Prévia do material em texto
Anti-hipertensivos Introdução: • A hipertensão é definida como uma PA sistólica contínua maior do que 140 mmH e/ou uma pressão sanguínea diastólica contínua maior do que 90 mmHg. • A hipertensao resulta do aumento do tônus do músculo liso arteriolar vascular periférico, que leva ao aumento da resistência arteriolar e à redução da capacitância do sistema nervoso. • A hipertensão crônica pode causar doença cardíaca e acidente vascular encefálico, também é um fator de risco importante no desenvolvimento de doença renal crônica e insuficiência cardíaca. Etiologia da hipertensão: • Histórico familiar • Sem causa identificável • Obesidade • Diabetes • Estilo de vida estressante • Tabagismo. Mecanismos de controle da pressão arterial: • A pressão arterial é regulada dentro de uma faixa estreita para prover perfusão adequada aos tecidos sem causar lesões ao sistema vascular, particularmente à túnica íntima arterial (endotélio). Ela é diretamente proporcional ao débito cardíaco e à resistência vascular periférica. O débito cardíaco e a resistência periférica são controlados principalmente por dois mecanismos sobrepostos de controle: os barorreflexos e o sistema renina- angiotensina-aldosterona. A maioria dos anti-hipertensivos diminui a pressão arterial, reduzindo o débito cardíaco e/ou diminuindo a resistência periférica • Barroreceptores e sistema nervoso simpático: Atuam alterando a atividade do sistema nervoso simpático. Sendo responsáveis pela regulação rápida da pressão arterial. Uma queda da pressão determina que os neurônios sensíveis à pressão (barorreceptores do arco aórtico e seios carotídeos) diminuam os impulsos aos centros cardiovasculares na medula espinal. Determinado uma resposta reflexa imediata de aumento do estímulo simpático e diminuição parassimpática ao coração e aos vasos, resultando em vasoconstrição e aumento do débito cardíaco. Essas mudanças resultam em um aumento compensatório da pressão sanguínea • Sistema renina-angiotensina-aldosterona: Os rins controlam a pressão arterial por meio do ajuste do volume sanguíneo. Os barroreceptores nos rins respondem à presão arterial reduzida, liberando a renina. A renina converte o angiotensinogênio em angiotensina I, que é convertido em angiotensina II por meio a enzima conversora de angiotensina (ECA). A angiotensina II é um vasoconstritor que contrai as arteríolas e veias levando ao aumento da pressão arterial. Essa angiotensina II age melhor arteríolas eferentes do glomérulo renal, aumentando a filtração glomerular. A angiotensina II é responsável por estimular a secreção de aldosterona, levando ao aumento da reabsorção renal de sódio e ao aumento do volume sanguíneo, que aumenta a pressão arterial. Diurético: Introdução: • O tratamento com doses baixas de diuréticos é seguro, barato e eficaz na prevenção de derrame, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca. Deve-se monitorar os eletrólitos sérico em todos os pacientes que recebem diuréticos. • Diuréticos tiazídicos: Hidroclorotiazida e a clortalidona, diminuem a pressão arterial por aumentar a excreção de sódio e água. Levando a uma redução do volume extracelular, resultando em diminuição do débito cardíaco e do fluxo sanguíneo renal. Com o tratamento prolongado, o volume de plasma volta ao normal, mas persiste o efeito hipotensor relacionado com a diminuição da resistência periférica. Os tiazídicos são úteis no tratamento combinado com uma variedade de outros anti-hipertensivos, incluindo β-bloqueadores, IECAs, BRAs e diuréticos poupadores de potássio. Com exceção da metolazona, os diuréticos tiazídicos não são eficazes em pacientes com função renal inadequada (velocidade de filtração glomerular estimada menor que 30 mL/min/m2). Nesses pacientes, podem ser necessários diuréticos de alça. Os diuréticos tiazídicos podem causar hipopotassemia, hiperuricemia e, em menor extensão, hiperglicemia em alguns pacientes. • Diuréticos de alça: Furosemida, torsemida, bumetadina e ácido etacrínico atuam bloqueando a reabsorção de sódio e cloreto no rins, mesmo em pacientes com má função renal ou naqueles que não responderam ao diurético tiazídico. Eles causam diminuição da resistência vascular renal e aumento do fluxo sanguíneo renal. Podem causar hipopotassemia. Eles também aumentam o conteúdo de CA2 na urina ao passo que os tiazídicos diminuem. • Diuréticos poupadores de potássio: amilorida e triantereno (inibidores de sódio epitelial nos ductos distais e coletores), bem como espironolactona e eplerenona (antagonistas de receptor de aldosterona), reduzem a perda de potássio na urina. São usados algumas vezes associados aos diuréticos de alça e aos tiazídicos para reduzir a espoliação do potássio. Beta bloqueadores: • Usados no tratamento para pacientes hipertensos com doença ou insuficiência cardíaca concomitante. • Ações: reduzem a pressão arterial diminuindo o débito cardíaco. Eles também podem diminuir o efluxo simpático e inibir a liberação de renina dos rins, reduzindo a formação de angiotensina II e a secreção de aldosterona. O prototipo dos beta bloqueadores é o propanolol que atua nos receptores do B1 e B2. Bloqueadores seletivos de receptores de B1 (metroprolol e atenolol) estão entre os mais prescritos. O nebivolol é um bloqueador seletivo do B1 que aumenta a produção de óxido nítrico, levando a vasodilatação. Esses beta bloqueadores seletivos tem que ser aplicados com cautela em pacientes hipertensos que tem asma. Os não seletivo, propanolol e nadolol, são contraindicados devido ao bloqueio da broncodilatação mediada por B2. Os betabloqueadores devem ser usados com cautelas em pacientes com doença vascular periférica e insuficiência cardíaca. • Usos terapêuticos: Pacientes hipertensos com doença cardíaca, como fibrilação ventricular, IAM prévio e insuficiência cardíaca crônica. Contraindicações: asma, doença vascular periférica grave. • Farmacocinetica: são ativados pro via oral para o tratamento da hipertensão. Podem demorar varias semanas até desenvolverem seu efeito pleno. • Efeitos adversos: comuns: bradicardia, hipotensão, fadiga, letargia e insônia. Podem diminuir a libido e disfunção erétil. Alterações nos padrões lipídicos: desregulam o metabolismo lipídico, diminuindo o HDL e aumentando os triglicerídeos. Retirada do fármaco: Pode causar angina, IAM e morte súbita em pacientes com doença cardíaca isquêmica. Inibidores da enzima conversora de angiotensina: • Enalapril e lisinopril são indicados como tratamento de primeira escolha em pacientes com hipertensão com uma variedade de indicações (diabetes, doença coronária, AVE, IC, IAM e DRC). • Ações: diminuem a pressão arterial reduzindo a resistência vascular periférica sem aumentar o debito, a frequência ou a contratilidade cardíaca. Esses fármacos bloqueiam a ECA. Diminuem a angiotensina II e aumentam a bradicinina. Ocorre vasodilatação de arteríolas e veriam por conta da diminuição da vasoconstrição causada pela redução de angiotensina II e maior vasodilatação por conta da bradicinina. Os IECAS também diminuem a pré e a pós carga, reduzindo o débito cardíaco. • Usos terapêuticos: BRAs e IECAs retardaram a progressão de nefropatia diabética e diminuem a albuminuria. São usados nos cuidados dos pacientes pós IAM e são fármacos de primeira escolha no tratamento de disfunções sistólicas. O tratamento crônico com IECAs obtém redução sustentada da pressão arterial, regressão da hipertrofia ventricular esquerda e prevenção do remodelamento ventricular, após infarto do miocárdio. Os IECAs são os fármacos de primeira escolha para tratar a insuficiência cardíaca, os pacientes hipertensos com doença renal crônica e os pacientes com risco elevado de doença arterial coronariana. Todos os IECAs são igualmente eficazes no tratamento da hipertensão, em doses equivalentes. • Farmacocinetica: São biodisponíveis por via oralcomo fármaco ou pró- fármaco. Todos são convertidos em metabólitos ativos no figado, exceto captobril e lisopril. Sendo medicações usadas em pacientes com insuficiência hepática. O Fosinopril é o único que não é eliminado pelo rins e não requer ajuste de dosagem em pacientes com insuficiência renal. • Efeitos adversos: tosse seca, febre, exantema, alterações do paladar, hipotensão e hiperpotassemia. A tosse seca é decorrente do aumento de bradicinina e substancia P na arvore pulmonar e melhora dentro de poucos dias. A tosse seca acontece mais em mulheres. O angioedema é raro, porem fatal, que também é atribuído ao aumento de bradicinina. Os níveis de potássio devem ser monitorados durante o uso de IECA. Os níveis de creatinina no soro devem ser monitorados em pacientes com doença renal subjacente. O aumento de creatinina de até 30% é aceitável. Os IECAs podem induzir mal formações fetais e não devem usados em gestantes. Bloqueadores do receptor de angiotensina II: • Os BRAs como losartana e irbesartana são alternativas aos IECAS. Esses fármacos bloqueiam os receptores AT1, diminuindo a sua ativação pela angiotensina II. Seus efeitos são similares aos dos IECAS por produzirem dilatação arteriolar e venosa e bloqueio da secreção de aldosterona, reduzindo a pressão arterial e diminuição a retenção de sal e água. Tendem a aumentar os níveis de bradicinina. Podem ser usados como fármacos de primeira escolha no tratamento de hipertensão, principalmente em diabéticos, pacientes com ICC ou DRC. Os efeitos adversos são semelhantes aos dos IECAS, embora o risco de tosse seja menor. Não devem ser associados aos IECAS devido a similaridade de mecanismos e efeitos adversos. Não devem ser usados em gestantes. Inibidores de renina: • Alisquireno inibe diretamente a renina, atuando no sistema renina angiotensina aldosterona. Reduz a pressão arterial com eficácia similar à dos BRAs e IECAs e tiazídicos. Não devem ser usados associados aos BRA`s e IECAs . Podem causar diarreia (doses altas), tosse e angiodema. É contraindicado na gestação. Bloqueadores dos canais de cálcio: • São recomendados para hipertensos com diabetes ou angina. Doses altas de curta duração devem ser evitadas devido ao maior risco de IAM por vasodilatação excessiva. • Difenilaquilaminas: o veraparil é o único representante. É menos seletivo e apresenta e no músculo liso vascular. É usado no tratamento de angina e taquiarritmias supraventriculares, bem como na prevenção da enxaqueca e cefaleia em salvas. • Benzotiazepínico: o diltiazem afeta as células cardíacas e o músculo liso vascular, mas apresenta efeito inotropico cardíaco negativo. • Di-hidropiridinas: inclui o nifedipino (protótipo), anlodipino, felodipino isradipino, nicardipino e nisoldipino. Apresentam maior afinidade pelos canais de cálcio vasculares do que pelos canais de cálcio do coração. São benéficos no tratamento de hipertensão. São usados em conjuntos com BCCs • Ações: A concentração intracelular de cálcio tem um papel importante na manutenção do tônus da musculatura lisa e na contração do miocárdio. O cálcio entra nas células musculares através de canais de cálcio voltagem- sensíveis. Isso dispara a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático e da mitocôndria, aumentando adicionalmente o nível de cálcio citosólico. Os antagonistas de canais de cálcio bloqueiam a entrada de cálcio por se ligarem aos canais de cálcio do tipo L no coração e nos músculos lisos dos vasos coronarianos e arteriolares periféricos. Isso causa o relaxamento do músculo liso vascular, dilatando principalmente as arteríolas. Os BCCs não dilatam veias. • Usos terapêuticos: Tratamento inicial ou adicional. São uteis no tratamento de pacientes com hipertensos que também têm asma, diabetes e/ou doença vascular periférica. São uteis no tratamento de Angina. • Farmacocinetica: meia vida curta (3-8 horas) após uma dose oral. O anlodipino tem meia-vida muito longa e não requer formulação de liberação estendida. • Efeitos adversos: Constipação e bloqueio atrioventricular são efeitos do verapamil. Verapamil e diltiazem devem ser evitado em pacientes com ICC ou com bloqueio atrioventricular, devido a efeitos inotropicos (força de contração do músculo cardíacos) e dromotrópicos (velocidade de condução) negativos. Tontura, cefaleia e sensação de fadiga são frequentes. Outros fármacos: