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PLANEJAMENTO URBANO
Autoria: Felipe Buller Bertuzzi
Indaial - 2021
UNIASSELVI-PÓS
1ª Edição
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Cristiane Lisandra Danna
Norberto Siegel
Camila Roczanski
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Bárbara Pricila Franz
Marcelo Bucci
Revisão de Conteúdo: Bárbara Pricila Franz
Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2021
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
B552p
 Bertuzzi, Felipe Buller
 Planejamento urbano. / Felipe Buller Bertuzzi – Indaial: 
UNIASSELVI, 2021.
 135 p.; il.
 ISBN 978-65-5646-407-7 
 ISBN Digital 978-65-5646-406-0
1. Urbanismo. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 710
Impresso por:
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
O Planejamento Urbano e suas Interfaces .............................. 7
CAPÍTULO 2
Os Instrumentos do Planejamento Urbano ............................ 53
CAPÍTULO 3
O Planejamento e o Urbanismo Contemporâneo ................... 93
APRESENTAÇÃO
Caro estudante! Seja muito bem-vindo à disciplina de Planejamento Urbano 
do Programa de Pós-Graduação lato sensu da UNIASSELVI. Será um prazer 
dialogarmos sobre essa temática que é extremamente importante para as 
cidades onde vivemos. As abordagens deste livro irão lhe auxiliar a desenvolver 
habilidades que serão fundamentais para a aplicação no mercado de trabalho!
Inicialmente, no primeiro capítulo, serão expostas as principais teorias 
do urbanismo e do planejamento urbano para que, em seguida, você possa 
compreender os processos que originaram a composição das cidades ao longo 
da história internacional e, posteriormente, do Planejamento Urbano e Regional 
no Brasil. Será com esses entendimentos que você terá o conhecimento técnico 
científico necessário para a elaboração das melhores estratégias urbanas em 
sua vida profissional. Além disso, estará apto a avaliar e aplicar os conceitos já 
elucidados ao longo da história no urbanismo atual.
Já no segundo capítulo, iremos discutir as estratégias atuais do planejamento 
urbano que vêm sendo realizadas nas mais diferentes cidades do mundo, bem 
como as formas legais do exercício do planejamento nas cidades que precisam 
ser respeitados. Com isso, você terá instrumentos técnicos para analisar as 
dinâmicas das políticas públicas frente às necessidades urbanas atuais. Além 
disso, você poderá aliar as propostas de planejamento urbano aos instrumentos 
legais vigentes.
Por fim, o terceiro capítulo irá lhe instigar e promover o debate acerca 
dos desafios urbanos a partir de trabalhos já realizados no âmbito nacional e 
internacional, a fim de capacitá-lo para o pensamento crítico e a prática de técnicas 
para a análise do espaço urbano. Na prática, você poderá analisar a viabilidade 
e o estudo de projetos urbanos bem-sucedidos, captar as melhores estratégias 
para o desenvolvimento urbano local e auxiliar na solução de problemas urbanos 
a partir de princípios sustentáveis.
Está preparado para desbravarmos todo esse conhecimento juntos? 
Lembre-se sempre: A transformação só existirá se houver conhecimento!
Professor Arq. Me. Felipe Buller Bertuzzi
CAPÍTULO 1
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS IN-
TERFACES
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 apreender as principais teorias do urbanismo e do Planejamento Urbano;
 conhecer os processos históricos do Planejamento Urbano e Regional no 
Brasil;
 agregar conhecimento técnico-científi co para a elaboração das melhores 
estratégias urbanas;
 avaliar e aplicar os conceitos já elucidados ao longo da história no urbanismo 
atual.
8
 Planejamento Urbano
9
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
O presente capítulo irá abordar as defi nições de planejamento urbano a partir 
de uma breve história do urbanismo. É preciso entender o planejamento urbano 
sob a perspectiva de uma disciplina que visa encontrar soluções para a melhoria 
das cidades e que esses recursos perpassam de uma forma transdisciplinar, isto 
é, requer decisões conjuntas a partir de diferentes atores da sociedade.
Mas para essa análise acontecer é necessário compreender o processo 
histórico da confi guração das comunidades, da aglomeração urbana e dos 
primeiros desafi os acarretados pelo processo de urbanização. Muitas decisões 
tomadas ao longo da história desencadearam em divisões do espaço urbano que 
ascenderam e continuam provocando o fortalecimento da desigualdade social, 
como o uso e a apropriação do solo urbano por meio do zoneamento, a priorização 
da requalifi cação de áreas urbanas que visavam melhorar a aparência da cidade 
ao ocultar áreas mais pobres, dentre outros. Para isso, será apresentado o 
processo da constituição das cidades, extremamente importante para que você 
consiga relacionar às decisões urbanas tomadas nos dias atuais.
Na sequência, abordaremos a história do planejamento urbano e regional 
no Brasil, levando em consideração as suas potencialidades e fragilidades, 
bem como a análise das determinações anteriores com aquilo que vem sendo 
feito atualmente. Para isso, serão evidenciados os períodos (ou fases) do 
planejamento urbano brasileiro que considerou momentos de pura unilateralidade 
sobre a cidade e também da compreensão de que o espaço urbano necessita ser 
pensado por todos.
Por fi m, serão apresentadas algumas maneiras de intervir no espaço urbano 
– ainda que de uma forma generalista – para que você compreenda quais os 
problemas mais decorrentes e as maneiras de intervenção na cidade a partir de 
uma gestão urbana integrada.
Nesse sentido, o presente capítulo buscará lhe situar sobre o que essa 
disciplina do Planejamento Urbano quer dizer a partir de um passo a passo 
sistemático com inúmeras provocações ao longo do texto que lhe farão refl etir 
sobre a cidade contemporânea.
Vamos lá?
10
 Planejamento Urbano
2 A NECESSIDADE DO 
PLANEJAMENTO
Você tem alguma ideia de como surgiu o termo “planejamento urbano” e 
como ele é tratado nos dias de hoje? Iremos abordar esse conceito com você! Mas 
antes disso, é preciso desmembrar essas palavras e entender, separadamente, o 
que cada uma delas signifi ca. Vamos nessa?
2.1 DEFINIÇÕES DE PLANEJAMENTO 
URBANO E UMA BREVE HISTÓRIA DO 
URBANISMO
Quando falamos em planejamento, logo vem à mente o ato de organizar, 
preparar uma determinada atividade ou um determinado espaço. Quando 
planejamos algo, quer dizer que estamos querendo buscar melhorias para a 
resolução de um problema, não é verdade? Isso ocorre quando estudamos para 
uma avaliação na faculdade ou quando precisamos realizar alguma refeição ou 
mesmo pensar em como será a viagem do fi nal de ano. Esses são exemplos muito 
simples de atividades que requerem um planejamento prévio, uma organização 
para que as nossas atividades saiam conforme o esperado!
Para envolver um entendimento científi co e lhe auxiliar ainda mais na 
compreensão dessa temática, Yehezkel Dror defi ne planejamento como sendo 
“o processo de preparar um conjunto de decisões para ação futura, dirigida à 
consecução de objetivos através dos meios preferidos” (DROR, 1973, p. 323). Em 
outras palavras, o autor desta frase quis dizer que o planejamento se trata de um 
processo preparatório para o alcance de metas, realizado em conjunto com todas 
as pessoas envolvidas.
É importante ressaltar que, muitasvezes, as decisões tomadas no momento 
de todo o processo de planejamento não necessariamente serão as mesmas a 
serem executadas (SABOYA, 2011). Isso porque é necessário avaliar o contexto 
e todas as circunstâncias envolvidas a fi m de verifi car se a resolução daquele 
problema será realmente efetiva.
Conseguiu compreender o que signifi ca planejamento? Agora, iremos 
descobrir o sentido da próxima palavra que compõe o entendimento da presente 
disciplina do curso! O termo “urbano” está ligado diretamente à cidade e trata do 
espaço civilizado em que vivemos.
11
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Aqui, tratamos o termo civilizado como sendo a união de 
aspectos que compõem uma civilização, uma sociedade. Dentre eles 
estão os fatores intelectuais, morais e materiais de uma região, por 
exemplo!
A origem no latim, “urbanus”, signifi ca “pertencente à cidade”, relacionado 
diretamente aos habitantes que nela vivem (VESCHI, 2019). E é nesse meio, 
dotado de inúmeras interconexões, que praticamos as nossas atividades diárias 
e nos relacionamos com o ambiente externo. Para exemplifi car algumas das 
características que compõem a zona urbana estão: as edifi cações, o perfi l viário, 
as redes de iluminação, os serviços de saúde, educação, áreas de lazer, dentre 
muitos outros. Todos esses componentes de uma cidade fazem parte e estão 
inerentes a nossa vida cotidiana.
Portanto, se unirmos os dois termos, entendemos que “planejamento urbano” 
trata da organização e do crescimento das cidades a partir de diferentes 
olhares e análises que abordaremos neste capítulo. Apesar de muitas vezes os 
termos “urbanismo” e “planejamento urbano” serem encarados como sinônimos, o 
urbanismo está voltado às características territoriais das cidades (ao desenho da 
cidade), enquanto o planejamento urbano abre-se para um sentido interdisciplinar, 
ainda mais amplo (DUARTE, 2009). Ele remete ao conjunto de medidas que visam 
alcançar objetivos sob aspectos da arquitetura, sociologia, geografi a, economia, 
engenharia, entre outros.
Segundo Jorge Wilheim (importante planejador urbano do Brasil), o objetivo 
do urbanismo é analisar criticamente a realidade do espaço da vida urbana, 
oferecer uma visão desejável e possível, propor e instrumentar uma estratégia 
de mudança. Esta estratégia deveria ser acompanhada pelos instrumentos 
necessários para induzir e conduzir a alteração de realidade proposta (DUARTE, 
2009).
Vamos em frente? Talvez você já esteja se perguntando: “Mas 
como isso de fato ocorre na prática?”.
O planejamento urbano acontece a partir de processos técnicos 
(profi ssionais habilitados para pensar a cidade, como urbanistas e 
engenheiros) e pelo poder público, responsável pela gestão da cidade. 
Além disso, torna-se muito importante a participação da população em 
Assim, o 
planejamento 
urbano volta-se 
para a garantia do 
desenvolvimento 
ordenado das 
comunidades 
pertencentes à 
cidade.
12
 Planejamento Urbano
todo esse processo, pela qual relacionaremos nos próximos capítulos. Assim, o 
planejamento urbano volta-se para a garantia do desenvolvimento ordenado das 
comunidades pertencentes à cidade.
Esperamos que você tenha entendido! Agora que entendemos o que signifi ca 
esse termo, iremos tratar sobre a relação do planejamento com as cidades. 
Estudaremos como surgiu a preocupação com a organização do espaço urbano e 
quais as implicações nas mais diferentes cidades do mundo.
Por mais recente que o planejamento urbano possa parecer, o homem já 
formava “cidades” há milhares e milhares de anos. Benevolo (1997) relacionou 
o surgimento desses agrupamentos ancestrais como geradores da divisão de 
classes, um contraste social que era evidenciado por aqueles que dominam e os 
que eram dominados. E isso refl etia muito nas formas de habitar e na determinação 
daqueles que poderia ter mais recursos de sobrevivência em detrimento de 
outros. Esse processo era muito sustentado pela produção agrícola em que a 
sociedade aprimorava as suas técnicas a fi m de construir, gradativamente, a sua 
própria evolução. Aos poucos, esses agrupamentos foram se espalhando e se 
desenvolvendo em diferentes locais do mundo (Figura 01). 
Leonardo Benevolo (1997) traz o comparativo do processo de 
evolução em seu livro intitulado História da Cidade, que retrata o 
desenvolvimento da civilização humana.
BENEVOLO, L. História da Cidade. 3. ed. São Paulo: Perspectiva 
S/A, 1997.
13
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
FIGURA 1 – EVOLUÇÃO DO CRESCIMENTO POPULACIONAL 
AO LONGO DE MILHARES DE ANOS
FONTE: Adaptada de Benevolo (1997)
Aos poucos, foram sendo feitas descobertas de recursos que poderiam 
ser cultivados para a subsistência, das ferramentas que seriam utilizadas e 
do local onde as pessoas seriam assentadas. A instalação das comunidades 
próxima a leitos de rios favorecia todo esse desenvolvimento, como a irrigação 
para o cultivo de plantas e cereais, o transporte, a troca de mercadorias, dentre 
outros (BENEVOLO, 1997). Assim, o funcionamento da cidade começou a ser 
implantado.
Com o passar do tempo, essa tipologia “aberta” de cidade foi trocada por 
regiões cercadas. Há cerca de 2000 a.C., as cidades sumerianas – localizada 
na região sul da Mesopotâmia – resumiam-se em construções muito próximas 
de dezenas de milhares de habitantes, mas também verticais no formato de 
pirâmide, os chamados zigurates (BENEVOLO, 1997). A Figura 2 demonstra como 
era evidente a distinção de classes, em que os mais pobres já viviam em áreas 
compactas e aglomeradas mais distante da região central dotada de armazéns, 
lojas, laboratórios dentre outros serviços.
14
 Planejamento Urbano
FIGURA 2 – FORMATO DAS EDIFICAÇÕES E A DIVISÃO DE CLASSES
FONTE: Adaptada de Benevolo (1997)
Com o tempo, as cidades passaram a ser desenvolvidas com certa 
regularidade geométrica, intercalando espaços abertos e fechados, muitas 
vezes distribuídos ao redor de pátios centrais. Resultado do processo evolutivo 
do ser humano que, ao longo da história, foi descobrindo diferentes formas 
de organização espacial em prol de sua sobrevivência. E todo esse caminho 
percorrido foi decorrente do conhecimento empírico, ou seja, do ato de o ser 
humano agir conforme as suas experiências, vivências e necessidades.
E aí... o que você está achando? Conseguiu captar a ideia desse panorama 
histórico que trouxemos para você? Julgamos extremamente necessário para 
que você consiga compreender a real noção de planejamento urbano que 
abordaremos neste livro.
Agora, daremos um salto na cronologia histórica para lhe mostrar como todo 
esse processo desencadeou em mudanças extremamente desafi adoras e que 
nos perseguem até os dias de hoje! Vamos lá?
Apesar de diferentes formatos e tipologias que foram surgindo ao longo de 
milênios e em todas as localidades do mundo, um período muito recente da nossa 
história acelerou o desenvolvimento urbano e evidenciou, com muito mais força, a 
necessidade de se pensar a cidade.
15
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Ainda neste capítulo, falávamos sobre o papel do planejamento na 
resolução de problemas. No caso das cidades, isso não foi diferente. Isso porque 
a Revolução Industrial, ocorrida em meados do século XVIII na Inglaterra, 
provocou o esvaziamento de uma população que até então morava em áreas 
rurais para se deslocarem à área urbana das cidades, o que gerou um aumento 
muito signifi cativo de pessoas que buscavam empregos e a esperança de uma 
qualidade de vida melhor do que eles já tinham.
Revolução Industrial: período de grandes transformações 
ocasionadas pelo surgimento da indústria e da aceleração da 
produção! 
Esclarecendo: é importante saber que o processo acelerado de 
migração para as cidades foi denominado “êxodo rural”.
Fazendo uma analogia para que você entenda: era como se um estádio de 
futebol com capacidade de 100 mil pessoas passassea receber 375 mil naquele 
mesmo espaço ao longo de vários anos. Ou seja: a capacidade de absorção da 
população nas cidades já estava esgotava!!!
E não bastasse isso, o processo iniciado na Europa (também chamado de 
alastramento ou espalhamento urbano) foi se disseminando pelo mundo todo, 
crescendo de 500 mil para 1 bilhão de pessoas entre os séculos XVIII e XIX.
Para deixar ainda mais ilustrativo esse crescimento, o gráfi co a seguir retrata, 
em percentagem, o quanto o processo de urbanização impactou no mundo, entre 
os anos 1500-2016. Também é possível fazer uma relação com o crescimento 
populacional do Brasil e do Reino Unido. 
16
 Planejamento Urbano
GRÁFICO 1 – CRESCIMENTO DA URBANIZAÇÃO NOS ÚLTIMOS 500 ANOS
FONTE: Our World in Data baseado no UN World Urbanization Prospects (2018)
Ao contrário das melhorias humanas que se pretendia buscar refúgio nas 
cidades, esse salto resultante do aumento signifi cativo da densidade populacional 
acabou gerando o oposto das expectativas. Uma série de problemas relacionados 
ao ambiente físico foi gerada a partir do acúmulo de lixo, do esgoto a céu aberto 
e, consequentemente, da proliferação muito acelerada de doenças infecciosas. 
Todo esse impacto gerado a partir da grande “aglomeração” de pessoas acendeu 
um alerta que perdura até os dias de hoje: a necessidade de se pensar a cidade, 
visando encontrar alternativas viáveis para a sua sustentabilidade. O campo desse 
estudo, denominado urbanismo, visa estudar as relações entre a vida humana 
e o espaço físico vivido, a fi m de encontrar soluções para o melhoramento da 
qualidade de vida. 
Todo esse processo histórico que praticamente mudou o rumo da sociedade 
mundial pode ser resumido na Figura 3, servindo de ilustração para que você 
tenha em mente que a aceleração do desenvolvimento industrial – que hoje é o 
propulsor da economia, principalmente tecnológico – foi um dos motivos pelo qual 
estamos estudando as cidades no dia de hoje.
17
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
FIGURA 3 – SÍNTESE DO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO NAS CIDADES
FONTE: <https://brasilescola.uol.com.br/brasil/urbanizacao.htm>. Acesso em: 29 jun. 2021.
Aviso importante: Vale ressaltar que quando tratamos sobre 
os acontecimentos históricos de uma forma sequencial, isso não 
signifi ca que eles ocorreram de maneira simultânea em todos os 
cantos do mundo. Fazemos isso para que você entenda e construa 
todo o processo e os seus desdobramentos de uma maneira lógica, 
ok?
Então, vamos retomar a lógica do planejamento. Quando observamos uma 
difi culdade, precisamos solucioná-la, correto? O mesmo aconteceu para as 
cidades. Com o passar dos anos, o Urbanismo passou a ser uma disciplina a ser 
estudada por profi ssionais que voltavam o olhar para a tentativa de solucionar 
esses problemas.
Pois bem, talvez você esteja se perguntando: como o planejamento urbano 
surgiu somente agora, se as cidades já existiam há muito mais tempo? 
18
 Planejamento Urbano
A resposta para essa questão é a seguinte: somente a partir desse momento, 
no século XIX, que o planejamento urbano passou a ser entendido com um trabalho 
resultante de profi ssionais que realmente “planejassem”, que desenvolvessem um 
método, um procedimento de como as cidades deveriam ser, apesar das cidades 
antigas que vimos anteriormente terem sido construídas e ampliadas conforme 
as intenções da época. Vale ressaltar que a “falta de planejamento” remetido 
às cidades da antiguidade voltam-se unicamente para o funcionamento urbano 
e a distribuição territorial como um todo, excetuando dessa discussão 
análises sobre descobertas e formas de sobrevivência extremamente 
importantes e relevantes para os dias atuais. 
Os estudos propriamente ditos focados no planejamento urbano 
e na arquitetura passaram a ser discutido no período do pós-revolução 
industrial. Os arquitetos e urbanistas – adeptos do Modernismo que 
se instaurava na Europa do início do século XX – defendiam a ideia 
da padronização das edifi cações visando reduzir custos e serem 
produzidos em grande escala. Tratava-se de um movimento de manifestações 
artísticas e culturais com o intuito de romper com o tradicionalismo vigente e 
propor novas soluções à cidade.
Excetuando dessa 
discussão análises 
sobre descobertas 
e formas de 
sobrevivência 
extremamente 
importantes e 
relevantes para os 
dias atuais.
O livro História crítica da arquitetura moderna, desenvolvido por 
Kenneth Frampton, discute as origens da arquitetura moderna a partir 
de uma perspectiva contextualizada sobre a prática arquitetônica 
atual e a sustentabilidade. Vale a pena conferir!
FRAMPTON, K. História crítica da arquitetura moderna. São 
Paulo: Martins Fontes, 2015.
Ao surgir esse regramento nos espaços de morar, novos hábitos e formas 
de apropriação dos espaços construídos e não construídos foram sendo criados. 
É nesse momento que surgem estudos urbanos com a existência de grandes 
conjuntos habitacionais realizados por arquitetos e urbanistas da época.
E com o intuito de realizar trocas de experiências entre profi ssionais que 
seguiam essa linguagem arquitetônica nas edifi cações e nas cidades, foram 
criados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, muito conhecidos 
pela sua abreviatura: os CIAM’s (Figura 4).
19
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
FIGURA 4 – FOTO RETIRADA NA PRIMEIRA EDIÇÃO DO EVENTO (CIAM I)
FONTE: Adaptada de Ferreira e Queiroz (2021)
Apesar de eles se reunirem com o objetivo de realizar trocas de experiências, 
será que o evento se resumiu a esse único intuito?
Na realidade, o que eles também queriam era universalizar/unifi car os 
princípios da arquitetura moderna entre eles e, a partir disso, gerar uma única 
forma de expressão, uma arquitetura e um urbanismo que falassem a mesma 
língua!
Nesse sentido, buscaram discutir sobre a ideologia funcionalista – 
pensamento focado na funcionalidade da habitação e da cidade –, sustentada 
pela racionalização econômica e industrialização na projeção dos espaços físicos. 
Ou seja: defendiam a ideia de que as construções precisariam ser padronizadas, 
baratas, construídas rapidamente e em grande escala (GURGEL, 2021).
O Quadro 1 visa sintetizar as principais ideias debatidas nos CIAM’s, para 
que você compreenda a importância histórica desses momentos de discussões 
do planejamento urbano! Com o objetivo de fi car ainda mais didático e facilitar a 
sua aprendizagem, os CIAM’s foram agrupados em três períodos:
20
 Planejamento Urbano
1º PERÍODO (1928-
1933)
2º PERÍODO (1933-
1947)
3º PERÍODO (1947-
1956)
CIAM I Suíça CIAM IV Grécia CIAM VII Itália
CIAM II Alemanha CIAM V França CIAM VIII InglaterraCIAM IX França
CIAM III Bélgica CIAM VI Inglaterra CIAM X Iugoslávia
Pauta: Criação de 
padrões mínimos na 
construção: busca pela 
racionalização.
Pauta: Planejamento 
Urbano; Recon-
strução das cidades.
Organizador: Arq. e 
Urb. Le Corbusier.
Pauta: Arquitetura como 
arte; Preocupação com 
o habitat.
QUADRO 1 – OS CONGRESSOS INTERNACIONAIS DE ARQUITETURA 
MODERNA (CIAM’S) E SEUS RESPECTIVOS PERÍODOS
FONTE: Adaptado de Gurgel (2021)
• 1º PERÍODO (1928-1933)
O ponto de partida dos congressos, dado na Suíça (CIAM I), teve como 
discussão principal as técnicas construtivas modernas (como o uso do 
concreto armado), a padronização da construção, a economia e o urbanismo. 
Posteriormente, no CIAM II, foram abordados os padrões mínimos da habitação, 
sob orientação do arquiteto Ernst May, o qual sustentava a ideia de que as 
unidades habitacionais deveriam possuir “a máxima função com o mínimo de 
forma” (GURGEL, 2021, s.p.).
Já o CIAM III discutiu a problemática da obtenção de terras para a construção 
de empreendimentos. Os resultados do evento resultaram na publicação Razões 
de construção racional. Além disso, essa edição também tratou da confi guração 
urbana, como o gabarito ideal (altura das edificações) e as distâncias que as 
edifi cações deveriam ter entre si. Tudo isso foi sendo pensado sob o pretexto de 
dividir o solo a partir de uma perspectiva racional. De um modo geral, o 1º período 
dos CIAM’s trouxe à tona a discussão sobre a racionalização na construção, 
frisando a execução da maior quantidade possível de edifi cações de baixo custo e 
de rápida construção.
Talvez você esteja pensando: por que estou estudando sobre a habitação, se 
o foco dessa disciplina é o planejamento urbano? Não deveríamos estar pensando 
a partir de um ponto de vista mais amplo? 
21
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
As discussões sobre a funcionalidade da unidade habitacional é pensar o 
espaço urbano. Os arquitetos e urbanistas pensavam no macro (cidade), a partir 
do micro (habitação). Defendiam que a arquitetura precisaria ser racional para 
que a cidade também fosse. E isso tudo é planejamento urbano, um sistema 
complexo que envolve muitas conexões!
Por isso é necessário compreender todo o processo dos CIAM’s, a fi m de 
estudar as temáticas abordadas em cada edição e analisar os resultados obtidos. 
Veremos que o 2º período dos CIAM’s foi fundamental para compreendermos o 
impacto que o estudo das edifi cações gerou nas cidades!
• 2º PERÍODO (1933-1947)
Agora, sim, chegamos à análise “macro”: chegamos à cidade! O CIAM IV 
teve como objetivo realizar a análise de 33 cidades no que tange à ordem e à 
funcionalidade urbana. Esse evento, coordenado pelo Arquiteto e Urbanista Le 
Corbusier, resultou na “Carta de Atenas” (Figura 5), um manifesto urbanístico 
criado por arquitetos que visou expor os problemas urbanos consequentes do 
crescimento das cidades.
A Carta de Atenas pode ser lida na íntegra no site: https://
edisciplinas.usp.br/pluginfi le.php/2974977/mod_resource/content/3/
aula12_Corbusier_Le_A_Carta_de_Atenas.pdf. 
Publicada em Paris, no ano de 1941, a Carta foi sustentada na ideia de 
que era necessário criar uma legislação que regrasse sobre o desenvolvimento 
urbano, a fi m de evitar a expansão desenfreada das cidades europeias. Em 
outras palavras, a Carta sugeriu que o Estado fosse o responsável por regular os 
interesses coletivos da cidade sobre os individuais! (CORBUSIER, 1933).
22
 Planejamento Urbano
FIGURA 5 – A CARTA DE ATENAS
FONTE: Adaptada de Corbusier (1933)
Mas de que forma a Carta evidenciou a necessidade de se seguir um 
regramento urbanístico?
Ela defi ne as ações desenvolvidas na cidade com base em quatro pontos 
importantes: HABITAR, TRABALHAR, RECREAR e CIRCULAR (Quadro 2). Em 
cada agrupamento foram defi nidos indicativos de como o planejamento da cidade 
deveria acontecer para que a estrutura urbana pudesse alcançar o equilíbrio.
QUADRO 2 – ESPECIFICIDADES DA CARTA DE ATENAS
FONTE: Adaptada de Corbusier (1933)
23
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Mesmo defendendo a substituição de áreas degradadas por áreas verdes, 
a Carta de Atenas assegurava a manutenção de edifi cações históricas a fi m 
de garantir a preservação da identidade da cidade. Apesar disso, as novas 
construções que seriam construídas não poderiam ser desenvolvidas com base 
em estilos antigos, a fi m de evitar uma “reconstituição inverídica” do passado.
Em resumo, a Carta de Atenas visava ORGANIZAR a cidade a 
partir da ORDEM e do ALINHAMENTO urbanos da Europa.
Ao contrário das demais edições, o CIAM V foi realizado durante o 
período da II Guerra Mundial. Devido a isso, os arquitetos precisaram 
se reunir em diferentes países. Nesse evento, cada agrupamento de 
profi ssionais discutiu uma temática, como o planejamento pós-guerra 
e a preparação da legislação. Anos depois, o CIAM VI ocorreu com o intuito de 
compartilhar as experiências dos grupos que, sem se comunicar previamente, 
debateram sobre ideias muito parecidas. Em contraponto às outras edições que 
ocorreram fortemente baseadas na racionalização e funcionalidade da cidade, 
este abordou a questão estética: desde a análise das reais necessidades 
humanas até a relação do arquiteto com escultores e pintores.
• 3º PERÍODO (1947-1956)
Este último período de congressos resultou em uma mescla de assuntos 
julgados pertinentes pelos profi ssionais arquitetos e urbanistas. O CIAM VII, por 
exemplo, envolveu discussões sobre o desenvolvimento de novas cidades e 
também sobre a questão estética. 
Por outro lado, o CIAM VIII voltou-se à análise da Carta de Atenas. Verifi cou-
se que a carta fracassou em defi nir apenas quatro pontos para delimitar as funções 
da cidade. Era necessário dar destaque ao centro, o “coração da cidade” como 
o quinto ponto. Sob um ponto de vista mais humano, o pedestre passou a ser 
entendido como um dos estruturadores do espaço urbano. Nos mesmos moldes, 
o CIAM IX considerou a importância do indivíduo no processo de construção do 
espaço. Com a temática “habitat humano” sustentou-se a ideia de que deveria 
haver uma relação entre os habitantes de uma família e de uma sociedade. Por 
consequência, a Carta de Atenas foi mais uma vez criticada por não levar em 
consideração a identidade e as relações entre o bairro e a residência, isto é, era 
preciso predominar as relações humanas sobre funcionais descritas na Carta de 
Atenas.
Por fi m, o CIAM X – que contou com a presença de arquitetos e urbanistas 
da nova geração, excetuando Le Corbusier, por exemplo – desenvolveram a 
chamada “Carta do Habitat”, que levou em consideração as relações do indivíduo 
Em resumo, a Carta 
de Atenas visava 
ORGANIZAR a 
cidade a partir 
da ORDEM e do 
ALINHAMENTO
urbanos da Europa.
24
 Planejamento Urbano
com a família e com a comunidade; as necessidades do ser humano em se isolar 
e também em ter contato com a natureza.
Tratava-se do surgimento de um novo momento na história da cidade: a 
preocupação com os problemas reais que afl igiam a qualidade de vida humana, 
contrariando uma arquitetura modernista que visava enquadrar e regrar toda 
a ação humana. A cidade passou a ser vislumbrada a partir de um olhar mais 
aberto, sustentado pela compreensão do ambiente em que aquele indivíduo se 
desenvolve (FERREIRA; QUEIROZ, 2021).
Surge, portanto, uma grande distinção de ideias:
QUADRO 3 – DISTINÇÃO DE IDEIAS
QUADRO 4 – RELAÇÃO ENTRE AS DUAS VERTENTES DO URBANISMO
FONTE: Ferreira e Queiroz (2021, s.p.)
FONTE: Adaptado de Choay (2005)
Tratava-se da transição de uma arquitetura racional pela “valorização da 
ótica do usuário, pela consideração dos aspectos culturais envolvidos em 
arquitetura, pela leitura da cidade em termo dos diferentes níveis de associação 
humana, pelo retorno da valorização da rua como espaço de convivência” 
(BARONE, 2002, p. 188).
Mas como esses pensamentos funcionavam na prática?
A seguir, serão apresentados, de uma forma mais detalhada, os responsáveis 
por dar vida às correntes de pensamento que Choay (2005) chamou de urbanismo
progressista e urbanismo culturalista, predominantes no século XX.
Objetivos
URBANISMO 
PROGRESSISTA
URBANISMO 
CULTURALISTA
Modernizar a cidade, 
adequando-a ao modelo 
de vida industrial
Buscar uma nova forma de 
vida ao retomar princípios 
e costumes do passado
Profi ssionais Tony Garnier, Walter 
Gropius e Le Corbusier
Camillo Sitte, Ebenezer 
Howard e Raymond Unwin
25
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
O urbanista Walter Gropius (1883-1969), adepto à modernização da cidade, 
defendia a padronização de prédios, sustentando a ideia de que a repetição 
poderia ser mais econômica e a verticalização reduziria as grandes distâncias a 
serem percorridas na cidade. Nos mesmos moldes do urbanismo progressista, o 
urbanista Tony Garnier (1869-1948) acreditava que as grandes cidades deveriam 
advir dos princípios industriais, como a separação das funções urbanas, o que 
hoje chamamos de zoneamento (zonas específi cas para residências, para as 
áreas de indústria, comércio etc.), a exclusão de pátios internos e estreitosdos 
lotes e a criação de áreas verdes para que todos pudessem utilizar de forma 
comunitária.
Já o urbanista franco-suíço Le Corbusier (1887-1965), também adepto 
do urbanista progressista, desenvolveu um dos modelos utópicos de cidade, 
as chamadas “cidades ideais”. Seu intuito era desenvolver uma cidade que 
pudesse ter muitos espaços verdes e captação de luz solar, a fi m de garantir aos 
residentes um estilo de vida melhor. Com a preocupação de planejar a cidade com 
o foco na distribuição espacial, o traçado urbano e a aparência da cidade, o ano 
de 1922 foi marcado pelo desenvolvimento do projeto intitulado “Ville Radieuse”, 
classifi cado com um centro urbano para 3 milhões de habitantes com destaque 
para arranha-céus localizados na área central e dotados de apartamentos e 
escritórios interligados por uma rede de transportes. Nas áreas mais afastadas 
do centro foram projetados blocos menores para a alocação de trabalhadores de 
classes mais baixas (BOSTJAN, 2020).
FIGURA 7 – PROJETO DA VILLE RADIEUSE, PROJETO DE CIDADE DESENVOLVIDO 
POR LE CORBUSIER
FONTE: Bostjan (2020,s.p.)
26
 Planejamento Urbano
De uma maneira geral, Le Corbusier pôde resumir o seu estudo urbano em 
alguns princípios: modelo linear, edifi cações elevadas sobre pilotis e destaque 
para o centro da cidade. Pensou-se em uma cidade com alta densidade e um 
zoneamento bastante defi nido, como áreas destinadas estritamente a residências, 
hotéis, negócios, indústrias etc.
Segundo Le Corbusier (1933, s.p.), "A cidade de hoje é uma coisa morta, 
porque seu planejamento não é na proporção geométrica. O resultado de um lay-
out verdadeiramente geométrico é a repetição, o resultado da repetição é um 
padrão. A forma perfeita”.
Ao contrário dessa vertente que prezava por um desenvolvimento mais 
evolucionista, haviam urbanistas que procuravam focar no mais simples e 
resgatar as origens mais antigas, como a arquitetura da Idade Média, em que 
as construções não possuíam uma regularidade geométrica, mas defendendo 
a ideia de que cada edifi cação deveria ter as suas dimensões próprias, fora da 
padronização.
Enquanto o arquiteto e historiador Camilo Sitte (1843-1903) visualizava a 
cidade medieval sob o ponto de vista estético, com traçados viários irregulares, 
casas com alturas diferentes e praças enclausuradas, o urbanista Ebenezer 
Howard (1850-1928) considerava que o urbanismo ideal deveria ser a cidade-
jardim, uma espécie de “união” da cidade altamente densa com o campo. Segundo 
ele, os órgãos públicos e o lazer deveriam ser localizados na área central e as 
indústrias na zona periférica da cidade para facilitar o desenvolvimento produtivo. 
Além disso, a população seria planejada para 30.000 pessoas, sendo 2.000 
advindas do campo, o que justifi ca a ideia harmônica entre o homem e a natureza.
Já o urbanista Raymond Unwin (1863-1940) defendia a padronização de 
casas destinadas aos operários que possuísse custo baixo e que, ao mesmo 
tempo, garantisse as condições de salubridade. Aliado a isso, destacava a 
necessidade de desenvolver áreas verdes em grandes extensões junto às 
novas edifi cações. Para tanto, desenvolveu juntamente a Barry Parker (1867-
1947), o Projeto de Implantação de Letchworth (Figura 8), situada na Inglaterra. 
Embasados em uma topografi a plana, desenvolveram quarteirões com traçados 
orgânicos – se comparados com o Urbanista Progressista em que os quarteirões 
possuíam características de traçados mais retilíneos.
27
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
FIGURA 8 – PROJETO DE IMPLANTAÇÃO DE LETCHWORTH, 
DESENVOLVIDO PRO RAYMOND UNWIN E BARRY PARKER
FONTE: Zimmermann (2021, s.p.)
Independentemente da vertente de urbanismo aqui evidenciada, sendo 
progressista ou culturalista, tratavam-se de modelos “prontos” que visam construir 
uma cidade nova, sem considerar os reais problemas enfrentados pelas cidades 
reais. É como se ignorasse a cidade em que viviam para planejar uma nova área 
urbana. Será mesmo que isso resolveria todos os problemas?
Lembrando que essas proposições foram originadas após o período da 
revolução industrial, acometendo o crescimento exponencial das cidades e 
gerando problemas sanitários e de superlotação de pessoas. 
Além disso, esses planos se limitavam a um modelo que poderia ser 
replicado sem considerar as especifi cidades das cidades. Para Taylor (1988, p. 
14), “Os planos e as decisões de planejamento eram feitos geralmente baseadas 
na intuição ou, ao invés disso, baseadas em concepções estéticas simplistas da 
forma urbana [...]”.
Apesar dessas fragilidades, muitos modelos foram aplicados ao longo de 
várias localidades do mundo, inclusive no Brasil, em que abordaremos mais 
adiante.
28
 Planejamento Urbano
Recapitulando, vimos, até o momento, como aconteceu o início dos 
estudos de planejamento urbano. Vale lembrá-lo de que precisamos estudar os 
acontecimentos históricos para compreender o passado, mas, acima de tudo, abrir 
os nossos olhos para as decisões tomadas no nosso dia a dia e na idealização do 
futuro da cidade! 
Ressaltamos a você que é extremamente importante saber como tudo isso 
ocorreu e como a civilização humana se comporta nos dias de hoje em relação ao 
espaço urbano. Por isso, deixamos a seguir alguns questionamentos para a sua 
refl exão. Pensar a partir desses questionamentos é fundamental para seguirmos. 
Vamos lá?
• Será que o planejamento urbano em que vivemos atualmente é 
unicamente intuitivo ou leva em consideração critérios técnicos nas 
etapas de idealização e execução dos processos?
• A projeção e a distribuição de espaços abertos e fechados na cidade 
gera igualdade a todos os indivíduos? Devemos criar uma cidade “ideal” 
do “zero” ou analisar os problemas existentes e procurar resolvê-los 
pontualmente?
1) Sobre o Planejamento Urbano, assinale a resposta correta:
a) ( ) Trata-se de uma técnica oriunda do urbanismo que visa 
estudar unicamente as características sociais das cidades.
b) ( ) Trata-se da organização e do crescimento das cidades em 
um sentido mais amplo de caráter indisciplinar. Visa alcançar 
diferentes objetivos sob a perspectiva de várias áreas do 
conhecimento.
c) ( ) Estuda somente o traçado urbano das cidades, sem 
considerar outros atributos.
d) ( ) Por vezes é confundido com o urbanismo, mas ambos se 
voltam para a proposição de estratégias para a melhoria do 
espaço urbano.
e) ( ) Apenas as alternativas B e D estão corretas.
2) Iniciado na Inglaterra do século XVIII, a Revolução Industrial 
provocou o inchaço urbano, período de grandes transformações 
ocasionadas pelo surgimento da indústria e da aceleração da 
produção. Pode-se dizer que esse processo foi consequência 
do(a):
29
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
a) ( ) Abandono rural, em que os habitantes do campo migraram 
para a cidade em busca de empregos e de uma melhor qualidade 
de vida.
b) ( ) Urbanização planejada, em que os indivíduos buscavam 
migrar ordenadamente para as cidades.
c) ( ) Êxodo rural, em que os habitantes do campo migraram para 
a cidade em busca de empregos e de uma melhor qualidade de 
vida, o que gerou diversos problemas sociais.
d) ( ) Migração rururbana, em que poucos habitantes do campo 
migraram para a cidade em busca de melhor qualidade de vida.
e) ( ) Nenhuma das anteriores.
3) Os estudos propriamente ditos focados no planejamento urbano 
e na arquitetura passaram a ser discutidos no período do pós-
revolução industrial. A partir daí, surgiriam adeptos do Movimento 
Modernista. Sobre esse movimento, leia as asserções e assinale 
a alternativa correta:
I- O Modernismo voltou-se para a padronização das construções 
e a criação de padrões mínimos para se viver, resultando em 
cidades funcionalistas.
II- Defendia a manutenção das cidades, sem defi nir a separação 
das funções urbanas. 
III- Tratava-se de um movimento dotado de manifestações artísticas 
e culturais com ointuito de romper com o tradicionalismo vigente 
e propor novas soluções à cidade.
IV- Ao defender as funções urbanas (zoneamento), defi niam 
construções na área central sem levar em consideração o 
gabarito (altura) dos prédios.
V- A Carta do Habitar surgiu com o intuito de evidenciar a importância 
das relações com a família e a comunidade, contrariando 
aspectos estritamente funcionalistas e padronizadas da Carta de 
Atenas.
a) ( ) I e IV estão incorretas.
b) ( ) III e V estão corretas.
c) ( ) II e IV estão incorretas.
d) ( ) I, II e V estão corretas.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
30
 Planejamento Urbano
2.2 HISTÓRIA DO PLANEJAMENTO 
URBANO E REGIONAL NO BRASIL
Até o momento, verifi camos como as cidades foram sendo constituídas e 
as primeiras ideias de planejamento urbano sendo aplicadas. Após terem sido 
originadas na Inglaterra do século XVIII, iremos estudar o surgimento desses 
conceitos no Brasil. Vamos lá?
Posterior ao avanço das discussões sobre o planejamento urbano do 
continente europeu para outras localidades do mundo, o Brasil também passou a 
incorporar ideias relativas à organização territorial.
E para essa compreensão, debateremos acerca da visão de dois autores 
que contribuíram e contribuem signifi cativamente para a compreensão histórica 
dos estudos urbanos no Brasil: os arquitetos e urbanistas prof. Dr. Flávio Villaça 
e a prof. Dra. Maria Cristina da Silva Leme. Ambos trazem elementos muito 
enriquecedores para o entendimento desse processo! Você está preparado?
Esses conceitos sobre o Planejamento Urbano no Brasil que 
estão sendo discorridos advêm do livro O processo de urbanização 
no Brasil, de Sueli Ramos Schiffer, e do livro A formação do 
pensamento urbanístico no Brasil: 1895-1965, de Maria Cristina da 
Silva Leme. Vale a pena a leitura dessas obras para complementar o 
seu entendimento sobre este tema!
Inicialmente, vamos tratar do planejamento urbano brasileiro na visão do prof. 
Dr. Flávio Villaça. O arquiteto, que desenvolveu muitos trabalhos nessa temática, 
analisou planos realizados entre os anos de 1875 e 1992 no país, criando algumas 
defi nições para facilitar o entendimento de cinco diferentes vertentes encontradas 
(VILLAÇA, 1999):
31
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
PLANEJAMENTO URBANO LATO 
SENSU Discursos aliados às práticas.
PLANEJAMENTO URBANO 
STRICTO SENSU
Planos diretores que, muitas vezes, fi caram 
no discurso.
ZONEAMENTO
Instrumento do planejamento urbano que 
regula o uso e a ocupação do solo ur-
bano.
PLANEJAMENTO DAS CIDADES 
NOVAS
Cidades criadas a partir de planos de em-
belezamento, visando à monumentalidade.
URBANISMO SANITARISTA Implantação de planos de saneamento e espaços públicos verdes nas cidades.
QUADRO 5 – VERTENTES DO PLANEJAMENTO URBANO, POR FLÁVIO VILLAÇA
FONTE: Adaptado de Villaça (1999)
De uma forma resumida, o que autor quer dizer é que existem várias formas 
de encarar o planejamento urbano. Inclusive, faremos uma analogia para que 
você compreenda melhor. Quando decidimos realizar um curso de pós-graduação 
no Brasil, podemos optar por duas modalidades: a pós-graduação stricto sensu e 
a lato sensu. Você sabe a diferença de cada uma delas?
A primeira, stricto sensu, refere-se a cursos de mestrado e doutorado, em 
uma abrangência mais teórica, enquanto a tipologia lato-sensu remete aos cursos 
de especialização, mais práticos e com conceitos que podem ser aplicados no dia 
a dia da profi ssão. Conseguiu entender a diferença? Enquanto um campo é mais 
teórico, o outro é mais prático!
Da mesma forma, o que Villaça (1999) chama de Planejamento Urbano 
Stricto Sensu refere-se à organização de diretrizes para o desenvolvimento 
de uma cidade, como é o caso do Plano Diretor. Segundo ele, trata-se de um 
planejamento que muitas vezes não é seguido e aplicado, fi cando apenas no 
papel. Por outro lado, o que é defi nido como Planejamento Urbano Lato Sensu 
remete ao ato de aplicar os estudos e diretrizes previamente realizadas. 
Outra vertente citada pelo autor e que complementa o Plano Diretor de uma 
cidade foi o Zoneamento. Trata-se de um instrumento do planejamento urbano 
e que visa defi nir, a partir de critérios, a ordenação e o controle do uso do solo 
urbano. É essa ferramenta que defi ne qual a localidade da cidade poderá ter uma 
maior área construída, quais os limites de altura poderão construir etc. (BRASIL, 
2001).
Já o planejamento de cidades novas remete à preocupação com o 
embelezamento das cidades, ideia muito próxima das cidades que não 
consideravam a funcionalidade como sendo o aspecto mais importante. Por fi m, 
32
 Planejamento Urbano
trata do Urbanismo Sanitarista, praticamente instinto na década de 1930, e que 
sustentou a ideia de inclusão de planos de saneamento e áreas verdes, parques 
e praças a fi m de garantir locais arejados para a garantia da qualidade de vida 
da população a partir das técnicas do Engenheiro Sanitarista Saturnino de Brito 
(VILLAÇA, 1999).
Conseguiu compreender essas diferenças? Mais adiante, ainda neste livro, 
relacionaremos estes conceitos a casos reais para que fi que ainda mais claro 
para você! 
Mas agora, iremos abordar cada passo dado em prol do planejamento urbano 
no Brasil, segundo a prof. Dra. Maria Cristina da Silva Leme e embasamentos de 
Villaça (1999). Para que fi que mais claro e objetivo para você, apresentaremos 
uma síntese que resume essas fases e o seu período de duração:
QUADRO 6 – FASES DO PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL
FONTE: Adaptado de Leme (1999)
• 1ª FASE: Planos de embelezamento (1875-1930)
Essa fase foi totalmente proveniente dos planos europeus, em que se tinha 
como foco o alargamento de vias, a retirada de pessoas de baixa renda dos 
centros das cidades, o desenvolvimento de uma infraestrutura e o embelezamento 
de áreas verdes, como praças e parques. Era um plano voltado à reorganização 
de áreas muito pontuais sem abranger toda a cidade.
Preocupava-se com a estética da área central, deixando-a mais 
contemplativa. Além disso, os cortiços eram enxergados como problemas 
da cidade e que precisavam ser exterminados, o que era caracterizado 
como uma “limpeza” do espaço urbano central. Inclusive, foi nesse período 
que o Engenheiro Sanitarista Saturnino de Brito desenvolveu planos de saneamento 
e o fomento às áreas verdes nas cidades (LEME 1999; VILLAÇA, 1999).
Um desses exemplos pode ser visualizado na Figura 9. Trata-se do Plano 
Pereira Passos para o município do Rio de Janeiro. Era necessário prezar pela 
“higienização” do centro da cidade (a) para que o local pudesse ser revitalizado e 
prol do tão somente embelezamento (b). 
Preocupava-se com 
a estética da área 
central, deixando-a 
mais contemplativa.
33
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
FIGURA 9 – COMPARATIVO ENTRE O PROCESSO DE LIMPEZA 
URBANA (A) E A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO DA CIDADE (B)
FONTE: Adaptado de Barbosa (2011)
• 2ª FASE: Planos de conjunto (1930-1965)
Ao contrário da 1ª fase, esta foi embasada em um planejamento voltado a 
todos os bairros que compunham o território da cidade. A partir desse momento 
na história do Brasil, a ideia de embelezamento foi sendo complementada com a 
funcionalidade. Isso porque os arruamentos passam a ser pensados para o trajeto 
dos carros. Além disso, essa fase também passou a incorporar os zoneamentos a 
partir do controle do uso do solo (LEME, 1999).
Resultante de um amplo diagnóstico, o Plano de Alfred Agache foi 
desenvolvido para a cidade do Rio de Janeiro com o discurso de implementação 
de diretrizes científi cas e técnicas.
FIGURA 10 – PLANO DE ALFRED AGACHE, PARA A CIDADE DO RIO DE JANEIRO
FONTE: Leme (1999, p. 363)
34
 Planejamento Urbano
• 3ª FASE: Planos de desenvolvimento integrado (1965-1971)
Nestes planos, passaram a ser considerados os aspectos sociais e 
econômicos em conjunto com as características territoriais da cidade. Para Villaça(1999), esta fase visou identifi car os inúmeros problemas que precisavam ser 
resolvidos na cidade, resultando em uma grande complexidade de informações e 
ações para serem idealizadas e executadas. No entanto, o fato desses problemas 
muitas vezes não serem a prioridade das classes dominantes da cidade, muitos 
dos objetivos traçados não eram realizados por impedimentos de toda a natureza.
Um dos exemplos que pode ser mencionado e que foi originado nessa fase 
foi o Plano Doxiadis, o qual envolveu inúmeras diretrizes adaptadas às diferentes 
realizadas da cidade do Rio de Janeiro.
FIGURA 11 – PLANO DOXIADIS, PARA A CIDADE DO RIO DE JANEIRO
FONTE: Leme (1999, p. 359)
• 4ª FASE: Planos sem mapas (1971-1992)
Tratavam a cidade a partir de diretrizes genéricas, sem evidenciar as 
diferenciações do espaço urbano de uma maneira pontual e integrada. Eram 
conhecidos como planos sem mapas, pois não eram regidos por diagnósticos e 
projetos urbanos, o que resultava na “maquiagem” dos problemas urbanos que 
continuaram existindo e até aumentando.
35
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Pois bem! Como foi visto até o momento, as fases aqui discriminadas 
apresentam um panorama de como as cidades eram pensadas ao longo do último 
século.
Você deve ter notado que foram várias as alterações de entendimento, as 
proposições de cada época. Enquanto num primeiro momento se ignorava a 
funcionalidade da cidade, a evolução desses pensamentos fez incorporá-la nas 
decisões da cidade com o intuito de diagnosticar os problemas urbanos e procurar 
resolvê-los.
Independentemente de construir a cidade a partir de nomenclaturas – Lato 
Sensu, Stricto Sensu ou Zoneamento – é preciso destacar aqui que a cidade 
infelizmente se deteve à sustentação de interesses das classes mais abastadas, 
ao encarar a zona urbana como uma possibilidade de enriquecimento. E essa 
visão, sustentada tanto por Villaça (1999) quanto por Leme (1999), referente aos 
instrumentos da cidade evidenciados nos parágrafos interiores, reforçam a ideia 
de um desenvolvimento urbano unilateral, em que há um direcionamento para a 
distinção de pessoas mais ricas em áreas centrais em detrimento de proletariado, 
moradores de locais adjacentes ao centro. Acusa-se, portanto, uma distinção de 
cunho social no território maquiada de leis e diretrizes urbanas.
É importante que você compreenda que as decisões urbanas (espaciais) 
estão diretamente relacionadas aos contextos social e econômico de toda a 
população. Os textos anteriores nos mostraram que é necessário lançar um olhar 
cada vez mais integrado sobre o território!
Uma das formas que existem no Brasil em prol do desenvolvimento das 
cidades são dispositivos legais que serão vistos na 5ª fase do planejamento 
urbano no Brasil e que perdura nos dias de hoje. Vamos nessa? 
• 5ª FASE: Constituição de 1988 e Estatuto da Cidade
Aliado ao processo de redemocratização do Brasil – ocorrido a partir da 
Constituição de 1988 – o planejamento urbano passou a ser compreendido 
como um processo político e com participação social. Esta lei, que rege sobre 
o atual modelo político do país, reconhece os Planos Diretores como o principal 
instrumento de planejamento. 
O Plano Diretor é o principal instrumento de planejamento de uma 
cidade. Criado em 2011, o Estatuto da Cidade estabeleceu o “direito à 
cidade sustentável” a partir de princípios e diretrizes que deveriam ser 
adotados nos Planos Diretores e seguidos por cidades que possuam o 
mínimo de 20 mil habitantes (VILLAÇA, 1999).
O Plano Diretor é o 
principal instrumento 
de planejamento de 
uma cidade.
36
 Planejamento Urbano
A 5ª fase do planejamento urbano brasileiro trata-se, portanto, do período que 
estamos vivendo, sem data de término: o chamado urbanismo contemporâneo! 
Mesmo assim, ainda temos muito que percorrer!
Apesar de estarmos alicerçados em defi nições e diretrizes por esses 
dispositivos legais que visam impulsionar o desenvolvimento das cidades, 
precisamos continuar pensando a cidade sob o ponto de vista sustentável! 
E é por isso que estamos aqui estudando sobre o planejamento urbano, para 
que consigamos estabelecer estratégias que resultem na efetiva melhoria da 
qualidade de vida das cidades e, sobretudo, da população que nela vive!
Apesar de esses instrumentos existirem, é preciso que eles sejam 
constantemente revisados a ponto de responderem às expectativas e 
atendimentos locais de cada município. Dentre as questões a serem analisadas 
está o funcionamento da mobilidade urbana, da habitação, de diferentes setores 
e serviços municipais etc.
É importante saber que o Plano Diretor não se trata unicamente de um modelo 
reaplicado em diferentes locais do Brasil. Ele deve ser único, contemplando 
as reais necessidades da população local, por isso deve passar por períodos 
periódicos de revisão.
Vale lembrar aqui, que mesmo com essas normativas, muitos indivíduos 
não as seguem ou procuram burlá-las a fi m de suprir os próprios interesses. Por 
isso, devemos pensar sobre como ocorre um desenvolvimento urbano na nossa 
cidade.
Agora que vimos de uma forma mais prática como as técnicas do 
planejamento urbano se sobressaem sobre as cidades, deixaremos algumas 
questões para que você refl ita.
• O que vem sendo produzido no espaço urbano atual vai de 
encontro com as normativas instauradas no município?
• O Estatuto da Cidade está sendo considerado um instrumento 
de planejamento urbano Stricto Sensu (fi ca no campo da teoria e 
não se aplica) ou Lato Sensu (se aplica)?
37
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Para fi nalizar, deixamos a você uma outra questão para refl exão e que 
também é uma provocação da prof. Dra. Maria Cristina da Silva Leme: enquanto 
profi ssionais e cidadãos que somos, como podemos fazer para que os planos 
sejam efetivamente cumpridos e que garantam uma melhor equidade na 
ocupação do solo urbano? 
1) Relacione as lacunas a seguir:
(a) Estatuto da Cidade
(b) Planejamento Urbano Stricto Sensu
(c) Planos de embelezamento
(d) Zoneamento
( ) Instrumento que determina a utilização do solo urbano.
( ) Diretrizes para o desenvolvimento de uma cidade: o Plano Diretor.
( ) Estabelece o direito à cidade sustentável.
( ) Processo de limpeza urbana que visou à revitalização do centro 
da cidade.
2) Qual a fase do Planejamento Urbano no Brasil passou a envolver 
a participação social na tomada de decisões? E qual a fase que 
mais se contrapôs a esse princípio? Por quê?
3) Em qual fase eram desenvolvidos planos regidos por diagnósticos 
e projetos urbanos que maquiavam os problemas urbanos ao 
invés de resolvê-los?
a) ( ) 1ª fase: Planos de embelezamento (1875-1930).
b) ( ) 2ª fase: Planos de conjunto (1930-1965).
c) ( ) 3ª fase: Planos de desenvolvimento integrado (1965-1971).
d) ( ) 4ª fase: Planos sem mapas (1971-1992).
e) ( ) 5ª fase: Constituição de 1988 e Estatuto da Cidade.
38
 Planejamento Urbano
2.3 O PLANEJAMENTO COMO 
MECANISMO DE INTERVENÇÃO NO 
ESPAÇO URBANO
Após todo esse apanhado histórico que lhe foi apresentado, você está 
conseguindo perceber a relação das decisões tomadas pelo homem com a 
produção do espaço urbano?
O principal deles foi o crescimento urbano desenfreado no período da 
revolução industrial. Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual, até hoje, 
discutimos as formas de solucionar os problemas das cidades.
Agora que você teve uma fundamentação mais ampla de como funcionou 
e ainda funciona o universo do planejamento urbano, vale a pena relembrar e 
reforçar alguns conceitos tratados na primeira parte deste capítulo.
Você lembra quando falamos sobre o signifi cado do termo “urbano” como 
sendo aquilo que “pertence à cidade”? E que resume todas as características 
físicas (como edifi cações, perfi l viário, redes e serviços) que se relacionam 
diariamente a nossa vida cotidiana?
Pois bem, talvez agora fi que ainda mais claro para você que o urbanismose trata do estudo da relação entre a sociedade e os espaços construídos e não 
construídos, no que se refere a sua ocupação, organização e intervenção. Dentro 
dele está o planejamento urbano, técnica responsável por encontrar soluções 
práticas para os problemas da cidade. Portanto, o Urbanismo se resume ao 
estudo da cidade, tendo como técnica o planejamento urbano que visa solucionar 
os problemas urbanos.
Essa forma de encarar o processo de urbanização passou a fi car evidente 
a partir da metade do século XX, com a regulamentação e a ordenação do 
crescimento populacional. As cidades passaram a ser vistas não somente como 
locais dotados de ruas e quarteirões, mas sim como um sistema complexo que 
envolve questões econômicas, sociais e ambientais que se interligam no desenho 
urbano. E a forma de resolver todas essas questões emerge da proposição de 
melhorias urbanas resultantes de um planejamento consistente.
39
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Para que isso ocorra de uma maneira efetiva é necessário que 
exista uma gestão integrada da cidade para o alcance de um espaço 
urbano de qualidade (NOVAES, 2021). É necessário que exista uma 
gestão integrada da cidade para o alcance de um espaço urbano de 
qualidade.
Para ilustrar essa ideia, traremos o exemplo do município 
de São Paulo. Por meio da Figura 12 é possível notar a expansão urbana da 
cidade paulista no hiato de 100 anos: entre 1881 e 1983 a partir de um estudo 
desenvolvido por Grostein (1987).
É necessário que 
exista uma gestão 
integrada da cidade 
para o alcance de 
um espaço urbano 
de qualidade.
FIGURA 12 – EXPANSÃO URBANA DO MUNICÍPIO DE 
SÃO PAULO EM UM PERÍODO DE 100 ANOS
FONTE: Grostein (1987)
Esse crescimento, fortalecido pela industrialização da década de 1930, 
acelerou o processo de urbanização e, junto à ampliação territorial de quadras e 
ruas, também gerou muitos problemas de cunho social, econômico e ambiental. 
Social, por impulsionar distinções no espaço urbano, excetuando as pessoas 
mais vulneráveis para as bordas da cidade e, assim, afastando os habitantes de 
uma infraestrutura de qualidade e do acesso a serviços básico, processo que se 
denomina segregação socioespacial. Econômico, por defi nir um custo ao uso do 
solo, garantir a infraestrutura básica para o desenvolvimento dos mais diferentes 
serviços, determinar a localização espacial das áreas residenciais, comerciais 
e industriais, a fi m de gerar riqueza ao município. Ambiental, por intervir no 
ambiente natural muitas vezes reduzindo a quantidade de áreas verdes na cidade 
e prejudicando a sustentabilidade ambiental (NOVAES, 2021).
40
 Planejamento Urbano
E cada uma dessas defi nições, apesar de possuírem seus próprios 
conceitos, precisam andar integradas para que a estrutura da cidade responda 
positivamente aos interesses da população.
No livro intitulado Brasil, cidades: alternativas para a crise 
urbana, Ermínia Maricato discute sobre as práticas urbanísticas 
e as prioridades estabelecidas no espaço urbano que geram a 
diferenciação do uso do solo e, por consequência, a segregação 
socioespacial.
Não basta planejar habitações populares em áreas muito distantes do 
centro da cidade para justifi car a resolução do défi cit (defi ciência) habitacional 
brasileiro que existe (problema social), se essa população fi cará distante dos 
principais serviços da cidade como saúde, habitação e segurança. Isto é: não 
adianta resolver um problema na mesma medida em que se criam outros. Da 
mesma forma que a falta de assistência à população de baixa renda tende a 
desencadear problemas urbanos, como a produção de lixo urbano e descarte em 
locais impróprios, gerando impactos à própria saúde devido à morada em locais 
insalubres e impactos ambientais.
Um fato bastante calamitoso que iniciou no ano de 2019 e se intensifi cou 
substancialmente no Brasil no início de 2020 foi a Pandemia do Novocoronavírus 
(COVID-19). A desigualdade social que já era bastante clara no país se intensifi cou 
ainda mais. A falta de infraestrutura, somada à necessidade de cuidados 
higiênicos para evitar a proliferação do vírus, exacerbou ainda mais os problemas 
que vêm sendo enfrentado há muito tempo pelas cidades brasileiras. Além disso, 
fi cou muito evidente o embate entre o setor econômico e as questões social e 
ambiental, gerando diferentes interpretações sobre o momento atípico em que se 
vivia:
“Precisamos fechar tudo para evitar a proliferação desse vírus!”
“Mas a falta de trabalho mata mais que o vírus, precisamos manter tudo 
aberto!”
“Eu moro em um casebre com esgoto a céu aberto, não possuo banheiro e 
resido com várias pessoas em um único cômodo. Como querem que eu cuide da 
minha saúde se não possuo o mínimo para se viver?”
41
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Talvez essas perguntas e afi rmações justifi quem a necessidade de uma 
gestão integrada do território urbano. Não basta ajeitar um lado se o outro 
continuará torto.
Para isso, existe a necessidade de se pensar no desenvolvimento sustentável 
da cidade. Isso signifi ca que é preciso conciliar o desenvolvimento ambiental, 
econômico e social. Esse entendimento já existe desde 1987, quando teve a sua 
aceitação pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento:
[…] desenvolvimento sustentável é um processo de 
transformação no qual a exploração dos recursos, a direção 
dos investimentos, a orientação do desenvolvimento 
tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e 
reforça o potencial presente e futuro, a fi m de atender 
às necessidades e aspirações futuras […] é aquele que 
atende às necessidades do presente sem comprometer a 
possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas 
próprias necessidades (CMMD, 1988, p. 46, grifo do autor).
O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do 
presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as 
suas próprias necessidades (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E 
DESENVOLVIMENTO, 1988, p. 46).
A Figura 13 apresenta essa correlação de uma forma bastante clara:
FIGURA 13 – RELAÇÃO ENTRE AS TRÊS ESFERAS 
DA SUSTENTABILIDADE: ECONÔMICO, 
SOCIAL E AMBIENTAL
FONTE: Adaptado de Carvalho (2021)
42
 Planejamento Urbano
A inter-relação desses conceitos já demonstra que a sustentabilidade não se 
resume apenas a questões ambientais, correto? Vamos imaginar um exemplo: 
a gestão urbana de uma cidade decide fomentar o setor industrial na cidade a 
fi m de desenvolver o setor econômico, gerando emprego e renda à população 
(esfera social). Após a análise territorial do município é decidido que essa área 
será alocada em locais afastados das áreas residenciais, nas bordas do município 
(zona que deve ser defi nida e ofi cializada no Zoneamento do Plano Diretor do 
município).
A pergunta é: para garantir que o tripé da sustentabilidade se concretize, 
basta que a empresa se instale naquela zona e desenvolva o seu negócio local? 
A resposta é: não! Para que haja uma integração completa desse sistema é 
preciso considerar a questão ambiental. Mas como? Elaborando um Estudo de 
Impacto Ambiental (EIA). A depender da empresa a se instalar naquele local é 
preciso observar quais impactos ela poderá gerar ao ambiente (poluição do ar, 
alteração da fauna e da fl ora, geração de resíduos etc.) e comprovar de que forma 
o empreendimento irá controlar os impactos gerados ao meio ambiente.
Conseguiu entender como funciona essa integração? Perceba que para 
justifi car o exemplo anterior, precisamos trazer à tona umas das ferramentas do 
planejamento urbano, o EIA. Saiba que trataremos mais a fundo dessas práticas 
nos próximos capítulos.
Antes de ir para o próximo exemplo, queremos lhe mostrar que, ao longo dos 
últimos anos, esse tripé sofreu uma alteração bastante signifi cativa. A partir de 
agora, é necessário que a dimensão cultural seja associada à social, econômica e 
ambientalde forma igualitária. Vejamos:
43
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
FIGURA 14 – RELAÇÃO ENTRE AS QUATRO ESFERAS DA SUSTENTABILIDADE: 
ECONÔMICO, SOCIAL, AMBIENTAL E CULTURAL
FONTE: Adaptado de Carvalho (2021)
A inclusão dessa nova dimensão vai de encontro ao entendimento de que 
não há um “modelo” ou uma “receita de bolo” para ser seguida. O planejamento 
ideal para a cidade de Salvador/BA provavelmente não será ideal para Fortaleza/
CE, mesmo que as duas cidades possuam praticamente a mesma quantidade 
populacional e estarem localizadas no Nordeste (segundo dados do IBGE, 2010). 
Ou então afi rmar que o planejamento urbano de uma determinada cidade pode 
ser reaplicado e outra devido às mesmas dimensões territoriais.
Esses dois exemplos não fazem sentido. Sabe por quê? É preciso levar em 
conta o desenvolvimento local no que diz respeito às questões social, econômica, 
ambiental e também cultural. É preciso estar ciente de que não existem modelos. 
Deve-se analisar a realidade local de cada cidade para que sejam tomadas as 
decisões que respondam às necessidades da população. E a questão cultural faz 
muita diferença nesse processo.
Traremos algumas questões aqui de exemplos que você já leu neste capítulo. 
Vamos ver se você vai lembrar:
44
 Planejamento Urbano
• Os arquitetos e urbanistas modernistas levavam em consideração 
os aspectos culturais ao desenvolverem as chamadas “cidades 
ideais”?
• Na última edição dos Congressos Internacionais de Arquitetura 
Moderna (CIAM X), os arquitetos da nova geração da época 
ofereceram uma nova visão sobre a cidade, em contraponto ao 
urbanismo modernista que vinha sendo exercido. O que mudou? 
Vale deixar claro que, apesar desses conceitos de sustentabilidade 
terem surgido nos anos 1980, eles já poderiam estar implícitos nos projetos 
desenvolvidos da época.
Agora, sim, gostaríamos de lhe apresentar mais um exemplo para elucidar 
na prática como essas quatro dimensões se entrelaçam. Uma gestão municipal 
resolve requalifi car uma área urbana degradada e transformá-la em um parque 
urbano de referência. Decide desenvolver o projeto paisagístico preservando a 
vegetação existente e propondo funções urbanas, como espaços para caminhada, 
bancos, brinquedos infantis, lixeiras e áreas de contemplação. Após o período de 
obras, a prefeitura propõe a realização de uma entrega pública à comunidade. 
Nos primeiros meses, a população adere à solução proposta pelo município, mas 
após um ano de área requalifi cada, a frequência de visitantes diminui, o que gera 
o aumento da sensação de insegurança no local.
Na sua opinião, o que você acha que gerou esse afastamento de uma 
área aparentemente planejada, com uma infraestrutura toda nova e destinada à 
população local? Se você pensou que faltou a interação com a população, você 
ACERTOU!
Recuperar áreas degradadas é muito importante, pois desenvolve o 
quesito ambiental das dimensões sustentáveis. A questão econômica também é 
fortalecida, tendo em vista que a reestruturação do local ajudou na valorização 
imobiliária das residências do entorno, em um primeiro momento. Mas será que 
as questões social e cultural foram atendidas? 
O fato de o parque urbano estar aberto, disponível à população 24 horas por 
dia, parte do pressuposto que todos da cidade tenham acesso, correto? Sim e 
não. Vamos lá: se os moradores moram próximo, a chance de eles utilizarem esse 
parque é muito maior. Mas se as pessoas que moram longe (como geralmente 
45
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
é o caso da população de baixa renda) e que dependem do transporte público 
ou outros meios para se deslocar até esse parque, será que ele será utilizado 
com uma maior frequência por elas? Uma solução para isso seria qualifi car áreas 
próximas a essas pessoas para que elas tenham um acesso mais facilitado. 
Mas para que isso ocorra, seria necessário realizar uma análise do entorno e, 
principalmente, ir em busca da aceitação da população local. E é nesse ponto 
que esbarramos no fator fundamental desse exemplo que trouxemos a você: a 
dimensão cultural. 
Será que a requalifi cação desse parque urbano levou em consideração a 
participação da população nas decisões? Foram realizadas entrevistas, aplicado 
questionários, realizando outros tipos de métodos para verifi car se aquelas 
soluções são realmente aquilo que a população precisa e quer? 
Seguindo nesse caso hipotético que trouxemos, o que faltou incluir no parque 
foram quadras de esporte para que a população utilizasse com maior frequência, 
tendo em vista que existe uma escola próxima e que não possui infraestrutura 
para a prática de esportes.
Resumo da história: faltou incluir a população no processo de desenvolvimento 
do parque urbano. A população não recebeu todas as dimensões que sustentam 
o desenvolvimento de uma cidade de forma completa. Talvez isso justifi que a 
não utilização duradoura do local, exceto nos primeiros meses quando tudo era 
novidade.
E em que isso tudo desencadeou? Em uma nova degradação do ambiente. 
Na dimensão econômica, a valorização dos empreendimentos do entorno não 
era mais tão atrativa como estava sendo no período em que o parque possuía 
uma grande procura. E a dimensão ambiental passou a perder força a partir do 
momento em que o local passou a ser descuidado pela prefeitura. Ou seja, tudo 
voltou a ser como era antes.
Como falamos, esse é um caso hipotético para que você observe como 
todas as dimensões andam interligadas. E é um compromisso integrado entre 
a gestão pública, a gestão privada, a participação da universidade por meio de 
pesquisadores e a população local. Esses quatro setores que se relacionam em 
prol de ambientes de inovação são chamados de Quádrupla Hélice.
46
 Planejamento Urbano
FIGURA 15 – ELEMENTOS ESTRUTURANTES DA QUÁDRUPLA HÉLICE
FONTE: Nicolas (2016, s.p.)
Portanto, vê-se que uma coisa está ligada à outra. E na complexidade em que 
vivemos, principalmente nas cidades grandes, torna-se cada vez mais necessário 
olhar para todas essas implicações quando se tenta resolver um problema.
E por falar em problema, eis o momento adequado para tratarmos das 
difi culdades que afl igem as cidades brasileiras:
• DIFICULDADES URBANAS
Como citado anteriormente, o défi cit habitacional é um deles. Resultante 
da falta de habitações de qualidade, muitos indivíduos residem em instalações 
precárias, sem o saneamento básico para viver com dignidade. Inclusive, esse 
problema está ligado a outro: as grandes distâncias que essas pessoas precisam 
percorrer para ter acesso aos serviços urbanos, consequência da retirada 
das pessoas do centro em direção às periferias, processo conhecido como 
gentrifi cação. E aqui fazemos uma referência aos planos de embelezamento das 
cidades (ocorridos no início do século XX no Brasil) e que tinha como 
objetivo revitalizar as áreas centrais e deixá-las bonitas, e destinando 
os moradores da classe baixa para as bordas da cidade.
Segundo Jan Van Weesep, a gentrifi cação se resume em uma 
“expressão espacial de uma profunda mudança social” (BATALLER, 
2012, p. 9).
Segundo Jan 
Van Weesep, a 
gentrifi cação se 
resume em uma 
“expressão espacial 
de uma profunda 
mudança social” 
(BATALLER, 2012, 
p. 9).
47
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
Outra difi culdade que é muito presente nas grandes cidades diz respeito 
ao trânsito e ao congestionamento, principalmente em horários de grande 
movimento. Falha bastante gritante tanto nos sistemas de mobilidade individual 
como na superlotação do transporte público.
Também é uma grande difi culdade a inexistência ou baixa qualidade de 
infraestrutura pública básica, como a iluminação, sistemas de drenagem, falta 
de pavimentação asfáltica, inexistência de tratamento de esgoto e de resíduos, 
dentre outros.
Tais problemas e limitações demonstram a necessidade de se PENSAR A 
CIDADE do ponto de vistaESTRATÉGICO. E quais as formas de fazer isso? 
Segundo Novaes (2021), dentre as soluções estão:
• Garantir o correto FUNCIONAMENTO dos serviços.
• Garantir a EFICIÊNCIA e a EFICÁCIA das infraestruturas públicas.
• Atendimento às NECESSIDADES dos CIDADÃOS (lembre-se da 
Quádrupla Hélice).
• PLANEJAMENTO e REGULAMENTAÇÃO do adensamento e 
crescimento das cidades.
• QUALIFICAÇÃO e REQUALIFICAÇÃO dos espaços urbanos.
Esses modos de resolução de problemáticas que atingem o espaço urbano 
está sendo muito pautado no uso de tecnologias como forma de acelerar os 
processos e garantir ainda mais qualidade de vida aos indivíduos. 
E é nesse contexto que surge o termo “cidades inteligentes” ou smart 
cities. Você já ouviu falar nesse termo? Se não, vamos às explicações. Muitos 
pesquisadores compreendem o conceito de cidades inteligentes como sendo uma 
visão estratégica para o futuro urbano (ANGELIDOU, 2012). Trata-se da utilização 
da tecnologia para impulsionar os avanços nos mais diversos setores de uma 
cidade. No entanto, este é um conceito que ainda não chegou a um consenso em 
comum.
Inclusive, as mais recentes defi nições dependem da ideia de que a cidade 
precisa ser inteligente, humana e sustentável, rompendo a unilateralidade do 
foco na tecnologia e envolvendo o indivíduo como o protagonista de um processo 
evolutivo de cidade.
A Figura 16 retrata a amplitude que abrange uma cidade inteligente, que 
envolve os vários setores da sociedade para pensarem acerca do espaço urbano. 
O Planejamento Urbano é a técnica essencial para determinar o avanço e/ou 
instauração de uma cidade inteligente e, acima de tudo, humana e sustentável.
48
 Planejamento Urbano
FIGURA 16 – RELAÇÃO DE ASPECTOS À CONSTRUÇÃO 
DAS CIDADES INTELIGENTES
HUMANAS E SUSTENTÁVEIS
FONTE: Novaes (2021, s.p.)
Vamos compreender quais outras aplicações práticas estão incorporadas 
à gestão urbana integrada? Fique ligado nos próximos capítulos. Mas antes, 
deixamos a você algumas questões para a refl exão.
• A cidade onde você mora está tomando alguma providência em 
relação aos problemas urbanos?
• Você acha que as cidades atuais estão levando em consideração 
os aspectos sociais, ambientais, econômicos e culturais de forma 
integrada para garantir uma cidade inteligente?
49
O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
1) Para alcançar uma gestão integrada de qualidade na cidade 
é preciso envolver as quatro esferas da sustentabilidade. 
Descreva quais são elas e a importância de cada uma para o 
desenvolvimento sustentável. 
2) Leia as afi rmações a seguir e marque V (para verdadeiro) e F 
(para falso):
a) ( ) O atendimento às necessidades dos cidadãos é uma das 
formas de se pensar a cidade sob o ponto de vista estratégico.
b) ( ) A qualifi cação e a requalifi cação dos espaços urbanos sem a 
participação popular gera maior agilidade e efi ciência no pós-uso 
desses espaços.
c) ( ) É necessário planejar e regulamentar o adensamento e o 
crescimento das cidades para que evite a inefi ciência dos serviços 
públicos e privados na cidade.
d) ( ) O processo conhecido como gentrifi cação é o mais correto 
para corrigir o défi cit habitacional das cidades brasileiras.
3) Em relação ao planejamento e aos mecanismos de intervenção no 
espaço urbano, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Quaisquer interferências no meio urbano precisa obter a 
aceitação da população local.
b) ( ) O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às 
necessidades do presente e compromete o atendimento às 
necessidades das gerações futuras.
c) ( ) De acordo com os últimos estudos, a cidade para ser 
considerada inteligente (tecnológica) também precisa considerar 
a inteligência humana e sustentável.
d) ( ) A dimensão cultural no processo de desenvolvimento é 
essencial, pois reforça que não existe modelos prontos: deve-se 
observar a realidade de cada cidade para que sejam tomadas as 
decisões apropriadas.
50
 Planejamento Urbano
3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Conforme observamos neste capítulo, as cidades mais antigas possuíam 
problemas muito parecidos com os que temos hoje. A única diferença é que os 
processos de urbanização se intensifi caram, tornando ainda mais emergente a 
necessidade de discussão em prol da busca de soluções concretas e efetivas.
Compreendemos que o Plano Diretor, apesar de ser um instrumento originado 
pela legislação brasileira, precisa ser instituído em municípios com o mínimo de 20 
mil habitantes e deve considerar as especifi cidades locais para a sua real efi cácia. 
E para que isso aconteça é imprescindível que haja um processo de gestão 
integrada no município que envolva o governo, as empresas, a universidade e, 
acima de tudo, a sociedade em geral para a tomada de decisões.
É nesse contexto de ecossistema que as esferas social, econômica, ambiental 
e cultural se relacionam, a fi m de resolver os problemas reais que a cidade 
enfrenta. Isso signifi ca que a mesma abordagem utilizada em São Paulo para 
melhorar a mobilidade urbana não será a mesma para o Rio de Janeiro, apesar 
de as duas serem grandes metrópoles. É necessário realizar o levantamento das 
necessidades locais e adequá-las aos instrumentos e ferramenta pertinentes para 
a melhoria das questões urbanas.
Com esses conhecimentos adquiridos e embasados em conceitos técnicos 
aqui dispostos, será possível elaborar as melhores estratégias urbanas no 
mercado de trabalho, a fi m de contribuir signifi cativamente para a construção de 
cidades mais inteligentes, humanas e sustentáveis.
No próximo capítulo, visualizaremos de uma maneira mais detalhada como os 
instrumentos do planejamento urbano funcionam para garantir o desenvolvimento 
das cidades.
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O PLANEJAMENTO URBANO E SUAS INTERFACES Capítulo 1 
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CAPÍTULO 2
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO 
URBANO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 discutir as estratégias atuais do Planejamento Urbano;
 exemplifi car as formas legais do exercício do planejamento nas cidades;
 analisar as dinâmicas das políticas públicas frente às necessidades urbanas 
atuais;
 aliar as propostas de planejamento urbano aos instrumentos legais vigentes.
54
 Planejamento Urbano
55
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Este capítulo tem o objetivo de levar até você as formas legais de aplicar 
o planejamento urbano nas mais diferentes cidades. Para isso, é necessário 
compreender a legislação federal e as leis criadas especifi camente para cada 
município.
Antes dessas compreensões, é muito importante que você perceba que a 
cidade está em constante mudança. O que for planejado para o dia de hoje, pode 
não ser mais o ideal no dia de amanhã. Isso se dá devido à alta velocidade da 
informação e do conhecimento, consequentes do processo de globalização.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das 
Nações Unidas (ONU) apontam para a urgência de melhorar as condições sociais, 
culturais, econômicas e ambientais da nossa sociedade. Enquanto que, até o ano 
de 2015, o foco principal era direcionado ao desenvolvimento econômico das 
cidades, hoje se fala muito no desenvolvimento sustentável a partir de uma visão 
integrada e equilibrada.
Mas o que isso tem a ver com o planejamento urbano? Absolutamente tudo! 
É cada vez mais necessário aliar as decisões projetuais nos setores da habitação, 
saneamento básico, resíduos sólidos e mobilidade urbana às reais necessidades 
da população e sempre visando reduzir ao máximo os impactos gerados pelas 
novas ações e propostas. Estes objetivos, acordados em nível mundial, fazem 
parte da Agenda 2030 que visa universalizar, integrar e “não deixar ninguém para 
trás” no desenvolvimento sustentável da sociedade.
Precisamos colocar em prática as legislações sob um olhar holístico, 
atualizando-as para as necessidades urbanas das mais diferentes localidades 
brasileiras. Veremos como isso pode ser aplicado nos instrumentos urbanos 
devidamente ancorados pela legislação federal: instrumentos de Indução do 
Desenvolvimento Urbano, de Regularização Fundiária, de Democratização da 
Gestão Urbana e de Financiamento da Política Urbana.
Todos eles foram criados a partir do Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001), Lei 
que estabelece as diretrizes da política urbana no Brasil. É a partir dele que saem 
planos diretores para fomentar o desenvolvimento das nossas cidades, visando 
atender às necessidades da população. 
Está preparado para desbravarmos todo esse conhecimento juntos? Lembre-
se sempre: A transformação só existirá se houver conhecimento!
56
 Planejamento Urbano
2 O PLANEJAMENTO URBANO E 
SUAS FERRAMENTAS
Muitos pensam que as cidades crescem de maneira descontrolada, sem o 
mínimo de regramento. No entanto, poucos sabem que existem regulamentações 
para diferentes casos que veremos na sequência. Mas antes, precisamos lembrar 
que a cidade por si só é muito complexa. E quando falamos em complexo não é 
no sentido “difícil” de ser, mas por ser um território delimitado que possui inúmeros 
sistemas trabalhando simultaneamente e interdependente.
2.1 PRODUÇÃO DO ESPAÇO, 
PLANEJAMENTO E POLÍTICAS 
PÚBLICAS
Já parou para pensar como funciona o nosso corpo? Se algum dos nossos 
membros ou órgãos declarar “independência”, um caos é instaurado e teremos 
problemas de saúde. Assim é a cidade: se o sistema de mobilidade urbana 
não estiver de acordo com as legislações vigentes e não responder às reais 
necessidades do lugar, é muito provável que problemas aconteçam.
Nos dias de hoje, em que a nova condição de mundo está voltada à grande 
velocidade das informações a partir da globalização, torna-se necessário nos 
adequarmos e pensarmos em como estabelecer novos paradigmas nessa 
condição sistêmica.
Essa necessidade está sendo fortemente evidenciada pelos 17 Objetivos 
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas 
(ONU). Trata-se de um plano de ação proposto para o mundo todo em prol da 
prosperidade e do fortalecimento da paz universal. Dentre os objetivos está o 
objetivo 11 – Cidades e comunidades sustentáveis, que tem tudo a ver com o 
que estamos estudando. Precisamos pensar na cidade do agora, mas também 
analisar e projetar meios sustentáveis para que não haja implicações para as 
próximas gerações.
57
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
Para que você possa verifi car detalhadamente todos esses 
objetivos, basta acessar o link: http://www.agenda2030.com.br/. 
Por conta desses entendimentos e ao contrário das consequências da 
Revolução Industrial, em que as visões eram (e ainda continuam sendo) 
mecanicistas, em um contexto de repetições, hoje o mundo exige novas formas 
de apropriação, como processos interativos e sustentáveis nas mais diferentes 
escalas. Em outras palavras, precisamos parar de reproduzir o que vem pronto, 
fugir de modelos estáticos, mas criar alternativas específi cas para determinadas 
situações.
Vamos dar um exemplo para que você consiga compreender essas ideias. 
O planejamento catalão para os Jogos Olímpicos de 1922, bastante promissor 
em Barcelona, foi cobiçado por diferentes cidades que sucederam às edições 
dos jogos. Intitulado “modelo Barcelona”, muitos queriam copiar as estratégias 
desenvolvidas naquela localidade, esquecendo que as culturas, a localização, as 
formas de apropriação são completamente diferentes. A cidade do Rio de Janeiro, 
por exemplo, foi uma das cidades-sede a “vender” essa ideia, mas que resultou 
em inúmeros problemas na cidade, como a remoção de moradores próximos 
às áreas de intervenções e a posterior subutilização das instalações olímpicas 
(BERTUZZI, 2020).
Voltamos a frisar que a cidade está sendo cada vez mais complexa, exigindo 
a todoo momento processos retroativos de causa e efeito por meio dos seus 
planejadores. O que planejarmos para hoje, pode não ser o ideal para o amanhã. 
É necessário que haja mecanismos que possibilitem a interatividade, a busca pelo 
entendimento de diferentes frentes, visões distintas para que sejam debatidas as 
melhores soluções de cidade.
O que fazíamos antigamente e o que ainda fazemos é focar em uma única 
resposta “certa” para os problemas. Ou então, uma única causa ou único culpado 
por determinada situação. Porém, hoje é necessário pensar de forma sistêmica 
e integrada, em que todos os envolvidos precisam opinar, participar, discutir, 
contrariar, convergir.
Quando existem debates públicos sobre as melhorias dos espaços livres 
públicos na cidade, os gestores municipais devem promover o debate com a 
população geral que usufrui desses espaços para o lazer e recreação, mas 
58
 Planejamento Urbano
também com os defensores do meio ambiente, com os comerciantes, taxistas etc. 
Pois essas áreas promovem a interação de todas essas pessoas que as utilizam 
para momentos de descanso, mas também para aqueles que precisam desses 
locais para o seu sustento.
Consegue compreender como a gestão integrada deve funcionar? E isso 
cabe aos planejadores de cidades pensarem soluções que viabilizem a inter-
relação de todos esses agentes.
Lembrando que não devemos buscar uma única solução para tudo, mas 
várias soluções que abarquem a diversidade que existe no território urbano.
Sugerimos que você assista a este vídeo. Ele não fala 
diretamente sobre a cidade, mas nos faz perceber sobre a importância 
de enxergarmos o mundo como algo sistêmico, imprevisível e 
instável. Esse vídeo fará você abrir a sua mente para uma visão 
de mundo ainda mais aberta e diversa: https://www.youtube.com/
watch?v=EdPS5LjT6Ts
E é nesse contexto de mudanças que daremos continuidade a este capítulo. 
Todo e qualquer pensamento, formas de pensar a cidade ou técnica aplicada ao 
espaço urbano tende a promover mudanças em todo o sistema, e isso se chama 
inovação.
E você sabe de que forma podemos fazer isso? Aliando a engrenagem urbana 
brasileira (legislação e instrumentos do desenvolvimento urbano) a um processo 
de governança local a partir de ecossistemas de inovação. A Figura 1 apresenta os 
regramentos existentes e que norteiam o desenvolvimento das cidades. Apesar de 
cada um possuir os seus objetivos próprios, eles fazem parte de um “todo”, que é 
a cidade. Como falamos anteriormente, as leis e os instrumentos de planejamento 
urbano são interdependentes, sendo que um precisa do outro para a manutenção 
de uma cidade! Lembre-se sempre da gestão integrada. Ah! E fi que tranquilo, pois 
iremos abordar cada um destes planos e leis neste capítulo. Está preparado?
59
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
FIGURA 1 – LEGISLAÇÕES E INSTRUMENTOS DO 
PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL
FONTE: WRI Brasil (2018, s.p.)
Você notou que as preocupações com o planejamento urbano se 
intensifi caram a partir da Constituição Federal de 1988? E isso não aconteceu por 
acaso.
No que tange a nossa área de estudo, a Constituição Federal de 1988 
estabeleceu o princípio da função social de propriedade, trazendo junto da 
sociedade brasileira o amparo à distribuição justa de benefícios no processo 
de urbanização. Essa legislação, que se constitui em um Estado democrático 
60
 Planejamento Urbano
de direito, é consequência da movimentação popular dotada de ideias comuns 
que visavam assegurar o bem-estar dos seus habitantes a partir da garantia de 
direitos que, dentre eles estão o direito à vida, à igualdade de oportunidades, à 
habitação, à propriedade como função social, dentre outros (BRASIL 1988).
Foi a partir dessa constituição que houve a promoção da descentralização 
da receita tributária para os governos estaduais e municipais, possibilitando com 
que os gestores locais pudessem promover melhorias com uma maior autonomia. 
Dessa forma, a gestão urbana poderia ser de mais fácil resolução, pois o problema 
era mais “próximo” e podia-se ter mais controle.
Foi a partir daí que surgiram outros regramentos, como o Estatuto da Cidade, 
em 2001. Essa lei visou normatizar mecanismos e procedimentos que visassem 
promover a ordenação e o controle do uso do solo urbano, a fi m de evitar decisões 
especulativas e gestões inadequadas do território (CIDADES SUSTENTÁVEIS, 
2021).
O planejamento e a implantação de instrumentos de política urbana são 
essenciais para a tomada de decisão. Se acompanhados de investimentos 
públicos, podem corrigir desigualdades no curto, médio e longo prazo.
Dois anos depois da promulgação do Estatuto da Cidade, foi criado o 
Ministério das Cidades (2003, s.p.), com o intuito de "Combater as desigualdades 
sociais, transformando as cidades em espaços mais humanizados, ampliando o 
acesso da população à moradia, ao saneamento e ao transporte”. Tal criação foi 
estabelecida a partir de forte demanda de movimentos sociais voltados à reforma 
urbana (REIS, 2010). 
Dentre as competências do Ministério das Cidades incluía a política de 
desenvolvimento urbano, as políticas de habitação, saneamento ambiental, 
trânsito e transporte urbano, a partir da interlocução com diferentes esferas do 
governo, setor privado e organizações (DADOS, 2021). Ou seja: esse ministério 
fazia a interlocução entre as cidades e o governo federal, promovia um elo para 
onde os problemas estavam, em nível local.
Essa preocupação coma visão de descentralização – ainda que focada na 
receita tributária a partir da Constituição de 1988 – passou a ser incorporada nas 
cidades, mas que ainda precisa percorrer muito caminho. Vale lembrar que a 
sustentabilidade das cidades só ocorre se partirmos para uma gestão integrada 
efetiva que compreenda setores públicos, privados, instituições e a população.
61
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
Para dar andamento aos avanços das políticas públicas das últimas duas 
décadas, foi criada em 2005, a Lei de Habitação, a qual criou o Sistema Nacional 
de Habitação de Interesse Social, o Fundo Nacional de Habitação de Interesse 
Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do FNHIS (BRASIL, 2005). Essa lei visou 
implementar políticas públicas que promovessem moradia digna à população de 
baixa renda, como forma de reduzir o défi cit habitacional existente no país.
A expressão “défi cit habitacional” se refere à falta de habitações 
(em dados numéricos) de uma determinada região.
A partir daí foi estabelecida a união de diferentes sujeitos integrantes do 
Ministério das Cidades, do Conselho Gestor, da Caixa Econômica Federal (CEF) 
e demais membros da comunidade civil a partir da representação de instituições, 
associações, sindicatos etc. A interlocução desse ecossistema possibilitou discutir 
sobre as políticas públicas da habitação de interesse social, muito problematizada 
no passado quando o sistema promovia habitações de má qualidade, haviam 
critérios bancários para a seleção dos usuários desses recursos, e também a 
centralização desses regramentos no âmbito federal (BRASIL, 2005).
Após a instauração dessa lei, dentre as inúmeras melhorias nesse setor, foi 
facilitada a aquisição/melhoria de unidades habitacionais nas áreas urbanas e 
rurais e a criação de equipamentos comunitários caracterizados como áreas de 
interesse social. E tudo isso deveria ser coordenado pelo Ministério das Cidades 
em conjunto com os demais agentes formadores do Conselho Gestor.
Vê-se, portanto, uma forma de promover o relacionamento com diferentes 
agentes da sociedade, sejam eles técnicos, sociedade civil ou entidades. É 
baseada nessa interlocução que devemos nortear as decisões de planejamento 
urbano. 
Mesmo com esses avanços em prol das cidades, esse foi o primeiro passo 
de muitos que ainda precisam ser dados. O fato de uma lei entrar em vigor não 
resolve os problemas que vivemos na sociedade. Ainda há muito a ser feito, 
principalmentequando verifi camos as estatísticas: Segundo a Fundação José 
Pinheiro (2021), o número registrado no Brasil, em 2019, chegou a 5,877 milhões 
de moradias faltantes no país. Trata-se, infelizmente, de uma situação bastante 
alarmante.
62
 Planejamento Urbano
FONTE: <http://www.arionaurocartuns.com.br/2017/07/charge-moradia.html>; < 
https://www.youtube.com/watch?v=Pk36PVrgIVM>. Acesso em: 28 abr. 2021.
FIGURA 2 – CHARGES ILUSTRATIVAS EM REFERÊNCIA 
AO DÉFICIT HABITACIONAL NO BRASIL
Você consegue visualizar situações parecidas com a fi gura 
anterior na sua cidade? Se sim, há uma predominância para essa 
caracterização nas bordas da cidade? Caso a resposta também seja 
positiva, essas são as consequências do processo de segregação 
socioespacial, que fortalece essa distinção no espaço urbano. Refl ita 
sobre isso e tente encontrar outras formas que intensifi cam essas 
desigualdades em seu município.
Visualizando isso, o que de fato é possível fazer para tentar reduzir essas 
distinções sociais? Uma das formas é promover debates sobre as condições 
atuais de acesso à terra. Devido aos custos de implantação – que em geral são 
mais altos em áreas centrais da cidade – há a promoção de uma locação de 
empreendimentos de baixa renda em áreas afastadas, difi cultando o acesso a 
serviços situados em grande parte no centro da cidade.
Além do valor da terra, o custo das habitações também é um problema. Uma 
das formas de reduzi-lo está na incorporação de novas tecnologias construtivas 
que permitam a padronização de processo e o aumento da produtividade, 
fazendo com que se torne menos oneroso o custo de construção. Vale dizer que 
a redução de custo deve estar diretamente condicionada à garantia da qualidade 
dos serviços, inclusive se adequando a critérios de efi ciência energética das 
edifi cações. É preciso cuidar para não cair no problema da reprodução em grande 
escala sem qualidade, pois poderão haver novos problemas no futuro.
63
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
FONTE: Adaptado de Chequi (2020)
QUADRO 1 – METAS PROJETADAS PELO MARCO LEGAL DO SANEAMENTO BÁSICO 
(LEI Nº 11.445/2020)
E muito relacionado à habitação está o saneamento, infraestrutura básica 
para a sustentação da qualidade de vida da população, um dos direitos básicos 
assegurados pela Constituição Federal. Trata-se da distribuição de água tratada, 
coleta e tratamento de esgoto, limpeza urbana, manejo apropriado de resíduos 
sólidos e a drenagem de águas da chuva.
Criada em 2007, a Lei nº 11.445 visou estabelecer diretrizes nacionais 
para o saneamento básico, a partir da criação de um Comitê Interministerial de 
Saneamento Básico (BRASIL, 2007). Recentemente, em 2020, a Lei nº 14.026 
atualizou o Marco Legal do Saneamento, apresentando mudanças sobre as 
políticas voltadas às áreas de coleta e reciclagem de resíduos sólidos e limpeza 
urbana, bem como o estabelecimento de novas metas para o acesso a esses 
serviços (BRASIL, 2020):
% em 2018 META para 2033
53,2% da população com acesso à 
coleta de esgoto
90% da população com acesso à co-
leta de esgoto até 31 de dezembro de 
2033
83,6% da população com acesso à 
água tratada
99% da população com acesso à água 
tratada até 31 de dezembro de 2033
E para levar o saneamento à grande parte da parcela da população, a nova lei 
estabelece a obrigatoriedade de licitação para a prestação desses serviços, o que 
não existia antes. Assim, com o fomento à competitividade, tende-se a estimular 
a efi ciência na prestação destes serviços fornecidos à população. Além disso, a 
criação de blocos regionais para a disseminação desses serviços terá o objetivo 
de integrar municípios de pequeno porte, garantindo a viabilidade técnica e, por 
consequência, melhorando a efi ciência dos serviços. O papel dos prestadores 
de serviços recai sobre a busca por soluções compartilhadas, como Políticas 
Público-Privadas (PPPs) a partir de critérios ainda mais claros e padronizados 
(CHEQUI, 2020).
Esse compartilhamento e interlocução entre as cidades pode ser 
compreendido como um sistema de cogestão, em que várias localidades 
interagem para promover melhorias no desenvolvimento local e regional.
Na construção de cidades sustentáveis que promovam diretrizes para o 
melhor funcionamento da zona urbana não poderia fi car de fora a preocupação 
com a gestão dos resíduos sólidos. Publicada em 2 de agosto de 2010, a Lei 
64
 Planejamento Urbano
nº 12.305 defi niu que todos os materiais utilizados nas mais diversas atividades 
humanas e que fosse descartado seria compreendido como resíduo sólido. Tal 
regramento incide sobre a necessidade de se gerir esses resíduos de forma 
integrada, transferindo responsabilidades aos geradores de resíduos e ao poder 
público, a fi m de evitar que houvessem danos ambientais e à saúde da própria 
população (BRASIL, 2010). 
Apesar dessa legislação já estar vigente no país há mais de 10 anos, muitas 
cidades brasileiras ainda não possuem uma infraestrutura adequada para a 
correta destinação desses resíduos. Para se ter uma ideia, a geração desses 
resíduos aumentou 19% entre os anos de 2010 e 2019.
FONTE: ABRELPE (2020, s.p.)
GRÁFICO 1 – RELAÇÃO ENTRE A GERAÇÃO, COLETA E A DISPOSIÇÃO 
INADEQUADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL
Como observado no gráfi co anterior, o quesito “geração” é o que mais destaca, 
se relacionado com o processo da coleta e do envio para locais inadequados. E é 
exatamente a redução da geração dos resíduos que precisamos evitar, segundo a 
Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS.
65
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
FONTE: Apoena Socioambiental (2020, s.p.)
FIGURA 3 – ORDEM DE PRIORIDADE SEGUNDO 
A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS 
SÓLIDOS (PNRS)
Antes de pensar em reduzir, reutilizar, reciclar ou tratar os resíduos é 
fundamental pensar nas mais diferentes formas de não gerá-los. Uma das maneiras 
de contribuir para isso é investindo na educação ambiental em práticas escolares, 
nas mais diversas formas de divulgação dessa temática, na fi scalização (do poder 
público e também a nossa), entre outros. Somente assim conseguiremos fazer a 
nossa parte e colaborar para a mudança dessa cultura que nos assola.
Para prosseguir com as principais legislações que regem sobre as nossas 
cidades está a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que defende o acesso 
da população à cidade a partir de sistemas integrados e sustentáveis (BRASIL, 
2012). Na prática, essa lei dá segurança jurídica para que os municípios possam 
priorizar transportes coletivos e não motorizados a fi m de reduzir o incentivo a 
veículos de uso individual. A Figura 4 sintetiza os anseios dessa legislação.
FONTE: Capacidades (2013, s.p.)
FIGURA 4 – OBJETIVOS CENTRAIS DA POLÍTICA 
NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA
66
 Planejamento Urbano
Sugerimos que você acesse o site “Capacidades”, que faz parte 
do Programa Nacional de Capacitação das Cidades, do Ministério do 
Desenvolvimento Regional. Basta você se cadastrar gratuitamente. 
Ele vai lhe ajudar a compreender, de forma bastante didática, as 
políticas públicas urbanas integradas no processo de promoção do 
Direito à Cidade e da inclusão social: http://www.capacidades.gov.br/. 
Metrópole se refere a uma cidade de altas complexidades 
de ordem econômica, sociocultural e política. Cunningham (2010) 
compreende a metrópole como sendo “um espaço híbrido, a 
metrópole produz novos espaços de autonomia que semeiam as 
sementes das novas relações sociais e novas formas de cooperação” 
(CUNNINGHAM, 2010, p. 17).
Verifi ca-se, portanto, que essa política de mobilidade urbana visa fortalecer 
o desenvolvimento social, ambiental, econômica e cultural da cidade, dimensões 
estas que já vimos no capítulo anterior. Ao mesmo tempo em que se propõe a 
redução da desigualdade (social), há também o fomento à utilização de sistemas de 
mobilidade não motorizados para a redução da emissão de poluentes (ambiental). 
Além disso,esses incentivos, que dependerão de uma mudança cultural de uma 
sociedade que subestima usos alternativos e sustentáveis, também poderão 
implicar positivamente na economia a partir da efi ciência e integração do sistema 
de transporte público.
Até o momento, vimos como a legislação se aplica às cidades a partir da 
particularidade que cada uma possui. No entanto, devido ao alto crescimento 
populacional das cidades, algumas se destacaram por se tornarem “centralidades” 
de grande potência e referência para uma determinada região e até para o país. E 
para essas cidades, damos o nome de Metrópole. 
67
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
São Paulo, por exemplo, é considerada uma metrópole por ser conhecida 
com o a capital fi nanceira do país em que o Brasil inteiro está interligado. Se 
realizarmos uma viagem de avião de Porto Alegre/RS para Campo Grande/MS 
precisaremos fazer uma parada em São Paulo para, só depois, seguir viagem 
para o destino fi nal. Assim, a cidade paulista detém alto poder de integração 
territorial do país. Consegue perceber a importância dessa cidade para todo o 
Brasil?
E é nesse contexto que surge o Estatuto da Metrópole, Lei nº 13.089 (BRASIL 
2015). Essa recente legislação teve como objetivo realizar direcionamentos a 
cidades que fazem parte de regiões metropolitanas, em que os limites de cada 
município não são evidentes após um crescimento urbano sobreposto, gerando o 
processo de conurbação.
FONTE: Polon (2014, s.p.)
FIGURA 5 – ESQUEMA REPRESENTATIVO DO PROCESSO DE CONURBAÇÃO
Devido a isso, o Estatuto da Metrópole defi niu critérios para a instauração 
de governanças interfederativas que possibilitasse a integração entre as 
cidades acerca de políticas públicas criadas em comum. Essa estrutura precisou 
incorporar órgãos colegiados, debates, audiências sobre as mais diversas 
funções públicas pertencentes à cidade, como: planejamento e uso do solo, 
transporte, habitação, saneamento, meio ambiente, desenvolvimento econômico, 
atendimento social, esporte e o lazer. E tudo isso deveria estar sintetizado em um 
Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) que englobasse diretrizes 
para o macrozoneamento, áreas restritivas à urbanização, dentre outros (BRASIL, 
2015; RIBEIRO, 2017).
Recentemente, foi defi nida a partir da Medida Provisória nº 818 (BRASIL, 
2018), que a conclusão desses planos integrados de áreas metropolitanas deverá 
ser fi nalizada até a data de 31 de dezembro de 2021. Esse adiamento faz com 
que os municípios tenham mais tempo para desenvolver todo esse planejamento. 
68
 Planejamento Urbano
Por outro lado, o fato de promover a extensão dos prazos pode contribuir para a 
negligência no desenvolvimento de soluções a serem tomadas em prol do bem 
comum.
Esses processos tendem a aumentar ainda mais a complexidade da cidade, 
tendo em vista que os sistemas irão abranger dimensões territoriais ainda 
maiores.
“A cidade existe quando as pessoas criam vínculos provisórios ou 
permanentes e quando o sentimento de pertencimento é inseparável das pessoas 
com elas mesmas e delas com a cidade” (FIAMENGUI et al., 2017, p. 1).
Em um nível ainda mais local, o desenvolvimento urbano é gerido a partir do 
Plano Diretor de uma cidade. Trata-se de uma lei municipal que visa ordenar o 
território municipal (urbano e rural), analisando e determinando o desenvolvimento 
de cada região da cidade a partir da regulamentação do solo. Segundo o Estatuto 
da Cidade (BRASIL, 2001), é exigida a implantação de Plano Diretor – dentre 
outras obrigatoriedades – em cidades com o mínimo de vinte mil habitantes e/
ou que integrem regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. Tal documento 
precisa conter a delimitação das atividades nas áreas urbanas a partir do 
parcelamento do solo, da funcionalidade das edifi cações e a sua utilização, e a 
sua revisão deve ser feita a cada dez anos (BRASIL, 2001).
O quadro a seguir sintetiza todas as etapas, funções e regras necessárias 
para a implementação do Plano Diretor:
Plano Diretor
Etapas Funções Regras
Identifi car a realidade e 
os problemas da cidade 
(junto à população)
Incentivar o cresci-
mento e o desen-
volvimento local
É obrigatória a criação do Plano 
Diretor a municípios com mais 
de 20.000 habitantes
Defi nir temas e objeti-
vos a serem trabalha-
dos
Garantir o atendi-
mento às necessi-
dades da população
É obrigatória a criação do Plano 
Diretor a municípios integrantes 
de regiões metropolitanas e 
aglomerações urbanas
Escrever a proposta de 
Plano Diretor
Garantir que a pro-
priedade urbana 
esteja vinculada às 
funções anteriores
É obrigatória a criação do Plano 
Diretor a municípios de áreas 
de interesse turístico
QUADRO 2 – OBRIGATORIEDADES PARA A IMPLANTAÇÃO 
DO PLANO DIRETOR NAS CIDADES
69
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
Enviar a proposta à 
Câmara Municipal para 
as discussões
Fazer cumprir a Lei 
do Estatuto da Ci-
dade (BRASIL, 2001)
É obrigatória a criação do Plano 
Diretor a municípios com em-
preendimentos de alto impacto 
ambiental
Estabelecer prazos e 
formas de aplicação do 
Plano Diretor
Realizar a revisão do 
Plano Diretor a cada 10 
anos
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
1) Leia as afi rmações a seguir e marque V (para verdadeiro) e F 
(para falso):
a) ( ) A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) defi ne como 
principal prioridade a redução da produção de resíduos sólidos 
nas cidades.
b) ( ) A Política Nacional de Mobilidade Urbana dá segurança 
jurídica para que os municípios possam priorizar transportes 
coletivos e não motorizados a fi m de reduzir o incentivo a veículos 
de uso individual.
c) ( ) As novas metas propostas pelo Marco Legal do Saneamento 
(Lei 11.445/2020) limitam-se ao acesso à coleta de esgoto para 
90% da população brasileira até o ano de 2033.
d) ( ) Uma das formas de melhorar o acesso à moradia no Brasil 
é reduzir o custo de acesso à terra e o custo de habitações, 
condicionado à garantia da qualidade dos serviços. 
2) Após o Estatuto da Cidade ser instituído, houve a criação 
do Ministério da Cidades, órgão responsável por combater 
as desigualdades sociais visando transformar as cidades 
em espaços mais humanizados nos setores de habitação, 
saneamento e transporte. Descreva quais as competências do 
Ministério e como funcionava na prática a relação entre o governo 
federal e os municípios.
3) Sobre o Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001), importante 
legislação para a formulação de políticas públicas urbanas, 
assinale a resposta correta:
70
 Planejamento Urbano
a) ( ) Os planos diretores englobam somente as áreas urbanas do 
município.
b) ( ) Apenas cidades com mais de 20 mil habitantes são obrigadas 
a criarem Planos Diretores.
c) ( ) Essa lei foi criada com o intuito de fortalecer a valorização 
imobiliária, principalmente nas grandes cidades.
d) ( ) Apenas a alternativa A está incorreta.
e) ( ) Nenhuma das anteriores.
2.2 INSTRUMENTOS LEGAIS DO 
PLANEJAMENTO URBANO
Pudemos verifi car as várias legislações que norteiam o ordenamento 
territorial do nosso país. Mas, como sabemos, para que a lei seja aplicada de 
maneira efetiva no espaço urbano é preciso conhecer os instrumentos técnicos 
que a defi nem. Tais instrumentos originam de tributos, zoneamento e parâmetros 
urbanísticos (SOUZA, 2003). Ainda assim, são classifi cados da seguinte forma: 
informativos, inibidores, estimuladores, coercitivos e outros.
Informativos Meios de divulgação de informações relevantes 
para os agentes modeladores.
Inibidores
Limitam a margem de manobra dos agentes modela-
dores do espaço urbano. Ex.: edifi cação compulsória, 
desapropriação.
Estimuladores Incentivos fi scais, vantagens fi nanceiras a investi-
dores para a atração de investimentos.
Coercitivos
Estabelecem proibições e limites legais, como os 
índices urbanísticos, proibições e determinações do 
uso do solo.
QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃODOS TIPOS DE INSTRUMENTOS URBANOS
FONTE: Adaptada de Sousa (2015) e Araújo (2011)
Para fazer jus a que é determinado em Lei, existem vários instrumentos que 
visam vincular as decisões legislativas à realidade da cidade:
71
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
QUADRO 5 – OBJETIVOS DA REGULAÇÃO DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
2.2.1 Instrumentos de Indução do Desenvolvimento Urbano
2.2.2 Instrumentos de Regularização Fundiária
2.2.3 Instrumentos de Democratização da Gestão Urbana
2.2.4 Instrumentos de Financiamento da Política Urbana
QUADRO 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS URBANOS
FONTE: O autor
Na sequência, estudaremos cada um desses instrumentos, a fi m de visualizar 
os diferentes mecanismos que infl uenciam diretamente na complexidade da 
cidade.
2.2.1 Instrumentos de Indução do 
Desenvolvimento Urbano
Instrumento Objetivos
Regulação do Uso e
Ocupação do Solo
• Pode destinar partes da cidade aos mais diferentes 
membros da sociedade.
• Tem o poder de gerar oportunidades e riquezas no 
espaço urbano.
• Pode promover ou combater a segregação socio-
espacial.
• Pode gerir sobre a propriedade urbana que precisa 
exercer a sua função social.
72
 Planejamento Urbano
Instrumento Objetivos
Macrozoneamento
• Estabelece diretrizes para as zonas delimitadas 
no espaço urbano. Ex.: zona urbana, zona rural, 
zona central, zonas periféricas etc.
• Trata-se do alicerce em que serão amparados to-
dos os outros instrumentos de regulação urbana.
• O macrozoneamento não é focalizado, ele se 
trata de uma subdivisão mais ampla da cidade, 
não interferindo diretamente nas normas de ocu-
pação dos lotes.
• É a partir desse instrumento que é estabelecido o 
direito de construir na cidade.
QUADRO 6 – OBJETIVOS DO MACROZONEAMENTO
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
QUADRO 7 – OBJETIVOS DAS ZONAS ESPECIAIS DE INTERESSE SOCIAL (ZEIS)
Instrumento Objetivos
Zonas Especiais 
de Interesse So-
cial (ZEIS)
• Áreas destinadas à moradia popular, com boa in-
fraestrutura, a partir do Plano Diretor da cidade (Habi-
tação de Interesse Social).
• A implantação de ZEIS serve para possibilitar a regu-
larização de áreas ocupadas, cortiços, loteamentos 
clandestinos.
73
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
QUADRO 9 – OBJETIVOS DO SOLO-CRIADO OU OUTORGA 
ONEROSA DO DIREITO DE CONSTRUIR
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Saboya (2008) e Oliveira (2012)
QUADRO 8 – OBJETIVOS DO DIREITO DE SUPERFÍCIE
Instrumento Objetivos
Direito de Superfície
• Possibilita a construção em um local por 
um determinado tempo, mesmo que não se 
tenha o direito à propriedade.
• Trata-se do pagamento pela utilização do
espaço aéreo ou do subsolo, como as redes 
de eletricidade, telefonia etc.
Instrumento Objetivos
Solo-criado ou Ou-
torga Onerosa do 
Direito de Construir
• Trata-se de tudo que é construído e que extrapola os 
limites do Plano Diretor. Quem construir a mais de-
verá pagar à prefeitura por isso.
• Distinção do que é direito de propriedade e direito de 
construir.
• Tem o intuito de combater a valorização imobiliária
gerada pelos investimentos públicos.
• Defi nição prévia do preço por metro quadrado (m²).
74
 Planejamento Urbano
Instrumento Objetivos
Operações Urbanas
• Áreas destinadas à requalifi cação urbana ou 
implantação de projetos, como parques, revi-
talização de ruas etc.
• Utiliza regras específi cas para o uso e ocu-
pação do solo em prol da melhoria do espaço 
urbano.
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
QUADRO 11 – OBJETIVOS DO DIREITO DE PREEMPÇÃO
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Versa (2021)
QUADRO 10 – OBJETIVOS DAS OPERAÇÕES URBANAS
Instrumento Objetivos
Direito de Preempção
• Áreas da cidade em que o Poder Público tem 
preferência no processo de compra e ven-
da, caso necessário.
• Essas áreas já devem estar estipuladas pre-
viamente no Plano Diretor da Cidade.
75
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
QUADRO 13 – OBJETIVOS DO USUCAPIÃO ESPECIAL DE IMÓVEL 
URBANO/CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA
FONTE: Adaptado de Brasil (1988), Brasil (2001) e Canário (2021)
Instrumento Objetivos
Consórcio Imo-
biliário
• Parceria entre o proprietário e o poder público.
• O proprietário cede a terra ao poder público, que realiza 
a construção de um empreendimento. Após construído, 
o empreendimento retorna para o proprietário no valor 
da terra cedida.
QUADRO 12 – OBJETIVOS DO CONSÓRCIO IMOBILIÁRIO
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Versa (2021)
2.2.2 Instrumentos de Regularização 
Fundiária
Instrumento Objetivos
Usucapião Especial de 
Imóvel Urbano/ Con-
cessão de Uso Especial
para fi ns de moradia
• Indivíduo que possuir como sua área edifi ca-
da de até 250m² e que a utiliza por cinco anos 
(ininterruptamente) para fi ns de moradia e que 
não seja proprietário de outro imóvel urbano 
ou rural.
76
 Planejamento Urbano
QUADRO 14 – OBJETIVOS DO USUCAPIÃO URBANO COLETIVO/ 
CONCESSÃO COLETIVA DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA
QUADRO 15 – OBJETIVOS DA CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO
FONTE: Adaptado de Brasil (1988), Brasil (2001) e Canário (2021)
FONTE: Adaptado de Brasil (1988), Brasil (2001) e Canário (2021)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Canário (2021)
QUADRO 16 – OBJETIVOS DOS DEBATES, AUDIÊNCIAS E CONSULTAS PÚBLICAS
Instrumento Objetivos
Usucapião Urbano Coleti-
vo/ Concessão Coletiva de 
Uso Especial para fi ns de 
moradia
• População de baixa renda que estiver ocu-
pando áreas urbanas de, no mínimo, 250m²
e que a utiliza por cinco anos (ininterrupta-
mente) para fi ns de moradia e que não seja 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
Instrumento Objetivos
Concessão de Direito
Real de Uso
• Direito aplicável a terrenos públicos ou partic-
ulares para fi ns de urbanização, edifi cação e 
outras utilizações de interesse social.
2.2.3 Instrumentos de Democratização 
da Gestão Urbana
Instrumento Objetivos
Debates, Audiências 
e Consultas Públicas
• Solicitadas pelo poder público para a discussão de 
projetos e planos urbanos de grande relevância 
para a cidade.
• Pode ocorrer de duas formas: Referendo (o resulta-
do da votação ORIENTA a decisão dos governantes) 
e Plebiscito (o resultado da votação vale como DE-
CISÃO FINAL).
77
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
QUADRO 17 – OBJETIVOS DAS CONFERÊNCIAS SOBRE 
ASSUNTOS DE INTERESSES URBANOS
QUADRO 18 – OBJETIVOS DO CONSELHO DE DESENVOLVIMENTO URBANO
QUADRO 19 – OBJETIVOS DO ESTUDO DE IMPACTO DE VIZINHANÇA (EIV)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Canário (2021)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Canário (2021)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Canário (2021)
Instrumento Objetivos
Conferências sobre 
Assuntos de Interesses 
Urbanos
• Trata-se de eventos e encontros periódicos
entre o poder público e a sociedade civil
representada por diferentes setores da comu-
nidade.
• Um dos exemplos de conferência é o proces-
so de revisão de Planos Diretores, em que a 
participação da sociedade nas decisões é 
obrigatória.
Instrumento Objetivos
Conselho de Desenvolvi-
mento Urbano
• Órgão colegiado que abrange os diferentes 
setores da sociedade civil e o poder público.
• Possuem a incumbência de acompanhar e 
fi scalizar as ações oriundas do planejamento 
territorial.
Instrumento Objetivos
Estudo de Impacto de Viz-
inhança (EIV)
• Serve para medir o efeito de grandes em-
preendimentos em uma determinada região, 
como o adensamento construtivo, áreas des-
matadas, impactos na renda da população etc.
• Tal instrumento precisa estar alinhado com a 
população dos bairros próximos a esses em-
preendimentos, a fi m de evitarincômodos
gerados por construções em desacordo com a 
legislação vigente.
• Caso haja descumprimentos na lei, os propri-
etários desses empreendimentos deverão re-
alizar compensações ou contrapartidas nas 
áreas em que os impactos irão incidir.
78
 Planejamento Urbano
QUADRO 20 – OBJETIVOS DA GESTÃO PARTICIPATIVA DO ORÇAMENTO
QUADRO 21 – OBJETIVOS DA INICIATIVA POPULAR DE PROJETOS DE LEI
QUADRO 22 – OBJETIVOS DO IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL 
URBANO (IPTU) PROGRESSIVO NO TEMPO
QUADRO 23 – OBJETIVOS DA EMISSÃO DE TÍTULOS
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Canário (2021)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Oliveira (2012) e Canário (2021)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
Instrumento Objetivos
Gestão Participativa do 
Orçamento
• Baseada em assembleias realizadas em dif-
erentes regiões da cidade a fi m de captar as 
prioridades de investimento público.
• Cada localidade é representada por “delega-
dos” que serão responsáveis por votar nas as-
sembleias que podem ser temáticas (com foco 
na educação, saúde, habitação etc.) ou por 
agrupamento urbano (idosos, jovens etc.).
Instrumento Objetivos
Iniciativa Popular de Pro-
jetos de Lei
• Reunião de um grande número de assinatu-
ras a partir da sociedade civil para a proposição 
de planos e projetos que poderá tramitar em 
órgãos legislativos.
Instrumento Objetivos
Imposto Predial e Territori-
al Urbano (IPTU) Progres-
sivo no Tempo
• Visa punir o proprietário de uma determinada 
localidade por não exercer a função social do 
imóvel.
Instrumento Objetivos
Emissão de Títulos • Caso em que o poder público municipal poderá 
realizar a desapropriação de um imóvel após 
cinco anos de cobrança do IPTU.
2.2.4 Instrumentos de Financiamento da 
Política Urbana
79
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
FIGURA 6 – DIFERENÇAS ENTRE PARCELAMENTO, USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
FONTE: Gestão Urbana SP (2021, s.p.)
QUADRO 25 – OBJETIVOS DA POLÍTICA TRIBUTÁRIA
QUADRO 24 – OBJETIVOS DA TRANSFERÊNCIA DO DIREITO DE CONSTRUIR
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e Oliveira (2012)
Instrumento Objetivos
Política Tributária • Tarifas e tributos sobre imóveis e serviços pú-
blicos urbanos diferenciados em função do in-
teresse social.
Instrumento Objetivos
Transferência do Direito 
de Construir
• Autoriza o proprietário de imóvel urbano a exer-
cer o direito de construir em um outro local, 
quando as atividades do imóvel forem voltadas 
à implantação de equipamentos urbanos e co-
munitários, preservação do interesse histórico, 
paisagístico, social, ambiental ou cultural e tam-
bém em prol de programas de regularização 
fundiária.
Como pudemos ver, existem vários instrumentos que, aliados aos Planos 
Diretores, defi nem os índices urbanísticos para o ordenamento de uma cidade. 
Dentre os seus principais objetivos estão o controle do aumento das cidades, 
redução dos confl itos entre os usos e as atividades, o controle da mobilidade, 
proteção de áreas verdes a fi m de evitar a ocupação urbana e a manutenção dos 
custos da propriedade (JUERGENSMEYER; ROBERT, 2003). 
A fi gura a seguir apresenta alguns conceitos que podem parecer semelhantes, 
mas que possuem diferentes defi nições:
80
 Planejamento Urbano
A fi gura anterior esclarece de uma forma muito didática como isso funciona. 
Enquanto o parcelamento do solo se limita unicamente à divisão territorial do solo
(sentido macro), uma área ainda não construída, o uso se refere à distribuição 
das funções na cidade (residencial, comercial, industrial) a partir da localização 
defi nida pelo zoneamento urbano da cidade. Por fi m, a ocupação é compreendida 
em um sentido mais micro, olhando diretamente para os critérios construtivos que 
devem ser seguidos pelo empreendimento. 
Dessa forma, é possível observar uma gradual projeção do espaço físico da 
cidade baseada na escala “do maior para o menor”. É preciso analisar e aplicar 
diretrizes que impactem uma maior parcela da população (locais de comum e uso 
público) para só depois olhar para “dentro” da edifi cação (critérios de altura, áreas 
máximas a serem construídas etc.).
E é a partir desse enfoque em diferentes parâmetros que outros conceitos vão 
surgindo na discussão do planejamento urbano para a efetividade do zoneamento 
urbano. São eles:
FIGURA 7 – DESDOBRAMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO
FONTE: Adaptada de Carmo (2021)
81
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
QUADRO 26 – SÍNTESE DAS GRANDEZAS URBANÍSTICAS
Como pôde ser observado na fi gura anterior, os parâmetros urbanísticos se 
desmembram em diferentes ferramentas que se incorporam às grandezas e aos 
índices urbanísticos. Vale lembrar que cada um deles deve ser observado sob o 
ponto de vista da legislação municipal. É ela quem regula a sua implementação.
Para esses regramentos está incorporado, no planejamento de uma cidade, 
o Código de Obras: Lei Municipal que dispõe sobre as regras gerais e específi cas 
para a aprovação de projetos, licenciamento, execução de edifi cações, permitindo 
que haja construções, demolições e alterações de uso.
O quadro a seguir irá apresentar as características de cada uma das 
grandezas urbanísticas que são regidas por essas legislações:
Gabarito
Representa a altura máxima
permitida para uma edifi cação. 
Depende da localização na 
cidade. Geralmente, em áreas 
mais centrais são permitidos 
prédios mais altos.
Afastamento
Trata-se do recuo obrigatório
que o lote deve possuir para 
que uma edifi cação nova seja 
construída.
Área 
construída
Representa a soma da 
metragem de todos os 
pavimentos construídos em 
um lote.
82
 Planejamento Urbano
Área útil 
construída
Somatório das áreas dos 
espaços internos, sem
considerar paredes e 
divisórias.
FONTE: Adaptado de Araújo (2011) e Souza (2015)
Essas características são fundamentais para iniciar o desenvolvimento 
de qualquer projeto na malha urbana. É imprescindível realizar a análise das 
legislações vigentes para que o projeto seja desenvolvido em conformidade com 
elas. 
Além das grandezas, também existe os índices urbanísticos, os quais 
possuem o objetivo de delimitar até que ponto determinado poderá ter de 
metragem construída e de áreas livres permeáveis:
Taxa de Ocu-
pação (TO)
Trata-se da área de 
projeção horizontal
sobre o lote.
Taxa de Perme-
abilidade (TP)
É a porcentagem de 
área do lote que deve 
permitir a infi ltração 
da água.
QUADRO 27 – SÍNTESE DOS ÍNDICES URBANÍSTICOS
83
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
Coefi ciente de 
Aproveitamen-
to (CA)
É a relação entre a 
área total construída
e a área do lote.
Índice de Áreas 
Verdes
Trata-se da metragem 
destinada às áreas ar-
borizadas no terreno.
FONTE: Adaptado de Araújo (2011) e Souza (2015)
Justaposto a esses parâmetros, também podem surgir outros conceitos para 
defi nir a ocupação no solo:
• Área bruta: área total do lote, incluindo ruas e praças.
• Área líquida: área destinada unicamente a fi ns residenciais.
• Densidade bruta: número total de moradores que residem em uma 
determinada área.
• Densidade líquida: número de pessoas que residem em uma 
determinada localidade, dividido pela área do lote.
Todas essas defi nições devem estar muito claras no dia a dia do planejador 
urbano. É importante saber distinguir as suas características para que erros sejam 
evitados, por exemplo, confundir Taxa de Ocupação (TO) com Coefi ciente de 
Aproveitamento (CA). Ou então não saber discernir área construída de área útil 
construída.
Quando se relacionam os instrumentos econômicos com o planejamento 
urbano, tende-se a estabelecer um disciplinamento da expansão urbana com o 
intuito de incentivar determinadas atividades em prol do interesse comum. Dentre 
eles está o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), ferramenta com potencial 
paracombater a atividade especulativa e promover a regularização fundiária de 
locais atingidos pela segregação socioespacial (ARAÚJO, 2011; SOUZA, 2015).
84
 Planejamento Urbano
Como vimos antes, uma das formas de promover essa equidade social no 
espaço urbano é aplicando o IPTU progressivo no tempo, diretriz evidenciada no 
Estatuto da Cidade e que promove esse aumento de imposto a edifi cações já 
existentes e não aproveitados (BRASIL, 2001).
FIGURA 8 – FUNCIONAMENTO DO IPTU PROGRESSIVO NO TEMPO
FONTE: Yagura (2021, s.p.)
Esse aumento de tributos ocorreu a partir do momento em que é instaurado o 
Plano Diretor, também no Estatuto da Cidade. Segundo a legislação:
Art. 39. A propriedade urbana cumpre sua função social 
quando atende às exigências fundamentais de ordenação da 
cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento 
das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à 
justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, 
respeitadas as diretrizes previstas no art. 2o desta Lei (BRASIL, 
2001, s.p.).
A partir dessa lei, a propriedade urbana passou a ter obrigatoriamente uma 
função, uma utilização. Não basta “ter” várias terras ou imóveis, mas esses 
espaços precisam estar promovendo algum tipo de função, caso contrário, os 
tributos serão aumentados para essa propriedade. Além disso, também poderá 
haver desapropriações e outras punições. 
Você consegue observar qual o objetivo desse instrumento? É tentar conter 
a especulação imobiliária que ocorre em detrimento ao défi cit habitacional 
exorbitante no nosso país e que já falamos anteriormente.
O planejamento urbano ocorre dessa forma: inserindo ferramentas, 
instrumentos, diretrizes para promover o ordenamento de uma cidade que vise 
melhorar a qualidade de vida de todos os envolvidos.
85
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
E para que toda a cidade tente seguir uma organização territorial coerente, 
existe o zoneamento. Tal instrumento faz parte do plano diretor de uma cidade 
e visa distinguir a cidade a partir de agrupamentos, as chamadas zonas. Essa 
separação funcional do território visa determinar em qual localidade poderá 
existir uma densidade construtiva maior (construir mais) ou menor (construir 
menos). Além disso, é por meio do zoneamento urbano que são defi nidos os usos 
permitidos para determinadas localidades. Por exemplo: nas áreas centrais da 
cidade há uma tendência para o uso misto (residencial e comercial), enquanto em 
áreas mais afastadas, para os usos industriais.
Para reforçar a ideia de integração promovida a partir do zoneamento 
urbano, Dorneles (2010, p. 465) aponta que “a divisão do território através do 
zoneamento tem por objetivo delimitar a expansão urbana e a distribuição 
espacial da população de forma a garantir o desenvolvimento econômico, social e 
o equilíbrio ambiental”. 
A fi gura a seguir apresenta o Zoneamento Urbano da cidade do Rio de 
Janeiro, para que você possa perceber como esse instrumento é apresentado 
junto ao Plano Diretor de cada cidade.
FONTE: Andreatta, Hazan e Denadai (2021, s.p.)
FIGURA 9 – ZONEAMENTO URBANO DO RIO DE JANEIRO/RJ
86
 Planejamento Urbano
Cada localidade possui uma metodologia para determinar as limitações de 
usos e ocupações ao longo do território de uma cidade. Enquanto o zoneamento 
do Rio de Janeiro denomina Zona Residencial Unifamiliar (ZRU), outras cidades 
podem trabalhar com Zona Residencial (ZR1), por exemplo. 
1) Dentre os Instrumentos de Indução do Desenvolvimento Urbano 
estão o Macrozoneamento e a Regulação do Uso e Ocupação 
do Solo, responsáveis por delimitar o espaço urbano por zonas. 
Sobre esses instrumentos, analise as seguintes asserções:
I. O Macrozoneamento se trata de uma delimitação pontual da 
cidade, interferindo diretamente nas normas e ocupação dos 
lotes.
II. A Regulação do Uso e Ocupação do Solo está condicionada à 
função social da propriedade.
III. O Macrozoneamento é responsável por delimitar quais serão as 
áreas residenciais, comerciais e industriais na cidade.
IV. Dependendo da Regulação do Uso e Ocupação do Solo, pode-se 
promover ou combater a diferenciação socioespacial na cidade.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) I e II estão incorretas.
b) ( ) Apenas a alternativa IV está correta.
c) ( ) I, II e IV estão corretas.
d) ( ) II e III estão incorretas.
e) ( ) II e IV estão corretas.
2) Relacione as colunas:
1. Coefi ciente de Aproveitamento (CA)
2. Afastamento
3. Taxa de Ocupação (TO)
4. Gabarito
3) Existem vários instrumentos urbanos que visam vincular as 
decisões legislativas à realidade da cidade. Sobre os Instrumentos 
de Regularização Fundiária, assinale a alternativa correta:
( ) Altura máxima permitida em 
uma determinada localização.
( ) Área de projeção horizontal 
sobre o lote.
( ) Relação entre a área total 
construída e a área do lote.
( ) Recuo obrigatório que o lote 
deve possuir.
87
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
a) ( ) O Usucapião Especial de Imóvel Urbano/Concessão de Uso 
Especial para fi ns de moradia pode ser solicitado por indivíduos 
que estejam residindo há mais de 5 anos em áreas de, no 
mínimo, 250 m².
b) ( ) O Referendo e o Plebiscito são formas de participação 
sociedade em Conferências sobre Assuntos de Interesses 
Urbanos.
c) ( ) O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) Progressivo 
no Tempo serve para punir o proprietário de uma determinada 
localidade por não exercer a função social do imóvel.
d) ( ) O Direito de Preempção se aplica a casos em que qualquer 
indivíduo tem preferência no processo de compra e venda de 
uma determinada área da cidade.
e) ( ) As alternativas B e C estão corretas.
3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Como pôde ser visto neste capítulo, abordamos as legislações que permeiam 
o campo do planejamento urbano, sobre as estratégias atuais e as formas legais 
de intervenção nas cidades.
Junto a essas leis estão os instrumentos, necessários para colocar em 
prática todos os artigos e incisos traçados nas leis. Vimos que existem diferentes 
tipos de instrumentos, desde aqueles que estão voltados ao planejamento em 
nível macro e micro (Indução do Desenvolvimento Urbano) até aqueles que 
se vinculam ao Financiamento da Política Urbana, os quais se articulam para 
promover cidades que sigam o regramento estipulado pelos Planos Diretores, 
sempre em consonância com o Estatuto da Cidade. Além disso, existem os 
Instrumentos de Democratização da Gestão Urbana que defendem a participação 
de diferentes setores da sociedade em todas essas decisões e os Instrumentos 
de Regularização Fundiária que promovem a concessão de direitos.
Complexo, não? Isso tudo faz parte de uma cidade! Não basta projetar 
a inclusão de uma rua sem levar em consideração a incidência de todos 
esses instrumentos no município. Por isso falamos tanto da gestão integrada, 
comunitária, sustentável. É preciso pensar no hoje, mas prevendo as implicações 
de amanhã, tanto nos campos social, econômico, ambiental e cultural de uma 
sociedade.
88
 Planejamento Urbano
Com esses conhecimentos adquiridos e embasados em conceitos técnicos 
aqui dispostos, será possível analisar as dinâmicas das políticas públicas frente 
às necessidades urbanas atuais e aliar as propostas de planejamento urbano aos 
instrumentos legais vigentes.
No próximo capítulo, visualizaremos como essas legislações e seus 
respectivos instrumentos são aplicados em casos reais, para que você consiga 
visualizar a aplicabilidade teórica em exemplos práticos, a fi m de captar as 
melhores estratégias para o desenvolvimento urbano local.
REFERÊNCIAS
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em: https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 28 abr. 2021.
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de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, IMED, Passo Fundo, 2020. 
Disponível em: https://www.imed.edu.br/Uploads/DISSERTACAO%20
FINAL_Felipe%20Buller%20Bertuzzi.pdf. Acesso em: 27 abr. 2021.
BRASIL. Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Atualiza o 
marco legal do saneamento básico e altera a Lei nº 9.984, 
de 17 de julho de 2000. Brasília: DOU de 16/7/2020.
89
OS INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO Capítulo 2 
BRASIL. Medida Provisória nº 818, de 11 de janeiro de 2018. Altera a Lei 
nº 13.089, de 12 de janeiro de 2015, que institui o Estatuto da Metrópole, 
e a Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, que institui as diretrizes da 
Política Nacional de Mobilidade Urbana. Brasília: DOU de 12/1/2018.
BRASIL. Lei nº 13.089, de 12 de janeiro de 2015. Institui o 
Estatuto da Metrópole, altera a Lei nº 10.257, de 10 de julho de 
2001, e dá outras providências. Brasília: DOU de 13/1/2015.
BRASIL. Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012. Institui as diretrizes da 
Política Nacional de Mobilidade Urbana. Brasília: DOU de 4/1/2012.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei n. 9.605, de 12 de fevereiro 
de 1998; e dá outras providências. Brasília: DOU de 3/8/2010.
BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes 
nacionais para o saneamento básico. Brasília: DOU de 8/1/2007.
BRASIL. Lei nº 11.124, de 16 de junho de 2005. Dispõe sobre o 
Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social – SNHIS, cria o 
Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS e institui 
o Conselho Gestor do FNHIS. Brasília: DOU de 17/6/2005.
BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Institui o 
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iptu-progressivo-no-tempo/. Acesso em: 30 abr. 2021.
92
 Planejamento Urbano
CAPÍTULO 3
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO 
CONTEMPORÂNEO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 instigar e promover o debate acerca dos desafi os urbanos a partir 
de trabalhos já realizados no âmbito nacional e internacional;
 capacitar o pensamento crítico e a prática de 
técnicas para a análise do espaço urbano;
 analisar a viabilidade e o estudo de projetos urbanos bem-sucedidos;
 captar as melhores estratégias para o desenvolvimento urbano local;
 auxiliar na solução de problemas urbanos a partir de princípios sustentáveis.
94
 Planejamento Urbano
95
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Após verifi carmos toda essa carga teórica que sustenta a disciplina de 
planejamento urbano, verifi camos que é necessária a compreensão de que 
a cidade é um local complexo, dotada de leis e instrumentos que norteiam as 
decisões urbanas e, mais do que isso, precisam estar vinculadas a uma gestão 
integrada, multidisciplinar.
Neste capítulo, portanto, veremos como tudo isso se aplica na prática das 
cidades. A partir de alguns exemplos, veremos diferentes formas de planejar a 
cidade sob a ótica de diferentes localidades, tanto nacionais quanto internacionais. 
Veremos como o Estatutovem sendo aplicado em algumas situações a fi m de 
facilitar o seu entendimento sobre essa lei que rege o espaço urbano.
Vale destacar que é importantíssimo olhar para os lugares que “deram certo”, 
mas entender que não podemos replicá-los de modo literal (como modelos), isso 
porque cada realidade, cada território possui a sua particularidade. Veremos os 
pontos positivos, negativos, e sempre evidenciando a importância de o planejador 
estar em completa sintonia com os demais agentes que devem fazer parte de 
todo o processo.
Ao fi nal, relacionaremos esses estudos de caso com os Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ODS). Será que as cidades estão sendo pensadas 
de forma inclusiva, segura, resiliente e sustentável?
Está preparado para desbravarmos todo esse conhecimento juntos? Lembre-
se sempre: A transformação só existirá se houver conhecimento!
2 OS DESAFIOS URBANOS DA 
ATUALIDADE
Como pudemos verifi car nas laudas anteriores, para que o planejamento 
urbano aconteça é necessário seguir as legislações e os instrumentos que 
direcionam as mais diferentes ações. Uma das leis que estão vinculadas a 
essa lógica urbana é o Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001), em que sustenta 
um planejamento urbano com a participação direta da sociedade a partir de um 
melhor desempenho no corpo técnico-administrativo das gestões municipais a 
partir de uma estrutura integrada sustentada pelo plano diretor. 
96
 Planejamento Urbano
Mas como realizar tudo isso na prática? E como fazer isso a partir de um 
processo de planejamento participativo? Desenvolvendo um diagnóstico da 
situação urbana do município a fi m de descobrir os principais desafi os a serem 
enfrentados na cidade. Após, deve-se verifi car junto à estrutura administrativa 
municipal, a disponibilidade técnica disponível para a resolução desses desafi os. 
Por fi m, deve-se consultar o acervo tecnológico da prefeitura a fi m de verifi car as 
possíveis adequações e/ou modifi cações nas bases cartográfi cas e informações 
do cadastro imobiliário. 
Mas o que são essas bases cartográfi cas no âmbito urbano? São formas 
de captação da imagem da cidade com o intuito de fornecer informações para as 
projeções urbanas, como o lançamento de infraestruturas e cobranças de IPTU. 
Segundo Teixeira (2000), a cartografi a urbana apresenta os traçados urbanos 
da cidade ou de partes dela, podendo ser observadas as estruturas existentes 
como quarteirões, a localização das edifi cações e demais características físicas 
pertencentes ao meio urbano. Tal conceito reforça o que Harley (1990) já dizia, 
que as bases cartográfi cas tratam de uma representação gráfi ca de aspectos do 
mundo real.
As formas de representação desse “mundo real” podem ser feitas de várias 
formas: incialmente, capta-se a partir de imagens de satélite as características da 
cidade. Após, é realizada uma “ortorretifi cação”, que nada mais é que a correção 
das distorções que a imagem aérea pode gerar, a fi m de traduzir a imagem 
em desenhos com linhas e traços que forma os quarteirões, lotes e demais 
características físicas. Além disso, também é possível encontrar as curvas de nível 
a partir dessas imagens a fi m de verifi car quais lugares possuem declividades e 
quais são planos.
É a partir dessa representação gráfi ca que podemos tomar conhecimento das 
mais diferentes necessidades da cidade, sejam defi nições para o uso, ocupação 
do solo e habitação, estratégias para a mobilidade urbana, saneamento, estudos 
sobre as diferenças sociais, dentre muitos outros.
 Fazendo uma analogia é como se precisássemos desse ingrediente (mapas 
cartográfi cos) para elaborar uma receita (planos, diretrizes para a cidade) que 
irá suprir a “fome” da população (resolução dos mais diferentes problemas).
Para reforçar, o quadro a seguir destaca a importância da cartografi a para o 
desenvolvimento das cidades.
97
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
CARTOGRAFIA E
PLANEJANETO UR-
BANO
Ferramenta de auxílio na TOMADA DE DECISÃO
Análise do ESPAÇO URBANO
Orienta a política de DESENVOLVIMENTO e ORDE-
NAMENTO
Planeja a EXPANSÃO URBANA do município
Detecta os PROBLEMAS URBANOS e AMBIENTAIS
Auxilia no planejamento de POLÍTICAS PÚBLICAS
para as cidades
QUADRO 1 – OBJETIVOS DA CARTOGRAFIA PARA O PLANEJAMENTO URBANO
FIGURA 1 – PROCESSO DE TRANSCRIÇÃO DAS INFORMAÇÕES 
PARA A CRIAÇÃO DE BASES CARTOGRÁFICAS URBANAS
FONTE: Adaptado de Coelho (2021)
FONTE: Moreira (2016, s.p.)
Um desses exemplos pode ser visto na Figura 1: a partir da imagem aérea 
(A) é possível transcrever, a partir de outros softwares (como o AutoCAD, por 
exemplo) (B) ou digitalizações, e captar essas informações por meio de desenhos.
É importante frisar que as bases cartográfi cas e o cadastro 
imobiliário são PRODUTOS oriundos de um PROCESSO de 
planejamento urbano sustentado pelo plano diretor municipal.
É a partir dessas informações (dados cartográfi cos e do cadastro 
imobiliário) que se obtém a leitura da realidade municipal e dá subsídio 
para uma atuação legítima.
É importante frisar 
que as bases 
cartográfi cas e o 
cadastro imobiliário 
são PRODUTOS 
oriundos de um 
PROCESSO de 
planejamento 
urbano sustentado 
pelo plano diretor 
municipal.
98
 Planejamento Urbano
Após esses levantamentos, parte-se para o momento de verifi cação dos 
recursos fi nanceiros disponíveis e da observação da vontade política e dos mais 
diversos seguimentos da sociedade. Para tanto, é necessário existir um Conselho 
Municipal de Desenvolvimento Urbano, grupo de cunho consultivo (aconselha) 
e deliberativo (decide). Assim, também, para fazer jus a uma fi scalização e 
legitimação do planejamento participativo, deve-se haver um Núcleo Gestor ou 
Comissão do Plano Diretor.
Uma equipe técnica do Plano Diretor é necessária para coordenar todos 
os trabalhos que competem o planejamento, dotada de profi ssionais das mais 
diferentes áreas, como arquitetos, engenheiros, assistentes sociais, biólogos 
etc. E para colocar em prática todos os objetivos levantados pelas equipes 
é necessário criar um plano de trabalho (termo de referência) a partir de uma 
metodologia. Em resumo, deve-se:
Sensibilizar as secretarias 
municipais para a importân-
cia do PLANEJAR
Construir soluções em 
conjunto com as represen-
tações dos segmentos da 
SOCIEDADE
CAPACITAR as sec-
retarias e entidades
QUADRO 2 – SÍNTESE DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO URBANO
FONTE: O autor
Como já trabalhado no capítulo anterior, o Estatuto da Cidade trata-se da Lei 
que estabelece as diretrizes da política urbana no Brasil. É a partir dele que saem 
planos diretores para fomentar o desenvolvimento das nossas cidades, visando 
atender às necessidades da população (BRASIL, 2001).
É nesse sentido que, a seguir, você vai comparar algumas normativas 
exigidas pelo Estatuto da Cidade e como ele vem sendo aplicado na prática, a 
partir de casos reais (quadros 3 a 7):
99
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
QUADRO 3 – RELAÇÃO ENTRE O ESTATUTO DA CIDADE 
E A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
O que o Estatuto da Cidade diz?
“XII – proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e 
construído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arque-
ológico” (BRASIL, 2001)
Em outras palavras...
Deve-se assegurar a manutenção de edifi cações e localidades históricas, pois 
resguardam a memória e a história de uma cidade.
O problema:
Muitos prédios antigos, apesar de não 
serem tombados como patrimônio 
histórico e cultural, passar por anális-
es para verifi car a existência ou não de 
um valor arquitetônico que justifi que 
essa certifi cação do edifício. O que 
acontece muitas vezes é a demolição 
desses prédios para a inserção de no-
vos empreendimentos. Perante a lei, 
não há impedimento para a demolição 
desses prédios desde que sejam 
seguidas as normativas relativas à 
construção civil. Vale ressaltar que a 
demolição de prédios tombados con-
stituicrime contra o patrimônio cultural.
Prédio antigo, em Fortaleza/CE
A solução:
Uma das formas de garantir a per-
manência de uma edifi cação histórica 
que represente um valor à cidade é o 
processo de tombamento. A imagem 
ao lado foi considerada Patrimônio 
Histórico e Cultural do Estado do Rio 
do Janeiro para fi ns de preservação. 
Dessa forma, fi cam impedidas alter-
ações estruturais e a comercialização 
deste imóvel. Escola Municipal Cicero Penam no Rio 
de Janeiro/RJ
FONTE: Adaptado de Extra (2021) e Diário do Nordeste (2021)
100
 Planejamento Urbano
O que o Estatuto da Cidade diz?
“XIII – audiência do Poder Público municipal e da população interessada 
nos processos de implantação de empreendimentos ou atividades com 
efeitos potencialmente negativos sobre o meio ambiente natural ou con-
struído, o conforto ou a segurança da população” (BRASIL, 2001)
Em outras palavras...
Tal diretriz volta-se para o direito à gestão democrática urbana, o qual garante o 
acesso e o poder de interferência da população nas decisões e implementações 
da política urbana.
O problema:
Será que as nossas cidades es-
tão preparadas para ouvir de fato 
a população? Ou simplesmente 
impõem decisões urbanas unilat-
erais que não resolvem os reais 
problemas da população?
Na charge ao lado, vemos que 
a implantação de um empreen-
dimento incomodou moradores 
do entorno. Isso demonstra que 
muito provavelmente não houve 
esse diálogo, faltando um Estudo 
de Impacto de Vizinhança (EIV)
consistente.
Lembra que já falamos desse in-
strumento no capítulo anterior?
Trata-se da análise prévia dos efeitos que 
novos empreendimentos podem gerar no seu 
entorno. No caso da charge, esse problema 
aparece como um adensamento construtivo 
em uma área que impossibilitou o acesso 
viário e até visual para lojas que já estavam 
instaladas naquela redondeza.
A solução:
No caso da imagem a seguir, é possível observar que um empreendimento que 
comercializa fast-food foi instalado em frente a uma rua bastante movimentada 
de Curitiba/PR. Você saberia dizer qual impacto pode ser gerado a partir dessa 
implantação?
Essa situação é clássica de um impacto na circulação viária, em que haverá uma 
tendência de aumento na fl uidez do trânsito devido a esse empreendimento. São 
os chamados polos geradores de tráfego.
QUADRO 4 – RELAÇÃO ENTRE O ESTATUTO DA 
CIDADE E O ESTUDO DE IMPACTO DE 
VIZINHANÇA (EIV)
101
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
A solução encontrada para esse 
problema foi a criação de uma 
via paralela à via principal que dá 
acesso ao estacionamento da em-
presa, evitando que hajam impac-
tos indesejáveis no trânsito.
Mas lembre-se: cada caso preci-
sa ser avaliado de forma individ-
ual, pois depende do contexto em 
que está inserido! Não existem 
modelos a serem replicados. As 
soluções emergem da interativi-
dade entre todos os envolvidos!
Empreendimento em Curitiba/PR
FONTE: Adaptado de Brasil (2001) e DENATRAN/FGV (2001)
QUADRO 5 – RELAÇÃO ENTRE O ESTATUTO DA CIDADE E O DIREITO À MORADIA
O que o Estatuto da Cidade diz?
“XIV – regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por popu-
lação de baixa renda mediante o estabelecimento de normas especiais de 
urbanização, uso e ocupação do solo e edifi cação, consideradas a situação 
socioeconômica da população e as normas ambientais” (BRASIL, 2001)
Em outras palavras...
A diretriz tem o intuito de garantir o direito à moradia de milhões de brasileiros 
que vivem em condições precárias, considerados ilegais e irregulares pela leg-
islação urbana.
O problema:
O Estatuto da Cidade visa pro-
teger legalmente o direito à 
moradia para as pessoas que 
vivem em favelas, loteamentos 
populares e periferias a partir 
da urbanização de áreas ocu-
padas pela população consid-
erada de baixa renda.
Loteamento irregular em Sorocaba/SP
A solução:
Uma dessas formas é estabelecer as Zonas Especiais de Interesse Social 
(ZEIS), defi nidas a partir do zoneamento da cidade e que reservam áreas para 
este fi m.
102
 Planejamento Urbano
Imagem ilustrativa que representa a 
destinação de áreas da cidade para 
as ZEIS
Empreendimento habitacional Canaã em 
Passo Fundo/RS
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Secretaria de Obras e 
Habitação (2018) e Jornal Cruzeiro do Sul (2018)
QUADRO 6 – RELAÇÃO ENTRE O ESTATUTO DA CIDADE E A 
SIMPLIFICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE PARCELAMENTO
O que o Estatuto da Cidade diz?
“XV – simplifi cação da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo 
e das normas edilícias, com vistas a permitir a redução dos custos e o au-
mento da oferta dos lotes e unidades habitacionais” (BRASIL, 2001)
Em outras palavras...
Os parâmetros atuais são complexos e difi cultam a possibilidade de ofertar lotes. 
A simplifi cação desse processo auxiliaria na obtenção de mais moradias, garan-
tindo as condições de salubridade e qualidade ambiental.
O problema:
Um dos problemas que envolvem 
esse assunto é a alta burocracia 
cobrada para a aprovação de pro-
jetos nas prefeituras. Segundo a 
legislação, o prazo para a análise 
de projetos gira em torno de 30 dias. 
No entanto, como podemos ver na 
imagem ao lado, esse prazo se es-
tende por muito mais tempo. Esse 
problema pode sim ser causado 
pela alta demanda de processos, 
mas também pela elevada buroc-
racia que a legislação exige. Essa 
morosidade nas análises gera, por-
tanto, o atraso no início das obras.
Notícia do Jornal O Progresso, de Doura-
dos/MS
103
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
FONTE: Adaptado de Brasil (2001), Marques (2021) e Agência Brasília (2021)
A solução:
Uma das formas de se resolver ou ao menos amenizar tal situação, seria simpli-
fi car o trabalho da avaliação dos processos, tendo em vista que já existe profi s-
sional(is) habilitado(s) para responder por inconformidades na legislação. Desse 
modo, será que precisaria de uma análise bastante morosa por parte da prefei-
tura?
O processo de desburocratização já é algo visado por várias prefeituras e gov-
ernos. Um desses casos pode ser visto no Distrito Federal: o governo local sim-
plifi cou processos e regularizou 28 áreas e aprovou 11 parcelamentos de solo, o 
que benefi ciou mais de 225 mil habitantes, segundo notícia da Agência Brasília 
(2021). Houve, também, a aprovação histórica de 2.220 alvarás de construção 
durante a pandemia da COVID-19.
Notícia veiculada no Jornal Agência Brasília (2021)
Outra forma de acelerar esse processo pode ocorrer a partir da implantação de 
plataformas digitais que permitam agilizar o processo de documentação e tam-
bém facilitam a inter-relação entre os próprios órgãos internos da prefeitura.
104
 Planejamento Urbano
O que o Estatuto da Cidade diz?
“XVI – Isonomia de condições para os agentes públicos e privados na pro-
moção de empreendimentos e atividades relativos ao processo de urban-
ização, atendido o interesse social” (BRASIL, 2001)
Em outras palavras...
É importante que haja uma integração efetiva entre os entes públicos e privados, 
dialogando com a população da cidade. 
O problema:
Mesmo com uma legislação defend-
endo a discussão entre os mais dif-
erentes entes envolvidos em uma 
determinada proposição urbana, em 
muitos casos, as prefeituras não con-
sideram de fato os anseios da popu-
lação.
A imagem ao lado retrata um dess-
es casos. Ao contrário do que rege 
o Plano Diretor de Niterói/RJ, os tra-
balhadores locais de vários quiosques 
da Praia de Charitas não foram infor-
mados sobre a requalifi cação urbana 
que será feita na orla do bairro. Se-
gundo O GLOBO (2021), o Plano Di-
retor estabelece que a regularização 
das políticas de urbanismo da cidade 
deve considerar o diálogo com todos 
os entes envolvidos. 
QUADRO 7 – RELAÇÃO ENTRE O ESTATUTO DA CIDADE 
E A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL
105
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
A solução:
Um exemplo que é fruto de uma gestão integrada foi a requalifi caçãoda Rua 
14 de Julho, na cidade de Campo Grande/MS. A partir de um estudo desen-
volvido em parceria com a Prefeitura Municipal e o Banco Interamericano de 
Desenvolvimento (BID), as alterações propostas para a área visaram captar as 
percepções de empresários e consumidores da Rua 14 de Julho (CG NOTÍCIAS, 
2021). Em pesquisa recente, 93% da população e dos comerciantes aprovaram 
as mudanças realizadas na área. Consequência de um trabalho em conjunto, a 
partir da criação de ecossistemas que promoveram métodos interativos de coop-
eração para que o resultado pudesse ir de encontro com as necessidades locais.
Rua 14 de Julho, de Campo Grande/MS, após ser revitalizada 
Ao olhar para este exemplo, podemos lembrar os conceitos que estudamos nos 
outros capítulos deste livro: a gestão integrada a partir das dimensões social, 
econômica, ambiental e cultural. É preciso que haja um processo interativo entre 
os envolvidos. Não somente sob a perspectiva da consulta, do “sim” ou “não”, 
mas da investigação dos anseios dos indivíduos que realmente irão usufruir do 
espaço urbano. Recentemente, a cidade tem sido entendida como um processo, 
algo não estático, e que precisa de modos de interação constantes. Isso sustenta 
conceitos novos de “co-cidade”, “cidade compartilhada” e “cidades inteligentes”.
FONTE: Adaptado de Brasil (2021) e O Globo (2021)
1) A cartografi a urbana trata-se da captação da imagem da cidade 
com o intuito de fornecer informações para as projeções urbanas, 
como o lançamento de infraestruturas e cobranças de IPTU. 
Sobre essa temática, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) A cartografi a urbana apresenta os traçados urbanos da 
cidade, podendo ser observadas posteriormente as estruturas 
existentes como quarteirões, a localização das edifi cações e 
demais características físicas.
106
 Planejamento Urbano
b) ( ) Não é preciso realizar correção das distorções que a 
imagem aérea pode gerar, pois a imagem já apresenta de forma 
automática as linhas e traços que formam os quarteirões, lotes e 
demais características físicas.
c) ( ) É a partir dessa representação gráfi ca que podemos tomar 
conhecimento das mais diferentes necessidades da cidade, 
sejam defi nições para o uso, ocupação do solo e habitação, 
estratégias para a mobilidade urbana, saneamento, estudos 
sobre as diferenças sociais, dentre muitos outros.
d) ( ) A cartografi a urbana orienta a política de desenvolvimento e 
ordenamento e planeja a expansão urbana do município.
e) ( ) A cartografi a urbana detecta os problemas urbanos e 
ambientais e auxilia no planejamento de políticas públicas para 
as cidades
2) O Estatuto da Cidade trata-se da Lei que estabelece as diretrizes 
da política urbana no Brasil. É a partir dele que saem planos 
diretores para fomentar o desenvolvimento das nossas cidades, 
visando atender às necessidades da população. É a partir dele 
que devem ser elaborados os planos diretores do município. No 
âmbito do planejamento urbano, responda:
I. A isonomia de condições para os agentes públicos e privados 
na promoção de empreendimentos e atividades relativos ao 
processo de urbanização, atendido o interesse social refere-
se à integração efetiva entre os entes públicos e privados, sem 
necessariamente dialogar com a população da cidade.
II. A regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas 
por população de baixa renda mediante o estabelecimento de 
normas especiais de urbanização se resume em garantir o direito 
à moradia de milhões de brasileiros que vivem em excelentes 
condições, considerados legais e regulares pela legislação 
urbana.
III. Dentre as formas de proteção, preservação e recuperação do 
meio ambiente natural e construído, do patrimônio cultural, 
histórico, artístico, paisagístico e arqueológico está o tombamento 
de edifi cações históricas em prol da preservação da cultura e 
identidade locais.
IV. Para o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) torna-se opcional 
realizar audiências do Poder Público municipal e da população 
interessada nos processos de implantação de empreendimentos 
ou atividades com efeitos potencialmente negativos.
107
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
V. A equipe técnica do Plano Diretor visa coordenar todos os 
trabalhos que competem o planejamento, dotada de profi ssionais 
das mais diferentes áreas, como arquitetos, engenheiros, 
assistentes sociais, biólogos etc.
a) ( ) I e II estão incorretas.
b) ( ) Apenas a alternativa V está correta.
c) ( ) I, II e IV estão corretas.
d) ( ) III e V estão corretas.
e) ( ) II e IV estão incorretas.
3) A isonomia de condições para os agentes públicos e privados 
na promoção de empreendimentos e atividades relativos ao 
processo de urbanização, atendido o interesse social é de 
extrema importância para uma integração efetiva entre os entes 
públicos e privados, dialogando com a população da cidade. 
Vimos, neste capítulo, um exemplo de exclusão da sociedade em 
importantes discussões. Nesse sentido, descreva qual é a melhor 
solução técnica para resolver esse problema de gestão.
2.1 ESTUDOS DE CASOS
A seguir, apresentaremos a análise de algumas cidades que dão exemplos de 
planejamento urbano, mas que também mostram como as tentativas de planejar a 
cidade pode não dar certo.
A cidade de Copenhagen, capital da Dinamarca, é um desses exemplos 
positivos. Conhecido como o “Plano dos Cinco Dedos”, um plano de mobilidade 
urbana, o desenvolvimento de linhas de transporte foi fortemente incentivado a 
partir de cerca de 1,2 mil pontos de ônibus, transporte aquático e metrô, os quais 
compuseram o sistema de transporte público da cidade (ESTADÃO, 2020).
Além disso, a cultura da bicicleta é uma forma de locomoção muito respeitada 
na cidade. Para se ter uma ideia, a cidade é dotada de estacionamentos para as 
bicicletas em diversos pontos da cidade, estrategicamente alocados nas estações 
de ônibus e metrô. Os semáforos são sincronizados para garantir que os ciclistas 
não precisem parar em momentos de grande fl uxo de veículos.
108
 Planejamento Urbano
FONTE: Estadão (2020, s.p.)
FIGURA 2 – TIPOS DE MOBILIDADE URBANA EM COPENHAGUE
Além dessa preocupação com a qualidade de vida, o fomento a um transporte 
público de qualidade está diretamente relacionado à utilização de energia 
renovável e aos conceitos de mobilidade verde e cidade inteligente.
Consegue visualizar uma gestão integrada que vincula as 
dimensões social, econômica, ambiental e cultural? “A forma urbana 
e o desenho de Copenhagen são o produto de um tráfi co ferroviário 
cuidadosamente integrado sob um desenvolvimento urbano” (GHIDINI, 
2009, p. 10).
Mas por que a cidade de Copenhagen se voltou para uma 
mobilidade urbana focada no pedestre e nos ciclistas? Isso se deu a 
partir de um planejamento urbano voltado à diminuição da congestão de 
veículos, desde a década de 1970. Vale ressaltar que não se tratou do extermínio 
do uso do carro, mas sim da readequação de um modo de locomoção motorizado. 
Como consequência da aplicação dessas estratégias, o fl uxo de veículos foi 
reduzido em 10%, o que hoje resulta em uma média de 330 automóveis para cada 
1 mil habitantes (GHIDINI, 2009).
“A forma urbana 
e o desenho de 
Copenhagen são 
o produto de um 
tráfi co ferroviário 
cuidadosamente 
integrado sob um 
desenvolvimento 
urbano” (GHIDINI, 
2009, p. 10).
109
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
Além disso, Ghidini (2009) também destaca outras táticas que foram inseridas 
no meio urbano em prol da mobilidade urbana sustentável: uso da bicicleta, 
sinalização preferencial para os ônibus, aumento da quantidade de ônibus que 
alcançassem as mais diferentes regiões da cidade, entre outros.
A expressão “mobilidade urbana sustentável” remete à 
integração da proteção ambiental, à sustentabilidade econômica 
e à justiça social, importantes condicionantes no processo de 
planejamento (IPEA, 2016). Daremos comoexemplo o carro, que, 
por si só, fere a dimensão ambiental por ser movido a substâncias 
poluentes ao meio ambiente, seu custo acaba sendo caro devido 
às condições de obtenção e manutenção (economia) e a sociedade 
muitas vezes não consegue adquiri-lo ou mantê-lo, dada as 
condições de desigualdade (justiça social). Além de tudo isso, o carro 
é uma forma de locomoção individual que toma muito espaço da 
via pública, ao contrário de um ônibus que consegue abrigar mais 
pessoas e otimizar o espaço utilizado.
Além de uma análise de muitos fatores para a proposição dessas estratégias, 
dentre elas estava o fato de a cidade de Copenhagen possuir declividades muito 
baixas, o que a torna ideal para a utilização da bicicleta (COLVILLE, 2015; KUNZ, 
2018) – o que talvez justifi que um poder cultural muito forte em prol do uso da 
bicicleta como meio de locomoção. A Figura 3 apresenta a evolução da malha 
cicloviária de Copenhagen.
110
 Planejamento Urbano
FIGURA 3 – MAPA REPRESENTATIVO DA EVOLUÇÃO DA MALHA 
CICLOVIÁRIA DE COPENHAGEN ENTRE OS ANOS DE 1912-2013
FONTE: Carstensen et al. (2015, p. 6)
111
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
FONTE: Prefeitura Municipal de Curitiba (2015, s.p.) e Instituto de 
Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (2021, s.p.)
QUADRO 8 – BREVE LINHA DO TEMPO QUE RESUME A TRAJETÓRIA 
DE CURITIBA/PR NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO URBANO
Similar a Copenhagen no que tange ao planejamento urbano embasado na 
mobilidade sustentável temos a cidade brasileira de Curitiba/PR. Considerado 
como um novo “paradigma urbanístico”, a maior cidade do sul do Brasil é 
considerada um exemplo de bastante destaque quando se trata de uma 
transformação urbana em prol das pessoas (DIAS; JÚNIOR, 2017).
O quadro a seguir apresenta o caminho do desenvolvimento territorial de 
Curitiba que resultou nas diretrizes urbanas que conhecemos hoje:
PLANO 
AGACHE
(1941-1943)
COMISSÃO DE 
PLANEJAMENTO 
DE CURITIBA
(1954)
SEMINÁRIO 
CURITIBA DO 
AMANHÃ
(1965)
IPPUC
(1965)
PLANO 
DIRETOR
(1966)
1º Plano De 
Urbanização de 
Curitiba/PR
Período de mod-
ernização no 
planejamento ur-
bano
Debates entre 
autoridades mu-
nicipais e rep-
resentantes da 
sociedade civil
Instituto de 
Pesquisa 
e Plane-
jamento 
Urbano de 
Curitiba 
(IPPUC)
1º Plano 
Diretor de 
Curitiba
Ações: adoção 
do sistema radial 
de vias
Organização 
da cidade por 
setores (indus-
trial, comercial, 
administrativo, 
educacional, 
desportivo e res-
idencial
Ampliação da 
rede de esgoto
População es-
timada: 140 mil 
habitantes
Ações: mod-
ernizar o Plano 
Agache, atuali-
zando-o para a 
nova realidade da 
cidade que super-
ava 180 mil habi-
tantes
Ações: sur-
gimento da 
Assessoria de 
Pesquisa e 
Planejamento 
Urbano de Cu-
ritiba (APPUC) 
para a posterior 
criação do Pla-
no Preliminar 
de Urbanismo 
(PPU) e do 
Instituto de 
Pesquisa e 
Planejamento 
Urbano de Cu-
ritiba (IPPUC)
Ações: 
constituído 
para nor-
tear a or-
ganização 
territorial 
da cidade 
a partir de 
um Plano 
Diretor
Ações: 
Consol-
ida as 
políticas 
urbanas 
impor-
tantes 
para o 
desen-
volvi-
mento de 
Curitiba
112
 Planejamento Urbano
Foi no ano de 1965 que as transformações iniciaram na capital paranaense. 
O Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) foi constituído para 
nortear a organização territorial da cidade a partir do Plano Diretor. O arquiteto e 
urbanista Jaime Lerner, que participou da criação da entidade, ajudou a nortear o 
início dos trabalhos urbanos que envolveram uma ação direta no fl uxo de veículos 
e no crescimento espacial urbano. Na prática, houve restrições no trânsito de 
veículos na área central da cidade de Curitiba (DIAS; JÚNIOR, 2017).
Além disso, pode-se dizer que Curitiba já apostava em uma gestão integrada 
que promovia várias diretrizes urbanas, baseando-se nas três funções básicas 
que se resumem em Uso do Solo, Transporte Coletivo e Sistema Viário:
FONTE: IPPUC (2021, s.p.)
FONTE: IPPUC (2021, s.p.)
FIGURA 4 – TRÊS FUNÇÕES BÁSICAS DO PLANEJAMENTO DE CURITIBA/PR
QUADRO 9 – DIRETRIZES CRIADAS AS PARTIR DAS FUNÇÕES 
BÁSICAS URBANAS DA CIDADE DE CURITIBA/PR
1. Hierarquização do sistema viário
2. Zoneamento do uso do solo
3. Regulamentação dos loteamentos
4. Renovação urbana
5. Preservação e revitalização dos setores históricos tradicionais
6. Oferta de serviços públicos e equipamentos comunitários
113
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
FONTE: IPPUC (2021, s.p.)
FONTE: IPPUC (2021, s.p.)
FIGURA 5 – CONFIGURAÇÃO ESPACIAL LINEAR A PARTIR 
DO SISTEMA TRINÁRIO DE CURITIBA/PR
FIGURA 6 – CONFIGURAÇÃO ESPACIAL LINEAR A PARTIR 
DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO DE CURITIBA/PR
Houve, também, a defi nição de uma distribuição dos corredores de 
transporte de forma linear e não radial (SOUZA, 2001; DIAS; JÚNIOR, 2017). A 
Figura 5 apresenta a adequação da cidade ao Sistema Trinário que instauraria o 
crescimento linear idealizado: uma via destinada ao transporte coletivo, duas vias 
para o tráfego lento (de acesso a comércio e residências) e duas vias de tráfego 
rápido em sentidos opostos.
Observa-se na fi gura anterior que a conformação linear respaldada pelo 
Sistema Trinário ligou trechos na malha viária que até então estavam isolados. 
Mas não basta pensar somente na mobilidade urbana se o uso e ocupação do 
solo não forem idealizados de forma conjunta. Para tanto, o planejamento da 
cidade se baseou em uma ocupação de alta densidade (alto potencial construtivo) 
nas áreas centrais destinadas às zonas comerciais e, à medida que os quarteirões 
vão se afastando do centro, passou a ser defi nido – agora sim de forma radial – 
às demais zonas: residencial, rural, verde e especial.
114
 Planejamento Urbano
Essas foram as diretrizes traçadas nas primeiras soluções para a cidade. 
É evidente que, ao longo dos anos, novas proposições precisam ser feitas, 
movimentadas pelo aumento populacional, novos hábitos, dentre outros aspectos 
a considerar.
De acordo com o Ranking Connected Smart Cities 2020, promovido pela 
Urban Systems, que coleta os dados de municípios brasileiros que possuam mais 
de 50 mil habitantes, Curitiba foi considerada a terceira cidade mais inteligente 
do Brasil dentre os 673 municípios avaliados (Figura 7). Isso se deu a partir da 
análise de 70 indicadores em 11 eixos temáticos distintos: Mobilidade, Urbanismo, 
Meio Ambiente, Tecnologia e Inovação, Empreendedorismo, Educação, Saúde, 
Segurança, Energia, Governança e Economia (URBAN SYSTEMS, 2021b).
FIGURA 7 – CURITIBA, CLASSIFICADA COM O 3º LUGAR 
NO RANKING CONNECTED SMART CITIES 2020
FONTE: Urban Systems (2021b, s.p.)
115
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
A imagem anterior mostra que Curitiba fi cou em primeiro lugar no eixo temático 
“Urbanismo”, o qual o resultado se origina da análise considera vários indicadores 
(Figura 8). Dentre os motivos que fi zeram Curitiba estar nessa posição, destacam-
se: o atendimento urbano de água e esgoto em 100% da cidade; o investimento 
ser de R$ 655,00 por habitante em urbanismo; 100% da população viver em área 
de médio e alto adensamento (URBAN SYSTEMS, 2021a).
FIGURA 8 – INDICADORES DO EIXO TEMÁTICO “URBANISMO” 
DO RANKING CONNECTED SMART CITIES 2020
FONTE: Urban Systems (2021a, s.p.)
A lista completa e mais detalhes da classifi cação das cidades, 
eixos temáticos, indicadores, entre outros, pode ser verifi cado no 
“Ranking Connected Smart Cities 2020” disponível em: https://
d335luupugsy2.cloudfront.net/cms/fi les/48668/1600973008Ranking_
CSC_2020.pdf. 
Outra indicação que deixamos a você é o portal intitulado 
“Connected Smart Cities” que reúne conteúdos, notícias, eventos 
dos mais diversos temas relacionados aos eixos temáticos que vimos 
anteriormente. Vale a pena acessá-lo com frequência para verifi car 
o que vem sendo feito para garantir cidades inteligentes humanas e 
sustentáveis: https://portal.connectedsmartcities.com.br/.116
 Planejamento Urbano
Todas essas avaliações são para dizer “esta cidade possui condições que 
garantam o bem-estar humano”.
Dias e Júnior (2017) fazem uma relação direta entre as intervenções em 
mobilidade urbana e a alta qualidade de vida nas cidades. Para os autores, essa 
sinergia faz emergir um sentimento de “um sentimento de pertencimento e orgulho 
da população, que possibilita, ao curitibano, não só o desfrute e a autoexpressão, 
mas também o cuidado com seus espaços públicos, servindo de exemplo para o 
restante do País” (DIAS; JÚNIOR, 2017, p. 656).
A fi gura a seguir elucida a relação entre diferentes épocas que retratam 
hábitos também distintos.
FIGURA 9 – RELAÇÃO ENTRE ÉPOCAS DISTINTAS NA CIDADE DE CURITIBA/PR
FONTE: Dias e Júnior (2017)
Gehl (2014) destaca que a apropriação humana no espaço público 
deve emergir de uma cidade viva em que as pessoas se sintam convidadas a 
permanecer, caminhar ou pedalar nos mais variados espaços. E em meio ao 
processo de desenvolvimento das cidades, novas formas de gestão vêm sendo 
pensadas com o intuito de aproximar cada vez mais a população de fóruns 
e discussões sobre a cidade. Nesse aspecto, um novo conceito chamado 
“Governança Antecipatória”, que consiste na exploração, previsão, defi nição e 
direção de estratégias para uma determinada região (RAMOS, 2016).
Em outras palavras, essa forma de gestão da cidade visa envolver a 
sociedade em todos os passos do processo; consiste em mapear direções que 
realmente resolvam os problemas da sociedade. Não basta mudar a cidade 
simplesmente para deixá-la bela, mas sim que a cidade se torne também útil para 
a população que ali vive.
117
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
FIGURA 10 – PROJETO URBANO DESENVOLVIDO POR LÚCIO COSTA 
PARA O CONCURSO DO PLANO PILOTO DE BRASÍLIA/DF, EM 1957
FONTE: Oliveira (2008)
Refl exão: Volte à imagem anterior e analise: qual das imagens 
demonstra uma interação e um sentimento de pertencimento mais 
forte à cidade?
Na sequência, traremos um caso de planejamento urbano brasileiro que, na 
verdade, se trata de um exemplo a “não ser seguido”. Isso mesmo! Precisamos 
estar atentos às propostas que não deram certo para tentar não repeti-las.
O caso é bastante emblemático: trata-se do planejamento de Brasília, no 
Distrito Federal, inaugurada no ano de 1960. Você se recorda dos princípios 
modernistas que falamos no início deste livro?
Pois então... Brasília/DF seguiu as diretrizes desse movimento, criando 
zoneamento de atividades, grandes blocos afastados e ensolarados circundados 
por grandes vias (LING, 2019). Proposta pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, 
a “nova” cidade que viria a ser a capital do Brasil foi proposta com base nos 
princípios dos CIAM e da Carta de Atenas (OLIVEIRA, 2008).
Projetada a partir de dois eixos: o Eixo Monumental, destinado às áreas dos 
poderes executivo, legislativo e judiciário e alocadas na área central do Plano 
Piloto de Brasília (formato de “avião”). Próximo a esse centro, foram situados os 
setores comerciais. Já o Eixo Rodoviário deu espaço para os setores residenciais, 
representados pelos grandes quarteirões (NÓBILE, 2010).
118
 Planejamento Urbano
Em meio a um contexto histórico em que o desenvolvimento do automóvel se 
fortalecia, o sistema ferroviário deixou de ser prioridade, elucidando o fomento ao 
transporte individual. Você já deve ter ouvido falar que Brasília foi “projetada para 
os carros”, certo? E realmente foi. Isso porque as superquadras – como o próprio 
nome já diz – destoam de um processo de caminhabilidade e apropriação pela 
população. Apesar de esses quarteirões terem sido pensados de forma aberta ao 
público, para que as áreas verdes se comunicassem com as vias e a população 
pudesse caminhar e se utilizar desses espaços livres, existe um outro problema: 
o clima árido do Cerrado que difi culta a transição de pedestres. O paisagismo 
projetado para a cidade não produz sombreamentos, o que também problematiza 
o conforto térmico da cidade. Essas condições, portanto, intensifi cam a utilização 
do carro como o melhor meio de locomoção em Brasília (CHICONI, 2015).
Outro problema bastante evidente da capital do Brasil é a segregação 
socioespacial, massifi cada após o surgimento das cidades-satélite. Já no Plano 
Piloto desenvolvido por Lúcio Costa havia previsão de que essas novas regiões 
existiriam. No entanto, "As cidades-satélites não deveriam ter surgido como 
uma periferia da cidade", ressalta o arquiteto e urbanista Henrique de Carvalho, 
pesquisador na USP (VEIGA, 2020, s.p.).
Cidade-satélite é o nome que se dá a centros urbanos formados 
a partir de um ponto urbano central. No caso de Brasília/DF, existem 
15 cidades-satélite que circundam o Plano Piloto.
Vê-se, portanto, que apesar de parecer uma cidade “perfeita” e totalmente 
planejada com a distribuição das funções urbanas de maneira metódica, os 
problemas urbanos foram sendo evidenciados muito fortemente ao longo dos 
anos. Havia a previsão de que a cidade teria cerca de 500 mil habitantes 40 anos 
depois, em 2000. O problema é que, segundo o censo do Instituto Brasileiro 
de Geografi a e Estatística (IBGE), a população tinha quatro vezes mais que o 
planejado: cerca de 2 milhões de habitantes (NÓBILE, 2010). A estimativa para o 
censo do IBGE para 2020 é de uma população de 3 milhões de habitantes.
A qualidade de vida urbana desvanece diante das grandes distâncias a serem 
percorridas diariamente, do transporte de massa inefi ciente, que consome energia 
e tempo, e da demanda por novas infraestruturas, que acrescenta problemáticas 
119
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
ambientais, entre tantas outras. [...] A única certeza reside na necessidade de 
uma mudança de paradigma, que pense a cidade para os seus cidadãos (DIAS; 
JÚNIOR, 2017, s. p.).
Ao contrário de Brasília/DF, em que a locomoção individual é imprescindível 
devido às grandes distâncias, temos a cidade-Estado de Singapura, no continente 
Asiático, que viu a sua população crescer quase o dobro nos últimos 30 anos (G1, 
2018).
Tal crescimento populacional se dá em grande parte pela busca por melhores 
condições econômicas e de acesso a serviços de qualidade como a saúde 
e a educação. E foi baseado na preocupação com as pessoas que Singapura 
desenvolveu diretrizes para o planejamento urbano.
01 Planejamento para Crescimento a Longo-Prazo e Renovação
• Metas de longo a médio prazo;
• Controle de desenvolvimento de modo responsável;
• Decisões inteligentes de planejamento prematuro em prol de uma "cidade 
habitável".
QUADRO 10 – 10 PRINCÍPIOS PARA SE VIVER EM CIDADES DE 
ALTA DENSIDADE DESENVOLVIDOS PARA SINGAPURA
120
 Planejamento Urbano
02 Abrace a Diversidade, Adote a Inclusão
• Projetando para uso misto e fl exibilidade no uso de terra garante que as co-
munidades não dependam só de uma indústria para sua economia. 
03 Traga a Natureza Para Perto das Pessoas
• As cidades precisam estar dotadas de espaços com massas verdes, 
parques, corpos de água, locais de recreação. Essas inserções naturais no 
meio urbano auxiliam no controle da qualidade do ar e das temperaturas, 
a fi m de reduzir o valor provocado pelo aquecimento de coberturas imper-
meáveis no solo.
121
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
04 Desenvolvimento Acessível, Bairro de Uso Misto
• Projeção de bairros compactos e autossufi cientes visando fortalecer os 
laços comunitários e diminuir a agitação dos grandes centros.
05 Faça os Espaços Públicos Funcionarem
• Reativar espaços inutilizados a fi m de gerar oportunidades de desenvolvi-
mento e gerar vitalidade à cidade.
122
 Planejamento Urbano
06 Priorize o Transporte Verde e Opções de Construção
• Incentivo ao transporte verde a fi m de reduzir o consumo;
• Gestão consciente de recursos;
• Ampliação da rede de transporte público;
• Percursos de pedestresseguros e acessíveis.
07 Alivie a Densidade com Variedade e Cordões Verdes
• Zoneamento estratégico de uso misto (edifícios altos e baixos em uma mes-
ma região).
08 Ative Espaços para Maior Segurança
• A aplicação do princípio “os olhos da vizinhança na rua” tende a gerar uma 
maior sensação de segurança de quem reside e transita na região, gerando 
um sistema de inclusão natural baseado na confi ança entre vizinhos e comu-
nidades.
123
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
09 Promover Inovação e Soluções Não Convencionais
• Busca por novas soluções e inovações aos problemas urbanos no que diz 
respeito à administração de recursos e o uso da terra.
124
 Planejamento Urbano
10 Faça "Parcerias (Pessoas Público Privado) 3Ps"
• A colaboração é fundamental para interligar as mais diferentes necessi-
dades e preocupações.
FONTE: Adaptado de Vinnitskaya (2013) e Centre of Liveable Cities Singapore (2021)
A íntegra do documento original dos “10 princípios 
para se viver em cidades de alta densidade” pode ser 
verifi cado no link: https://www.clc.gov.sg/docs/default-source/
books/10principlesforliveablehighdensitycitieslessonsfromsingapore.
pdf. 
“Transporte Verde” é designado a meios de locomoção que 
possuem baixa ou nenhuma emissão de poluentes na atmosfera, 
como bicicletas, carros elétricos etc.
125
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
FONTE: Adaptada de Bloomberg (2013)
FIGURA 11 – FATORES QUE CONTRIBUEM PARA 
UMA EXPERIÊNCIA ATIVA DE PASSEIO
A expressão “os olhos da vizinhança na rua” foi criada pela 
ativista Jane Jacobs no livro “Morte e Vida das Grandes Cidades”, 
de 1961. Trata-se da importância de se dar vida às cidades a fi m de 
gerar áreas urbanas mais igualitárias e seguras. Quanto mais ativa a 
cidade for, mais segura ela fi ca.
E é nesse momento de planejamento que devem surgir as mais diferentes 
estratégias que visem aproximar os indivíduos da função da cidade. A fi gura a 
seguir apresenta um esquema que exibe uma situação bastante interessante de 
como o espaço público pode se portar.
126
 Planejamento Urbano
Vimos exemplos de cidades sob o aspecto de várias realidades: Copenhagen, 
que investiu na mobilidade urbana fortalecida pelas suas condições culturais; 
Curitiba, que promoveu um reordenamento da cidade a partir da implantação de 
um Sistema Trinário integrado à projeção de diretrizes para o uso e apropriação do 
solo; Brasília, que foi uma cidade projetada do “zero” e que causou e ainda causa 
problemas urbanos dos mais variados tipos; já Singapura promoveu princípios/
diretrizes de reestruturação da cidade frente à expansão da urbanização.
Ao relacionar esses quatro exemplos, o que você vê em comum? As duas 
primeiras cidades já existiam e foram reordenadas conforme as necessidades 
locais. A terceira foi 100% planejada. Já a quarta, também promoveu uma 
readequação nas mais diferentes frentes.
E a pergunta que deixamos para você refl etir é a seguinte: Qual dessas 
alternativas é mais viável do ponto de vista social, ambiental, econômico e 
cultural: cidades novas com traçados e infraestruturas novas (modelo utópico de 
cidade; cidades ideais) ou a averiguação dos problemas urbanos contemporâneos 
visando resolvê-los de maneira pontual, a fi m de analisar todas as variáveis 
possíveis (gestão integrada do território)?
Bem, esperamos que você tenha compreendido até aqui que o planejamento 
urbano se faz a partir de visões múltiplas da realidade local. E devido à celeridade 
com que as coisas vêm acontecendo, precisamos estar cada vez mais preparados 
para enfrentar os problemas e promover as soluções oportunas.
Atualmente, tudo isso que discutimos neste livro sobre o planejamento das 
cidades já é evidenciado na Nova Agenda Urbana. Este documento foi adotado 
na Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano 
Sustentável (Habitat III), realizado na cidade do Quito, capital do Equador. Trata-
se de uma visão compartilhada em prol de um futuro melhor e mais sustentável em 
defesa dos direitos e da igualdade aos benefícios e oportunidades nos sistemas 
urbanos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2019).
A implementação da Nova Agenda Urbana contribui para 
a implementação e a localização da Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável de maneira integrada e para o 
alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 
e de suas metas, inclusive o ODS 11 de tornar as cidades e 
os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e 
sustentáveis (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2019, 
p. 4).
127
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
Um dos objetivos que nós mais devemos fi car de olho e fomentar é o 11 
– Cidades e Comunidades Sustentáveis que tem como objetivo: “Tornar 
as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e 
sustentáveis” (AGENDA 2030, 2015, s.p.).
Mas como fazer isso? Parece muito amplo... É para isso que existem as 
metas, que servem para dar direção às ações que, ao fi nal, alcançarão o objetivo 
11 das ODS! Vamos conferir cada uma delas no Quadro 11?
11.c
Apoiar os países menos desenvolvidos, inclusive por meio de as-
sistência técnica e fi nanceira, para construções sustentáveis e robus-
tas, utilizando materiais locais.
11.b
Até 2020, aumentar substancialmente o número de cidades e assenta-
mentos humanos adotando e implementando políticas e planos in-
tegrados para a inclusão, a efi ciência dos recursos, mitigação e adap-
tação à mudança do clima, a resiliência a desastres; e desenvolver e 
implementar, de acordo com o Marco de Sendai para a Redução do 
Risco de Desastres 2015-2030, o gerenciamento holístico do risco de 
desastres em todos os níveis.
11.a
Apoiar relações econômicas, sociais e ambientais positivas entre 
áreas urbanas, periurbanas e rurais, reforçando o planejamento nacion-
al e regional de desenvolvimento.
11.7
Até 2030, proporcionar o acesso universal a espaços públicos se-
guros, inclusivos, acessíveis e verdes, em particular para as mul-
heres e crianças, pessoas idosas e pessoas com defi ciência.
11.6
Até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das ci-
dades, inclusive prestando especial atenção à qualidade do ar, gestão 
de resíduos municipais e outros.
11.5
Até 2030, reduzir signifi cativamente o número de mortes e o número 
de pessoas afetadas por catástrofes e diminuir substancialmente as per-
das econômicas diretas causadas por elas em relação ao produto inter-
no bruto global, incluindo os desastres relacionados à água, com o foco 
em proteger os pobres e as pessoas em situação de vulnerabilidade.
11.4 Fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cul-
tural e natural do mundo.
11.3
Até 2030, aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e a ca-
pacidade para o planejamento e a gestão participativa, integrada e 
sustentável dos assentamentos humanos, em todos os países.
QUADRO 11 – METAS DO OBJETIVO 11 - CIDADES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS
128
 Planejamento Urbano
11.2
Até 2030, proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, 
acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos, melhorando 
a segurança rodoviária por meio da expansão dos transportes públicos, 
com especial atenção para as necessidades das pessoas em situação 
de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com defi ciência e ido-
sos.
11.1
Até 2030, garantir o acesso de todos a habitação segura, adequada e 
a preço acessível, e aos serviços básicos e urbanizar as favelas.
FONTE: Agenda 2030 (2015)
FONTE: Agenda 2030 (2015)
FIGURA 12 – OS 17 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS)
1) Relacione as colunas:
1- Copenhagen
2- Curitiba/PR
3- Brasília/DF
4- Singapura
( ) Cidade planejada que não preveu 
seu crescimento, gerando problemas de 
mobilidade e segregação socioespacial.
( ) Cidade dotada de semáforos 
sincronizados com o trânsito de 
bicicletas.
( ) Cidadeque traçou princípios de 
desenvolvimento próprios em prol da 
qualidade de vida da população local.
( ) Cidade que baseou o deu 
desenvolvimento urbano em três funções 
básicas: Uso do Solo, Transporte 
Coletivo e Sistema Viário.
129
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
2) Visualize as afi rmações a seguir e marque V (para verdadeiro) e F 
(para falso):
a) ( ) A aplicação do princípio “os olhos da vizinhança na rua” tende 
a gerar uma maior sensação de segurança de quem reside 
e transita na região, gerando um sistema de inclusão natural 
baseado na confi ança entre vizinhos e comunidades.
b) ( ) O Sistema Trinário resume-se em vias destinadas aos ciclistas, 
vias para o tráfego lento e vias de tráfego rápido.
c) ( ) Uma das formas de melhorar o acesso à moradia no Brasil 
é reduzir o custo de acesso à terra e o custo de habitações, 
condicionado à garantia da qualidade dos serviços.
d) ( ) A expressão “mobilidade urbana sustentável” remete à 
integração da proteção ambiental, a sustentabilidade econômica 
e a justiça social, importantes condicionantes no processo de 
planejamento.
e) ( ) As inserções naturais no meio urbano para a estruturação de 
espaços de áreas verdes como parques, locais de recreação etc. 
devem ser opcionais, pois auxiliam no controle da qualidade do 
ar e das temperaturas, a fi m de reduzir o valor provocado pelo 
aquecimento de coberturas impermeáveis no solo.
3) Dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 
temos o objetivo 11 que trata das “Cidades e Comunidades 
Sustentáveis”, visando tornar as cidades e os assentamentos 
humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Nesse 
contexto, aponte três metas que você, enquanto planejador 
urbano, poderia se engajar.
3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Pudemos verifi car neste capítulo que os desafi os urbanos da sociedade 
estão diretamente ligados às relações entre as legislações, seus instrumentos e 
a participação de um corpo técnico-administrativo em conjunto com a sociedade. 
Mas para que isso ocorra de fato é necessário realizar diagnósticos das mais 
diferentes situações urbanas que existem na cidade para que as melhores 
soluções sejam tomadas.
130
 Planejamento Urbano
Vimos que uma das formas de realizar o levantamento dessas informações 
é a partir da cartografi a urbana, ferramenta que capta os aspectos da cidade e 
que auxiliam no processo de resolução dos problemas. Tal ferramenta auxilia na 
tomada de decisões, contribui para a geração de análises e orienta a política de 
desenvolvimento e ordenamento do município.
Mas para que tudo isso corra, é preciso que os gestores municipais saibam a 
importância do planejamento e consigam construir soluções de forma conjunta com 
a sociedade. Desse modo, fi ca mais fácil aplicar legislações que, muitas vezes, 
se limitam ao que está escrito no “papel” e não se pratica. Um dos exemplos que 
trouxemos foi a relação de alguns itens do Estatuto da Cidade. Se bem elaborado, 
é possível sim colocar em prática ações de proteção e preservação do meio 
ambiente, o estudo prévio de empreendimentos que poderão causar impactos 
negativos à população, a urbanização de áreas ocupadas pela população de 
baixa renda, a simplifi cação da legislação de parcelamento e a integração 
efetiva da população nos processos decisórios. É necessário incorporar todas 
essas questões às reais necessidades urbanas a partir das visões de todos os 
envolvidos.
Também pudemos verifi car alguns exemplos de cidades sob o aspecto de 
várias realidades. Inclusive, fi zemos uma provocação a você, lhe questionando 
qual(is) daquela(s) alternativa(s) era a(s) mais viável(is) do ponto de vista social, 
ambiental, econômico e cultural: cidades novas com traçados e infraestruturas 
novas (modelo utópico de cidade; cidades ideais) ou a averiguação dos 
problemas urbanos contemporâneos visando resolvê-los de maneira pontual, a 
fi m de analisar todas as variáveis possíveis (gestão integrada do território)? Esse 
questionamento visou focar a análise daquela cidade em específi co, e não se 
deve entender essas boas práticas como modelos a serem seguidos. Podemos 
nos inspirar, mas as soluções precisam ser moldadas no local, na origem do 
problema a partir de diagnósticos, discussões e análises muito específi cas.
Dentre as cidades apresentadas, tivemos dois exemplos internacionais 
(Copenhagen e Singapura) e um nacional (Curitiba) que nos apresentaram 
várias soluções que melhoraram o sistema viário, o uso e ocupação do solo e a 
preocupação com a qualidade de vida do cidadão. Já Brasília, concebida a partir 
de um projeto de “cidade ideal”, nos mostrou que não houve um pensamento 
urbano de forma integrada, mas sim unilateral pelos técnicos – até porque ainda 
não existiam moradores no local para opinarem sobre o projeto, resultando em 
problemas na mobilidade urbana, conforto térmico, dentre outros.
131
O PLANEJAMENTO E O URBANISMO CONTEMPORÂNEO Capítulo 3 
Assim, pudemos observar que as cidades precisam ser repensadas sob 
vários aspectos, integrando profi ssionais e a sociedade. A cidade é um quebra-
cabeça “pré-montado”, e cabe aos planejadores urbanos reorganizar as peças a 
fi m de estabelecer uma harmonia. Voltamos a frisar: não existe uma solução única 
para tudo, mas “várias soluções” para realidades diferentes, localidades distintas. 
Devemos ter a legislação como base para nortear decisões, mas cada localidade 
deve ter, em sua essência, a solução ideal para aqueles que ali residem.
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