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Licenciatura em Medicina Dentaria 5° Ano
Cirurgia II
TEMA: INFECÇÕES ODONTOGÉNICAS
Grupo: IV-Tema: Infecções Odontogénicas 
Discente: Docente: Amisse Francisco José
Joel Victorino Companhia Dr. António Alberto 
Mardlethy De Lurdes Nicolau Martins 
Paulo Francisco Sozinho
Janeiro de 2025
 INTRODUÇÃO 
Os processos sépticos odontogénicos são as entidades infecciosas mais frequentes da região cervicofacial, e na prática estomatológica é uma das condições que mais exigem atenção. A sua correcta gestão requer a preparação de profissionais em aspectos microbiológicos, fisiológicos, anatómicos, semiológicos e farmacológicos. Portanto, foi realizada uma exaustiva revisão bibliográfica com o objectivo de elaborar um material bibliográfico que compila e ilustra as principais características dos processos sépticos odontogénicos.
OBJECTIVOS 
Geral:
Compreender a origem dos Processos Sépticos de Causa Odontogénica;
Específicos:
Abordar a etiologia dos processos sépticos de causa odontogénica;
Caracterizar o Processo Séptico de Causa Odontogénica de acordo com a causa;
Descrever o principal factor que influencia na evolução dos processos sépticos odontologia;
Indicar/trazer exemplos de processos sépticos e a contudo a seguir. 
Infecções odontogénicas
Definição e conceitos
A infecção pode ser definida como uma proliferação nociva de microrganismos dentro de um hospedeiro, que alteram e destroem células gerando sinais e sintomas locais.2
Os processos sépticos odontogénicos são as entidades infecciosas mais frequentes da região cervicofacial, e na prática estomatológica é uma das condições que mais exigem atenção.1
Infecções odontogénicas
 Etiologia
A infecção odontogénica não é causada por um único microorganismo, mas frequentemente é polimicrobianas; e podem ser isolados, em alguns casos, até 6 espécies bacterianas diferentes.2
Infecções odontogénicas
Infecções que atingem a cavidade oral podem ser classificadas em dois grupos, baseados na sua origem: 
Odontogênicas: infecções que se iniciam a partir de estruturas dentais. Dentre as causas principais das infecções odontogênicas temos: cárie dentária, infecção dento-alveolar (infecção da polpa e abscesso periapical), gengivites, periodontites, osteíte, oteomielites ou ainda infecções pós-cirúrgicas.
Não Odontogênicas: infecções da mucosa oral, das glândulas salivares, dentre outras. 
Infecções odontogénicas
As infecções odontogénicas possuem três origens principais
Periapical: a lesão de cárie se propaga pelo esmalte, dentina, cemento e polpa. Nestes locais os microrganismos aumentam o seu potencial de gerar infecção chegando à região periapical, onde a condição se dissemina.
Periodonto: as bactérias da placa subgengival leva a periodontite e à formação de bolsas, chegando no osso alveolar com suas exotoxinas.
Pericoronário: bactérias colonizam o opérculo gengival que recobre um dente semi-incluso, gerando infecções. 
Figura 1 – Origem da infecção odontogénica (A) Carie dentaria (B) Doença periodontal no dente 35 (C) Pericoronarite
Fonte: Antenor et al. 2007.
PRINCIPAIS LOCALIZAÇÕES 
Espaços fasciais 
Os espaços fasciais são compartimentos teciduais revestidos por fáscia, preenchidos por tecido conjuntivo frouxo, que podem torna-se inflamados quando invadidos por micro-organismos.4
Factores que incluem a demora na procura do atendimento especializado, antibioticoterapia inicial inadequada, condições sistémicas imunossupressoras e virulência do microrganismo podem contribuir para a rápida disseminação do processo infeccioso.
Figura 2 -Espaço Mastigador
PROCESSO SÉPTICO DE CAUSA ODONTOGÉNICA
Microbiologia
Araújo et al. (2007) afirma que ao se tentar isolar o agente etiológico raramente será observada apenas uma bactéria, mas sim várias espécies com metabolismos distintos, portanto as infecções odontogénicas têm como principal característica ser de natureza polimicrobianas e mista. 2
As bactérias nativas são as mesmas presentes na placa supra e subgengival, e sua predominância varia de acordo com o estágio e o tempo de evolução da infecção odontogénica. Dentre elas destacam-se:
Cocos aeróbicos Gram-positivo 
Cocos anaeróbicos Gram-negativos 
Bastonetes anaeróbicos Gram-negativos. 3
PRINCIPAIS INFECÇÕES DE CAUSA ODONTOGÉNICA
ABCESSO ODONTOGÉNICO
CELULITE FACIAL
ANGINA DE LUDWIG
OSTEOMIELITE ODONTOGÉNICA
PRINCIPAIS INFECÇÕES DE CAUSA ODONTOGÉNICA
ABCESSO ODONTOGÉNICO
O abscesso odontogénico é um processo infeccioso purulento, ou seja, quando há a presença de pus, causado por bactérias patogênicas.1
Sintomas do abscesso dentário:
Os principais sintomas do abscesso dentário são:
Dor moderada ou intensa;
Inchaço na região do dente ou do rosto;
Febre;
Linfonodos da região do pescoço inchados.
ABCESSO ODONTOGÉNICO
Factores de risco para o abscesso 
Um abscesso odontogénico pode ter várias origens, como por exemplo: a doença cárie, a necrose pulpar, a doença periodontal, a dificuldade de higienização de um dente semi-incluso, o pós operatório cirúrgico, algum trauma ou fratura, entre outras.
Exames de Raios-X para diagnosticar abscesso 
Os exames de raios X ou radiografias são exames complementares extremamente importantes na Odontologia para o diagnóstico de diversas doenças bucais.
ABCESSO ODONTOGÉNICO
Diagnóstico clínico do dentista 
No exame clínico o Cirurgião-Dentista avaliará as condições de saúde bucal e principalmente do elemento dentário envolvido no processo infeccioso.
Além disso, o profissional pode realizar testes como o teste de percussão e o teste de vitalidade pulpar para diagnosticar a localização e a origem do abscesso odontogênico e realizar o tratamento mais indicado.4
ABCESSO ODONTOGÉNICO
Sinais de Diagnostico:
Historia clínica: paciente refere dor ao contacto oclusal (espontânea, violenta; localizada e pulsátil ); sensação de dente extruído.
Exame clínico: presença de edema subperiósteo (duro) ou submucoso (flutuante muito sensível).
Percussão: Positiva (horizontal)
Provas eléctricas e térmicas: positiva/negativa
R – x: alargamento do espaço periodontal 
ABCESSO ODONTOGÉNICO
ABCESSO ODONTOGÉNICO
Tratamento
O tratamento basea-se na causa e estádio da sua evolução.
Drenagem;
Antibiótico terapia;
Extracção dentária se aplicável.
CELULITE FACIAL 
A infecção odontogénica é uma patologia oriunda dos tecidos dentais e periodontais, e que requer tratamento imediato.
Celulite Facial: celulites faciais são infecções graves de características agudas, com rápida progressão (2 a 4 dias), localização difusa.
ETIOLOGIA 
Estas infecções são causadas mais comumente por bactérias que colonizam nossa pele outras podem ser:
Estreptococos Beta hemolitico (grupo A, B, C, G e F) 73 % dos casos
Haemophilus influenzae do tipo B (celulite bucal)
Streptococcus pneumoniae
Neisseria meningitidis
Aeromonas hydrophila e Vibrio vulnificus (Histórico de exposição a água)
Pseudomonas aeruginosa (pessoas com imunidade baixa como portadores de AIDS e diabetes mellitus)
PATOGENIA 
A celulite fascial de origem odontogénica geralmente está associada a:
Cárie dentária, 
Raízes residuais;
 Necroses pulpares, 
 Apresentando sempre microbiota mista.
Quadro Clinico( Sinais e Sintomas)
Sinais e sintomas
Dor
Eritema
Calor no local da lesão
Sua coloração é bastante avermelhada, quente e dolorosa. 
 A pele enrijecida no local.
Podem ocorrer manifestações sistémicas como febre e mal-estar
Imagem: Celulite facial em criança e adulto
Rev. cir. traumatol. buco-maxilo-fac. vol.12 no.3 Camaragibe Jul./Set. 2012
DIAGNOSTICO 
Formas de Diagnostico 
Exame Clinico;
Exames Complementares: 
Exames Radiográficos;
No entanto em algumas situações, exames de imagem devem ser solicitados sobretudo para descartar outros diagnósticos como trombose venosa profunda, ou descartar complicações como abscessose osteomielite.
Hemocultura
Culturas teciduais
Celulite X Abcesso 
	Características	
	Celulite	
	Abscesso	
	Duração	
	Aguda	
	Crónica	
	Dor	Intensa e generalizada		Localizada	
	Volume		Grande		Pequeno	
	Localização		Limites difusos	
	Bem delimitado	
	Palpação	
	Pastosa e endurecida	
	Flutuante	
	Presença de pus	
	Não 	Sim
	Grau de gravidade	
	Maior	Menor 
Diagnostico Diferencial
Celulite Facial 
Abcesso Odontogénico 
Tratamento 
Pacientes alérgicos à penicilina
Em pacientes alérgicos à penicilina: 
Clindamicina, 300 a 450 mg por via oral 3 vezes ao dia, 
Macrólido por via oral (claritromicina, 250 a 500 mg por via oral 2 vezes ao dia;
 Azitromicina, 500 mg por via oral no 1º dia, então 250 mg por via oral uma vez ao dia) são alternativas.
Tratamento
Celulite purulenta ou complicada
Os tratamentos são diversos. O Cirurgião dentista irá agir conforme a intensidade da manifestação.
Drenagem do pus através de uma incisão;
Prescrição de antibióticos;
Remoção do dente.
ANGINA DE LUDWIG
A angina de Ludwig é uma infecção rara no assoalho da boca. Causa inchaço nas áreas sob a língua (chamadas de espaço submandibular). É causada por bactérias e pode ser causada por não escovar os dentes regularmente, por infecções dentárias ou por tratamento dentário.4
O inchaço pode se tornar tão grave que afeta a capacidade de respirar. Pode rapidamente tornar-se fatal e pode ser necessário ir ao pronto-socorro. Eles irão ajudá-lo a respirar e iniciar o tratamento com antibióticos para tratar a infecção.4
ANGINA DE LUDWIG
Sintomas mais comuns
Inchaço da boca e pescoço.
Dor surda na boca, com inchaço fazendo com que a língua se eleve ou fique para fora.
Excesso de baba e dificuldade para engolir;
Dificuldade em falar claramente;
Dificuldade em respirar e necessidade de se curvar para respirar;
Febre.
ANGINA DE LUDWIG
ANGINA DE LUDWIG
Causa
As principais causas da angina de Ludwig são não cuidar bem dos dentes (má higiene dental) e realizar procedimentos odontológicos. A má higiene dental significa que você tem muitas bactérias na boca. Também pode causar doenças gengivais, infecções dentárias e procedimentos odontológicos mais frequentes.4
ANGINA DE LUDWIG
TRATAMENTO
O tratamento da angina de Ludwig é feito com o uso de antibióticos, que podem ser injetados via endovenosa, para que funcionem de forma mais rápida.
Nos casos onde houver inchaço extenso causado pelo acúmulo de líquidos, o médico pode recomendar uma drenagem desses líquidos, para facilitar a eliminação pelo organismo.
Ao realizar tratamentos odontológicos, recomenda-se seguir as orientações do dentista, fazendo o uso correto dos medicamentos antibióticos, como forma de prevenir o surgimento da angina de Ludwig.7
OSTEOMIELITE ODONTOGENICA
Osteomielite é uma inflamação do osso e da medula óssea, podendo desenvolver-se nos maxilares em consequência de infecção odontogênica, associada ou não a condições sistêmicas. 
A osteomielite caracteriza-se por uma inflamação de origem infecciosa, que invade os espaços medulares do osso, podendo atingir a cortical óssea e o periósteo.
OSTEOMIELITE ODONTOGENICA
A porta de entrada do agente infeccioso ou antígeno para o osso medular costuma se dar por meio de:
Dentes destruídos (necrose pulpar)
Periodonto ou região periimplantar
Alvéolos
Traumas
Dentes parcialmente irrompidos (pericoronarites)
Outros factores de ordem sistémica, menos comuns podem ser:
Infecções hidatogénicas de ordem sistémica;
Doses de Radiação X usadas em radioterapia.
OSTEOMIELITE ODONTOGENICA
Caso I: A radiografia periapical mostra em detalhes, a imagem de densidade mista e limites difusos em região correspondente aos elementos 36, 37 e 38, sugerindo Osteomielite Supurativa Crônica.
TRATAMENTO
Diferentes tipos de tratamento têm sido aplicados, porém sem um resultado totalmente satisfatório a longo prazo. Em casos de exacerbações, o tratamento se resume ao controle das fases de agudização com terapia medicamentosa e, se necessário, realização de desbridamento apenas do sequestro ósseo. A terapia medicamentosa é feita basicamente com antibioticoterapia, sendo as penicilinas referidas pela maioria dos autores como medicações de primeira escolha2. 
Abordagem cirúrgica conservadora apenas para remoção do sequestro ósseo em área de fistulação;
Terapia antibiótica à base de penicilina (Amoxicilina® 500 mg, de 8 em 8 horas, durante 15 dias).
TRATAMENTO DOS PROCESSOS SEPTICOS DE CAUSA ODONTOGENICA
Tratamento Farmacológico
O objectivo da prescrição de antibióticos profiláticos é prevenir a infecção ou a disseminação da infecção.
De acordo com a estimativa do Centro Nacional de Controle e Prevenção de Doenças, aproximadamente um terço de todas as prescrições de antibióticos ambulatoriais é desnecessário. A prescrição de antibióticos pode estar associada ao desenvolvimento de resistência e lado desfavorável.
TRATAMENTO DOS PROCESSOS SEPTICOS DE CAUSA ODONTOGENICA
Tratamento cirúrgico 
o tratamento cirúrgico é uma etapa fundamental na abordagem inicial do paciente portador de abcessos dentoalveolar e celulites severas. Nas celulites leves a moderadas, em pacientes saudáveis, não existe a necessidade de drenagem, pois apenas a eliminação da causa com antibioticoterapia associada promoverá a involução do processo. 
Drenagem extra-oral 
A) anestesia local 
B) Incisão em região de pele e tecido celular subcutâneo 
C) Divulsão, drenagem e compressão digital 
D) Dreno Penrose instalado no local da incisão
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Para um correto diagnóstico é necessário a realização da anamnese, exames físicos intra e extraoral, avaliação da condição geral do paciente e conhecimento do histórico médico-odontológico. Os sinais e sintomas característicos são: dor localizada, acompanhada de inchaço na região afetada, vermelhidão e perda de função como: o trismo, disfagia, dislalia e dispneia. Pode ocorrer ainda a febre e a prostração. É importante que o diagnóstico seja feito precocemente, sendo necessário não só o exame clínico dos sinais e sintomas, mas também a análise de exames complementares laboratoriais e de imagem, como: Tomografias Computadorizadas, Ressonâncias Magnéticas e Radiografias. O tratamento se baseia em drenagem cirúrgica, antibioticoterapia, além de compressas e bochechos aquecidos. Em casos mais graves o paciente deve ser hospitalizado.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
Allen CM, Bouquot JE, Damm DD, Neville BW. Patologia Oral e Maxilofacial. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 1998.
Fonte: Simpatio em Celulite Facial Pode Ter Origem em Problemas Odontogênicos
Peterson LJ, Ellis E, Hiupp Jr, Tucker MR. Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
Almeida AM, Lia RCC. Disseminação de infecção purulenta envolvendo segundo e terceiro molares inferiores – relato de caso clínico. Rev Brasileira de Cirurgia eImplantodontia2000;
Rev. cir. traumatol. buco-maxilo-fac. vol.12 no.3 Camaragibe Jul./Set. 2012
Muito Obrigado pela atenção Dispensada 
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