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PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA
REVISÃO 
Profa. Jennifer Giusti
Contribuições de Edmund Husserl para uma Psicologia Fenomenológica 
Edmund Husserl (1859-1938), filósofo e matemático alemão. Considerado o fundador do pensamento fenomenológico, que teve uma profunda influência no desenvolvimento da Psicologia e da Psicoterapia.
 
FENOMENOLOGIA:
Na filosofia o termo recebe vários significados, mas é o significado atribuído por Husserl que vige atualmente e que é incorporado pela psicologia, ou seja, é o estudo dos fenômenos, aquilo que aparece à consciência
Pensamento filosófico e método de investigação dos fenômenos que nasce de uma crítica: a “atitude natural” (científica ou do senso comum) é uma atitude ingênua: considerar as coisas existentes em si mesmas independentes da consciência.
Nasce de uma crise e uma crítica: não é possível estudar o ser humano a partir do modelo das ciências naturais, por isso propõe um modelo de descrição e compreensão de sentido próprio para as abordagem dos fenômenos humanos ao contrário do movimento de “explicação causal”.
FENOMENOLOGIA:
A fenomenologia é uma abordagem filosófica que busca descrever a experiência humana tal como ela se apresenta, sem explicações causais ou teorias prévias. 
Ela propõe a suspensão dos julgamentos (epoché) para acessar a essência dos fenômenos. Na psicologia, essa perspectiva permite compreender a vivência subjetiva das pessoas, focando no modo como elas experienciam e atribuem sentido ao mundo.
A fenomenologia nasce em um contexto de crise na filosofia e na ciência. No final do século XIX e início do XX, havia um predomínio do positivismo e das ciências naturais, que buscavam explicar tudo com base em leis gerais e métodos experimentais. No entanto, essa abordagem reduzia a experiência humana a dados objetivos, deixando de lado a subjetividade e o sentido das coisas para a consciência.
Husserl percebe essa crise especialmente na psicologia, que tentava se firmar como ciência natural, e na filosofia, que estava fragmentada e sem um fundamento seguro. Ele propõe, então, um retorno à própria experiência vivida como ponto de partida para o conhecimento, inaugurando a fenomenologia como um método para descrever a consciência e os fenômenos tal como eles se mostram.
INTENCIONALIDADE DA CONSCIÊNCIA 
“Toda a consciência é consciência de um objeto e todo objeto é objeto para uma consciência.”
A intencionalidade significa que toda consciência é sempre consciência de algo. Ou seja, não há uma consciência vazia ou isolada; ela está sempre direcionada para um objeto, seja um pensamento, uma emoção, uma lembrança ou uma percepção. Isso muda a ideia tradicional de que os objetos simplesmente existem “lá fora” e a mente apenas os reflete. Em vez disso, a fenomenologia mostra que o mundo só se dá para nós na relação entre o sujeito e aquilo que ele experiencia.
INTENCIONALIDADE DA CONSCIÊNCIA 
Quando falamos em intencionalidade da consciência, estamos dizendo que toda experiência consciente está sempre voltada para algo. Isso significa que, quando pensamos, sentimos ou percebemos, sempre há um “conteúdo” para essa experiência.
Por exemplo, quando você lembra de algo, essa lembrança não acontece de forma isolada ou vaga – você se lembra de alguma coisa específica. Quando sente medo, esse medo não existe sozinho, ele é medo de algo. Quando percebe uma xícara, sua consciência está direcionada para essa xícara. Esse “de algo” ou “para algo” é o que chamamos de intencionalidade.
Então, na fenomenologia, não importa se estamos falando de um objeto físico (como uma cadeira) ou de algo mais subjetivo (como uma lembrança ou uma emoção). O que importa é que qualquer experiência consciente tem essa estrutura intencional – ela sempre está voltada para alguma coisa.
Epoché e Redução Fenomenológica
Epoché (suspensão fenomenológica): É o primeiro passo. Husserl propõe que suspendamos nossos julgamentos e crenças sobre o mundo, colocando entre parênteses tudo o que tomamos como certo. Isso significa deixar de lado pressupostos científicos, teóricos ou mesmo nossas crenças cotidianas sobre o que é real ou verdadeiro. Mas atenção: isso não significa duvidar ou negar a realidade (como no ceticismo), e sim apenas não tomá-la como ponto de partida.
Redução Fenomenológica: Após a epoché, vem a redução fenomenológica, que nos leva a um nível mais essencial da experiência. Quando suspendemos nossos julgamentos, conseguimos analisar os fenômenos como eles aparecem à consciência, focando na sua essência. Esse é o processo de “reduzir” as experiências ao modo como elas se manifestam para nós, deixando de lado explicações causais ou científicas.
Exemplo: 
Imagine que um paciente chega ao consultório dizendo: “Estou muito ansioso porque acho que vou fracassar no trabalho.”
Epoché (suspensão fenomenológica):
Como psicólogo(a) fenomenológico(a), você suspende qualquer julgamento prévio sobre o que é ansiedade, sobre o conceito de fracasso ou até mesmo sobre a história pessoal do paciente. Você não aplica imediatamente um diagnóstico clínico nem interpreta sua fala com base em teorias psicológicas pré-estabelecidas. Em vez disso, você coloca entre parênteses esses saberes e se abre para a experiência do paciente como ela se manifesta.
Redução Fenomenológica:
Agora, você direciona sua atenção para como essa ansiedade aparece para o paciente. Como ele descreve essa vivência? Como ele sente isso no corpo? Qual é a tonalidade emocional dessa experiência? Como o mundo dele se apresenta a partir desse estado ansioso? Ao invés de buscar causas externas ou categorizá-lo dentro de um transtorno, você acessa a essência da experiência dele, tal como ele a vive.
Esse processo permite que você compreenda a ansiedade do paciente a partir do próprio modo como ele a experiencia, e não apenas como um conceito teórico ou um sintoma clínico. Isso muda completamente a abordagem terapêutica, pois a escuta fenomenológica busca acolher a experiência em sua singularidade, em vez de reduzi-la a explicações generalizadas.
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