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Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família AULA: CASAMENTO: HABILITAÇÃO E CELEBRAÇÃO ROTEIRO – SISTEMATIZAÇÃO I – HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO 1. Finalidade: Verificar os requisitos do casamento, inexistência de impedimentos e causa suspensiva e publicidade do ato. 2. Procedimento: a) Requerimento: “será feito pessoalmente perante o oficial do registro (art. 1.526 do CC) e será firmado por ambos os nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador (art. 1.525 do CC)”1. b) Proclamas: CC, Art. 1.527. Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, que se afixará durante quinze dias nas circunscrições do Registro Civil de ambos os nubentes, e, obrigatoriamente, se publicará na imprensa local, se houver. Parágrafo único. A autoridade competente, havendo urgência, poderá dispensar a publicação. c) Certificado de habilitação – eficácia 90 dias CC, Art. 1.531. Cumpridas as formalidades dos arts. 1.526 e 1.527 e verificada a inexistência de fato obstativo, o oficial do registro extrairá o certificado de habilitação. CC, Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em que foi extraído o certificado. II – CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO 1. Princípios gerais • Publicidade • Consentimento 2. “Formas” • Por procuração • Forma ordinária, comum, convencional • Casamento por videoconferência • Casamento em caso de moléstia grave • Casamento nuncupativo • Casamento (celebração) religioso com efeitos civis • Casamento consular 1 OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, p. 244. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 3. Casamento por procuração CC, Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público, com poderes especiais. § 1º A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário; mas, celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação, responderá o mandante por perdas e danos. § 2º O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo. § 3º A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. § 4º Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. 3.1. Casamento nuncupativo por procuração: CC, Art. 1.542. § 2º O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo. 4. Forma ordinária, comum, convencional 4.1. Dia, hora e local CC, Art. 1.533. Celebrar-se-á o casamento, no dia, hora e lugar previamente designados pela autoridade que houver de presidir o ato, mediante petição dos contraentes, que se mostrem habilitados com a certidão do art. 1.531 . Doutrina: - “Quando realizado em edifício particular denomina-se casamento em diligência”2 - “Não deve ser permitida a realização de casamento em prédios e apartamentos, seja salão de festas, seja na unidade condominial, ainda que permaneçam com as portas abertas, uma vez que a insegurança que principalmente nas cidades mais populosas faz com que o ingresso nos prédios seja controlado pelo serviço de portaria.” (C. R. Gonçalves) - “não se admitem locais impróprios para o comparecimento, ou inacessíveis, como em um navio, ou numa aeronave, eis que situações que inviabilizam por inteiro o requisito da publicidade, senão de assegura o acesso ou a presença do público.” (A. RIZZARDO) 4.2. Testemunhas “Como regra o casamento deve ser celebrado na presença de pelo menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes. Serão quatro as testemunhas se algum dos contraentes não souber ou não puder escrever e quando celebrado em edifício particular (art. 1.534, § 2º, do CC)”3 2 OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, p. 247. 3 Ididem, id. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1531 Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família Número de testemunhas (parentes ou não) REGRA 2 testemunhas EXCEÇÃO 4 testemunhas quando: algum dos contraentes não souber ou não puder escrever e quando celebrado em edifício particular 4.3. Suspensão da celebração: “A celebração do casamento deve ser imediatamente suspensa se algum dos contraentes: • Recusar a solene afirmação da sua vontade; • Declarar que sua vontade não é livre e espontânea; • Manifestar-se arrependido. Se o nubente incorrer numa dessas hipóteses dando causa a suspensão da celebração não será admitido retratar-se no mesmo dia, logo, a celebração somente poderá ser realizada no dia seguinte (art. 1.538 do CC)”4. 4.4. Solenidade: CC, Art. 1.535. Presentes os contraentes, em pessoa ou por procurador especial, juntamente com as testemunhas e o oficial do registro, o presidente do ato, ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade, declarará efetuado o casamento, nestes termos: "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados." 5. Casamento por videoconferência 5.1. Previsão – Lei de Registros Públicos – LRP, lei nº 6.015/1973 com alterações promovidas pela Lei nº 14.382, de 2022 (Lei Sistema Eletrônico dos Registros Públicos – SERP) LRP, Art. 67, § 8º A celebração do casamento poderá ser realizada, a requerimento dos nubentes, em meio eletrônico, por sistema de videoconferência em que se possa verificar a livre manifestação da vontade dos contraentes. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 6. Casamento em caso de moléstia grave 6.1. Conceito - compreensão Doutrina: “pressupõe-se que já estejam satisfeitas as formalidades preliminares do casamento e o oficial do registro civil tenha expedido o certificado de habilitação ao 4 OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, p. 248. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família casamento, mas a gravidade do estado de saúde de um dos nubentes o impede de locomover-se e de adiar a cerimônia. Neste caso, o juiz irá celebrá-lo na casa dele ou ‘onde se encontrar’ (no hospital, p. ex.), em companhia do oficial., ‘ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever’. Só em havendo ‘urgência’ é que o casamento será realizado à noite.” (C. R. GONÇALVES) CC, Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. § 1º A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir- se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc , nomeado pelo presidente do ato. § 2º O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc , será registrado no respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado. 7. Casamento nuncupativo - in extremis vitae momentis, in articulo mortis, viva voz e piedoso 7.1. Conceito – compreensão “O casamento nuncupativo ou in extremis vitae momentis, ou in articulo mortis é uma forma especial de celebração de casamento em que, ante a urgência do caso e por falta de tempo, não se cumprem todas as formalidades estabelecidas...” “trata-se de um casamento subordinado à habilitação a posteriori e homologação judicial.” (M. H DINIZ) 7.2. Etimologia: “‘nuncupativo’ deriva de nuncupare: dizer em voz alta”5. 7.3. Previsão CC, Art. 1.540. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida, não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto,poderá o casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas, que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau. 7.4. Requisitos • Iminente risco de morte de contraente • Presença de SEIS testemunhas que não sejam parentes em linha reta e colateral até SEGUNDO grau 5 OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, p. 250. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 7.5. Procedimento CC, Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer perante a autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que lhes tome por termo a declaração de: I - que foram convocadas por parte do enfermo; II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo; III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e espontaneamente, receber-se por marido e mulher. § 1º Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às diligências necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se habilitado, na forma ordinária, ouvidos os interessados que o requererem, dentro em quinze dias. § 2º Verificada a idoneidade dos cônjuges para o casamento, assim o decidirá a autoridade competente, com recurso voluntário às partes. § 3º Se da decisão não se tiver recorrido, ou se ela passar em julgado, apesar dos recursos interpostos, o juiz mandará registrá-la no livro do Registro dos Casamentos. § 4º O assento assim lavrado retrotrairá os efeitos do casamento, quanto ao estado dos cônjuges, à data da celebração. § 5º Serão dispensadas as formalidades deste e do artigo antecedente, se o enfermo convalescer e puder ratificar o casamento na presença da autoridade competente e do oficial do registro. 8. Casamento (celebração) religioso com efeitos civis 8.1. Previsão constitucional CRFB: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 8.2. Lei específica: LEI Nº 1.110/1950, Regula o reconhecimento dos efeitos civis ao casamento religioso 8.3. Produção de efeitos civis: somente se registrado CC, Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração. 8.4. Formas • Casamento religioso com efeitos civis com habilitação prévia; • Casamento religioso com efeitos civis sem habilitação prévia. 8.5. Casamento religioso com efeitos civis com habilitação prévia – registro CC, Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil. § 1º O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família dentro de noventa dias de sua realização, mediante comunicação do celebrante ao ofício competente, ou por iniciativa de qualquer interessado, desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação. 8.6. Casamento religioso com efeitos civis sem habilitação prévia - registro a qualquer tempo – habilitação posterior CC, Art. 1.516. § 2º O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste Código, terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for registrado, a qualquer tempo, no registro civil, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art. 1.532 . 8.7. Nulidade CC, Art. 1.516. § 3º Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil. 8.8. Jurisprudência STJ – “DIREITO CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. RECURSO ESPECIAL. CASAMENTO RELIGIOSO. EFEITOS CIVIS. CELEBRAÇÃO REALIZADA EM 1894. POSSIBILIDADE. COM LIMITAÇÕES. 1. Ação de obrigação de fazer ajuizada em 10/4/2022, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 02/12/2022 e concluso ao gabinete em 28/8/2023. 2. O propósito recursal consiste em decidir sobre (i) a possibilidade de reconhecer efeitos civis para casamento religioso realizado no ano de 1894, para fins de obtenção de cidadania estrangeira de descendente, e (ii) a legitimidade do descendente para pleitear o registro de tal casamento. 3. Com a Proclamação da República, em 1889, os ideais laicos acarretaram a ruptura entre Igreja e Estado e passou-se a reconhecer, em detrimento do religioso, apenas o casamento civil. Contudo, houve grande resistência da população, majoritariamente católica, e do próprio clero, à adoção de tal forma matrimonial. 4. Não se pode deixar de proteger civilmente a família formalizada perante a autoridade religiosa, poucos anos depois da alteração legislativa que deixou de a reconhecer como a única apta a formalizar matrimônio. 5. Embora o casamento ? inclusive religioso ? seja ato pessoal, o mero registro público do ato religioso com habilitação prévia, para que tenha efeitos civis, não é exclusivo dos nubentes. 6. O registro público de casamento religioso traz inúmeras repercussões jurídicas ? sucessórias, previdenciárias, securitárias - todas incidentes desde a data de sua celebração. 7. No recurso sob julgamento, sendo o casamento realizado em 1894 e inexistindo notícia de causa de suspeição ou impedimento para o casamento, deve-se registrar o ato, ainda que com limitações. 8. Recurso conhecido e parcialmente provido, para determinar que o registro civil do casamento religioso de S C e C F seja feito exclusivamente para fins de permitir a cidadania italiana de G S C.” (REsp n. 2.070.844/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24/9/2024, DJe de 27/9/2024). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1532 Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 9. Casamento consular 9.1. Previsão LINDB, Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado. CC, Art. 1.544. O casamento de brasileiro, celebrado no estrangeiro, perante as respectivas autoridades ou os cônsules brasileiros, deverá ser registrado em cento e oitenta dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges ao Brasil, no cartório do respectivo domicílio, ou, em sua falta, no 1 o Ofício da Capital do Estado em que passarem a residir. LEITURA RECOMENDADA 1. OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, pp. 244 a 252. 2. STJ, REsp n. 1.330.023/RN, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 5/11/2013, DJe de 29/11/2013. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=20120032 8782&dt_publicacao=29/11/2013 3. LEI nº 1.110, de 23 de maio de 1950: Regula o reconhecimento dos efeitos civis ao casamento religioso. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/l1110.htm https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=201200328782&dt_publicacao=29/11/2013 https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=201200328782&dt_publicacao=29/11/2013 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/l1110.htm Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família AULA: CASAMENTO: REGIME DE BENS ROTEIRO – SISTEMATIZAÇÃO I – REGIME DE BENS 1. Conceitos: Doutrina: “...Regime de bens é o complexo das normas que disciplinam as relações econômicas entre marido emulher, durante o casamento” (W. B. Monteiro) Doutrina “O regime de bens contém normas sobre a propriedade e destino dos bens que aportam ao casamento e para a união estável. Representam um conjunto de relações patrimoniais denominado de regimes matrimoniais e sua principal função é de dar lastro ao sustento da entidade familiar, que precisa satisfazer suas requisições econômicas e atender aos custos de manutenção da família com os rendimentos do casal na proporção do esforço de cada um, ou pode a entidade familiar criar um patrimônio acomodado ao uso e às necessidades de sustento dos seus componentes” (Rolf Madaleno) 2. Regimes previstos no Código Civil • Comunhão universal; • Comunhão parcial de bens; • Separação total (obrigatória e convencional); • Participação final nos aquestos. 3. Definição do regime 3.1. Princípio da liberdade de escolha CC, Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver. CC, Art. 1.640. Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos regimes que este código regula [...]. 3.2. Exceção: separação obrigatória: CC, Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família a) Casamento da pessoa maior de 70 anos a.1. Crítica: tese da inconstitucionalidade (liberdade e autonomia); a.2. Jurisprudência STJ- O regime de separação de bens deixa de ser obrigatório no casamento de idosos se o casal já vivia um relacionamento em união estável, iniciado quando os cônjuges não tinham restrição legal à escolha do regime de bens, segundo decisão unânime da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ, Notícias, 16/12/2016) STJ - No casamento – e união estável – sob o regime da separação obrigatória é possível pacto antenupcial prever a não incidência da Súmula nº 377 do STF (STJ, T4, REsp nº 1.922.347/2021). STJ - Súmula 655: “Aplica-se à união estável contraída por septuagenário o regime da separação obrigatória de bens, comunicando-se os adquiridos na constância, quando comprovado o esforço comum”. STF – Repercussão geral - Tema 1.236 , tese fixada: “Nos casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoa maior de 70 anos, o regime de separação de bens previsto no artigo 1.641, II, do Código Civil, pode ser afastado por expressa manifestação de vontade das partes mediante escritura pública". 3.3. Regime supletivo ou regime legal: comunhão parcial de bens CC, Art. 1.640: “não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial”. 3.4. Escolha do regime: CC, Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial. Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos regimes que este código regula. Quanto à forma, reduzir-se-á a termo a opção pela comunhão parcial, fazendo-se o pacto antenupcial por escritura pública, nas demais escolhas. 3.5. Síntese, sistematização REGRA Escolha pelos nubentes Não exercício Comunhão parcial de bens Escolha Simples manifestação: Comunhão parcial de bens Pacto antenupcial: demais regimes EXCEÇÃO Separação obrigatória – art. 1.641 Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 4. Pacto antenupcial: obrigatoriedade, forma, validade e eficácia Obrigatoriedade Adoção dos regimes Comunhão universal Separação de bens (convencional) Participação final nos no aquestos Forma Escritura pública Validade CC, Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública [...] Conteúdo: CC Art. 1.655. É nula a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta de lei. Eficácia CC, Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento. Celebrado por menor: Art. 1.654. A eficácia do pacto antenupcial, realizado por menor, fica condicionada à aprovação de seu representante legal, salvo as hipóteses de regime obrigatório de separação de bens. Perante terceiros: Art. 1.657. As convenções antenupciais não terão efeito perante terceiros senão depois de registradas, em livro especial, pelo oficial do Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges. 5. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL 5.1. Conceito, compreensão: Doutrina: “[...]consiste na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges, assim como de suas dívidas. Todos os bens do casal, não importa a natureza, móveis e imóveis, direitos e ações, passam a consistir uma só massa, um só acervo, que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. Cada cônjuge tem direito à metade ideal dessa massa; formam ambos verdadeira sociedade, embora regida por normas especiais. Tudo quanto um deles adquirir transmite imediatamente, por metade, ao outro cônjuge; ainda que nada tenha trazido para a sociedade conjugal, ou nada tenha adquirido durante a sua constância, recebe a metade do que o outro trouxe ou adquiriu na vigência da mesma sociedade. ” (W. B. Monteiro; Regina B. T. da Silva) 5.2. Regra: CC, Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo seguinte. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 5.3. Bens excluídos CC, Art. 1.668. São excluídos da comunhão: I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar; II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade; V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659 . CC, art. 1.659. Excluem-se da comunhão: V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. 5.4. Comunicabilidade dos frutos dos bens incomunicáveis: CC, Art. 1.669. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se estende aos frutos, quando se percebam ou vençam durante o casamento. 6. REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL 6.1. Conceito – noção Doutrina: “[...]o regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja, a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial.” (Eduardo de. O. Leite) 6.2. Regra CC Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes. 6.3. Bens excluídos CC, Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1659 Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de famíliaIII - as obrigações anteriores ao casamento; IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. a) Sub-rogados “...o limite da sub-rogação é o valor do bem particular[...] Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado, a diferença do valor, se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge, passa a ser comum a ambos...” (Eduardo de. O. Leite) b) Doação ou sucessão CC, Art. 1.660. Entram na comunhão: III ... adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges c) Bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão “...Os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; Como se trata de bens de uso pessoal, há presunção absoluta de que pertencem a cada um dos cônjuges, não sendo possível a prova da origem conjunta. São considerados de uso pessoal (livros, roupas, computador, celular, lembranças, jóias, arquivos pessoais, etc... e se há em duplicidade: carro e televisor...” (Eduardo de. O. Leite) d) Proventos do trabalho “Parece injusto que a contraprestação pecuniária não convertida em patrimônio nupcial pudesse ser considerada com sendo um crédito pessoal e incomunicável do titular destes recursos, pois esta interpretação acabaria por desestimular a aquisição de bens físicos... ora[...] um dos consortes paga as contas da família e outro acumular as reservas de seu trabalho.” (Rof Madaleno) STJ – Jurisprudência em teses: “As verbas de natureza trabalhista nascidas e pleiteadas na constância da união estável ou do casamento celebrado sob o regime da comunhão parcial ou universal de bens integram o patrimônio comum do casal e, portanto, devem ser objeto da partilha no momento da separação”. d.1) Comunicabilidade do FGTS? STJ – Jurisprudência em teses: Deve ser reconhecido o direito à meação dos valores depositados em conta vinculada ao Fundo de Garantia de Tempo de Serviço FGTS auferidos durante a constância da união estável ou do casamento celebrado sob o regime da comunhão parcial ou universal de bens, ainda que não sejam Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família sacados imediatamente após a separação do casal ou que tenham sido utilizados para aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação. e) Pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes “Pensões: quantia em dinheiro paga mensalmente a um beneficiário em virtude de lei, de sentença, de contrato ou de disposição de ultima vontade [...]; Meios- soldos: é a metade do soldo que o Estado paga a seus servidores reformados [...]; Montepios: é a soma que, por óbito de seus funcionários, em atividade ou não, paga o Estado aos respectivos beneficiários.”(W. B. Monteiro) e.1) Previdência STJ – Jurisprudência em teses: Os valores investidos em previdência privada fechada se inserem, por analogia, na exceção prevista no art. 1.659, VII, do Código Civil de 2002, consequentemente, não integram o patrimônio comum do casal e, portanto, não devem ser objeto da partilha 6.4. Bens comunicáveis CC, Art. 1.660. Entram na comunhão: I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. 7. SEPARAÇÃO DE BENS 7.1. Conceito - noção “No regime da separação convencional, cada cônjuge conserva a plena propriedade, a integral administração e fruição de seus próprios bens, podendo aliená-los e gravá-los de ônus real livremente, sejam móveis ou imóveis. ” (C. R. Gonçalves) 7.2. Formas • Separação obrigatória • Separação voluntária, convencional 7.3. Separação obrigatória Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 7.3.1. Hipóteses art. 1.641 7.3.2. Súmula nº 377 do STF STF – Súmula nº 377: No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. a) Aplicabilidade: - Aprovação: 3/4/1964 - Modalidade aplicável - Comprovação do esforço comum - Possibilidade de afastar a incidência STJ: No casamento – e união estável – sob o regime da separação obrigatória é possível pacto antenupcial prever a não incidência da Súmula nº 377 do STF (STJ, T4, REsp nº 1.922.347/2021). 7.4. Separação voluntária, convencional 7.4.1. Hipótese: voluntariamente eleita pelos nubentes mediante pacto antenupcial 7.4.2. Regime: CC, Art. 1.687. Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. CC, Art. 1.688. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. 7.5. Separação “total” e “absoluta” “Ainda em torno do regime da separação de bens é usual o emprego das expressões separação absoluta e separação total de bens. A prestabilidade desses termos também demanda algumas observações. O Código Civil acolhe a locução separação absoluta no art. 1.647: “[...] nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta”. No comando a expressão serve para excepcionar a obrigatoriedade de outorga conjugal. Embora haja divergência, entende-se que o termo ‘separação absoluta’ aí empregado refere-se tão somente ao regime da separação convencional de bens. A limitação de sentido e alcance tem fundamento. A separação é absoluta “quando não se comunicam de forma alguma os bens de cada consorte”, a incomunicabilidade ‘total’ dos bens entre os cônjuges somente é factível no regime da Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família separação convencional. A Súmula nº 377 do STF, a seguir analisada, torna possível que no regime da separação obrigatória haja comunicação (meação) de bens adquiridos na constância do casamento. Nesses casos não haverá propriamente separação ‘total’ de bens. Daí o endosso à posição que considera que apenas a separação convencional é de fato absoluta, consequentemente os vocábulos ‘absoluta’ e ‘total’ somente têm pertinência nessa espécie de separação” (Paulo Henrique de Oliveira6). 8. PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS 8.1. Conceito – noção - “O regime da separação final nos aquestos é inovação no Código atual, que suprimiu o regime dotal, reconhecidamente anacrônico e em descompasso com a evolução da sociedade brasileira. O novo regime, como se verá, certamente só será adotado por segmentos sociais mais arejados da sociedade brasileira, tão diminuto e inexpressivo no âmbito geral que, fatalmente, cairá em desuso, como ocorreu com o dote, em sociedade, reconhecidamente singela e sem posses. ” (Eduardo d. O. Leite) - “Na participação final nos aquestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento, mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. Cada cônjuge trabalha isoladamente, mas não no seu interesse individual. ” (Rolf Madaleno) 8.2. Regime CC, Art. 1.672. No regime de participação final nos aqüestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante disposto no artigoseguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento. a) Patrimônio próprio: CC, Art. 1.673. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos, a qualquer título, na constância do casamento. Parágrafo único. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge, que os poderá livremente alienar, se forem móveis. b) Patrimônio comum – aquestos Excluídos: CC, Art. 1.674. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal, apurar-se-á o montante dos aqüestos, excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: I - os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram; 6 OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, p. 298. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família II - os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade; III - as dívidas relativas a esses bens. c) Direito de meação CC, Art. 1.682. O direito à meação não é renunciável, cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial. 9. ALTERAÇÃO DE REGIME DE BENS 9.1. Noção “... Sempre foi tradição no direito pátrio, em matéria de regime de bens, a sustentação da irrevogabilidade, como eixo central de toda a questão patrimonial e que encontrava em doutrina sedimentada adeptos fervorosos e críticos igualmente convictos. Venceu a segunda tendência, como expressão natural da evolução socioeconômica e amadurecimento das mentalidades” (E. O. Leite). 9.2. Previsão legal CC, § 2º, do art. 1.639: “é admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros”. 9.3. Requisitos: da norma autorizadora e da legislação processual aplicável extraímos a existência de requisitos procedimentais, formais e materiais: Requisitos – alteração de regime de bens Procedimentais Autorização judicial Processo e procedimento Formais da petição inicial Materiais Consentimento Motivo, razões que justifiquem a alteração Ressalva dos direitos de terceiros 9.4. Efeitos da alteração: “a modificação do regime de bens do casamento produz efeitos ex nunc (prospectivo, para o futuro) a partir da decisão que homologa a alteração, ficando regidos os fatos jurídicos anteriores e os efeitos pretéritos pelo regime de bens então vigente” (STJ, REsp nº 1.947.749/2021). 9.5. Direito intertemporal: Após a vigência do CC/2002 surgiram discussões quanto à aplicação da norma (art. 1.639, § 2º, do CC) que permite a alteração de regime de bens aos casamentos celebrados sob a égide do CC/1916 dada a ausência de norma autorizadora no revogado código. Restou consolidado na jurisprudência do STJ que “é possível a modificação do regime de bens escolhido pelo casal, ainda que o casamento tenha sido celebrado na vigência do Código Civil anterior” (REsp nº 1.904.498/2021). Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família 9.6. Procedimento – Jurisdição voluntária, CPC, art. 734. LEITURA RECOMENDADA 4. OLIVEIRA, Paulo Henrique de. Direito Civil: parte especial. São Paulo: Editora Rideel, 2023, pp. 280 a 306. 5. SEPARAÇÃO de bens não é obrigatória para idosos quando casamento é precedido de união estável. Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias- antigas/2016/2016-12-16_08-02_Separacao-de-bens-nao-e-obrigatoria-para- idosos-quando-casamento-e-precedido-de-uniao-estavel.aspx 6. ARE 1.309.642 (Tema 1.236) Exigência de separação de bens nos casamentos e uniões estáveis com pessoa maior de 70 anos. Disponível em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ARE1309642Separ aoobrigatoria70anos1212.pdf 7. STJ, Jurisprudência em Teses, EDIÇÃO N. 113: DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL E DA UNIÃO ESTÁVEL – I. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetPDFJT?edicao=113 APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS/QUESTÕES 1) (OAB – XXIII Exame de Ordem Unificado – FGV – 2017) Arlindo e Berta firmam pacto antenupcial, preenchendo todos os requisitos legais, no qual estabelecem o regime de separação absoluta de bens. No entanto, por motivo de saúde de um dos nubentes, a celebração civil do casamento não ocorreu na data estabelecida. Diante disso, Arlindo e Berta decidem não se casar e passam a conviver maritalmente. Após cinco anos de união estável, Arlindo pretende dissolver a relação familiar e aplicar o pacto antenupcial, com o objetivo de não dividir os bens adquiridos na constância dessa união. Nessas circunstâncias, o pacto antenupcial é A) válido e ineficaz. B) válido e eficaz. C) inválido e ineficaz. D) inválido e eficaz. 2) (OAB – XXXI Exame de Ordem Unificado – FGV – 2020) Aldo e Mariane são casados sob o regime da comunhão parcial de bens, desde setembro de 2013. Em momento anterior ao casamento, Rubens, pai de Mariane, realizou a doação de um imóvel à filha. Desde então, a nova proprietária acumula os valores que lhe foram pagos pelos locatários do imóvel. No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que Mariane pretendesse se divorciar de Aldo. Para tal finalidade, procurou um advogado, informando que a soma dos aluguéis que lhe foram pagos desde a doação do imóvel totalizava R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) foram auferidos antes do casamento e o restante, após. Mariane relatou, ainda, que atualmente https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2016/2016-12-16_08-02_Separacao-de-bens-nao-e-obrigatoria-para-idosos-quando-casamento-e-precedido-de-uniao-estavel.aspx https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2016/2016-12-16_08-02_Separacao-de-bens-nao-e-obrigatoria-para-idosos-quando-casamento-e-precedido-de-uniao-estavel.aspx https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2016/2016-12-16_08-02_Separacao-de-bens-nao-e-obrigatoria-para-idosos-quando-casamento-e-precedido-de-uniao-estavel.aspx https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ARE1309642Separaoobrigatoria70anos1212.pdf https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ARE1309642Separaoobrigatoria70anos1212.pdf https://scon.stj.jus.br/SCON/GetPDFJT?edicao=113 Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família o imóvel se encontra vazio, sem locatários. Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale a afirmativa correta. A) Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o total dos valores. B) Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu bem particular, os aluguéis por ela auferidos não se comunicam com Aldo. C) Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título de aluguel. D) Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do imóvel doado a Mariane por Rubens, quanto sobre os valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na constância do casamento. 3) (OAB – XX Exame de Ordem Unificado – FGV – 2016) Juliana é sócia de uma sociedade empresária que produz bens que exigem alto investimento, por meio de financiamento significativo. Casada com Mário pelo regime da comunhão universal de bens, desde 1998, e sem filhos, decide o casal alterar o regime de casamento para o de separação de bens, sem prejudicar direitos de terceiros, e com a intenção de evitar a colocação do patrimônio já adquirido em risco. Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. A) A alteração do regime de bens mediante escritura pública, realizada pelos cônjuges e averbada no Registro Civil, é possível. B) A alteração do regime de bens, tendo em vista que o casamento foi realizado antes da vigência do CódigoCivil de 2002, não é possível. C) A alteração do regime de bens mediante autorização judicial, com pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros, é possível. D) Não é possível a alteração para o regime da separação de bens, tão somente para o regime de bens legal, qual seja, o da comunhão parcial de bens. 4) (OAB – XX Exame de Ordem Unificado – FGV – 2016) Em maio de 2005, Sérgio e Lúcia casaram-se pelo regime da comunhão parcial de bens. Antes de se casar, ele já era proprietário de dois imóveis. Em 2006, Sérgio alugou seus dois imóveis e os aluguéis auferidos, mês a mês, foram depositados em conta corrente aberta por ele, um mês depois da celebração dos contratos de locação. Em 2010, Sérgio recebeu o prêmio máximo da loteria, em dinheiro, que foi imediatamente aplicado em uma conta poupança aberta por ele naquele momento. Em 2013, Lúcia e Sérgio se separaram. Lúcia procurou um advogado para saber se tinha direito à partilha do prêmio que Sérgio recebeu na loteria, bem como aos valores oriundos dos aluguéis dos imóveis adquiridos por ele antes do casamento e, mensalmente, depositados na conta corrente de Sérgio. Com base na hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. A) Ela não tem direito à partilha do prêmio e aos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis, uma vez que se constituem como bens particulares de Sérgio. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família B) Ela tem direito à partilha dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis, mas não tem direito à partilha do prêmio obtido na loteria. C) Ela tem direito à partilha do prêmio, mas não poderá pleitear a partilha dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis de seus imóveis. D) Ela tem direito à partilha do prêmio e dos valores depositados na conta corrente de Sérgio, oriundos dos aluguéis dos imóveis de Sérgio, uma vez que ambos constituem-se bens comuns do casal. 5) (OAB – XVIII - Exame de Ordem Unificado – FGV – 2015) Roberto e Ana casaram-se, em 2005, pelo regime da comunhão parcial de bens. Em 2008, Roberto ganhou na loteria e, com os recursos auferidos, adquiriu um imóvel no Recreio dos Bandeirantes. Em 2014, Roberto foi agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto da herança de sua tia. Em 2015, Roberto e Ana se separaram. Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a afirmativa correta. A) Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens comuns e, por isso, deverão ser partilhados em virtude da separação do casal. B) Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o imóvel situado em Santa Teresa bem particular de Roberto. C) Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido com o produto de bem advindo de fato eventual. D) Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são bens particulares de Roberto. 6) (OAB – II - Exame de Ordem Unificado – FGV – 2010) Jane e Carlos constituíram uma união estável em julho de 2003 e não celebraram contrato para regular as relações patrimoniais decorrentes da aludida entidade familiar. Em março de 2005, Jane recebeu R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de doação de seu tio Túlio. Com os R$ 100.000,00 (cem mil reais), Jane adquiriu em maio de 2005 um imóvel na Barra da Tijuca. Em 2010, Jane e Carlos se separaram. Carlos procura um advogado, indagando se tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005. Assinale a alternativa que indique a orientação correta a ser exposta a Carlos. A) Por se tratar de bem adquirido a título oneroso na vigência da união estável, Carlos tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005. B) Carlos não tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005 porque, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais entre os mesmos o regime da separação total de bens. C) Carlos não tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005 porque, em virtude da ausência de contrato escrito entre os companheiros, aplica- se às relações patrimoniais entre os mesmos o regime da comunhão parcial de bens, que exclui dos bens comuns entre os consortes aqueles doados e os sub-rogados em seu lugar. Prof. Paulo Henrique de Oliveira (@profpholiveira) – Direito de família D) Carlos tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005 porque, muito embora o referido bem tenha sido adquirido com o produto de uma doação, não se aplica a sub-rogação de bens na união estável.