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1. Discutir os diagnósticos diferenciais para a 
queixa de tosse crônica e os fatores de risco 
para o desenvolvimento de tuberculose. 
🩺 1. Diagnósticos Diferenciais para Tosse 
Crônica em Adolescentes 
 Tosse crônica é definida como tosse 
persistente por mais de 8 semanas. O 
raciocínio diagnóstico deve levar em conta a 
característica da tosse (seca ou produtiva), 
sinais associados e história clínica completa. 
 
🔹 a) Tuberculose Pulmonar (TB) 
• Tipo de tosse: produtiva, com ou sem 
hemoptoicos, evolução progressiva. 
• Sintomas associados: febre vespertina, 
sudorese noturna, emagrecimento, 
astenia. 
• Achados físicos: estertores finos 
(crepitações) em ápices pulmonares, 
redução do MV. 
• Exames sugestivos: baciloscopia, TRM-
TB, cultura para Mycobacterium 
tuberculosis, RX tórax com infiltração 
apical, cavitação ou linfadenopatia 
hiliar. 
• Relevância no caso: contato domiciliar 
com caso anterior de TB (avó), perda 
ponderal, sinais físicos pulmonares. 
 
🔹 b) Asma Brônquica 
• Tipo de tosse: seca, pior à noite ou ao 
esforço, associada a dispneia e 
sibilância. 
• História clínica: antecedentes pessoais 
ou familiares de atopia, rinite, 
dermatite. 
• Exame físico: sibilos expiratórios, MV 
reduzido em crises, hiperinsuflação. 
• Diagnóstico: clínico; pode ser 
confirmado por espirometria com 
resposta ao broncodilatador. 
 
🔹 c) Bronquite Crônica (pouco comum em 
adolescentes) 
• Tipo de tosse: produtiva, por pelo 
menos 3 meses ao ano em 2 anos 
consecutivos. 
• Etiologia: geralmente associada ao 
tabagismo ou exposição crônica a 
poluentes (biomassa). 
• Exame físico: roncos, sibilos, MV 
difusamente reduzido. 
 
🔹 d) Infecção Pulmonar de Repetição / 
Pneumonia Não Resolvida 
• Tipo de tosse: produtiva, com febre 
recorrente ou persistente, dor 
torácica. 
• Sugere: possível causa estrutural 
(bronciectasias), imunodeficiência ou 
aspiração. 
• Exames: RX de tórax, TC de tórax, 
imunoglobulinas, sorologias, 
broncoscopia em casos complexos. 
 
🔹 e) Gotejamento Pós-Nasal (Síndrome da 
Tosse das Vias Aéreas Superiores) 
• Tipo de tosse: geralmente seca ou 
pouco produtiva, piora ao deitar. 
• Sintomas associados: congestão nasal, 
espirros, rinorreia posterior, pigarro 
frequente. 
• Exame físico: congestão nasal, 
hiperemia faríngea, secreção visível 
na orofaringe. 
 
🔹 f) Doença do Refluxo Gastroesofágico 
(DRGE) 
• Tipo de tosse: seca, com piora pós-
prandial ou ao deitar. 
• Sintomas associados: pirose, 
regurgitação, disfonia. 
• Mecanismo: microaspiração de 
conteúdo ácido ou reflexo vagal. 
• Diagnóstico: clínico; pode necessitar 
de pHmetria esofágica, endoscopia. 
 
🔹 g) Coqueluche (Tosse Convulsa) 
Tuberculose 
Problema 2 – Equilíbrio Nutricional 
OBJETIVOS 
• Tipo de tosse: em acessos, 
paroxística, pode culminar em 
vômitos. 
• População: mais comum em crianças 
não vacinadas ou adolescentes sem 
reforço. 
• Diagnóstico: PCR para Bordetella 
pertussis, sorologias, história de surto 
na comunidade. 
 
🧬 2. Fatores de Risco para o 
Desenvolvimento de Tuberculose Pulmonar 
 A tuberculose é uma doença infecciosa 
causada pelo Mycobacterium tuberculosis, 
transmitida por via aérea, geralmente em 
ambientes fechados com contato prolongado 
com o bacilífero. A progressão da infecção 
para doença ativa depende do equilíbrio entre 
inóculo bacteriano e competência imunológica 
do hospedeiro. 
 
🔹 a) Contato com caso índice bacilífero 
• Principal fator de risco. 
• Neste caso: avó paterna tratada 
para TB há 2 anos – mesmo ambiente 
domiciliar. 
 
🔹 b) Condições de moradia inadequadas 
• Ambientes com pouca ventilação, 
número elevado de moradores por 
cômodo, e saneamento básico precário 
favorecem a disseminação. 
• Exemplo: casa com 7 pessoas, fossa 
séptica, água de poço → risco 
aumentado. 
 
🔹 c) Imunossupressão 
• HIV/AIDS, uso crônico de 
corticosteroides, imunodeficiências 
congênitas ou adquiridas. 
• Importante sempre investigar 
sorologia para HIV em casos suspeitos 
de TB. 
 
🔹 d) Estado nutricional 
• A desnutrição é um dos principais 
cofatores para progressão da 
infecção para doença. 
• O paciente tem IMC 18,3 kg/m², faz 
jejum prolongado e apresenta hálito 
cetônico, indicando possível 
catabolismo. 
	
🔹 e) Idade 
• A TB pós-primária geralmente ocorre 
em adolescentes e adultos jovens, 
fase na qual a imunidade celular já 
está desenvolvida. 
 
🔹 f) Doenças pulmonares prévias 
• Doenças como asma, infecções 
pulmonares anteriores ou doenças 
estruturais favorecem a instalação da 
TB nos pulmões. 
 
✅ Conclusão: 
• No raciocínio clínico frente a uma 
tosse crônica em adolescentes, é 
fundamental: 
• Pensar em tuberculose quando há 
tosse >2 semanas, perda de peso e 
contato com casos prévios. 
• Investigar condições clínicas e sociais 
que aumentem o risco de infecção e 
progressão da doença. 
• Solicitar os exames adequados, 
principalmente baciloscopia, TRM-TB 
e RX de tórax. 
• Conhecer os diagnósticos diferenciais, 
com base no padrão da tosse e nos 
sinais associados. 
 
2. Diferenciar do ponto de vista clínico-
epidemiológico os quadros de tuberculose 
primária e tuberculose pós-primária 
(secundária). 
🧬 1. Tuberculose Primária 
🩺 Clínico: 
• Ocorre logo após a infecção inicial 
com Mycobacterium tuberculosis. 
• Geralmente assintomática ou com 
sintomas inespecíficos (febre baixa, 
mal-estar, tosse leve). 
• Quando sintomática, pode haver 
adenomegalia hilar, febre vespertina, 
sudorese noturna, perda de peso. 
• Rx de tórax: infiltrado no lobo médio 
ou inferior + linfadenopatia 
hilar/paratraqueal (complexo de 
Ghon). 
• Pode evoluir com derrame pleural ou 
linfadenite. 
 
🌍 Epidemiológico: 
• Mais comum em crianças e 
imunossuprimidos. 
• Alta relação com ambientes de risco 
(aglomerados, pobreza, contato com 
adultos bacilíferos). 
• Maior risco de evolução para doença 
grave ou disseminada (ex: tuberculose 
miliar ou meningite tuberculosa). 
 
🔄 2. Tuberculose Pós-primária (Secundária) 
🩺 Clínico: 
• Ocorre pela reativação endógena do 
bacilo em um indivíduo previamente 
infectado. 
• Comum em adultos e adolescentes. 
• Sintomas típicos: tosse crônica, febre 
vespertina, emagrecimento, 
hemoptise, sudorese noturna. 
• Rx de tórax: cavitações nos lobos 
superiores, infiltrações apicais (zona 
de maior oxigenação). 
 
🌍 Epidemiológico: 
• Associada a baixa imunidade, 
desnutrição, HIV, uso de 
álcool/drogas, diabetes, tabagismo. 
• Mais frequente em adultos jovens a 
meia-idade. 
• É a forma transmissível da doença — 
grande impacto na cadeia 
epidemiológica (bacilíferos). 
 
💡 Resumo Tabela 
 
Característica 
Tuberculose 
Primária 
Tuberculose Pós-
primária 
(Secundária) 
Idade típica Crianças Adultos/adolesce
ntes 
Situação 
imunológica 
Imunocompet
ente ou 
imaturo 
Imunocompromet
ido ou 
predisposto 
Sintomas Leves ou 
ausentes 
Tosse crônica, 
hemoptise, febre 
Localização 
pulmonar 
Lobo 
médio/inferior 
Lobo 
superior/apical 
Achado 
radiológico 
típico 
Complexo de 
Ghon 
Cavitações, 
fibrose 
Transmissibilid
ade 
Baixa Alta (bacilíferos) 
Comum em Primoinfecção 
recente 
Reativação de 
infecção latente 
 
3. Identificar as principais possibilidades de 
exames complementares em um quadro de 
tuberculose com ênfase naqueles 
fundamentais ao diagnóstico. 
🔍 1. Exames Fundamentais para o 
Diagnóstico de Tuberculose Pulmonar 
✅ 1.1 Baciloscopia de escarro (BAAR) 
• Pilar do diagnóstico na Atenção 
Básica. 
• Identifica o Mycobacterium 
tuberculosis pela coloração de Ziehl-
Neelsen. 
• Coleta de 2 a 3 amostras 
(idealmente: escarro espontâneo ou 
induzido). 
• Resultado rápido e baixo custo. 
• Confirma a forma bacilífera 
(transmissível). 
 
✅ 1.2 Teste Rápido Molecular (TRM-TB / 
GeneXpert) 
• Detecta DNA do bacilo e resistência 
à rifampicina. 
• Alta sensibilidade, mesmo em casos 
com pouca carga bacilar. 
• Indicado como exame de primeira 
escolha segundo o MS (especialmente 
em HIV+, crianças,formas 
extrapulmonares suspeitas). 
• Resultado em até 2 horas. 
 
✅ 1.3 Cultura para micobactéria 
• Padrão-ouro para diagnóstico 
(crescimento em meios como 
Lowenstein-Jensen). 
• Mais sensível que baciloscopia. 
• Demora: resultados em semanas. 
• Importante para confirmação 
diagnóstica e testes de sensibilidade 
a fármacos. 
 
🩻 2. Exames Complementares de Imagem 
✅ 2.1 Radiografia de tórax 
• Apoia a suspeita diagnóstica (mas não 
é confirmatório). 
• Pode mostrar: 
o Cavitações 
o Infiltrados apicais 
o Derrame pleural 
o Linfadenopatia hilar 
• Importante para acompanhar 
evolução clínica. 
 
⬜ 2.2 Tomografia Computadorizada 
Mais sensível que a radiografia. 
Utilizada em casos de dúvida diagnóstica, 
formas atípicas ou extrapulmonares. 
 
🧪 3. Outros exames úteis em situações 
específicas 
Exame Indicação 
PPD (Teste 
tuberculínico) 
Identifica infecção 
latente (não serve para 
diagnóstico de doença 
ativa). 
Dosagem de ADA no 
líquor ou pleural 
Auxilia no diagnóstico 
de TB meníngea ou 
pleural. 
Líquor (análise 
completa) 
Suspeita de TB 
meníngea. 
Ultrassonografia/ 
TC abdominal 
Avaliação de TB 
extrapulmonar 
abdominal. 
Biópsias Para formas 
extrapulmonares: 
linfonodal, pleural, 
óssea, etc. 
 
📌 Resumo – Fluxo Diagnóstico Inicial na 
Atenção Básica 
1. Paciente com tosse ≥ 3 semanas 
2. → Solicitar baciloscopia de escarro 
3. → Se disponível, realizar TRM-TB 
4. → Radiografia de tórax 
complementar 
5. → Cultura se baciloscopia negativa e 
alta suspeita clínica 
 
4. Reconhecer as estratégias terapêuticas do 
tratamento da tuberculose no contexto da 
Atenção Primária em Saúde. 
 
🏥 1. Princípios Gerais do Tratamento 
• Gratuito pelo SUS. 
• Realizado preferencialmente na 
Unidade Básica de Saúde (UBS). 
• Acompanhado por profissionais da ESF 
e equipe multiprofissional. 
• Objetivo: cura do paciente, 
interrupção da cadeia de transmissão 
e prevenção da resistência 
medicamentosa. 
 
💊 2. Esquema Terapêutico Padronizado – 
Esquema Básico (RIPE) 
Para tuberculose pulmonar ou 
extrapulmonar em adultos e adolescentes: 
Fase Drogas Duração Observações 
Fase 
intensiva 
Rifampicina 
+ Isoniazida 
+ 
Pirazinamida 
+ Etambutol 
(RHZE) 
2 meses Supervisionar 
adesão 
Fase de 
manutenção 
Rifampicina 
+ Isoniazida 
(RH) 
4 meses Totalizando 
6 meses 
💡 As doses são ajustadas conforme o peso 
corporal. 
 
🧑⚕ 3. Estratégias na Atenção Primária 
✅ 3.1 Tratamento Diretamente Observado 
(TDO) 
• Acompanhamento presencial da 
ingestão dos medicamentos. 
• Reduz risco de abandono e 
resistência. 
• Fundamental em pacientes com risco 
de não adesão (ex: usuários de 
drogas, pessoas em situação de rua). 
 
✅ 3.2 Acompanhamento regular 
• Consulta médica/enfermagem no 
início, 15 dias, 1 mês e mensalmente. 
• Avaliação de efeitos colaterais, ganho 
de peso, desempenho funcional. 
• Coleta de escarro de controle ao 
final do 2º mês (fase intensiva) e, se 
positivo, novamente ao final do 
tratamento. 
 
✅ 3.3 Registro e monitoramento 
• Fichas do e-SUS/PNCT (Programa 
Nacional de Controle da Tuberculose). 
• Importante para monitoramento 
individual e vigilância epidemiológica. 
 
👩⚕ 4. Papel da Equipe Multiprofissional na 
APS 
Profissional Atuação 
Médico/ 
enfermeiro 
Diagnóstico, prescrição, 
vigilância dos sintomas e 
efeitos adversos 
Agente 
comunitário 
de saúde 
Visitas domiciliares, 
busca ativa de 
sintomáticos 
respiratórios, TDO 
Assistente 
social 
Apoio para adesão, 
encaminhamentos sociais 
(ex: BPC, moradia) 
Psicólogo/NASF Apoio à saúde mental, 
suporte motivacional 
 
⚠ 5. Casos especiais na APS 
• HIV/TB: iniciar antirretroviral o 
quanto antes (idealmente até 2 
semanas após início do RIPE). 
• Gestantes: não usar estreptomicina e 
evitar pirazinamida se possível. 
• Resistência medicamentosa: 
encaminhar ao nível secundário ou 
referência para esquema específico. 
 
5. Compreender as alteraçoes do equilíbrio 
nutricional enquanto fator predisponente ao 
adoecimento por tuberculose. 
🍽 1. Desnutrição como fator de risco para 
tuberculose 
✅ Como a desnutrição favorece o 
adoecimento por TB: 
• A desnutrição proteico-calórica 
compromete o sistema imunológico, 
especialmente a imunidade celular, 
que é essencial para conter a 
Mycobacterium tuberculosis. 
• Baixos níveis de nutrientes como 
zinco, ferro, vitamina A e D também 
afetam negativamente a resposta 
imune. 
• Pessoas desnutridas têm maior 
chance de reativação da infecção 
latente, evoluindo para a forma ativa 
da TB. 
 
📊 Evidências: 
• Indivíduos com IMC

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