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CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS 
 
1. OTITE 
 
A otite pode ser: no ouvido externo, no ouvido médio ou no ouvido interno. 
O que é OTITE? 
- É a inflamação do revestimento epitelial do meato auditivo. Muitas vezes ocorre por 
falha no manejo da otite extena(doença recorrente, infecções secundárias) 
O ponto chave é identificar a causa para poder tratar o fator perpetuante da infecção. 
Uma otite não tratada ou mal curada pode avançar para o sistema nervoso e levar o 
animal a óbito. 
 
 
O que é MEMBRANA TIMPÂNICA? 
- É uma estrutura epitelial que separa o ouvido externo da cavidade do ouvido médio. 
Pode ser observada no exame otoscópico (através do otoscópio) e apresenta forma 
côncava e coloração clara e translúcida. 
O que é CANAL AUDITIVO? 
- O canal auditivo externo é dividido em duas porções: vertical e horizontal. O canal 
vertical origina-se da aurícula e estende-se na direção rostro-ventral antes de dobrar-se, 
medialmente, formando o canal horizontal, que estende-se até atingir a membrana 
timpânica. 
O que é o OUVIDO EXTERNO? 
- É a parte do ouvido composta pelo pavilhão auricular (aurícula), o meato acústico 
externo (condito auditivo ou canal externo) e a membrana timpânica. O pavilhão 
auricular apresenta forma irregular e auxilia na captação de sons. O conduto auditivo 
externo possui comprimento variável (5-10cm) e lúmen com diâmetro de 
aproximadamente 0,5-1cm. 
Como é a ANATOMIA DO OUVIDO? 
- O ouvido pode ser dividido em 3 partes: externo, médio e interno. Permitem a 
identificação e localização dos efeitos sonoros, detecção da posição e dos movimentos 
da cabeça. 
 
 
 
 
 
 
O que é o CERUMEM? 
- É uma emulsão produzida pelo organismo que reveste todo o conduto auditivo externo, 
composto por secreções de glândulas sebáceas e ceruminosas, mas também por células 
de descamação. É um mecanismo de defesa contra infecções. 
O que é a CARTILAGEM AURICULAR? 
- É o suporte estrutural ao ouvido externo e mantém o conduto auditivo aberto. É 
revestida por tecido epitelial estratificado escamoso, que de forma semelhante à pele, 
apresenta folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas apócrinas, que, no caso, são 
modificadas e denominadas glândulas por células de descamação. É um mecanismo de 
defesa contra infecções. 
O que é a OTITE EXTERNA? 
- É a otite mais comum na clínica e acomete tanto cães quanto gatos. Caracteriza-se pela 
inflamação do conduto auditivo externo, podendo ser de etiologia infecciosa ou não 
(multifatorial), uni ou bilateral, aguda ou crônica e com exsudato ceruminoso ou 
purulento. Em gatos, a etiologia mais comum é parasitária. Pode ocorrer a ruptura do 
tímpano, levando à otite média. É fundamental realizar plano diagnóstico adequado, 
determinando a causa primária e contornando. 
O que é a OTITE MÉDIA? 
- É a inflamação das estruturas do ouvido médio, que incluem: a membrana timpânica, 
a tuba auditiva, a cavidade timpânica, os três ossículos audititvos (martelo, bigorna e 
estribo) e o nervo timpânico. 
O que é a OTITE INTERNA? 
- É a inflamação que causa do comprometimento da cóclea e do sistema vestibular (O 
sistema vestibular tem como principal função a orientação do animal em relação ao 
espaço e à gravidade, de forma que suas informações harmonizem os movimentos do 
pet, estabilizando a posição dos olhos, corpo e membros em relação à cabeça). 
Como é a OTITE CLÍNICA? 
- Possui casuística alta e tem alguns fatores predisponentes, como raça, manejo, 
proprietário. 
CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA DAS OTITE? 
- As otites podem ser: parasitárias, bacterianas, fúngicas ou alérgicas. 
Como é a CITOLOGIA DA OTITE? 
- No conduto auditivo NORMAL vamos encontrar vários tipos de células presentes. 
Normalmente uma pequena quantidade de células epiteliais anucleadas. Na OTITE, há 
um aumento dos queratinócitos e epiteliócitos, caracterizando a inflamação 
neutrofílica. 
Como é feito o DIAGNÓSTICO e a IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE ETIOLÓGICO? 
- O diagnóstico clínico pode ser feito através de: sinais clínicos, comportamento, depósio 
ceruminoso, exsudato ceruminoso, otoscópio. O diagnóstico laboratorial pode ser feito 
através de: coleta com swab no conduto auditivo e microscopia. 
Infecção por BACTÉRIAS 
- No conduto auditvo existe normalmente uma pequena quantidade de bactérias, que 
por si só, quando controladas, não geram infecção. Pode ocorrer em animais SAUDÁVEIS. 
O que não pode acontecer é a PROLIFERAÇÃO por essas bactérias. 
A identificação da morfologia bacteriana auxilia no diagnóstico e tratamento, 
considerando que a maioria dos cocos são gram-positivos e a maioria dos bastonetes 
são gram-negativos (otite crônica – cultura e antibiograma). 
A oitite bacteriana possui incidência ALTA, a secreção é AMARELO AVERMELHADO, odor 
forte, hiperemia (fica avermelhado) e gera DOR. O tratamento é feito com 
ANTIBIÓTICOTERAPIA sistêmica (amoxicilina, cefalexina), ANTIBIOTICOTERAPIA LOCAL, 
ANTINFLAMATÓRIOS e ANALGÉSICOS. Na terapia TÓPICA usa-se Glicocorticoides, 
dexametasona, triancinoloma, hidrocortisona. Antibiótios: Gentamicina, Polimixina B, 
Neomicina, Tobramicina, Cloranfecol + Neomicina (para Staphylococcus 
pseudintermedius), Gentamicina + Polimixina B, enrofloxacino, ciprofloxacino 
(Pseudomonas spp. Resistentes). 
Infecção por ÁCAROS 
- É pouco frequente, estima-se que de 5% a 10% dos cães com otite externa sejam 
provenientes do Otodectes Cynotis. Esse ácaro utiliza como hospedeiros: cães, gatos e 
outros mamíferos. Possui distribuição mundial e pode causar sarna otodécica ou sarna 
auricular. 
Infecção por FUNGOS 
- O encontro de leveduras compatíveis com Malassezia pachydermatis também sugere 
infecção, mas a identificação de leveduras ou hifas desconhecidas mostra a necessidade 
de cultura para identificação do agente. 
A otite fúngica frequentemente está associada a infecções bacterianas secundárias (otite 
frequente). Na otite fúngica, o CERUMEM é escuro, gera prurido , odor forte, lesões pelo 
corpo. Para o diagnóstico, é feita a análise do cerumem para verificar se existe presença 
de fungo. O tratamento é feito com ceruminolítico, antifúngico (Nistatina) e tratamento 
sistêmico, se necessário. 
O tratamento sistêmico pode ser com Itraconazol (para casos de Malassezia resistente) 
ou antibióticos (cefalezina, enrofloxacino, amoxicilina com ácido clavulânico e 
sulfametazol em associação com trimetoprima). 
 
Infecção por PARASITOS 
- Chamada de otite parasitária. Está diretamente ligada a uma infestação por pulgas, 
ácaros e carrapatos, podendo ainda ser causada através de contato direto com outros 
felinos infectados, uma vez que pequenos corpos estranhos têm acesso ao canal 
auditivo. 
O tratamento é feito com: Invermectina, Nataleno ou Fipronil. 
Infecção por AGENTES ALÉRGENOS 
- O animal pode ser alérgico a uma infinidade de coisas, incluindo medicamentos e 
produtos químicos. A infecções gera lesões em todo o corpo e hiperemia. O tratamento 
sistêmico é feito com corticoterapia e anti-histamínicos. E o tratamento tópico é feito 
com hidrocortisona. 
O que é a OTITE CRÔNICA? 
- Geralmente, as otites CRÔNICAS representam um problema de saúde secundário a 
outras doenças, que podem ou não ser doenças de pele. A otite média está presente em 
mais de 50% dos casos de otite crônica. Caso o animal não apresente melhora com a 
terapia utilizada, é preciso rever o diagnóstico e a terapia. Somente em caso crônico de 
paciente com infecções do ouvido possibilita que o veterinário considere o otite média, 
mesmo estando a membrana timpânica intacta. 
Quais são os SINAIS CLÍNICOS DA OTITE CRÔNICA? 
- Quando o paciente apresenta sinal de qualquer doença neurlógica que afete a cabeça, 
incluindo doença vestibular, síndrome de Horner ou paralisia do nervo facial. 
- Meneios cefálicos, prurido do ouvido afetado, corrimento a partir do canal auditivo 
externo e aumento da sensibilidade ou dor. A letargia, inapetência e dor aovascular, remodelamento 
das vias aéreas. 
QUAIS OS PRINCIPAIS ALÉRGENOS ENVOLVIDOS NA BRONQUITE / ASMA FELINA? 
- Poeira, ácaros, fumaça de cigarro / incenso, mofo, árvores, pólen, proteínas de 
parasitas, areia, produtos químicos. 
 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA BRONQUITE / ASMA FELINA? 
- Podem ser tosse, dispnéia intermitente/sazonal, chiado respiratório audível, espirros, 
estresse respiratório agudo, podendo ocorrer anorexia, letargia e perda de peso. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA BRONQUITE / ASMA FELINA? 
- Histórico, sinais clínicos, exames complementares: 
- Ausculta ruidosa, sibilo, chiado expiratório; 
- Raio X: Padrão intersticial, pulmões hiperinflados, achatamento do diafragma, 
aerofagia, mineralização da parede bronquial; 
- Hemograma / bioquímica: Eosinofilia, hiperproteinemia; 
- Lavado bronquoalveolar: citologia (infiltrado inflamatório eosinofílico), cultura (+ ou-); 
- Avaliação cardiológica, pesquisa de filária; 
- Broncoscopia: exsudato bronquiolar, secreção, hiperemia bronqueal e/ou traqueal. 
COMO É O TRATAMENTO DA BRONQUITE / ASMA FELINA? 
- Manejo ambiental, corticoterapia (dose anti-inflamatória), bombinha, ciclosporina, 
manejo emergencial com oxigenoterapia e corticoteapia. 
OBS: NO MANEJO EMERGENCIAL, NÃO TENTAR RADIOGRAFAR O PACIENTE ANTES DE 
ESTABILIZAR!!! 
OBS2: REALIZAR O MÍNIMO DE MANEJO POSSÍVEL!!! 
QUAL O PROGNÓSTICO DA BRONQUITE / ASMA FELINA? 
- O tratamento é de longo prazo. Os sinais podem ser controlados, mas agudizações 
eventuais podem ocorrer. 
O QUE É A PNEUMONIA? 
- A pneumonia é uma infecção nos pulmões que provoca inflamação nos alvéolos 
pulmonares (pequenos sacos de ar nos pulmões) e em outros tecidos pulmonares. Ela 
pode ser causada por diferentes tipos de agentes infecciosos, como bactérias, vírus, 
fungos ou parasitas, e pode afetar um ou ambos os pulmões. A infecção leva a uma 
produção excessiva de muco e à inflamação dos alvéolos, o que dificulta a troca de 
oxigênio no sangue. Também pode ser química e broncoaspirativa. 
QUAIS OS PRINCIPAIS AGENTES ETIOLÓGICOS DA PNEUMONIA? 
- Bordetella bronchiseptica, Mycoplasma spp, Streptococcus spp, Influenza, 
Adenovírus, Herpesvírus, PIF, Blastomyces dermatitidis, Histoplasma capsulatum. 
 
 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA PNEUMONIA? 
- Anorexia, letargia, taquipneia, intolerância a exercício, secreção nasal mucopurulenta, 
tosse, desidratação, cianose, taquipneia, dispneia, febre. A ausculta: sibilos, crepitação, 
abafamento. Cães tendem a apresentar mais sinais clínicos que gatos. 
O QUE SE PODE VISUALIZAR NO EXAME LABORATORIAL DA PNEUMONIA? 
- Hemograma/bioquímica: neutrofilia com ou sem desvio à esquerda, linfopenia, 
anemia. Bioquímica sem alterações marcantes. 
- Raio X: Padrão alveolar com distribuição ventral, padrão misto (bronquial alveolar 
intersticial). Pneumotórax, efusão pleural, abcessos podem ocorrer em casos mais 
graves. 
- Oximetria: Hipóxia. 
QUAL O TRATAMENTO DA PNEUMONIA? 
- O tratamento vai variar com a causa de base. 
- Antibioticoterapia: beta lactâmicos, quinolonas, aminoglicosídeos, cefalosporinas → 
pode ser necessário associar. 
- Oxigenoterapia. 
- Antifúngico. 
- Antiviral. 
- Fluidoterapia. 
- Nebulização (solução salina estéril) 
- Acetilcisteína. 
OBSERVAÇÕES!!! 
- Pacientes gravem requerem hospitalização; 
- O tratamento deve ser mantido mesmo após a liberação do paciente; 
- Em geral, a antibioticoterapia dura cerca de 3-4 semanas; 
- Prognóstico variável conforme a gravidade da doença. 
 
 
 
 
 
10. DOENÇAS DO SISTEMA CARDIOVASCULAR 
 
O QUE É ENDOCARDIOSE DE MITRAL? 
- A endocardiose de valva mitral é uma doença cardíaca degenerativa que afeta a valva 
mitral do coração de cães, sendo a cardiopatia mais comum na espécie. Também é 
conhecida como degeneração mixomatosa da valva mitral ou fibrose crônica da valva 
mitral. RARO EM GATOS!!! 
QUAL A CAUSA DA ENDOCARDIOSE DE MITRAL? 
- As causas são desconhecidas. O que se sabe é que algumas raças são predispostas 
(Cavalier King Charles Spaniel, Cocker Spaniel, Chihuahua, Daschund, Poodle toy, 
Schnauzer minuatura, Lulu da Pomerânia, Yorkshire). 
Existem hipóteses de que o aumento na sinalização de serotonina pode favorecer a 
progressão no início da doença. Também a alteração no tecido conjuntivo da valva, 
disfunção endotelial pela menor disponibilidade de óxido nítrico. 
QUAL A FISIOPATOLOGIA DA ENDOCARDIOSE DE MITRAL? 
- A valva mitral apresenta alterações histopatológicas significativas, como expansão da 
matriz extracelular com proteoglicanos e glicosaminoglicanos, alterações em células 
intersticiais valvulares, fibrose, degradação do endotélio, perda da camada fibrosa, 
degradação do colágeno e elastina. 
Em resumo, devido à degeneração dessa válvula ocorre um fechamento inadequado 
durante o bombeamento do sangue, permitindo o retorno do sangue para o átrio 
esquerdo durante a contração ventricular (chama de insuficiência mitral ou regurgitação 
mitral). Isso acaba gerando uma diminuição do fluxo sanguíneo pela circulação sistêmica, 
o que faz o coração se esforçar mais, aumentando a frequência cardíaca e a 
contratilidade. 
QUE OUTROS DANOS A ENDOCARDIOSE DE MITRAL PODE GERAR? 
- Aumento moderado do átrio esquedo, redução da pressão sanguínea, ativação do SRAA 
(sistema renina-angiotensina-aldosterona), gerando retenção de sódio e água, aumento 
do retorno venoso para o ventrículo esquerdo pela constrição de veias pulmonares e 
aumento do volume sanguíneo, aumento compensatório do ventrículo esquerdo (maior 
regurgitação), desenvolvimento de ICC (insuficiência cardíaca crônica), pois o aumento 
da PA (pressão aterial) pelos mecanismos compensatórios gera edema pilmonar e 
venoso (retenção de líquido). 
OBS: O Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) é um sistema neuroendócrino 
que regula a pressão arterial e o volume sanguíneo. Ele é ativado quando a pressão 
arterial diminui, e atua para reverter essa tendência. 
Pressão cai > rins liberam renina no sangue > renina ativa o anginotensinogênio no 
fígado, produzindo a angiotensina I > Angiotensina I é convertida em angiotensina II (pela 
enzina ECA, que é produzida nos pulmões) > angiotensina II gera vasoconstrição > 
aldosterona é liberada. 
 
 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA ENDOCARDIOSE DE MITRAL? 
- Alguns pacientes podem ser assintomáticos. Pode ocorrer tosse pela compressão 
cardíaca dos brônquios, ou por broncopatia concomitante. O animal pode ter taquipnéia, 
dispneia, taquicardia, letargia, anorexia, intolerância ao exercício, síncope, aumento no 
tempo de preenchimento capital (TPC), pulso fraco, arritmia cardíaca. 
 
 
RX COM AS 4 CÂMARAS DILATADAS 
QUAIS OS ESTÁGIOS DA ENDOCARDIOSE DE MITRAL? 
- Estágio A – Cães com risco de desenvolver a doença, mas que não apresentam alteração 
estrutural no coração; 
- Estágio B: Alteração estrutural sem sinal de falência. Possuem sopro de mitral. 
- Estágio B1: Cães assintomáticos, sem alterações em raio X e eco significativas. 
- Esatágio B2: Cães assintomáticos, porém com alterações mais marcadas na imagem. 
- Estágio C: Cães com sinais de insuficiência cardíaca congestiva, responsivos à terapia. 
- Estágio D: Cães com sinais de insuficiência cardíaca congestina, refratários à terapia. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA ENDOCARDIOSE DE MITRAL? 
- Através de radiografia torácica, observando o aumento da silhueta cardíaca, CLARO, 
associando aos sinais clínicos e histórico do animal. ECG e exames laboratoriais também 
ajudam a fechar o diagnóstico. 
Também existem testes que podem ser realizados: 
- O exame de NT-proBNP é um biomarcador que serve para diagnosticar e monitorar a 
insuficiência cardíaca, além de ajudar a avaliar a gravidade da condição e a eficácia do 
tratamento. É liberado na circulação em resposta à expansão do volume ventricular e à 
sobrecarga de pressão nos ventrículos. Pode estar elevado. 
- Troponina-1 (C-TnL) - A troponina é uma proteínaque serve para diagnosticar e 
monitorar condições cardíacas, como o infarto do miocárdio. A troponina é um marcador 
de lesão miocárdica. Quando as células do coração sofrem uma ruptura, elas liberam a 
troponina e outras enzimas para o meio extracelular. Por isso, seu aumento indica lesão 
no músculo cardíaco. Pode estar elevado em casos mais graves. 
 
QUAL O TRATAMENTO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL NO ESTÁGIO B2? 
- Inodilatador (Pimobendan), inibidores da ECA (IECA - Inibidor da Enzima Conversora de 
Angiotensina), que seriam enalapril e benazepril, dieta restrita em sódio, com adequado 
aporte calórico e protéico. 
QUAL O TRATAMENTO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL NO ESTÁGIO C EM QUADRO 
AGUDO? 
- Hopitalização! Furosemida IV, Oxigenioterapia, Ansiolíticos para pacientes com 
ansiedade pela dispneia (butorfanol, buprenorgina com acepromazina, morfina, 
hidrocodona), Pimobendan, Dobutramina em casos de IC (insuficiência cardíaca de baixo 
débito) – deve ter acompanhamento com eletrocardiograma. 
QUAL O TRATAMENTO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL NO ESTÁGIO C EM QUADRO 
CRÔNICO? 
- Utilizar diuréticos / hipertensivos (Furosemida, Espironolactona), Pimobendan 
(principal ação é de inodilatador - Um inodilatador é um fármaco que promove 
vasodilatação), Broncodilatadores (para casos de tosse sem tratamento) e Digxina (em 
casos de fibrilação atrial. 
QUAL O TRATAMENTO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL NO ESTÁGIO D? 
- Pacientes refratários ao tratamento padrão. Paciente que requerem doses mais altas 
de furosemida por 24h para manter o conforto, além de pimobendan (inodilatador), 
IECA (Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina) e espironolactona (diurético e 
hipertensivo). 
Um paciente refratário é aquele que não responde aos tratamentos indicados para a sua 
condição. 
QUAL O TRATAMENTO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL NO ESTÁGIO D AGUDOFu? 
- Hospitalização! Furosemina bolus (Infusão em bolus: o medicamento é aplicado 
diretamente na veia do paciente em um tempo menor ou igual a um minuto) ou em 
infusão contínua, oxigenoterapia, toraco ou abdominocentese, ventilação mecânica, 
Nitroprussiato de sódio (infusão contínua) >> vasodulatador e/ou Dobutamina >> 
suporte inotrópico, hidralazina ou anlodipino para redução de pós-carga, Pimobendan e 
IECA, Sildenafil (para pacientes com hipertensão pulmonar). 
QUAL O TRATAMENTO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL NO ESTÁGIO D CRÔNICO? 
- Diréticos (furosemina em doses mais elevadas), torasemida (em pacientes refratários a 
furosemida). 
- Pimobendan em doses elevadas. Hidralazina ou anlodipino (redução de pós carga) 
- IECA (Inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina) 
- Broncodilatadores (para coassosde tosse sem tratamento 
- Antitussígenos 
- Digoxina (em casos de fibrilação arterial) 
- Sildenafil (hipertensão pulmonar) 
EM QUE PERIODICIDADE DEVE SER FEITO O MONITORAMENTO DO PACIENTE COM 
ENDOCARDIOSE DE MITRAL EM CADA ESTÁGIO? 
- Estágio A: 1 vez ao ano 
- Estágio B1: 1 a 2 vezes no ano 
- Estágio B2: 3 a 4 veze ao ano (ou mais) 
- Estágios C e D: Depende da clínica do animal 
QUAL O PROGNÓSTICO PARA ENDOCARDIOSE DE MITRAL EM CADA ESTÁGIO? 
- Estágio A: Bom 
- Estágio B: Reservado 
- Estágio C e D: Ruim 
O QUE É A CARDIOMIOPATIA DILATADA? 
- A cardiomiopatia dilatada (CMD) é uma doença cardíaca crônica que afeta o músculo 
cardíaco de cães e, em menor escala, gatos. A CMD é caracterizada por um 
enfraquecimento do músculo cardíaco, que não se contrai corretamente, e por um 
aumento das câmaras do coração. 
QUAL A FISIOPATOGENIA DA CARDIOMIOPATIA DILATADA? 
- O músculo cardíaco fica enfraquecida e diminui a contratilidade, levando à dilatação 
das câmaras cardíacas e com isso insuficiência discreta a moderada de mitral e/ou 
tricúspide (sopro). Ocorre um aumento de frequência cardíaca compensatória, 
vasoconstrição periférica, levando a ICC (insuficiência cardíaca crônica), gerando edema 
pulmonar e ascite. 
QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DA CARDIOMIOPATIA DILATADA? 
- Arritmias, efusão pleural, diminuição do débito cardíaco, choque cardiogênico, 
insuficiência cardíaca crônica. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA CARDIOMIOPATIA DILATADA? 
- Dificuldade respiratória, desmaios, tosse, fraqueza, cansaço, falta de fôlego, acúmulo 
de líquido no abdômen, taquicardia, cianose, morte súbita. Os sinais clínicos podem 
variar dependendo se a insuficiência cardíaca está no lado direito, esquerdo ou em 
ambos os lados do coração. 
COMO É FEITO O DIANGÓSTICO DA CARDIOMIOPATIA DILATADA? 
- No exame físico, deve-se avaliar spro de baixo grau, crepitação pulmonar (edema), 
pulso fraco (indica redução do débito cardíaco), mucosas hipocoradas, hepatomegalia, 
ascite. 
Complementarmente, a radiografia pode mostrar cardiomegalia, edemas e efusões. 
Eletro e holter podem mostrar arritmia supraventricular atrial, arritmia ventricular, 
taquicardia ventricular. 
No ecodoppler, é possível visualizar as paredes ventriculares mais finais, pois ocorre a 
dilatação das câmaras. 
A cardiomiopatia dilatada é caracterizada pelo aumento das câmaras cardíacas e pela 
diminuição da espessura da parede cardíaca. O músculo do coração fica mais fino e 
enfraquece, contraindo-se com menos vigor do que o normal. 
QUAIS OS ANIMAIS MAIS AFETADOS PELA CARDIOMIOPATIA DILATADA? 
- Cães de médio e grande porte, raramente cães pequenos, gatos com deficiência de 
taurina, a etiologia pode ser primária ou pelo uso de quimioterápicos (doxorrubicina - é 
um medicamento de quimioterapia utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer). 
*** A deficiência de taurina pode levar ao desenvolvimento de cardiomiopatia dilatada 
(CMD) em gatos devido ao papel fundamental que a taurina desempenha na saúde do 
coração e em diversas funções metabólicas essenciais. 
Ela tem um papel importante na regulação do cálcio dentro das células do músculo 
cardíaco. O cálcio é fundamental para a contração muscular, e a taurina ajuda a regular 
os níveis de cálcio para garantir que as células cardíacas possam se contrair 
adequadamente. Sem taurina suficiente, a capacidade do coração de contrair e bombear 
o sangue pode ser comprometida, levando a uma dilatação do ventrículo esquerdo 
(uma característica da cardiomiopatia dilatada), o que resulta em uma redução da 
eficiência do bombeamento do coração e insuficiência cardíaca. 
 
 
O QUE É A CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- A CMH é caracterizada pelo aumento anormal da musculatura do ventrículo esquerdo 
do coração, o que compromete a função cardíaca e aumenta a pressão de enchimento 
ventricular. A hipertrofia ocorre de forma concêntrica, ou seja, para dentro do coração, 
diminuindo o espaço de passagem e bombeamento do sangue na câmara. 
QUAIS AS CAUSAS DA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- Genética em sua maioria. Prevalente em machos, de 6 meses a 16 anos. As raças mais 
predispostas são: Maine Coon, Persa, Ragdoll, Sphynx. 
Também pode ter causas secundárias, quando é causada por outras doenças, como 
hipertensão arterial sistêmica, hipertireoidismo ou doença renal crônica. 
QUAL A FISIOPATOGENIA DA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- Aumento na espessura da parede ventricular esquerda, levando a uma menor 
capacidade de contratilidade, o átrio se esforla mais, gerando uma hipertrofia atrial 
esquerda compensatória, aumentando a pressão do átrio esquerdo (AE) e causando 
regurgitação de mitral. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- Dispneia ao esforço, fadiga, palpitações, arritmias, síncope, tosse persiistente, perda de 
apetite, desmaios ou colapsos, paralisia súbita das patas traseiras, cianose (língua e 
extremidades roxas). 
QUAIS ANIMAIS SÃO MAIS AFETADOS PELA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- Afeta o músculo cardíaco de gatos e, em menor escala, de cães. A CMH é a doença 
cardíaca mais comum em gatos, representando mais de 50% das cardiomiopatias felinas. 
As raças felinas mais predispostas são: Maine Coon, Persa, Ragdoll, Sphynx. 
QUAISAS CONSEQUÊNCIAS DA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- Arritmias, ICC (insuficiência cardíaca crônica, edema pulmonar, efusão pleural, 
tromboembolismo). 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- A CMH pode ser diagnosticada por meio de anamnese, exame físico e exames 
complementares, como ecocardiografia, eletrocardiografia e radiografia. 
QUAL O TRATAMENTO DA CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA? 
- O tratamento de suporte pode ser feito com carnitina, taurina, mudança dietética e 
conzima Q10 (sem evidências científicas esse último). 
O tratamento mais específico é feito com drogas inotrópicas (aumentam a força de 
contração, como Pimobendan e dobutamina), diuréticos (Furosemina, Torasemida, 
Esporonolactona) e ICA (Enalapril, Benazepril).abrir a boca 
são mais sugestivos de envolvimento do ouvido médio. 
- Lesões do nervo facial (queda do lábio superior ou orelha – PTOSE- , sialorreia – saliva 
excessiva, redução ou ausência do reflexo palpebral). 
- A síndrome de Horner (miose, ptose, enofalmia e protusão de membrana nictitante) 
poderá estar presente. 
- Ceratite seca (redução da produção lacrimal e exsudtado muco-purulento, se os nervos 
parassimpáticos que inervam as glândulas forem lesionados). 
O que é a OTITE MÉDIA? 
- A otite média é uma complicação comum que pode ocorrer em 50 a 80% dos cães e 
gatos com otite externa crônica. A porção afetada na otite média corresponde às 
estruturas além da membrana do tímpano, o que inclui: cavidade timpânica, nervo 
timpânico (ramo do nervo facial), abertura para tuba auditiva e os ossículos auditivos 
martelo, bigorna e estribo. A inflamação e infecção destas estruturas causa desconforto, 
estresse e diversos sinais clínicos nos pets. É possível que esta doença esteja presente 
mesmo que o pet apresente um tímpano íntegro ao ser examinado por um Médico 
Veterinário, já que em alguns casos a membrana pode corrigir pequenas rupturas 
espontaneamente. A proximidade anatômica a importantes raízes nervosas pode 
determinar que ocorram sinais clínicos não só dermatológicos, mas também associados 
aos reflexos dos pets principalmente na região de olhos, boca e face de uma maneira 
geral. 
A otite média é considerada rara nos gatos, porém pode ocorrer secundariamente a 
pólipos inflamatórios, ferimentos graves em região de conduto auditivo e otite externa 
crônica ou recidivante. 
Quais são as CAUSAS DA OTITE MÉDIA? 
- Infecções bacterianas (Staphylococcus e Streptococcus spp.), embora possam também 
ser isolados no ouvido médio de cães saudáveis. 
- Outras bactérias (Pseudomonas sp, Proteus sp, Escherichia coli, Clostridium spp e 
Klebsiella) 
- Leveduras e fungos (Malassezia pachydermatis, Aspergillus spp. e Candida spp.) 
- Nos gatos danos causados ao tímpano por ácaros ou por crescimento de pólipos 
inflamatórios ou nasofaríngeros. 
Como é feito o DIAGNÓSTICO da OTITE MÉDIA? 
- Através da anamnese, exame físico, exame dermatológico. Exames epidemiológicos, 
citológicos, microbiológicos e exames de imagens, auxiliam no diagnóstico de otite 
média. 
A otite externa, comumente chamada também de “otite do nadador”, é a inflamação da 
pele da orelha externa, principalmente do meato acústico externo, popularmente 
chamado de canal do ouvido (espaço lateral à membrana timpânica). Já a otite média é 
a inflamação da orelha média (espaço “por trás” desta membrana). 
OTOSCOPIA e VÍDEO-OTOSCOPIA 
- A otoscopia em cães pode ser bastante difícil, sendo às vezes preciso sedação ou 
anestesia geral. Muitos pacientes com otite média possuem uma membrana timpânica 
ilesa, dando ao clínico uma impressão de que o ouvido médio está intacto. Existem otites 
crônicas que causam mudanças patológicas no canal auricular que causam estenose, 
tornando difícil a visualização da membrana timpânica. 
- No tratamento, observar a redução da inflamação e edema, e reexaminado em 7 a 14 
dias, no momento em que um exame otoscópico apropriado possa ser realizado. 
- Nos felinos a otoscopia é mais fácil pois o canal auricular é mais curto. 
- A otite frequentemente é sequela de doença respiratória, gerando espirros, descarga 
ocular e nasal. 
- Bactérias isoladas da bula timpânica de gatos com doença do ouvido médio são 
consistentes com achados de patógenos do trato respiratório. 
- Também pode ser causado por infecção viral do trato respiratório superior. 
- Na vídeo-otoscopia temos a visualização ampliada e detalhada do canal auditivo e do 
tímpano. O vídeo-otoscópio fornece uma excelente iluminação através de rendimento 
imagem ampliada no monitor é muito superior à obtida através do otoscópio portátil. 
Dá uma boa visualização da membrana timpânica. 
CITOLOGIA, CULTURA e ANTIBIOGRAMA 
- O exame citológico é obrigatório no momento do exame clínico de uma otite. 
- Presença de células – Raras leveduras campo em oléo de imersão e uma a quatro 
bactérias por campo, especialmente quando células inflamatórias também estão 
presentes, tem sido relatada como clinicamente significante. 
- A cultura e o antibiograma são úteis para identificar o agente etiológico e intituir 
antibioticoterapia apropriada. 
COLETA DA AMOSTRA 
- As amostras para citologia e cultura devem ser coletadas do canal horizontal externo, 
antes da limpeza. 
RADIOGRAFIA, TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA E RESSONÂNCIA MAGNÉTICA 
- Radiografia – Imagem da bula timpânica. Posições ventrodorsal, lateral oblíquia direita 
ou esuqeda e rostroventral ou caudo dorsal de boca aberta. 
- TC ou RM – Utilizadas para os estudos em cães normais e em cães com doença no 
ouvido médio. Fornecem cortes transversais, removendo problemas associados com a 
sobreposição do RX. 
- A tomografia é considerada superior à ressonância para mudanças ósseas. 
- A ressonância magnética é melhor para detecção de anormalidades do tecido liso em 
cães e gatos. 
LIMPEZA DO OUVIDO MÉDIO 
- O acesso ao ouvido médio permite a remoção do material infectado, inflamatório ou 
estranho, proporcionando ventilação e drenagem. 
- Esses objetivos são atingidos através de intervenção médica e/ou cirúrgicam 
dependendo da cronicidade e dos resultados das avaliações otoscópicas, radiográfica 
e/ou de tomografia. 
 
 
LAVAGEM OTOLÓGICA 
- Introdução ao otoscópio até o canal horizontal do ouvido, direciona-se um catéter 
acoplado a uma seringa contendo solução salina através do cone do otoscópio, para que 
o líquido possa infundir no ouvido até a completa eliminação dos exsudatos. 
- Se a membrana timpânica estiver rompida, o ouvido médio deverá ser, gentilmente, 
lavado com solução de salina morna. 
- O uso de vídeo-otoscópio melhora consideravelmente a visualização do conduto 
auditivo durante essa intervenção. 
TRATAMENTO ANTIMICROBIANO 
- Terapia tópica 
- A seleção do tratamento tópico e sistÊmico deve basear-se na cultura e no antibiograma 
- A citologia é ESSENCIAL. 
- A resistência antimicrobiana é um problema grave e pode ser necessário a utilização de 
antibioticos fora das suas indicações 
ANTIBIÓTICOS 
- Se não for possível obter uma cultura, a administração de antibióticos de largo espectro 
deve ser realizada. 
- Escolhas apropriadas incluem: cefalexina (22mg/kg VO a cada 12 horas), amoxicilina 
associada com clavulanato (13,75mg/kg VO a cada 12 horas) e trimetoprima-sulfa (15 a 
30mg/kg VO a cada 12 horas). Este último não deve ser utilizado se estiver presente 
ceratite seca ou se a produção lacrimal estiver diminuída. 
- As fluoroquinolonas são o tratamento de primeira escolha para otites causadas por 
Pseudomonas. 
- Enrofloxacino (5 a 20mg/kg VO a cada 24 horas) ou marbofloxacino (2,75 a 5,5mg/kg 
PO a cada 24 horas) pode ser apropriada. 
- Quando a membrana timpânica estiver rompida, agentes terapêuticos tópicos devem 
ser usados cuidadosamente (potencial ototóxico) que podem causar surdez aguda e 
sinais vestibulares. 
- Numerosas formulações tópicas estão disponíveis, tais como: sulfato de neomicina, 
sulfato de polimixina B e hidrocortisona; dexametanosa e sulfato de neomicina, no 
entanto essas medicações são todas classificadas para o uso em membrana timpânica 
intacta. 
- Agentes ototóxicos: aminoglicosídeos (gentamicina e neomicina), cloranfenicol, iodo, 
iodóforos e clorexidine. 
- Soluções oftálmicas como a tobramicina ou as soluções injetáveis, o enrofloxacino 
podem ser usadas topicamente, embora seu potencia ototóxico não esteja bem 
estabelecido. 
PACIENTES FELINOS 
- Os gatos são mais susceptíveis à ototoxidade e à síndrome de Horner devido às 
diferenças anatômicas da bula timpânica. Aresentam maiores reações alérgicas aos 
medicamentos tópicos. Medicações sistêmicas devem ser consideradas, mesmo se o 
ouvido médio não estiver envolvido quandoocorre presença de bactérias e leveduras. 
Otites causadas por leveduras, usar cetoconazol ou itraconazol (5mg/kg VO a cada 24 
horas). A administração de agentes antibióticos e/ou antifúngicos deve ser feita até a 
resolução clínica, citológica e de cultura. 
- Medicações tópicas alcançam concentrações 100 a 1000 vezes mais altas se 
comparadas com medicações sistêmicas, portanto, um antibiótico considerado 
resistente na cultura e teste de susceptibilidade pode ser eficaz se administrado 
topicamente. 
- O uso da medicação tópica deve ser o suficiente para preencher o canal auditivo. 
- Em animais com otite crônica é necessário a continuação do tratamento tópico e/ou 
sistêmico, por semanas ou por até alguns meses, para que se possa alcançar a completa 
resolução da infecção. 
TRATAMENTOS CIRÚRGICOS 
- A ablação (retirada) total do canal do ouvido e osteotomia lateral da bula devem ser 
consideradas em casos de mudanças secundárias graves no canal externo concomitante 
com otite média. 
- Pólipos, neoplasias ou corpos estranhos no ouvido médio ou a osteomielite da bula 
timpânica. 
MONITORAÇÃO DO PACIENTE 
- Deve ser feita reavaliação do quadro clínico, citologias, otoscopias e culturas. 
PROGNÓSTICO 
- Depende da cronicidade do caso. 
***** SIGNIFICADOS E OUTROS 
- HIFAS – Fungo antes de ser identificado. 
- MALASSEZIA – Fungo que tem formato de uma raquete de tênis. 
- NEUTRÓFILO – Parece um fone. 
- PTOSE - pálpebra caída 
- TESTE DE SCHIRMER – O Teste de Schirmer é um teste feito para avaliar se o olho produz 
uma quantidade suficiente de lágrima para manter-se lubrificado. A tira deve ser deixada 
no local citado durante um minuto, sendo removida em seguida, e efetua-se a leitura 
imediata do resultado, observando o nível máximo em que a tira ficou molhada pelo 
líquido lacrimal. 
- ABLAÇÃO - A técnica de ablação total do conduto auditivo (TECA) é um procedimento 
que permite a remoção do canal vertical e horizontal afetados pela otite crônica, além 
de permitir a presevação do ouvido em casos de neoplasia, como no caso apresentado, 
se tornando um tratamento eficiente nesse paciente. 
 
2. DOENÇAS ALÉRGICAS EM CÃES E GATOS 
 
- Em animais com dermatite atópica, o sistema imunológico reage de forma exagerada a 
substâncias comuns do ambiente, como ácaros, pólens e fungos. Isso leva à liberação de 
mediadores inflamatórios que causam inflamação e prurido na pele. 
- As rações hipoalergênicas possuem proteína hidrolisada, ou seja, a protéina é quebrada 
em partes muito menores, o que faz com que o alimento seja mais digestível para o 
animal. Além disso, nessa ração são usados menos corantes, aromatizantes e 
conservantes. Também são retirados ingredientes com potecial alergênico. 
O QUE É PRURIDO? 
- É uma coceira ou incômodo que se manifesta de muitas formas, como coceira, 
lambedura excessiva ou arrastar o ânus no chão. 
Os mediadores do prurido, mais conhecidos como agentes pró-inflamatórios, são: 
Citocinas, ecosanoides, histaminas, peptídeos, fator de atuação plaquetária, enzimas 
proteolíticas. Esses mediadores chegam ao córtex, gerando: coceira, lambedura, 
mordiscamento, arrastamento no chão. 
- Em DERMATOLOGIA, o PRURIDO é o sinal clínico mais comum. 
- Possíveis ectoparasitos: Pulgas, sarnas, carrapato, piolho. 
- Agentes infecciosos: Pioderma superficial, Malasseziose. 
- Alergias: Atopia, hipersensibilidade alimentar, DAPE (Dermatite Alérgica a Picada de 
Ectoparasitas). 
O QUE É DAPE? 
- Dermatite Alérgica a Picada de Ectoparasitas. 
- Gera hipersensibilidade na pele, sendo mais comuns em gatos e atingindo também 
cães, em menor número. A saliva da pulga gera uma dermatite alérgica no animal. Uma 
vez que o animal está com o sistema imunológico afetado, independe da quantidade de 
parasitos. Pode ser sazonal, pois depende da infestação do ambiente. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA DAPE? 
- Costuma ficar localizado na região lombo-sacral, perianal, face, membros posteriores 
(MP), abdômen. 
- Gera dermatite papulo-crostosa, hipotricose (pêlo ralinho), alopecia (regiões sem pêlo), 
hiperqueratose (excesso de queratina, pele grossa), hiperpigmentação (pele escurecida), 
descamação (casquinhas na pede) e escoriações. 
- Em gatos, pode gerar a dermatite miliar, que é um padrão clínico caracterizado por 
apresentar várias pápulas eritematosas com crostas aderentes castanhas ou negras, de 
tamanho variável devido a uma reação de hipersensibilidade. Situam-se geralmente na 
zona dorsal lumbosacra, na parte caudomedial das coxas e no pescoço, ainda podem 
aparecer de forma generalizada no animal. 
- Pode gerar alopecia auto-induzida, o animal arranca os próprios pêlos. 
COMO É O DIAGNÓSTICO DA DAPE? 
- É feita a anamnese, avaliando que tipo de vida o animal leva, a que partes da casa ele 
tem acesso, se o tutor faz uso de ectoparasitas, se o animal está exposto a alérgenos 
como produtos de limpeza ou medicações que podem gerar alergias. 
- É realizado o exame físico, avaliando o aspecto da lesão, sua localização, se existem 
picadas de pulga, fezes de pulga. Deve-se utilizar o pente de pulgas. 
COMO É O TRATAMENTO DA DAPE? 
- Deve-se eliminar o parasito do ambiente e do animal, bem como fazer o controle do 
ectoparasita. 
- Avaliar o controle de ectoparasitas com a resposta terapêutica do paciente. 
- Utilizar Anti-histamínicos, AGE (ômegas 3 e 6), corticoterapia. 
- Avaliar os sinais secundários -> desordem seborreica - as seborreias causam coceira, 
vermelhidão, mau cheiro e perda da camada mais externa da pele. 
- Com a cronicidade do processo e a memória imunológica, sinais mais severos são 
desencadeados com menos parasitos. 
COMO É A HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR? 
- Tem incidência baixa (1 a 20% dos casos) 
- Ag alimentares -> barreira defesa intestinal > IgE (A imunoglobulina E, também 
conhecida como IgE, é uma proteína encontrada no sangue em baixas concentrações. 
Quando há algum processo alérgico em nosso corpo, os níveis de IgE elevam e, 
consequentemente, conseguimos identificar sua presença e constatar se há um processo 
alérgico em curso). 
QUAIS PROTEÍNAS PODEM OCASIONAR A HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR? 
- NO CÃO: bovina, derivados de leite, frango, carneiro, trigo, soja, ovo, porco, 
conservantes. 
- NO GATO: peixe, derivados de leite, carne bovina, frango, conservantes. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR? 
- Podem acometer animais de qualquer idade. 
- Não tem relação com troca de dieta (o animal pode apresentar uma alergia que nunca 
teve) 
- Pouco responsivo a corticoides. 
- Sem predisposição racial. 
- Prurido localizado ou generalizado. 
- Otite externa. 
- Pioderma superficial, malassézia recorrente. 
- Lesões: Primárias e secundárias. 
DIAGNÓSTICO DA HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR? 
- Tentar a dieta hipoalergênica por 8 semanas, sem petiscos ou comidinhas extras. Se 
houver melhora dos sintomas, fazer o teste desafio, interrompendo à dieta e voltando à 
alimentação “normal”. Se os sintomas voltarem, confirma-se o diagnóstico de 7 a 10 dias. 
- Observar sinais secundários e a resposta a anti-histamínicos. 
COMO É A DERMATITE ATÓPICA? 
- Doença recidivante. Não tem cura, apenas controle. O Animal é sensível a uma enorme 
quantidade de coisas presentes no ambiente. 
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS ALÉRGENOS? 
- Agentes irritantes (odores fortes, produtos de limpeza). 
- Poeira domiciliar. 
- Pólen de plantas. 
- Fungos ambientes )Cladosporium, Aspergilus, Alternaria, Penicilium). 
- Ácaros (O PRINCIPAL AGENTE ETIOLÓGICO). 
 
*** O animal atópico é muito sensível a corticoides, pois estes afetam o sistema imune. 
Na atopia, existe uma forte predisposição racial e genética + envolvimento familiar 
(animal na cama, animal tomando banho, usando perfumes) 
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS RAÇAS? 
- Boxer, Bulldog, Dálmata, Labrador, Golden retriever, Lhasa Apso, Poodle, Setter 
Irlandês, Shar-pei, Shih-tzu, West Highland White Terrier.COMO OCORRE A ALTERAÇÃO DA BARREIRA CUTÂNEA? 
- Pele SECA (fundamental hidratar a pele do animal atópico) 
- Penetração de aeroalérgenos 
- Penetração de irritantes e de microrganismos (bactérias, leveduras). 
QUAIS SÃO OS SINAIS CLÍNCOS? 
- Idade? Os sintomas se manifestam de 6 meses a 3 anos de idade do animal. 
- Prurido (corticoterapia). 
- Eritema, pápulas (lesões primárias). 
- Pêlos avermelhados, escoriação, alopecia, hiperqueratose, hiperpigmentação. 
- Patas e lábios: Pavilhão auricular, axilas, virilha, abdômen. 
- Pioderma superficial 
- Malassezíase (Bulldog, Bassethound, Shar-pei, WHWT) - > Prurido e eritema. 
- Otite bilateral eritematosa. 
- Conjuntivite, rinite serosa bilateral. 
- Bronquite crônica. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO? 
- Anamnese + exame físico 
- Os critérios de diagnóstico para dermatite atópica segundo Favrot são: 
1) Aparecimento de sinais antes dos 3 anos de idade. 
2) “indoors” principalmente (criados dentro de casa). 
3) Prurido responsivo a glococorticoides. 
4) Prurido sem lesão. 
5) Patas afetadas. 
6) Pavilhão auricular afetado. 
7) Bordos do pavilhão auricular não afetados. 
8) Área dorso-lombar não afetada. 
COMO É FEITO O TRATAMENTO? 
- Utilizar terapia antimicrobiana em casos de: Piodermite, Malassezíase, Hidratantes, 
emolientes e humectantes (manter a pele hidratada), AGE (ômegas 3 e 6 a longo prazo), 
Aceponato Hidrocortizona (prurido localizado / terapia pró-ativa). 
- Terapia antinflamatórias e antialérgica. 
- Anti-histamínicos. 
- Corticoterapia. 
- Oclacitinib (oral). 
- Lokivetmab (injetável). 
- Ciclosporina. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
- PRURIDO não está relacionado somente a doença alérgica. 
- Controle das causas secundárias do prurido = 50% de melhora. 
- Diagnóstico de doenças alérgicas por exclusão. 
- Atopia -> tratamento multimodal. 
- Doença alérgica NÃO TEM CURA!!! -> APENAS CONTROLE DOS ALÉRGENOS. 
 
3. PATOLOGIAS DO SISTEMA DIGESTÓRIO DE CÃES E 
GATOS 
 
- Ao avaliar o sistema digestório, é preciso considerar: o exame funcional do sistema 
digestório e o exame dos órgãos em sequência lógica, visando explorar as principais 
afecções. 
O QUE COMPÕE O SISTEMA DIGESTÓRIO? 
- O sistema digestório é formado pela cavidade oral, faringe, esôfago, estômago, 
intestino e peritônio, fígado e pâncreas. 
COMO É A AVALIAÇÃO CLÍNICA? 
- Deve-se buscar entender se o animal tem apetite, sede, como está sua defecação, se 
consegue preender a comida, salivação e mastigação e se a deglutição está normal. 
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS AGENTES CAUSADOS DE DOENÇAS NESSE SISTEMA? 
- Vírus, bactérias e helmintos. 
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS CLÍNICOS? 
- Anorexia, disfagia, vômito (diferente de regurgitação), diarreias, distensão abdominal, 
dor abdominal e pélvica (abdomen agudo – o animal fica em posição antálgica). 
COMO FICA O ANIMAL COM ANOREXIA? 
- O animal fica com perda total ou parcial de apetite, magro e com inapetência. Pode 
ser por origem psicológica, fisiológica ou patológica. 
O QUE É DISFAGIA? 
- Disfagia é a dificuldade de engolir alimentos e líquidos, a percepção de “arranhar”, ou 
ficar “presa” a comida ou bebida na passagem da garganta, muito comum o indivíduo 
relatar que machucou a região ao deglutir — é um sintoma e não uma doença. 
QUAIS SÃO OS SINAIS DE DISFAGIA? 
- Estiramento do pescoço, esforços repetidos de deglutição, alimento caindo da boca. 
QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS CAUSAS? 
- Dor / obstrução – estomatites, glossites, faringites, gengivites, periodontites, abcesso, 
trauma(fraturas, laceração de tecidos moles), massa, tumor, granuloma eosinofílico, 
corpo estranho, doença neuromuscular, miosite temporomassetérica, raiva. 
O QUE É HALITOSE? 
- Halitose é o odor bucal anormal, podendo significar ou não uma mudança patológica. 
É um sinal indicativo de que alguma disfunção orgânica (que requer tratamento) ou 
fisiológica (que requer apenas orientação), esteja acontecendo. 
QUAIS AS POSSÍVEIS CAUSAS? 
- As causas podem ser bacterianas (retenção de alimento na boca, retenção de alimentos 
no esôfago, cálculo dentário e periodontites) ou alimentares (alimento necrótico ou 
odorífico, outras causas). 
O QUE É SIALORREIA? 
- Perda de saliva pela cavidade bucal. Incapacidade ou dor excessiva a deglutição. AS 
causas podem ser: náuseas, encefalopatia hep[atica, convulsão, produtos químicos (ex: 
organofosforados), hipertermia, hipersecreção da glândula salivar (não é muito comum). 
O QUE É PSEUDOPTIALISMO? 
- Ocorre quando o animal não consegue deglutir e há acúmulo de saliva na cavidade 
bucal. AS causas pode serm: Dor por estomatite ou glossite, disfagia oral ou feríngea, 
paralisia do nervo facial, incapacidade ou dor excessiva de deglutição. 
 
O QUE É REGURGITAÇÃO? 
- Expulsão de material – alimento, água, saliva (presente na boca, na faringe ou no 
esôfago). Os sinais são: ausência de ânsia, saída passiva do alimento, pH > 7. As causas 
mais comuns são: disfunção esofágica, obstrução, persistência de arco aórtico 
(megaesôfago secundário), corpo estranho, estenose, neoplasia, fraqueza esofágica. 
 
O QUE É ÊMESE (VÔMITO)? 
- É a expulsão de material do estômago ou do intestino. Os sinais são: presença de 
ânsia, náusea prodrômica, bile, ph (8). As causas mais comuns são: cinetose 
(enjôo por movimento), sustâncias emetogênicas, obstrução, inflamação, doenças de 
origem não gastrointestinal. Uremias, doenãs hepáticas, diabetes, piometra, 
hipertireoidismo felino, superalimentação, comportamento. 
O QUE É HEMATÊMESE? 
- É o vômito com sangue. Expulsão de sangue digerido (borra de café) ou sangue fresco 
– melena ou hematoquezia). Causas possíveis: Gastrite (aguda, crônica ou 
gastrointerite), doenças esofágicas ou orais, lesões no trato alimentar, latrogênica (A 
iatrogenia consiste em um estado de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas 
causados ou resultantes de um tratamento de saúde correto e realizado dentro do 
recomendável, que são previsíveis, esperados ou inesperados, controláveis ou não, e 
algumas vezes inevitáveis), Neoplasias, coagulopatias, corpo estranho. 
O QUE É DIARREIA? 
- É a presença excessiva de água nas fezes. Pode ser aguda ou crônica. 
O QUE É HEMATOQUEZIA? 
- É a presença de sangue fresco nas fezes. Indica que a lesão fica na parte mais baixa do 
sistema digestório, intestino grosso, coagulopatias, lesões do cólon distal, reto, região 
perineal. Os exames para avaliar são exame digital do reto, colonoscopia e biópsia. 
O QUE É MELENA? 
- É o sangue digerido nas fezes, marrom escuro como borra de café. Pode indicar lesão 
no trato alimentar superior ou ingestão de sangue ou úlceras. Os exames para avaliar 
são: ultrassonogragia e endoscopia. 
O QUE É TENESMO? 
- É a sensação de defecação incompleta ou ainda a vontade permanente de evacuar. Não 
deve ser confundido com a diarreia, já que o tenesmo é uma impressão insistente de 
que ainda há fezes no reto que precisam ser expelidas, podendo vir acompanhado de 
dores abdominais, cólicas e dor retal. O animal fica com disquezia (eliminação dolorosa 
ou difícil das fezes do reto). Pode ser causado por processos obstrutivos ou inflamatórios 
da porção distal, colite, constipação, hérnia perineal, doenãs prostáticas. Pode ser feita 
a palpação retal para avaliar. 
- Pode ser realizada biópsiam citologia e até cirurgia. 
O QUE É CONSTIPAÇÃO? 
- É a eliminação difícil das fezes. As causas podem ser diversas, é preciso investigar o 
histórico do animal para entender (iatrogênicos, dietéticos, ambientais ou 
comprtamentais). Pode ser feito exame físico, exame das fezes, radiografia, colonoscopia 
e ultrassonografia. 
O QUE É EFUSÃO ABDOMINAL? 
- A efusão abdominal pode ser denominada de ascite, sendo o acúmulo de fluido seroso 
ou serosanguinolento no espaço peritoneal. A ascite é sempre um sinal de doença, pode 
ser causada por diversos processos patológicos inflamatórios, infecciosos, metabólicos, 
degenerativose neoplásicos 
O QUE É INCONTINÊNCIA FECAL? 
- É a perda do controle da evacuação. AS causas podem ser doenças neuromusculares 
ou obstrução parcial do reto. 
O QUE É ABDOMEN AGUDO? 
- São distúrbios abdominais diversos que produzem choque, sepse ou dor grave. 
O animal sente dor abdominal, e tem distensão ou aumento do volume abdominal. 
4. TESTES DIAGNÓSTICOS 
 
QUAIS TESTES PODEM SER FEITOS NA AVALIAÇÃO LABORATORIAL? 
- Hemograma completo, bioquímica, concentração sérica de vitaminas (sangue), 
coragulação, urina, exame fechal, citologia fecal, cultura bacteriana das fezes, análise de 
fluido abdominal/peritonial e biópsia. 
QUAIS TESTES PODEM SER FEITOS EM RELAÇÃO A EXAMES DE IMAGEM? 
- Radiografia, ultrassonografia e endoscopia. 
 
 
 
 
 
5. DISTÚRBIOS DA CAVIDADE BUCAL, FARINGE E ESÔFAGO 
 
QUAIS SÃO AS DOENÇAS RELACIONADAS À OROFARINGE? 
- Sialocele ou mucocele, neoplasia da cavidade bucal em cães, neoplasia da cavidade 
bucal de gatos, granuloma eosinofílico felino, gengivite, periodontite, estomatite, 
gengivite e faringite linfocítica (plasmocitária felina). 
O QUE É SIALOCELE (OU MUCOCELE SALIVAR)? 
- Sialocele é uma condição que ocorre quando a saliva se acumula em um espaço 
anormal no tecido subcutâneo, geralmente devido a uma lesão ou obstrução nas 
glândulas salivares. A causa pode ser traumática ou idiopátia. A característica dessa 
patologia pode ser edema volumoso e em geral indolor, sob a mandíbula, língua ou 
faringe. Os sinais clínicos são: disfagia, náusea e/ou dispnéia. O diagnóstico é feito por 
aspiração ou raio X (com contraste). O tratamento é a drenagem da massa ou retirada 
da glândula salivar. 
O QUE GENGIVITE? 
- A gengivite em cães é uma inflamação da mucosa oral, lingual ou da zona orofaríngea. A 
principal causa é o acúmulo de placa bacteriana nos dentes (proliferação bacteriana). 
Caracteriza-se por disfagia, sialorréia e perda dos dentes, podendo ser em muitos casos 
assintomático. O diagnóstico é clínico, observando a hiperemia ao redor das margens 
dos dentes. O tratamento é cirúrgico e terapêutico, com antibioticoterapia: espiramicina 
+ metronidazol. 
O QUE PERIODONTITE? 
- A doença periodontal em cães e gatos é uma afecção crônica causada pelo acúmulo de 
placa bacteriana. Mais frequente em adultos. O pH elevado da saliva do cão previne a 
formação de cáries, porém, favorece a precipitação de fosfatos de cálcio, levando à 
formação de cálculos. (pH do cão = 9,0). Os fatores predisponentes para a periodontite 
são: gengivites, abcessos, neoplasias. Pode ser discreta, moderada e acentuada. Os 
sinais clínicos são: halitose, anorexia por dificuldade de mastigação, ptialismo (secreção 
abundante de saliva) ou sialorreia, formação de placas e cálculos, mobilidade dentária. 
A prevenção é a escovação semanal, o manejo alimentar, antibioticoterapia (após a 
tartarectomia), tartarectomia anual (animal que não escova frequentemente), dietas 
especiais (ainda não existe no Brasil, sim na Europa!) 
O QUE ESTOMATITE? 
- Inflamações da cavidade oral, que raramente indicam desordem de causa específica. É 
Comum gerar úlceras ou erosões na cavidade oral. O clínico deve sempre considerar uma 
imunossupressão. As causas pode ser: evolução de uma periodontite grave, doenças 
virais, bacterianas e micóticas (FIV e FELV deixam o animal imunossuprimido 
favorecendo essas infecções), ingestão de corpo estranho, traumatismo, intoxicação por 
pesticidas e ácidos, e uremia por insuficiência renal. Os sinais clínicos são aliva grossa 
em fios, halitose, anorexia causada por dor. O diagnóstico é feito por exame físico e 
biópsia. O tratamento pode ser feito com periogard. O tratamento é feito primeiro 
identificando a causa primária e tratando os sintomas. Deve-se realizar a limpeza da 
cavidade bucal (mucosa oral e língua) e fazer uso de substâncias antissépticas como 
clorexidina diluída. O medicamentos usados são antimicóticos e antibióticos tópicos ou 
na forma de spray. 
O QUE DISFAGIA? 
- A disfagia é a dificuldade de engolir alimentos ou líquidos, e é um sintoma de alguma 
condição clínica, não uma doença. Ela ocorre quando o transporte de alimentos e 
líquidos da garganta para o estômago é impedido. 
O QUE É A MIOSITE ATRÓFICA DOS MÚSCULOS MASTIGATÓRIOS? 
- A miosite atrófica dos músculos mastigatórios é uma doença inflamatória autoimune 
que afeta os músculos responsáveis pela mastigação em cães. É uma síndrome idiopática 
imunomediada. Os sinais clínicos agudos são: masseter e temporal podem estar 
aumentados de volume e doloridos. Pode ocorrer atrofia do músculo com dificuldade de 
abrir a boca. O diagnóstico é feito observando a atrofia muscular e a incapacidade do 
animal de abrir a boca mesmo anestesiada. O tratamento é feito com prednisolona e 
azatioprina. Após o controle deve-se reduzir a dose gradativamente para evitar recidivas. 
O QUE MEGAESÔFAGO? 
- Megaesôfago, também conhecido como acalásia, é uma condição que se caracteriza 
pela dilatação do esôfago, o órgão que transporta o alimento para o estômago. Ocorre 
devido a uma disfunção na inervação do esôfago, que enfraquece a musculatura e 
compromete a função do órgão. Pode ser de moderada a grave e a peristalse é 
ineficiente. Os principais sinais clínicos do megaesôfago são: desconforto ao engolir, 
retenção de alimentos e saliva no esôfago, perda de peso, carência de nutrientes. Pode 
ter diversas causas. Pode ser idiopático adquirido (causas desconhecidas, em cães de 7 
a 15 anos), secundário adquirido (gera miastenia grave), por disfunção do motor 
primário do esôfago com ou sem disfunção secundária do esfíncter gástrico. Possui alta 
incidência em cães da raça pastor alemão, setter, SRD e gatos siameses. 
*** Miastenia: A miastenia gravis é uma doença neuromuscular que afeta a 
comunicação entre o sistema nervoso e os músculos dos cães, causando fraqueza 
muscular e fadiga. É uma das doenças mais comuns da junção neuromuscular em cães e 
gatos. 
O QUE PODE CAUSAR MEGAESÔFAGO SECUNDÁRIO? 
- Doenças no SNC e músculos esqueléticos (como cinomose e toxoplasmose), miopatias 
e neuropatias, miastenias, hipotireoidismo, esofagites. 
 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO MEGAESÔFAGO? 
- É feito avaliando os sinais clínicos juntos a exames radiológicos (simples e contraste). 
Observar se o esôfago está dilatado, deslocamento ventral da traqueia, esôfago caudal 
torácico em forma de “V”, e endoscopia. 
COMO É FEITO O TRATAMENTO DO MEGAESÔFAGO? 
- Deve-se controlar a dieta, condicionando o alimento de forma que o animal fique com 
os membros anteriores elevados, fazer uso de omeprazol, prednisona, no caso de 
hipotireoidismo utilizar Levotiroxina. Em muitos casos o tratamento é cirúrgico. 
O QUE É PAPILOMATOSE? 
- A papilomatose é uma doença viral infectocontagiosa que causa tumores epiteliais 
benignos, conhecidos como papilomas ou verrugas, em animais. Pode ocorrer em várias 
espécies, incluindo cães, bovinos e humanos. 
O QUE É CARCINOMA EPIDERMÓIDE / MELANOMA? 
- Carcinoma epidermóide e melanoma são tumores que podem afetar animais, e são 
causados por proliferação irregular de células anormais. 
O CARCINOMA EPIDERMÓIDE é também conhecido como carcinoma de células 
escamosas (CCE), é um tumor maligno que se origina de células da pele. É um dos 
tumores de pele mais comuns em cães e gatos, principalmente nos brancos. O CCE é 
frequentemente diagnosticado em países tropicais, como o Brasil, devido à exposição 
crônica à radiação ultravioleta. O tratamento de escolha é a cirurgia para remover os 
tecidos afetados. 
O MELANOMA é um tumor de origem neuroectodérmica, formado por melanócitos, as 
células que produzem melanina, a substância que dá cor à pele. O melanoma é um tumor 
altamente maligno, com grande capacidade de gerar metástases. As causas do 
melanoma em animais podem ser queimaduras, exposição a produtos químicos ou 
infecções. 
O QUE É ESOFAGITE? 
- A esofagite é uma inflamação doesôfago, um órgão do sistema digestório que 
transporta os alimentos da boca ao estômago. Pode ocorrer em animais de qualquer 
idade, raça ou sexo. É resultado de um dano substancial, químico ou físico, à mucosa 
esofágica (refluxo gastroesofágico, ingestão de corpo estranho, vômito persistente e 
contato com substâncias corrosivas). Quando a lesão se estende até as camadas 
submucosa e muscular, ocorre a formação de uma cicatriz circular que compromete o 
lúmen esofágico levando à estenose. O processo inflamatório pode ser agudo ou crônico. 
Os sinais clínicos são regurgitação (minutos ou horas após beber água), distensão do 
pescoço, salivação, recusa de alimento, tosse. 
 
O QUE É ESTENOSE ESOFÁGICA? 
- A estenose esofágica é uma condição que consiste no estreitamento do esôfago, o tubo 
muscular que liga a boca ao estômago. A finalidade do tratamento da estenose é 
resolver a regurgitação e manter a nutrição e hidratação adequadas por via oral. A 
dilatação esofágica por balão deve ser realizada se a regurgitação persistir após o manejo 
clínico. 
Estenoses nãp responsivas à dilatação associada ao uso de corticóides locais, deve-se 
tentar o tratamento cirúrgico ou uso de próteses, apesar do alto índice de complicação. 
O diagnóstico é feito por raio X, endoscopia e biópsia. O tratamento depende da causa. 
O tratamento terapêutico pode ser feito com sucralfato, ciemtidina, omeprazol e 
antibiótico. 
O QUE É OBSTRUÇÃO ESOFÁGICA? 
- É o impedimento total ou parcial da passagem do alimento no trato esofágico. A 
obstrução pode ser mecânica, ou seja, ocorre por dano esofágico (esofagite). Para avaliar 
o animal, é preciso fazer uma boa anamnese entendendo o histórico desse animal e 
verificar se a obstrução é parcial ou total. As causas podem ser anomalias de anel 
vascular, corpo estranho, cicatriz esofágica, neoplasias. Sâo localizadas mais comumente 
na entrada do tórax, na base do coração ou na região cranial do diafragma. Os sinais 
clínicos são anorexia brusca, perda de peso, inquietação, angústia, regurgitação, tosse, 
sialorréia, traqueíte e/ou pneumonia pro aspiração, impossibilidade de passagem da 
sonda esofágica, febre, efusão pleural, disfagia e ânsia de vômito. O diagnóstico pode 
ser feito associando sinais clínicos com exames complementares (raio X, esofagograma, 
endoscopia, esofagoscopia). O tratamento é suspender imediatamente a alimentação, 
fazer a sedação e passar a sonda esofágica e realização da cirurgia para desobstrução 
(esofagostomia). 
O QUE É A OBSTRUÇÃO POR CORPO ESTRANHO? 
- É a obstrução total ou parcial por ingestão de corpos estranhos, que podem ser: ossos, 
brinquedos, madeiras, cordas, anzóis, jóias, agulhas. Os sinais clínicos são: estiramento 
de pescoço, regurgitação (sólido, líquido), aumento da salivação, repetidas tentativas de 
engolir a seco. As complicações podem ser perfuração do esôfago e pleurites. O 
diagnóstico baseaia-se no histórico e raios X, eventualmente endoscopia. O tratamento 
pode ser cirúrgico ou se possúvel remover com pinças ou endoscopia. 
QUAIS AS NEOPLASIAS MAIS COMUNS NO ESÔFAGO? 
- Osteossarcomas, fibrossarcomas, spirocerca lupi, carcinoma de células escamosas. Os 
sinais clinicos são: regurgitação, disfagia, odinofagia (dor ao engolir), perda de peso. O 
diagnóstico é feito por radiografias, endoscopia e biópsia. O tratamento é quimioterapia, 
radioterapia, ressecção cirúrgica ou medicamentoso. 
 
QUAIS OS DISTÚRBIOS MAIS COMUNS DO ESTÔMAGO? 
- Gastrite crônica, úlcera gástrica, doenças relacionadas à Heliobacter, obstrução do fluxo 
gástrico (estase gástrica), gastroenterite hemorrágica, dilatação volvulo-gástrico. 
O QUE É GASTRITE CRÔNICA? 
- A gastrite nada mais é do que uma inflamação na camada da parede do estômago 
(mucosa gástrica). Pode ser causada por uma alteração no próprio estômago, sendo 
chamada de gastrite primária em cães, ou ser secundária a outra doença ou alteração. É 
uma doença que se caracteriza por episódios de vômito intermitentes ou persistentes, 
que não podem ser atribuídos a outras causas. A gastrite crônica pode ser causada por 
heliobácter pylori (H-pilory), úlcera, neoplasias. O diagnóstico é feito por endoscopia e 
biópsia e exames laboratoriais (fezes, avaliação do muco). Os sinais clínicos são perda de 
peso, apatia, êmese esporádica, anorexia, dor abdominal, desidratação. O 
O QUE É A ÚLCERA GÁSTRICA? 
- São defeitos que penetram profundamente na camada muscular da mucosa. Os sinais 
clínicos são vômito agudo ou crônico, hematemese (sangue no vômito), anorexia, dor 
abdominal, melena (sangue digerido), perfuração , febre, peritonite/morte. 
O QUE SÃO DOENÇAS ASSOCIADAS A HELIOBACTER? 
- As doenças associadas a Helicobacter referem-se a uma série de condições médicas 
causadas pela bactéria Helicobacter pylori, uma bactéria gram-negativa, espiralada, que 
é comumente encontrada no trato gastrointestinal, especialmente no estômago. Essa 
bactéria é conhecida por colonizar a mucosa gástrica e está associada a uma variedade 
de doenças digestivas. 
O QUE É OBSTRUÇÃO DO FLUXO GÁSTRICO? 
- A obstrução do fluxo gástrico refere-se à interrupção ou bloqueio do movimento 
normal do conteúdo do estômago para o duodeno (primeira parte do intestino delgado). 
Esse bloqueio pode ocorrer em diferentes níveis do sistema digestivo e pode ter várias 
causas, afetando a função digestiva do animal e levando a uma série de sintomas clínicos. 
A obstrução gástrica pode ser parcial ou total, dependendo da gravidade do bloqueio. 
O QUE É ESTASE GÁSTRICA? 
- A estase gástrica é uma condição caracterizada pela diminuição ou falha na motilidade 
do estômago, resultando na retenção prolongada do conteúdo gástrico. Isso significa que 
o alimento e os líquidos permanecem no estômago por mais tempo do que o normal, o 
que pode afetar a digestão e a absorção de nutrientes. A estase gástrica pode ser uma 
condição temporária ou crônica e pode ter várias causas subjacentes, que vão desde 
problemas funcionais no estômago até distúrbios metabólicos ou neurológicos. 
 
 
O QUE É A GASTROENTERITE HEMORRÁGICA? 
- A gastroenterite hemorrágica é uma condição caracterizada pela inflamação e 
sangramento do estômago e intestinos (principalmente intestino delgado e grosso). Esse 
distúrbio pode causar sintomas graves, como diarreia com sangue, vômitos, dor 
abdominal e desidratação. É uma doença que pode afetar tanto animais quanto 
humanos, sendo mais comum em cães e gatos, mas também podendo ocorrer em outros 
animais. 
O QUE DILATAÇÃO DO VOLVULO GÁSTRICO? 
- A dilatação do vólvulo gástrico, também conhecida como torsão gástrica ou vólvulo 
gástrico, é uma emergência médica grave que afeta principalmente cães de grande 
porte, especialmente aqueles com peito profundo. A condição envolve o estômago 
torcendo sobre seu eixo longitudinal, o que resulta na obstrução do fluxo de alimentos, 
gases e líquidos, além de comprometer o fornecimento de sangue para o estômago e 
outros órgãos. Isso leva a uma série de complicações sérias e pode ser fatal se não for 
tratada imediatamente. 
6. DIABETES 
A diabetes em animais é uma doença endocrinológica que se caracteriza por 
hiperglicemia e que pode ser fatal se não for tratada corretamente. Ela é causada por 
alterações no pâncreas e pode ser predisposta por vários fatores, como: excesso de peso, 
dieta inadequada, anomalias hormonais, predisposição genética, stress, alguns 
medicamentos. 
Os sintomas mais frequentes num animal com diabetes são perda de peso, aumento da 
ingestão de água, aumento do apetite, e aumento da frequência urinária. Por vezes 
surgem complicações como o aparecimento de cataratas, pancreatite, infecções, etc. 
Estes riscos estão diminuídos se a doença for bem controlada. 
O QUE É RESISTÊNCIA INSULÍNICA? 
- A resistência insulínica é uma condição que ocorre quando as células do fígado, 
músculos e gordura não absorvem a glicose do sangue de forma adequada.Ela pode ser 
causada por diversos fatores, como a genética e hábitos de vida, como a obesidade e o 
sedentarismo. Algumas raças tem predisposição genética (samoieda, york, terriers, 
poodle, tendência familiar). Pode ocorrer exaustão pancreática por resistência insulínica. 
QUAIS AS PRINCIPAIS CAUSAS DE RESISTÊNCIA INSULÍNICA EM ANIMAIS? 
- Diestro em cadelas (aumento do GH), HAC (hiperadrenocorticismo – tumores na 
glândula hipofisária ou adrenal) → aumento do cortisol x insulina, obesidade, destruição 
do tecido pancreático (pancreatite), ou drogas (corticóides, progestágenos). 
** Diestro é uma fase do ciclo estral de alguns animais, que ocorre após o estro e é 
caracterizada por um período de quiescência sexual. Durante o diestro, o corpo lúteo 
secreta progesterona, que pode variar de acordo com o animal. 
*** Estro é o período em que uma fêmea animal aceita a monta por outro animal, seja 
ele do sexo oposto ou do mesmo sexo. Também é conhecido como cio ou calores. 
QUAIS AS PRINCIPAIS CAUSAS DE DIABETES MELLITUS? 
- Genética, infecção pacreática (pancreatite), doenças endócrinas 
(hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo, hipertireoidismo, acromegalia secundária a 
P4 (doença rara e crônica que se caracteriza pela produção excessiva do hormônio do 
crescimento (GH) e da proteína IGF-1), drogas (corticóides, progestágenos), doença 
renal, doença cardíaca, hiperlipedemia, amiloidose das ilhotas pancreáticas (gatos) -> 
acúmulo de proteínas (amilina) x produção de insulina, obesidade. 
QUAIS SÃO OS TIPOS DE DIABETES? 
- Diabetes Tipo I – Dependente de insulina (destruição de células B), 90% de cães e 50% 
a 70% em gatos. O sistema imunológico ataca e destrói as células beta no pâncreas, 
responsáveis pela produção de insulina. Sem insulina suficiente, o corpo não consegue 
regular adequadamente os níveis de glicose no sangue. 
- Diabetes Tipo II – Não dependente de insulina (somente gatos) – obesidade, 90% 
humanos. Secundária: quando não revertida, evolui para o tipo I. Nesse tipo, o corpo se 
torna resistente à insulina ou as células do pâncreas não produzem insulina suficiente 
para manter os níveis normais de glicose. Muitas vezes, a resistência à insulina está 
relacionada ao excesso de peso, sedentarismo e outros fatores de risco. 
QUAIS SÃO OS CÃES MAIS ATINGIDOS PELA DIABETES? 
- Atinge em sua maioria cães de entre 4 a 14 anos, mais comum de 7 a 9 anos (idade 
adulta), maioria fêmeas, cães da raça daschund, shnauzer, beagle, labrador, golden, 
rotweiler. 
QUAIS SÃO OS GATOS MAIS ATINGIDOS PELA DIABETES? 
- Atinge gatos com menos de 6 anos, sem predileção racial, em sua maioria machos. 
COMO É A PATOGENIA DA DIABETES MELLITUS (DM)? 
- O animal com deficiência de insulina não consegue regular os níveis de açúcar no 
sangue → ocorre um acúmulo de glicose no sangue, deixando o animal hiperglicêmico e 
buscando energia nos músculos e tecido adiposo → consequente perda de peso e 
polifagia (o animal sente fome excessiva). Ao mesmo tempo, o excesso de glicose 
sobrecarrega os rins, gerando glicosúria (glicose na urina) e poliúria (urina em excesso) 
→ o animal fica desidratado e sente mais sede (polidipsia). 
QUAIS SÃO OS 4 P’S DA DIABETES MELLITUS (DM)? 
• Poliúria, ou seja, aumento do volume urinário; 
• Polifagia, ou seja, aumento da fome; 
• Polidipsia, ou seja, aumento da sede; 
• Perda de peso involuntária. 
QUE OUTROS SINAIS O ANIMAL PODE APRESENTAR NA DIABETES MELLITUS (DM)? 
- Neuropatia diabética: é uma complicação da diabetes que afeta os nervos periféricos, 
principalmente nas extremidades, como mãos e pés. Ela é causada pelo aumento 
prolongado dos níveis de glicose no sangue, que danifica os nervos (gera inflamação na 
bainha de mielina dos nervos)ao longo do tempo. Muito comum em gatos. Causa 
fraqueza dos membros pélvicos (MP), dificuldade de saltar e plantigrandismo (o animal 
apoia os metacarpos no chão). 
- Outros sinais: o animal pode ficar desidratado, perder peso, apresentar poliúria, 
polifagia e polidipsia, fraqueza, catarata, estar susceptível a infecções. 
QUAIS ALTERAÇÕES LABORATORIAIS PODE SER VISUALIZADAS NA DIABETES MELLITUS 
(DM)? 
- Glicemia em jejum > 200ng/dl, no EAS densidade > 1035, piúria, bacteriúria, hematúria, 
cetonúria. Em gatos, avaliar a frutosamina (mostra a glicemia de 1 a 2 semanas). 
OBS: GLICEMIA 120 A 180ng/dl SEM GLICOSÚRIA NÃO É DM!!! 
- Também pode haver anemia NN (anemia normocítica normocrômica) por doença renal 
crônica, leucograma de estresse (mesmo sem hiperadrenocorticismo). Na bioquímica, 
avaliar ALT, colesterol, triglicerídeos e fosfatase alcalina (FAL). 
COMO PODE SER FECHADO O DIAGNÓSTICO DA DIABETES MELLITUS (DM)? 
- Avaliando em conjunto os sinais clínicos + hiperglicemia (>200ng/dl) + glicosúria. 
*** Se houver hiperglicemia sem glicosúria, é necessária reavaliar esse paciente, pois 
existe o risco de diabetes mellitus. A hiperglicemia também pode ser causada por: 
estresse em gatos, corticoterapia, hiperadrenocorticismo, obesidade, estágio inicial da 
DM. 
QUAL O TRATAMENTO PARA DIABETES MELLITUS (DM)? 
- Reposição de insulina, alteração na dieta, exercícios físicos e monitoramento constante. 
COMO É FEITO O MONITORAMENTO DO PACIENTE DIABÉTICO? 
- Pode ocorrer hipoglicemia, pois é uma complicação constante da insulinoterapia. Uma 
dose elevada de insulina ou sobreposição de dose (esqueceu e deu 2 vezes), pode levar 
a hipoglicemia, níveis muito baixos de glicose no sangue. O animal fica sem energia, 
letárgico, inapetente, fraco, atáxico, ter convulsões e entrar em coma. Oferecer xarope 
de glicose (xarope de dextrose). 
QUAL O OBJETIVO DO TRATAMENTO DO PACIENTE DIABÉTICO? 
- O objetivo é manter a ausência dos 4Ps SEM hipoglicemia. Realizar a alimentação 
adequada + aplicação da insulina. No primeiro dia, deve-se ter cuidado com a 
hipoglicemia. Ajuste na dose a cada 14 dias. 
COMO É A DIETA DO PACIENTE DIABÉTICO? 
- As calorias diárias devem ser calculadas de acordo com a necessidade, fazendo controle 
de peso 2x por mês, controlando a perda de peso (gatos 0,5 a 2% / cães 1 a 2% por 
semana). Em gatos, a dieta deve ser rica em proteína e preferencial dietas úmidas. Em 
cães, a dieta deve ser rica em fibra (usadas para perda e manutenção de peso). Em cães 
abaixo do peso, dieta sem fibra. 
COMO OS EXERCÍCIOS AJUDAM O PACIENTE DIABÉTICO? 
- Exercícios regulares levam a perda de peso, diminuindo a resistência insulínica. 
QUAL O PROGNÓSTICO PARA O PACIENTE DIABÉTICO? 
- Com a doença controlada, o tempo de sobrevida após o diagnóstico é de 5 anos. 
 
7. DOENÇAS DO TRATO URINÁRIO 
 
QUAIS AS DOENÇAS MAIS COMUNS NO TRATO URINÁRIO INFERIOR? 
- Infecções, urolitíases, cistite idiopática felina, neoplasias, incontinência, defeitos 
congênitos. 
O QUE SÃO ALTERAÇÕES PRÉ-RENAIS? 
- Alterações pré-renais são alterações na função renal que ocorrem quando a perfusão 
renal (circulação do sangue até os rins) é reduzida, ou seja, quando há diminuição do 
volume circulante no organismo. Ex: hipovolemia, sepse, hipotensão, insuficiência 
cardíaca, trauma, uso de AINES, uso de IECA (inibidores da enzima conversora de 
angiotensina) – classe de medicamentos usados principalmente para o tratamento de 
hipertensão e insuficiência cardíaca. 
O QUE SÃO ALTERAÇÕES RENAIS? 
- Mudanças morfológicas na vasculatura renal, gromérulos, túbulos ou interstício. Ex: 
pielonefrite, PIF, sepse, leptospirose, cinomose, gromerulonefrite, pancreatite aguda, 
intoxicações, evolução da alteração pré-renal. 
O QUE SÃO ALTERAÇÕES PÓS-RENAIS? 
- Alterações no fluxo da urina. Pode ocorrer vazamento da urina para o abdomen, 
obstrução uretral, obstrução ureteral (uni ou bilateral). A doença renal pode evoluir para 
intrínseca se não tratada. 
OBS: 20 a 25% DO DÉBITO CARDÍACO VAI PARA OS RINS!!! 
OBS2: ESTRUTURAS CORTICAIS E ISQUEMIA (TÚBULO PROXIMAL CONTORCIDO, ALÇA DE 
HENLE) SÃO SUSCEPTÍVEIS A LESÃO TÓXICA DEVIDO À SUA ALTA TAXA METABÓLICA ERECEBIMENTO DE 90% DA CIRCULAÇÃO RENAL. 
OBS3: ALTERAÇÃO HEMODINÂMICA = ↓ Taxa de filtração gromerular (TFG)→ Vaso 
constrição renal → Hipotensão → Perda de auto regulação. 
OBS4: Sepse → ↓ Pressão capilar gromerular → cascata inflamatória → obstrução 
tubular renal → disfunção endotelial → Alteração hemostática → Apoptose. 
COMO É O DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS RENAIS? 
- Hemograma - leucograma de estresse (leucocitose, neutrofilia, eosinopenia, linfopenia, 
monocitose), anemia. 
- Bioquímica – Azotemia de gravidade variada, hiperfosfatemia, hipo ou hipercalcemia. 
A CREATININA SÉRICA É IMPORTANTE PARA DIAGNÓSTICO RENAL? 
- Sim, mas o valor de creatinina só sofre alterações quando há perda de função renal de 
mais de 75% e não deve ser avaliada em um único exame, mas em exames seriados. 
O QUE É A TABELA IRIS? 
- A Tabela IRIS (Indicadores de Risco para a Insuficiência Renal Aguda e Crônica) é uma 
ferramenta desenvolvida para ajudar na avaliação do risco de desenvolvimento de 
doença renal em pacientes. Ela é especialmente usada para a triagem e o 
acompanhamento de pacientes com condições que podem afetar os rins, como 
diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas. 
QUAIS SÃO OS ESTÁGIOS DA DOENÇA RENAL NA TABELA IRIS? 
- Estágio 1: Creatinina 0,3mg/dL 
de creatinina em 48; 
- Estágio 2: Creatinina 1,6-2,6mg/dL 
- Estágio 3: Creatinina 2,6-5mg/dL 
- Estágio 4: Creatinina 5-10 mg/dL 
- Estágio 5: Creatinina > 10mg/dL 
COMO PODE SER FEITO O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA RENAL? 
- SDMA (Ensaio de Dimetilarginina Simétrica): Marcador precoce de doença renal e 
mostra de 25 a 30% de comprometimento renal. Aumento maior em doenças 
inflamatórias e lesões tubulares. 
- Cultura e antibiograma: Deve ser feita em pacientes com LRA (lesão renal aguda) de 
origem desconhecida. 
- Citologia / histopatologia: Para pesquisa de doenças de base, como amiloidose, 
linfoma, intoxicação por etilenoglicol, leptospirose. Pode ocorrer sangramento e 
agravamento da lesão renal. 
- Ultrassonografia: Alterações na ecogenicidade renal, dilatação pélvica, dilatação 
ureteral, presença de urólitos. 
- Radiografia: Auxilia na avaliação do tamanho dos rins e identificação de urólitos. 
- Tomografia e ressonância: Complementação diagnóstica. 
COMO É O TRATAMENTO DA DOENÇA RENAL? 
- Pode ser feita fluidoterapia de acordo com as necessidades do paciente, uso de 
diuréticos (não usar em suspeita de obstrução), correção de distúbios eletrolíticos: 
- Hipercalcemia moderada: fluidoterapia. 
- Hipercalcemia intensa: fluidoterapia, gluconato de cálcio, glicose e insulina. 
- Hipocalcemia: Reposição de potássio. 
- Hiperfosfatemia: hidróxido de alumínio dextrose e insulina (hiperfosfatemia aguda) 
- Hipocalcemia: gluconato de cálcio 10%. 
- Diálise: Indicada para pacientes que não respondem à terapia no estágio 4. 
- Cirurgia: Eliminação da doença de base (no caso de obstrução). 
- Suporte: Antieméticos, protetor gástrico, suporte nutricional. 
COMO É O MONITORAMENTO DA DOENÇA RENAL? 
- Fazer acompanhamento do débito urinário, acompanhamento laboratorial, exames de 
imagem, sempre acompanhar EAS. 
QUAL O PROGNÓSTICO DA DOENÇA RENAL? 
- Variável com a causa de base, estágio da doença e terapia adequada. De modo geral, 
reservado. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA DOENÇA RENAL? 
- Anorexia, poliúria, polidipsia, halitose (odor urêmico), desidratação, hipotermia, febre, 
taqui ou bradipneia, úlcera oral, dor abdominal, convulsões, edema periférico. 
8. DOENÇAS ENDÓCRINAS 
 
O QUE É O HIPERTIREOIDISMO? 
- Hipertireoidismo em animais é uma condição em que a glândula tireoide, responsável 
pela produção dos hormônios T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina), produz esses 
hormônios em excesso, acelerando o metabolismo do corpo do animal. Esse distúrbio é 
mais comum em gatos, especialmente em felinos mais velhos, mas também pode 
ocorrer em outros animais, embora seja mais raro. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DO HIPERTIREOIDISMO? 
- Aceleração metabólica, perda de peso, polifagia, hiperatividade, agressividade, vômito, 
diarréia, alteração na pelagem, miocardia tireotóxica, insuficiência renal. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO HIPERTIREOIDISMO? 
- Associação dos sinais clínicos com alterações laboratoriais e dosagens hormonais. 
O QUE É O HIPOTIREOIDISMO? 
Hipotireoidismo em animais é uma condição em que a glândula tireoide, localizada no 
pescoço, não produz hormônios tireoidianos suficientes para manter o metabolismo do 
corpo funcionando de maneira adequada. A tireoide é responsável pela produção dos 
hormônios T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina), que são essenciais para regular o 
metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento. 
Embora o hipotireoidismo seja mais comum em humanos, ele também pode afetar 
animais de estimação, especialmente cães. O problema é mais frequente em cães de 
raças específicas, como Schnauzer, Golden Retriever, Doberman, Boxer e Cocker Spaniel, 
mas pode ocorrer em outras raças e até em gatos, embora seja mais raro neles. 
COMO FICA A CONCENTRAÇÃO DE T4 LIVRE NO HIPOTIREOIDISMO? 
- No hipotireoidismo em animais, a concentração de T4 livre (tiroxina livre) tende a 
diminuir. Isso ocorre porque, no hipotireoidismo, a glândula tireoide não está 
produzindo hormônios suficientes, incluindo a forma ativa da tiroxina (T4), que é 
responsável por regular o metabolismo do corpo. É menos influenciado por doenças e 
fármacos. Menor chance de falso positivo (não elimina a possibilidade). Exame caro!!! 
COMO FICA A CONCENTRAÇÃO DE TSH NO HIPOTIREOIDISMO? 
- Em resposta aos baixos níveis de T4, o TSH, que é produzido pela hipófise, tende a 
aumentar (mas não é obrigatório) no hipotireoidismo primário (o mais comum), uma vez 
que o corpo tenta estimular a tireoide a produzir mais hormônio. A combinação de 
baixos níveis de T4 livre e altos níveis de TSH geralmente confirma o diagnóstico de 
hipotireoidismo em animais, como cães, que são mais frequentemente afetados por essa 
condição. 
COMO FICA A CONCENTRAÇÃO DE T4 TOTAL NO HIPERTIREOIDISMO? 
- Avaliar T4 livre é o PADRÃO OURO para o diagnóstico de hipertireoidismo, pois a 
maioria dos hipertireoideus apresentam T4 aumentado. A T4 livre não se usa, pois gatos 
normais podem apresentar a T4L aumentada. Se a TSH estiver diminuída, a hipófise se 
tornou autônoma, logo não há necessidade de TSH. 
COMO FICA A CONCENTRAÇÃO DE TSH NO HIPERTIREOIDISMO? 
- No hipertireoidismo em animais, especialmente em gatos, a concentração de TSH 
(hormônio estimulante da tireoide) tende a diminuir. Isso ocorre porque, no 
hipertireoidismo, a produção excessiva de hormônios tireoidianos (T3 e T4) pela 
glândula tireoide suprime a produção de TSH pela hipófise. 
QUAIS OS EXAMES COMPLEMENTARES PARA DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DAS 
DOENÇAS DA TIREÓIDE? 
- Ultrassonografia: Aumento/diminuição de volume da tireóide. 
- Ecocardiograma: Cardiomiopatia hipertrófica (hipertireoideu). 
QUAIS AS TERAPIAS USADAS NAS DOENÇAS DA TIREÓIDE? 
- Hipotireoidismo: Evotiroxina. 
- Hipertireoidismo: Tireoidectomia (retirada da tireóide), iodo radioativo, metimazol. 
QUE OUTRAS ALTERAÇÕES LABORATORIAIS PODE SER VISUALIZADAS NAS DOENÇAS 
DA TIREÓIDE? 
- No hipotireoidismo: Aumento de colesterol e triglicerídeos, associados a anemia 
normocítica normocrômica em 30%. 
- No hipertireoidismo: Hematócritos > de 50% (aumento de eritropoiese), enzimas 
hepáticas > 75%, > uréia e creatinina. Aumento da excreção renal = azotemia, aumento 
do catabolismo e excreção de creatinina = diminuída. 
COMO É O TRATAMENTO DO HIPERTIREOIDISMO? 
- O principal é a tireoidectomia (retirada da tireóide). As vantagens são: corrige o 
hipertireoidismo, nao exige equipamento sofisticado, indicação quando há suspeita de 
carcinomade tireóide. As desvantagens: risco anestésico (em animais descompensados), 
hipotireoidismo iatrogênico (o tratamento do hiper leva ao hipo pela destruição das 
células),falha em retirar todo o tecido tireidiano (ectópico), cintilografia (cintilografia é 
um exame de diagnóstico por imagem que utiliza substâncias radioativas, chamadas 
radiofármacos). 
- Uso de Iodo 131: A vantagem é corrigir o hipertireoidismo, sem a necessidade de 
anestesia e uma única aplicação resolve em 80% dos casos. As desvantagens são a 
necessidade de equipamentos mais sofisticados (licença CNEN, físico e médico nuclear), 
hospitalização pós-tratamento (4 a 5 dias ou até semanas), hipotireoidismo iatrogênico. 
- Uso de metimazol: A vantagem é que corrige o hipertireoidismo, não há necessidade 
de cirurgia e possui baixo custo. As desvantagens são os efeitos colaterais: anorexia, 
vômito, prurido cefálico, trombocitopenia, hepatotoxicidade. Além disso, induz 
carcinoma de tireóide, gerando inconsistência do tratamento. 
O QUE É HIPOADRENOCORTICISMO? 
- O hipoadrenocorticismo em animais é uma condição clínica em que as glândulas 
adrenais não produzem hormônios suficientes, como o cortisol e, em alguns casos, a 
aldosterona. O cortisol é crucial para o metabolismo, resposta ao estresse e manutenção 
de várias funções corporais, enquanto a aldosterona é importante para o controle do 
equilíbrio de sódio e potássio no organismo. 
QUAIS SÃO OS SINAIS CLÍNICOS DO HIPOADRENOCORTICISMO? 
- Os sinais clínicos do hipoadrenocorticismo em animais podem variar em intensidade e 
podem ser intermitentes ou gradualmente progressivos, o que torna o diagnóstico 
desafiador. A forma mais comum de hipoadrenocorticismo em animais é a primária, em 
que há uma falha nas glândulas adrenais em produzir cortisol e, em alguns casos, 
aldosterona. A falta de produção desses hormônios leva a uma série de sintomas que 
afetam o equilíbrio do corpo, especialmente em relação ao sódio, potássio e fluídos. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO HIPOADRENOCORTICISMO? 
- O diagnóstico definitivo normalmente envolve testes específicos que avaliam a função 
das glândulas adrenais e o equilíbrio eletrolítico no organismo. 
QUAL O TRATAMENTO DO HIPOADRENOCORTICISMO? 
- O tratamento do hipoadrenocorticismo visa repor os hormônios que as glândulas 
adrenais não estão produzindo (principalmente cortisol e aldosterona) e corrigir os 
desequilíbrios eletrolíticos (como a hiponatremia e hipercalemia). O tratamento é 
geralmente crônico, ou seja, o animal precisará de acompanhamento constante e ajuste 
das doses de medicação ao longo da vida. 
O QUE É HIPERADRENOCORTICISMO? 
- O hiperadrenocorticismo (também conhecido como síndrome de Cushing) é uma 
condição médica que ocorre quando há excesso de cortisol no organismo. O cortisol é 
um hormônio produzido pelas glândulas adrenais e tem várias funções importantes, 
como ajudar a regular o metabolismo, a resposta ao estresse, e a função do sistema 
imunológico. No entanto, quando há um excesso crônico de cortisol, isso pode levar a 
uma série de problemas de saúde. 
QUAIS SÃO OS SINAIS CLÍNICOS DO HIPERADRENOCORTICISMO? 
- Os sinais clínicos do hiperadrenocorticismo em animais podem variar, mas 
frequentemente incluem aumento da sede e urinação (polidipsia e poliúria), pois o 
excesso de cortisol pode interferir no controle da água e sódio no organismo. Também é 
comum o aumento de peso e o acúmulo de gordura abdominal, uma vez que o cortisol 
afeta o metabolismo e favorece o depósito de gordura, especialmente na região 
abdominal, o que pode resultar em uma forma de "barriga pendente". A pele dos 
animais com essa condição também fica mais fina e fácil de rasgar devido à redução na 
produção de colágeno, além de uma perda de pelos (alopecia), geralmente com padrões 
simétricos no tronco e nas coxas. A fraqueza muscular é outro sinal frequente, já que o 
excesso de cortisol afeta os músculos, causando atrofia e enfraquecimento. O sistema 
imunológico também é suprimido, tornando o animal mais propenso a infecções 
frequentes, especialmente de pele e urinárias. Alterações comportamentais, como 
letargia ou agitação, podem ocorrer, assim como hipertensão, uma vez que o excesso de 
cortisol pode aumentar a pressão arterial. Em casos mais graves, pode ocorrer 
calcificação da bexiga urinária ou a formação de pedras urinárias, devido ao aumento de 
cálcio e outros minerais na urina. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO HIPERADRENOCORTICISMO? 
- O diagnóstico do hiperadrenocorticismo (síndrome de Cushing) em animais é baseado 
em uma combinação de sinais clínicos, exames laboratoriais e exames de imagem. O 
processo diagnóstico pode ser complexo, pois a síndrome de Cushing compartilha alguns 
sintomas com outras doenças, e é importante confirmar a presença do excesso de 
cortisol. 
QUAL O TRATAMENTO DO HIPERADRENOCORTICISMO? 
- O tratamento do hiperadrenocorticismo (síndrome de Cushing) em animais depende 
da causa subjacente da doença (primária, secundária ou iatrogênica) e da gravidade dos 
sinais clínicos. Existem várias opções terapêuticas disponíveis, que podem incluir 
medicação, cirurgia ou radioterapia. A escolha do tratamento é feita com base no tipo 
específico de Cushing e nas condições do animal. 
 
9. AFECÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
 
Distúrbios das vias aéreas superiores em animais referem-se a condições que afetam as 
estruturas responsáveis pela passagem de ar para os pulmões, como nariz, faringe, 
laringe, traqueia e as vias respiratórias superiores. Esses distúrbios podem ser 
causados por uma variedade de fatores, incluindo infecções, obstruções, alergias, ou 
anomalias anatômicas. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DAS AFECÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO SUPERIOR? 
- Respiração ruidosa, estertor, movimentos inspiratórios aumentados, cianose, angústia 
respiratória, síncope. Os sinais se agravam com exercícios físicos, excitação e 
temperatura ambiental aumentada. 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DAS AFECÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
SUPERIOR? 
- Padrão racial (comum em braquicefálicos), sinais clínicos, histórico, avaliação das 
narimas, laringoscopia. 
COMO É FEITO O TRATAMENTO DAS AFECÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO SUPERIOR? 
- Reduzir estímulos que exacerbem os sinais clínicos, correção cirúrgica. Durante a 
cirurgia, deve-se avaliar se há alongamento de palato. 
 
 
QUAL É O PROGNÓSTICO PARA AFECÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO SUPERIOR? 
- Bom. Reservado a ruim em presença de comorbidades, como colapso de laringe e 
hipoplasia de traqueia. 
QUAIS SÃO AS DOENÇAS MAIS COMUNS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO INFERIOR? 
- Tosse dos canis, bronquite / asma felina e pneumonia. 
O QUE É A TOSSE DOS CANIS? 
- Tosse dos canis (traqueobronquite infecciosa canina – TIC): Causada pela Bordetella 
bronchioseptica, Parainfluenza canina, adenovírus canino tipo 2, micoplasma, 
pseudomonas s.p, E. Coli, Klebsiella pneumoniae. Os fatores de risco são: temperatura 
ambiente fria, fumaça de tabaco, animais não vacinados, aglomerações. 
QUAIS OS SINAIS CLÍNICOS DA TOSSE DOS CANIS? 
- Tosse (engasgo), espirros, secreção oculonasal. 
COMO É O DIAGNÓSTICO DA TOSSE DOS CANIS? 
- Histórico, sinais clínicos, RX, isolamento viral, PCR, sorologia (cinomose), cultura das 
secreções. As avaliações laboratoriais geram alterações inespecíficas, leucograma de 
estresse (neutrofilia, linfopenia, eosinopenia). Pode haver leucocitosecom desvio à 
esqeurda em casos de pneumonia. 
COMO É O TRATAMENTO DA TOSSE DOS CANIS? 
- Antibioticoterapia por 10 dias, corticoterapia (dose anti-inflamatória) por 5 dias, 
nebulização (em casos de excesso de secreção respiratória) com solução fisiológica. 
Autolimitante. 
QUAL O PROGNÓSTICO DA TOSSE DOS CANIS? 
- Bom. Reservado quando há evolução para pneumonia. 
QUAL A PROFILAXIA DA TOSSE DOS CANIS? 
- Vacinação, evitar superpopulação higiene ambiental. 
O QUE É BRONQUITE / ASMA FELINA? 
- Reação de hipersensibilidade mediada por Ig-E a diversos alérgenos (tipo I). As 
consequências são: inflamação eosinofílicadas vias aéreas, secreção mucosa, 
broncoconstrição espasmo de músculo liso, extravasamento