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23/04/2022 02:40 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/12
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA
DA EDUCAÇÃO
AULA 5
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23/04/2022 02:40 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/12
Prof. Everson Araujo Nauroski
CONVERSA INICIAL
Chegamos a mais uma aula, e ainda temos muitos assuntos importantes a tratar. O diálogo entre
sociologia e antropologia permitiu lançar um novo olhar sobre as instituições de ensino e
compreender mais profundamente seus problemas, seu funcionamento e contradições. Mas o que é
a antropologia? Quais suas principais correntes teóricas? Que autores e conceitos são mais
adequados para pensarmos os problemas da escola? São perguntas instigantes que vão despertar a
sua curiosidade. Ao longo desta aula iremos responder a essas e outras questões.  
TEMA 1 – ANTROPOLOGIA: A CIÊNCIA DO HUMANO
A antropologia constitui uma área das ciências humanas com olhar específico sobre o outro
como um ser diferente. É o estudo do homem naquilo que o aproxima e distancia de seus
semelhantes, em relação às dimensões biológicas, físicas e culturais. Cada uma dessas dimensões
possui um conjunto de saberes e metodologias. A antropologia física ou biológica tem como objeto
investigar aspectos genéticos e biológicos do homem, de grupos e sociedades, sendo comum a
interlocução como a ciência médica. De modo geral, o interesse da antropologia dirige-se ao ser
humano no tempo e no espaço, com atenção especial aos fatores de seu desenvolvimento, sua
história e transformação em relação às três dimensões já apontadas, biológica, física e cultural.
Figura 1 – Uma representação da evolução humana
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Crédito: Pch. Vector/Shutterstock.
A imagem acima é somente ilustrativa da ideia de evolução humana. Não sabemos com certeza
qual teria sido o tronco comum que deu origens aos primeiros seres humanos desde o Homo
neanderthalensis até o Homo sapiens. Os estudos e o debate sobre esse assunto é controverso e está
longe de chegar a consenso. Além da questão evolutiva, a área da antropologia social tem como foco
o estudo das organizações sociais e políticas, relações de parentesco, organização das instituições
sociais, configurações de poder, entre outros assuntos correlatos. Na antropologia cultural são
estudados aspectos simbólicos míticos e religiosos, além do comportamento dos membros de dada
sociedade ou grupo social.
Entre os métodos utilizados dentro da antropologia, o método etnográfico, muito utilizado pelo
antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, representa uma importante ferramenta de pesquisa para
observar e registrar com riqueza de detalhes o campo e os sujeitos pesquisados. A grande
contribuição da ciência antropológica tem sido revelar e buscar o entendimento da diversidade
cultural existente no planeta. O outro como diverso torna-se uma referência para o diálogo, a
aproximação e a troca. O outro diverso, com as contribuições da antropologia, passa a ser visto em
sua singularidade, diversidade e alteridade. Suas diferenças integram a riqueza do diverso, do
múltiplo e plural sobre a Terra e as sociedades humanas.
Essas perspectivas foram cruciais para a superação do paradigma evolucionista e eurocêntrico
que durante muito tempo dominou a visão das culturas diferentes da cultura branca ocidental.
TEMA 2 – ESCOLAS OU CORRENTES TEÓRICAS DA ANTROPOLOGIA
Para uma compreensão mais ampla do desenvolvimento da antropologia precisamos
compreender seu desenvolvimento histórico e algumas de suas principais escolas de pensamento.
Entre os séculos XVI a XIX, com a expansão do capitalismo, das grandes navegações, das
conquistas das Américas, Ásia e África, surge uma enorme quantidade de documentos que vão servir
de base para a antropologia, como diários de bordo, cartas, relatórios de autorias de marinheiros,
oficiais, padres missionários e exploradores em geral. Esses documentos, mesmo sem uma orientação
metodológica, formaram um conjunto etnográfico importante, contendo diversas descrições sobre a
fauna, a flora e a geografia em geral das colônias e áreas conquistadas, além de, é claro, diversos
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aspectos relatados sobre os povos, como seus hábitos, costumes e crenças. Predominava o olhar
classificatório e de superioridade dos conquistadores em relação aos conquistados.
A partir do século XIX, com forte influxo das ideias de Charles Darwin sobre evolução biológica e
seleção natural das espécies, os estudos antropológicos seguiram numa linha de evolucionismo
social, uma perspectiva que ajudou a formar e fortalecer o etnocentrismo. Segundo essa perspectiva,
existem culturas superiores e inferiores, e as sociedades podem ser avaliadas segundo seu nível de
progresso e desenvolvimento, em termos materiais e tecnológicos. Tal visão alimentada por
referências eurocêntricas em relação aos chamados “povos primitivos” serviram para justificar
processos violentos de conquista e opressão. Lembrando que essa não é uma visão já superada.
Ranços etnocêntricos, ainda que sem nenhuma base científica, ainda se fazem presentes e reavivam
ideias fascistas e neonazistas, vendo o diferente não só como estranheza, mas como ameaça e
inimigo em potencial (Oliveira, 1998).
Uma importante referência dentro da antropologia foi a escola sociológica francesa. Na segunda
metade do século XIX, essa escola, com nomes como Emile Durkheim e Marcel Mauss, deu origem a
uma sócio-antropologia. Suas contribuições trouxeram maior rigor metodológico nas investigações
culturais. Temas como representações sociais, consciência coletiva, sociedades orgânicas e mecânicas,
além da relação entre fatores biológicos, psíquicos e sociais passaram a ser analisados como fatos
sociais, como objetos com maior racionalidade e objetividade. A dinâmica social envolvendo o dar,
receber e retribuir recebe especial atenção na compreensão das relações entre os indivíduos, grupos
e instituições.
Outra referência importante dentro da antropologia foi a escola funcionalista. Surgida no início
do século XX, o principal eixo  de suas pesquisas seguia o método etnográfico, com estudos
monográficos de aprofundamento sobre a origem e funcionamento das instituições. O trabalho de
campo e a observação participante buscaram acumular conhecimentos em torno de uma cultura,
grupo ou instituição, de modo a responder com segurança sobre sua origem e desenvolvimento. Os
estudos dessa escola focaram em eventos diacrônicos  (evolução no tempo) e sincrônicos (em tempo
simultâneo).
São vários os autores associados a essa escola ou paradigma, com destaque para Bronislaw
Malinowski e sua obra Argonautas do Pacífico Ocidental, de 1922, e Radcliffe Brown e seu livro
Estrutura e função na sociedade primitiva, de 1952.
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Figura 2 – Bronislaw Malinowski
Crédito: Library of the London School of Economics and Political Science/Creative Commons.
Ainda no século XX, no final dos anos 1930, ganha forma a escola conhecida como
estruturalismo norte-americano. Com inspiração em Max Weber, essa escola desenvolve um método
comparativo, acreditando ser possível identificar leis explicativas sobre a dinâmica de
desenvolvimento das culturas. Os estudos realizados buscam identificar padrões culturais e suas
relações com a personalidade dos indivíduos. Entre os filiados a esse paradigma destaca-se a
contribuição de Margareth Mead e de sua obra Sexo e temperamento em três sociedades primitivas,
de 1935. Nela a autora analisa a vida íntima de três tribos em Nova Guiné concluindo que as
chamadas qualidades masculinas e femininas são necessariamente construídas a partir de diferenças
sexuais/biológicas entre mancho e fêmea, mas são muito mais resultantes de condicionamentos
culturais existentes em diferentes sociedades em relação aos significadosconstruídos sobre gênero
(Oliveira, 1988).
Nos anos 1940 tivemos como referência na pesquisa antropológica o estruturalismo. Sua
premissa básica é que as culturas são construídas a partir de estruturas da própria mente humana.
Fenômenos como raça, parentesco, tabus, desenvolvido e primitivo, natural e humano são analisados
levando em consideração a perspectiva primeiramente subjetiva, depois objetivamente materializada.
Faz parte do ser humano, em sua forma de representar a realidade externa, colocar-se em oposição.
Um tipo de pensamento binário: o eu e o outro, dentro e fora, homem e mulher, sagrado e profano,
e assim por diante. Ou seja, as culturas se desenvolvem por operações binárias de oposição e
significação. O principal representante dessa escola foi Claude Lévi-Strauss, com destaque à obra As
estruturas elementares do parentesco, de 1949.
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TEMA 3 – ANTROPOLOGIA CONTEMPORÂNEA E EDUCAÇÃO:
PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES
As pesquisas em torno das manifestações culturais ganharam maior destaque no início da
década de 1960 com a renovação das abordagens metodológicas. Clifford Geertz, em sua obra A
interpretação das culturas, de 1983, apresentou a antropologia interpretativa. Com uma base
epistemológica de inspiração weberiana, as ideias de Geertz buscam compreender as manifestações
culturais em sua pluralidade, identificando uma hierarquia de significados presentes tanto em nível
macro, se tratando de povo, como em nível micro, na expressão de indivíduos e grupos. Uma
hermenêutica cultural é possível, buscando captar como os próprios pesquisados (nativos, ou não)
interpretam e atribuem significados à sua cultura.
Por fim, podemos citar a antropologia de viés pós-moderno ou crítico, surgida a partir do final
do século XX com nomes como James Clifford e Richard Price, cujo foco de estudos é analisar a base
gramatical e discursiva das próprias teorias e categorias de análise da antropologia, mostrando os
pressupostos políticos existentes na pesquisa. O conhecimento não é neutro, e nem o olhar do
observador. A autoridade e neutralidade atribuídas ao pesquisador precisam ser questionadas, visto
que não existe neutralidade nem axiológica nem teórica. Toda teoria carrega em si um conjunto de
elementos. Quando posta a críticas e desconstrução, tende a revelar aspectos éticos, políticos e
ideológicos.
Esse breve retrospecto sobre as escolas e paradigmas dentro da antropologia nos ajudou a
compreender que mesmo dentro de uma ciência deve existir espaço para o diálogo e a divergência.
Em grande medida a renovação e o avanço de uma ciência dependem desse debate. Quando
somados, os saberes da sociologia e da antropologia levam a maiores aprofundamentos sobre a
educação e suas complexidades. De fato, os desafios da sociedade contemporânea, como guerras,
fome e pandemias, exigem um repensar a escola, um ir além dos modelos tradicionais e do
paradigma antropocentrista. As questões culturais, sociais e ambientais desafiam educadores e
instituições de ensino a pensar numa educação verdadeiramente emancipatória, com indivíduos em
condições de atuar na vida social e política, afirmando e defendendo os mais nobres valores e
direitos em relação à vida civil e democrática.
Uma das primeiras questões que se coloca à escola, considerando a sociedade contemporânea, é
como organizar as práticas pedagógicas e a vida escolar a partir de uma sociedade
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predominantemente desigual, múltipla e diversa, não só culturalmente, mas social e politicamente. A
antropologia da educação nos permite visualizar diferentes respostas e posicionamentos das
instituições de ensino. Um deles é o negacionismo, quando se afirma que o Brasil vive uma
democracia racial, e que o sucesso e o fracasso dependem das pessoas e não das instituições, pois
cada um cria suas próprias oportunidades, negando dessa forma a responsabilidade do Estado na
implementação de políticas de desenvolvimento social, cultural e da própria sociedade quando vira
as costas para suas minorias e vulneráveis.
As reformas educacionais implementadas no Brasil buscaram dar um direcionamento às
instituições de ensino em relação aos problemas da sociedade. Durante o governo militar, tivemos
forte influência do tecnicismo nos currículos, colocando que a função da escola, além da educação
moral e cívica, era formar mão de obra para atender à industrialização crescente no país. Na
atualidade, existem diferentes posicionamentos, mas quando esprememos os currículos para ver o
que sai, no geral os elementos convergem: formação profissional, empreendedorismo, carreira e foco
no vestibular em instituições públicas. Somente em segmentos alternativos de escolas experimentais,
conforme demonstrado no documentário argentino Educação Proibida, de 2012, é possível identificar
projetos de formação humana inovadores e sintonizados com os desafios que enfrentamos. Dentro
do espectro da educação tradicional, ainda hegemônica no Brasil, o que existe é mais do mesmo
(Copans, 1981).
De certa forma devemos concordar com a crítica de Henri Giroux, educador francês, ao afirmar
que a ausência de uma crítica social radical por parte das escolas e dos educadores os torna
cúmplices e coniventes com a ordem estabelecida.
TEMA 4 – PROBLEMAS CULTURAIS E A EDUCAÇÃO ESCOLAR
            Os desafios para a educação são muitos, sendo a questão do  etnocentrismo talvez uma
das mais urgentes. Trata-se de um comportamento  recorrente em enxergar a etnia do outro – seus
hábitos, religião, língua e aparência – a partir da própria etnia, ou seja, das próprias referências
culturais. O outro não é visto como um diferente de igual dignidade e merecedor de respeito e
reconhecimento, mas um outro estranho, cujas diferenças passam a ser valoradas por filtros como:
superior, inferior; primitivo, desenvolvido; avançado, atrasado. O resultado desse estranhamento é
uma conduta potencialmente agressiva e violenta. Não são poucos os exemplos históricos de
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contatos culturais com grupos de visão etnocêntrica que resultaram em conflitos, extermínio e
genocídio. Basta lembrar o que fizeram algumas das potências   colonialistas do passado, como
Espanha, Portugal e Inglaterra.
É importante não esquecer das correntes teóricas da antropologia que estudamos
anteriormente. A legitimidade da expansão colonialista buscou reunir argumentos ditos científicos
para justificar suas ações, e mesmo a antropologia evolucionista ofereceu seus préstimos. Foi
somente a partir do século XX que essas teorias foram criticadas, e os estudos culturais e pós-
coloniais moldaram outro importante conceito para rivalizar com a visão eurocêntrica, o relativismo
cultural.
O problema do etnocentrismo é sua dimensão tanto macro quanto micro, quando se tata da
conduta de indivíduos e grupos que, imbuídos do mesmo olhar julgador e desvirtuado, vão além do
estranhamento ao diferente, tomam o diferente como adversário, inimigo, um grupo ou segmento a
ser perseguido. O etnocentrismo surge da incapacidade da reciprocidade, de reconhecer e atribuir ao
outro (diferente) valor e dignidade compatíveis com sua condição de ser humano. A ideia de ver e
julgar o mundo do outro com base na própria visão de mundo e cultura fez surgir mais do que
comportamentos potencialmente destrutivos, mas também grupos radicais dispostos a ir a extremos
para defender ou impor sobre os demais sua visão de mundo.
Figura 3 – Ku Klux Klan
Crédito: Everett Collection/Shutterstock.
            A Ku Klux Klan foi um movimento de origem norte-americana formado por reacionários e
extremistas que pregam a supremacia branca e são contrários à imigração. Apesar de terem sido
banidos e considerados terroristas, sucessivas tentativas de ressurgimento desse movimento e a
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existência de outros com bandeiras semelhantes atestam o quanto a ideologia etnocêntrica ainda
está arraigada na sociedade americana. Recentemente, diversos casos de violência policial contra
negros fez reacender o debate não somente nos EUA, mas no Brasil, que também protagonizou
episódios de violência racial, sobre temas como racismo estrutural e crimes de ódio.
A ideia de racismo carece de base epistemológica; existe como forma de classificar
comportamentos odiosos de desrespeito e perseguição a negros. A rigor, a noção de raça está em
desuso na antropologia e na sociologia, pois a ideia de que seres humanos existem a partir de
diferentes raças leva a algumas serem consideradas mais avanças e desenvolvidas que outras. Isso é
extremamente arbitrário e etnocêntrico, por isso o mais correto é falar etnia e, portanto, em
etnocentrismo (Candau, 2002).
A base do etnocentrismo é a xenofobia, um sentimento de aversão ao diferente, ao estrangeiro,
ao que foge do padrão estabelecido em termos de cultura e comportamento. Assim, podemos
antever a importância e a contribuição inestimável que a educação pode dar no combate a esses
problemas. A compreensão e o reconhecimento da diversidade cultural como riqueza humana,
manancial inesgotável de trocas e significados favorecem o respeito e a boa convivência social.
Poderíamos falar numa alfabetização cultural. Ensinar desde muito cedo nossas crianças e jovens que
a diversidade é um dado positivo sobre vários aspectos, e embora a humanidade seja diversa,
múltipla e plural, possui uma unidade intrínseca que nos aproxima em nossa condição de humanos,
sujeitos às contingências da vida, como amor, alegria e tristeza, sofrimento e felicidade, perdas,
doenças, a velhice e a morte.
TEMA 5 – A DIVERSIDADE CULTURAL E RECONHECIMENTO NO
AMBIENTE ESCOLAR
            O ambiente escolar é por si só complexo, dinâmico e contraditório. A obrigatoriedade da
escolarização e da convivência forçada potencializam situações de conflito. Pessoas criadas em
famílias diferentes, com trajetórias, valores, crenças e costumes diferentes são colocadas
forçadamente para conviver juntas. Uma conjuntura que, somada aos problemas de infraestrutura,
falta de recursos e políticas educacionais equivocadas, favorece o aumento dos conflitos, agressões e
violência no ambiente escolar. O fenômeno do bullying aparece como o mais frequente tipo de
agressão no ambiente escolar.
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Segundo dados do “Diagnóstico participativo das violências nas escolas: falam os jovens”, de
2016, em 65% dos casos verificados, a violência parte dos próprios alunos; 15,2 % dos
professores,10,6%, de terceiros de fora do ambiente escolar, 5,9% dos funcionários, e 3,3% de
diretores (Abramovav, 2016). O problema da violência escolar é complexo e vai além do nosso foco
de estudo. Nosso recorte diz respeito à questão da diversidade cultural presente na escola e de como
o reconhecimento, materializado no respeito, contribui para a criação de um ambiente escolar
saudável.
A partir das contribuições do filósofo e sociólogo alemão Axel Honneth com sua sociologia do
reconhecimento, a noção de respeito ganha novos contornos para além do senso comum e uso
coloquial. Para esse autor, o reconhecimento é algo intrínseco à nossa condição; lutamos por ele ao
longo de nossa vida. Essa luta tem início na infância quando choramos por atenção, afeto e carinho.
Ou seja, o reconhecimento primordial vem na forma do amor familiar. Na falta desse sentimento tão
basilar, problemas surgem.
Quantos comportamentos problemáticos poderiam ser explicados por situações de negligência e
abusos ocorridos na infância? Na esfera da vida civil, quando adentramos na sociedade como
adultos, o reconhecimento deveria vir na forma de direitos e dignidade independentemente de quem
somos, uma condição que se completa na sociedade pela valorização social, solidariedade e respeito.
O sentimento de autorrealização é o coroamento da vida social baseada no reconhecimento. Quando
se tem o contrário disso, ou seja, situações de ofensa e de desrespeito, estão dadas as condições
para o conflito. Sendo negado o reconhecimento, nasce a motivação legítima para a luta.
Essa dinâmica, para Honneth, nos ajudaria a entender a grande maioria dos conflitos de nossa
sociedade. Quando colocamos essa perspectiva nas relações escolares, podemos entender o quanto
o respeito representa um elemento fundamental de reconhecimento à diversidade, ao estilo, ao
gosto musical, às afinidades individuais, de grupo, à expressão artística, à estética individual, e
mesmo ao gênero e orientação sexual.
Atualmente, o esforço de traduzir esses princípios na organização dos currículos e do trabalho
pedagógico pode ser identificado nas categorias de multiculturismo ou pluralismo cultural. É ponto
pacífico entre educadores, pelo menos entre os mais conscientes e atualizados, de que as diferenças
culturais devem ser afirmadas e defendidas como estratégia para evitar a hierarquização etnocêntrica
das expressões culturais, seja no campo individual, de grupo ou mesmo de comunidades.
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Essa perspectiva tende ainda se materializar nas práticas escolares sob o conceito de
interculturalidade. Não basta afirmar as diferenças, é preciso aprender com elas. É preciso criar e
estimular o diálogo intercultural, projetos, eventos e ações que possibilitam trocas mútuas,
aprendizagem e colaboração entre indivíduos de diferentes culturas. A escola se apresenta como um
laboratório de práticas a serem levadas para a sociedade. O escopo da ação escolar é contribuir para
o combate às formas de discriminação.
São intenções, discursos e práticas muito positivas e com contribuições reais para a melhor
convivência social e a ampliação do respeito entre os indivíduos. No entanto, é preciso lembrar que
vivemos numa sociedade de classes, e a discussão por direitos e reconhecimento vai além das lutas
indenitárias ligadas a questões étnicas e de gênero. Passa também por direitos na esfera do trabalho,
da cidadania e da politica. A escola, como bem salientou Giroux, não pode se furtar a fazer uma
critica social radical da própria sociedade em que está inserida e da qual ela própria é um reflexo.
NA PRÁTICA
Faça uma pesquisa sobre o bullying, apresentando um conceito desse fenômeno, bem como
suas causas e consequências no ambiente escolar. Compartilhe com seus colegas os resultados de
sua pesquisa. 
FINALIZANDO
            Ao final desta aula, algumas ideias precisam ser reiteradas:
a antropologia tem como foco o estudo do ser humano em suas manifestações biológicas,
físicas e culturais;
a interlocução entre sociologia e antropologia nos permite uma compreensão aprofundada da
educação;
existem diversas correntes teóricas dentro da antropologia que influenciam na forma de
conceber o homem e a sociedade;
a perspectiva etnocêntrica de julgar a cultura dos outros com base na própria cultura favorece a
xenofobia e a discriminação;
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o pluralismo cultural e o multiculturalismo favorecem o reconhecimento e o respeito à
diversidade cultural no ambiente escolar.
REFERÊNCIAS
ABRAMOVAY,  M.  Diagnóstico participativo das violências nas escolas: falam os jovens. Rio
de Janeiro: FLACSO, OEI, MEC, 2016. Disponível em:  .
Acesso em: 28 fev. 2021.
CANDAU, V. Multiculturalismo e educação: a construção de uma perspectiva. In: ______. (Org.).
Sociedade, educação e culturas (Questões e propostas). Petrópolis: Vozes, 2002.
COPANS, J. Críticas e políticas da antropologia. Lisboa: Edições 70, 1981.
HONNETH, A. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. 2. ed. São
Paulo: Editora 34, 2009.
OLIVEIRA,R. C. de. Sobre o pensamento antropológico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1988.

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