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Camila Martins – 2018.2 1 Camila Martins 2018.2 – º Os cabos dos instrumentos também possuem uma padronização por cor: Tamanho Cor 10 Roxo 15 Branco 20 25 Vermelho 30 Azul 35 Verde 40 Preto 45 Branco 50 55 Vermelho 60 Azul 70 Verde 80 Preto 90 Branco 100 110 Vermelho 120 Azul 130 Verde 140 Preto 5 em 5 10 em 10 Comprimento da parte ativa de 16 mm: 2 Camila Martins 2018.2 Diâmetro: corresponde com o n° que consta no cabo, nesse caso o diâmetro é 0.3 mm. Parte Ativa: SEMPRE 16 mm Porção Intermediária: Varia no comprimento do instrumento, pode ser de 5, 9 e 15 mm. Como Calcular o tamanho do instrumento? Ex: Intermediário de 5 mm + Parte ativa de 16 mm = 21 mm. Cursor: Tem como finalidade ajustar o comprimento do instrumento. Os 16 mm da parte ativa são divididos em 16 partes (Dx): Tip: Diâmetro da ponta do instrumento. Corresponde a numeração do instrumento. Ex: Instrumento de n° 10 (0.10 mm em sua ponta) Taper: Conicidade do instrumento – Padrão (0.02 mm) 3 Camila Martins 2018.2 Ex1: Saber o D16 de uma lima 30: Instrumento 30: D0 = 0.3 mm D16= 16 x 0,02 + 0,30 D16= 0,32 + 0,30 D16= 0,62 mm Ex2: Saber o D10 de uma lima 50: Instrumento 50: D0 = 0,5 mm D10= 10 x 0,02 + 0,50 D10= 0,20 + 0,50 D10= 0,70 mm DX: Comprimento X Conicidade + D0 4 Camila Martins 2018.2 Diferentemente dos manuais que possuem um Taper constante de 0,02 mm, os rotatórios possuem um Taper variável, observe a imagem abaixo: 21 mm 25 mm 31 mm Parte ativa constante: o que varia é o comprimento da parte intermediária. Numerados de 6 a 140; Avanço de 5 em 5 do 10 ao 60, e de 10 em 10 até 140. 5 Camila Martins 2018.2 Seguem o mesmo padrão de Taper dos instrumentos de 1ª, 2ª e 3ª série mas tem um calibre de ponta menor Diâmetro da ponta (D0) aumenta 0,02 mm entre os instrumentos. Quanto a natureza da liga – Aço Inox e Níquel-titânio Extirpa Nervos – remoção da polpa e fragmentos em canais retos e amplos Hedstroem (H) Tipo K Flexofile C+ K de NiTi Gates Glidden Largo Espirais Lentullo NiTi rotatórios ou reciprocante Ferro + teores de cromo acima de 12% Não oxida Resistente a fratura Grande dureza – Elasticidade e flexibilidade limitada Não oxida Compatibilidade biológica Superelasticidade Memória elástica Maior flexibilidade 6 Camila Martins 2018.2 1ª, 2ª, 3ª série ISO e série especial Aço inoxidável Secção transversal quadrangular Quadrado vazio no cabo ¼ de volta Exploração Alargamento Limagem Cateterismo e instrumentação 1ª Série ISO Aço inoxidável Secção transversal triangular (redução da massa ao instrumento) Quadrado cheio no cabo 1/3 de volta Alargamento Limagem Maior flexibilidade (37,5% menos metal) Maior capacidade de corte Ideal para canais retos e que tenham curvatura mais acentuada 1ª, 2ª e 3ª série ISO Aço inoxidável Secção transversal circular (vírgula) Círculo no cabo Limagem (raspar contra a parede) não amplia e nem alarga. Alto poder de corte Instrumentação de canais retos e amplos 7 Camila Martins 2018.2 Exemplo de lima manual de Níquel-Titânio Instrumentação de canais retos e com curvaturas moderadas e acentuadas Há uma perda da sensibilidade tátil do profissional com esta lima. Mais resistentes São semelhantes às limas tipo K de série especial, mas possuem uma variação morfológica que as diferenciam das limas tipo K, possuem um Taper maior que 2 Canais calcificados Números de 9 a 15 Comprimentos: 21 e 25 mm Canais atrésicos Canais atrésicos Aço inoxidável Comprimentos: 19, 21 e 25 mm Números de 6 a 15 (incluindo o número 12,5) Prepara o terço cervical e médio Remoção de material obturador Aço inoxidável ou NiTi Ponta inativa Forma de pêra Secção transversal ou tríplice U 8 Camila Martins 2018.2 Nº 1 a 6 (ranhuras na haste) Comprimento de 28 a 32 mm Cinemática de penetração e retrocesso Gates-Glidden Lima equivalente Gates-Glidden 1 Lima K 50 Gates-Glidden 2 Lima K 70 Gates-Glidden 3 Lima K 90 Gates-Glidden 4 Lima K 110 Gates-Glidden 5 Lima K 130 Gates-Glidden 6 Lima K 150 As Gates não criam desvios em profundidade, mas deslocam o canal do trajeto original podendo ocasionar perfurações ou rasgos dependendo da anatomia do canal e diâmetro da broca. Preparo do terço cervical Aço inoxidável ou NiTi Ponta inativa Forma cilíndrica Secção transversal em tríplice U Nº 1 a 6 (ranhuras na haste) Comprimento de 28 a 32 mm Cinemática de penetração e retrocesso 9 Camila Martins 2018.2 O diâmetro da broca Largo I equivale a uma Gates II, e assim por diante. Utilizadas para inserir medicação nos canais radiculares Micromotor com rotação sempre à direita GATES 1 2 3 4 5 6 LARGO - 1 2 3 4 5 D (mm) 0,50 0,70 0,90 1,10 1,30 1,50 LIMA #50 #70 #90 #110 #130 x 15mm 15mm 13mm 13mm 19mm 19mm 13mm 13mm 10 Camila Martins 2018.2 Divide-se em três etapas: ACESSO → PREPARO → OBTURAÇÃO É fundamental conhecer a configuração normal ou usual da polpa e estar atento as suas variações. A falta de conhecimento da morfologia dental interna pode levar a erros que comprometem o desfecho do tratamento. Conhecimento anatômico + radiografia (bidimensional, onde não é obtido total detalhe, por isso é importante o conhecimento da anatomia). O Grau de achatamento de um canal, ramificações do canal principal, deltas apicais não são visíveis na radiografia. O exame radiográfico sugere o tratamento, mas é necessário o conhecimento da anatomia interna. É ideal fazer pelo menos duas radiografias, sendo uma Ortorradial e outra mesializada/distalizada para melhor identificação das possíveis variações que os dentes possam ter. Espaço que abriga a polpa dentária. CÂMARA PULPAR Aloja a polpa coronária Formato semelhante à anatomia externa da coroa 11 Camila Martins 2018.2 CANAIS RADICULARES Porção radicular do dente Forma cônica Segue a anatomia externa da raiz Anatomia do sistema de canais radiculares pode ser muitas vezes complexa, por isso, há diferentes classificações para avaliar o tipo de raiz. CLASSIFICAÇÃO DAS RAMIFICAÇÕES a- Canal Principal b- Canal colateral - paralelo ao canal principal c- Canal Lateral - Localizado no terço médio ou cervical da raiz, sai do canal principal e alcança o periodonto lateral. d- Canal secundário – Localizado no terço apical, sai do canal principal e alcança o periodonto lateral. e- Acessório – ramificação do canal secundário que chega à superfície externa do cemento apical f- Interconduto – Une dois condutos radiculares entre si. g- Canal Recorrente – Sai do canal principal, percorre parte da dentina e volta ao principal. 12 Camila Martins 2018.2 Qual a importância das ramificações do canal radicular? A presença de canais laterais contaminados pode impedir o sucesso do tratamento endodôntico. Então, é de extrema importância fazer uma irrigação adequada. h- Delta Apical – São múltiplas terminações do canal principal, originando o aparecimento de vários forames. i- Cavo interradicular – sai do assoalho da câmara pulpar e termina na região de furca, alcançando o ligamento periodontal. TIPO I – Um canal se estende da câmara pulpar ao ápice. TIPO II – Dois canais distintos deixam a câmara pulpar, mas convergem perto do ápiceEm alguns casos, somente a radiografia periapical não trará êxito, lança-se mão de alguns recursos para fazer essas radiografias, que são: Técnica de Le Master Técnica de Clark Consiste na diminuição do ângulo vertical Filme deve ficar mais paralelo ao dente o Uso de roletes de algodão Técnica da Bissetriz Difícil de reproduzir Maior distorção Técnica do paralelismo Mais fácil de reproduzir Mais precisa - tamanho e forma 86 Camila Martins 2018.2 Indicação: Ápices radiculares da raiz palatina dos molares superiores encobertos pelo processo zigomático Consiste no uso de 2 ou 3 incidências: Variação do ângulo horizontal – 20° mesial e distalmente O filme fica posicionado no mesmo lugar A posição dos feixes de Rx se modifica Indicações: Dissociação de canais Visualização dos ápices das raízes Verificar a direção da curvatura Localização de perfurações radiculares → Estrutura lingual ou palatina se move na mesma direção que o cilindro de Rx. → Ortorradial Variação do ângulo horizontal para visualizar o 2º canal: 87 Camila Martins 2018.2 Método de diagnóstico por imagem que permite reprodução de imagem de forma tridimensional. Indicação: Fraturas radiculares Reabsorções e extensão das lesões perirradiculares Presença do 4º canal ou de raízes extras Condições patológicas do seio maxilar Limitações: Custo elevado Maior exposição à radiação Artefatos de estruturas metálicas – restaurações, pinos. Interproximal Periapical TCFC Avaliar relação do teto com assoalho Diagnóstico e planejamento Dúvidas após a radiografia periapical Verificar a presença de nódulos pulpares Durante as etapas do tratamento endodôntico Fraturas e perfurações radiculares Proservação Patologias do seio maxilar Presença de canais ou raízes acessórias Alongamento ou encurtamento da imagem Presença de objetos estranhos – retirar próteses Sub ou superexposição/erros na revelação 88 Camila Martins 2018.2 Objetivo: impedir que, durante o tratamento endodôntico, o campo operatório e os instrumentos entrem em contato com saliva, sangue e demais estruturas da cavidade oral. Vantagens: Facilita a atuação do dentista Assepsia do campo de trabalho Controle da infecção Previne acidentes Lençol de borracha Confeccionado em látex 15 X 15 ou 13 X 13 cm Descartável Alergia ao látex – silicone e borracha sintética Arco de Isolamento Fabricado em metal ou plástico autoclavável Fixa o lençol de borracha nas suas laterais mantendo-o distendido e firme. 89 Camila Martins 2018.2 Pinça Perfuradora Responsável pela perfuração no lençol de borracha Pinça porta grampo Colocar e remover o grampo do colo do dente Grampos Manter o lençol de borracha adaptado ao colo clínico do dente Afastar a gengiva Os grampos são divididos de acordo com o grupo dentário: Grampos para molares: são os de numeração de 200 a 205. Grampos para pré-molares: são os de numeração de 206 a 209. Grampos para caninos e incisivos: são os de numeração 210, 211 e 212. Grampos especiais: Dentes parcialmente erupcionados, com coroas cônicas, muito destruídas, mal posicionados. Os mais utilizados são: 14, 14A, 211, 8A, W8A. Palmer Brewer Orifício Garras Alça Asas 90 Camila Martins 2018.2 Tesoura Fio dental Tira de lixa Cureta Sugador de saliva Top Dam (protetor gengival fotopolimerizável) utilizado em situações que o vedamento pode estar comprometido em alguma área. 1. Anestesia 2. Remoção de placa e tártaro 3. Verificar contato interproximal 4. Trepanação da câmara pulpar 5. Isolamento absoluto 6. Acesso coronário 1. Escolha do grampo 2. Amarração do grampo com fio dental 3. Prova do grampo 1ª Técnica de aplicação Colocação do conjunto grampo, lençol e arco ao mesmo tempo. Nessa técnica são utilizados grampos com asa. 91 Camila Martins 2018.2 2ª técnica de aplicação Colocação do grampo seguido do lençol preso ao arco. Nessa técnica são utilizados grampos sem asa. 3ª técnica de aplicação Colocação do lençol e arco seguido do grampo. Nessa técnica são utilizados grampos com ou sem asa. Verificação da qualidade do isolamento Desinfecção do grampo, lençol e arco. Isolamento em fenda ou em bloco: Indicado onde o isolamento unitário não é possível, geralmente em dentes com pontes fixas, coroa destruída, dentes traumatizados. A fenda é realizada através de dois ou mais orifícios. 92 Camila Martins 2018.2 Isolamento de dentes com aparelho ortodôntico: Realiza o isolamento unitário, o grampo é posicionado, mas não é possível descer com o lençol de borracha nas faces proximais devido a resistência que o fio ortodôntico faz, então utiliza-se o protetor gengival para vedar essas áreas e permitir o isolamento. Isolamento em dentes com reconstrução coronária provisória: Utiliza a resina composta para construir uma parede provisória. Isolamento de dentes que necessitam de cirurgia periodontal: Caso de dentes com coroas muito destruídas, remanescentes dentais a nível subgengival. Geralmente é feito aumento de coroa clínica para expor todo o remanescente, permitindo a realização do isolamento adequado. Isolamento em pacientes Claustrofóbicos: Nesses casos pode ser utilizado o arco dobrável ou realizar corte vertical no lençol de borracha do lado oposto ao de trabalho.para formar um canal radicular. TIPO III – Um canal deixa a câmara pulpar, se divide em dois no corpo da raiz e se funde para formar um canal novamente. TIPO IV – Dois canais distintos se estendem da câmara pulpar ao ápice. 13 Camila Martins 2018.2 ISTMO Área estreita em forma de fita que conecta dois ou mais canais radiculares. PORÇÃO APICAL DO CANAL RADICULAR Considerado a zona mais crítica de desinfecção devido suas complexidades. TIPO V – Um canal deixa a câmara pulpar e se divide próximo ao ápice em dois canais distintos. TIPO VI – Dois canais distintos deixam a câmara pulpar, fundem-se no corpo da raiz e se dividem novamente em dois canais próximo ao ápice. TIPO VII – Um canal deixa a câmara pulpar e se divide em dois, que então se fundem no corpo da raiz, e se dividem novamente em dois canais distintos próximos ao ápice. TIPO VIII – Três canais distintos que se estendem da câmara pulpar ao ápice. 14 Camila Martins 2018.2 CANAL DENTINÁRIO: Aloja a polpa radicular Cônico Formado por paredes dentinárias Maior extensão Campo de ação do endodontista CANAL CEMENTÁRIO Formato cônico invertido Revestido por cemento Estende-se até o forame apical LIMITE CEMENTODENTINÁRIO (Limite CDC): Transição entre o canal dentinário e o canal cementário Região ideal para o término do preparo e da obturação do canal radicular Aproximadamente 1mm do forame apical FORAME APICAL: Abertura do canal na região apical Tecidos da polpa e do ligamento periodontal se comunicam 15 Camila Martins 2018.2 Nem sempre coincide com o ápice anatômico, pode estar lateralmente, como mostra a figura abaixo. FORAMINAS APICAIS: Originadas do Delta apical Podem abrigar biofilme bacteriano e tecido necrótico INCISIVO CENTRAL SUPERIOR Canal radicular único, amplo e reto Cornos pulpares Câmara pulpar estreita no sentido vestíbulo-palatino Forame Ápice anatômico Comprimento médio: 23,7mm Nº de raízes: 1 Nº de canais: 1 Curvatura apical – Reta = 75% Apical: circular Médio: circular ou oval Cervical: cônico triangular 16 Camila Martins 2018.2 Terço cervical com o avançar da idade fica mais ovalado devido à retração do corno pulpar. INCISIVO LATERAL SUPERIOR Canal radicular único e amplo Risco de anomalias anatômicas Pode ou não apresentar corno pulpar INCISIVOS INFERIORES Menores dentes da arcada Podem apresentar dois canais que se unem no terço apical (se for o caso haverá um canal na vestibular e outro na lingual) Comprimento médio: 23,1mm Nº de raízes: 1 Nº de canais: 1 (97%) Curvatura apical – Distal = 49,2% Apical: circular Médio: oval com possível achatamento Cervical: cônico, triangular ou oval 17 Camila Martins 2018.2 ICI ILI Comprimento médio 21,8mm 23,3mm Número de raízes 1 1 Numero de canais 1 (Maior prevalência) 2 1 (Maior prevalência) 2 Curvatura apical Reta = 63,7% Reta = 54% Distal = 33,3% INCISIVOS INFERIORES CANINO SUPERIOR Normalmente apresenta canal radicular único e amplo Dente mais longo da arcada Elipsoide com achatamento no sentido médio-distal Comprimento médio: 27,3mm Nº de raízes: 1 Nº de canais: 1 Curvatura apical – Reta = 38,5% Distal = 31,5% 18 Camila Martins 2018.2 CANINO INFERIOR Canal radicular único, podendo apresentar duas raízes, dois canais ou bifurcação Presença de canais acessórios em 69% dos casos canais: 3 (50%) 4 (50%) Comprimento médio: 22mm Nº de raízes: 2 (97,5%) Nº de canais: 2 (8%) 3 (56%) 4 (36%) 24 Camila Martins 2018.2 RAIZ MESIAL Geralmente apresenta curvatura No sentido distal Pode apresentar 1 ou 2 canais RAIZ DISTAL Geralmente é reta Pode apresentar 1 ou 2 canais 2º MOLAR INFERIOR Semelhante ao 1º molar, porém menor 3 raízes (M e D) que podem se fusionar CANAIS MESIAIS Geralmente o canal ML é maior e mais reto que o MV Podem convergir apicalmente e apresentar forame único em 45% dos casos Canal médio mesial: se apresenta entre os dois canais mesiais. CANAL DISTAL Mais de 25% das raízes distais apresentam 2 canais que geralmente são mais amplos que os mesiais Comprimento médio: 21,7mm Nº de raízes: 2 (98,5%) 3 (1,5%) Nº de canais: 2 (11,3%) 3 (72,5%) 4 (16%) 25 Camila Martins 2018.2 Modificações relacionadas à idade: Redução do volume da câmara pulpar Retração de cornos pulpares Canal radicular mais estreito Cáries e restaurações: Podem mudar a anatomia dos sistemas radiculares Reabsorção interna: Anatomia do canal radicular é bastante alterada, dificulta no tratamento Calcificações: Podemos ter de dois tipos: NÓDULO PULPAR: Quando a calcificação é na câmara pulpar. CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA: Quando a calcificação é nos canais radiculares, não observamos luz no canal. Fusão: Dois germes dentários se unem parcial ou totalmente formando um dente com dupla coroa, duas cavidades pulpares separadas e dois canais radiculares distintos. Geminação: O germe dentário sofre uma divisão por invaginação, dando origem a um dente com coroa dupla, cavidade pulpar única e canal radicular único. 26 Camila Martins 2018.2 Taurodontismo: Assoalho da câmara pulpar se encontra deslocado apicalmente. Radix Entomolaris: Raiz supranumerária localizada na posição distolingual dos molares inferiores. Dilacerações: Curvaturas acentuadas das raízes. Dens Invaginatus (dens in dente): Anomalia de desenvolvimento resultante da invaginação na superfície da coroa do dente antes da calcificação ocorrer. Variação do número de canais: Canais em forma de C (C-shaped): 27 Camila Martins 2018.2 O acesso ao sistema de canais radiculares visa o preparo de uma cavidade para se ter acesso à câmara pulpar e aos canais radiculares. O acesso é a 1ª fase do tratamento dos canais radiculares. Remoção completa do teto da câmara pulpar com respeito ao assoalho Localização de todos os canais Acesso livre aos canais radiculares Penetração dos instrumentos endodônticos de forma direta e livre em todo canal Remover todos os tecidos pulpares coronais (vitais ou necrosados) Preservação da estrutura dentária sadia As brocas 3082 e Endo Z não possuem ponta ativa (cortam lateralmente) 28 Camila Martins 2018.2 Conhecimento de anatomia – Nº de raízes, nº de canais radiculares, inclinações, achatamentos, volume; Exame clínico – Posição do dente no arco, relação com dentes vizinhos, dimensão/forma, presença de cárie, restauração ou peça protética; Exame radiográfico – Presença e extensão de cáries, curvaturas, localização dos cornos pulpares, relação do teto com o assoalho da câmara pulpar, presença de calcificações, nº de canais, lesões perirradiculares, inclinação do dente, dilaceração da raiz. Remoção de restaurações e tecido cariado (evita o bloqueio do canal por raspas e melhora a visualização da entrada dos canais) Remoção do tecido dentário sem sustentação Estabelecer o ponto de eleição: É o ponto escolhido para início do desgaste do dente Alta rotação – pontas diamantadas esféricas - 1012, 1014, 1016 HL Direção de Trepanação: Direção assumida pela broca para atingir a câmara coronária. INCISIVOS & CANINOS Inicialmente a broca é posicionada perpendicularmente ao longo eixo do dente Depois, é posicionada paralelamente ao longo eixo do dente, até atingir o interior da câmara pulpar 29 Camila Martins 2018.2 PRÉ-MOLARES & MOLARES Paralela ao longo eixo do dente Multirradiculares: inclinação em direção ao canal mais volumoso Pré-Molares Superiores – PALATINO Molares superiores – PALATINO Molares inferiores – DISTAL Conformação apropriada dada à cavidade Parte do ponto de eleição Reproduz a forma e o tamanho da câmara pulpar na superfície palatina/lingual ou oclusal Remoção do teto da câmara pulpar e dos cornos pulpares Brocas tronco-cônicas sem ponta ativa – 3082 ou Endo Z Remoção de irregularidades nas paredes Dar leve expulsividade às paredes Brocas tronco-cônicas sem ponta ativa – 3082 ou Endo Z *Material restaurador não pode ficar na câmara pulpar, somente no canal radicular. Visualizar a entrada dos canais Evitar a permanência de microorganismos e restos necróticos Facilitar a penetração dos instrumentos Evitar alterações de cor da coroa 30 Camila Martins 2018.2 Realização de pequenos desgastes a fim de permitir um acesso reto e direto ao canal ou canais radiculares. Em alguns dentes anteriores podemos ter a presença do ombro lingual que é uma projeção da região do cíngulo como mostra a figura acima. Em dentes posteriores pode ser necessário remover uma projeção de dentina, muitas vezes nas paredes mesiais, principalmente em 2º molar inferior. 1. Remoção absoluta do teto da câmara pulpar Permanência do teto da câmara pulpar: Limpeza inadequada – restos pulpares Escurecimento da coroa dental 2. Visão direta da embocadura e/ou assoalho Rostrum canalI: sulcos naturais que auxiliam na localização dos canais nos dentes posteriores. 31 Camila Martins 2018.2 3. Acesso direto e livre dos instrumentos aos canais radiculares INCISIVOS & CANINOS SUPERIORES Ponto de Eleição: Área mais central da superfície palatina (1 a 2mm abaixo do cíngulo) Direção de Trepanação: 1. Perpendicular ao longo eixo do dente (toda espessura do esmalte – aproximadamente a ponta ativa da broca) 2. Paralela ao longo eixo do dente. Forma de Contorno: Incisivos superiores: Triangular com a base voltada para incisal e o vértice voltado para o cíngulo. Caninos superiores: Maior extensão no sentido cervico-incisal (forma ovalada ou chama de vela – losangular) Desgaste Compensatório: Remoção do ombro palatino 32 Camila Martins 2018.2 PRÉ-MOLARES SUPERIORES Ponto de Eleição: Área central da superfície oclusal, junto à fossa central. Direção de Trepanação: Vertical, paralela ao longo eixo do dente, com pequena inclinação para a palatina se tiver 2 canais. Forma de contorno: Forma ovoide, achatada no sentido mesiodistal. MOLARES SUPERIORES Ponto de Eleição: Na superfície oclusal, no centro da fossa mesial. 33 Camila Martins 2018.2 Direção de Trepanação: Vertical, paralela ao longo eixo do dente, com ligeira inclinação na direção do canal palatino. Forma de Contorno: Triangular com base voltada para vestibular e o vértice voltado para a palatina. º INCISIVOS & CANINOS INFERIORES Ponto de Eleição: Área mais central da superfície lingual (1 a 2mm acima do cíngulo) 34 Camila Martins 2018.2 Direção de Trepanação: 1. Perpendicular ao longo eixo do dente 2. Paralela ao longo eixo do dente. Forma de Contorno: Incisivos inferiores: Triangular com basevoltada para incisal e o vértice para o cíngulo. Achatamento MD – pode haver bifurcação. Caninos Inferiores: Oval. Desgaste Compensatório: Remoção do ombro lingual. PRÉ-MOLARES INFERIORES Ponto de Eleição: Área central da superfície oclusal junto à fossa central, levemente para a mesial do dente. 35 Camila Martins 2018.2 Direção de Trepanação: Vertical, paralela ao longo eixo do dente. A coroa dos PM inferiores quase sempre apresenta uma inclinação lingual bem acentuada em relação ao longo eixo da raiz. Forma de Contorno: Circular ou ovoide com maior dimensão no sentido vestíbulo-lingual, ligeiramente deslocada para a mesial. MOLARES INFERIORES Ponto de Eleição: Área central da superfície oclusal junto à fossa central. Direção de Trepanação: Vertical, paralela ao longo eixo do dente, voltada para o canal distal. 36 Camila Martins 2018.2 Forma de Contorno: Triangular → 1 canal na raiz distal Trapezoidal → 2 canais na raiz distal Desgaste Compensatório: Principalmente na parede mesial da câmara pulpar (para facilitar a penetração nos orifícios de entrada dos canais radiculares). Falta de conhecimento da anatomia interna Manutenção do teto da câmara coronária Remoção excesiva de estrutra detária Perfuração Obliteração da entrada dos canais Dentes Ponto de eleição Direção de trepanação Forma de contorno Incisivos superiores Área central da face palatina Perpendicular ao longo eixo do dente e depois paralela ao longo eixo do dente Triangular com base voltada para a incisal Caninos superiores Ovoide, forma de chama ou losangular Pré-molares superiores Área central da face oclusal Paralela ao longo eixo do dente Ovoide Molares superiores Superfície oclusal no centro da fossa mesial Paralela ao longo eixo do dente Triangular com a base voltada para a vestibular Incisivos inferiores Área central da face lingual Perpendicular ao longo eixo do dente e depois paralela ao longo eixo do dente Triangular com a base voltada para a incisal Caninos inferiores Ovoide Pré-molares inferiores Faceta mesial da face oclusal Paralela ao longo eixo do dente Ovoide ou circular Molares inferiores Área central da superfície oclusal Paralela ao longo eixo do dente Triangular ou trapezoidal com a base voltada para a mesial 37 Camila Martins 2018.2 Temos 3 condições básicas: 1- Polpa viva: Essa polpa está inflamada irreversivelmente e livre de infecção, o tratamento para essa condição é a Biopulpectomia. 2- Polpa necrosada: tem infecção, podendo ou não estar associada à presença de uma lesão perirradicular. 3- Retratamento: Quando se realiza o retratamento desses dentes e os microorganismos permanecem no interior do canal levando ao fracasso do tratamento, há presença de infecção. O tratamento dessas condições pode ser realizado em uma única sessão ou em múltiplas sessões. SESSÃO ÚNICA Permite obturação do canal no momento em que o clínico está mais familiarizado com a sua anatomia Economia de tempo e material descartável Permite a imediata utilização do canal para retenção da restauração Elimina a possibilidade de contaminação ou recontaminação do canal entre consultas Quando não houver a possibilidade de realizar a sessão única, lançamos mão da medicação intracanal. A medicação intracanal se caracteriza pela colocação de uma substância química no interior do canal radicular, entre as sessões de tratamento, quando este não pode ser realizado em sessão única. 38 Camila Martins 2018.2 Rizogênese incompleta (apicificação) Exsudato persistente Abcessos periapicais Sintomatologia dolorosa Trauma/reabsorções inflamatórias Falta de tempo/habilidade do profissional Otimizar a desinfecção endodôntica Atuar como barreira físico-química – contra a infecção e reinfecção por microrganismos da saliva e microinfiltração ou perda de material selador Reduzir a inflamação perirradicular – diminui a intensidade da dor, efeito analgésico. Controlar exsudato persistente Solubilizar a matéria orgânica Neutralizar os produtos tóxicos – LTA produto tóxico das Gram positivas e LPS produto tóxico das Gram negativas, mesmo após eliminação dessas bactérias, esses produtos podem continuar agindo Controlar reabsorção inflamatória externa Estimular a reparação por tecido mineralizado – Deposição de tecido mineralizado: → Perfurações → Reabsorções radiculares → Rizogênese incompleta Paramonoclorofenol canforado Tricresol formalina Corticosteroide associado com antibiótico Antibióticos Clorexidina Hidróxido de cálcio e associações PARAMONOCLOROFENOL CANFORADO (PMCC) PMC é citotóxico Associado com a cânfora (PMCC menos tóxico) Alto poder antimicrobiano Baixa tensão superficial Tempo de ação máxima – 48h Não neutraliza produtos tóxicos (LPS bacteriano) Sabor e odor desagradável 39 Camila Martins 2018.2 Está caindo em desuso, mas pode ser usado em caso de polpa necrosada e onde não consigamos realizar a instrumentação. Modo de uso: Com uma “bolinha” de algodão estéril pingamos uma gota do Paramonoclorofenol na entrada dos canais radiculares e sela com restauração provisória. TRICRESOL FORMALINA OU FORMOCRESOL Mesma composição química com diferentes concentrações de formalina – (Tricresol 90% e Formocresol 19 a 43%) Composto à base de formaldeído e cresol Ligações químicas com proteínas Ação bactericida Atua por contato direto e à distância Irritante aos tecidos vivos Não consta no accepted dental remedies da ADA por serem citotóxicos, mutagênicos e carcinogênicos “Embora seja observada uma taxa de sucesso clínico e radiográfico de até 90%, o mesmo não ocorre histologicamente”. ASSOCIAÇÃO CORTICOSTERÓIDE/ANTIBIÓTICO Diminuem a intensidade de reação inflamatória Apresenta grande poder de penetração tecidual Não produz efeito sistêmico (apenas local) Não usar por mais de 72h (rápida eliminação) Modo de uso do Otosporin: Também utilizados em caso de não finalização do preparo químico-mecânico do sistema de canais radiculares em caso de polpa viva. Com uma “bolinha” de algodão estéril pingamos uma gota e assentamos na entrada dos canais radiculares e faz restauração provisória. Otosporin + hidrocortisona + sulfato de polimixina B + sulfato de neomicina (em veículo aquoso). 40 Camila Martins 2018.2 ANTIBIÓTICOS Pouco empregados como medicação intracanal Sensibilização do paciente (alergia) Revascularização em dentes com polpa necrosada e rizogênese incompleta Pasta triantibiótica: Ciprofloxacina + metronidazol + minociclina CLOREXIDINA GEL 2% Base (1% natrosol) + digluconato de CLX Fácil manuseio e aplicação Atividade antimicrobiana altamente eficaz Não dissolve em tecido orgânico Baixa toxicidade Substantividade Clorexidina + hipoclorito de sódio = smear layer químico (precipitado marrom- alaranjado) Modo de uso: 1- Preparo químico-mecânico completo 2- Remoção de smear layer 3- Irrigação final com hipoclorito de sódio/aspiração 4- 10ml de soro fisiológico para neutralização 5- Secagem do canal com cone de papel 6- Inserção da clorexidina no canal 7- “Bolinha” de algodão + selamento coronário *Anotar na ficha clínica do paciente que utilizou CLX. Consulta de retorno: 1. Anestesia 2. Isolamento absoluto 3. Remover restauração provisória 4. 10mL de soro fisiológico para neutralização HIDRÓXIDO DE CÁLCIO Pó branco pH elevado (12,8) Pouco solúvel em água Inodoro Não mancha estrutura dentária Possui melhor biocompatibilidade Não provoca reação alérgica41 Camila Martins 2018.2 A dissociação iônica do hidróxido de cálcio leva a liberação de íons Ca⁺ e OH⁻, esses íons são responsáveis pelas propriedades biológicas e antimicrobianas do hidróxido de cálcio derivam da sua dissociação iônica em íons cálcio e íons hidroxila. Atividades biológicas do hidróxido de cálcio: Ação anti-inflamatória: Efeito osmótico (diminuição do edema) Ação antimicrobiana : microrganismos não resistem ao pH alcalino. Exceto E. faecalis, Candida e Actinomyces radicidentis. Neutralização de endotoxinas (LPS) Indução do reparo por tecido mineralizado - neoformação de dentina (polpa) e cemento (ligamento periodontal). Solvente de matéria orgânica – pH alcalino (desnatura e hidrolisa proteínas, facilita a ação do NaOCl). Inibição da reabsorção radicular externa Propriedade anti-hemorrágica – misturar o pó com água destilada (água de Cal) irriga com uma na seringa no canal radicular. Barreira físico-química Limitações: pH elevado = enfraquecimento da dentina Resistencia aos efeitos alcalinos do Ca(OH)₂ Difusibilidade limitada A manipulação e colocação adequada representa um desafio para clínicos menos experientes Remoção da medicação do interior dos canais radiculares Veículos: Atividade Antimicrobiana Características Físico-químicas Inertes Biologicamente ativos Hidrossolúveis Oleosos 42 Camila Martins 2018.2 Inertes: Água destilada Soro fisiológico Soluções anestésicas Glicerina Óleo de oliva Solução de metilcelulose Polietilenoglicol Propilenoglicol Biologicamente ativos: PMCC Clorexidina Iodeto de potássio Iodetado Aquosos: Água destilada Soro fisiológico Soluções anestésicas Viscosos: Glicerina Clorexidina Polietilenoglicol Propilenoglicol Oleosos: Ácidos graxos Óleo de oliva Silicone Cânfora Pasta HPG PMCC + Hidróxido de cálcio + glicerina Mais usada como medicação intracanal Maior espectro de ação antimicrobiana Utilizados em casos de polpa necrosada e Retratamento Utilizados em caso de polpa viva 43 Camila Martins 2018.2 Maior raio de ação da pasta Biocompatibilidade Período ideal de 7 dias Modo de uso: Ca(OH)₂ + 1 gota de PMCC +1 gota de glicerina Espatulação em placa de vidro estéril Consistência de fio Também existem pastas de hidróxido de cálcio prontas para uso. CLOREXIDINA GEL 2% + HIDRÓXIDO DE CÁLCIO Barreira física Efeito antimicrobiano Substantividade antimicrobiana Alto ph (13) - controle de reabsorção Técnicas de uso das pastas de Ca(OH)₂: 1. Preparo químico-mecânico completo 2. Remoção de smear layer - aloja microrganismos e oblitera túbulos dentinários 3. Aspirar o canal 4. Secar o canal com cone de papel absorvente 5. Manipular a pasta de Hidróxido de cálcio 6. Inserir a pasta no canal radicular 7. Compactar a medicação com bolinha de algodão 8. Radiografia de confirmação 9. Selamento coronário 1. Com diâmetro inferior ao da LM (lima de memória) 2. Lima até alcançar o CT (comprimento de trabalho) 3. Girar no sentido anti-horário Lentulo: Diâmetro menor que a LM 3 mm aquém do CT Micro motor - giros à direita 10 segundos Entra e sai acionado 44 Camila Martins 2018.2 A medicação intracanal residual pode bloquear a entrada dos canais laterais, reduzindo ou impedindo a penetração do material selador ou da guta-percha. 1. Irrigação com soro fisiológico 2. Repassar instrumentos 3. EDTA 17% Polpa Viva Polpa necrosada/Retratamento Canal totalmente instrumentado Ca(OH)₂ + soro Pasta HPG ou Ca(OH)₂ + CLX Canal parcialmente instrumentado Otosporin NaOCl Funções: Impedir contato da saliva com o canal radicular Preservar a efetividade da medicação Características dos materiais: Estabilidade dimensional Boa adesividade à estrutura dental Alta resistência mecânica Materiais mais utilizados: IRM Coltosol Ionômero de vidro Resina composta 1. Remoção da bolinha de algodão 2. Remoção da medicação 3. Reinstrumentação dos canais radiculares Mais resistentes, é ideal para pacientes que precisam ficar com o material por mais tempo. 45 Camila Martins 2018.2 Ampliação e modelagem: Ação mecânica, através dos instrumentos endodônticos. Limpeza: Ação mecânica dos instrumentos endodônticos Ação das substâncias químicas auxiliares Irrigação-aspiração As substâncias químicas podem ser empregadas no preparo dos canais radiculares como: A escolha da substância química para uma destas funções depende de suas propriedades físicas e químicas. AUXILIARES DA INSTRUMENTAÇÃO SOLUÇÕES IRRIGADORAS Promover dissolução tecidual Atividade antimicrobiana Lubrificação Suspensão de detritos Biocompatível Remoção da smear layer Irrigação-aspiração Pequeno coeficiente de viscosidade Baixa tensão superficial Refluxo do líquido Efetividade da limpeza 46 Camila Martins 2018.2 Movimentação de fluidos que se dá devido à diferença de pressão dentro e fora do canal radicular. Irrigação: Aumento da pressão dentro do canal radicular Aspiração: Diminuição da pressão na embocadura do canal Objetivo: Remoção de detritos Redução do nº de microrganismos FATORES: → Propriedades físicas da solução irrigadora Pequeno coeficiente de viscosidade Baixa tensão superficial Molhamento → Anatomia do canal radicular → Técnica de preparo → Calibre e comprimento das agulhas irrigadoras O jato atinge em média 2 a 3 mm além da ponta da agulha Agulhas hipodérmicas 20x5,5 mm MATERIAIS UTILIZADOS: Seringas Agulhas injetoras Cubeta Unidades aspiradoras e cânulas Aparelhos sônicos e ultra-sônicos REQUISITOS: Tensão superficial: Varia com a temperatura Tipo de superfície 47 Camila Martins 2018.2 Resulta das forças de coesão ou atração molecular dos líquidos, atuando em suas superfícies. Quanto menor a tensão superficial maior é a capacidade de molhamento. Viscosidade: Diminui o aumento da temperatura Efetividade das ações físicas e químicas das substâncias químicas. Força de atração que produzem coesão das moléculas dos líquidos, originando uma resistência a seu deslocamento. Quanto maior sua viscosidade, mais difícil seu deslocamento. Atividade Antimicrobiana: Eliminação ou máxima redução de microrganismos. Infecção primária: mista, semi-específica, com predomínio de bactérias anaeróbias restritas. Atividade Quelante: Depende da solubilidade Dissociação iônica Remoção da smear layer Substâncias orgânicas que removem íons cálcio da dentina, fixando-os quimicamente. Atividade lubrificante: Diminuição do desgaste e preservação da capacidade de corte Substâncias químicas atuam como lubrificantes, reduzindo a força de atrito. Suspensão de detritos: Evita Iatrogenias Extrusão de detritos Renovação a cada troca de instrumento Manter detritos orgânicos e inorgânicos em suspensão com o objetivo de impedir sua sedimentação Biocompatibilidade Grau de toxicidade ideal Concentração Tempo de contato Área de contato Dissolução tecidual: Capacidade de dissolver uma matéria orgânica, remoção do tecido vital ou não vital a fim de evitar que esse tecido vire substrato para proliferação bacteriana. 48 Camila Martins 2018.2 Depende de alguns fatores: Relação entre volume de solução e massa do tecido Área de contato Tempo de ação Temperatura Agitação mecânica Concentração Frequência de renovações As substâncias químicas auxiliares na endodontia são classificadas em: Compostos Halogenados Detergentes sintéticos Quelantes Associações Outras soluções HIPOCLORITO DE SÓDIO: Concentrações: Solução de hipoclorito de sódio 0,5% - neutralizada por ácido bórico – Líquido de Dakin Solução de hipoclorito de sódio 0,5% - neutralizada por bicarbonato de sódio – Líquido de Dausfrene Solução de hipoclorito de sódio 1% - Solução de Milton Solução de hipoclorito de sódio 2,5% - Licor de Labarraque Solução de hipoclorito de sódio 4-6% - Soda clorada duplamente concentrada Solução de hipoclorito de sódio 5,25% Propriedades: Ação antimicrobiana - Inibição enzimática e formação de cloraminas Solvente de tecidos orgânicos Ação clareadora Saponificação de lipídios Atividade desodorizante pH alcalino (11-11,5) Baixa tensão superficial (capacidade de maior penetração) Mecanismo de ação: Solução: NaOCl + H₂O ↔ NaOH + HOCl HOCl ↔ H⁺ + OCl⁻ 49 Camila Martins 2018.2 pH dependente Características: Amplo uso na endodontia Capacidade de dissolução tecidual Eficácia antimicrobiana Efeito deletério em altas concentrações causando dano oxidativo direto Desvantagens: Agressivos aos tecidos periapicais o Dor severa o Rápido desenvolvimento de edema o Hematoma o Necrose o Abscessos > Concentrações > Dissolução tecidual > Agressão de tecidos periapicais Remoção deficiente de smear layer Instável ao armazenamento Instável ao aumento da temperatura Instável à exposição à luz e ao ar Forte odor Alergia Descora tecidos CLOREXIDINA: Bisbiguanida catiônica Base forte Preparação na forma de sal Uso em periodontia Vantagens: Amplo espectro antimicrobiano Adsorção a mucosa a estruturas dentais – Substantividade – Biocompatibilidade Baixa toxicidade Clorexidina gel 2% - bons resultados em cardiologia e Periodontia. Tem como vantagem: Lubrificação Maior tempo de contato do princípio ativo as paredes dentinárias pH 6-9 Solúvel em água e álcool 50 Camila Martins 2018.2 Substantividade: “capacidade de adsorver-se aos tecidos dentais e mucosas com liberação gradual prolongada em níveis terapêuticos”. “Atividade antimicrobiana residual de 48 a 72 horas após instrumentação – irrigação do canal com clorexidina líquida 2%”. “Após um contato de 7 dias com a dentina, o efeito residual manifestou-se por 21 dias.” Desvantagens: Não dissolve tecido orgânico Associação de Clorexidina e NaOCl promove uma maior redução dos microrganismos, mas pigmenta o dente. Não possuem atividade antimicrobiana, auxilia como solução irrigadora e lubrificação para introdução de limas e localização de canais mais atrésicos. Duponol C – 1% - Alquil-sulfato de sódio Zefiró – Cloreto de Benzalconium Dahyquart-A – Cloreto de cetiltrimetrilamônio Tween-80 – Polissorbato 80 Tergensol Ácidos fracos que são capazes de auxiliar na instrumentação dos canais radiculares e promover a quelação dos íons cálcio da dentina. EDTA – ácido etilenodiaminotetracético REDTA – preparação quelante comercial Largal ultra EDTA: Propriedades: Sal derivado de um ácido fraco Promove quelação de íons cálcio em pH alcalino Poder de descalcificação Ação autolimitante Indicação: Canais atrésicos ou calcificados Remoção de smear layer → associação com NaOCl Eficácia do EDTA sobre a smear layer: 51 Camila Martins 2018.2 Depende da concentração Quantidade utilizada Tempo de permanência Renovações RC Prep: EDTA + peróxido de uréia + carbowax Endo-PTC: Peróxido de uréia + Tween 80 + carbowax Glyde File Prep MTDA: Tetraciclina + ácido citríco + Tween 80 Peróxido de hidrogênio Solução de ácido cítrico Glicerina Instrumentos utilizados: Cânulas de sucção Cuba Seringas (de ponta rosqueável) e agulhas O jato atinge em média 2 a 3 mm além da ponta da agulha. 52 Camila Martins 2018.2 Atividade antimicrobiana Substantividade Lubrificação Baixa toxicidade Não dissolve matéria orgânica Indicada para ápice jovem Alergia ao NaOCl Atividade antimicrobiana Dissolução tecidual Ação clareadora Saponificação de gorduras Irritantes aos tecidos periapicais Instável ao armazenamento e exposições Descora tecido Alergias 53 Camila Martins 2018.2 Diagnóstico Acesso Limpeza e modelagem Obturação Restauração Remoção de todo o conteúdo do sistema de canais radiculares; Descontaminação: a instrumentação + o uso de irrigantes reduzem ainda mais as células bacterianas (80%). Solução irrigadora: Remoção mecânica de debris dentinários Desinfecção Dissolução de tecidos Lubrificação Hipoclorito de Sódio + EDTA Modelagem: Preparo cônico tridimensional, facilitando a limpeza de todo o sistema de canais radiculares; Permitir livre acesso aos cones, compactadores, espaçadores e outros instrumentos/materiais obturadores. 54 Camila Martins 2018.2 Cinemática dos instrumentos endodônticos Quais movimentos devemos realizar com os instrumentos? MOVIMENTO DE REMOÇÃO: A – Penetração B – Rotação à direita C – Tração MOVIMENTO DE CATETERISMO: A – Penetração (pequenos avanços) B – Oscilatório (rotação à direita e a esquerda) C – Pequenos retrocessos MOVIMENTO DE LIMAGEM: A – Penetração B – Tração com pressão lateral contra as paredes 55 Camila Martins 2018.2 MOVIMENTO DE ALARGAMENTO E LIMAGEM: A – Penetração B – Rotação horária C – Tração com pressão lateral contra as paredes MOVIMENTOS OSCILATÓRIOS OU ALARGAMENTO PARCIAL ALTERNADO: A – Penetração B – Movimentos de oscilação C – Retrocesso de 1 a 2 mm D – Avanço Temos basicamente duas técnicas: ● Técnica seriada ● Técnicas Escalonadas Técnica de instrumentação seriada de Ingle: Instrumentos endodônticos utilizados em ordem crescente em toda a extensão do canal. 56 Camila Martins 2018.2 Técnicas Escalonadas: ● Ápice-coroa ● Coroa-ápice Trabalha primeiro uma região e vai avançando em direção a outra. Conceito de limpeza e modelagem de Schilder: ● Desenvolver uma forma cônico-progressiva ● Manter o canal mais estreito apicalmente ● Obter o preparo cônico em múltiplos planos ● Nunca transportar o forame ● Manter o forame pequeno e limpo ● Ação química – soluções irrigantes + ação mecânica – instrumentos. Técnica escalonada de avanço progressivo coroa-ápice Crown-down pressures technique Inicio na porção coronária e avança em direção ao ápice. Aborda um conceito de respeito a anatomia dos canais radiculares. 57 Camila Martins 2018.2 Vantagens da técnica crown-down: ● Favorece o sistema de irrigação ● Permite liberar os instrumentos apicalmente ● Melhor condição de obturação do canal radicular ● Menor formação de degrau, perfuração e fratura do instrumento. ● Maior facilidade de colocação da medicação ● Menor prevalência de dor pós-operatória, decorrente de menor extrusão de restos necrótico e microrganismos ● Oferece maior exatidão para estabelecer o calibre na região apical Passo-a-passo de uma técnica escalonada crown-down Procedimentos iniciais: 1. Radiografia inicial e planejamento 2. Anestesia 3. Descontaminação coronária e acesso 4. Isolamento absoluto Radiografia inicial e planejamento: Determinação do CAD CAD = Comprimento Aparente do Dente Escolhe uma referência externa coronária e apical, mede com a régua calibradora os canais. 58 Camila Martins 2018.2 Seleção do comprimento das limas (21, 25, 31 mm) 1. Limpeza passiva 2. Preparo do corpo do canal 3. Odontometria 4. Avanço progressivo em direção ao ápice 5. Ampliação anatômica 6. Recuo escalonado Limpeza Passiva:Tem como objetivo principal descontaminar os 2/3 coronários. 2/3 do CAD Ex: Dente 21 mm Limpeza passiva em 14 mm Preparo do corpo do canal: ● Sequência DECRESCENTE – Crown Down (5-4-3-2) ● Avanço anatômico gradual ● Até a curvatura em canais curvos Cuidados com as Gates-Glidden: ● Devem entrar e sair girando do canal 59 Camila Martins 2018.2 ● Podem ocasionar perfurações ou rasgos dependendo da anatomia do canal e diâmetro da broca ● Se pressionadas podem fraturar Comprimento Real do dente (CRD): Comprimento que vai desde um ponto de referência externo até a saída foraminal (forame apical) Técnicas para odontometria (encontrar o CRD) ● Ingle ● Bregman ● Localizador apical Técnica de Ingle: 1. Medir o comprimento Aparente do dente (CAD) na radiografia 2. Colocar uma lima tipo K de pequeno calibre (de acordo com o diâmetro do canal e o comprimento do dente) no CAD -2 mm 3. Estabelecer pontos de referência na coroa 4. Radiografar 5. Medir a distância entre a ponta da lima e o ápice radiográfico. 6. Acrescentar essa medida – 1mm e radiografar novamente. Exemplo: 1. CAD = 24mm 2. 1ª radiografia com a lima ajustada em 22mm (24mm – 2mm) 3. Medida da distância da lima até o ápice radiográfico foi de 1,5mm 4. 2ª radiografia com a lima em 22,5mm (22mm + 1,5mm – 1mm) (se necessário, repetir a sequência até a lima atingir o comprimento total do dente). 60 Camila Martins 2018.2 Técnica de Bregman (Regra de três) ● Comprimento aparente do dente (CAD) ● Comprimento aparente do instrumento (CAI) ● Comprimento real do dente (CRD) ● Comprimento real do instrumento (CRI) Exemplo: CAD = 23mm CAI = 21mm CRI = 22mm Determinação do comprimento de trabalho (CT) Radiografar e ajustar CT = CRD - 1mm CT = 1mm aquém do CRD Patência Foraminal Ato de passar com um instrumento de pequeno calibre pelo forame apical, garante vantagem como a impossibilidade de obstruir o forame apical. 61 Camila Martins 2018.2 Avanço progressivo em direção ao ápice Primeira lima do avanço progressivo: equivalente a última Gates utilizada – 10 Primeira lima a atingir o CT: lima de diâmetro anatômico (DA) Ampliação anatômica: Trabalhar com dois instrumentos acima do diâmetro anatômico, no mesmo comprimento de trabalho. 62 Camila Martins 2018.2 Movimento de forças balanceadas: Recuo Escalonado Se no trabalho com dois instrumentos no diâmetro anatômico não está mantendo a conicidade constante do canal, então confere uma conicidade nesses dois elementos apicais aumentando dois instrumentos mas recuando 1mm. 63 Camila Martins 2018.2 Visa a limpeza do sistema de canais radiculares quimicamente e mecanicamente. Após isso devemos fazer a vedação do espaço que criamos para promover a desinfecção, e é feita da forma que a gente vai obturar o sistema de canais radiculares a fim de proporcionar o reparo dos tecidos perirradiculares. Definição: “A obturação do sistema de canais radiculares compreende o preenchimento completo do espaço criado com a remoção da polpa e preparo químico-mecânico, com materiais de propriedades físicas e biológicas apropriadas”. Objetivos da obturação: Prevenir a formação de exsudato e sua percolação no interior do canal Impedir a reinfecção por microorganismos que possa, eventualmente, ter permanecido após o preparo Favorecer o processo biológico de cicatrização dos tecidos periapicais Prevenir a micro-infiltração coronária e apical Limite apical da obturação: Ápice radiográfico ≈ 0,5mm do forame apical Constrição apical ≈ 0.5mm do forame apical 1mm 64 Camila Martins 2018.2 Sobre-obturação: extravasamento do cimento pelo forame/pelas saídas dos canais radiculares Sobre-extensão: Passagem do cone de Gutta Percha por esse limite. Reabsorção do material Não interfere no reparo Encapsulado por tecido fibroso Controvérsias sobre o sucesso 65 Camila Martins 2018.2 Momento da Obturação: ● Preparo químico-mecânico completo ● Ausência de exsudação ● Ausência de sintomatologia ● Ausência de odor ● Obtenção de culturas negativa (validade questionável) Sintomatologia pós-operatória: Não há diferença significativa no tratamento endodôntico de dentes com necrose em uma ou múltiplas sessões. O estado patológico pulpar não interfere na sintomatologia pós-operatória. Sucesso a longo prazo: Poucos estudos avaliando o sucesso a longo prazo Não há consenso entre os diversos autores Vantagens da sessão única: ● Reduz o tempo clínico ● Elimina a possibilidade de recontaminação ou contaminação do canal entre as consultas ● Permite a imediata utilização do canal para a retenção de restauração ● Permite a obturação do canal no momento em que o clínico está mais familiarizado com a anatomia do canal, comprimento de trabalho e parada apical ● Permite que o dentista utilize a economia de tempo operatório para a redução do stress e melhora na colaboração pelo paciente Materiais obturadores – Requisitos ● Não ser irritante aos tecidos periapicais ● Ter efeito antimicrobiano ● Ser radiopaco ● Não manchar o dente ● Ser facilmente removido do interior do canal se necessário Tipos de materiais: ● Sólidos – Cones de Prata ● Semi-sólidos – Cones de Guta-Percha ● Cimentos – Tomam presa dentro do canal ● Pastas – Não tomam presa 66 Camila Martins 2018.2 Cones de Prata: Material radiopaco bem fino, caiu em desuso devido a não promoção de um bom selamento e corrosão. ● Isômero da borracha ● Possui duas formas cristalinas: alfa e beta Composição: Guta-Percha: 19 a 20% ↑ Plasticidade Óxido de zinco: 60 a 75%: ↑ Rigidez e atividade antibacteriana Sulfato de bário: 1,5 a 17% ↑ Radiopacidade Resinas, ceras e corantes: 1 a 4%. Considerações biológicas: ● Inerte ● Atóxico ● Não alergênico Considerações físicas: ● Passível de esterilização ● Impermeável a água ● Plastifica-se com o calor ou através de solventes Quebradiça à temperatura ambiente Aquecida – pegajosa e aderente Apresenta maior escoamento Ponto de fusão é de 65ºC Estável e flexível à temperatura ambiente Aquecida – não apresenta adesividade Apresenta menor escoamento Ponto de fusão é de 56ºC 67 Camila Martins 2018.2 ● Pode ser condensada adaptando-se às irregularidades dos canais ● Após o endurecimento não sofre alterações dimensionais ● Não altera a cor do dente ● É radiopaca ● Pode ser removida do interior do canal se necessário Restrições: ● Pouca rigidez ● Falta de adesividade ● Facilidade de deslocamento quando se exerce pressão Apresentação: São empregados como cones principais O diâmetro em D0 corresponde aos números padronizados (ISO) de 15 a 140. Possuem conicidades variáveis (não padronizadas) Podem ser utilizados como cones principais Descontaminação: NaOCl 5,25% 45 segundos Obturação do canal radicular não é realizada somente com cone de Guta-Percha, é necessário a associação com algum cimento endodôntico. 68 Camila Martins 2018.2 Ocupar os espaços existentes entre a Guta-Percha e as paredes do canal e entre os próprios cones de Guta-Percha. Agente de união para cimentar o cone principal bem adaptado Obturador para as irregularidades entre o material obturador e as paredes do canal Lubrificante Propriedades dos cimentos endodônticos: 1. Promover selamento hermético 2. Ação antimicrobiana 3. Insolúvel 4. Facilidade de inserção e remoção 5. Não sofrer contração 6. Ser radiopaco 7. Possuir um adequado tempo de trabalho 8. Adesividade 9. Nãomanchar estrutura dentária 10. Biocompatibilidade Tipos de cimentos endodônticos: 1. Cimentos a base de óxido de zinco e Eugenol (OZE) 2. Cimentos contendo Hidróxido de Cálcio 3. Cimentos Resinosos 4. Cimentos Ionôméricos 5. Cimentos a base de Silicone 6. Cimentos a base de MTA/biocerâmicos Grossman: Procosol Fil Canal Endofill Endomethasone N: Acetato de hidrocortisona Rickert: Pulp canal Sealer (EWT) N-Rickert Propriedades: 69 Camila Martins 2018.2 Boa capacidade seladora Baixa permeabilidade Estabilidade dimensional Adesividade adequada Baixa solubilidade Baixa desintegração Sealapex – pasta/pasta – possuem propriedades físico-químicas razoáveis, excelente tolerância tecidual. Sealer 26: Baixa radiopacidade, escoamento e solúveis com o tempo. AH Plus, AH Plus jet e Sealer Plus. Apresentam excelente adesão à dentina Capacidade de selamento marginal Amplamente utilizado na Europa e EUA Propriedades físico-químicas excelentes KETAC-ENDO Baixa capacidade seladora Resultados de estudos divergentes Aplicação não se justifica RoeKoSeal, Guttaflow Baixa alteração dimensional MTA Filapex; MTA Plus; MTA Flow; Endosequence BC Sealer, BioRoot RCS; Bio-C Sealer. 70 Camila Martins 2018.2 Induz a formação de tecido mineralizado “A melhor técnica é aquela que o profissional domina” “Em situações convencionais, não existem evidências científicas de que uma técnica seja superior às demais.” Proposta por Callahan, em 1914 Refere-se à colocação sucessiva de cones auxiliares lateralmente a um cone principal bem adaptado e cimentado no canal Uso de espaçadores: Utilizada na grande maioria das situações clínicas 1. Seleção e calibração do cone principal 2. Seleção do espaçador 3. Remoção da smear layer 4. Secagem do canal 5. Preparo do cimento e assentamento do cone principal 6. Condensação lateral 7. Corte da obturação e condensação 8. Selamento da obturação Podemos utilizar os cones padronizados, onde não há necessidade de calibragem. Já os cones acessórios precisam passar por calibragem e utilizá-los como cones principais. Utilizamos os cones FM, M e FM (EL-extra longo) Os cones são calibrados na régua calibradora, utilizamos preferencialmente o cone médium, coloca-se na numeração do instrumento de memória e realiza o corte com uma lâmina em dois sentidos (debaixo p/ cima e o inverso). Testes Clínicos Visual – ver se a marcação está coincidindo com o ponto de referência 71 Camila Martins 2018.2 Tátil – sentir o travamento do cone, não se deve fazer força excessiva senão deforma o cone. Radiográfica – confirmação do cone na medida correta. E quando o cone não desce até o CT? Verificar primeiro se a lima de memória está bem solta e se o preparo não está com problema de conicidade ou o cone está demais para a anatomia do canal. Sensibilidade tátil: movimento de vai e vem Seleção do espaçador digital: Começamos preferencialmente pelo C (azul), caso o azul não for adequado para o caso, utiliza o B (vermelho) que tem conicidade menor. A seleção é feita da seguinte forma: coloca-se um cursor no espaçador e faz a medição de 2 a 3 mm do CT e posiciona o cursor no canal. Feito isso, faz a remoção da smear layer com NaOCl 2,5% + EDTA por 3 minutos trocando a cada minuto e agitando, e depois com hipoclorito de sódio novamente, e por fim soro fisiológico. Após a limpeza do canal é feita sua secagem, podemos utilizar as pontas de silicone acopladas no sugador antes de secar com os cones de papel, caso queira uma secagem mais efetiva. Preparo do cimento: Uma ou duas gotas do cimento e quantidade suficiente de pó para que tenhamos consistência de fio. Após isso, molha o cone no cimento e o introduz no canal. Condensação lateral: Introduz o espaçador até o limite do cursor e o remove girando de um lado para o outro com cautela de forma que não puxe o cone principal. E onde criou-se espaço, imediatamente coloca-se um cone acessório, é feito isso até que o espaçador fique a menos 5 mm do CT. É feito isso repetidamente até que não haja espaço para colocar cone acessório. Terminado isso, faz-se radiografia para avaliar a qualidade da obturação. Utilizados para fazer o corte da massa e pressionar verticalmente os condensadores. Possuem numeração que são 1-2 e 4-3. Condensador de Lucas: De um lado tem uma ponta lisa que vai ao fogo, é utilizada para fazer o corte, e do outro há um condensador de Paiva para realizar a calcação. Após fazer o corte, imediatamente faz a pressão apical com o condensador frio de 10 a 20 segundos. 72 Camila Martins 2018.2 Selamento é feito com material restaurador provisório, o ideal é que seja feito com material definitivo como a resina ou ionômero de vidro. Falta de homegeneidade da massa Reabsorções internas Proservação: Sucesso na terapia deve ser avaliado periodicamente, de seis em seis meses, através de exames clínicos e radiográficos. Biopulpectomia até 1 ano após conclusão do tratamento. Necropulpectomia: até no mínimo 2 anos após o tratamento. Sucesso: 1. Ausência de sensibilidade à palpação e percussão 2. Mobilidade dentária normal 3. Ausência de fístula 4. Função dentária normal 5. Ausência de tumefação 6. Normalidade do espaço do ligamento periodontal 7. Regressão da lesão, se presente 8. Ausência ou paralisação da reabsorção radicular 73 Camila Martins 2018.2 “Procedimento para remover o material obturador dos canais radiculares e novamente modelar, limpar e obturar o sistema de canais radiculares.” Insucesso do tratamento original Exposição ao meio oral por tempo prolongado Ausência de sinais e sintomas Dente em função mastigatória e com selamento adequado Desaparecimento/redução da lesão periapical 6 a 24 meses →90% dos dentes sem lesão →80% dos dentes com lesão 1. Sinais 2. Sintomas 3. Aspecto radiográfico 4. Tratamento restaurador Presença de fístula Se essa fístula estava presente antes do tratamento, o esperado é regressão em pelo menos um mês. Caso não regrida, pode ser um critério para o retratamento. Dor pós-operatória costuma durar de 2 a 3 dias, mas pode se estender de uma a duas semanas em caso de contato prematuro ou casos mais complexos. Em caso de dores por mais de um mês, deve-se levar em consideração outras causas e eliminá-las. Dor espontânea Dor à palpação Sensibilidade ao toque 74 Camila Martins 2018.2 Tratamento inadequado Com lesão Sem sintomas Lesões laterais podem nos indicar que há um canal lateral. Acompanhamento da lesão de 6 em 6 meses. Dentes com tratamento inadequado recentemente devem ser acompanhados. O retratamento pode ser feito após 6 meses há um ano. Paciente com sensibilidade CT adequado Obturação boa e compacta Ausência de lesão 1. Avaliar o tempo do tratamento endodôntico 2. Realizar boa anamnese e exame clínico Tratamento endodôntico inadequado Sem sinais e sintomas Sem lesão radiográfica Presença de lâmina dura Novo tratamento restaurador Necessidade de pino intracanal Selamento coronário Recontaminação microbiana “in vitro” Fatores microbianos: Infecção intrarradicular Infecção extrarradicular Retratamento Proservar Retratamento 19 dias 60 dias 75 Camila Martins 2018.2 Fatores não microbianos: Cisto Reação de corpo estranho 1. Limite apical de obturação 0 a 2mm aquém – 94% Sobreobturação – 76% Mais de 2mm aquém – 68% 2. Qualidade da obturação Falha de densidade da obturação Presença de bolhas Espaço para crescimento bacteriano 3. Selamento coronário Dentes sem restauração coronária após o tratamento endodôntico tem de 2x a 4x mais chances de serem perdidos.Fratura coroa/raiz – Exodontia 4. Inobservância dos princípios básicos Isolamento absoluto Princípios de assepsia Respeito aos tecidos periapicais Acesso inadequado 76 Camila Martins 2018.2 5. Iatrogenias Perfurações Fratura do instrumento 6. Complexidade anatômica Canais acessórios Canais laterais Cavo inter-radicular Canais em forma de C Presença de 3º canal na raiz mesial do 1º molar inferior Biofilme bacteriano extrarradicular Micro-organismos aderidos à superfície externa do dente É preciso complementar com cirurgia endodôntica Fatores não-microbianos: Cisto verdadeiro (que sobrevive independentemente do que foi realizado no canal, é preciso complementar com cirurgia endodôntica). Reação de corpo estranho Índice de sucesso do retratamento: Sempre menor que um tratamento, geralmente o dente indicado a um tratamento são dentes que tem: Dificuldades com a anatomia dental Problemas com Iatrogenias Resistência microbiana Tipos de reintervenção: Não cirúrgica: via canal, 1ª escolha Cirúrgica: cirurgia parendodôntica – insucesso do retratamento convencional; inacessibilidade aos canais. Extração 1. Acesso aos canais radiculares 2. Remoção do material obturador 3. Reinstrumentação e obturação 77 Camila Martins 2018.2 Remoção da restauração coronária Evitar bloqueio do canal por raspas da restauração Melhora a visualização da entrada dos canais Remoção de dentina cariada Remoção de coroa protética Por desgaste – canaletas na menor dimensão do dente VL/MD Por tração – maior risco de fratura do dente Ultrassom – fragmenta a linha de cimento Remoção de núcleos e pinos Por desgaste: Desgaste com brocas – risco de causar desvios e perfurações, não é indicado. A não ser que seja um pino curto e de boa visualização. 78 Camila Martins 2018.2 Pinos com fibra de vidro é necessário fazer o desgaste com uso de brocas ou com ultrassom. Por tração: Maior risco de fratura do dente Ultrassom: Mais utilizado. Por ultrassom: Desgastar em torno do pino com broca Aplicar o ultrassom Quando temos um pino rosqueável pode desrosquear no sentido anti-horário e também pode aplicar vibração ultrassônica. O ultrassom gera calor, deve ter refrigeração para não causar lesões em tecido mole. 79 Camila Martins 2018.2 Manual Microscópio e ultrassom (micro-sonic) Cones de prata: Falta de adaptação Corrosão Pinça de Stieglitz Tracionamento com Hedstroen Instrumentos fraturados: Técnica com super bonder: Pode ajudar na remoção desses instrumentos fraturados, é aplicado com o auxílio de uma cânula. Técnica manual: Limas tipo Kerr Limas tipo Hedstroen Limas tipo C: C Pilot C-Plus Hi-5 Técnica manual-mecânica Instrumentos rotatórios Brocas de Gates Glidden – trabalhar só na porção reta do canal. Terço apical: remoção da guta-percha com limas. 80 Camila Martins 2018.2 Uso de solventes: → Eucaliptol e Óleo de Laranja Dissolver Guta-percha Associado ao uso de limas Deve respeitar a configuração do canal Evitar degrau, transporte do forame ou perfurações Cuidado: Pode ocorrer extravasamento apical Pequena quantidade, de 2 a 3 gotas Gotejar com seringa ou pinça É necessário que o cimento residual seja eliminado das paredes do canal, pois bactérias podem alojar-se na sua interface. Utilização de solventes é em último caso. Estabelecer novo CT e novo diâmetro anatômico Limpeza e ampliação de toda extensão do canal radicular >95% redução microbiana apenas com preparo químico-mecânico Quando tiver um núcleo muito grande com chance de fratura, não é indicado retratamento. Exodontia pós-tratamento endodôntico: Vire et al., 1991: Fracassos de origem protética: 59,4% Fracassos de origem periodontal: 32% Fracassos de origem endodôntica: 8,6% 81 Camila Martins 2018.2 Inspeção clínica: é limitada Coroa dentária Anatomia oclusal/cárie Tecido mole adjacente Exame radiográfico Câmara pulpar Canal radicular Tecido periapical adjacente A endodontia é uma especialidade que depende da radiografia. Utiliza-se as radiografias: Diagnóstico Durante o tratamento Proservação Requisitos: Radiografia de boa qualidade Conhecimento das estruturas anatômicas nobres e das patologias Conhecimento das técnicas radiográficas Radiografia com filme convencional Radiografia digital Método mais utilizado Requer espaço para armazenamento Mais demorado devido ao processamento Processamento em caixas de revelação ou câmara escura Técnica de processamento influencia na imagem final A temperatura da solução e do ambiente pode alterar o tempo de processamento 82 Camila Martins 2018.2 Uso de sensor digital intra-oral Sensor do Rx é conectado ao computador Placas de fósforo Muito utilizada em endodontia Uso limitado: alto custo Vantagens: Obtenção imediata da imagem Eliminação das películas e do processamento da radiografia Redução do espaço físico para armazenamento de imagens Redução da dose de Rx Radiografia oclusal: Delimitação de grandes áreas patológicas Localização radiográfica Pesquisa de cálculos salivares Radiografia interproximal Localização de nódulos pulpares Relação entre teto e o assoalho da câmara pulpar Perfuração do assoalho da câmara pulpar Radiografia periapical Permite avaliar a relação do dente com o tecido periapical Mais usada em endodontia Diagnóstico, planejamento Durante o tratamento endodôntico Proservação Revelador (1 min) Água (20 seg) Fixador (5 a 10min) Lavagem em água corrente Extra-bucais Panorâmica Póstero-anterior Lateral Intra-bucais Oclusal Interproximal Periapical 83 Camila Martins 2018.2 Limitações: Imagem bidimensional Projeção de sombra/imagens Identificação de alterações patológicas na região periapical Identificação das estruturas anatômicas nobres Relação da cavidade pulpar com extensão da cárie ou restauração Relação teto-assoalho da câmara pulpar Número de raízes e canais Presença de pinos Presença de curvatura e variações anatômicas Presença de nódulos e calcificações pulpares Fraturas radiculares Rastreamento de fístulas Odontometria Após a inserção de medicamento intracanal o Casos de traumatismo o Presença de lesão periapical extensa Seleção do cone principal: limite apical de obturação Qualidade da obturação o Preenchimento de espaços vazios Erros durante o tratamento o Fratura de instrumentos o Perfurações radiculares Preparo de lesão periapical 1. Inicial 2. Comprimento de trabalho 3. Seleção do cone principal 4. Qualidade da obturação – feita após a condensação lateral 5. Final 84 Camila Martins 2018.2 Técnica do Paralelismo Objeto a ser radiografado e o filme devem estar paralelos entre si, por meio de um posicionador Produz imagens com medidas mais próximas do objeto real Uso de posicionadores que irão orientar a posição do cilindro do aparelho de Rx Minimiza as distorções de forma e ampliação da imagem Técnica da Bissetriz O feixe central de raios x deve ser dirigido ao “meio” do dente, e perpendicular à bissetriz do ângulo formado entre o plano do longo eixo do dente e o plano do filme. Posicionamento na técnica da bissetriz: Posição da cabeça do paciente Posição do filme Angulação vertical e horizontal do cilindro localizador 85 Camila Martins 2018.2 Variação do ângulo vertical: Aumento do ângulo → imagem encurtada Redução do ângulo → imagem alongada