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EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO 
TRABALHO NO MUNDO E NO BRASIL 
Está diretamente ligada às transformações 
sociais, econômicas e políticas, principalmente 
após a Revolução industrial 
ANTIGUIDADE 
O trabalho é inerente ao homem, desde a 
Antiguidade o homem primitivo busca 
satisfazer suas necessidades através do 
trabalho 
O trabalho era frequentemente associado à 
escravização – “coisificação do escravo” 
Não possuindo direitos trabalhistas – apenas 
o Código de Hamurabi 
IDADE MÉDIA 
Feudalismo: O servo era o trabalhador preso a 
terra, que dependia do seu senhor e pagava 
tributos obrigatórios – a dívida vinculava eles 
as terras e ao senhor feudal 
Baseado em dependência e obrigações mútuas 
Tinha mais “liberdade” – estatuto com normas 
disciplinando as relações 
Divisões: 
- Mestre: algo como os empregadores de hoje 
- Companheiros: homens livres, como os 
empregados 
- Aprendizes: menores que recebiam 
ensinamentos (mesmo ao final do aprendizado 
continuava vinculado ao mestre) 
Jornadas de trabalho de +18h diárias – 
exploração de mulheres e crianças 
Como os companheiros não conseguiam 
alcançar a condição de mestre, nasceu as 
“compagnonnagem” (embrião formador do 
movimento sindical atual) – o que gerou o 
declínio das corporações de ofício. 
Surgiu a locação (prestação de serviço ou da 
construção de uma obra mediante 
remuneração) – não tinha direitos 
Assim, dá início ao liberalismo (mínima 
atuação do Estado nas relações econômicas) 
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 
Trouxe nova forma de organização do 
trabalho, com o surgimento de fábricas e 
urbanização – uso do vapor 
O direito do trabalho surgiu na Inglaterra, 
financiada pelos burgueses, século XVIII 
A principal causa política foi a 
transformação do Estado Liberal (da plena 
liberdade contratual) em Estado Neoliberal 
(o Estado intervém na ordem econômica e 
social, limitando a liberdade plena das partes) 
As formas extremadas de intervenção do 
Estado foram o corporativismo e o socialismo, 
com características fortemente autoritárias, 
transferindo a ordem trabalhista para o 
âmbito das relações de natureza pública 
No meio deste fervor de precárias condições 
de trabalho, desemprego e exploração, os 
trabalhadores começaram a se unir na busca 
de melhores condições de emprego e contra 
os abusos cometidos pelos patrões, com o 
propósito de regulamentar as condições 
mínimas de trabalho. 
É neste cenário que nasce o Direito do 
Trabalho, como consequência das razões 
política e econômica da Revolução Francesa 
e a Revolução Industrial, respectivamente. 
FASES PRINCIPAIS NA EVOLUÇÃO DO DIREITO 
DO TRABALHO 
- Formação (1802 a 1848): 
 No seu momento inicial com edição da 
Lei de Peel, Inglaterra –adoção de normas 
protetivas aos menores, não sendo permitida 
admissão de menores de 10 anos. 
 As leis desse período visavam reduzir a 
violência brutal da superexploração empresarial 
de menores e mulheres 
 Robert Owen (reformista social): 
fundadores do socialismo e do cooperativismo. Em 
1800, assumiu a fábrica de tecidos, onde mudou 
muitas coisas na qualidade de vida dos 
trabalhadores, além de construir o TRADE UNION 
(como se fosse um sindicato dos dias atuais) 
 
Foi considerado o 
pai para direito 
do trabalho 
- Intensificação (1848 a 1890): 
 Destaca-se pelo surgimento do 
“Manifesto comunista de 1848” e, na França, 
pelos resultados da Revolução de 1848, com a 
instauração da liberdade de associação que 
havia tolhida pela Lei Chapelier e a criação do 
Ministério do Trabalho. 
LEI DE LE CHAPELIER 
Lei francesa – promulgada em 1791 
Objetivo principal era proibir corporações e 
sindicatos de trabalhadores e patrões, assim como 
qualquer tipo de associação profissional. 
Deu liberdade individual de trabalho - Fortalecer 
as antigas corporações de ofícios medievais e 
promover uma economia mais livre 
- Consolidação (1890 a 1919): 
 Tem como marco inicial a Conferencia de 
Berlim no ano de 1890 e a Encíclica Católica 
Rerum Novarum 1891, publicada pela Papa Leão 
XIII, que sensibilizado pela intença exploração do 
homem – escravo da máquina – tenta estabelecer 
regras mínimas para o trabalho 
 Encíclica destaca a necessidade de uma 
nova postura das classes dirigente perante a 
“questão social”, que trazia em seu texto as 
obrigações dos patrões empregados, como 
fixação do salário mínimo, jornada máxima, etc. 
 Término da Primeira Guerra Mundial – 
Surgimento do Constitucionalismo Social 
(inclusão de dispositivos referentes à defesa de 
interesses sociais, inclusive garantindo direitos 
trabalhistas) 
- Autonomia (1919 ao final do século XX): 
 Teve marco inicial a criação da OIT 1919, 
através do tratado de versalles e pelas 
Constituições do México de 1917 (Caracterizada 
como a primeira constituição mundial a proteger 
o direito dos trabalhadores) e Constituição de 
Weimar – Alemanha 
 
CONSTITUIÇÃO DO MÉXICO – 1917 
Desta forma, a primeira Constituição que 
dispôs sobre o Direito do Trabalho foi a do 
México, que em seu artigo 123 instituía: a 
jornada diária de 8 horas; a jornada máxima 
noturna de 7 horas; a proibição do trabalho 
de menores de 12 anos; a limitação da 
jornada de menor de 16 anos para 6 horas; o 
descanso semanal; a proteção à 
maternidade; o direito ao salário mínimo; a 
igualdade salarial; a proteção contra 
acidentes no trabalho; o direito de 
sindicalização; o direito de greve, 
conciliação e arbitragem de conflitos; o 
direito à indenização de dispensa e seguros 
sociais. 
CONSTITUIÇÃO ALEMANHA REPUBLICANA DE 
WEIMAR 
Destacava: a participação dos trabalhadores 
nas empresas; a liberdade de união e 
organização dos trabalhadores para a 
defesa e melhoria das condições de trabalho; 
o direito a um sistema de seguros sociais; o 
direito de colaboração dos trabalhadores 
com os empregadores na fixação dos salários 
e demais condições de trabalho, bem como a 
representação dos trabalhadores na 
empresa 
TRATADO DE VERSALLES 
O Tratado de Versalhes, assinado no fim da 
Primeira Guerra Mundial, responsabilizou a 
Alemanha pelos danos causados durante o 
conflito e impôs reparações às nações da 
Tríplice Entente (Inglaterra, França e Império 
Russo). Além disso, o tratado anterior a 
criação da Organização Internacional do 
Trabalho (OIT), com sede em Genebra e 
representação de 10 países, incluindo o Brasil. 
Em 1946, a OIT foi formalmente vinculada à 
ONU como instituição especializada em 
regulamentação do trabalho. Na Conferência 
Internacional do Trabalho desse ano, foi 
aprovado o novo texto da Constituição da OIT, 
incorporando a Declaração de Filadélfia 
CARTA DEL LAVORO 
A Carta Del Lavoro, editada em 1927 na Itália, 
criou um sistema corporativista que consumiu 
países como Portugal, Espanha e Brasil. Esse 
modelo organizava a economia e a sociedade 
em torno do Estado, promovendo o interesse 
nacional e regulando as relações sociais. Os 
sindicatos eram subordinados ao Estado, sem 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10679600/artigo-123-da-constituicao-federal-de-1988
autonomia. A Carta Del Lavoro influenciou a 
organização da Justiça do Trabalho 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS 
HUMANOS 
No plano do direito internacional, no ano de 
1948 é editada a Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, prevendo diversos direitos 
trabalhistas, como férias remuneradas, 
limitações de jornada, dentre outros, 
elevando esses direitos trabalhistas ao status 
de direito humano. 
 
BRASIL 
CONSTITUIÇÃO DE 1844 
a Constituição do Império de 1824, seguindo 
os princípios da Revolução Francesa, aboliu 
as corporações de ofício assegurando ampla 
liberdade ao trabalho - Até este momento, 
observa-se a presença do trabalho escravo, 
que foi de forma paulatina sendo substituída 
pelamão de obra proletária 
1871 – LEI DO VENTRE LIVRE: nascidos do 
ventre de escrava já não eram mais escravos 
1885 – LEI SARAIVA COTEGIBE: libertou os 
escravos com +60 anos, desde que estes 
cumprissem +3anos de trabalho espontâneo 
13 de maio de 1888 – LEI ÁUREA: mais 
importante – aboliu o trabalho escravo no 
Brasil 
Com isso, aumentou a demanda no 
mercado de mão de obra 
desqualificada e não havia trabalho 
para todos 
CONSTITUIÇÃO DE 1891 
Garantiu liberdade no exercício de qualquer 
profissão, assegurou a liberdade de 
associação 
Decreto 1.313/91 - proibiu o trabalho de 
menor de 12 anos em fábricas, fixando 
jornada de trabalho de 7 horas para menores 
entre 12 e 15 anos (mulher) e entre 12 e 14 
anos (homens) 
Decreto 979/1903 - tratando sobre 
sindicalização e organização sindical rural, 
sendo esta a primeira norma brasileira sobre 
o tema. 
CONSTITUIÇÃO DE 1934 
Primeira constituição brasileira a ter normas 
específicas do Direito do Trabalho 
1919 – Criação do instituto do acidente do 
trabalho 
1923 – Criado o Conselho Nacional do 
Trabalho (embrião da Justiça do Trabalho no 
Brasil) 
1925 - O direito a 15 dias úteis de férias foi 
ampliado para trabalhadores de 
estabelecimentos comerciais, industriais e 
bancários. 
1930 - Getúlio Vargas assumiu a presidência e 
criou o Ministério do Trabalho, Indústria e 
Comércio para coordenar ações institucionais, 
o que resultou em um aumento significativo 
das legislações, incluindo a previdência social 
A Constituição de 1934 elencou em seus 
artigos 120 e 121 normas como salário mínimo, 
jornada de trabalho de 8 horas diárias, férias, 
repouso semanal, pluralidade sindical 
(assegurando maior liberdade e autonomia), 
indenização por despedida sem justa causa, 
criação efetiva da Justiça do Trabalho 
(apesar de ainda não integrante de Poder 
Judiciário). 
CONSTITUIÇÃO DE 1937 
Com o Golpe de 1937 e a implantação do 
regime ditatorial, a Constituição de 1937 foi 
imposta, inspirada na Carta Del Lavoro e na 
Constituição Polonesa. Ela deu aos tribunais 
trabalhistas poder normativo, diante do 
fechamento do Congresso Nacional, e realizou 
intervenção estatal expressa, com um modelo 
de sindicato exclusivo vinculado ao Estado. 
Greves e lockouts foram considerados 
prejudiciais 
01 de maio de 1943, através do Decreto-lei nº 
5.452/43 surge a CLT – Consolidação das Leis 
do Trabalho. 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
 
1945 – Getulio Vargas é deposto 
 
CONSTITUIÇÃO DE 1946 
Reestabeleceu o direito de greve e foi 
considerada como democrática na medida em 
que dispôs sobre a participação dos 
empregados nos lucros da empresa, o repouso 
Semanal desta vez remunerado, expandindo o 
benefício da estabilidade decenal a todos os 
trabalhadores e principalmente, a retirada da 
Justiça do Trabalho do Poder Executivo e sua 
inclusão no Poder Judiciário, no entanto, com 
a existência do juiz e dos vogais que 
posteriormente foram chamados de classistas. 
1962 a 1966 – reconhecimento de uma série 
de direitos trabalhistas, como: 
Criação do 13º salário 
Regulamentação do direito de greve 
Criação do Fundo de Garantia por 
Tempo de Serviço - FGTS 
CONSTITUIÇÃO DE 1967 
Não trouxe mudanças significativas 
A legislação infraconstitucional regulamentou 
o direito de empregadas domesticas, do 
trabalhador rural e atividades do 
trabalhador temporário 
EMENDA CONSTITUCIONAL 1/69 
Com o Golpe Militar de 17 de outubro de 1969, 
essa emenda dispôs sobre o imposto sindical, 
proibiu o direito de greve para servidores 
públicos e que exercem atividade essenciais 
CONSTITUIÇÃO DE 1988 
O homem se torna objeto principal – 
resgatando a dignidade da pessoa humana 
Art. 7º 
Nova relação entre o sindicato e o Estado – 
baseada na organização sindical e na 
autonomia de administração, permitindo a 
livre criação de sindicatos, sem necessidade 
de pedir autorização do Estado 
Modificações: 
Redução da jornada semanal de 
trabalho de 48 para 44 horas; a g 
Generalização do regime do FGTS e a 
suspensão da estabilidade decenal; 
Indenização nos casos de demissão 
sem justa causa; 
Elevação do adicional de hora extra 
para no mínimo 50%; 
Aumento da remuneração de férias 
em 1/3; 
Garantia da licença gestante para 
120 dias e a criação da licença 
paternidade; 
Elevação para idade mínima para 
trabalhar em 14 anos; dentre outros. 
 
1999 – EMENDA CONSTITUCIONAL 24 
Transformou as juntas de conciliação e 
julgamento em varas de trabalho 
2004 – EMENDA CONSTITUCIONAL 45 
Ampliou a competência da justiça do trabalho 
2013 – EMENDA CONSTITUCIONAL 72 
Ampliou o rol de direitos assegurado aos 
domésticos 
Tentativa de equiparação e trazer 
direitos iguais aos domésticos aos 
urbanos e rurais 
Pontos de maior relevância: 
Empregado doméstico será 
caracterizado quando laborar por 
mais de 2 dias no mesmo local de 
trabalho; 
Regulamentação para concessão de 
aviso prévio na forma da CLT; 
Possibilidade de contrato de 
experiência por até 45 dias; e 
Empregados com menos de 18 anos 
são proibidos de trabalhar como 
domésticos; 
Férias, jornada de trabalho de no 
máximo 44 horas semanais; adicional 
de hora extra de no mínimo 50%; 
Pagamento de Fundo de Garantia 
por Tempo de Serviço – FGTS e INSS 
de forma conjunta (na seguinte 
proporção: 8% de FGTS, 8% de INSS, 
0,8% de seguro contra acidente e 
3,2% relativo a rescisão contratual) 
no total de 20% de encargos que o 
empregador deverá recolher. 
Licença maternidade de 120 dias e 
seguro desemprego de, no máximo, 3 
meses

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