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Jurisdição. Conceito.
Jurisdição é:
1) É o poder, função ou atividade de aplicar o direito a um fato concreto, pelos
órgãos públicos destinados a tal, obtendo a justa composição da lide (Vicente
Greco Filho).
Poder: manifestação do poder estatal, porque atua cogentemente
(manifestação de força) como manifestação de potestade do estado e o faz
definitivamente em face das partes em conflito;
Função: cumpre a finalidade de fazer valer a ordem jurídica posta em dúvida
em virtude de uma pretensão resistida;
Atividade: consiste numa série de atos e manifestações externas de
declaração de direitos e de concretização de obrigações consagradas num
título.
 
2) É o poder que toca ao Estado, entre as suas atividades soberanas, de formular
e fazer atuar praticamente a regra jurídica concreta que, por força do direito
vigente, disciplina determinada situação jurídica (Enrico Túllio Liebman).
3) É a função do Estado de realizar e declarar, de forma prática, a vontade da lei
diante de uma situação jurídica controvertida. (Humberto Theodoro Jr.)
Vimos que a função jurisdicional só atua em casos concretos de conflito de
interesses (lide ou litígio) e sempre na dependência da invocação dos
interessados, contrariamente, por ex., da função legislativa, que é exercida
em abstrato.
Não são todos os conflitos de interesses que se compõe por meio de
jurisdição, mas apenas aqueles que configuram a lide ou litígio.
Lide ou Litígio é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão
resistida. Sem lide não há interesse de se instaurar uma relação jurídica
processual.
A Jurisdição é função precípua do Estado, através do Poder Judiciário. Foi
Montesquieu que propôs uma divisão correspondente à atividade do Estado.
Não há divisão de poderes, pois este é uno; O que existe é divisão dos órgãos
para exercer as distintas funções do Estado: Poder Executivo; Legislativo e
Judiciário.
Distinção entre as funções: a legislativa é a elaboração da lei; a jurisdicional
é a aplicação da lei, sendo que em alguns casos o juiz pode “criar’o direito,
ao utilizar a analogia e a equidade; da executiva, o Estado administra seus
próprios interesses, sendo que a jurisdição é substitutiva, ou seja, atua em
substituição a atividade das partes para a tutela de direitos subjetivos
lesados.
Processo: O processo é o método, ou seja, "o sistema de compor a lide em
juízo mediante de uma relação jurídica vinculada de direito público".
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(Humberto Theodoro Jr.)
Ação: Já a ação "é o direito público subjetivo abstrato, exercitável pela parte
para exigir do Estado a obrigação da prestação jurisdicional." (Humberto
Theodoro Jr.)
 
Objetivos do Estado ao exercer a jurisdição.
 O Estado tem por objetivo exercer a jurisdição das seguintes formas: pela
decisão, pela execução e pelas medidas preventivas ou cautelares.
a. Tutela Jurisdicional de Conhecimento ou de declaração: é aquele que o juiz
conhece a lide colocada e a soluciona através da aplicação da lei ao caso
concreto, proferindo uma decisão. Instaura um processo, chamado de
processo de conhecimento.
b. Tutela Jurisdicional de Execução: dá força ao comando da sentença caso o
vencido não satisfaça sua obrigação espontaneamente. Instaura o processo
de execução.
 
Características da jurisdição.
 
 A jurisdição apresenta as seguintes características:
a. Substitutiva ou secundária: pois o Estado substitui a atividade das partes
(atividade primária), que estão em conflito na lide, e são proibidas de fazer
“justiça pelas próprias mãos”. No penal, esta característica é absoluta, pois
nunca o direito de punir pode ser exercido independente do processo e o
acusado submeter-se voluntariamente a aplicação da pena, o que já não
ocorre no processo civil, que é possível a autocomposição. Dessa forma, o
juiz aplica a lei, na condição de terceiro estranho (heterocomposição), alheio
aos interesses envolvidos no caso. A substitutividade está ligada à
imparcialidade da jurisdição. Imparcialidade está no sentido de não parte, ou
seja, um terceiro estranho e independente em relação ao caso concreto. O
juiz é imparcial mesmo quando julga uma lide envolvendo o Poder Público
(União, Estados, Distrito Federal, Municípios etc.). Por essa razão, o Poder
Judiciário e os magistrados são cercados de garantias institucionais e
pessoais (CF, arts. 93, 95 e 96). Assim, a imparcialidade é assegurada pelo
princípio da separação dos poderes, com a atribuição da função
jurisdicionalao Poder Judiciário (CF, art. 99), pela consagração de garantias
institucionais aos órgãos judiciários e pessoais aos juízes (CF, art. 95) e pelo
princípio do juiz natural (CF, art. 5º, XXXVII e LIII). (Luiz Rodrigues Wambier;
Eduardo Talamini)
b. Instrumental: torna efetiva e concreta a atuação prática das regras de
direito, abstratas e genéricas, previstas no ordenamento jurídico.
c. Definitiva e imutável (reserva de sentença): impossibilidade da mudança da
sentença proferida durante o processo, não admitindo revisão por outro
poder, diferentemente das decisões administrativas (art. 5o. XXXVI CF/88).
Nesse sentido, a doutrina ensina que: "A jurisdição não é apenas imperativa,
mas também tende a ser imutável. Isso se relaciona com aquilo que a
doutrina denomina 'reserva de sentença', que significa que as decisões
proferidas no exercício do Poder Jurisdicional não poderão ser revistas pelos
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outros Poderes estatais. Mais ainda, muitas vezes as decisões judiciais não
podem ser revistas nem mesmo pelo próprio Judiciário. A esse segundo
aspecto concerne o instituto da coisa julgada." (Luiz Rodrigues Wambier;
Eduardo Talamini)
d. Natureza Declaratória: O Estado, ao exercer a jurisdição, não cria direitos
subjetivos, mas tão somente reconhece os direitos preexistentes.
e. Escopo jurídico: é a atuação (cumprimento, realização) das normas de direito
substancial (direito objetivo) e a pacificação social.
f. Lide: a função da jurisdição é a justa composição da lide, buscando o mesmo
resultado quanto à pretensão deduzida que poderia ter sido satisfeita pelo
obrigado.
g. Imperatividade: As decisões preferidas pelos magistrados são imubída de
autoridade, razão pela qual são impostas às partes, independentemente de
concordância ou não com a decisão. Por esse motivo, é dever das partes, de
seus advogados e de todo aquele que de alguma forma participe do processo
"cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou
final, e não criar embaraços à sua efetivação" (CPC, art. 77, IV). Se houver
violação de tal dever, implica a aplicação de multa pelo magistrado de até
20% do valor da causa, sem prejuízo de outras sanções civis, penais e
processuais (CPC, art. 77, § 2º), inclusive a tipificação no crime de
desobediência (CP, art. 330), dentro de certas condições, pode caracterizar-
se pelo descumprimento de ordens judiciais. (Luiz Rodrigues Wambier;
Eduardo Talamini)
 
Princípios fundamentais da jurisdição.
 Muito embora o tema já tenha sido abordado em outros módulos, alguns
dos princípios do direito processual estão intimamente ligados com a jurisdição.
i. Inércia: a atividade jurisdicional desenvolve-se somente quando provocada.
(Art. 2 do CPC - Garantia de Imparcialidade do juiz - Ne procedat iudex ex-
officio.) Como os direitos subjetivos, em princípio, são disponíveis, podendo
ser ou não exercidos, também o acesso aos órgãos jurisdicionais fica
entregue ao poder dispositivo do interessado. Contudo existem exceções à
regra da inércia: execução trabalhista; decretação de falência no curso da
recuperação judicial; abertura de inventário etc. Assim, o processo começa
por iniciativa da parte, salvo as exceções previstas em lei.
ii. Inevitabilidade: não se pode opor qualquerinstituto para impedir que a
jurisdição alcance os seus objetivos e produza os seus efeitos; independe da
vontade das partes aceitarem os eventuais efeitos do processo.
iii. Indelegabilidade: as atribuições do Judiciário só podem ser exercidas pelos
seus respectivos órgãos. O juiz não pode delegar sua atividade a outro,
externa ou internamente. Destaque-se que: "Quando as partes utilizam a
arbitragem, não há delegação da jurisdição estatal aos árbitros. A fonte do
poder dos árbitros é a própria liberdade das partes. Em regra, as partes são
livres para solucionar seus conflitos sem ter de levá-lo ao juiz, desde que o
faça de modo acorde, sem empregar a violência." (Luiz Rodrigues Wambier;
Eduardo Talamini)
iv. Juiz Natural: só pode atuar como juiz somente quem se enquadre em órgão
judiciário previsto de modo expresso em norma jurídica constitucional. Proíbe
os tribunais de exceção - art.5, XXXVII CF. Tribunal ou juízo de exceção é
aquele criado após a ocorrência do fato e, por essa razão, não haverá a
imparcialidade do julgador. Assim, é proibido a criação de juízo ad hoc para
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julgar determnada pessoa. A decorrência do juiz natural é que "ninguém será
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente" (CF, art. 5º,
LIII). Essa competência já está previamente estabelecida na Constituição
Federal e nas leis. É isso que permite que haja a imparcialidade do julgador.
v. Duplo Grau de Jurisdição: a parte que não obteve a satisfação de sua
pretensão em primeiro grau pode provocar um novo exame de seu processo
por um órgão de segundo grau, diverso daquele que julgou anteriormente.
Juízes mais experientes, órgãos colegiados, menor probabilidade de erro, etc.
vi. Investidura: a jurisdição só pode ser exercida por quem se ache
legitimamente investido do poder jurisdicional.
vii. Aderência ao Território: os Magistrados só possuem poder dentro dos limites
territoriais, só podendo praticar atos processuais dentro de um determinado
limite territorial, e quando necessária a prática de atos fora dos limites
territoriais os atos são praticados por cartas (precatórias e rogatórias).
viii. Inafastabilidade: também chamado de princípio do controle jurisdicional, visa
garantir a todos o acesso ao Poder Jurisdicional, nem mesmo o juiz pode
deixar de decidir alegando lacuna ou obscuridade da lei. (art. 5º. XXXV – art.
3º CPC). A doutrina aponta que: "A inafastabilidade manifesta-se de diversas
formas: primeiramente, quando se determina que, entre os órgãos estatais, a
função jurisdicional é exercida única e exclusivamente pelo Poder Judiciário;
em segundo lugar, quando veda o estabelecimento de obstáculos à submissão
de conflitos ao Judiciário; depois, ainda, quando proíbe o juiz de eximir-se do
exercício da função diante do caso concreto, ainda que existam lacunas ou
obscuridades na lei (art. 140 do CPC/2015 e art. 4º da LINDB); por fim,
quando exige que os ógãos judicias deem aos jurisdicionados uma resposta
justa e eficiente." (Luiz Rodrigues Wambier; Eduardo Talamini)
 
Espécies de jurisdição. Limites da jurisdição.
 Embora a atividade jurisdicional seja una, tendo em vista o princípio da
divisão do trabalho e a diferença de matéria jurídica a ser manipulada pelo juiz,
didaticamente se fala em espécies de jurisdição.
 
Quanto à matéria: (conforme a natureza da pretensão)
a. Penal: versa sobre as lides de natureza penal, que são reguladas pelo direito
penal, sendo o instrumento de composição o processo penal;
b. Especial: versa sobre as lides de natureza especial, ou seja, trabalhista,
militar penal e eleitoral;
c. Civil: por exclusão, que versa sobre lides de natureza não penal, excluídas as
lides especiais, cujo instrumento é o processo civil.
A Jurisdição Penal e Civil formam a chamada Jurisdição Comum, ao lado da
Jurisdição Especial.
 
Quanto ao grau em que é exercida: (Princípio do duplo grau de
jurisdição)
a. Jurisdição Inferior: exercida pelo primeiro órgão a conhecer da causa
submetida ao Estado-juiz. Fala-se em competência originária; (1ª Instância);
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b. Jurisdição Superior: exercida pelo órgão que conhece da causa em grau de
recurso. Fala-se em competência recursal. (2ª Instância); (competência
originária dos Tribunais);
 
Jurisdição Contenciosa e Voluntária ou Graciosa
A doutrina aponta que: "Jurisdição contenciosa é a jurisdição propriamente dita,
isto é, aquela função que o Estado desempenha na pacificação ou composição dos
litígios. Pressupõe controvérsia entre as partes (lide), a ser solucionada pelo juiz.
Na ordem constitucional, a justiça foi expressamente concebida como a prestadora
da função jurisdicional necessária para tutelar os direitos lesados ou ameaçados
de lesão (CF, art. 5º, XXXV). Assim, na base do processo, por meio do qual atua a
jurisdição, nos moldes constitucionais, está sempre o litígio a ser composto pelo
provimento jurisdicional. (Humberto Theodoro Jr.) 
Com relação a Jurisdição, vimos que:
a. seu objetivo é a composição dos conflitos de interesses qualificados por uma
pretensão resistida, ou seja, existe a ideia de contenda, contestação, litígio,
oposição;
b. pressupõe a existência de partes, o sujeito ativo, titular da pretensão
subordinante ou protegida pelo direito e o sujeito passivo ou titular da
pretensão subordinada, denominados autor e réu;
c. possibilidade do contraditório, ou seja, ao réu é dada a oportunidade de
defender-se, contrariar a sujeição pretendida pelo autor;
d. decisões fazem coisa julgada, ou seja, as decisões proferidas em decorrência
do conflito de interesses torna-se imutável ou irrevogável, quando transitada
em julgado, tendo assim colocado fim ao exercício da função jurisdicional;
 
Dessas características podemos definir a jurisdição voluntária ou graciosa:
1) É a atividade aditiva do Poder Judiciário destinada a tutela direitos individuais
em determinados negócios ou atos jurídicos, segundo previsão taxativa em lei;
2) Administração de interesses privados pelos órgãos jurisdicionais;
Segundo a doutrina "ao Poder Judiciário são, também, atribuídas certas funções
em que predomina o caráter administrativo e que são desempenhadas sem o
pressuposto do litígio. Trata-se da chamada jurisdição voluntária, em que o juiz
apenas realiza gestão pública em torno de interesses privados, como se dá nas
nomeações de tutores, nas alienações de bens de incapazes, divórcio e separação
consensuais etc. Aqui não há lide nem partes, mas apenas um negócio jurídico-
processual envolvendo o juiz e os interessados." (Humberto Theodor Jr.)
 
 A Jurisdição Voluntária versa sobre interesses que não estão em conflito.
 O Estado intervém na administração de vários interesses privados,
conquanto isso venha a limitar a atuação de seus titulares. Ex: tutela do
nascimento e do óbito; reconhecimento de filhos; formação de pessoas jurídicas
através de seus atos constitutivos; formação de fundações com supervisão do
Ministério Público, etc..
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 Mas há certa categoria de interesses privados cuja tutela foi deixada a
cargo dos órgãos jurisdicionais, tendo em vista as suas condições peculiares: a)
nomeação de tutores ou curadores; b) autorização para venda de bens de
menores; c) suprimento do consentimento para casamento; d) separação
consensual; e) abertura de testamento... Tais interesses tutelados pelos órgãos
judiciários não estão em conflitos, mas somente para a proteção dos seus
respectivos titulares.
 Na jurisdição voluntária: não existem interesses em conflito, não se fala
em partes,mas em interessados; não há contraditório, pois não há o que
contestar; chamada de Jurisdição Graciosa, pois a jurisdição é uma espécie de
graça, um favor, um benefício do Estado ao Interessado; chamada também de
jurisdição administrativa, pois é administração pública de interesses privados pelos
órgãos jurisdicionais, devendo entretanto ser evitada tal denominação para não
confundir com o contencioso administrativo.
Substitutivos da jurisdição
A jurisdição é atividade estatal provocada e, por essa razão, a parte tem
disponibilidade, podendo encontrar solução da lide por outros caminhos que não o
Poder Judiciário. Dessa forma, o direito brasileiro dispõe de autocomposição da
lide e a solução do litígio por decisão de pessoas estranhas ao aparelhamento
judiciário, no caso, os árbitros. (Humberto Theodoro Jr.)
O § 1º, do art. 3º, do CPC prescreve que "é permitida a arbitragem, na forma da
lei." O § 2º, do mesmo artigo, prevê que "o Estado promover´, sempre que
possível, a solução consensual dos conflitos." E, finalmente, o § 3º, dispõe que "a
conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos
deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do
Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial." (grifo não está no
original)
A autocomposição está ligada à transação e conciliação e a decisão da lide fora da
máquina judiciária ocorre por meio do juízo arbitral.
Humberto Theodoro Jr. destaca que "A transação é o negócio jurídico em que os
sujeitos da lide fazem concessões recíprocas para afastar a controvérsia
estabelecida entre eles. Pode ocorrer antes da instauração do processo ou na sua
pendência. No primeiro caso, impede a abertura da relação processual, e, no
segundo, põe fim ao processo, com solução de mérito, apenas homologada pelo
juiz (NCPC, art. 487, III, b)."
Já a conciliação é uma transação obtida em juízo, com a intervenção do juiz, ou do
conciliaro ou mediador, em que houver, antes do início da instrução processual.
Com a efetivação do acordo, será reduzido a termo e homologado pelo juiz por
meio de sentença, com resolução de mérito (CPC, art. 334, § 11). (Humberto
Theodoro Jr.)
Sobre juízo arbitral (Lei nº 9.307, de 23.09.1996), Humberto Theodoro Jr. pontua
que "importa renúncia à via judiciária estatal, confiando as partes a solução da
lide a pessoas desinteressadas, mas não pertencentes aos quadros do Poder
Judiciário. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os
mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário (art. 31 da
citada Lei). O Novo Código é expresso ao afirmar, no art. 3º, § 1º, ser permitida a
arbitragem na forma da lei. Ainda tratou da alegação de convenção de arbitragem
em capítulo próprio (capítulo VI, do Livro I, da Parte Especial), no art. 337, X e
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seu § 6º. (...) Corrente antiga, apegada às estruturas civilísticas, recusava o
caráter jurisdicional ao juízo arbitral, classificando-o como meio contratual de
composição de conflitos. Hoje, o tratamento que nosso direito positivo lhe
dispensa atribui à sentença arbitral a natureza de título executivo judicial, de sorte
que não se pode continuar tratando a arbitragem como mero substitutivo da
jurisdição. Embora desenvolvido fora dos quadros do Poder Judiciário, o
procedimento em questão tem a mesma natureza, a mesma função e a mesma
força dos atos judiciais contenciosos."
Essas formas extrajudicias de composição das lides devem observar o seguinte:
(a) só podem ocorrer entre pessoas maiores e capazes; (b) a controvérsia deve se
referir a bens patrimoniais ou direitos disponíveis.
Jurisidição interna e externa
É uma classificação que se refere à soberania de cada Estado-nação. A jurisdição
interna é a jurisdição nacional, conforme as regras de competência estabelecidas
na Constituição Federal e nas leis internas, e a externa, é aquela atribuída aos
outros países ou por organismos supraestatais. (Luiz Rodrigues Wambier; Eduardo
Talamin)
Processo administrativo
O "processo administrativo", no direito brasileiro, não tem natureza jurisdicional.
Na realidade é um procedimento, onde se observa o contraditório e a ampla
defesa, realizado por órgãos ou agentes públicos, que se desenvolve dentro do
exercício da atividade administrativa e não jurisdicional. (Luiz Rodrigues Wambier;
Eduardo Talamin)
O processo administrativo, em regra, é realizado por órgãos da Administração
Pública. Oberve-se que os órgãos do Poder Judiciário e do Poder Legislativo
também desenvolvem atividades administrativas, no âmbito de sua própria
gestão. Portanto, existem processos administrativos realizados por esses dois
poderes. Isso ocorre quando eles não estão desempenhando suas funções típicas
(jurisdicional e legislativa, respectivamente), mas estão cumprindo atividades
administrativas no âmbito da função atípica. (Luiz Rodrigues Wambier; Eduardo
Talamin)
No âmbito da Administração Pública existem os chamados "tribunais
administrativos". Apesar do nome, são órgãos que não desempenham atividade
jurisdicional, muito embora conduzam processos e decidam questões. Como regra,
eles se encontram no âmbito do Poder Executivo. Por exemplo: o Tribunal Marítimo
(Lei 2.180/1954), as agências reguladoras (ex.: Anatel, ANTAQ, ANEEL etc.), os
Conselhos de Contribuíntes e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade). Excepcionalmente, existem alguns "tribunais administrativos" na estrutura
do Poder Judiciário, como, por exemplo, o Conselho Nacional de Justiça, e do
Poder Legislativo, como, por exemplo, os Tribunais de Contas.
A doutrina destaca que: "As controvérsias resolvidas por esses órgãos muitas
vezes envolvem, de um lado, o próprio ente público em que tais órgãos estão
inseridos e, de outro lado, um particular (ex.: o Conselho de Contribuíntes julga
impugnações feitas pelo contribuinte em face do Fisco). Mas ainda que por vezes
as resoluções das controvérsias por tais órgãos se deem por heterocomposição
(isto é, por um sujeito isento que analisa o conflito concreto entre dois sujeitos em
disputa), elas não têm por escopo único e final atuar concretamente o
ordenamento jurídico, mas sim desenvolver outras atividades de consecução do
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interesse da coletividade (por exemplo, o equacionamento do conflito entre duas
empresas fabricantes de cerveja que uma decisão do Cade eventualemtne venha a
propiciar será reflexo da atividade de regulação concretamente exercida por tal
órgão, e não o seu escopo último). Bem por isso, tais decisões não possuem
aptidão para a coisa julgada e são suscetíveis a controle externo. Ou seja, elas
poderão ser revistas posteriormente pelos órgãos jurisdicionais, em ações
promovidas pelas partes interessadas." (Luiz Rodrigues Wambier; Eduardo
Talamin)
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