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DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS FÍSICAS E MATEMÁTICA GFM215 - TECNOLOGIAS APLICADAS AO ENSINO DE FÍSICA E MATEMÁTICA Registro das Principais Ideias Usos das Tecnologias no Ensino e na Aprendizagem da Matemática: pensando fora da caixa JOSÉ CARLOS DA SILVA PROFESSORA: ROSANA MARIA MENDES LAVRAS/MG 2023 Usos das Tecnologias no Ensino e na Aprendizagem da Matemática: pensando fora da caixa A palestra tem como objetivo conversar sobre o uso das tecnologias no ensino e na aprendi- zagem da Matemática. Foi debatido alguns preconceitos que existem em torno das tecnologias, como a oposição entre tecnologia e o trabalho que o pessoal chama de manual, ou braçal ou mental. Outro ponto discutido é separar a diferença fundamental entre o que é tecnologia e o que é o uso de tecnologia. O ponto central da palestra é justamente discutir sobre o uso da tecnologia e não sobre softwares. O foco é como que professores e estudantes podem usar esse recurso para alcançar os objetivos de ensino propostos. O palestrante Carlos Mathias fala sobre três níveis de uso das tecnologias: um primeiro que é reproduzir práticas que são feitas sem as tecnologias, o segundo que é o uso da tecnologia para descentralizar um pouco a ação dos professores, ou seja, deslocamento o foco de ensino para a aprendizagem e por fim alguns exemplo mais radicais do uso das tecnologias que rompem com a tradição escolar. No fim ele fala um pouco da avaliação usando o apoio tecnológico. O palestrante comenta sobre o padlet, que é como se fosse um mural onde as pessoas podem postar em tempo real e esse é um tipo de recurso que pode ser usado em sala de aula, onde os estudantes pesquisam coisas bacanas no celular e mandam para o padlet. É como um mural de todas as coisas que a turma pesquisou e então todos os estudantes têm acesso assim como o professor. O primeiro ponto abordado é sobre os preconceitos e ele comenta sobre um grupo de amigos que vão a um restaurante. No fim, quando chega o momento de pagar a conta, um dos amigos diz ao outro, que é estudante de matemática, que ele faça a conta, pois afinal ele sendo estudante de matemática, deve saber. Caso o tal estudante de matemática use uma calculadora, isso provoca um espanto geral. O palestrante alerta que o uso da calculadora é um ponto central nesse preconceito que gira em torno da tecnologia. É preciso discernir entre o que entendemos sobre tecnologia e o seu uso e entre o que é preguiça de não conseguir fazer na mão ou de cabeça. As tecnologias como a calculadora são vistas como atalhos para se fazer aquilo que deveríamos ser capazes de fazer sozinhos. Em um curso de formação continuada de professores que lecionam matemática, foi feita uma pergunta sobre o uso favorável ou não de calculadora na escola e a resposta dada foi de que os estudantes não sabem matemática e se usarem a calculadora nunca irão aprender. Além disso, não se pode usar calculadora em concursos públicos, no ENEM e por isso eles devem aprender manualmente. O centro da questão não é usar ou não usar a calculadora e sim qual o uso que se pode fazer da calculadora para ajudar no processo de aprendizagem. Será que não pode haver algum tipo de uso interessante que possa estimular o cálculo mental? Ele cita uma atividade conhecida como calculadora quebrada. Ao cair no chão, vários botões se soltaram e só restaram os botoes 8, 3, e os símbolos operacionais ×, − e =. A partir desses botões é possível propor vários cálculos 1 mentais que façam o estudante pensar antes de simplesmente apertar os botões. A calculadora quebrada é portanto um tipo de atividade que estimula o cálculo mental. Assim como esse exemplo, ele cita também o cálculo leitura. Portanto, o uso da tecnologia depende muito do que se pretende fazer e é preciso refletir sobre a qualidade do uso da tecnologia e não perder de vista o potencial pedagógico da utilização das tecnologias na aprendizagem. Na sequência, ele fala sobre o uso da tecnologia de nível 1, que se refere ao uso da tecnologia de forma mais simples por professores que estão começando a entrar em contato com as tecnologias. A referência é para aquele professor e professora reproduzir aquilo que se fazia manualmente em uma aula expositiva normal. Ele cita que quando queremos pensar em qualidade da educação, muitos falam qualidade do ensino como se educação e ensino fossem a mesma coisa, o que de fato não é. Quando se pensa em qualidade da educação, estamos falando de uma qualidade de aprendizagem, não de ensino. Às vezes o ensino pode ser bom mas, o que realmente importa, é quanto o estudante aprende. É preciso pensar que ao usar a tecnologia, é possível melhorar as práticas expositivas e com a potencialização dessas práticas, fazer práticas expositivas mais poderosas, mais convincentes, que favoreçam a visualização. Assim, o nível 1 de uso da tecnologia é aquele que servirá de apoio e onde há a perspectiva centrada no professor. O nível 2 de uso de tecnologia tem a ver com o deslocamento. O foco de trabalho do professor que antes era dado ao ensino, ao que ele queria mostrar, passa para a aprendizagem e o professor fica mais próximo do estudante, ou seja, há uma aproximação dos estudantes. A ideia agora é propor um uso de tecnologia que não fique tão centrada na mão do professor, onde os estudantes poderão ser levados no laboratório, formar grupos e propor atividades para cada grupo. Serão os grupos que irão trabalhar com essas atividades e não o professor que irá expor essas atividades no quadro. Então essa é uma nova perspectiva relacional entre pares de estudantes, onde o professor entra para ser o mediador das interações entre os estudantes no grupo. A expectativa é que essas interações sigam certos roteiros, ou seja, as atividades do nível 2 seguem modelos para que se garanta o cumprimento dos objetivos inicialmente previstos. São as chamadas metodologias ativas. Um professor que adota uma prática nível 2, precisa estar aberto ao que acontece em sala, se adaptando aos improvisos. A arte do improviso é fundamental, pois professores que planejam as suas aulas nos mínimos detalhes e vão querer seguir ao pé da letra, estão muito próximos de um grande fracasso pedagógico, porque sempre há incertezas, coisas que acontecem e que não permitem seguir o roteiro programado. O uso de tecnologia é um meio para que os estudantes trabalhem juntos, saibam trabalhar em equipe, saibam apresentar seus pontos de vista educadamente, trabalhar de forma cooperativa. Não é só usar a tecnologia para ensinar os conteúdos matemáticos, é mais que isso, é o potencial interpessoal que essas experiências podem trazer. Como se pode falar em criatividade e pensamento crítico sem que os estudantes tenham espaço de fala? Atualmente quem fala é o professor e o estudante ouve, não é dado esse espaço. O estudante tem que falar e todos tem 2 que escutar Na sequência, ele fala do nível 3, denominado uso disruptivo das tecnologias, que rompe com essa estrutura escolar tradicional. O objetivo é trazer a educação híbrida, ou seja, há o espaço presencial na escola que é a sala de aula, mas também há o ensino online, muito importante durante a pandemia da covid. É possível usar recursos tecnológicos e misturar isso com práticas que são feitas no presencial. É o uso concomitante, parte da turma tá no presencial, parte tá no online dentro da própria escola. O nível 3 é um ambiente investigativo, mas há uma maior liberdade pois os estudantes podem escolher os seus caminhos. É importante que o professor deixe um pouco de ser o protagonista no ato de ensinar e abra espaço para os estudantes participarem ativamente na construção do conhecimento e o uso da tecnologia pode ser uma metodologia muito satisfatória. Ela pode trazer o estudante para o foco do processo de aprendizagem, passando a ter responsabilidades e de uma certa forma um controle sobre todo esse processo. O palestrante também comenta como ocorre o processo de avaliação, onde o estudante tem maior autonomia e participação. É sugerido que essa avaliaçãonão foque apenas nas provas tradicionais, mas também em seminários, trabalhos em grupos, em projetos. Apesar disso, a atribuição de notas é importante, visto que é ainda a forma de avaliação tradicional em universidades e em escolas. Assim, nesses momentos mais disruptivos, os estudantes tem controle sobre o seu aprendizado, e o fato de buscarem, pesquisarem, acabam por promover neles não somente o aprendizado dos conteúdos curriculares, como também habilidades de autonomia, oportunidade, respeito, entre outras. Como exemplo é citado uma universidade que descentraliza suas práticas educacionais e permite que os estudantes tenham o direito de escolher aquilo que desejam estudar. Quando isso é feito, é importante que os estudantes façam registros de suas experiências, reflexões e aprendizagens. Tudo isso permite que habilidades como responsabilidade e senso crítico sejam desenvolvidas e são pontos importantes para avaliar o progresso do estudante. Outra tecnologia destacada é o uso de podcast. Como analogia, podemos comparar o podcast a um rádio, mas diferentemente do rádio, onde os horários são fixos e programados, é possível no podcast escolher o que se quer ouvir e quando se quer ouvir. São episódios que podem ser ouvidos a qualquer momento. Assim, é possível usar os podcasts nas escolas, onde alunos, professores e funcionários podem criar um podcast escolar. Depois de criado, o podcast pode ser compartilhado, onde os estudantes falam sobre o que aprenderam, em variados assuntos. O uso de podcast nas escolas pode ser visto como uma forma transdisciplinar de aprendizagem, que pode envolver a matemática, a capacidade de comunicação, de criatividade e da oralidade. Também é possível trabalhar com políticas ambientais, com questões sociais, com cidadania e ir além dos conteúdos que são cobrados em provas e vestibulares. Em resumo, a palestra destaca as várias possibilidades e benefícios do uso da tecnologia como metodologia de aprendizagem. É importante que o professor não se ausente do processo educacional e ao mesmo tempo permita que os estudantes assumam o controle de sua própria 3 aprendizagem. A utilização das tecnologias como ferramentas de aprendizagem é fundamental para desenvolver uma educação mais inclusiva, participativa e repleta de significados. 4