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ANEMIAS MICROCÍTICAS P R O F . H U G O B R I S O L L A COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Anemias Microcíticas 2HEMATOLOGIA PROF. HUGO BRISOLLA INTRODUÇÃO @estrategiamed /estrategiamed Estratégia Med t.me/estrategiamed Caro Estrategista, esse é o tema mais importante da prova de Hematologia: juntas, as anemias microcíticas são responsáveis pela maioria das questões. Mas, o que são as microcitoses? Anemias microcíticas são aquelas marcadas pela presença de hemácias de tamanho diminuído, com volume corpuscular médio (VCM) menor de 80 fl. Decorrem da síntese comprometida de hemoglobina: sem seu principal componente, as hemácias não conseguem crescer, tornando-se menores em tamanho, ou seja, microcíticas. Assim, são quatro as grandes causas de microcitose: anemia ferropriva, anemia de doença crônica, talassemias e anemia sideroblástica. Vamos começar pela mais prevalente e mais importante nas provas: a anemia ferropriva. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 3 SUMÁRIO 1.0 ANEMIA FERROPRIVA 4 1.1 CAUSAS DE ANEMIA FERROPRIVA 4 1.2 FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA FERROPRIVA 5 1.3 QUADRO CLÍNICO DA ANEMIA FERROPRIVA 6 1.4 DIAGNÓSTICO DA ANEMIA FERROPRIVA 7 1.5 TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPRIVA 8 2.0 ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA 10 2.1 FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA 10 3.0 TALASSEMIAS 11 3.1 FISIOPATOLOGIA DAS TALASSEMIAS 11 3.2 BETATALASSEMIAS 12 3.3 ALFATALASSEMIAS 14 4.0 ANEMIA SIDEROBLÁSTICA 14 5.0 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS ANEMIAS MICROCÍTICAS 16 6.0 LISTA DE QUESTÕES 17 7.0.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 18 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 4 1.0 ANEMIA FERROPRIVA CAPÍTULO Anemia por deficiência de ferro é um dos três temas mais comuns na prova de Hemato, junto a anemia falciforme e anemia megaloblástica. Isso porque é a anemia mais comum no mundo, Estrategista, sendo responsável por mais de 50% dos casos! Vamos entender como ela se instala? O ferro é um componente essencial da molécula de hemoglobina, sendo justamente o responsável pela ligação com o oxigênio transportado. É absorvido pela dieta, principalmente no duodeno, sob sua forma heme (ferro ferroso, de origem animal) ou não heme (ferro férrico, de origem vegetal). Em seu estado férrico (Fe3+) deve ser convertido na forma ferrosa (Fe2+) para adentrar os enterócitos, o que é feito por enzimas na membrana entérica e favorecido por ambiente ácido. Após adentrar os enterócitos, o ferro é ligado à transferrina, seu principal transportador sérico, que leva o mineral à medula óssea para a produção de hemoglobina. AJUDAM A ABSORÇÃO DE FERRO ATRAPALHAM A ABSORÇÃO DE FERRO Ácido ascórbico (vitamina C) Cálcio Ácidos orgânicos Fibra alimentar Aminoácidos e proteína da carne Oxalatos, fitatos, fosfatos Ferro - Absorvido no duodeno - Transportado no soro pela transferrina - Armazenado sob a forma de ferritina - Sem mecanismo de excreção: discretas perdas em menstruação e fezes Todo o ferro não utilizado é armazenado no interior dos hepatócitos sob a forma de ferritina. Normalmente, não há excreção de ferro, exceto por perdas via sangramento (como menstrual) e descamação dos enterócitos. 1.1 CAUSAS DE ANEMIA FERROPRIVA Agora que sabemos como o ferro se comporta no organismo, podemos entender o que leva à sua deficiência. Qualquer situação em que o aporte de ferro diminua (carência nutricional), a absorção seja prejudicada ou as perdas estejam aumentadas pode precipitar um balanço negativo de ferro, levando à redução do ferro corporal total e, com isso, à anemia ferropriva. CAUSAS DE DEFICIÊNCIA DE FERRO Carência nutricional Absorção diminuída de ferro Perda crônica de ferro Rara em adultos, mais comum em crianças e gestantes, bem como em países de más condições socioeconômicas Doença celíaca Hipocloridria: gastrectomias, gastrite atrófica por H. pylori Sangramento gastrointestinal crônico: úlceras, neoplasias, gastrites, hemorroidas, varizes esofágicas, angiodisplasias, infestações parasitárias Sangramento ginecológico Hemodiálise Hemólise intravascular: hemoglobinúria paroxística noturna COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 HEMATOLOGIA Anemias Microcíticas 5 É importante lembrar que a carência nutricional possui importância menor como causa de anemia ferropriva em adultos: nessa população, a etiologia mais comum é o sangramento gastrointestinal crônico. 1.2 FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA FERROPRIVA Qualquer que seja sua causa, a anemia ferropriva será o estágio final de três fases progressivas, iniciadas por um balanço negativo de ferro. Seja por menor absorção ou maior perda, essa depleção do ferro corporal faz com que suas reservas (ferritina) sejam consumidas para mantê-lo circulante, até que sejam completamente absorvidas e, assim, cai o nível sérico de ferro, com menor quantidade do mineral chegando à medula óssea. Instala-se, então, a eritropoiese deficiente em ferro, estágio em que a síntese de hemoglobina diminui por falta de aporte desse minério à medula, levando ao surgimento de hemácias microcíticas e hipocrômicas. Com a manutenção dessa produção de hemácias deficientes, surge, finalmente, a anemia ferropriva, inicialmente normo/ normo, mas, progressivamente, hipo/micro. O esquema a seguir resume a instalação da deficiência de ferro, veja com atenção: Conhecendo a fisiopatologia da anemia ferropriva, podemos entender como ela tipicamente se manifesta: uma anemia hipo/micro de RDW aumentado, decorrente da produção de hemácias comprometidas pela incapacidade de síntese de hemoglobina. Anemia ferropriva é nossa principal hipótese para quadros de anemia hipo/micro de RDW aumentado. DEPLEÇÃO DE FERRO ERITROPOIESE DEFICIENTE DE FERRO ANEMIA FERROPRIVA Inicia-se o consumo das reservas de ferro (queda de ferritina), mas sem afetar o ferro circulante (ferro sérico e saturação de transferrina normais). Ferritinapor alguns sinais e sintomas característicos, muito abordados nas provas. A glossite atrófica (“língua careca”) e a queilite angular (inflamação das comissuras labiais) são alterações típicas de todas as anemias carenciais, também encontradas na anemia megaloblástica. Figura 1: Estomatite angular e glossite atrófica - alterações típicas das anemias por carências nutricionais, como deficiência de ferro, vitamina B12 e folato. Outras manifestações são mais específicas da deficiência de ferro, como a pica (compulsão alimentar por substâncias não nutricionais), a coiloníquia (depressão ungueal), a síndrome das pernas inquietas (compulsão em movimentar os membros) e síndrome de Paterson-Kelly ou Plummer-Vinson (formação de membrana esofágica). Sempre que você vir essas alterações na prova, pense imediatamente na anemia ferropriva! COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 HEMATOLOGIA Anemias Microcíticas 7 Figura 2: Pica e coiloníquia - manifestações consideradas muito específicas da anemia ferropriva. 1.4 DIAGNÓSTICO DA ANEMIA FERROPRIVA Agora que conhecemos as alterações clínicas e de hemograma mais características da anemia ferropriva, como podemos confirmar esse quadro? O exame padrão-ouro para o diagnóstico é a avaliação dos estoques medulares de ferro pelo mielograma corado com o azul da Prússia de Perls. No entanto, na maioria dos pacientes, esse exame invasivo pode ser substituído pela avaliação do perfil de ferro, como a seguir: PERFIL DE FERRO Índice Significado Valor de referência Na anemia ferropriva Ferritina Corresponde aos estoques corporais de ferro 20 a 200 ng/mL Diminuída Ferro sérico Mede os níveis circulantes de ferro. Marcador não fidedigno, sofrendo variações com a dieta ou ritmo circadiano 75 a 150 μg/dL Diminuído Saturação de transferrina Mede o quanto da transferrina está ocupada carreando o ferro 20% a 50% Diminuída CTLF/TIBC Capacidade total de ligação do ferro, mede todos os sítios de ligação de transferrina presentes no soro (ocupados ou não), sendo, assim, uma medida indireta dos níveis desse transportador 250 a 450 μg/dL Aumentada Receptores solúveis de transferrina Mede a quantidade de receptores de transferrina nas células, que são mais produzidos em situações de ferropenia, em uma tentativa das células de absorver mais o ferro transportado pela transferrina 1,12 a 2,75 mg/L Aumentados Protoporfirina eritrocitária livre Reflete a protoporfirina não usada na conjugação com o ferro para formar o grupo heme. Se falta ferro, sobra protoporfirina 1 a 25 mcg/dL Aumentada COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 8 Assim, esperamos que um paciente ferropênico apresente ferritina, ferro sérico e saturação de transferrina baixos, com CTLF/TIBC, receptores solúveis de transferrina e protoporfirina eritrocitária livre altos. Saber identificar esses achados nas provas é essencial para responder às questões de anemia ferropriva! A ferritina é o marcador sérico mais sensível e específico para o diagnóstico da anemia ferropriva, sendo, inclusive, o primeiro a alterar-se. Sempre que estivermos diante de um paciente com ferritina baixa, estamos diante de um paciente com anemia ferropriva! 1.5 TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPRIVA Diante de um quadro confirmado de ferropenia, nossa primeira conduta deve ser a investigação etiológica. Em adultos, a causa mais comum de deficiência de ferro é o sangramento gastrointestinal crônico, então sempre devemos investigar o trato gastrointestinal desses pacientes com endoscopia digestiva alta e colonoscopia, complementadas pela cápsula endoscópica, se necessário. Para um adulto com anemia ferropriva, nossa primeira conduta sempre deve ser a investigação etiológica com estudos endoscópicos. Esse conceito é muito abordado pelas provas! Isso é especialmente verdadeiro em idosos, em que o risco de neoplasias intestinais é muito grande. Além de investigar e tratar a causa da anemia ferropriva, a reposição de ferro é essencial: orientação alimentar não é um tratamento adequado para anemia ferropriva, mesmo que seja leve! Ainda que possamos orientar maior ingesta de alimentos ricos em ferro, sempre é preciso prescrever reposição de ferro. Essa reposição é feita preferencialmente por via oral, já que é tão efetiva quanto a parenteral e apresenta menos efeitos adversos, além de custo mais baixo. A via parenteral é reservada para casos refratários ou intolerantes à via oral. Em adultos, usamos a reposição com sais ferrosos, com dose de ferro elementar de 120 a 200 mg/dia, divididas em duas a três ingestas diárias. A apresentação mais comum, o sulfato ferroso, possui 20% de ferro elementar: cada comprimido de 300 mg terá 60 mg de ferro elementar. Assim, o tratamento deve ser feito com dois a três comprimidos de sulfato ferroso ao dia. Idealmente, o sulfato ferroso deve ser ingerido longe das refeições, porque inúmeras substâncias atrapalham sua absorção. Substâncias ácidas, como a vitamina C, facilitam a absorção, podendo ser associadas. Efeitos adversos gastrointestinais, como diarreia e constipação, são comuns e dose-dependentes. A primeira resposta ao tratamento é a reticulocitose, vista de quatro a sete dias após o início da reposição e com pico no décimo dia. Decore essa informação, pois despenca nas provas! O melhor exame para confirmarmos a resposta ao tratamento da anemia ferropriva é a contagem de reticulócitos, que se eleva em 4 a 7 dias, atingindo pico no 10º dia da reposição de ferro. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 HEMATOLOGIA Anemias Microcíticas 9 A anemia é corrigida em cerca de dois meses. Devemos manter a reposição de ferro mesmo após a correção da anemia, com objetivo de repor os estoques corporais (ferritina). Refratariedade à reposição oral de ferro pode indicar diagnóstico incorreto (talassemia), distúrbio de absorção (doença celíaca) ou causa não tratada (sangramento ainda ativo). TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPRIVA Investigar etiologia: EDA + colonoscopia Reposição oral de ferro: - Sais orais de ferro (sulfato ferroso) - 120 a 200 mg de ferro elementar ao dia - Tomar longe das refeições, com suco de laranja (ácido ascórbico) - Efeitos adversos gastrointestinais acometem a maioria dos pacientes - Manter por 6 a 12 meses após correção da anemia Avaliação de resposta: reticulocitose, inicia em 4 a 7 dias, com pico no 10º dia Refratariedade: diagnóstico incorreto (talassemia), distúrbio de absorção (doença celíaca) ou causa não tratada (sangramento ativo) As informações mais cobradas sobre a anemia ferropriva nas provas são: saber identificar seu quadro laboratorial e como fazer o tratamento, então grave essas informações e vamos abordar outra anemia microcítica comum: a anemia de doença crônica. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 10 CAPÍTULO 2.0 ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA Anemia inflamatória ou anemia de doença crônica é a segunda anemia mais comum no mundo, sendo a mais frequente em pacientes hospitalizados. Os dois pontos mais cobrados sobre a anemia de doença crônica são sua fisiopatologia e como diferenciá-la da anemia ferropriva. Vamos revisar esse conceito para você acertar todas as questões? 2.1 FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA A anemia de doença crônica é um quadro secundário a doenças inflamatórias crônicas, como infecções, neoplasias, doenças inflamatórias intestinais e doençasreumatológicas, em que há produção aumentada de citocinas. Essas substâncias inflamatórias, especialmente a interleucina 6 (IL-6), agem de diversas formas, inibindo a produção de hemácias. As citocinas inibem a produção de eritropoetina e também diminuem a responsividade da medula óssea a esse hormônio renal estimulante da eritropoiese. Seu mecanismo de ação principal, no entanto, é o aumento da produção de hepcidina. A hepcidina é um hormônio hepático que degrada a ferroportina, transportador transmembrana de ferro. Quando as citocinas aumentam a secreção de hepcidina, há maior degradação de ferroportina e, assim, o ferro fica aprisionado nas células: os enterócitos, que absorvem o ferro, e os macrófagos hepáticos, que armazenam o ferro, não conseguem lançá-lo à circulação. Cria-se, assim, um estado em que há ferro no organismo (ferritina normal ou elevada), mas ele não está disponível à medula óssea para a produção de hemoglobina (ferro sérico e saturação de transferrina reduzidos), levando à instalação de uma anemia hipoproliferativa normocítica e normocrômica, que pode ser hipo/micro em estágios avançados. Conhecendo a fisiopatologia da anemia de doença crônica, podemos entender quais são as alterações laboratoriais esperadas nesse quadro, como vemos na tabela a seguir: ALTERAÇÕES LABORATORIAIS ESPERADAS NA ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA Anemia normo/normo ou hipo/micro RDW normal Ferritina normal ou aumentada Ferro sérico e saturação de transferrina baixos Transferrina (CTLF) baixa Figura 3: Fisiopatologia da anemia de doença crônica. Fonte: Trello. Figura 3: Fisiopatologia da anemia de doença crônica. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 HEMATOLOGIA Anemias Microcíticas 11 Perceba que a anemia de doença crônica possui semelhanças e diferenças com a anemia ferropriva: as duas são condições em que há menos ferro circulante, disponível para ser utilizado pela medula óssea, mas por motivos diferentes. Na anemia ferropriva, há menor quantidade do mineral no organismo, enquanto na anemia de doença crônica até temos ferro, mas ele está aprisionado no meio intracelular, impossibilitado de ganhar a circulação! Isso se reflete em diferenças no perfil de ferro das duas condições, o que é muito cobrado nas provas. Note que a principal forma de diferenciá-las é a ferritina, tipicamente reduzida na deficiência de ferro e normal ou aumentada nas inflamações crônicas. DIFERENÇAS DO PERFIL DE FERRO NA ANEMIA FERROPRIVA E NA ANEMIA INFLAMATÓRIA DE DOENÇA CRÔNICA Marcador Anemia ferropriva Anemia de doença crônica Ferritina Reduzida Normal ou aumentada Ferro sérico Reduzido Reduzido Saturação de transferrina Reduzida Reduzida CTLF Aumentada Reduzida O tratamento da anemia de doença crônica é feito com o tratamento da condição de base que desencadeou o quadro. CAPÍTULO 3.0 TALASSEMIAS Talassemias são temas um pouco mais raros nas provas e um pouco mais difíceis. O mais cobrado é saber identificar um quadro suspeito de talassemia (anemia hipo/micro de RDW normal, com história familiar positiva); qual é o exame mais usado para seu diagnóstico (eletroforese de hemoglobinas); e algumas particularidades de cada apresentação. Vamos destrinchar esses quadros a seguir! 3.1 FISIOPATOLOGIA DAS TALASSEMIAS As talassemias são hemoglobinopatias quantitativas congênitas, condições hereditárias em que mutações nos genes da alfa ou betaglobina comprometem a síntese dessas cadeias de globina, afetando a produção normal das moléculas de hemoglobina mais comuns do adulto: HbA (α2β2), HbA2 (α2δ2) e HbF (α2γ2). Instala-se, assim, um quadro de anemia microcítica, de RDW normal e com presença de dacriócitos e leptócitos à hematoscopia. Figura 4: Leptócitos (hemácias em alvo) e dacriócitos (hemácias em lágrima): encontrados nas síndromes talassêmicas (não patognomônicos). COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 12 O acúmulo da cadeia de globina não acometida faz com que as hemácias sejam reconhecidas e destruídas no baço, de modo que as talassemias sejam, também, anemias hemolíticas crônicas, marcadas por achados como esplenomegalia, elevação de bilirrubina indireta e desidrogenase lática, queda de haptoglobina, além de reticulocitose. Ainda que a fisiopatologia seja basicamente a mesma, existem importantes diferenças entre as alfa e beta-talassemias. Vamos revisá-las? Figura 5: Fisiopatologia das síndromes talassêmicas. 3.2 BETATALASSEMIAS Nas betatalassemias, mutações pontuais em um ou nos dois genes da betaglobina, localizados no cromossomo 11, levam à menor síntese dessa cadeia, gerando acúmulo de cadeias alfa. Como apenas a HbA (α2β2) depende da betaglobina, os níveis de HbA2 (α2δ2) e HbF (α2γ2) sofrem um aumento na eletroforese de hemoglobina, sendo esse nosso principal instrumento diagnóstico. Aumento da HbA2 > 3,5% sempre será betatalassemia! Três formas clínicas são possíveis: • Betatalassemia menor ou traço betatalassêmico: apenas um gene é acometido, com discreta redução na produção de cadeias beta. O quadro é de uma anemia hipo/micro leve, normalmente assintomática. O diagnóstico é feito pelo aumento de HbA2 > 3,5% na eletroforese de hemoglobinas. • Betatalassemia intermediária: os dois genes são acometidos, mas retêm uma produção residual de cadeias beta variável. O quadro pode ser leve a grave, também diagnosticado com o aumento de HbA2 > 3,5%. • Betatalassemia maior ou anemia de Cooley: a síntese de cadeias beta é nula ou quase nula, gerando uma anemia hemolítica crônica grave, marcada por microcitose acentuada, esplenomegalia, deformidades ósseas e necessidade transfusional. O tratamento é feito com transfusões crônicas e quelação de ferro. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 HEMATOLOGIA Anemias Microcíticas 13 NORMAL B E TATA L A S S E M I A MENOR BETATALASSEMIA INTERMEDIÁRIA BETATALASSEMIA MAIOR Genótipo β/β β/β+ ou β/β° β+/β+ β°/β° e β°/β+ Hemoglobinas presentes HbA 97% HbA2 2% HbF 1% Aumento de HbA2: 3,5 a 6% HbA: 93% HbA2: 6% HbF: 1% Variável Aumento de HbA2: 3,5% a 6% HbF 60 a 100% HbA2 muito variável HbA 0 a 10% Fenótipo Normal Traço talassêmico Anemia microcítica leve, frequentemente confundida com anemia ferropriva Anemia microcítica moderada a grave Anemia microcítica grave precoce, esplenomegalia e alterações relacionadas à eritropoiese ineficaz (icterícia, retardo de crescimento, crânio com projeções em fio de cabelo, fácies talassêmica) As deformidades ósseas da betatalassemia maior eventualmente são tema de questões, especialmente em provas práticas. Decorrem da expansão da medula óssea (hiperplasia eritroide) na tentativa de produzir mais hemácias, já que elas estão sendo continuamente destruídas na própria medula (eritropoiese ineficaz) e no baço (hemólise extravascular). Figura 6: Alterações ósseas na betatalassemia maior: radiografia em fios de cabelo e fácies talassêmica. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 14 3.3 ALFATALASSEMIAS Nas alfatalassemias, deleções de um ou mais dos quatro genes de alfaglobina, localizados no cromossomo 16, levam à redução de síntese dessa cadeia, afetando a fabricação de todas as hemoglobinas normais do adulto: HbA (α2β2), HbA2 (α2δ2) e HbF (α2γ2). Quatro formas clínicas são possíveis: • Portador silencioso: possui apenas uma deleção, com produção de alfaglobina quasenormal. Há discreta microcitose, sem anemia. O diagnóstico só pode ser firmado por pesquisa molecular do gene da alfaglobina. • Traço alfatalassêmico: possui duas deleções. Há anemia hipo/micro leve, muitas vezes assintomática. O diagnóstico só pode ser firmado por pesquisa molecular do gene da alfaglobina. • Doença da HbH: possui três deleções, prejudicando muito a síntese de alfaglobina e fazendo com que a cadeia beta não utilizada se una em tetrâmeros (HbH – β4). O quadro é de uma anemia hemolítica moderada a grave e o diagnóstico é firmado por achado de níveis elevados de HbH na eletroforese de hemoglobina. • Hidropisia fetal por Hb Bart’s: possui quatro deleções e síntese inexistente de cadeias alfa. Nenhuma das hemoglobinas normais do adulto são produzidas, sendo um quadro incompatível com a vida. O acúmulo de cadeias gama na vida fetal gera a Hb Bart’s (γ4), que possui alta afinidade ao oxigênio, impedindo a oxigenação dos tecidos. NORMAL PORTADOR SILENCIOSO TRAÇO ALFATALASSÊMICO DOENÇA POR HBH HIDROPISIA FETAL POR HB BART’S Genótipo αα/αα αα/α_ αα/_ _ ou α_/α_ α_/_ _ _ _/_ _ Hemoglobinas presentes HbA 97% HbA2 2% HbF 1% HbA 97% HbA2 2% HbF 1% HbA 97% HbA2 2% HbF 1% HbA 68% HbH 30% HbA2 1% HbF 1% Hb Bart’s 90% Hb Portland 10% HbA, HbA2, HbF 0 Fenótipo Normal Microcitose discreta sem anemia Anemia microcítica leve Anemia hemolítica microcítica moderada a grave Incompatível com a vida CAPÍTULO 4.0 ANEMIA SIDEROBLÁSTICA A anemia sideroblástica é a mais rara das anemias microcíticas e pouquíssimo cobrada nas provas. Decorre de defeitos enzimáticos congênitos ou adquiridos da conjugação do ferro à protoporfirina para formação do grupo heme, prejudicando a síntese de hemoglobina e gerando acúmulo do ferro não utilizado nas células. CAUSAS DE ANEMIA SIDEROBLÁSTICA Congênita Adquirida Herança recessiva ligada ao cromossomo X: defeitos da ALA sintetase Mielodisplasia, etilismo, intoxicação por chumbo, uso de isoniazida e pirazinamida, deficiência de cobre COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 HEMATOLOGIA Anemias Microcíticas 15 Lembre-se particularmente da isoniazida e pirazinamida como causas de anemias sideroblásticas, já que essas medicações são usadas no tratamento da tuberculose, um quadro muito comum! O ferro não utilizado na síntese de heme acumula-se nos precursores eritropoiéticos, levando à formação dos sideroblastos em anel. A maioria desses progenitores anômalos sofrerá apoptose na própria medula óssea, no processo conhecido como eritropoiese ineficaz, causando elevação de bilirrubina indireta e desidrogenase lática. As poucas hemácias geradas também podem apresentar depósitos citoplasmáticos de ferro, os corpos de Pappenheimer. Este é o ponto essencial que você deve gravar sobre as sideroblastoses: sempre que o paciente apresentar corpos de Pappenheimer, pense imediatamente na anemia sideroblástica! Figura 7: Sideroblastos em anel e corpos de Pappenheimer - depósitos de ferro nos precursores hematopoiéticos da medula óssea e nas hemácias de sangue periférico, respectivamente. Alterações laboratoriais esperadas na anemia sideroblástica Anemia microcítica (congênita) ou macrocítica (adquirida) RDW aumentado Eritropoiese ineficaz: elevação de bilirrubina indireta e desidrogenase lática Perfil de ferro refletindo sobrecarga: ferritina, ferro sérico e saturação de transferrina elevados Presença de corpos de Pappenheimer em sangue periférico Presença de sideroblastos em anel na medula óssea O tratamento da anemia sideroblástica congênita é feito com piridoxina (vitamina B6), capaz de vencer o defeito enzimático, enquanto as causas adquiridas são tratadas com suporte transfusional e afastamento do fator causal. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 16 CAPÍTULO 5.0 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS ANEMIAS MICROCÍTICAS Agora que você sabe as características particulares de cada anemia microcítica, caro Estrategista, já é capaz de diferenciá-las nas provas. Os esquemas a seguir mostram diferenças entre elas, que nos permitem identificá-las nas questões: Note que o RDW permite que dividamos as anemias microcíticas em dois grupos. Como a anemia ferropriva é muito mais comum que a anemia sideroblástica, essa é nossa principal hipótese quando estivermos diante de uma anemia hipo/micro com RDW aumentado. Anemia hipo/micro de RDW aumentado é anemia ferropriva até que se prove o contrário! Outro ponto importante no diagnóstico diferencial das anemias microcíticas é o perfil de ferro. Já vimos que anemia ferropriva e anemia de doença crônica diferem principalmente quanto à ferritina. Já talassemias e anemias sideroblásticas cursam tipicamente com acúmulo de ferro, o que se reflete no perfil de ferro, como mostra a tabela a seguir: Diferenças do perfil de ferro nas anemias microcíticas Anemia ferropriva Anemia de doença crônica Talassemia Anemia sideroblástica Ferritina Reduzida Normal ou aumentada Normal ou aumentada Aumentada Ferro sérico Reduzido Reduzido Normal ou aumentado Aumentado Saturação de transferrina Reduzida Reduzida Normal ou aumentada Aumentada CTLF Aumentada Reduzida Normal Normal É isso, Estrategista, revisamos brevemente todas as anemias microcíticas, o tema mais cobrado de Hematologia nas provas. Guarde os principais conceitos e você acertará muitas questões. Bons estudos! COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. 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Clinical Laboratory Hematology, 2nd Edition. Pearson, 2010. 3. SAS/MS, Portaria. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Anemia por deficiência de ferro. 10 nov. 2014. 4. BRASÍLIA. Ministério da Saúde. Orientações para diagnóstico e tratamento das Talassemias Beta – 1. ed. Brasília, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_diagnostico_tratamento_talassemias_beta.pdf. Acesso em: 12 fev. 2021. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me(12)992338463 https://t.me/resimed https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_diagnostico_tratamento_talassemias_beta.pdf Estratégia MED Prof. Hugo Brisolla | Resumo Estratégico | 2024 Anemias MicrocíticasHEMATOLOGIA 19COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://med.estrategia.com/ 1.0 ANEMIA FERROPRIVA 1.1 CAUSAS DE ANEMIA FERROPRIVA 1.2 FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA FERROPRIVA 1.3 QUADRO CLÍNICO DA ANEMIA FERROPRIVA 1.4 DIAGNÓSTICO DA ANEMIA FERROPRIVA 1.5 TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPRIVA 2.0 ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA 2.1 FISIOPATOLOGIA DA ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA 3.0 TALASSEMIAS 3.1 FISIOPATOLOGIA DAS TALASSEMIAS 3.2 BETATALASSEMIAS 3.3 ALFATALASSEMIAS 4.0 ANEMIA SIDEROBLÁSTICA 5.0 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS ANEMIAS MICROCÍTICAS 6.0 LISTA DE QUESTÕES 7.0.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA