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N O Ç Õ ES D E A R Q U IV O LO G IA 439 Unicidade: “o documento de arquivo é único no conjunto documental de que faz parte, porque o con- junto de suas relações com os demais documentos do grupo é sempre único. Podem existir cópias em um ou mais grupos de documentos, mas cada cópia é única em seu lugar.” (CONARQ, 2019) Para entendermos esse conceito, vamos pensar em várias fotos 3x4. Inicialmente elas são todas iguais, mas se você utiliza uma delas em um currículo, outra para fazer seu cartão do SUS e mantém uma em sua carteira, elas se tornam únicas. Isso ocorre porque estão sendo utilizadas em contextos diferentes: aque- la mesma foto teve diversas funções de acordo com a aplicação feita! Confiabilidade: “o documento de arquivo é confiá- vel quando tem a capacidade de sustentar os fatos que atesta. A confiabilidade está relacionada ao momen- to em que o documento é produzido e há veracida- de de seu conteúdo. Para tanto, precisa ser dotado de completeza e ter seus procedimentos de criação bem controlados. Completeza consiste na presença, no documen- to de arquivo, de todos os elementos intrínsecos e extrínsecos exigidos pela organização produtora e pelo sistema jurídico-administrativo ao qual pertence, de maneira que esse mesmo documento possa ser capaz de gerar consequências. Dificilmente se pode assegurar a veracidade do conteúdo de um documento; ela é infe- rida a partir da completeza e dos procedimentos de criação. A confiabilidade, sinônimo de fidedignidade, é uma questão de grau, ou seja, um documento pode ser mais ou menos confiável” (CONARQ, 2019). Conceito grande, mas vou destrinchar ele para você! Um documento confiável é aquele que tem como provar que aquilo que fala é verdade. Por exemplo, a sua certidão de nascimento é confiável a partir do momento que existem registros no hospital que você nasceu ali! Para que um documento seja confiável, ele deve ter completeza, por exemplo, um contrato de aluguel no Brasil não será completo se não tiver as assinaturas dos interessados e for feita de acordo com lei brasileira, portanto, um documento que é pouco completo, é pouco confiável! Autenticidade: “documento de arquivo é autên- tico quando é o que diz ser, independentemente de se tratar de minuta, original ou cópia, sendo livre de adulterações ou qualquer outro tipo de corrupção. Um documento autêntico é aquele que se mantém da forma como foi produzido e, portanto, apresenta o mesmo grau de confiabilidade que tinha no momento de sua produção. Assim, um documento não completa- mente confiável, mas transmitido e preservado sem adulteração ou qualquer outro tipo de corrupção, é autêntico.” Para que um documento seja autêntico, ele não precisa ser verdadeiro. Por exemplo, um médico assi- na um atestado para um trabalhador ficar de licença por 3 meses, mesmo ele não estando doente. A doença é falsa, o fato não existe, mas o documento é verdadei- ro, porque foi feito seguindo os critérios de transmis- são e custódia. Confiabilidade está relacionada ao momento da produção. Autenticidade se refere à transmissão do docu- mento e à preservação e custódia. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2018) A relação entre docu- mentos de um arquivo, a qual decorre das atividades da instituição que os tenha acumulado, constitui a organicidade dos documentos de arquivo. ( ) CERTO ( ) ERRADO Como vimos, a organicidade é uma característica do documento de arquivo, decorrendo das ativida- des da instituição. Resposta: Certo. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Todo documento arqui- vístico deve ser dotado de completeza, isto é, deve conter todos os elementos intrínsecos e extrínsecos exigidos por quem o produziu e pelo sistema jurídico- -administrativo a que pertence, de modo a ser útil para a sociedade. ( ) CERTO ( ) ERRADO Como vimos, a completeza é a presença, no docu- mento de arquivo, de todos os elementos intrínsecos e extrínsecos exigidos pela organização produtora e pelo sistema jurídico-administrativo ao qual per- tence, de maneira que esse mesmo documento possa ser capaz de gerar consequências. Resposta: Certo. Conceitos Fundamentais: Classificação dos Arquivos A classificação dos documentos de arquivo é um assunto muito importante. As bancas tendem a trocar o nome de um conceito pelo outro. Os documentos podem ser classificados pelos seguintes prismas: z Entidades mantenedoras z Estágios de sua evolução z Extensão de sua atuação z Natureza dos documentos z Natureza do assunto z Gênero z Entidades Mantenedoras: diz respeito ao tipo de pessoa física ou jurídica, família ou entidade que guarda os documentos. Segundo PAES (2004), as entidades podem ser: � Públicas: Federal / Estadual / Municipal � Institucionais: Institutos educacionais / Enti- dades Religiosas / Sociedades, Associações, Fundações, ONGS. � Comerciais (Privadas): Empresas / Corpora- ções / Companhias � Familiares ou Pessoais Fonte: PAES, 2004, p. 21. z Estágio de Evolução: diz respeito ao valor do documento a partir da teoria das 3 idades, que será aprofundada mais à frente. Eles podem ser correntes, intermediários ou permanentes. � Arquivo Corrente ou de Primeira Idade: “é conjunto de documentos, em tramitação ou não, que, por seu valor primário, é objeto de consulta frequente pelo órgão ou entidade que 440 o produziu e ao qual compete sua administra- ção” (CONARQ, 2019). � Arquivo Intermediário ou de Segunda Ida- de: “é o conjunto de documentos originários de arquivos correntes com uso pouco frequente pelo órgão ou entidade que o produziu e que aguarda destinação final” (CONARQ, 2019). � Arquivo Permanente ou de Terceira Idade: “é o conjunto de documentos preservados em caráter definitivo em função de seu valor secundário” (CONARQ, 2019). z Extensão de Atuação: nesse espectro, eles podem ser setoriais ou centrais. � Arquivos Setoriais são aqueles operacionali- zados juntos aos setores de trabalho, cumprin- do a função de arquivo corrente. Ele é um arquivo de um setor ou serviço de uma admi- nistração, existindo um arquivo central, estará a ele tecnicamente subordinado. � Arquivos Centrais são aqueles responsáveis pela normalização dos procedimentos técni- cos aplicados aos arquivos de uma administra- ção, podendo ou não assumir a centralização do armazenamento. Também pode se chamar de arquivo geral. z Natureza dos Documentos: através da natureza documental, eles se dividem entre: � Especializados são aqueles arquivos cujo acer- vo tem uma ou mais características comuns, como natureza, função ou atividade da entida- de produtora, tipo, conteúdo, suporte ou data dos documentos, entre outras. Eles acumulam documentos resultantes da experiência huma- na em um campo específico, independente da forma física que apresentam. Também são chamados de arquivos técnicos. Ex.: arquivos médicos, arquivos de engenharia, arquivos de serviço social. � Especiais são aqueles arquivos que possuem documentos que devem ser tratados com cer- tos cuidados. Geralmente possuem documen- tos em linguagem não-textual, em suporte não convencional, ou, no caso de papel, em formato e dimensões excepcionais, que exige procedi- mentos específicos para seu processamento técnico, guarda e preservação, e cujo acesso depende, na maioria das vezes, de intermedia- ção tecnológica. z Natureza do Assunto: a partir do teor dos docu- mentos, eles podem ser divididos entre: � Ostensivos são aqueles que NÃO possuem uma restrição de acesso, ou seja, sua divulgação não prejudica o órgão ou entidade, nem seus servidores, podendo ser de domínio público (CONARQ, 2019). � Sigilosos são aqueles que pela natureza do seu conteúdo sofrem restrição de acesso e devem ser de conhecimento limitado, necessitando de medidas especiais de salvaguarda para custódia e divulgação. Esses documentos e as informações que contêm recebem uma classi- ficação de sigilo, isto é, são atribuídos a eles graus de sigilo, conforme a legislaçãoem vigor. Essa classificação também é chamada de clas- sificação de segurança (CONARQ, 2019). z Gênero: os documentos podem ser classificados a partir da reunião de espécies documentais que se assemelham por seus caracteres essenciais, parti- cularmente suporte e formato, e que exigem pro- cessamento técnico específico e, algumas vezes, mediação técnica para acesso. Eles podem ser divi- didos entre: � Textual: documentos manuscritos, datilografa- dos ou impressos, cujo suporte predominante é o papel. Exemplos: atas de reunião, cartas, decretos, livros de registro, panfletos, relató- rios, contratos, atas, certidões, devidamente redigidos e apresentados em texto. � Cartográfico: documentos que contêm repre- sentações gráficas da superfície terrestre ou de corpos celestes e desenhos técnicos. Ex.: mapas, plantas, perfis, fotografias aéreas, layouts. � Audiovisual: documentos que contêm ima- gens, fixas ou em movimento, e registros sonoros. Integram este gênero os documentos iconográficos, filmográficos e sonoros. Ex.: pro- gramas de televisão em geral. � Iconográfico: documentos que contêm ima- gens fixas, impressas, desenhadas ou fotografadas. Ex.: fotografias (diapositivos, ampliações e negativos fotográficos), desenhos, gravuras, slides, demais gravuras, em modo estático. � Filmográfico: documentos que contêm ima- gens em movimento, com ou sem som. Ex.: filmes, fitas videomagnéticas; � Sonoro: registros sonoros. Ex.: discos, fitas audiomagnéticas. � Micrográfico: documentos em microforma. Ex.: microfilmes, microfichas, cartões-janela, jaque- tas, tab-jac: � Informático: documentos produzidos, trata- dos ou armazenados em computador. Ex.: um arquivo do Word, Excel, um arquivo de áudio do formato MP3. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (VUNESP – 2020) O tipo de arquivo que guarda docu- mentos de determinado assunto específico, indepen- dentemente da forma física que possam apresentar, é o a) setorial b) central c) especializado d) ostensivo e) permanente O arquivo recebe documentos resultantes da expe- riência humana em um campo específico, indepen- dente da forma física que apresentam. Resposta: Letra C. N O Ç Õ ES D E A R Q U IV O LO G IA 441 2. (FGV – 2018) Assinale a opção que, conforme explícito na terminologia arquivística, apresenta um exemplo de arquivo especializado. a) Arquivo Central b) Arquivo Setorial c) Arquivo Privado d) Arquivo Médico e) Arquivo de Microfilmes O arquivo médico é um arquivo especializado, porque se refere a um assunto específico da existência humana. Resposta: Letra D. ARQUIVO X BIBLIOTECA X MUSEU X CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO Os arquivos, museus, bibliotecas e centros de documentação têm como objetivo comum guardar os documen- tos, preservação de documentos, dar acesso aos documentos, recolher, tratar, transferir e difundir informações. O que importa para o seu concurso são as características dos documentos de cada órgão de documentação. As bancas costumam colocar elementos de bibliotecas e museus como se fossem dos arquivos, preste atenção! Observe a tabela abaixo feita a partir das observações feitas por PAES (2004) e BELLOTO (2006): ARQUIVO BIBLIOTECA MUSEU CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO/ BANCO DE DADOS Órgão receptor (recolhe de for- ma natural e orgânica seus documentos). Órgão colecionador (reunião ar- tificial de documentos). Órgão colecionador (coleção artificial). Órgão colecionador ou referenciador (coleciona ou só referencia dados em forma física e virtual). Documentos reunidos segundo sua origem e função, estabele- ce classificação específica para cada instituição, ditada pelas suas particularidades. Exige conhecimento da relação entre as unidades, a organiza- ção e o funcionamento dos ór- gãos, por FUNDOS. Documentos reunidos pelo conteúdo (assunto), utiliza mé- todos predeterminados de clas- sificação, por COLEÇÃO. Documentos reunidos segun- do a natureza do material e a finalidade específica do mu- seu, por COLEÇÃO. Documentos reunidos pelo as- sunto, por COLEÇÃO. Objetivos primários: jurídicos, funcionais e administrativos Objetivos secundários: culturais e pesquisa histórica. Objetivos: culturais, técnicos, ar- tísticos, educativos, científicos. Objetivos: educativos, cultu- rais, artísticos e funcionais. Objetivos: fundamentalmente científicos. Tipo de suporte: manuscritos, impressos, audiovisuais, micro gráficos, fonográficos, iconográ- ficos, exemplar ÚNICO ou em número limitados de cópias. Tipo de suporte: impressos, au- diovisuais, manuscritos, exem- plares MÚLTIPLOS. Tipo de suporte: objetos bi/tri- dimensionais, exemplar único. Tipo de suporte: audiovisuais ou virtual, exemplar único ou múltiplo. Forma de entrada dos documen- tos: passagem natural de fonte geradora única. Forma de entrada dos documen- tos: compra, doação, permuta de fontes múltiplas. Forma de entrada dos docu- mentos: compra, doação, per- muta de fontes múltiplas. Forma de entrada dos documen- tos: compra, doação, pesquisa. Método de avaliação: preserva-se a documentação referente a uma atividade, como um conjunto, e não como unidades isoladas. Os julgamentos são finais e irrevo- gáveis;A documentação não rara existe em via única. Método de avaliação: aplica-se a unidades isoladas. O julgamento NÃO tem caráter irrevogável. O julgamento envol- ve questões de conveniência, e não de preservação. Método descritivo: Aplica-se a conjuntos de documentos. As séries (órgãos e suas subdi- visões, atividades funcionais ou grupos documentais da mesma espécie)são consideradas uni- dades para fins de descrição. Método descritivo: aplica-se a unidades discrimina- das. Os documentos (anuários, periódicos etc.) são unidades isoladas para catalogação. Público-alvo: administrador e pesquisador. Público-alvo: Grande público e pesquisador. Público-alvo: Grande público e pesquisador. Público-alvo: pesquisador. Retomando os conceitos, não se esqueça de que: z O arquivo não é um órgão colecionador, qualquer questão que falar que o arquivo faz coleção está errada! z O arquivo é composto por documentos acumulados de forma natural e orgânica, não é divisível! z O arquivo tem como objetivos primários: jurídicos, funcionais e administrativos e como objetivos secundá- rios: culturais e pesquisa histórica. 442 z O arquivo não tem objetos tridimensionais para entretenimento e os exemplares são únicos ou em um número limitado de cópias. z Os julgamentos de avaliação dos arquivos são finais e irrevogáveis. z O arquivo não utiliza métodos de classificação predeterminados, depende da realidade de cada arquivo. z Natureza dos arquivos: administrativa, jurí- dica, informativa, orgânica, serial, contínua e cumulativa. z A principal finalidade dos arquivos é servir à administração, constituindo-se, com o passar do tempo em base do conhecimento da história. z A função básica do arquivo é tornar disponível as informações contidas nos documentos que guarda. z Arquivos possuem Vínculo arquivístico, dife- rentes de museus, bibliotecas e centros de documentação. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (VUNESP – 2019) Assinale a alternativa que apresenta apenas, e tão somente, características que compõem a natureza dos arquivos. a) Histórica, contábil, permanente, orgânica, individual, contínua e cumulativa. b) Jurídica, histórica, contábil, seletiva, individual, contí- nua e cumulativa. c) Administrativa, jurídica, informativa, orgânica, serial, contínua e cumulativa. d) Administrativa, jurídica, social, orgânica, serial, des- contínua e cumulativa. e) Histórica, jurídica, informativa, orgânica, seletiva, des- contínua e cumulativa. Natureza dos arquivos: Administrativa, jurídica, informativa, orgânica, serial, contínua e cumulativa. Resposta: Letra C. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2019) O caráter orgânico que interliga os documentos de um mesmo conjunto cons- titui característica primordial dos arquivos. ( ) CERTO ( ) ERRADO Há uma significação orgânica entre os documentos, sendoela uma característica essencial que a dife- re dos outros órgãos de documentação. Resposta: Certo. Como vimos, o método de classificação das bibliote- cas é predeterminado e os arquivos variam de acor- do com a situação, não pode ser utilizado o mesmo entre arquivos e bibliotecas. Resposta: Errado. TEORIA DAS 3 IDADES (CICLO VITAL DOS DOCUMENTOS) “Teoria segundo a qual os arquivos são considera- dos arquivos correntes, intermediários ou perma- nentes, de acordo com a frequência de uso por suas entidades produtoras e a identificação de seus valores primário e secundário.” (DBTA, 2005) Arquivos correntes (1ª idade): “Conjunto de documentos, em tramitação ou não, que, por seu valor primário, é objeto de consulta frequente pelo órgão ou entidade que o produziu e ao qual compete sua administração.” (CONARQ, 2019) No caso de valor primário, trata-se do uso para fins administrativos, legais e fiscais. Refere-se à utilidade do documento para o órgão ou entidade, razão primei- ra de sua criação, o que pressupõe o estabelecimento de prazos de guarda ou retenção anteriores à elimi- nação ou ao recolhimento para guarda permanente. Os documentos correntes e intermediários apre- sentam valor primário. Todos os documentos passam necessariamente pela idade corrente. Arquivos intermediários (2ª idade): “É o conjunto de documentos originários de arquivos correntes com uso pouco frequente pelo órgão ou entidade que o produziu e que aguarda destinação final” (CONARQ, 2019). Importante! Os documentos intermediários apresentam valor primário. Os documentos não precisam passar necessaria- mente por essa idade. Quando um documento passa do arquivo cor- rente ao intermediário chama-se transferência. Passagem do Arquivo Corrente → IntermeDiário = Transferência Arquivos permanentes (3ª idade): “É o conjunto de documentos preservados em cará- ter definitivo em função de seu VALOR SECUNDÁ- RIO” (CONARQ, 2019). Valor secundário é aquele atribuído a um documen- to tendo em vista sua utilidade para objetivos diferentes daqueles para os quais foi, originalmente, produzido. Refere-se ao uso dos documentos como fonte de pes- quisa e informação para terceiros e para a própria administração, por conterem informações essenciais sobre matérias com as quais a organização lida para fins de estudo. Os arquivos permanentes possuem valor SECUN- DÁRIO(probatório e informativo). NÃO podem ser eliminados. Quando um documento passa do arquivo corrente ou intermediário ao arquivo permanente chama-se recolhimento. Passagem do Arquivo Corrente ou Intermediário → Permanente = Recolhimento Mais à frente, vamos destrinchar as características de cada uma das idades!