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PLANEJAR: UM ATO DE ESCOLHAS E AVALIAÇAO 
Dra Otilia Lizete de Oliveira Martins Heinig
Nossa formação terá três momentos. Nesse primeiro, lhe envio um texto para ler, refletir, produzir respostas, enfim, para que haja interação entre nós. No nosso encontro, iremos conversar sobre aspectos levantados aqui, sobre suas reflexões, iremos também construir outras perguntas para ampliar o conhecimento teórico. A terceira parte será na prática pedagógica, analisando seus planejamentos para articular teoria e prática. Vamos iniciar com uma pequena reflexão. Leia essa tirinha de Quino: 
Ao ler essa tirinha, que sentidos são atribuídos por você? Anote-os.
Para iniciar a nossa reflexão, leia essas três citações que apresentam uma compreensão de planejamento. Depois de ler todas, sublinhe o que você considera essencial para definir planejamento. Depois, faça um exercício e escreva a sua compreensão de planejamento.
· “Planejar, portanto, é refletir, é prever, é criar, é agir […] planejar é analisar uma dada realidade, refletindo sobre as condições existentes e prever as formas alternativas de ação para superar as dificuldades ou alcançar os objetivos desejados”. (HAYDT, 2000)
· Entende-se por planejamento um processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego dos meios materiais e dos recursos humanos disponíveis, a fim de alcançar objetivos concretos, em prazos determinados e em etapas definidas, a partir do conhecimento e avaliação científica da situação original. (MARTINÊS e LAHORE, 1977, p. 11)
· “O planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. A escola, os professores e os alunos são integrantes da dinâmica das relações sociais”. (LIBÂNEO, 1994, p. 222) 
Para que o planejamento de cada professor(a) alcance os objetivos de aprendizagem pretendidos, pois eles são o alvo, elaboramos uma síntese de alguns princípios norteadores propostos por Piccoli e Camini (2012, p. 44-49):
· Faz diferença planejar, pois há necessidade de progressão nas capacidades e habilidades e de objetivos claros. É preciso também evitar a “pedagogia da folhinha”, pois ao distribuir atividades que tratam de conteúdos diversos, por exemplo, não há uma clareza quanto à progressão das capacidades ou habilidades exigidas do aluno. 
· Os alunos não aprendem do mesmo jeito, por isso é preciso planejar para incluir, ao máximo, todos nas propostas pedagógicas. Daí a importância de propostas mais “abertas” para que cada aluno produza conforme sua possibilidade cognitiva. Pode-se ter a mesma atividade, mas em diferentes níveis.
· Ter ambição em relação à aprendizagem dos alunos significa que eles são sujeitos ativos da aprendizagem e, por isso, fazem perguntas e levantam hipóteses as quais devem ser acolhidas pelo professor. Este deve desafiar seus alunos a fim de que haja a construção do conhecimento.
· Usar o melhor horário do dia para desenvolver o conteúdo-chave da aula.
· Variar para prender a atenção dos alunos, ou seja, não insistir em uma mesma estratégia de ensino em uma mesma aula.
· Ter cuidado estético com os materiais utilizados. 
· Respeitar os diferentes tempos e ritmos em sala de aula. Os alunos não finalizam uma atividade, uma leitura ou uma produção escrita no mesmo tempo. O que fazer então? Uma das possibilidades são as atividades extras, mas essas não devem ser consideradas um “prêmio” para quem realizou primeiro, mas a possibilidade de continuar aprendendo. Por isso, o professor precisa propor novos desafios em continuidade; ter um repertório de atividades extras que devem ser regularmente alteradas.
Aliado a esses princípios que orientam o planejamento, está a compreensão de que ele tem uma parte dura, previamente estabelecida e acordada, e outra flexível. Curiosidades surgem, propostas são apresentadas, aprendizagens ocorrem antes do previsto ou não ocorrem. Porque a escola é um espaço de negociação, a construção do conhecimento, em cada grupo, se dá em ritmo diferente. Portanto, planejar é considerar a parte flexível do planejamento, por isso o documento de orientação curricular apresenta o essencial a ser trabalhado em cada segmento, ano ou disciplina, a fim de que o professor mobilize outros saberes e conhecimentos que possam auxiliar a atingir o objetivo de aprendizagem determinado para cada momento. 
Sobre a organização do tempo, Lerner (2005, p. 9) pondera:
O tempo é – todos nós, professores, sabemos muito bem - um fator de peso na escola: sempre é escasso em relação à quantidade de conteúdos fixados no programa, nunca é suficiente para comunicar às crianças tudo o que desejaríamos ensinar em cada ano escolar. Não se trata somente de aumentar o tempo ou de reduzir os conteúdos, trata-se de produzir uma mudança qualitativa na utilização do tempo didático. Para concretizar essa mudança, parece necessário- além de se atrever a romper com a correspondência linear entre parcelas de conhecimentos e parcelas de tempo - cumprir, pelo menos, com duas condições: manejar com flexibilidade a duração das situações didáticas e tornar possível a retomada dos próprios conteúdos em diferentes oportunidades e a partir de perspectivas diversas. Criar essas condições requer pôr em ação diferentes modalidades organizativas.
Antes de seguirmos, faça aqui um relato de como você planeja suas aulas considerando o tempo que tem e, especialmente, os objetivos de aprendizagem.
Apresentamos mais uma tirinha de Quino. Essa aborda aspectos relacionados ao que se seleciona para trabalhar na escola e quais as intencionalidades do aluno. 
Para ampliar nossa reflexão acerca do planejamento, apresentamos, sob os pontos de vista de Lerner (1996) e de Kleiman (2000; 2008), formas de organizar o planejamento:
Atividades permanentes: intervenções pedagógicas organizadas de forma que há uma certa repetição de procedimentos num intervalo de tempo. Aqui entra o que alguns chamam de rotina.
Atividades sequenciais: procedimento didático em que um conjunto de atividades é realizado em sala de aula de modo que haja uma articulação entre elas: sequência didática; projeto didático; projeto de letramento.
Atividades esporádicas: aquelas em que o professor planeja o que será feito sem que seja necessário haver uma articulação com outras partes da aula ou mesmo com a sequência de aulas que vem sendo desenvolvida.
Quais dessas atividades sequenciais são usadas por você? Como aprendeu a elaborar? Quais são os resultados que você obteve com essa metodologia?
Para revisar essa parte, apresentamos, de forma breve, uma contextualização de cada uma das atividades sequenciais: 
O projeto didático apresenta uma organização mais flexível e conta com a participação de professores e alunos no seu planejamento. É importante compreender que os projetos não são uma simples metodologia de ensino, mas sim uma concepção de ensino que procura favorecer a construção da autonomia dos aprendizes. Para Simões (2006), o trabalho pedagógico, envolvendo projetos, não se caracteriza pela origem do tema, mas o sentido e o tratamento que esse tema terá em sala de aula. A autora afirma que é preciso garantir que o trabalho seja integrador, ou seja, todos os alunos deverão estar envolvidos na elaboração, desenvolvimento e construção do resultado. Quanto à duração, orienta que não há um limite de tempo, porém o professor precisa ser sensível e perceber quando os objetivos do tema proposto foram alcançados.
Para que a leitura, a escrita e a oralidade, independente da disciplina, ano ou segmento, façam sentido e auxiliem na construção do conhecimento (não apenas no ensino de conteúdos), sugerimos o projeto de letramento, o qual se constitui como “um conjunto de atividades que se origina de um interesse real na vida dos alunos e cuja realização envolve o uso da escrita, isto é, a leitura de textos que, de fato, circulam na sociedade e a produção de textos que serão realmente lidos, em um trabalho coletivo de alunos e professor,cada um segundo sua capacidade” (KLEIMAN 2000, p.238). “Independentemente do tema ou do objetivo do projeto, ele é adequado na medida de seu potencial para mobilizar conhecimentos, experiências, capacidades, estratégias, recursos, materiais e tecnologias em situações concretas de uso da língua escrita de interesse do aluno” (KLEIMAN, 2008, p.509).
São princípios do projeto de letramento, segundo Oliveira, Tinoco e Santos (2011): 1) O aluno é um sujeito de conhecimento (letramento social); 2) o aluno não é um recipiente (ressignificação do conhecimento); 3) o aluno é um ser de cultura (individualidade). Os aspectos enumerado pelas mesmas autoras (2011) são os seguintes: aprendizagem situada (contexto); ensino orientado para a resolução de problemas (identificar e resolver); rede de atividades (aprendizagem horizontal); desterritorialização dos lugares de aprendizagem (esferas sociais); tempo escolar (organização cultural);distribuição de tarefa (conhecimento dos alunos); inserção em um sistema de redes de comunicação (cooperação); instrumentos materiais e simbólicos (professores como agentes de letramento).
Na sequência didática (SD), podem ser trabalhados gêneros discursivos, temas e autores. Ela é um conjunto de atividades relacionadas envolvendo, por exemplo, um mesmo gênero discursivo, com ordem crescente de dificuldade, planejadas para possibilitar o desenvolvimento da próxima. É muito importante não confundir uma sequência de atividades com uma SD. Seu objetivo é ensinar conteúdos/gêneros discursivos que exijam tempo para aprender e aprofundamento gradual, uma vez que se inscreve em uma perspectiva de currículo em espiral. Segundo Bruner, citado por Oliveira, Tinoco e Santos (2011, p. 73), “o currículo deve ser ensinado em forma de espiral, o que implica voltar a conteúdos importantes para verticalizar sua compreensão a partir de novos desafios; o pensamento evolui com a linguagem e dela depende (esse é um dos conceitos que o aproximam de Vygotsky)”. De acordo com Dolz; Noverraz e Schneuwly (2004), a organização da sequência didática deve levar em conta estas etapas: apresentação da situação, produção inicial, módulos, produção final. Na organização de uma SD, é preciso prever, primeiramente, os objetivos a fim de relacioná-los e ordená-los com as atividades, os materiais, as etapas do desenvolvimento, a duração e a maneira como será́ feita a avaliação que deve ser somativa.
Depois de ler essas explicações sobre essas modalidades organizativas, levante dúvidas que tenham ficado.
Há uma relação entre planejamento e avaliação. Não à toa, se inclui, nos planos de aula, a forma de avaliação. Mas é preciso ir além disso, pois o que “comanda” o planejamento são os objetivos de aprendizagem. Assim, ao final de um processo, é preciso saber se o objetivo foi ou não alcançado. 
Para ampliar a nossa reflexão, leia e analise o esquema ao lado, elaborado por mim, e depois produza um pequeno texto que explique o que ali é abordado.
REFERÊNCIAS
DOLZ, J.; NOVERRAZ, M.; SCHNEUWLY, B. Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2004. p. 95-128.
HAYDT, R. C. C. Curso de didática geral. São Paulo: Ática. 2000.
KELIMAN, A.Os estudos de letramento e a formação do professor de língua materna. Linguagem em (Dis)curso – LemD, v. 8, n. 3, p. 487-517, set./dez. 2008.
LERNER, D. Artigo publicado originalmente na revista Lectura y Vida, ano 17, n. 1, mar. 1996. 
LERNER, D. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2005.
LIBÂNEO, J.C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
MARTINEZ, M. J; LAHORE, C. Oliveira. Planejamento escolar. São Paulo: Saraiva, 1977. 
OLIVEIRA, M. S.; TINOCO, G. A.; SANTOS, I. B. A. Projetos de letramento e formação de professores de língua materna. Natal: EDUFRN, 2011.
PICOLLI, L.; CAMINI, P. Práticas pedagógicas em alfabetização: espaço, tempo e corporeidade. Erechim . Edelbra, 2012.
SIMÕES, J. D. Pedagogia de Projetos: artigo científico. [S. d.] Disponível em: . 
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