uma “condução saltatória”
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● Porém, para diâmetros muito pequenos a
mielinização não oferece tantos benefícios para
a velocidade, pois a resistência continua muito
alta a passagem de íons, em virtude do baixo
diâmetro.
Receptores da dor e as principais vias:
Como já sabemos, os receptores da dor são denominados
nociceptores e podem ser divididos em:
● Mecanoceptores;
● Termoceptores;
● Quimioceptores;
● Polimodais.
Tais nociceptores, possuem 2 tipos específicos de fibras
axonais que conduzem o estímulo doloroso: A-delta e
fibra C. Primeiro, vamos revisar os principais tipos de
fibras aferentes do nosso corpo.
Tipos de fibras nervosas aferentes:
Há 4 principais tipos de fibras aferentes:
1. A-alfa;
2. A-beta;
As fibras alfa e beta possuem mais mielinização e
diâmetro e, portanto uma maior velocidade de
propagação.
3. A-delta;
4. Fibra C.
Já as fibras delta e C, às quais conduzem a dor e a
temperatura, possuem menor velocidade.
Fisiologia da dor: Como há mais de um tipo de fibra que
conduz a dor e temperatura, tais sensações chegam ao
SNC em tempos diferentes. Por isso, ao sofrermos uma
lesão, percebemos a priori uma dor rápida, aguda e bem
localizada e, em seguida uma dor menos intensa, mais
difusa e duradoura (dor lenta).
Em geral:
Nas fibras de tipo A-Delta, tem-se a mielinização e,
portanto, uma condução mais rápida. Isso vai originar
uma dor primária e rápida, com características agudas,
em ponta e boa localização.
Nas fibras de tipo C, tem-se amielinização e, portanto,
uma menor velocidade de condução. Com isso, a dor é
secundária e lenta, com características mais duradouras
e difusas.
Geralmente as fibras do tipo A-gama estão
relacionadas com mecano e termorreceptores, já as
fibras do tipo C são polimodais.
Condução da dor (vias)
Ao ser detectada pelos nociceptores, a informação é
conduzida ao corno dorsal da medula (se for um estímulo
no corpo) ou no tronco encefálico (se for um estímulo na
face). A partir da medula, a informação é levada ao
encéfalo, por meio das principais vias que serão
evidenciadas a seguir:
1. Via espinotalâmica lateral:
- Neurônio I: localiza-se nos gânglios
espinhais.
- Neurônio II: localiza-se na coluna
posterior da medula, onde ocorre a
sinapse I. Prolongamento do neurônio
desse neurônio decussa para trato
espinotalâmico lateral do lado oposto e
sobe para o encéfalo.
- Neurônio III: No tálamo, tem-se a
sinapse do neurônio II com o III e de
lá ocorrem as radiações talâmicas.
-
Essa via está mais associada a uma dor aguda e bem
localizada.
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2. Via espinorreticular:
- Neurônio I: localizam-se nos gânglios
espinhais, e seus axônios penetram na
medula do mesmo modo que os das vias
de dor e temperatura, estudadas
anteriormente
- Neurônio II: situam-se na coluna
posterior. Seus axônios dirigem-se ao
funículo lateral do mesmo lado e do
lado oposto, inflectem-se cranialmente
para constituir o trato
espino-reticular. Este sobe na medula
junto ao trato espinotalâmico lateral e
termina fazendo sinapse com os
neurônios III em vários níveis da
formação reticular. Muitas dessas
fibras não são cruzadas.
- Neurônio III: localizam-se na
formação reticular e dão origem às
fibras retículo-talâmicas que terminam
nos núcleos do grupo medial do tálamo,
em especial nos núcleos intralaminares
(neurônios IV). Os núcleos
intralaminares projetam-se para
territórios muito amplos do córtex
cerebral. É provável, entretanto, que
essas projeções estejam mais
relacionadas com a ativação cortical do
que com a sensação de dor, uma vez
que essa se torna consciente já em
nível talâmico.
Essa via está mais associada a uma dor crônica e difusa.
Atividades do roteiro:
Caso clínico: Joana, com 33 anos, estava cozinhando e,
ao mesmo tempo, interagindo com suas amigas no
aplicativo de comunicação via celular. Acidentalmente,
apoiou a mão esquerda na parte de metal da panela que
estava fervendo alguns legumes. Considerando a dor
apresentada, buscou atendimento médico, em que lhe foi
prescrito um anti-inflamatório não esteroidal, além de
orientações gerais para o cuidado do seu tipo de
queimadura
● Conceito de necrose e aplicaçãoa lesão do
caso: consiste na morte celular não programada
e destruição da membrana plasmática. No caso,
a lesão afeta apenas a camada superficial da
pele (epiderme). Pode resultar em vermelhidão,
inchaço e dor, mas geralmente não causam
necrose significativa.
● Por que há mais chance de infecção? Quebra da
barreira protetora, exposição dos tecidos
internos, proliferação microbiana, supressão do
sistema imunológico local, acúmulo de exsudato,
dano aos vasos sanguíneos.
Fontes: Silverthorn + Manual da Dor (Estado do Pará) +
Aula de Morfo
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Medicina laboratorial SP 1.1 Tá quente…
Vias da dor: do receptor à analgesia medicamentosa por anti-inflamatórios
não esteroidais
Objetivos de aprendizagem:
1. Analisar os aspectos farmacocinéticos e
farmacodinâmicos dos anti-inflamatórios não
esteroidais (AINE).
2. Diferenciar as classes de fármacos anti-inflamatórios
não esteroidais (AINE).
3. Analisar a toxicidade e os efeitos adversos dos
fármacos anti-inflamatórios não esteroidais (AINE).
Anti-inflamatórios Não Esteroidais e seus aspectos farmacológicos
São um grupo de fármacos quimicamente heterogêneos
que se diferenciam na sua atividade antipirética,
analgésica e anti-inflamatória.
Farmacocinética:
- Todos os AINES (exceto Paracetamol) são ácidos
fracos facilmente absorvidos no estômago e intestino.
- A velocidade de absorção está aumentada com o uso de
comprimidos de rápida dissolução ou efervescentes;
- Ligam-se extensivamente às proteínas plasmáticas
(95– 99%);
- São metabolizados pelo fígado e excretados pelos rins.
Farmacodinâmica:
Para compreendermos a farmacodinâmica dos AINES,
precisamos relembrar o metabolismo do ácido
aracdônico.
Figura - Metabolismo do ácido aracdônico e formação dos mediadores inflamatórios
Mecanismo de Ação: os AINEs inibem a ação das
cicloxigenases (COX). Com isso, tem-se a inibição de
importantes mediadores inflamatórios, principalmente
de prostaglandinas.
No nosso organismo, existem 3 tipos diferentes de COX:
● COX 1: enzima importante para os processos
homeostáticos, produzindo prostaglandinas.
Está presente em quase todos os tecidos,
possui ação de proteção gástrica, agregação
plaquetária, homeostase vascular e manutenção
do fluxo sanguíneo renal.
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● COX 2: está presente nos locais onde está
havendo a inflamação e é produzida por células
envolvidas no processo inflamatório
(denominada de enzima induzida). Porém, é
encontrada nos rins e no endotélio vascular sem
a necessidade de uma resposta inflamatória
induzida.
● COX 3: produzida principalmente pelo sistema
central, está presente em processos de febre e
dor.
Classificação:
1. Ácido acetilsalicílico: Inibe irreversivelmente a
COX plaquetária.
● Hoje é raramente usado como
anti-inflamatório;
● Muitos riscos de efeitos adversos e
grande risco de sangramento;
● Aplicação clínica: reduz a incidência
ataques isquêmicos transitórios,
angina instável, trombose pós-cirurgia
de revascularização, trombose de
artéria coronariana.
2. Salicilatos não acetilados: São
anti-inflamatórios eficazes e não inibem a
agregação plaquetária.
● São raramente usados e preferíveis
quando a inibição de COX é indesejável
> pacientes com asma e com tendência
a sangramentos
● São eles: salicilato de colina e
magnésio, salicitato de sódio e o
salicilsalicilato.
3. Inibidores Seletivos da COX-2: inibem a
COX-2 sem afetar a ação de manutenção de
COX-1. Em doses habituais, não tem grande
impacto sobre a agregação plaquetária. Porém,
não apresentam o efeito cardioprotetor dos
inibidores não seletivos.
- Celecoxibe: Celecoxibe, uma
benzenossulfonamida, é inibidor
seletivo de COX-2, cerca de 10 a 20
vezes mais seletivo para COX-2 do que
para COX-1.
- Etodolaco: O etodolaco é um derivado
do ácido acético racêmico cujo
mecanismo de ação foi descrito como
relativamente seletivo para COX-2.
- Meloxicam: O meloxicam é uma
enolcarboxamida relacionada ao
piroxicam, é inibidor da COX-2
relativamente seletivo,
particularmente a 7,5 mg/dia.
4. Inibidores não seletivos da cicloxigenase:
inibe tanto COX-1 quanto COX-2
- Diclofenaco: O diclofenaco é um
derivado do ácido fenilacético que é
relativamente não seletivo como
inibidor da COX.
- Diflunisal: O diflunisal (não disponível
no Brasil) é um derivado difluorofenil
do ácido salicílico e é um inibidor não
seletivo da COX.
- Flurbiprofeno: O flurbiprofeno é um
derivado do ácido propiônico cujo
enantiômero (S) (+) inibe a COX de
forma não seletiva.
- Ibuprofeno: O ibuprofeno é um
derivado simples do ácido
fenilpropiônico e um inibidor COX não
seletivo.
- Indometacina: A indometacina,
introduzida em 1963, é um derivado do
indol (ver Figura 36-1) e um potente
inibidor não seletivo de COX.
- Cetoprofeno: O cetoprofeno é um
derivado do ácido propiônico, que inibe
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tanto a COX (de modo não seletivo)
como a lipoxigenase.
- Nabumetona: A nabumetona é o único
AINE não ácido em uso atualmente e
se assemelha ao naproxeno na
estrutura. É um inibidor não seletivo da
COX.
- Naproxeno: O naproxeno é um derivado
do ácido naftilpropiônico e é um
inibidor não seletivo da COX.
- Oxaprozina: A oxaprozina (não
disponível no Brasil), outro AINE
derivado do ácido propiônico, é um
inibidor não seletivo da COX.
- Piroxicam: O piroxicam, um derivado
enolcarboxamida (ver Figura 36-1), é
um inibidor não seletivo da COX.
- Sulindaco: O sulindaco (não disponível
no Brasil) é um sulfóxido profármaco
não seletivo cujo metabólito ativo é um
inibidor não seletivo da COX.
- Tolmetina: A tolmetina (não disponível
no Brasil) é um derivado do ácido pirrol
alcanoico (ver Figura 36-1) e um
inibidor não seletivo de COX.
- Outros.
Ps: AAS e paracetamol possuem particularidades e não
são considerados AINES tradicionais (AINETs)
Efeitos do adversos:
Em inibidores não seletivos (inibem a COX 1 e a COX 2),
tem-se alterações das funções:
● Gastrointestinais: dor abdominal, náuseas,
vômitos e, raramente, úlceras ou sangramentos.
● Renais: devido à nefrotoxicidade, pois as
prostaglandinas atuam na auto regulação renal
do fluxo sanguíneo.
● Hematológicas: raramente trombocitopenia,
neutropenia, pode levar também à anemia
aplásica.
● Cardiovasculares: retenção hídrica,
hipertensão, edema e, raramente, infarto do
miocárdio e insuficiência cardíaca.
● Hepáticas: provas de função hepática anormais
e, raramente, insuficiência hepática.
● Pulmonares: asma;
● Cutâneas: exantemas de todos os tipos e
prurido.
Em casos de inibidores seletivos de COX-2, tem–se:
● Menor agressão à mucosa gastrointestinal.
● Aumento da incidência de edema, hipertensão e
infarto do miocárdio.
Figura - Efeitos colaterais comuns e partilhados dos
AINEs
a: efeitos colaterais foram reduzidos com AINES
seletivos para COX-2. b: com exceção de baixa dose de
ácido acetilsalicílico.
Interações medicamentosas:
● Com inibidores da enzima conversora de
angiotensina (ECA): os AINES podem atenuar
a eficácia dos IECAS.Além disso, podem
provocar bradicardia que resulta em síncope,
devido a hiperpotassemia;
● Com corticoides e ISRSs: podem aumentar a
gravidade e frequência de complicações GI;
● Com varfarina: aumenta o risco de
hemorragias;
● Com lítio: monitorar porque os AINES podem
reduzir a excreção renal deste fármaco e levar
à toxicidade.
Fontes: Livro “Farmacologia básica e clínica“ + “Manual
de farmacologia e terapêutica”
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TBL SP 1.1 Tá quente…
Nocicepção e psicossomática da dor
Objetivos de aprendizagem:
1. Conceituar dor e discutir as implicações deste
conceito para correto entendimento do sintoma;
2. Descrever os receptores da dor;
3. Conceituar dor rápida e crônica
4. Critérios fisiológicos x critérios clínicos;
5. Descrever as vias da dor rápida, desde o estímulo,
passando pelas vias de condução e atingindo as áreas
de percepção;
6. Descrever as vias da dor crônica, traçando
comparações com a dor aguda, iniciando com os tipos
de estímulos, fibras condutoras, estações sinápticas e
áreas de percepção.
Nocicepção e psicossomática da dor
Dor: é uma experiência sensitiva e emocional
desagradável, associada ou semelhante àquela
associada, a uma lesão tecidual real ou potencial.
Dor e nocicepção: a dor é uma sensação experimentada
após o processamento das informações no cérebro. A
nocicepção é o processo pelo qual os estímulos são
detectados e enviados ao SNC. Logo, a nocicepção é
apenas uma parte da experiência da dor.
Caminho da dor:
1. Transdução: o impulso doloroso é recebido
pelos nociceptores e transformado em potencial
de ação
2. Transmissão: impulso é conduzido até a coluna
posterior medula espinal
3. Modulação: na medula espinal, o impulso é
modulado antes de chegar a níveis superiores
do Sistema Nervoso Central
4. Percepção: o impulso é integrado e percebido
como dor
Figura - fases do processamento do estímulo doloroso
Receptores da dor:
● Nociceptores: são terminações nervosas livres
que iniciam a sensação da dor. Os nociceptores,
assim como outros receptores sensoriais
somáticos, originam-se de corpos celulares nos
gânglios das raízes dorsais (ou no gânglio do
trigêmeo) que emitem um processo axonal para
a periferia e o outro para dentro da medula
espinhal ou tronco encefálico.
Há 3 principais classes aferentes nociceptivas inervando
a pele: nociceptores mecanossensíveis Aδ, nociceptores
mecanotérmicos Aδ e nociceptores polimodais, esses
últimos associados de modo específico a fibras C.
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Como estudado em morfofuncional, há 2 tipos de
fibras axonais para a dor:
● Fibra A-delta > mielinizadas, com dor rápida,
aguda e localizada
● Fibra C > amielinizadas, com dor lenta, crônica e
difusa
Principais neurotransmissores excitatórios:
● Aspartato (principalmente na dor aguda)
● Glutamato
● CGRP
Dor rápida e dor lenta:
Em geral, duas categorias de percepção de dor têm sido
descritas: uma primeira dor, aguda e localizada (dor
rápida) e uma sensação mais retardada, duradoura e
difusa, que em geral é chamada de segunda dor (dor
lenta)
Vias neurais da dor:
1. Trato espinotalâmico lateral: vai da medula até
o tálamo, onde ocorre a 2ª sinapse e o 3°
neurônio vai para o córtex somatossensorial
2. Trato espinorreticular: Segue até os núcleos
da formação reticular, seguindo posteriormente
pelas vias retículo-talâmicas até o tálamo. Do
tálamo projeta-se um quarto neurônio até áreas
emocionais do córtex (amígdala, giro do cíngulo,
ínsula)
O trato espinorreticular e o espinotalâmico sobem
juntos pela medula. Ao final da medula, eles se dividem,
com o primeiro fazendo a sinapse com o neurônio II na
formação reticular e o segundo fazendo essa sinapse
apenas no tálamo.
Feixe da dor aguda:
● Neoespinotalâmica (espinotalâmica)
- Mais recente;
- Córtex somatossensorial;
- Reação de localização.
Feixe da dor crônica:
● Paleoespinotalâmica (espinorreticular)
- Mais antigo;
- Mais ramificado;
- Reações mais diversas.
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A dor lenta está associada à resposta inflamatória e a
sensibilização periférica (facilita o disparo do receptor
ao reduzir o limiar da dor)
Aspectos emocionais da dor
Os sistemas de percepção e modulação da dor se
integram com diversas estruturas do sistema límbico
(córtex cingulado anterior, o córtex pré-frontal, o
córtex insular e amígdala), o que confere a modulação
emocional e afetiva da dor.
Memória associada a dor
A memória associada à dor se consolida quando
estímulos persistentes levam a uma plasticidade
sináptica (sensibilização central). Isso leva a
padrões que produzem um aumento de longa
duração na eficácia sináptica, conhecido como
potenciação de longa duração (LTP).
● Quando o neurônio pré-sináptico é
estimulado por um sinal fraco, apenas uma
pequena quantidade de glutamato é
liberada;
● Embora tanto o AMPA quando o NMDA se
liguem ao glutamato, apenas o AMPA é
estimulado por um sinal fraco, porque o
NMDA está bloqueado pelo íon magnésio;
● Quando o neurônio pré-sináptico é
estimulado por um sinal forte ou repetido,
uma grande quantidade de glutamato é
liberado, AMPA fica aberto por mais
tempo e isso resulta em uma maior
despolarização;
● Conforme a despolarização aumenta, os
íons magnésio se deslocam do NMDA, que
também será ativo. Uma quantidade
considerável de cálcio passa a entrar na
célula, mediando a indução da LTP.
Figura - entrada de Na+ pelo AMPA e maior
despolarização leva ao deslocamento do Mg+2 no
NMDA
● Os íons Ca2 + que entram na célula através
do canal ativam proteína-cinases
pós-sinápticas. Essas cinases
pós-sinápticas disparam uma série de
reações que levam à inserção de novos
receptores AMPA no espinho pós-sináptico,
aumentando a sensibilidade da célula ao
glutamato.
Figura - inserção de mais receptores AMPA
Além disso, o cálcio também muda a maquinaria celular e
induz a secreção de óxido nítrico pelos neurônios
pós-sináptico. O óxido nítrico é um neurotransmissor
retrógrado, o qual, ao retornar para o neurônio
pré-sináptico, induz a produção de glutamato.
Figura - sistema retrógrado do NO.
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Tudo isso alimenta um sistema repetitivo de liberação
de estímulos excitatórios, com mais disparo de
potencial, o que promove somação e wind-up.
Fonte: Aula do TBL + referências da tutoria +
Neurociências de Purves.
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Tutoria SP 1.2 Nem existe mais
Dor neuropática, anestesia e analgesia e sensibilização central e periférica
Objetivos de aprendizagem:
1. Descreva o mecanismo da dor neuropática e suaapresentação clínica. ✅
2. Conceitue membro fantasma e explique a
fisiopatologia da dor do membro fantasma,
classificando quanto ao tipo de dor (neuropática,
nociceptiva…) ✅
3. Quais as consequências da dor do membro fantasma
na vida do paciente? ✅
4. Quais os mecanismos regulatórios da dor membro
fantasma? ✅
5. Quais são as opções terapêuticas medicamentosas e
não medicamentosas para a dor no membro
fantasma?✅
6. Qual a indicação clínica, classe terapêutica e
mecanismo de ação da gabapentina? ✅
7. Qual a importância do tratamento multiprofissional
para dor do membro fantasma?✅
8. Diferencie anestesia e analgesia (descreva os tipos de
anestesia) ✅
9. Explique como ocorre a neuromodulação na
sensibilização central e periférica da dor e
correlacione com hiperalgesia, alodinia e Windup ✅
10. Quais as escalas da dor e sua aplicabilidade? ✅
11. Explique a síndrome dolorosa complexa regional. ✅
1 Descreva o mecanismo da dor neuropática e sua
apresentação clínica
Conceito: Dor neuropática é definida como dor causada
ou iniciada por lesão primária ou disfunção do sistema
nervoso central ou periférico. Pode ser espontânea ou
desencadeada por estímulos variados.
A maioria dos casos de dor neuropática se enquadram
em quatro grandes classes:
1. Lesão nervosa periférica focal e multifocal
(traumática, isquêmica ou inflamatória);
2. Polineuropatias periféricas generalizada
(tóxicas, metabólicas, hereditárias ou
inflamatória);
3. Lesões do SNC (acidente vascular cerebral,
esclerose múltipla e lesão da coluna vertebral);
4. Complexos distúrbios neuropáticos (Complexo
da síndrome da dor regional – CSDR)
Fisiopatologia: é uma fisiopatologia complexa e
heterogênea, que apresenta alterações de função e
anatomia de estruturas do SNP e SNC, com fenômenos
de neuroplasticidade anormais.
A dor neuropática se dá por
1. Dor por lesão no sistema nervoso periférico
2. Dor por lesão no sistema nervoso central.
Mecanismos:
Mecanismo de sensibilização periférica:
A DN é caracterizada por dor espontânea (não
dependente de estímulo), hiperalgesia (dor exagerada a
um estímulo doloroso) e alodínia (dor em resposta a um
estímulo não doloroso). Algumas dessas condições se
devem a alterações nos nociceptores e nervos
periféricos. Dentre essas alterações, tem-se:
1. Sensibilização dos nociceptores: a liberação
dos mediadores inflamatórios provoca uma
redução do limiar dos nociceptores, facilitando
o disparo do potencial de ação. Tais
nociceptores passam a ser estimulados também
por estímulos não dolorosos de baixa
intensidade (alodínia).
2. Descargas ectópicas: lesão de nervos
periféricos determina redução importante do
limiar de ativação neuronal. Logo, impulsos
elétricos são desencadeados espontaneamente
ou por estímulos normalmente não nocivos
(alodinia tátil e hiperalgesia).
3. Alteração na expressão dos canais de sódio e
cálcio: os mediadores inflamatórios ativam
sinais intracelulares dos nociceptores com
aumento de canais voltagem-dependentes. O
influxo de sódio e cálcio por tais canais leva a
despolarização e hiperexcitabilidade neuronal, o
que induz a condução do impulso doloroso.
4. Outras alterações periféricas: crescimento
neuronal anormal com aumento dos campos
receptivos que alimentam a transmissão anormal
da dor.
Mecanismo de sensibilização central:
As atividades que culminam na sensibilização periférica
determinam alterações de facilitação nas sinapses do
corno posterior da medula espinhal. A atividade
persistente dos nervos lesados é o fator desencadeante
da sensibilização central, determinando alterações
neuroplásticas nas sinapses e o envolvimento de vários
moduladores sinápticos, além de alterações em
aminoácidos excitatórios.
● Lesão das fibras nervosas: com isso têm-se a
ativação do NGF (fator de crescimento
neuronal) > estimula o brotamento anormal de
fibras A-beta (normalmente proprioceptivas) >
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isso faz com que estímulos com limiares não
dolorosos sejam interpretados como dor na
medula;
● Aumento de neurotransmissores no corno
dorsal: produz uma despolarização prolongada
da membrana pós-sináptica com ativação de
receptor NMDA. NMDA normalmente é
bloqueado pelo Mg2+, mas com essa
despolarização prolongada ele fica aberto e
permite influxo de sódio e cálcio > leva a
hiperexcitabilidade e respostas cada vez
maiores ao estímulo das fibras C (Wind-Up);
● Células da micróglia: se proliferam após lesão
neuronal e ativam o sistema imunológico, com
liberação de mediadores que provocam a
excitabilidade neuronal e alterações
neuroplásticas;
● Tem-se um desequilíbrio nos sistemas
descendentes de modulação inibitória
(noradrenérgico, opioide, serotoninérgico);
● A hiperexcitação e fenômenos de
neuroplasticidade estendem-se aos neurônios
nociceptivos do tálamo e córtex cerebral,
causando ampliação e persistência dos estímulos
dolorosos nas estruturas corticais.
Apresentação clínica:
● É relatada pelo doente como “choque,
queimação, alfinetada e/ou frio doloroso";
● No território dessa dor pode-se ter prurido,
parestesias e dormência.
● O exame neurológico da sensibilidade evidencia
nestes doentes alterações tanto positivas como
negativas. As alterações positivas incluem:
hiperalgesia, alodínia, hiperestesia e disestesia
(percepção anormal de um estímulo sensitivo,
por exemplo, quando o doente relata perceber
formigamento mediante o toque de uma região
da sua pele). Alterações negativas incluem: a
perda das sensibilidades térmica, dolorosa e/
ou tátil.
Fontes: Tratado da Dor
2 Conceitue membro fantasma e explique a fisiopatologia da
dor do membro fantasma, classificando quanto ao tipo de
dor (neuropática, nociceptiva…)
Conceito de membro fantasma: Pode-se definir como
membro fantasma a experiência de possuir um membro
ausente que se comporta similarmente ao membro real,
assim como sensações de membro fantasma a vários
tipos de sensações referidas ao membro ausente.
Muitas vezes é associado a dor que varia em intensidade
e duração de caso para caso.
● Pode se manifestar em casos de amputação de
algum membro, em casos de aferição de plexo
braquial, e, até mesmo em situações de
tetraplegia.
Síndrome do membro fantasma: experiência de sentir
o membro perdido, com sensação de comportamento
igual ao membro normal.
● Quando um membro é amputado, a região
cortical correspondente fica inativa, já que não
mais lhe chegam informações provenientes da
periferia. Entretanto, o tecido permanece vivo,
e gradualmente é “ocupado”, de um modo ainda
mal conhecido, pelos axônios que levam
informações das regiões vizinhas. Seja como
for, o resultado é que mesmo uma leve
estimulação (às vezes pelo próprio vento ou pelo
deslocamento da pessoa) dessas regiões
vizinhas é compreendida pelo córtex cerebral
como se fosse originária do membro ausente, e
assim também o é pelo indivíduo.
Dor do coto: consiste em uma dor nociceptiva de
etiologia relacionada ao pós-operatório, sendo uma
resposta normal que costuma reduzir após a finalização
do processo cicatricial como qualquer outra dor aguda.
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Dor do membro fantasma: é conceituada como uma dor
manifestada no membro ou em parte do membro que
fora amputado, geralmente predominante em sua porção
distal, e pode ser pontual ou disseminada, sendo sua
percepção bastanteindividual com caráter
multidimensional.
Classificação da dor do membro fantasma: a dor do
membro fantasma é considerada um tipo de dor
neuropática, sendo apontada como uma das mais
persistentes e de difícil tratamento.
Fisiopatologia da dor do membro fantasma: A
explicação neurobiológica da síndrome do membro
fantasma ainda é especulativa. Mas há algumas teorias
que fundamentam sua fisiopatologia. As teorias podem
ser categorizadas em periféricas, centrais e
psicológicas.
● Fatores periféricos: modificações locais no
membro residual e alterações nos nervos
seccionados e gânglios da raiz dorsal
associados.
● Fatores centrais: compreendem a
reorganização sináptica espinhal, no tronco
encefálico, no tálamo e em todos os níveis
corticais.
Então, os mecanismos fisiopatológicos da dor do membro
fantasma se dividem em:
● Mecanismo periférico: após a amputação e
secção de um nervo, tem-se um processo
inflamatório e uma tentativa de regeneração do
axônio. Isso estimula as fibras tipo A-delta e C
da porção proximal dos segmentos nervosos
danificados a criarem neuromas. Tais
neuromas são nódulos que possuem limiares de
ativação reduzidos e uma densidade relativa
aumentada de canais de sódio, aumentando a
incidência de potenciais neurais ectópicos e
resultando em descargas espontâneas. Tais
potenciais ativam o SNC e podem manter
intacta a percepção da existência do membro
fantasma e resultar em DF.
● Mecanismo central medular: A teoria mais
estudada para DMF de origem espinal é a da
sensibilização central. Esse processo ocorre
quando a inflamação pós-amputação estimula
neurônios não responsáveis pela transmissão de
sinais nociceptivos a crescerem para dentro da
lâmina II do corno dorsal. Isso gera um
aumento do campo receptivo neuronal, levando a
um aumento relativo da atividade dos
receptores do N-metil D-aspartato (NMDA) no
corno dorsal, com consequente aumento na
suscetibilidade à ativação por estímulos lesivos
como substância P, taquicininas e neurocininas,
em um processo conhecido como fenômeno de
somação temporal ('wind-up'). O ápice desse
processo é a hipersensibilização regional do
campo neuronal que representa a região do
membro amputado. A reestruturação simultânea
das vias inibitórias descendentes por meio de
redução na inibição intersegmental no nível da
medula espinhal resulta em desinibição medular,
permitindo que inputs nociceptivos adicionais
cheguem aos centros supraespinais.
● Mecanismo central cerebral: Há dois
mecanismos descritos para o papel do cérebro
na geração da DMF: reorganização cortical e
transtorno da matriz neural e neuroassinatura.
(1) A reorganização cortical refere-se à resposta
de neuroplasticidade à amputação, pela qual
áreas do córtex que representam a região
amputada são substituídas por regiões vizinhas
tanto no córtex somatossensorial primário
quanto no córtex motor primário. Este
mecanismo explica parcialmente o porquê da
estimulação dos nervos na área circunjacente
ao local de amputação pode resultar em
sensação fantasma.
(2) A matriz neural e sua correspondente
neuroassinatura constituem uma hipótese
levantada pela primeira vez por Ronald Melzack
em 1989. A hipótese da matriz neural
argumenta que existe uma rede de neurônios
dentro do cérebro que integram inputs de
componentes somatossensoriais, límbicos,
visuais e tálamo-corticais para gerar uma
representação cortical central do eu.
Acredita-se que a neuroassinatura seja os
padrões de atividade gerados pelo cérebro com
base na consciência e percepção do próprio
corpo. Acredita-se que a amputação representa
uma privação de inputs para a matriz neural, que
distorce a neuroassinatura, resultando em um
erro cortical que gera a sensação fantasma
Figura - Mecanismos fisiopatológicos da dor fantasma
aguda e crônica.
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Fonte: Tratado da Dor + Neurociência da Mente e do
Comportamento (Roberto Lent) +
https://www.sbahq.org/wp-content/uploads/2022/12/M
anejo-da-dor.pdf +
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/8057/1/5
455_10965.pdf
3 Quais as consequências da dor do membro fantasma na
vida do paciente?
A DMF é considerada a mais grave “dor crônica,
descrita como intratável”, limita a reabilitação,
prejudica a qualidade de vida e participação social.
Em linhas gerais, a DMF:
● Gera impactos na qualidade de vida;
● Pode levar a sintomas de ansiedade e
depressão;
● Podem prejudicar às interações sociais e causar
dificuldades no trabalho;
● Pode predispor ao risco de abuso de
substâncias (a fim de tratar a dor).
4 Quais os mecanismos regulatórios da dor do membro
fantasma?
Antes de mais nada, vale ressaltar que há autores que
elencam fatores de risco para o desenvolvimento de
DF: amputação de um membro inferior, etiologia
vascular, amputação a um nível alto ou bilateral,
presença de sensação fantasma, dor no membro residual
e amputação na idade adulta.
Fatores Moduladores da Dor Fantasma:
● Memórias somatossensoriais: memórias
somatossensoriais de dor previamente à
amputação também a influenciam, pois, além da
intensidade, alguns dos amputados afirmam ter
DF que se assemelha à dor sentida no membro
antes da amputação.
● A redução do fluxo sanguíneo proximal à
superfície do membro tem sido relacionada
como um preditivo fisiológico associado à DF do
tipo “queimor”.
● O aumento da tensão muscular no coto foi
igualmente relacionado com a dor caracterizada
como espasmo e aperto.
Os fatores que podem modular a experiência da dor
fantasma podem ser divididos em:
1. Internos: incluem-se a predisposição genética, a
ansiedade e o stress emocional, a depressão, os
problemas laborais, a atenção/distração, a
micção, a dejeção, o orgasmo, as patologias
como hemorragia cerebral ou o prolapso do
disco intervertebral.
2. Externos: alterações climáticas, frio, fim do dia
e noite, reabilitação e tratamento, utilização de
prótese, anestesia espinhal, toque no coto,
irritação local, cateterização vesical, fumo de
tabaco
Estratégias de alívio: movimentação, a pressão, a
massagem ou a percussão do coto, o uso de contenção
elástica, a reabilitação, a protetização funcional e a
terapia pelo espelho ou com imagem virtual.
Fonte: Dissertação de mestrado “Dor do Membro
Fantasma - Revisão bibliográfica da fisiopatologia”.
Disponível em:
5 Qual a indicação clínica, classe terapêutica e mecanismo
de ação da gabapentina?
GABAPENTINA: é um anticonvulsivante formado por
moléculas semelhantes a aminoácidos que foram
originalmente sintetizados como análogos do GABA. Ela
foi desenvolvida como um agonista do GABA de ação
central e sua lipossolubilidade alta facilita sua
transferência através da membrana hematoencefálica.
Hoje, sabe-se que ela não age por meio dos mecanismos
GABA.
Classe terapêutica: a gabapentina pertence a classe dos
anticonvulsivantes, que são um grupo de fármacos que
visam inibir a hiperexcitabilidade neuronal clássica de
crises epiléticas.
Mecanismo de ação: A gabapentina penetra
rapidamente no cérebro e previne convulsões em uma
série de modelos animais de epilepsia. A gabapentina não
possui afinidade pelos receptores GABA-A ou GABA-B
nem altera o metabolismo do GABA. Não se liga a outros
neuroreceptores ou sítios de neurotransmissão cerebral
e não interage com os canais de sódio. A gabapentina
liga-se com alta afinidade à subunidade α2δ
(alfa-2-delta) dos canais de cálcio
voltagem-dependentes propondo-se que a ligação à
subunidade α2δ esteja envolvida nos