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INTRODUÇÃO À ARQUITETURA
E URBANISMO
ORGANIZADORES JÉSSICA BORGES FORTES E GUILHERME DE ARAÚJO DE FIGUEIREDO
INTRODUÇÃO À
ARQUITETURA E
URBANISMO
(Arquitetura e 
Urbanismo: 
Profissão e Carreira)
ORGANIZADORES JÉSSICA BORGES FORTES E GUILHERME DE ARAÚJO DE 
FIGUEIREDO
Introdução à arquitetura e urbanism
o
GRUPO SER EDUCACIONAL
O livro Introdução à arquitetura e urbanismo é direcionado para estudan-
tes de cursos de arquitetura e urbanismo. 
Além de abordar assuntos gerais, o livro traz as de�nições e conceitos na 
arquitetura e urbanismo, o panorama histórico, as bases legais, o mercado 
de trabalho e sustentabilidade.
Após a leitura da obra, o leitor vai aprender as primeiras noções de estilo 
em arquitetura; ter uma breve descrição dos principais estilos existentes 
ao longo da história; conhecer as primeiras noções de planejamento 
urbano; reconhecer o programa arquitetônico como base fundamental 
para que se projete e entenda a essência e a aparência dos espaços cons-
truídos; veri�car o momento histórico e cultural que determinou a separa-
ção teórica, curricular e metodológica entre as ciências em arquitetura e 
urbanismo e as ciências das engenharias; compreender o Plano Diretor; 
dominar dois temas relevantes para a prática pro�ssional que foram regu-
lamentados por resoluções do CAU/BR: os direitos autorais sobre projetos 
e obras de arquitetura e urbanismo e a tabela de honorários pro�ssionais; 
entender por que a pro�ssão do arquiteto e urbanista é generalista; obser-
var ações que podem ser conduzidas pela arquitetura no sentido de 
promover edifícios sustentáveis; identi�car as necessidades inerentes aos 
problemas urbanos e como o urbanismo procura resolvê-los, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
gente criando futuro
I SBN 9786555581003
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INTRODUÇÃO À 
ARQUITETURA E 
URBANISMO 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. 
Diretor de EAD: Enzo Moreira
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato 
Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes
Coordenadora educacional: Pamela Marques
Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa
Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha
Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi 
 
Fortes, Jéssica Borges.
 Introdução à arquitetura e urbanismo / Jéssica Borges Fortes; Guilherme de Araújo de 
Figueiredo. São Paulo: Cengage – 2020.
 Bibliografia.
 ISBN 9786555581003
 1. Arquitetura e urbanismo 
Grupo Ser Educacional
 Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro 
CEP: 50100-160, Recife - PE 
PABX: (81) 3413-4611 
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com 
isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns 
anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também 
passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o 
aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino 
Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, 
tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar 
seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento 
da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da 
democracia com a ampliação da escolaridade.
Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar 
as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-
lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no 
contexto da sociedade.”
Janguiê Diniz
PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL
Autoria
Jéssica Borges Fortes
Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Meridional (IMED), pós graduada em Cidades 
- Gestão Estratégica do Território Urbano pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e 
mestre em Desarrollo Urbano y Territorial pela Universitat Politècnica de Catalunya (UPC). Atuou 
como arquiteta e urbanista em ArquiCultura Urbana, como consultora em Design de Interiores para 
o SEBRAE/RS e como professora de Desenho Técnico no projeto do Governo Federal Mulheres Mil 
desenvolvido pelo Instituto Federal Sul-RioGrandense de Passo Fundo.
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................................................................8
UNIDADE 1 - Definições e conceitos na arquitetura e urbanismo ....................................................9
Introdução.............................................................................................................................................10
1 As definições e conceitos da arquitetura ........................................................................................... 11
2 As definições e conceitos do urbanismo ............................................................................................ 15
3 A noção de estilo em arquitetura ....................................................................................................... 20
4 A noção de planejamento urbano ..................................................................................................... 23
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................28
UNIDADE 2 - AArquitetura e urbanismo ontem e hoje ....................................................................29
Introdução.............................................................................................................................................30
1 Informações iniciais ........................................................................................................................... 31
2 Principais estilos arquitetônicos......................................................................................................... 33
3 A profissão do arquiteto e urbanista .................................................................................................. 45
4 Mercado de trabalho e atuações do arquiteto e urbanista ...............................................................46
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................49
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................50
UNIDADE 3 -Bases legais ...............................................................................................................53
Introdução.............................................................................................................................................54
1. Atribuições profissionais na atualidade ............................................................................................ 55
2 Regulamentação da profissão no Brasil ............................................................................................. 57
3. Ética profissional ............................................................................................................................... 61
4. Legislação básica para a prática projetual ......................................................................................... 65
5. Outros temas relevantes ...................................................................................................................estruturais, estruturas, desenvolvimento de estruturas e 
aplicação tecnológica de estruturas;
IX - de instalações e equipamentos referentes à arquitetura e urbanismo;
X - do Conforto Ambiental, técnicas referentes ao estabelecimento de condições climáticas, 
acústicas, lumínicas e ergonômicas, para a concepção, organização e construção dos espaços;
XI - do Meio Ambiente, Estudo e Avaliação dos Impactos Ambientais, Licenciamento Ambiental, 
Utilização Racional dos Recursos Disponíveis e Desenvolvimento Sustentável.
Como vimos acima, a profissão é extremamente complexa em sua abrangência. O arquiteto 
e urbanista é um generalista, pois sua formação está configurada com base no que a legislação 
prescreve.
O mercado de trabalho é vasto e o profissional pode se especializar em qualquer um dos 
itens do artigo 2º. O CAU-BR, federal, fiscaliza o exercício profissional e em todo o território 
nacional auxiliado pelos conselhos regionais. Para tal em cada mandato de três anos são eleitos 
conselheiros que compõem comissões de trabalho.
No CAU-BR, atuam comissões ordinárias (CAU-BR, s.d.):
• Comissão de Ensino e Formação (CEF);
48
• Comissão de Ética e Disciplina (CED);
• Comissão de Exercício Profissional (CEP);
• Comissão de Organização e Administração (COA);
• Comissão de Planejamento e Finanças (CPFI).
E comissões especiais:
• Comissão de Política Profissional (CPP);
• Comissão de Política Urbana e Ambiental (CPUA);
• Comissão de Relações Internacionais (CRI).
O CAU tem como visão “aprimorar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e 
urbanismo” e como valores principais “zelar pela fiel observância dos princípios de ética e 
disciplina da classe; atender à sociedade no aspecto da prestação do serviço técnico de qualidade; 
e Respeito à missão e às decisões plenárias” (CAU-RJ, s.d.)
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
FIQUE DE OLHO
Para mais informações sobre a profissão do arquiteto e urbanista e seu mercado de 
trabalho, acesse o texto da Lei Federal nº12.378, de 31 de dezembro de 2010, o portal 
do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil ou portais dos conselhos estaduais 
(ver referências bibliográficas).
49
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• identificar argumentos que justificam ser a arquitetura valioso complemento para o 
conhecimento da cultura humana e sua história;
• reconhecer o programa arquitetônico como base fundamental para que se projete e 
entenda não só a essência, mas também a aparência dos espaços construídos;
• observar que os momentos da história da arquitetura aqui descritos se mostram 
como importantes referências, pois explicam decisões e ações de projetistas e cons-
trutores que geraram ora aceites, ora verdadeiros cortes epistemológicos na linha 
do tempo dos estilos.
• verificar o momento histórico e cultural que determinou a separação teórica, curri-
cular e metodológica entre as ciências em arquitetura e urbanismo e as ciências das 
engenharias;
• informar sobre as preocupações, abordagem gerenciais e ações dos profissionais 
de arquitetura e urbanismo e seu conselho profissional, criado no brasil no ano de 
2010.
PARA RESUMIR
ARCHIDAILY. O que o arquiteto pode fazer (segundo a legislação). Disponível em https://
www.archdaily.com.br/br/801494/o-que-o-arquiteto-e-urbanista-pode-fazer-segundo-
a-legislacao. Acesso em: 4 mar. 2020.
ARGAN, G. C. Sobre a tipologia em arquitetura. In: NESBITT, K. (Org.). Uma nova agenda 
para a arquitetura: antologia teórica 1965 – 1995. São Paulo: Cosac Naify, 2006.
BRANDÃO, C. A. L. A formação do homem moderno vista através da arquitetura. Belo 
Horizonte: Ed. UFMG, 1999
BRANT, J. Características e diferenças em 12 estilos arquitetônicos. Portal Archidaily, 2020. 
Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/898742/caracteristicas-e-diferencas-
de-12-estilos-arquitetonicos?ad_source=myarchdaily&ad_medium=bookmark-
show&ad_content=current-user. Acesso em: 4 mar. 2020.
BRASIL. Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Regulamenta o exercício da 
Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/
BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal - CAUs; e 
dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso em: 4 mar. 2020.
CARVALHO, B.A. A história da arquitetura. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s.d.
CAU-BR. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Disponível em: https://www.
caubr.gov.br/. Acesso em: 4 mar. 2020.
CAU-RJ. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro. Disponível em: https://
www.caurj.gov.br/. Acesso em: 4 mar. 2020.
CORRÊA, P. R. O programa de necessidades. Aedificandi – Revista de Arquitetura e 
Construção, São Paulo, v. I, n. 1. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 
2006. Disponível em http://www.aedificandi.com.br/aedificandi/N%C3%BAmero%20
1/1_artigo_programa_de_necessidades.pdf. Acesso em: 31 jul. 2009..
FABRIS, A. (Org.). Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo: Nobel; Editora da 
Universidade de São Paulo, 1987.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2010.
GHIRARDO, D. Y. Arquitetura contemporânea: uma história concisa. 2. ed. São Paulo: 
Editora WMF Martins Fontes, 2009.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GONZÁLEZ, G. S. Programa arquitectural como conceptualización y preconfiguración del 
proyecto arquitectónico. Revista Asinea, México, ano 10 , XVII edicão, nov. 2000
HOUAISS, A. (Org.). Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa – Versão 1.0. Rio 
de Janeiro: Objetiva, 2001.
MANSELL, G. Anatomia da arquitetura. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S.A., 1980.
MARTINEZ, A. C. Ensaio sobre o projeto. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000.
MONTANER, J. M. As formas do século XX. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, SA, 2002.
NESBITT, K. (Org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica 1965 – 1995. 
São Paulo: Cosac Naify, 2006.
PATETTA, L. Historia de la arquitectura: antologia crítica. Madrid: Hermann Blume, 1984.
PULS, M. M. Arquitetura e filosofia. São Paulo: Annablume, 2006.
ROCHA-PEIXOTO, G. Reflexo das luzes na Terra do Sol: sobre a teoria da arquitetura no 
Brasil da Independência: 1808 – 1831. São Paulo: ProEditores, 2000.
THOENES, C. Teoria da arquitetura: do Renascimento aos nossos dias. Colônia: Taschen, 
2003.
VARELA, E. C. (Org.). O desafio modernista: a construção de um ícone. Rio de Janeiro: 
museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2018.
UNIDADE 3
Bases legais
Introdução
Você está na unidade Bases legais. Conheça aqui a base legal da profissão do arquiteto 
e urbanista. Confira as leis, decretos, resoluções, regulamentações que dão respaldo à 
atuação profissional em suas diversas áreas. Aprenda as atribuições profissionais na 
atualidade, considerando suas relações com a formação acadêmica, e entenda quais 
as entidades internacionais e nacionais representativas da categoria e de suas áreas de 
atuação.
Compreenda, ainda, o percurso da regulamentação profissional, o dispositivo legal 
que rege hoje a profissão, a estrutura representativa da classe, o sistema CAU/BR-CAU e 
o Código de Ética e Disciplina da profissão. Aprofunde o tema apresentando a legislação 
básica para a prática projetual e dando conhecimento sobre questões importantes da 
prática profissional: os direitos autorais relativos aos projetos e obras de arquitetura e 
urbanismo e as tabelas de honorários de serviços na área.
Bons estudos!
55
1. ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS NA ATUALIDADE
O que é arquitetura? Muitos estudiosos se dedicam à tarefa de tentar definir esse conceito. 
Apesar das diferenças, observamos que existem alguns pontos comuns, alguns consensos entre 
eles. Assim, podemos dizer que, de forma geral, arquitetura envolve arte e técnica. Associa esses 
dois aspectos com o objetivo de organizar o espaço, de resolver um programa, de abrigar funções, 
de dar a melhor forma possível a umaconstrução ou a um espaço urbano, no sentido de satisfazer 
as necessidades das pessoas que dele farão uso.
O profissional responsável por essa tarefa de pensar e construir uma obra arquitetônica e de 
intervir nas cidades é o arquiteto. Certamente, nem sempre foi assim. Essa profissionalização das 
atividades no campo da arquitetura foi sendo construída ao longo do tempo, conforme surgiram 
as necessidades de melhor enquadrá-las. De toda forma, o que nos interessa nesta unidade é a 
profissão do arquiteto na atualidade, qual seu papel e que normas regem e respaldam a sua atuação.
Castilho (2014, p. 12) faz uma crítica às graduações de arquitetura no país que, com 
frequência, não contêm conteúdo sobre a legislação profissional em suas grades curriculares. 
Sem isso, os estudantes acabam se dedicando a tarefas desconectadas da realidade. Apresentam-
se assim, muito preocupados com estética e funcionalidade, mas não possuem as ferramentas 
legais básicas para enfrentar problemas como a aprovação de projetos junto aos clientes e ao 
poder público. Por isso, o autor avalia que,
Para o arquiteto, a legislação profissional precisa ser vista como instrumento fundamental ao 
exercício competente, consciente e eficiente da profissão. Com efeito, não se pode de modo algum 
pensar que esta atividade não gere consequências no mundo jurídico uma vez que ela se insere no 
mundo de relações, gerando responsabilidades múltiplas. (CASTILHO, 2014, p. 11-12, grifo nosso)
Antes de aprofundar nosso conhecimento sobre o mundo jurídico da arquitetura no Brasil, 
fundamental para a prática profissional, vamos conhecer um pouco mais sobre a relação entre a 
formação acadêmica e as atribuições profissionais, e sobre as entidades internacionais e nacionais 
que estabelecem as diretrizes gerais relativas a esses dois temas e outros.
1.1 Formação acadêmica e atribuição profissional
A atribuição profissional tem nexo estreito com a formação acadêmica, ou seja, o profissional 
formado em uma faculdade de Arquitetura e Urbanismo tem a competência para atuar em 
consonância com as disciplinas e conteúdos que aprende durante o curso. Mas como delinear 
essas competências considerando que as faculdades de arquitetura e urbanismo possuem grades 
curriculares diferenciadas?
56
Parte da resposta está na Resolução nº 2, de 17 de junho de 2010, do Ministério da 
Educação, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura 
e Urbanismo. Nela, estão estabelecidas as orientações gerais que devem ser observadas pelas 
Instituições de Ensino Superior em todo o país na organização do curso voltado para essa área e 
na elaboração do respectivo projeto pedagógico. Cabe destacar que esse dispositivo normativo 
estabelece o perfil que deve possuir o estudante egresso do curso, conforme reproduzido a seguir:
Art. 10 da Resolução nº 2/2010
I - sólida formação de profissional generalista;
II - aptidão de compreender e traduzir as necessidades de indivíduos, grupos sociais e 
comunidade, com relação à concepção, organização e construção do espaço interior e exterior, 
abrangendo o urbanismo, a edificação e o paisagismo;
III - conservação e valorização do patrimônio construído;
IV - proteção do equilíbrio do ambiente natural e utilização racional dos recursos disponíveis.
O Brasil – e a América Latina, de forma mais ampla – fez a opção pelo perfil generalista na 
formação do arquiteto e urbanista. Cabe ressaltar, no entanto, que ela diverge da tendência 
à especialização observada em outros países, como os anglo-saxões e europeus. Esse perfil 
generalista tem apresentado seus prós e contras e tem estado na pauta de muitos debates sobre 
a formação no campo da arquitetura e as atribuições amplas e exclusivas desses profissionais, 
conforme veremos mais adiante.
1.2 Entidades internacionais e nacionais
Existem diversas entidades, internacionais e nacionais, que procuram estabelecer diretrizes 
mais amplas para a formação e a atuação profissional. São associações, organizações, conselhos 
que representam os profissionais de forma geral ou segmentada por temas ou áreas específicas.
A União Internacional de Arquitetura (UIA), por exemplo, é uma organização não-
governamental, fundada em 1948, que engloba mais amplamente a categoria, pois seu objetivo 
é unir os arquitetos de todo o mundo por meio de suas representações e associações nacionais. 
A organização tem crescido e atualmente conecta profissionais de 115 países e territórios de 
todos os continentes. Segundo o site da organização, a UIA atua como uma plataforma para o 
compartilhamento de conhecimento, visando criar soluções inovadoras e colaborativas para o 
avanço da arquitetura, com foco particular no desenvolvimento sustentável.
57
A entidade promove congressos e fóruns trienais, competições internacionais de design, grupos 
de trabalho e comissões, produzindo, ainda, cartas, acordos e recomendações internacionais 
relacionadas ao ensino e prática da arquitetura e urbanismo, que são direcionadas para seus 
associados. Citamos como exemplo o Acordo sobre Padrões internacionais recomendados de 
profissionalismo na prática arquitetônica e a Carta UNESCO-UIA para a educação em arquitetura. 
Nesses documentos, as diretrizes são de caráter geral, já que visam considerar os diversos 
contextos sociais e culturais dos países membros.
Ainda no âmbito internacional, existem outras entidades, parceiras da UIA, que se organizam 
por regiões ou temas. Como exemplos, podemos citar: a Federação Internacional de Arquitetos 
Paisagistas (IFLA); o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS); e o Conselho 
Internacional de Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP). Mas existem outros.
Existem, também, as organizações nacionais, sendo a mais antiga o Instituto de Arquitetos 
do Brasil (IAB), fundado em 1921. O IAB se configura como uma livre associação de arquitetos e 
urbanistas brasileiros que se dedica a atividades de interesse desses profissionais, do próprio campo 
da arquitetura e de suas relações com a sociedade. Temos, ainda: a Federação Nacional dos Arquitetos 
e Urbanistas (FNA); a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA); a Associação 
Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA); a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas 
(APAP); e a Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA).
2 REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO NO BRASIL
A luta pela autonomia na regulamentação da profissão de arquiteto no Brasil é antiga. Tal fato 
tem suas bases no próprio processo de formação acadêmica, já que, historicamente, a formação 
na área transitou entre as artes (Escola de Belas Artes) e a engenharia (Escola Politécnica). Até 
a década de 1930, conforme observa Artigas (apud ABEA, 1977, p. 53), “a Arquitetura não era 
profissão: ela se confundia com a atividade popular, cada um construindo a seu modo, com os 
recursos e as limitações do momento”. Para exercer essa atividade, não havia a exigência de 
qualificação, registro ou normas específicas direcionadas ao responsável pela construção.
Data de 1933 o primeiro diploma legal que regula o exercício das profissões de engenheiro, de 
arquiteto e de agrimensor: o Decreto nº 23.569. O referido decreto estabeleceu as competências 
e as especializações desses profissionais, regulou a necessidade do registro e da carteira 
profissional como requisitos para atuação na área, e normalizou as atividades de fiscalização e as 
penalidades cabíveis. Fundou o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (abrangendo ainda 
os agrimensores) e os Conselhos Regionais, conhecido como sistema CONFEA-CREA, responsável 
por fiscalizar o exercício dessas profissões.
A Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, é outro marco importante na regulamentação 
58
da profissão de arquitetura. Entretanto, o dispositivo ainda mantém arquitetos, engenheiros e 
agrônomos (denominação que substituiu a dos agrimensores) sob o mesmo regime e estrutura 
organizacional. A luta dacategoria por um órgão representativo próprio só se encerrou em 2010, 
com a Lei nº 12.378, que sedimentou por fim caminhos distintos entre arquitetos e engenheiros 
do ponto de vista da regulamentação da profissão.
A lei pacificou uma demanda histórica dos arquitetos cujas especificidades se misturavam 
e se diluíam com a dos engenheiros e outras profissões correlatas no enorme sistema CONFEA-
CREA, mas colocou à mesa outras questões e conflitos. O perfil generalista da formação e atuação 
do arquiteto acaba tangenciando, e mesmo confundindo, suas atribuições com a de outras 
áreas e formações. Essa tensão tem se evidenciado sobretudo no debate sobre as competências 
privativas e compartilhadas desses profissionais, como veremos mais adiante.
Na sequência, trazemos um pouco mais sobre o dispositivo legal vigente e a estrutura 
representativa atual dos arquitetos e urbanistas.
2.1 Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010
A Lei nº 12.378/2010 é o dispositivo legal que atualmente regulamenta o exercício da 
arquitetura e do urbanismo no país. Cabe destacar que “a regulamentação de uma profissão pelo 
Estado leva em conta, sobretudo, se o exercício profissional pode causar danos sociais ou expor 
vidas humanas a riscos” (CAU/BR, 2016, p. 46), isto é, tem o objetivo de resguardar a sociedade e 
o ambiente da prática ilegal ou irresponsável da profissão.
Na lei, estão discriminadas as atribuições dos arquitetos e urbanistas e os campos de atuação 
no setor, que podemos pontuar, conforme seu artigo 2º, resumidamente em:
• arquitetura e urbanismo,
• arquitetura de interiores,
• arquitetura paisagística,
• patrimônio histórico cultural e artístico,
• planejamento urbano e regional,
• topografia,
• tecnologia e resistência dos materiais,
• elementos e produtos da construção e patologias e recuperações,
• sistemas construtivos e estruturais,
59
• instalações e equipamentos,
• conforto ambiental
• meio ambiente.
A lei criou ainda o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos 
de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal (CAUs), desvinculando os arquitetos 
do sistema CONFEA-CREA. Nesse sentido, o título de arquiteto e urbanista só pode ser utilizado 
por pessoas com registro no CAU e que tenham formação superior na área (art. 6º). O registro 
é nacional, de forma que o profissional registrado em determinada unidade da federação, pode 
atuar em todas as demais áreas, sem necessidade de outro registro.
No dispositivo estão ainda previstos serviços como a emissão de Registro de Responsabilidade 
Técnica (RRT), de certidões e suas respectivas taxas, bem como o pagamento da anuidade. Traz 
ainda dispositivos sobre constituição de acervos técnicos, infrações e sanções disciplinares a 
serem fiscalizadas pelo sistema CAU/BR-CAU.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
2.2 Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU)
Segundo o artigo 24º da Lei 12.378/2010, o CAU/BR e o CAUs são autarquias com personalidade 
jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira e estrutura federativa, c suas 
atividades são custeadas exclusivamente por suas próprias rendas. Possuem como função orientar, 
disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão, zelando pelos princípios de ética e disciplina da 
categoria em todo o território nacional, empenhando-se ainda no aperfeiçoamento do campo.
60
Castilho (2014, p. 20-21) observa que o Conselho tem por objetivo a defesa de dois tipos 
de interesses: aqueles dos destinatários dos serviços de Arquitetura, bem como aqueles dos 
próprios profissionais da área, e pondera que os dois não podem apresentar oposição sob pena 
de sacrificar valores importantes. Deve-se encontrar um equilíbrio, mas sempre considerando 
que os valores corporativos jamais podem se sobrepor ao interesse comum.
O mesmo autor identifica (2014, p. 21-22) três poderes atribuídos ao CAU:
Disciplinar
Diz respeito à competência para processar e julgar as infrações disciplinares cometidas pelos 
arquitetos, além de exigir conduta compatível com o código de ética específico
Regulamentar
Implica na elaboração de normas e provimentos necessários ao cumprimento da Lei nº 
12.378/10.
Representar
Corresponde ao papel de representar toda a categoria perante os poderes públicos.
O poder de regulamentação atribuído ao CAU/BR já resultou numa série de resoluções 
aprovadas em Conselho, muitas das quais visaram melhor delinear pontos citados na Lei nº 
12.378/10. Citamos algumas que são importantes você ter conhecimento no seu processo de 
formação acadêmica.
O poder de regulamentação atribuído ao CAU/BR já resultou numa série de resoluções 
aprovadas em Conselho, muitas das quais visaram melhor delinear pontos citados na Lei nº 
12.378/10. Citamos algumas que são importantes você ter conhecimento no seu processo de 
formação acadêmica.
Resolução CAU/BR nº 21
Dispõe sobre as atividades e atribuições profissionais do arquiteto e urbanista.
Resolução CAU/BR nº 51
Dispõe sobre áreas de atuação privativas dos arquitetos e urbanistas e as áreas de atuação 
compartilhadas com outras profissões regulamentadas.
Resolução CAU/BR nº 52
61
Aprova o Código de Ética e Disciplina do CAU/BR.
Resoluções CAU/BR nº 64 e nº 76
Aprova Tabelas de Honorários de Serviços de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.
Resolução CAU/BR nº 67
Dispõe sobre os Direitos Autorais na Arquitetura e Urbanismo, estabelece normas e condições 
para o registro de obras intelectuais.
A Resolução CAU/BR nº 51 de 12 de julho de 2013 foi revogada pelo próprio CAU/BR em 
setembro de 2019 depois de diversos conflitos e embates judiciais. Isso porque, ao delinear 
competências privativas dos arquitetos e urbanistas, a resolução acabou afetando a atuação de 
outros profissionais que não possuíam formação na área, incorrendo em interdições e multas. 
Conheça mais sobre esse debate no vídeo a seguir.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
3. ÉTICA PROFISSIONAL
Falar em ética profissional pode parecer um assunto complicado. De fato, a ética é um tema 
muito amplo, tratado no campo da filosofia, cujo conceito tem sua própria história, mudando de 
acordo com os pensadores e com o tempo. Para nós, é importante saber que trata especialmente 
de comportamento, de responsabilidades, de compreensão do certo e do errado, entendendo os 
limites de si mesmo e do outro. Diz respeito a se comportar corretamente e de acordo com um 
conjunto de preceitos e regras individuais e coletivas.
62
Segundo o Dicionário Houaiss, ética é “1. conjunto de preceitos sobre o que é moralmente 
certo ou errado. 2. parte da filosofia dedicada aos princípios que orientam o comportamento” 
(HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 2008). Em outras palavras, a ética se dedica a pensar sobre esses 
conceitos de bom e mau, ou bem e mal, que não são valores absolutos, mas relativos, dependem 
do contexto, da sociedade, das relações em que são considerados. “A Ética, portanto, indaga como 
esses valores se aplicam ao relacionamento humano, pois a adoção de uma conduta correta visa 
à melhor convivência possível” (MELLO FILHO, 2018, p. 29).
Aplicada ao campo profissional, a ética se dedica aos preceitos que devem ser considerados nas 
relações de trabalho, seja nas relações internas, no tocante a sua comunidade profissional, seja nas 
relações externas, no tocante à coletividade pública. Como coloca Mello Filho (2018, p. 28), trata do 
“mundo do ‘dever ser’ (dos juízos de valor)”, isto é, no nosso caso, de saber como deve se comportar 
o arquiteto e urbanista nas relações que perpassam a sua rotina de atuação profissional.
Daí decorre a importância dos princípios e normas da profissão estarem registrados em 
códigos ou regulamentos, de forma que,
a ética profissional é a tradução do fato de as profissões respeitarem os valores que, por sua vez, 
inspiram os deveres constantes na forma de princípios e regras escritas. No caso do arquiteto e do 
urbanista os respectivos enunciados constam no Código. (MELLO FILHO, 2018, p. 39)O autor refere-se ao Código de Ética e Disciplina do CAU/BR, aprovado por meio da Resolução 
CAU/BR nº 52 de 6 de setembro de 2013, anteriormente citada. O Código regulamenta os 
artigos 17 a 23 da Lei nº 12.378/2010, definindo os parâmetros deontológicos (princípios, regras 
e deveres de uma profissão) que devem orientar a conduta dos profissionais registrados no 
Conselho. Segundo o documento (CAU/BR, 2013a), são duas as suas funções: uma é a educacional 
preventiva, cujo objetivo é a informação pública sobre a dignidade da Arquitetura e Urbanismo e 
os deveres de seus profissionais; outra é coercitiva, que visa reprimir procedimentos inadequados 
de indivíduos sujeitando-os à ética e à disciplina da profissão.
O Código está estruturado em princípios (normas amplas), regras (derivam dos princípios e 
relacionam-se a circunstâncias objetivos e concretas) e recomendações (cujo descumprimento 
não implica em sanções disciplinares). E, adotando essas três classes, dita:
obrigações gerais;
obrigações para com o interesse públicos;
obrigações para com o contratante;
obrigações para com a profissão;
63
obrigações para com os colegas;
e obrigações para com o CAU.
Na sequência, abordaremos um pouco mais sobre as primeiras duas obrigações, que 
entendemos como estruturais.
3.1 Obrigações gerais
As obrigações gerais são aquelas de caráter geral e amplo que constituem o pano de fundo 
para uma atuação profissional ética. Nesse tópico, o Código estabelece cinco princípios, seis 
regras e cinco recomendações. Vejamos o primeiro princípio:
1.1.1
O arquiteto e urbanista é um profissional liberal, nos termos da doutrina trabalhista 
brasileira, o qual exerce atividades intelectuais de interesse público e alcance social mediante 
diversas relações de trabalho. Portanto, esse profissional deve deter, por formação, um conjunto 
sistematizado de conhecimentos das artes, das ciências e das técnicas, assim como das teorias e 
práticas específicas da Arquitetura e Urbanismo. (CAU/BR, 2013a, grifo nosso)
Conforme elucida Mello Filho (2018), o sentido de profissional liberal no texto tem a ver 
com autonomia do exercício profissional relativamente aos conhecimentos técnico-científicos, 
competências e habilidades, independentemente do regime de contratação. Isto é, o arquiteto 
e urbanista pode estar subordinado administrativamente em função de vínculo trabalhista, mas 
na prática de sua profissão ele deve prezar por uma atuação condizente com os preceitos éticos 
e disciplinares relativos à classe. O quarto princípio complementa essa ideia, já que preconiza 
que o profissional de preservar “sua independência de opinião, imparcialidade, integridade e 
competência profissional, de modo a contribuir, por meio do desempenho de suas atribuições 
específicas, para o desenvolvimento do ambiente construído” (CAU/BR, 2013a).
Dentre as regras, que são aquelas cuja transgressão pode caracterizar infração, estão entre os 
deveres dos arquitetos e urbanistas:
• a necessidade de responsabilizar-se pelas tarefas ou trabalhos de suas equipes, assegu-
rando que atuem conforme as melhores técnicas;
• a manutenção e defesa da autonomia da profissão, orientando e fundamentando suas 
decisões de acordo com suas convicções artísticas, técnicas e científicas, não aceitando 
imposições e pressões contrárias;
• rejeitar condições de trabalho não condizentes com o Código;
• atuar de acordo com os limites de suas atribuições, habilidades e competências.
64
Já entre as recomendações, temos o dever de:
• aprimorar os conhecimentos por meio de capacitação continuada;
• contribuir para a melhoria das tecnologias relativas ao campo profissional;
• colaborar para que auxiliares ou empregados sob sua responsabilidade adquiram e aper-
feiçoem capacidades e habilidades;
• defender o direito à crítica sobre artes, ciências e técnicas desde que de forma funda-
mentada;
• respeitar códigos de ética e disciplina relativos à profissão vigentes nos países nos quais 
venha a atuar.
3.2 Obrigações com o interesse público
O arquiteto e urbanista, ao intervir na cidade, no meio urbano, no ambiente natural ou 
construído, possui importante papel social. Interfere na vida das pessoas, na qualidade dos espaços 
urbanos e da arquitetura, na dinâmica urbana. Deve, assim, estar ciente de sua responsabilidade 
perante o interesse público. Mello Filho (2018, p. 38) argumenta que
o que define o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade que decorre 
do seu compromisso público. Quanto maior a relevância social da profissão, mais importantes são os 
compromissos e responsabilidades decorrentes.
Nesse capítulo sobre os deveres da profissão, constam dois princípios, oito regras e seis 
recomendações. O primeiro princípio apregoa que:
2.2.1
O arquiteto e urbanista deve defender o interesse público e respeitar o teor das leis que 
regem o exercício profissional, considerando as consequências de suas atividades segundo os 
princípios de sustentabilidade socioambiental e contribuindo para a boa qualidade das cidades, 
das edificações e sua inserção harmoniosa na circunvizinhança, e do ordenamento territorial, em 
respeito às paisagens naturais, rurais e urbanas (CAU/BR, 2013a).
Este princípio deixa clara a responsabilidade do profissional ao exercer suas atividades. Deve 
considerar aspectos como sustentabilidade, qualidade e harmonia. Deve atentar ao contexto em 
que intervém, atuando de acordo com a legislação, com as normas, mas dotado de sensibilidade 
perceptiva. Conforme as regras elencadas neste item do Código, o arquiteto e urbanista deve:
• considerar o impacto social e ambiental de suas atividades;
• respeitar valores e heranças naturais e culturais da comunidade;
65
• zelar pela preservação do patrimônio público;
• respeitar o patrimônio histórico e artístico;
• considerar a harmonia com os recursos naturais;
• buscar a qualidade da construção, prezando pelo bem-estar e segurança das pessoas.
4. LEGISLAÇÃO BÁSICA PARA A PRÁTICA PROJETUAL
Vimos até aqui as bases legais e a estrutura organizacional da profissão de arquiteto e 
urbanista. Passemos, agora, para o âmbito da prática projetual, atividade considerada a essência 
da profissão ao se configurar como momento de síntese e convergência de aprendizados. No ato 
de projetar, o estudante ou o profissional, resgata e traduz toda bagagem adquirida ao longo do 
tempo em uma linguagem em soluções arquitetônicas, urbanísticas e/ou paisagísticas.
Observe a figura “Cidade hipotética” e imagine que você foi contratado para fazer um projeto 
para um dos lotes situados nesse amplo espaço vazio que aparece na imagem. Tarefa fácil ou 
difícil? Em uma cidade hipotética, dotada de vários lotes vazios, é possível propor qualquer tipo 
de construção, não é mesmo? Você pode dar a forma que quiser, é livre para estabelecer a altura, 
a ocupação do edifício em relação ao lote e os afastamentos em relação aos demais lotes e à rua. 
Pode também inserir portas e janelas de qualquer tamanho e forma, a cobertura pode ser de 
qualquer material e não precisa considerar nenhuma preexistência.
FIQUE DE OLHO
No site do CAU, você pode ter acesso a todas as normas, resoluções e publicações 
citadas. Pode conhecer mais sobre as atividades do Conselho, seus membros, sua 
estrutura, calendário e agenda oficiais. Ler notícias, tirar dúvidas. Cadastrando-se você 
ainda recebe regularmente o clipping CAU/BR e se mantem atualizado das principais 
matérias jornalísticas sobre arquitetura e urbanismo.
66
Figura 1 - Cidade hipotética 
Fonte: Shutterstock, 2020.
Pense agora na sua cidade. Você poderia propor qualquer tipo de construção para um lote 
situado na sua rua? Veja, o estudante pode até elaborar um projeto para um lote hipotético como 
exercício, mas essa experiência não permite trabalhar e colocar em prática seus aprendizados de 
forma mais ampla. Ademais, no exercício da profissão não existe lote hipotético para se projetar 
e construir. Os projetos de arquitetura, urbanismoe paisagismo que visam serem executados são 
sempre destinados às cidades reais. Pode ser que o projeto esteja em uma área rural ou natural, 
no entanto, mais comumente, inserem-se em áreas urbanas; em determinada área, região, 
bairro, rua, lote da cidade.
Na cidade real, os arquitetos e urbanistas estão sujeitos e devem obedecer a legislação 
vigente, seja federal, estadual ou municipal. Vejamos algumas importantes leis que você deve 
conhecer e que terão presença constante na sua atividade projetual profissional.
4.1 Legislação federal
Como dissemos, o maior campo para a atuação dos arquitetos são as cidades, isso porque 
a maior parte da população está nelas concentradas. O profissional pode ser contratado para 
fazer o projeto de uma casa de fazenda ou pousada rural, mas, o maior volume de projetos será 
certamente em áreas urbanas. Observe que, segundo dados do IBGE de 2015, no Brasil, cerca de 
85% da população vive em áreas urbanas, contra 15% que vive em áreas rurais.
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu entre seus direitos e garantias fundamentais, a 
função social da propriedade e, no Capítulo II, dispôs sobre a Política Urbana, atribuindo sua 
execução ao poder público municipal. Os artigos 182 e 183 que compõem o referido capítulo foram 
regulamentados somente em 2001, por meio da Lei 10.257, conhecida como o Estatuto da Cidade. 
Nessa lei estão previstos instrumentos importantes para a elaboração da política urbana como:
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• desapropriação;
• tombamento;
• instituição de zonas especiais de interesse social;
• parcelamento, edificação ou utilização compulsórios;
• usucapião;
• direito de superfície;
• direito de preempção; outorga onerosa;
• transferência do direito de construir;
• operações urbanas consorciadas;
• entre outros.
O Estatuto instituiu ainda como instrumento básico da política urbana o plano diretor, 
obrigatório para cidades com mais de 20.000 habitantes e que deve ser aprovado por lei municipal. 
No plano, deve constar a política de ordenação, desenvolvimento e expansão urbana; havendo 
o entendimento de que a propriedade urbana cumprirá sua função social na medida em que 
estiver alinhada às diretrizes e exigências constantes nesse documento. O Estatuto inovou ainda 
ao prever instrumentos voltados à gestão democrática das cidades como conferências, debates, 
audiências e consultas públicas.
Outra lei fundamental para o projetista é a Lei nº 6.766 de 19 de dezembro de 1979, que 
dispõe sobre o parcelamento do solo urbano. Ainda que o município, em geral, disponha de leis de 
parcelamento e uso do solo mais restritivas do que a lei federal, é importante saber que as regras 
gerais e os parâmetros mínimos para loteamentos e desmembramentos estão ali estabelecidas. 
O lote que adotamos no item anterior, como exercício de reflexão e introdução deste conteúdo, 
deveria ter, por exemplo, segundo a Lei n nº 6.766, área mínima de 125 m², e frente mínima de 5 
m, excetuando-se situações específicas, aprovadas pelos órgãos competentes (art. 4º, inciso II).
Temas como proteção do meio ambiente e do patrimônio cultural são de atribuição comum 
entre governo federal, estadual e municipal. Assim, é possível ter leis sobre o tema nas três 
esferas, devendo o profissional projetista observar todas elas, valendo, em geral, a mais restritiva 
sobre o tema. Ou seja, a aplicação da lei não é hierárquica no sentido da esfera de poder e sim da 
maior restrição imposta. No âmbito federal, sobre os temas, destacamos a Lei nº 12.651/2012, 
conhecida como Código Florestal, e o Decreto-Lei nº 25/37, que organiza a proteção do patrimônio 
histórico e artístico nacional.
68
4.2 Legislação municipal
O Plano Diretor é instrumento obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes ou 
dotadas de outras características específicas, conforme elencadas no artigo 41 do Estatuto da 
Cidade. Significa dizer que nem todas as cidades do país possuem esse instrumento, sobretudo 
se somarmos ao levantamento aquelas que mesmo encaixando no perfil de obrigatoriedade 
não conseguiram formular o Plano ou o fizeram de forma incompleta ou equivocada. Mas é 
quase certo que toda cidade, ainda que de pequeno porte, possua leis urbanísticas que regem 
competências de uso do solo, zoneamento e parâmetros urbanísticos.
Dito em outras palavras, toda cidade possui leis, códigos e/ou normas que recebem diferentes 
nomes: código de obras, lei de uso e ocupação do solo, lei de parcelamento, entre outros. Uma 
cidade de porte pequeno, por exemplo, pode possuir apenas um código de obras e/ou uma lei 
de uso e ocupação do solo, mas, se muito modesta, as vezes nem isso. Uma cidade de médio ou 
grande porte, no entanto, possui um arcabouço legislativo significativo, muitas vezes complexos, 
que demandam atenção e dedicação do projetista para entendimento, a fim de evitar envidar 
esforços em projetos que não possam vir a ser aprovados pela prefeitura.
Idealmente, o Plano Diretor aponta as diretrizes de ordenamento e crescimento urbano e 
as leis abaixo dele regulamentam e detalham o que está ali previsto. Para termos uma ideia, é 
esse aparato legislativo municipal que vai nos dizer, por exemplo, onde se pode construir, com 
que tamanho e características, quais usos (residencial, comercial, industrial etc.) e atividades são 
aceitáveis e quais devem ser evitados, de acordo com cada setor da cidade. A legislação pode 
ainda determinar áreas de preservação cultural e ambiental, soluções para mobilidade urbana, 
eixos de expansão da cidade, entre outros.
O importante é se inteirar da legislação vigente antes de iniciar seu projeto! Em geral, nos sites 
da prefeitura, é possível encontrar toda legislação urbanística, além de orientações específicas 
relativas aos procedimentos administrativos necessários à aprovação de projetos arquitetônicos. 
Acesse o site da prefeitura de sua cidade e familiarize-se com esse conteúdo.
FIQUE DE OLHO
É importantíssimo estar a par e atualizado sobre a legislação voltada à promoção da 
acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais e mobilidade reduzida. 
No âmbito federal, a Lei nº 10.098/2000 e o Decreto nº 5.296/2004 estabelecem as 
diretrizes gerais, sendo ainda fundamental conhecer as normas técnicas da Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) relativas ao tema.
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5. OUTROS TEMAS RELEVANTES
Uma profissão regulamentada e com conselho de classe apresenta vantagens em relação a 
outras onde não há essa estrutura. Além de resguardar a sociedade no sentido de prezar pela 
segurança e qualidade dos serviços prestados no país, também ajuda a regulamentar outros 
aspectos ligados à profissão. No caso do CAU, dois temas importantes foram objeto de suas 
resoluções: os direitos autorais e os honorários profissionais.
5.1 Direitos autorais
No processo de elaboração de um projeto, é prática comum o estudante ou mesmo o 
profissional recorrer a referências em outros projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos 
para elaboração de sua proposta. Pesquisam em livros, revistas e sites como outros arquitetos 
solucionaram demandas com temas e/ou funções semelhantes, para que sirvam de inspiração e 
ajudem no seu processo criativo. Entretanto, é preciso um certo cuidado com esse procedimento 
para que o projeto dele resultante não venha a ser considerado plágio.
Apesar da existência dessa lei, o CAU/BR especificou e detalhou o tema dos direitos autorais 
voltado para as criações arquitetônicas e urbanísticas, por meio da Resolução nº 67 de 5, de 
dezembro de 2013, onde também estabeleceu normas e condições para proceder ao registro das 
obras intelectuais (sejam projetos, obras e/ou trabalhos técnicos). Segundo a resolução, o plágio 
configura-se na reprodução de dois dos seguintes atributos do projeto ou obra: partido topológico 
e estrutural; distribuição funcional; ou forma volumétrica ou espacial, interna ou externa; mesmo 
que se utilize materiais, cores e texturas diversas do original(art. 21).
Fique atento, pois você também pode fazer o registro de seu projeto e/ou obra e se resguardar 
de um possível plágio. Para isso, o CAU oferece o serviço de Registro de Direito Autoral (RDA), que 
70
tem fácil tramitação e custo acessível. Cabe esclarecer que esse registro não é obrigatório para a 
proteção jurídica de sua obra, bastando comprovar a autoria; mas ele facilita essa comprovação, 
constituindo-se como uma prova oficial forte com o registro da data em que a obra foi idealizada 
ou construída.
5.2 Honorários profissionais
Quanto cobrar pelo projeto de uma casa? E se o projeto for de um prédio de 10 andares? 
Quanto vou receber por acompanhar a obra? E se eu for prestar somente serviços de consultoria? 
São perguntas que certamente irão surgir quando você começar a atuar profissionalmente. O 
quanto cobrar pelos serviços profissionais é um tema importante de estar regulamentado e/ou 
tabelado pelo órgão de classe a fim de evitar a concorrência desleal ou a cobrança exorbitante 
por parte dos profissionais.
O CAU/BR, por meio das Resoluções nº 64/2013 e nº 76/2014, aprovou a tabela com os 
honorários para os serviços de arquitetura e urbanismo no Brasil. Conforme o presidente da 
autarquia explica no prefácio do documento, o procedimento visa resgatar o valor do profissional, 
dando transparência à complexidade que envolvem a elaboração e execução de projetos na área. 
A Tabela de Honorários abarca 211 tipos atividades que compõem as atribuições profissionais, 
dividindo-as em 3 módulos: remuneração por projetos arquitetônicos de edificações; remuneração 
por projetos e serviços diversos; e remuneração pela execução de obras e outras atividades (CAU/
BR, 2013b).
Certamente o preço pode ser ajustado no processo de negociação entre o arquiteto e o cliente, 
pois podem ser considerados outros fatores (como contexto político, econômico, experiência e 
fama do profissional ou do escritório, prazos, capacidade de execução, entre outros). No entanto, 
é sempre recomendável que os valores não fujam demasiado da tabela, a fim de manter uma 
relação equilibrada de concorrência e de contrato, ajudando a valorizar e dar credibilidade aos 
serviços de arquitetura e urbanismo.
71
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender o perfil de formação do arquiteto e urbanista no Brasil, de caráter 
generalista, com aptidão para traduzir necessidades de indivíduos, grupos sociais e 
comunidade, no nível da edificação, do urbanismo e do paisagismo, devendo estar 
ainda atento para a conservação e valorização do patrimônio construído e para a 
proteção do ambiente natural e o uso racional de recursos;
• conhecer um pouco mais sobre a relação entre a formação acadêmica e as atribui-
ções profissionais, e sobre as entidades internacionais e nacionais representativas 
da categoria, seja enquanto profissional como das suas diversas áreas de atuação;
• inteirar-se sobre o processo de regulamentação profissional e sobre a luta histórica 
dos arquitetos por um sistema disciplinar próprio, desvinculado dos engenheiros;
• atualizar-se acerca do dispositivo legal que rege a profissão, o Decreto nº 
12.378/2010, e a estrutura representativa dos arquitetos e urbanistas, o sistema 
CAU/BR-CAU;
• conhecer o Código de Ética e disciplina do CAU/BR, instrumento que dispõe sobre 
a postura que deve ter o arquiteto e urbanista em sua atuação e relações profissio-
nais, aprofundando o entendimento sobre as obrigações gerais e as obrigações para 
com o interesse público;
• informar-se sobre importantes leis que se tornarão presença constante na sua ati-
vidade profissional na prática de projeto, explorando algumas do âmbito federal, 
como o Estatuto da Cidade e a Lei de parcelamento do solo, e outras do âmbito 
municipal, que regulam uso do solo, zoneamento e parâmetros urbanísticos;
• compreender o Plano Diretor, instrumento fundamental da política urbana, obri-
gatório para municípios com mais de 20.000 habitantes e que objetiva ordenar e 
planejar a expansão das cidades brasileiras;
• conhecer dois temas relevantes para a prática profissional que foram regulamenta-
dos por resoluções do CAU/BR: os direitos autorais sobre projetos e obras de arqui-
tetura e urbanismo e a tabela de honorários profissionais.
PARA RESUMIR
ABEA. Sobre a História do Ensino de Arquitetura no Brasil. São Paulo: Associação 
Brasileira de Escolas de Arquitetura, 1977.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 2, de 17 de junho de 2010. Institui as 
Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo, 
alterando dispositivos da Resolução CNE/CES nº 6/2006.
CASTILHO, J. R. Fs. Legislação profissional da arquitetura. São Paulo: Pillares, 2014.
CAU/BR. Manual do Arquiteto e Urbanista. 2. ed. Brasília, Conselho de Arquitetura e 
Urbanismo do Brasil, 2016.
CAU/BR. Resolução nº 52, de 6 de setembro de 2013. Aprova o Código de Ética e 
Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Brasília, 2013a.
CAU/BR. Resolução nº 64, de 8 de novembro de 2013. Aprova o Módulo I – Remuneração 
do Projeto Arquitetônico de Edificações, das Tabelas de Honorários de Serviços de 
Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Brasília, 2013b.
HOUAISS, A.; VILLAR, S.; FRANCO, F. M. M. Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 
3. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.
MELLO FILHO, J. H. Ética em arquitetura e urbanismo: Comentários ao Código de Ética 
e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Brasília: CAU/BR, 2018.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 4
Arquitetura e urbanismo: mercado 
de trabalho e sustentabilidade
Você está na unidade Arquitetura e Urbanismo: mercado de trabalho e sustentabilidade. 
Conheça aqui os campos de atuação e as atribuições profissionais de arquitetos e 
urbanistas e a sua prática. Explica-se essas funções mostrando como a profissão, 
generalista, subdivide-se em categorias que, embora convirjam para o mesmo interesse, 
ou seja, criar espaços, apresenta sutilezas que qualificam diferentemente os caminhos 
que os profissionais atualmente seguem. Além disso, entenda a sustentabilidade como 
diretriz imprescindível e necessária para que se alcances melhores desempenhos e se 
promova o bem-estar da sociedade.
Bons estudos!
Introdução
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1 ATIVIDADES E CAMPOS DE ATUAÇÃO DE 
ARQUITETOS E URBANISTAS
Um indivíduo generalista tem “talentos, conhecimentos e interesses” que “se estendem a vários 
campos, não se confinando em uma especialização” (HOUAISS, 2001). A profissão do arquiteto e 
urbanista é generalista, pois é composta de dezenas de atividades que, isoladas ou em conjunto, 
têm o mesmo objetivo, que é propor, por meio de exercícios intelectuais profundos, repertório de 
informações vastos e habilidades específicas, espaços para habitação. Habitar é não somente se 
abrigar de intempéries e perigos externos, é também, em concordância com a arquiteta Juliana 
Neves (2017, p. 10), cercar-se de sentimentos e experiências despertados pelo ambiente:
A primeira impressão que fica não é um impacto meramente visual, e sim sensorial: a temperatura 
o aroma, a umidade do ar, a intensidade da luz, os sons do ambiente, a resposta do piso aos nossos 
passos – todos esses elementos, e uma infinidade de situações – influenciam o modo como nos 
sentimos em determinado lugar.
Considerando que a relação do ser humano com o ambiente se dá por meio de experiências 
estéticas, ou seja, de interações entre corpo, mente e espaço e que o ofício dos arquitetos e 
urbanistas é, além de produzir espaços construídos, também qualificar os não construídos, 
veremos, a partir de agora, quais são as atividades concernentes à profissão de acordo com a 
legislação brasileira e com as ações que as definem.
Segundo a Lei Federal nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010, que instituiu o Conselho de 
Arquitetura e Urbanismo do Brasil, as atribuições dos arquitetos e urbanistas são doze, as quais 
abordaremos mais detalhadamente a seguir.
1.1 Supervisão, coordenação, gestãoe orientação técnica
No planejamento de empresas de arquitetura, engenharia e construção há prescrições de 
uma série de tarefas relativas à execução de projetos e obras civis que são desenvolvidas por 
variado número de funcionários. O acompanhamento e a análise desses serviços, bem como a 
avaliação do desempenho dos responsáveis são ações de coordenação e supervisão.
Durante a fase de elaboração dos projetos, todas as tarefas necessárias para que eles sejam 
desenvolvidos com qualidade precisam ser gerenciadas desde a fase de concepção e elaboração.
A gestão, mencionada no enunciado, corresponde a essa ação, que acompanhará todo o 
processo, até sua implementação e execução.
Também fazem parte das ações de gestão o controle sobre processos e contratos dos serviços 
e bens produzidos, sempre em busca de melhoria e aperfeiçoamento.
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Por orientação técnica se entende o acompanhamento das obras de construção para que 
sejam respeitadas leis, normas e recomendações técnicas em função dos processos de execução 
dos projetos.
1.2 Coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação
Projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo requerem uma série de tarefas sequenciais, 
que assim podem ser descritas:
Coletas de dados
Levantamentos relativos às condições e elementos inerentes ao local de implantação do 
objeto ou espaço a ser projetado, que os reconhecem e compilam como fontes essenciais de 
informações.
Estudo
Com base nos itens do levantamento, o profissional realizará diagnóstico para o 
estabelecimento de diretrizes a serem seguidas no processo de projeto.
Planejamento
Refere-se às indicações do que e como se deve projetar. O planejamento está intrinsecamente 
ligado ao desenvolvimento de ações relativas ao programa arquitetônico, que nada mais é do 
que o reconhecimento de todas as necessidades dos usuários e a definição dos itens que serão 
executados no projeto.
Projeto
Desenvolve-se em várias etapas sequenciais, a saber: estudo preliminar, anteprojeto, projeto 
de legalização e projeto executivo.
Especificação
Na fase do projeto executivo, além da compatibilização entre o projeto de arquitetura – 
de urbanismo ou de paisagismo – com todos os projetos técnicos complementares (estrutura, 
instalações etc.), são realizados o detalhamento construtivo e as especificações de materiais de 
acabamento e, no caso dos projetos de paisagismo, das vegetações.
1.3 Estudo de viabilidade técnica e ambiental
Algumas decisões sobre a efetivação ou não de contratos se baseiam em dados referentes às 
condições dos bens em negociação: estudos sobre a localização do imóvel, geomorfologia do terreno 
77
para a implantação, legislação e normas técnicas pertinentes, tipo de empreendimento possível etc. 
O mesmo ocorre em função desses mesmos dados e dos impactos ambientais esperados, viabilidade 
econômica e financeira, pontos positivos e negativos, ameaças e oportunidades, identificação do 
público-alvo e muitas outras informações necessárias – e por vezes obrigatórias – que ajudam 
empreendedores, fornecedores, poder público e cidadãos a estarem a par das intenções dos 
proponentes. Todas essas ações definem o estudo de viabilidade, tanto técnica quanto ambiental, 
que precisa ser realizado pelos profissionais de arquitetura e urbanismo.
1.4 Assistência técnica, assessoria e consultoria
A assistência técnica é definida como a atividade exercida por profissional especializado no 
sentido de informar e auxiliar a população, empresas e poder público a respeito de procedimentos 
relativos às atividades de arquitetura e urbanismo.
A assessoria é a atividade que se vale dos conhecimentos técnicos de profissionais especialistas 
para controlar e viabilizar projetos, obras e execução de serviços compatíveis.com os mesmos.
Prestar consultoria significa orientar, aconselhar e definir encaminhamentos no sentido de 
otimizar procedimentos. Normalmente os serviços de consultoria são acompanhados de textos 
analíticos, pareceres e relatórios técnicos baseados em estudos teóricos e vivências práticas.
1.5 Direção de obras e de serviço técnico
Arquitetos e urbanistas estão aptos a supervisionar e administrar obras e serviços técnicos 
– estruturas, instalações elétricas, instalações hidráulicas, instalações sanitárias, instalações 
mecânicas, telefonia, sistemas de combate a incêndio, ar condicionado e outros – para a 
efetivação das construções.
1.6 Vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, 
auditoria e arbitragem
Nos processos judiciais em que imóveis – casas, edifícios residenciais, comerciais ou 
industriais etc. – são identificados como elementos que configuram litígios, agregam valores, 
despertam dúvidas técnicas e constituintes objetos de disputas entre as partes, arquitetos e 
urbanistas são contratados pelo juiz, pelo advogado de defesa e pelo advogado de acusação para 
esclarecimentos testemunhais e/ou pereceres técnicos que serão incorporados aos processos e 
definem, portanto, a perícia técnica. Este trabalho se constitui de etapas de vistoria, avaliação 
e/ou monitoramento, execução de laudo e parecer técnico. Também pode ser solicitado pelos 
agentes da justiça a realização de auditoria, para acompanhamento e medição da probidade 
dos procedimentos, bem como a arbitragem, que consiste em solucionar conflitos que geraram 
os embates baseados em diretrizes técnicas e experiências profissionais comprovadas e sob 
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aceitação e deferimento do Poder Judiciário.
1.7 Desempenho de cargo e função técnica
Quando o profissional exerce atividade continuada, cumpre contratos de serviços temporários, 
está contratado com carteira assinada ou é servidor público nas áreas de arquitetura e urbanismo, 
tais serviços são considerados como de desempenho de cargo ou de função técnica.
1.8 Treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária
Ensino, pesquisa e extensão universitária são atividades exercidas por arquitetos e urbanistas 
com o intuito de transmitir e produzir cientificidades relativas às suas experiências acadêmicas e 
profissionais. O treinamento faz o mesmo, porém de modo diretamente relacionado à prática. Os 
professores nessas áreas de conhecimento são, no geral, formados em arquitetura e urbanismo.
1.9 Desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, 
mensuração e controle de qualidade
Estas atividades constituem o exercício da ciência arquitetônica e urbanística com objetivo 
de estipular padrões de referências com base em amostragens e experiências laboratoriais. 
Conheça-as melhor abaixo:
Desenvolvimento
Produz protótipos, modelos, equipamentos, bens ou serviços.
Análise
Examina e identifica os elementos e as partes que constituem sistemas.
Experimentação
Observa eventos, os registra e analisa, estabelece comparativos e conclusões com base nas 
observações.
Ensaio
Investiga sumariamente fenômenos, técnica e cientificamente.
Padronização
Estabelece parâmetros e os adota como norma em procedimentos posteriores.
79
Mensuração
Registra fatores e ações por meio de instrumentos, métodos e procedimentos de medida.
Controle de qualidade
Consiste em fiscalizar processos com o objetivo de estabelecer que os mesmos ocorram de 
modo eficaz e concernentes a leis e normas técnicas
1.10 Elaboração de orçamento
A todos os processos, sejam projetos ou obras, precisam ser atribuídos valores monetários. 
Tais valores servirão como parâmetros quantitativos de controle e como fatores importantes para 
a efetivação de contratos. Arquitetos e urbanistas têm atribuições profissionais que os qualificam 
como especialistas em produzir orçamento.
1.11 Produção e divulgação técnica especializada
Refere-se à produção de publicações técnicas concernentes ao ofício de arquitetura e 
urbanismo produzidas para divulgação deste e de suas atribuições profissionais.
1.12 Execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico
Os edifícios, para serem construídos, necessitam de ações especializadas que configuramnão somente a obra em si, mas todos os serviços acessórios e complementares. Trata-se da 
conjunção de todas as ações – arquitetura, estrutura, instalações e outros serviços – em prol da 
materialização das ideias projetadas. Todas essas atividades são de responsabilidade técnica de 
arquitetos e urbanistas e por eles devem ser fiscalizadas e conduzidas.
Figura 1 - Fiscalização e condução 
Fonte: Shutterstock, 2020.
80
As atividades e atribuições técnicas da arquitetura e do urbanismo, conforme visto acima, 
são aplicadas em diversos campos de trabalho, entre eles as atividades de projeto, supervisão de 
obras, arquitetura de interiores, paisagismo, restauração e preservação do patrimônio cultural, 
planejamento urbano, sistemas construtivos, sistemas estruturais e instalações.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Todas essas atribuições e campos de atuação foram, em 05 de abril de 2012, esquadrinhadas 
por meio da Resolução nº 51, assinada então pelo presidente do CAU-BR (Conselho de Arquitetura 
e Urbanismo do Brasil), porém gerou polêmicas.
Na Resolução, a descrição das atividades e atribuições, todas elas passíveis de controle pelo 
conselho, apresentou uma abrangência que feriu interesses de várias profissões, tais como 
engenharias, design de interiores, paisagismo, museologia, arqueologia etc. em função da 
sobreposição de atividades profissionais e assim foi revogada.
Contudo, em setembro de 2019, o CAU-BR restabeleceu a Resolução 51 com eliminação de itens da norma 
e abriu consulta pública para que arquitetos e urbanistas, profissionais de outras áreas de conhecimento, 
legisladores e membros da sociedade em geral possam opinar e sugerir alterações (CAU-BR, 2019).
Os itens suspensos temporariamente tratam de atividades que têm causado controvérsias com 
as demais profissões afins. Entre outros itens, foi preservado o entendimento de que continuam 
sendo atribuições privativas dos arquitetos e urbanistas, o projeto arquitetônico, de urbanismo e de 
arquitetura da paisagem conforme estabelecido na Lei nº 12.378/2010.
[...]
A atualização da Resolução n° 51 implicará também a revisão de outros normativos do CAU/BR, a 
exemplo da Resolução n° 21, de 25 de abril de 2012, que regulamenta o artigo 2º. da Lei nº 12.378/2010 
e tipifica os serviços de arquitetura e urbanismo para efeito de registro de responsabilidade, acervo 
técnico e celebração de contratos de exercício profissional.
81
Assim sendo, atualmente no Brasil temos como parâmetro principal para a regulamentação 
e o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo somente a Lei Federal nº 12.378, de 31 de 
dezembro de 2010.
2 GENERALISTA OU ESPECIALISTA, QUAL É A 
TENDÊNCIA ATUAL DO MERCADO?
Como vimos, a legislação brasileira, ao estabelecer os critérios que descrevem a profissão de 
arquitetos e urbanistas, a caracteriza como uma atividade generalista. Desse modo, também os 
responsáveis pela formação dos graduandos nas universidades assim se comporta. O Ministério 
da Educação, na Resolução nº 6, de 2 de fevereiro de 2006, nos dois parágrafos do artigo 3º 
estabelece (BRASIL, 2006, on-line) que os cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo 
precisam “assegurar a formação de profissionais generalistas, capazes de compreender e traduzir 
as necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade” e que o curso deverá
estabelecer ações pedagógicas visando ao desenvolvimento de condutas e atitudes com 
responsabilidade técnica e social e terá por princípios: a) a qualidade de vida dos habitantes dos 
assentamentos humanos e a qualidade material do ambiente construído e sua durabilidade; b) o uso 
da tecnologia em respeito às necessidades sociais, culturais, estéticas e econômicas das comunidades; 
c) o equilíbrio ecológico e o desenvolvimento sustentável do ambiente natural e construído; d) 
a valorização e a preservação da arquitetura, do urbanismo e da paisagem como patrimônio e 
responsabilidade coletiva.
Apesar disso, ou seja, das instituições de ensino superior e do conselho profissional estarem 
empenhados em condicionar a profissão como generalista, o mercado de trabalho tem se 
mostrado propenso a acolher, com muito mais entusiasmo, profissionais especialistas. Por 
exemplo: arquitetos e urbanistas especializados em restauração de edifícios de valor patrimonial, 
em arquitetura da paisagem, em programas de conforto ambiental, em projetos arquitetônicos 
comerciais ou hospitalares apresentam-se ao mercado de trabalho de modo muito mais claro do 
que aqueles que aparentemente dominam toda a gama de conhecimentos gestados e amparados 
pela legislação.
FIQUE DE OLHO
A legislação brasileira estipula os campos de atuação e as atribuições dos arquitetos e 
urbanistas. É preciso que nos atentemos para as sobreposições que porventura possam 
ocorrer em comparação com outras profissões, sobretudo aquelas em conflito por 
causa, principalmente, da Resolução 51 do CAU-BR.
82
Por outro lado – a aí podemos entender o porquê do profissional generalista – a ciência 
arquitetônica, desde seu nascedouro, traz em si um caráter multifacetado. Podemos entender, 
portanto, que apesar do mercado profissional solicitar especialidades, nenhuma delas pode ser 
bem desenvolvida e aplicada se não houver uma profunda interlocução entre todas as vertentes 
científicas que configuram a essência da profissão.
Outros questionamentos:
Por que um profissional que está desenvolvendo o detalhamento de uma estante de madeira 
que guardará livros, objetos decorativos e aparelhos eletrônicos e que também conterá sistema 
de iluminação precisa conhecer a história da arquitetura barroca?
Ou mesmo, por que também para ele é necessário entender o cálculo estrutural, os sistemas 
de instalações hidráulicas e sanitárias e o problema habitacional brasileiro?
Podemos responder a essas interrogativas explicando que a formação generalista é essencial 
para o arquiteto e urbanista, pois sua profissão tem por prerrogativa produzir bem estar aos seres 
humanos por meio de suas propostas. O espaço, objeto final a ser alcançado pelas atividades e 
atribuições técnicas descritas nas leis e nos documentos teóricos, precisa, como dito por Marcus 
Vitruvius Pollio, arquiteto romano do primeiro século a.C., ter solidez, ser funcional e bela.
Podemos afirmar também que os espaços arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos, 
logicamente, devem ser como uma extensão não orgânica do ser humano, entendendo-o 
como o contentor de anseios, desejos e necessidades que podem ser alcançadas com as obras 
construídas e os espaços projetados. Fazer arquitetura é entender o ser humano e por isso a 
estante mencionada anteriormente será sempre mais bem elaborada e executada se o autor de 
seu projeto e supervisor de sua fabricação, montagem e instalação conhecer o que há além do 
móvel decorativo – e utilitário – que adorna sua sala de estar.
Entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018, o Museu Metropolitano de Nova Iorque exibiu 
perto de uma centena de trabalhos do arquiteto renascentista Michelangelo Buonarroti (1475 – 
1564). A exposição era composta de esculturas, maquete e desenhos e chamava-se Michelangelo: 
Divine Draftsman and Designer ou, em português, Michelangelo: divino desenhista e designer, 
mostrava parte de seus estudos desenvolvidos na virada do século XV e demonstrou não 
somente o incomparável talento do arquiteto, mas também a complexidade de sua excelência 
profissional. O arquiteto George A. Duo Dikinsion Jr., teórico americano, publicou em março de 
2018 contundente artigo que apresenta suas impressões sobre a exposição e sobre a pulverização 
profissional dos arquitetos da atualidade. No texto, intitulado Desenhos de Michelangelo 
mostram porque arquitetos deveriam ser generalistas, não especialistas (Archdaily, 2018) ele nos 
alerta que
83
A confluência sem esforço de palavras, desenhos, música, humanos, edifícios, linhas de carbono 
e tinta sépia revelou uma realidade que estamos perdendo na avalanche da tecnologia. À medidaque 
nosso conhecimento é coletado, filtrado e coordenado em enormes bancos de dados novos, o impulso 
humano é dominar a tecnologia, para que se torne seu escravo. [..] Mas a realidade efetiva é que toda 
profissão está se dividindo em especialização. Existem agora centenas de tipos de médicos. Partituras 
de especializações de advogados. Os arquitetos que eram uma vez como os veterinários, apenas 
com a diferenciação entre “Grandes Animais” e “Pequenos Animais”, gerou hoje em dia inúmeros 
consultores treinados que se concentram em telhados, paredes de vidro, iluminação, sustentabilidade, 
conservação de energia, isolamento, segurança, desenvolvimento e gerenciamento de informações, 
sistemas HVAC, gráficos, design universal, interiores, bem como todas as peculiarizações da função 
de construção: cidades, prisões, bibliotecas, transportes, comércios, jurídicos, acadêmicos, multi-
residenciais, hospitais, varejo, religiosos, e assim por diante.
O autor nos põe em confronto com a dicotomia, reinante hoje na academia e na vida 
prática, do virtual versus o analógico e da especialização versus a universalização. O cerne do 
texto nos questiona – e assim o autor o encerra – se controlaremos ou seremos controlados pela 
contemporaneidade. Da mesma forma podemos ponderar sobre os desafios atuais do arquiteto e 
urbanista, que precisa lidar com as exigências do mercado de trabalho, onde na maioria das vezes 
se solicita especializações frente à complexidade inerente da profissão, generalista por natureza.
Tais conflitos também podem explicar os conflitos provenientes dos debates entre os 
gestores do CAU-BR e os representantes das profissões que se sentem ameaçados pelos alegados 
sombreamentos de atividades descritas como campos de atuação de arquitetos e urbanistas na 
revogada Resolução 51.
3 SUSTENTABILIDADE EM ARQUITETURA E 
URBANISMO
Toda a produção humana, teórica e prática precisa estar em harmonia com o mundo que 
a cerca. O ser humano deve produzir sempre que possível com comedimento, em atenção ao 
que a natureza, os objetos manufaturados e as sociedades conseguem suportar e fornecer em 
devolução. A sinonímia do verbo sustentar nos induz a muitos significados (HOUAISS, 2001):
FIQUE DE OLHO
O arquiteto e urbanista é generalista e, para que os graduandos se formem, é necessário 
que enfrentem e absorvam extensa e complexa gama de ensinamentos, que abrangem 
áreas técnicas e artísticas. Segundo o Ministério da Educação, a profissão se insere no 
grupo das classificadas como Ciências Sociais Aplicadas.
84
• suportar;
• manter o equilíbrio;
• carregar; manter a resistência;
• alimentar-se;
• dar ou obter recursos necessários à manutenção;
• dar ou receber o necessário à vida;
• gerar recursos materiais para a sobrevivência de um país, uma classe social;
• garantir e fornecer meios;
• edificar;
• honrar;
• proteger;
• socorrer;
• resistir, lutar;
• defender;
• dar continuidade;
• afirmar categórica
• mente;
• confirmar;
• encorajar-se;
• manter por um tempo maior;
• entre outros.
Levando-se em consideração que fazer arquitetura significa proporcionar espaços e condições 
que mantenham o equilíbrio, a harmonia e a saúde das populações, individual e coletivamente, 
podemos afirmar – ou sustentar – que, quando falamos de sustentabilidade, direcionamos nossas 
atenções aos meios e aos objetivos que devemos alcançar com as ações dos profissionais de 
arquitetura e urbanismo.
85
Em 2015, mais de 150 líderes mundiais estiveram na sede da ONU (Organização das Nações 
Unidas), em Nova York, para debater sobre a adoção de uma nova agenda de desenvolvimento 
sustentável. Estipulou-se que até o ano de 2030, 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável) precisam ser implantados em todos os países do mundo. Por se tratar de 
procedimentos em benefício do bem-estar humano tratam, consequentemente, de ações que 
envolvem os pensamentos e as atitudes dos arquitetos e urbanistas. São elas:
• erradicação da pobreza;
• fome zero e agricultura sustentável;
• saúde e bem-estar;
• educação de qualidade;
• igualdade de gênero;
• água potável e saneamento;
• energia limpa e acessível;
• trabalho decente e crescimento econômico;
• indústria, inovação e infraestrutura;
• redução de desigualdades;
• cidades e comunidades sustentáveis;
• consumo e produção responsáveis;
• ação contra a mudança global do clima;
• vida na água;
• vida terrestre;
• paz, justiça e instituições eficazes; e
• parcerias e meios de implementação.
Entidades brasileiras de apoio aos profissionais de arquitetura e urbanismo, como o CAU-
BR e o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), têm desenvolvido e estimulado ações voltadas 
ao desenvolvimento sustentável, entre elas compilações de exemplos de projetos alinhados aos 
17 objetivos descritos, com o intuito de divulgar práticas em adequação às recomendações da 
ONU para o período até 2030. Algumas ações se destacam, referentes à produção de materiais 
para campanhas educativas; ao desenvolvimento de ações de empreendedorismo e assistência 
86
técnica para habitação de interesse social; à fiscalização, apoio e monitoramento de serviços 
para populações de baixa renda; ao apoio a políticas de infraestrutura espacial; e à ampliação 
da participação popular e à manutenção de transparência institucional no conselho profissional.
3.1 Ações sustentáveis em arquitetura
Agora, você verá alguns exemplos de otimização em propostas sustentáveis que têm sido 
usadas em projetos e construções com o intuito não só de tornar os edifícios mais agradáveis 
e confortáveis, mas também com posturas frente aos modos de execução dos serviços de obra. 
O objetivo é propor processos que sejam realizados com consciência em relação ao controle de 
emissão de carbono, sejam especificados materiais recicláveis e de baixo impacto energético, 
buscar soluções plásticas e funcionais em prol do controle climático das edificações e usar 
sistemas de controle de desperdício e outras diretrizes.
1 Uso de iluminação zenital – ou natural – em substituição à artificial em ambientes com 
poucas possibilidades de abertura de janelas, tais como corredores e depósitos. Normalmente 
localizadas nos planos de cobertura das construções, apresentam-se sob formato de telhados em 
shed, lanternins e claraboias.
2 Especificação de materiais de construção rústicos, ou seja, com pouca ou nenhuma 
intervenção industrial. De origem natural, têm sido utilizados em propostas contemporâneas, 
repetindo e redesenhando soluções experimentadas ao longo de toda a história da arquitetura.
3 A bioconstrução é definida por usar técnicas e materiais com impactos ambientais mínimos. 
O aprendizado se dá em respeito às tradições construtivas das comunidades, que têm por 
característica o uso de elementos naturais, sem ações de industrialização e à base de práticas 
artesanais. Como exemplo, podemos mencionar sistemas de construção que usam taipa, adobe, 
maçaroca, solo cimento, saneamento ambiental, entre outros.
4 Estímulo à reciclagem de materiais para execução de diversos elementos construtivos, tais 
como o concreto, o aço, o alumínio, o vidro, a madeira, o gesso e materiais plásticos. Em relação 
ao concreto, podemos destacar que utiliza em sua composição um elemento cuja indústria é 
uma das mais poluentes do planeta e agregados – areia e brita – que exercem grande impacto 
ambiental em função dos processos de extração, daí a importância de sua reutilização, que ocorre 
após trituração e seleção de seus resíduos para novos usos.
5 Edifícios verdes são projetados e construídos com base em preceitos de sustentabilidade 
em todas as fases, desde os estudos preliminares até a utilização plena da edificação. Como 
propostas, destacamos o desenho inovador, que se utiliza de indicativos de autonomia energética 
para a elaboração da essência e da aparência arquitetônica, havendo: a otimização de espaços; 
a alta eficiência para uso econômico de água; a eficiência energética, por meio da aplicação de87
sistemas de energia solar e eólica; o uso de materiais de construção reutilizados, reciclados e 
recicláveis; e a racionalização do uso de água na construção.
6 Contêineres, que originalmente são usados como receptáculos para cargas, têm sido 
utilizados como elemento básico para construções, pois são feitos de materiais resistentes e se 
configuram, em projetos que os especificam, como módulos a serem requalificados para novos 
usos em projetos residenciais, comerciais e industriais.
7 Opções de tratamentos de fachadas que possibilitam às edificações se manterem 
confortavelmente agradáveis são itens valorosos em termo de eficiência energética e baixo 
impacto ambiental. Arquitetos se utilizam de brises-soleils, cobogós, fachadas flutuantes e outros 
para proteções contra a incidência solar e em prol da padronização das temperaturas internas, 
em especificações com relevantes critérios estéticos.
8 Recuperação de técnicas e valores estéticos da cultura indígena brasileira, que propõem 
arquiteturas com respeito ao clima e aos materiais de construção locais. São processos tradicionais 
que podem ser adaptados às tecnologias contemporâneas, criando possibilidades para espaços 
que podem guardar em si elementos imprescindíveis para o entendimento das soluções de abrigo 
e proteção dos povos nativos.
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3.2 Ações sustentáveis em urbanismo
Em urbanismo, lidamos com os problemas de sustentabilidade inerentes ao desenho e ao 
funcionamento das cidades. Se as preocupações da arquitetura dizem respeito às edificações, as 
do urbanismo referem-se ao conjunto de elementos que compõem as cidades – incluindo seus 
habitantes, práticas sociais, culturais, políticas e econômicas.
88
Nesta análise, também devemos incluir os espaços não construídos, fruto das preocupações 
da arquitetura paisagística. Assim sendo, a paisagem se constitui como o elemento de ligação 
entre a edificação e a cidade, sendo também contemplado como item imprescindível em nossos 
exemplos e explanações.
Transporte sustentável
Os impactos do trânsito, cada vez mais prejudiciais aos moradores das cidades, devem ser 
minimizados para a melhoria da qualidade de vida. Nesse sentido, incentivar a substituição 
dos automóveis particulares por sistemas de transportes coletivos com conforto e segurança, 
remodelar as vias urbanas com adição ciclovias e passeios adequados para deslocamentos a pé 
representam avanços que precisam ser atingidos em todas as estruturas urbanas.
Cidades planejadas com base em prerrogativas sustentáveis
Promovem unidades urbanas que agregam o maior número de funções possível. É 
imprescindível que se configurem territórios de pequenas dimensões, onde se pode circular com 
deslocamentos curtos, e que comportem espaços administrativos, de trabalho, de lazer, educação, 
saúde e sistemas de transporte eficientes. Essas unidades devem ser preparadas e estruturadas 
desde a origem, com previsões de desenvolvimento e ampliações futuras que possam acolher os 
mesmos parâmetros qualitativos que foram planejados.
Cidades com espaços que promovam a mobilidade de pedestres em detrimento dos 
automóveis
A escala do andar a pé é fundamental que seja preservada e promovida. Cidades sustentáveis 
precisam renunciar aos veículos automotores para que seus moradores possam usufruir de 
espaços saudáveis e mais compatíveis com os movimentos de mobilidade, descanso e lazer. Tais 
decisões induzem também à minimização – ou anulação – da produção sistemática de gases 
poluentes provenientes dos motores movidos à combustíveis fósseis.
Cidades saudáveis, confortáveis, sustentáveis e belas
Normalmente contam com a presença do maior número possível de espaços vegetados. 
Estes espaços são fundamentais para a minimização das temperaturas e da poluição sonora, 
configuram áreas de sombreamento, são inegavelmente adequadas ao abrigo da fauna urbana 
e têm um enorme apelo estético. A presença de espaços urbanos ajardinados e arborizados, 
corredores verdes e a preservação e recuperação de matas e florestas ampliam a segurança 
ecológica das cidades, pois criam e mantém indispensáveis superfícies de drenagem, que 
minimizam alagamentos e filtram as águas das chuvas.
89
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Promoção, com planejamento, de fazendas e hortas urbanas em bairros e territórios das 
cidades
São fatores importantíssimos para a saúde das populações o controle ecológico dos ambientes 
urbanos e a minimização dos deslocamentos para a distribuição de alimentos. As estruturas verdes 
de produção também podem promover a sustento econômico e financeiro de comunidades e criar 
cinturões verdes como elementos fundamentais para estruturações urbanas saudáveis.
Saneamento ecológico como alternativa sustentável em áreas urbanas e rurais que não 
possuem coleta de esgoto convencional
A prática se utiliza de fossas biodigestoras, biofiltros e outros parâmetros de permeacultura, 
ou seja, de sistemas que promovem processos semelhantes às transformações biológicas de 
ordem natural. O saneamento ecológico tem por objetivo a economia da água, minimamente 
utilizada nos processos, a não dispersão de esgoto nas estruturas hídricas e o aproveitamento 
dos resíduos como nutrientes.
Além de todas as propostas arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas descritas, muitas 
outras estipulam e caracterizam protocolos que visam à sustentabilidade de edifícios, cidades e 
populações. As preocupações ecológicas, sociais, econômicas e culturais configuram as condições 
para que tenhamos, de hoje para o futuro, estruturas que se sustentem e assegurem espaços 
confortáveis para a humanidade e sua permanência no planeta.
90
FIQUE DE OLHO
As questões relativas à sustentabilidade em arquitetura e urbanismo devem ser 
tratadas com atenção na elaboração dos projetos, do planejamento dos processos e 
durante as ações de execução das obras. Todas as etapas são passíveis de ajustes para a 
promoção de protocolos que asseguram o bem-estar humano.
91
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer os principais itens da legislação pertinente às atividades e aos campos de 
atuação dos arquitetos e urbanistas, bem como observar a complexidade de seu 
currículo profissional;
• compreender por que conflitos têm sido gerados em função de alegadas sobreposições 
– ou sombreamentos – de funções de arquitetos e urbanistas em comparação a 
outros profissionais;
• entender por que a profissão do arquiteto e urbanista é generalista, apesar de o 
mercado de trabalho conduzir suas atividades em direção às especializações;
• observar ações que podem ser conduzidas pela arquitetura no sentido de promover 
edifícios sustentáveis;
• reconhecer necessidades inerentes aos problemas urbanos e como o urbanismo 
procura resolvê-los, por meio de planejamento, projetos e sistemas de manutenção 
pertinentes a soluções de sustentabilidade.
PARA RESUMIR
ARCHDAILY. Sustentabilidade. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/tag/
sustentabilidade. Acesso em: 10 mar. 2020.
BRASIL. Lei n. 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Regulamenta o exercício da 
Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/
BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal - CAUs; e 
dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso em: 10 mar. 2020.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso 
em: 10 mar. 2020.
CAU-BR. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Disponível em: https://www.
caubr.gov.br/. Acesso em: 10 mar. 2020.
CAU-BR. CAU/BR restabelece Resolução 51, suspende alguns itens e abre consulta 
pública. Disponível em https://www.caubr.gov.br/cau-br-restabelece-resolucao-51-
suspende-alguns-itens-e-abre-consulta-publica/. Acesso em: 10 mar. 2020.
CAU-BR. Disponível em https://www.caubr.gov.br/iab-produzira-guia-com-projetos-
sustentaveis-alinhados-a-agenda-2030/.69
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................71
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................72
UNIDADE 4 - Arquitetura e urbanismo: mercado de trabalho e sustentabilidade ...........................73
Introdução.............................................................................................................................................74
1 Atividades e campos de atuação de arquitetos e urbanistas .............................................................75
2 Generalista ou especialista, qual é a tendência atual do mercado? ..................................................81
3 Sustentabilidade em arquitetura e urbanismo .................................................................................. 83
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................91
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................92
O livro Introdução à arquitetura e urbanismo traz ao leitor, além de informações 
básicas da área, o conteúdo descrito a seguir em suas quatro unidades.
Entre os assuntos, a primeira unidade, Definições e conceitos na arquitetura e 
urbanismo, aborda os principais conceitos e definições referentes à arquitetura e ao 
urbanismo ao longo da história, além de tratar dos estilos arquitetônicos, de noções 
básicas de planejamento urbano, e do plano diretor de um município. 
A segunda unidade, Arquitetura e urbanismo ontem e hoje, discorre sobre o 
conhecimento básico das características dos estilos arquitetônicos, seus principais 
autores, obras, e noções sobre o fundamento primordial da prática de projetos, ou 
seja, o programa arquitetônico. 
A terceira unidade, Bases legais, explica a base legal da profissão do arquiteto e 
urbanista. O leitor vai conhecer as leis, decretos, resoluções e regulamentações que 
dão respaldo à atuação profissional em suas diversas áreas, o dispositivo legal que rege 
a profissão, a estrutura representativa da classe, o sistema CAU/BR-CAU e o Código de 
Ética e Disciplina da profissão. 
Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Arquitetura e urbanismo: 
mercado de trabalho e sustentabilidade, discorre sobre os campos de atuação e as 
atribuições profissionais de arquitetos e urbanistas e a sua prática. O leitor entenderá 
a sustentabilidade como diretriz necessária para que melhores desempenhos sejam 
conquistados e se promova o bem-estar da sociedade.
Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitura do 
livro. 
A ele, sorte em seus estudos!
PREFÁCIO
UNIDADE 1
Definições e conceitos na arquitetura 
e urbanismo
Olá,
Você está na unidade Definições e conceitos na Arquitetura e Urbanismo. Conheça 
aqui os principais conceitos e definições referentes à Arquitetura e ao Urbanismo hoje 
e ao longo da história. Aprenda sobre a origem etimológica dessas palavras e entenda 
os pontos de vista de alguns arquitetos, críticos ou filósofos em relação aos atributos 
que são fundamentais no estudo da estética arquitetônica e urbanística. Entenda que 
a arquitetura é uma atividade ampla e multidisciplinar, além das disciplinas envolvidas 
nesse campo tão complexo que envolve o trabalho do profissional arquiteto e urbanista.
Conheça, ainda, um pouco sobre os estilos arquitetônicos fundamentais no estudo da 
arquitetura e em qual momento da história eles começaram a ser considerados. Por fim, 
aprenda as noções básicas de planejamento urbano e o que é um plano diretor de um 
município.
Bons estudos!
Introdução
11
1 AS DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA ARQUITETURA
Existem atualmente incontáveis definições de arquitetura. Nos tópicos a seguir, aprenderemos 
sobre a origem da palavra, assim como seus principais conceitos e definições.
Tecnicamente, pode-se dizer que a arquitetura é a ciência ou arte de organizar espaços e 
projetar ambientes que abrigam determinada atividade humana. Entretanto, veremos que essa 
atividade é muito mais ampla e complexa do que essa simples descrição.
Inúmeros teóricos da área produziram diversos conteúdos para chegar até essa definição de 
arquitetura. É evidente que, até mesmo atualmente, ainda existem algumas divergências entre os 
críticos em relação ao que é realmente o “fazer arquitetura”.
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1.1 Origem etimológica
A origem tanto da palavra arquitetura quanto da palavra arquiteto vem da junção de 
dois termos gregos: arkhé, que significa “principal”, e tékhton, que significa “construtor” ou 
“construção”, que juntos formavam a palavra arkhitekton. Esse termo era utilizado para se referir 
à atividade e ao profissional.
Mais tarde, a palavra foi absorvida pelo latim e desdobrou-se em duas: architectus para se 
referir ao profissional arquiteto e architectūra para se referir à profissão. Em seguida, os termos 
foram trazidos para a Língua Portuguesa.
1.2 Teóricos e as definições de arquitetura
A Arquitetura, por natureza, é uma atividade complexa e multidisciplinar. Pode-se dizer que 
é uma ciência social, no entanto, algumas áreas como a Matemática, História, Filosofia, Política e 
12
Tecnologia também estão nela envolvidas.
O arquiteto romano Marcos Vitrúvio Polião, em seu tratado De Architectura Libri Decem (obra 
mais antiga conhecida da arquitetura datada do século I a.C), elabora o que pode ser considerada 
a primeira definição de arquitetura: “A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e 
adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado 
daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes.”
Figura 1 - O Homem Vitruviano 
Fonte: Vaara, iStock, 2020.
Para Vitrúvio, existem três atributos essenciais que devem ser cumpridos para alcançar a boa 
arquitetura:
Firmitas
Refere-se ao caráter construtivo da arquitetura: estabilidade ou solidez.
Utilitas
13
Refere-se à função social da arquitetura: utilidade e funcionalidade.
Venustas
Refere-se ao belo e à apreciação estética.
Portanto, para Vitrúvio, uma obra arquitetônica, além de ser bela, deve ser estável, resistente 
e possuir uma função social.
Depois de Vitrúvio, outros teóricos da arquitetura também produziram ideias relevantes 
acerca da arquitetura. O filósofo e arquiteto Leon Battista Alberti, que viveu no século XV, por 
exemplo, acreditava que a beleza estava naquilo que tinha proporção.
Até aquele momento, então, o ideal estético era fundamentado em verdades universais. A 
noção de estilo arquitetônico, que veremos no tópico 3 desta unidade, só foi concebida a partir 
do século XVI.
Um pouco mais tarde, na Inglaterra vitoriana do século XIX, o escritor e crítico da arte John 
Ruskin entendeu a estética como a essência da arquitetura. Para ele, só poderia existir arquitetura 
se o atributo da beleza estivesse presente. Em sua visão, era considerado belo aquilo que tinha 
adornos, então de nada valia um edifício resistente estruturalmente, proporcional e funcional se 
não existissem esses adereços.
Figura 2 - Ilustração do crítico de arte inglês John Ruskin 
Fonte: duncan1890, iStock, 2020.
Seguindo na história, o alemão Nikolaus Pevsner, historiador da arte que viveu no século XX, 
adicionou em seus estudos alguns atributos naqueles essenciais de Vitrúvio (firmitas, utilitas e 
vermutas ou estabilidade, utilidade e beleza). Ele observou que, para conseguir um resultado 
14
estético favorável, seria necessário que a obra arquitetônica refletisse também uma prévia 
análise da combinação das volumetrias existentes no conjunto da edificação (espaços cheios e 
espaços vazios, aberturas e fechamentos), além de considerar a percepção sensorial daqueles 
que vivenciariam o ambiente.
1.3 Definições e conceitos atuais
O renomado arquiteto inglêsAcesso em: 10 mar. 2020.
CAU-BR. Resolução 51. Disponível em http://www.normaslegais.com.br/legislacao/
resolucao-cau-br-22-2012.htm. Acesso em: 10 mar. 2020.
CAU-MG. Planejamento do CAU/MG: Plano de Ação 2019-2020. Disponível em: https://
www.caumg.gov.br/planejamento/. Acesso em: 10 mar. 2020.
DE BOTON, A. A arquitetura da felicidade. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
DIKINSON. D. Desenhos de Michelangelo mostram porque arquitetos devem ser 
generalistas, não especialista. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/890038/
desenhos-de-michelangelo-mostram-porque-arquitetos-deveriam-ser-generalistas-
nao-especialistas?ad_medium=bookmark-recommendation&ad_name=iframe-modal. 
Acesso em: 10 mar. 2020.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2010.
HOUAISS, A. (org.). Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa – Versão 1.0. Rio 
de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MAKSTUTIS, G. Arquitectura. Barcelona: Art Blume, 2010.
MARTINEZ, A. C. Ensaio sobre o projeto. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000.
METROPOLITAN MUSE.UM. Michelangelo: divine craftsman and designer. Disponível 
em: https://www.metmuseum.org/exhibitions/listings/2017/michelangelo?utm_
medium=website&utm_source=archdaily.com.br. Acesso em: 10 mar. 2020.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Resolução nº 6, de 2 de fevereiro de 2006. Disponível em 
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces06_06.pdf. Acesso em: 10 mar. 2020.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Curso de Bioconstrução. Texto elaborado por 
Cecília Prompt. Brasília: MMA, 2008. Disponível emhttps://comosereformaumplaneta.
f i les .wordpress.com/2013/09/curso-de-bioconstruc3a7c3a3o.pdf?utm_
medium=website&utm_source=archdaily.com.br. Acesso em: 10 mar. 2020.
NEVES, J. D. Arquitetura sensorial: a arte de projetar para todos os sentidos. Rio de 
Janeiro: Mauad X, 2017.
PALLASMAA, J. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 
2011.
PIÑÓN, H. Teoria do projeto. Porto Alegre: Livraria do Arquiteto, 2006.
PULS, M. M. Arquitetura e filosofia. São Paulo: Annablume, 2006.
WATERMAN, T. Fundamentos do paisagismo. Porto Alegre: Bookman, 2010.
O livro Introdução à arquitetura e urbanismo é direcionado para 
estudantes de cursos de arquitetura e urbanismo. 
Além de abordar assuntos gerais, o livro traz as definições e 
conceitos na arquitetura e urbanismo, o panorama histórico, as 
bases legais, o mercado de trabalho e sustentabilidade.
Após a leitura da obra, o leitor vai aprender as primeiras noções 
de estilo em arquitetura; ter uma breve descrição dos principais 
estilos existentes ao longo da história; conhecer as primeiras noções 
de planejamento urbano; reconhecer o programa arquitetônico 
como base fundamental para que se projete e entenda a essência 
e a aparência dos espaços construídos; verificar o momento 
histórico e cultural que determinou a separação teórica, curricular 
e metodológica entre as ciências em arquitetura e urbanismo e as 
ciências das engenharias; compreender o Plano Diretor; dominar 
dois temas relevantes para a prática profissional que foram 
regulamentados por resoluções do CAU/BR: os direitos autorais 
sobre projetos e obras de arquitetura e urbanismo e a tabela de 
honorários profissionais; entender por que a profissão do arquiteto 
e urbanista é generalista; observar ações que podem ser conduzidas 
pela arquitetura no sentido de promover edifícios sustentáveis; 
identificar as necessidades inerentes aos problemas urbanos e como 
o urbanismo procura resolvê-los, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
	Capa E-Book_Introdução à Arquitetura e Urbanismo_CENGAGE_V2
	E-Book Completo_Introdução à Arquitetura e Urbanismo_CENGAGE_V2Norman Foster, certa vez em entrevista para a revista The 
European (revista alemã publicada em Berlim), declarou que “A arquitetura é uma expressão de 
valores – a forma como construímos é um reflexo do modo como vivemos.”.
É notório que a arquitetura será sempre reflexo do contexto da sociedade na qual ela está 
inserida. As características econômicas, políticas, sociais e culturais de um povo ditam o seu movo 
de viver e seu consequente modo de projetar e construir.
No contexto globalizado em que vivemos hoje, muitas vezes um arquiteto de determinado 
local é responsável por projetar uma obra arquitetônica em outro local inserido numa cultura 
totalmente diversa da dele. Entenda, todavia, que a responsabilidade do profissional arquiteto e 
urbanista para com a sociedade é justamente a criação de uma obra que seja condizente com o 
contexto em que está estabelecida. Não faria sentido algum, então, construir uma edificação sem 
antes estudar a sua conjuntura.
Figura 3 - Museu de Arte do Rio de Janeiro localizado na Praça Mauá 
Fonte: Diegograndi, Shutterstock, 2020.
Observe essa imagem do Museu de Arte do Rio. A edificação mais atual à esquerda se 
contrapõe e ao mesmo tempo conversa com a edificação mais antiga. Existe uma harmonia e 
um nítido respeito com a obra já existente e com a paisagem de uma forma geral. Ao projetar, a 
equipe de arquitetos levou em consideração todo o contexto do entorno.
15
Em função da necessidade dessa harmonia visual é que existem exigências estéticas a serem 
cumpridas toda vez que algo novo será construído. Essas regras estarão explícitas no Plano 
Diretor que estudaremos mais à frente, por exemplo. Ou nas determinações que envolvem obras 
do patrimônio histórico. É preciso observar e entender os elementos da paisagem e a situação 
das edificações próximas antes de iniciar qualquer estudo.
Verifique a seguir a definição de crítico de arquitetura do The New York Times de 2004 a 2011 
Nicolai Ouroussoff para o Los Angeles Time em 2003: “A arquitetura é uma experiência física – ela 
precisa ser vista e tocada para ser totalmente compreendida.”
Aqui, entramos numa questão importante da arquitetura em relação às outras artes. Diferente 
da escultura ou da pintura que são feitas para serem vistas em pé, a arquitetura necessita de 
um esforço maior para ser totalmente compreendida. O espectador precisa de uma experiência 
completa de caminhar, olhar e sentir tanto fora (fachada e volumetria) quanto dentro de cada 
ambiente interno para conseguir captar todas as sensações daquela obra arquitetônica.
Uma última definição de Jean Nouvel para a revista Newsweek nos leva a entender plenamente 
a importância de o arquiteto considerar a situação cultural, política, social e econômica existente: 
“A arquitetura é a petrificação de um momento cultural.”
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
2 AS DEFINIÇÕES E CONCEITOS DO URBANISMO
O conceito de urbanismo propriamente dito foi surgir apenas no final do século XIV com a 
transformação gerada pela Revolução Industrial, evento que foi um grande marco na história 
do urbanismo e do planejamento urbano. Naquele momento de grande oferta de empregos 
nas grandes cidades, muitas pessoas saíram do campo a fim de procurar trabalho, e, a partir de 
16
então, os centros urbanos começaram a ficar aglomerados, o que acarretou diversos problemas 
habitacionais.
O crescimento desenfreado das cidades provocou uma grande interferência na qualidade de 
vida das pessoas. Naquela época é que surgiram os primeiros cortiços e favelas. Dessa forma, 
entendeu-se que havia a necessidade de uma reorganização urbana era emergencial.
É notório que, assim como a arquitetura, o urbanismo também reflete as características 
sociais, econômicas, políticas e administrativas de um povo. Dessa forma, um projeto urbano deve 
considerar primordialmente as relações e o modo de vida daqueles que ali moram, trabalham, 
circulam ou têm seu momento de lazer.
Veremos, nos tópicos a seguir, as principais definições e conceitos de urbanismo e as principais 
diferenças entre projeto ou desenho urbano e plano urbano.
2.1 Origem e definições de urbanismo
A palavra urbanismo vem do Latim urbs, que significa “cidade” – quando queremos falar 
sobre a qualidade de vida de quem vive numa cidade, falamos em urbanidade. Como símbolo, 
o Urbanismo possui uma bandeira de três cores elaborada pelo argentino Carlos Paolera que 
representa os atributos considerados fundamentais à vida humana: o ar em azul, a vegetação em 
verde e o sol em amarelo.
O Urbanismo está ligado diretamente ao estudo de um espaço onde vive um grupo de 
pessoas, por isso, um projeto urbano deve considerar as relações sociais e o modo de viver de um 
povo para planejar e melhorar a qualidade de suas vidas.
Confira alguns conceitos importantes para o Urbanismo:
Morfologia urbana
Ligada ao estudo das transformações da paisagem de uma cidade.
Desenho urbano
Refere-se à disposição e aparência dos espaços públicos, mobiliário urbano, vias e calçadas 
entre outros elementos.
Gentrificação
É uma transformação gerada pela saída de uma comunidade de baixa renda de um centro 
urbano e pela entrada de moradores de classe alta em função da especulação imobiliária do local.
17
Planejamento urbano
É a disciplina ou o processo que cria e desenvolve os métodos que tenham por objetivo 
melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Plano urbano
É o documento resultante do planejamento urbano.
2.2 Projeto urbano X plano urbano
Tanto um projeto urbano como um plano urbano devem considerar a construção e 
transformação da paisagem urbana como parte do processo. Vamos agora diferenciar esses dois 
conceitos que muitas vezes causam confusão entre os estudantes.
Projeto urbano ou desenho urbano
“É um esquema organizativo que oferece orientações àqueles responsáveis por executá-los” 
(SABOYA, 2007), ou seja, define através de um desenho a localização das áreas verdes, das vias e 
calçadas e do mobiliário urbano. Um projeto completo prevê, ainda, os materiais e revestimentos 
a serem utilizados em cada um desses itens, assim como suas dimensões. Esse desenho poderá 
conter uma planta em 2D, como no exemplo da imagem abaixo, e também vistas, perspectivas, 
ilustrações, legendas, além da possibilidade de um modelo 3D. Poderá ser feito tanto à mão 
quanto através de softwares voltados para isso.
Figura 4 - Exemplo de um projeto urbano feito à mão 
Fonte: p-jitti, Shutterstock, 2020.
Plano urbano
É uma orientação tanto para o arquiteto e urbanista, como também para todos os outros 
profissionais responsáveis pelo projeto, como topógrafos, geógrafos e engenheiros. Um plano é 
18
um zoneamento que deve garantir a compatibilidade de todos os projetos envolvidos oferecendo 
limites de uso, ocupação, traçado das vias e calçadas, gabarito (altura dos prédios) entre outras 
especificações.
2.3 Exemplos de projetos urbanos bem-sucedidos
Agora, conheceremos dois exemplos de projetos urbanos bem-sucedidos e muito conhecidos: 
Medellín na Colômbia, que é mais atual, e o chamado Plano Cerdá em Barcelona na Espanha.
Medellín (Colômbia)
O caso de Medellín na Colômbia foi um grande exemplo de sucesso de projeto urbano, esforço 
político e social e articulação entre poder público e privado. Em menos de 20 anos, passou da 
cidade mais violenta e com um índice de desigualdade social dos maiores mundo para renascer 
como a mais inovadora e a primeira em qualidade de vida na Colômbia.
Naquela época, Medellín se encontrava numa “sangrenta crise social e política, sob o fogo 
cruzado do narcotráfico, das Farc – Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia, de grupos 
paramilitares e de uma ordem institucional completamente debilitada e ineficiente” (GHIONE, 
2014). Com toda essa crise política e social, agente influenciadores finalmente se reuniram em 
prol de melhorias.
Figura 5 - Vista aérea de Medellín na Colômbia 
Fonte: SANDOVAL, iStock, 2020.
Tendo em vista que a cidade está localizada num vale sobre as montanhascentrais da 
Cordilheira dos Andes, a chave da transformação foi principalmente o transporte público. O acesso 
dos moradores dos locais que chamamos aqui de favelas localizadas no alto das montanhas foi 
facilitado por escadas rolantes combinada com teleféricos. Além disso, existem os ônibus em 
sistema BRT e trens elevados.
19
Figura 6 - Sistema de teleféricos da cidade de Meddelín 
Fonte: holgs, iStock, 2020
Hoje, a chamada EDU (Empresa de Desenvolvimento Urbano), formada por agente de diversas 
disciplinas, é responsável por aplicar o plano de ordenamento territorial, no qual a discussão e 
participação da sociedade é constante.
Barcelona (Espanha)
Em 1860, ocorreu em Barcelona um grande marco urbanístico: a aprovação do Plano Cerdá. 
Naquela época, a cidade vivia uma situação muito difícil e precisava de uma transformação 
urgente. Em função da atividade portuária e presença da indústria têxtil existente na época, 
ocorreu um crescimento econômico acelerado e uma consequente superlotação de habitantes (a 
população foi de 115 mil habitantes em 1802 para 140 mil em 1821 e atingiu 187 mil em 1850), 
o qu,e somado com a falta de infraestrutura, piorou significativamente as condições de saúde.
O plano urbano com ideias humanistas foi criado pelo engenheiro e urbanista Ildefonso Cerdá. 
Ainda que tenha sido um plano bem-sucedido, enfrentou uma forte resistência do Conselho 
Municipal de Barcelona, que chegou a realizar um concurso municipal em 1859, escolhendo o 
projeto de Antoni Rovira e Trías entre outras 12 propostas. Tudo finalmente foi resolvido com o 
apoio do governo central, que, em 8 de julho de 1860, através de um decreto real, materializou 
o Plano Cerdá.
O urbanista era muito preocupado com os aspectos higienistas e de mobilidade urbana, por 
isso previu um plano de grade ortogonal com larguras de 20, 30 e 60 metros nas ruas, o que 
na época eram distâncias totalmente incomuns. Fez isso para fugir da densidade enorme que a 
cidade vivia, além de presumir um futuro motorizado.
20
Figura 7 - Vista aérea do bairro residencial de Barcelona Eixample 
Fonte: undefined undefined, iStock, 2020.
Cerdá propôs uma divisão bem definida dos espaços públicos e privados. Enquanto a vida 
pública e toda a rede de apoio aos serviços públicos estava nas ruas, a vida privada acontecia 
no interior dos quarteirões de edifícios multifamiliares (esses espaços eram chamados de 
“intervías”). Cada quadra possuía em cada canto um chanfro de 15 m, justificado pela melhoria 
na visibilidade do futuro tráfego rodoviário.
3 A NOÇÃO DE ESTILO EM ARQUITETURA
Veremos, a seguir, as primeiras noções do que significa definir um estilo arquitetônico e 
por quais motivos a classificação dos estilos é necessária. Sabemos que muitas vezes uma obra 
arquitetônica ou urbanística pode mesclar alguns tipos de estilos, mas nem por isso devemos 
deixar de classificá-los.
É importante reconhecer nesta classificação quais são as particularidades comuns e quais são 
as principais influências nas criações de arquitetos e urbanistas que produziram na mesma época 
ou simplesmente na mesma região geográfica.
3.1 O que é um estilo arquitetônico
A expressão “estilo arquitetônico” é utilizada para classificar as obras arquitetônicas ou 
urbanísticas levando em consideração o período da história na qual foram construídas. O estudo dos 
estilos arquitetônicos significa compreender quais são as suas características formais, suas técnicas, 
seus métodos construtivos e materiais utilizados na época. Estudamos essas particularidades com a 
finalidade de conhecer as especificidades de cada fase histórica da arquitetura.
Frequentemente, a arquitetura reflete a tradição e cultura de uma sociedade em um momento 
histórico. Desde as civilizações mais antigas, cada sociedade ou grupo de pessoas construiu suas 
21
edificações com suas próprias características e elementos. Essa forma de construir retratava o 
modo de viver da poca.
3.2 Estilos arquitetônicos ao longo da História
Apesar das primeiras grandes obras arquitetônicas datarem da Antiguidade, há muito tempo, 
quando os homens das cavernas construíam seus próprios abrigos, podemos dizer que já existia 
uma ou algumas formas de construir, assim como materiais a serem escolhidos, ou seja: já existia 
um estilo de arquitetura. Pode-se afirmar que o método como eram feitos os abrigos dos homens 
das cavernas é chamado de estilo arquitetônico da arquitetura rupestre.
Não abordaremos neste momento os estilos específicos de cada época, no entanto já os 
classificaremos por categorias de acordo com seus períodos históricos. É importante lembrar, 
ainda, que estes estilos muitas vezes se sobrepõem no tempo, e que abordaremos o conteúdo de 
uma forma global, ou seja, considerando a localização principal dos movimentos. Sabemos que 
em alguns países, como o Brasil, essas manifestações foram tardias.
Arquitetura pré-histórica ou arquitetura antiga
Aqui estão incluídos os estilos que vão desde o homem das cavernas (arquitetura rupestre), 
passando pelas pirâmides egípcias até chegar à arquitetura persa.
Figura 8 - Pirâmide de Khafre a partir do canto da Grande Pirâmide de Gizé em Cairo, no Egito 
Fonte: blacktomb, iStock, 2020.
• Arquitetura ocidental até ao modernismo
Arquitetura clássica
De uma forma geral, aqui estamos versando sobre a arquitetura grega e sobre todos os estilos 
influenciados por ela, como o estilo da arquitetura romana, do Renascimento ao Neoclassicismo.
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Arquitetura medieval
Abrange do estilo bizantino ao estilo gótico. Historicamente, estamos tratando da Idade 
Média, um longo período que se estendeu do século V ao século XV: quase mil anos de história.
Após o Renascimento
Após a profunda transformação que trouxe o período renascentista, muitos estilos que 
refletiam essa grande transição surgiram. Um exemplo desses estilos é o conhecido estilo Barroco.
Arquitetura Moderna
O estilo moderno não é um estilo propriamente dito, mas sim um conjunto de movimentos 
e escolas arquitetônicas que caracterizaram em grande parte a arquitetura do século XX. O 
movimento Arts & Crafts e o estilo internacional do Art Nouveau ou Arte Nova são exemplos 
desta arquitetura.
Arquitetura Pós-moderna
As obras arquitetônicas dessa época são vistas como críticas à arquitetura moderna. Esse 
estilo se desenvolveu principalmente depois da Grande Depressão em 1929 até o início da década 
de 70.
Arquitetura contemporânea
Aqui estão incluídos todos os estilos e tendências atuais. Alguns exemplos são: estilo futurista, 
estilo minimalista e estilo high-tech
Figura 9 - Casa Batló construída em 1977 em Barcelona: uma das obras-primas de Antoni Gaudí 
Fonte: Naruto_Japan, iStock, 2020.
23
4 A NOÇÃO DE PLANEJAMENTO URBANO
Muitas pessoas tratam o planejamento urbano como sinônimo de urbanismo, no entanto 
esses termos têm algumas diferenças sutis. Enquanto o urbanismo se preocupa mais com 
o projeto em si e sua concepção arquitetônica, o planejamento urbano contempla sobretudo 
conhecimentos multidisciplinares e a gestão de planos e programas.
Um desses campos tem clara vocação disciplinar e contempla essencialmente a tomada de 
decisões relativas à concepção arquitetural; reivindica-se aí uma “competência para o projeto”. O 
outro integra conhecimentos disciplinares diversos (economia, geografia e sociologia, entre outros) 
e contempla essencialmente a tomada de decisões relativas à elaboração (ou encomenda) e gestão 
de planos, programas e projetos – inclusive, mas não necessariamente, de natureza arquitetônica; 
reivindica-se aí uma “competência para o planejamento e a gestão. (ROVATI, 2013)
Dessa forma, entendemos que o planejamento urbano trata essencialmente das políticas 
públicas (política habitacional, mobilidade urbana, acesso aos espaços públicos, conservação do 
meio ambiente etc.), da relação e das articulações com a administração pública do município, 
estado ou país.
4.1 História mundial do planejamento urbano
Ainda que as disciplinas de Urbanismoe de Planejamento Urbano apenas tenham sido 
concebidas dessa forma a partir do século XIX, a história nos revela que o trabalho já havia se 
iniciado há muitos anos com as sociedades mais antigas. Estudos mostram que as civilizações 
pré-colombianas (maias, astecas, incas etc), por exemplo, construíram a então Tenochtitlan (hoje 
Cidade do México) já considerando um planejamento urbano que incluía sistemas de esgoto e de 
água corrente.
Na Idade do Bronze, aproximadamente entre os anos 2600 a.C. e 1900 a.C., a Civilização do 
Vale do Indo, conhecida também como Civilização Harapeana, uma região localizada em partes 
dos atuais países Afeganistão, Paquistão e Índia, inaugurou a primeira noção de planejamento 
urbano. As ruínas de Harapa viraram patrimônio mundial e revelaram um padrão de hierarquia e 
gradeamento nas ruas e ainda uma divisão de uso e ocupação do solo com avenidas comerciais 
e pequenas vias residenciais.
24
Figura 10 - Ruínas da civilização harapeana no atual Paquistão 
Fonte: undefined undefined, iStock, 2020.
Se avançarmos até o período do Renascimento, temos o exemplo do Palácio Versalhes na 
França, cuja área foi planejada antes de ser construída. Já no continente americano, a atual 
cidade de Washington, DC foi traçada pelo arquiteto francês Pierre Charles L’Enfant.
Foi somente após a Revolução Industrial, com a intensa migração dos campos para os centros 
urbanos e o crescimento desenfreado das cidades que aconteceu a efetiva necessidade de 
projetos urbanos. Em 1863, ocorreu a Feira Mundial de Chicago, onde planejadores urbanos se 
reuniram para deliberar sobre qual seria o modelo de cidade ideal. Dentre as características dessa 
cidade ideal estava a previsão de largas avenidas e grandes estruturas púbicas.
Figura 11 - Ilustração em 3D da cidade de Chicago 
Fonte: iStock, 2020.
25
4.2 Planejamento urbano no Brasil
O senso de planejamento urbano chegou no Brasil principalmente com o Plano Agache em 
1930. O arquiteto Donald Alfred Agache (1875-1959) elaborou a primeira proposta de intervenção 
urbanística na cidade do Rio de Janeiro, onde inaugurou no cenário brasileiro algumas premissas 
típicas da cidade industrial, como os planos de transporte de massa, abastecimento de água e 
habitações operárias. Ainda que não tenha sido de fato implementado, o Plano Agache muito 
contribuiu para as discussões acerca do urbanismo e influenciou o planejamento de outras 
cidades, principalmente da cidade Curitiba.
No ano de 1970, a população urbana ultrapassa a população rural e os problemas de trânsito, 
violência, falta de esgoto e água tratada só crescem. Dessa forma, ganha força a discussão acerca 
do planejamento e algumas cidades, como São Paulo, começam a tornar obrigatória a elaboração 
de um Plano Diretor.
Naquela época, os critérios adotados para analisar um bom plano urbano eram técnicos e 
objetivos. O planejamento deveria ser construído a partir de dados e lógica racional.
4.3 Plano Diretor
Com o fim da Ditadura Militar e a aprovação da Constituição Federal de 1988, é inaugurada 
uma nova fase para o urbanismo e o planejamento urbano. O surgimento formal do Direito 
Urbanístico como uma disciplina acontece principalmente a partir do artigo 182 da Constituição, 
ainda que já existissem leis que deliberavam sobre a matéria.
O chamado Estatuto da Cidade, lei nº 10.257 de 2001, que “regulamenta os arts. 182 e 183 
da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências”. 
Nessa lei é que estão as principais definições do que é um Plano Diretor, em quais municípios ele 
é obrigatório e quais as suas exigências.
A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de 
ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos 
cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, 
respeitadas as diretrizes previstas no art. 2o desta Lei.” (BRASIL, 2001)
Um plano diretor é um mecanismo de orientação aos projetistas, arquitetos, urbanistas e 
outros profissionais da área que dita regras de ocupação e uso do solo para uma cidade. Através 
dessas determinações, deve conduzir a um constante cuidado com a preservação do meio 
ambiente, a prevenção do crescimento desenfreado e dos espaços desocupados entre outros 
objetivos que serão definidos dependendo da situação de cada município.
26
4.4 Cidades planejadas
No Brasil e no mundo existem muitas cidades que foram planejadas. Algumas delas foram 
experiências muito bem sucedidas e outras não.
Um dos exemplos mais conhecidos mundialmente é a cidade de Brasília e o famoso Plano 
Piloto, elaborado pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, que iniciou o planejamento por volta de 
1956 com a eleição de Juscelino Kubitschek como presidente. Também fizeram parte o arquiteto 
Oscar Niemeyer e o engenheiro estrutural Joaquim Constanzo. Hoje, o conjunto urbanístico é 
patrimônio da UNESCO.
Brasília, a capital criada do zero no centro do país, em 1956, foi um marco na história do 
planejamento urbano. O urbanista Lúcio Costa e o arquiteto Oscar Niemeyer pretendiam que cada 
elemento – da arquitetura das áreas residenciais e administrativas (frequentemente comparadas à 
forma de um pássaro durante o voo) à simetria dos próprios edifícios – estivesse em harmonia com o 
design geral da cidade. Os edifícios oficiais são especialmente inovadores e criativos. (UNESCO)
Além de Brasília, outras cidades brasileiras foram planejadas principalmente em meados 
do século XIX, como Teresina, que foi projetada pelo Conselheiro José Antônio Saraiva com o 
objetivo de tornar-se capital da Província do Piauí em 1852 e Aracaju, desenhada pelo engenheiro 
Sebastião José Basílio Pirro com o objetivo de sediar a capital da província de Sergipe del-Rei. Além 
dessas, Belo Horizonte, Goiânia, Maringá e Palmas são também exemplos de cidades planejadas.
No mundo, temos o exemplo da cidade de Zurique, na Suíça, Amsterdã, na Holanda, Las Vegas 
nos Estados Unidos, entre outras.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
27
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer a origem etimológica das palavras arquitetura e urbanismo;
• aprender as principais definições de arquitetura ao longo da história e atualmente;
• entender as diferenças entre projeto urbano e plano urbano;
• conhecer exemplos bem-sucedidos de projetos urbanos;
• aprender as primeiras noções de estilo em arquitetura;
• ter uma breve descrição dos principais estilos existentes ao longo da história;
• conhecer as primeiras noções de planejamento urbano;
• entender sobre o plano diretor;
• conhecer exemplos de cidades planejadas ao redor do mund
PARA RESUMIR
BENEVOLO, L. História da cidade. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1997.
GHIONE, R. Transformação social e urbanística de Medellín. Minha Cidade, São Paulo, 
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MACIEL, C. A. Arquitetura, projeto e conceito. Minha Cidade, São Paulo, ano 4, n. 043.10, 
Vitruvius, dez. 2003. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arqui-
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MAHFUZ, E. Reflexões sobre a construção da forma pertinente. Minha Cidade, São Paulo, 
ano 4, n. 045.02, Vitruvius, fev. 2004. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revis-
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ROVATI, J. F. Urbanismo versus Planejamento Urbano. R. B. Estudos Urbanos e Regionais, 
v. 15, n. 1, p. 33-58, maio 2013
SABOYA, R. Plano e projeto. Urbanidades, Florianópolis, 17 set. 2017. Disponível em: 
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VALENCIA, N. O Plano Cerdà de Barcelona de uma nova perspectiva. ArchDaily Brasil, out. 
2017. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/880894/o-plano-cerda-de-barce-
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ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 2
Arquitetura e urbanismo ontem e 
hoje
Você está na unidade Arquitetura e Urbanismo ontem e hoje. Conheça aqui algumas das 
principais informações sobre o vasto universo de interlocuções necessárias ao trabalho 
dos arquitetos e urbanistas, entre elas conhecimentos básicos sobre as características 
dos estilos arquitetônicos, seus principais autores, obras exemplares, bem como noções 
sobre o fundamento primordial da prática de projetos, ou seja, o programa arquitetônico. 
Entenda como a profissão tem se desenvolvido ao longo da história e, ao final, estude um 
panorama atualizado sobre a vida profissional e o mercado de trabalho.
Bons estudos!
Introdução
31
1 INFORMAÇÕES INICIAIS
Conforme nos diz o historiador da arquitetura escocês James Fergusson (apud PATETTA, 1984, 
p. 22),
Considerada historicamente, a arquitetura deixa de ser mera arte, que interessa somente 
ao artista ou ao cliente, e se converte em um dos mais importantes complementos da história, 
preenchendo muitas lacunas nos testemunhos escritos e dando vida e realidade a muitas coisas que, 
sem sua presença, dificilmente poderiam ser compreendidas.
Ou seja, a arquitetura é um dos mais consistentes instrumentos de informação sobre as 
civilizações, seus costumes, habilidades, temporalidades e comportamentos. Neste sentido, cabe 
ressaltar que, para o entendimento da arquitetura como abrigo e, além disto, instrumento de 
expressão de um estilo específico, compreenda, em primeiro lugar, de que modo ela se apresenta 
como estrutura de pensamento. Para isso, é necessário que seja esclarecido o que entendemos 
como programa arquitetônico para que melhor sejam explicadas as principais características 
formais e construtivas de cada um dos estilos aqui apresentados.
1.1 Programa arquitetônico
Todo arquiteto e urbanista precisa, para realizar seus projetos e tornar palpável sua 
expressividade construtiva, ter profunda compreensão sobre as necessidades e anseios das 
pessoas para quem serão propostos os espaços. Tais exigências configuram-se aos profissionais 
como requerimentos que deverão ser bem compreendidos e atendidos para a efetivação da 
arquitetura. Os requisitos dos clientes, também denominados requerimentos programáticos, 
baseiam-se em informações relativas a, por exemplo características dos usuários, contexto 
geomorfológico, quantidades e tipos de equipamentos, além de verbas e tecnologias disponíveis.
Desse modo, ressalta-se que são imprescindíveis as informações sobre os requisitos acima 
mencionados para o bom desenvolvimento do projeto e, claro, para sua expressão estética ou, 
em outras palavras, seu estilo.
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1.2 Requerimentos programáticos
A arquiteta e professora mexicana Guadalupe Salazar González pondera que (2000, p. 71)
A meta final da arquitetura, ainda hoje, é produzir os espaços que abrigam as diversas atividades 
dos indivíduos e dos grupos sociais de modo a tornarem-se o âmbito do habitar humano, atividades 
que buscam satisfazer a demandas de espaço habitável ou a resolver problemas de habitabilidade. 
Para que isso ocorra o profissional chamado arquiteto efetua duas ações: o desenho do sistema de 
espaços e a edificação. A edificação só pode existir quando o projeto é definido, sendo o desenho a 
atividade que produz este projeto.
As observações da autora vão além e identificam requerimentos programáticos que precisam 
ser levados em consideração para o desenvolvimento de qualquer projeto arquitetônico, 
paisagístico ou urbanístico:
requerimentos pragmáticos ou funcionais, com base na adequação do espaço para o 
desempenho das diversas atividades necessárias;
requerimentos antropométricos, que determinam o espaço com base nas decisões relativas 
aos movimentos e dimensões do corpo humano;
requerimentos ergonômicos, que possibilitam que as atividades humanas se realizem com o 
mínimo de esforço físico e o máximo de eficiência funcional;
requerimentos proxêmicos, que identificam e medem relações sociais de proximidade e/ou 
rechaço entre as pessoas;
requerimentos psicológicos, baseados em padrões de comportamento e diferentes visões de 
mundo;
33
requerimentos existenciais, que identificam relações de hierarquias individuais e/ou coletivas;
requerimentos topológicos, que traduzem todos os requisitos acima em espaços e diferentes 
tridimensionalidades
Tais requerimentos determinam as diretrizes que decidirão como o projeto arquitetônico será 
desenvolvido. Este, por sua vez, será o representante palpável de um estilo, qualquer que ele seja, 
por meio de duas categorias analíticas: a sua forma e a sua construção. É o que veremos a partir 
de agora.
2 PRINCIPAIS ESTILOS ARQUITETÔNICOS
Conheça, a seguir, alguns dos principais estilos arquitetônicos desenvolvidos ao longo dos 
tempos. Lembraremos, assim, o teórico italiano Cesare Brandi (apud PATETTA, op cit, p. 36) quando 
diz que “nenhuma obra arquitetônica, em qualquer civilização conhecida, é um ato gratuito e 
sempre respondeu a necessidades individuais ou coletivas”. Estas, identificadas primordialmente 
já na execução do programa arquitetônico, determinarão um uso e uma expressão artística e, por 
conseguinte, um estilo.
Desde que o homem adquiriu discernimento intelectual a respeito da arte, que, por meio 
dela poderia expressar emoções e conceituações sobre sua existência na Terra, e que também a 
arquitetura seria um meio consistente para isto, suas visões de mundo, entrelaçadas à sua cultura, 
passaram a ser impressas na paisagem. Inúmeros são os estilos arquitetônicos, porém, como 
relata Julia Brant (2020), há que se sublinhar aqueles que ao longo do tempo estabeleceram-se 
como “continuidades ou rupturas, em relação ao que se vinha produzindo antes” .
Desse modo, não falaremos de estilos culturais específicos, tais como as manifestações 
arquitetônicas egípcia, islâmica, indiana, pré-colombiana, chinesa, japonesa ou indígena, mas sim 
daqueles estilos que se caracterizam de modo mais universal e abrangente.
FIQUE DE OLHO
Não há projeto de arquitetura, urbanismo ou paisagismo que possa ser bem desenvolvido 
sem que antes o profissional elabore um consistente programa arquitetônico e determine o 
conceito do projeto.
34
2.1 Arquitetura pré-histórica
Estudos paleontológicos indicam que a pré-história da arquitetura pode ser datada a partir do 
período identificado como Paleolítico Superior, ou seja, por volta de 40.000 a.C. A este momento 
temporal, atribuem-se descobertas de uma série de objetos confeccionados pelo primitivo Homo 
sapiens – homem de cro-magnon –, especialmente na Europa, tais como pequenas ferramentas, 
anzóis, arpões, ferramentas contundentes e perfurantes. Além de saber caçar e pescar, estas 
populações tinham a capacidade de materializar o pensamento subjetivo por meio da arte. 
Em suas áreas de convívio e abrigo, especificamente cavernas, foram encontradas pequenas 
esculturas e pinturas rupestres, ou seja, aquelas que utilizam as paredes de pedra como suporte.
A etimologia informa que a palavra arquitetura é composta de dois antepositivos: arqu(e/i)-, 
no sentido de princípio ou fundamento e -tecto, significando construção. Fazer arquitetura é, 
portanto, atribuição da pessoa que “detém a fundo uma arte ou ciência e dirige outras pessoas” 
(HOUAISS, 2001).
No período Paleolítico Superior, os grupos humanos habitavam cavernas, mas produziram 
as primeiras construções com funções além do abrigo e com intenção arquitetônica, isto é, com 
ordenamento, tecnologia construtiva e intenção estética.
Geralmente atrelados ao pensamento religioso, nossos ancestrais construíam monumentos 
e altares com pedras: selecionavam-nas, aparelhavam-nas, escolhiam um lugar para sua 
implantação, posicionavam-nas e as fixavam no solo. Construíam rudimentarmente com noções 
de estabilidade e propósito plástico – faziam, portanto,arquitetura.
As construções da arquitetura pré-histórica são, basicamente, os menires e os dólmens.
Menir
Caracteriza-se por ser um monobloco de pedra em formato alongado, único, cravado no solo, 
com a parte mais estreita voltada para o céu. Era tratado como um monumento comemorativo, 
marcava a presença de enterramentos ou indicava lugares sagrados. Alguns possuíam inscrições 
e elementos figurativos.
Dólmen básico
Era composto de três peças: duas pedras verticais e uma pedra horizontal a elas sobreposta. 
Configuravam altares, mesas rituais ou sepulturas e podia também ser composto por apenas duas 
pedras em forma de laje mutualmente apoiadas – o meio-dólmen –, ou quatro pedras em posição 
vertical, com uma sobre elas apoiada horizontalmente, denominado duplo-dólmen.
35
Benjamim de Carvalho (s.d.) descreve a arquitetura como “tradução plástica de um aspecto 
ecológico-humano”. A arquitetura, pois, fundou-se em tais princípios e se manteve nesses níveis 
de expressividade por milênios até se mostrar mais consistente e esteticamente relevante a partir 
das construções que se registram nas regiões da Suméria e do Egito, entre 4.000 a. C. e 3.000 a. C.
2.2. Arquitetura clássica
As civilizações grega e romana, conhecidas como constituintes do período cultural clássico do 
Ocidente, estabeleceram-se na Europa mediterrânea aproximadamente a partir de 600 a. C. e são 
responsáveis pela configuração seminal do pensamento ocidental, constituindo seu arcabouço 
intelectual, político, filosófico e estético.
Em primeiro lugar, temos os grupos populacionais gregos, unidos e estabelecidos, após 
inúmeras guerras no continente europeu, em territórios permanentes e entre as atuais 
Itália e Turquia. As vitórias bélicas trouxeram força política e econômica a essas populações e 
fundamentaram as condições para a construção de monumentos grandiosos, especialmente em 
honra à sua vasta plêiade de deuses. Seus templos eram constituídos principalmente de pedra 
calcárea e estuque de mármore e apresentavam estrutura geométrica e formal desenvolvida 
a partir do desenho original dos primitivos dólmens, ou seja, um elemento horizontal, aqui 
denominado entablamento, apoiado por elementos estruturais verticais ou colunas e dos 
processos construtivos dos antigos templos de madeira. Entendemos, assim, que as colunas 
substituíram os troncos de árvores, e o entablamento as vigas de madeira para sustentação do 
madeiramento do telhado.
Essas construções, desenvolvidas com base nos conhecimentos da geometria e da 
matemática, elevaram a arquitetura à excelência científica e se estabeleceram como cânones 
de toda a produção arquitetônica ocidental, seguindo princípios de ordem, simetria e recursos 
de adaptação perceptiva do espaço. “Uma característica marcante de sua expressividade são as 
colunas, que estabeleceram o que ficou conhecido como as ordens arquitetônicas dórica, jônica 
e coríntia” (BRANT, op. cit.).
Um dos principais exemplos da arquitetura grega clássica é o templo dórico Partenon, 
construído entre 447 e 432 a. C. em Atenas, dedicado a Atena Parthenos, ou Virgem Atena.
36
Figura 1 - Ruínas do Partenon, em Atenas 
Fonte: ivan bastien, Shutterstock, 2020.
O fulgor da cultura grega permaneceu até o início da ocupação de seus territórios pelo Império 
Romano. A “incorporação de cidades gregas da Itália começara em 282 a.C. [...] e o contato 
entre gregos e romanos levou a influência grega ao desenvolvimento da arquitetura romana” 
(MANSELL, 1979, p.16).
A arquitetura romana seguiu quase que totalmente os princípios construtivos gregos e 
os aprimorou à medida em que novas tecnologias foram sendo desenvolvidas. Entre outros 
movimentos evolutivos, Roma criou mais duas ordens, a compósita e a toscana, e introduziu 
em seus edifícios novas alternativas, construtivas, tais como o arco e a abóbada. É importante 
destacar também o aprimoramento técnico relativo ao uso do concreto romano, cujos agregados 
eram constituídos de pedaços de tijolo quebrado, mármore e rochas vulcânicas e a argamassa 
composta de cal e areia pozzolana.
São inúmeros os exemplares do esplendor da arquitetura clássica romana. Podemos destacar 
dois exemplos seminais: o Panteon (120 a.C – 24 d.C.), com seu interior coroado por imensa 
cúpula de concreto, e o Coliseu (72 d.C. – 80 d.C.), estruturado por conjuntos das ordens dórica, 
jônica e coríntia.
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Figura 2 - Ruínas do Coliseu, em Roma 
Fonte: Artjazz, Shutterstock, 2020.
2.3. Arquitetura cristã primitiva e arquitetura bizantina
A decadência de Roma pôs fim ao período clássico e, em sequência, a relevância da arquitetura 
antiga ocidental se deveu, fundamentalmente, à propagação do cristianismo por toda a Europa 
– em 326, o imperador Constantino o proclamou como a religião oficial de Roma, e a linguagem 
arquitetônica fundamentada na filosofia eclesiástica protagonizou a produção das chamadas 
igrejas cristãs primitivas ou igrejas basilicais. O desenho das igrejas seguia o modelo das basílicas 
ou tribunais romanos e pode ser considerado como o precursor e a raiz fundamental de toda a 
arquitetura religiosa a partir de então.
Basicamente sua planta, alongada, é composta por um espaço de entrada, o nártex; um espaço 
central, a nave; espaços laterais à nave, denominados naves laterais; e um espaço principal, para 
abrigo do altar e para onde todos os olhares se dirigem no edifício, a abside. A igreja tem, do 
nártex até a abside, no sentido longitudinal, telhado de duas águas como cobertura e ao templo 
normalmente está conjugado um imponente e vertical campanário.
Em 330, a fim de consolidar seu poder no Oriente, o imperador Constantino transferiu a capital 
do Império Romano de Roma para a cidade de Constantinopla – antiga Bizâncio e atual Istambul. 
A arquitetura bizantina recebeu influências formais da cultura de raiz muçulmana e apresentou 
como solução construtiva a planta em cruz grega, ou seja, com braços de igual comprimento, 
sobre a qual erguia-se uma cúpula. Um dos principais exemplos deste desenho é a igreja de Santa 
Sofia, erguida na Turquia entre os anos de 532 e 537.
2.4. Arquitetura românica e arquitetura gótica
A arquitetura românica se caracteriza por constituir um verdadeiro ponto de inflexão na linha 
estilística da arquitetura ocidental. A principal contribuição arquitetônica e construtiva deste 
38
movimento, ocorrido aproximadamente entre os séculos XI e XIII, foi a conjugação da planta 
cristã primitiva à planta bizantina. As plantas das igrejas românicas se configuram como uma cruz 
latina, onde a nave ocupa seu espaço tradicional no sentido longitudinal e os braços menores 
determinam espaços denominados transeptos. A intercessão entre a nave e os transeptos, 
conhecido como cruzeiro, serve agora como espaço de interseção entre a abside e a nave. 
Além desta sólida modificação bidimensional, em planta, os construtores românicos iniciaram 
importante processo de experimentação construtiva ao substituírem os primitivos telhados por 
elaboradas estruturas constituídas por cúpulas, abóbadas e arcos, com origens informacionais 
nas antigas construções romanas, persas e bizantinas e que culminarão no esplendor estrutural 
da arquitetura gótica.
A arquitetura gótica comprova que a Idade Média não é, como alguns autores podem relatar, 
uma época de obscurantismo intelectual – pelo contrário. A cultura medieval, ao longo de 
quinhentos anos, desde pelo menos o século XI, permitiu que equipes de artesãos, ou guildas, 
formadas por associações de profissionais – carpinteiros, pedreiros, ferreiros, vidraceiros, 
escultores e outros – desenvolvessem experimentações construtivas que produziram edificações 
extremamente sofisticadas, tanto em termos estruturais quanto plásticos. As catedrais góticas 
se notabilizaram por possuírem espaços muito amplos, iluminados por elaborados vitrais e pés-
direitos altíssimos.
A arquitetura gótica pôde ser operada em função de desenvolvimentos técnicos iniciados 
ainda no período românico, caracterizandoedifícios muito mais em função de sua ossatura do 
que propriamente sua massa. Para isso, alguns elementos foram fundamentais:
os contrafortes – reforços laterais;
os arcobotantes – apoios sobrepostos aos contrafortes;
os arcos ogivais e as abóbadas de arestas.
Um dos edifícios exemplares do período é a catedral de Notre-Dame de Paris, construída 
entre os séculos XII e XIV em honra à Virgem Maria.
39
Figura 3 - Catedral de Notre-Dame, em Paris 
Fonte: Maksim Budnikov, Shutterstock, 2020.
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2.5 Arquitetura renascentista e arquitetura barroca
Toda a produção científica e artística ocorrida a partir do século XIV se deveu, principalmente, 
a um movimento intelectual difundido na Europa e inspirado nos conhecimentos produzidos 
pelas sociedades grega e romana antigas. Esse movimento valorizava um saber crítico voltado 
para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades 
da condição humana. Tal movimento denomina-se Humanismo e fundamentou todo o período 
do Renascimento.
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Cidades prosperavam com o comércio em substituição à anterior economia de base feudal, 
possibilitando pesados investimentos no desenvolvimento das ciências, das artes e da arquitetura. 
A partir do Renascimento, começamos a identificar, diferentemente das antigas guildas, autores-
arquitetos como Filippo Brunelleschi, Andrea Palladio, Donato Bramante e Michelangelo 
Buonarroti, que além de produzirem arquitetura, eram escultores, pintores e pesquisadores em 
geometria, matemática e astronomia.
A atividade construtiva no Renascimento não elaborou processos construtivos novos. A 
ênfase se dava muito mais nas experimentações plásticas do que propriamente nas atividades 
vinculadas a disciplinas reguladoras. Em termos arquitetônicos, dois elementos construtivos, de 
alguma forma, marcam este período histórico: seu início, com a cúpula da igreja de Santa Maria 
del Fiore, Florença, de Brunelleschi, no século XV e seu fim, já no início do Barroco, com a cúpula 
da basílica de São Pedro, Vaticano, de Michelangelo, no século XVI.
Figura 4 - Igreja de Santa Maria del Fiore ou catedral de Florença 
Fonte: Spooh, iStock, 2020.
Figura 5 - Basílica de São Pedro, no Vaticano 
Fonte: ChandraDhas, iStock, 2020.
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A etimologia indica que a palavra barroco provém da denominação latina dada a uma 
pérola de formato irregular. Posteriormente, esta referência foi atribuída a acepções específicas, 
ligadas às artes do período em sequência ao Renascimento. A linha do tempo da história da 
arquitetura posiciona o estilo Barroco entre os séculos XVI e XVIII – inclusive adentrando no 
século XIX – como um movimento de transição e oposição a dois estilos que retomam preceitos 
da antiguidade clássica: o Renascimento e, posteriormente, o Neoclassicismo. Por esta razão, 
apesar da exuberância de suas construções, o Barroco muitas vezes também é considerado como 
uma degenerescência estilística.
O século XVI foi profundamente marcado em função da ruptura cultural provocada pela 
Reforma Protestante, o que levou a Igreja Católica a condenar, no Concílio de Trento, a arte pagã 
renascentista e estabelecer instruções voltadas a ações do movimento de Contrarreforma. Assim 
sendo, além de se localizar entre dois estilos caracterizados pela precisão, a expressão barroca se 
consolidou como um vocabulário firmado na conjugação de elementos artísticos e arquitetônicos 
que mesclavam “novas concepções de massa, espaço, tempo e movimento” (Carvalho, op. cit., 
p. 240). A segurança e o comedimento do Renascimento deram lugar a formas cenográficas e 
irregulares, que denotavam as incertezas diante da natureza humana e suas relações com Deus.
O Renascimento ocorre simultaneamente aos movimentos expansionistas portugueses e 
espanhóis, mas o estilo que caracterizará o período de colonização brasileira será o Barroco, 
mormente em lugares como o Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais. Apesar de termos no Brasil e 
na Europa incontornáveis exemplos da arquitetura religiosa barroca, o movimento se amplificou 
em sua abrangência, especialmente na França, durante os séculos XVII e XVIII, sob o reinado de 
Luís XIV. O Barroco determinou edificações não-religiosas inteiramente projetadas sob a égide da 
opulência, tais como o palácio de Versalhes, símbolo máximo da monarquia absoluta francesa.
Figura 6 - Detalhe dos jardins do palácio de Versalhes, em Paris 
Fonte: Martin Gardeazabal, Shutterstock, 2020.
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2.6 Arquitetura neoclássica e arquitetura eclética
Conforme dito anteriormente, o neoclassicismo é um estilo de raiz classicizante, posicionado 
cronologicamente logo após o movimento barroco, ou seja, entre o final do século XVII e 
início do século XIX. A busca por um estilo menos profuso e a ânsia por espaços mais regrados 
estimularam artistas e arquitetos a redescobrirem preceitos clássicos de construção e composição 
e a explorarem diretrizes projetuais calcadas em regras mais ordenadas. O aprofundamento das 
ciências arqueológicas e, por conseguinte, escavações que tomaram lugar nas regiões do antigo 
Império Romano e na Grécia proporcionaram estudos mais acurados da antiguidade clássica. 
Assim, os projetos passaram a ser modelados por classificações tipológicas e desenhos concisos, 
baseados em normas geométricas e matemáticas, tais como a trigonometria e a simetria.
No âmago do período neoclássico, outras vertentes estilísticas germinaram, originando uma 
linguagem menos rígida, baseada em repetições estilísticas, que buscaram informações plásticas 
e planos em outros momentos históricos e em outras fontes estilísticas, tais como a arquitetura 
gótica, a renascentista, a oriental, a egípcia etc. Este estilo perdurou até a virada do século XIX e 
foi denominado Ecletismo.
O estilo eclético se estabeleceu como prescrição à prática de colher nos estilos passados 
elementos compositivos, independentemente de critérios puristas. Assim sendo, cópias de 
colunas gregas eram aceitas em conjunto com cúpulas de linguagem barroca, vitrais neogóticos 
e esculturas de gosto egípcios. A arquitetura eclética se estabeleceu a partir da necessidade 
burguesa em aliar novas tecnologias de instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias a edifícios 
que remetiam às arquiteturas de cunho elitizantes.
Desse modo, a arquitetura de grandes lojas, bancos, hotéis, teatros e mansões deram primazia 
ao conforto, camuflando técnicas construtivas em expansão, tais como as estruturas metálicas, 
com verdadeiros compêndios elementos estilísticos. Todos profusamente consumidos por meio 
de catálogos e produções em série. O ecletismo produziu uma “arquitetura sem grandes tensões 
espirituais, não autônoma, mas participante e comprometida até ao próprio sacrifício” (FABRIS, 
1987, p. 14), assumindo-se como reprodutora de modelos e modas.
43
2.7 Arquitetura moderna
A virada do século XIX, conforme dissemos, não apresentou substanciais comprometimentos 
com a autonomia criativa, mas serviu como período de reflexão para artistas e arquitetos sobre a 
produção intelectual de uma época em que incontáveis avanços políticos, econômicos, sociais e 
tecnológicos tomaram corpo. As idiossincrasias das primeiras décadas do século XX permitiram o 
florescimento de profundos questionamentos em relação à arquitetura e conduziram arquitetos 
como Walter Gropius, Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright, Le Corbusier, Lúcio Costa, Affonso 
Eduardo Reidy, Oscar Niemeyer e tantos outros a buscar, por meio de seus estudos e edifícios, 
uma linguagem plástica que aliasse inovações tecnológicas à liberdade formal, e as edificações 
pudessem se livrar de todo e qualquer parâmetro referencial histórico, consolidando o que se 
posteriormente chamou de estilo internacional.
Figura 7 - Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro 
Fonte: Anthony Correia, Shutterstock, 2020.
A filosofia arquitetônica moderna livrou a volumetria da edificação de sua estrutura, o 
edifício do desenho do terreno e permitiu infindáveispossibilidades plásticas baseadas em cinco 
princípios formais:
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• a elevação do edifício sobre pilotis;
• o descolamento da fachada em relação ao esqueleto estrutural;
• a planta livre, também independente da estrutura;
• a janela em fita, sem vinculação ao desenho da fachada;
• e o terraço-jardim, em substituição às coberturas de telhado.
Figura 8 - Panorama do Museu de Arte Contemporânea de Niterói/RJ 
Fonte: diegograndi, Shutterstock, 2020.
2.8 Arquitetura pós-moderna e arquitetura contemporânea
A partir da metade do século XX, os parâmetros arquitetônicos e urbanísticos incensados pelos 
modernistas passaram a ser contestados pela intelectualidade crítica. Com base em pré-existências 
históricas e compositivas, a arquitetura pós-moderna trouxe de volta os parâmetros históricos de 
referência em relação aos edifícios e, especialmente, à vida urbana. Assim sendo, elementos notáveis 
das soluções clássicas e referenciais estilísticos conservadores forneceram exemplares arquitetônicos 
de lembrança tradicionalista, frequentemente irônicos e às vezes exagerados no pastiche.
A partir da década de 1970 e até a atualidade, movimentos importantes apresentaram-se 
como protagonistas na produção arquitetônica contemporânea, dentre eles, o desconstrutivismo, 
como destaca Júlia Brant (op. cit.):
Essa tendência relaciona-se a duas principais linhas de inspiração: a desconstrução, corrente 
de análise literária e filosófica dos anos 1960 que repensa e desmonta os modos tradicionais de 
pensamento; e o construtivismo, movimento artístico e arquitetônico russo do início do século XX.
Grandes arquitetos representam a arquitetura contemporânea a nível global, como Zaha 
Hadid, Norman Foster, Frank Ghery e Daniel Libeskind.
45
3 A PROFISSÃO DO ARQUITETO E URBANISTA
A profissão do arquiteto nasceu no Paleolítico Superior há pelo menos 42.000 anos, no 
momento em que algum cro-magnon mostrou vontade em arrumar de modo ordenado uma 
ou algumas pedras, com intenção funcional, que se mantivesse estável e que despertasse nele 
e/ou em seus iguais experiências sensíveis ao corpo e à mente, ou seja, sensações estéticas. 
Desde então o fazer arquitetônico passou a constituir parte importante e inseparável da presença 
humana da Terra.
Como vimos, a partir das primeiras manifestações intelectuais, a arquitetura se consolidou 
como um dos principais veículos de expressão coletiva, apresentando-se, ao longo da história, 
de modos diferenciados e de acordo com o momento histórico, o local, a dinâmica econômica e 
a cultura das sociedades.
Até o Renascimento, todo o conhecimento sobre a produção arquitetônica ocorria por meio 
de grupos de artesãos, especialistas em atividades específicas – fabricação de peças metálicas, 
confecção de alvenarias, habilidade em carpintaria, escultura, pintura etc., que se reuniam para 
desenhar e erguer edifícios. Eram construções cuja cientificidade ocorria de modo estritamente 
empírico, em função de práticas de tentativa e erro.
A partir do momento em que essas e outras experiências passaram a ser analisadas, 
registradas em livros, e estes registros retomados em novas edificações, a ciência arquitetônica 
tomou corpo – em 1671, a primeira academia de arquitetura foi fundada em Paris. O contexto 
histórico desta época passou a indicar também nomes de autores individuais das propostas de 
espaços edificados, tais como os arquitetos das obras renascentistas e barrocas.
As exigências arquitetônicas e, especialmente, os avanços construtivos desta época, exigiram 
que a ciência da construção se ampliasse amplamente, já que a academia de arquitetura francesa 
se fechou enormemente em seus estudos estruturados nas belas artes. A ênfase na estética 
da academia e a necessidade por ensinamentos técnicos mais aprofundados fizeram com que 
em 1747, também em Paris, fosse fundada a escola de pontes e estradas. Este momento de 
efervescência intelectual, arraigado no Iluminismo, marca definitivamente a separação entre as 
ciências arquitetônicas e as engenharias.
FIQUE DE OLHO
A história da arquitetura é abrangente e há inúmeros estilos além dos mencionados, 
especificamente aqueles que guardam características culturais locais. Os estilos aqui 
destacados retratam movimentos de cunho universal que se espalharam de modo mais 
consistente para além de seus locais de origem.
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No período da Revolução Francesa, a academia de arquitetura foi fechada, e, em 1794, 
fundam-se várias escolas técnicas na França:
• a escola politécnica, com ênfase em matemática e física;
• a escola de pontes e caminhos;
• a escola de engenheiros;
• a escola de artilharia e do gênio militar;
• a escola de minas;
• e a escola do gênio marítimo.
Somente nos primeiros anos do século XIX que é fundada uma escola que retoma o 
ensino arquitetônico. Desta vez, contudo, sob o título de Escola de Belas Artes, com ênfase em 
arquitetura, pintura e escultura.
Este panorama nos ajuda a entender o porquê de a arquitetura ser uma ciência social 
aplicada, diferentemente da engenharia. A primeira se reveste de caráter antropológico, filosófico 
e sociológico, ou seja, compromete-se com os anseios humanos e assim o faz explorando a 
expressividade plástica, e a segunda tem compromisso primordial com a técnica e a objetividade. 
De qualquer forma os dois universos científicos, embora burocraticamente separados, são 
intrinsicamente dependentes um do outro. Não existe arquitetura sem engenharia e não existe 
engenharia sem arquitetura, pois a história, a lógica científica e o mercado de trabalho assim 
comprovam.
4 MERCADO DE TRABALHO E ATUAÇÕES DO 
ARQUITETO E URBANISTA
Para ilustrar com clareza o trabalho do arquiteto e urbanista no Brasil, é importante recorrer 
à legislação nacional. Em 2010, os profissionais se retiraram do antigo Conselho Regional de 
Engenharia e Arquitetura (CREA, hoje Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e foi 
criado outro conselho profissional, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Desse modo, 
a profissão do arquiteto e urbanista passou a ser regulamentada pela lei n° 12.378, de 31 de 
dezembro de 2010, que além, de criar o conselho enumerou, no Parágrafo Único do Artigo 2º os 
seguintes campos de atuação (Lei 12.378, 31/12/2010):
I - da Arquitetura e Urbanismo, concepção e execução de projetos;
II - da Arquitetura de Interiores, concepção e execução de projetos de ambientes;
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III - da Arquitetura Paisagística, concepção e execução de projetos para espaços externos, livres 
e abertos, privados ou públicos, como parques e praças, considerados isoladamente ou em sistemas, 
dentro de várias escalas, inclusive a territorial;
IV - do Patrimônio Histórico Cultural e Artístico, arquitetônico, urbanístico, paisagístico, 
monumentos, restauro, práticas de projeto e soluções tecnológicas para reutilização, reabilitação, 
reconstrução, preservação, conservação, restauro e valorização de edificações, conjuntos e cidades;
V - do Planejamento Urbano e Regional, planejamento físico-territorial, planos de intervenção no 
espaço urbano, metropolitano e regional fundamentados nos sistemas de infraestrutura, saneamento 
básico e ambiental, sistema viário, sinalização, tráfego e trânsito urbano e rural, acessibilidade, gestão 
territorial e ambiental, parcelamento do solo, loteamento, desmembramento, remembramento, 
arruamento, planejamento urbano, plano diretor, traçado de cidades, desenho urbano, sistema 
viário, tráfego e trânsito urbano e rural, inventário urbano e regional, assentamentos humanos e 
requalificação em áreas urbanas e rurais;
VI - da Topografia, elaboração e interpretação de levantamentos topográficos cadastrais para 
a realização de projetos de arquitetura, de urbanismo e de paisagismo, fotointerpretação, leitura, 
interpretação e análise de dados e informações topográficas e sensoriamento remoto;
VII - da Tecnologia e resistência dos materiais, dos elementos e produtos de construção, patologias 
e recuperações;
VIII - dos sistemas construtivos e

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