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Psicomotricidade e a Educação Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Gerontomotricidade Apoio psicológico ao atendimento na gerontomotricidade A psicomotriocidade na educação especial Avaliação psicomotora Influências na psicomotricidade Freud Andre Lapierre Levin Wallon Kathleen Stassen Berger Vygotsky O valor da afetividade nas intervenções psicomotoras Referências 5 13 18 23 27 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. @faculdadelibano_ 1 A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Psicomotricidade e a Educação Capítulo 1 A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender a psicomotricidade e a gerontomotricidade, bem como a psicomotricidade na educação especial e o apoio psicológico na gerontomotricidade. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Gerontomotricidade A palavra “gerontomotricidade” provém de uma subárea da motricidade humana que visa o desenvolvimento da aptidão física e autonomia funcional do idoso. Além disso, permite uma melhoria da qualidade de vida dos gerontes por meio da combinação de atividades físicas, funcionamento cognitivo e comportamento adaptativo da pessoa idosa. FIGURA 1 Atividades da Gerontomotricidade FONTE Freepik Psicomotricidade e a Educação A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Capítulo 1 A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que em 2025 o Brasil terá a maior população de idosos da América Latina e abrigará a 6ª maior população idosa do mundo. Porém, nem sempre os idosos tiveram seus direitos reconhecidos. Segundo Barros (2000), “somente no ano de 1994, o Governo Brasileiro, apoiado pela sua própria comunidade, criou a Lei que determinou com precisão a Política Nacional do Idoso, assegurando- lhe os direitos sociais e propiciando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade, a Lei 8.842 de 04 de janeiro de 1994, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, que dispõem pela Política Nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso, bem como Segundo essa Lei é considerada idosa a pessoa com mais de 60 anos.” De acordo com Fonseca (1998), a velhice é composta por dois processos, sendo um fisiológico (denominado senescência) e outro, metabólico (chamado de senilidade). Segundo o autor, envelhecer é viver, viver é mover-se, essa afirmativa é tomada como base para as justificativas de programas de prevenções e de reabilitação psicomotora. O envelhecimento é uma fase inevitável à vida e é preciso estar preparado para as modificações e adaptações que a vida precisará sofrer. As funções físicas, motoras e psíquicas precisarão de um apoio que, muitas vezes, deverão ser profissionais. A Psicomotricidade pode proporcionar aos idosos a qualidade de vida necessária para melhorar suas funções locomotoras, físicas e psicossociais. Nesta vertente, a Psicomotricidade auxilia ao idoso sentir- se ainda parte da sociedade e a ganhar ânimo para desempenhar suas funções na sociedade na qual estão inseridos. Importante Assim, é importante ressaltar que uma proposta de atuação da Psicomotricidade em idosos é uma maneira de proporcionar melhoria da saúde e, principalmente, a qualidade de vida desses idosos por meio da promoção de suas habilidades, levando-se em consideração a individualidade e as necessidades e características específicas de cada um. Psicomotricidade e a Educação A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Capítulo 1 A Psicomotricidade é percebida pela maioria dos indivíduos, de forma progressiva, das atividades mais simples até as mais complexas. Estas atividades poderão contribuir para o estímulo e o raciocínio, além de possibilitar recursos ilimitados de ações. Massue (1998) e Barros (2001) propõem algumas aplicações de atividades psicomotoras em idosos, apoiadas pela fisioterapia preventiva. O objetivo é que a fisioterapia preventiva e a psicomotricidade atuem juntas a fim de promover a melhoria da qualidade de vida do idoso. A atuação do psicomotricistas deve visar oferecer ao idoso (portador ou não de patologia), a melhoria da qualidade de vida por meio de atividades que utilizem os movimentos ainda existentes do idoso, trabalhando esquema e imagem corporal. Além disso, deve visar, também reaver e/ou conservar de forma mais funcional possível, às condutas psicomotoras, exercitando as funções musculares e cardiorrespiratórias e promovendo orientações posturais. Outro objetivo que o psicomotricista deve ter na Gerontologia deve ser a melhoria e aprimoramento da consciência de si por parte dos idosos dando ênfase às Atividades da Vida Diária (AVD), baseando-se no conceito da Terapia Psicomotora. Os exercícios psicomotores em gerontes devem ser feitos em ambiente agradável por meio de tarefas e movimentos de forma lúdica. Além disso, respeitando as limitações dos idosos, deve-se realizar movimentos de maneira lenta, associados à respiração. Sem esforço, os exercícios devem ser executados no máximo cinco vezes, com intervalo entre eles, e aumento gradativo de acordo com a individualidade de cada idoso. FIGURA 2 A Gerontomotricidade é importante também para a sociabilização do idoso FONTE Freepik Psicomotricidade e a Educação A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Capítulo 1 Alguns exercícios podem ser realizados três vezes por semana com uma hora e meia de duração, e servem para estimular a circulação e aumentar o interesse dos idosos em realizar movimentos. São eles: • Alongamentos. • Exercícios de estimulação de esquema corporal e imagem corporal. • Exercícios de movimentos leves do corpo. • Exercícios de atenção e concentração. • Exercícios de lateralidade. • Exercícios de orientação espacial. • Exercícios de orientação temporal. • Exercícios de expressão corporal. • Atividades de Psicomotricidade fina para pacientes portadores de patologia. • Caminhada. • Dança. • Toque e massagens. • Técnicas de relaxamento. • Relaxamento. • Palestras educativas. FIGURA 3 Os exercícios são atividades importantes na Gerontomotricidade FONTE Freepik Psicomotricidade e a Educação A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Capítulo 1 Caso necessário, os movimentos podem ser realizados com o auxílio ou resistência de matérias, tais como bolas, bastões, arcos dentre outros materiais. A seguir veremos algumas sugestões de exercícios com os gerontes: • Técnicas de auto alongamento e mobilização ativa e ativo- assistida, nos quais serão trabalhados os membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII) por meio de exercícios de flexo-extensão e circundução de dedos das mãos, punhos,ombro, e tornozelo e joelho. • Rolar – deitado no solo, em decúbito dorsal e rolar com braços estendidos no prolongamento dos ombros, estendidos acima da cabeça. • Engatinhar atuando na estimulação dos tônus musculares, por meio do fortalecimento da musculatura dorsal antigravitacional. • Engatinhar com as pernas estendidas atuando na estimulação do equilíbrio e da postura ereta. • Marcha com elevação dos joelhos; marcha com movimentos alternados de braços e pernas, para frente e para trás; marcha cruzada, trabalhando a lateralidade com a rotação de tronco e a postura ereta. • Equilíbrio com um pé elevado à frente; equilíbrio com um pé elevado atrás; equilíbrio com o braço apoiado no colega ao lado, atuando na coordenação dos movimentos. • Manipulação em forma de pinçamentos, oponência dos dedos, pronação e supinação, dobrar papel aprimorando a manipulação e estabelecendo / restabelecendo a motricidade fina. • Coordenação óculo-manual por meio de atividades, como arremessar, pegar, lançar, tocar, bater, com objetos de tamanhos variados, estimulando a lateralidade, coordenação, equilíbrio e organização espaço-temporal. FIGURA 4 Adeque sempre os exercícios à capacidade física do idoso FONTE Freepik (2021). Psicomotricidade e a Educação A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Capítulo 1 Apoio psicológico ao atendimento na gerontomotricidade O apoio psicológico ao idoso no atendimento gerontológico tem suma importância para que eles sintam-se acolhidos e encorajados a não permanecer inertes. Algumas atividades psicoafetivas sugeridas: • Sessões de cinema. • Atividades coletivas artísticas. • Lanches coletivos. • Atividades lúdicas em grupo. A psicomotriocidade na educação especial A Educação Especial define o ramo da educação dedicado ao atendimento e educação de pessoas com alguma deficiência. A Educação Especial deve ocorrer prioritariamente em instituições de ensino regulares ou ambientes especializados (como, por exemplo, escolas para surdos, escolas para cegos ou escolas que atendem a pessoas com deficiência intelectual). A Educação Especial precisa ser inclusiva, ou seja, as pessoas com deficiências precisam ter acesso à educação e aos demais espaços sociais obrigatoriamente. Apesar disso, a Educação Especial não é somente inclusiva, ela também deve fornecer a possibilidade para essas pessoas consigam desenvolver suas habilidades, sempre respeitando suas condições pessoais. Importante O art. 58 da Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, que diz: “Entende-se por Educação Especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação”. Psicomotricidade e a Educação A gerontomotricidade e a psicomotricidade na educação especial Capítulo 1 O psicomotricista, ao trabalhar a consciência corporal na Educação Especial, pode auxiliar na socialização, ajuste emocional e efetivo. A união dos aspectos cognitivos e psicomotores servem como base para o desenvolvimento integral do indivíduo. A Psicomotricidade é um artifício socializador muito importante e pode ser um apoio no processo de aprendizagem. Tendo em vista que a Psicomotricidade proporciona espaço para que o indivíduo se expresse de forma espontânea e criativa, poderá auxiliá-lo a desenvolver a sua capacidade de socialização. Saiba Mais A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 defende que a oferta de Educação Especial é dever do Estado e deve ter início na faixa etária de zero a seis anos, durante a Educação Infantil. Resumindo E então, gostou do que lhe mostramos? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos rever o que foi estudado. A palavra “gerontomotricidade” provém de uma subárea da motricidade humana que visa o desenvolvimento da aptidão física e autonomia funcional do idoso. A velhice é composta por dois processos, sendo um fisiológico (denominado senescência) e outro, metabólico (chamado de senilidade). Envelhecer é viver, viver é mover-se. O envelhecimento é uma fase inevitável à vida e é preciso estar preparado para as modificações e adaptações que a vida precisará sofrer. Vimos ainda que a Educação Especial define o ramo da educação dedicado ao atendimento e educação de pessoas com alguma deficiência. @faculdadelibano_ 2 Avaliação psicomotora Psicomotricidade e a Educação Capítulo 2 Avaliação psicomotora Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona a avaliação psicomotora. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. A palavra “avaliar” provém do latim a + valere, que significa atribuir valor e mérito ao objeto em estudo. Deste modo, avaliar é atribuir um juízo de valor sobre algo, é um processo para a aferição da qualidade do seu resultado. A lógica da mensuração tem sido a métrica utilizada na compreensão do processo de avaliação, ou seja, tende-se a associar o ato de avaliar ao de “medir” as habilidades, comportamentos e conhecimentos adquiridos. Os testes sobre a motricidade, de modo geral, objetivam colher informações e conhecer melhor as crianças, além de instaurar instrumentos de confiança para avaliar, analisar e estudar o desenvolvimento do indivíduo em diferentes etapas evolutivas. FIGURA 1 Professor avaliando e ajudando aluno no processo de aprendizagem FONTE Freepik Psicomotricidade e a Educação Avaliação psicomotora Capítulo 2 Existem diversas formas de avaliar o desenvolvimento motor de um indivíduo, porém, nenhuma irá abarcar todos os aspetos do desenvolvimento. Uma das possibilidades é utilizar atividades que objetivam medir uma determinada característica motora de um indivíduo e comparar seus resultados com os de outros indivíduos. Tais resultados irão permitir que sejam determinados os avanços ou atrasos motores de uma criança. Os testes psicomotores e a investigação do processo evolutivo do indivíduo, bem como a identificação de problemas relacionados ao seu desenvolvimento psicomotor, proporcionam a intervenção precoce em atrasos evolutivos e a aplicação de programas, como estímulos em indivíduos que tenham distúrbios de desenvolvimento, em risco, ou somente com a intenção de enriquecimento do ambiente estimulador. Os testes e a intervenção psicomotora podem proporcionar aos indivíduos os progressos necessários para a sua vida. Vejamos a seguir alguns dos benefícios: • Promoção de habilidades motoras que vão além das dimensões cinéticas e que levem a criança a aprender e a conhecer seu próprio corpo; e a se movimentar de maneira expressiva. • Um conhecimento corporal que inclua as dimensões do movimento, desde funções que indiquem estados afetivos até representações de movimentos mais elaborados de sentidos e ideias. • Oferecimento de um caminho para trocas afetivas. • Facilitação da comunicação e a expressão das ideias. • Possibilidade de exploração do mundo físico e o conhecimento do espaço. • Apropriação da imagem corporal. • Percepções rítmicas, estimulando reações novas, através de jogos corporais e danças. • Habilidades motoras finas no desenho, na pintura, na modelagem, na escultura, no recorte e na colagem, e nas atividades de escrita. Nota O conjunto de testes ou de provas utilizadas para avaliar várias características motoras de um indivíduo é chamado bateria motora. Psicomotricidade e a Educação Avaliação psicomotora Capítulo 2 Vejamos agora algumas sugestões de testes possíveis não envolvendo equilíbrio indicado para diversos tipos de indivíduos: • Tocar a ponta do nariz com o dedo. • Alternar dedo ao nariz, dedo ao dedo. • Bater levemente na mão. • Apontar. • Apontar com precisão. • Atirar uma bola. • Desenhar um círculo com uma mão.• Desenha um 8 com Saiba Mais Para saber mais sobre a importância da avaliação psicomotora no processo do desenvolvimento da escrita e leitura de uma criança, por exemplo, leia o texto: A importância da Avaliação Psicomotora na aquisição da Leitura e Escrita. FIGURA 6 A avaliação psicomotora é importante para o processo de escrita FONTE Freepik Psicomotricidade e a Educação Avaliação psicomotora Capítulo 2 Resumindo E então, gostou do que lhe mostramos? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos rever o que foi estudado. Os testes e a intervenção psicomotora podem proporcionar aos indivíduos os progressos necessários para a sua vida. Os testes sobre a motricidade, de modo geral, objetivam colher informações e conhecer melhor as crianças, além de instaurar instrumentos de confiança para avaliar, analisar e estudar o desenvolvimento do indivíduo em diferentes etapas evolutivas. @faculdadelibano_ 3 Influências na psicomotricidade Psicomotricidade e a Educação Capítulo 3 Influências na psicomotricidade Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender as influências de Freud, Wallon, Berger, Lapierre, Vygotsky e Levin para a Psicomotricidade. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Alguns teóricos e estudiosos dos movimentos corporais, das áreas de Psicologia, Psicanálise, Motricidade e Medicina, voltaram seus esforços e produziram contribuições fabulosas para o campo da Psicomotricidade. O conhecimento produzido por esses especialistas é utilizado e propagado até hoje e serve de guia para o trabalho da Psicomotricidade. Vejamos a seguir as contribuições que cada um deu à Psicomotricidade: FIGURA 7 Freud FONTE Pixabay Freud Na década de 1970, uma corrente psicomotora associada à teoria psicanalítica, centrada no indivíduo, em seu inconsciente, teve base nos conceitos psicanalíticos de Freud. Freud, em seus estudos, já discutia questões a respeito do corpo. “O Ego é, antes de tudo, um ser corpóreo e não apenas um ser superficial – inclui a projeção de uma superfície”. Psicomotricidade e a Educação Influências na psicomotricidade Capítulo 3 Andre Lapierre Afirmou a possibilidade de acessar o inconsciente sem necessariamente passar pela interpretação verbal, conferindo ao brincar o estatuto de meio de acesso ao inconsciente. Nesse contexto, a relação com o outro é condição para que ocorra o abaixamento das defesas e estabelecimento da transferência. A brincadeira aparece como parceiro simbólico, no qual as tensões podem ser descarregadas, favorecendo a expressão dos sentimentos e a elaboração de conflitos subjacentes. De acordo com LaPierre: “É a partir dessas vivências corporais primárias que se constrói nosso psiquismo e se estrutura nosso inconsciente”. Levin Na Argentina, o psicomotricista e psicanalista Esteban Levin (2000) trata da clínica psicomotora, uma nova abordagem na linha psicanalítica. Para esse autor, as contribuições da teoria psicanalítica promoveram mudanças significativas no campo da Psicomotricidade, pois o psicomotricista “já não centra seu olhar num corpo em movimento, mas, em um sujeito com seu corpo em movimento” (LEVIN, 2000, p. 31). Wallon Acreditava que a cognição está alicerçada ao que ele deu o nome de campos funcionais: o movimento, a afetividade, a inteligência e a pessoa. O aspecto motor como aquele que se desenvolve primeiro e serve tanto como atividade de busca de um objetivo como função de expressar algo em relação a outro indivíduo; a afetividade atua como uma forma de mediação das relações sociais expressadas por meio das emoções, já a inteligência relaciona-se diretamente com as questões da linguagem e o raciocínio simbólico, ou seja, habilidades linguísticas e a capacidade de abstração. Por fim, mas não de menor importância, a pessoa como o campo que coordena os demais e responsável pelo desenvolvimento da consciência e da identidade do eu. A questão da motricidade é muito forte na teoria walloniana, compreendida como um Psicomotricidade e a Educação Influências na psicomotricidade Capítulo 3 instrumento privilegiado de comunicação da vida psíquica. A criança, que ainda não tem a linguagem verbal, exprime por meio da motricidade suas mais diversas necessidades, traduzidas, portanto, de uma forma não verbal e com aspectos afetivos de expressão de bem ou mal estar. Kathleen Stassen Berger Para Berger a agressividade demonstrada por um indivíduo, muitas vezes, é demonstrada por conflitos, reações que se tornam obstáculos para não se afirmar e ter desejos. Muitas vezes essa agressividade faz parte do componente afetivo da criança. Ainda de acordo com a autora, a partir de um autoconceito e de uma regulação emocional inadequados durante os primeiros anos da pré- escola, pode-se tornar um sério problema social à medida que o tempo passa (BERGER, 2003, p. 202). Vygotsky O pesquisador russo não trata especificamente sobre a Psicomotricidade, mas ficam nítidos em sua obra todos os aspectos do desenvolvimento psicomotor. Em se tratando das funções psíquicas superiores, as tipicamente pertencentes ao psicológico humano, por se diferenciarem dos reflexos e de outras funções mais primárias, como a atenção voluntária, controle de comportamento, memorização ativa, pensamento abstrato e o planejamento das ações. Dessa forma, é possível afirmar se tratar de questões de interesse da área psicomotora, sendo que algumas dessas funções se relacionam diretamente com a praxia humana como uma função psíquica superiora. Neste sentido, Fonseca (1998) faz uma analogia ao pensamento de Vygotsky, segundo o qual a cultura passa a incorporar a natureza dos indivíduos e, salientando o pensamento de que as funções psíquicas são de origem sociocultural e que emergem de funções psicológicas elementares de origem biológica. A analogia é de que a Psicomotricidade, portanto, seria de origem sociocultural que emerge da motricidade, que por sua vez é biológica. Psicomotricidade e a Educação Influências na psicomotricidade Capítulo 3 O trabalho na ótica vygotskyana, é portanto, um paradigma psicomotor crucial, na medida em que perspectiva o ser humano como um corpo e uma mente, como ser biológico e ser social, como membro da espécie humana e ator do processo histórico e cultural. A relação indivíduo-natureza ou indivíduo-sociedade, na qual, para mim, se inscreve a noção de Psicomotricidade, não é inata, nem se pode conceber como o resultado de uma oportunidade ou pressão ecológica, isto é, não se dá por acaso. Ambas as relações acima equacionadas emergem da interação dialética do ser humano com o seu ambiente. Deste modo, é possível verificar que a obra de Vygotsky envolve o cerne da Psicomotricidade, pois FIGURA 8 Vygotsky FONTE Wikimedia commons (2021). Resumindo E então, gostou do que lhe mostramos? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos lembrar que você estudou s influências de Freud, Wallon, Berger, Lapierre, Vygotsky e Levin para a Psicomotricidade. se o sujeito precisa da interação com o meio para se desenvolver, é fato que os aspectos psicomotores estão incrustados nessa relação dialética entre indivíduo e meio. @faculdadelibano_ 4 O valor da afetividade nas intervenções psicomotoras Psicomotricidade e a Educação Capítulo 4 O valor da afetividade nas intervenções psicomotoras Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender o valor da afetividade nas intervenções psicomotoras. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Uma das propostas da Psicomotricidade é de resgate das relações afetivas de forma lúdica e motivadora. Durante as atividades em geral, são utilizadas as duas linhas da Psicomotricidade:a Funcional e a Relacional. A Psicomotricidade Funcional tem foco nos exercícios e atividades centrados no indivíduo e trabalha mais individualmente as habilidade e limitações de cada um, já a Psicomotricidade Relacional prioriza os movimentos espontâneos obtidos durante um jogo de bola por exemplo. Além disso, cria novas opções de desenvolvimento de habilidades, além de proporcionar o convívio em grupo, desenvolvendo o respeito e a cooperação além da convivência em grupo. Nesta vertente da Psicomotricidade Relacional, o desenvolvimento da relação da criança com os pais, por exemplo, é de suma importância para o sucesso da intervenção. É importante que o profissional estimule a criação ou desenvolvimento do vínculo entre os pais e as crianças. Nota “A Psicomotricidade Relacional busca num novo espaço instituinte, a expressão da criança em sua plenitude” (CABRAL, 2001, p.68). Psicomotricidade e a Educação O valor da afetividade nas intervenções psicomotoras Capítulo 4 Vejamos a seguir alguns exemplos de atividades psicomotoras que aumentam o vínculo entre pais e filhos: • Estimulação motora – na qual os pais irão observar e perceber em que fase motora e necessidade seu filho se encontra. Isso ajuda a estimular em casa de maneira equilibrada. Por exemplo, circuitos motores, ginástica, natação. • Percepções sensoriais – experiências diversificadas como objetos com texturas diferentes, sons, cores, formas e tamanhos, importantes para aumentar a vivência perceptiva dos bebês e com isso guardarem na memória a experiência vivida, fará diferença no futuro. • Atividades coordenativas – realizar atividades com massa de modelar, tinta, giz de cera, jornal, revista, barbante, balão, panos, são práticas necessárias para estimular a coordenação motora fina auxiliando na preensão e escrita. • Atividades de relaxamento – massagens, danças, leitura, música, fantoches, teatro. Também por meio do contato o bebê se sentirá mais seguro, confortável e próximo à sua família, proporcionando mais tranquilidade no seu dia a dia. • Aulas direcionadas para o equilíbrio, lateralidade, percepção corporal, organização temporal e espacial – auxiliam no desenvolvimento global do bebê, a ter noção que existe e que tem domínio do seu próprio corpo. Por exemplo, circuitos, espelhos, músicas com movimentos, natação. FIGURA 9 A Psicomotricidade relacional trabalha com grupos de indivíduos FONTE Freepik Psicomotricidade e a Educação O valor da afetividade nas intervenções psicomotoras Capítulo 4 Resumindo E então, gostou do que lhe mostramos? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Na intervenção da Psicomotricidade afetiva não se busca a execução perfeita do movimento, mas sim a expressão do movimento desejado pelo sujeito. Desse modo, deve- se proporcionar um ambiente físico e transicional no qual o indivíduo possa expressar e ressignificar suas dificuldades, limitações e potencialidades relacionais pela via do trabalho corporal. Assim, haverá uma resposta positiva nas questões cognitivas, sociais, emocionais e psíquicas, levando-o a desenvolver suas habilidades de ação inteligente, seja seu potencial íntegro ou esteja ele afetado por deficiências de qualquer origem. Psicomotricidade e a Educação Referências BARROS, D. R. A Gerontologia de Intervenção. Revista Eletrônica Informativo GRD – Ano II – Ed 03 – Janeiro a Junho de 2001. Rio de Janeiro, 14 de abril de 2001. Disponível em: http:// www.geocities.com/grdclube. Acesso em 23 out 2003. BERGER, K. S. O Desenvolvimento da Pessoa: da infância à adolescência. Rio de Janeiro: LTC, 2003. CABRAL, S. V. Psicomotricidade Relacional: Prática Clínica e Escola. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. LEVIN, E. O desenvolvimento psicomotor diante da modernidade. Estilos clínicos, São Paulo, v. 5, n. 8, p. 147-155, 2000. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1415- 71282000000100012&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 11 set 2021. FONSECA, V. Psicomotricidade: Filogênese, Ontogênese e Retrogênese. 2ª ed. Porto Alegre: Art Med, 1998. FONSECA, V. Gerontopsicomotricidade: uma abordagem ao conceito da retrogênese psicomotora. In: Fonseca V. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. MASSUE, I. A Psicomotricidade Aplicada à Terceira Idade na Clínica e em Centro de Convivência. VII Congresso Brasileiro de Psicomotricidade, Fortaleza, 1998.