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Auto Anônimo - Curso de Direito Administrativo

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tornando-os aptos para contrair obrigações e exercer 
direitos subjetivos no universo das relações sociais juridicamente qualificadas. 
Do reconhecimento da personalidade jurídica surgem as condições 
necessárias para a prática de atos jurídicos, nos quais se inserem os atos 
administrativos. 
A ausência de um diploma legal de âmbito nacional em matéria 
administrativa, que discipline a produção dos atos administrativos, cria a 
necessidade de uma doutrina acerca do tema. A autonomia constitucional que 
cada ente político da Federação goza torna essa necessidade um fato 
inexorável, sob pena de uma desarticulação do próprio corpo federativo. 
A padronização dos expedientes e da forma de atuação da 
Administração em geral (seja em âmbito federal, estadual, distrital ou 
municipal) traz proveitos não só para o administrado (cliente e usuário do 
serviço público), como também para a própria estrutura administrativa da 
Federação. 
• Administração Pública e os Poderes Constitucionais do Estado. 
São poderes constitucionais do Estado, o Executivo, o Legislativo e o 
Judiciário. Cristalizados em órgãos independentes, cada um deles desfruta da 
necessária competência para o desempenho das atividades que lhes são 
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próprias (embora não exclusivas). Essas atividades são operacionalizadas e 
implementadas por intermédio da prática de atos. 
Assim, no âmbito do Legislativo encontramos os atos legislativos; no 
Judiciário, destacam-se os atos jurisdicionais e judiciais; e, finalmente, no 
Executivo, os atos administrativos. 
Entretanto é indispensável ressaltar que o ato administrativo não é um 
ato exclusivo do Poder Executivo. O conceito de Administração Pública, 
notadamente em sentido formal, não se adstringe ao Poder Executivo. A 
máquina administrativa estatal encontra-se incrustada em todo o aparelho 
estatal. Administração Pública é conceito amplo e se reporta a todos os órgãos 
e agentes que compõem o aparelho administrativo estatal, seja ele localizado 
na estrutura do poder Executivo, seja nas dos demais Poderes. 
 
 
• Atos da Administração. 
Nem todo ato praticado pela Administração constitui-se num ato 
administrativo. 
Considerando a natureza funcional dos diversos atos praticados pela 
Administração é possível falar-se em atos de administração, atos jurídicos e 
atos administrativos. Cada qual com o seu conteúdo, forma e finalidade. 
Ato de administração é aquele que se traduz numa atividade de pura 
técnica administrativa, dele não derivando relações jurídicas. Por isso, 
irrelevante para o estudo do direito. São atos que visam ao melhor 
desempenho da máquina administrativa na produção de seus serviços. Os atos 
de administração são atos materiais, resultando de fatos administrativos que 
surgem espontaneamente da mera atividade administrativa. 
Ao lado dos atos de administração, que não produzem efeitos jurídicos, 
existem os atos aptos a repercutirem efeitos no mundo jurídico. Entre eles 
temos os denominados atos jurídicos (essencialmente regidos pela ordem 
civil) e os atos administrativos (regidos pelo direito público). 
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2.Atos Jurígenos, Atos Jurídicos e Atos Administrativos. 
 Ato jurígeno é todo aquele apto à produção de efeitos, lícitos ou ilícitos, 
no mundo jurídico. 
 Atos jurígenos lícitos são denominados atos jurídicos. 
 Atos jurígenos ilícitos são atos infracionais, ou seja, atos antijurídicos, os 
quais podem ser praticados no âmbito das relações jurídicas de natureza civil, 
penal e administrativa. 
 Entre os atos jurídicos encontramos aqueles regidos pelo direito privado, 
que são os atos jurídicos propriamente ditos, e aqueles regidos pelo direito 
público, maxime atos legislativos, jurisdicionais/judiciais e administrativos. 
 
 Dir.Privado ⇒ Ato Jurídico 
 Lícitos ⇒ ATOS JURÍDICOS Ato Legislativo 
Atos Dir.Público Ato Jurisdicional 
Jurígenos Ato Administrativo 
 Ilícitos ⇒ ATOS ANTIJURÍDICOS (públicos ou privados) 
 
 
 
Obs.1.:Não existe ato jurídico ilícito, pois ato jurídico é, necessariamente, ato 
lícito. 
 
Obs.2.:O ato administrativo conta com o atributo da presunção de validade, daí 
dizer-se que o ato administrativo é espécie do gênero ato jurídico, que 
é ato lícito. 
 
Obs.3.:Os atos produzidos pelas entidades de administração indireta são 
equiparados à condição e qualidade de atos administrativos. 
 
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3.Atos Administrativos – Conceitos. 
 
Segundo HELY LOPES MEIRELLES – “Ato é toda manifestação 
unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, 
tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir o 
declarar direito, impor obrigações aos administrados ou a si própria.” 
J. CRETELLA JUNIOR apresenta uma definição partindo do conceito de 
ato jurídico. Segundo ele, ato administrativo é “a manifestação de vontade do 
Estado, por seus representantes, no exercício regular de suas funções, ou por 
qualquer pessoa que detenha, nas mãos, fração de poder reconhecido pelo 
Estado, que tem por finalidade imediata criar, reconhecer, modificar, 
resguardar ou extinguir situações jurídicas subjetivas, em matéria 
administrativa.” 
Para CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO é a “declaração do 
Estado (ou de quem lhe faça as vezes - como, por exemplo, um concessionário 
de serviço público) no exercício de prerrogativas públicas, manifestada 
mediante providências jurídicas complementares da lei, a título de lhe dar 
cumprimento, e sujeitos a controle de legitimidade por órgão jurisdicional.” 
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO: ato administrativo é “a 
declaração do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos 
imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito público e 
sujeita a controle pelo Poder Judiciário”. 
A distinção deste último conceito dos demais é que nele só se incluem 
os atos que produzem efeitos imediatos, excluindo do conceito o regulamento, 
que, quanto ao conteúdo, se aproxima mais da lei, afastando, também, os atos 
não produtores de efeitos jurídicos diretos, como os atos materiais e os 
enunciativos. 
 JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO, após assinalar que a doutrina 
não é uniforme quanto à definição de ato administrativo, leciona o autor que 
“consideramos, todavia, que três pontos são fundamentais para a 
caracterização do ato administrativo. Em primeiro lugar, é necessário que a 
vontade emane de agente da Administração Pública, ou dotado de 
prerrogativas desta. Depois, seu conteúdo há de propiciar a produção de 
efeitos jurídicos com fim público. Por fim, deve toda essa categoria de atos ser 
regida basicamente pelo direito público.” 
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4.Características básicas do ato administrativo. 
 
a) posição de supremacia da Administração; 
b) regido em seu conteúdo e forma pela lei; 
c) finalidade pública genérica (BEM COMUM); 
d) manifestação de vontade unilateral