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Direito do Trabalho I - 2015.2

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trabalho em geral e não de certas particularidades, como o trabalho na indústria ou no sindicato. 
A Lei n.º 2.724/56 muda a denominação da cadeira nas Faculdades de Direito, passando a empregar a expressão 
Direito do Trabalho, determinando a incorporação do Direito Industrial ao Direito Comercial. 
A Constituição de 1946 e as que se seguiram passaram a utilizar a expressão Direito do Trabalho, como se observa 
na atual Constituição, no inciso I do art. 22. 
Adotamos, portanto, a denominação Direito do Trabalho, que é mais corrente, como se verifica nos países de língua 
inglesa (Labor Law, nos de língua francesa (Droit du Travail), nos de língua espanhola (Derecho del Trabajo), nos de 
língua italiana (Diritto del Lavoro) e nos de língua alemã (Arbeitsrecht). Em Portugal e no Brasil, é utilizada a 
denominação Direito do Trabalho, que mais individualiza nossa matéria, dizendo respeito, assim, não só ao trabalho 
subordinado, mas também ao trabalho temporário, dos trabalhadores avulsos, domésticos etc. 
3. AUTONOMIA DO DIREITO DO TRABALHO 
O jurista italiano Alfredo Rocco
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 elaborou três critérios que buscam confirmar a autonomia de um ramo da Ciência 
Jurídica: a) existe campo temático vasto e específico; b) a existência de teorias e princípios próprios; c) a observância 
de metodologia própria. 
De forma semelhante, outros autores escrevem que existem cinco requisitos para confirmar o mesmo: a) 
Autonomia Legislativa, b) Autonomia Jurisdicional, c) Autonomia Doutrinária, d) Autonomia Didática e e) 
Autonomia Científica. 
Analisando o caráter legislativo, a CLT pode ser considerada o “Código do Trabalho”, que justifica a autonomia da 
matéria, mesmo considerando a diferença entre Código e Consolidação. 
É inegável a autonomia jurisdicional, pois os processos trabalhistas, tanto com vínculo empregatício, ou sem 
vínculo empregatício, são processados e julgados na Justiça do Trabalho. Esta Justiça detém sede própria, regras 
próprias, orçamento próprio, “Foro próprio”, etc., completamente separado da Justiça Civil. 
Com relação à autonomia doutrinária, é importante sabermos que os livros e escritos de Direito do Trabalho são 
exclusivos sobre a matéria, escritos por autores especialistas nesta matéria. Não vemos capítulos de livros sobre direito 
civil falando de direito do trabalho, usam livros separados e específicos. 
 
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 (1) ROCCO, Alfredo. Corso di Diritto Commerciale — Parte Generale. Padova: La Litotipo — Editrice Universitaria, 1921. p. 76. A 
proposição de Rocco é largamente difundida entre os diversos autores de Direito. 
 
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Na autonomia didática analisamos se as Universidade e Faculdades de Direito estudam tal disciplina em separado, 
ou se estudam dentro de alguma outra matéria. Resta claro que tanto a nossa Faculdade quanto outras ministram o 
Direito do Trabalho em algumas disciplinas (“cadeiras”) separadas das demais. Na Ulbra Torres, por exemplo, temos 
as seguintes disciplinas de Direito do Trabalho, em sentido lato: Direito do Trabalho I; Direito do trabalho II; Direito 
Processual do Trabalho I; Direito Processual do Trabalho II e Estágio do trabalho. 
Para encontrar a autonomia científica, deve-se fazer a seguinte pergunta: este ramo do Direito tem princípios 
próprios e específicos? A resposta para este ramo do direito é positiva. Na próxima aula veremos os principais 
princípios do Direito do Trabalho. 
Concluímos então que o Direito do Trabalho facilmente preenche todos os critérios de autonomia de um ramo do 
Direito, pois tem legislação própria – Autonomia Legislativa; instituição própria (Justiça do Trabalho) – Autonomia 
Jurisdicional; livros específicos sobre matéria trabalhista – Autonomia Doutrinária; disciplinas de Direito do Trabalho 
nas faculdades – Autonomia Didática e Princípios jurídicos específicos – Autonomia Científica. 
No entanto, autonomia não é sinônimo de independência ou de isolamento. O Direito do Trabalho se torna 
autônomo por ter leis próprias e princípios próprios. Porém, se relaciona com os princípios comuns de todas as 
matérias. Além disso, o artigo 8°, parágrafo único, da CLT, aponta o não isolamento do direito do trabalho, quando diz 
que “o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo em que não for incompatível com os 
princípios fundamentais deste”. 
Forma-se um sistema específico e particular de um mesmo Sistema Geral do Direito. 
4. NATUREZA JURÍDICA OU TAXINOMIA 
O Direito do Trabalho pertence ao Direito Público ou Privado? 
Existem alguns autores que defendem a ideia que o Direito do Trabalho integra o Ramo do Direito Público, pela 
grande quantidade de normas de caráter imperativo e por serem fiscalizadas pelo Estado. No entanto, a teoria mais 
aceita é que pertence ao Direito Privado, já que sua principal instituição é o contrato de emprego, que consiste no 
ajuste de vontade de duas partes, sendo estas dois sujeitos particulares. Inclusive porque, a maioria das normas 
trabalhistas são de ordem privada, disciplinando o contrato de trabalho 
5. DIVISÃO DA MATÉRIA 
A divisão interna do Direito do Trabalho (ou Direito Material do Trabalho) compreende dois segmentos jurídicos 
(se englobada a Teoria Geral no primeiro desses segmentos): o Direito Individual do Trabalho e o Direito Coletivo do 
Trabalho. Deste modo, o estudo do direito do Trabalho é dividido em 3 partes (meramente didático): 
a) Parte Geral; b) Direito Individual; e c) Direito Coletivo. 
5.1. Parte Geral 
Estuda-se o histórico, o conceito, a autonomia, os princípios, as relações de trabalho, as fontes e a aplicação do 
Direito do Trabalho. (Disciplina de Direito Trabalho I) 
5.2. Direito Individual 
São verificados: o contrato de trabalho, o seu nascimento, desenvolvimento, encerramento, além das parcelas 
pertinentes ao referido pacto laboral, como férias, décimo terceiro, fundo de garantia e as demais parcelas. No Direito 
Individual do Trabalho a tutela estatal é imediata, determinando uma intervenção direta na aplicação de normas já 
existentes. Dir. Individual = Objeto é a norma jurídica já existente. (“cadeira” de Direito do Trabalho I) 
5.3. Direito Coletivo 
Examina-se a organização dos sindicatos, suas regras e funções, as normas coletivas e a greve. No Direito Coletivo 
do Trabalho, acentuam-se as particularidades da nova disciplina, mas não tão imediato, sendo útil apenas para os 
próximos contratos ou processos. Dissídio Coletivo, Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. Dir. Coletivo = Objeto é 
a criação de normas jurídicas. (Direito Coletivo, na nossa faculdade, faz parte da disciplina Direito do Trabalho II). 
Existem também as normas do Direito Internacional do Trabalho, no entanto fazem parte do estudo do Direito 
Internacional, assim como, o regramento utilizado no Processo Trabalhista, estudado separadamente das regras de 
direito material do trabalho. Além destes temos o Direito da Previdência Social, que cabe ao gênero chamado Direito 
da Seguridade Social. 
 
Três exemplos da diferenciação entre Direito Individual e Coletivo: 
a) Muitos funcionários entram, no mesmo processo, contra a mesma empresa, solicitando adicional 
insalubridade = Dir. Individual (Não é importante a quantidade de pessoas pertencentes ao sujeito ativo e 
sim o tipo da matéria discutida). 
b) Sindicato entra contra uma empresa solicitando pagamento de adicional insalubridade. = Direito Individual. 
Mesmo sendo sindicato, o objeto da ação é o cumprimento de uma norma já existente e não a criação ou 
alteração de uma regra. 
 
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c) Negociação entre sindicatos buscando novas condições de trabalho (sindicato profissional da categoria X 
empresa ou sindicato de empregadores) Ex.: Sindicatos discutindo sobre aumento de salário