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INTRODUÇÃO À ARQUITETURA E URBANISMO ORGANIZADORES JÉSSICA BORGES FORTES E GUILHERME DE ARAÚJO DE FIGUEIREDO INTRODUÇÃO À ARQUITETURA E URBANISMO (Arquitetura e Urbanismo: Profissão e Carreira) ORGANIZADORES JÉSSICA BORGES FORTES E GUILHERME DE ARAÚJO DE FIGUEIREDO Introdução à arquitetura e urbanism o GRUPO SER EDUCACIONAL O livro Introdução à arquitetura e urbanismo é direcionado para estudan- tes de cursos de arquitetura e urbanismo. Além de abordar assuntos gerais, o livro traz as de�nições e conceitos na arquitetura e urbanismo, o panorama histórico, as bases legais, o mercado de trabalho e sustentabilidade. Após a leitura da obra, o leitor vai aprender as primeiras noções de estilo em arquitetura; ter uma breve descrição dos principais estilos existentes ao longo da história; conhecer as primeiras noções de planejamento urbano; reconhecer o programa arquitetônico como base fundamental para que se projete e entenda a essência e a aparência dos espaços cons- truídos; veri�car o momento histórico e cultural que determinou a separa- ção teórica, curricular e metodológica entre as ciências em arquitetura e urbanismo e as ciências das engenharias; compreender o Plano Diretor; dominar dois temas relevantes para a prática pro�ssional que foram regu- lamentados por resoluções do CAU/BR: os direitos autorais sobre projetos e obras de arquitetura e urbanismo e a tabela de honorários pro�ssionais; entender por que a pro�ssão do arquiteto e urbanista é generalista; obser- var ações que podem ser conduzidas pela arquitetura no sentido de promover edifícios sustentáveis; identi�car as necessidades inerentes aos problemas urbanos e como o urbanismo procura resolvê-los, e muito mais. Aproveite a leitura do livro. Bons estudos! gente criando futuro I SBN 9786555581003 9 786555 581003 > C M Y CM MY CY CMY K INTRODUÇÃO À ARQUITETURA E URBANISMO Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Fortes, Jéssica Borges. Introdução à arquitetura e urbanismo / Jéssica Borges Fortes; Guilherme de Araújo de Figueiredo. São Paulo: Cengage – 2020. Bibliografia. ISBN 9786555581003 1. Arquitetura e urbanismo Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Jéssica Borges Fortes Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Meridional (IMED), pós graduada em Cidades - Gestão Estratégica do Território Urbano pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e mestre em Desarrollo Urbano y Territorial pela Universitat Politècnica de Catalunya (UPC). Atuou como arquiteta e urbanista em ArquiCultura Urbana, como consultora em Design de Interiores para o SEBRAE/RS e como professora de Desenho Técnico no projeto do Governo Federal Mulheres Mil desenvolvido pelo Instituto Federal Sul-RioGrandense de Passo Fundo. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Definições e conceitos na arquitetura e urbanismo ....................................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1 As definições e conceitos da arquitetura ........................................................................................... 11 2 As definições e conceitos do urbanismo ............................................................................................ 15 3 A noção de estilo em arquitetura ....................................................................................................... 20 4 A noção de planejamento urbano ..................................................................................................... 23 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................28 UNIDADE 2 - AArquitetura e urbanismo ontem e hoje ....................................................................29 Introdução.............................................................................................................................................30 1 Informações iniciais ........................................................................................................................... 31 2 Principais estilos arquitetônicos......................................................................................................... 33 3 A profissão do arquiteto e urbanista .................................................................................................. 45 4 Mercado de trabalho e atuações do arquiteto e urbanista ...............................................................46 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................50 UNIDADE 3 -Bases legais ...............................................................................................................53 Introdução.............................................................................................................................................54 1. Atribuições profissionais na atualidade ............................................................................................ 55 2 Regulamentação da profissão no Brasil ............................................................................................. 57 3. Ética profissional ............................................................................................................................... 61 4. Legislação básica para a prática projetual ......................................................................................... 65 5. Outros temas relevantes ...................................................................................................................estruturais, estruturas, desenvolvimento de estruturas e aplicação tecnológica de estruturas; IX - de instalações e equipamentos referentes à arquitetura e urbanismo; X - do Conforto Ambiental, técnicas referentes ao estabelecimento de condições climáticas, acústicas, lumínicas e ergonômicas, para a concepção, organização e construção dos espaços; XI - do Meio Ambiente, Estudo e Avaliação dos Impactos Ambientais, Licenciamento Ambiental, Utilização Racional dos Recursos Disponíveis e Desenvolvimento Sustentável. Como vimos acima, a profissão é extremamente complexa em sua abrangência. O arquiteto e urbanista é um generalista, pois sua formação está configurada com base no que a legislação prescreve. O mercado de trabalho é vasto e o profissional pode se especializar em qualquer um dos itens do artigo 2º. O CAU-BR, federal, fiscaliza o exercício profissional e em todo o território nacional auxiliado pelos conselhos regionais. Para tal em cada mandato de três anos são eleitos conselheiros que compõem comissões de trabalho. No CAU-BR, atuam comissões ordinárias (CAU-BR, s.d.): • Comissão de Ensino e Formação (CEF); 48 • Comissão de Ética e Disciplina (CED); • Comissão de Exercício Profissional (CEP); • Comissão de Organização e Administração (COA); • Comissão de Planejamento e Finanças (CPFI). E comissões especiais: • Comissão de Política Profissional (CPP); • Comissão de Política Urbana e Ambiental (CPUA); • Comissão de Relações Internacionais (CRI). O CAU tem como visão “aprimorar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo” e como valores principais “zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe; atender à sociedade no aspecto da prestação do serviço técnico de qualidade; e Respeito à missão e às decisões plenárias” (CAU-RJ, s.d.) Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: FIQUE DE OLHO Para mais informações sobre a profissão do arquiteto e urbanista e seu mercado de trabalho, acesse o texto da Lei Federal nº12.378, de 31 de dezembro de 2010, o portal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil ou portais dos conselhos estaduais (ver referências bibliográficas). 49 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • identificar argumentos que justificam ser a arquitetura valioso complemento para o conhecimento da cultura humana e sua história; • reconhecer o programa arquitetônico como base fundamental para que se projete e entenda não só a essência, mas também a aparência dos espaços construídos; • observar que os momentos da história da arquitetura aqui descritos se mostram como importantes referências, pois explicam decisões e ações de projetistas e cons- trutores que geraram ora aceites, ora verdadeiros cortes epistemológicos na linha do tempo dos estilos. • verificar o momento histórico e cultural que determinou a separação teórica, curri- cular e metodológica entre as ciências em arquitetura e urbanismo e as ciências das engenharias; • informar sobre as preocupações, abordagem gerenciais e ações dos profissionais de arquitetura e urbanismo e seu conselho profissional, criado no brasil no ano de 2010. PARA RESUMIR ARCHIDAILY. O que o arquiteto pode fazer (segundo a legislação). Disponível em https:// www.archdaily.com.br/br/801494/o-que-o-arquiteto-e-urbanista-pode-fazer-segundo- a-legislacao. Acesso em: 4 mar. 2020. ARGAN, G. C. Sobre a tipologia em arquitetura. In: NESBITT, K. (Org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica 1965 – 1995. São Paulo: Cosac Naify, 2006. BRANDÃO, C. A. L. A formação do homem moderno vista através da arquitetura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999 BRANT, J. Características e diferenças em 12 estilos arquitetônicos. Portal Archidaily, 2020. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/898742/caracteristicas-e-diferencas- de-12-estilos-arquitetonicos?ad_source=myarchdaily&ad_medium=bookmark- show&ad_content=current-user. Acesso em: 4 mar. 2020. BRASIL. Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/ BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal - CAUs; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso em: 4 mar. 2020. CARVALHO, B.A. A história da arquitetura. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s.d. CAU-BR. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Disponível em: https://www. caubr.gov.br/. Acesso em: 4 mar. 2020. CAU-RJ. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro. Disponível em: https:// www.caurj.gov.br/. Acesso em: 4 mar. 2020. CORRÊA, P. R. O programa de necessidades. Aedificandi – Revista de Arquitetura e Construção, São Paulo, v. I, n. 1. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2006. Disponível em http://www.aedificandi.com.br/aedificandi/N%C3%BAmero%20 1/1_artigo_programa_de_necessidades.pdf. Acesso em: 31 jul. 2009.. FABRIS, A. (Org.). 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Aprenda as atribuições profissionais na atualidade, considerando suas relações com a formação acadêmica, e entenda quais as entidades internacionais e nacionais representativas da categoria e de suas áreas de atuação. Compreenda, ainda, o percurso da regulamentação profissional, o dispositivo legal que rege hoje a profissão, a estrutura representativa da classe, o sistema CAU/BR-CAU e o Código de Ética e Disciplina da profissão. Aprofunde o tema apresentando a legislação básica para a prática projetual e dando conhecimento sobre questões importantes da prática profissional: os direitos autorais relativos aos projetos e obras de arquitetura e urbanismo e as tabelas de honorários de serviços na área. Bons estudos! 55 1. ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS NA ATUALIDADE O que é arquitetura? Muitos estudiosos se dedicam à tarefa de tentar definir esse conceito. Apesar das diferenças, observamos que existem alguns pontos comuns, alguns consensos entre eles. Assim, podemos dizer que, de forma geral, arquitetura envolve arte e técnica. Associa esses dois aspectos com o objetivo de organizar o espaço, de resolver um programa, de abrigar funções, de dar a melhor forma possível a umaconstrução ou a um espaço urbano, no sentido de satisfazer as necessidades das pessoas que dele farão uso. O profissional responsável por essa tarefa de pensar e construir uma obra arquitetônica e de intervir nas cidades é o arquiteto. Certamente, nem sempre foi assim. Essa profissionalização das atividades no campo da arquitetura foi sendo construída ao longo do tempo, conforme surgiram as necessidades de melhor enquadrá-las. De toda forma, o que nos interessa nesta unidade é a profissão do arquiteto na atualidade, qual seu papel e que normas regem e respaldam a sua atuação. Castilho (2014, p. 12) faz uma crítica às graduações de arquitetura no país que, com frequência, não contêm conteúdo sobre a legislação profissional em suas grades curriculares. Sem isso, os estudantes acabam se dedicando a tarefas desconectadas da realidade. Apresentam- se assim, muito preocupados com estética e funcionalidade, mas não possuem as ferramentas legais básicas para enfrentar problemas como a aprovação de projetos junto aos clientes e ao poder público. Por isso, o autor avalia que, Para o arquiteto, a legislação profissional precisa ser vista como instrumento fundamental ao exercício competente, consciente e eficiente da profissão. Com efeito, não se pode de modo algum pensar que esta atividade não gere consequências no mundo jurídico uma vez que ela se insere no mundo de relações, gerando responsabilidades múltiplas. (CASTILHO, 2014, p. 11-12, grifo nosso) Antes de aprofundar nosso conhecimento sobre o mundo jurídico da arquitetura no Brasil, fundamental para a prática profissional, vamos conhecer um pouco mais sobre a relação entre a formação acadêmica e as atribuições profissionais, e sobre as entidades internacionais e nacionais que estabelecem as diretrizes gerais relativas a esses dois temas e outros. 1.1 Formação acadêmica e atribuição profissional A atribuição profissional tem nexo estreito com a formação acadêmica, ou seja, o profissional formado em uma faculdade de Arquitetura e Urbanismo tem a competência para atuar em consonância com as disciplinas e conteúdos que aprende durante o curso. Mas como delinear essas competências considerando que as faculdades de arquitetura e urbanismo possuem grades curriculares diferenciadas? 56 Parte da resposta está na Resolução nº 2, de 17 de junho de 2010, do Ministério da Educação, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo. Nela, estão estabelecidas as orientações gerais que devem ser observadas pelas Instituições de Ensino Superior em todo o país na organização do curso voltado para essa área e na elaboração do respectivo projeto pedagógico. Cabe destacar que esse dispositivo normativo estabelece o perfil que deve possuir o estudante egresso do curso, conforme reproduzido a seguir: Art. 10 da Resolução nº 2/2010 I - sólida formação de profissional generalista; II - aptidão de compreender e traduzir as necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade, com relação à concepção, organização e construção do espaço interior e exterior, abrangendo o urbanismo, a edificação e o paisagismo; III - conservação e valorização do patrimônio construído; IV - proteção do equilíbrio do ambiente natural e utilização racional dos recursos disponíveis. O Brasil – e a América Latina, de forma mais ampla – fez a opção pelo perfil generalista na formação do arquiteto e urbanista. Cabe ressaltar, no entanto, que ela diverge da tendência à especialização observada em outros países, como os anglo-saxões e europeus. Esse perfil generalista tem apresentado seus prós e contras e tem estado na pauta de muitos debates sobre a formação no campo da arquitetura e as atribuições amplas e exclusivas desses profissionais, conforme veremos mais adiante. 1.2 Entidades internacionais e nacionais Existem diversas entidades, internacionais e nacionais, que procuram estabelecer diretrizes mais amplas para a formação e a atuação profissional. São associações, organizações, conselhos que representam os profissionais de forma geral ou segmentada por temas ou áreas específicas. A União Internacional de Arquitetura (UIA), por exemplo, é uma organização não- governamental, fundada em 1948, que engloba mais amplamente a categoria, pois seu objetivo é unir os arquitetos de todo o mundo por meio de suas representações e associações nacionais. A organização tem crescido e atualmente conecta profissionais de 115 países e territórios de todos os continentes. Segundo o site da organização, a UIA atua como uma plataforma para o compartilhamento de conhecimento, visando criar soluções inovadoras e colaborativas para o avanço da arquitetura, com foco particular no desenvolvimento sustentável. 57 A entidade promove congressos e fóruns trienais, competições internacionais de design, grupos de trabalho e comissões, produzindo, ainda, cartas, acordos e recomendações internacionais relacionadas ao ensino e prática da arquitetura e urbanismo, que são direcionadas para seus associados. Citamos como exemplo o Acordo sobre Padrões internacionais recomendados de profissionalismo na prática arquitetônica e a Carta UNESCO-UIA para a educação em arquitetura. Nesses documentos, as diretrizes são de caráter geral, já que visam considerar os diversos contextos sociais e culturais dos países membros. Ainda no âmbito internacional, existem outras entidades, parceiras da UIA, que se organizam por regiões ou temas. Como exemplos, podemos citar: a Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas (IFLA); o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS); e o Conselho Internacional de Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP). Mas existem outros. Existem, também, as organizações nacionais, sendo a mais antiga o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), fundado em 1921. O IAB se configura como uma livre associação de arquitetos e urbanistas brasileiros que se dedica a atividades de interesse desses profissionais, do próprio campo da arquitetura e de suas relações com a sociedade. Temos, ainda: a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA); a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA); a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA); a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (APAP); e a Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA). 2 REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO NO BRASIL A luta pela autonomia na regulamentação da profissão de arquiteto no Brasil é antiga. Tal fato tem suas bases no próprio processo de formação acadêmica, já que, historicamente, a formação na área transitou entre as artes (Escola de Belas Artes) e a engenharia (Escola Politécnica). Até a década de 1930, conforme observa Artigas (apud ABEA, 1977, p. 53), “a Arquitetura não era profissão: ela se confundia com a atividade popular, cada um construindo a seu modo, com os recursos e as limitações do momento”. Para exercer essa atividade, não havia a exigência de qualificação, registro ou normas específicas direcionadas ao responsável pela construção. Data de 1933 o primeiro diploma legal que regula o exercício das profissões de engenheiro, de arquiteto e de agrimensor: o Decreto nº 23.569. O referido decreto estabeleceu as competências e as especializações desses profissionais, regulou a necessidade do registro e da carteira profissional como requisitos para atuação na área, e normalizou as atividades de fiscalização e as penalidades cabíveis. Fundou o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (abrangendo ainda os agrimensores) e os Conselhos Regionais, conhecido como sistema CONFEA-CREA, responsável por fiscalizar o exercício dessas profissões. A Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, é outro marco importante na regulamentação 58 da profissão de arquitetura. Entretanto, o dispositivo ainda mantém arquitetos, engenheiros e agrônomos (denominação que substituiu a dos agrimensores) sob o mesmo regime e estrutura organizacional. A luta dacategoria por um órgão representativo próprio só se encerrou em 2010, com a Lei nº 12.378, que sedimentou por fim caminhos distintos entre arquitetos e engenheiros do ponto de vista da regulamentação da profissão. A lei pacificou uma demanda histórica dos arquitetos cujas especificidades se misturavam e se diluíam com a dos engenheiros e outras profissões correlatas no enorme sistema CONFEA- CREA, mas colocou à mesa outras questões e conflitos. O perfil generalista da formação e atuação do arquiteto acaba tangenciando, e mesmo confundindo, suas atribuições com a de outras áreas e formações. Essa tensão tem se evidenciado sobretudo no debate sobre as competências privativas e compartilhadas desses profissionais, como veremos mais adiante. Na sequência, trazemos um pouco mais sobre o dispositivo legal vigente e a estrutura representativa atual dos arquitetos e urbanistas. 2.1 Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010 A Lei nº 12.378/2010 é o dispositivo legal que atualmente regulamenta o exercício da arquitetura e do urbanismo no país. Cabe destacar que “a regulamentação de uma profissão pelo Estado leva em conta, sobretudo, se o exercício profissional pode causar danos sociais ou expor vidas humanas a riscos” (CAU/BR, 2016, p. 46), isto é, tem o objetivo de resguardar a sociedade e o ambiente da prática ilegal ou irresponsável da profissão. Na lei, estão discriminadas as atribuições dos arquitetos e urbanistas e os campos de atuação no setor, que podemos pontuar, conforme seu artigo 2º, resumidamente em: • arquitetura e urbanismo, • arquitetura de interiores, • arquitetura paisagística, • patrimônio histórico cultural e artístico, • planejamento urbano e regional, • topografia, • tecnologia e resistência dos materiais, • elementos e produtos da construção e patologias e recuperações, • sistemas construtivos e estruturais, 59 • instalações e equipamentos, • conforto ambiental • meio ambiente. A lei criou ainda o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal (CAUs), desvinculando os arquitetos do sistema CONFEA-CREA. Nesse sentido, o título de arquiteto e urbanista só pode ser utilizado por pessoas com registro no CAU e que tenham formação superior na área (art. 6º). O registro é nacional, de forma que o profissional registrado em determinada unidade da federação, pode atuar em todas as demais áreas, sem necessidade de outro registro. No dispositivo estão ainda previstos serviços como a emissão de Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), de certidões e suas respectivas taxas, bem como o pagamento da anuidade. Traz ainda dispositivos sobre constituição de acervos técnicos, infrações e sanções disciplinares a serem fiscalizadas pelo sistema CAU/BR-CAU. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2.2 Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) Segundo o artigo 24º da Lei 12.378/2010, o CAU/BR e o CAUs são autarquias com personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira e estrutura federativa, c suas atividades são custeadas exclusivamente por suas próprias rendas. Possuem como função orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão, zelando pelos princípios de ética e disciplina da categoria em todo o território nacional, empenhando-se ainda no aperfeiçoamento do campo. 60 Castilho (2014, p. 20-21) observa que o Conselho tem por objetivo a defesa de dois tipos de interesses: aqueles dos destinatários dos serviços de Arquitetura, bem como aqueles dos próprios profissionais da área, e pondera que os dois não podem apresentar oposição sob pena de sacrificar valores importantes. Deve-se encontrar um equilíbrio, mas sempre considerando que os valores corporativos jamais podem se sobrepor ao interesse comum. O mesmo autor identifica (2014, p. 21-22) três poderes atribuídos ao CAU: Disciplinar Diz respeito à competência para processar e julgar as infrações disciplinares cometidas pelos arquitetos, além de exigir conduta compatível com o código de ética específico Regulamentar Implica na elaboração de normas e provimentos necessários ao cumprimento da Lei nº 12.378/10. Representar Corresponde ao papel de representar toda a categoria perante os poderes públicos. O poder de regulamentação atribuído ao CAU/BR já resultou numa série de resoluções aprovadas em Conselho, muitas das quais visaram melhor delinear pontos citados na Lei nº 12.378/10. Citamos algumas que são importantes você ter conhecimento no seu processo de formação acadêmica. O poder de regulamentação atribuído ao CAU/BR já resultou numa série de resoluções aprovadas em Conselho, muitas das quais visaram melhor delinear pontos citados na Lei nº 12.378/10. Citamos algumas que são importantes você ter conhecimento no seu processo de formação acadêmica. Resolução CAU/BR nº 21 Dispõe sobre as atividades e atribuições profissionais do arquiteto e urbanista. Resolução CAU/BR nº 51 Dispõe sobre áreas de atuação privativas dos arquitetos e urbanistas e as áreas de atuação compartilhadas com outras profissões regulamentadas. Resolução CAU/BR nº 52 61 Aprova o Código de Ética e Disciplina do CAU/BR. Resoluções CAU/BR nº 64 e nº 76 Aprova Tabelas de Honorários de Serviços de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Resolução CAU/BR nº 67 Dispõe sobre os Direitos Autorais na Arquitetura e Urbanismo, estabelece normas e condições para o registro de obras intelectuais. A Resolução CAU/BR nº 51 de 12 de julho de 2013 foi revogada pelo próprio CAU/BR em setembro de 2019 depois de diversos conflitos e embates judiciais. Isso porque, ao delinear competências privativas dos arquitetos e urbanistas, a resolução acabou afetando a atuação de outros profissionais que não possuíam formação na área, incorrendo em interdições e multas. Conheça mais sobre esse debate no vídeo a seguir. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3. ÉTICA PROFISSIONAL Falar em ética profissional pode parecer um assunto complicado. De fato, a ética é um tema muito amplo, tratado no campo da filosofia, cujo conceito tem sua própria história, mudando de acordo com os pensadores e com o tempo. Para nós, é importante saber que trata especialmente de comportamento, de responsabilidades, de compreensão do certo e do errado, entendendo os limites de si mesmo e do outro. Diz respeito a se comportar corretamente e de acordo com um conjunto de preceitos e regras individuais e coletivas. 62 Segundo o Dicionário Houaiss, ética é “1. conjunto de preceitos sobre o que é moralmente certo ou errado. 2. parte da filosofia dedicada aos princípios que orientam o comportamento” (HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 2008). Em outras palavras, a ética se dedica a pensar sobre esses conceitos de bom e mau, ou bem e mal, que não são valores absolutos, mas relativos, dependem do contexto, da sociedade, das relações em que são considerados. “A Ética, portanto, indaga como esses valores se aplicam ao relacionamento humano, pois a adoção de uma conduta correta visa à melhor convivência possível” (MELLO FILHO, 2018, p. 29). Aplicada ao campo profissional, a ética se dedica aos preceitos que devem ser considerados nas relações de trabalho, seja nas relações internas, no tocante a sua comunidade profissional, seja nas relações externas, no tocante à coletividade pública. Como coloca Mello Filho (2018, p. 28), trata do “mundo do ‘dever ser’ (dos juízos de valor)”, isto é, no nosso caso, de saber como deve se comportar o arquiteto e urbanista nas relações que perpassam a sua rotina de atuação profissional. Daí decorre a importância dos princípios e normas da profissão estarem registrados em códigos ou regulamentos, de forma que, a ética profissional é a tradução do fato de as profissões respeitarem os valores que, por sua vez, inspiram os deveres constantes na forma de princípios e regras escritas. No caso do arquiteto e do urbanista os respectivos enunciados constam no Código. (MELLO FILHO, 2018, p. 39)O autor refere-se ao Código de Ética e Disciplina do CAU/BR, aprovado por meio da Resolução CAU/BR nº 52 de 6 de setembro de 2013, anteriormente citada. O Código regulamenta os artigos 17 a 23 da Lei nº 12.378/2010, definindo os parâmetros deontológicos (princípios, regras e deveres de uma profissão) que devem orientar a conduta dos profissionais registrados no Conselho. Segundo o documento (CAU/BR, 2013a), são duas as suas funções: uma é a educacional preventiva, cujo objetivo é a informação pública sobre a dignidade da Arquitetura e Urbanismo e os deveres de seus profissionais; outra é coercitiva, que visa reprimir procedimentos inadequados de indivíduos sujeitando-os à ética e à disciplina da profissão. O Código está estruturado em princípios (normas amplas), regras (derivam dos princípios e relacionam-se a circunstâncias objetivos e concretas) e recomendações (cujo descumprimento não implica em sanções disciplinares). E, adotando essas três classes, dita: obrigações gerais; obrigações para com o interesse públicos; obrigações para com o contratante; obrigações para com a profissão; 63 obrigações para com os colegas; e obrigações para com o CAU. Na sequência, abordaremos um pouco mais sobre as primeiras duas obrigações, que entendemos como estruturais. 3.1 Obrigações gerais As obrigações gerais são aquelas de caráter geral e amplo que constituem o pano de fundo para uma atuação profissional ética. Nesse tópico, o Código estabelece cinco princípios, seis regras e cinco recomendações. Vejamos o primeiro princípio: 1.1.1 O arquiteto e urbanista é um profissional liberal, nos termos da doutrina trabalhista brasileira, o qual exerce atividades intelectuais de interesse público e alcance social mediante diversas relações de trabalho. Portanto, esse profissional deve deter, por formação, um conjunto sistematizado de conhecimentos das artes, das ciências e das técnicas, assim como das teorias e práticas específicas da Arquitetura e Urbanismo. (CAU/BR, 2013a, grifo nosso) Conforme elucida Mello Filho (2018), o sentido de profissional liberal no texto tem a ver com autonomia do exercício profissional relativamente aos conhecimentos técnico-científicos, competências e habilidades, independentemente do regime de contratação. Isto é, o arquiteto e urbanista pode estar subordinado administrativamente em função de vínculo trabalhista, mas na prática de sua profissão ele deve prezar por uma atuação condizente com os preceitos éticos e disciplinares relativos à classe. O quarto princípio complementa essa ideia, já que preconiza que o profissional de preservar “sua independência de opinião, imparcialidade, integridade e competência profissional, de modo a contribuir, por meio do desempenho de suas atribuições específicas, para o desenvolvimento do ambiente construído” (CAU/BR, 2013a). Dentre as regras, que são aquelas cuja transgressão pode caracterizar infração, estão entre os deveres dos arquitetos e urbanistas: • a necessidade de responsabilizar-se pelas tarefas ou trabalhos de suas equipes, assegu- rando que atuem conforme as melhores técnicas; • a manutenção e defesa da autonomia da profissão, orientando e fundamentando suas decisões de acordo com suas convicções artísticas, técnicas e científicas, não aceitando imposições e pressões contrárias; • rejeitar condições de trabalho não condizentes com o Código; • atuar de acordo com os limites de suas atribuições, habilidades e competências. 64 Já entre as recomendações, temos o dever de: • aprimorar os conhecimentos por meio de capacitação continuada; • contribuir para a melhoria das tecnologias relativas ao campo profissional; • colaborar para que auxiliares ou empregados sob sua responsabilidade adquiram e aper- feiçoem capacidades e habilidades; • defender o direito à crítica sobre artes, ciências e técnicas desde que de forma funda- mentada; • respeitar códigos de ética e disciplina relativos à profissão vigentes nos países nos quais venha a atuar. 3.2 Obrigações com o interesse público O arquiteto e urbanista, ao intervir na cidade, no meio urbano, no ambiente natural ou construído, possui importante papel social. Interfere na vida das pessoas, na qualidade dos espaços urbanos e da arquitetura, na dinâmica urbana. Deve, assim, estar ciente de sua responsabilidade perante o interesse público. Mello Filho (2018, p. 38) argumenta que o que define o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade que decorre do seu compromisso público. Quanto maior a relevância social da profissão, mais importantes são os compromissos e responsabilidades decorrentes. Nesse capítulo sobre os deveres da profissão, constam dois princípios, oito regras e seis recomendações. O primeiro princípio apregoa que: 2.2.1 O arquiteto e urbanista deve defender o interesse público e respeitar o teor das leis que regem o exercício profissional, considerando as consequências de suas atividades segundo os princípios de sustentabilidade socioambiental e contribuindo para a boa qualidade das cidades, das edificações e sua inserção harmoniosa na circunvizinhança, e do ordenamento territorial, em respeito às paisagens naturais, rurais e urbanas (CAU/BR, 2013a). Este princípio deixa clara a responsabilidade do profissional ao exercer suas atividades. Deve considerar aspectos como sustentabilidade, qualidade e harmonia. Deve atentar ao contexto em que intervém, atuando de acordo com a legislação, com as normas, mas dotado de sensibilidade perceptiva. Conforme as regras elencadas neste item do Código, o arquiteto e urbanista deve: • considerar o impacto social e ambiental de suas atividades; • respeitar valores e heranças naturais e culturais da comunidade; 65 • zelar pela preservação do patrimônio público; • respeitar o patrimônio histórico e artístico; • considerar a harmonia com os recursos naturais; • buscar a qualidade da construção, prezando pelo bem-estar e segurança das pessoas. 4. LEGISLAÇÃO BÁSICA PARA A PRÁTICA PROJETUAL Vimos até aqui as bases legais e a estrutura organizacional da profissão de arquiteto e urbanista. Passemos, agora, para o âmbito da prática projetual, atividade considerada a essência da profissão ao se configurar como momento de síntese e convergência de aprendizados. No ato de projetar, o estudante ou o profissional, resgata e traduz toda bagagem adquirida ao longo do tempo em uma linguagem em soluções arquitetônicas, urbanísticas e/ou paisagísticas. Observe a figura “Cidade hipotética” e imagine que você foi contratado para fazer um projeto para um dos lotes situados nesse amplo espaço vazio que aparece na imagem. Tarefa fácil ou difícil? Em uma cidade hipotética, dotada de vários lotes vazios, é possível propor qualquer tipo de construção, não é mesmo? Você pode dar a forma que quiser, é livre para estabelecer a altura, a ocupação do edifício em relação ao lote e os afastamentos em relação aos demais lotes e à rua. Pode também inserir portas e janelas de qualquer tamanho e forma, a cobertura pode ser de qualquer material e não precisa considerar nenhuma preexistência. FIQUE DE OLHO No site do CAU, você pode ter acesso a todas as normas, resoluções e publicações citadas. Pode conhecer mais sobre as atividades do Conselho, seus membros, sua estrutura, calendário e agenda oficiais. Ler notícias, tirar dúvidas. Cadastrando-se você ainda recebe regularmente o clipping CAU/BR e se mantem atualizado das principais matérias jornalísticas sobre arquitetura e urbanismo. 66 Figura 1 - Cidade hipotética Fonte: Shutterstock, 2020. Pense agora na sua cidade. Você poderia propor qualquer tipo de construção para um lote situado na sua rua? Veja, o estudante pode até elaborar um projeto para um lote hipotético como exercício, mas essa experiência não permite trabalhar e colocar em prática seus aprendizados de forma mais ampla. Ademais, no exercício da profissão não existe lote hipotético para se projetar e construir. Os projetos de arquitetura, urbanismoe paisagismo que visam serem executados são sempre destinados às cidades reais. Pode ser que o projeto esteja em uma área rural ou natural, no entanto, mais comumente, inserem-se em áreas urbanas; em determinada área, região, bairro, rua, lote da cidade. Na cidade real, os arquitetos e urbanistas estão sujeitos e devem obedecer a legislação vigente, seja federal, estadual ou municipal. Vejamos algumas importantes leis que você deve conhecer e que terão presença constante na sua atividade projetual profissional. 4.1 Legislação federal Como dissemos, o maior campo para a atuação dos arquitetos são as cidades, isso porque a maior parte da população está nelas concentradas. O profissional pode ser contratado para fazer o projeto de uma casa de fazenda ou pousada rural, mas, o maior volume de projetos será certamente em áreas urbanas. Observe que, segundo dados do IBGE de 2015, no Brasil, cerca de 85% da população vive em áreas urbanas, contra 15% que vive em áreas rurais. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu entre seus direitos e garantias fundamentais, a função social da propriedade e, no Capítulo II, dispôs sobre a Política Urbana, atribuindo sua execução ao poder público municipal. Os artigos 182 e 183 que compõem o referido capítulo foram regulamentados somente em 2001, por meio da Lei 10.257, conhecida como o Estatuto da Cidade. Nessa lei estão previstos instrumentos importantes para a elaboração da política urbana como: 67 • desapropriação; • tombamento; • instituição de zonas especiais de interesse social; • parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; • usucapião; • direito de superfície; • direito de preempção; outorga onerosa; • transferência do direito de construir; • operações urbanas consorciadas; • entre outros. O Estatuto instituiu ainda como instrumento básico da política urbana o plano diretor, obrigatório para cidades com mais de 20.000 habitantes e que deve ser aprovado por lei municipal. No plano, deve constar a política de ordenação, desenvolvimento e expansão urbana; havendo o entendimento de que a propriedade urbana cumprirá sua função social na medida em que estiver alinhada às diretrizes e exigências constantes nesse documento. O Estatuto inovou ainda ao prever instrumentos voltados à gestão democrática das cidades como conferências, debates, audiências e consultas públicas. Outra lei fundamental para o projetista é a Lei nº 6.766 de 19 de dezembro de 1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano. Ainda que o município, em geral, disponha de leis de parcelamento e uso do solo mais restritivas do que a lei federal, é importante saber que as regras gerais e os parâmetros mínimos para loteamentos e desmembramentos estão ali estabelecidas. O lote que adotamos no item anterior, como exercício de reflexão e introdução deste conteúdo, deveria ter, por exemplo, segundo a Lei n nº 6.766, área mínima de 125 m², e frente mínima de 5 m, excetuando-se situações específicas, aprovadas pelos órgãos competentes (art. 4º, inciso II). Temas como proteção do meio ambiente e do patrimônio cultural são de atribuição comum entre governo federal, estadual e municipal. Assim, é possível ter leis sobre o tema nas três esferas, devendo o profissional projetista observar todas elas, valendo, em geral, a mais restritiva sobre o tema. Ou seja, a aplicação da lei não é hierárquica no sentido da esfera de poder e sim da maior restrição imposta. No âmbito federal, sobre os temas, destacamos a Lei nº 12.651/2012, conhecida como Código Florestal, e o Decreto-Lei nº 25/37, que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. 68 4.2 Legislação municipal O Plano Diretor é instrumento obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes ou dotadas de outras características específicas, conforme elencadas no artigo 41 do Estatuto da Cidade. Significa dizer que nem todas as cidades do país possuem esse instrumento, sobretudo se somarmos ao levantamento aquelas que mesmo encaixando no perfil de obrigatoriedade não conseguiram formular o Plano ou o fizeram de forma incompleta ou equivocada. Mas é quase certo que toda cidade, ainda que de pequeno porte, possua leis urbanísticas que regem competências de uso do solo, zoneamento e parâmetros urbanísticos. Dito em outras palavras, toda cidade possui leis, códigos e/ou normas que recebem diferentes nomes: código de obras, lei de uso e ocupação do solo, lei de parcelamento, entre outros. Uma cidade de porte pequeno, por exemplo, pode possuir apenas um código de obras e/ou uma lei de uso e ocupação do solo, mas, se muito modesta, as vezes nem isso. Uma cidade de médio ou grande porte, no entanto, possui um arcabouço legislativo significativo, muitas vezes complexos, que demandam atenção e dedicação do projetista para entendimento, a fim de evitar envidar esforços em projetos que não possam vir a ser aprovados pela prefeitura. Idealmente, o Plano Diretor aponta as diretrizes de ordenamento e crescimento urbano e as leis abaixo dele regulamentam e detalham o que está ali previsto. Para termos uma ideia, é esse aparato legislativo municipal que vai nos dizer, por exemplo, onde se pode construir, com que tamanho e características, quais usos (residencial, comercial, industrial etc.) e atividades são aceitáveis e quais devem ser evitados, de acordo com cada setor da cidade. A legislação pode ainda determinar áreas de preservação cultural e ambiental, soluções para mobilidade urbana, eixos de expansão da cidade, entre outros. O importante é se inteirar da legislação vigente antes de iniciar seu projeto! Em geral, nos sites da prefeitura, é possível encontrar toda legislação urbanística, além de orientações específicas relativas aos procedimentos administrativos necessários à aprovação de projetos arquitetônicos. Acesse o site da prefeitura de sua cidade e familiarize-se com esse conteúdo. FIQUE DE OLHO É importantíssimo estar a par e atualizado sobre a legislação voltada à promoção da acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais e mobilidade reduzida. No âmbito federal, a Lei nº 10.098/2000 e o Decreto nº 5.296/2004 estabelecem as diretrizes gerais, sendo ainda fundamental conhecer as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) relativas ao tema. 69 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 5. OUTROS TEMAS RELEVANTES Uma profissão regulamentada e com conselho de classe apresenta vantagens em relação a outras onde não há essa estrutura. Além de resguardar a sociedade no sentido de prezar pela segurança e qualidade dos serviços prestados no país, também ajuda a regulamentar outros aspectos ligados à profissão. No caso do CAU, dois temas importantes foram objeto de suas resoluções: os direitos autorais e os honorários profissionais. 5.1 Direitos autorais No processo de elaboração de um projeto, é prática comum o estudante ou mesmo o profissional recorrer a referências em outros projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos para elaboração de sua proposta. Pesquisam em livros, revistas e sites como outros arquitetos solucionaram demandas com temas e/ou funções semelhantes, para que sirvam de inspiração e ajudem no seu processo criativo. Entretanto, é preciso um certo cuidado com esse procedimento para que o projeto dele resultante não venha a ser considerado plágio. Apesar da existência dessa lei, o CAU/BR especificou e detalhou o tema dos direitos autorais voltado para as criações arquitetônicas e urbanísticas, por meio da Resolução nº 67 de 5, de dezembro de 2013, onde também estabeleceu normas e condições para proceder ao registro das obras intelectuais (sejam projetos, obras e/ou trabalhos técnicos). Segundo a resolução, o plágio configura-se na reprodução de dois dos seguintes atributos do projeto ou obra: partido topológico e estrutural; distribuição funcional; ou forma volumétrica ou espacial, interna ou externa; mesmo que se utilize materiais, cores e texturas diversas do original(art. 21). Fique atento, pois você também pode fazer o registro de seu projeto e/ou obra e se resguardar de um possível plágio. Para isso, o CAU oferece o serviço de Registro de Direito Autoral (RDA), que 70 tem fácil tramitação e custo acessível. Cabe esclarecer que esse registro não é obrigatório para a proteção jurídica de sua obra, bastando comprovar a autoria; mas ele facilita essa comprovação, constituindo-se como uma prova oficial forte com o registro da data em que a obra foi idealizada ou construída. 5.2 Honorários profissionais Quanto cobrar pelo projeto de uma casa? E se o projeto for de um prédio de 10 andares? Quanto vou receber por acompanhar a obra? E se eu for prestar somente serviços de consultoria? São perguntas que certamente irão surgir quando você começar a atuar profissionalmente. O quanto cobrar pelos serviços profissionais é um tema importante de estar regulamentado e/ou tabelado pelo órgão de classe a fim de evitar a concorrência desleal ou a cobrança exorbitante por parte dos profissionais. O CAU/BR, por meio das Resoluções nº 64/2013 e nº 76/2014, aprovou a tabela com os honorários para os serviços de arquitetura e urbanismo no Brasil. Conforme o presidente da autarquia explica no prefácio do documento, o procedimento visa resgatar o valor do profissional, dando transparência à complexidade que envolvem a elaboração e execução de projetos na área. A Tabela de Honorários abarca 211 tipos atividades que compõem as atribuições profissionais, dividindo-as em 3 módulos: remuneração por projetos arquitetônicos de edificações; remuneração por projetos e serviços diversos; e remuneração pela execução de obras e outras atividades (CAU/ BR, 2013b). Certamente o preço pode ser ajustado no processo de negociação entre o arquiteto e o cliente, pois podem ser considerados outros fatores (como contexto político, econômico, experiência e fama do profissional ou do escritório, prazos, capacidade de execução, entre outros). No entanto, é sempre recomendável que os valores não fujam demasiado da tabela, a fim de manter uma relação equilibrada de concorrência e de contrato, ajudando a valorizar e dar credibilidade aos serviços de arquitetura e urbanismo. 71 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender o perfil de formação do arquiteto e urbanista no Brasil, de caráter generalista, com aptidão para traduzir necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade, no nível da edificação, do urbanismo e do paisagismo, devendo estar ainda atento para a conservação e valorização do patrimônio construído e para a proteção do ambiente natural e o uso racional de recursos; • conhecer um pouco mais sobre a relação entre a formação acadêmica e as atribui- ções profissionais, e sobre as entidades internacionais e nacionais representativas da categoria, seja enquanto profissional como das suas diversas áreas de atuação; • inteirar-se sobre o processo de regulamentação profissional e sobre a luta histórica dos arquitetos por um sistema disciplinar próprio, desvinculado dos engenheiros; • atualizar-se acerca do dispositivo legal que rege a profissão, o Decreto nº 12.378/2010, e a estrutura representativa dos arquitetos e urbanistas, o sistema CAU/BR-CAU; • conhecer o Código de Ética e disciplina do CAU/BR, instrumento que dispõe sobre a postura que deve ter o arquiteto e urbanista em sua atuação e relações profissio- nais, aprofundando o entendimento sobre as obrigações gerais e as obrigações para com o interesse público; • informar-se sobre importantes leis que se tornarão presença constante na sua ati- vidade profissional na prática de projeto, explorando algumas do âmbito federal, como o Estatuto da Cidade e a Lei de parcelamento do solo, e outras do âmbito municipal, que regulam uso do solo, zoneamento e parâmetros urbanísticos; • compreender o Plano Diretor, instrumento fundamental da política urbana, obri- gatório para municípios com mais de 20.000 habitantes e que objetiva ordenar e planejar a expansão das cidades brasileiras; • conhecer dois temas relevantes para a prática profissional que foram regulamenta- dos por resoluções do CAU/BR: os direitos autorais sobre projetos e obras de arqui- tetura e urbanismo e a tabela de honorários profissionais. PARA RESUMIR ABEA. Sobre a História do Ensino de Arquitetura no Brasil. São Paulo: Associação Brasileira de Escolas de Arquitetura, 1977. BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 2, de 17 de junho de 2010. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo, alterando dispositivos da Resolução CNE/CES nº 6/2006. CASTILHO, J. R. Fs. Legislação profissional da arquitetura. São Paulo: Pillares, 2014. CAU/BR. Manual do Arquiteto e Urbanista. 2. ed. Brasília, Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, 2016. CAU/BR. Resolução nº 52, de 6 de setembro de 2013. Aprova o Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Brasília, 2013a. CAU/BR. Resolução nº 64, de 8 de novembro de 2013. Aprova o Módulo I – Remuneração do Projeto Arquitetônico de Edificações, das Tabelas de Honorários de Serviços de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Brasília, 2013b. HOUAISS, A.; VILLAR, S.; FRANCO, F. M. M. Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. MELLO FILHO, J. H. Ética em arquitetura e urbanismo: Comentários ao Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Brasília: CAU/BR, 2018. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 4 Arquitetura e urbanismo: mercado de trabalho e sustentabilidade Você está na unidade Arquitetura e Urbanismo: mercado de trabalho e sustentabilidade. Conheça aqui os campos de atuação e as atribuições profissionais de arquitetos e urbanistas e a sua prática. Explica-se essas funções mostrando como a profissão, generalista, subdivide-se em categorias que, embora convirjam para o mesmo interesse, ou seja, criar espaços, apresenta sutilezas que qualificam diferentemente os caminhos que os profissionais atualmente seguem. Além disso, entenda a sustentabilidade como diretriz imprescindível e necessária para que se alcances melhores desempenhos e se promova o bem-estar da sociedade. Bons estudos! Introdução 75 1 ATIVIDADES E CAMPOS DE ATUAÇÃO DE ARQUITETOS E URBANISTAS Um indivíduo generalista tem “talentos, conhecimentos e interesses” que “se estendem a vários campos, não se confinando em uma especialização” (HOUAISS, 2001). A profissão do arquiteto e urbanista é generalista, pois é composta de dezenas de atividades que, isoladas ou em conjunto, têm o mesmo objetivo, que é propor, por meio de exercícios intelectuais profundos, repertório de informações vastos e habilidades específicas, espaços para habitação. Habitar é não somente se abrigar de intempéries e perigos externos, é também, em concordância com a arquiteta Juliana Neves (2017, p. 10), cercar-se de sentimentos e experiências despertados pelo ambiente: A primeira impressão que fica não é um impacto meramente visual, e sim sensorial: a temperatura o aroma, a umidade do ar, a intensidade da luz, os sons do ambiente, a resposta do piso aos nossos passos – todos esses elementos, e uma infinidade de situações – influenciam o modo como nos sentimos em determinado lugar. Considerando que a relação do ser humano com o ambiente se dá por meio de experiências estéticas, ou seja, de interações entre corpo, mente e espaço e que o ofício dos arquitetos e urbanistas é, além de produzir espaços construídos, também qualificar os não construídos, veremos, a partir de agora, quais são as atividades concernentes à profissão de acordo com a legislação brasileira e com as ações que as definem. Segundo a Lei Federal nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010, que instituiu o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, as atribuições dos arquitetos e urbanistas são doze, as quais abordaremos mais detalhadamente a seguir. 1.1 Supervisão, coordenação, gestãoe orientação técnica No planejamento de empresas de arquitetura, engenharia e construção há prescrições de uma série de tarefas relativas à execução de projetos e obras civis que são desenvolvidas por variado número de funcionários. O acompanhamento e a análise desses serviços, bem como a avaliação do desempenho dos responsáveis são ações de coordenação e supervisão. Durante a fase de elaboração dos projetos, todas as tarefas necessárias para que eles sejam desenvolvidos com qualidade precisam ser gerenciadas desde a fase de concepção e elaboração. A gestão, mencionada no enunciado, corresponde a essa ação, que acompanhará todo o processo, até sua implementação e execução. Também fazem parte das ações de gestão o controle sobre processos e contratos dos serviços e bens produzidos, sempre em busca de melhoria e aperfeiçoamento. 76 Por orientação técnica se entende o acompanhamento das obras de construção para que sejam respeitadas leis, normas e recomendações técnicas em função dos processos de execução dos projetos. 1.2 Coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação Projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo requerem uma série de tarefas sequenciais, que assim podem ser descritas: Coletas de dados Levantamentos relativos às condições e elementos inerentes ao local de implantação do objeto ou espaço a ser projetado, que os reconhecem e compilam como fontes essenciais de informações. Estudo Com base nos itens do levantamento, o profissional realizará diagnóstico para o estabelecimento de diretrizes a serem seguidas no processo de projeto. Planejamento Refere-se às indicações do que e como se deve projetar. O planejamento está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento de ações relativas ao programa arquitetônico, que nada mais é do que o reconhecimento de todas as necessidades dos usuários e a definição dos itens que serão executados no projeto. Projeto Desenvolve-se em várias etapas sequenciais, a saber: estudo preliminar, anteprojeto, projeto de legalização e projeto executivo. Especificação Na fase do projeto executivo, além da compatibilização entre o projeto de arquitetura – de urbanismo ou de paisagismo – com todos os projetos técnicos complementares (estrutura, instalações etc.), são realizados o detalhamento construtivo e as especificações de materiais de acabamento e, no caso dos projetos de paisagismo, das vegetações. 1.3 Estudo de viabilidade técnica e ambiental Algumas decisões sobre a efetivação ou não de contratos se baseiam em dados referentes às condições dos bens em negociação: estudos sobre a localização do imóvel, geomorfologia do terreno 77 para a implantação, legislação e normas técnicas pertinentes, tipo de empreendimento possível etc. O mesmo ocorre em função desses mesmos dados e dos impactos ambientais esperados, viabilidade econômica e financeira, pontos positivos e negativos, ameaças e oportunidades, identificação do público-alvo e muitas outras informações necessárias – e por vezes obrigatórias – que ajudam empreendedores, fornecedores, poder público e cidadãos a estarem a par das intenções dos proponentes. Todas essas ações definem o estudo de viabilidade, tanto técnica quanto ambiental, que precisa ser realizado pelos profissionais de arquitetura e urbanismo. 1.4 Assistência técnica, assessoria e consultoria A assistência técnica é definida como a atividade exercida por profissional especializado no sentido de informar e auxiliar a população, empresas e poder público a respeito de procedimentos relativos às atividades de arquitetura e urbanismo. A assessoria é a atividade que se vale dos conhecimentos técnicos de profissionais especialistas para controlar e viabilizar projetos, obras e execução de serviços compatíveis.com os mesmos. Prestar consultoria significa orientar, aconselhar e definir encaminhamentos no sentido de otimizar procedimentos. Normalmente os serviços de consultoria são acompanhados de textos analíticos, pareceres e relatórios técnicos baseados em estudos teóricos e vivências práticas. 1.5 Direção de obras e de serviço técnico Arquitetos e urbanistas estão aptos a supervisionar e administrar obras e serviços técnicos – estruturas, instalações elétricas, instalações hidráulicas, instalações sanitárias, instalações mecânicas, telefonia, sistemas de combate a incêndio, ar condicionado e outros – para a efetivação das construções. 1.6 Vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria e arbitragem Nos processos judiciais em que imóveis – casas, edifícios residenciais, comerciais ou industriais etc. – são identificados como elementos que configuram litígios, agregam valores, despertam dúvidas técnicas e constituintes objetos de disputas entre as partes, arquitetos e urbanistas são contratados pelo juiz, pelo advogado de defesa e pelo advogado de acusação para esclarecimentos testemunhais e/ou pereceres técnicos que serão incorporados aos processos e definem, portanto, a perícia técnica. Este trabalho se constitui de etapas de vistoria, avaliação e/ou monitoramento, execução de laudo e parecer técnico. Também pode ser solicitado pelos agentes da justiça a realização de auditoria, para acompanhamento e medição da probidade dos procedimentos, bem como a arbitragem, que consiste em solucionar conflitos que geraram os embates baseados em diretrizes técnicas e experiências profissionais comprovadas e sob 78 aceitação e deferimento do Poder Judiciário. 1.7 Desempenho de cargo e função técnica Quando o profissional exerce atividade continuada, cumpre contratos de serviços temporários, está contratado com carteira assinada ou é servidor público nas áreas de arquitetura e urbanismo, tais serviços são considerados como de desempenho de cargo ou de função técnica. 1.8 Treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária Ensino, pesquisa e extensão universitária são atividades exercidas por arquitetos e urbanistas com o intuito de transmitir e produzir cientificidades relativas às suas experiências acadêmicas e profissionais. O treinamento faz o mesmo, porém de modo diretamente relacionado à prática. Os professores nessas áreas de conhecimento são, no geral, formados em arquitetura e urbanismo. 1.9 Desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, mensuração e controle de qualidade Estas atividades constituem o exercício da ciência arquitetônica e urbanística com objetivo de estipular padrões de referências com base em amostragens e experiências laboratoriais. Conheça-as melhor abaixo: Desenvolvimento Produz protótipos, modelos, equipamentos, bens ou serviços. Análise Examina e identifica os elementos e as partes que constituem sistemas. Experimentação Observa eventos, os registra e analisa, estabelece comparativos e conclusões com base nas observações. Ensaio Investiga sumariamente fenômenos, técnica e cientificamente. Padronização Estabelece parâmetros e os adota como norma em procedimentos posteriores. 79 Mensuração Registra fatores e ações por meio de instrumentos, métodos e procedimentos de medida. Controle de qualidade Consiste em fiscalizar processos com o objetivo de estabelecer que os mesmos ocorram de modo eficaz e concernentes a leis e normas técnicas 1.10 Elaboração de orçamento A todos os processos, sejam projetos ou obras, precisam ser atribuídos valores monetários. Tais valores servirão como parâmetros quantitativos de controle e como fatores importantes para a efetivação de contratos. Arquitetos e urbanistas têm atribuições profissionais que os qualificam como especialistas em produzir orçamento. 1.11 Produção e divulgação técnica especializada Refere-se à produção de publicações técnicas concernentes ao ofício de arquitetura e urbanismo produzidas para divulgação deste e de suas atribuições profissionais. 1.12 Execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico Os edifícios, para serem construídos, necessitam de ações especializadas que configuramnão somente a obra em si, mas todos os serviços acessórios e complementares. Trata-se da conjunção de todas as ações – arquitetura, estrutura, instalações e outros serviços – em prol da materialização das ideias projetadas. Todas essas atividades são de responsabilidade técnica de arquitetos e urbanistas e por eles devem ser fiscalizadas e conduzidas. Figura 1 - Fiscalização e condução Fonte: Shutterstock, 2020. 80 As atividades e atribuições técnicas da arquitetura e do urbanismo, conforme visto acima, são aplicadas em diversos campos de trabalho, entre eles as atividades de projeto, supervisão de obras, arquitetura de interiores, paisagismo, restauração e preservação do patrimônio cultural, planejamento urbano, sistemas construtivos, sistemas estruturais e instalações. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Todas essas atribuições e campos de atuação foram, em 05 de abril de 2012, esquadrinhadas por meio da Resolução nº 51, assinada então pelo presidente do CAU-BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), porém gerou polêmicas. Na Resolução, a descrição das atividades e atribuições, todas elas passíveis de controle pelo conselho, apresentou uma abrangência que feriu interesses de várias profissões, tais como engenharias, design de interiores, paisagismo, museologia, arqueologia etc. em função da sobreposição de atividades profissionais e assim foi revogada. Contudo, em setembro de 2019, o CAU-BR restabeleceu a Resolução 51 com eliminação de itens da norma e abriu consulta pública para que arquitetos e urbanistas, profissionais de outras áreas de conhecimento, legisladores e membros da sociedade em geral possam opinar e sugerir alterações (CAU-BR, 2019). Os itens suspensos temporariamente tratam de atividades que têm causado controvérsias com as demais profissões afins. Entre outros itens, foi preservado o entendimento de que continuam sendo atribuições privativas dos arquitetos e urbanistas, o projeto arquitetônico, de urbanismo e de arquitetura da paisagem conforme estabelecido na Lei nº 12.378/2010. [...] A atualização da Resolução n° 51 implicará também a revisão de outros normativos do CAU/BR, a exemplo da Resolução n° 21, de 25 de abril de 2012, que regulamenta o artigo 2º. da Lei nº 12.378/2010 e tipifica os serviços de arquitetura e urbanismo para efeito de registro de responsabilidade, acervo técnico e celebração de contratos de exercício profissional. 81 Assim sendo, atualmente no Brasil temos como parâmetro principal para a regulamentação e o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo somente a Lei Federal nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010. 2 GENERALISTA OU ESPECIALISTA, QUAL É A TENDÊNCIA ATUAL DO MERCADO? Como vimos, a legislação brasileira, ao estabelecer os critérios que descrevem a profissão de arquitetos e urbanistas, a caracteriza como uma atividade generalista. Desse modo, também os responsáveis pela formação dos graduandos nas universidades assim se comporta. O Ministério da Educação, na Resolução nº 6, de 2 de fevereiro de 2006, nos dois parágrafos do artigo 3º estabelece (BRASIL, 2006, on-line) que os cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo precisam “assegurar a formação de profissionais generalistas, capazes de compreender e traduzir as necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade” e que o curso deverá estabelecer ações pedagógicas visando ao desenvolvimento de condutas e atitudes com responsabilidade técnica e social e terá por princípios: a) a qualidade de vida dos habitantes dos assentamentos humanos e a qualidade material do ambiente construído e sua durabilidade; b) o uso da tecnologia em respeito às necessidades sociais, culturais, estéticas e econômicas das comunidades; c) o equilíbrio ecológico e o desenvolvimento sustentável do ambiente natural e construído; d) a valorização e a preservação da arquitetura, do urbanismo e da paisagem como patrimônio e responsabilidade coletiva. Apesar disso, ou seja, das instituições de ensino superior e do conselho profissional estarem empenhados em condicionar a profissão como generalista, o mercado de trabalho tem se mostrado propenso a acolher, com muito mais entusiasmo, profissionais especialistas. Por exemplo: arquitetos e urbanistas especializados em restauração de edifícios de valor patrimonial, em arquitetura da paisagem, em programas de conforto ambiental, em projetos arquitetônicos comerciais ou hospitalares apresentam-se ao mercado de trabalho de modo muito mais claro do que aqueles que aparentemente dominam toda a gama de conhecimentos gestados e amparados pela legislação. FIQUE DE OLHO A legislação brasileira estipula os campos de atuação e as atribuições dos arquitetos e urbanistas. É preciso que nos atentemos para as sobreposições que porventura possam ocorrer em comparação com outras profissões, sobretudo aquelas em conflito por causa, principalmente, da Resolução 51 do CAU-BR. 82 Por outro lado – a aí podemos entender o porquê do profissional generalista – a ciência arquitetônica, desde seu nascedouro, traz em si um caráter multifacetado. Podemos entender, portanto, que apesar do mercado profissional solicitar especialidades, nenhuma delas pode ser bem desenvolvida e aplicada se não houver uma profunda interlocução entre todas as vertentes científicas que configuram a essência da profissão. Outros questionamentos: Por que um profissional que está desenvolvendo o detalhamento de uma estante de madeira que guardará livros, objetos decorativos e aparelhos eletrônicos e que também conterá sistema de iluminação precisa conhecer a história da arquitetura barroca? Ou mesmo, por que também para ele é necessário entender o cálculo estrutural, os sistemas de instalações hidráulicas e sanitárias e o problema habitacional brasileiro? Podemos responder a essas interrogativas explicando que a formação generalista é essencial para o arquiteto e urbanista, pois sua profissão tem por prerrogativa produzir bem estar aos seres humanos por meio de suas propostas. O espaço, objeto final a ser alcançado pelas atividades e atribuições técnicas descritas nas leis e nos documentos teóricos, precisa, como dito por Marcus Vitruvius Pollio, arquiteto romano do primeiro século a.C., ter solidez, ser funcional e bela. Podemos afirmar também que os espaços arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos, logicamente, devem ser como uma extensão não orgânica do ser humano, entendendo-o como o contentor de anseios, desejos e necessidades que podem ser alcançadas com as obras construídas e os espaços projetados. Fazer arquitetura é entender o ser humano e por isso a estante mencionada anteriormente será sempre mais bem elaborada e executada se o autor de seu projeto e supervisor de sua fabricação, montagem e instalação conhecer o que há além do móvel decorativo – e utilitário – que adorna sua sala de estar. Entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018, o Museu Metropolitano de Nova Iorque exibiu perto de uma centena de trabalhos do arquiteto renascentista Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564). A exposição era composta de esculturas, maquete e desenhos e chamava-se Michelangelo: Divine Draftsman and Designer ou, em português, Michelangelo: divino desenhista e designer, mostrava parte de seus estudos desenvolvidos na virada do século XV e demonstrou não somente o incomparável talento do arquiteto, mas também a complexidade de sua excelência profissional. O arquiteto George A. Duo Dikinsion Jr., teórico americano, publicou em março de 2018 contundente artigo que apresenta suas impressões sobre a exposição e sobre a pulverização profissional dos arquitetos da atualidade. No texto, intitulado Desenhos de Michelangelo mostram porque arquitetos deveriam ser generalistas, não especialistas (Archdaily, 2018) ele nos alerta que 83 A confluência sem esforço de palavras, desenhos, música, humanos, edifícios, linhas de carbono e tinta sépia revelou uma realidade que estamos perdendo na avalanche da tecnologia. À medidaque nosso conhecimento é coletado, filtrado e coordenado em enormes bancos de dados novos, o impulso humano é dominar a tecnologia, para que se torne seu escravo. [..] Mas a realidade efetiva é que toda profissão está se dividindo em especialização. Existem agora centenas de tipos de médicos. Partituras de especializações de advogados. Os arquitetos que eram uma vez como os veterinários, apenas com a diferenciação entre “Grandes Animais” e “Pequenos Animais”, gerou hoje em dia inúmeros consultores treinados que se concentram em telhados, paredes de vidro, iluminação, sustentabilidade, conservação de energia, isolamento, segurança, desenvolvimento e gerenciamento de informações, sistemas HVAC, gráficos, design universal, interiores, bem como todas as peculiarizações da função de construção: cidades, prisões, bibliotecas, transportes, comércios, jurídicos, acadêmicos, multi- residenciais, hospitais, varejo, religiosos, e assim por diante. O autor nos põe em confronto com a dicotomia, reinante hoje na academia e na vida prática, do virtual versus o analógico e da especialização versus a universalização. O cerne do texto nos questiona – e assim o autor o encerra – se controlaremos ou seremos controlados pela contemporaneidade. Da mesma forma podemos ponderar sobre os desafios atuais do arquiteto e urbanista, que precisa lidar com as exigências do mercado de trabalho, onde na maioria das vezes se solicita especializações frente à complexidade inerente da profissão, generalista por natureza. Tais conflitos também podem explicar os conflitos provenientes dos debates entre os gestores do CAU-BR e os representantes das profissões que se sentem ameaçados pelos alegados sombreamentos de atividades descritas como campos de atuação de arquitetos e urbanistas na revogada Resolução 51. 3 SUSTENTABILIDADE EM ARQUITETURA E URBANISMO Toda a produção humana, teórica e prática precisa estar em harmonia com o mundo que a cerca. O ser humano deve produzir sempre que possível com comedimento, em atenção ao que a natureza, os objetos manufaturados e as sociedades conseguem suportar e fornecer em devolução. A sinonímia do verbo sustentar nos induz a muitos significados (HOUAISS, 2001): FIQUE DE OLHO O arquiteto e urbanista é generalista e, para que os graduandos se formem, é necessário que enfrentem e absorvam extensa e complexa gama de ensinamentos, que abrangem áreas técnicas e artísticas. Segundo o Ministério da Educação, a profissão se insere no grupo das classificadas como Ciências Sociais Aplicadas. 84 • suportar; • manter o equilíbrio; • carregar; manter a resistência; • alimentar-se; • dar ou obter recursos necessários à manutenção; • dar ou receber o necessário à vida; • gerar recursos materiais para a sobrevivência de um país, uma classe social; • garantir e fornecer meios; • edificar; • honrar; • proteger; • socorrer; • resistir, lutar; • defender; • dar continuidade; • afirmar categórica • mente; • confirmar; • encorajar-se; • manter por um tempo maior; • entre outros. Levando-se em consideração que fazer arquitetura significa proporcionar espaços e condições que mantenham o equilíbrio, a harmonia e a saúde das populações, individual e coletivamente, podemos afirmar – ou sustentar – que, quando falamos de sustentabilidade, direcionamos nossas atenções aos meios e aos objetivos que devemos alcançar com as ações dos profissionais de arquitetura e urbanismo. 85 Em 2015, mais de 150 líderes mundiais estiveram na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, para debater sobre a adoção de uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Estipulou-se que até o ano de 2030, 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) precisam ser implantados em todos os países do mundo. Por se tratar de procedimentos em benefício do bem-estar humano tratam, consequentemente, de ações que envolvem os pensamentos e as atitudes dos arquitetos e urbanistas. São elas: • erradicação da pobreza; • fome zero e agricultura sustentável; • saúde e bem-estar; • educação de qualidade; • igualdade de gênero; • água potável e saneamento; • energia limpa e acessível; • trabalho decente e crescimento econômico; • indústria, inovação e infraestrutura; • redução de desigualdades; • cidades e comunidades sustentáveis; • consumo e produção responsáveis; • ação contra a mudança global do clima; • vida na água; • vida terrestre; • paz, justiça e instituições eficazes; e • parcerias e meios de implementação. Entidades brasileiras de apoio aos profissionais de arquitetura e urbanismo, como o CAU- BR e o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), têm desenvolvido e estimulado ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, entre elas compilações de exemplos de projetos alinhados aos 17 objetivos descritos, com o intuito de divulgar práticas em adequação às recomendações da ONU para o período até 2030. Algumas ações se destacam, referentes à produção de materiais para campanhas educativas; ao desenvolvimento de ações de empreendedorismo e assistência 86 técnica para habitação de interesse social; à fiscalização, apoio e monitoramento de serviços para populações de baixa renda; ao apoio a políticas de infraestrutura espacial; e à ampliação da participação popular e à manutenção de transparência institucional no conselho profissional. 3.1 Ações sustentáveis em arquitetura Agora, você verá alguns exemplos de otimização em propostas sustentáveis que têm sido usadas em projetos e construções com o intuito não só de tornar os edifícios mais agradáveis e confortáveis, mas também com posturas frente aos modos de execução dos serviços de obra. O objetivo é propor processos que sejam realizados com consciência em relação ao controle de emissão de carbono, sejam especificados materiais recicláveis e de baixo impacto energético, buscar soluções plásticas e funcionais em prol do controle climático das edificações e usar sistemas de controle de desperdício e outras diretrizes. 1 Uso de iluminação zenital – ou natural – em substituição à artificial em ambientes com poucas possibilidades de abertura de janelas, tais como corredores e depósitos. Normalmente localizadas nos planos de cobertura das construções, apresentam-se sob formato de telhados em shed, lanternins e claraboias. 2 Especificação de materiais de construção rústicos, ou seja, com pouca ou nenhuma intervenção industrial. De origem natural, têm sido utilizados em propostas contemporâneas, repetindo e redesenhando soluções experimentadas ao longo de toda a história da arquitetura. 3 A bioconstrução é definida por usar técnicas e materiais com impactos ambientais mínimos. O aprendizado se dá em respeito às tradições construtivas das comunidades, que têm por característica o uso de elementos naturais, sem ações de industrialização e à base de práticas artesanais. Como exemplo, podemos mencionar sistemas de construção que usam taipa, adobe, maçaroca, solo cimento, saneamento ambiental, entre outros. 4 Estímulo à reciclagem de materiais para execução de diversos elementos construtivos, tais como o concreto, o aço, o alumínio, o vidro, a madeira, o gesso e materiais plásticos. Em relação ao concreto, podemos destacar que utiliza em sua composição um elemento cuja indústria é uma das mais poluentes do planeta e agregados – areia e brita – que exercem grande impacto ambiental em função dos processos de extração, daí a importância de sua reutilização, que ocorre após trituração e seleção de seus resíduos para novos usos. 5 Edifícios verdes são projetados e construídos com base em preceitos de sustentabilidade em todas as fases, desde os estudos preliminares até a utilização plena da edificação. Como propostas, destacamos o desenho inovador, que se utiliza de indicativos de autonomia energética para a elaboração da essência e da aparência arquitetônica, havendo: a otimização de espaços; a alta eficiência para uso econômico de água; a eficiência energética, por meio da aplicação de87 sistemas de energia solar e eólica; o uso de materiais de construção reutilizados, reciclados e recicláveis; e a racionalização do uso de água na construção. 6 Contêineres, que originalmente são usados como receptáculos para cargas, têm sido utilizados como elemento básico para construções, pois são feitos de materiais resistentes e se configuram, em projetos que os especificam, como módulos a serem requalificados para novos usos em projetos residenciais, comerciais e industriais. 7 Opções de tratamentos de fachadas que possibilitam às edificações se manterem confortavelmente agradáveis são itens valorosos em termo de eficiência energética e baixo impacto ambiental. Arquitetos se utilizam de brises-soleils, cobogós, fachadas flutuantes e outros para proteções contra a incidência solar e em prol da padronização das temperaturas internas, em especificações com relevantes critérios estéticos. 8 Recuperação de técnicas e valores estéticos da cultura indígena brasileira, que propõem arquiteturas com respeito ao clima e aos materiais de construção locais. São processos tradicionais que podem ser adaptados às tecnologias contemporâneas, criando possibilidades para espaços que podem guardar em si elementos imprescindíveis para o entendimento das soluções de abrigo e proteção dos povos nativos. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3.2 Ações sustentáveis em urbanismo Em urbanismo, lidamos com os problemas de sustentabilidade inerentes ao desenho e ao funcionamento das cidades. Se as preocupações da arquitetura dizem respeito às edificações, as do urbanismo referem-se ao conjunto de elementos que compõem as cidades – incluindo seus habitantes, práticas sociais, culturais, políticas e econômicas. 88 Nesta análise, também devemos incluir os espaços não construídos, fruto das preocupações da arquitetura paisagística. Assim sendo, a paisagem se constitui como o elemento de ligação entre a edificação e a cidade, sendo também contemplado como item imprescindível em nossos exemplos e explanações. Transporte sustentável Os impactos do trânsito, cada vez mais prejudiciais aos moradores das cidades, devem ser minimizados para a melhoria da qualidade de vida. Nesse sentido, incentivar a substituição dos automóveis particulares por sistemas de transportes coletivos com conforto e segurança, remodelar as vias urbanas com adição ciclovias e passeios adequados para deslocamentos a pé representam avanços que precisam ser atingidos em todas as estruturas urbanas. Cidades planejadas com base em prerrogativas sustentáveis Promovem unidades urbanas que agregam o maior número de funções possível. É imprescindível que se configurem territórios de pequenas dimensões, onde se pode circular com deslocamentos curtos, e que comportem espaços administrativos, de trabalho, de lazer, educação, saúde e sistemas de transporte eficientes. Essas unidades devem ser preparadas e estruturadas desde a origem, com previsões de desenvolvimento e ampliações futuras que possam acolher os mesmos parâmetros qualitativos que foram planejados. Cidades com espaços que promovam a mobilidade de pedestres em detrimento dos automóveis A escala do andar a pé é fundamental que seja preservada e promovida. Cidades sustentáveis precisam renunciar aos veículos automotores para que seus moradores possam usufruir de espaços saudáveis e mais compatíveis com os movimentos de mobilidade, descanso e lazer. Tais decisões induzem também à minimização – ou anulação – da produção sistemática de gases poluentes provenientes dos motores movidos à combustíveis fósseis. Cidades saudáveis, confortáveis, sustentáveis e belas Normalmente contam com a presença do maior número possível de espaços vegetados. Estes espaços são fundamentais para a minimização das temperaturas e da poluição sonora, configuram áreas de sombreamento, são inegavelmente adequadas ao abrigo da fauna urbana e têm um enorme apelo estético. A presença de espaços urbanos ajardinados e arborizados, corredores verdes e a preservação e recuperação de matas e florestas ampliam a segurança ecológica das cidades, pois criam e mantém indispensáveis superfícies de drenagem, que minimizam alagamentos e filtram as águas das chuvas. 89 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Promoção, com planejamento, de fazendas e hortas urbanas em bairros e territórios das cidades São fatores importantíssimos para a saúde das populações o controle ecológico dos ambientes urbanos e a minimização dos deslocamentos para a distribuição de alimentos. As estruturas verdes de produção também podem promover a sustento econômico e financeiro de comunidades e criar cinturões verdes como elementos fundamentais para estruturações urbanas saudáveis. Saneamento ecológico como alternativa sustentável em áreas urbanas e rurais que não possuem coleta de esgoto convencional A prática se utiliza de fossas biodigestoras, biofiltros e outros parâmetros de permeacultura, ou seja, de sistemas que promovem processos semelhantes às transformações biológicas de ordem natural. O saneamento ecológico tem por objetivo a economia da água, minimamente utilizada nos processos, a não dispersão de esgoto nas estruturas hídricas e o aproveitamento dos resíduos como nutrientes. Além de todas as propostas arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas descritas, muitas outras estipulam e caracterizam protocolos que visam à sustentabilidade de edifícios, cidades e populações. As preocupações ecológicas, sociais, econômicas e culturais configuram as condições para que tenhamos, de hoje para o futuro, estruturas que se sustentem e assegurem espaços confortáveis para a humanidade e sua permanência no planeta. 90 FIQUE DE OLHO As questões relativas à sustentabilidade em arquitetura e urbanismo devem ser tratadas com atenção na elaboração dos projetos, do planejamento dos processos e durante as ações de execução das obras. Todas as etapas são passíveis de ajustes para a promoção de protocolos que asseguram o bem-estar humano. 91 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer os principais itens da legislação pertinente às atividades e aos campos de atuação dos arquitetos e urbanistas, bem como observar a complexidade de seu currículo profissional; • compreender por que conflitos têm sido gerados em função de alegadas sobreposições – ou sombreamentos – de funções de arquitetos e urbanistas em comparação a outros profissionais; • entender por que a profissão do arquiteto e urbanista é generalista, apesar de o mercado de trabalho conduzir suas atividades em direção às especializações; • observar ações que podem ser conduzidas pela arquitetura no sentido de promover edifícios sustentáveis; • reconhecer necessidades inerentes aos problemas urbanos e como o urbanismo procura resolvê-los, por meio de planejamento, projetos e sistemas de manutenção pertinentes a soluções de sustentabilidade. PARA RESUMIR ARCHDAILY. Sustentabilidade. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/tag/ sustentabilidade. Acesso em: 10 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/ BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal - CAUs; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso em: 10 mar. 2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso em: 10 mar. 2020. CAU-BR. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Disponível em: https://www. caubr.gov.br/. Acesso em: 10 mar. 2020. CAU-BR. CAU/BR restabelece Resolução 51, suspende alguns itens e abre consulta pública. Disponível em https://www.caubr.gov.br/cau-br-restabelece-resolucao-51- suspende-alguns-itens-e-abre-consulta-publica/. Acesso em: 10 mar. 2020. CAU-BR. Disponível em https://www.caubr.gov.br/iab-produzira-guia-com-projetos- sustentaveis-alinhados-a-agenda-2030/.69 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................71 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................72 UNIDADE 4 - Arquitetura e urbanismo: mercado de trabalho e sustentabilidade ...........................73 Introdução.............................................................................................................................................74 1 Atividades e campos de atuação de arquitetos e urbanistas .............................................................75 2 Generalista ou especialista, qual é a tendência atual do mercado? ..................................................81 3 Sustentabilidade em arquitetura e urbanismo .................................................................................. 83 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................91 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................92 O livro Introdução à arquitetura e urbanismo traz ao leitor, além de informações básicas da área, o conteúdo descrito a seguir em suas quatro unidades. Entre os assuntos, a primeira unidade, Definições e conceitos na arquitetura e urbanismo, aborda os principais conceitos e definições referentes à arquitetura e ao urbanismo ao longo da história, além de tratar dos estilos arquitetônicos, de noções básicas de planejamento urbano, e do plano diretor de um município. A segunda unidade, Arquitetura e urbanismo ontem e hoje, discorre sobre o conhecimento básico das características dos estilos arquitetônicos, seus principais autores, obras, e noções sobre o fundamento primordial da prática de projetos, ou seja, o programa arquitetônico. A terceira unidade, Bases legais, explica a base legal da profissão do arquiteto e urbanista. O leitor vai conhecer as leis, decretos, resoluções e regulamentações que dão respaldo à atuação profissional em suas diversas áreas, o dispositivo legal que rege a profissão, a estrutura representativa da classe, o sistema CAU/BR-CAU e o Código de Ética e Disciplina da profissão. Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Arquitetura e urbanismo: mercado de trabalho e sustentabilidade, discorre sobre os campos de atuação e as atribuições profissionais de arquitetos e urbanistas e a sua prática. O leitor entenderá a sustentabilidade como diretriz necessária para que melhores desempenhos sejam conquistados e se promova o bem-estar da sociedade. Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitura do livro. A ele, sorte em seus estudos! PREFÁCIO UNIDADE 1 Definições e conceitos na arquitetura e urbanismo Olá, Você está na unidade Definições e conceitos na Arquitetura e Urbanismo. Conheça aqui os principais conceitos e definições referentes à Arquitetura e ao Urbanismo hoje e ao longo da história. Aprenda sobre a origem etimológica dessas palavras e entenda os pontos de vista de alguns arquitetos, críticos ou filósofos em relação aos atributos que são fundamentais no estudo da estética arquitetônica e urbanística. Entenda que a arquitetura é uma atividade ampla e multidisciplinar, além das disciplinas envolvidas nesse campo tão complexo que envolve o trabalho do profissional arquiteto e urbanista. Conheça, ainda, um pouco sobre os estilos arquitetônicos fundamentais no estudo da arquitetura e em qual momento da história eles começaram a ser considerados. Por fim, aprenda as noções básicas de planejamento urbano e o que é um plano diretor de um município. Bons estudos! Introdução 11 1 AS DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA ARQUITETURA Existem atualmente incontáveis definições de arquitetura. Nos tópicos a seguir, aprenderemos sobre a origem da palavra, assim como seus principais conceitos e definições. Tecnicamente, pode-se dizer que a arquitetura é a ciência ou arte de organizar espaços e projetar ambientes que abrigam determinada atividade humana. Entretanto, veremos que essa atividade é muito mais ampla e complexa do que essa simples descrição. Inúmeros teóricos da área produziram diversos conteúdos para chegar até essa definição de arquitetura. É evidente que, até mesmo atualmente, ainda existem algumas divergências entre os críticos em relação ao que é realmente o “fazer arquitetura”. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.1 Origem etimológica A origem tanto da palavra arquitetura quanto da palavra arquiteto vem da junção de dois termos gregos: arkhé, que significa “principal”, e tékhton, que significa “construtor” ou “construção”, que juntos formavam a palavra arkhitekton. Esse termo era utilizado para se referir à atividade e ao profissional. Mais tarde, a palavra foi absorvida pelo latim e desdobrou-se em duas: architectus para se referir ao profissional arquiteto e architectūra para se referir à profissão. Em seguida, os termos foram trazidos para a Língua Portuguesa. 1.2 Teóricos e as definições de arquitetura A Arquitetura, por natureza, é uma atividade complexa e multidisciplinar. Pode-se dizer que é uma ciência social, no entanto, algumas áreas como a Matemática, História, Filosofia, Política e 12 Tecnologia também estão nela envolvidas. O arquiteto romano Marcos Vitrúvio Polião, em seu tratado De Architectura Libri Decem (obra mais antiga conhecida da arquitetura datada do século I a.C), elabora o que pode ser considerada a primeira definição de arquitetura: “A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes.” Figura 1 - O Homem Vitruviano Fonte: Vaara, iStock, 2020. Para Vitrúvio, existem três atributos essenciais que devem ser cumpridos para alcançar a boa arquitetura: Firmitas Refere-se ao caráter construtivo da arquitetura: estabilidade ou solidez. Utilitas 13 Refere-se à função social da arquitetura: utilidade e funcionalidade. Venustas Refere-se ao belo e à apreciação estética. Portanto, para Vitrúvio, uma obra arquitetônica, além de ser bela, deve ser estável, resistente e possuir uma função social. Depois de Vitrúvio, outros teóricos da arquitetura também produziram ideias relevantes acerca da arquitetura. O filósofo e arquiteto Leon Battista Alberti, que viveu no século XV, por exemplo, acreditava que a beleza estava naquilo que tinha proporção. Até aquele momento, então, o ideal estético era fundamentado em verdades universais. A noção de estilo arquitetônico, que veremos no tópico 3 desta unidade, só foi concebida a partir do século XVI. Um pouco mais tarde, na Inglaterra vitoriana do século XIX, o escritor e crítico da arte John Ruskin entendeu a estética como a essência da arquitetura. Para ele, só poderia existir arquitetura se o atributo da beleza estivesse presente. Em sua visão, era considerado belo aquilo que tinha adornos, então de nada valia um edifício resistente estruturalmente, proporcional e funcional se não existissem esses adereços. Figura 2 - Ilustração do crítico de arte inglês John Ruskin Fonte: duncan1890, iStock, 2020. Seguindo na história, o alemão Nikolaus Pevsner, historiador da arte que viveu no século XX, adicionou em seus estudos alguns atributos naqueles essenciais de Vitrúvio (firmitas, utilitas e vermutas ou estabilidade, utilidade e beleza). Ele observou que, para conseguir um resultado 14 estético favorável, seria necessário que a obra arquitetônica refletisse também uma prévia análise da combinação das volumetrias existentes no conjunto da edificação (espaços cheios e espaços vazios, aberturas e fechamentos), além de considerar a percepção sensorial daqueles que vivenciariam o ambiente. 1.3 Definições e conceitos atuais O renomado arquiteto inglêsAcesso em: 10 mar. 2020. CAU-BR. Resolução 51. Disponível em http://www.normaslegais.com.br/legislacao/ resolucao-cau-br-22-2012.htm. Acesso em: 10 mar. 2020. CAU-MG. Planejamento do CAU/MG: Plano de Ação 2019-2020. Disponível em: https:// www.caumg.gov.br/planejamento/. Acesso em: 10 mar. 2020. DE BOTON, A. A arquitetura da felicidade. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. DIKINSON. D. Desenhos de Michelangelo mostram porque arquitetos devem ser generalistas, não especialista. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/890038/ desenhos-de-michelangelo-mostram-porque-arquitetos-deveriam-ser-generalistas- nao-especialistas?ad_medium=bookmark-recommendation&ad_name=iframe-modal. Acesso em: 10 mar. 2020. FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2010. HOUAISS, A. (org.). Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa – Versão 1.0. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LAWSON, B. Como arquitetos e designers pensam. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. MAKSTUTIS, G. Arquitectura. Barcelona: Art Blume, 2010. MARTINEZ, A. C. Ensaio sobre o projeto. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000. METROPOLITAN MUSE.UM. 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WATERMAN, T. Fundamentos do paisagismo. Porto Alegre: Bookman, 2010. O livro Introdução à arquitetura e urbanismo é direcionado para estudantes de cursos de arquitetura e urbanismo. Além de abordar assuntos gerais, o livro traz as definições e conceitos na arquitetura e urbanismo, o panorama histórico, as bases legais, o mercado de trabalho e sustentabilidade. Após a leitura da obra, o leitor vai aprender as primeiras noções de estilo em arquitetura; ter uma breve descrição dos principais estilos existentes ao longo da história; conhecer as primeiras noções de planejamento urbano; reconhecer o programa arquitetônico como base fundamental para que se projete e entenda a essência e a aparência dos espaços construídos; verificar o momento histórico e cultural que determinou a separação teórica, curricular e metodológica entre as ciências em arquitetura e urbanismo e as ciências das engenharias; compreender o Plano Diretor; dominar dois temas relevantes para a prática profissional que foram regulamentados por resoluções do CAU/BR: os direitos autorais sobre projetos e obras de arquitetura e urbanismo e a tabela de honorários profissionais; entender por que a profissão do arquiteto e urbanista é generalista; observar ações que podem ser conduzidas pela arquitetura no sentido de promover edifícios sustentáveis; identificar as necessidades inerentes aos problemas urbanos e como o urbanismo procura resolvê-los, e muito mais. Aproveite a leitura do livro. Bons estudos! Capa E-Book_Introdução à Arquitetura e Urbanismo_CENGAGE_V2 E-Book Completo_Introdução à Arquitetura e Urbanismo_CENGAGE_V2Norman Foster, certa vez em entrevista para a revista The European (revista alemã publicada em Berlim), declarou que “A arquitetura é uma expressão de valores – a forma como construímos é um reflexo do modo como vivemos.”. É notório que a arquitetura será sempre reflexo do contexto da sociedade na qual ela está inserida. As características econômicas, políticas, sociais e culturais de um povo ditam o seu movo de viver e seu consequente modo de projetar e construir. No contexto globalizado em que vivemos hoje, muitas vezes um arquiteto de determinado local é responsável por projetar uma obra arquitetônica em outro local inserido numa cultura totalmente diversa da dele. Entenda, todavia, que a responsabilidade do profissional arquiteto e urbanista para com a sociedade é justamente a criação de uma obra que seja condizente com o contexto em que está estabelecida. Não faria sentido algum, então, construir uma edificação sem antes estudar a sua conjuntura. Figura 3 - Museu de Arte do Rio de Janeiro localizado na Praça Mauá Fonte: Diegograndi, Shutterstock, 2020. Observe essa imagem do Museu de Arte do Rio. A edificação mais atual à esquerda se contrapõe e ao mesmo tempo conversa com a edificação mais antiga. Existe uma harmonia e um nítido respeito com a obra já existente e com a paisagem de uma forma geral. Ao projetar, a equipe de arquitetos levou em consideração todo o contexto do entorno. 15 Em função da necessidade dessa harmonia visual é que existem exigências estéticas a serem cumpridas toda vez que algo novo será construído. Essas regras estarão explícitas no Plano Diretor que estudaremos mais à frente, por exemplo. Ou nas determinações que envolvem obras do patrimônio histórico. É preciso observar e entender os elementos da paisagem e a situação das edificações próximas antes de iniciar qualquer estudo. Verifique a seguir a definição de crítico de arquitetura do The New York Times de 2004 a 2011 Nicolai Ouroussoff para o Los Angeles Time em 2003: “A arquitetura é uma experiência física – ela precisa ser vista e tocada para ser totalmente compreendida.” Aqui, entramos numa questão importante da arquitetura em relação às outras artes. Diferente da escultura ou da pintura que são feitas para serem vistas em pé, a arquitetura necessita de um esforço maior para ser totalmente compreendida. O espectador precisa de uma experiência completa de caminhar, olhar e sentir tanto fora (fachada e volumetria) quanto dentro de cada ambiente interno para conseguir captar todas as sensações daquela obra arquitetônica. Uma última definição de Jean Nouvel para a revista Newsweek nos leva a entender plenamente a importância de o arquiteto considerar a situação cultural, política, social e econômica existente: “A arquitetura é a petrificação de um momento cultural.” Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2 AS DEFINIÇÕES E CONCEITOS DO URBANISMO O conceito de urbanismo propriamente dito foi surgir apenas no final do século XIV com a transformação gerada pela Revolução Industrial, evento que foi um grande marco na história do urbanismo e do planejamento urbano. Naquele momento de grande oferta de empregos nas grandes cidades, muitas pessoas saíram do campo a fim de procurar trabalho, e, a partir de 16 então, os centros urbanos começaram a ficar aglomerados, o que acarretou diversos problemas habitacionais. O crescimento desenfreado das cidades provocou uma grande interferência na qualidade de vida das pessoas. Naquela época é que surgiram os primeiros cortiços e favelas. Dessa forma, entendeu-se que havia a necessidade de uma reorganização urbana era emergencial. É notório que, assim como a arquitetura, o urbanismo também reflete as características sociais, econômicas, políticas e administrativas de um povo. Dessa forma, um projeto urbano deve considerar primordialmente as relações e o modo de vida daqueles que ali moram, trabalham, circulam ou têm seu momento de lazer. Veremos, nos tópicos a seguir, as principais definições e conceitos de urbanismo e as principais diferenças entre projeto ou desenho urbano e plano urbano. 2.1 Origem e definições de urbanismo A palavra urbanismo vem do Latim urbs, que significa “cidade” – quando queremos falar sobre a qualidade de vida de quem vive numa cidade, falamos em urbanidade. Como símbolo, o Urbanismo possui uma bandeira de três cores elaborada pelo argentino Carlos Paolera que representa os atributos considerados fundamentais à vida humana: o ar em azul, a vegetação em verde e o sol em amarelo. O Urbanismo está ligado diretamente ao estudo de um espaço onde vive um grupo de pessoas, por isso, um projeto urbano deve considerar as relações sociais e o modo de viver de um povo para planejar e melhorar a qualidade de suas vidas. Confira alguns conceitos importantes para o Urbanismo: Morfologia urbana Ligada ao estudo das transformações da paisagem de uma cidade. Desenho urbano Refere-se à disposição e aparência dos espaços públicos, mobiliário urbano, vias e calçadas entre outros elementos. Gentrificação É uma transformação gerada pela saída de uma comunidade de baixa renda de um centro urbano e pela entrada de moradores de classe alta em função da especulação imobiliária do local. 17 Planejamento urbano É a disciplina ou o processo que cria e desenvolve os métodos que tenham por objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas. Plano urbano É o documento resultante do planejamento urbano. 2.2 Projeto urbano X plano urbano Tanto um projeto urbano como um plano urbano devem considerar a construção e transformação da paisagem urbana como parte do processo. Vamos agora diferenciar esses dois conceitos que muitas vezes causam confusão entre os estudantes. Projeto urbano ou desenho urbano “É um esquema organizativo que oferece orientações àqueles responsáveis por executá-los” (SABOYA, 2007), ou seja, define através de um desenho a localização das áreas verdes, das vias e calçadas e do mobiliário urbano. Um projeto completo prevê, ainda, os materiais e revestimentos a serem utilizados em cada um desses itens, assim como suas dimensões. Esse desenho poderá conter uma planta em 2D, como no exemplo da imagem abaixo, e também vistas, perspectivas, ilustrações, legendas, além da possibilidade de um modelo 3D. Poderá ser feito tanto à mão quanto através de softwares voltados para isso. Figura 4 - Exemplo de um projeto urbano feito à mão Fonte: p-jitti, Shutterstock, 2020. Plano urbano É uma orientação tanto para o arquiteto e urbanista, como também para todos os outros profissionais responsáveis pelo projeto, como topógrafos, geógrafos e engenheiros. Um plano é 18 um zoneamento que deve garantir a compatibilidade de todos os projetos envolvidos oferecendo limites de uso, ocupação, traçado das vias e calçadas, gabarito (altura dos prédios) entre outras especificações. 2.3 Exemplos de projetos urbanos bem-sucedidos Agora, conheceremos dois exemplos de projetos urbanos bem-sucedidos e muito conhecidos: Medellín na Colômbia, que é mais atual, e o chamado Plano Cerdá em Barcelona na Espanha. Medellín (Colômbia) O caso de Medellín na Colômbia foi um grande exemplo de sucesso de projeto urbano, esforço político e social e articulação entre poder público e privado. Em menos de 20 anos, passou da cidade mais violenta e com um índice de desigualdade social dos maiores mundo para renascer como a mais inovadora e a primeira em qualidade de vida na Colômbia. Naquela época, Medellín se encontrava numa “sangrenta crise social e política, sob o fogo cruzado do narcotráfico, das Farc – Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia, de grupos paramilitares e de uma ordem institucional completamente debilitada e ineficiente” (GHIONE, 2014). Com toda essa crise política e social, agente influenciadores finalmente se reuniram em prol de melhorias. Figura 5 - Vista aérea de Medellín na Colômbia Fonte: SANDOVAL, iStock, 2020. Tendo em vista que a cidade está localizada num vale sobre as montanhascentrais da Cordilheira dos Andes, a chave da transformação foi principalmente o transporte público. O acesso dos moradores dos locais que chamamos aqui de favelas localizadas no alto das montanhas foi facilitado por escadas rolantes combinada com teleféricos. Além disso, existem os ônibus em sistema BRT e trens elevados. 19 Figura 6 - Sistema de teleféricos da cidade de Meddelín Fonte: holgs, iStock, 2020 Hoje, a chamada EDU (Empresa de Desenvolvimento Urbano), formada por agente de diversas disciplinas, é responsável por aplicar o plano de ordenamento territorial, no qual a discussão e participação da sociedade é constante. Barcelona (Espanha) Em 1860, ocorreu em Barcelona um grande marco urbanístico: a aprovação do Plano Cerdá. Naquela época, a cidade vivia uma situação muito difícil e precisava de uma transformação urgente. Em função da atividade portuária e presença da indústria têxtil existente na época, ocorreu um crescimento econômico acelerado e uma consequente superlotação de habitantes (a população foi de 115 mil habitantes em 1802 para 140 mil em 1821 e atingiu 187 mil em 1850), o qu,e somado com a falta de infraestrutura, piorou significativamente as condições de saúde. O plano urbano com ideias humanistas foi criado pelo engenheiro e urbanista Ildefonso Cerdá. Ainda que tenha sido um plano bem-sucedido, enfrentou uma forte resistência do Conselho Municipal de Barcelona, que chegou a realizar um concurso municipal em 1859, escolhendo o projeto de Antoni Rovira e Trías entre outras 12 propostas. Tudo finalmente foi resolvido com o apoio do governo central, que, em 8 de julho de 1860, através de um decreto real, materializou o Plano Cerdá. O urbanista era muito preocupado com os aspectos higienistas e de mobilidade urbana, por isso previu um plano de grade ortogonal com larguras de 20, 30 e 60 metros nas ruas, o que na época eram distâncias totalmente incomuns. Fez isso para fugir da densidade enorme que a cidade vivia, além de presumir um futuro motorizado. 20 Figura 7 - Vista aérea do bairro residencial de Barcelona Eixample Fonte: undefined undefined, iStock, 2020. Cerdá propôs uma divisão bem definida dos espaços públicos e privados. Enquanto a vida pública e toda a rede de apoio aos serviços públicos estava nas ruas, a vida privada acontecia no interior dos quarteirões de edifícios multifamiliares (esses espaços eram chamados de “intervías”). Cada quadra possuía em cada canto um chanfro de 15 m, justificado pela melhoria na visibilidade do futuro tráfego rodoviário. 3 A NOÇÃO DE ESTILO EM ARQUITETURA Veremos, a seguir, as primeiras noções do que significa definir um estilo arquitetônico e por quais motivos a classificação dos estilos é necessária. Sabemos que muitas vezes uma obra arquitetônica ou urbanística pode mesclar alguns tipos de estilos, mas nem por isso devemos deixar de classificá-los. É importante reconhecer nesta classificação quais são as particularidades comuns e quais são as principais influências nas criações de arquitetos e urbanistas que produziram na mesma época ou simplesmente na mesma região geográfica. 3.1 O que é um estilo arquitetônico A expressão “estilo arquitetônico” é utilizada para classificar as obras arquitetônicas ou urbanísticas levando em consideração o período da história na qual foram construídas. O estudo dos estilos arquitetônicos significa compreender quais são as suas características formais, suas técnicas, seus métodos construtivos e materiais utilizados na época. Estudamos essas particularidades com a finalidade de conhecer as especificidades de cada fase histórica da arquitetura. Frequentemente, a arquitetura reflete a tradição e cultura de uma sociedade em um momento histórico. Desde as civilizações mais antigas, cada sociedade ou grupo de pessoas construiu suas 21 edificações com suas próprias características e elementos. Essa forma de construir retratava o modo de viver da poca. 3.2 Estilos arquitetônicos ao longo da História Apesar das primeiras grandes obras arquitetônicas datarem da Antiguidade, há muito tempo, quando os homens das cavernas construíam seus próprios abrigos, podemos dizer que já existia uma ou algumas formas de construir, assim como materiais a serem escolhidos, ou seja: já existia um estilo de arquitetura. Pode-se afirmar que o método como eram feitos os abrigos dos homens das cavernas é chamado de estilo arquitetônico da arquitetura rupestre. Não abordaremos neste momento os estilos específicos de cada época, no entanto já os classificaremos por categorias de acordo com seus períodos históricos. É importante lembrar, ainda, que estes estilos muitas vezes se sobrepõem no tempo, e que abordaremos o conteúdo de uma forma global, ou seja, considerando a localização principal dos movimentos. Sabemos que em alguns países, como o Brasil, essas manifestações foram tardias. Arquitetura pré-histórica ou arquitetura antiga Aqui estão incluídos os estilos que vão desde o homem das cavernas (arquitetura rupestre), passando pelas pirâmides egípcias até chegar à arquitetura persa. Figura 8 - Pirâmide de Khafre a partir do canto da Grande Pirâmide de Gizé em Cairo, no Egito Fonte: blacktomb, iStock, 2020. • Arquitetura ocidental até ao modernismo Arquitetura clássica De uma forma geral, aqui estamos versando sobre a arquitetura grega e sobre todos os estilos influenciados por ela, como o estilo da arquitetura romana, do Renascimento ao Neoclassicismo. 22 Arquitetura medieval Abrange do estilo bizantino ao estilo gótico. Historicamente, estamos tratando da Idade Média, um longo período que se estendeu do século V ao século XV: quase mil anos de história. Após o Renascimento Após a profunda transformação que trouxe o período renascentista, muitos estilos que refletiam essa grande transição surgiram. Um exemplo desses estilos é o conhecido estilo Barroco. Arquitetura Moderna O estilo moderno não é um estilo propriamente dito, mas sim um conjunto de movimentos e escolas arquitetônicas que caracterizaram em grande parte a arquitetura do século XX. O movimento Arts & Crafts e o estilo internacional do Art Nouveau ou Arte Nova são exemplos desta arquitetura. Arquitetura Pós-moderna As obras arquitetônicas dessa época são vistas como críticas à arquitetura moderna. Esse estilo se desenvolveu principalmente depois da Grande Depressão em 1929 até o início da década de 70. Arquitetura contemporânea Aqui estão incluídos todos os estilos e tendências atuais. Alguns exemplos são: estilo futurista, estilo minimalista e estilo high-tech Figura 9 - Casa Batló construída em 1977 em Barcelona: uma das obras-primas de Antoni Gaudí Fonte: Naruto_Japan, iStock, 2020. 23 4 A NOÇÃO DE PLANEJAMENTO URBANO Muitas pessoas tratam o planejamento urbano como sinônimo de urbanismo, no entanto esses termos têm algumas diferenças sutis. Enquanto o urbanismo se preocupa mais com o projeto em si e sua concepção arquitetônica, o planejamento urbano contempla sobretudo conhecimentos multidisciplinares e a gestão de planos e programas. Um desses campos tem clara vocação disciplinar e contempla essencialmente a tomada de decisões relativas à concepção arquitetural; reivindica-se aí uma “competência para o projeto”. O outro integra conhecimentos disciplinares diversos (economia, geografia e sociologia, entre outros) e contempla essencialmente a tomada de decisões relativas à elaboração (ou encomenda) e gestão de planos, programas e projetos – inclusive, mas não necessariamente, de natureza arquitetônica; reivindica-se aí uma “competência para o planejamento e a gestão. (ROVATI, 2013) Dessa forma, entendemos que o planejamento urbano trata essencialmente das políticas públicas (política habitacional, mobilidade urbana, acesso aos espaços públicos, conservação do meio ambiente etc.), da relação e das articulações com a administração pública do município, estado ou país. 4.1 História mundial do planejamento urbano Ainda que as disciplinas de Urbanismoe de Planejamento Urbano apenas tenham sido concebidas dessa forma a partir do século XIX, a história nos revela que o trabalho já havia se iniciado há muitos anos com as sociedades mais antigas. Estudos mostram que as civilizações pré-colombianas (maias, astecas, incas etc), por exemplo, construíram a então Tenochtitlan (hoje Cidade do México) já considerando um planejamento urbano que incluía sistemas de esgoto e de água corrente. Na Idade do Bronze, aproximadamente entre os anos 2600 a.C. e 1900 a.C., a Civilização do Vale do Indo, conhecida também como Civilização Harapeana, uma região localizada em partes dos atuais países Afeganistão, Paquistão e Índia, inaugurou a primeira noção de planejamento urbano. As ruínas de Harapa viraram patrimônio mundial e revelaram um padrão de hierarquia e gradeamento nas ruas e ainda uma divisão de uso e ocupação do solo com avenidas comerciais e pequenas vias residenciais. 24 Figura 10 - Ruínas da civilização harapeana no atual Paquistão Fonte: undefined undefined, iStock, 2020. Se avançarmos até o período do Renascimento, temos o exemplo do Palácio Versalhes na França, cuja área foi planejada antes de ser construída. Já no continente americano, a atual cidade de Washington, DC foi traçada pelo arquiteto francês Pierre Charles L’Enfant. Foi somente após a Revolução Industrial, com a intensa migração dos campos para os centros urbanos e o crescimento desenfreado das cidades que aconteceu a efetiva necessidade de projetos urbanos. Em 1863, ocorreu a Feira Mundial de Chicago, onde planejadores urbanos se reuniram para deliberar sobre qual seria o modelo de cidade ideal. Dentre as características dessa cidade ideal estava a previsão de largas avenidas e grandes estruturas púbicas. Figura 11 - Ilustração em 3D da cidade de Chicago Fonte: iStock, 2020. 25 4.2 Planejamento urbano no Brasil O senso de planejamento urbano chegou no Brasil principalmente com o Plano Agache em 1930. O arquiteto Donald Alfred Agache (1875-1959) elaborou a primeira proposta de intervenção urbanística na cidade do Rio de Janeiro, onde inaugurou no cenário brasileiro algumas premissas típicas da cidade industrial, como os planos de transporte de massa, abastecimento de água e habitações operárias. Ainda que não tenha sido de fato implementado, o Plano Agache muito contribuiu para as discussões acerca do urbanismo e influenciou o planejamento de outras cidades, principalmente da cidade Curitiba. No ano de 1970, a população urbana ultrapassa a população rural e os problemas de trânsito, violência, falta de esgoto e água tratada só crescem. Dessa forma, ganha força a discussão acerca do planejamento e algumas cidades, como São Paulo, começam a tornar obrigatória a elaboração de um Plano Diretor. Naquela época, os critérios adotados para analisar um bom plano urbano eram técnicos e objetivos. O planejamento deveria ser construído a partir de dados e lógica racional. 4.3 Plano Diretor Com o fim da Ditadura Militar e a aprovação da Constituição Federal de 1988, é inaugurada uma nova fase para o urbanismo e o planejamento urbano. O surgimento formal do Direito Urbanístico como uma disciplina acontece principalmente a partir do artigo 182 da Constituição, ainda que já existissem leis que deliberavam sobre a matéria. O chamado Estatuto da Cidade, lei nº 10.257 de 2001, que “regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências”. Nessa lei é que estão as principais definições do que é um Plano Diretor, em quais municípios ele é obrigatório e quais as suas exigências. A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as diretrizes previstas no art. 2o desta Lei.” (BRASIL, 2001) Um plano diretor é um mecanismo de orientação aos projetistas, arquitetos, urbanistas e outros profissionais da área que dita regras de ocupação e uso do solo para uma cidade. Através dessas determinações, deve conduzir a um constante cuidado com a preservação do meio ambiente, a prevenção do crescimento desenfreado e dos espaços desocupados entre outros objetivos que serão definidos dependendo da situação de cada município. 26 4.4 Cidades planejadas No Brasil e no mundo existem muitas cidades que foram planejadas. Algumas delas foram experiências muito bem sucedidas e outras não. Um dos exemplos mais conhecidos mundialmente é a cidade de Brasília e o famoso Plano Piloto, elaborado pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, que iniciou o planejamento por volta de 1956 com a eleição de Juscelino Kubitschek como presidente. Também fizeram parte o arquiteto Oscar Niemeyer e o engenheiro estrutural Joaquim Constanzo. Hoje, o conjunto urbanístico é patrimônio da UNESCO. Brasília, a capital criada do zero no centro do país, em 1956, foi um marco na história do planejamento urbano. O urbanista Lúcio Costa e o arquiteto Oscar Niemeyer pretendiam que cada elemento – da arquitetura das áreas residenciais e administrativas (frequentemente comparadas à forma de um pássaro durante o voo) à simetria dos próprios edifícios – estivesse em harmonia com o design geral da cidade. Os edifícios oficiais são especialmente inovadores e criativos. (UNESCO) Além de Brasília, outras cidades brasileiras foram planejadas principalmente em meados do século XIX, como Teresina, que foi projetada pelo Conselheiro José Antônio Saraiva com o objetivo de tornar-se capital da Província do Piauí em 1852 e Aracaju, desenhada pelo engenheiro Sebastião José Basílio Pirro com o objetivo de sediar a capital da província de Sergipe del-Rei. Além dessas, Belo Horizonte, Goiânia, Maringá e Palmas são também exemplos de cidades planejadas. No mundo, temos o exemplo da cidade de Zurique, na Suíça, Amsterdã, na Holanda, Las Vegas nos Estados Unidos, entre outras. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 27 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer a origem etimológica das palavras arquitetura e urbanismo; • aprender as principais definições de arquitetura ao longo da história e atualmente; • entender as diferenças entre projeto urbano e plano urbano; • conhecer exemplos bem-sucedidos de projetos urbanos; • aprender as primeiras noções de estilo em arquitetura; • ter uma breve descrição dos principais estilos existentes ao longo da história; • conhecer as primeiras noções de planejamento urbano; • entender sobre o plano diretor; • conhecer exemplos de cidades planejadas ao redor do mund PARA RESUMIR BENEVOLO, L. História da cidade. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1997. GHIONE, R. Transformação social e urbanística de Medellín. Minha Cidade, São Paulo, ano 14, n. 166.07, Vitruvius, maio 2014. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/ revistas/read/minhacidade/14.166/5177. Acesso em: 30 mar. 2020. MACIEL, C. A. Arquitetura, projeto e conceito. Minha Cidade, São Paulo, ano 4, n. 043.10, Vitruvius, dez. 2003. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arqui- textos/04.043/633. Acesso em: 30 mar. 2020. MAHFUZ, E. Reflexões sobre a construção da forma pertinente. Minha Cidade, São Paulo, ano 4, n. 045.02, Vitruvius, fev. 2004. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revis- tas/read/arquitextos/04.045/606. Acesso em: 30 mar. 2020. ROVATI, J. F. Urbanismo versus Planejamento Urbano. R. B. Estudos Urbanos e Regionais, v. 15, n. 1, p. 33-58, maio 2013 SABOYA, R. Plano e projeto. Urbanidades, Florianópolis, 17 set. 2017. Disponível em: https://urbanidades.arq.br/2007/09/17/plano-e-projeto/. Acesso em: 30 mar. 2020. VALENCIA, N. O Plano Cerdà de Barcelona de uma nova perspectiva. ArchDaily Brasil, out. 2017. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/880894/o-plano-cerda-de-barce- lona-de-uma-nova-perspectiva-nessa-fotografia-aerea.Acesso em: 30 mar. 2020. ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 Arquitetura e urbanismo ontem e hoje Você está na unidade Arquitetura e Urbanismo ontem e hoje. Conheça aqui algumas das principais informações sobre o vasto universo de interlocuções necessárias ao trabalho dos arquitetos e urbanistas, entre elas conhecimentos básicos sobre as características dos estilos arquitetônicos, seus principais autores, obras exemplares, bem como noções sobre o fundamento primordial da prática de projetos, ou seja, o programa arquitetônico. Entenda como a profissão tem se desenvolvido ao longo da história e, ao final, estude um panorama atualizado sobre a vida profissional e o mercado de trabalho. Bons estudos! Introdução 31 1 INFORMAÇÕES INICIAIS Conforme nos diz o historiador da arquitetura escocês James Fergusson (apud PATETTA, 1984, p. 22), Considerada historicamente, a arquitetura deixa de ser mera arte, que interessa somente ao artista ou ao cliente, e se converte em um dos mais importantes complementos da história, preenchendo muitas lacunas nos testemunhos escritos e dando vida e realidade a muitas coisas que, sem sua presença, dificilmente poderiam ser compreendidas. Ou seja, a arquitetura é um dos mais consistentes instrumentos de informação sobre as civilizações, seus costumes, habilidades, temporalidades e comportamentos. Neste sentido, cabe ressaltar que, para o entendimento da arquitetura como abrigo e, além disto, instrumento de expressão de um estilo específico, compreenda, em primeiro lugar, de que modo ela se apresenta como estrutura de pensamento. Para isso, é necessário que seja esclarecido o que entendemos como programa arquitetônico para que melhor sejam explicadas as principais características formais e construtivas de cada um dos estilos aqui apresentados. 1.1 Programa arquitetônico Todo arquiteto e urbanista precisa, para realizar seus projetos e tornar palpável sua expressividade construtiva, ter profunda compreensão sobre as necessidades e anseios das pessoas para quem serão propostos os espaços. Tais exigências configuram-se aos profissionais como requerimentos que deverão ser bem compreendidos e atendidos para a efetivação da arquitetura. Os requisitos dos clientes, também denominados requerimentos programáticos, baseiam-se em informações relativas a, por exemplo características dos usuários, contexto geomorfológico, quantidades e tipos de equipamentos, além de verbas e tecnologias disponíveis. Desse modo, ressalta-se que são imprescindíveis as informações sobre os requisitos acima mencionados para o bom desenvolvimento do projeto e, claro, para sua expressão estética ou, em outras palavras, seu estilo. 32 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.2 Requerimentos programáticos A arquiteta e professora mexicana Guadalupe Salazar González pondera que (2000, p. 71) A meta final da arquitetura, ainda hoje, é produzir os espaços que abrigam as diversas atividades dos indivíduos e dos grupos sociais de modo a tornarem-se o âmbito do habitar humano, atividades que buscam satisfazer a demandas de espaço habitável ou a resolver problemas de habitabilidade. Para que isso ocorra o profissional chamado arquiteto efetua duas ações: o desenho do sistema de espaços e a edificação. A edificação só pode existir quando o projeto é definido, sendo o desenho a atividade que produz este projeto. As observações da autora vão além e identificam requerimentos programáticos que precisam ser levados em consideração para o desenvolvimento de qualquer projeto arquitetônico, paisagístico ou urbanístico: requerimentos pragmáticos ou funcionais, com base na adequação do espaço para o desempenho das diversas atividades necessárias; requerimentos antropométricos, que determinam o espaço com base nas decisões relativas aos movimentos e dimensões do corpo humano; requerimentos ergonômicos, que possibilitam que as atividades humanas se realizem com o mínimo de esforço físico e o máximo de eficiência funcional; requerimentos proxêmicos, que identificam e medem relações sociais de proximidade e/ou rechaço entre as pessoas; requerimentos psicológicos, baseados em padrões de comportamento e diferentes visões de mundo; 33 requerimentos existenciais, que identificam relações de hierarquias individuais e/ou coletivas; requerimentos topológicos, que traduzem todos os requisitos acima em espaços e diferentes tridimensionalidades Tais requerimentos determinam as diretrizes que decidirão como o projeto arquitetônico será desenvolvido. Este, por sua vez, será o representante palpável de um estilo, qualquer que ele seja, por meio de duas categorias analíticas: a sua forma e a sua construção. É o que veremos a partir de agora. 2 PRINCIPAIS ESTILOS ARQUITETÔNICOS Conheça, a seguir, alguns dos principais estilos arquitetônicos desenvolvidos ao longo dos tempos. Lembraremos, assim, o teórico italiano Cesare Brandi (apud PATETTA, op cit, p. 36) quando diz que “nenhuma obra arquitetônica, em qualquer civilização conhecida, é um ato gratuito e sempre respondeu a necessidades individuais ou coletivas”. Estas, identificadas primordialmente já na execução do programa arquitetônico, determinarão um uso e uma expressão artística e, por conseguinte, um estilo. Desde que o homem adquiriu discernimento intelectual a respeito da arte, que, por meio dela poderia expressar emoções e conceituações sobre sua existência na Terra, e que também a arquitetura seria um meio consistente para isto, suas visões de mundo, entrelaçadas à sua cultura, passaram a ser impressas na paisagem. Inúmeros são os estilos arquitetônicos, porém, como relata Julia Brant (2020), há que se sublinhar aqueles que ao longo do tempo estabeleceram-se como “continuidades ou rupturas, em relação ao que se vinha produzindo antes” . Desse modo, não falaremos de estilos culturais específicos, tais como as manifestações arquitetônicas egípcia, islâmica, indiana, pré-colombiana, chinesa, japonesa ou indígena, mas sim daqueles estilos que se caracterizam de modo mais universal e abrangente. FIQUE DE OLHO Não há projeto de arquitetura, urbanismo ou paisagismo que possa ser bem desenvolvido sem que antes o profissional elabore um consistente programa arquitetônico e determine o conceito do projeto. 34 2.1 Arquitetura pré-histórica Estudos paleontológicos indicam que a pré-história da arquitetura pode ser datada a partir do período identificado como Paleolítico Superior, ou seja, por volta de 40.000 a.C. A este momento temporal, atribuem-se descobertas de uma série de objetos confeccionados pelo primitivo Homo sapiens – homem de cro-magnon –, especialmente na Europa, tais como pequenas ferramentas, anzóis, arpões, ferramentas contundentes e perfurantes. Além de saber caçar e pescar, estas populações tinham a capacidade de materializar o pensamento subjetivo por meio da arte. Em suas áreas de convívio e abrigo, especificamente cavernas, foram encontradas pequenas esculturas e pinturas rupestres, ou seja, aquelas que utilizam as paredes de pedra como suporte. A etimologia informa que a palavra arquitetura é composta de dois antepositivos: arqu(e/i)-, no sentido de princípio ou fundamento e -tecto, significando construção. Fazer arquitetura é, portanto, atribuição da pessoa que “detém a fundo uma arte ou ciência e dirige outras pessoas” (HOUAISS, 2001). No período Paleolítico Superior, os grupos humanos habitavam cavernas, mas produziram as primeiras construções com funções além do abrigo e com intenção arquitetônica, isto é, com ordenamento, tecnologia construtiva e intenção estética. Geralmente atrelados ao pensamento religioso, nossos ancestrais construíam monumentos e altares com pedras: selecionavam-nas, aparelhavam-nas, escolhiam um lugar para sua implantação, posicionavam-nas e as fixavam no solo. Construíam rudimentarmente com noções de estabilidade e propósito plástico – faziam, portanto,arquitetura. As construções da arquitetura pré-histórica são, basicamente, os menires e os dólmens. Menir Caracteriza-se por ser um monobloco de pedra em formato alongado, único, cravado no solo, com a parte mais estreita voltada para o céu. Era tratado como um monumento comemorativo, marcava a presença de enterramentos ou indicava lugares sagrados. Alguns possuíam inscrições e elementos figurativos. Dólmen básico Era composto de três peças: duas pedras verticais e uma pedra horizontal a elas sobreposta. Configuravam altares, mesas rituais ou sepulturas e podia também ser composto por apenas duas pedras em forma de laje mutualmente apoiadas – o meio-dólmen –, ou quatro pedras em posição vertical, com uma sobre elas apoiada horizontalmente, denominado duplo-dólmen. 35 Benjamim de Carvalho (s.d.) descreve a arquitetura como “tradução plástica de um aspecto ecológico-humano”. A arquitetura, pois, fundou-se em tais princípios e se manteve nesses níveis de expressividade por milênios até se mostrar mais consistente e esteticamente relevante a partir das construções que se registram nas regiões da Suméria e do Egito, entre 4.000 a. C. e 3.000 a. C. 2.2. Arquitetura clássica As civilizações grega e romana, conhecidas como constituintes do período cultural clássico do Ocidente, estabeleceram-se na Europa mediterrânea aproximadamente a partir de 600 a. C. e são responsáveis pela configuração seminal do pensamento ocidental, constituindo seu arcabouço intelectual, político, filosófico e estético. Em primeiro lugar, temos os grupos populacionais gregos, unidos e estabelecidos, após inúmeras guerras no continente europeu, em territórios permanentes e entre as atuais Itália e Turquia. As vitórias bélicas trouxeram força política e econômica a essas populações e fundamentaram as condições para a construção de monumentos grandiosos, especialmente em honra à sua vasta plêiade de deuses. Seus templos eram constituídos principalmente de pedra calcárea e estuque de mármore e apresentavam estrutura geométrica e formal desenvolvida a partir do desenho original dos primitivos dólmens, ou seja, um elemento horizontal, aqui denominado entablamento, apoiado por elementos estruturais verticais ou colunas e dos processos construtivos dos antigos templos de madeira. Entendemos, assim, que as colunas substituíram os troncos de árvores, e o entablamento as vigas de madeira para sustentação do madeiramento do telhado. Essas construções, desenvolvidas com base nos conhecimentos da geometria e da matemática, elevaram a arquitetura à excelência científica e se estabeleceram como cânones de toda a produção arquitetônica ocidental, seguindo princípios de ordem, simetria e recursos de adaptação perceptiva do espaço. “Uma característica marcante de sua expressividade são as colunas, que estabeleceram o que ficou conhecido como as ordens arquitetônicas dórica, jônica e coríntia” (BRANT, op. cit.). Um dos principais exemplos da arquitetura grega clássica é o templo dórico Partenon, construído entre 447 e 432 a. C. em Atenas, dedicado a Atena Parthenos, ou Virgem Atena. 36 Figura 1 - Ruínas do Partenon, em Atenas Fonte: ivan bastien, Shutterstock, 2020. O fulgor da cultura grega permaneceu até o início da ocupação de seus territórios pelo Império Romano. A “incorporação de cidades gregas da Itália começara em 282 a.C. [...] e o contato entre gregos e romanos levou a influência grega ao desenvolvimento da arquitetura romana” (MANSELL, 1979, p.16). A arquitetura romana seguiu quase que totalmente os princípios construtivos gregos e os aprimorou à medida em que novas tecnologias foram sendo desenvolvidas. Entre outros movimentos evolutivos, Roma criou mais duas ordens, a compósita e a toscana, e introduziu em seus edifícios novas alternativas, construtivas, tais como o arco e a abóbada. É importante destacar também o aprimoramento técnico relativo ao uso do concreto romano, cujos agregados eram constituídos de pedaços de tijolo quebrado, mármore e rochas vulcânicas e a argamassa composta de cal e areia pozzolana. São inúmeros os exemplares do esplendor da arquitetura clássica romana. Podemos destacar dois exemplos seminais: o Panteon (120 a.C – 24 d.C.), com seu interior coroado por imensa cúpula de concreto, e o Coliseu (72 d.C. – 80 d.C.), estruturado por conjuntos das ordens dórica, jônica e coríntia. 37 Figura 2 - Ruínas do Coliseu, em Roma Fonte: Artjazz, Shutterstock, 2020. 2.3. Arquitetura cristã primitiva e arquitetura bizantina A decadência de Roma pôs fim ao período clássico e, em sequência, a relevância da arquitetura antiga ocidental se deveu, fundamentalmente, à propagação do cristianismo por toda a Europa – em 326, o imperador Constantino o proclamou como a religião oficial de Roma, e a linguagem arquitetônica fundamentada na filosofia eclesiástica protagonizou a produção das chamadas igrejas cristãs primitivas ou igrejas basilicais. O desenho das igrejas seguia o modelo das basílicas ou tribunais romanos e pode ser considerado como o precursor e a raiz fundamental de toda a arquitetura religiosa a partir de então. Basicamente sua planta, alongada, é composta por um espaço de entrada, o nártex; um espaço central, a nave; espaços laterais à nave, denominados naves laterais; e um espaço principal, para abrigo do altar e para onde todos os olhares se dirigem no edifício, a abside. A igreja tem, do nártex até a abside, no sentido longitudinal, telhado de duas águas como cobertura e ao templo normalmente está conjugado um imponente e vertical campanário. Em 330, a fim de consolidar seu poder no Oriente, o imperador Constantino transferiu a capital do Império Romano de Roma para a cidade de Constantinopla – antiga Bizâncio e atual Istambul. A arquitetura bizantina recebeu influências formais da cultura de raiz muçulmana e apresentou como solução construtiva a planta em cruz grega, ou seja, com braços de igual comprimento, sobre a qual erguia-se uma cúpula. Um dos principais exemplos deste desenho é a igreja de Santa Sofia, erguida na Turquia entre os anos de 532 e 537. 2.4. Arquitetura românica e arquitetura gótica A arquitetura românica se caracteriza por constituir um verdadeiro ponto de inflexão na linha estilística da arquitetura ocidental. A principal contribuição arquitetônica e construtiva deste 38 movimento, ocorrido aproximadamente entre os séculos XI e XIII, foi a conjugação da planta cristã primitiva à planta bizantina. As plantas das igrejas românicas se configuram como uma cruz latina, onde a nave ocupa seu espaço tradicional no sentido longitudinal e os braços menores determinam espaços denominados transeptos. A intercessão entre a nave e os transeptos, conhecido como cruzeiro, serve agora como espaço de interseção entre a abside e a nave. Além desta sólida modificação bidimensional, em planta, os construtores românicos iniciaram importante processo de experimentação construtiva ao substituírem os primitivos telhados por elaboradas estruturas constituídas por cúpulas, abóbadas e arcos, com origens informacionais nas antigas construções romanas, persas e bizantinas e que culminarão no esplendor estrutural da arquitetura gótica. A arquitetura gótica comprova que a Idade Média não é, como alguns autores podem relatar, uma época de obscurantismo intelectual – pelo contrário. A cultura medieval, ao longo de quinhentos anos, desde pelo menos o século XI, permitiu que equipes de artesãos, ou guildas, formadas por associações de profissionais – carpinteiros, pedreiros, ferreiros, vidraceiros, escultores e outros – desenvolvessem experimentações construtivas que produziram edificações extremamente sofisticadas, tanto em termos estruturais quanto plásticos. As catedrais góticas se notabilizaram por possuírem espaços muito amplos, iluminados por elaborados vitrais e pés- direitos altíssimos. A arquitetura gótica pôde ser operada em função de desenvolvimentos técnicos iniciados ainda no período românico, caracterizandoedifícios muito mais em função de sua ossatura do que propriamente sua massa. Para isso, alguns elementos foram fundamentais: os contrafortes – reforços laterais; os arcobotantes – apoios sobrepostos aos contrafortes; os arcos ogivais e as abóbadas de arestas. Um dos edifícios exemplares do período é a catedral de Notre-Dame de Paris, construída entre os séculos XII e XIV em honra à Virgem Maria. 39 Figura 3 - Catedral de Notre-Dame, em Paris Fonte: Maksim Budnikov, Shutterstock, 2020. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2.5 Arquitetura renascentista e arquitetura barroca Toda a produção científica e artística ocorrida a partir do século XIV se deveu, principalmente, a um movimento intelectual difundido na Europa e inspirado nos conhecimentos produzidos pelas sociedades grega e romana antigas. Esse movimento valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana. Tal movimento denomina-se Humanismo e fundamentou todo o período do Renascimento. 40 Cidades prosperavam com o comércio em substituição à anterior economia de base feudal, possibilitando pesados investimentos no desenvolvimento das ciências, das artes e da arquitetura. A partir do Renascimento, começamos a identificar, diferentemente das antigas guildas, autores- arquitetos como Filippo Brunelleschi, Andrea Palladio, Donato Bramante e Michelangelo Buonarroti, que além de produzirem arquitetura, eram escultores, pintores e pesquisadores em geometria, matemática e astronomia. A atividade construtiva no Renascimento não elaborou processos construtivos novos. A ênfase se dava muito mais nas experimentações plásticas do que propriamente nas atividades vinculadas a disciplinas reguladoras. Em termos arquitetônicos, dois elementos construtivos, de alguma forma, marcam este período histórico: seu início, com a cúpula da igreja de Santa Maria del Fiore, Florença, de Brunelleschi, no século XV e seu fim, já no início do Barroco, com a cúpula da basílica de São Pedro, Vaticano, de Michelangelo, no século XVI. Figura 4 - Igreja de Santa Maria del Fiore ou catedral de Florença Fonte: Spooh, iStock, 2020. Figura 5 - Basílica de São Pedro, no Vaticano Fonte: ChandraDhas, iStock, 2020. 41 A etimologia indica que a palavra barroco provém da denominação latina dada a uma pérola de formato irregular. Posteriormente, esta referência foi atribuída a acepções específicas, ligadas às artes do período em sequência ao Renascimento. A linha do tempo da história da arquitetura posiciona o estilo Barroco entre os séculos XVI e XVIII – inclusive adentrando no século XIX – como um movimento de transição e oposição a dois estilos que retomam preceitos da antiguidade clássica: o Renascimento e, posteriormente, o Neoclassicismo. Por esta razão, apesar da exuberância de suas construções, o Barroco muitas vezes também é considerado como uma degenerescência estilística. O século XVI foi profundamente marcado em função da ruptura cultural provocada pela Reforma Protestante, o que levou a Igreja Católica a condenar, no Concílio de Trento, a arte pagã renascentista e estabelecer instruções voltadas a ações do movimento de Contrarreforma. Assim sendo, além de se localizar entre dois estilos caracterizados pela precisão, a expressão barroca se consolidou como um vocabulário firmado na conjugação de elementos artísticos e arquitetônicos que mesclavam “novas concepções de massa, espaço, tempo e movimento” (Carvalho, op. cit., p. 240). A segurança e o comedimento do Renascimento deram lugar a formas cenográficas e irregulares, que denotavam as incertezas diante da natureza humana e suas relações com Deus. O Renascimento ocorre simultaneamente aos movimentos expansionistas portugueses e espanhóis, mas o estilo que caracterizará o período de colonização brasileira será o Barroco, mormente em lugares como o Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais. Apesar de termos no Brasil e na Europa incontornáveis exemplos da arquitetura religiosa barroca, o movimento se amplificou em sua abrangência, especialmente na França, durante os séculos XVII e XVIII, sob o reinado de Luís XIV. O Barroco determinou edificações não-religiosas inteiramente projetadas sob a égide da opulência, tais como o palácio de Versalhes, símbolo máximo da monarquia absoluta francesa. Figura 6 - Detalhe dos jardins do palácio de Versalhes, em Paris Fonte: Martin Gardeazabal, Shutterstock, 2020. 42 2.6 Arquitetura neoclássica e arquitetura eclética Conforme dito anteriormente, o neoclassicismo é um estilo de raiz classicizante, posicionado cronologicamente logo após o movimento barroco, ou seja, entre o final do século XVII e início do século XIX. A busca por um estilo menos profuso e a ânsia por espaços mais regrados estimularam artistas e arquitetos a redescobrirem preceitos clássicos de construção e composição e a explorarem diretrizes projetuais calcadas em regras mais ordenadas. O aprofundamento das ciências arqueológicas e, por conseguinte, escavações que tomaram lugar nas regiões do antigo Império Romano e na Grécia proporcionaram estudos mais acurados da antiguidade clássica. Assim, os projetos passaram a ser modelados por classificações tipológicas e desenhos concisos, baseados em normas geométricas e matemáticas, tais como a trigonometria e a simetria. No âmago do período neoclássico, outras vertentes estilísticas germinaram, originando uma linguagem menos rígida, baseada em repetições estilísticas, que buscaram informações plásticas e planos em outros momentos históricos e em outras fontes estilísticas, tais como a arquitetura gótica, a renascentista, a oriental, a egípcia etc. Este estilo perdurou até a virada do século XIX e foi denominado Ecletismo. O estilo eclético se estabeleceu como prescrição à prática de colher nos estilos passados elementos compositivos, independentemente de critérios puristas. Assim sendo, cópias de colunas gregas eram aceitas em conjunto com cúpulas de linguagem barroca, vitrais neogóticos e esculturas de gosto egípcios. A arquitetura eclética se estabeleceu a partir da necessidade burguesa em aliar novas tecnologias de instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias a edifícios que remetiam às arquiteturas de cunho elitizantes. Desse modo, a arquitetura de grandes lojas, bancos, hotéis, teatros e mansões deram primazia ao conforto, camuflando técnicas construtivas em expansão, tais como as estruturas metálicas, com verdadeiros compêndios elementos estilísticos. Todos profusamente consumidos por meio de catálogos e produções em série. O ecletismo produziu uma “arquitetura sem grandes tensões espirituais, não autônoma, mas participante e comprometida até ao próprio sacrifício” (FABRIS, 1987, p. 14), assumindo-se como reprodutora de modelos e modas. 43 2.7 Arquitetura moderna A virada do século XIX, conforme dissemos, não apresentou substanciais comprometimentos com a autonomia criativa, mas serviu como período de reflexão para artistas e arquitetos sobre a produção intelectual de uma época em que incontáveis avanços políticos, econômicos, sociais e tecnológicos tomaram corpo. As idiossincrasias das primeiras décadas do século XX permitiram o florescimento de profundos questionamentos em relação à arquitetura e conduziram arquitetos como Walter Gropius, Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright, Le Corbusier, Lúcio Costa, Affonso Eduardo Reidy, Oscar Niemeyer e tantos outros a buscar, por meio de seus estudos e edifícios, uma linguagem plástica que aliasse inovações tecnológicas à liberdade formal, e as edificações pudessem se livrar de todo e qualquer parâmetro referencial histórico, consolidando o que se posteriormente chamou de estilo internacional. Figura 7 - Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro Fonte: Anthony Correia, Shutterstock, 2020. A filosofia arquitetônica moderna livrou a volumetria da edificação de sua estrutura, o edifício do desenho do terreno e permitiu infindáveispossibilidades plásticas baseadas em cinco princípios formais: 44 • a elevação do edifício sobre pilotis; • o descolamento da fachada em relação ao esqueleto estrutural; • a planta livre, também independente da estrutura; • a janela em fita, sem vinculação ao desenho da fachada; • e o terraço-jardim, em substituição às coberturas de telhado. Figura 8 - Panorama do Museu de Arte Contemporânea de Niterói/RJ Fonte: diegograndi, Shutterstock, 2020. 2.8 Arquitetura pós-moderna e arquitetura contemporânea A partir da metade do século XX, os parâmetros arquitetônicos e urbanísticos incensados pelos modernistas passaram a ser contestados pela intelectualidade crítica. Com base em pré-existências históricas e compositivas, a arquitetura pós-moderna trouxe de volta os parâmetros históricos de referência em relação aos edifícios e, especialmente, à vida urbana. Assim sendo, elementos notáveis das soluções clássicas e referenciais estilísticos conservadores forneceram exemplares arquitetônicos de lembrança tradicionalista, frequentemente irônicos e às vezes exagerados no pastiche. A partir da década de 1970 e até a atualidade, movimentos importantes apresentaram-se como protagonistas na produção arquitetônica contemporânea, dentre eles, o desconstrutivismo, como destaca Júlia Brant (op. cit.): Essa tendência relaciona-se a duas principais linhas de inspiração: a desconstrução, corrente de análise literária e filosófica dos anos 1960 que repensa e desmonta os modos tradicionais de pensamento; e o construtivismo, movimento artístico e arquitetônico russo do início do século XX. Grandes arquitetos representam a arquitetura contemporânea a nível global, como Zaha Hadid, Norman Foster, Frank Ghery e Daniel Libeskind. 45 3 A PROFISSÃO DO ARQUITETO E URBANISTA A profissão do arquiteto nasceu no Paleolítico Superior há pelo menos 42.000 anos, no momento em que algum cro-magnon mostrou vontade em arrumar de modo ordenado uma ou algumas pedras, com intenção funcional, que se mantivesse estável e que despertasse nele e/ou em seus iguais experiências sensíveis ao corpo e à mente, ou seja, sensações estéticas. Desde então o fazer arquitetônico passou a constituir parte importante e inseparável da presença humana da Terra. Como vimos, a partir das primeiras manifestações intelectuais, a arquitetura se consolidou como um dos principais veículos de expressão coletiva, apresentando-se, ao longo da história, de modos diferenciados e de acordo com o momento histórico, o local, a dinâmica econômica e a cultura das sociedades. Até o Renascimento, todo o conhecimento sobre a produção arquitetônica ocorria por meio de grupos de artesãos, especialistas em atividades específicas – fabricação de peças metálicas, confecção de alvenarias, habilidade em carpintaria, escultura, pintura etc., que se reuniam para desenhar e erguer edifícios. Eram construções cuja cientificidade ocorria de modo estritamente empírico, em função de práticas de tentativa e erro. A partir do momento em que essas e outras experiências passaram a ser analisadas, registradas em livros, e estes registros retomados em novas edificações, a ciência arquitetônica tomou corpo – em 1671, a primeira academia de arquitetura foi fundada em Paris. O contexto histórico desta época passou a indicar também nomes de autores individuais das propostas de espaços edificados, tais como os arquitetos das obras renascentistas e barrocas. As exigências arquitetônicas e, especialmente, os avanços construtivos desta época, exigiram que a ciência da construção se ampliasse amplamente, já que a academia de arquitetura francesa se fechou enormemente em seus estudos estruturados nas belas artes. A ênfase na estética da academia e a necessidade por ensinamentos técnicos mais aprofundados fizeram com que em 1747, também em Paris, fosse fundada a escola de pontes e estradas. Este momento de efervescência intelectual, arraigado no Iluminismo, marca definitivamente a separação entre as ciências arquitetônicas e as engenharias. FIQUE DE OLHO A história da arquitetura é abrangente e há inúmeros estilos além dos mencionados, especificamente aqueles que guardam características culturais locais. Os estilos aqui destacados retratam movimentos de cunho universal que se espalharam de modo mais consistente para além de seus locais de origem. 46 No período da Revolução Francesa, a academia de arquitetura foi fechada, e, em 1794, fundam-se várias escolas técnicas na França: • a escola politécnica, com ênfase em matemática e física; • a escola de pontes e caminhos; • a escola de engenheiros; • a escola de artilharia e do gênio militar; • a escola de minas; • e a escola do gênio marítimo. Somente nos primeiros anos do século XIX que é fundada uma escola que retoma o ensino arquitetônico. Desta vez, contudo, sob o título de Escola de Belas Artes, com ênfase em arquitetura, pintura e escultura. Este panorama nos ajuda a entender o porquê de a arquitetura ser uma ciência social aplicada, diferentemente da engenharia. A primeira se reveste de caráter antropológico, filosófico e sociológico, ou seja, compromete-se com os anseios humanos e assim o faz explorando a expressividade plástica, e a segunda tem compromisso primordial com a técnica e a objetividade. De qualquer forma os dois universos científicos, embora burocraticamente separados, são intrinsicamente dependentes um do outro. Não existe arquitetura sem engenharia e não existe engenharia sem arquitetura, pois a história, a lógica científica e o mercado de trabalho assim comprovam. 4 MERCADO DE TRABALHO E ATUAÇÕES DO ARQUITETO E URBANISTA Para ilustrar com clareza o trabalho do arquiteto e urbanista no Brasil, é importante recorrer à legislação nacional. Em 2010, os profissionais se retiraram do antigo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA, hoje Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e foi criado outro conselho profissional, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Desse modo, a profissão do arquiteto e urbanista passou a ser regulamentada pela lei n° 12.378, de 31 de dezembro de 2010, que além, de criar o conselho enumerou, no Parágrafo Único do Artigo 2º os seguintes campos de atuação (Lei 12.378, 31/12/2010): I - da Arquitetura e Urbanismo, concepção e execução de projetos; II - da Arquitetura de Interiores, concepção e execução de projetos de ambientes; 47 III - da Arquitetura Paisagística, concepção e execução de projetos para espaços externos, livres e abertos, privados ou públicos, como parques e praças, considerados isoladamente ou em sistemas, dentro de várias escalas, inclusive a territorial; IV - do Patrimônio Histórico Cultural e Artístico, arquitetônico, urbanístico, paisagístico, monumentos, restauro, práticas de projeto e soluções tecnológicas para reutilização, reabilitação, reconstrução, preservação, conservação, restauro e valorização de edificações, conjuntos e cidades; V - do Planejamento Urbano e Regional, planejamento físico-territorial, planos de intervenção no espaço urbano, metropolitano e regional fundamentados nos sistemas de infraestrutura, saneamento básico e ambiental, sistema viário, sinalização, tráfego e trânsito urbano e rural, acessibilidade, gestão territorial e ambiental, parcelamento do solo, loteamento, desmembramento, remembramento, arruamento, planejamento urbano, plano diretor, traçado de cidades, desenho urbano, sistema viário, tráfego e trânsito urbano e rural, inventário urbano e regional, assentamentos humanos e requalificação em áreas urbanas e rurais; VI - da Topografia, elaboração e interpretação de levantamentos topográficos cadastrais para a realização de projetos de arquitetura, de urbanismo e de paisagismo, fotointerpretação, leitura, interpretação e análise de dados e informações topográficas e sensoriamento remoto; VII - da Tecnologia e resistência dos materiais, dos elementos e produtos de construção, patologias e recuperações; VIII - dos sistemas construtivos e