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Código Civil/2002 - Art. 138 ao 165 Livro III - Dos Fatos Jurídicos Título I – Do Negócio Jurídico Capítulo IV – Dos Defeitos do Negócio Jurídico Dos Defeitos do Negócio Jurídico • Em todos os casos, respeitados os requisitos pré-estabelecidos, os defeitos no negócio jurídico estão sujeitos à anulabilidade (possibilidade de anulação). • Prazo de cadência: 4 anos (art. 178) • Teorias da vontade: o Teoria da vontade real: quando há conflito entre a manifestação de vontade e entre a vontade real, prevalece a vontade real (privilégio: de quem omite a declaração) o Teoria da declaração: para que haja maior segurança, deve-se ater à declaração de vontade (privilégio: destinatário da declaração) o Teoria da responsabilidade: “intermédio” entre as duas anteriores. Prevalece a vontade real, mas com base nos princípios civis, deve-se anular o NJ e responder ao destinatário por perdas e danos. o Teoria da confiança: basta analisar a discrepância entre a manifestação de vontade e a vontade real. No entanto, deve-se observar a competência do destinatário – condição de perceber que o outro está errando. Erro ou Ignorância: • Apesar de parecidos, são diferentes e implicam nas mesmas consequências: o Erro: falsa percepção da realidade – âmbito psicológico. o Ignorância: total desconhecimento da realidade. • Erro ≠ Vício Redibitório – âmbito físico, defeitos ou incoerências. • Código de 1916 – teoria da vontade real • Código de 2002 – teoria da confiança Ex: Pedro poderia perceber que Adriano estava errando na compra da bolsa? o Se sim: NJ anulável – outra pessoa pode perceber o erro? Deve ser possível provar tal fato para que o NJ seja anulável – troca de e-mails, whatsapp, testemunhas. o Se não: permanece o NJ • Se o erro é inexcusável, não faz sentido a anulação. • Requisitos para anulação: o Erro tem que ser reconhecido e perceptível; (art. 138) o Erro tem que ser substancial; (art. 139) Dolo: • Artifício/expediente malicioso que tem a finalidade de induzir alguém a prática de ato que prejudica uma pessoa e aproveita do autor/de terceiros. • “Trama”, “enredo”, “maquinação” que leva alguém à determinado negócio. • Linha tênue entre erro e dolo – na essência ambos tratam do mesmo problema, de uma falsa percepção da realidade. o Erro: é espontâneo; Código Civil/2002 - Art. 138 ao 165 Livro III - Dos Fatos Jurídicos Título I – Do Negócio Jurídico Capítulo IV – Dos Defeitos do Negócio Jurídico o Dolo: é um erro provocado por indução, é mais grave por ter sido provocado por alguém. • Caracterização do dolo: o Elemento objetivo: a própria maquinação, elemento externo. o Elemento subjetivo: ligado ao sujeito, ânimo de enganar. o Ambos são “duas faces da mesma moeda”. • Espécies de dolo: o Dolo Bonus – “menos nocivo” ▪ Comum ao comércio; ▪ Já esperado pelo comprador; ▪ Não acarreta anulabilidade; ▪ Exemplo: vendedor enaltece de maneira exagerada as características do produto. o Dolo Malus – “mais nocivo” ▪ Ultrapassa a razoabilidade; ▪ Acarreta a anulabilidade do NJ. o Dolo Principal (art. 145). ▪ Vicia a declaração; ▪ Causa determinante para a realização do NJ; ▪ Anulabilidade + perdas e danos o Dolo Acidental (art. 146). ▪ Quando, apesar do dolo, o NJ seria celebrado de qualquer maneira, só que em condições diferentes; ▪ Não vicia a declaração de vontade; ▪ Não anulável; ▪ Perdas e danos. o Dolo Comissivo ▪ Atos/ações com o intuito de ludibriar; o Dolo Omissivo (art. 147) ▪ Omissão com o intuito de ludibriar; ▪ Pode ser principal ou acidental; ▪ Falta de pronunciamento; ▪ O silêncio intencional constitui omissão dolosa, já que sem ele o NJ não seria celebrado. • Requisitos para que o dolo seja anulável: dolo que tenha produzido erro na vítima. • Consequências: o Anulabilidade [a mesma do erro] – precisa da provocação da parte lesada (para dolo principal). o Se desse dolo advieram quaisquer prejuízos – recomposição de patrimônio à partir de perdas e danos (para dolo principal e acidental). • Prazo decadencial: 4 anos • Anulabilidade: tentativa de voltar ao estado inicial, prévio ao NJ – pode se dar por crédito também; • Dolo de terceiros (art. 148): o Exemplo: A vende uma casa para B, enganando-o; B vende a casa sem saber do dolo. Código Civil/2002 - Art. 138 ao 165 Livro III - Dos Fatos Jurídicos Título I – Do Negócio Jurídico Capítulo IV – Dos Defeitos do Negócio Jurídico o O dolo de terceiros não é anulável quando quem se beneficia não está ciente do ocorrido, mas está sujeito a perdas e danos (pagos pelo responsável pelo dolo). o Quando aquele que se beneficia está ciente, torna-se cúmplice e o negócio passa a ser anulável. • Dolo do representante (art. 149) – pai e filho menor, procurador, advogado e cliente etc. o Cabe a anulação porque o representado não é um “terceiro” – o representado é quem realiza o NJ apenas for força do representante. o Representado pode agir por perdas e danos? Sim. ▪ Representante legal: menor responde até o benefício que ele teve. ▪ Representante convencional: integralidade por parte de quem a vítima quiser. • Se duas pessoas agirem com dolo, o Código não protege nenhum dos dois (art. 150). Coação: • Ameaça ou pressão feita sob uma pessoa, com a finalidade de forçá-la à prática de um negócio jurídico. • Viola requisitos do NJ – têm de ser de livre vontade. • Pode ser: o Absoluta/física (vis absoluta): emprego de força física, sem nenhuma manifestação de vontade. o Relativa/moral (vis compulsiva): mais frequente, deixa-se uma espécie de “opção” – ou você se submete ou está sujeito à x ameaça psicológica. • Classificação (com analogia ao dolo): o Coação principal: causa determinante da resolução do negócio jurídico – sujeito à anulabilidade. o Coação acidental: influencia apenas nas condições sob as quais o NJ vai ser celebrado, sem a coação outros termos seriam empregados – sujeito à ressarcimento do prejuízo. • Requisitos (art. 151): 1. Conectado à origem da questão – a ameaça tem que “partir de fora”. Temor interno (medo) não caracteriza coação. 2. Exercício regular do direito não constitui coação (art.153) – “injustiça do mal ameaçado”. Exemplo: “me paga ou eu entro com uma ação contra você” – não caracteriza coação. 3. Ameaça de dano – a ameaça tem de ser suficiente para interferir na vontade da vítima 4. Gravidade da ameaça – a consequência têm de ser grave 5. Iminência do mal ameaçado – o dano tem de ser imediato. 6. Ligado ao objeto do mal ameaçado – ameaça têm de ser contra a própria pessoa, pessoa de sua família ou de bens pessoais. *” p.u.”: pessoa que não é da família – sujeito à análise do juiz. Código Civil/2002 - Art. 138 ao 165 Livro III - Dos Fatos Jurídicos Título I – Do Negócio Jurídico Capítulo IV – Dos Defeitos do Negócio Jurídico • Aspectos subjetivos (art. 152) – levar em consideração os fatores que dizem respeito ao sujeito o Sexo, idade, condição, saúde, temperamento etc. são fatores que podem afetar. • Consequências – anulabilidade + responsabilidade civil (indenização). • Coação de terceiros (art. 154): o Ameaça vem não de quem praticou o NJ; o Responsabilidade solidária; o Se a pessoa não sabia: preservado o NJ em nome da boa-fé; - quem coagiu está sujeito à reparação de perdas e danos. Prazo decadencial: 4 anos, com termo inicial começando na data que cessa a coação • Lesão e Estado de Perigo: não existiam no CC/16 e eram ambos tratados como coação; Estado de Perigo: • Alguém, pressionado para salvar-se ou salvar alguém de sua família, pode realizar NJ oneroso para a outra parte com a justificativa do salvamento (art. 156); • Má-fé: parte que recebe tira vantagem do outro, que está em situação de vulnerabilidade. • Situação de Perigo + Desequilíbrio Econômico no NJ (fatores que diferem o estado deperigo da coação). • Requisitos: 1. Declaração de vontade com o mero intuito de se salvar; 2. Assumpção de uma delegação onerosa; 3. Risco à integridade; 4. Má fé do contratante. • Consequências: anulação ou reparação para “preço justo” (conforme o CC italiano – base brasileira: enriquecimento sem causa). • Não há uma pessoa coagindo; • Não considera aspectos subjetivos, somente objetivos. Lesão: • Perigo de caráter patrimonial que seja grave (art. 157). • Premente necessidade + inexperiência (fatores que diferem o estado de perigo da coação). • Desproporção no NJ – vítima é lesada. • Não precisa provar ciência do beneficiário – presunção absoluta. • Não há propriamente perigo, mas sim necessidade. Exemplos: venda de uma casa que vale 1mi por 100k, em razão de falência ou empréstimo à juros abusivos. • Pode acontecer só por experiência ou só por necessidade (financeira) – os fatores que os caracterizam não têm de ser empregados necessariamente juntos. • Consequências: anulação ou suplementação do preço para manter o NJ. • Código Civil/2002 - Art. 138 ao 165 Livro III - Dos Fatos Jurídicos Título I – Do Negócio Jurídico Capítulo IV – Dos Defeitos do Negócio Jurídico Fraude Contra Credores: • Pressuposto da existência de uma dívida; • Princípio da responsabilidade patrimonial: “Não havendo título legal à preferência, terão os credores igual direito sobre os bens do devedor comum” – devedor deve responder patrimonialmente; • O patrimônio do devedor constitui a garantia geral dos credores. Se ele o desfalca maliciosa e substancialmente, a ponto de não garantir mais o pagamento de todas as dívidas, tornando-se assim insolvente, com o seu passivo superando o ativo, configura-se a fraude. • Conceit: todo ato suscetível de diminuir ou onerar seu patrimônio, reduzindo ou eliminando a garantia que este representa para pagamento de suas dívidas. • Mais vício social (pessoa que frauda tem a intenção de prejudicar terceiros) do que vício de comportamento. • Sujeita à anulabilidade. “Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. § 1 o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. § 2 o Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles.” • Exemplo: colocar um terreno (única garantia de pagamento) no nome de outra pessoa para se esquivar de responder à dívida com esse bem em questão – ato passivo de anulação • Todos os bens do devedor respondem pela dívida, exceto os impenhoráveis (bens de família). • Credor quirografário: não tem nenhuma garantia. • Não protege créditos futuros; • Existência do crédito quirografário • Elementos constitutivos: o Eventus damini: a própria insolvência, que constitui o ato de prejudicar – elemento objetivo. o Consilium fraudis: má-fé do devedor, consciência de prejudicar terceiros, ato de “arquitetar” com outra pessoa a fraude – elemento subjetivo. “Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.” • Mais um requisito para os negócios onerosos realizados de maneira à realizar crédito contra credores: o “Scientia fraudis”: insolvência notória – ciência ou não da situação em que o devedor se encontra. Código Civil/2002 - Art. 138 ao 165 Livro III - Dos Fatos Jurídicos Título I – Do Negócio Jurídico Capítulo IV – Dos Defeitos do Negócio Jurídico o Visa anulação do NJ – comprador pode ser lesado (necessidade de estar ciente da condição do insolvente). o Tratando de parentes, amigos próximos, presume-se a ciência em relação à insolvência. • Fraude de credores pode ocorrer em: o Transmissões onerosas (art. 158) o Atos de transmissão gratuita ou remissão de dívida (art. 159) o Pagamento antecipado de dívida (art. 162) o Concessão fraudulenta de garantias (art. 163) • Validade dos negócios ordinários celebrados de boa-fé pelo devedor: o instituto da fraude contra credores visa que o devedor não tenha suas atividades normais paralisadas – refere-se apenas aos negócios ordinários. “Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família”.