Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Avaliação 1 – Sociolinguística
1. É possível argumentar que a língua não serve apenas para a transmissão de informação pragmática? Em caso positivo, com base em que evidências? Apresente essa outra função exercida pela língua.
 (2,5)
R: Sim, a língua não se limita à transmissão de informação pragmática. Além dessa função, ela desempenha pelo menos duas outras funções importantes: a semiótica e a social. A função semiótica está relacionada ao estudo dos signos, abrangendo tanto as linguagens verbais quanto as não verbais. Já a função social pode ser subdividida em duas "subfunções": a primeira é a função de gerenciamento, que regula nossa postura diante dos interlocutores, permitindo que expressemos atitudes como gentileza, grosseria ou indiferença. A segunda subfunção está ligada à identidade social, pois a forma como nos comunicamos transmite informações implícitas sobre aspectos como gênero, classe socioeconômica e nível de escolaridade.
2. Sob o ponto de vista da prescrição, as construções um lagarto para mim adestrar e me dá um lagarto estão, ambas, igualmente fora da norma padrão. No entanto, sob o ponto de vista sociolinguístico, existe uma diferença fundamental entre essas duas formas. Que diferença seria essa? Use a terminologia da área.
 (2,5)
R: Do ponto de vista sociolinguístico, as duas construções apresentam diferenças significativas em relação ao seu prestígio social. A frase me dá um lagarto está fora da norma-padrão, pois apresenta o uso do pronome "me" na posição inicial, algo que não é prescrito na gramática normativa. No entanto, essa estrutura é amplamente aceita na comunicação oral cotidiana e ocorre com frequência em diferentes registros informais do português brasileiro. Já a construção um lagarto para mim adestrar contém um erro sintático mais evidente, pois o pronome "mim" não pode exercer a função de sujeito. Esse tipo de desvio é menos aceito socialmente e carrega um estigma maior, sendo frequentemente associado à falta de escolarização. Assim, apesar de ambas as frases estarem fora da norma-padrão, a segunda tem menor aceitabilidade no uso cotidiano devido ao seu impacto gramatical mais perceptível.
3. Assista aos segundos iniciais do seguinte vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=N6bejWeCF_4&ab_channel=AngolaGameShow
a) No segmento quatro coisas que me irritam na Nintendo Switch, o informante, que é angolano, realiza a primeira consoante de irritam como [r], isto é, como uma vibrante alveolar múltipla (alveolar trill, em inglês). Essa não é a pronúncia habitual entre os falantes brasileiros, que preferem nessa posição uma fricativa glotal, [ɦ], dentre outras possibilidades. Neste caso específico, o que se estabelece entre [r] e [ɦ] é uma relação alofônica ou uma oposição fonológica? Justifique.
 (2,5)
R: A relação entre [r] e [ɦ] é alofônica, pois ambas as variantes não geram mudança de significado e dependem do contexto dialetal. Alofones são variações fonéticas de um mesmo fonema, que ocorrem conforme o contexto linguístico ou geográfico. No caso, tanto em Angola quanto no Brasil, a palavra irritam é escrita da mesma forma, mas a pronúncia varia devido às diferenças regionais. Isso indica que [r] e [ɦ] são manifestações distintas de um mesmo fonema no português, sem que haja oposição fonológica, pois a troca entre os sons não altera o significado da palavra.
b) Após os 6:30, o informante faz referência ao objeto que brasileiros conhecem como controle chamando-o de comando. Qual tipo de variação está em jogo? Justifique sua resposta.
 (2,5)
R: O fenômeno em questão é um caso de variação lexical, que ocorre quando diferentes comunidades linguísticas utilizam palavras distintas para se referir ao mesmo objeto ou conceito. No exemplo citado, controle e comando são termos usados para designar o mesmo item (o acessório de um videogame), mas a escolha do vocábulo varia conforme a variedade do português falada. Esse tipo de variação é comum entre diferentes países lusófonos, como no caso de celular (Brasil) e telemóvel (Portugal), demonstrando como fatores históricos, culturais e regionais influenciam a escolha do léxico em cada localidade.

Mais conteúdos dessa disciplina