Prévia do material em texto
Profa. MSc. Angelita Verde UNIDADE I Estudos Disciplinares Perspectiva Global das Contaminações Químicas dos Alimentos e Medicamentos I O que são contaminantes em alimentos? São substâncias que têm potencial para causar danos à saúde. Essas substâncias, de natureza inorgânica ou orgânica, não são adicionadas, intencionalmente, aos alimentos. Elas podem estar presentes em várias fontes alimentares como resultado da produção, da fabricação, do processamento, da preparação, do tratamento, da embalagem, do transporte, ou do armazenamento de alimentos ou rações, ou também por causa da contaminação ambiental. Contaminação em alimentos Um alimento não pode configurar-se em um meio de transmissão de doenças ou um instrumento para causar danos a quem o consumir. Medidas de controle preventivo devem ser observadas em todo o processo produtivo, a fim de evitar que um alimento se transforme em um meio de disseminação de doenças ou danos ao consumidor. Devem ser observadas as Boas Práticas de Fabricação. Contaminação em alimentos Proveniente do próprio processamento. Exemplos: Acrilamida. Nitrosaminas. Toxinas fúngicas. Contaminação em alimentos Acrilamida É um composto químico (C3H5NO) de cor branca, inodoro e cristalino. Nos alimentos é produzido devido à interação entre o aminoácido asparagina e os monossacarídeos glicose e frutose, durante o processo da Reação de Maillard. Acrilamida é carcinogênica em animais e humanos. A agência britânica Food Standards Agency, em 2017, lançou uma campanha incentivando a população a não ingerir alimentos queimados, para reduzir o consumo de acrilamida. Contaminação em alimentos Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/07/voce-come-alimentos-queimados-veja- os-riscos-para-a-saude.ghtml / Nitrosaminas São formadas em produtos cárneos conservados com nitrito/nitrato (carnes curadas). Na “cura da carne”, além do sal, adiciona-se o nitrito/nitrato para auxiliar na conservação por mais tempo, sem o desenvolvimento do microrganismo Clostridium botulinum. Ex.: presunto, linguiça, salsicha, mortadela. Há uma relação muito estreita entre o consumo de nitrosaminas e desenvolvimento de câncer. A legislação atual brasileira (Portaria n. 1.004/Anvisa/Ministério da Saúde de 1998) define os limites máximos de 0,015 g/100 g e 0,03 g/100 g, para nitrito e nitrato de sódio como conservantes (em carnes e produtos cárneos), respectivamente. Contaminação em alimentos Fonte: https://www.foodsafety.gov.mo/p/science/detail/36 188432-82a7-4b4b-870c-814d75dc5437 Toxinas fúngicas As micotoxinas são provenientes do metabolismo secundário dos fungos. Exemplos: aflatoxinas, ocratoxinas, zearalenona, funonisina, tricotecenos, patulina. A aflatoxina é produzida pelo fungo Aspergilus flavus e pode ser encontrada em alimentos como amendoim, milho e castanhas. Causa danos ao fígado, como cirrose hepática, indução de tumores e efeitos teratogênicos e genéticos. Contaminação em alimentos Fonte: https://www.lamic.ufsm.br/site/mi cotoxinas/o-que-sao-micotoxinas Fonte: https://pt.engormix.com/micotoxinas/aflatoxi nas/aflatoxina-leite-risco-saude_a37899/ Ambiental: impurezas que ocorrem, naturalmente, no ambiente ou que são introduzidas pela ação humana. Exemplos: metais, compostos orgânicos e inorgânicos de resíduos industriais, resíduos de pesticidas e drogas veterinárias. Contaminação em alimentos Os prejuízos à saúde dos consumidores dependem: a) da toxicidade dos contaminantes; b) da quantidade ingerida; c) das características do indivíduo, como o peso corporal. Para proteger a saúde da população, é preciso conhecer o nível em que esses contaminantes ocorrem e mantê-los dentro de limites que sejam aceitáveis. Contaminação em alimentos Os contaminantes alimentares são classificados em biológicos, químicos e físicos: a) Contaminantes físicos: vidros, metais, madeira ou qualquer tipo de material palpável ou objeto que possa causar dano ao consumidor. b) Contaminantes químicos: contaminantes inorgânicos tóxicos (metais, por exemplo); anabolizantes, antibióticos, herbicidas, pesticidas, aditivos e coadjuvantes alimentares tóxicos, tintas, lubrificantes, desinfetantes, produtos químicos de limpeza etc. c) Contaminantes biológicos: bactérias, vírus, parasitas e protozoários. Contaminação em alimentos São aqueles contaminantes de natureza física, representados por objetos ou matérias estranhas que são capazes de machucar fisicamente o consumidor. Os contaminantes físicos são capazes de contaminar os alimentos em qualquer etapa de sua produção. É importante ter em mente que qualquer substância estranha pode se constituir em um perigo à saúde se for capaz de produzir dano ao consumidor. Contaminantes físicos São introduzidos nos alimentos a partir das matérias-primas durante o processo produtivo e de embalagem. Prevenção: a) Manutenção preventiva dos equipamentos, considerando as corrosões, a pintura danificada, as partes soltas ou frouxas, a fim de evitar sua queda nos produtos. Obs.: uma prática que se verifica com certa frequência e que deve ser evitada é o uso de grampeadores (grampos metálicos) para o fechamento das embalagens. Metais Fonte: https://www.al.es.gov.br/Noticia/2018/01/34113/pl-visa- evitar-contaminacao-de-alimentos-por-embalagens.html Bastante perigosos, pois podem causar cortes na boca dos consumidores e, se engolidos, causam sérias consequências. O vidro pode estar presente nas matérias-primas ou na embalagem como um contaminante proveniente de queda acidental durante a manipulação. Vidros Fonte: https://consultoradealimentos.com. br/seguranca-alimentar/voce- conhece-os-perigos-alimentares/ Fragmentos de madeira podem constituir um perigo ao consumidor, sendo a causa de corte na língua e na garganta, e, até, perfurações. Prevenção: Evitar a entrada de caixas e pallets de madeira em áreas de produção de alimentos. Evitar o uso de utensílios de madeira, como colheres de pau, rolos de massa, tábuas de corte e palitos nas preparações culinárias. No caso das pedras, os grãos (feijão) podem ser contaminados por elas, podendo ocasionar danos ao consumidor. Madeiras e pedras Fonte: https://portal- foodjobs.curriculum.com.br/dicas/utensilios-de-madeira-na- cozinha-podem-trazer-riscos-a-saude/ Fragmentos de plástico rígido ou flexível podem ser liberados por utensílios ou superfícies de trabalho. Prevenção: treinamento de funcionários para o uso adequado de utensílios e a substituição desses quando danificados. Cabelo: o principal dano físico ocasionado por um fio de cabelo no alimento é emocional, já que são carregadores de microrganismos patogênicos aos alimentos. Prevenção: Boas Práticas de Higiene do Colaborador. Plásticos e cabelo Fonte: https://consultoradealimentos.com.br/wp- content/uploads/2016/09/0ed4edfeaa06fffd4b72 6f60e254bc7b.jpg / Além de todo o potencial patogênico, podem ser vetores de contaminação química por intermédio das iscas tóxicas utilizadas para o seu controle. São consideradas, também, como perigos físicos que podem ocasionar danos emocionais. Prevenção: a implantação e a manutenção de um programa eficaz de controle e combate às pragas, em locais de produção ou manipulação de alimentos. Pragas (insetos) Fonte: https://consultoradealimentos.com .br/wp- content/uploads/2020/02/restaura nt-pests-1280x720-1024x576.jpg São considerados contaminantes químicos em alimentos: a) As micotoxinas, que são compostos tóxicos produzidos por diferentes fungos, principalmente os dos gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium, por alimentos contaminados ou plantações contaminadas (principalmente, os cereais). b) Elementos como arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio são alguns dos metais presentes naturalmente no solo, na água e na atmosfera. c) Os príons,agentes proteicos infecciosos, associados, diretamente, com as doenças neurodegenerativas, podem ser transmitidos pelo consumo de produtos bovinos contendo materiais de risco, como o tecido cerebral. d) Os parasitas, como tênias (Echinococcus spp. ou Taenia solium), podem infectar pessoas por alimentos ou contato direto com os animais. e) O vírus da hepatite A pode causar doenças de fígado de longa duração e se espalha, tipicamente, por frutos do mar crus ou malcozidos. Interatividade São considerados contaminantes químicos em alimentos: a) As micotoxinas, que são compostos tóxicos produzidos por diferentes fungos, principalmente os dos gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium, por alimentos contaminados ou plantações contaminadas (principalmente, os cereais). b) Elementos como arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio são alguns dos metais presentes naturalmente no solo, na água e na atmosfera. c) Os príons, agentes proteicos infecciosos, associados, diretamente, com as doenças neurodegenerativas, podem ser transmitidos pelo consumo de produtos bovinos contendo materiais de risco, como o tecido cerebral. d) Os parasitas, como tênias (Echinococcus spp. ou Taenia solium), podem infectar pessoas por alimentos ou contato direto com os animais. e) O vírus da hepatite A pode causar doenças de fígado de longa duração e se espalha, tipicamente, por frutos do mar crus ou malcozidos. Resposta Existe, hoje, uma preocupação mundial com o estabelecimento de limites que precisam ser respeitados em relação à presença de substâncias indesejáveis em alimentos, principalmente, os estabelecidos pelo Codex Alimentarius, que é o organismo internacional que estabelece as normas utilizadas na regulamentação do comércio de alimentos. No Brasil, a Anvisa regulamenta e controla. Contaminação química Os compostos potencialmente tóxicos nos alimentos constituem um problema de saúde pública global. A área de Toxicologia Regulatória atua para estabelecer os níveis seguros. Os compostos químicos chegam aos alimentos de diferentes fontes: aditivos alimentares; resíduos de fármacos veterinários; contaminantes; agentes tóxicos naturais ou provenientes de adulteração intencional. Contaminantes químicos É necessário o conhecimento da real incidência desses resíduos nos alimentos consumidos para avaliar os riscos que a sua presença pode trazer à saúde dos consumidores. Uma vez que se conhece a quantidade de resíduos de medicamentos veterinários a que estamos expostos, podemos compará-la com os limites toxicológicos tolerados e avaliar os riscos. Esse conhecimento permite que medidas relativas à vigilância sanitária sejam tomadas, auxiliando o governo a estabelecer políticas de segurança pública alimentar. Contaminantes em alimentos relacionados aos resíduos de medicamentos veterinários Os medicamentos veterinários constituem um dos temas que dominam a agenda tanto do Ministério da Saúde (MS) como do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Cada um deles mantém programas para o monitoramento da presença de resíduos de medicamentos veterinários em alimentos, por meio da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Plano Nacional de Controle de Resíduos (PNCR). Medicamentos veterinários O acúmulo desses resíduos no corpo pode causar diversas doenças, como câncer, alergias, aborto, deformação em fetos, entre outras doenças. Em doses altas pode causar intoxicação aguda, envenenamento ou morte. Os agrotóxicos são produtos químicos aplicados para combater as pragas e os agentes de doenças nas lavouras. Alguns agrotóxicos são venenos e podem causar sérios problemas à saúde do consumidor, se alguns cuidados não forem tomados pelo produtor. Outros contaminantes químicos Alguns fertilizantes podem conter metais pesados, como: mercúrio, chumbo, cádmio, cromo etc., que podem ser acumulados pelas plantas e atingir níveis perigosos para a saúde das pessoas. Metais pesados também podem ser encontrados no solo e na água. Por isso, é preciso saber sua origem e avaliar sua qualidade. Também é preciso conhecer o histórico de uso da terra da unidade de produção e as atividades na vizinhança. Contaminantes químicos – metais pesados e outros resíduos tóxicos As embalagens são uma importante fonte de contaminação dos produtos alimentares. As embalagens são produzidas a partir de materiais, como vidro, metal, plástico, papel ou cartão. O plástico é hoje um dos materiais mais utilizados no fabrico de embalagens alimentares. A migração de substâncias químicas de baixo peso molecular, como alguns aditivos e monômeros utilizados na produção de plásticos, ocorre maioritariamente através do processo de difusão. Migração de contaminantes das embalagens para o alimento Os requisitos de segurança das embalagens são definidos por regulamentos técnicos da Anvisa, harmonizados com o Mercosul (GMC), desde 1992, com: listas positivas; ensaios de migração; e Boas Práticas de Fabricação. A RDC 91, de 2011, conhecida como legislação-mãe, contém os critérios gerais para as embalagens e a classificação dos materiais em contato com alimentos. Migração de contaminantes das embalagens para o alimento De acordo com a Resolução RDC 91/01, somente podem ser utilizadas na fabricação de embalagens para os alimentos as substâncias presentes nas listas positivas presentes em regulamentos específicos. Para uma substância ser adicionada em uma lista positiva, sua segurança deve ter sido demonstrada por meio de estudos toxicológicos e as restrições de uso são estabelecidas com base no potencial de migração e na estimativa do risco de exposição do consumidor à ingestão da substância. Migração de contaminantes das embalagens para o alimento As embalagens para os alimentos devem cumprir com o limite de migração total estabelecido (permitem as trocas gasosas entre o interior e o exterior da embalagem. O alumínio, sendo um material menos resistente, é protegido por algum tipo de revestimento. Quando esse revestimento é aplicado internamente, permite a termossoldagem da folha de alumínio. Para essa finalidade são utilizados os vernizes e os filmes plásticos. Alumínio Fonte: https://unsplash.com/s/photos/ blisters?order_by=latest Entre os problemas encontrados com o uso de plásticos nos acondicionamentos de medicamentos, podemos considerar todos, exceto: a) A permeabilidade dos recipientes aos gases atmosféricos e ao vapor úmido. b) A lixiviação dos constituintes do recipiente para o conteúdo. c) Adsorção dos fármacos para o recipiente e a passagem da luz pelo recipiente. d) A alteração do recipiente durante o período de estocagem. e) Falta de reconhecimento por parte da Anvisa desse tipo de recipiente para acondicionar os medicamentos. Interatividade Entre os problemas encontrados com o uso de plásticos nos acondicionamentos de medicamentos, podemos considerar todos, exceto: a) A permeabilidade dos recipientes aos gases atmosféricos e ao vapor úmido. b) A lixiviação dos constituintes do recipiente para o conteúdo. c) Adsorção dos fármacos para o recipiente e a passagem da luz pelo recipiente. d) A alteração do recipiente durante o período de estocagem. e) Falta de reconhecimento por parte da Anvisa desse tipo de recipiente para acondicionar os medicamentos. Resposta No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pelo processo de registro de aditivos, pesticidas e drogas veterinárias, e pela condução de avaliação do risco da exposição humana a essas substâncias e aos contaminantes em alimentos. A avaliação de risco é um processo com base científica. O gerenciamento do risco envolve a tomada de decisões pelas agências reguladoras que levam em consideração, além de informações técnicas relevantes relacionadas ao dano à saúde e ao risco, os fatores políticos, sociais e econômicos. Avaliação de risco A troca de informações sobre o risco entre os avaliadores, os gerenciadores, a mídia, os grupos de interesse e o público em geral se dá no âmbito da comunicação de risco. A avaliação, o gerenciamento e a comunicação do risco são processos que interagem entre si, sendo partes de um processo maior, a análise do risco. Avaliação de risco Fonte: adaptado de: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422009000700036 Análise do risco Avaliação do risco Gerenciamento do risco Comunicação do risco Caracterização do risco Avaliação da exposição Relação dose/resposta Identificação do dano/ perigo O Codex Alimentarius, criado em 1963, é um fórum internacional de normalização do comércio de alimentos e segurança alimentar. O Codex define a análise de risco como sendo constituída pela avaliação, pela supervisão e pela comunicação do risco. Esse risco deve ser caracterizado pelos comitês científicos a curto e, também, a longo prazo. Avaliação de risco Pesticidas organofosforados: embora esses pesticidas se degradem rapidamente em água, existe, sempre, a possibilidade de permanecerem os resíduos e os subprodutos, em níveis relativamente nocivos para o consumo humano. Fármacos ativos de uso veterinário: possíveis consequências prejudiciais à saúde humana podem surgir como resultado da exposição aguda e/ou crônica aos resíduos de medicamentos veterinários. Micotoxinas são compostos tóxicos produzidos por diferentes fungos, principalmente, os dos gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium, por meio de alimentos contaminados ou plantações contaminadas (principalmente, os cereais). Substâncias que se acumulam Identificação do(a) dano/ameaça: É a primeira etapa do processo de avaliação de risco. Faz-se uma revisão inicial de propriedades e características do composto químico capaz de produzir efeitos nocivos sobre a saúde, em função dos prováveis níveis de exposição e, então, decide se será necessária uma avaliação de risco completa. É fundamental no uso de aditivos, pesticidas e fármacos de uso veterinário. Etapas na avaliação de risco Essas substâncias devem passar por uma avaliação de risco antes de serem liberadas para a comercialização. Nesse processo, podem ser utilizadas diferentes fontes de informações, incluindo a relação da estrutura molecular e atividade (Structure-Activity Relationship – SAR), testes in vitro, estudos com animais de laboratório e estudos com seres humanos. Estudos com animais de laboratório: são, atualmente, as principais fontes de informação para identificar e caracterizar o dano ao homem de substâncias químicas presentes em alimentos. Etapas na avaliação de risco Avaliação da dose/resposta: Avalia a relação dose-resposta entre a exposição e o aparecimento dos efeitos adversos, sendo utilizada para estabelecer um nível de exposição real ou previsto à substância. Tudo é tóxico e, apenas, a dose é o que torna algo venenoso. Somente a partir da década de 1990 que a necessidade de se acessar o risco da exposição aguda às substâncias químicas na dieta foi reconhecida internacionalmente, especificamente, com relação à exposição aos pesticidas. Etapas na avaliação de risco Por esse motivo é necessário determinar qual é a dose que não causa efeitos à saúde. Nessa etapa são feitos os testes de toxicidade. Avaliação da exposição examina os riscos de exposição reais ou previstos à substância. A Dose de Referência Aguda (Acute Reference Dose – ARfD) indica a quantidade de uma substância presente no alimento e/ou água que pode ser ingerida em um período de 24 horas, ou menos, sem que haja apreciável risco para a saúde do consumidor. Etapas na avaliação de risco A IDA (Ingestão Diária Aceitável) é, normalmente, definida para os aditivos alimentares, as drogas veterinárias e os pesticidas. Ingestão diária tolerável máxima provisória (Provisional Maximum Tolerable Daily Intake – PMTDI) e a ingestão semanal tolerável provisória (Provisional Tolerable Weekly Intake – PTWI): Para os contaminantes, os parâmetros de ingestão crônica segura são a PMTDI e a PTWI (para as substâncias com potencial de acumulação no organismo). Esses parâmetros representam a quantidade da substância presente no alimento e/ou água que pode ser ingerida, diariamente, ao longo da vida sem que ocorram efeitos adversos à saúde. Parâmetros de ingestão crônica Utilizada para os contaminantes que se acumulam (mercúrio, cádmio). Representa a permissão da exposição humana semanal aos contaminantes, inevitavelmente, associados ao consumo de alimentos nutritivos e saudáveis. Ex.: mercúrio inorgânico – ISTP = 4 μg/kg pc (2010). Ingestão semanal tolerável provisória – ISTP (Provisional Maximum Tolerable Daily Intake – PMTDI) IDA é a quantidade de uma substância, expressa em mg/kg p.c., que pode ser ingerida, diariamente, na alimentação, mesmo por toda a vida, sem dano à saúde humana, com base em informações toxicológicas disponíveis na época da avaliação. Ex.: neotame – IDA = 2 mg/kg pc (2003). Fonte: Adaptado de: https://icecreamscience.com/tag/neotame/ Avaliação da exposição: Avaliação da exposição é definida como a estimativa qualitativa e/ou quantitativa da ingestão provável de agentes biológicos, químicos ou físicos via alimento, bem como a exposição de outras fontes, se relevante. Para estimar a exposição humana às substâncias químicas presentes nos alimentos são necessários três dados essenciais: A concentração da substância no alimento (mg/kg), o consumo do alimento (kg) e o peso corpóreo (kg) (individual ou da população em estudo). Etapas na avaliação de risco Exposição = Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422009000700036 Concentração da substância X Consumo do alimento Peso corpóreoCaracterização do risco: A caracterização do risco pode ser definida como a estimativa qualitativa ou, sempre que possível, quantitativa, incluindo as incertezas esperadas, da probabilidade de ocorrência de um efeito adverso de um dado agente em um dado organismo ou uma população sob condições definidas de exposição. As metodologias utilizadas para caracterizar o risco variam de acordo com as características toxicológicas da substância, isto é, se a substância necessita de um limiar de dose no organismo para exercer sua ação tóxica (substâncias não genotóxicas) ou não (substâncias carcinogênicas e genotóxicas). Etapas na avaliação de risco O limite máximo de ingestão diária aceitável (IDA) de ácido fosfórico (H3PO4), aditivo em alimentos, é de 4,9 mg/kg de peso corporal. Qual é a quantidade, em gramas, que, no máximo, uma pessoa com 60 kg pode ingerir, ao longo de 10 dias? a) 2,94 g b) 440 g c) 294 g d) 4,9 g e) 4 g Interatividade O limite máximo de ingestão diária aceitável (IDA) de ácido fosfórico (H3PO4), aditivo em alimentos, é de 4,9 mg/kg de peso corporal. Qual é a quantidade, em gramas, que, no máximo, uma pessoa com 60 kg pode ingerir, ao longo de 10 dias? a) 2,94 g b) 440 g c) 294 g d) 4,9 g e) 4 g Resposta São utilizados para garantir a estabilidade dos alimentos e constituem um grupo de compostos químicos que já foram testados no que se refere à segurança. Eles ajudam a manter o paladar, o aspecto e a estocagem. Não oferecem um risco significativo à saúde. No Brasil, a Anvisa considera como aditivo alimentar “qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem o propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais”. Aditivos alimentares Antioxidantes: Os antioxidantes alimentares BHA (butil hidroxianisol) e BHT (butil hidroxitolueno), por exemplo, são apontados como possíveis indutores de urticária e da dermatite eczematosa. São usados na conservação de alimentos ricos em gordura e, também, nos cereais. São proibidos em alguns países. Tipos de aditivos Fonte: adaptado de: https://www.scielo.br/j/qn/a/7QPFMbDGVjFgdBGNs CCvhpm/?lang=en#ModalFigfigura3 Fonte: Fonte: https://www.mdsaude.com/dermatologia/urticaria/ OH OH OCH3 CH3 (CH3)3CC(CH3)3 C(CH3) BHA BHT Conservantes: inibem o aparecimento e a reprodução de microrganismos e, por isso, são adicionados aos alimentos para auxiliar na conservação deles. Ácido benzoico → bebidas carbonatadas, sucos, doces. Dióxido de enxofre → vinhos, sucos, pães. Sulfito de potássio → queijos, vinho, cerveja, sucos, frutas secas, embutidos cárneos. O uso desses conservantes está relacionado com o desenvolvimento dos sintomas de asma. Tipos de aditivos Corantes: conferem cor, intensificam ou restauram a cor de um alimento. A indústria usa de artifícios para chamar a atenção do alimento. Experimentos vêm mostrando a ação cancerígena e tóxica dos corantes, por exemplo, o vermelho escarlate ou o corante azoico, que desenvolve adenomas hepáticos e o crescimento anormal na pele. Das substâncias químicas utilizadas, atualmente, como aditivos alimentares, os corantes sintéticos foram considerados os mais genotóxicos, induzindo danos ao DNA. Tipos de aditivos Espessantes: aumentam a viscosidade do produto. Estabilizantes: aditivos para garantir que o produto não perca as características (cor, consistência etc.) adquiridas durante o seu processamento. Melhorador de farinha: substância que, agregada à farinha, melhora a sua qualidade tecnológica para os fins a que se destina. Exemplo: lactato de cálcio. Tipos de aditivos Fonte: Adaptado de: https://www.scielo.br/j/qn/a/7C4qg4tWbgVYmCbQdwMKJgf/?lang=pt CH3 CH C O O - OH Ca2+ 2 Fermento químico: substância ou mistura de substâncias que liberam gás, e, assim, aumentam o volume da massa. Exemplo: ácido glucônico. Glaceante: substância que, quando aplicada na superfície externa de um alimento, confere uma aparência brilhante ou um revestimento protetor. Exemplo: ácido esteárico. Tipos de aditivos Fonte: Adaptado de: https://www.academia.edu/ 24916701/Ácido-glucónico Fonte: Adaptado de: https://www.sinergiacientifica.com.br/produto/acido-estearico-p-a-esterina-pura/ CH2OH C O OH OH OH HO HO H H H H OH O Estabilizante: Assegura as características físicas de emulsões e suspensões. É aplicado em: conservas, doces, sobremesas; laticínios, sopas, caldos concentrados; panificação, massas, alimentos processados, biscoitos; sorvetes, achocolatados e sucos. Exemplo: hidróxido de magnésio – Mg(OH2). Tipos de aditivos O Sistema Internacional de Numeração de Aditivos Alimentares foi elaborado pelo Comitê do Codex sobre os Aditivos Alimentares e Contaminantes de Alimentos para estabelecer um sistema numérico internacional de identificação dos aditivos alimentares, nas listas de ingredientes como alternativa à declaração do nome específico do aditivo. Anvisa – Sistema Internacional de Numeração (INS) O corante tartrazina tem seu uso autorizado para remédios e também alimentos, como balas, geleias, gelatinas, bolos granulados, produtos de grande consumo pela faixa infantil. Entretanto, o seu consumo pode provocar reações adversas em pessoas sensíveis. Nos alimentos, a Anvisa obriga as empresas a inserirem na composição o corante (aditivo INS 102), devendo ser declarado na rotulagem, especificamente, na lista de ingredientes, o nome do corante por extenso. Riscos do corante tartrazina em alimentos e medicamentos Fonte: https://urticaria.org.br/2018/wp- content/uploads/2018/06/image42 -300x208.png Em medicamentos: Os medicamentos que possuem o corante tartrazina em sua formulação devem conter, na bula, a advertência: “Este produto contém o corante amarelo de tartrazina, que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais, a asma brônquica e a urticária, em pessoas suscetíveis”, conforme a Resolução n. 572. Riscos do corante tartrazina em alimentos e medicamentos Fonte: https://clinicaideal.med.br /alergias/urticaria/ Com relação aos aditivos alimentares é incorreto afirmar que: a) No Brasil, a Anvisa dispõe sobre os aditivos alimentares autorizados para uso segundo as boas práticas de fabricação e publica uma lista com os nomes e os códigos dos aditivos alimentares, bem como dos alimentos em que eles podem ser utilizados (e os limites máximos), e aqueles nos quais existe uma restrição de uso. b) Pela legislação brasileira, para que um aditivo alimentar ou coadjuvante de tecnologia possa ser aprovado, são consideradas as referências internacionalmente reconhecidas, como o Codex Alimentarius. c) Na avaliação de risco, levam-se em consideração a quantidade máxima que se pode colocar no alimento, a porção ingerida e o resultado dessa relação em mg por quilo de peso corporal. d) Aditivo alimentar é definido, pelo Ministério da Saúde, como todo e qualquer ingrediente adicionado intencionalmente ao alimento, com o propósito de aumentar o valor nutritivo. e) O uso dos aditivos deve ser limitado aos alimentos específicos, em condições estabelecidas e ao menor nível para alcançar o efeito desejado, de maneira que a sua ingestão não supere os valores de ingestão diária aceitável (IDA) que variam conforme o tipo de aditivo. Interatividade Com relação aos aditivos alimentares é incorreto afirmar que: a) No Brasil, a Anvisa dispõe sobre os aditivos alimentares autorizados para uso segundo as boas práticas de fabricação e publica uma lista com os nomes e os códigos dos aditivos alimentares, bem como dos alimentos em que eles podem ser utilizados (e os limites máximos), e aqueles nos quais existe uma restrição de uso. b) Pela legislação brasileira, para que um aditivo alimentar ou coadjuvante de tecnologia possa ser aprovado, são consideradas as referênciasinternacionalmente reconhecidas, como o Codex Alimentarius. c) Na avaliação de risco, levam-se em consideração a quantidade máxima que se pode colocar no alimento, a porção ingerida e o resultado dessa relação em mg por quilo de peso corporal. d) Aditivo alimentar é definido, pelo Ministério da Saúde, como todo e qualquer ingrediente adicionado intencionalmente ao alimento, com o propósito de aumentar o valor nutritivo. e) O uso dos aditivos deve ser limitado aos alimentos específicos, em condições estabelecidas e ao menor nível para alcançar o efeito desejado, de maneira que a sua ingestão não supere os valores de ingestão diária aceitável (IDA) que variam conforme o tipo de aditivo. Resposta https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/veterinaria/tipos-de- contaminantes/29208 http://www.ufrgs.br/sbctars-eventos/ssa4/wp-content/uploads/2011/12/maria-ToledoMCF-Limtes- de-Consumo-Consciente-SSA4-2012.pdf https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/854894/1/BOASPRATICASAGROP perigosvegetal.pdf https://foodsafetybrazil.org/101142-2/ https://foodsafetybrazil.org/como-avaliar-a-conformidade-de-uma-embalagem-para-alimentos/ https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/13452/1/8.pdf https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422009000700036 https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2017/07/conhe ca-os-aditivos-quimicos-usados-nos-alimentos-e-saiba-os-riscos- do-consumo-em-excesso-9835563.html https://www.researchgate.net/publication/290004222_Aditivos_ali mentares_aplicacoes_e_toxicologia http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_fram e.asp?cod_noticia=1452 Referências ATÉ A PRÓXIMA!