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1. FATO JURÍDICO
Conceito geral:
É todo fato que produz efeitos no mundo jurídico, ou seja, que cria, modifica, conserva ou extingue direitos.
📂 Classificação:
➤ 1.1. Fato jurídico em sentido estrito (natural)
Não depende da vontade humana. Divide-se em:
· Ordinário: previsível. Ex: nascimento (gera personalidade jurídica), morte (extingue).
· Extraordinário: imprevisível. Ex: enchente que destrói um imóvel (extingue o contrato por impossibilidade).
➤ 1.2. Fato jurídico humano (ato jurídico)
Decorre da ação humana.
✅ Ato jurídico em sentido estrito
· Feito com vontade, mas sem intenção específica de produzir efeitos jurídicos.
Ex: aceitar uma herança, registrar um filho.
✅ Negócio jurídico
· Feito com intenção deliberada de gerar efeitos jurídicos.
Ex: contrato, testamento, casamento.
✅ Ato-fato jurídico
· Ato voluntário que gera efeitos jurídicos independentemente da vontade.
Ex: confissão de dívida feita por escrito sem intenção jurídica, mas com efeitos legais.
✅ Ato ilícito
· Ação contrária à lei, mas que gera efeitos (normalmente obrigação de indenizar).
Ex: causar um acidente.
⚖️ 2. NEGÓCIO JURÍDICO
É o ato jurídico praticado com intenção consciente de produzir efeitos jurídicos.
📜 Art. 104 do CC → Requisitos essenciais.
🧱 3. PLANOS DO NEGÓCIO JURÍDICO
🧩 3.1. Plano da Existência
Elementos mínimos para o negócio “nascer”:
· Agente (quem manifesta a vontade)
· Objeto (o que se negocia)
· Forma (meio de exteriorização)
· Manifestação de vontade
⚠️ Sem esses, o negócio sequer existe juridicamente.
🔍 Invalidades:
· Nulo (ex: objeto ilícito) → não produz efeitos (Art. 166).
· Anulável (ex: incapaz sem assistente) → negócio existe, mas pode ser anulado (Art. 171).
⚙️ 3.3. Plano da Eficácia
Mesmo sendo válido, o negócio pode depender de fatos para produzir efeitos:
 🔍 4. ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO
➤ Essenciais
 (sem eles o negócio não existe):
· Agente, objeto, forma, manifestação de vontade.
➤ Naturais
 (presentes mesmo que não expressos):
· Ex: Encargos em doação ou cláusulas usuais em contratos.
➤ Acidentais
 (incluídos pelas partes):
· Condição, termo, encargo (Arts. 121 a 137 do CC).
⚠️ 5. EVICÇÃO
Arts. 447 a 450 do Código Civil
📘 Conceito:
Evicção é a perda total ou parcial da posse ou propriedade de um bem, por decisão judicial, quando se comprova que o bem pertencia a terceiro.
🧾 Requisitos:
1. Perda judicial do bem.
2. Existência de direito anterior do terceiro.
3. Boa-fé do comprador (não sabia do risco).
🛡 Direitos do comprador (evicto):
· Restituição do valor pago.
· Indenização por perdas e danos (gastos, lucros cessantes, despesas judiciais).
· 
🔐 Se houver cláusula de exclusão da evicção, ela só vale se o comprador tiver ciência expressa do risco (Art. 450).
✅ Exemplo prático:
Você compra um carro, mas a Justiça reconhece que ele era roubado e pertence a outra pessoa. Você perde o carro por decisão judicial. → Evicção configurada.
⚠️ 6. VÍCIOS REDIBITÓRIOS
Arts. 441 a 446 do Código Civil
📘 Conceito:
São defeitos ocultos no bem comprado, existentes antes da venda, que:
· Tornam o bem impróprio ao uso, ou
· Diminuem seu valor de forma relevante.
👀 Exemplo:
Você compra um carro usado e, dias depois, descobre que o motor está fundido. O problema já existia, mas não era visível no momento da compra.
📌 Direitos do comprador:
1. Redibição: Devolver o bem + receber o dinheiro de volta.
2. Abatimento proporcional do preço.
⏱️ Prazos (Art. 445 CC):
· Bens móveis: 30 dias após o vício ser detectado.
· Bens imóveis: 1 ano após a descoberta.
· Se o comprador já sabia/suspeitava: 15 dias (móveis) ou 6 meses (imóveis).
⚠️ É diferente da evicção!
· Evicção: o problema é jurídico (terceiro é o verdadeiro dono).
· Vício redibitório: o problema é material (defeito físico oculto).
✅ 3.2. Plano da Validade
Art. 104, 166, 171 do CC
Negócio válido é aquele que existe + preenche os requisitos legais:
✅ 1. Fatos Jurídicos
a) Fatos Naturais (independentes da vontade humana)
· Ordinários: previsíveis e comuns (ex: nascimento, morte).
· Extraordinários: imprevisíveis (ex: enchentes, terremotos).
b) Fatos Humanos (dependem da vontade)
· Lícitos
· Ato-fato jurídico: não exige intenção (ex: menor compra algo).
· Ato jurídico em sentido estrito: com vontade, mas sem finalidade específica.
· Negócio jurídico: com intenção e finalidade (ex: contrato).
· Ilícitos: violam normas → geram responsabilidade civil.
✅ 2. Negócio Jurídico
➤ Requisitos:
Art. 104 CC
· Agente capaz
· Objeto lícito, possível, determinado
· Forma prescrita ou não proibida
➤ Elementos acidentais:
· Condição: evento futuro e incerto
· Termo: evento futuro e certo
· Encargo (modo): obrigação acessória
✅ 3. Vícios do Negócio Jurídico (Defeitos do Consentimento)
🔸 Erro (arts. 138 a 144)
· Falsa noção da realidade.
· Essencial e escusável → anula o negócio.
· Tipos: erro de pessoa, objeto, direito, etc.
🔸 Dolo (arts. 145 a 150)
· Engano provocado com má-fé.
1. Dolo Principal (Art. 145)
· Definição: O dolo principal é o dolo determinante para a celebração do negócio jurídico. Ou seja, ele é a causa principal do negócio, e sem ele, a parte não teria realizado o negócio.
· Exemplo: Se alguém vende um imóvel, mentindo sobre a sua condição (ex: dizendo que está em perfeitas condições, quando o imóvel está danificado), e a pessoa só compra porque acredita nessa mentira, o dolo principal foi determinante para a compra.
· Efeito: Quando comprovado o dolo principal, o negócio jurídico pode ser anulado, pois a parte foi induzida ao erro de forma deliberada. A parte que sofreu o dolo pode pedir a anulação do contrato e também exigir perdas e danos.
2. Dolo Acidental (Art. 146)
· Definição: O dolo acidental ocorre quando uma pessoa age de má-fé, mas não é a razão determinante do negócio. Ou seja, a pessoa teria celebrado o contrato de qualquer forma, mas, por um engano ou mentira, essa pessoa acabou agindo de forma falsa.
· Exemplo: Alguém compra um imóvel e o vendedor, sem intenção de prejudicar, exagera sobre a vista do imóvel, dizendo que ela é maravilhosa, quando na verdade é apenas normal. Mesmo com o dolo acidental, o comprador ainda teria comprado o imóvel por outros motivos, mas o valor da venda pode ser ajustado para compensar o engano.
· Efeito: O dolo acidental não anula o negócio jurídico, mas gera a obrigação de indenizar a parte que sofreu a falsa informação. A parte prejudicada pode exigir compensação pelas perdas e danos.
3. Dolo Omissivo (Art. 147)
· Definição: O dolo omissivo ocorre quando uma pessoa omite deliberadamente uma informação relevante que a outra parte não sabia, e essa omissão a induz a cometer um erro essencial para a celebração do negócio.
· Exemplo: Se um vendedor vende um carro e omite que o carro tem problemas mecânicos, essa omissão pode ser considerada um dolo omissivo, pois a parte não informou um dado crucial, que poderia ter mudado a decisão de compra.
· Efeito: O dolo omissivo pode anular o negócio, assim como o dolo principal, porque a pessoa foi induzida ao erro por meio da omissão. A parte prejudicada pode pedir a anulação do negócio e também requerer perdas e danos.
4. Dolo de Terceiro (Art. 148)
· Definição: O dolo de terceiro ocorre quando uma terceira pessoa, que não faz parte do contrato, induz uma das partes a cometer um erro, com o intuito de obter vantagem. A parte que sofreu o dolo pode, em algumas situações, pedir a anulação do negócio, se o beneficiado do dolo souber da fraude.
· Exemplo: Um corretor de imóveis enganou um comprador sobre as condições do imóvel (dizendo que estava sem problemas legais), e o vendedor, embora soubesse, não corrigiu a mentira. Nesse caso, o dolo de terceiro foi praticado pelo corretor, mas o vendedor também tem responsabilidade.
· Efeito: Quando há dolo de terceiro, o negócio pode ser anulado se a parte que se beneficiou souber ou deveria saber do dolo. Caso contrário, o negócio permanece válido, mas o terceiro que cometeu o dolo responderá por perdas e danos.
· 
5. Dolo Recíproco (Art. 150)
· Definição: O dolo recíproco ocorre quando ambasas partes no contrato agem de má-fé, induzindo-se mutuamente a erro. Quando isso acontece, nenhum dos contratantes pode alegar dolo para anular o negócio ou reclamar indenização.
· Exemplo: Se duas partes, em um contrato de venda, mentem mutuamente sobre o valor real do imóvel ou sobre suas condições, criando uma falsa aparência, isso caracteriza um dolo recíproco.
· Efeito: O dolo recíproco não anula o negócio jurídico, porque nenhum dos envolvidos pode se beneficiar de sua própria má-fé. As partes ficam presas ao negócio, sem o direito de pedir a anulação ou a reparação por dolo.
· 
🔸 Coação (arts. 151 a 155)
4 anos, decadêncial 
· Ameaça grave que tira liberdade de agir.
· Física (absoluta): negócio é nulo.
· Moral (relativa): negócio é anulável.
· Pode ser praticada por terceiro → anula se parte souber.
🔸 Estado de Perigo (art. 156)
· Pessoa assume obrigação excessiva para evitar dano grave.
· A outra parte deve ter ciência do perigo.
· Ex: pagar quantia absurda por tratamento de saúde urgente.
🔸 Lesão (art. 157)
· Pessoa, por necessidade ou inexperiência, assume obrigação desproporcional.
· Elementos:
· Subjetivo: necessidade/inexperiência.
· Objetivo: desproporção entre prestações.
· Pode ser sanada com complemento do valor.
✅ 4. Simulação (arts. 166 a 167)
· Negócio simulado: partes criam aparência falsa.
· Absoluta: negócio inexistente.
· Relativa: disfarça outro negócio.
· É nulo de pleno direito.
· O negócio dissimulado pode valer, se for válido na substância e forma.
✅ 5.  Fraude Contra Credores (arts. 158 a 165)
· Vício social.
· Eventus damni: prejuízo aos credores.
· Consilium fraudis: intenção de fraudar.
· Fraude com conluio: anula (art. 158).
· Fraude presumida (pauliana): basta prova da insolvência (art. 159).
· Ação cabível: ação pauliana (ou revocatória).
✅ 6. Prescrição e Decadência
📌 Prescrição (arts. 189 a 206)
· Perda do direito de ação com o tempo.
· Prazos:
· 10 anos: regra geral (art. 205)
· 5 anos: dívidas líquidas, profissionais liberais
· 3 anos: reparação civil, enriquecimento sem causa
· 1 ano: seguros, hospedagem
· Pode ser:
· Interrompida (ex: citação) → prazo recomeça do zero.
· Suspensa (ex: menoridade) → prazo pausa e retoma.
· 
· Anulável: vício sanável (ex: erro, dolo, coação).
· Inexistente: ausência de elemento essencial (ex: ausência de manifestação de vontade).
Prescrição de 1 ano
 (Art. 206, § 1º, I)
Esse prazo é relativo a direitos personalíssimos, ou seja, direitos ligados à personalidade do indivíduo. O prazo de 1 ano é muito comum em situações de direitos subjetivos que envolvem a honra, imagem, privacidade, etc..
Exemplo:
· Direitos relativos à honra, à imagem ou à vida privada: Se alguém invadir a privacidade de outra pessoa, seja por meio de difamação, calúnia ou violação da imagem, a pessoa ofendida tem 1 ano para entrar com a ação. Ou seja, a partir do momento em que a violação ocorre, o prazo de 1 ano começa a contar para que a pessoa possa exigir judicialmente seus direitos.
Prescrição de 2 anos
 (Art. 206, § 3º)
O prazo de 2 anos se aplica, principalmente, a ações de cobrança de aluguéis, e outras dívidas relacionadas ao contrato de prestação de serviços, como em contratos de trabalho ou de trabalho autônomo.
Exemplo:
· Ação para cobrar aluguéis ou dívidas: Se um locatário não pagar o aluguel, o locador tem o prazo de 2 anos para exigir judicialmente a cobrança dessa dívida.
Prescrição de 3 anos
 (Art. 206, § 3º)
O prazo de 3 anos é utilizado para algumas situações como ações para anular contratos ou revogar doações.
Exemplo:
· Ação de anulação de contrato por erro ou dolo: Se alguém assina um contrato devido a um erro substancial ou sendo induzido por dolo (enganado de alguma forma), a pessoa prejudicada tem 3 anos para pedir a anulação do contrato.
· 
Prescrição de 4 anos
 (Art. 206, § 4º)
Este prazo de 4 anos é aplicável a ações contra o enriquecimento sem causa, ou seja, quando uma pessoa se beneficia de forma indevida de outra.
Exemplo:
· Ação de enriquecimento sem causa: Se alguém recebe dinheiro indevidamente, ou sem razão legal para tal (por exemplo, um pagamento em duplicidade), o prejudicado tem o prazo de 4 anos para pedir a devolução desse valor.
Prescrição de 5 anos
 (Art. 206, § 5º)
O prazo de 5 anos se aplica em situações como a cobrança de dívidas em geral, como empréstimos ou contratos de crédito, quando não houver prazo específico determinado.
Exemplo:
· Cobrança de dívida: Se alguém emprestar dinheiro e não pagar, o credor pode cobrar essa dívida até 5 anos após o vencimento do prazo acordado.
📌 Decadência (arts. 178 e 179)
· Perda do direito em si, não da ação.
· Em geral, prazo de 4 anos para anular negócios viciados.
· Corre mesmo contra incapaz (salvo previsão legal).
✅ 7. Classificação dos Negócios Jurídicos
· Válido: preenche todos os requisitos legais.
· Nulo: falta requisito essencial (ex: objeto ilícito).
📌 DICAS RÁPIDAS PARA PROVAS
· Dolo de terceiro (Art. 148): negócio só é anulável se o beneficiado souber.
· Estado de perigo ≠ lesão: ambos envolvem desproporção, mas o primeiro exige risco de dano iminente.
· Erro essencial escusável anula o negócio.
· Simulação sempre gera nulidade.
· Negócio com coação absoluta é nulo; com coação moral, anulável.
· Decadência de 4 anos para defeitos do consentimento (art. 178, II, CC).
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