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Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
 
 
 
 
 
Modulo VII 
2º ano 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e Formação - Tutoria 1 
 
1- Descrever a gametogênese, para entender a formação dos gametas 
Gametogênese 
 Os gametas masculinos (espermatozoide) e femininos (ovócito) são células sexuais altamente especializadadas, 
contendo metade do numero de cromossomos (numero haploide) presentes nas células somáticas (do corpo). O número 
de cromossomos é reduzido durante a meiose na gametogênese. Esse processo de maturação é chamado de 
espermatogênese no sexo masculino e ovogênese no sexo feminino., sendo sua sequencia a mesma mas sua historia de 
formação diferente, com diferença no ritmo de eventos durante a meiose. A gametogênese é o processo de formação e 
desenvolvimento das células germinativas especializadas (gametas), que envolve os cromossomos e o citoplasma dos 
gametas preparando estas células sexuais para a fecundação. Um cromossomo é definido pela presença de um centrômero 
(constricção), antes da replicação do DNA na fase S do ciclo celular, os cromossomos são de cromátide única (filamento 
paralelo de DNA), após a replicação os cromossomos são de cromátide dupla. 
Meiose 
 Tipo especial de divisão celular que envolve duas divisões meióticas e que ocorre apenas nas células germinativas. 
As células germinativas diploides originam gametas haploides. A primeira divisão meiótica é de redução, porque o 
cromossomo é reduzido de diploide a haploide por emparelhamento dos cromossomos homólogos (um da mão e um do pai) 
que formam um par na prófase e sua segregação com um representante indo para cada polo na anáfase. No final desta 
primeira divisão, cada nova células formada (espermatócito ou ovócito secundário) contem o numero de cromossomos 
haploides (cromossomo de cromátide dupla), tendo metade do numero de cromossomo da célula precedente 
(espermatócito ou ovócito primário). A segunda divisão meiótica segue-se a primeira sem uma interfase normal (etapa de 
replicação do DNA), cada cromossomo se divide e cada metade ou cromátide é direcionada a um polo diferente, mantendo 
o numero haplóide (23). A segunda divisão é semelhante a uma mitose, exceto pela haploidia. 
É importante pois: -> Permite a constância do numero cromossômico de geração a geração pela redução da ploidia. 
 -> Permite o arranjo aleatório dos cromossomos maternos e paternos entre os gametas. 
 -> Relocaliza os segmentos dos cromossomos materno e paterno através de crossing over, que embaralha 
os genes produzindo recombinação genética 
 Distúrbios de meiose durante a gametogênese, por exemplo a não disjunção, resultam na formação de gametas 
cromossomicamente anormais. Se envolvidos na fecundação, esses gametas causam desenvolvimente anormal, como a 
síndrome de Down (trissomia do 21). 
 
Espermatogênese 
 É a sequencia de eventos pelos quais as espermatogônias são transformadas em espermatozóides maduros que 
inicia-se na puberdade. As espermatogônias permanecem quiescentes nos túbulos seminíferos dos testículos desde o 
período fetal, e começam a aumentar em numero na puberdade por mitose, depois crescem e sofrem modificações. As 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
espermatogônias são transformadas em espermatócitos primários, as maiores células germinativas nos túbulos seminíferos. 
Cada espermatócito sofre em seguida a primeira divisão meiótica formando dois espermatócitos secundários haploides, que 
tem cerca de metade do tamanho dos espermatócitos primários, em seguida sofre a segunda divisão meiótica formando 
quatro espermátides haploides, que são gradualmente transformadas em espermatozóides maduros pelo processo 
espermiogênese. Toda espermatogênese incluindo espermiogênese demora cerca de 2 meses, quando completo o processo, 
os espermatozoides entram na luz dos túbulos seminíferos. 
 As células de Sertroli que revestem os túbulos seminíferos dão suporte e nutrição para as células germinativas e 
podem estar envolvidas na regulação da espermatogênese. Os espermatozoides são transportados passivamente dos 
túbulos seminíferos para o epidídimo (ducto longo espiralado localizado na borda superior do testículo, é continuo com o 
ducto deferente que transporta os espermatozóides para a uretra), onde são armazenados e se tornam funcionalmente 
maduros e desenvolvem a capacidade de mobilidade que antes não tinham. 
 O espermatozoide maduro é uma célula ativamente móvel, que nada livremente, formada por cabeça e cauda. O 
colo do espermatozoide une cabeça e cauda. A cabeça forma maior parte e contem o núcleo haploide, os 2/3 anteriores são 
cobertos pelo acrossoma (organela sacular tipo capuz que tem varias enzimas, que quando liberadas facilitam a penetração 
do espermatozoide na corona radiata e na zona pelúcida na fecundação). Sua cauda é formada por 3 segmentos: peça 
intermediária (contem mitocôndrias que fornecem ATP), peca principal e peça terminal, que fornecem motilidade ao 
espermatozoide que auxilia seu transporte ao local da fecundação. 
Ovogênese 
 É a sequência de eventos pelos quais as ovogônias são transformadas em ovócitos maduros, que inicia-se antes do 
nascimento e é completado depois da puberdade, continuando-se até a menopausa. 
-> Maturação pré-natal dos ovócitos: durante a vida fetal as ovogônias se proliferam por mitose e crescem para formar os 
ovócitos primários antes do nascimento. Tão logo o ovócito primário se forma, as células do tecido conjuntivo circundam e 
formam uma única acamada de células epiteliais foliculares, achatadas constituindo o folículo primordial, que a medida que 
o ovócito primário cresce na puberdade originam o folículo primário (foliculares>cuboides>colunares). O ovócito primário 
logo é envolvido por uma camada de material gricoprotéico acelular e amorfo (zona pelúcida). Os ovócitos primários iniciam 
a primeira divisão meiótica antes do nascimento, mas a prófase não se completa até a adolescência (células foliculares 
liberam o inibidor da maturação do ovário). 
-> Maturação pós-natal dos ovócitos: inicia-se durante a puberdade, geralmente um folículo amadurece a cada mês, e ocorre 
a ovulação, exceto quando há uso de contraceptivos orais. A duração prolongada da primeira divisão meiótica (até 45 anos) 
pode ser responsável, em parte, pelos erros meióticos. Os ovócitos primários em prófase suspensa (dictióteno) são 
vulneráveis aos agentes ambientais como a radiação. Após o nascimento não se forma mais nenhum ovócito primário, que 
permanecem em repouso nos folículos ovarianos até a puberdade. Com a maturação do folículo, o ovócito primário aumenta 
de tamanho, e imediatamente antes da ovulação, completa a primeira divisão meiótica para dar origem a um ovócito 
secundário e ao primeiro corpo polar, com divisão de citoplasma desigual. O ovócito secundário recebe quase todo 
citoplasma, e o corpo polar muito pouco, por ser não-funcional logo degenera. Na ovulação, o núcleo do ovócito secundário 
inicia a segunda divisão meiótica mas progride apenas até a metáfase, quando é interrompida. Se um espermatozoide 
penetra o ovócito secundário, a segunda divisão meiótica é completada e a maior parte do citoplasma é novamente mantida 
em uma célula, o ovócito fecundado. A outra célula, o segundo corpo polar degenera e é extrudido, logo a maturação do 
ovócito termina. Há cerca de 2 milhões de ovócitos primários nos ovários de uma recém-nascida, mas muitos regridem na 
infância, restando apenas 40.000 na adolescência. Destes, só 400 tornam-se ovócitos secundários e são expelidosna ovulação 
durantes o período reprodutivo. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
2- Explicar a morfisiologia dos sistemas reprodutoresfeminino e masculino 
Feminino 
Útero: é um órgão muscular com forme de pera e parede espessas, medindo de 7 a 8cm de comprimento, 5 a 7cm de largura, 
mas porção superior, e 2 a 3 cm de espessura, e consiste em: corpo (2/3 superiores dilatados), que estreita-se desde o fundo 
até o istmo, e colo (1/3 inferior cilíndrico), que é a sua porção terminal vaginal. A luz da cérvice possui uma luz estreita eu se 
abre na extremidade através do orifício interno, que comunica-se com a cavidade do corpo uterino, e pelo orifício externo 
que comunica-se com a vagina. A parede do corpo do útero é formada por 3 camadas: perimétrio (fina camada externa, 
peritoneal, firmemente aderida ao miométrio), miométrio (espessa camada de músculo liso), e endométrio (fina camada 
interna).Durante a fase lútea (secretora) do ciclo menstrual, distinguem-se, microscopicamente, 3 camadas de endométrio: 
uma fina camada compacta (tec. conjuntivo disposto densamente em torno do colo das glândulas uterinas), uma espessa 
camada esponjosa (tec. conjuntivo edemaciado contendo porções tortuosas e dilatadas das glândulas uterinas) e uma 
delgada camada basal contendo fundo cego das glândulas uterinas com irrigação própria e não se desintegra durante a 
menstruação. A camada compacta e esponjosa são conhecidas coletivamente por camada funcional, desintegram-se e 
descamam na menstruação e parto. No pico do seu desenvolvimento, o endométrio tem de 4 a 5mm de espessura. 
Tubas uterinas: com aproximadamente 10cm de comprimento e 1 cm de diâmetro, estendem-se lateralmente a partir do 
corno do útero. Cada tuba se abre, na sua porção proximal, dentro do corno do útero, e na sua porção distal, na cavidade 
peritoneal. Descritivamente a tuba uterina é dividida em 4 porções: infundíbulo, ampola, istmo e porção uterina. As tubas 
conduzem os ovócitos do ovário e os espermatozóides que entram pelo útero para alcançarem o sítio de fecundação na 
ampola da tuba uterina. Também conduz o zigoto em clivagem para a cavidade uterina. 
Ovários: são glândulas reprodutivas, em forma de amêndoa, localizadas próximo ás paredes pélvicas laterais, de cada lado 
do útero que produz ovócitos. Os ovários produzem estrogênio e progesterona, os hormônios responsáveis pelo 
desenvolvimento das características sexuais secundárias e pela regulação da gestação. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
Masculino 
 O testículo é composto por até 900 túbulos seminíferos enrolados, onde é formado o esperma; cada um tem, em 
média, mais de um um metro de comprimento. O esperma então é despejado no epidídimo, outro tubo enrolado de +- 6 
metros de comprimento. O epidídimo conduz até o canal deferente, que se alarga na ampola do canal deferente 
imediatamente antes de o canal entrar no corpo da glândula prostática, onde o espermatozoide pode ser estocado por pelo 
menos um mês de forma inativa e reprimido por enzimas inibitórias. Duas vesículas seminais, uma de cada lado da próstata, 
desembocam na terminação prostática da ampola, secretando frutose, ácido cítrico e outras substancias nutritiva, 
prostaglandinas e fibrinogênio; e os conteúdos tanto da ampola como das vesículas seminais passam para o ducto 
ejaculatório, são conduzidos através do corpo da glândula prostática e então deságuam na uretra interna. Os ductos 
prostáticos recebem o conteúdo da glândula prostática (liquido fino, leitoso com cálcio, íons citrato e fosfatom enzima de 
coagulação e uma pró-fibrolisina) e o conduzem para o ducto ejaculatório, e deste para a uretra prostática. Finalmente a 
uretra conecta os testículos com o exterior. A uretra possui um muco produzido de um grande numero de pequenas 
glândulas uretrais localizadas em toda sua extensão, e em maior quantidade das glândulas bulbouretrais (glândulas de 
Cowper), localizadas próximo da origem da uretra. 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
3- Explicar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e sistema límbico 
 
Modificações Hormonais na Puberdade 
Todas as transformações aqui citadas como pertencentes à puberdade só ocorrem nessa fase da vida devido à reativação do 
eixo HHG, que gradualmente retoma seu pleno funcionamento, possibilitando a secreção progressiva de hormônios sexuais 
pelos ovários e testículos. Esses esteróides sexuais serão responsáveis pelas profundas mudanças biológicas, morfológicas e 
psicológicas a que os adolescentes serão submetidos. Nessas mudanças, também serão envolvidos os hormônios do 
crescimento, tireoidianos e adrenais, bem como vários fatores neurossecretores; e/ou hormonais e todos os moduladores 
somáticos do crescimento. 
 
Eixo Hipotálamo-Hipófise-Gonadal 
- Funcionamento do Eixo 
O hipotálamo é uma região situada no assoalho do terceiro ventrículo que integra as mensagens do sistema 
nervoso central (SNC), transmitindo-as ao sistema endócrino através da hipófise, situada imediatamente abaixo dele. O 
núcleo arqueado do hipotálamo, localizado na sua região ventromedial, contém neurônios neurossecretores, cujos axônios 
terminam na eminência mediana, uma região centro-hipotalâmica. As terminações desses axônios secretam o hormônio 
liberador das gonadotrofinas GnRH (também chamado de LHRH), de forma pulsátil, exclusivamente para dentro da circulação 
porta-hipofisária. 
O GnRH age sobre o lobo anterior da hipófise (adenoipófise), onde estimula as células produtoras de 
gonadotrofinas (gonadotrofos), promovendo a síntese e a liberação do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo-
estimulante (FSH). Sabe-se que a hipófise só responde ao estímulo do GnRH quando este ocorre de forma pulsátil, gerando 
também a liberação pulsátil de LH e FSH. As gonadotrofinas agirão sobre as gônadas, promovendo a secreção dos esteróides 
sexuais 17 b-estradiol no sexo feminino e testosterona no sexo masculino, que atuarão sobre os tecidos-alvo, promovendo 
as mudanças físicas típicas do período pubertário. Sob a mesma ação, as gônadas também liberarão inibina, que participará 
do mecanismo de regulação do eixo. 
Especificamente no sexo feminino, as gonadotrofinas agem de forma, intermitente sobre os folículos primários, 
localizados na região cortical dos ovários. O hormônio luteinizante estimula as células da teca a produzirem andrógenos. O 
FSH estimula o crescimento do folículo ovariano e também a atividade da aromatase, que converte os andrógenos 
produzidos na teca em estrógenos (principalmente o estradiol E2).3 O LH também é responsável pela maturação folicular e 
pela ovulação, com posterior formação do corpo lúteo que secretará, além de estrógenos, também a progesterona (P). 
 
Auto-Regulação 
A regulação desse eixo depende dos níveis séricos dos próprios hormônios que o compõem. Os esteróides sexuais 
e a inibina atuam sobre o hipotálamo e a hipófise, promovendo a redução da secreção de GnRH e LH/FSH. Da mesma forma, 
as gonadotrofinas atuam sobre o hipotálamo, reduzindo a secreção de GnRH. Tal atividade inibitória é inversamente 
proporcional aos níveis circulantes desses hormônios e é denominada feedback negativo. 
Outro mecanismo de controle do eixo advém do sistema nervoso central (SNC, onde neurônios catecolinérgicos e 
serotoninérgicos, através dos seus efeitos sobre as norepinefrinas, serotoninas e dopaminas hipotalâmicas e do hormônio 
liberador das corticotrofinas e peptídeos opiáceos, exercem controle intrínseco sobre os neurônios produtores de GnRH, 
alterando a amplitude e a frequência dos pulsos de GnRH. Finalmente, o próprio GnRH exerce ação negativa na sua própria 
secreção. 
Na metade do ciclo menstrual, no momento em que os ovários atingem um nível elevado de produção de estrógeno 
e conseguem mantê-lo por um tempo maior, a ação inibitória do estrógeno sobre o hipotálamo torna-se 
estimulatória (feedback positivo), provocando uma maior liberação de GnRH que, por sua vez, aumentará a liberaçãode LH 
e FSH, elevando ainda mais os níveis séricos de estradiol. Essa elevação aguda do estradiol plasmático provocará a ruptura 
do folículo ovariano, denominada ovulação. Após a ovulação, os níveis de estrógenos caem abruptamente, e sua ação sob o 
hipotálamo volta a ser inibitória (feedback negativo). Essa inversão do feedback ocorrerá ciclicamente, permitindo a 
ovulação periódica na mulher adulta. 
A sensibilidade do hipotálamo em detectar os níveis circulantes de gonadotrofinas e esteróides sexuais, bem como 
a intensidade da ação do efeito inibitório intrínseco do SNC, será responsável pela redução do funcionamento do eixo HHG 
durante a infância. Da mesma forma, é bem provável que o feedback negativo exercido pelo GnRH endógeno sobre sua 
própria secreção, combinada com as b-endorfinas, possa participar no mecanismo restritivo da geração de pulsos do 
hipotálamo no período prépuberal. 
 
Padrão de Secreção das Gonadotrofinas 
A adolescente, no final de seu desenvolvimento puberal, e as mulheres adultas pré-menopáusicas apresentam dois 
padrões distintos de secreção de gonadotrofinas: o tônico e o cíclico. O padrão tônico ou basal é caracterizado pela liberação 
hormonal constantemente regulada pelos próprios níveis hormonais circulantes, exercida pelo feedback negativo. Este é o 
padrão geral existente nos homens e um dos mecanismos de controle na mulher. 
O padrão cíclico caracteriza-se pela elevação acentuada dos níveis circulantes de estrógeno, provocando um efeito 
estimulante sobre a secreção de gonadotrofinas (feedback positivo), que elevarão ainda mais os níveis de estrógenos séricos 
necessários para a ovulação. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Funcionamento do Eixo nas Diversas Idades 
 O funcionamento desse eixo sofre amplas variações desde a vida embrionária até o estabelecimento do seu 
funcionamento normal na vida adulta. O GnRH é detectado no cérebro com quatro ou cinco semanas após a concepção, mas 
apenas na sexta ou oitava semana é detectado no hipotálamo. A partir da 11ª semana, o hipotálamo secreta GnRH com 
conseqüente liberação de LH e FSH. Até 6 meses de vida, no sexo masculino, e 12 meses, no sexo feminino,ainda há 
aumentos transitórios de gonadotrofinas e de esteróides sexuais. Inicia-se, a partir daí um longo período em que o eixo HHG 
será mantido hipofuncionante devido à inibição intrínseca do SNC sobre o hipotálamo, bem como pelo aumento da 
sensibilidade hipotalâmica ao mecanismo de feedback negativo, verificando-se baixos níveis séricos de LH e FSH. A 
supressão desse circuito durante quase toda a infância se deve ao mecanismo de feedback negativo exercido pelos 
hormônios gonadais sobre o hipotálamo (e provavelmente também sobre a hipófise). Nessa fase, um hipotético mecanismo 
sensor do hipotálarrio, que se convencionou chamar de "gonadostato", se mostra extremamente sensível ao efeito 
supressivo dos hormônios gonadais circulantes. Nesse "ponto" de alta sensibilidade do gonadostato, muito pouco GnRH é 
liberado pelo hipotálamo, pouca gonadotrofina é secretada pela hipófise, e a concentração dos hormônios gonadais 
permanece baixa, logo a hipófise pré-puberal apresenta uma baixa capacidade de secreção de LH em presença de estímulos 
agudos. 
 Com a aproximação da puberdade, aumentam os pulsos de GnRH, levando os gonadotrofos a acumular maiores 
reservas de LH liberável. Aproximadamente dois anos antes do surgimento dos primeiros sinais físicos de puberdade, a 
função do eixo HHG aumenta gradualmente e é expressa pelo aumento da amplitude e da freqüência dos pulsos de GnRH 
com consequente aumento da secreção de LH e FSH. O padrão qualitativo, bem como o quantitativo dessas secreções, sofre 
profundas mudanças durante a puberdade. A resposta ao estímulo com GnRH aumenta progressivamente nos dois sexos, 
mas o aumento do FSH é muito menos marcado do que o do LH. Essa reativação do eixo leva à maturação sexual que 
corresponderá à puberdade. Os meninos parecem necessitar de maiores picos de GnRH do que as meninas para exibirem as 
manifestações somáticas equivalentes. Provavelmente, a hipófise feminina secreta gonadotrofinas em um limiar mais baixo 
de estimulação pelo GnRH. Esse fenômeno explicaria por que a puberdade nas meninas começa mais cedo do que nos 
meninos e por que a incidência de puberdade precoce idiopática é maior em meninas, enquanto o atraso constitucional da 
puberdade é mais comum em meninos. No início, os picos de LH terão um ritmo circadiano com pulsos frequentes de baixa 
amplitude (puberdade inicial) que, gradualmente, com a evolução da puberdade, irão diminuindo em frequência e 
aumentando em amplitude (puberdade intermediária), até surgirem também durante o dia, conforme as transformações 
puberais cheguem ao seu final. 
 Com a gradual maturação do eixo, o hipotálamo toma-se capaz de liberar maiores quantidades de GnRH que, 
induzindo a formação de maiores reservas hipofisárias de gonadotrofinas, com ação consequentemente mais intensa sobre 
os folículos; ovarianos, responderá com acentuada liberação de estradiol. Ao atingir esse estágio (na segunda metade do 
período puberal), os ovários estarão aptos a exercer o feedback positivo que permitirá estabelecer a ovulação. Concluída a 
puberdade, encontraremos o padrão secretório adulto, caracterizado por picos de gonadotrofinas ocorrendo a cada 1 a 2 
horas, sem amplificação durante o sono. 
 
Ciclo reprodutivo masculino 
 
 Ciclo reprodutivo feminino 
 Iniciando-se na puberdade e continuando-se os anos reprodutivos, as melhores passam por ciclos reprodutivos 
mensais (ciclos sexuais), que envolvem atividade do hipotálamo do cérebro, da glândula hipófise, da vagina e das glândulas 
mamárias. Esses ciclos mensais preparam o sistema reprodutivo para a gravidez. O GnRH (hormônio liberador de 
gonadotrofina) é sintetizado pelas células neurossecretoras no hipotálamo e é carregado pelo sistema porta-hipofisário até 
o lobo anterior da hipófise, que estimula a liberação de 2 hormônios produzidos pela hipófise, que agem nos ovários: 
- FSH (hormônio folículo-estilmulante): estimula o desenvolvimento dos folículos ovarianos e a produção do estrogênio por 
suas células foliculares. 
- LH (hormônio luteinizante): que atua como disparador da ovulação (liberação do ovócito secundário) e estimula as células 
foliculares e o corpo lúteo a produzir progesterona. 
Esses hormônios induzem também o crescimento do endométrio. 
 Ciclo ovariano 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 O FSH e o LH produzem mudanças cíclicas nos ovários, o desenvolvimento dos folículos, ovulação e formação do 
corpo lúteo. Durante cada ciclo, o FSH promove o crescimento de vários folículos primordiais entre 5 e 12 folículos primários, 
mas apenas um folículo primário se desenvolve at;e se tornar folículo maduro e se rompe na superfície do ovário, liberando 
seu ovócito. 
- Desenvolvimento folicular: é caracterizado por crescimento e diferenciação do ovócito primário; proliferação das células 
foliculares; formação da zona pelúcida e desenvolvimento das tecas foliculares. 
 Com o aumento de tamanho do folículo primário, o tec. conjuntivo adjacente se organiza e forma uma cápsula, a 
teca folicular, que logo se diferencia em 2 camadas: uma interna vascularizada e glandular (teca interna) e uma camada 
conjuntiva, semelhante a uma cápsula (teca externa). Acredita-se que as células tecais produzam um fator de angiogênese 
que promove o crescimento dos vasos sanguíneos da teca interna, que fornecem suporte nutritivo para desenvolvimento 
folicular. As céls foliculares dividem-se ativamente, produzindo uma camada estratificada em torno do ovócito. O folículo 
ovariano logo se torna oval e o ovócito assume posição excêntrica. Logo, surgem em torno das céls foliculares espaços 
preenchidos por fluido, que coalescem para formar uma única e grande cavidade, o antro, que contém o fluido folicular. 
Depoisque antro se forma, o folículo ovariano é denominado folículo vesicular ou folículo secundário. 
 O ovócito primário é empurrado para um lado do folículo, onde fica envolvido por um acúmulo de céls foliculares, 
o cumulus ooforus, que se projeta para dentro do antro. O folículo continua a crescer até que alcança a maturidade e produz 
um intumescimento na superfície do ovário. O desenvolvimento inicial dos folículos ovarianos é induzido pelo FSH, mas os 
estágios finais de maturação requerem também o LH. Os folículos em crescimento produzem estrogênio, um hormônio que 
regula o desenvolvimento e a função dos órgãos reprodutivos. A teca interna vascular produz fluido folicular e algum 
estrogênio. Suas céls foliculares, que os converte em estrogênio. Algum estrogênio é também produzido por grupos 
dispersos de céls estromais secretoras, conhecidas coletivamente como glândula intersticial do ovário. 
- Ovulação: Por volta da metade do ciclo, o folículo ovariano, sob influência do FSH e LH, sofre um repentino surto de 
crescimento, produzindo um intumescimento cístico ou saliência na superfície do ovário, e surge nesta um pequeno ponto 
avascular, o estigma. Antes da ovulação, o ovócito secundário e alguma céls do cúmulos ooforus, destacam-se do interior do 
folículo distendido. A ovulação é disparada por uma onda de produção de LH, que se segue ao pico de LH por 12 a 24 horas. 
A onda de LH, induzida pelo alto nível de estrogênio sanguíneo, parece causar a tumefação do estigma, formando uma 
vesícula, que logo se rompe expelindo o ovócito secundário com o fluido folicular. A expulsão do ovócito é o resultado da 
pressão intrafolicular e contração do músculo liso na teca externa devida à estimulação por prostaglandinas. A digestão 
enzimática da parede folicular parece ser um dos principais mecanismos que levam a ovulação. O ovócito secundário 
expelido é envolvido pela zona pelúcida e por uma ou mais camadas de céls foliculares, as quais se arranjam radialmente 
(corona radiata), formando o complexo cumulus-ovócito. A onda de LH induz o término da primeira divisão meiótica do 
ovócito primário. Portanto, folículos ovarianos maduros contem ovócitos secundários. A zona pelúcida é composta de 3 
glicoproteínas (ZPA, ZPB, ZPC), que formam uma rede de filamentos com múltiplos poros. A ligação do espermatozoide à 
zona pelúcida (interações espermatozoide-ovócito) é um evento crítico e complexo durante a fecundação. 
Corpo Lúteo: Logo após a ovulação, as paredes do folículo ovariano e da teca folicular sofrem colapso e se tornam enrugadas. 
Devido ao LH, elas se desenvolvem em uma estrutura glandular, o corpo lúteo, que secreta progesterona e algum estrogênio, 
fazendo as glândulas endometriais secretarem e prepararem o endométrio para a implantação do blastocisto. Se o ovócito 
é fecundado, o corpo lúteo aumenta de tamanho e forma o corpo lúteo gravídico, aumento sua produção hormonal. Na 
gravidez, a degeneração do corpo lúteo é impedida pela gonadotrofina coriônica humana (hCG), um hormônio secretado 
pelo sinciciotrofoblasto do blastocisto. O corpo lúteo gravídico permanece funcionalmente ativo durante as 20 semanas de 
gravidez. Nessa época a placenta assume a produção de estrogênio e progesterona necessários para a manutenção da 
gestação. Se o ovário não ;e fecundado, o corpo lúteo involui e degenera 10 a 12 dias após a ovulação, quando é chamado 
de corpo lúteo da menstruação. Depois o corpo lúteo é transformado em uma cicatriz branca no ovário, o corpo albicans. 
Exceto na gravidez, os ciclos ovarianos normalmente persistentem por toda vida reprodutiva da mulher e terminam na 
menopausa, a suspensão permanente da menstruação, que geralmente ocorre entre 48 e 55 anos de idade. As alterações 
endócrinas, somáticas e psicológicas que ocorrem ao término do período reprodutivo são chamadas climatéricas. 
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4- Elucidar o ciclo menstrual 
Ciclo menstrual (endometrial) 
 É o período durante o qual o ovócito amadurece, é ovulado e entra na tuba uterina. Os hormônios produzidos 
pelos folículos ovarianos e coro lúteo (estrogênio e progesterona) causam mudanças cíclicas no endométrio; na camada 
interna do útero constituem o ciclo endometrial (período menstrual) que causa a menstruação (fluxo sanguíneo do útero). 
O endométrio é um espelho do ciclo ovariano respondendo às concentrações flutuantes de gonadotrofinas e hormônios 
ovarianos. O ciclo menstrual é em média de 28 dias variando em extensão em mulheres normais (23 a 35 dias - alteração na 
duração da fase proliferativa), sendo o primeiro dia o dia que no qual se inicia o fluxo menstrual. 
FASES: Embora seja dividido em 3 fases, o ciclo menstrual é um processo continuo; cada fase passa gradualmente para a fase 
seguinte. 
- Fase menstrual: a camada funcional da parede uterina desintegra-se e é expelida com o fluxo menstrual (sangramento 
mensal) que dura de 4 a 5 dias, o sangue esta misturado a pequenos fragmentos de tecido endometrial, e após a menstruação 
o endométrio tona-se delgado. 
- Fase proliferativa (folicular, estrogênica): dura +-9 dias, coincide com o crescimento dos folículos ovariano e é controlada 
pelo estrogênio secretado por estes folículos. O endométrio aumenta de 2 a 3x sua espessura e conteúdo de água nessa fase 
de reparo e restauração. Em seu início, o epitélio superficial reconstrói-se e recobre o endométrio, as glândulas aumentam 
de número e comprimento e as artérias espiraladas se alongam. 
- Fase lútea (secretora, pregestacional): dura +-13 dias, coincide com a formação, o crescimento e o funcionamento do corpo 
lúteo. A progesterona produzida pelo corpo lúteo estimula o epitélio glandular a secretar um material rico em glicogênio. As 
glândulas tornam-se amplas, tortuosas e saculares, e o endométrio espessa-se devido a progesterona e do estrogênio do 
corpo lúteo e tbm pelo aumento de fluido no tec. conjuntivo. As artérias espiraladas crescem dentro da camada compacta 
superficial e se tornam muito enroscadas. A rede venosa torna-se complexa e grandes lacunas venosas se desenvolvem (há 
anastomoses arteriovenosas). 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Se a fecundação não ocorre: o corpo lúteo degenera, os níveis de estrogênio e progesterona caem e o endométrio secretor 
entra na fase isquêmica, ocorre a menstruação. 
-> Fase isquêmica: ocorre quando o ovócito não é fecundado, a isquemia ocorre quando as artérias espiraladas se contraem, 
dando ao endométrio aspecto pálido, resultante da diminuição da secreção de hormônios pelo corpo lúteo em degeneração, 
principalmente progesterona. Além de parada de secreção glandular, perda de fluido instersticial e acentuada retração do 
endométrio. Por fim as artérias espiraladas se contraem por períodos maiores, acarretando estase venosa e necrose 
isquêmica (morte) nos tecidos superficiais, segue-se a ruptura da parede dos vasos lesados e o sangue penetra no tec. 
conjuntivo adjacente, formando pequenos lagos de sangue que se rompem na superfície endometrial resultando em 
sangramento para a luz uterina e pela vagina. Há perda de 20 a 80 ml de sangue, e finalmente após 3 a 5 dias toda a camada 
compacta e a maior parte da camada esponjosa são eliminadas, o remanescente destas permanecem e são regeneradas 
durante a fase proliferativa seguinte. 
Se há fecundação: ocorre a clivagem do zigoto e a blastogenêse (formação do blastocisto que é implantado no endométrio 
no 6 dia da fase lútea, que prossegue, mas não há menstruação) 
-> Fase de gravidez: com a gestação os ciclos menstruais cessam e o endométrio passa para uma fase gravídica. Com o 
termino da gravidez, os ciclos ovarianos e menstruais ressurgem após um período variável (de 6 a 10 semanas se a mulher 
não está amamentando). 
 
5- Caracterizara resposta sexual 
 Pode-se então pensar a resposta sexual humana (RSH) em três dimensões: a biológica, a psicológica e a social. Já 
segundo Kaplan, “A RSH é uma sucessão altamente racional e ordenada de ocorrências fisiológicas cuja função é preparar os 
corpos de dois parceiros para a união reprodutora. A resposta sexual feminina transforma o espaço potencial da vagina, 
apertada e seca, num receptáculo bem lubrificado e aberto para o pênis”. 
 Como define a Organização Mundial de Saúde, saúde sexual é a integração dos elementos somáticos, emocionais, 
intelectuais e sociais do ser sexual, por meios que sejam positivamente enriquecedores e que potencializem a personalidade, 
a comunicação e o amor. A vida sexual de pessoas sadias, ou seja, com “saúde sexual”, é coordenada pela inter-relação de 
três sistemas: o neurológico, o vascular e o endocrinológico. Qualquer alteração em algum destes sistemas pode, 
potencialmente, gerar descompassos na reposta sexual. 
 Resposta sexual humana: A relação sexual bem-sucedida depende de uma sequência complexa de ocorrências 
hormonais e fisiológicas altamente vulneráveis aos efeitos de excitações emocionais, tanto intensas quanto crônicas. 
 Masters & Johnson, em 1970, descreveram o “ciclo de resposta sexual completo”, subdividindo-o em quatro fases: 
1) Excitação: duração de minutos a horas. É a estimulação psicológica e/ou fisiológica para o ato. Corresponde à lubrificação 
vaginal na mulher e à ereção peniana no homem. Caracteriza-se basicamente por dois fenômenos: vasocongestão e 
miotonia, culminando na formação da plataforma orgásmica. 
2) Platô: excitação contínua; prolonga-se de 30 segundos a vários minutos; 
3) Orgasmo (orge, do Latim, significa agitação, irritação). É uma descarga de imenso prazer, representada no homem pela 
ejaculação peniana. Segundo Wilhelm Reich, é “Tensão que aumenta, atinge o auge, e é descarregada, gerando relaxamento 
corporal”. É a fase de excitação máxima, com grande vasocongestão e miotonia rítmica da região pélvica, acompanhada de 
grande sensação de prazer, seguida de relaxamento e involução da resposta (resolução). É o clímax da resposta sexual e 
constitui uma série de contrações rítmicas (3 a 15) da plataforma orgástica, com intervalo de 0,8 segundos; 
4) Resolução: Também chamada fase de detumescência, é um estado subjetivo de bem-estar que se segue ao orgasmo, no 
qual predomina o relaxamento muscular, a lassidão e certo torpor. Tem duração de minutos a horas. Nos homens, 
caracteriza-se por um período refratário no qual o organismo necessita estar em repouso, não aceitando mais estimulação. 
 A fase de desejo ou apetência só foi descrita por Kaplan em 1977, e corresponderia à vontade de estabelecer uma 
relação sexual, a partir de algum estímulo sensorial (audição, visão, olfato etc.), assim como pela memória de vivências 
eróticas e de fantasias. O novo esquema considerava o ciclo de resposta sexual, então, composto pelas fases de desejo, 
excitação, orgasmo e resolução. 
 Em 2002, a psiquiatra canadense Rosemarie Basson descreveu o “Modelo Circular da Resposta Sexual Feminina”, 
no qual, nos relacionamentos de longo prazo, a mulher iniciaria a relação a partir da “neutralidade sexual”, ou seja, quando 
estimulada pelo parceiro, atingiria graus crescentes de excitação, motivada pela intimidade, pelo ganho secundário do 
vínculo afetivo, ou por outras razões não sexuais, antepondo a excitação ao desejo13,14. O desejo se desenvolveria 
posteriormente, sendo uma consequência e não a causa do ato sexual13,14. Este modelo valoriza a resposta e a 
receptividade femininas, postulando que, para muitas mulheres, é o desejo de intimidade, ao invés de um impulso biológico, 
o desencadeador do ciclo de resposta sexual. 
DESEJO (LIBIDO) 
 O desejo sexual assemelha-se a um apetite, onde a pessoa procura buscar ou a torna receptiva ao sexo. 
Interferências orgânicas ou emocionais podem alterar a percepção do desejo, sendo vivenciado de formas e intensidades 
diferentes no homem e na mulher. 
 O desejo é um impulso que o sistema neurológico específico produz por meio de sua estimulação. A libido ativa 
uma cadeia de processos complexos do sistema nervoso de forma consciente e inconsciente, resultando numa série de 
sustâncias químicas que envolvem o corpo. Causando percepções particulares e suficientes que fazem a pessoa buscar a 
relação sexual ou pelo menos demostrar-se receptiva. O centro nervoso cerebral divide-se em dois setores, que estão ligados 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
a dois sistemas de neurotransmissores importantes: um que ativa o desejo e outro, que inibe. Os neurotransmissores são 
mensageiros químicos que tem como função enviar informação entre células nervosas. Então quando a pessoa tem uma 
lembrança erótica ou sensual ativada por qualquer tipo de estímulo sensorial, esses mensageiros são acionados. 
 
Fonte: http://www.guia.heu.nom.br/sistema_limbico.htm 
 
 No cérebro a região sexual localiza-se no hipotálamo onde estão localizados os neurotransmissores que ativam e 
que inibem o desejo, chamados de centros póstero-laterais e centros ventro-mediais respectivamente, agindo de forma 
antagonista. Esses centros estão relacionados aos centros do prazer e da dor. Por esse motivo quando o centro do desejo é 
acionado, ocorre a ativação do centro do prazer, proporcionando a pessoa uma sensação prazerosa. Já quando o centro da 
dor é ativado, pode haver uma inibição do desejo pelo centro relacionado. 
 As endorfinas são compostos químicos produzidos pelas células cerebrais que proporciona um efeito de euforia, 
bem estar e alívio. Essa substancia é liberada no Sistema Nervoso Central (SNC) e vai ao mesmo tempo estimular o centro 
do prazer e inibir o centro da dor. Já quando se estimula o centro da dor, a produção de endorfina é bloqueada. Na fase do 
desejo, também estão envolvidos alguns hormônios, estrógeno e testosterona na mulher e no homem apenas a testosterona 
que vão agir nos centros sexuais do hipotálamo. Na mulher na carência de testosterona o estímulo sexual pode ser dado 
pelo Hormônio Luteinizante (LH), secretado pela hipófise anterior. 
EXCITAÇÃO 
 Nessa fase o corpo se modifica para a relação sexual é como o corpo responde ao desejo. Na mulher a vagina que 
era um espaço virtual e seco, torna-se alongada, alargada e lubrificada devido à maior irrigação sanguínea no local e por 
liberação de muco pelas células do epitélio da vagina e pelas glândulas vestibulares. Outras transformações importantes 
ocorrem como o aumento do volume uterino e sua elevação na pelve, a contração de fibras musculares, de forma crescente 
e involuntária (miotonia). Os seios apresentam um leve aumento e os mamilos enrijecem. Há um aumento da frequência 
cardíaca e respiratória. Os órgãos localizados próximos a região genital, como o ânus, reto, bexiga e uretra, sofrem 
contrações musculares. Órgãos que fazem parte do aparelho genital feminino passam por transformações significativas: no 
clitóris, nos grandes e pequenos lábios no útero e na vagina há um aumento e acumulo da circulação de sangue, tanto de 
forma superficial como profunda provocando uma congestão vascular; os músculos desses órgãos também irão sofre 
miotonia. Há um avermelhamento e aumento de tamanho dos grandes e pequenos lábios e do clitóris. Para deixar a abertura 
da vagina livre os grandes lábios se comprimem havendo uma retração dos mesmos. 
 No homem a fase da excitação é delimitada pela a ereção do pênis. Como no sexo feminino as mudanças mais 
importantes no masculino são a congestão vascular e a miotonia. Também apresenta alteração nos mamilos com aumento 
de sensibilidade e leve enrijecimento, a pele sofre pequeno rubor, podendo aparecer manchas avermelhadas. A pressão 
sanguínea, a frequência cardíaca e a respiratória aumentam durante a fase de excitação. Há contração de órgãos próximos 
à região genital masculina.ORGASMO 
 O orgasmo, também denominado de êxtase, gozo ou ápice, acontece quando os estímulos sexuais alcançam a sua 
atividade máxima, quando toda tensão sexual é liberada. Ocorre o que se denomina de plataforma orgásmica, que é a 
congestão vascular profunda do clitóris, pequenos e grandes lábios do terço inferior da vagina. Nessa região acontece uma 
série de contrações rítmicas e involuntárias. 
 No homem é acompanhado da ejaculação onde passa por uma contração muscular com expulsão de esperma. A 
ejaculação se dá em duas partes, a primeira quando o líquido seminal é liberado pela próstata, vesícula seminal e canal 
ejaculatório para a uretra; a segunda parte se dá quando a passagem desse líquido da uretra até a expulsão pelo orifício 
uretral localizado na cabeça do pênis. A mulher logo após o orgasmo pode ser novamente estimulada e iniciar outro ciclo 
excitatório, essa capacidade de ter múltiplos orgasmos não é vista no homem que em seguida a essa fase passa por um 
período de relaxamento denominado resolução. 
 
6- Compreender a puberdade e seus marcos, relacionando com as alterações psicosociais 
Definições 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Primeira infância: refere-se ao primeiro período da vida extra-uterina; basicamente, o primeiro ano após o nascimento. 
Infância: é o período que se inicia por volta dos 13 meses e vai até a puberdade. Os dentes primários (decíduos) continuam 
a aparecer e mais tarde são substituídos pelos permanente. Em seu inicio há uma ossificação ativa mas conforme a idade a 
tava de crescimento diminui, mas logo antes da puberdade o crescimento acelera (pico de crescimento pré-puberal). 
Puberdade: frequentemente se estende dos 12 aos 15 anos de idade nas meninas (normal depois dos 8), e dos 13 aos 16 nos 
meninos, durante o qual ocorre o amadurecimento dos caracteres sexuais primários (genitais e gonádicos), o surgimento e 
desenvolvimento das características sexuais secundárias (mamas, pelos pubianos e axilares) e pelo estirão do crescimento. 
Os estágios do desenvolvimento da puberdade seguem um padrão individual e define-se não como um evento isolado mas 
uma fase continuum do desenvolvimento do eixo hipotálamo-hipofise-gonadal (HHG), que tem sua função iniciada na vida 
fetal, entra em quiescência durante a infância e sofre uma reativação no inicio da puberdade. Nas meninas a puberdade 
termina com o primeiro período menstrual ou menarca, iniciando os ciclos ou períodos menstruais. Nos meninos, a 
puberdade termina quando os espermatozóides maduros são produzidos. 
Adolescência: período compreendida entre os 11 e 19 anos de idade, caracterizado pela rápida maturação física e sexual. 
Esse período se estende dos primeiros sinais de maturidade sexual -puberdade- até o alcance da maturidade física, mental 
e emocional. A capacidade de reprodução é alcançada na adolescência. A taxa de crescimento geral desacelra quando esse 
período termina, mas o crescimento de algumas estruturas se acentua (ex: mamas femininas e genitália masculina). 
Idade adulta: realização do crescimento completo e da maturidade, é alcançada geralmente entre as idades de 18 e 21 anos. 
A ossificação e o crescimento são completados praticamente durante os primeiros anos de vida adulta (21 a 25 anos). Após 
essa idades, as mudanças no desenvolvimento ocorrem muito vagarosamente. 
 
Alterações físicas na puberdade 
 A sequencia de eventos usualmente segue o padrão: crescimento acelerado, telarca, pubarca e menarca, cobrindo 
um período em média de 4,5 anos (1,5 a 6 anos). Em 20% das meninas a pubarca antecede a telarca. Nas meninas o primeiro 
sinal visível de maturação sexual é o surgimento do broto mamário (geralmente 10 a 12 anos), seu desenvolvimento 
completo leva de 3 a 4 anos, finalizando-se aos 14 anos. A adrenarca (início da estereidogenese adrenal) predominantemente 
de androgênios, precede a pubarca, iniciando-se bioquimicamente aos 6 anos. A manifestação clinica da adrenarca, ou seja, 
a pubarca, entretanto, acontece cerca de 6 a 12 meses após a telarca. Os pelos pubianos levam cerca de 3 anos para 
completar seu desenvolvimento. A menstruação ocorre aos 12,8 anos (11 a 13). Em 70% das meninas a menarca acontece 
em M4, enquanto em 25% acontece em M3. Os ciclos menstruais, inicialmente, são anovulatórios, associados a 
menstruações irregulares, sendo que 1 a 2 anos depois tornam-se ovulatórios e regulares. 
Estirão do crescimento: constitui a primeira manifestação da puberdade na maioria das meninas, a taxa de crecimento ósseo 
é acelerada na puberdade, sendo que 45% da massa esquelética total do adulto é desenvolvida entre 11 e 18 anos. A duração 
total da fase de crescimento puberal é o principal fator determinando da estrutura final do adulto, sendo importante também 
o tempo de início da puberdade. O inicio precoce leva a uma menos estatura final, enquanto o inicio tardio resulta em maior 
estatura devido a fase em que ocorre o fechamento das epífises ósseas. É dividido em 3 estágios: Inicial (velocidade mínima 
de crescimento -peripuberal), pico da velocidade de crescimento (PVC - aceleração rápida do crecimento) e estágio final 
(diminuição da velocidade e interrupção do crescimento, por ocasião da fusão epifisiária). 
Caracteres sexuais secundários: se constitui em 2 diferentes fenômenos; o desenvolvimento das mamas (telarca) e o 
crescimento dos pelos pubianos (telarca). A classificaçao de Tanner para a mama inicia-se no estágio 1 (elevação da papila - 
fase pré puberal), estagio 2 (elevação da mama e da papila, broto mamário, e aumenta diâmetro areolar), estágio 3 (aumento 
adicional da mama e aréola, sem separação dos contornos), estágio 4 (elevação secundária da aréola e da papila acima do 
nível da mama) e estágio 5 (projeção da papila e uma recessão da aréola ao contorno geral da mama). Para os pelos pubianos 
há o estágio 1 (ausência de pelos - fase pré-puberal), estagio 2 (há pelos pigmentados, escassos, principalmente nos grandes 
lábios), estagio 3 (pelos tornal-se escuros, grossos, encaracolados e espalhados de forma dispersa sobre o monte pubiano), 
no estagio 4 (pelo do tipo adulto abundantes mas limitados ao monte pubiano) e estagio 5 (espalham-se sobre as coxas). 
Caracteres sexuais primários: a mucosa vaginal torna-se espessa e enrugada, aparece uma secreção clara, o ph diminui 
devido ao acido lático, ocorre depósito de gordura subcutânea no monte pubiano e grandes lábios, pequenos lábios e clitoris 
tornam-se proeminentes. O útero e os ovários tem aumento de volume. 
Menarca: é a primeira menstruação, é um evento marcante no desenvolvimento puberal e sinaliza a obtenção da capacidade 
reprodutiva. 
 
Puberdade não é um novo evento, mas parte de uma seqüência que começa na vida embrionária. A seqüência de 
modificações no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HHG), controladas por complexos fatores neuroendócrinos, que ocorrerá 
nesta fase será expressa fisicamente pelo surgimento das seguintes modificações: 
 
1. Aceleração e desaceleração da velocidade de crescimento estatural com posterior fusão das cartilagens de crescimento. 
2. Desenvolvimento dos órgãos de reprodução e caracteres sexuais secundários. 
3. Surgimento do broto mamário e conseqüente aumento da glândula mamária. 
4. Surgimento dos pêlos pubianos; e axilares. 
5. Mudanças da composição corporal com acúmulo localizado de gorduras, dando a característica arredondada ao corpo 
feminino. No sexo masculino, ocorre aumento mais acentuado da massa muscular. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
6. Aumento do quadril mais acentuado do que o dos ombros nas mulheres, ocorrendo, no homem, um aumento maior do 
diâmetro biacromial. 
7. Surgimento do odor androgênico. 
8. Surgimento da acne devido à mudança nas características da pele. 
9. Alteração da cartilagem cricóide com conseqüente alteração da voz, que se torna mais grave nos homens do que nas 
mulheres.10. Desenvolvimento dos sistemas cardiovascular e respiratório, proporcionando aumento da força e resistência, 
principalmente no sexo masculino. 
11. Combinação de fatores não claramente conhecidos, que modulam a atividade neuroendócrina, iniciando e coordenando 
todas essas transformações. 
 
Estágios de Tanner 
A descrição feita por Tanner baseia-se na evolução do crescimento mamário e dos pêlos pubianos separadamente, pois nem 
sempre a maturidade de ambos ocorre de forma concomitante. São descritos cinco estágios: o primeiro refere-se o corpo 
infantil com ausência de sinais puberais (Tanner I), o quinto descreve o desenvolvimento puberal completo, típico dos 
adultos, e os três estágios intermediários caracterizam a puberdade inicial (Tanner H), média (Tanner HI) e final (Tanner IV). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 1 intermediária 
 
1- Conceituar o abuso sexual e suas consequências físicas e psíquicas na criança e adolescente 
Abuso sexual 
 Ocorre abuso sexual de crianças e adolescentes quando estes indivíduos em formação são usados para gratificação 
sexual de pessoas geralmente mais velhas, em um estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado. Esta situação 
está presente em todos os meios socioeconômicos, religiosos, étnicos e culturais. Abrange todo ato, exploração, jogo, relação 
hetero ou homossexual, ou vitimização, de crianças e adolescentes por um adulto, por um adolescente, ou por uma criança 
mais velha que, pelo uso do poder, da diferença de idade, de conhecimento sobre o comportamento sexual, age visando o 
prazer e a gratificação própria. Pode acontecer com toque físico (beijos, carícias, penetração digital, penetração com objetos, 
sexo oral, anal, vaginal) ou sem qualquer tipo de contato físico (assédio, cantadas obscenas, exibicionismo, voyeurismo, 
participação em fotos pornográficas). Considera-se que é abuso pois supõe o envolvimento de crianças e adolescentes em 
práticas sexuais às quais não possuem condições maturacionais biológicas nem psicológicas, fazendo com que seja impossível 
o consentimento consciente da atividade sexual. Trata-se de uma situação emocionalmente prejudicial e, em geral, 
acompanhada por outros tipos de maus tratos. No abuso sexual, crianças e adolescentes são despertados para o sexo 
precocemente, de maneira deturpada. São desrespeitados como pessoa humana, têm seus direitos violados, e o pior: na 
maioria das vezes, por quem tem a obrigação de protegê-los. O abuso sexual fornece à vítima informações errôneas sobre 
sexo e sobre a sexualidade, além de ser uma relação que envolve poder e conhecimento desiguais. 
Consequências 
 Crianças e adolescentes podem ser afetados de diferentes formas e os sinais apresentados variam muito, desde a 
ausência de sintomas até a manifestação de sérios problemas físicos, emocionais e sociais. Os resultados do abuso podem 
surgir a curto e a longo prazo, com formas diferenciadas de acordo com a idade da vítima. É importante o conhecimento das 
diferentes fases do desenvolvimento infantil a fim de distinguir um sinal de maus-tratos de um comportamento que seja 
próprio da sexualidade infantil. Em geral, as consequências se dividem entre físicas e psicológicas. 
 
 O abuso sexual infantil pode ser um fator de risco para distúrbios emocionais mais graves. Convém lembrar, 
entretanto, que um número considerável de vítimas não apresenta sintomas. A presença isolada de indicadores não é 
suficiente para a interpretação de abuso sexual. 
 
2- Conhecer as estratégias de intervenção em casos de abuso 
Como abordar 
A Revelação 
 Falar de uma situação de abuso sexual é particularmente delicado. Além de ouvir a vítima em ambiente apropriado, 
protegendo sua identidade, é necessário levar a sério suas palavras e acreditar no seu relato. É importante que a vítima se 
expresse a seu modo, com suas próprias palavras, sem ser induzida pois, caso contrário, corre-se o risco de a criança ou o 
adolescente se calar. Cabe a quem escuta reconhecer a gravidade das descobertas e informar aos envolvidos sobre a 
necessidade de levar os fatos ao conhecimento daqueles que devem intervir para proteção da vítima. É preciso explicar à 
criança, de forma simples, clara e honesta, como se pretende ajudá-la e contatar, imediatamente, sua família. O abuso sexual 
é, na maioria das vezes, um fato mantido em segredo, o que dificulta sua identificação. O sentimento de vergonha, a 
dependência emocional, o fato de o abusador ser alguém da família, da possibilidade dele ser incriminado e submetido a 
penalidades legais, além da condição de provedor econômico são fatores que podem contribuir para a não revelação da 
situação. 
Avaliando a Criança 
 Na avaliação da criança e do adolescente sexualmente abusados devese ter o cuidado para evitar a contaminação 
dos dados fornecidos (de forma a não influenciar seu discurso) e com a revitimização, ou seja, que a vítima venha a sofrer 
tendo que repetir a história, rememorando a experiência diversas vezes. Estima-se que muitos casos de abusos sexuais não 
deixem lesões físicas. Com isso, tornam-se difíceis os achados que sustentem, juridicamente, a materialidade do ocorrido. 
Nos casos em que há materialidade, esta tende a desaparecer, já que o tempo transcorrido entre o fato e o exame de perícia 
médica comumente propicia a regeneração das lesões sofridas. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 Quando não há a indicação de autoria, o que geralmente ocorre é um redirecionamento da investigação 
diagnóstica para outras variáveis, tais como as avaliações médica e psicológica. A avaliação psicológica aborda: 
a) entrevista: raramente as histórias de abusos são inventadas pela vítima, e quando isto ocorre, é facilmente detectável; 
b) psicopatologias associadas ou intercorrentes: é sabido que abusos produzem quadros de transtornos emocionais. Assim 
sendo, busca-se investigar a possibilidade de quadro psicopatológico que possa ser associado ao fato; 
c) entrevista com familiares: serve para a consolidação do diagnóstico; 
d) entrevista com o agressor: em geral, o abusador nega a agressão independentemente das provas. No entanto, há casos 
em que ocorre a revelação da autoria do abuso pelo agressor. 
Tratamento 
 Nas situações de violência extrafamiliar, tanto o agressor quanto a vítima devem ser submetidos a tratamento 
psicológico. O envolvimento da família vai depender do manejo dado ao caso. No caso de abuso sexual intrafamiliar, a vítima, 
sua família e o abusador devem passar por tratamento psicológico adequado. Torna-se cada vez mais urgente a necessidade 
de ambulatórios especiais para desenvolverem um trabalho que priorize casos de violência sexual oferecendo intervenção 
terapêutica individual, grupal e familiar. Além disso, o ambulatório deve servir de respaldo técnico aos Conselhos Tutelares, 
à Polícia Especializada, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, num amplo exemplo de integração multidisciplinar, 
fundamental à abordagem de tal problemática. 
 Se não houver um tratamento às crianças e adolescentes vítimas, novos ciclos de violência acontecerão. Por isso, 
é necessário que tanto as vítimas quanto os abusadores recebam atendimento especializado. 
Como encaminhar uma situação de abuso sexual 
 O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê, em seu artigo 13, que casos de suspeita ou confirmação de maus-
tratos (inclui qualquer tipo de abuso ou violência) serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva 
localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Caso não haja Conselho Tutelar, a comunicação deverá ser feita à 
Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude e à Vara da Infância e da Juventude. A vítima deve ser 
encaminhada para a Delegacia de Polícia próxima do local dos fatos. Sugere-se que casos de abusosexual infanto-juvenil 
sejam encaminhados à DPCA – Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente – para serem adotadas medidas legais, 
incluindo o exame de corpo de delito. Denúncias anônimas podem ser feitas para o serviço SOS Criança (no DF, fone: 61 
3346-1407) ou ao Sistema de Notificação Nacional Integrado (fone: 100). Após a denúncia legal, é muito importante que a 
vítima seja encaminhada a atendimento médico e procure logo serviços de apoio psicológico. 
 
3- Explicar o mecanismo da ação da pílula do dia seguinte (contraceptivo de emergência) 
 
Alternativa Contraceptiva: o que é contracepção de emergência 
 A contracepção de emergência é opção contraceptiva que utiliza doses concentradas de hormônios sintéticos já 
usados em pílulas anticoncepcionais orais comuns à base de etinil-estradiol e levonorgestrel1 . Emprega-se em vários países, 
incluindo o Brasil, constando nas normas de Planejamento Familiar desde 1996 (Ministério da Saúde, 1996). Como o método 
não interrompe gravidez já estabelecida, ou seja, não causa aborto, sua utilização é legal, mas de acordo com o Ministério 
da Saúde, só deve ser utilizada mediante prescrição médica. O método é considerado um contraceptivo de segunda geração 
derivado da progesterona e da 19-nortesterona e está disponível em dose única (sob diversas marcas comerciais) de 2 
comprimidos orais de levonorgestrel 0,75 e, atualmente, também em apenas 1 comprimido – uma vez que estudos 
divulgados na I Conferência Latinoamericana de Contracepção de Emergência, realizada em 2002 no Equador, demonstraram 
que o efeito de um dose de 1,5mg equivale a 2 doses de 0,75 mg de levonorgestrel com intervalo de 12 horas. 
Mecanismo de Ação 
 A contracepção de emergência é a única forma de prevenção à gravidez utilizável depois de relação sexual. O 
método funciona interrompendo o ciclo reprodutivo da mulher, ou seja, alterando os fenômenos biológicos que culminam 
com a concepção. 
 A contracepção de emergência atua principalmente inibindo ou retardando a ovulação e prejudicando a 
mobilidade dos espermatozóides no útero, por isso seu efeito é anterior à fecundação (Ministério da Saúde, 2005). A 
suposição de terceira forma de ação de que método impediria a implantação do óvulo fecundado nas paredes do útero foi 
descartada desde 2004, pela realização de diversos estudos (Ministério da Saúde, 2005). Esta atuação na nidação do óvulo, 
de qualquer forma, não seria considerada abortiva pelas normas científicas adotadas internacionalmente que consideram o 
início da gravidez somente com a implantação completa do ovo fertilizado na parede uterina. O mecanismo de ação que 
resulta na prevenção da gravidez se dá conforme o momento do ciclo menstrual em que a mulher utiliza o método de 
emergência. Como o processo de fertilização, por causa da sobrevida dos espermatozóides, pode levar até 120 horas após 
da relação sexual, a contracepção de emergência deve ser utilizada nesse período de, no máximo, cinco dias (Ministério da 
Saúde, 2005). 
 Caso se inicie a implantação do óvulo fecundado nas paredes do útero, que ocorre normalmente 5 dias depois da 
fertilização, o método é ineficaz e não provoca seu descolamento, nem o descolamento das paredes do endométrio, 
portanto não é abortivo; a um só tempo seu uso não provoca danos ao feto que esteja em desenvolvimento, nem à gravidez. 
 Assim, com o uso do método é necessário esperar a vinda da menstruação, que geralmente vem próxima à data 
prevista sem o emprego do método, porém em 25% das mulheres pode ser antecipada ou retardar alguns dias. Como a 
contracepção de emergência não previne a gravidez para as relações que ocorram depois de seu uso, é indispensável a 
utilização de outras formas de contracepção para a prevenção da gravidez nas relações sexuais posteriores ao emprego deste 
método, até que a menstruação ocorra. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 -> O misoprostol é a versão sintética da prostaglandina E1 (PGE1) usado no tratamento e prevenção 
de úlcera do estômago. Esta substância também é usada ilegalmente como abortivo. Esta prostaglandina sintética quando 
age no útero causa aumento das contrações do miométrio, o que em mulheres grávidas pode causar aborto. Em hospitais, 
nas interrupções terapêuticas da gravidez, indução de parto em morte fetal intra-uterina, tratamento farmacológico de 
aborto espontâneo ou indução de parto dependendo do caso pode receber doses de 200 mcg por via vaginal de tempo em 
tempo e quantidade específica de acordo com o tempo de gestação e sob critério médico. As doses aplicadas são reduzidas 
para um mínimo que tenha efeito satisfatório. Dependendo do caso pode ser efetuada administração conjunta 
com mifepristona. Também existem apresentações de 25 mcg utilizadas em casos de colo uterino imaturo, na indução de 
parto quando não há riscos maternais e fetais. Estudos demonstram que doses de 25 mcg sublingual e 25 mcg vaginal 
possuem a mesma efetividade e segurança. 
 
4- Descrever os métodos contraceptivos na adolescência 
 
Anticoncepção na adolescência (Assistência em planejamento familiar: manual técnico. 2002) 
 A adolescência é uma fase que acarreta importantes mudanças biopsicossociais e que determina especificidades 
emocionais e comportamentais que repercutem na saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes de ambos os sexos. O 
elevado número de partos entre as adolescentes, o início cada vez mais precoce das relações sexuais e o aumento das 
DST/AIDS nessa faixa etária justificam a prestação de uma assistência adequada às necessidades da população na faixa etária 
de 10 a 19 anos. Um serviço de orientação em saúde sexual e reprodutiva para adolescentes deve estar preparado para 
entender e atender a essas especificidades, proporcionando aos e às adolescentes o direito a uma atenção eficaz e de 
qualidade. 
A qualidade dessa atenção pressupõe, minimamente: 
- Boa comunicação, com linguagem simples e sem julgamentos morais ou valorativos. 
- Confidencialidade das informações e privacidade no atendimento. 
- Disponibilidade constante de insumos, levando-se em consideração a necessidade de dupla proteção. 
- Facilidade de acesso aos serviços e profissionais qualificados para a especificidade do atendimento. 
- Ênfase na parte educativa, em grupo, com metodologia que motive mudanças de atividade e de comportamento. 
- Atendimento para ambos os sexos e atenção especial às faixas etárias mais precoces (10 a 14 anos), quando na unidade ou 
na região se registra aumento de gestação nessa faixa etária. 
- A avaliação integral do e da adolescente incluirá a avaliação psicossocial, além do exame físico. 
- Os/as adolescentes são o centro de interesse na entrevista. Os pais ou familiares só estarão presentes se ele ou ela permitir. 
Recomenda-se trabalhar ações educativas de prevenção nas unidades de saúde, escola, centro de lazer, centro esportivo ou 
cultural entre outros. 
 Assim endossamos as recomendações do Departamento de Bioética e Adolescência da Sociedade de Pediatria de 
São Paulo relacionadas a seguir: 
- Os pais ou responsáveis somente serão informados sobre o conteúdo das consultas, como, por exemplo, nas questões 
relacionadas à sexualidade e prescrição de métodos contraceptivos, com o expresso consentimento do adolescente. ¾A 
participação da família no processo de atendimento do adolescente é altamente desejável. Os limites desse envolvimento 
devem ficar claros para a família e para o jovem. O adolescente deve ser incentivado a envolver a família no 
acompanhamento dos seus problemas. 
- A ausência dos pais ou responsáveis não deve impedir o atendimento médico do jovem, seja em consulta de matrícula ou 
nos retornos. 
- Em todas as situações em que se caracteriza a necessidade da quebra do sigilo médico, o adolescente deve ser informado, 
justificando-se os motivos para essa atitude. 
 Os adolescentes podem utilizar qualquer método anticoncepcionaldesde que não apresentem alguma das 
condições clínicas que contra indiquem seu uso, conforme critérios de elegibilidade descritos para cada método. 
 
MÉTODOS 
- Comportamentais 
 Os métodos comportamentais de planejamento familiar são técnicas para obter ou evitar a gravidez mediante a 
auto-observação de sinais e sintomas que ocorrem no organismo feminino ao longo do ciclo menstrual. Baseando-se na 
identificação do período fértil da mulher, o casal pode concentrar as relações sexuais nesta fase, caso deseje obter uma 
gravidez, ou abster-se de ter relações sexuais, caso deseje espaçar ou evitar a gravidez. Como métodos anticoncepcionais a 
taxa de falha, no primeiro ano de uso, atinge até 20%, em uso habitual. Entre usuários adaptados ao método (uso correto) 
este índice cai para 0,5 a 9%. 
 MÉTODO OGINO-KNAUS (Ritmo, Calendário ou Tabelinha): Este método baseia-se no fato de que a duração da 
segunda fase do ciclo menstrual (pós-ovulatório) é relativamente constante, com a ovulação ocorrendo entre 11 a 16 dias 
antes do início da próxima menstruação. O cálculo do período fértil da mulher é feito mediante a análise de seu padrão 
menstrual prévio, durante 6 (seis) a 12 (doze) meses. A mulher que quiser usar este método deve ser orientada para registrar, 
durante pelo menos 6 meses, o primeiro dia de cada menstruação. 
 MÉTODO DA TEMPERATURA BASAL CORPORAL Este método fundamenta-se nas alterações da temperatura basal 
que ocorrem na mulher ao longo do ciclo menstrual. A temperatura basal corporal é a temperatura do corpo em repouso. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Antes da ovulação, a temperatura basal corporal permanece num determinado nível baixo; após a ovulação, ela se eleva 
ligeiramente (alguns décimos de grau centígrado), permanecendo nesse novo nível até a próxima menstruação. Este 
aumento de temperatura é resultado da elevação dos níveis de progesterona, que tem um efeito termogênico. O método 
permite, portanto, por meio da mensuração diária da temperatura basal, a determinação da fase infértil pós-ovulatória. 
 MÉTODO DO MUCO CERVICAL OU BILLINGS Este método baseia-se na identificação do período fértil por meio da 
auto-observação das características do muco cervical e da sensação por ele provocada na vulva. O muco cervical é uma 
secreção produzida no colo do útero pelo epitélio glandular das criptas cervicais, que por ação hormonal apresenta 
transformações características ao longo do ciclo menstrual, possibilitando dessa maneira a identificação do processo 
ovulatório. O muco cervical, no início do ciclo, é espesso, grumoso, dificultando a ascensão dos espermatozóides pelo canal 
cervical. O muco cervical, sob ação estrogênica, produz, na vulva, uma sensação de umidade e lubrificação, indicando o 
tempo da fertilidade, momento em que os espermatozóides têm maior facilidade de penetração no colo uterino. Nessa fase, 
o muco é transparente, elástico, escorregadio e fluido, semelhante à clara de ovo. 
 MÉTODO SINTO-TÉRMICO Este método baseia-se na combinação de múltiplos indicadores da ovulação, com a 
finalidade de determinar o período fértil com maior precisão e confiabilidade. Fundamentalmente, ele combina a observação 
dos sinais e sintomas relacionados à temperatura basal corporal e ao muco-cervical, associada ainda a parâmetros subjetivos 
(físicos e ou psicológicos) indicadores de possível ovulação. Os parâmetros subjetivos relacionados com a ovulação podem 
ser, entre outros: ¾Dor abdominal. ¾Sensação de peso nas mamas, mamas inchadas ou doloridas. ¾Variações de humor 
e/ou da libido. ¾Outros sintomas e sinais (enxaqueca, náuseas, acne, aumento de apetite, ganho de peso, sensação de 
distensão abdominal, sangramento inter-menstrual entre outros). A mulher que desejar fazer uso deste método deve estar 
completamente familiarizada com as técnicas de cada um dos métodos comportamentais já descritas anteriormente. 
 MÉTODO DO COLAR: é uma simplificação do método de Ogino-Knaus que facilita e encurta o tempo requerido para 
ensinar/aprender a utilizar a abstinência periódica e proporciona um mecanismo para que o casal identifique com facilidade 
o período fértil do ciclo menstrual. Também requer a análise do padrão menstrual da mulher nos últimos seis meses, mas 
apenas para verificar se os ciclos não foram mais curtos que 27 dias nem mais longos que 31 dias. As mulheres com ciclos 
mais curtos ou mais longos que 27 e 31 dias, respectivamente, não podem utilizar este método. 
 OUTROS MÉTODOS COMPORTAMENTAIS Além dos métodos descritos acima, existem práticas sexuais que podem 
ser consideradas como métodos comportamentais, já que reduzem o risco de uma gravidez indesejada. São elas: a relação 
sexual sem penetração e a interrompida antes da ejaculação (coito interrompido). São práticas muito usadas, embora não 
sejam recomendadas como único método anticoncepcional. Podem ser especialmente úteis em situações de emergência, 
nas quais, por alguma razão, não se dispõe de outro método contraceptivo e não é possível evitar a relação sexual. Em 
especial, com relação ao coito interrompido, destacamos que é necessário um autocontrole por parte do homem para que 
ele possa retirar o pênis da vagina na iminência da ejaculação e o sêmen ser depositado longe dos genitais femininos. Esse 
fato traz alta possibilidade de falha, fazendo com que o seu uso não deva ser estimulado. Devendo, portanto, ser tratado 
como último recurso, que deverá ser prontamente substituído por outro método contraceptivo mais eficaz. Ao contrário, a 
relação sexual sem penetração é altamente eficaz tanto para a prevenção de gravidez, como também das DST/AIDS. 
- Barreira 
 PRESERVATIVO MASCULINO Consiste em um envoltório de látex que recobre o pênis durante o ato sexual e retém 
o esperma por ocasião da ejaculação impedindo o contato com a vagina, assim como impede que os microorganismos da 
vagina entrem em contato com o pênis ou vice-versa. É um método que, além de evitar a gravidez, reduz o risco de 
transmissão do HIV e de outros agentes sexualmente transmissíveis. A taxa de falha deste método, no primeiro ano de uso, 
varia de 3%, quando usados, corretamente em todas as relações sexuais, a 14%, quando avaliado o uso habitual. Sua 
segurança depende de armazenamento adequado, da técnica de uso e da utilização em todas as relações sexuais. 
 PRESERVATIVO FEMININO O preservativo feminino é um tubo de poliuretano com uma extremidade fechada e a 
outra aberta, acoplado a dois anéis flexíveis também de poliuretano. O primeiro, que fica solto dentro do tubo, serve para 
ajudar na inserção e na fixação de preservativo no interior da vagina. O segundo anel constitui o reforço externo do 
preservativo que, quando corretamente colocado, cobre parte da vulva. O produto já vem lubrificado e deve ser usado uma 
única vez. O poliuretano, por ser mais resistente do que o látex, pode ser usado com vários tipos de lubrificantes. Forma uma 
barreira física entre o pênis e a vagina, servindo de receptáculo ao esperma, impedindo seu contato com a vagina, assim 
como impede que os microorganismos da vagina entrem em contato com o pênis ou vice-versa. Nos primeiros seis meses 
de uso, a taxa de falha deste método varia de 1,6%, em uso correto, a 21%, em uso habitual. 
 DIAFRAGMA É um método anticoncepcional de uso feminino que consiste num anel flexível, coberto no centro 
com uma delgada membrana de látex ou silicone em forma de cúpula que se coloca na vagina cobrindo completamente o 
colo uterino e a parte superior da vagina, impedindo a penetração dos espermatozóides no útero e trompas. 48 Para maior 
eficácia do método, antes da introdução, colocar, na parte côncava, creme espermaticida. Entretanto, essa associação limita-
se às mulheres com baixo risco para o HIV e outras DST. A taxa de falha, nos primeiros 12 meses de uso do método, varia de 
2,1%, quando utilizado correta e consistentemente, a 20%, em uso habitual.GELÉIA ESPERMATICIDA São substâncias químicas que recobrem a vagina e o colo do útero, impedindo a 
penetração dos espermatozóides no canal cervical e, bioquimicamente, imobilizando ou destruindo os espermatozóides. O 
produto espermaticida a base de nonoxinol-9 (N-9) a 2% é o mais amplamente utilizado no Brasil e no mundo. Entretanto, o 
uso de alguns métodos contraceptivos contendo N-9 podem aumentar o risco de transmissão sexual do HIV e outras DST. 
Isto foi demonstrado em um ensaio clínico que observou risco acrescido entre usuárias/os deste produto. A razão deste risco 
acrescido reside no fato do N-9 provocar lesões (fissuras/microfissuras) na mucosa vaginal e retal, dependendo da freqüência 
de uso e do volume aplicado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta, então, que as mulheres que estejam sob risco 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
acrescido para a infecção pelo HIV/DST, especialmente as que tem muitas relações sexuais diárias; não devem usar métodos 
contraceptivos que contenham o N-9. Entre mulheres com baixo risco de infecção pelo HIV, o uso de produtos à base de N-
9 permanece sendo indicado como um dos métodos contraceptivos. Assim, somente uma boa avaliação de risco, obtida no 
momento do aconselhamento, poderá fornecer ao profissional de saúde condições de uma perfeita indicação do método. 
No primeiro ano de uso a taxa de falha deste método varia de 6%, em uso correto, a 26%, em uso habitual. 
- Anticoncepção hormonal oral 
 Os anticoncepcionais hormonais orais, também chamados de pílulas anticoncepcionais são esteróides utilizados 
isoladamente ou em associação com a finalidade básica de impedir a concepção. TIPOS DE PÍLULA Classificam-se em 
combinadas e apenas com progestogênio ou minipílulas; as primeiras compõem-se de um estrogênio associado a um 
progestogênio, enquanto a minipílula é constituída por progestogênio isolado. As combinadas dividem-se ainda em 
monofásicas, bifásicas e trifásicas. Nas monofásicas, a dose dos esteróides é constante nos 21 ou 22 comprimidos da cartela. 
As bifásicas contêm dois contêm três tipos de comprimidos com os mesmos hormônios em proporções diferentes. 
 ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS São componentes que contêm dois hormônios sintéticos, 
o estrogênio e o progestogênio, semelhantes aos produzidos pelo ovário da mulher. As pílulas combinadas atuam 
basicamente por meio da inibição da ovulação, além de provocar alterações nas características físico-químicas do 
endométrio e do muco cervical. São métodos muito eficazes quando usados correta e consistentemente, podendo sua taxa 
de falha ser da ordem de 0,1%, no primeiro ano de uso. Em uso habitual, atinge valores de 6 a 8%. 
 INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA Certas drogas são capazes de reduzir a eficácia anticonceptiva da pílula, 
principalmente nos tratamentos prolongados. Nesses casos, deve-se indicar métodos alternativos. Os antiretrovirais (ARV) 
Efavirenz e Nevirapina (não-nucleosídeos) e os Nelfinavir e Ritonavir (inibidores da protease), disponíveis para o controle da 
infecção pelo HIV, interagem diminuindo os níveis séricos dos hormônios estrogênicos e, portanto, sua eficácia 
contraceptiva. O uso adicional do preservativo masculino ou feminino deve ser considerado (dupla proteção). Algumas 
interações podem ocorrer no sentido inverso, isto é, os esteróides alteram a eficácia de outros medicamentos 
(anticonvulsivantes entre outros). 
 EFEITOS SECUNDÁRIOS relacionados com o uso da pílula são: alterações de humor, Náuseas, vômitos e mal-estar 
gástrico, cefaléia, tonteira, mastalgia, cangramento intermenstrual e cloasma (manchas acastanhadas). 
 ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS APENAS DE PROGESTOGÊNIO São comprimidos que contêm uma dose 
muito baixa de progestogênio, que promove o espessamento do muco cervical, dificultando a penetração dos 
espermatozóides, e inibe a ovulação em aproximadamente metade dos ciclos menstruais. Durante a lactação, quando usados 
de forma correta e consistente, os anticoncepcionais orais de progestogênio têm uma taxa de falha de 0,5%, no primeiro 
ano de uso. Em uso habitual, a taxa de falha é de 1%. 
- Anticoncepção hormonal injetável 
São anticoncepcionais hormonais que contêm progestogênio ou associação de estrogênios e progestogênios, para 
administração parenteral (I.M), com doses hormonais de longa duração. TIPOS DE INJETÁVEIS Com progestogênio isolado. 
Consiste na administração de progestogênio isolado, via parenteral (I.M), com obtenção de efeito anticonceptivo por 
períodos de 3 meses. Combinado Os anticoncepcionais injetáveis combinados contêm uma associação de estrogênio e 
progestogênio, para uso parenteral (I.M), mensal. 
 ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS INJETÁVEIS COMBINADOS As diferentes formulações dos anticoncepcionais 
hormonais injetáveis combinados contêm um éster de estrogênio natural, o estradiol, e um progestogênio sintético. Inibem 
a ovulação e tornam o muco cervical espesso, impedindo a passagem dos espermatozóides. A taxa de falha deste método 
varia de 0,1 a 0,6%, durante o primeiro ano de uso, com injeções mensais. Não há demora na recuperação da fertilidade. 
Geralmente o retorno é imediato. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 2 
 
1- Explicar a morfofisiologia da gravidez 
(Langman) 
 As alterações fisiológicas vistas na gravidez, decorrem de fatores hormonais e mecânicos. Os ajustes verificados 
devem ser considerados normais durante o estado gravídico, conquanto determinem, por vezes, pequenos sintomas 
molestos à paciente. 
MODIFICAÇÕES SISTÊMICAS 
- Postura e deambulação 
 A postura da grávida se desarranja, precedendo mesmo a expansão de volume do útero da gestante.O centro de 
gravidade se desvia para diante devido a pelve evadida pelo feto apoia-se à parede abdominal, e as mamas dilatadas e 
engrandecidas que pesam no tórax. Todo o corpo se joga pra trás, compensatoriamente. A atitude involuntária de quem 
carrega um objeto pesado mantendo com as mãos adiante do abdome. Na mulher de pé isto é nítido pois para manter o 
equilíbrio empina o ventro e surge lordose da coluna lombar. Amplia-se a base do polígono de sustentação, os pés se afastam, 
as espáduas se projetam para trás. Geralmente todo corpo se lança pra trás, incluindo tronco, dorso e lombar, modificando 
eixo da bacia. Músculos sem função nítida ou constante passam a atuar. Sua fadiga responde pelas dores cervicais e 
lombares, queixa comum. 
 A grávida ao andar, lembra, com seus passos mais oscilantes e curtos, o andar dos gansos (marcha anserina: a base 
de sustentação alargada e maiores os ângulos que formam os pés com a linha mediana, principalmente à direita, por conta 
do dextrodesvio uterino). 
- Metabolismo 
 São necessárias para suprir as exigências suscitadas pelo rápido amadurecimento e desenvolvimento do concepto 
durante a gravidez. Grandes modificações no metabolismo de energia e no acúmulo de gordura são documentados. A 
deposição de gordura ocorre principalmente durantes a 1a metade da gestação e alcança seu máximo com 30 semanas, é +- 
4kg a mais no peso da grávida, quando o ganho total é de 13kg. Em contraste são poucas as alterações no metabolismo basal 
materno nessa fase. Já a gravidez avançada está caracterizada por alterações dramáticas na liberação de energia que 
aumenta (+-400kcal acima da taxa metabólica basal). Alem disso, nos últimos meses, há aumento na resistência à insulina, 
cerca de 40-50% pelo final do 3o trimestre. Níveis elevados de lactogênio placentário humano (hPL), progesterona, cortisol 
e prolactina, estão implicados no processo. Os níveis de hPL acrescem rapidamente no 1o e no 2o trimestre e alcançam o 
seu máximo nas ultimas 4 semanas da gravidez. O efeito diabetogênico do hPL resulta na mobilização do lipídeo na forma 
de ácidos graxos livres, que serviriam como fonte de energia poupando glicose eaminoácidos que estarão disponíveis para 
o feto. 
Glicídico 
1. Como o concepto é consumidor de glicose, a mãe é submetida a permanente demanda de glicose. Diante período 
prolongado de jejum, o feto continua a extrair glicose e aminoácidos da gestante, em taxas idênticas às existentes nos 
períodos de alimentação (parasitismo verdadeiro). 
2. Para promover o suprimento ininterrupto de glicose e de aminoácidos para o feto, a grávida faz ajustamentos: não 
consome mais discriminadamente a glicose como antes, e conforme o feto cresce, diminui seu uso periférico, mercê da 
elaboração pela placenta, de hormônio contra-insulares (hPL, estrogênios, progesterona, cortisol). A glicose é transferida 
rapidamente ao feto, por difusão facilitada apesar do pequeno gradiente de concentração. 
 O consumo continuo de glicose pelo feto e seu rápido transporte pela placenta influenciam profundamente o 
metabolismo dos carboidratos na grávida. Em todos os estádios da gestação, após uma noite de jejum, os níveis de glicemia 
são 15-20mg/dl inferiores ao fora da gravidez. No 3o trimestre, após administração de glicose, há hiperinsulinismo pós-
brandial, devido aos fatores contra-insulares. O hiperinsulinismo está ausente em pacientes com limitação na produção do 
hormônio e vão ter diabetes gestacional. 
 A resistência à insulina na gravidez é bem conhecido, sua sensibilidade periférica da insulina diminui de 40-50% a 
partir do 3o trimestre. O hPL e o hormônio de crescimento placentário, junto com outros diabetogênicos, incluindo cortisol, 
progesterona e estrogênio, talvez possam ser responsáveis pelo aumento da resistência à insulina. No 3o trimestre, o efeito 
inibitório da insulina na lipólise esta muito reduzido comparando-se outras fases do ciclo gestatório. Resumindo, a gravidez 
muda o metabolismo, apara preservar a glicose à custa da utilização dos lipídeos. A liberação excessiva de ácidos graxos tbm 
contribui na redução da utilização da glicose materna. 
Lipídico 
 Após longo período de jejum na gravidez há matabolismo lipídico acelerado (lipólise) e formação de corpos 
cetônicos. Para conservar a glicose para o feto e para o próprio sistema nervoso materno, o metabolismo lipídico sofre 
modificações no sentido de catabolizar as gorduras sempre que possível. Mobilizam-se os depósitos de gordura e a 
concentração de ácidos graxos cresce no plasma, devido a hormônios de ação lipolítica: adrenalina, hormônio do 
crescimento, glucagon, hPL. O hPL, ao lado de sua ação contra-insulínica, pela elevação dos ácidos graxos livres que 
determina (ação lipolítica), faz com que esteja diminuída a utilização de glicose pelas células. 
Protéico 
 Mal estudado, a concentração da maioria dos aminoácidos está reduzida na gravidez. Apesar de as proteínas totais 
aumentarem em valores absolutos, pelo hemodiluição plasmática têm suas concentrações diminuídas. As de albumina 
sofrem redução nítida enquanto é menor a queda das gamaglobulinas. Os teores alfa e de betaglobulinas e os de 
fibrinogênio, ao contrario, ascendem. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Hidroelétrolítico 
 As alterações no metabolismo da água e dos eletrólitos são importantes para entender o edema observados em 
muitos gestantes no final da gravidez. O acréscimo total de água no organismo da gestante sem edema é de 7,5L, dos quais 
1,7L está nos tecidos, consequentemente mais hidratados na gestação. É suplemento de água adicional que vai requerer 
retenção proporcional de cloreto de sódio para manter osmolaridade. Para conservar o sódios, quando a filtração glomerular 
aumenta 50%, surge um mecanismo compensatórioa representado pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona. A renina 
é produzida pelo aparelho justaglomerular renal e pelo útero e age determinando a liberação de angiotensina I, que é 
convertida em angiotensina II, que por sua vez estimula a secreção de aldosterona pelo córtex da supre-renal, que aumentará 
a reabsorção tubular de sódios, preservando a homeostase materna (hiperaldosteronismo secundário da gravidez). 
 Se o ganho total de peso na gradivez é de 11kg, dos quais 70% são de água,para a isotonicidade é preciso 25g de 
sódio ou 60g de cloreto de sódio. Concluindo, o sódio será conservado para prover quandotidade indispensável à expansão 
tecidual e dos compartimentos líquidos na gestação. 
- Sistema cardiovascular 
 As adaptações são bem toleradas em mulheres saudáveis, mas aquelas com doenças cardíacas podem 
descompensar, resultando em morbidade e mortalidade. Uma das principais alterações é o aumento da FC materna; ocorre 
já a partir da 4a semana e no final ela se situa cerca de 20% acima dos valores pré-gravídicos. O volume sanguíneo começa 
a aumenta a partir de 6 semanas e atinge um pico (45-50% acima dos valores não-gravídicos) no início do 3o trimestre, 
período em que há maior risco de descompensação cardíaca, devido acréscimo do volume globular (25%) e elevação 
desproporcionalmente maior no volume plasmático (30-50%) (anemia fisiológica da gravidez). O hematócrito cai conforme 
a hemoglobina, alcançando nível mínimo normal de 30% (valor-gravidico: 37-47) com elevação discreta no termo. Crescem 
novamente as taxas no 3o trimestro igualando-se aos números da gravidez inicial. 
 A expansão do volume plasmático depende do tamanho e do numero dos fetos, assim no gemelar ele é 33% maior 
do que na prenhez única. O débito cardíaco aumenta cerca de 30-50% na gestação, começando no início do 1o trimestre e 
alcançando valores máximos no meio da gravidez; resulta da elevação da FC e do volume sistólico (principal repsonsavel das 
alterações iniciais). Durante o último trimestre a postura materna pode determinar muitas repercussões no debito cardíaco; 
a compressão da veia cava pelo útero grávido e, posição supina pode reduzir o retorno venoso e assim o debito cardíaco em 
25%. Após 4-5min vem a bradicardia, reflexo vasovagal e hipotensão (síndrome de hipotensão supina). 
 Durante o parto, quando cada contração uterina leva à autotransfusão de 300-500ml de sangue de volta para o 
sistema circulatório; o DC aumenta 34% nas contrações, e no intervalo 12%. A resposta simpática à dor e à ansiedade no 
parto causa maior elevação na FC e pressão sanguínea. No pós-parto, o útero se contrai firmemente, e mais uma vez há 
autotransfusão sanguínea (+-300ml), aumentando DC em 60-80% seguido de declínio. Pressão sanguínea arterial sofre queda 
ligeira na pressão sistólica (5-10mmHG) e maior na diastólica (10-15mmHG), que alcançam os menores valores na gestação 
de 20 semanas, e logo a pressão sanguínea aumenta e alcança valores pré-grav;idicos no termo. O decréscimo na PA é 
explicado pela diminuição da resistência vascular periférica que contrabalança o aumento do DC. 
 A pressão venosa nos membros inferiores aumenta cerca de 3x devido a compressão do útero sobre a veia cada 
inferior e nas veias pélvicas, principalmente em posição de pé, parada, quando maior aprisionamento de sangue nas pernas 
e coxas. Há na gravidez tendência à hipotensão, lipotimia ortostática, edema de membros inferiores, varicosidades e 
hemorroidas. 
- Sistema sanguíneo 
 Estão aumentadas as necessidades de ferro, frequente a anemia por falta desse elemento. Devido a hemodiluição, 
o nível mínimo da hemoglobina é de 10g/dl. A anemia megaloblástica, por deficiência de ácido fólico tbm é comum, pois na 
gravidez esta incrementada a demanda vitamínica. O volume de hemácias em mulheres suplementadas com ferro está 
acrescido desde 10 semans atingindo 400-500ml no termo. Os leucócitos, especialmente por conta dos neutrófilos estão 
elevados, e o número de plaquetas fica ligeiramente diminuído. As alterações fisiológicas tornam o reconhecimento 
patológico difícil na gravidez exigindo extensa investigação laboratorial. O sistema de coagulação, a partir do 1o trimestre, 
tem modificações coincidindo com o acréscimo acentuado de estrogênio e progesterona. O resultado das modificaçõesna 
homeostase tem por objetivo assegurar o domínio das perdas hemorrágicas no situs placentário, após o secundamento. Mas 
há risco de maior de troboembolismo (4-10x) devido ao estado de hipercoalabilidade da gravidez, atingindo seu Maximo 
com 2 semanas de pós-parto e perdura até 6 semanas. 
 O fibrinogênio aumenta em até 50%, além de outros como os pró-coagulantes fatores VII, X, VIII e fator Von 
willebrand, protrombina. Concomitantemente há diminuição dos anticoagulantes fisiológicos manifestados pela redução 
significante da atividade da proteína S e pela adquirida resistência à proteína C ativada (APC). A atividade fibrinolítica global 
está comprometida na gravidez, mas retorna ao normal rapidamente após o parto. Isto se deve pelo aumento do inibidor do 
ativador de plasminogenio-2 (PAI-2) derivado da placenta, que esta presente em grande quantidade na gravidez. 
- Sistema urinário 
 Morfologicamente, 80% das mulheres tem dilatação significanes de ambos ureteres e pelves renais (inicio com 10 
semanas) e por isso mais a atonia de estímulos hormonais, provavelmente progesterona. E mais tarde o fator mecânico se 
junto, devido dextrorrotaçao normal que há o útero pejado. O fluxo de urina esta retardado, causa da maior predisposição 
à infecção urinária. 
 O fluxo plasmático renal ascende cerca de 25-50%, não se sabe se ele permanece até o termo ou decrece no final. 
A filtração glomerular eleva-se cedo (2o mês) cerca de 30-50%, permanecendo acrescida até o termo e após 20 semanas de 
pós-parto volta ao normal. Esse aumento na taxa de filtração glomerular determina maior quantidade de substancias nos 
túbulos renais, como as concentrações de ureia e creatinina, glicose filtrada, proteinúria. Apesar da maior filtração o volume 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
urinário permanece, sendo 80% do filtrado reabsorvido. A frequência urinaria decorre da compressão do útero gravídico 
sobre a bexiga. A atonia vesical aumenta a capacidade do órgão. 
- Sistema respiratório 
 Devido alterações do volume sanguíneo e a vasidilataçao da gravidez há hiperemia e edema da mucosa das vias 
respiratórias superiores, distúrbios que predispõe à congestão nasal e epistaxe. Há relaxamento dos ligamentos das costelas, 
os diâmetros anteroposterior e transverdo do tórax aumentam, o diafragma se eleva mas sua função não é comprometida 
e sua expansão aumenta. A complacência da parede toráxica diminui, aumentando o trabalho respiratório. Caso não haja 
alterações na FR basal e capacidade vital, estas alterações anatômicas melhoram o intercambio gasoso nos pulmões e o 
volume-corrente. A expiração se torna mais completa e mais ar é inspirado, o especo morto não se altera, e em consequência 
o volume-minuto (volume-correntexFR) aumenta de 30-40%. A progesterona tem papel nesse hiperventilaçao seja 
diminuindo a sensibilidade ao O2 no centro respiratório ou atingindo primariamente como estimulantes respiratório. O 
consumo de O2 esta aumentado de 15-20% para suportar a massa materno-fetal adicional e o trabalho cardiorrespiratório. 
A gravidez e a capacidade funcional residual diminui a reserva de O2 materno. O aumento do volume-minuto facilita as trocas 
respitatórias na gravidez. O pO2 alveolar e arterial estão elevados. A hiperventilação fisiológica diminui o pCO2 e cria maior 
gradiente do feto e da mãe. Não há alteração no pH arterial. A dispneia é queixa frequente (60-70%), provavelmente devido 
a hiperventilação. As modificações respiratórias atenuam-se de 24-48h do pós-parto e desaparecem com 7 semanas. 
- Equilíbrio acidobásico 
 Há a hipocapnia, a elevação discreta nos ácidos metabólicos e a mudança do pH para o limite superior normal, 
configurando alcalose respiratória compensada. 
- Sistema digestivo 
 No 1o trimestre é frequente náuseas e vômitos (50-90%), levando a anorexia, embora há relatos de melhora no apetite e 
parcela que admita "desejos" por certos alimentos. Fisiologicamente a náusea matinal é desconhecida apesar que pode estar 
realacionada a níveis crescentes e subitâneos de estrogênios no sangue. Durante os dois trimestres há diminuição na 
secreção gástrica de ácidos. O TGI esta atônito durante toda gestação, os fatores hormonais são determinantes, os mesmos 
que relaxam a musculatura das artérias, veias e ureteres. A alta incidência de pirose esta relacionada com o relaxamento do 
esfíncter gastroesofagiano ao aumento da pressão intra-abdominal, pelo útero gravídico. O fígado trabalha mais na gestação, 
apesar dos testes de função hepática estarem dentro do limite de normalidade. 
- Pele e fâneros 
 Há as estrias gravídicas ou vibices, inicialmente vermelhas, mais tarde, brancas ou nacaradas e persistentes em 
abdome e seios. Há aumento da pigmentação da linha alva no abdome inferior (línea nigra), da vulva, dos aréolas mamárias 
e da face (cloasma), Há teleangiecstasias pelos altos níveis de estrogênios. É provável que o hormônio melanotrófico da 
hipófise atue nos melanoblastos epidérmicos (pigmentação), e formação de pigmentos pelo SNA. A hipertricose (pelos na 
face e outros, crescimento dos cabelos) é fisiologioco, com unhas muito quebradiças e surgimento do eritema palmar e 
hipertrofia de glândulas sudoríparas e sebáceas. 
MODIFICAÇÕES DOS ÓRGÃOS GENITAIS 
- Vulva e vagina 
 Tumefazem-se, tem amolecimento e coloração alterada (cor vermelho-vinhosa). No primeiro trimestre, há 
proliferação de células intermediarias, diminuição de acidófilas cariopicnóticas, com exacerbação da flora de bastonetes com 
discreta citólise. As células ficam em conglomerados compactos (aglutinação celular). No segundo e terceiro trimestre há 
estabilização do padrão gravídico, a aglutinaçao celular se acentua, as células superficiais cariopcnóticas acidófilas 
desaparecem. As intermediárias (formato de valva de ostra) são substituídas pelo tipo navicular (ogival). 
 A crise vaginal, do pré-parto tem aparecimento variável, computado em relaçao ao inicio clinico do trabalho de 
parto e o padrão colpocitológico está longe do uniforme. Há a dispersão celular, a rarefação da flora vaginal e o crescimento 
dos leucócitos, aumento dos índices de cariopicnose e de acidofilia e conformação arredondada das células intermediárias. 
- Útero 
 Com extrema sensibilidade a estímulos hormonais e nervosos, é dotado da capacidade de adaptar-se a 
desmensurado crescimento e de proporcionar ao ovo considerável afluxo sanguíneo, além de impedir a interrupção 
prematura da gravidez, e de no parto transformar, em curto prazo, a capacidade de retenção em eficaz motor expulsivo. 
Logo após a nidação, há muitas modificações na consistência, forma, volume, capacidade, posição, peso e espessura do 
útero. Considera-se o útero como prgao endócrino pois as substancias produzidas nele tem efeito local e sistêmico, fora do 
ciclo gestacional ou nele, é indiscutida a produção de prostaglandinas e de prolactina. 
 Há imediato amolecimento na região onde ocorre implantação, progredindo por todo órgão e outras estruturas 
pélvicas, alem de redução do tono (sinal de Hegar). Simultaneamente o órgao aumenta, ao inicio de modo desigual, mais 
acentuada expansão na zona de implantação (assimetria - sinal de Piskacek). A matris piriforme passa globosa, e o toque dos 
fundos-de-saco laterais revela essa morfologia (sinal de Nobile-Budin), enquanto o pulso da artéria uterina pode ser 
percebido. De volume crescente, o corpo do útero é esférico ate o 4-5o mês, quando o alongamento predomina, conferindo 
forma cilíndrica. Nos primeiros 2 meses, o útero é somente pélvico, com 12 semanas percebe-se no palpar abdominal, o que 
é acompanhado pelo medico (funfus - mede altura em relação a sínfise púbica). O volume da cavidade passa de centímetros 
cúbicos à 4500-5000cm3. 
- Miométrio 
 Há aumento da massa do miométrio com hipertrofia dos elementos musculares (aumenta volume dos 
preexistentes, menos nítida na cérvice), hiperplasia dos elementos musculares(aumento quantitativo dos miócitos), 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
aumento do tecido conectivo (das células como das fibras e dos líquidos intersticiais), e é também muito maior a 
vascularização. 
- Colo 
 O seu amolecimento, notado no exame de genitália, é precoce e constitui probabilidade de diagnóstico de gravidez. 
Modifica-se a posição do colo, quando a insinuação da cabeça ocorre, no final da gravidez, desce o colo e centraliza-se no 
eixo vaginal. O canal cervical é obliterado por secreção mucosa espessa (tampão mucoso) dito de proteção do ovo, sua 
eliminação nas primeiras miocontrações constitui sinal. O comprimento da cérvice reduz-se perto do parto, acentuando-se 
até seu completo apagamento. 
 
 
 
2- Elucidar os sinais e sintomas da Cidinha, correlacionando com a gravidez 
Diagnóstico Clínico 
- Sinais de presunção 
4 Semanas 
AMENORRÉIA: sinal mais precoce, em mulheres jovens, regulares e com vida sexual ativa, a ausência da menstruação sugere 
gravidez. 
5 Semanas 
NÁUSEAS: mais de 50% das mulheres apresentam, geralmente matutinas, no primeiro trimestre da gestação, tendo como 
consequência os vômitos e a anorexia. Outras, ao contrário, tem o apetite aumentado, não raro sua perversão (pica ou 
malacia) ou extravagância alimentar. 
CONGESTÃO MAMÁRIA: com 5 semanas, relata-se mamas congestas e doloridas. À 8a semana, a aréola 1a torna-se 
pigmentada e surgem tubérculos de Montgomery. Em torno de 16 semanas, secreção amarela (colostro) é produzida. Cerca 
de 20 semanas surge a aréola secundaria, de maior pigmentação, de limites imprecisos em volta do mamilo. 
6 Semanas 
POLACIÚRIA: a micção frequente com quantidade de emissão de urina reduzida é habitual no 2o e 3o mês, quanto o útero 
aumentado de volume e em anteflexão comprime a bexiga. No 2o trimestre, cessa sintomatologia, que retorna nas 2 ultimas 
semanas devido a apresentação fetal. 
 
3- Descrever as condutas médicas para concluir o diagnóstico clínico, laboratorial e de imagem de Cidinha. 
Diagnóstico clinico 
Sinais de Probabilidade 
6 Semanas 
AMENORRÉIA: após 10-14 dias de atraso menstrual, constitui sinal de probabilidade. Nem sempre indica gravidez, pois tbm 
ocorrem em diversas situações fisiológicas (aleitamento e menopausa) e patológicas (emocional, uso de anovulatórios), 
perda de sangue cíclica semelhante à menstruação não exclui gravidez pois pode ser hemorragia de implantação ovular. 
AUMENTO DO VOLUME UTERINO: fora da gestação é intrapélvico, gravídico expande-se. Com 6 semanas tem volume de 
uma tangerina, com 12 o tamanho da cabeça fetal de termo, sendo palpável acima da sínfise púbica. 
8 Semanas 
ALTERAÇÃO DA CONSISTENCIA UTERINA: o útero vazio é firme, com 8 semanas passa a ser cístico, elástico-pastosa, 
principalmente no istmo (sinal de Hegar). 
ALTERAÇÃO DA FORMA UTERINA: inicialmente cresce de modo assimétrica na zona de implantação. No tato é abaulamento 
e amolecimento ai localizados, percebendo um sulco que separa as duas regiões (sinal de piskacek). Sem gravidez os fundos-
de-saco estão azios, a partir de 8 semanas, devido a froma do feto (globoso) encontra-se ocupado (sinal de nobile-budin), 
percebe-se o pulso vaginal dos fundos-de-saco (sinal de Osiander), devido hipertrofia do sistema vascular. Na vulva há 
coloração violácea de mucosa (sinal de Jaquemier o Chadwick), e na mucosa vaginal (sinal de Kluge) 
16 Semanas 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
AUMENTO DO VOLUME ABDOMINAL: útero palpável com 12 semanas, e aumento progressivo do volume abdominal 
percebe-se com 16 semanas. 
 
Sinais de Certeza: presença do feto, pelo batimentos cardiofetais e sua movimentação ativa. A ultra-sonografia rastreia com 
7-8 semanas. 
14 Semanas 
SINAL DE PUZOS: é o rechaço fetal, que se obtém impulsionando o feto com os dedos no fundo-de-saco anterior. 
18 Semanas 
PERCEPÇÃO E PALPAÇÃO DOS MOVIMENTOS ATIVOS DO FETO: no inicio discretos, tornam-se vigorosos. 
PALPAÇÃO DOS SEGMENTOS FETAIS: cabeça e membros. 
20-21 Semanas 
AUSCULTAÇÃO: identificação dos batimentos cardiofetais (bcf), o mais fidedigno de gravidez, e comprovação com sonar-
doppler (antigamente pelo estetoscópio de Pinard) 
 
Diagnóstico Hormonal: melhor parâmetro para o diagnóstico, mercê de precocidade e exatidão. Apoia-se na produção de 
gonadotrofina coriônica humana (hCG) pelo ovo. Uma semana após a fertilização, o trofoblasto, implantado no endométrio, 
começa a elabora o hCG em quantidades crecentes até ser encontrado no plasma ou urina maternos. Existem 4 testes para 
identifica o hCG: biológicos (que não é usual), imunológicos (RIA) e enzima-imunoensaio (ELISA). 
TESTE IMUNOLÓGICO: o hCG é uma proteína, e como tal induz a formaçao de anticorpos (anti-soro). O anti-soro é usado 
para identificar a presença de hormônios na urina e ser examinada, mas é preciso tornar a reação visível, o que se consegue 
com hemátias ou partículas de látex. Na prova de inibição da aglutinação do látex (teste de lamina) a leitura é rápida 
(minutos) mas seu resultado pode ser discutível e tem sensibilidade menor. Na prova de inibição da hemaglutinação (teste 
de tubo) são leituras de 2h, raramente de resultado duvidoso e é mais sensível. Na pratica aconselha-se que o atraso 
menstrual passe de 10-14 dias para a realização do exame, com tal prazo, a prova de inibição da hemaglutinação tem precisão 
de 95-98%. Medicamntos psicotrópicos, proteinuria e mulheres no climatério (reação cruzada com LH) podem dar falso-
positivo). Os falsos-negatuos ocorrem em urina de baixa densidade. 
TESTE RÁDIO-IMUNOLÓGICOS: são a verdadeira dosagem de hCG por método rádio-imunológico (RIA), basead na 
competição do hCG com o próprio hormônio marcado com rádio iodo (traçador adequado), em face de quantidade fixa de 
anti-soro. Há a reação cruzada com LH hipofisário que é corrigida dosando-se a subunidade beta do hCG, mais especifica, 
atualmente a única de uso corrente, que permite diagnóstico precoce, com pequeno atraso menstrual ou até antes da 
amenorreia, auxiliando identificação de gravidez ectópica. Demora cerca de 4h. 
TESTE ELISA: o enzima-imunoensaio (ELISA) é semelhante ao RIA mas substitui o hormônio marcado com rádio-isótopo por 
enzima capaz de atuar sobre um substrato incolor e originar produto colorido. A intensidade da cor obtida é proporcional à 
quantidade de hormônio, sua vantagem é o maior tempo de vida útil, pois não tem radio-isótopos (atividade limitada). 
 
Diagnóstico Ultra-sonográfico: hoje é mandatório o uso do ultrassom transvaginal no 1o trimestre. Com 4 semanas, começa 
a aparecer na parte superior do útero, formação arredondada, anelar, de contornos nítidos (o saco gestaciona- SG). A partir 
de 5-6semanas identifica-se a vesícula vitelina e com 6-7semanas o eco embrionário e sua pulsação cardíaco (batimentos 
cardiofetais - bcf). Em torno de 10-12 semanas o SG espessa-se, que representa a placenta em desenvolvimento e seu lugar 
de implantação no útero. Com 12 semanas, a placenta é facilmente identificada e com 16 tem estrutura definida. Entre 11-
13 semanas o SG enche toda matriz, não sendo mais visualizado. Acompanhando o desaparecimento do SG, a partir de 11-
12 semanas vê-se a cabeça do feto. 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
4- Explicar o contexto biopsicossocial da gravidez na adolescência 
 IMPLICAÇÕES BIOPSICOSSOCIAIS DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA 
*Sandra Agrelli Psicóloga Clínica 
 De acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) a adolescência começa aos 12 e vai até os 18 anos de 
idade, onde acontecem diversas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais.A adolescência é um período de 
mudanças, ocasionadas por sua especial sinergia de fatores biológicos, psíquicos, sociais e culturais. Neste período da vida, 
o indivíduo jovem se vê em meio a novas relações com a família, o meio em que vive, consigo mesmo e com os outros 
indivíduos. 
 A experiênciade gravidez,entre seres humanos, adquire um caráter social, ou seja, pode possuir significados 
diferenciados para cada povo, cada cultura, cada faixa etária. No Brasil, onde não há controle de natalidade e onde o 
planejamento familiar e a educação sexual ainda são assuntos pouco discutidos, a gravidez acaba tornando-se, muitas vezes, 
um problema social grave de ser resolvido. É o caso da gravidez na adolescência. A gravidez na adolescência tem sido 
motivo de grande preocupação das autoridades e dos profissionais da área da saúde, não só pelo seu aumento constante ao 
longo dos anos, mas também pelas inúmeras implicações que dela advêm. Implicações essas, que têm um peso maior porque 
não se referem apenas ao aspecto físico, ao risco de vida a que a adolescente grávida e seu filho estão expostos, mas também 
aos aspectos emocional,social, cultural, econômico e familiar, uma vez que a gravidez precoce compromete a vivência 
saudável da adolescência, compromete a escolaridade e o nível melhor de emprego, de salário e qualidade de 
vida.Portanto,a gravidez na adolescência geralmente traz conseqüências graves, uma vez que a adolescente interrompe seu 
desenvolvimento global, desorganiza totalmente sua vida, acarretando problemas psicossociais desastrosos. Cabe enfatizar 
que a gravidez precoce não é um problema exclusivo das meninas. Não se pode esquecer que embora os rapazes não 
possuam as condições biológicas necessárias para engravidar, um filho não é concebido por uma única pessoa. E se é à 
menina, que cabe durante toda a gestação, enfrentar as dificuldades,as dores do parto ,a amamentação,os cuidados pós 
parto, o rapaz não pode se eximir de sua parcela de responsabilidade. Por isso, quando uma adolescente engravida, não é 
apenas a sua vida que sofre mudanças. O pai, assim como as famílias de ambos também passam pelo difícil processo de 
adaptação a uma situação imprevista e inesperada. 
 O despertar da sexualidade na adolescência é acompanhado por uma grande leva de desinformação. Os pais, por 
não disporem de informaçãoou por constrangimento em falar sobre sexo com seus filhos, acabam não cumprindo seu papel 
de educador. Assim, as famílias não transmitem a orientação sexual adequada, deixando o jovem em desvantagem Acredito 
que devido às transformações do mundo moderno,cujo o surgimento de uma geração com valores éticos e morais tão 
desgastados,somado ao excesso de informações e liberdade recebida por esses jovens, os levam à banalização de assuntos 
como o sexo, por exemplo. Essa liberação sexual, acompanhada de certa falta de limite e responsabilidade é um dos motivos 
que favorecem a incidência de gravidez na adolescência. Outro fator que deve ser ressaltado é o afastamento dos membros 
da família e a desestruturação familiar. Seja por separação, seja pelo correcorre do dia-a-dia, os pais estão cada vez mais 
afastados de seus filhos. Isso além de dificultar o diálogo de pais e filhos, dá ao adolescente uma liberdade sem 
responsabilidade. Ele passa, muitas vezes, a não ter a quem dar satisfações de sua rotina diária, vindo a procurar os pais ou 
responsáveis apenas quando o problema já se instalou.Um outro problema é a rejeição das famílias. Ainda são muito comuns 
pais que abandonam seus filhos nesse momento tão difícil, quando deveriam propiciar toda atenção e assistência. 
 As perdas vivenciadas vão repercutir emocionalmente podendo levar a adolescente à somatização psicológica de 
alguns sinais e sintomas que porão em risco a gestação saudável .É preciso também ressaltar a importância da prevenção da 
gravidez precoce. E essa só se faz com orientação, conhecimento e diálogo. Diálogo não é uma conversa de entendimento 
simples. Diálogo é a conversa de pessoas com pontos de vista opostos. Diálogo não é só passar informações, “dar 
conselhos” ou ordens. Diálogo é ouvir,compreender os anseios, dúvidas e desejos. E a partir daí iniciar um trabalho lento de 
orientações e esclarecimentos, para que o jovem possa viver intensamente esse período de sua vida, e assim contribuir para 
que chegue a ter uma vida adulta mais feliz. Trabalhar com adolescentes grávidas implica em desafios para compreender 
este mundo repleto de subjetividade e contradições. Por isso, os profissionais que lidam com esta problemática precisam de 
um olhar mais apurado, detalhado e sensibilizado, para melhor aplicar os programas existentes e cri ar outros necessários 
para a resolução deste quadro que se agrava a cada dia. É preciso que os profissionais de saúde interajam com respeito e 
dignidade que exige uma postura humana livre de preconceitos; um olhar compreensivo tentando estabelecer uma relação 
de empatia e de ajuda, o que pode amenizar a situação vivenciada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 2 intermediária 
 
1- Explicar a necessidade de ácido fólico para as gestantes 
 Na fase inicial do desenvolvimento fetal podem ocorrer malformações fetais, os Defeitos do tubo neural, como 
anencefalia e espinha bífida. Para prevenção indica-se o uso terapêutico do folato encontrado naturalmente nos alimentos 
quanto em suplementos medicamentosos. Tem importante papel na formação do DNA e RNA, no processo de multiplicação 
celular, interfere no aumento dos eritrócitos, no alargamento do útero e no crescimento da placenta e do feto, portanto 
imprescindível na gravidez. 
 Esta vitamina é requisito para o crescimento normal, na fase reprodutiva (gestação e lacta;cão) e na formação dos 
anticorpos. Atua como coenzima no metabolismo dos aminoácidos (glicina) e síntese de purinas e pirimidinas, e na síntese 
proteica. Sua deficiência pode causar alterações na síntese de DNA e alterações cromossômicas, principalmente entre a 3a 
e 5a semana, estas gestações em geral tesultam em aborto e os que nascem vivem horas ou dias após o parto. Em casos de 
anencefalia a extremidade superior do tubo neural não se fecha, resultando na ausência do cérebro, e em casos de espinha 
bífida, a extremidade inferior do tubo neural não se fecha causando danos medulares significativos apesar da possível 
correção cirúrgica, a lesão nervosa é permanente e resulta em níveis diversos de paralisia dos membros inferiores, bexiga e 
intestino. 
 Folato é um termo genérico para compostos que tem atividade similar ao ácido pteroilglutâmico. Apesar de se 
encontrar em alimentos sua deficiência nutricional é comum. Sua biodisponibilidade é controlada pela absorção intestinal, 
que deve ocorrer com pH ótimo e saturável. O ácido fólico não é tóxico mas em altas doses (>5mg) podem mascarar a anemia 
perniciosa e anemia por deficiência de B12. No Brasil em 2004 foi determinado pela ANVISA suplementação de ferro e ácido 
fólico às farinhas de trigo e milho, pois considera-se difícil alcançar os requerimentos de folato com uma dieta normal 
equilibrada (sem os fortificados). 
 
2- Descrever as fases do desenvolvimento embrionário até a 5a semana (nutrição e placenta) 
 
Fecundação 
 Durante o crescimentos dos pronucleos, eles replicam seu DNA-1 (haploide), e c (duas cromátides). O ovócito 
contento 2 pronúcleos haploides é chamado de oótide. Logo quando os pronúcleos se fundem em uma agregação de 
cromossomos únicos e diploide, a oótide torna-se zigoto, os cromossomos (46) arranjam-se em um fuso de clivagem, 
preparação para a divisão do zigoto. 
Clivagem do zigoto 
 Consiste em divisões mitóticas repetidas do zigoto, resultando em rápido aumento do numero de células. Essas 
células embrionárias (blastômeros) tornam-se menores a cada divisão. A clivagem ocorre normalmente quando o zigoto 
passa pela tuba uterina em direção ao útero, e durante esta, o zigoto permanece dentro da espessa zona pelúcida. A divisão 
do zigoto em blastômeros iniciais inicia-se cerca de 30h após a fecundação, e segue uma divisão após a outra, formando 
progressivamente blastômeros menores. Após o estágio de 9 células,os blastômeros mudam sua forma e se agrupam 
firmemente uns aos outros formando uma bola compacta de células, esta compactação, provavelmente mediada por 
glicoproteínas de adesão de superfície celular, permite uma maior interação célula com célula e é um pré-requisito para a 
segregação de células internas que formam a massa celular interna (embrioblasto) do blastocisto. Quando já existem 12 a 
32 blastômeros, o ser humano em desenvolvimento é chamado de mórula, suas células internas (massa células interna) 
estão circundadas pó uma camada de células que forma a camada externa. A mórula se forma cerca de 3 dias após a 
fecundação e alcança o útero. 
Formação do blastocisto 
 Após a mórula alcançar o útero (4 dias), surge em seu interior um espaço preenchido por fluido (cavidade 
blastocística). O fluido da cavidade uterina passa através da zona pelúcida para formar este espaço, aumentando a cavidade 
blastocística, separa os blastômeros em duas partes: 
- trofoblasto: delgada camada celular externa, que formará a parte embrionária da placenta. 
- embrioblasto: grupo de blastômeros centrais (massa celular interna), que dará origem ao embrião. 
 Nesse estágio de desenvolvimento (blastogênese) o concepto é chamado de blastocisto. O embrioblasto agora se 
projeta para a cavidade blastocística e o trofoblasto forma a parede do blastocisto. Após o blastócito ficar livre e suspenso 
no útero por 2 dias, a zona pelúcida se degenera e desaparece, permitindo ao blastocisto aumentar rapidamente de 
tamanho, e enquanto flutua pelo o útero, esse embrião inicial se nutre das secreções das glândulas uterinas. Normalmente 
a implantação do blastocisto ocorre no endométrio, na porção superior do corpo do útero, um pouco mais 
frequentemente na parede posterior do que na anterior. 
 Seis dias após a fecundação (20o do ciclo menstrual), o blastocisto adere ao epitélio endometrial, normalmente 
adjacente ao polo embrionário, e logo o trofoblasto começa a proliferar rapidamente e gradualmente se diferencia em 2 
camadas: interna de citotrofoblasto, e massa externa de sinciciotrofoblasto (formada por uma massa protoplasmática 
multinucleada sem limite celular). Fatores intrínsecos e da mtriz extracelular modulas, em sequencia, a diferenciação do 
trofoblasto. Em +-6 dias, os prolongamentos digitiformes do sinciciotrofoblasto se estendem para o epit. endometrial e 
invadem o tec. conjuntivo. No fim da primeira semana o blastocisto está superficialmente implantado na camada compacta 
do endométrio e tem sua nutrição dos tecidos maternos erodidos. O sinciciotrofoblasto se expande rapidamente no polo 
embrionário, adjacente ao embrioblasto, e produz enzimas que erodem os tecidos maternos, possibilitando ao blastocisto 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
implantar-se dentro do endométrio. Em +-7 dias, uma camada de células, o hipoblasto (endoderma primitivo), surge na 
superfície do embrioblasto voltada para a cavidade blastocística (delaminação do embrioblasto). 
 
 
Termino da implantação e continuação do desenvolvimento 
 A implantação do blastocisto completa-se no fim da segunda semana, ocorre entre 6 e 10 dias depois da ovulação. 
Conforme o blastocisto se implanta, o trofoblasto aumenta o contato com o endométrio, o citotrofoblasto forma novas 
células que migram para a massa crescente de sinciciotrofoblasto onde se fundem e perdem suas membranas celulares, 
enquanto o sinciotrofoblasto erosivo invade mais endométrio e o blastocisto vagarosamente se aprofundo. As células 
sinciciotrofoblásticas deslocam as células endometriais nas parte central da implantação, e estas sofrem apoptose (morte 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
celular programada), o que facilita a implantação, que envolve a sincronização entre o blastocisto invasor e endométrio 
receptor (microvilosidades, moléculas de adesão, citocinas, prostaglandinas, genes homeobox, fatores de crescimento e 
metaloproteinas ajudam na receptividade). As células do tec. conjuntivo em torno do sitio de implantação acumulam 
glicogênio e lipídeos (poliédricas), algumas destas, as células deciduais degeneram na região de penetração do 
sinciciotrofoblasto, que as engloba, tendo uma rica fonte de nutrição embrionária. O sinciciotrofoblasto produz o hormônio 
gonadotrofina coriônica humana (hCG), que entra no sangue materno presente nas lacunas (cavidade ocas) do 
siciciotrofoblasto. A hCG mantém a atividade hormonal do corpo lúteo no ovário na gravidez, que mantém secreção de 
estrogênio e progesterona a fim de manter a gestação. 
Formação da cavidade amniótica, disco embrionário e saco vitelínico 
 Com a progressão da implantação do blastocisto, surge um pequeno espaço no embrioblasto, o primórdio da 
cavidade amniótica. Logo as células amniogênicas (formadoras do âmnio, amnioblastos) se separam do epiblasto e revestem 
o âmnio, que envolve a cavidade amniótica. Ao mesmo tempo, o embrioblasto muda morfologicamente formando uma placa 
bilaminar quase circular de células achatadas, o disco embrionário, formado por 2 camadas: 
- epiblasto: camada mais espessa, de células colunares altas,relacionadas com a cavidade amniótica. 
- hipoblasto: composto de pequenas células cuboides adjacentes à cavidade exocelômica. 
 O epiblasto forma o assoalhos da cavidade amniótica e esta perifericamente em continuidade com o âmnio. O 
hipoblasto forma o teto da cavidade exocelômica e continua com a delgada membrana exocelômica, que juntos formam o 
saco vitelino primitivo. O disco embrionário agora situa entre a cavidade amniótica e o saco vitelino. As células do endoderma 
do saco vitelino formam o mesoderma extra embrionário (tec. Conjuntivo),, que circunda âmnio e saco vitelino. Depois esse 
mesoderma é formado por células que surgem na linha primitiva. O saco vitelino e cavidade amniótica tornam possíveis os 
movimentos morfogenéticos das céls do disco embrionário. 
 Assim que se formam o âmnio, o disco embrionários e o saco vitelino primitivo, surgem as cavidades isoladas 
(lacunas) no sinciciotrofoblasto, que se tornam preenchidas por uma mistura de sangue materno (capilares endometriais 
rompidos) e restos celulares das glândulas uterinas erodidas. O fluido nos espaços lacunares (embriotrofo) passa por difusão 
ao disco embrionário e fornece material nutritiva ao embrião, estabelecendo a circulação uteroplacentária, onde o O2 e 
substancias nutritivas da mãe tornam-se disponíveis para o embrião. O sangue oxigenado das artérias espiraladas passa para 
as lacunas e o sangue mal oxigenado é removido pelas veias emdometriais. No 10o dia, o concepto humano (embrião e 
membranas embrionárias) esta completamente implantado no endométrio. Durante 2 dias há uma falha no epitélio 
endometrial que é preenchida por um tempão, um coagulo sanguíneo fibrinoso, e no 12o o epitélio regenerado recobre o 
tampão. 
 No embrião de 12 dias, as lacunas sinciciotrofoblásticas adjacentes fundem-se para formas as redes lacunares, de 
fá um aspecto esponjoso ao sincíciotrofoblasto. As redes lacunares em torno do polo embrionário são os primórdios dos 
espaçoes intervilosos da placenta. Os capilares endometriais em torno do embrião se tornar congestos e dilatados, formando 
os sinusóides (paredes delgadas, maior que capilar comum), que são erodidos pelo sinciciotrofoblasto, e o sangue materno 
flui livremente para as redes lacunares. O trofoblasto absorve fluido nutritivo das redes lacunares, que é transferido ao 
embrião. O disco embrionário cresce mais lentamente que o trofoblasto. 
 O mesoderma extra embrionário cresce e surgem no seu interior espaços celômicos extra-embrionário isolados, 
que se fundem rapidamente e formam uma grande cavidade isolada, o celoma extra-embrionário, que é preenchida por 
fluido e envolve o âmnio e o saco vitelino exceto no córion e pedículo do embrião. Entao o saco vitelino primitivo diminui de 
tamanho e se forma um pequeno saco vitelino secundário porcélulas endodérmicas extra-embrionárias que migram do 
hipoblasto para o interior do SV primitivo que se destaca durante a formação do SV secundário. O SV não contém vitelo, as 
tem importância de originar células germinativas primordiais, e na transferência seletiva de nutrientes para o embrião. 
Desenvolvimento do saco coriônico 
 No fim da segunda semana surgem as vilosidade coriônias primárias (primeiro estágui das vilosidades coriônicas 
da placenta), pela proliferação de extensões das células do citotrofoblasto que crescem para dentro do sinciciotrofoblasto 
induzido pelo mesoderma somático extra-embrionário. O celoma extra-embrionário divide o mesoderma extra-embrionário 
em 2 camadas: 
- mesoderma somático extra-embrionário: reveste o trofoblasto, formando o córion, e cobre o âmnio 
- mesoderma esplâncnico extra-embrionário: envolve o SV 
 O córion forma a parede do saco coriônico, dentro do qual o embrião com o SV e amniótico estão suspensos no 
pedículo. O celoma extra-embrionário é agora chamado de cavidade coriônica. O saco amniótico e o SV são análogos a 2 
balões pressionados um contra o outro (no sítio do disco embrionário) e suspensos por um cordão (pedículo do embrião) no 
interior de um balão maior (o saco coriônico). O US transvaginal mede o diâmetro do saco coriônico, importante para a 
avaliaçao do desenvolvimento embrionário inicial e progressão da gravidez. 
 No 14o dia o embrião tem a forma de um disco embrionário bilaminas, mas as céls hipoblasticas são agora colunares 
e formam uma área circular espessada a placa precordal, que indica o futuro local da boca e im importante organizador da 
cabeça. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
 A terceira semana do desenvolvimento embrionário ocorre durante a semana que se segue à ausência do primeiro 
período menstrual; isto é, 5 semanas depois do primeiro dia do último período menstrual normal. O rápido desenvolvimento 
do embrião a partir do disco embrionário durante a terceira semana é caracterizado por: 
• Aparecimento da linha primitiva. 
• Desenvolvimento da notocorda. 
• Diferenciação das três camadas germinativas 
Gastrulação: formação das camadas germinativas 
 A gastrulação é o processo formativo pelo qual as três camadas germinativas que são precursoras de todos os 
tecidos embrionários, e a orientação axial são estabelecidas nos embriões. Durante a gastrulação, o disco embrionário 
bilaminar é convertido trilaminar. Grandes mudanças no formato, rearranjo e movimento das células e mudanças nas 
propriedades adesivas contribuem para o processo de gastrulação, que é o início da morfogênese (desenvolvimento da 
forma do corpo) e é o evento significativo que ocorre durante a terceira semana. Proteínas morfogenéticas do osso (BMP) e 
outras moléculas sinalizadoras como FGFs e Wnts têm papel essencial nesse processo. A gastrulação se inicia com a formação 
da linha primitiva na superfície do epiblasto do disco embrionário (embrião=gástrula). Cada uma das três camadas 
germinativas (ectoderma, mesoderma e endoderma) dá origem a tecidos e órgãos específicos: 
- ectoderma embrionário: origina à epiderme, sistema nervoso central e periférico, ao olho, à orelha interna e, como células 
da crista neural, a muitos tecidos conjuntivos da cabeça 
- endoderma embrionário é a fonte dos revestimentos epiteliais das vias respiratórias e do trato gastrointestinal, incluindo 
as glândulas que se abrem no trato gastrointestinal e as células glandulares dos órgãos associados, tais como o fígado e o 
pâncreas. 
- mesoderma embrionário origina todos os músculos esqueléticos, às células sanguíneas e ao revestimento dos vasos 
sanguíneos, a todo músculo liso visceral, a todos os revestimentos serosos de todas as cavidades do corpo, aos duetos e 
órgãos dos sistemas reprodutivo e secretor e à maior parte do sistema cardiovascular. No tronco, é a origem de todos os 
tecidos conjuntivos, incluindo a cartilagem, os ossos, os tendões, os ligamentos, a derme e o estroma dos órgãos internos. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
Linha primitiva 
 Seu aparecimento é o primeiro sinal da gastrulação no início da terceira semana. Resulta da proliferação e 
migração das células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário. Enquanto a linha primitiva se alonga pela 
adição de células na sua extremidade caudal, a extremidade cranial prolifera e forma o nó primitivo. Ao mesmo tempo 
forma-se na linha primitiva o estreito (sulco primitivo), que se continua com uma pequena depressão no nó primitivo (a 
fosseta primitiva). Assim que a linha primitiva surge,é possível identificar o eixo cefálico-caudal do embrião, as extremidades 
cefálica e caudal, as superfícies dorsal e ventral e os lados direito e esquerdo. O sulco e a fosseta primitivos resultam da 
invaginação (movimento para dentro) das células epiblásticas. Pouco depois, células abandonam sua superfície profunda e 
formam o mesênquima, tecido formado por células frouxamente arranjadas suspensas em uma matriz gelatinosa, suas 
células mesenquimais são amebóides e ativamente fagocíticas. O mesênquima forma os tecidos de sustentação do embrião, 
e a maior parte dos tecidos tecidos conjuntivos do corpo e das glândulas. Parte do mesênquima forma o mesoblasto 
(mesoderma indiferenciado), que forma o mesoderma embrionário ou intra-embrionário. Células do epiblasto, assim como 
do nó primitivo e de outras partes da linha primitiva, deslocam o hipoblasto, formando o endoderma embrionário, no teto 
do saco vitelino. As células que permanecem no epiblasto formam o ectoderma embrionário ou intra-embrionário. As 
células mesenquimais originadas da linha primitiva migram amplamente. Essas células pluripotenciais têm o potencial de 
proliferar e diferenciar-se em diversos tipos celulares, tais como fibroblastos, condroblastos e osteoblastos. Em resumo, 
através do processo de gastrulação, células do epiblasto dão origem a todas as três camadas germinativas do embrião, 
primórdios de todos os tecidos e órgãos. 
Destino da Linha Primitiva 
A linha primitiva forma ativamente o mesoderma pelo ingresso de células até o início da quarta semana; depois disso, a 
produção de mesoderma torna-se mais lenta. A linha primitiva diminui de tamanho relativo e torna-se uma estrutura 
insignificante na região sacrococcígea do embrião. Normalmente a linha primitiva sofre mudanças degenerativas e 
desaparece no fim da quarta semana. 
Processo notocordal e notocorda 
 Algumas células mesenquimais, que ingressaram através da linha primitiva migram cefalicamente do nó e 
da fosseta primitivos, formando um cordão celular mediano, o processo notocordal, que logo adquire uma luz, o canal 
notocordal, que cresce cefalicamente entre o ectoderma e o endoderma até alcançar a placa pré-cordal, uma pequena área 
circular de células endodérmicas colunares, onde o ectoderma e o endoderma estão em contato. O mesoderma pré-cordal 
é uma população* mesenquimal anterior à notocorda e essencial para a indução do cérebro anterior e do olho. A placa pré-
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
cordal é o primórdio da membranabucofaríngea, localizada no futuro local da cavidade oral, podendo também ter um papel 
como um centro sinalizador para controlar o desenvolvimento de estruturas cranianas. 
 Algumas células mesenquimais da linha primitiva e do processo notocordal migram lateral e cefalicamente, entre 
outras células mesodérmicas até alcançarem as bordas do disco embrionário. Essas células estão em continuidade com o 
mesoderma extra-embrionário que cobre o âmnio e o saco vitelino. Algumas células mesenquimais da linha primitiva, que 
também têm destinos mesodérmicos, migram cefalicamente de cada lado do processo notocordal e em torno da placa pré-
cordal. Nesse local, elas se encontram cefalicamente, formando o mesoderma cardiogênico na área cardiogênica, onde o 
primórdio do coração começa a se desenvolverno fim da terceira semana. Caudalmente à linha primitiva, há uma área 
circular (a membrana cloacal) que indica o local do futuro ânus. Ali e na membrana bucofaríngea, o disco embrionário 
permanece bilaminar porque, nesses locais, o ectoderma e o endoderma estão fundidos, impedindo, assim, a migração de 
células mesenquimais entre os folhetos. Na metade da terceira semana, o mesoderma intra-embrionário separa o ectoderma 
do endoderma em todos os lugares, exceto: 
• Cefalicamente, na membrana bucofaríngea. 
• No plano mediano, cefalicamente ao nó primitivo, onde se localiza o processo notocordal. 
• Caudalmente, na membrana cloacal. 
 Sinais instrutivos (indutores que ocorrem naturalmente) da região de linha primitiva induzem as células 
precursoras notocordais a formarem a notocorda, uma estrutura celular semelhante a uma haste. O mecanismo molecular 
que induz essas células envolve (pelo menos) sinalização Shh da placa ventral do tubo neural. A notocorda: 
• Define o eixo primitivo do embrião dando-lhe uma certa rigidez. 
• Fornece os sinais necessários para o desenvolvimento dobesqueleto axial (ossos da cabeça e da coluna vertebral) e do 
sistema nervoso central. 
• Contribui na formação dos discos intervertebrais. 
A notocorda desenvolve-se da seguinte maneira: 
• O processo notocordal se alonga pela invaginação de células provenientes da fosseta primitiva. 
• A fosseta primitiva se estende para dentro do processo notocordal, formando o canal notocordal . 
• O processo notocordal é agora um tubo celular que se estende cefalicamente do nó primitivo até a placa pré-cordal. 
• O assoalho do processo notocordal funde-se com o endoderma embrionário subjacente. 
• As camadas fundidas sofrem uma degeneração gradual, resultando na formação de aberturas no assoalho do processo 
notocordal, permitindo a comunicação do canal notocordal com o saco vitelino. 
• As aberturas confluem rapidamente e o assoalho do canal notocordal desaparece; o remanescente do processo notocordal 
forma a placa notocordal, achatada e com um sulco . 
• Iniciando pela extremidade cefálica do embrião, as células da notocorda proliferam e a placa notocordal se dobra, 
formando a notocorda. 
• A parte proximal do canal notocordal persiste, temporariamente, como o canal neuroentérico, que forma uma 
comunicação transitória entre as cavidades dos sacos amniótico e vitelino. Normalmente, o canal neuroentérico se oblitera 
ao fim do desenvolvimento da notocorda. 
• A notocorda separa-se do endoderma do saco vitelino, que novamente se torna uma camada contínua. 
 A notocorda se estende da membrana bucofaríngea ao nó primitivo. A notocorda degenera e desaparece quando 
os corpos vertebrais se formam, mas persiste como o núcleo pulposo de cada disco intervertebral. A notocorda funciona 
como o indutor primário (centro sinalizador) do embrião inicial. A notocorda em desenvolvimento induz o ectoderma 
sobrejacente a espessar-se e formar a placa neural, o primórdio do sistema nervoso central (SNC). 
O alantóide 
 Surge por volta do 16- dia como um pequeno divertículo (evaginação) em forma de salsicha da parede caudal do 
saco vitelino que se estende para o pedículo do embrião. O alantóide permanece muito pequeno, mas o mesodermo 
alantóide se expande abaixo do córion e forma os vasos sangüíneos que servirão à placenta. A parte proximal do 
divertículo alantoide original persiste durante a maior parte do desenvolvimento como uma linha chamada úraco, que se 
estende da bexiga até a região umbilical, que é representado nos adultos pelo ligamento umbilical mediano. Os vasos 
sangüíneos do alantóide tornam-se as artérias umbilicais. A parte intra-embrionária das veias umbilicais tem origem 
diferente. 
Neurulação: formação do tubo neural 
 É a formação da placa neural e pregas neurais e fechamento dessas pregas para formar o tubo neural. Esses 
processos terminam na quarta semana, quando ocorre o fechamento do neuroporo caudal. Durante esta, algumas vezes o 
embrião é denominado nêurula. 
Placa Neural e Tubo Neural 
 Com o desenvolvimento da notocorda, o ectoderma embrionário acima dela se espessa, formando uma placa 
alongada, em forma de chinelo, de células epiteliais espessadas, a placa neural. O ectoderma da placa neural 
(neuroectoderma) dá origem ao SNC — encéfalo e medula espinhal. O neuroectoderma também dá origem a várias outras 
estruturas, como a retina, por exemplo. Inicialmente, a placa neural alongada corresponde, em comprimento, à notocorda 
subjacente. Ela aparece cefalicamente ao nó primitivo e dorsalmente à notocorda e ao mesoderma adjacente a esta. 
Enquanto a notocorda se alonga, a placa neural se alarga e se estende cefalicamente até a membrana bucofaríngea. 
Finalmente, a placa neural ultrapassa a notocorda. Por volta do 182 dia, a placa neural se invagina ao longo do seu eixo 
central, formando um sulco neural mediano, com pregas neurais em ambos os lados. As pregas neurais tornam-se 
particularmente proeminentes na extremidade cefálica do embrião e constituem os primeiros sinais do desenvolvimento do 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
encéfalo. No fim da terceira semana, as pregas neurais já começaram a se aproximar e a se fundir, convertendo a placa 
neural em tubo neural, o primórdio do SNC. O tubo neural logo se separa do ectoderma da superfície, assim que as pregas 
neurais se encontram. As células da crista neural sofrem uma transição, de epiteliais se tornam mesenquimais, e se afastam 
à medida que as pregas neurais se encontram, e as bordas livres do ectoderma se fundem, tornando essa camada contínua 
sobre o tubo neural e as costas do embrião. Subseqüentemente, o ectoderma da superfície diferencia-se na epiderme. A 
neurulação é completada durante a quarta semana. A formação do tubo neural é um processo celular complexo e 
multifatorial que envolve uma cascata de mecanismos moleculares e fatores extrínsecos. 
 
Formação da Crista Neural 
 Com a fusão das pregas neurais para formar o tubo neural, algumas células neuroectodérmicas, dispostas ao longo 
da crista de cada prega neural, perdem sua afinidade com o epitélio e adesões às células vizinhas. Quando o tubo neural se 
separa do ectoderma da superfície, as células da crista neural formam uma massa achatada irregular, a crista neural, entre 
o tubo neural e o ectoderma superficial suprajacente, que se separa em partes direita e esquerda, que migram para os 
aspectos dorsolaterais do tubo neural; nessa região elas originam os gânglios sensitivos dos nervos cranianos e espinhais. As 
células da crista neural depois se movem tanto para dentro quanto sobre a superfície dos somitos. As células da crista neural 
originam os gânglios espinhais (gânglios das raízes dorsais) e os gânglios do sistema nervoso autônomo. Os gânglios dos 
nervos cranianos V, VII, IX e X também derivam parcialmente das células da crista neural. Além de formarem as células 
ganglionares, formam as bainhas de neurilema dos nervos periféricos e contribuem para a formação de leptomeninges. As 
células da crista neural também contribuem para a formação de células pigmentares, células da medula da supra-renal 
(adrenal) e vários componentes musculares e esqueléticos da cabeça. Estudos laboratoriais indicam que as interações 
celulares tanto na superfície do epitélio quanto entre ele e o mesoderma subjacente são necessárias para estabelecer os 
limites da placa neural e especificar os locais onde vai ocorrer a transformação epitelial-mesenquimal. Estas são mediadas 
por proteínas morfogenéticas do osso, Wnt, Notch e FGF. Além disso, moléculas como efrinas são importantes guias das 
vias de migração das células da crista neural. Muitas doenças em humanos são causadas por defeitos na diferenciação ou 
migração das células da crista neural. 
Desenvolvimento dos somitos 
 As células derivadas do nó primitivo também formam o mesoderma paraxial. Próximo ao nó, essa população 
aparece como uma coluna grossae longitudinal de células. Cada coluna está em continuidade com o mesoderma 
intermediário, que gradualmente se adelgaça para formar a camada de mesoderma lateral, que está em continuidade com 
o mesoderma extra-embrionário que cobre o saco vitelino e o âmnio. Próximo ao fim da terceira semana, o mesoderma 
paraxial diferencia-se e começa a dividir-se em pares de corpos cubóides, os somitos, que se formam em uma sequência 
cefalocaudal localizados em cada lado do tubo neural em desenvolvimento. Cerca de 38 pares de somitos são formados 
durante o período somítico do desenvolvimento humano (20a ao 30s dia). No fim da quinta semana, 42 a 44 pares de somitos 
estão presentes. Como os somitos são bem proeminentes durante a quarta e quinta semanas, eles são usados como um dos 
vários critérios para determinar a idade do embrião. Os somitos aparecem primeiro na futura região occipital do embrião. 
Logo avançam cefalocaudalmente, dando origem à maior parte do esqueleto axial e aos músculos associados, assim como à 
derme da pele adjacente. Somitos cefálicos são os mais velhos, e os caudais, os mais jovens. A progressão ordenada da 
segmentação envolve um mecanismo de relógio (oscilador) da expressão dos genes, em particular os de Notch. Além disso, 
axônios motores do cordão espinhal inervam as células musculares nos somitos, um processo que exige uma orientação 
correta dos axônios do cordão espinhal para as células-alvo adequadas. 
 
 
Desenvolvimento do celoma intra-embrionário 
 O primórdio do celoma intra-embrionário (cavidade do corpo do embrião) surge como espaços celômicos isolados 
no mesoderma lateral e no mesoderma cardiogênico (formador do coração). Esses espaços logo coalescem, formando uma 
única cavidade em forma de ferradura, o celoma intra-embrionário, que divide o mesoderma lateral em duas camadas: 
• A camada parietal, ou somática, do mesoderma lateral, localizada sob o epitélio ectodérmico e contínua ao mesoderma 
extra-embrionário, que cobre o âmnio. 
• A camada visceral, ou esplâncnica, do mesoderma lateral, adjacente ao endoderma e contínua ao mesoderma 
extraembrionário que cobre o saco vitelino. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
O mesoderma somático e o ectoderma sobrejacente do embrião formam a parede do corpo do embrião ou somatopleura, 
enquanto o mesoderma esplâncnico e o endoderma subjacente do embrião formam o intestino do embrião ou 
esplancnopleura. Durante o segundo mês, o celoma intra-embrionário está dividido em três cavidades corporais: 
• Cavidade pericárdica. 
• Cavidades pleurais. 
• Cavidade peritoneal. 
Desenvolvimento inicial do sistema cardiovascular 
 No fim da 2a semana, a nutrição do embrião é obtida do sangue materno, por difusão através do celoma extra-
embrionário e do saco vitelino. No início da 3a semana, iniciam-se a vasculogênese e a angiogênes, ou formação de vasos 
sangüíneos, no mesoderma extra-embrionário do saco vitelino, do pedículo do embrião e do córion. Os vasos sangüíneos do 
embrião começam a se desenvolver cerca de 2 dias mais tarde. A formação inicial do 
sistema cardiovascular está correlacionada com a necessidade urgente dos vasos sangüíneos de trazer oxigênio e nutrientes 
para o embrião a partir da circulação materna, através da placenta. Durante a 3a semana, desenvolve-se o primórdio de uma 
circulação uteroplacentária. 
Vasculogênese e Angiogênese 
 A vasculogênese é a formação de novos canais vasculares pela reunião de precursores celulares individuais 
chamados angioblastos. A angiogênese é a formação de novos vasos pela ramificação de vasos preexistentes. A 
vasculogênese no embrião e nas membranas extra-embrionárias durante a terceira semana pode ser resumida da seguinte 
maneira: 
• Células mesenquimais (derivadas do mesoderma) se diferenciam em precursoras de células endoteliais — os angioblastos 
(células formadoras de vasos), que se agregam e formam grupos de células angiogênicas — as ilhotas sangüíneas, que são 
associadas ao saco vitelino ou cordões endoteliais do embrião. 
• Dentro das ilhotas, fendas intercelulares confluem, formando pequenas cavidades. 
• Os angioblastos se achatam, tornando-se células endoteliais, que se dispõem em torno das cavidades e formam o 
endotélio. 
• Essas cavidades revestidas por endotélio logo se fundem para formar redes de canais endoteliais (vasculogênese). 
• Vasos avançam para áreas adjacentes por brotamento endotelial e se fundem com outros vasos. 
 As células sangüíneas desenvolvem-se a partir de células endoteliais dos vasos à medida que eles se desenvolvem 
nas paredes do saco vitelino e do alantóide, no fim da 3a semana. A formação do sangue (hematogênese) só começa na 
quinta semana. Ela ocorre primeiro em várias partes do mesênquima do embrião, principalmente no fígado, e, mais tarde, 
no baço, na medula óssea e nos linfonodos. Os eritrócitos fetais e adultos derivam de diferentes células progenitoras 
hematopoiéticas (hemangioblastos). As células mesenquimais que circundam os vasos sangüíneos endoteliais primitivos 
diferenciam-se nos elementos musculares e conjuntivos dos vasos. 
Sistema Cardiovascular Primitivo 
 O coração e os grandes vasos formam-se de células mesenquimais da área cardiogênica. Durante a 3a semana, 
forma-se um par de canais longitudinais revestidos por endotélio (os tubos cardíacos endocárdicos) que se fundem, 
formando o tubo cardíaco primitivo. O coração tubular une-se a vasos sanguíneos do embrião, do pedículo, do córion e do 
saco vitelino, para formar o sistema cardiovascular primitivo. No fim da 3a semana, o sangue circula e o coração começa a 
bater no 21a ou 22a dia. O sistema cardiovascular é o primeiro sistema de órgãos que alcança um estado funcional. Os 
batimentos cardíacos embrionários podem ser detectados por ultra-sonografia usando a tecnologia de Doppler, durante a 
5a semana, cerca de 7 semanas depois do último período menstrual normal. 
Desenvolvimento das vilosidades coriônicas 
 Pouco depois da formação das vilosidades coriônicas primárias, no fim da 2a semana, elas começam a ramificar-
se. No início da 3a semana, o mesênquima penetra as vilosidades primárias formando um eixo central de tecido mesenquimal 
formando as vilosidades coriônicas secundárias, que recobrem toda a superfície do saco coriônico. Algumas células 
mesenquimais da viíosidade logo se diferenciam em capilares e células sanguínea, que quando se tornam visíveis nas 
vilosidades, elas são chamadas de vilosidades coriônicas terciárias. Os capilares das vilosidades coriônicas fundem-se, 
formando redes arteriocapilares, que logo se conectam ao coração do embrião através de vasos que se diferenciam no 
mesênquima do córion e no pedículo do embrião. No fim da 3a semana, o sangue do embrião começa a fluir lentamente 
através dos capilares das vilosidades coriônicas. Oxigênio e nutrientes do sangue materno presente no espaço interviloso 
difundem-se através das paredes das vilosidades e penetram o sangue do embrião. Dióxido de carbono e resíduos difundem-
se do sangue nos capilares fetais para o sangue materno, através da parede das vilosidades. Concomitantemente, células do 
citotrofoblasto das vilosidades coriônicas proliferam e se estendem através do sinciciotrofoblasto, formando uma capa 
citotrofoblástica, que, gradualmente, envolve o saco coriônico e o prende ao endométrio, constituindo as vilosidades-tronco 
(vilosidades 
de ancoragem). As vilosidades que crescem dos lados das vilosidades-tronco constituem as vilosidades terminais, que 
através destas se dá a maior parte das trocas de material entre o sangue da mãe e do embrião. As vilosidades terminais são 
banhadas por sangue materno do espaço interviloso, que é trocado continuamente. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
 
 Todas as principais estruturas internas e externas se estabelecem da 4a à 8â semana. No final deste período, os 
principais sistemas de órgãos já começaram a se desenvolver;mas, o funcionamento da maioria deles é mínimo, exceto o 
sistema cardiovascular. Com a formação dos tecidos e órgãos, a forma do embrião muda, e, no final da 8a semana, o embrião 
apresenta um aspecto nitidamente humano. Como os tecidos e órgãos estão diferenciando-se rapidamente durante o 
período da 4a à 8a semana, a exposição de embriões a teratógenos (drogas, vírus) durante este período pode causar grandes 
anomalias congênitas. 
Fases do desenvolvimento embrionário 
 O desenvolvimento humano pode ser dividido em três fases, que têm uma certa inter-relação: 
• A primeira fase do desenvolvimento é a do crescimento, que envolve divisão celular e a elaboração de produtos celulares. 
• A segunda fase do desenvolvimento é a da morfogênese (desenvolvimento da forma, do tamanho ou de outras 
características de um órgão em particular ou parte do corpo), é um processo elaborado durante o qual ocorrem muitas 
interações complexas, em uma seqüência ordenada. O movimento das células possibilita a elas interagir umas com as outras 
durante a formação dos tecidos e órgãos. 
• A terceira fase do desenvolvimento é a da diferenciação (maturação dos processos fisiológicos), seu término resulta na 
formação de tecidos e órgãos capazes de executar funções especializadas. 
Dobramento do embrião 
 Um importante acontecimento no estabelecimento da forma do corpo é o dobramento do disco embrionário 
trilaminar plano em um embrião mais ou menos cilíndrico. O dobramento se dá nos planos mediano 
e horizontal e é decorrente do rápido crescimento do embrião. A velocidade de crescimento nas laterais do 
disco embrionário não acompanha o ritmo de crescimento do eixo maior enquanto o embrião aumenta 
rapidamente de comprimento. O dobramento das extremidades cefálica e caudal e o dobramento lateral do embrião 
ocorrem simultaneamente. Concomitantemente, a junção do embrião com o saco vitelino sofre uma constrição relativa. 
Dobramento do Embrião no Plano Mediano 
 O dobramento ventral das extremidades do embrião produz as pregas cefálica e caudal, que levam as regiões 
cefálica e caudal a se deslocarem ventralmente, enquanto o embrião se alonga cefálica e caudalmente. Prega Cefálica: No 
início da 4a semana, as pregas neurais da região cefálica tornaram-se mais espessas, formando o primórdio do encéfalo., 
que inicialmente se projeta dorsalmente na cavidade amniótica e posteriormente, o encéfalo anterior em desenvolvimento 
cresce em direção cefálica, além da membrana bucofaríngea, e coloca-se sobre o coração em desenvolvimento. 
Simultaneamente, o septo transverso, o coração primitivo, o celoma pericárdico e a membrana bucofaríngea se deslocam 
na superfície ventral do embrião. Durante o dobramento longitudinal, parte do endoderma do saco vitelino é incorporada 
no embrião, formando o intestino anterior (primórdio da faringe, do esôfago etc), que situa-se entre o encéfalo e o coração, 
e a membrana orofaríngea separa o intestino anterior do estomodeu. Depois do dobramento, o septo transverso situa-se 
caudalmente ao coração, onde, subseqüentemente, se desenvolve em tendão central do diafragma. A prega cefálica também 
influencia a formação do celoma embrionário (primórdio das cavidades do corpo), que antes do dobramento é uma cavidade 
achatada, em forma de ferradura. Depois do dobramento, o celoma pericárdico localiza-se ventralmente ao coração e 
cefálico ao septo transverso. Neste estágio, o celoma intra-embrionário comunica-se livremente, por ambos os 
lados, com o celoma extra-embrionário. 
Prega Caudal: O dobramento da extremidade caudal do embrião resulta, basicamente, do crescimento da parte distai do 
tubo neural (primórdio da medula espinhal). Com o crescimento do embrião, a eminência caudal (região da cauda) se projeta 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
sobre a membrana cloacal (futura região do ânus). Durante o dobramento, parte da camada germinativa endodérmica é 
incorporada ao embrião, formando o intestino posterior (primórdio do cólon descendente). A porção terminal do intestino 
anterior logo se dilata levemente e forma a cloaca (primórdio da bexiga e do reto. Antes do dobramento, a linha primitiva 
situa-se cranialmente à membrana cloacal; depois do dobramento, ela assume uma posição caudal. O pedículo do embrião 
(primórdio do cordão umbilical) prende-se à superfície ventral do embrião, e a alantóide (um divertículo do saco vitelino) é 
parcialmente incorporado ao embrião. 
Dobramento do Embrião no Plano Horizontal 
 O dobramento lateral do embrião leva à formação das pregas laterais direita e esquerda, é resultado do rápido 
crescimento da medula espinhal e dos somitos. Os primórdios da parede ventrolateral dobram-se em direção ao plano 
mediano, deslocando as bordas do disco embrionário ventralmente, formando um embrião cilíndrico. Com a formação das 
paredes abdominais, parte da camada germinativa endodérmica é incorporada ao embrião, formando o intestino médio 
(primórdio do intestino delgado). Mas, inicialmente há uma ampla comunicação entre o intestino médio e o saco vitelino, 
mas, depois do dobramento lateral, esta comunicação é reduzida, formando o pedículo vitelino. Com a transformação do 
pedículo do embrião no cordão umbilical, a fusão ventral das pregas laterais reduz a região de comunicação entre as 
cavidades celômicas intra-embrionárias e extra-embrionárias a uma comunicação estreita. A medida que a cavidade 
amniótica se expande e oblitera a maior parte do celoma extra-embrionário, o âmnio passa a formar o revestimento epitelial 
do cordão umbilical. 
 
Derivados das camadas germinativas 
 As três camadas germinativas (ectoderma, mesoderma e endoderma), formadas durante a gastrulação, dão origem 
aos primórdios de todos os tecidos e órgãos. Mas, a especificidade das camadas germinativas não é rigidamente fixa. As 
células de cada camada germinativa se dividem, migram, se agregam e se diferenciam seguindo padrões bastante precisos 
ao formar os vários sistemas de órgãos (organogênese). Os principais derivados das camadas germinativas são os seguintes: 
• 0 ectoderma dá origem ao sistema nervoso central (SNC), ao sistema nervoso periférico, aos epitélios sensoriais de olho, 
orelha e nariz, à epiderme e aos seus anexos (pêlos e unhas), às glândulas mamárias, à hipófise, às glândulas subcutâneas e 
ao esmalte dos dentes. As células da crista neural, derivadas do neuroectoderma, dão origem às células dos gânglios 
espinhais, do crânio (nervos cranianos, V, VII, IX e X) e gânglios autônomos; às células que formam as bainhas do sistema 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
nervoso periférico; às células pigmentares da epiderme; aos tecidos musculares, tecidos conjuntivos e ossos que se originam 
dos arcos faríngeos; à medula da supra-renal e às meninges (coberturas) do encéfalo e da medula espinhal. 
• 0 mesoderma dá origem ao tecido conjuntivo; cartilagem; osso; músculos estriados e lisos; coração, vasos sanguíneos e 
linfáticos; rins; ovários e testículos; duetos genitais; membranas serosas que revestem as cavidades do corpo (pericárdica, 
pleurais e peritoneal); o baço; e ao córtex das supra-renais. 
• 0 endoderma dã origem ao revestimento epitelial dos tratos gastrointestinal e respiratório, ao parênquima das tonsilas, 
das glândulas tireóide e paratireóides, do timo, do fígado e do pâncreas, ao revestimento epitelial da bexiga e maior parte 
da uretra e ao revestimento epitelial da cavidade timpânica, do antro do tímpano e da tuba faringotimpânica (auditiva). 
 
 
Controle do desenvolvimento Embrionário 
 O desenvolvimento resulta de planos genéticos nos cromossomos. O conhecimento dos genes que controlam o 
desenvolvimento humano está aumentando. A maior parte dos processos de desenvolvimento depende de uma interação 
coordenada e precisa de fatores genéticos e ambientais. Vários mecanismos de controle, como interações entre tecidos, 
migração regulada de células e colôniascelulares, proliferação controlada e a morte celular programada, orientam a 
diferenciação e garantem o desenvolvimento sincrônico. Cada sistema do corpo possui seu próprio padrão de 
desenvolvimento. O crescimento é alcançado por meio das mitoses (reprodução somática das células), em conjunto com a 
produção de matrizes extracelulares, enquanto a complexidade é alcançada por meio da morfogênese e da diferenciação. 
As células que constituem os tecidos dos embriões bem iniciais são pluripotentes, e, sob diferentes circunstâncias, são 
capazes de seguir uma ou mais vias de desenvolvimento. Este amplo potencial de desenvolvimento torna-se 
progressivamente mais restrito quando os tecidos adquirem as características especializadas necessárias para aumentar sua 
sofisticação estrutural e funcional. As interações que levam a mudanças no curso do desenvolvimento de pelo menos um 
dos interagentes são denominadas induções. O fato de um tecido poder influenciar a via de desenvolvimento adotada por 
outro tecido pressupõe a passagem de um sinal entre os dois interagentes. O mecanismo de transferência do sinal parece 
variar de acordo com os tecidos específicos envolvidos. Qualquer que seja o mecanismo de transferência intercelular 
envolvido, o sinal é traduzido em uma mensagem intracelular que influencia a atividade genética das células-alvo. 
Quarta semana 
 Ocorrem grandes mudanças na forma do corpo. No começo, o embrião é quase reto e tem de 4 a 12 somitos que 
produzem elevações conspícuas na superfície. O tubo neural forma-se em frente aos somitos, mas é amplamente aberto nos 
neuroporos rostral (anterior) e caudal (posterior). Com 24 dias, os arcos faríngeos são visíveis. O primeiro arco (mandibular) 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
e o segundo (hióideo) estão individualizados. A principal parte do primeiro arco dá origem à mandíbula, e uma extensão 
rostral do arco, a proeminência maxilar, contribui para a formação da maxila. O embrião está, agora, levemente encurvado 
por causa das pregas cefálica e caudal. O coração forma uma grande saliência ventral e bombeia sangue. Três pares de arcos 
faríngeos são visíveis aos 26 dias, e o neuroporo rostral já se fechou. O encéfalo anterior produz uma elevação saliente na 
cabeça, enquanto o dobramento do embrião lhe dá uma curvatura em C. Os brotos dos membros superiores tornam-se 
reconhecíveis aos 26 ou 27 dias como pequenas intumescências na parede ventrolateral do corpo. As fossetas óticas, 
primórdios das orelhas internas, também são visíveis. Nos lados da cabeça são visíveis espessamentos ectodérmicos, 
denominados placóides do cristalino, que indicam os futuros cristalinos dos olhos. O quarto par de arcos faríngeos e os 
brotos dos membros inferiores são visíveis no fim da 4a semana. 
 Próximo ao fim da 4a semana, uma longa eminência caudal é uma característica típica. Rudimentos de muitos 
sistemas de órgãos, especialmente do sistema cardiovascular, já se estabeleceram. No fim da 4a semana, geralmente o 
neuroporo caudal está fechado. 
 
3- Elucidar as dosagens de hCG, o hematoma retrocorionico, o tamanho do corpo lúteo e como interpretar o US. 
hCG 
 
 Na gravidez ectópica os níveis séricos de β-hCG tendem a ser mais baixos do que em gestações normais. Cerca de 
75% das gestações ectópicas apresentam valores abaixo de 4.000 mUI/l ao diagnóstico. 
 Há os tumores coriônicos, também denominados de Doença Trofoblástica Gestacional, que originam-se do tecido 
placentário e estão entre os raros tumores que podem ser curados, mesmo na presença de metástases. Os níveis de β-hCG 
usualmente estão em valores mais elevados na Doença Trofoblástica Gestacional do que em uma gestação normal. Níveis 
de β-hCG mais baixos do que o esperado estão relacionados com alta incidência de gestação anormal. Diversos trabalhos 
correlacionam níveis baixos de β-hCG com evolução para aborto. Níveis de β-hCG mais elevados do que o esperado são 
descritos na gestação múltipla, na eritroblastose fetal, na síndrome de Down, hipertensão e na Doença trofoblástica 
gestacional. 
 “A reprodução humana representa um paradoxo”. Embora seja essencial à manutenção da espécie, a reprodução 
é um processo é ineficaz. A probabilidade de concepção durante um ciclo menstrual é de aproximadamente 30%. Cerca de 
75% das gestações que são perdidas decorrem de falência na implantação, não sendo reconhecidas clinicamente como 
gravidez. Este fato, definido como perda fetal precoce ou microaborto, apresenta alta incidência, ocorrendo em 35% a 40% 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
das gestações. A perda ovular precoce é uma ocorrência frequente. Uma interpretação precipitada pode considerar de forma 
equivocada “erro de laboratório". 
 Secreção pituitária de hCG: Valores persistentemente baixos de β-hCG, entre 3 e 100 mUI/ml, podem ser 
encontrados no pós-parto, na menopausa, mulheres não grávidas e homens. Estes valores baixos podem advir de várias 
fontes, sendo comumente atribuídos à secreção das células gonadotróficas da hipófise. Raramente uma hipófise normal ou 
um adenoma hipofisário podem ser causa de valores altos de β- hCG. 
 Deve-se lembrar que um grande número de tumores podem determinar teste positivo de β- hCG, além da Doença 
Trofoblástica Gestacional. O β-hCG juntamente com a alfa-fetoproteína são marcadores de tumores de células germinativas, 
incluindo o coriocarcinoma. Em cerca de 70% dos tumores testiculares não seminomatosos encontram-se valores elevados 
de β-hCG, e em menor freqüência, no seminoma. Elevações de β-hCG também podem ser encontradas, em menores 
percentuais, em casos de melanoma, carcinoma de mama, do pulmão, do estômago, do cólon, do pâncreas, do fígado, do 
ovário, da bexiga e em tumores de ilhota. São ainda descritos como causa de resultados falso-positivos de β-hCG o uso de 
certas drogas: metadona, canabinóides, clorpromazina e fenotiazinas (17) 
 
Corpo Lúteo 
 Poucos trabalhos descrevem o tamanho do CL. O volume médio do CL encontrado nesta pesquisa, de 4,2±1,9 cm3, 
se mostra próximo dos valores encontrados na literatura de 3,7±1,7 cm3 por Baird et al. O valor do maior diâmetro aferido 
teve média de 21,8 mm e inclui-se entre valores descritos na literatura de 19,0±0,6 mm5. 
 A importância do tamanho do CL é controversa. Sabe-se que o aumento das células periféricas promove aumento 
do diâmetro e do volume do CL, que cresce entre 4 e 6 semanas de gestação e, entre 8 e 16 semanas, passa a decrescer, e a 
placenta assume sua função, o que é chamado de “mudança luteo-placentária”. Na gravidez inicial, a gonadotrofina coriônica 
humana (HCG) estimula o CL da gravidez a produzir progesterona enquanto mantêm a implantação do embrião no útero. 
Células sanguíneas mononucleares periféricas também desempenham papel importante na implantação do embrião por 
meio da produção de progesterona pelas células lúteas. As plaquetas circulantes induzem a neovascularização durante a 
formação do CL. A maioria dos autores não encontraram relação entre o aumento da glândula e o aumento da concentração 
sérica de progesterona 
 
Ultrassom: UTILIZAÇÕES NA OBSTÉTRICA 
 1.Diagnóstico de gravidez: 
 A identificação do saco gestacional pode se dar desde após duas a três semanas de gravidez (ou quatro a cinco 
semanas de idade gestacional, visto que é um costume obstétrico se acrescentar ao tempo de gravidez as duas semanas 
que precedem a ovulação). Para este propósito, a ecografia obstétrica por via transvaginal é a mais indicada por possibilitar 
uma melhor formação da imagem. Além disso, essa técnica pode assegurar o número de gestações que se estão 
desenvolvendo, bem como a sua localização, usualmente intra-uterina. 
 
 
 
Fig.1 - Foto de embrião com 0,3 cm 
(técnica transvaginal): 
Fig.2 - Foto de embrião com 0,8 cm 
(técnica transvaginal): 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Gestação de 5 semanasGestação de 7 semanas 
 
2. Diagnóstico da viabilidade da gravidez: 
 É comum ser necessária a confirmação da viabilidade do embrião, principalmente na vigência de sangramento. Neste 
caso, a ecografia pode mostrar a actividade cardíaca do embrião a partir de 6 semanas quando utilizada a técnica 
transvaginal, ou a partir de 7 semanas, se visualizado através da parede abdominal. 
 
 
Fig.3 - Foto de feto com 2,2 cm, evidenciando a 
actividade cardíaca (técnica transvaginal): 
Gestação de 9 semanas 
3. Determinação da idade gestacional e do tamanho do feto: 
 É importante saber que, quanto mais precoce for realizado o exame, mais precisa é a datação da gravidez. Por 
exemplo, realizando-se o exame até 12 semanas, a margem de erro é de até 3 dias, elevando-se para 10 dias a mais ou a 
menos após as 28 semanas. Essa particularidade deve-se ao facto de que os embriões apresentam taxas de crescimento 
inicialmente similares entre si, sendo tardias as influências da hereditariedade e do grau de nutrição da mãe e/ou do feto. 
É por isso que, quando realizada de maneira isolada e próxima do final da gestação, a ecografia é muito mais útil como 
preditora do tamanho do feto do que de sua idade gestacional propriamente dita. 
 Usualmente, os cálculos da idade gestacional, do comprimento e do peso do feto são estabelecidos obtendo-se as 
medidas do comprimento céfalo-nádegas, do diâmetro cefálico biparietal, do comprimento do fêmur, do comprimento do 
úmero, da circunferência craniana e da circunferência abdominal. 
 
 
Fig.4 - Foto de crânio com 8,6 cm de 
diâmetro cefálico biparietal: 
Gestação de 34 semanas 
Fig.5 - Foto de um femur com 7,1 cm: 
Gestação de 36 semanas 
 4. Diagnóstico de malformações fetais: 
 Certamente a principal angústia que se mistura com a emoção da geração de um bebé é a dúvida sobre a perfeição do 
feto que se está desenvolvendo. Com o advento da ecografia, a partir da 18ª-20ª semana de gestação, é possível fazer-se um 
mapeamento completo dos órgãos fetais, identificando-se - além do clássico "cabeça-tronco-membros" - toda a constituição 
fetal. Identifica-se desde a anatomia do encéfalo, passando pela face, pescoço, coluna vertebral, pulmões, coração, veias e 
artérias, até aos órgãos intra-abdominais como estômago, fígado, vesícula biliar, baço, rins, glândulas supra-renais, intestino 
e bexiga, além dos órgãos sexuais externos. Com o advento da ecografia por via transvaginal, cada vez mais precocemente 
as alterações podem ser identificadas e, algumas vezes, corrigidas. 
 Mais recentemente, a medida da translucência nucal realizada entre 10 e 13 semanas tem-se mostrado um óptimo 
método de avaliação no rastreio de trissomias, diagnosticando 86% dos fetos com as principais trissomias que são as dos 
cromossomos 13, 18 e 21. Além disso, a ecografia é utilizada como guia para a realização da amniocentese (aspiração de 
pequena quantidade de líquido amniótico) com o propósito de estudar o cariótipo fetal. 
 
 
Fig. 6 - Gestação de 11 semanas: foto da medida 
da translucência nucal (medida alterada: 0,4 cm) 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
5. Outros usos: 
 A ecografia também é útil para a identificação da implantação placentária, do volume de líquido amniótico, na 
confirmação da apresentação do feto, na avaliação do bem estar fetal e no diagnóstico de alterações uterinas ou pélvicas 
como miomas e quistos, entre outras. 
 
Hematoma Retrocoriônico 
DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA: Trata-se da separação prematura da placenta normalmente inserida. Complica 
cerca de 1% dos nascimentos, e cerca de 80% dos casos ocorrem antes do início do trabalho de parto. 
DIAGNÓSTICO: hipertensão arterial é freqüentemente diagnosticada ou referida pela paciente, dor abdominal espontânea 
(subitânea e de intensidade variável) ou à palpação, hipertonia uterina (identificação difícil na presença de obesidade), 
sangramento vaginal (80% dos casos) podendo ser mínimo, eventual, ou não observado (sangramento oculto, hematoma 
retroplacentário) em 10 a 20% dos casos, bolsa das águas tensa, líquido amniótico ocasionalmente hemorrágico 
(hemoâmnio), sinais de hipovolemia materna podem estar presentes, bradicardia fetal importante ou BCF inaudível, 
cardiotocografia geralmente anormal, com padrão não reativo ou bradicardia fetal acentuada, a ultra-sonografia é 
importante para o diagnóstico de óbito fetal. Quando normal, não afasta o DPP. 
 
CONDUTA MEDIDAS GERAIS 
 Internação imediata. 
 Cateterismo vesical. 
 Administração de oxigênio úmido sob máscara. 
  Avaliação laboratorial da série vermelha, da função renal e da coagulação sangüínea. 
  Reposição da volemia, se necessário. 
  Correção dos distúrbios de coagulação, se presentes (Grau IIIB). 
CONDUTA OBSTÉTRICA: Estando o concepto vivo (Grau II), realizar o parto o mais rápido possível, por operação cesariana 
(conduta preferencial), ou por via baixa, com o emprego do fórcipe, se em período expulsivo. Estando o concepto morto 
(Grau III), utilizar a via mais segura para a mãe, preferencialmente o parto vaginal. 
COMPLICAÇÕES IMEDIATAS: Útero de Couvelaire. Só realizar histerectomia (subtotal) se não houver resposta contrátil do 
útero após a sua sutura e a administração de ocitócicos. Distúrbios da hemocoagulação e coagulação intravascular 
disseminada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 3 
 
1- Compreender a organogênese (4 a 8a semana) 
Quinta Semana 
Ocorrem pequenas as mudanças na forma do corpo em comparação com as que ocorrem durante a quarta semana, mas o 
crescimento da cabeça excede o crescimento das outras regiões, causado principalmente pelo rápido desenvolvimento do 
encéfalo e das proeminências faciais. A face logo entra em contato com a proeminência cardíaca. O segundo arco faríngeo, 
de crescimento rápido, cresce sobre o terceiro e quarto arcos, formando uma depressão ectodérmica lateral em ambos os 
lados, o seio cervical. As cristas mesonéfricas indicam o local dos rins mesonéfricos, que, nos seres humanos, são órgãos 
provisórios. 
 
 
 
 
Sexta Semana 
Os embriões começam a apresentar respostas reflexas ao toque. Com o desenvolvimento dos cotovelos e das grandes placas 
das mãos, os membros superiores começam a apresentar uma diferenciação regional. Os primórdios dos dedos, 
denominados raios digitais, começam a se desenvolver nas placas das mãos, indicando a formação dos dedos. Tem sido 
relatado que embriões na sexta semana mostram movimentos espontâneos, como contrações musculares dos membros e 
do tronco. O desenvolvimento dos membros inferiores ocorre 4 a 5 dias depois do desenvolvimento dos membros 
superiores. Várias pequenas intumescências (saliências auriculares) desenvolvem-se em torno do sulco ou fenda faríngea, 
entre os dois primeiros arcos faríngeos. Este sulco torna-se o meato acústico externo (canal auditivo externo), e as saliências 
auriculares em torno deste se fundem, formando o pavilhão auricular, a parte da orelha externa em forma de concha. O olho 
agora é bem evidente, em grande parte por causa da formação do pigmento da retina. A cabeça é muito maior com relação 
ao tronco e está encurvada sobre a grande proeminência cardíaca. Esta posição da cabeça resulta da flexão da região cervical 
(pescoço). O tronco e o pescoço começaram a se endireitar. Os intestinos penetram no celoma extra-embrionário na parte 
proximal do cordão umbilical. Esta herniação umbilical é um evento normal do embrião e ocorre porque, nesta idade, a 
cavidade abdominal é muito pequena para acomodar o rápido crescimento do intestino. 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
Sétima Semana 
 Os membros sofrem modificações consideráveis. Aparecemchanfraduras entre os raios digitais das placas das 
mãos, indicando, claramente, os futuros dedos. A comunicação entre o intestino primitivo e o saco vitelino está agora 
reduzida a um dueto relativamente estreito, o pedículo vitelino. No fim da sétima semana, a ossifícação dos ossos dos 
membros superiores já se iniciou. 
 
 
 
Oitava Semana 
 No início desta última semana do período embrionário, os dedos das mãos estão separados, mas ainda estão 
claramente unidos por membranas. Chanfraduras são claramente visíveis entre os raios digitais dos pés. A eminência em 
forma de cauda curta está ainda presente. O plexo vascular do couro cabeludo já apareceu e forma faixa característica que 
envolve a cabeça. No fim da oitava semana, todas as regiões dos membros são evidentes, os dedos ficaram mais compridos 
e estão totalmente separados. Durante esta semana, ocorrem os primeiros movimentos voluntários dos membros. A 
ossificação começa no fêmur. Todos os sinais da eminência caudal já desapareceram no fim da oitava semana. As mãos e os 
pés aproximam-se ventralmente uns dos outros. No fim da oitava semana, o embrião apresenta características nitidamente 
humanas; entretanto, a cabeça ainda é desproporcionalmente grande, constituindo quase metade do embrião. A região do 
pescoço já está definida e as pálpebras são mais evidentes. As pálpebras estão se fechando e, no fim da oitava semana, 
começam a unir-se por fusão epitelial. Os intestinos estão ainda na porção proximal do cordão umbilical. Os pavilhões 
auriculares começam a assumir sua forma final. Apesar de já existirem diferenças entre os sexos na aparência da genitália 
externa, elas não são suficientemente distintas para possibilitar uma identificação precisa do sexo. 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
2- Caracterizar os tipos e as causas do aborto (o que é, forma clínica) 
 
 Abortamento é a expulsão do ovo antes de 22 semanas de gestação ou com concepto pesando <500g. Pode ser 
espontâneo ou provocado. A gravidez humana é um processo deficiente pois 70% das concepções não se viabilizam, com 
50% de perdas antes da próxima falha menstrual (abortamento subclinico), 10-15% das gestaçoes terminam 
espontaneamente no 1o trimestre ou no inicio do 2o. 
 A maioria dos casos de abortamento espontâneo esporádico é por cromossomopatias, responsáveis por 50-60% 
das interrupções até 15 semanas de gravidez. As trissomias são as formas mais comuns das anomalias cromossomiais. Todos 
os cromossomos podem estar envolvidos exceto o 1, só detectado em embrião abortado após fertilização in vitro. As 
trissomias 11 e 18 são raras, e a 16 é a mais comum responsável pó 30% dos casos de cariopatia. As triploidias (69XXY e 
6XXX) e a sindrome de Turner (monossomia X), cada uma é 10 % dos casos. Em natimortos, só 5-12% tem defeitos 
cromossomais sendo os mais frequentes as trissomias 21, 18 e 13. 
 Qualquer doença materna grave ou traumatismo pode levar ao aborto. A intoxicações só o provocam depois de 
lesar inteiramente o organismo da mãe. O disendocrinismo são consequências e não causas. Patogenicamente, o primeiro 
evento que leva ao sangramento é a hemorragia na decidual basal, com posterior necrose tecidual: atua como foco irritante 
e estimula contrações miometriais que determinam maior descolamento placentário. 
FORMAS CLÍNICAS 
 Ameaça de abortamento: é a gravidez clinicamente possível acompanhada de sangramento vaginal de origem intra-uterina, 
vinda de hematoma subcoriônico após descolamento parcial da placenta. 
 A metrorragia é o elemento mais comum e em geral o primeiro a revelar distúrbio na evolução da gravidez.Sua 
quantidade ou aspecto não permitem diagnóstico diferencial ou prognóstico/ De regra, o fluxo sanguíneo na fase de ameaça 
é menor do que na interrupção inevitável. São mais sérios os sangramentos precoces, de longa duração e escuros tipo "borra 
de café". Cerca de 20% tem sangramentos no 1o trimestre e se interrompem na metade desses casos. As dores precedem, 
acompanham e sucedem a hemorragia. São provocadas pela metrossístoles, fugazes e intermitentes, não dão prognostico, 
são subjetivas e pode cessar. As contrações regulares, semelhante a trabalho de parto espelham processo irreversível. 
 O abortamento muitas vezes é precedido pela morte do embrião, e as perdas sanguíneas e cólicas, antes de serem 
ameaça anunciam interrupção inevitável. O exame físico o útero esta aumentado, o toque nada esclarece e o especular 
afasta causas ginecológicas de hemorragia. 
 Para o diagnóstico usa-se o US transvaginal, detecta-se desenvolvimento de saco gestacional, vesícula vitelina a 
atividade cardíaca fetal a partir de 5 semanas (5-9 semanas 110-175bpm, se entre 6-8<85 assegura-se perda fetal), o 
comprimento cabeça-nádega. Para tratamento solicita-se repouso relativo, proibição do coito enquanto a ameaça durar, 
tranquilizar a gestante, administrar analgésico e anti-espasmódicos quando há cólicas e os hormônios não são mais 
indicados. 
 O sangramento genital é de pequena intensidade, com ou sem dores (cólicas) que podem ser de intensidade 
variável, geralmente pouco intensas. O exame especular evidencia que o sangramento flui através da cérvice, e esta 
apresenta o orifício interno fechado. O Útero tem o tamanho correspondente ao esperado e não ha sinais de infecção. O 
exame de ultra-sonografia mostra-se normal. Nestes casos, não há indicação de internação hospitalar e a mulher deve 
receber orientações para utilizar analgésicos se apresentar dor, fazer repouso e retornar ao ambulatório de pré-natal. Nos 
casos de sangramento intenso, devem-se avaliar os níveis de hemoglobina, identificar o tipo sangüíneo, se for desconhecido, 
e oferecer sorologias para sífilis e HIV. 
 
Abortamento inevitável: é quando o sangramento ocorre através do orifício interno do colo dilatado, especialmente 
acompanhado por líquido amniótico após rotura das membranas. 
Abortamento incompleto: significa que alguma parte do concepto ou da placenta foi expulsa mas não sua totalidade, o que 
ocorre no Abortamento completo. São mais propensos a infecção (Abortamento infectado) 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Abortamento Inevitável e Incompleto A perda sangüínea é maior que na ameaça de abortamento, podendo ocorrer a 
eliminação de coágulos. Esta perda geralmente diminui após a eliminação do material ovular, principalmente se for 
completa. As dores têm intensidade major que a ameaça, e o orifício cervical interno encontra-se aberto, podendo ser 
identificado material ovular. A ultra-sonografia faz o diagnóstico diferencial entre eles. Quando a gestação tem menos de 12 
semanas, está indicada a aspiração manual intra-uterina (AMIU). Quando o serviço de saúde não dispuser deste 
procedimento, pode-se realizar a curetagem uterina. É indispensável determinar o tipo sangüíneo da mulher. Se for Rh 
negativo e não houver ainda sensibilização, faz-se obrigatória a administração da imunoglobulina anti-D. Sendo a sífilis uma 
das causas de abortamento, deve-se realizar a sorologia e promover seu tratamento quando presente; deve-se também 
oferecer a sorologia para HIV. Em gestações acima de 12 semanas, com concepto na cavidade uterina, recomenda-se a 
infusão de ocitocina para promover sua expulsão ou a colocação do misoprostol no fundo de saco vaginal, na dose de 200 
mcg a cada 6 horas. Após expulsão, deve-se realizar a curetagem uterina. 
Abortamento retido: revela morte fetal sem sua expulsão, habitualmente com sangramento vaginal, o ovo anembrionado é 
um tipo de retido em que não se identifica vesícula vitelina, embrião ou batimentos cardíacos ao US transvaginal a partir de 
6 semanas de gravidez. 
O abortamento retido pode não ser precedido de ameaça de abortamento. Há regressão dos sinais e sintomas da gravidez. 
O orifício cervical encontra-se fechado e geralmente não há hemorragia. O exame de ultra-sonografia revela produtoda 
concepção sem vitalidade ou sua ausência (ovo cego). Quando a gestação tem menos de 12 semanas, deve-se proceder ao 
esvaziamento pela técnica de aspiração manual intra-uterina e, se necessário, realizar dilatação cervical com dilatadores, ou 
realiza-se curetagem uterina, tendo-se o cuidado para não provocar acidentes, principalmente perfuração uterina. Quando 
a gestação tem mais de 12 semanas, é necessário promover a dilatação cervical e expulsão do produto conceptual. Para 
tanto, utilizase o misoprostol vaginal na dose de 200 mcg a cada 6 horas, ou infusão endovenosa de ocitocina, com 5 ampolas 
de 5 unidades, iniciando o gotejamento com 8 gotas por minuto. Nos casos em que o óbito ocorreu há mais de 4 semanas, 
pode ocorrer quadro de distúrbio da coagulação, portanto deve-se estar atento a outros sangramentos anormais, 
solicitando-se provas laboratoriais de coagulação quando existir esta suspeita. A identificação de gestante Rh negativo é 
indispensável para evitar a aloimunização. A sorologia para sífilis deve ser rotina e para HIV deve ser oferecida. 
Abortamento Completo: Geralmente em gestação com idade gestacional inferior a 8 semanas. O sangramento e as dores 
diminuem após a expulsão do material ovular. O orifício cervical interno pode ainda estar aberto. O útero tem dimensões 
inferiores ao esperado para a idade da gestação. A ultra-sonografia mostra cavidade uterina vazia ou apenas com imagens 
sugestivas de coágulos. A conduta deve ser expectante, com atenção à persistência do sangramento que pode sugerir restos 
ovulares, e com o surgimento de quadro infeccioso pélvico. Nestes casos, recomenda-se AMIU ou curetagem uterina. 
Solicitar tipagem sangüínea e sorologias para sífilis e HIV, após consentimento. Se for Rh negativo e não houver ainda 
sensibilização, faz-se obrigatória a administração da imunoglobulina antiD. 
Abortamento Infectado: Geralmente ocorre após manipulação para induzir a interrupção da gravidez e sob más condições 
técnicas. As infeções são, polimicrobianas e quase sempre com bactérias da própria flora vaginal. O quadro é grave e requer 
cuidado imediato. Deve-se considerar, em todos os casos, o produto da concepção como não tendo vitalidade. O que mais 
chama atenção no quadro clínico é sangramento com odor fétido, acompanhado de dor abdominal febre. O pulso encontra-
se acelerado e a febre freqüentemente atinge mais de 38° C. Podem-se identificar coleções nos fundos de saco e, ao ser 
examinada, a paciente refere bastante dor à manipulação dos órgãos pélvicos. A possibilidade de perfuração uterina e de 
alças intestinais deve ser sempre lembrada. Quando instalado quadro de choque séptico, lembrar na etiologia por E. coli, 
Bacteroides e Clostridium. Este agente pode, inclusive, levar a quadro de anemia hemolítica fulminante e insuficiência renal. 
Exames laboratoriais são necessários e deve ser avaliado o momento de sua solicitação. Os seguintes exames podem ser 
necessários: 
• hemograma com contagem de plaquetas; 
• tipagem sangüínea; 
• urina tipo I (exame de sedimento urinário); 
• dosagens de uréia e creatinina; 
• coagulograma; 
• hemocultura; 
• cultura da secreção vaginal e do material endometrial; 
• Rx do tórax e abdome; e 
• a ultra-sonografia e a tomografia podem ser necessárias para identificar e delimitar coleções intra-cavitárias (abscessos). 
 Em todos os casos, deve-se fazer infusão de soluções parenterais, em especial hemotransfusão quando a 
hemoglobina for menor que 8 g%. Iniciar a antibioticoterapia de largo espectro, utilizando um anaerobicida (metronidazol 
ou clindamicina) e um aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina). Se não houver resposta, associar ampicilina ao esquema 
adotado ou ampliar o espectro antibacteriano com outros antibióticos 
 A escolha dos antibióticos deve ser feita com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. No caso do colo 
encontrar-se fechado, deve-se proceder sua abertura com a utilização do misoprostol ou do ocitocina, nas doses 
recomendadas para o abortamento retido. O esvaziamento uterino deve ser feito aproximadamente duas horas após o início 
da utilização dos antibióticos, podendo-se utilizar a AMIU se a gestação tiver menos de 12 semanas ou a curetagem uterina. 
Em ambos os casos, deve-se estar atento ao perigo de perfuração uterina. Nos casos de abscesso, e sendo este acessível pela 
colpotomia, procede-se esta técnica. Quando o quadro clínico mostra-se grave ou não ha sinais de melhora, não se deve 
adiar a decisão de uma laparotomia e, se necessário para salvar a vida do mulher, realizar-se-á uma histerectomia com ou 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
sem retirada dos anexos. Nos casos de abortamento infectado, atenção deve ser dada ás funções vitais, em especial ao 
funcionamento dos rins. 
Abortamento em situação de risco para a gestante - aborto terapêutico 
 As gestantes que estão sendo atendidas em ambulatório ou procuram o hospital com doenças graves devera ser 
avaliadas por dois obstetras e por um especialista no patologia que está motivando a interrupção da gestação. Para 
realização do aborto ou antecipação do parto, é obrigatório que a mulher e/ou seus familiares estejam informados, tenham 
suas dúvidas esclarecidas e autorizem o procedimento. É importante que uma equipe multiprofissional preste atendimento 
a esta mulher, posto que no interrupção da gravidez motivada pelo agravamento do seu estado de saúde, o apoio psicológico 
é fundamental no atendimento. Não é necessário comunicar ao Conselho Regional de Medicina, mas é importante notificar 
à Comissão de Ética do hospital onde será realizado o procedimento. 
Abortamento pós-estupro 
 Na condição de gravidez por estupro, quando a gestante procura o hospital, ela deverá ser avaliada pela equipe de 
plantão, que deverá estar habilitada a realizar o atendimento de rotina para esta circunstância, conforme norma específica 
do Ministério da Saúde, ou por uma equipe de referência para atendimento a mulheres em situação de violência. Deverá ser 
feita a abertura de prontuário, solicitação de exames, encaminhamentos e prescrições médicas indicadas á situação. 
Se a mulher deseja interromper a gravidez, ela deverá apresentar o Boletim de Ocorrência Policial (BOP), obtido na Delegacia 
de Polícia ao prestar queixa. Caso não o tenha feito até o momento, ela deverá ser orientada, pelo serviço, a fazê-lo 
imediatamente. Recomenda-se solicitar o registro do atendimento médico por ocasião da violência sofrida e o laudo do 
Instituto Médico Legal, quando disponível. Não é necessária a autorização judicial para o abortamento em caso de estupro, 
conforme o artigo 128 do código penal brasileiro, que exige apenas o consentimento do gestante. 
 A anamnese ginecológica tem como finalidade obter informações sobre a data do estupro, o último período 
menstrual e se a mulher utilizou alguma medicação após o ocorrido. O exame ginecológico deve rastrear lesões na vulva e 
vagina e o exame de toque mensurar o volume uterino e o tempo provável da gestação. Além de submetida aos exames 
rotineiros (sorologias para sífilis, HIV e hepatite, tipagem sangüínea/ fator Rh), a gestante será encaminhada a exame de 
ultrasom para diagnóstico da idade gestacional. Esses dados, avaliados em conjunto, podem indicar com razoável precisão 
que a gravidez corresponde ao momento do estupro. Preferencialmente a gestação deve ser interrompida até a 12° semana, 
porém, com suporte adequado, até 20 semanas. O procedimento será realizado com autorização expressa do paciente que 
assinará consentimento informado e, em caso de menor de 14 anos ou incapaz, este procedimento será autorizado pelos 
pais ou responsáveis legais. Deve-se evitar que toda a equipe faça as mesmas perguntas para a mulher, sendo necessário 
que um único prontuário seja utilizado até o final do atendimento. O tempo decorrido entre o primeiro atendimento e a 
interrupção da gestação não deveser superior a 7 dias. Após o procedimento, a paciente deverá continuar recebendo 
orientação médica, psicológica e social. 
 O procedimento para interrupção da gestação deverá ser escolhido pela equipe médica. Quando se tratar de 
crianças, a anestesia deve ser geral e o procedimento realizado com aspiração da cavidade uterina, visando um menor 
traumatismo do colo uterino durante o processo de dilatação. A interrupção da gravidez pode ser feita através da aspiração 
manual intra-uterina (AMIU), com anestesia para-cervical, conferindo a este procedimento caráter ambulatorial, permitindo, 
assim, que a paciente deixe o hospital após uma ou duas horas. A dilatação e curetagem uterina são alternativas que a 
maioria dos hospitais brasileiros utilizam, sendo necessário, nestes casos, o jejum alimentar por no mínimo 8 horas, anestesia 
geral ou bloqueios espinais. Nos gestações acima de 12 semanas, poderão ser realizados o preparo e a dilatação do colo 
uterino com misoprostol na dose de 200mcg por via vaginal, repetido a cada 6 horas, ate a eliminação do produto conceptual, 
e posterior curetagem uterina. É importante que fragmentos do material fetal ou placentário sejam acondicionados e 
mantidos em freezer para exame de DNA, no caso da Justiça necessitar. A paciente deve ser avisada deste procedimento. 
Em todos os casos, recomenda-se um retorno ao serviço, para avaliação clínica e acompanhamento psicológico. Prestando 
atendimento adequado às mulheres com solicitação de aborto previsto por lei, estará sendo minimizado o sofrimento destas 
mulheres e proporcionada sua reintegração social. 
Interrupção da gravidez em casos de malformação fetal grave ou incompatível com a vida 
 Quando uma gestante demanda interrupção de gravidez ao ser diagnosticada uma patologia fetal grave ou que 
caracteriza incompatibilidade com a vida, para que o pedido seja atendido, é necessária a autorização judicial. A assistente 
social ou outro membro da equipe deverá orientar a gestante, seu companheiro e/ou familiares a procurarem o Ministério 
Público no município, solicitando autorização para realização do procedimento. E necessário ainda que a equipe forneça um 
laudo médico, explicando as condições da gravidez que justifiquem sua interrupção, assim como possíveis danos para a saúde 
física e mental da mulher em caso de evolução até o final da gestação. Os procedimentos para interrupção serão 
determinados pelo tempo de gestação. 
 
3- Entender o protocolo de abortamento (exames e condutas) 
QUALIDADE DA ATENÇÃO AO ABORTAMENTO E NO PÓSABORTO 
Conceituando a qualidade da atenção 
 A qualidade na atenção ao abortamento e pós-aborto deve ser compreendida como um conjunto de ações 
oferecido à mulher durante e após a interrupção de uma gestação, quer espontânea ou induzida, estendendo-se até o 42° 
dia após o término da gravidez. Para este fim, considera-se abortamento interrupção da gravidez até 22 semanas ou, se a 
idade gestacional for desconhecida, com o produto da concepção pesando menos de 500 gramas ou medindo menos de 16 
cm. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 A qualidade da atenção implica num esforço integrado e sinérgico de todos os níveis gestores para a oferta de 
serviços que garantam: acolhimento, informação, aconselhamento, competência professional, tecnologia apropriada 
disponível e relacionamento pessoal pautado no respeito à dignidade e aos direitos sexuais e reprodutivos. Gestores, 
gerentes, profissionais de saúde e funcionários da rede assistencial, guardadas as diferenças de suas funções e atribuições 
específicas, são co-responsáveis na construção e no aprimoramento contínuo da qualidade da atenção à mulher em processo 
de abortamento e no pós-aborto. 
 O acesso a serviços de qualidade permite que a mulher resolva o problema e encontre apoio na busca de soluções 
individuais para conduzir o seu processo reprodutivo com autonomia e segurança. 
Construindo a qualidade da atenção 
1. Acolhimento 
 Como acolher uma mulher que aborta? Com que olhar? Com que atitude? Qual a melhor maneira de ajudá-Ia a 
não repetir a situação em que se encontra? A evitar os riscos de um abortamento em condições inseguras? Refletir sobre 
essas questões é essencial para que se operem mudanças nos serviços de saúde, visando ao acolhimento e tratamento 
respeitoso às mulheres e suas decisões. Isto demanda um exercício constante de reflexão sobre a influência dos próprios 
valores (morais, éticos, religiosos) na prática profissional, reconhecimento e aceitação dos proprios limites e das diferenças 
que caracterizam a sociedade humana, o que não se obtém apenas por força da vontade. Podem ajudar nesta reflexão as 
discussões coletivas, dividir preocupações, confrontar e analisar atitudes e condutas na própria equipe de trabalho, ou em 
grupos interinstitucionais, reuniões e oficinas de sensibilização e capacitação. É importante também discutir as próprias 
dificuldades frente à sexualidade e as práticas reprodutivas. 
 Comentários desrespeitosos e conclusões precipitadas devem ser banidos do dia a dia dos serviços. A discussão 
coletiva e o repensar cotidiano de cada indivíduo poderão evitar julgamentos e atitudes preconceituosas sobre o 
comportamento reprodutivo das mulheres e/ou, pelo menos, erradicar práticas condenáveis e anti-éticas na oferta de 
serviços, coma as punições e castigos impostos a muitas mulheres que abortam, nos serviços públicos. 2. Informações e 
aconselhamento 
 Na maioria dos casos de abortamento, a mulher não deseja outra gravidez imediatamente após e a orientação 
sabre anticoncepção é absolutamente necessária. Do mesmo modo, a equipe deve estar preparada para orientar aquelas 
mulheres que desejam outra gravidez, seja naquele serviço ou encaminhando-a para unidades de referência. 
 Com frequência, no pós-abortamento, as mulheres precisam de uma equipe que compreenda suas necessidades, 
não somente físicas, mas também sociais e psicológicas. Esse apoio ajudará a mulher a entender os possíveis significados do 
abortamento, que, muitas vezes, se traduzem por frustração e sensação de incapacidade de engravidar novamente. Em 
outras situações, o sentimento de culpa pode ser dominante. Deve-se reconhecer também que há mulheres que sentem 
alívio, ou simplesmente estão tranquilas, mas nem sempre estão à vontade para expressar livremente suas reações ou 
sentimentos. Para que seja possível falar, é preciso que haja alguém capaz de ouvir. Por isso, uma boa capacidade de escuta, 
sem pré- julgamentos, parece ser o principal instrumento a ser utilizado pelos profissionais de saúde. 
 O diálogo satisfatório obtido durante o atendimento proporcionará às mulheres condições para decisões futuras 
em relação a sua saúde, em especial ao seu futuro reprodutivo. 
3. Acesso aos serviços 
 Na organização da rede assistencial, deve-se considerar a presença de quadro elementos que garantirão o acesso 
da mulher ou adolescente aos serviços, quais sejam: 
• existência de serviços de urgência que possam tratar as mulheres das complicações do aborto espontâneo ou induzido 
• presença de serviços de planejamento familiar nos locais de atendimento às urgências de obstetrícia • relação formalizada 
entre os serviços de urgência e de atenção integral à saúde da mulher 
• informação continuada para as usuárias sobre os serviços disponíveis 
4. Integração da rede assistencial 
 As mulheres devem dispor de uma rede de serviços que possa prestar atendimento adequado diante de um quadro 
de abortamento, e esta rede deve utilizar um sistema efetivo de referenda e contra-referência, respeitando as condições 
sociais e econômicas das mulheres. A integração dos serviços de urgência com serviços de planejamento familiar deve fazer 
parte da qualidade da atenção ao abortamento e pós-aborto. 
5. Competência profissional 
 Além da habilidade na técnica empregada para o esvaziamento uterino, a competência se estendeao bom uso de 
equipamentos, instrumental e medicamentos, assim como na definição de rotinas e técnicas não evasivas, visando ao bem 
estar da mulher e permitindo sua participação na escolha dos procedimentos mais apropriados para resolução do problema. 
Aqui também se inclui a qualificação para estabelecimento de um padrão elevado de relacionamento interpessoal, 
abordagem social e psicológica de cada mulher, sua família ou acompanhante. 
6. Tecnologia apropriada 
 A melhoria do atendimento impõe a utilização de tecnologia apropriada para promover o esvaziamento uterino, 
quando esta situação for necessária. A retirada dos restos ovulares pode ser feita utilizando-se a técnica de aspiração manual 
intra-uterina (AMIU) nos casos de abortamento até 12 semanas, na qual a utilização de cânulas flexíveis de calibre uniforme 
diminui os riscos de complicações. Em muitos casos, quando convenientemente aplicada e precedida de esclarecimentos e 
do bloqueio paracervical, dispensa a utilização de anestesia geral, proporcionando maior segurança e colaboração da mulher, 
além de se poder oferecer uma alta mais precoce, com conseqüente diminuição dos custos. Quando não disponível, ou na 
ausência de pessoal treinado nesta técnica, pode-se promover o esvaziamento através da curetagem uterina. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Abortamento farmacológico É a utilização de fármacos para indução do abortamento ou abreviação do abortamento em 
curso. Toda mulher grávida que solicita interrupção da gestação e cumpre com as condições estabelecidas pela lei, pode 
optar pela interrupção farmacológica da gravidez, tanto no primeiro como no segundo trimestre da gestação. No Brasil tem-
se disponível o misoprostol e a ocitocina, conforme a Portaria MS/GM nº 1.044, de 5 de maio de 2010 As drogas utilizadas 
para interrupção da gravidez não devem ser usadas nos casos de conhecida intolerância. Nos casos de gestação molar, não 
devem ser primeira opção e somente devem ser usadas excepcionalmente e sob estrita vigilância. Para mulheres portadoras 
de distúrbios da coagulação, incluindo uso de anticoagulantes, e entre as cardiopatas graves, deve-se manter vigilância 
rigorosa durante o uso das drogas. No abortamento de segundo trimestre, mantêm-se as mesmas condições assinaladas 
para o primeiro trimestre, acrescidas da presença de cicatriz uterina. O possível risco de sangramento excessivo e o eventual 
efeito psicológico de observar a expulsão do conteúdo uterino devem ser discutidos com a mulher, devendo a paciente 
permanecer internada até a finalização do processo. Nos casos de interrupção da gestação, a mulher deverá permanecer 
internada, até a conclusão do procedimento. 
Aspiração Manual Intrauterina (Amiu): Procedimento que utiliza cânulas de Karman, com diâmetros variáveis, de 4 a 12mm, 
acopladas a seringa com vácuo, promovendo a retirada dos restos ovulares através da raspagem da cavidade uterina e 
poraspiração. Deve ser utilizada em gestações com menos de 12 semanas, em função do tamanho uterino, pois há 
necessidade do colo uterino ser justo à cânula para que o vácuo seja transferido da seringa para a cavidade uterina. Nos 
casos de abortamento infectado Amiu é a técnica de eleição. Nos casos de interrupção da gravidez previstos na legislação 
vigente no País, com menos de 12 semanas, deve-se empregar essa técnica. A aspiração manual intrauterina (Amiu) é o 
procedimento de escolha para tratamento do abortamento, sendo recomendada pela Organização Mundial da Saúde e pela 
Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo). 
Curetagem uterina: Estando o colo uterino aberto, ou dilatado previamente pelos dilatadores de Deninston ou velas de 
Hegar, introduz-se a cureta e promove-se uma raspagem da cavidade uterina, extraindo-se o material desprendido pelo 
instrumental. Por ter diâmetro variável e ser de material rígido (aço) pode provocar acidentes, tal como perfuração do útero. 
Por ser de utilização mais antiga, ainda é muito usada no Brasil. Nos casos do colo uterino estar fechado ou pouco dilatado, 
pode-se promover sua abertura por meio da dilatação cervical, embora esse procedimento não esteja isento de riscos. Nas 
gestações superiores a 12 semanas deve-se promover a indução farmacológica com misoprostol. Então, após a expulsão 
fetal, faz-se a curetagem uterina. 
 
4- Explicar a fisiopatologia da eritroblastose fetal 
Isoimunização Rh materna. Profilaxia, diagnóstico e tratamento: aspectos atuais. 
 O sistema Rh é de grande importância clinica, pois seus anticorpos estão envolvidos em destruição eritrocitária 
imunomediada, representada pela Reação Transfusional Hemolítica (RTH) e Doença Hemolítica Perinatal (DHPN). É o sistema 
mais polimórfico e imunogênico dos sistemas de grupos sanguíneos. Já foram identificados mais de 49 antígenos sendo o D, 
C, E, c, e os mais importantes. O antígeno D é o mais imunogênico do sistema Rh e mais potente que o C e, por isso, a grande 
maioria das pessoas produzem anticorpos anti-D após o primeiro contato, levando à isoimunização. A isoimunização é 
decorrente da exposição do individuo a antígenos não próprios, levando a formação de anticorpos. Este fenômeno pode 
acontecer em decorrência de transfusão sanguínea não compatível ou durante a gestação, quando fetos produzem antígenos 
paternos que chegam à circulação materna durante a gestação. A frequência de ocorrência de anticorpos é maior em 
receptores de transfusão do que durante a gravidez. Isso ocorre porque, durante a gravidez, as mães estão expostas a um 
menor volume de células fetais e há menos exposição a aloantígenos. Os anticorpos Rh anti-D (RhD) correspondem à 
principal causa de Doença Hemolítica Perinatal (DHPN) e as gestantes Rh-D negativo, que tem feto Rh positivo, podem 
apresentar sensibilização durante o parto, o que corresponde a 14% dos casos de isoimunização. Aloanticorpos são 
anticorpos produzidos contra antígenos que provém de indivíduos geneticamente diferentes, mas da mesma espécie. 
Aloanticorpos anti-D são vistos com mais frequência que qualquer outro anticorpo do grupo sanguíneo pela triagem pré-
transfusional. 
 Normalmente, os sistemas sanguíneos materno e fetal não se misturam, mas pode ocorrer uma hemorragia 
materno-fetal transplacentária. Essa hemorragia ocorre na maioria das vezes durante o parto, mas pode ocorrer 
espontaneamente durante a gravidez, principalmente do terceiro trimestre ou após procedimentos invasivos ou abortos. A 
resposta imunitária primária decorrente da exposição materna ao sangue Rh-D positivo do feto leva a uma resposta imune 
lenta com formação de anticorpos IgM, que podem não ser detectáveis por pelo menos quatro semanas e, devido ao seu 
tamanho, não são capazes de atravessar a barreira placentária. A exposição subseqüente ao antígeno leva a uma resposta 
secundária que é mais rápida e produz anticorpos IgG, que podem ser detectados 48 horas após exposição e são pequenos 
o suficiente para atravessar a placenta e levar à hemólise das hemácias fetais. O grau de hemólise das hemácias fetais vai 
depender da quantidade de anticorpos maternos produzidos. Os efeitos da destruição de hemácias podem ser mínimos e 
não demonstrados ou pode ser notada uma hiperbilirrubinemia no recém-nascido. Os fetos acometidos mais severamente 
podem apresentar anemia leve à moderada no útero, exigindo transfusões sanguíneas após o nascimento. O aumento das 
destruições de células vermelhas e a anemia fetal subseqüente podem exceder a capacidade da medula óssea de produzir 
novas células vermelhas. Quando a medula não for mais capaz de produzir quantidades suficientes de novas células, a 
hematopoiese é estimulada em outros sítios, como fígado e baço. A hipóxia fetal é resultado da anemia grave. A diminuição 
da produção de albumina pelo fígado leva a uma diminuição da pressão oncótica, o que permite saída de fluido para o espaço 
extravascular, levando a edema generalizadocom ascite, derrame pleural e pericárdico e edema de placenta. Além da 
hidropsia, os fetos podem apresentar insuficiência cardíaca, óbito intra-útero ou neonatal e parto prematuro, kernicterus 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
etc. O kernicterus é decorrente de uma icterícia grave no neonato, o que pode causar danos irreversíveis ao sistema nervoso 
central. 
DIAGNÓSTICO 
 No inicio da gravidez recomenda-se a identificação do tipo sanguíneo materno para o sistema ABO e RhD, além 
disso, uma triagem para anticorpos anti-eritrocitários irregulares é realizada. O diagnóstico de isoimunização Rh é feito 
baseado na detecção de anticorpos anti-D no soro materno. O teste de Coombs indireto é o teste de escolha para fins 
diagnósticos, pois é o mais preciso para determinar a titulação de anticorpos. Deve-se fazer o teste paterno para o tipo RhD, 
se positivo, a zigosidade deve ser avaliada. Pais homozigotos sempre passam o antígeno RhD para sua prole, enquanto os 
heterozigotos tem uma chance de passar de 50%. É preciso ter certeza da paternidade. Na ausência de anticorpos no inicio 
da gestação, nova pesquisa de anticorpos antieritrocitários deve ser feita na 28ª semana de gestação em todas as mulheres 
grávidas Rh negativas. Não há confirmação de eficácia para a triagem de anticorpos na 28ª semana, porém esta é feita em 
muitos países. A incidência de isoimunização antecedendo o parto é de 1 a 2%, sendo que em 90% dos casos ocorre após a 
28ª semana. Esses casos de isoimunização materna não colocam o feto em risco de doença hemolítica grave na gravidez 
atual, portanto, não há necessidade de tratamento nessa gestação. 
 Até algum tempo o único método de determinar o tipo Rh fetal era através de métodos invasivos como a 
amniocentese e biópsia de vilo corial, para a avaliação genética das células fetais. Além disso, esses procedimentos podem 
levar a um risco de perdas em aproximadamente 1% e até mesmo de isoimunização. Por isso, ficam reservados para casos 
de gravidez de alto risco de DHPN, gravidez anteriormente afetada e títulos de anticorpos se elevando. Células fetais podem 
ser encontradas no sangue materno periférico logo no primeiro trimestre da gestação, porém, estas estão em pouca 
quantidade, são de difícil isolamento e podem permanecer na circulação materna após a gestação. DNA fetal livre de células 
também pode ser encontrado no sangue materno, com a vantagem de estar em maior quantidade e desaparecer 
rapidamente no pós parto. Assim, vislumbra-se em futuro próximo, a viabilidade comercial do diagnóstico pré-natal do tipo 
Rh do feto, que poderá ser determinado pela detecção de DNA fetal livre no soro materno através de técnicas de PCR. Este 
procedimento tem grande chance de se tornar rotina no pré-natal de mulheres RhD negativas. Esta técnica permitirá que 
mulheres isoimunizadas não sejam submetidas a procedimentos invasivos e evitará o uso desnecessário de profilaxia pré-
natal com imunoglobulina anti-D. 
 É extremamente necessário determinar o grau da anemia fetal, durante o acompanhamento de gestantes 
isoimunizadas, pois isto permite identificar a necessidade de intervenção, seja através do tratamento intra-útero ou 
antecipação do parto, o que possibilita maior sobrevida perinatal e melhoria de vida do feto comprometido após o 
nascimento. Em 1957, Kleihauer e colaboradores descreveram um teste sensível para diferenciar hemácias do adulto e as de 
origem fetal. O teste de Kleihauer ou Teste de Kleihauer-Betke é geralmente usado na quantificação da hemorragia feto-
materna e consiste na medição da proporção de hemácias contendo hemoglobina fetal numa amostra, e é baseada na 
instabilidade da hemoglobina A (adulta) ao pH ácido. Após a destruição ácida da hemoglobina A da amostra, a hemoglobina 
F (fetal) é marcada com uma solução de hematoxilina e quantificada, calculando-se a proporção de hemoglobina fetal em 
cada 10000 hemácias avaliadas microscopicamente. Este teste deve ser utilizado no manejo da anemia fetal, nos casos onde 
há indicação de transfusão intra-uterina, pois ele informa o grau de pureza do sangue fetal obtido por cordocentese. Até 
pouco tempo, os métodos invasivos eram os únicos utilizados para a determinação do grau de anemia fetal. A amostragem 
de sangue fetal é considerada o exame padrão ouro, pois é capaz de quantificar exatamente o grau de anemia fetal, porém 
traz consigo os riscos inerentes aos procedimentos invasivos. A determinação da concentração de hemoglobina e do 
hematócrito é feita através de uma amostra de sangue do cordão umbilical coletada através de uma punção guiada por 
ultrassonografia, a cordocentese. A amniocentese, apesar de ser um procedimento também invasivo, também é utilizada na 
avaliação da anemia fetal, através do estudo da bilirrubina no liquido amniótico. Devido aos riscos relacionados aos 
procedimentos invasivos, os métodos não invasivos vêm ganhando espaço na avaliação do grau de anemia fetal. Os métodos 
não invasivos que mais tem sido utilizados são a cardiotocografia e dopplervelocimetria. A dopplervelocimetria 
pode avaliar o fluxo da artéria cerebral média, aorta fetal e veia umbilical intra-hepática, enquanto a ultrassonografia avalia 
o perímetro do fígado e do baço, que são preditores de anemia fetal. A cardiotocografia tem importante papel na condução 
de gestantes isoimunizadas, porem tem seu valor reduzido antes da 28ª semana, devido à imaturidade da inervação do 
coração fetal. 
 Os testes não invasivos são capazes de avaliar a anemia fetal, pois esta está associada à diminuição da viscosidade 
e presença de hipóxia, o que leva a um aumento da velocidade sanguínea. O feto anêmico cursa com aumento do débito 
cardíaco secundário ao aumento da pré-carga e do volume de ejeção, apresentando pequenos aumentos na frequência 
cardíaca. O vaso fetal que melhor atendeu aos pré-requisitos da avaliação com o doppler foi a artéria cerebral média. Por 
isso, o pico sistólico da artéria cerebral média tem sido o método não invasivo mais promissor na detecção da anemia fetal. 
A avaliação da artéria cerebral média tem melhor desempenho nos casos onde a anemia fetal é clinicamente significativa. 
PROFILAXIA 
 A imunoglobulina anti-D é derivada a partir do plasma humano, contém elevado título de anticorpo contra antígeno 
Rh de células vermelhas do sangue e é eficaz na prevenção da isoimunização Rh. O processo de purificação inativa 
eficazmente o vírus do HIV, enquanto os vírus da hepatite B e C são mais resistentes. A imunoglobulina pode ser administrada 
por via intramuscular e intravenosa. A duração de ação da imunoglobulina é mesma, independente da via de administração. 
Após a administração intravenosa, os títulos de anticorpos são mais altos na primeira semana, mas após três meses se 
assemelha à administração intramuscular. Os altos níveis circulantes podem oferecer benefício quando se conhece o 
momento da hemorragia feto-materna (pósparto, hemorragia no terceiro semestre), mas não na profilaxia até a 28ª semana. 
Após a administração um painel de anticorpo positivo é encontrado na mulher, mas os títulos de anticorpos são baixos e 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
fracamente reagentes. A imunoglobulina anti-D atravessa a placenta e se liga às células vermelhas fetais, sem causar 
hemólise, icterícia ou anemia. 
PROFILAXIA NO ANTEPARTO 
 Todas as gestantes devem ser submetidas a uma avaliação de anticorpos na primeira visita do pré-natal. As 
gestantes RhD positivas não possuem risco para desenvolver isoimunização por isso não precisam de profilaxia. No entanto, 
as grávidas RHD negativas que não tiverem evidência de isoimunização anti-D, devem receber uma dose de 250µg de 
imunoglobulina Rh administrada no intramuscular na 28ª semana de gestação. 
 Os relatos de reação adversa após administração de Imunoglobulina anti-D são raros e geralmente leves, 
manifestando-se por edema local, cefaleia ou arrepios.A reação de hipersensibilidade é rara e se manifesta por urticária, 
prurido, erupção maculopapular e pode ser tratada com anti-histamínico. A anafilaxia ocorre raramente, mas a 
disponibilidade de epinefrina durante a administração da Imuglobulina anti-D é garantida. 
PROFILAXIA NO PÓS-PARTO 
 Como a meia vida da imunoglobulina é de 24 horas, a gestante que recebeu a dose na 28ª semana, terá baixos 
títulos anticorpos anti-D no dia da admissão do parto a termo. Se na avaliação do sangue do cordão umbilical for identificado 
bebê RhD positivo, deve-se fazer administração de 300µg de imunoglobulina Rh até uma semana pós-parto, idealmente até 
72 horas, o que é suficiente para proteger da sensibilização causada pela hemorragia feto-materna de 30ml do sangue fetal. 
Para casos onde a hemorragia feto-materna é superior a 30 ml de sangue fetal, pode ser necessária uma dose complementar 
de imunoglobulina anti-D. Se a mãe for Rh negativa, com recém nascido Rh positivo, e não receber a imunoglobulina até 72 
horas do pós parto a incidência de sensibilização durante a próxima gravidez é de 12 a 16% em comparação com mães que 
receberam profilaxia no pós parto que é de 1,6 a 1,9%. Se for afastada hemorragia feto-materna em excesso no parto e se 
uma dose completa Imunoglobulina anti-D for dada até 21 dias antes do parto, não há necessidade de repetir a dose após o 
nascimento. TRATAMENTO 
 Por muito tempo, a transfusão intraperitoneal se manteve como base do tratamento da anemia fetal. Com o 
advento da ultrassonografia, que permite a visualização do acesso em tempo real, a técnica intravascular substituiu a 
transfusão intraperitoneal. Após o inicio das técnicas intravascular e ultrassonográfica, o tratamento passou a ser mais 
seguro e eficaz e houve grande melhoria dos resultados perinatais, principalmente devido à melhora da sobrevida dos fetos 
hidrópicos. A técnica transfusional intravascular com coleta de sangue foi descrita pela primeira vez por RODECK e col., em 
1981, guiado por fetoscopia. A transfusão intraperitoneal deve ser utilizada quando houver dificuldade na punção vascular 
pelo posicionamento da placenta, na punção do cordão umbilical devido ao posicionamento do feto ou em caso de feto 
hidrópico. 
 Os fetos hidrópicos possuem uma absorção comprometida do sangue infundido na cavidade, por isso a transfusão 
intravascular é mais eficiente. A fonte de glóbulos vermelhos, normalmente usada para a transfusão é um sangue do tipo O 
negativo de um doador citomegalovirus negativo. O hematócrito tem que ser de 75 a 80% para evitar sobrecarga de volume 
e as unidades são irradiadas para evitar a reação enxerto versus hospedeiro, os testes para infecção tem que ser negativos. 
Sangue materno, lavado para a retirada de anticorpo anti-D, pode ser utilizado como fonte de células vermelhas com o 
objetivo de diminuir o risco de sensibilização a novos antígenos eritrocitários. Para iniciar a transfusão, o hematócrito fetal 
tem de ser determinado através da punção do cordão umbilical perto da inserção da placenta. Um agente paralisante pode 
ser utilizado para a cessação do movimento fetal. O volume de sangue a ser transfundido vai depender do valor do 
hematócrito fetal, idade gestacional e hematócrito do doador. Se a unidade doadora tiver um hematócrito de 
aproximadamente 75%, multiplica-se o valor do peso fetal, estimado com ultrassom, por 0,02 para obter uma elevação de 
10% no hematócrito fetal. A meta final é um hematócrito de 40 a 50%. No feto extremamente anêmico, o hematócrito não 
pode ser aumentado em mais de quatro vezes, para permitir que o sistema cardiovascular seja capaz de compensar a 
mudança da viscosidade do sangue. O procedimento é repetido no intervalo de 48 horas. Após a transfusão, a hidropsia é 
revertida rapidamente. Para o feto sem anemia grave, o intervalo entre as transfusões é de aproximadamente 14 dias. Depois 
disso, o intervalo entre os procedimentos vai depender da taxa de declínio do hematócrito, mas geralmente se trata de um 
intervalo de 3 a 4 semanas. Tratamentos como: administração de prometazina, dessensibilização oral com estroma de 
hemácias Rh positivas e plasmaferese seriada foram testados, mas não obtiveram sucesso. Estudos recentes mostraram que 
a administração materna de imunoglobulina intravenosa traz benefícios nos casos graves de DHPN, porem o mecanismo de 
ação ainda não é claro e tem alto custo. 
 
5- Elucidar a questão do aborto no Brasil (epidemiologia, psicossocial) 
Drauzio Varela: 
“A situação do aborto no Brasil é uma hipocrisia generalizada, porque o aborto é livre para quem tem dinheiro para pagá-lo. 
Os abortamentos complicados são a 5a causa de mortalidade materna no Brasil. Um estudo feito pela Universidade de 
Brasília, mostrou que acima dos 40 anos de idade, 20% das brasileiras fizeram aborto, ou seja de acordo com a legislação 
brasileira, 7 a 8 milhões de brasileiras deveriam ir pra prisão." 
 
O abortamento como questão de saúde pública 
 O aborto, assunto excluído das discussões científicas e políticas até bem pouco tempo atrás, é, na atualidade, uma 
das principais questões da agenda internacional, no que diz respeito à saúde e direitos reprodutivos. A discriminação e os 
agravos à saúde impostos às mulheres, por razões culturais, legais e religiosas que envolvem a questão do aborto, têm 
contribuído para a precariedade da assistência e aumento da mortalidade e morbidade por esta causa. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 Falando em nome próprio, as mulheres levaram o que sempre foi considerado "seu problema" ao plano político 
local, regional e mundial, visando a definição de políticas que incorporem a prevenção do aborto e a ampliação do acesso a 
serviços de boa qualidade. Assim, como resultado do debate conduzido pelo movimento de mulheres, na última década, o 
aborto foi amplamente debatido em duas importantes conferências das Nações Unidas: The International Conference on 
Population and The Development (Cairo, 1994) e a Fourth World Conference on Women (Beijing, 1995). E o aborto, realizado 
em condições inseguras, foi incluído no Plano de Ação da Conferência do Cairo - parágrafo 8.25 - como questão de saúde 
pública. Os governos signatários, entre eles o Brasil, assumiram o compromisso de implementar serviços, melhorar a 
qualidade da assistência e reduzir a mortalidade e morbidade decorrente do aborto em seus países. Trata-se, portanto, de 
ampliar acesso das mulheres aos direitos legalmente admitidos, investindo em ações que garantam aos homens e mulheres 
o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos. 
 Apesar da visibilidade adquirida, por força de leis restritivas, as mulheres ainda recorrem ao aborto "clandestino". 
Nessa condição, elas têm guardado sua dor em silêncio ou, no máximo, compartilham-na com pessoas de sua intimidade. 
Quase sempre elas não encontram apoio nos serviços de saúde ou nas escolas, em se tratando de adolescentes. As 
recomendações internacionais, se não transformadas em novas práticas no nível de atenção local, serão insuficientes para a 
solução do problema. Por isso, torna-se necessária a busca de políticas sociais adequadas ao contexto de cada país, estado 
ou município, respeitando-se as leis vigentes e promovendo os recursos humanos e técnicos disponíveis. Deve-se ressaltar 
aqui, a importância da prática profissional e política dos profissionais da saúde, principais interlocutores das mulheres que 
demandam serviços de saúde para orientações e tratamento dos problemas decorrentes do abortamento. 
Magnitude do abortamento no Brasil e no mundo 
 A real magnitude do abortamento, no mundo, é desconhecida. A ilegalidade, parcial ou total em diversos países, 
dificulta o registro de todas as ocorrências. Na população mundial, 62% vive em países onde a interrupção de gravidez é 
permitida por uma ampla variedade de razoes, e 26% vive em países onde o aborto é proibido (Centro Legal paraDerechos 
Reprodutivos y Politicos Publicas - CLRP, NY/EUA, 1999). Por outro lado, nem todas as mulheres demandam assistência 
pósabortamento nos serviços públicos de saúde. Desta forma, é consenso de que existe uma sub-notificação dos casos, assim 
como das complicações associadas. No Brasil, apesar da carência de indicadores que permitam aferição do numero total de 
ocorrências de abortamentos na população em geral, os dados oficiais justificam a adoção de medidas preventivas e de 
promoção da saúde reprodutiva. No contexto da mortalidade materna, a incidência observada de óbitos por complicações 
de aborto oscila em torno de 12,5% do total dos óbitos, ocupando, em geral, o terceiro lugar entre suas causas, observadas 
as amplas variações entre os estados brasileiros. Dispõe-se, para análise do problema, dos dados fornecidos pelo Sistema de 
Internação Hospitalar (SIH/SUS), que informa o número de internações para curetagens pós-aborto e a freqüência de óbitos 
nestas circunstâncias, nos serviços públicos e conveniados e do Sistema de Informação em Mortalidade (SIM/CENEPI/MS) 
que consolida o registro do abortamento em declaração de óbito - neste caso com grande subnotificação em quase todo 
país. Conforme dados registrados nos últimos seis anos pelo SIH/MS, o número global de curetagens pós-aborto parece 
manter-se estável nos últimos três anos. 
 
 A incidência de abortos na adolescência constitui tambem grande preocupação social. Do total das internações por 
abortamento no SIH/SUS no ano de 1998, 22,5% eram de adolescentes. O atendimento recebido pelas adolescentes nos 
serviços de saúde é insatisfatório. Sem apoio e aconselhamento adequados, com freqüência, estas jovens engravidam 
novamente, entrando num ciclo repetitivo de gravidezabortamento. As medidas necessarias à redução da gravidez não 
planejada ou indesejada incluem orientações seguras na atenção pós-abortamento, na orientação anticoncepcional, 
divulgação e oferta da importância da anticoncepção de emergência e garantia de suporte psicológico e social quando 
necessário. Os indicadores de saúde materna demonstram que a assistência ao abortamento não apresenta qualidade 
compatível com os recursos disponíveis. Por isso, a ampliação do acesso deve caminhar junto à qualificação da rede já 
instalada. 
 
ONG: Rebecca Gomperts, 48 anos, é uma médica holandesa mãe de dois filhos. Ela tinha 19 anos quando conversou sobre aborto 
pela primeira vez: uma de suas amigas decidiu interromper a gravidez e foi até uma das clínicas operadas pelo sistema de saúde 
público em Amsterdã. A segunda vez que Rebecca enfrentou o tema, porém, foi bem diferente. Ela fazia residência como estudante 
de medicina na África e viu entrar, na clínica onde atendia, uma mulher com hemorragia, machucada por um aborto clandestino. A 
cena se repetiu dezenas de vezes. “Elas chegavam já morrendo”, lembra. Em 1999, recém-formada, decidiu fundar a ONG Women 
on Waves (mulheres sobre ondas) e ficou famosa por navegar na costa de países onde o aborto era proibido, como Marrocos, 
Polônia e Portugal (que legalizou a prática em 2007). Enquanto era recepcionada às vezes por navios de guerra, a ONG esticava sua 
prancha para receber a bordo grávidas decididas a terminar suas gestações. Uma vez no mar, navegando em águas internacionais 
onde vale a lei holandesa, um grupo de médicos atendia a vontade dessas mulheres. O ativismo migrou para a internet nos anos 
2000, e a ONG foi rebatizada de Women on Web (mulheres na rede). Agora, opera uma espécie de linha direta tirando dúvidas 
sobre aborto seguro e, em muitos casos, enviando remédios abortivos a países onde eles são ilegais. Isso inclui o Brasil. Dos 8 mil 
pedidos de ajuda que a ONG diz receber por mês, mais de 1 mil são de brasileiras. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 4 
 
1- Compreender o desenvolvimento fetal da 9a a 16a semana. 
Trimestres da Gestação 
 Clinicamente, o período gestacional é dividido em três trimestres. No final do primeiro trimestre, já se formaram 
todos os principais sistemas. No segundo trimestre, o feto cresce o suficiente em tamanho, o que torna possível a visualização 
de detalhes anatômicos na ultra-sonografia, que se de alta definição em tempo real, é possível descobrir a maioria das 
principais anomalias fetais. No início do terceiro trimestre, o feto pode sobreviver, caso nasça prematuramente. Com 35 
semanas de gestação, o feto chega a uma importante característica do desenvolvimento. Ele pesa cerca de 2.500 g, peso 
este usado para definir o grau de maturidade fetal. Neste estágio, o feto geralmente sobrevive se nascer prematuramente. 
 
Período fetal da nona semana ao nascimento 
Da Nona à Décima Segunda Semana 
 No início da nona semana, a cabeça constitui quase a metade do CR (comprimento topo da cabeça-nádegas) do feto. 
Subseqüentemente, há uma rápida aceleração do crescimento do comprimento do corpo e, no final de 12 semanas, o CR já 
é mais que o dobro. Apesar de o crescimento da cabeça diminuir consideravelmente no final da 12a semana, ela ainda é 
desproporcionalmente grande em comparação com o restante do corpo. 
 Com nove semanas, a face é larga, os olhos estão muito separados, as orelhas têm implantação baixa e as pálpebras 
estão fundidas. No fim das 12 semanas, centros de ossificação primária aparecem no esqueleto, especialmente no crânio e 
nos ossos longos. No início da nona semana, as pernas são curtas e as coxas relativamente pequenas. No fim de 12 semanas, 
os membros superiores quase alcançaram seu comprimento final relativo, mas os membros inferiores ainda não estão tão 
bem desenvolvidos e são um pouco mais curtos do que seu comprimento relativo final. A genitália externa de homens e 
mulheres parece semelhante até o final da nona semana. A sua forma fetal madura não está estabelecida até a 12a semana. 
As alças intestinais são claramente visíveis na extremidade proximal do cordão umbilical na metade da 10a semana. Na 11a 
semana, o intestino já retornou para o abdome. Com 9 semanas, o fígado é o principal local da eritropoese (formação de 
glóbulos vermelhos do sangue). 
 No final da 12a semana, esta atividade diminui no fígado e começa no baço. A formação de urina começa entre a 
9a e a 12a semana, e a urina é lançada no líquido amniótico. O feto reabsorve parte deste fluido depois de degluti-lo. Os 
produtos de excreção fetal são transferidos para a circulação materna cruzando a membrana placentária. 
Da Décima Terceira à Décima Sexta Semana 
 O crescimento é muito rápido durante este período. Com 16 semanas, a cabeça é relativamente pequena, em 
comparação com a de um feto de 12 semanas, e os membros inferiores ficaram mais compridos. Os movimentos dos 
membros, que começam a ocorrer no fim do período embrionário, tornam-se coordenados na 14a semana, mas ainda são 
muito discretos para serem percebidos pela mãe. Estes movimentos são visíveis ao ultra-som. 
 A ossificação do esqueleto do feto é ativa e os ossos são claramente visíveis nas imagens de ultra-som obtidas no 
início da 16a semana. Movimentos lentos dos olhos ocorrem com 14 semanas. O padrão dos cabelos do couro cabeludo 
também é determinado durante este período. Com 16 semanas, os ovários já se diferenciaram e contêm folículos primordiais 
com ovogônias. A genitália externa pode ser reconhecida entre 12 e 14 semanas na maioria dos casos. Com 16 semanas, os 
olhos ocupam uma posição anterior na face, e não mais ântero-lateral. Além 
disso, as orelhas externas estão próximas de sua posição definitiva de ambos os lados da cabeça. 
 
2- Entender o acolhimento à gestante nas 3 esferas. 
O que é a Rede Cegonha? 
É uma estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito 
ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar às crianças 
o direito aonascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. Esta estratégia tem a finalidade de estruturar 
e organizar a atenção à saúde materno-infantil no País e será implantada, gradativamente, em todo o território nacional, 
iniciando sua implantação respeitando o critério epidemiológico, taxa de mortalidade infantil e razão mortalidade materna 
e densidade populacional. 
Quais são os componentes da Rede Cegonha? 
São quatro os componentes da Rede Cegonha: 
I - Pré-natal; 
II - Parto e nascimento; 
III - Puerpério e atenção integral à saúde da criança; e 
IV - Sistema logístico (transporte sanitário e regulação). 
Quais as modalidades de adesão à Rede Cegonha? 
Adesão Regional - para o Distrito Federal e o conjunto de municípios da região de saúde priorizada na CIB,conforme critérios 
da Portaria GM/MS nº 2.351/2011 . 
Referente à adesão aos componentes pré-natal e puerpério/atenção integral à saúde da criança, prevê duas possibilidades: 
Adesão Facilitada - para os municípios que NÃO pertencem à região de saúde priorizada na CIB e que NÃO aderiram ao 
Programa da Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ); 
Adesão Integrada - para os municípios com adesão ao Programa da Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ) que estão 
previstos ou não na adesão regional. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
10 Passos para o Pré-Natal de Qualidade na Atenção Básica 
1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce) 
2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal. 
3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e avaliação em termo oportuno do resultado dos 
exames preconizados no atendimento pré-natal. 
4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de seus(suas) acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, 
emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes". 
5° PASSO: Garantir o transporte público gratuito da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário. 
6° PASSO: É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante 
e depois da gestação: "pré-natal do(a) parceiro(a)". 
7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário. 
8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de Parto". 9° PASSO: 
Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação). 
10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal. 
 
Acolhimento 
 O acolhimento da gestante na atenção básica implica a responsabilização pela integralidade do cuidado a partir da 
recepção da usuária com escuta qualificada e a partir do favorecimento do vínculo e da avaliação de vulnerabilidades de 
acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. O profissional deve permitir que a gestante expresse suas 
preocupações e suas angústias, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a 
continuidade da assistência e, quando necessário, possibilitando a criação de vínculo da gestante com a equipe de saúde 
 Na prática cotidiana dos serviços de saúde, o acolhimento se expressa na relação estabelecida entre os profissionais 
de saúde e os(as) usuários(as), mediante atitudes profissionais humanizadoras, que compreendem iniciativas tais como as 
de: (i) se apresentar; (ii) chamar os(as) usuários(as) pelo nome; (iii) prestar informações sobre condutas e procedimentos 
que devam ser realizados; (iv) escutar e valorizar o que é dito pelas pessoas; (v) garantir a privacidade e a confidencialidade 
das informações; e (vi) incentivar a presença do(a) acompanhante, entre outras iniciativas semelhantes. De igual forma, o 
acolhimento também se mostra: (i) na reorganização do processo de trabalho; (ii) na relação dos trabalhadores com os 
modos de cuidar; (iii) na postura profissional; e (iv) no vínculo com a mulher gestante e sua família, o que facilita, assim, o 
acesso dela aos serviços de saúde. O acolhimento, portanto, é uma ação que pressupõe a mudança da relação profissional/ 
usuário(a). O acolhimento não é um espaço ou um local, mas uma postura ética e solidária. Portanto, ele não se constitui 
como uma etapa do processo, mas como ação que deve ocorrer em todos os locais e momentos da atenção à saúde. 
Condições básicas para a assistência pré-natal 
As ações de saúde devem estar voltadas para a cobertura de toda a população-alvo da área de abrangência da unidade de 
saúde, assegurando minimamente 6 (seis) consultas de pré-natal e continuidade no atendimento, no acompanhamento e na 
avaliação do impacto destas ações sobre a saúde materna e perinatal. 
Para uma assistência pré-natal efetiva, deve-se procurar garantir: 
- Acolhimento imediato e garantia de atendimento a todos os recém-natos e à totalidade das gestantes e puérperas que 
procurarem a unidade de saúde; 
- Realização do cadastro da gestante, após confirmada a gravidez, por intermédio do preenchimento da ficha de 
cadastramento do SisPreNatal ou diretamente no sistema para os serviços de saúde informatizados, fornecendo e 
preenchendo o Cartão da Gestante; 
- Classificação do risco gestacional (em toda consulta) e encaminhamento, quando necessário, ao pré-natal de alto risco ou 
à urgência/emergência obstétrica; 
- Acompanhamento periódico e contínuo de todas as gestantes, para assegurar seu seguimento durante toda a gestação, 
em intervalos preestabelecidos (mensalmente, até a 28ª semana; quinzenalmente, da 28ª até a 36ª semana; semanalmente, 
no termo), acompanhando-as tanto nas unidades de saúde quanto em seus domicílios, bem como em reuniões comunitárias, 
até o momento do pré-parto/parto, objetivando seu encaminhamento oportuno ao centro obstétrico, a fim de evitar 
sofrimento fetal por pós-datismo. Toda gestante com 41 semanas deve ser encaminhada para a avaliação do bem-estar fetal, 
incluindo avaliação do índice do líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal; 
- Incentivo ao parto normal e à redução da cesárea; 
- Realização de anamnese, exame físico e exames complementares indicados; 
- Imunização antitetânica e para hepatite B; o Oferta de medicamentos necessários (inclusive sulfato ferroso, para 
tratamento e profilaxia de anemia, e ácido fólico, com uso recomendado desde o período pré-concepcional e durante o 
primeiro trimestre de gestação); 
- Diagnóstico e prevenção do câncer de colo de útero e de mama; 
- Avaliação do estado nutricional e acompanhamento do ganho de peso na gestação; 
- Atenção à adolescente conforme suas especificidades; 
- Realização de práticas educativas(incentivo ao aleitamento materno, ao parto normal e aos hábitos saudáveis de vida, 
identificação de sinais de alarme na gravidez e o reconhecimento do trabalho de parto, os cuidados com o recém-nascido, a 
importância do acompanhamento pré-natal, da consulta de puerpério e do planejamento familiar; os direitos da gestante e 
do pai; os riscos do tabagismo, do uso de álcool e de outras drogas; e o uso de medicações na gestação) Tais práticas podem 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
ser realizadas de forma individual ou coletiva, por meio de grupos de gestantes, sala de espera, intervenções comunitárias 
etc.; 
 
 
 
 
-> Diagnóstico na gravidez: o Teste Rápido de Gravidez nos exames de rotina do pré-natal, que pode ser realizado na própria 
UBS. Se o atraso menstrual for superior a 12 semanas, o diagnóstico de gravidez poderá ser feito pelo exame clínico e torna-
se desnecessária a solicitação do TIG (sinais de presunção, probabilidade e certeza) 
-> Classificação de risco gestacional: objetivo de reduzir a morbimortalidade materno-infantil e ampliaro acesso com 
qualidade, é necessário que se identifiquem os fatores de risco gestacional o mais precocemente possível. 
- Fatores de risco que permitem a realização do pré-natal pela equipe de atenção básica: Idade <15 anos e >35 anos; 
Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária extensa, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e 
biológicos, estresse; situação familiar insegura e não aceitação da gravidez, principalmente em se tratando de adolescente; 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Situação conjugal insegura; Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos); cirurgia uterina anterior; três ou mais 
cesarianas; Ganho ponderal inadequado; Infecção urinária; Anemia 
- Fatores de risco que podem indicar encaminhamento ao pré- natal de alto risco: Cardiopatias; Pneumopatias graves 
(incluindo asma brônquica); Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados); 
Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo); Portadoras de doenças infecciosas 
como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma); 
Hanseníase; Tuberculose; Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; Abortamento habitual; Esterilidade/infertilidade, 
Gemelaridade; Malformações fetais ou arritmia fetal; Distúrbios hipertensivos da gestação, Infecções como a rubéola e a 
citomegalovirose adquiridas na gestação atual; Evidência laboratorial de proteinúria; Diabetes mellitus gestacional; 
- Fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência/ emergência obstétrica: Síndromes hemorrágicas (incluindo 
descolamento prematuro de placenta, placenta prévia), independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional; 
Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na posição sentada. 
Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido de proteinúria; Isoimunização Rh; Anemia grave 
(hemoglobina < 8); crise hipertensiva, vômitos inexplicáveis no 3º trimestre; Trabalho de parto prematuro 
 
-> Calendário de consultas: O total de consultas deverá ser de, no mínimo, 6 (seis), com acompanhamento intercalado entre 
médico e enfermeiro. Sempre que possível, as consultas devem ser realizadas conforme o seguinte cronograma: Até 28ª 
semana – mensalmente; Da 28ª até a 36ª semana – quinzenalmente; Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente 
 
-> Primeira consulta: anamnese completa, historia clinica, exame físico geral e gineco-obstétrico (palpação obstétrica, 
medida e avaliação da altura uterina, ausculta do bcf, registro dos movimentos fetais, teste de estimulo sonoro simplificado, 
exame clinico das mamas, exame ginecológico), exames complementares: 
 
-> Consultas subsequentes: Anamnese atual sucinta, exame físico direcionado (deve-se avaliar o bem-estar materno e fetal); 
Verificação do calendário de vacinação; avaliar-se o resultado dos exames complementares; Controles maternos(Cálculo e 
anotação da idade gestacional - DUM e DPP, determinação do peso e cálculo do índice de massa corporal (IMC), PA, palpação 
obstétrica e medida da altura uterina, pesquisa de edema; exame ginecológico, incluindo das mamas, para observação do 
mamilo) e Controles fetais (ausculta do bcf, avalia movimentos fetais, registro dos movimentos fetais; Teste de estímulo 
sonoro simplificado (Tess), se houver indicação clínica). 
Pode-se utilizar a altura uterina e o toque vaginal, considerando-se os seguintes parâmetros: 
Até a 6ª semana, não ocorre alteração do tamanho uterino; 
Na 8ª semana, o útero corresponde ao dobro do tamanho normal; 
Na 10ª semana, o útero corresponde a três vezes o tamanho habitual; 
Na 12ª semana, o útero enche a pelve, de modo que é palpável na sínfise púbica; 
Na 16ª semana, o fundo uterino encontra-se entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical; 
Na 20ª semana, o fundo do útero encontra-se na altura da cicatriz umbilical; 
A partir da 20ª semana, existe relação direta entre as semanas da gestação e a medida da altura uterina. Porém, este 
parâmetro torna-se menos fiel a partir da 30ª semana de idade gestacional 
Suplementos alimentares 
- Ferro e folato: a suplementação rotineira de ferro e folato parece prevenir a instalação de baixos níveis de hemoglobina no 
parto e no puerpério. Existem poucas informações em relação a outros parâmetros de avaliação da mãe e de seu recém-
nascido (grau de recomendação A). O Programa Nacional de Suplementação de Ferro, do Ministério da Saúde, criado por 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
meio da Portaria MS nº 730, de 13 de maio de 2005, recomenda a suplementação de 40mg/dia de ferro elementar (200mg 
de sulfato ferroso). Orienta-se que a ingestão seja realizada uma hora antes das refeições. A suplementação de ferro deve 
ser mantida no pósparto e no pós-aborto por 3 meses; o Folato peri-concepcional: tem forte efeito protetor contra defeitos 
abertos do tubo neural. Deve ser usado rotineiramente pelo menos dois meses antes e nos dois primeiros meses da gestação. 
Esta informação deve ser difundida por programas educacionais de saúde. Mulheres que tiveram fetos ou neonatos com 
defeitos abertos do tubo neural têm que usar folato continuamente se ainda desejam engravidar (grau de recomendação A) 
- Piridoxina (vitamina B6): não há evidências para indicá-la como suplemento na gravidez, embora os resultados de um 
trabalho sugiram que seu uso pode ter efeito protetor em relação ao esmalte dentário (grau de recomendação A); 
- Cálcio: seu uso parece ser benéfico em mulheres que apresentam alto risco de desenvolver hipertensão na gestação e 
naquelas que têm baixa ingestão de cálcio. Novas investigações são necessárias para a definição da melhor dose a ser 
utilizada na gestação (grau de recomendação A); 
- Zinco: não existem evidências suficientes para avaliar os efeitos do seu uso na gravidez. Os possíveis efeitos benéficos sobre 
a prevenção do trabalho de parto prematuro necessitam de novas avaliações (grau de recomendação A); 
- Proteínas: a suplementação balanceada parece melhorar o crescimento fetal e reduzir os riscos de morte fetal e neonatal. 
As evidências são insuficientes para afirmar se existem outras vantagens potenciais (grau de recomendação A). 
Vacinação 
 
 
"O “Programa Mãe Morena” é semelhante ao denominado “Projeto Mãe Curitibana” do estado Paraná. As ações 
desenvolvidas no “Programa Mãe Morena” são realizadas de maneira que convide e facilite a adesão da gestante ao pré-
natal o mais cedo possível. Acolhendo a gestante desde a primeira consulta que pode ser realizada tanto pelo médico como 
pelo enfermeiro, que a cadastra no SISPRENATAL, entre outras ações e solicita exames para detecção de 12 doenças que 
integram o Programa Estadual de Proteção à Gestante. Nesse primeiro contato, é fornecido a gestante um kit em uma sacola, 
contendo cartilha ilustrada, espaço para registro fotográfico da mãe e resultado da ultrassonografia, além de cartão da 
gestante. Desta forma, o programa oferece todo o apoio da equipe de saúde para a gestante se sentir mais segura. Ela tem 
direito a vale-transporte e visita ao hospital em que será realizado o parto, para conhecer a equipe e tirar dúvidas, assim 
como acompanhamento da gestação com visitas domiciliares feitas pelos Agentes Comunitários de Saúde. Uma vez ao mês 
há a realização de atividades educacionais a fim de orientá-las para o entendimento e adaptação às mudanças da gestação, 
além de prepará-las para a recepção do recém-nascido com os cuidados adequados, enfatizando o aleitamento materno. O 
programa realiza agendamento de consultas médicas e odontológicas, além da aplicação de vacinas, exames laboratoriais e 
testes para detecção de AIDS e incompatibilidade sanguínea." 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 A translucência nucal é uma medidaque é realizada na região da nuca do feto, entre a 11ª e a 14ª semana de 
gestação, durante um exame de ultrassonografia. Esta medida serve para calcular o risco do bebê apresentar uma alteração 
cromossômica, malformações ou alguma síndrome, como a síndrome de down. Quando estão presentes malformações ou 
doenças genéticas, o feto tem tendência a acumular líquido na região da nuca, por isso se a medida datranslucência nucal 
estiver aumentada, acima de 2,5 mm, significa que há um acúmulo de líquido na região da nuca do feto e que este tem risco 
de apresentar alguma alteração. Se durante a ultrassonografia também verificarem a ausência do osso nasal, o risco 
aumenta mais, pois o osso nasal, geralmente, está ausente nos casos de síndromes. 
 Assim, a medida da translucência nucal alterada não indica que o bebê tem uma doença genética ou malformação, 
apenas indica que tem risco aumentado do feto apresentar alguma alteração. Neste caso, a grávida deve fazer outros exames 
como a amniocentese, por exemplo, para confirmar ou não o diagnóstico. Além da translucência nucal, a idade da mãe e o 
histórico familiar de alterações cromossômicas ou doenças genéticas também são importantes para calcular o risco do 
bebê apresentar uma destas alterações. 
Valores da Translucência Nucal 
 Translucência nucal normal: inferior a 2,5 mm 
 Translucência nucal alterada: igual ou superior a 2,5 mm 
 Uma translucência nucal com valores normais não garante que o bebê não terá qualquer problema, apenas significa 
que o risco de apresentar qualquer alteração é muito baixo. Da mesma forma, uma translucência nucal aumentada não 
garante que o bebê terá algum problema, apenas informa que o risco do bebê apresentar alguma alteração é alto. 
Quando fazer a translucência nucal 
 A translucência nucal deve ser feita entre a 11ª e a 14ª semana de gestação, durante o exame de ultrassonografia, 
pois é quando o feto já tem entre 45 a 84 mm de comprimento e já se consegue calcular a medida de translucência nucal. 
 
3- Explicar a importância do pré-natal correlacionando com a epidemiologia e a morbimortalidade 
 O objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um 
recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades 
educativas e preventivas. Talvez o principal indicador do prognóstico ao nascimento seja o acesso à assistência pré-natal 
(grau de recomendação B). Os cuidados assistenciais no primeiro trimestre são utilizados como um indicador maior da 
qualidade dos cuidados maternos (grau de recomendação B). Se o início precoce do pré-natal é essencial para a adequada 
assistência, o número ideal de consultas permanece controverso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número 
adequado seria igual ou superior a 6 (seis). Pode ser que, mesmo com um número mais reduzido de consultas (porém, com 
maior ênfase para o conteúdo de cada uma delas) em casos de pacientes de baixo risco, não haja aumento de resultados 
perinatais adversos (grau de recomendação A). Atenção especial deverá ser dispensada às grávidas com maiores riscos (grau 
de recomendação A). As consultas deverão ser mensais até a 28ª semana, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais no 
termo (grau de recomendação D). Não existe alta do pré-natal. Quando o parto não ocorre até a 41º semana, é necessário 
encaminhar a gestante para a avaliação do bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice do líquido amniótico e 
monitoramento cardíaco fetal. Estudos clínicos randomizados demonstram que a conduta de induzir o trabalho de parto em 
todas as gestantes com 41 semanas de gravidez é preferível à avaliação seriada do bem-estar fetal, pois se observou menor 
risco de morte neonatal e perinatal e menor chance de cesariana no grupo submetido à indução do parto com 41 semanas. 
 O Brasil tem registrado redução na mortalidade materna desde 1990. Naquele ano, a razão de mortalidade 
materna (RMM) corrigida era de 140 óbitos por 100 mil nascidos vivos (NV), enquanto em 2007 declinou para 75 óbitos por 
100 mil NV, o que representa uma diminuição de aproximadamente a metade. A melhoria na investigação dos óbitos de 
mulheres em idade fértil (de 10 a 49 anos de idade), que permite maior registro dos óbitos maternos, possivelmente 
contribuiu para a estabilidade da RMM observada nos últimos anos da série. 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 Para atingir a meta do quinto Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), o Brasil deverá apresentar RMM 
igual ou inferior a 35 óbitos por 100 mil NV até 2015, o que corresponde a uma redução de três quartos em relação ao valor 
estimado para 1990. A queda da morte materna se deve fundamentalmente à redução da mortalidade por causas obstétricas 
diretas. As mortes maternas podem ser classificadas como obstétricas diretas ou indiretas. As mortes diretas resultam de 
complicações surgidas durante a gravidez, o parto ou o puerpério (período de até 42 dias após o parto), decorrentes de 
intervenções, omissões, tratamento incorreto ou de uma cadeia de eventos associados a qualquer um desses fatores. As 
mortes indiretas decorrem de doenças preexistentes ou que se desenvolveram durante a gestação e que foram agravadas 
pelos efeitos fisiológicos da gestação, como problemas circulatórios e respiratórios. A mortalidade materna por causas 
diretas diminuiu 56% desde 1990 até 2007, enquanto aquela por causas indiretas aumentou 33%, de 1990 a 2000, e se 
manteve estável de 2000 a 2007. O aumento verificado entre 1990 e 2000 foi um reflexo da melhoria nas investigações de 
óbitos suspeitos de decorrência de causas indiretas. Em 1990, a mortalidade por causas diretas era 9,4 vezes superior à 
mortalidade por causas indiretas. Esta relação reduziu-se para 3,5 vezes em 2000 e 3,2 vezes em 2007. 
 No período de 1990 a 2007, houve redução em todas as principais causas de morte materna. Os óbitos maternos 
por hipertensão foram reduzidos em 62,8%; por hemorragia, 58,4%; por infecções puerperais, 46,8%; por aborto, 79,5%; e 
por doenças do aparelho circulatório complicadas pela gravidez, pelo parto e pelo puerpério, 50,7% (gráfico 3). Mas ainda é 
preocupante a proporção de jovens que morrem por causas obstétricas. Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde 
(SVS), entre 1990 e 2007, a mortalidade materna na adolescência (de 10 a 19 anos) variou entre 13% a 16% do total de óbitos 
maternos (BRASIL, 2010, p. 93). A gravidez na adolescência constitui um grande desafio para os formuladores e gestores de 
políticas públicas do País. 
 Iniciativas de ampliação, qualificação e humanização da atenção à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde, 
associadas à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e ao Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade 
Materna e Neonatal, assim como os impactos da regulamentação de ações de Vigilância de Óbitos Maternos podem estar 
relacionados aos avanços observados na redução das mortes por causas obstétricas diretas. Contudo, as taxas por causas 
diretas ainda são elevadas e representam um grande desafio para o sistema de saúde. O alcance da meta proposta no âmbito 
deste Objetivo de Desenvolvimento do Milênio dependerá, assim, da implementação mais efetiva das ações de saúde 
voltadas para a redução da mortalidade materna no Brasil. 
 A assistência pré-natal adequada (componente pré-natal), com a detecção e a intervenção precoce das situações 
de risco, bem como um sistema ágil de referência hospitalar (sistema de regulação – “Vaga sempre para gestantes e bebês”, 
regulação dos leitos obstétricos, plano de vinculação da gestante à maternidade), além da qualificação da assistência ao 
parto (componente de parto e nascimento – humanização, direito à acompanhante de livre escolha da gestante, ambiência, 
boas práticas, acolhimento com classificação de risco – ACCR), são os grandes determinantesdos indicadores de saúde 
relacionados à mãe e ao bebê que têm o potencial de diminuir as principais causas de mortalidade materna e neonatal. Em 
face da progressiva expansão do processo de organização dos serviços de atenção básica nos municípios, a qualificação dos 
profissionais de saúde ainda é um desafio, sobretudo no que diz respeito ao processo do cuidado, ao acesso a exames e aos 
seus resultados em tempo oportuno, bem como à integração da Atenção Básica (AB) com a rede, voltada para o cuidado 
materno-infantil. 
 
4- Elucidar as restrições necessárias durante a gestação (barreira placentária) 
 
 A parte fetal da placenta e as membranas fetais separam o feto do endométrio — membrana mucosa da camada 
interna da parede uterina. E através da placenta que se dão as trocas de substâncias, como nutrientes e oxigênio, entre as 
correntes sangüíneas materna e fetal. Os vasos do cordão umbilical unem a circulação placentária com a circulação fetal. O 
córion, o âmnio, o saco vitelino e o alantóide constituem as membranas fetais. 
A placenta 
 A placenta é o local básico das trocas de nutrientes e gases entre a mãe e o feto. A placenta é um órgão 
maternofetal constituído por dois componentes: 
• Uma porção fetal originária do saco coriônico. 
• Uma porção materna derivada do endométrio. 
 A placenta e o cordão umbilical funcionam como um sistema de transporte das substâncias que passam entre a 
mãe e o feto. Nutrientes e oxigênio passam do sangue materno, através da placenta, para o sangue fetal, enquanto os 
excretas e dióxido de carbono passam do sangue fetal para o sangue materno, também através da placenta. A placenta e as 
membranas fetais executam as seguintes funções e atividades: proteção, nutrição, respiração, excreção e produção de 
hormônios. Pouco depois do nascimento, a placenta e as membranas fetais são expelidas do útero como a placenta. 
A Decídua: Refere-se ao endométrio gravídico, a camada funcional do endométrio de uma mulher grávida que se separa do 
restante do útero após o parto (nascimento). As três regiões da decídua recebem nomes de acordo com sua relação com o 
local da implantação: 
• A decídua basal é a parte da decídua abaixo do concepto, que forma o componente materno da placenta. 
• A decídua capsular é a parte superficial da decídua que cobre o concepto. 
• A decídua parietal é toda a parte restante da decídua. 
 Em resposta a níveis crescentes de progesterona no sangue materno, as células do estroma (tecido conjuntivo) da 
decídua aumentam de tamanho e formam as células deciduais (pouco coradas). Essas células crescem com o acúmulo de 
glicogênio e lipídio no citoplasma. As mudanças celulares e vasculares que ocorrem no endométrio quando o blastocisto se 
implanta constituem a reação decidual. Na região do sinciciotrofobiasto, perto do saco coriônico, muitas células deciduais 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
degeneram e, juntamente com sangue materno e secreções do útero, proporcionam uma rica fonte de nutrição para o 
embrião. Sugere-se que elas protegem o tecido materno de uma invasão descontrolada pelo sinciciotrofobiasto e que podem 
estar envolvidas na produção de hormônios. As regiões da decídua, identificáveis durante a ultra-sonografia, são importantes 
para o diagnóstico precoce da gravidez. 
 
Desenvolvimento da Placenta 
 As descrições anteriores sobre o desenvolvimento inicial da placenta mostraram a rápida proliferação do 
trofoblasto e o desenvolvimento do saco coriônico e das vilosidades coriônicas. No fim da 3a semana, já está estabelecido o 
arranjo anatômico necessário para as trocas fisiológicas entre a mãe e o seu embrião. Ao final da 4a semana, uma rede 
vascular complexa já se estabeleceu na placenta, facilitando as trocas materno-embrionárias de gases, nutrientes e produtos 
de excreção. 
 As vilosidades coriônicas cobrem todo o saco coriônico até o início da 8a semana. Com o crescimento desse saco, 
as vilosidades associadas à decídua capsular são comprimidas, reduzindo seu suprimento sangüíneo. Essas vilosidades 
degeneram rapidamente, levando à formação de uma área relativamente avascular, o córion liso, com isso aquelas 
associadas à decídua basal aumentam rapidamente de número, ramificam-se profusamente e crescem. Essa parte 
arboriforme do saco coriônico constitui o córion viloso. Com o crescimento do feto, o útero, o saco coriônico e a placenta 
aumentam de tamanho. A placenta continua a crescer em tamanho e espessura até o feto ter cerca de 18 semanas (20 
semanas de gestação). A placenta totalmente desenvolvida cobre de 15% a 30% da decídua e pesa aproximadamente um 
sexto do peso do feto. A placenta tem duas partes: 
• 0 componente fetal da placenta é formado pelo córion viloso. As vilosidades coriônicas que dele se originam projetam-se 
para o espaço interviloso, que contém sangue materno. 
• 0 componente materno da placenta é formado pela decídua basal, a parte da decídua relacionada com o componente 
fetal da placenta. No fim do 4o mês, a decídua basal está quase completamente substituída pelo componente fetal da 
placenta. 
 A parte fetal da placenta (córion viloso) prende-se à parte materna (decídua basal) pela capa citotrofoblástica, 
camada externa de células trofoblásticas da superfície materna da placenta. As vilosidades coriônicas prendem-se 
firmemente à decídua basal pela capa citotrofoblástica e ancoram o saco coriônico à decídua basal. Artérias e veias 
endometriais passam livremente por fendas na capa citotrofoblástica e se abrem no espaço interviloso. A forma da placenta 
é determinada pela forma da área de vilosidades coriônicas que persistem. Usualmente, esta é uma área circular, de forma 
discóide. Com a invasão da decídua basal pelas vilosidades coriônicas, durante a formação da placenta, o tecido da decídua 
sofre erosão, aumentando o espaço interviloso, produzindo várias áreas cuneiformes na decídua, septos da placenta, que 
se projetam em direção à placa coriônica — a parte da parede do córion relacionada com a placenta. Os septos da placenta 
dividem a parte fetal da placenta em áreas convexas irregulares denominadas cotilédones. Cada cotilédone é formado por 
duas ou mais vilosidades-tronco e seus inúmeros ramos.No fim do 4o mês, a decídua basal está quase totalmente substituída 
por cotilédones. A expressão do fator de transcrição Gemi (glial cells missing-1, ausência de células gliais-1) pelas células-
tronco do trofoblasto regula o processo de ramificação das vilosidades-tronco para a formação da rede vascular da placenta. 
 A decídua capsular, a camada da decídua superposta ao saco coriônico implantado, forma uma cápsula sobre a 
superfície externa do saco. Com o crescimento do concepto, a decídua capsular faz saliência na cavidade uterina e fica muito 
adelgaçada. Finalmente, a decídua capsular entra em contato e se funde com a decídua parietal, acabando por obliterar a 
cavidade uterina. Com 22 a 24 semanas, o reduzido suprimento sangüíneo da decídua capsular causa sua degeneração e 
desaparecimento, assim, a parte lisa do saco coriônico se funde com a decídua parietal. Essa fusão pode ser desfeita e 
geralmente ocorre quando escapa sangue do espaço interviloso. A coleção de sangue (hematoma) afasta a membrana 
coriônica da decídua parietal, restabelecendo assim o espaço potencial da cavidade uterina. 
 O espaço interviloso contendo sangue materno origina-se das lacunas que se formam no sinciciotrofobiasto 
durante a segunda semana do desenvolvimento. Esse grande espaço cheio de sangue resulta da coalescência e do 
crescimento da rede de lacunas. Os septos placentários dividem o espaço interviloso da placenta em compartimentos; mas 
há comunicação livre entre estes, pois os septos não chegam até a placa coriônica. 
 O sangue materno chega ao espaço interviloso vindo das artérias espiraladas do endométrio da decídua basal. As 
artérias espiraladas passam por fendas da capa citotrofoblástica e lançamsangue no espaço interviloso, que é drenado pelas 
veias endometriais, que também atravessam a capa citotrofoblástica. As veias endometriais encontram-se por toda a 
superfície da decídua basal. As numerosas vilosidades coriônicas são banhadas continuamente por sangue materno, que 
circula pelo espaço interviloso. Esse sangue traz consigo oxigênio e materiais nutritivos necessários ao crescimento e 
desenvolvimento do feto. O sangue materno também contém produtos de excreção do feto, como dióxido de carbono, sais 
e produtos do metabolismo protéico. 
 O saco amniótico cresce mais rapidamente do que o saco coriônico. Logo, o âmnio e o córion liso logo se fundem, 
formando a membrana amniocoriônica, que se funde com a decídua capsular e se adere à decídua parietal 
depois do desaparecimento da parte capsular da decídua. É a membrana amniocoriônica que se rompe durante o trabalho 
de parto (a expulsão do útero do feto e da placenta). A ruptura dessa membrana antes de o feto chegar a termo é a ocorrência 
mais comum que leva ao parto prematuro. Quando a membrana amniocoriônica se rompe, o líquido amniótico escapa para 
o exterior através do colo e da vagina. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
Circulação Placentária 
 As vilosidades coriônicas terminais da placenta criam uma grande área de superfície através da qual pode haver 
troca de materiais que cruzam uma delgada membrana ("barreira") placentária, interposta entre as circulações fetal e 
materna. É através das numerosas vilosidades terminais que ocorrem as principais trocas de material entre a mãe e o feto. 
As circulações do feto e da mãe estão separadas pela membrana placentária, que consiste em tecidos extrafetais . 
Circulação Placentária Fetal 
 O sangue pouco oxigenado deixa o feto e vai para a placenta, passando pelas artérias umbilicais. No local em que 
o cordão se une à placenta, essas artérias se dividem formando vários ramos dispostos radialmente, as artérias coriônicas, 
que se ramificam livremente na placa coriônica antes de entrar na viíosidade coriônica. Os vasos sangüíneos formam um 
extenso sistema arteriocapilar-venoso dentro das vilosidades coriônicas, o qual mantém o sangue fetal extremamente 
próximo do sangue materno. Esse sistema fornece uma ampla área para troca de produtos metabólicos e gasosos entre as 
correntes sangüíneas materna e fetal. Normalmente, não há mistura de sangue fetal com sangue materno; mas, quantidades 
muito pequenas de sangue fetal podem penetrar a circulação materna, passando por pequenos defeitos que, por vezes, 
ocorrem na membrana placentária. O sangue fetal bem oxigenado nos capilares fetais passa para as veias de paredes 
delgadas, que acompanham as artérias coriônicas até o local da união do cordão umbilical. Aqui, elas convergem para formar 
a veia umbilical. Esse grande vaso transporta sangue rico em oxigênio para o feto. 
Circulação Placentária Materna 
 O sangue materno no espaço interviloso fica, temporariamente, fora do sistema circulatório materno. Ele chega 
ao espaço interviloso através de 80 a 100 artérias endometriais espiraladas da decídua basal, que deságuam no espaço 
interviloso através de fendas na capa citotrofoblástica. Nas artérias espiraladas, o fluxo sanguíneo é pulsátil e é lançado em 
jatos por força da pressão do sangue materno. O sangue que penetra tem uma pressão consideravelmente mais alta do que 
a do espaço interviloso e jorra para a placa coriônica que forma o "teto" do espaço interviloso. Com a dissipação da pressão, 
o sangue flui lentamente em torno das vilosidades terminais, permitindo a troca de produtos metabólicos e gasosos com o 
sangue fetal. O sangue retorna através das veias endometriais para a circulação materna. O bem-estar do embrião e do feto 
depende mais de as vilosidades serem banhadas de modo adequado pelo sangue materno do que de qualquer outro fator. 
Uma redução da circulação uteroplacentária pode resultar em hipóxia fetal e retardo do crescimento intra-uterino (IUGR). 
Graves reduções da circulação uteroplacentária podem resultar em morte para o feto. O espaço interviloso da placenta 
madura contém cerca de 150 mL de sangue, substituído três a quatro vezes por minuto. As contrações intermitentes do 
útero durante a gravidez reduzem levemente o fluxo sangüíneo uteroplacentário; entretanto, elas não expulsam 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
quantidades significativas de sangue do espaço interviloso. Conseqüentemente, a transferência de oxigênio para o feto 
diminui durante as contrações uterinas, mas não cessa. 
 
 
 
 
A Membrana Placentária 
 É uma estrutura composta que consiste em tecidos extrafetais, que separam o sangue materno do fetal. Até cerca 
de 20 semanas, a membrana placentária é formada por quatro componentes: sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido 
conjuntivo das vilosidades e endotélio dos capilares fetais. Após a 20a semana, começam a ocorrer nas vilosidades terminais 
alterações histológicas que resultam no adelgaçamento do citotrofoblasto de muitas delas. As células do citotrofoblasto 
acabam desaparecendo de grandes áreas das vilosidades, deixando somente delgados pedaços de sinciciotrofoblasto. Disso 
resulta que a membrana placentária passa a consistir em somente três camadas na maioria dos lugares. Em*algumas áreas, 
a membrana placentária torna-se acentuadamente delgada. Nesses locais, o sinciciotrofoblasto entra em contato direto com 
o endotélio dos capilares fetais, formando uma membrana placentária vasculossincicial. No passado, a membrana 
placentária era denominada barreira placentária, um termo inadequado, pois somente poucas substâncias endógenas ou 
exógenas são incapazes de cruzar a membrana placentária em quantidades detectáveis. A membrana placentária age como 
uma barreira verdadeira somente quando a molécula tem um certo tamanho, configuração e carga, como, por exemplo, a 
heparina e bactérias. Alguns metabólitos, toxinas e hormônios, apesar de presentes na circulação materna, não cruzam a 
membrana placentária em concentração suficiente para afetar o embrião/feto. 
 A maioria das drogas e outras substâncias no plasma materno passa pela membrana placentária e penetra o plasma 
fetal. Eletromicrografias do sinciciotrofoblasto mostram que sua superfície livre tem muitas microvilosidades — acima de 1 
bilhão/cm2 quando a termo — que aumentam a superfície de troca entre as circulações materna e fetal. Com o avanço da 
gravidez, a membrana placentária torna-se progressivamente mais delgada, de modo que, em muitos capilares fetais, o 
sangue fica extremamente próximo ao sangue materno no espaço interviloso. 
 Durante o terceiro trimestre, numerosos núcleos do sinciciotrofoblasto se agregam formando protrusões ou 
agregações multinucleadas — os nós sinciciais. Essas agregações destacam-se continuamente e são removidas do espaço 
interviloso, caindo na circulação materna. Alguns nós se alojam em capilares pulmonares da mãe, onde são rapidamente 
destruídos por ação enzimática local. Próximo ao final da gravidez, forma-se material fibrinóide na superfície das vilosidades. 
Esse material consiste em fibrina e outras substâncias não identificadas que se coram intensamente com a eosina. O material 
fibrinóide resulta principalmente do envelhecimento e parece reduzir as transferências placentárias. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
 
Funções da Placenta: 
• Metabolismo (p. ex., síntese de glicogênio). 
• Transporte de gases e nutrientes. 
• Secreção endócrina (p. ex., gonadotropina coriônica humana [hCG]). 
 Sendo essenciais para a manutenção da gravidez e para a promoção do desenvolvimento do feto. 
 
Metabolismo Placentário 
 A placenta, particularmente durante a fase inicial da gravidez, sintetiza glicogênio, colesterol e ácidos graxos, que 
servem de fonte de nutrientes e energia para o embrião/ feto. Muitas de suas atividades metabólicas são, indubitavelmente,críticas para as duas outras atividades principais da placenta (transporte e secreção endócrina). 
Transferência Placentária 
 O transporte de substâncias em ambas as direções entre a placenta e o sangue materno é facilitado pela grande 
superfície da membrana placentária. Quase todos os materiais são transportados através dessa membrana placentária por 
um dos quatro mecanismos principais a seguir: 
- difusão simples: passivo, substâncias se deslocam de uma área de concentração mais alta para outra mais baixa, até o 
equilíbrio ser estabelecido. 
- difusão facilitada: há transporte por meio de cargas elétricas 
- transporte ativo: contra um gradiente de concentração requer energia. 
Tais sistemas podem envolver enzimas que temporariamente se combinam com as substâncias em questão. 
- pinocitose: é uma forma de endocitose na qual o material englobado é uma pequena amostra do fluido extracelular, 
geralmente está reservado para moléculas grandes. Algumas proteínas são transferidas, muito lentamente, através da 
placenta. 
Transferência de gases 
 Oxigênio, dióxido de carbono e monóxido de carbono cruzam a membrana placentária por difusão simples. As 
trocas de oxigênio e dióxido de carbono são mais limitadas pelo fluxo sanguíneo do que pela eficiência da difusão. A 
interrupção do transporte de oxigênio por vários minutos põe em risco a sobrevivência do embrião ou do feto. Em relação 
às trocas de gases, a membrana placentária aproxima-se em eficiência aos pulmões. A quantidade de oxigênio que alcança 
o feto está, basicamente, limitada pelo fluxo, e não pela difusão; portanto, a hipóxia fetal (níveis diminuídos de oxigênio) 
resulta principalmente de fatores que diminuem o fluxo sanguíneo do útero ou o fluxo de sangue fetal. 
Substâncias nutritivas 
 Os nutrientes constituem o grosso das substâncias transferidas da mãe para o embrião/feto. A água é rapidamente 
trocada por difusão simples, e em quantidades crescentes com o avanço da gravidez. A glicose produzida pela mãe e pela 
placenta é rapidamente transferida por difusão para o embrião/feto. Há pouca ou nenhuma transferência de colesterol, 
triglicerídios ou fosfolipídios maternos. Apesar de haver transporte de ácidos graxos livres, a quantidade transferida parece 
ser relativamente pequena. Os aminoácidos são ativamente transportados pela membrana placentária e são essenciais para 
o crescimento do feto. As concentrações plasmáticas da maioria dos aminoácidos são mais altas no feto do que na mãe. As 
vitaminas cruzam a membrana placentária e são essenciais para o desenvolvimento normal. Vitaminas hidrossolúveis cruzam 
a membrana placentária mais rapidamente do que as lipossolúveis. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Hormônios 
 Hormônios protéicos não chegam ao embrião ou ao feto em quantidades significativas, exceto por uma 
transferência lenta de tiroxina e triiodotironina. Hormônios esteroides não-conjugados cruzam livremente a membrana 
placentária. A testosterona e algumas progestinas sintéticas cruzam a membrana placentária e podem causar masculinização 
de fetos do sexo feminino. 
Eletrólitos 
 São livremente trocados através da membrana placentária em quantidades significativas, cada um com sua própria 
velocidade. Quando uma mãe recebe líquidos endovenosos, estes também passam para o feto e afetam seu teor de água e 
eletrólitos. 
Anticorpos maternos 
 O feto produz somente pequenas quantidades de anticorpos, pois seu sistema imune é imaturo. Alguma imunidade 
passiva é conferida ao feto pela transferência placentária de anticorpos maternos. As globulinas alfa e beta chegam ao feto 
em quantidades muito pequenas, mas muitas gamaglobulinas, como a IgG, são prontamente transportadas para o feto por 
transcitose. Anticorpos maternos conferem imunidade ao feto contra doenças como a difteria, a varíola e o sarampo; 
entretanto, não é adquirida imunidade contra pertussis (coqueluche) ou varicela (catapora). Uma proteína materna, a 
transferrina, cruza a membrana placentária e transporta ferro para o embrião ou o para o feto. A superfície da placenta 
contém receptores especiais para essa proteína. 
Produtos de excreção 
 A uréia e o ácido úrico passam pela membrana placentária por difusão simples. A bilirrubina conjugada (que é 
solúvel em gordura) é facilmente transportada pela placenta para uma rápida depuração. 
Drogas e seus metabólitos 
 A maioria das drogas e seus metabólitos cruzam a placenta por difusão simples, exceto aqueles que se assemelham 
estruturalmente a aminoácidos, como a metildopa e antimetabólitos. Algumas drogas causam importantes anomalias 
congênitas. O uso materno de drogas como a heroína pode levar à dependência fetal a drogas. Nesses casos, 50% a 75% dos 
recém-nascidos apresentam sintomas de abstinência. Como a dependência psíquica a essas drogas não se desenvolve 
durante o período fetal, não há risco de vício subseqüente a narcóticos para essas crianças depois que termina a crise de 
abstinência. A maioria dos agentes usados durante o trabalho de parto cruza prontamente a membrana placentária. 
Dependendo da dose e do momento em que forem administradas no decorrer do parto, essas drogas podem causar 
depressão respiratória na criança recém-nascida. Todos os sedativos e analgésicos afetam o feto de alguma maneira. Agentes 
bloqueadores neuromusculares que podem ser usados na cirurgia obstétrica cruzam a placenta em pequenas quantidades. 
As drogas tomadas pela mãe podem afetar, direta ou indiretamente, o embrião/feto, interferindo no metabolismo materno 
ou da placenta. Anestésicos inalatórios também podem cruzar a membrana placentária e afetar a respiração fetal se usados 
durante o parto. A quantidade da droga ou do metabólito que chega à placenta é controlada pelo nível no sangue materno 
e pelo fluxo do sangue através da placenta. 
Agentes infecciosos 
 Citomegalovírus, vírus da rubéola e coxsackievírus, assim como os vírus associados à varíola, varicela, sarampo e 
poliomielite podem atravessar a membrana placentária e causar infecção no feto. Em alguns casos, como o vírus da rubéola, 
podem ser produzidas anomalias congênitas graves, como catarata. Microrganismos como o Treponema pallidum, causador 
da sífilis, e o Toxoplasma gondii, que causa alterações destrutivas do cérebro e dos olhos, também atravessam a membrana 
placentária. Esses organismos penetram o sangue fetal, com frequência causando anomalias congênitas e/ou morte do 
embrião ou do feto. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Síntese e Secreção Endócrina da Placenta 
 Usando precursores provenientes do feto e/ou da mãe, o sinciciotrofoblasto da placenta sintetiza hormônios 
proteicos e esteróides. Os hormônios protéicos sintetizados pela placenta são: 
• hCG: A glicoproteína hCG, semelhante ao hormônio luteinizante, começa a ser secretada pelo sinciciotrofoblasto durante 
a 2a semana, mantém o corpo lúteo, impedindo o início dos ciclos menstruais, sua concentração no sangue materno e na 
urina chega ao máximo na oitava semana, declinando a seguir. 
• Somatomamotrofina coriônica humana ou lactogênio placentário humano. 
• Tireotrofina coriônica humana. 
• Corticotrofina coriônica humana. 
 Os hormônios esteróides sintetizados pela placenta são a progesterona e os estrogênios. A progesterona pode ser 
extraída da placenta em todos os estágios da gestação, indicando ser ela essencial para a manutenção da gravidez. A placenta 
forma progesterona a partir do colesterol ou da pregnenolona maternos. Depois do primeiro trimestre, os ovários de uma 
mulher grávida podem ser retirados sem causar aborto, pois a placenta assume a produção de progesterona inicialmente 
realizada pelo corpo lúteo do ovário. Estrogênios também são produzidos em grande quantidade pelo sinciciotrofoblasto. 
 
O Cordão Umbilical 
 A ligação do cordão umbilical à placenta normalmente fica no centro da superfície fetal desse órgão mas ele podeaderir em qualquer ponto. Por exemplo, a sua inserção nas margens da placenta produz uma placenta em raquete, e sua 
ligação às membranas fetais forma uma inserção velamentosa do cordão. A ultra-sonografia Doppler de fluxo de cor pode 
ser usada para o diagnóstico pré-natal de anormalidades na posição e na estrutura do cordão umbilical e seus vasos. 
Usualmente, o cordão umbilical tem 1 a 2 cm de diâmetro e 30 a 90 cm de comprimento (média, 55 cm). Cordões 
excessivamente compridos ou excessivamente curtos são incomuns. Cordões longos têm a tendência a sofrer prolapso e/ou 
enrolar-se em torno do feto. É importante fazer o pronto reconhecimento do prolapso do cordão umbilical, pois, na 
apresentação, este pode ficar comprimido entre a parte do corpo do feto e a 
pelve óssea da mãe, causando hipóxia fetal ou anóxia. Quando a deficiência de oxigênio persiste por mais de 5 
minutos, o cérebro da criança pode ser lesado, produzindo retardo mental. Um cordão muito curto pode causar a 
separação prematura da placenta da parede do útero durante o parto. 
 Usualmente, o cordão umbilical tem duas artérias e uma veia envolvidas por tecido conjuntivo mucóide (geleia de 
Wharton). Como os vasos são mais compridos do que o cordão, é comum a sua torção ou ílexão. Freqüentemente eles 
formam alças produzindo falsos nós, destituídos de significado clínico; entretanto, em cerca de 1% das gestações, nós 
verdadeiros formam-se no cordão, podendo ficar apertados e causar morte fetal resultante da anóxia fetal. Na maioria dos 
casos, os nós formam- se durante o parto em conseqüência da passagem do feto por uma dessas alças do cordão. 
Ocasionalmente, ocorre a passagem de uma alça do cordão em torno do feto. Em cerca de um quinto dos partos, o cordão 
forma uma alça frouxa em torno do pescoço sem aumento de risco para o feto 
 
ÂMNIO E LÍQUIDO AMNIÓTICO 
 O âmnio, delgado, porém firme, forma o saco amniótico membranoso cheio de fluido, que envolve o embrião e o 
feto. Como o âmnio está preso às bordas do disco embrionário, após o dobramento do embrião, sua junção com o mesmo 
(futuro umbigo) passa a localizar-se na superfície ventral. Com o aumento do âmnio, ele oblitera gradualmente a cavidade 
coriônica e forma o revestimento epitelial do cordão umbilical. 
Líquido amniótico 
 Desempenha papel importante no crescimento e desenvolvimento do embrião. No inicio, um pouco de líquido 
amniótico pode ser secretado pelas células amnióticas; mas, a maior parte desse fluido provém do fluido tecidual materno 
e amniótico por difusão através da membrana amniocoriônica a partir da decídua parietal. Mais tarde, há difusão de líquido, 
través da placa coriônica a partir do sangue presente nos espaços intervilosos da placenta. Antes de a pele tornar-se 
queratinizada, a principal via para a passagem de água e solutos do fluido tissular do feto para a cavidade amniótica é a pele; 
logo, o líquido amniótico é semelhante ao fluido dos tecidos fetais. O líquido também é secretado pelo trato respiratório 
fetal e vai para a cavidade amniótica, este trato contribui com uma taxa diária de 300 a 400 mL de fluido para a cavidade 
amniótica. No início da 11a semana, o feto contribui para o líquido amniótico expelindo urina na cavidade amniótica. No 
final da gravidez, cerca de 500 mL de urina é acrescentado diariamente. Normalmente, o volume de líquido amniótico 
aumenta lentamente, chegando a cerca de 30 mL com 10 semanas, 350 mL com 20 semanas e de 700 a 1.000 mL com 37 
semanas. 
Circulação do líquido amniótico 
 O conteúdo de água do líquido amniótico é trocado a cada 3 horas. Grande quantidade de água passa pela 
membrana amniocoriônica para o fluido tecidual materno e daí para os capilares uterinos. Também há troca de fluido com 
o sangue fetal através do cordão umbilical e no local onde o âmnio adere à placa coriônica na superfície fetal da placenta; 
assim, o líquido amniótico fica em equilíbrio com a circulação fetal. O líquido amniótico é deglutido pelo feto e absorvido 
pelos tratos respiratório e digestivo. Foi calculado que, durante os estágios finais da gravidez, o feto deglute mais de 400 mL 
de líquido amniótico por dia. O fluido passa para o sangue fetal, e os produtos de excreção nele contidos atravessam a 
membrana placentária e vão para o sangue materno presente no espaço interviloso. O excesso de água do sangue fetal é 
excretado pelos rins do feto e retorna para o saco amniótico através do trato urinário fetal. 
Composição do líquido amniótico 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 O líquido amniótico é uma solução na qual material não dissolvido está suspenso; por exemplo, células epiteliais 
fetais descarnadas e partes aproximadamente iguais de sais orgânicos e inorgânicos. Metade dos constituintes orgânicos é 
proteína; a outra metade consiste em carboidratos, gorduras, enzimas, hormônios e pigmentos. Com o avanço da gravidez, 
sua composição muda pelo acréscimo de excretas fecais (mecônio [fezes fetais] e urina). Como a urina vai para o líquido 
amniótico, é possível estudar sistemas enzimáticos, aminoácidos, hormônios e outras substâncias fetais no fluido removido 
por amniocentese, este estudo possibilita diagnosticar anormalidades cromossômicas, como na trissomia do 21 (síndrome 
de Down). Além disso, estudos de diagnóstico molecular podem ser realizados no DNA extraído de células fetais, caso haja 
uma história familiar ou indicação clínica de certos distúrbios genéticos. Altos níveis de alfafetoproteína (AFP) no líquido 
amniótico usualmente indicam a presença de um defeito grave do tubo neural. Baixos níveis de AFP podem indicar 
aberrações cromossômicas como trissomia do 21. 
Significado do líquido amniótico 
 O embrião, suspenso pelo cordão umbilical, flutua livremente no líquido amniótico. Esse líquido tem funções 
críticas para o desenvolvimento normal do feto. O líquido amniótico: 
• Permite o crescimento externo simétrico do embrião e do feto. 
• Age como uma barreira contra infecções. 
• Permite o desenvolvimento normal dos pulmões fetais. 
• Impede a aderência do âmnio ao embrião e ao feto. 
• Por difundir os impactos recebidos pela mãe, acolchoa o embrião e o feto contra lesões. 
• Ajuda a controlar a temperatura corporal do embrião, mantendo uma temperatura relativamente constante. 
• Capacita o feto a mover-se livremente, ajudando, dessa maneira, o desenvolvimento dos membros, por exemplo. 
• Participa da manutenção da homeostasia dos fluidos e eletrólitos. 
 
 
 
O SACO VITELINO (OU VESÍCULA UMBILICAL) 
 Pode ser observado no US início da quinta semana. Com 32 dias, o saco vitelino é grande. Com 10 semanas, o saco 
vitelino fica reduzido a um resquício piriforme com cerca de 5 mm de diâmetro e está ligado ao intestino médio por um 
estreito pedículo vitelino. Com 20 semanas, o saco vitelino é muito pequeno; depois disso, usualmente ele não é visível. A 
presença dos sacos amniótico e vitelino permite o reconhecimento precoce e a medida do embrião. O saco vitelino é 
reconhecível ao exame por US até o fim do primeiro trimestre. 
Significado do Saco Vitelino 
 Apesar de o saco vitelino não ser funcional no que diz respeito ao armazenamento de vitelo (daí a mudança do 
nome), sua presença é essencial por várias razões: 
• Ele desempenha um papel na transferência de nutrientes para o embrião durante a segunda e a terceira semana, quando 
a circulação uteroplacentária está sendo estabelecida. 
• A formação de sangue ocorre primeiro no mesoderma extraembrionário bem vascularizado que cobre a parede do saco 
vitelino no início da terceira semana e continua a se formar ali até a atividade hematopoética iniciar-se no fígado, durante a 
sexta semana. 
• Durante a 4a semana, o endoderma do saco vitelino é incorporado pelo embrião, formando o intestino primitivo. Seu 
endoderma, derivado do epiblasto, dá origem ao epitélio da traquéia, dos brônquios, dos pulmões e TGI. 
• Células germinativas primordiaisaparecem no revestimento endodérmico da parede do saco vitelino na 3a semana e 
subseqüentemente migram para as glândulas sexuais em desenvolvimento. Elas se diferenciam nas células germinativas 
(espermatogônias nos homens e ovogônias nas mulheres). 
Destino do Saco Vitelino 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 Com 10 semanas, o pequeno saco vitelino está localizado na cavidade coriônica, entre os sacos amniótico e 
coriônico. Com o avanço da gravidez, ele se atrofia e torna-se muito pequeno. Em casos raros, o saco vitelino persiste durante 
toda a gravidez e aparece sob o âmnio como uma pequena estrutura na superfície fetal da placenta, perto da inserção do 
cordão umbilical, sua persistência não tem qualquer significado. Usualmente, o saco vitelino se destaca da alça do intestino 
médio no fim da 6a semana. Em cerca de 2% dos adultos, a parte proximal intra-abdominal do saco vitelino persiste como 
um divertículo ileal. 
 
O ALANTOIDE 
 Durante a terceira semana, ele aparece como um divertículo, semelhante a uma salsicha, da parede caudal do saco 
vitelino que se projeta para dentro do pedículo do embrião. Durante o 2o mês, a parte extra-embrionária do alantóide 
degenera. Apesar de o alantóide não ser funcional nos embriões humanos, ele é importante por 3 razões: 
• A formação de sangue ocorre em sua parede, da terceira à quinta semana. 
• Seus vasos sangüíneos persistem como veia umbilical e artérias umbilicais. 
• A porção intra-embrionária do alantóide vai do umbigo à bexiga, com a qual ele está em continuidade. Com o crescimento 
da bexiga, o alantóide involui, tornando-se um tubo espesso, o úraco, que depois do nascimento transforma-se em um 
cordão fibroso, o ligamento umbilical mediano, que se estende do ápice da bexiga até o umbigo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e Formação - Tutoria 4 intermediária 
 
1- Explicar doenças infectocontagiosas perinatais. 
 
HIV 
 A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é doença causada por retrovírus (HIV) de transmissão sexual e 
parenteral. A transmissão materno-fetal (transmissão vertical) do vírus pode ocorrer por via transplacentária, intraparto por 
inoculação direta ou através da amamentação. A carga viral elevada é o principal fator de risco associado à transmissão 
vertical do HIV. 
Diagnóstico: 
- Solicitar de rotina o teste Elisa para HIV na primeira consulta pré-natal. 
- Em caso de positividade do Elisa, é obrigatória a solicitação de Western-blot (para confirmação do diagnóstico). 
- Caso se confirme a presença do HIV no organismo materno, deve-se encaminhar a gestante para acompanhamento em 
centros especializados no controle e tratamento da Aids. OBS.: Não é indicada a invasão do ambiente fetal (amniocentese, 
cordocentese) para o diagnóstico da infecção no concepto pelo significativo risco de contágio do feto nesses procedimentos. 
Conduta: 
 As taxas de transmissão vertical do HIV, sem qualquer intervenção durante a gestação, situam-se entre 25% e 30%. 
Com a utilização de profilaxia, essas taxas podem chegar a valores abaixo de 1%-2%. Toda gestante infectada pelo HIV deve 
receber terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação. A indicação de TARV na gestação pode ter dois objetivos: 
- Profilaxia da transmissão vertical – ou seja, gestante infectada, que não usa antirretroviral e não necessita de tratamento 
para sua própria saúde. 
- Tratamento da infecção pelo HIV – presença de indicações para tratamento da mulher (objetivo de tratar a doença e/ou 
reduzir o risco de progressão). 
 Deve-se solicitar no pré-natal a contagem de CD4 para estimar o grau de imunossupressão existente. Profilaxia da 
transmissão vertical: 
 Recomendada para gestantes assintomáticas e com LT-CD4+ ≥ 350 céls./mm3 (dano imunológico é pequeno ou 
ausente), que não possuem, portanto, indicação de tratar a infecção pelo HIV. O início do esquema deve ser precoce, após 
o primeiro trimestre, entre a 14ª e a 28ª semana de gravidez. 
Recomendações para profilaxia da transmissão vertical do HIV: 
- Profilaxia antirretroviral durante a gestação e parto; 
- Profilaxia antirretroviral no recém-nascido; 
- Cesárea eletiva (antes de início do trabalho de parto). Indicada para gestantes soropositivas que: receberam esquema 
antirretroviral inadequado; ou apresentam carga viral ≥ 1.000 cópias/ml ou desconhecida, a partir de 34 semanas. 
- Evitar bolsa rota por mais de quatro horas; 
- Evitar trabalho de parto prolongado e episiotomia; 
- Inibição de lactação. 
Tratamento da infecção pelo HIV: 
 Mulheres que apresentam repercussão clínica e/ou imunológica grave da infecção do HIV têm indicação de 
tratamento, independentemente da gravidez e em qualquer idade gestacional. 
- Gestantes sintomáticas ou assintomáticas com contagem de LT-CD4+ ≤ 350 céls./mm3 apresentam critérios de início de 
tratamento, conforme recomendado para adultos que vivem com HIV, devendo iniciá-lo com o objetivo de tratar a doença 
ou reduzir o risco de sua progressão. 
- Gestantes assintomáticas com contagem de LT-CD4+ entre 200 e 350 céls./mm3 – o tratamento poderá ser postergado 
para após a 14ª semana de gestação, considerando a relação risco-benefício. 
- Quanto mais próxima de 200 céls./mm3 estiver a contagem de LT-CD4+, maior será a necessidade de início precoce da 
terapia devido ao maior risco de progressão da doença. 
OBS.: Sempre que houver indicação de TARV na gestação, esta deverá ser mantida (e readequada, se necessário) após o 
parto. 
Terapia antirretroviral recomendada na gestação – anteparto 
 Utilizar esquema antirretroviral composto por três antirretrovirais de duas classes diferentes, seja para profilaxia 
ou tratamento. 
- Inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleosídeos (ITRN): A associação zidovudina/lamivudina (AZT/3TC) é a 
mais estudada em gestantes infectadas pelo HIV, recomenda-se evitar o uso de AZT em casos de anemia (Hb < 8 g/dl) e/ou 
neutropenia (neutrófilos < 1.000 céls./mm3. A lamivudina habitualmente é bem tolerada, sendo rara a ocorrência de efeitos 
- Inibidor da Protease (IP): IP de escolha para terapia inicial deve ser o lopinavir/rotinavir (LPV/r), com base na sua maior 
experiência de uso, na alta potência de supressão viral e no perfil de segurança na gestação. O ritonavir (r) age como 
adjuvante farmacológico potencializando o efeito do IP. 
- Inibidores de transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos (ITRNN): a nevirapina (NVP) continua sendo a opção dessa 
classe, devido ao potencial teratogênico do efavirenz (EFZ). 
 Os efeitos adversos mais comuns nas primeiras semanas de tratamento antirretroviral são semelhantes àqueles 
que ocorrem com os adultos em geral. 
Terapia antirretroviral recomendada no parto-intraparto: 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
- Todas as gestantes, independentemente do tipo de parto, devem receber AZT intravenoso (IV) desde o início do trabalho 
de parto ou pelo menos três horas antes da cesárea eletiva, a ser mantido até o clampeamento do cordão umbilical. 
- Durante o trabalho de parto, ou no dia da cesárea programada, manter os medicamentos antirretrovirais (ARV) orais 
utilizados pela gestante, nos seus horários habituais, independentemente do jejum, ingeridos com pequena quantidade de 
água, inclusive durante o período de infusão venosa da zidovudina (AZT). A única droga que deve ser suspensa até 12 horas 
antes do início do AZT intravenoso é a d4T (estavudina). 
Conduta no parto: 
- A condução no parto de pacientes soropositivas deve obedecer, com rigor, às normas gerais de proteção do profissional 
que atende à paciente para evitar sua exposição ao sangue e fluidos corporais. 
- Gestantes com contagem plasmática do RNA viral (carga viral) ≥ 1.000 cópias/ml perto do momentodo parto (após 34 
semanas) ou desconhecida – agendar cesariana com 38 semanas de gestação. 
- Evitar tempo de amniorrexe superior a quatro horas. 
- Proibir a mãe de amamentar e orientá-la sobre os cuidados necessários para evitar a exposição do recém-nato ao seu 
sangue e fluidos corporais. 
 
CITOMEGALOVÍRUS 
 A citomegalovirose é atualmente a infecção congênita mais comum nos países desenvolvidos, ocorrendo em até 
2,2% dos nascidos vivos. Seu agente etiológico, o citomegalovírus (CMV), pertence ao gênero Citomegalovirus, subfamília ß-
Herpesvirinae da família Herpesviridae. A soroconversão ocorre em 1% a 4% das gestações. A maior parte das primoinfecções 
pelo citomegalovírus se dá na infância. Portanto, o maior fator de risco para gestantes não imunes é o contato íntimo com 
crianças pequenas. Os profissionais de saúde e que lidam com o cuidado infantil constituem grupos de risco ocupacional. O 
baixo nível socioeconômico também é relacionado com maior taxa de soroconversão na gravidez. 
 As medidas preventivas incluem: evitar o contato com a saliva e urina de crianças pequenas e boa higienização das 
mãos após a troca de fraldas. A maioria das infecções é assintomática, porém algumas pessoas podem experimentar 
síndrome mononucleose-like com febre persistente, linfadenopatia cervical, mialgia, astenia e, raramente, pneumonia ou 
hepatite. Depois da infecção aguda, primária, o vírus assume um estado latente e pode voltar a se ativar, mesmo em pessoas 
imunocompetentes, o que é definido com infecção secundária. Além disso, existem vários subtipos que infectam humanos, 
podendo ocorrer nova infecção. 
 A infecção fetal ocorre por transmissão transplacentária do vírus. Após a infecção primária, 30% a 40% evoluirão 
com transmissão para o feto, o que ocorre apenas em 1% das infecções secundárias. Dentre os fetos infectados, 10% a 15% 
terão sintomas ao nascer, tais como baixo peso, anemia, icterícia, microcefalia, hepatoesplenomegalia, coriorretinite, 
trombocitopenia, e 20% a 30% destes irão morrer. A maioria dos fetos acometidos (85% a 90%) é assintomática ao 
nascimento. Porém 5% a 15% deles desenvolverão sequelas, tais como atraso do desenvolvimento psicomotor, deficiência 
auditiva neurossensorial e deficiência visual. 
Diagnóstico 
 É feito quando se observa soroconversão durante a gestação ou quando se detecta IgM específica no soro materno 
com IgG com baixa avidez. Mulheres soroconvertidas previamente que apresentem títulos crescentes de IgG e com alta 
avidez, com ou sem IgM positivo, são classificadas com tendo infecção recorrente. Uma vez que o rastreamento da infecção 
pelo CMV não é recomendado atualmente, o diagnóstico sorológico pode ser feito apenas na investigação de achados 
sugestivos de infecção fetal à ultrassonografia ou no caso de quadro infeccioso materno. O rastreamento pode ser 
considerado em mulheres com risco ocupacional e mães de crianças pequenas. Diagnóstico fetal Uma vez que a infecção é 
materna, os pais devem ser informados do risco de 30% a 40% de infecção fetal e de 20% a 25% de sequelas pós-natais em 
fetos afetados. A ultrassonografia pode mostrar achados sugestivos da infecção fetal mas estes só estão presentes em 25% 
dos casos. 
 
 O diagnóstico fetal deve se basear no isolamento do CMV em cultura celular ou PCR para identificação do DNA viral 
a partir de amostras do líquido amniótico. A amniocentese deve ser realizada a partir de sete semanas da infecção materna 
e somente após 21 semanas de idade gestacional – tempo necessário para que o CMV se replique nos rins e seja excretado 
na urina em quantidade suficiente para garantir a alta sensibilidade do exame. Embora o risco de infecção fetal seja 
substancialmente menor na infecção recorrente (1%), os pais devem ser informados sobre o mesmo e o diagnóstico fetal 
invasivo pode ser considerado, uma vez que existem relatos na literatura de sequelas pós-natais também nestes casos. Uma 
limitação do diagnóstico fetal invasivo é que ele não prediz o grau de acometimento fetal. 
 Ultrassonografias seriadas a cada duas a quatro semanas podem identificar alterações que ajudem no prognóstico 
fetal. O papel da ressonância magnética como complementar da ultrassonografia na avaliação das lesões do sistema nervoso 
e seu prognóstico ainda não foi estabelecido. Assim também, o papel da carga viral no líquido amniótico, estimado pelo PCR 
quantitativo, necessita de maior investigação. Tratamento Não existe ainda tratamento comprovadamente eficaz para o 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
CMV. Um estudo de corte multicêntrico mostrou bons resultados com o uso de imunoglobulina hiperimune em gestantes 
com infecção comprovada, tanto na prevenção da transmissão fetal quanto na diminuição das manifestações clínicas pós-
natais. Esses resultados promissores precisam ser confirmados em ensaio clínico controlado para que o tratamento possa 
ser incorporado à prática clínica. Quanto ao tratamento pós-natal, resultados limitados foram demonstrados com o uso de 
ganciclovir, com melhora das sequelas auditivas em crianças sintomáticas. 
 
 
HEPATITE B 
 A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado, causando tanto doença aguda quanto crônica. É transmitida 
pelo contato com sangue ou outras secreções de indivíduos contaminados. Estima-se que no mundo dois bilhões de pessoas 
já tiveram contato com o vírus e cerca de 350 milhões vivem com a forma crônica da doença, que tem alta morbimortalidade 
por predispor à cirrose hepática e ao hepatocarcinoma. 
 A chance de evolução da hepatite B para a forma crônica é inversamente proporcional à idade no contágio. Cerca 
de 90% dos infectados no primeiro ano de vida irão desenvolvê-la. A transmissão perinatal tem importante participação 
nessa faixa etária e responde por 30% a 40% dos indivíduos com doença crônica nos EUA. Diagnóstico 
 É sorológico e o principal marcador é o antígeno de superfície do vírus (HBsAg). Este teste tem alta sensibilidade e 
especificidade. O rastreio de todas as gestantes é recomendado uma vez que a vacinação do recém-nato associada à 
administração de imunoglobulina específica diminui significativamente o risco de transmissão vertical. A pesquisa do HbsAg 
deve ser solicitada na primeira consulta pré-natal. Pode ser considerada a vacinação durante a gestação para as mulheres 
sob risco contínuo de contágio. 
Tratamento 
 Para a hepatite B crônica em atividade consiste na administração de interferon e antivirais. O interferon é 
contraindicado na gestação. Dentre os antivirais, a lamivudina e o tenofovir são considerados seguros. É indispensável o 
acompanhamento em conjunto com o infectologista ou hepatologista. 
Tratamento neonatal 
 Os recém-natos de mães infectadas devem receber a vacina para hepatite B e a imunoglobulina anti-HBV nas 
primeiras 12 horas após o nascimento. A imunoglobulina pode ser administrada até sete dias após o nascimento, para 
aqueles com mães HBsAg positivo desconhecido no momento do parto. Atualmente, a amamentação é considerada segura, 
pois não há diferença na transmissão vertical com ou sem aleitamento materno. Prevenção Aconselha-se profilaxia da 
doença ao se vacinar toda a população suscetível. A vacina contra hepatite B está liberada para uso na gestação. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
Clamídia 
 Doença conhecida desde a Antiguidade. DST extremamente comum, produzindo danos em órgãos reprodutivos 
masculinos e femininos. As causadoras são bactérias do gênero Chlamydia: C. trachomatis, C. psittaci, C. pneumoniae, C. 
pecorum, principalmente a Chlamydia trachomatis: bactérias obrigatoriamente intracelulares. 
 
Doenças causadas por C. trachomatis 
 
Clínica 
 As principais conseqüências da infecção por C. trachomatis: uretrites, salpingites, cervicites mucopurulentas, PID, 
SARA, linfogranuloma venéreo, abortos precoces e tardios, partos prematuros, natimortos, gravidezectópica, esterilidade. 
É um cofator do HPV para induzir carcinomas invasivos de células escamosas. Além de que a infecção pela bactéria pode 
diminuir síntese de hormônios importantes na fixação do zigoto e manutenção de gestação, relacionando o aborto. 
Recém-nascidos 
 A transmissão é vertical pelo canal do parto. Pode ocorrer em 45% das cesáreas com ruptura prematura de > 12h. 
O RN de mãe com infecção por C. trachomatis tem: 60-70% de risco para doença sendo 25-50% p/ conjuntivite e 10-20% 
para pneumonia. Quando o quadro é ocular, surge em 5-12 dias do nascimento, quando pulmonar, antes da 8a semana, 
podendo evoluir como Doença pulmonar crônica. 
Infecção ocular 
 Inicialmente o acometimento é unilateral com posterior evolução contra-lateral, há pouco acometimento das 
córneas. Se não tratado pode evoluir para cicatrizes prejudiciais a visão. Terapia tópica, ao nascimento, ajuda mas a infecção 
pode ainda ocorrer em 20% dos RN pois não previne a infecção de orofaringe. A eritromicina em combinação com nitrato de 
prata parece ser mais efetiva do que o nitrato isolado. 
Infecção pulmonar 
 Ocorre em 10-20% de RN´s de mães portadoras. A nasofaringe posterior é local preferência de replicação. Uma 
história de conjuntivite não é pré-requisito para pneumonia. 
Chlamydia 
trachomatis 
Doenças agudas Seqüelas/ Doenças crônicas 
Sorotipos 
A-C 
 
 
Sorotipos 
D-K 
 
 
Sorotipos 
LGV 
Conjuntivite 
 
 
Uretrites, cervicites 
Doenças oftálmicas 
neonatais 
 
 
Linfogranuloma 
Venéreo 
Tracoma 
 
 
Proctites, epididimites, Síndrome de Reiter (artrite infecciosa), 
Doença Pélvica Inflamatória (PID), gravidez ectópica, infertilidade 
tubárea 
Pneumonia neonatal 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Diagnóstico 
 Consiste na detecção de anticorpos, antígenos, biologia molecular, culturas; EIA com resultados similares à técnicas 
de MIF, com vantagens de ser menos laboriosos e com menor custo. Para detecção de Ac, são usadas medidas de IgA, IgM 
ou altos títulos de IgG; porém em infecções recorrentes, IgM são frequentemente indetectáveis. 
 
2- Descrever a fisiopatologia da sífilis, rubéola e toxoplasmose (conduta, exames, tratamento). 
 
SÍFILIS 
 Doença sistêmica, causada pelo Treponema pallidum, a sífilis, quando presente na gestação, é capaz de causar 
dano fetal com importante morbimortalidade. Atualmente é dividida em estágio: 
 
 
-> Sífilis congênita: Transmissão vertical 
 A presença de infecção primária pode atingir 100% de contaminação fetal nos casos de gestante infectada sem 
diagnóstico e tratamento pré-natal. Quando diagnosticada na gravidez e adequadamente tratada, a taxa de transmissão se 
reduz para 1%-2%. 
 
 
 
Rastreio pré-natal: 
a) captação precoce da gestante para o início do pré-natal; 
b) realização de, no mínimo, seis consultas com atenção integral qualificada; 
c) realização do VDRL no primeiro trimestre da gestação, idealmente na primeira consulta, e de um segundo teste em torno 
da 28ª semana com ações direcionadas para busca ativa a partir dos testes reagentes (recém-diagnosticadas ou em 
seguimento); 
d) instituição do tratamento e seguimento adequados da gestante e do(s) seu(s) parceiro(s), abordando os casos de forma 
clínico-epidemiológica; 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
e) documentação dos resultados das sorologias e tratamento da sífilis na carteira da gestante; f) notificação dos casos de 
sífilis congênita. 
 Além disso, as medidas de controle, envolvendo a realização do VDRL, devem abranger também outros momentos, 
nos quais há possibilidade de a mulher infectar-se, ou, estando infectada, transmitir a doença para o filho: antes da gravidez 
e na admissão na maternidade, seja para a realização do parto ou para curetagem pós-aborto, seja por qualquer outra 
intercorrência durante a gravidez. 
 Lembrar que se deve rastrear toda gestante com óbito fetal após a 20ª semana: 
- Gestantes soropositivas devem ser consideradas infectadas, a menos que o tratamento adequado seja comprovado e seja 
detectada queda do título dos anticorpos. 
- A persistência de altos títulos sugere reinfecção. 
Tratamento 
- Tratamento imediato dos casos diagnosticados em gestantes e seus parceiros. 
- Tratamento do parceiro: é imperiosa a realização do tratamento, mesmo na impossibilidade da realização do seu 
diagnóstico laboratorial, em razão da definição de caso de sífilis congênita incluir o não tratamento do parceiro entre seus 
critérios por caracterizar tratamento materno inadequado. 
- Gestantes ou nutrizes comprovadamente alérgicas à penicilina, após teste de sensibilidade à penicilina, devem ser 
dessensibilizadas e mais tarde tratadas com penicilina. 
- Reforçar a orientação sobre os riscos relacionados à infecção pelo T. pallidum por meio da transmissão sexual para que as 
mulheres com sífilis e seu(s) parceiro(s) evitem relações sexuais durante o tratamento ou mantenham práticas sexuais 
utilizando preservativos, durante o tratamento. 
- Recomendar o uso regular do preservativo (masculino ou feminino) também no período pós-tratamento. 
- Realizar o controle de cura mensal por meio do VDRL, considerando resposta adequada ao tratamento o declínio dos títulos 
em três vezes. 
- A elevação de títulos em quatro ou mais vezes (exemplo: de 1:2 para 1:8), acima do último VDRL realizado, justifica um 
novo tratamento; deve-se verificar se o tratamento do parceiro foi realizado. 
- Situações em que a gestante apresente-se na fase secundária da doença, a primeira dose do tratamento deverá ser 
realizada, idealmente, em ambiente hospitalar devido à possibilidade de desenvolvimento da Reação de Jarish-Herxheimer, 
em que os principais sinais e sintomas são: febre, calafrios, mialgia, dor de cabeça, hipotensão, taquicardia e acentuação das 
lesões cutâ- neas. Esta reação inicia-se, geralmente, entre duas a quatro horas após o tratamento com penicilina, podendo 
durar de 24 a 48 horas), com risco potencial de abortamento. 
- Gestantes com diagnóstico de sífilis e titulação elevada ou tratadas no final do segundo ou no terceiro trimestre devem ser 
submetidas à ultrassonografia obstétrica para avaliação fetal 5. 
- Após o tratamento adequado, os testes não treponêmicos na sífilis primária e secundária devem declinar cerca de quatro 
vezes após três a seis meses e oito vezes após seis a 12 meses, com níveis não reativos após os 12 meses. Na infecção latente 
precoce, a queda de quatro vezes no título ocorre, em geral, após um ano. Pacientes tratadas no estágio latente tardio ou 
que tiveram múltiplos episó- dios de sífilis podem mostrar um declínio mais gradual dos títulos. 
Tratamento adequado: É o completo, adequado ao estágio da doença, feito com penicilina e finalizado pelo menos 30 dias 
antes do parto, tendo sido o parceiro tratado concomitantemente. 
Falha terapêutica 
 Cerca de 14% das gestantes podem apresentar falência no tratamento, com consequente risco de interrupção da 
gravidez ou nascimento de crianças com sífilis congênita. Os fatores importantes implicados na falência terapêutica são: 
coinfecção sífilis-HIV; os estágios precoces da sífilis; altos títulos de VDRL no momento do tratamento e parto; parto 
prematuro (< 36 semanas); severidade da doença fetal: hidropsia, hepatomegalia, placentomegalia, ascite e elevação das 
transaminases fetais; tratamento após 24 semanas; esquema terapêutico reduzido: 1 dose de penicilina benzatina em sífilis 
precoce. 
 
Tratamento do recém-nato 
- A - Nos recém-nascidos de mães com sífilis não tratada ou com tratamento inadequado, independentemente do resultado 
do VDRL do recém-nascido, realizar: hemograma, radiografia de ossos longos, punção lombar (na impossibilidade de realizar 
este exame, tratar o caso como neurossífilis), e outros exames, quando clinicamente indicados. De acordo com a avaliação 
clínica e de exames complementares;Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
- A1- se houver alterações clínicas e/ou sorológicas e/ou radiológicas e/ou hematológicas, o tratamento deverá ser feito com 
penicilina G cristalina na dose de 50.000 UI/ kg/dose, por via endovenosa, a cada 12 horas (nos primeiros sete dias de vida) 
e a cada oito horas (após sete dias de vida), durante dez dias; ou penicilina G procaína 50.000 UI/kg, dose única diária, IM, 
durante dez dias; 
- A2 - se houver alteração liquórica, o tratamento deverá ser feito com penicilina G cristalina 6, na dose de 50.000 UI/kg/dose, 
por via endovenosa, a cada 12 horas (nos primeiros sete dias de vida) e a cada oito horas (após sete dias de vida), durante 
dez dias; 
- A3 - se não houver alterações clínicas, radiológicas, hematológicas e/ou liquóricas, e a sorologia for negativa, deve-se aplicar 
o tratamento com penicilina G benzatina por via intramuscular na dose única de 50.000 UI/kg. O acompanhamento é 
obrigatório, incluindo o seguimento com VDRL sérico após conclusão do tratamento. 
 Sendo impossível garantir o acompanhamento, o recém-nascido deverá ser tratado com o esquema A1. 
- B - nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas: realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém- -
nascido; se este for reagente com titulação maior do que a materna, e/ou na presença de alterações clínicas, realizar 
hemograma, radiografia de ossos longos e análise do LCR: 
- B1 - se houver alterações clínicas e/ou radiológicas, e/ou hematológica sem alterações liquóricas, o tratamento deverá ser 
feito como em A1; 
- B2 - se houver alteração liquórica, o tratamento deverá ser feito como em A2; 
- C - Nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas: realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém-
nascido:  C1 - se for assintomático e o VDRL não for reagente, proceder apenas ao seguimento clínico-laboratorial. Na 
impossibilidade de garantir o seguimento 8, deve-se proceder o tratamento com penicilina G benzatina, IM, na dose única 
de 50.000 UI/kg. 
- C2 - se for assintomático e tiver o VDRL reagente, com título igual ou menor que o materno, acompanhar clinicamente. Na 
impossibilidade do seguimento clínico, investigar e tratar como A1 (sem alterações de LCR) ou A2 (se houver alterações no 
LCR). 
 
 
TOXOPLASMOSE 
 Parasitose de registro frequente, causada pelo Toxoplasma gondii, a toxoplasmose pode acometer o feto de 
mulheres infectadas durante a gestação. Embora a transmissão vertical ocorra em cerca de um terço dos fetos das gestantes 
afetadas e a grande maioria destes permaneça assintomática após o nascimento, até 4% evoluirão com óbito ou sequelas, 
como deficiência neurológica ou visual grave. 
 A infecção é adquirida pela ingestão dos oocistos excretados nas fezes dos gatos (hospedeiro definitivo), que 
contaminam o solo ou a água, ou pela ingestão de cistos que permanecem viáveis na carne mal cozida dos hospedeiros 
intermediários, como gado, suínos ou ovinos. A prevalência mundial da toxoplasmose é bastante variável, chegando a até 
90% da população em algumas regiões. No Brasil, a prevalência de mulheres em idade reprodutiva soroconvertidas é de 60% 
a 65%. A incidência da toxoplasmose aguda é estimada em 5/1.000 gestações, em estudos brasileiros, com taxas de 
transmissão vertical em torno de 10% a 20%. 
Prevenção 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 Durante a gestação pode ser feita a partir de medidas ambientais e alimentares. Medidas ambientais: evitar mexer 
em jardins sem luvas e sempre lavar as mãos logo depois; trocar a caixa de areia dos gatos diariamente; não alimentar o gato 
com carne crua ou parcialmente cozida; manter o gato dentro de casa para que não cultive o hábito da caça; combater 
baratas e outros insetos. Medidas alimentares: não ingerir carne crua ou parcialmente cozida; lavar cuidadosamente frutas 
e verduras antes de ingeri-las, e dar preferência a ingeri-las cozidas e descascadas; lavar bem as mãos e utensílios de cozinha 
com água morna após o contato com carne crua. Diagnóstico 
 Uma vez que a infecção sintomática é muito rara em adultos imunocompetentes, o diagnóstico é feito pelo 
rastreamento sorológico na gestação. Mulheres não soroconvertidas, ou seja, com IGM e IgG negativos, devem receber 
orientação sobre a prevenção e ter sua sorologia repetida uma vez a cada trimestre. O diagnóstico da infecção na gravidez é 
feito quando se documenta a soroconversão durante o período gestacional, com IgM positivo. Quando o primeiro exame na 
gestação é positivo, pode-se utilizar o teste de avidez da IgG, que diferencia a infecção com mais ou menos de quatro meses 
de evolução. Embora não seja comum, a IgM pode permanecer positiva no soro por mais de 18 meses, o que torna difícil em 
algumas situações caracterizar se a infecção foi anterior ou posterior à gestação. 
 O tratamento e a investigação fetal deverão se basear no grau de probabilidade de que a infecção tenha se dado 
durante a gravidez. As categorias diagnósticas abaixo foram propostas a partir da probabilidade de infecção, e adotadas pelo 
European Research Network on Congenital Toxoplasmosis. 
 
 
Diagnóstico fetal 
 Com o aumento da idade gestacional, a taxa de transmissão aumenta, devido ao aumento da circulação 
placentária; a gravidade do acometimento fetal diminui. Quando ocorre a infecção aguda na gestação, deve-se oferecer o 
diagnóstico fetal invasivo. Após 15 semanas de idade gestacional, é possível detectar o Toxoplasma gondii no líquido 
amniótico por PCR (polimerase chain reaction) com alta sensibilidade. A ultrassonografia pode evidenciar sinais de 
toxoplasmose fetal, tais como placentomagalia, hidrocefalia, calcificações cerebais ou hepáticas, ascite fetal, hepatomegalia. 
No entanto, a ultrassonografia normal não exclui a infecção fetal. 
Tratamento 
 Na gestação objetiva a diminuição da transmissão vertical e das sequelas pós-natais da infecção fetal, e deve ser 
mantido até o parto. A droga de escolha para a prevenção da transmissão maternofetal é a Espiramicina, na dose de 3 g 
diários divididos em três doses. Esta droga alcança níveis terapêuticos no tecido placentário, mas não na circulação fetal. 
Uma vez que a infecção fetal seja diagnosticada, o tratamento recomendado é a associação de Sulfadiazina, 3 g diários, com 
a Pirimetamina, 25 mg diários. Deve-se associar o ácido folínico, 10 mg diários, para prevenção da anemia decorrente da 
depressão medular das drogas antifolato. Este esquema deve ser suspenso com 34 semanas (mantendo-se exclusivamente 
a espiramicina). 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
RUBÉOLA 
 Doença viral comum na infância, cujo vírus pertence à família togaviridae, a rubéola, em geral, é uma doença 
autolimitada com sintomas leves. Quando ocorre durante a gestação, no entanto, pode ter efeitos devastadores no 
desenvolvimento fetal. 
Diagnósticos 
- Diagnóstico clínico: A rubéola é transmissível de sete dias antes do exantema até sete dias depois. O período de incubação 
pode variar de 12 a 23 dias. O quadro clínico é caracterizado por exantema maculopapular e puntiforme difuso (rash 
cutâneo), iniciando-se na face, couro cabeludo e pescoço, espalhando-se posteriormente para o tronco e membros. Além 
disso, apresenta febre baixa e linfadenopatia retroauricular, occipital e cervical posterior, geralmente antecedendo ao 
exantema no período de cinco a dez dias, podendo perdurar por algumas semanas. Formas inaparentes são comuns, 
sobretudo em crianças. Adolescentes e adultos podem apresentar um período prodrômico com febre baixa, cefaleia, dores 
generalizadas (artralgias e mialgias), conjuntivite, coriza e tosse. A leucopenia é comum e raramente ocorrem manifestações 
hemorrágicas. Apesar de raras, complicações podem ocorrer com maior frequência em adultos, destacando-se artrite ou 
artralgia, encefalites (1 para 5 mil casos) e manifestações hemorrágicas (1 para 3 milcasos). 
 Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) Compreende os achados neonatais da rubéola congênita, inicialmente 
descrita pela presença da tríade clássica de anomalias auditivas, oftálmicas e cardíacas. Na Tabela, encontram-se as 
manifestações clínicas associadas à SRC. 
 
 A datação da infecção na gestação tem papel fundamental no aconselhamento, uma vez que a SRC depende da 
ação teratogênica do vírus no período da organogênese. Embora o risco de infecção fetal aumente com a idade gestacional, 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
chegando a 100% no termo, não há relatos de SRC quando a infecção ocorre depois da 20ª semana (Tabela 2). Não há relatos 
de SRC com infecção no período periconcepcional. 
 
- Diagnóstico laboratorial: Deve sempre ser feito na suspeição clínica de rubéola e a sorologia deve ser oferecida a todas as 
gestantes para que se conheça o estado imunológico. A infecção é diagnosticada se há: IgM especifíca positiva; aumento de 
quatro vezes do título de IgG entre as fases aguda e convalescente da doença; cultura viral positiva em espécimes do 
paciente. 
OBS.: A sorologia deve ser colhida de sete a dez dias após o início do rash cutâneo e deve ser repetida duas a três semanas 
depois. As culturas virais podem ser positivas de uma semana antes até duas semanas depois do rash. 
- Diagnóstico fetal: Poucas séries de casos publicadas mostraram bons resultados com o PCR para o vírus da rubéola em 
material fetal (biópsia de vilo corial, amniocentese). A ultrassonografia não é uma ferramenta muito confiável para afastar 
infecção em virtude da natureza das manifestações clínicas. 
Tratamento 
 Não há tratamento. O aconselhamento sobre a condução da gestação e a investigação fetal dependem da idade 
gestacional. A interrupção da gestação é uma opção quando a infecção se dá no primeiro trimestre nos países em que não 
há restrição legal. 
Prevenção 
 A vacinação não é recomendada durante a gravidez. As mulheres que pretendem engravidar devem ter seu estado 
sorológico investigado e receber a vacina caso não sejam imunes. 
 
3- Entender e explicar o exame VDRL. 
Sigla: VDRL 
Nome: VDRL - Lues 
Material: soro 
Forma de Coleta: Jejum de 4 horas. Se o exame não for realizado no mesmo dia congelar a amostra. Lipemia pode atuar 
como interferente 
 
Método: Reação de floculação com antígeno não treponêmico 
Volume: 2,0 mL 
Interpretação: Uso: diagnóstico e acompanhamento da terapêutica em pacientes com sífilis. São obtidos títulos elevados 
(>1/32) nas fases primárias ou secundárias da doença, tendendo a se normalizar após o tratamento. Títulos baixos (1/1, 
1/4) podem permanecer após o tratamento, caracterizando uma cicatriz sorológica. No líquor, um resultado VDRL 
reagente quase sempre indica uma infecção sifilítica passada ou presente no sistema nervoso central. Resultados falso-
positivos (com títulos variando de 1/1 até 1/8) podem ser observados em outras patologias (ex: doenças autoimunes). 
 Um resultado 1/64 mostra que podemos detectar anticorpos mesmo após diluirmos o sangue 64 vezes. Quanto 
maior for a diluição em que ainda se detecta o anticorpo, mais positivo é o resultado. O VDRL = 1/2 é um título mais baixo 
que 1/4, que é mais baixo que 1/8 e assim por diante. Quanto mais alto o título, mais positivo é o exame. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 5 
 
1- Entender o desenvolvimento fetal e dos anexos da 16a semana até o nascimento (nutrição, peso). 
 
Da Décima Sétima à Vigésima Semana 
 Durante este período, o crescimento fica mais lento, mas o feto ainda aumenta o CR em cerca de 50 mm. Os 
movimentos fetais (pontapés) são percebidos com maior freqüência pela mãe. Nesta época, a pele está coberta por um 
material gorduroso, com aspecto de queijo, verniz caseosa, constituída por um material gorduroso secretado pelas glândulas 
sebáceas do feto e por células mortas da epiderme que protege a delicada pele do feto contra abrasões, rachaduras e 
endurecimento, que poderiam resultar da exposição ao líquido amniótico. Com 20 semanas, também são visíveis as 
sobrancelhas e os cabelos. Geralmente, o corpo de um feto de 20 semanas está totalmente coberto por uma penugem muito 
delicada (lanugo) que ajuda a manter a verniz caseosa presa à pele. 
 A gordura parda forma-se durante este período e é o local da produção de calor, particularmente pelo recém-
nascido. Este tecido adiposo especializado produz calor pela oxidação de ácidos graxos. A gordura parda encontra-se 
principalmente na base do pescoço, posterior ao esterno, e na área perirrenal. Com 18 semanas, o útero está formado e a 
canalização da vagina já começou. Nesta época, já se formaram muitos folículos ovarianos primordiais contendo ovogônias. 
Com 20 semanas, os testículos começaram a descer, mas ainda estão localizados na parede abdominal posterior, do mesmo 
modo que os ovários nos fetos femininos. 
Da Vigésima Primeira à Vigésima Quinta Semana 
 Há um ganho substancial de peso durante este período e o feto já está mais bem proporcionado. Geralmente, a 
pele está enrugada e é mais translúcida, em especial durante a parte inicial deste período. A cor da pele é de rosa a vermelha 
em espécimes frescos, pois o sangue é visível nos capilares. Com 21 semanas, começam os movimentos rápidos dos olhos, e 
foram relatadas respostas de piscar por sobressalto, com 22 a 23 semanas. Com 
24 semanas, as células epiteliais secretoras (pneumócitos tipo II) dos septos interalveolares do pulmão começam a 
secretar o surfactante, um lipídio tensoativo que mantém abertos os alvéolos pulmonares em desenvolvimento. As unhas 
dos dedos das mãos também estão presentes com 24 semanas. Embora um feto de 22 a 25 semanas nascido 
prematuramente possa sobreviver caso receba cuidados intensivos, ele pode morrer, pois seu sistema respiratório ainda é 
imaturo. 
Da Vigésima Sexta à Vigésima Nona Semana 
 Nesta idade, um feto nascido prematuramente costuma viver caso receba cuidados intensivos, pois os pulmões já 
são capazes de respirar o ar. Os pulmões e os vasos pulmonares já alcançaram um desenvolvimento suficiente para realizar 
trocas gasosas adequadas. Além disso, o SNC já amadureceu a ponto de dirigir os movimentos respiratórios rítmicos e de 
controlar a temperatura do corpo. As maiores perdas neonatais ocorrem em crianças que nascem com peso baixo (2.500 g 
ou menos) ou muito baixo (1.500 g ou menos). Com 26 semanas, as pálpebras estão abertas e o lanugo e os cabelos estão 
bem desenvolvidos. As unhas dos dedos dos pés tornam-se visíveis, e uma quantidade considerável de gordura subcutânea 
já está presente, eliminando muitas rugas. Durante este período, a quantidade de gordura amarela aumenta para cerca de 
3,5% do peso corporal. O baço fetal torna-se um local importante de hematopoese (processo de formação e 
desenvolvimento dos vários tipos de células sanguíneas). A eritropoese no baço termina com 28 semanas, época na qual a 
medula óssea torna-se o principal local deste processo. A ressonância magnética produz imagens claras. 
Da Trigésima à Trigésima Quarta Semana 
 O reflexo pupilar dos olhos à luz pode ser induzido com 30 semanas. Geralmente, no fim deste período, a pele é 
rosada e lisa, e os membros superiores e inferiores parecem gordos. Nesta idade, a quantidade de gordura amarela é de 
cerca de 8% do peso corporal. Fetos com 32 semanas e mais velhos geralmente sobrevivem quando nascem 
prematuramente. Quando um feto com peso normal nasce durante este período, ele é considerado prematuro pela data, 
em oposição aos que são prematuros pelo peso. 
Da Trigésima Quinta à Trigésima Oitava Semana 
 Fetos com 35 semanas seguram-se com firmeza e se orientam espontaneamente à luz. Quando quase a termo, o 
sistema nervoso está suficientemente maduro para efetuar algumas funções integrativas. Durante este "período de 
acabamento", a maioria dos fetos sãogordos. Com 36 semanas, as circunferências da cabeça e do abdome são quase iguais. 
Depois disto, a circunferência do abdome pode ser maior do que a da cabeça. Com 37 semanas, geralmente o tamanho do 
pé do feto é um pouco maior do que o comprimento do fêmur e constitui um parâmetro alternativo para a confirmação da 
idade fetal. Com a aproximação do momento do nascimento, o crescimento torna-se mais lento. Quando a termo, os fetos 
normais geralmente pesam cerca de 3.400 g e têm medida CR de 360 mm. A quantidade de gordura amarela é de cerca de 
16% do peso corporal. 
 Durante estas últimas semanas da gestação, o feto ganha cerca de 14 g por dia. Em geral, ao nascimento, os fetos 
masculinos são mais compridos e pesam mais do que os femininos. O tórax é saliente e as mamas fazem leve protrusão em 
ambos os sexos. Normalmente, em fetos masculinos a termo, os testículos estão no escroto; meninos prematuros 
comumente apresentam testículos que não desceram. Apesar de a cabeça do feto a termo ser 
bem menor com relação ao resto do corpo quando comparada ao que era no início da vida fetal, ela ainda é uma das maiores 
partes do feto. 
 
 
Medidas e Características dos Fetos 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 Várias medidas e características externas são úteis para fazer uma estimativa da idade do feto. Até o final o 
primeiro trimestre, a avaliação do CR é o método preferencial para estimar a idade fetal, pois durante este período há muito 
pouca variabilidade no tamanho do feto. No segundo e terceiro trimestres, várias estruturas podem ser identificadas e 
medidas com o ultra-som, mas as medidas básicas são: 
• Diâmetro biparietal (DBP) — diâmetro da cabeça entre as duas saliências parietais. 
• Circunferência da cabeça. 
• Circunferência abdominal. 
• Comprimento do fêmur. 
• Comprimento do pé. 
 O comprimento do pé correlaciona-se bem com o CR. O peso do feto é, com freqüência, um critério útil para a 
estimativa da idade, mas pode haver discrepância entre a idade e o peso de um feto, particularmente quando a mãe teve 
distúrbios metabólicos, tais como diabetes mellitus, durante a gravidez. Nestes casos, freqüentemente o peso fetal excede 
os valores considerados normais para o CR. Fetos recém-expulsos têm um aspecto brilhante translúcido, enquanto os mortos 
há vários dias antes do aborto espontâneo têm um aspecto curtido e não possuem uma elasticidade normal. As dimensões 
fetais obtidas por ultra-sonografia aproximam-se muito das medidas de CRde fetos abortados espontaneamente. A 
determinação do tamanho de um feto, especialmente da cabeça, é de grande valia para o obstetra nos cuidados de 
pacientes. 
CR Semanas 
5 cm 9 
8,5 cm 12 
19 cm 20 
28 cm 28 
36 cm 38 
 
DATA PROVÁVEL DO PARTO 
 A data provável do parto (DPP) de um feto é de 266 dias ou 38 semanas após a fecundação; isto é, 280 dias, ou 40 
semanas após o último período menstrual normal (UPMN). Cerca de 12% das crianças nascem 1 ou 2 semanas após a data 
esperada do nascimento. A regra comum para determinar a data provável do parto (regra de Nãgele) é contar para trás 3 
meses a partir do primeiro dia do UPMN e acrescentar 1 ano e 7 dias. 
FATORES QUE INFLUENCIAM O CRESCIMENTO FETAL 
 O feto necessita de substratos para crescer e produzir energia. Gases e nutrientes provenientes da mãe passam 
livremente pela membrana placentária e chegam ao feto. A glicose é a fonte principal de energia para o metabolismo e 
crescimento do feto; os aminoácidos também são necessários. Estas substâncias saem do sangue materno, passam pela 
membrana placentária e chegam ao feto. A insulina, necessária para o metabolismo da glicose, é secretada pelo pâncreas 
fetal; nenhuma quantidade significativa de insulina materna chega ao feto, pois a 
membrana placentária é relativamente impermeável a este hormônio. Acredita-se que a insulina, fatores de crescimento 
semelhantes à insulina, hormônio de crescimento humano e alguns polipeptídios pequenos (como a somatomedina C) 
estimulem o crescimento fetal. 
Muitos fatores podem influenciar o crescimento pré-natal: maternos, fetais e ambientais. Em geral, fatores que atuam 
durante toda a gravidez, como o tabagismo e o álcool, tendem a fazer com que as crianças tenham IUGR ou sejam pequenas 
para a idade gestacional (PIG), enquanto fatores que atuam durante o último trimestre, como desnutrição materna, 
geralmente fazem com que elas tenham peso reduzido, mas com comprimento e tamanho da cabeça normais. Os termos 
IUGR ePIG são relacionados, mas não sinônimos. IUGR se refere a um processo que causa uma redução no padrão esperado 
de crescimento fetal, assim como o potencial de crescimento fetal. PIG se refere a um recém-nascido cujo peso de 
nascimento é menor do que um valor de corte predeterminado para uma idade gestacional particular (< 2 DPs abaixo da 
média ou menor do que o percentil 3). Sabe-se que desnutrição materna grave resultante de dieta de má qualidade causa 
uma redução do crescimento fetal. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Tabagismo 
 O fumo constitui uma causa bem estabelecida de IUGR. A velocidade do crescimento de fetos de mães que fumam 
cigarros é menor que a normal durante as últimas 6 a 8 semanas da gravidez. Em média, o peso ao nascimento de crianças 
cujas mães fumaram muito durante a gravidez é 200 g menor que o normal, e a morbidade perinatal é maior quando não 
estão disponíveis cuidados médicos adequados. O efeito do tabagismo materno é maior sobre fetos cujas mães também têm 
uma nutrição inadequada. Provavelmente, ocorre um efeito aditivo do 
fumo excessivo com a dieta de má qualidade. 
Gravidez Múltipla 
Geralmente, os bebês provenientes de gestações de gêmeos e trigêmeos e de outras gestações múltiplas pesam 
consideravelmente menos que crianças nascidas de gravidez única. E evidente que as necessidades totais de dois ou mais 
fetos excedem a capacidade da placenta de fornecer um suprimento nutricional durante o terceiro trimestre. 
Álcool e Drogas Ilícitas 
 Filhos de mães alcoólatras freqüentemente apresentam IUGR como parte da síndrome do alcoolismo fetal. Do 
mesmo modo, o uso de maconha e de outras drogas ilícitas (p. ex., cocaína) pode causar IUGR e outras complicações 
obstétricas. 
Fluxo Sangüíneo Uteroplacentário e Fetoplacentário Deficiente 
 A circulação materna pode estar diminuída por condições que reduzem o fluxo sangüíneo do útero (p. ex., vasos 
coriônicos pequenos, hipotensão grave e doença renal). A redução crônica do fluxo sangüíneo do útero causa fome fetal, 
que leva ao IUGR. Disfunção ou defeitos da placenta (p. ex., infartos) também podem causar IUGR. O efeito destas anomalias 
placentárias é uma redução da área total disponível para trocas de nutrientes entre as correntes sangüíneas fetal e materna. 
É muito difícil separar o efeito das mudanças na placenta do efeito da redução do fluxo sangüíneo materno para a placenta. 
Em alguns casos de doença materna crônica, as mudanças vasculares uterinas são primárias, e os defeitos placentários, 
secundários. 
Fatores Genéticos e Retardo do Crescimento 
 Está bem estabelecido que fatores genéticos podem causar IUGR. Casos repetidos desta condição em uma família 
indicam que genes recessivos podem ser a causa do crescimento anormal. Foi demonstrado, também, recentemente que 
aberrações estruturais e numéricas de cromossomos estão associadas a casos de crescimento fetal retardado. O IUGR é 
acentuado em crianças com a síndrome de Down e é muito característico de fetos com a síndrome da trissomia do 18. 
 
2- Elucidar os tipos de ultrassom que acompanham a gravidez e sua importância. 
 
Ultra-sonografia 
 A ultra-sonografia é a modalidade básica para a obtenção de imagens na avaliação do feto por causa de sua ampla 
disponibilidade, baixo custo e ausência de efeitos adversos conhecidos. Osaco coriônico (gestacional) e seu conteúdo podem 
ser visualizados pela ultra-sonografia durante os períodos embrionário e fetal. Podem ser detectados, também, o tamanho 
da placenta e do feto, gravidez múltipla, anormalidades na forma da placenta e apresentações anormais. A varredura por 
ultra-som permite obter medidas precisas do diâmetro biparietal (DBP) do crânio do feto, o que possibilita uma estimativa 
bastante segura da idade e do comprimento do feto. Exames com o ultra-som também são úteis para diagnosticar gravidez 
anormal ainda em estágio bem inicial. Rápidos avanços na ultrasonografia tornam esta técnica a principal ferramenta para 
o diagnóstico pré-natal de anormalidades fetais. 
 
 OMS preconiza a realização de três exames ultrassonográficos na gestação: 
 -Primeiro trimestre: entre 11 e 14 semanas. 
- Segundo trimestre: entre 20 e 24 semanas. 
- Terceiro trimestre: entre 32 e 36 semanas. 
INDICAÇÕES 
Primeiro trimestre: Viabilidade,Idade Gestacional, Determinação da corionicidade em gemelar, TN 
Segundo trimestre: Morfologia fetal 
Terceiro trimestre: Crescimento, Placenta e Vitalidade 
 
ULTRASSONOGRAFIA NO PRIMEIRO TRIMESTRE 
Primeira ultrassonografia: Transvaginal 
Idade gestacional: 7 semanas 
Finalidade: determinar a IG e viabilidade da gestação. 
Estruturas avaliadas: Saco gestacional (4/5 semanas), Vesícula vitelínica (5 semanas), Embrião (5/6 semanas) e a Atividade 
cardíaca (6 semanas) 
-> Avaliação de útero e anexos : 
Útero: Miomas, MF Mullerianas 
Anexos: Corpo lúteo 
-> Principais causas de urgências/emergências obstétricas no primeiro trimestre: Abortamento, gestação ectópica e Doença 
trofoblástica gestacional 
 
SEGUNDO EXAME 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Segunda Ultrassonografia: Preferencialmente via abdominal 
IG: 11 a 13 semanas mais 6 dias 
Analisa: Viabilidade, IG, Corionicidade e Medida de Translucência Nucal (TN), que é o principal marcador cromossômico para 
trissomias. 
GESTAÇÃO MÚLTIPLA: Determinação da corionicidade, Monocoriônica (Sinal do T), Dicoriônica (Sinal do lambda), Membrana 
amniótica: Monoamniótica, Diamniótica 
 
ULTRASSONOGRAFIA NO SEGUNDO TRIMESTRE 
Realizado entre 20 e 24 semanas 
Avaliação da morfologia fetal 
Realização de biometria fetal e avaliação do crescimento fetal quando dispomos de exame anterior (Primeiro trimestre) 
Avaliação da placenta e do líquido amniótico 
-> Informação aos pais, diminuição da ansiedade; Orientação clínica – exames complementares; Prognóstico; Planejamento 
obstétrico; Procedimentos terapêuticos. 
-> AVALIAÇÃO DA MORFOLOGIA FETAL 
 
 O exame que avalia de forma mais completa a anatomia do bebê é o exame morfológico. Durante os exames 
morfológicos de 1º. e 2º. trimestre é o momento onde o médico poderá avaliar de forma detalhada a formação do bebê. 
Entretanto mesmo o exame morfológico detalhado realizado por um profissional extremamente qualificado não é capaz de 
detectar 100% dos problemas que o bebê pode ter. Isto acontece porque alguns problemas só se tornam evidentes com o 
desenvolvimento e crescimento fetal. A posição do feto e a condução da do ultrassom nos tecidos maternos também pode 
dificultar a visualização de algumas anomalias fetais. A próxima tabela exemplifica qual a chance de detecção de algumas 
anomalias que o bebê pode apresentar: 
 
 
Incidência de malformações: 2 a 6% 30% da mortalidade perinatal, 90% das gestantes sem antecedentes 
 
ULTRASSONOGRAFIA NO TERCEIRO TRIMESTRE 
- Estimativa do peso e crescimento 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
- Avaliação do Líquido Amniótico Ultrassom no Pré-Natal 
- Avaliação do Cordão Umbilical: Número de vasos, Inserção 
- Avaliação da Placenta: Localização, Relação com OCI do colo,Maturidade – GPS ( Graduação Placentária Simplificada – 
Hamilton Julio, 1996 ) 
Grau 0 Sem calcificações 
Grau 1 Calcificações isoladas 
Grau 2a Septos pequenos 
Grau 2b Septos grandes 
Grau 3 Cotilédones delimitados 
 
3- Descrever os hábitos fetais (movimentos). 
 
 Os movimentos do bebê iniciam por volta de 8 semanas, entretanto a gestante irá sentí-los por volta de 16 a 20 
semanas. O bebê se move, chuta, dorme, acorda, engole e urina. Pode-se começar a sentir uma sensação leve de movimento 
na parte baixa do abdôme. Esta sensação se parece com bolhas tremulando. A quantidade de movimentos que o bebê realiza 
varia de bebê para bebê e também com a idade gestacional. Por volta de 25 semanas o bebê costuma movimentar mais do 
que com umas 36 semanas, quando o parto está próximo e o bebê, devido ao seu tamanho, fica “apertado” dentro do útero. 
É normal perceber movimentos em alguns dias e outros dias ficar sem perceber os movimentos fetais. Isto não quer dizer 
que o bebê não está mexendo, apenas os movimentos não são sentidos pela mãe. A atividade fetal também é afetada pelo 
sono, barulho, hora do dia e atividade da mamãe. Uma maneira de avaliar a saúde do bebê antes do nascimento é contar 
quantas vezes ele se move em um certo período de cada dia. Este número é a contagem de movimentos fetais. 
Como registrar movimentos fetais 
 Escolha a hora do dia em que seu bebê é mais ativo. 
 Talvez você queira comer ou beber algo antes de fazer a contagem de movimentos fetais. O alimento pode fazer com que o 
bebê fique mais ativo. 
 O bebê pode ficar mais ativo se você der uma pequena volta antes da contagem. 
 Não fume. Fumar é prejudicial a você e ao bebê. Fumar pode tornar o bebê menos ativo por até 90 minutos. 
 Use uma folha de papel e uma caneta e anote os movimentos. 
 Apoie-se em seu lado esquerdo ou direito. Fique em uma posição confortável. 
 Olhe para o relógio e anote a hora em que você começou a contar. 
 Toda vez que o seu bebê se mover faça uma marca no papel. 
 Conte todos os movimentos do bebê − chutes, rolagens e movimentos grandes e pequenos. Às vezes, você pode ver uma 
saliência ou depressão em seu abdome quando o seu bebê muda de posição. Algumas mulheres descrevem os movimentos 
como rolagem, alongamento ou empurrão. Cada mudança de posição sentida é contada como um movimento. 
 Se você não conseguir sentir o bebê se movendo, coloque as mãos delicadamente em sua barriga e verifique se há algum 
movimento. 
Quando contatar o médico 
Entre em contato com seu médico se: 
 Ocorrerem menos de 10 movimentos em duas horas. 
 Você notar uma grande alteração nos movimentos. Informe seu médico ou enfermeiro quando você sentiu o bebê se 
movimentando pela última vez e se o movimento mudou lenta ou repentinamente. O médico ou a enfermeira poderá usar 
outros meios para examinar o seu bebê, como a auscultação ou o monitoramento do padrão de frequência cardíaca ao longo 
do tempo. 
 Se tiver alguma dúvida ou preocupação, converse com seu médico. 
 A técnica de contar os movimentos fetais para avaliar a vitalidade fetal chama-se MOBILOGRAMA. Existem várias 
maneiras de avaliar e interpretar o mobilograma. 
 
4- Compreender as possíveis causas do oligoamnio, correlacionando com o retardo do desenvolvimento fetal. 
 
ÂMNIO E LÍQUIDO AMNIÓTICO 
 O âmnio, delgado, porém firme, forma o saco amniótico membranoso cheio de fluido, que envolve o embrião e o 
feto. Como o âmnio está preso às bordas do disco embrionário, após o dobramento do embrião, sua 
junção com o mesmo (futuro umbigo) passa a localizar-se na superfície ventral. Com o aumento do âmnio, ele oblitera 
gradualmente a cavidade coriônica e forma o revestimento epitelial do cordão umbilical. 
Líquido amniótico 
 Desempenha papel importante no crescimento e desenvolvimento do embrião. No inicio, um pouco de líquido 
amniótico pode ser secretado pelas células amnióticas; mas, a maior parte desse fluido provém do fluido tecidual materno 
e amniótico por difusão através da membrana amniocoriônica a partir da decídua parietal. Mais tarde,há difusão de líquido, 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
través da placa coriônica a partir do sangue presente nos espaços intervilosos da placenta. Antes de a pele tornar-se 
queratinizada, a principal via para a passagem de água e solutos do fluido tissular do feto para a cavidade amniótica é a pele; 
logo, o líquido amniótico é semelhante ao fluido dos tecidos fetais. O líquido também é secretado pelo trato respiratório 
fetal e vai para a cavidade amniótica, este trato contribui com uma taxa diária de 300 a 400 mL de fluido para a cavidade 
amniótica. No início da 11a semana, o feto contribui para o líquido amniótico expelindo urina na cavidade amniótica. No 
final da gravidez, cerca de 500 mL de urina é acrescentado diariamente. Normalmente, o volume de líquido amniótico 
aumenta lentamente, chegando a cerca de 30 mL com 10 semanas, 350 mL com 20 semanas e de 700 a 1.000 mL com 37 
semanas. 
Circulação do líquido amniótico 
 O conteúdo de água do líquido amniótico é trocado a cada 3 horas. Grande quantidade de água passa pela 
membrana amniocoriônica para o fluido tecidual materno e daí para os capilares uterinos. Também há troca de fluido com 
o sangue fetal através do cordão umbilical e no local onde o âmnio adere à placa coriônica na superfície fetal da placenta; 
assim, o líquido amniótico fica em equilíbrio com a circulação fetal. O líquido amniótico é deglutido pelo feto e absorvido 
pelos tratos respiratório e digestivo. Foi calculado que, durante os estágios finais da gravidez, o feto deglute mais de 400 mL 
de líquido amniótico por dia. O fluido passa para o sangue fetal, e os produtos de excreção nele contidos atravessam a 
membrana placentária e vão para o sangue materno presente no espaço interviloso. O excesso de água do sangue fetal é 
excretado pelos rins do feto e retorna para o saco amniótico através do trato urinário fetal. 
Composição do líquido amniótico 
 O líquido amniótico é uma solução na qual material não dissolvido está suspenso; por exemplo, células epiteliais 
fetais descarnadas e partes aproximadamente iguais de sais orgânicos e inorgânicos. Metade dos constituintes orgânicos é 
proteína; a outra metade consiste em carboidratos, gorduras, enzimas, hormônios e pigmentos. Com o avanço da gravidez, 
sua composição muda pelo acréscimo de excretas fecais (mecônio [fezes fetais] e urina). Como a urina vai para o líquido 
amniótico, é possível estudar sistemas enzimáticos, aminoácidos, hormônios e outras substâncias fetais no fluido removido 
por amniocentese, este estudo possibilita diagnosticar anormalidades cromossômicas, como na trissomia do 21 (síndrome 
de Down). Além disso, estudos de diagnóstico molecular podem ser realizados no DNA extraído de células fetais, caso haja 
uma história familiar ou indicação clínica de certos distúrbios genéticos. Altos níveis de alfafetoproteína (AFP) no líquido 
amniótico usualmente indicam a presença de um defeito grave do tubo neural. Baixos níveis de AFP podem indicar 
aberrações cromossômicas como trissomia do 21. 
Significado do líquido amniótico 
 O embrião, suspenso pelo cordão umbilical, flutua livremente no líquido amniótico. Esse líquido tem funções 
críticas para o desenvolvimento normal do feto. O líquido amniótico: 
• Permite o crescimento externo simétrico do embrião e do feto. 
• Age como uma barreira contra infecções. 
• Permite o desenvolvimento normal dos pulmões fetais. 
• Impede a aderência do âmnio ao embrião e ao feto. 
• Por difundir os impactos recebidos pela mãe, acolchoa o embrião e o feto contra lesões. 
• Ajuda a controlar a temperatura corporal do embrião, mantendo uma temperatura relativamente constante. 
• Capacita o feto a mover-se livremente, ajudando, dessa maneira, o desenvolvimento dos membros, por exemplo. 
• Participa da manutenção da homeostasia dos fluidos e eletrólitos. 
 
 
O SACO VITELINO (OU VESÍCULA UMBILICAL) 
 Pode ser observado no US início da quinta semana. Com 32 dias, o saco vitelino é grande. Com 10 semanas, o saco 
vitelino fica reduzido a um resquício piriforme com cerca de 5 mm de diâmetro e está ligado ao intestino médio por um 
estreito pedículo vitelino. Com 20 semanas, o saco vitelino é muito pequeno; depois disso, usualmente ele não é visível. A 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
presença dos sacos amniótico e vitelino permite o reconhecimento precoce e a medida do embrião. O saco vitelino é 
reconhecível ao exame por US até o fim do primeiro trimestre. 
Significado do Saco Vitelino 
 Apesar de o saco vitelino não ser funcional no que diz respeito ao armazenamento de vitelo (daí a mudança do 
nome), sua presença é essencial por várias razões: 
• Ele desempenha um papel na transferência de nutrientes para o embrião durante a segunda e a terceira semana, quando 
a circulação uteroplacentária está sendo estabelecida. 
• A formação de sangue ocorre primeiro no mesoderma extraembrionário bem vascularizado que cobre a parede do saco 
vitelino no início da terceira semana e continua a se formar ali até a atividade hematopoética iniciar-se no fígado, durante a 
sexta semana. 
• Durante a 4a semana, o endoderma do saco vitelino é incorporado pelo embrião, formando o intestino primitivo. Seu 
endoderma, derivado do epiblasto, dá origem ao epitélio da traquéia, dos brônquios, dos pulmões e TGI. 
• Células germinativas primordiais aparecem no revestimento endodérmico da parede do saco vitelino na 3a semana e 
subseqüentemente migram para as glândulas sexuais em desenvolvimento. Elas se diferenciam nas células germinativas 
(espermatogônias nos homens e ovogônias nas mulheres). 
Destino do Saco Vitelino 
 Com 10 semanas, o pequeno saco vitelino está localizado na cavidade coriônica, entre os sacos amniótico e 
coriônico. Com o avanço da gravidez, ele se atrofia e torna-se muito pequeno. Em casos raros, o saco vitelino persiste durante 
toda a gravidez e aparece sob o âmnio como uma pequena estrutura na superfície fetal da placenta, perto da inserção do 
cordão umbilical, sua persistência não tem qualquer significado. Usualmente, o saco vitelino se destaca da alça do intestino 
médio no fim da 6a semana. Em cerca de 2% dos adultos, a parte proximal intra-abdominal do saco vitelino persiste como 
um divertículo ileal. 
 
O ALANTOIDE 
 Durante a terceira semana, ele aparece como um divertículo, semelhante a uma salsicha, da parede caudal do saco 
vitelino que se projeta para dentro do pedículo do embrião. Durante o 2o mês, a parte extra-embrionária do alantóide 
degenera. Apesar de o alantóide não ser funcional nos embriões humanos, ele é importante por 3 razões: 
• A formação de sangue ocorre em sua parede, da terceira à quinta semana. 
• Seus vasos sangüíneos persistem como veia umbilical e artérias umbilicais. 
• A porção intra-embrionária do alantóide vai do umbigo à bexiga, com a qual ele está em continuidade. Com o crescimento 
da bexiga, o alantóide involui, tornando-se um tubo espesso, o úraco, que depois do nascimento transforma-se em um 
cordão fibroso, o ligamento umbilical mediano, que se estende do ápice da bexiga até o umbigo. 
 
DISTÚRBIOS DE VOLUME DO LÍQUIDO AMNIÓTICO 
 Baixos volumes de líquido amniótico em qualquer idade gestacional (oligoidrâmnio) resultam, na maioria os casos, 
de insuficiência placentária por diminuição do fluxo sangüíneo na placenta. Em aproximadamente 10% as gestações ocorre 
uma ruptura prematura da membrana amniocoriônica e esta é a causa mais comum de oligoidrâmnio. Quando há agenesia 
renal (ausência de formação dos rins), a falta de contribuição da urina fetal para o líquido amniótico é a principal causa de 
oligoidrâmnio. Uma redução semelhante de fluido ocorre quando há uropatia obstrutiva (obstrução no tratourinário). As 
complicações do oligoidrâmnio incluem anormalidades fetais (hipoplasia pulmonar, defeitos faciais e defeitos dos membros), 
causados por compressão do feto pela parede uterina. A compressãodo cordão umbilical é também uma complicação 
potencial como causa de oligoidrâmnio grave. 
 Um grande volume de líquido amniótico — poliidrâmnio (hidrâmnio) — acontece quando o feto não deglute a 
quantidade usual de líquido amniótico. A maioria dos casos de poliidrâmnios (60%) é idiopática (causa desconhecida), 20% 
são causados por fatores maternos e 20% são de origem fetal. Os poliidrâmnios podem estar associados a anomalias graves 
do sistema nervoso central, como a meroanencefalia (anencefalia). Quando existem outras anomalias, atresia esofagiana 
(bloqueio) por exemplo, o feto é incapaz de deglutir líquido amniótico, que se acumula por não poder passar para o estômago 
e intestinos do feto para ser absorvido. A ultra-sonografia tornou-se a técnica preferencial para o diagnóstico de 
oligoidrâmnio e poliidrâmnio. 
 A ruptura da membrana amniocoriônica é o evento mais comum que leva à antecipação do trabalho de parto e 
ao nascimento prematuro, e é a complicação mais comum que resulta em oligoidrâmnio. A ausência de líquido amniótico 
também retira a principal proteção do feto contra infecções. A ruptura do âmnio pode causar várias anomalias fetais que 
constituem a síndrome da faixa amniótica (SFA) ou o complexo do rompimento da faixa 
amniótica. A incidência de SFA é de cerca de uma em cada 1.200 crianças nascidas vivas. Hoje em dia é possível fazer por 
ultra-som o diagnóstico pré-natal de SFA. As malformações provocadas pela SFA variam de constrições de dedos das mãos 
até grandes defeitos do couro cabeludo, defeitos craniofaciais e viscerais. A causa destas anomalias está provavelmente 
relacionada com a constrição causada pelas faixas amnióticas envolventes. Outros fatores heterogêneos podem estar 
envolvidos.MNIO E DESENVOLVIMENTO PULMONAR 
 Quando o oligoidrâmnio (quantidade insuficiente de líquido amniótico) é grave e crônico, devido à perda de líquido 
amniótico, o desenvolvimento pulmonar é retardado e resulta numa grave hipoplasia do órgão. 
 Estudos experimentais sustentam a hipótese de que influências mecânicas durante o desenvolvimento intrauterino 
podem causar alguns defeitos dos membros. Uma quantidade reduzida de líquido amniótico (oligoidrâmio) está comumente 
associada a deformações dos membros; entretanto, o significado de uma influência mecânica intrauterina nas deformidades 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
posturais congênitas está ainda aberto a questionamentos. Deformação: Uma aparência, forma ou posição anormais de uma 
parte do corpo resultante de forças mecânicas. 
Teratogênese por Fatores Mecânicos: O líquido amniótico absorve pressões mecânicas, assim protegendo o embrião da 
maioria dos traumas externos. Uma redução significativa na quantidade de líquido amniótico (oligoidrâmnio) pode levar a 
uma deformação dos membros induzida mecanicamente, como, por exemplo, hiperextensão do joelho. O deslocamento 
congênito do quadril e o pé torto podem ser causados por forças mecânicas, particularmente em um útero malformado. A 
compressão intra-uterina resultante do oligoidrâmnio produz o pé eqüinovaro, ou pé torto, exemplo de uma deformação 
produzida por forças extrínsecas. 
 A seqüência de Potter refere-se a aparência física atípica de um feto ou recém nascido causada pela oligodramnia 
in útero. O oligoidrâmnio é a diminuição do líquido amniótico, que pode ser causado por doenças renais (como a agenesia 
renal bilateral), obstrução urinária baixa (válvula de uretra posterior), ruptura prematura de membranas, etc. A seqüência 
de Potter é classicamente conhecida como: (1) pé torto congênito, (2) hipoplasia pulmonar e (3) anomalias cranianas 
associadas ao oligoidrâmnio. A terminologia “síndrome de Potter” é incorreta pois uma “síndrome” é um conjunto de sinais 
e sintomas característicos de uma doença e os fetos com a seqüência de Potter não apresentam coletivamente os mesmos 
sinais e sintomas. A descrição mais correta é “seqüência” ou cadeia de eventos que podem ter origens diferentes (ausência 
de rins, doença cística dos rins, obstrução da uretra e outras causas), mas que acabam com o mesmo resultado final (redução 
do líquido amniótico e deformação da morfologia). O termo seqüência de Potter foi inicialmente usado para os casos de 
agenesia renal bilateral. Foi só mais tarde que o termo se tornou mais abrangente, uma vez que observou-se que outras 
causas de falha na produção de urina fetal também resultam em características físicas e prognóstico semelhantes dos 
fetos e recém-nascidos com agenesia renal bilateral. 
 
INIBIDORES DA ENZIMA CONVERSORA DA ANGIOTENSINA ( E C A ) 
 A exposição do feto a inibidores da ECA como agentes anti-hipertensivos causa oligoidrâmnio, morte fetal, 
hipoplasia de longa duração dos ossos da calvária (abóboda craniana), IUGR e disfunção renal. Durante o estágio inicial da 
gravidez, o risco para o embrião é aparentemente menor, e neste caso não há indicação para terminar uma gravidez. Por 
causa da alta incidência de complicações perinatais sérias, recomenda-se que inibidores da ECA não sejam receitados 
durante a gravidez. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
Concepção e formação - Tutoria 5 intermediária 
 
1- Compreender o funcionamento da transmissão genética de pais e filhos. 
CARACTERES GENÉTICOS E NÃO-GENÉTICOS 
 O termo fenótipo, do grego, fainein = mostrar, pode ser usado para indicar uma característica especifica, mas pode 
ser empregado num sentido mais amplo, para designar o conjunto de todas as características perceptíveis de um indivíduo. 
Em outras palavras, tanto podemos nos referir ao fenótipo de um indivíduo, quando queremos fazer considerações sobre o 
conjunto de todos seus caracteres observáveis, quanto podemos designar por fenótipo uma característica específica dos 
indivíduos. Assim, por exemplo, podemos dizer que o caráter pressão arterial permite reconhecer, clinicamente, os fenótipos 
pressão alta, pressão baixa e pressão normal. 
 Qualquer que seja o sentido em que se empregue o termo fenótipo, tem-se sempre que um dos princípios 
fundamentais da Genética é o de que o fenótipo é o resultado da interação do genótipo, isto é, da constituição genética, 
com o ambiente. A aceitação desse princípio pode, pois, sugerir que a distinção entre caracteres genéticos e não-genéticos 
é absurda, visto que todos os caracteres dependem sempre tanto do genótipo quanto do ambiente. Tal distinção, contudo, 
tem razão de ser, porque ela é de grau, apesar de não ser de espécie. Assim, um caráter será considerado tanto mais genético 
quanto menor for a influência de variáveis do ambiente sobre a variabilidade fenotípica, e tanto menos genético quanto 
menor for a influência da variação genotípica sobre a variabilidade fenotípica. Desse modo, quando se afirma que um caráter 
é genético pretende-se dizer que, para explicar a sua manifestação e a sua distribuição familial e populacional, o efeito dos 
fatores do ambiente pode ser minimizado ou não levado em conta. Em oposição, quando se diz que um caráter não é 
genético pretende-se afirmar que a sua manifestação e a sua distribuição em famílias e na população pode ser explicada sem 
levar em conta ou minimizando o efeito da variação genotípica. Em resumo, os termos genético e não-genético expressam, 
apenas, o valor relativo do genótipo na determinação do fenótipo. 
 Nem todo caráter genético é hereditário, apesar de o inverso ser verdadeiro, isto é, todo o caráter hereditário, 
além de familial, é genético. Realmente, a síndrome de Klinefelter ou a síndrome de Turner, por exemplo, são caracteres 
genéticos, pois são conseqüência de alterações cromossômicas e, portanto, do material genético. No entanto, elas são 
esporádicas, isto é, não mostram recorrência familial, nem são transmissíveis hereditariamente,pois as pessoas que 
manifestam essas síndromes são estéreis. É importante lembrar que o termo congênito significa apenas presente ao nascer 
ou nascido com o indivíduo, não devendo ser empregado como sinônimo de genético. 
 
TERMOS IMPORTANTES NA GENÉTICA 
 • Homozigose: quando os alelos de um par de cromossomos homólogos são iguais; 
• Heterozigose: quando os alelos são diferentes; 
• Alelo dominante: Determina o mesmo fenótipo tanto em homozigose quanto em heterozigose; 
• Alelo recessivo: só se expressa quando está em homozigose. 
 
PADRÕES DE TRANSMISSÃO GÊNICA 
 Padrões Monogênicos (Mendelianos): a famosa primeira lei de Mendel, também conhecida como lei da segregação ou lei da 
disjunção ou, ainda, lei da pureza dos gametas, segundo a qual os caracteres hereditários são determinados por pares de 
genes, que segregam durante a formação dos gametas, voltando a se unir nos zigotos. 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
– Autossômica Dominante e Autossômica Recessiva; Um exemplo, que ilustra bem o modo pelo qual, a partir de dados 
familiais, se infere o mecanismo de transmissão monogênica de caracteres freqüentes com relação de dominância e 
recessividade, pode ser extraído do nosso conhecimento a respeito do sistema sangüíneo Rh. 
 Na herança autossômica dominante um fenótipo é expressado da mesma maneira em homozigotos e 
heterozigotos. Os critérios da Herança Autossômica Dominante são: 
1. O fenótipo aparece em todas as gerações, e toda pessoa afetada tem um genitor afetado. 
2. Qualquer filho de genitor afetado tem um risco de 50% de herdar o fenótipo. 
3. Familiares fenotipicamente normais não transmitem o fenótipo para seus filhos. 
4. Homens e Mulheres têm a mesma probabilidade de transmitir o fenótipo aos filhos de ambos os sexos. 
 Exemplos de Herança Autossômica Dominante: Doença de Huntington (DHq)( doença neurodegenerativa fatal de 
herança autossômica dominante caracterizada por movimentos involutários e demência progressiva), Neurofibromatose de 
Von Recklinghausen (um distúrbio comum do sistema nervoso caracterizado por manchas café-com-leite e tunores cutâneos 
fibromatosos). 
 Os distúrbios autossômicos recessivos expressam-se apenas em homozigotos, que, portanto, devem ter herdado 
um alelo mutante de cada genitor. Critérios da Herança Autossômica Recessiva: 
1. O fenótipo é encontrado tipicamente apenas na irmandade do probando e o fenótipo salta gerações. 
2. O risco de recorrência para cada irmão do probando é de 1 em 4. 
3. Os pais do indivíduo afetado em alguns casos são consanguíneos. 
4. Ambos os sexos têm a mesma probabilidade se serem afetados. 
 Exemplos de Herança Autossômica Recessiva: Fibrose Cística (doença autossômica recessiva caracterizada por 
doença pulmonar crônica, insuficiência pancreática exócrina, aumento da concentração de cloreto no suor) seu defeito 
básico é uma mutação do gene que codifica a proteína reguladora da fibrose cística, provavelmente envolvida no 
transporte de ânions através da membrana celular. E Doença de TAY-SACHS (distúrbio neuológico degenerativo, 
autossômico recessivo, que se desenvolve quando a criança tem 6 meses de idade, há uma deterioração mental e física 
intensa desde a lactância, a morte ocorre entre 2 e 3 anos de idade), seu defeito básico são mutações no lócus da 
subunidade a da hexosaminidase A, e sua deficiência ou ausência leva ao acúmulo do gangliosídeo GM2, principalmente 
nos neurônios. 
– Ligada ao X Recessiva e Ligada ao X Dominante; A maior parte do cromossomo Y não tem homologia com o cromossomo 
X, já que as regiões homólogas desses cromossomos estão restritas à região da extremidade superior de seus braços curtos. 
Tais locos são conhecidos como pseudo-autossômicos, pois, apesar de estarem nos cromossomos sexuais, segregam como 
se fossem autossômicos. Em conseqüência disso, os genes pertencentes a locos das regiões do cromossomo X que não são 
homólogas do cromossomo Y (maior parte) têm distribuição diferente segundo o sexo. De fato, em relação a um par qualquer 
de alelos freqüentes A,a pertencentes a um desses locos, encontraremos, entre os indivíduos do sexo feminino, com 
cariótipo normal, homozigotas X A X A , heterozigotas X A X a e homozigotas X a X a . Entre os indivíduos do sexo masculino 
com cariótipo normal e, portanto, com um único cromossomo X em suas células somáticas, somente um desses alelos poderá 
estar presente. Em outras palavras, os indivíduos do sexo masculino com cariótipo normal somente poderão apresentar os 
genótipos alternativos XAY ou XaY. Os genes pertencentes a locos de regiões do cromossomo X não-homólogas do 
cromossomo Y também costumam ser denominados genes ligados ao cromossomo X. Mais tradicionalmente, porém, tanto 
esses genes (mais de uma centena de locos) quanto os caracteres por eles determinados são designados por genes ligados 
ao sexo e caracteres ligados ao sexo. 
– Limitada pelo Sexo: Puberdade precoce; Certos caracteres podem ocorrer mais freqüentemente nos indivíduos de um sexo 
do que nos do outro, sem que, por isso, eles sejam decorrentes de genes ligados ao cromossomo X, pois naespécie humana, 
do mesmo modo que em outras, existem genes autossômicos que se manifestam fenotipicamente apenas em indivíduos de 
um dos sexos. É o caso, por exemplo, dos genes responsáveis pelo tipo de barba e pela distribuição de pelos no corpo, ou 
dos genes que determinam o tipo e a quantidade de leite produzido. Genes como esses, bem como os caracteres deles 
decorrentes, são denominados limitados a um sexo. 
– Influenciada pelo Sexo: Calvície Hereditária: Recessiva nas mulheres e dominante nos Homens; No caso de os genes 
autossômicos se manifestarem de modo diferente nos indivíduos de ambos os sexos, diz-se deles e dos caracteres que eles 
originam que são controlados pelo sexo. É o caso, por exemplo, dos genes que determinam a calvície e daqueles que são 
responsáveis pela determinação dos diferentes tipos de voz do homem (baixo, barítono e tenor) e da mulher (contralto, 
meio-soprano e soprano). 
 Padrões Não-Mendelianos (Não Clássicos) 
Mosaicismo: É caracterizado por apresentar em um mesmo indivíduo ou tecido pelo menos duas linhagens celulares, que 
diferem geneticamente mas provêm de um único zigoto. 
– Mosaicismo Somático; Quando ocorre uma mutação durante o desenvolvimento embrionário manifestando-se como 
anormalidade segmentar ou desigual, dependendo do estágio em que a mutação ocorreu e da linhagem da célula somática 
na qual ela se originou. O indivíduo pode ou não ser afectado pela doença, dependendo de vários factores, como por 
exemplo, o envolvimento do gene e/ou o grau de mosaicismo. Este tipo de mosaicismo não é herdado. Algumas doenças 
associadas são: cancro, heterocromia iridum e Síndrome de Down 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
– Mosaicismo Germinativo; Quando ocorre uma mutação numa célula da linhagem germinativa ou precursora, persistindo 
em todos os descendentes clonais da célula e depois em certa proporção dos gametas. Normalmente, uma pessoa que só 
tem este tipo de mosaicismo, não vai apresentar sintomas, visto que a mutação não está presente nas células somáticas. 
Algumas doenças associadas: Osteogenesis imperfecta tipo ll, Síndrome de Turner, distrofia muscular de Duchenne e 
hemofilia. 
– Dissomia Uniparetal; é quando um indivíduo herda duas cópias de um par de cromossomos de um progenitor e nenhuma 
cópia do outro. A UPD pode resultar em transtornos recessivos raros ou problemas no desenvolvimento. A UPD também 
pode ocorrer sem nenhum impacto aparente na saúde e no desenvolvimento do indivíduo. 
– Herança Mitocondrial; É caracterizado por uma Herança Materna. A mãe transmite seu DNA a toda prole. Suas filhas, por 
sua vez, o transmitem, mas seus filhos não. O ovócito é bem suprido de mitocôndrias,mas o espermatozóide contém poucas 
e mesmo essas poucas não persistem na progênie. 
– Imprinting Genômico; É a expressão diferencial do material genético, ao nível cromossômico ou alélico, dependendo se 
este material foi herdado do genitor masculino ou feminino. 
– Repetições de Trinucleotídeos: O DNA instável consiste basicamente de regiões do genoma em que um grupo de três 
nucleotídeos repete-se várias vezes. Em decorrência dessa disposição peculiar, nesses sítios haveria uma maior propensão à 
ocorrência de deslizes da enzima polimerase inserindo nucleotídeos a mais nesse segmento durante a replicação do DNA. 
Essa ocorrência favoreceria a expansão do segmento de trinucleotídeos repetidos que, se localizados em genes, 
desencadeariam o surgimento de doenças. A expansão das repetições de trinucleotídeos foi denominada também de 
mutação dinâmica, pois a ocorrência da primeira mutação aumenta a chance de novos deslizes nesse sítio com mais 
expansões e mais deslizes. 
 
Herança Quantitativa 
 A herança quantitativa também é um caso particular de interação gênica. Neste caso, em que as diferenças 
fenotípicas de uma dada característica não mostram variações expressivas, as variações são lentas e contínuas e mudam 
gradativamente, saindo de um fenótipo “mínimo” até chegar a um fenótipo “máximo”. É fácil concluir, portanto, que na 
herança quantitativa (ou poligênica) os genes possuem efeito aditivo e recebem o nome de poligenes. A herança quantitativa 
é muito frequente na natureza. Algumas características de importância econômica, como a produção de carne em gado de 
corte, produção de milho etc., são exemplos desse tipo de herança. No homem, a estatura, a cor da pele e, inclusive, 
inteligência, são casos de herança quantitativa. 
 
Herança da cor da pele no homem 
 Segundo Davenport (1913), a cor da pele na espécie humana é resultante da ação de dois pares de genes (AaBb), 
sem dominância. Dessa forma, A e B determinam a produção da mesma quantidade do pigmento melanina e possuem efeito 
aditivo. Logo, conclui-se que deveria existir cinco tonalidades de cor na pele humana, segundo a quantidade de genes A e B. 
Genótipos Fenótipos 
aabb pele clara 
Aabb, aaBb mulato claro 
AAbb, aaBB, AaBb mulato médio 
AABb, AaBB mulato escuro 
AABB pele negra 
 
 A cor dos olhos é uma característica cuja herança é poligênica, um tipo de variação contínua em que os alelos de 
vários genes influenciam na coloração final dos olhos. Isso ocorre por meio da produção de proteínas que dirigem a 
proporção de melanina depositada na íris. Outros genes produzem manchas, raios, anéis e padrões de difusão dos 
pigmentos. Heterocromia (ou heterocromia ocular) é uma anomalia genética na qual o indivíduo possui um olho de cada cor. 
Quando ocorre emgatos domésticos, estes recebem a denominação de Gato de olho ímpar. Isso se deve a uma alteração no 
gene EYCL3 no cromossomo15, que indica a quantidade de melanina que o olho apresentará - muita melanina gera a cor 
marrom, pouca a azul. Já o gene EYCL1, que indica a quantidade de pigmentos de gordura, é responsável pela nuance de 
tom, azul ou verde. 
 
2- Diferenciar fertilidade de esterilidade, elencar principais causas, tratamento e diagnóstico. 
 Fala-se de infertilidade quando um casal não consegue a gravidez desejada ao fim de um ano (ou dois, na Europa) 
de vida sexual ativa e contínua, sem estar usando qualquer método contraceptivo. A infertilidade resulta de uma disfunção 
dos órgãos reprodutores, dos gametas ou do concepto. A esterilidade, por seu turno, é a impossibilidade que tem o homem 
ou a mulher de produzir gametas (células sexuais: óvulos para a mulher; espermatozoide para os homens) ou zigotos (ou 
ovos - células que resultam da fusão entre óvulos espermatozoides) viáveis. 
 Pode-se dizer que um casal é infértil se tem apenas uma diminuição das chances da gravidez, que podem ser 
contornadas por medidas médicas, e que é estéril quando a capacidade de gerar filhos é nula. A infertilidade e 
a esterilidade podem ser femininas, masculinas, femininas e masculinas ou não ter causa aparente. Sempre é melhor falar 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
de casal infértil ou estéril porque uma causa de grande intensidade em um parceiro pode ser ajudada por outra mais branda 
no outro, e vice-versa. 
Causas da infertilidade/esterilidade 
 Algumas síndromes que causam infertilidade/esterilidade têm caráter congênito ou hereditário, como as faltas de 
órgãos (útero, trompa ou vagina) ou alterações das gônadas. Contudo, na maioria das vezes, os fatores de 
infertilidade/esterilidade (sejam masculinos ou femininos), são adquiridos e decorrem de infecções; alterações 
hormonais; sequelas de cirurgias ou traumas ou do uso abusivo de medicamentos ou drogas. 
As principais causas de infertilidade/esterilidade feminina são: 
 Distúrbios hormonais que impedem o crescimento e a liberação do óvulo. 
 Doenças do ovário. 
 Obstrução das trompas. 
 Infecções pélvicas. 
 Endometriose. 
 Alterações do muco cervical. 
 Anomalias do útero. 
 Doenças que afetam a vagina. 
 Doenças sistêmicas (diabetes mellitus, alterações das suprarrenais, alterações da tireoide, obesidade, 
estresse, bulimia, anorexia, doenças hepáticas que afetam o metabolismo dos estrogênios, etc). 
 Intoxicações, como as pelo álcool ou drogas. 
A infertilidade/esterilidade masculina depende de que o homem seja capaz de depositar uma quantidade 
adequada de espermatozoides sadios na vagina da mulher. Nos homens, pois, a infertilidade/esterilidade pode ser causada 
pela: 
 Insuficiência quantitativa de espermatozoides. 
 Ausência, anomalias morfológicas ou distúrbios da motilidade dos espermatozoides. 
 As causas mais comuns da diminuição dos espermatozoides estão relacionadas a alterações da produção deles 
(doenças da hipófise, da tireoide ou da suprarrenal, traumas e problemas congênitos dos testículos, problemas causados 
pelo uso de medicamentos, varicocele, etc.). Vários outros fatores (às vezes simples) podem também alterar o processo de 
produção de espermatozoides como, por exemplo, um aumento da temperatura (por uma febre prolongada, criptorquidia - 
não descida do testículo desde a cavidade abdominal para a bolsa escrotal - ou por uma varicocele, por exemplo). Em 
homens submetidos à extirpação da próstata (ou, eventualmente, a outra intervenção cirúrgica pélvica) e nos diabéticos 
o sêmen pode seguir uma direção inversa à habitual e deslocar-se para a bexiga em vez de se deslocar para o pênis, 
tornando-os, assim, inférteis. 
Em geral existem causas concorrentes e, por isso, encontrar uma causa não significa que não haja também outras. 
Sinais e sintomas da infertilidade/esterilidade 
 A infertilidade é conceituada pela ausência da gravidez após pelo menos um ano (ou dois, na Europa) de tentativa 
de engravidar espontaneamente (relações sexuais regulares no período fértil - do 12° ao 15° dias do ciclo menstrual - sem o 
uso de qualquer método contraceptivo). Após um ano de tentativa deve ser procurado um ginecologista, para tentar resolver 
a situação. Em mulheres acima de 35 anos esse prazo deve cair para seis meses. A esterilidade se caracteriza pela constatação 
da incapacidade definitiva para gerar filhos. 
Diagnostico da infertilidade/esterilidade 
 O diagnóstico de infertilidade/esterilidade deve ser feito através da “pesquisa básica de fertilidade” e sempre 
envolver o casal, desde o início. Constitui um erro começar a investigação apenas por um dos membros. Estatisticamente, 
a infertilidade decorre em 30% dos casos, da mulher; em 30% dos casos, do homem; em 30% dos casos, de ambos; em 10% 
dos casos não é possível determinar-se a causa. 
Alguns exames ajudam a diagnosticar as causas da infertilidade/esterilidade: 
 Ultrassonografia transvaginal:permite também fazer certos procedimentos da fertilização in vitro. 
 Histerossalpingografia: exame radiológico contrastado que avalia uma possível obstrução das tubas uterinas. 
 Histeroscopia: exame que permite uma visualização direta da cavidade uterina e complementa a histerossalpingografia e 
a histerossonografia. 
 Espermograma: visa conhecer um dos fatores masculinos, avaliando os graus de concentração, motilidade, vitalidade e 
morfologia dos espermatozoides. 
Outros exames a serem usados em casos específicos são: avaliação do muco cervical, biópsia endometrial, culturas cervicais, 
pesquisa de anticorpos anti-espermatozoides, exames imunológicos e laparoscopia. 
Tratamento da infertilidade/esterilidade 
Além do tratamento das causas, a medicina dispõe de vários métodos para contornar a infertilidade: fertilizaçãoin vitro, 
inseminação intrauterina, indução da ovulação. 
 O método da fertilização in vitro, ou do chamado ”bebê de proveta", é reservado para a mulher que já tenha tentado outras 
formas de tratamento. Segundo ele, vários óvulos são removidos do ovário e artificialmente fecundados em laboratório com 
os espermatozoides do parceiro ou de um doador anônimo e depois transferidos para o útero. As mulheres com 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
impossibilidade de produzir óvulos podem também se beneficiar desse método e receberem óvulos de uma doadora, 
fecundados artificialmente, em laboratório, pelos espermatozoides do seu parceiro e abrigar os embriões em seu 
próprio útero. 
 A inseminação intrauterina consiste na introdução de espermatozoides purificados na cavidade uterina (acima 
do colo uterino) até 36 horas após a indução da ovulação. 
 A indução da ovulação é utilizada quando tenha sido diagnosticada a falta ou distúrbios na ovulação, nos casos 
de ovários policísticos, em uma fase da inseminação intrauterina ou da fertilização in vitro. 
Prevenção da infertilidade/esterilidade? 
 Evitar excesso de exercícios e desordens alimentares, porque esses fatos parecem diminuir a produção tanto de óvulos 
quanto de espermatozoides. 
 Corrigir doenças metabólicas como o diabetes mellitus, desordens do colesterol, etc. 
 Multivitaminas e sais minerais podem ajudar os homens com baixa contagem de espermatozoides. 
 Se houver desordens alimentares (bulimia e anorexia) o tratamento delas deve preceder o tratamento dainfertilidade. 
 Evitar as doenças sexualmente transmissíveis, algumas das quais podem causar infertilidade/esterilidade. 
Êxito no tratamento da infertilidade 
 Desde que as técnicas descritas sejam usadas adequadamente, as chances de êxito no tratamento da 
infertilidade são quase tão boas como as naturais, ou mesmo melhores. A possibilidade da concepção de gêmeos (dois ou 
mais) é maior com a utilização desses recursos do que naturalmente. 
 
3- Explicar o planejamento familiar para lactante. 
 
 Embora antigo, o conhecimento sobre o papel anticoncepcional do aleitamento materno é relativamente pouco 
difundido e utilizado. Na prática, o aleitamento materno e o planejamento familiar atuam conjuntamente promovendo a 
sobrevivência infantil, uma vez que o estímulo à amamentação exclusiva induz a um aumento do intervalo intergestacional 
e propicia a manutenção da lactação até os seis meses de vida, período no qual há a introdução de outros alimentos à dieta 
infantil. Assim, o aleitamento materno e o planejamento familiar são medidas claras de saúde preventiva, necessitando 
ambos de apoio, através de programas que os incentivem, trazendo com isso benefícios inquestionáveis para a saúde da 
mãe e da criança. 
 Alguns estudos têm demonstrado ainda que um intervalo de dois ou mais anos entre nascimentos leva a uma 
redução significativa na morbimortalidade infantil e também uma redução na morbidade materna, principalmente nos países 
menos desenvolvidos. Dados demográficos revelaram ainda que, em muitos países em desenvolvimento, a amamentação, 
por si só, fornece proteção contra gravidez maior que a oferecida por outros métodos reversíveis de anticoncepção. 
 A maternidade é um local adequado para se revisar ou ensinar às mães os conceitos básicos sobre o início e a 
manutenção da amamentação, já abordados durante o acompanhamento pré-natal. A mensagem de que o aleitamento 
exclusivo promove uma proteção contra uma nova gestação até o retorno da menstruação deve ser fornecida nessa ocasião, 
permitindo postergar a utilização de outros métodos contraceptivos nos primeiros meses pós-parto. A utilização do método 
contraceptivo da lactação e amenorréia (LAM) no pós-parto é uma alternativa a mais de escolha informada, sobretudo 
quando outros métodos anticoncepcionais não são de fácil acesso ou não têm boa aceitação. Entretanto, o conhecimento 
sobre a aplicação desse efeito fisiológico não tem sido explorado, nem tampouco utilizado sistematicamente na 
anticoncepção puerperal. 
 Apesar dos benefícios do aleitamento materno sobre a saúde da criança serem universalmente reconhecidos, e 
também os efeitos da lactação natural sobre a fertilidade comprovados, existe algum ceticismo sobre o seu uso como um 
método anticoncepcional. No ano de 1988, em Bellagio, Itália, um grupo de cientistas reuniu-se e, através de uma Declaração 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
de Consenso, recomendou a introdução da LAM como um método de planejamento familiar, posteriormente referendado 
em outra reunião face às novas evidências científicas disponíveis. 
 A LAM tem como princípios, além do estado de amenorréia das mulheres, a amamentação exclusiva dos seus filhos 
e a idade máxima de seis meses para o bebê. Nessas condições, a probabilidade acumulada de ocorrer uma nova gravidez 
nesse período é menor do que 2%. Além disso, estudos demográficos sugerem que, em países em desenvolvimento, as taxas 
de gravidezes entre mulheres lactantes amenorreicas com mais de seis meses pós-parto é menor que 10%. 
 Realizou-se um estudo multicêntrico em dez diferentes populações com a finalidade de avaliar a aceitabilidade, 
satisfação e eficácia da LAM em um programa de planejamento familiar. Confirmou-se que é um método anticoncepcional 
com boa aceitação, se adequadamente orientado. Também se confirmou sua eficácia, de 98% de proteção contra uma nova 
gestação, ao final de seis meses pós-parto. 
 Nenhum estudo foi realizado para se avaliar a efetividade de incluir a LAM em um programa de planejamento 
familiar pós-parto para mulheres de baixa renda, e analisar os efeitos não só com relação à fertilidade, mas também os 
benefícios dessa estratégia sobre a saúde da mulher e da criança, apesar de todas as suposições que assim o indicam. 
 A comprovação da eficácia da LAM como método anticoncepcional nos primeiros seis meses pós-parto já é 
consenso em todo o mundo. O incentivo ao aleitamento materno, pelos benefícios inquestionáveis sobre a saúde da criança 
nos primeiros seis meses de vida, é uma prática que todos os profissionais de saúde devem estimular, tanto na promoção da 
saúde das crianças quanto das mães, através do aumento do intervalo intergestacional e da não-utilização de métodos 
anticoncepcionais quando esses ainda não são necessários, podendo interferir no sucesso da amamentação. Uma forma de 
atingir este objetivo é oferecendo a LAM como opção anticoncepcional nos primeiros seis meses pós-parto. Como no Brasil 
as mulheres amamentam em média por pouco tempo e a taxa de morbimortalidade infantil é elevada, a adoção de medidas 
que incentivem o aleitamento materno contribuiria para a redução da morbimortalidade infantil, através do aumento da 
duração do aleitamento materno, tanto o exclusivo quanto o parcial. 
 O único estudo nacional avaliando a LAM foi realizado no Instituto Materno Infantil de Pernambuco, do qual se 
originam os dados ora apresentados. Esse estudo implementouuma intervenção que incluía a introdução da LAM como um 
método anticoncepcional adicional ao programa de planejamento familiar pós-parto, além de uma estratégia de reforço ao 
aleitamento materno e ao espaçamento das gravidezes, tanto durante o pré-natal quanto durante a internação para o parto 
e, posteriormente, nas visitas de puerpério. 
 Assim, caso fossem observados efeitos positivos sobre a saúde das crianças, após essa estratégia educativa com a 
introdução da LAM como opção anticoncepcional adicional no planejamento familiar pós-parto utilizada no estudo, estaria 
clara a efetividade de se estimular e incentivar programas semelhantes em outras instituições. A busca dessa evidência é a 
justificativa principal desse trabalho. Os objetivos do presente estudo foram avaliar a duração do aleitamento materno, total 
e exclusivo, e alguns indicadores de saúde das crianças até um ano de idade, comparativamente entre mulheres que 
receberam orientação anticoncepcional tradicional (pré-intervenção) e as que participaram de um novo programa de 
orientação (pós-intervenção) que incluiu a introdução da LAM como uma nova opção anticoncepcional. 
 
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS APENAS DE PROGESTOGÊNIO 
 São comprimidos que contêm uma dose muito baixa de progestogênio, que promove o espessamento do muco 
cervical, dificultando a penetração dos espermatozóides, e inibe a ovulação em aproximadamente metade dos ciclos 
menstruais. Durante a lactação, quando usados de forma correta e consistente, os anticoncepcionais orais de progestogênio 
têm uma taxa de falha de 0,5%, no primeiro ano de uso. Em uso habitual, a taxa de falha é de 1%. 
CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE CLÍNICA PARA USO DE ANTICONCEPCIONAIS ORAIS APENAS DE PROGESTOGÊNIO 
 O método pode ser usado sem restrições: 
- Lactantes: 6 semanas até 6 meses ou mais pós-parto. 
- Não-lactantes: A minipílula pode ser iniciada imediatamente após o parto. ¾Pós-aborto (primeiro ou segundo trimestre ou 
aborto infectado) – A minipílula pode ser iniciada imediatamente após o aborto. 
- Idade de 16 anos ou mais. 
- Fumante (qualquer idade). 
- Hipertensão arterial: valores de pressão arterial entre 140-159/90-99 a 160-179/100- 109. 
- História de pré-eclâmpsia. 
- História de diabetes gestacional. 
- Trombose venosa profunda ou embolia pulmonar atual ou no passado. 
 
Rafaela Maria Mello Souza – Turma XIX 
 
 
4- Explicar a genética e as influencias para os diferente tipos de gravidez gemelar. 
 
 A herança familiar para gestações gemelares está ligada aos casos de gêmeos dizigóticos, ou não-idênticos, pois 
nesses casos existe a herança da mulher liberar dois óvulos em um mesmo ciclo. Os dois óvulos podem ser fecundados por 
dois espermatozoides e gerar dois embriões distintos. 
 O que importa, nesse caso, é o histórico familiar da futura mamãe, e não do futuro pai. A mulher, no entanto, pode 
ter recebido da mãe ou do pai a herança de ovular mais de uma vez a cada ciclo menstrual. 
Resumo: mulher que tenha gêmeos não idênticos na família, tanto por parte de mãe quanto por parte de pai, pode ter mais 
chance de ter mais de um bebê numa gestação só. O histórico familiar do futuro papai não influi. 
 Os casos de gemelares monozigóticos, ou idênticos, não se devem a herança genética (pelo menos que a ciência 
saiba até hoje), mas sim ao acaso. Nestas gestações um único ovo fecundado divide-se em dois, gerando dois embriões 
idênticos. Outros fatores que influenciam a ocorrência de gestações gemelares são: idade materna (chance maior quando a 
mãe é muito nova ou mais velha) e raça (mais prevalente em negras). 
 Também acontecem gestações múltiplas com mais frequência quando a mulher usou indutores da ovulação para 
engravidar, já que o ovário tende a produzir mais de um óvulo. Mas os médicos sempre preferem que a gravidez não seja 
múltipla, por conta dos riscos que a presença de mais de um bebê pode trazer. O uso de indutores também traz outros 
perigos, por isso <b>nunca</b> tome esse tipo de remédio sem acompanhamento médico. No caso de fertilização in vitro, 
os especialistas evitam implantar mais de dois embriões, também para reduzir a chance de gestação múltipla. Dependendo 
da tecnologia usada, também há uma chance maior de o embrião se dividir nas fases iniciais da gravidez, dando origem a 
gêmeos idênticos. 
A gravidez gemelar costuma ser descoberta por meio de um ultrassom ainda no primeiro trimestre da gravidez.

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