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ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS CAROLINE DO AMARANTE TOLAZZI SUMÁRIO Esta é uma obra coletiva organizada por iniciativa e direção do CENTRO SU- PERIOR DE TECNOLOGIA TECBRASIL LTDA – Faculdades Ftec que, na for- ma do art. 5º, VIII, h, da Lei nº 9.610/98, a publica sob sua marca e detém os direitos de exploração comercial e todos os demais previstos em contrato. É proibida a reprodução parcial ou integral sem autorização expressa e escrita. CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFTEC Rua Gustavo Ramos Sehbe n.º 107. Caxias do Sul/ RS REITOR Claudino José Meneguzzi Júnior PRÓ-REITORA ACADÊMICA Débora Frizzo PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO Altair Ruzzarin DIRETORA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) Rafael Giovanella Desenvolvido pela equipe de Criações para o ensino a distância (CREAD) Coordenadora e Designer Instrucional Sabrina Maciel Diagramação, Ilustração e Alteração de Imagem Igor Zattera, Júlia Oliveira, Thais Munhoz Revisora Luana dos Reis INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PESSOAS ! DESAFIOS E DILEMAS DO ATUAL CONTEXTO DE NEGÓCIOS 5 MUDANÇAS NA GESTÃO DE PESSOAS 8 A GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS 9 PLANEJAMENTO DE RECURSOS HUMANOS 11 CAPITAL HUMANO 15 O PROCESSO CAPTAÇÃO 16 O PROCESSO DESENVOLVIMENTO 23 GESTÃO DO DESEMPENHO 31 MANUTENÇÃO DO CAPITAL HUMANO 38 GESTÃO DA REMUNERAÇÃO! 39 GESTÃO DA CARREIRA 47 GESTÃO DO CLIMA ORGANIZACIONAL 51 PROMOÇÃO DA GESTÃO DE PESSOAS 62 GESTÃO DA QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHO (QVT) 63 PRODUTIVIDADE E QVT 66 GESTÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO 67 SISTEMA BRASILEIRO DE RELAÇÕES DE TRABALHO 69 3ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA II APRESENTAÇÃO Olá! Seja bem-vindo à disciplina de Administração de Recursos Humanos! Que bom ter você nessa linda viagem até o mundo do RH. Um universo cheio de certezas e aprendizagens! Certeza de que é possível (e necessário) ter um lugar de trabalho prazeroso, que agregue desenvolvimento. Aprendizagens, pois a cada dia que nos oportunizamos estar no ambiente labora, trabalho em latim, temos um mundo de coisas novas e prontas para experienciar, transformando-as em competências importantes para o mundo contemporâneo. Conheceremos um pouco dos momentos que a área de RH percorreu até a atualidade, construindo algumas reflexões sobre o que nos espera. Apreciaremos um pouco de cada um dos subsistemas que fazem parte dessa área, dentro das organizações, e o quanto eles auxiliam na construção e na efetivação da estratégia das empresas e organizações. A BENÇÃO E A ALEGRIA DE SER RH! “Existe um país chamado RH. Nele, “mora” um povo muito especial: legisladores, educadores, técnicos, gente que cuida do pessoal. Gente que recruta, seleciona e contrata, também paga, desconta e aposenta. Povo que cuida da saúde, do alimento, providencia o transporte, cuida de quem bebe, de quem fuma, de quem tem problemas e pendências. Povo que treina, desenvolve e recicla, que briga pelo salário e pelo benefício, conversa com o sindicato e com a direção. Fiel da balança entre capital e trabalho, cuida de um pensando em outro. Gente que apesar de tanta função, prática e burocrática, sonha e procura conectar a alma das pessoas, “reinventar” a movimentação, resgatar o brilho no olhar, gente que acredita no ser humano e garimpa talentos. Seu grande defeito é fazer o concreto e sonhar com o abstrato, receber na chegada e desligar na saída, satisfazer o empregado e o patrão, “um olho na missa e o outro no padre”, tempo para educar e tempo para punir. Plural e singular. A sina do RH é atuar na contradição, “ser empregado esquecendo que o é, ser patrão lembrando que não o é”. Polêmicas e contradições à parte, eu sei que para ser RH o que conta é a postura, é preciso vocação, trabalhar como missão, exercer o ofício com sensibilidade e razão. Ter nervos de aço, sem régua e compasso …”. Victoriano Garrido Filho (Diretor de Educação Corporativa da ABRH – BA) Vamos preparar a nossa bagagem e recheá-la de experiências, dúvidas e saberes, para edificarmos conhecimento sobre essa importante área de atuação às pessoas e às empresas!? 4 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PESSOAS Você conhece alguma empresa que não trabalhe com e para pessoas? As pessoas são importantes às organizações! 5ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Tenho um desafio! Você conhece alguma empresa que não trabalhe com pessoas? Seja como cliente interno ou externo? SIM? Por favor, me apresente! Após meus estudos e práticas na área de RH e da educação, nunca conheci uma empresa que não tivesse como seu objetivo principal, a oferta de um produto, serviço e/ou benefício às pessoas, mesmo que indireta- mente, e que, para isso, tivessem pessoas trabalhando para essa oferta acontecer. Se não existem empresas que não tenham pessoas envolvidas, é porque elas são o prin- cipal diferencial competitivo das empresas, sendo necessária a capacitação para que, junto com os valores organizacionais, possam ajudar a estrutura a alcançar a sua visão. DESAFIOS E DILEMAS DO ATUAL CONTEXTO DE NEGÓCIOS Diariamente, encontramos desafios em nossas práticas, quanto profissionais da área de gestão de pessoas. Ajudamos as empresas a entender, visualizar, atrair e capacitar o seu capi- tal intelectual para os desafios atuais, mas especialmente para um mundo totalmente desco- nhecido e imprevisível, o nosso futuro. Você conhece a metáfora da canoagem e do rafting? Vocês já tiveram a oportunidade de praticar esses esportes? São dois esportes exercitados na água, normalmente, realizados em equipe. O que isso tem a ver com nossa disciplina? Observe a canoagem!!! • Todas as equipes competidoras podem fazer uso dos mesmos recursos. • Tem o mesmo número de competidores em cada equipe. • O ambiente é estável, sem grandes turbulências. • Normalmente, a profundidade do ambiente é conhecida, mantendo-se semelhante du- rante todo o trajeto da competição. • No momento da largada, é possível visualizar os limites, pelo menos os laterais e, pro- vavelmente, a linha de chegada. • Os competidores remam no mesmo ritmo e compasso. • É possível treinar e reconhecer todas as possíveis dificuldades que poderão ser encon- tradas no percurso. • Não há obstáculos no percurso. • É possível enxergar onde estão os concorrentes. 6ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Analise uma equipe praticando rafting!!! Algumas características que merecem destaque: • ambiente apresenta momentos instáveis e momentos estáveis; • ormalmente, não é possível prever quais foram as alterações desse ambiente, pois ele pode ter sido modificado pela força d’água; • cada membro da equipe tem um papel diferente (e que pode mudar), ao longo do per- curso; • o rio é abundante; • há muitos obstáculos no percurso – alguns desconhecidos; • requer que se agregue outros conhecimentos e habilidades, como primeiros socorros e natação; • as margens laterais são mais estreitas e não são estáveis, sofrem as curvaturas impostas pela natureza a um rio; • quase nunca é possível enxergar a linha de chegada; • igualmente, os concorrentes nem sempre ficam na linha de visão. 7ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Convido você a pensar comigo sobre as mudanças ocorridas no mundo contemporâneo, especialmente no cenário socioeconômico e nas demandas de competências técnicas e com- portamentais requeridas dos profissionais que estão no mercado de trabalho. Antes, vivíamos uma realidade onde os nossos concorrentes eram os vizinhos do bair- ro, hoje, nossos concorrentes estão em qualquer lugar do mundo. Antes, o cenário futuro era previsível, e trabalhávamos com o planejamento estratégico para 5 anos. Agora, precisamos rever o planejamento a cada 6 meses, pois corremos o risco dele ficar arcaico. As competên- cias necessárias eram de que todos os profissionais trabalhavam na empresa, pois o foco era a produção de um único produto, de uma mesma forma. Atualmente, as competências requeri- das são as mais diversificadas possíveis, pois há uma necessidade de atender aos mais diver- sos perfismotivação e o engajamento dos profissionais. Após a contratação do profissional, é importante que estejamos atentos para a sua per- manência dentro da empresa, para que ela seja produtiva, considerando tanto a carreira do profissional quanto às necessidades da organização, por isso, estudaremos a questão da re- muneração, o reconhecimento que se faz sobre o resultado, bem como as entregas que o pro- fissional faz à organização sobre a carreira que nós precisamos dimensionar. Tanto do ponto de vista da própria organização quanto do ponto de vista do próprio profissional, como fa- remos para delinear essa carreira, desenhá-la e planejá-la? É necessário falarmos sobre a questão do clima organizacional, entendo e reconhecendo a importância da sua ambiência interna, para que o profissional sediado se sinta valorizado, como consequência, sinta von- tade de permanecer trabalhando nessa própria organização. Vamos conhecer um pouquinho mais sobre subsistemas e sobre a importância de cada um para o profissional e para a própria organização? GESTÃO DA REMUNERAÇÃO! Esse assunto é curioso, ele traz grandes desafios à gestão, a remuneração. É necessário que a empresa organize a remuneração de forma que se torne estratégica na atração e na ma- nutenção de talentos, e que os funcionários percebam que ela está estruturada de forma jus- ta, considerando a entrega que se faz e o grau de responsabilidade que o profissional assume diante do negócio. Nessa estruturação, devemos considerar as políticas salariais que o mercado externo tem adotado, pois ela impactará diretamente na competitividade externa, e no desejo de permanência e/ou troca de posto de trabalho, ao analisar a possibilidade de ganhos maiores. O grande dilema, quando falamos em remuneração, é como fazer para que o funcionário entenda que a remuneração está condizente com aquilo que ele entrega ou com a função que ele exerce, ou ainda, como fazer com que as empresas e os gestores reconheçam a necessidade de valorizar e retribuir o desempenho profissional? 40ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Vamos obter informações sobre como a remuneração é composta? Quanto ela pode ser, ao longo prazo, estratégica, ao reconhecer e fidelizar os talentos organizacionais na empresa? REMUNERAÇÃO – COMO ELA É CONSTRUÍDA? Remuneração é tudo aquilo que o empregado recebe como uma consequência do trabalho que desenvolve. Ela é constituída pelo salário nominal (o negociado no contrato de trabalho) mais a soma com outros benefícios, premiações, gratificações habituais e adicional, entre ou- tros. A remuneração representa o total dos ganhos que são obtidos pelo empregado, em função do contrato de trabalho, e pela sua prestação de serviços. Chiavenato (2009) comenta que: Como parceiro da organização, cada funcionário está interessado em investir com tra- balho, dedicação e esforço pessoal com os seus conhecimentos e habilidades desde que receba uma remuneração adequada. As organizações estão interessadas em in- vestir em recompensas para as pessoas, desde que delas possam receber contribuições ao alcance de seus objetivos. Toda a relação de trabalho necessita que ocorra uma troca, um reconhecimento pelo tra- balho prestado. No meio organizacional, essa troca acontece em forma de salário, bem como os demais benefícios que compõem a remuneração. Além desses, é possível dizer que há o salário emocional, que se constitui a partir do reconhecimento, da valorização, da satisfação pessoal na realização do trabalho. Essas recompensas podem ser profissionais ou pessoais, numéricas ou emocionais; objetiva ou subjetiva. A maioria das empresas remunera seus funcionários, com o método mais tradicional, baseada no cargo que o profissional ocupa na organização. O valor da remuneração baseia-se pelo conjunto de tarefas que o funcionário exerce e que está sendo responsável. Uma vez que esse conjunto de atividades é comum a vários empregados, nada mais sensato que remune- rá-los com o mesmo salário. Nesses casos, tem-se como base que o trabalho será bem reali- zado, na medida em que as tarefas estiverem descritas e claras, e se o funcionário possuir as competências necessárias à execução dessas tarefas. Nesse tipo de remuneração, também co- nhecida como remuneração funcional, não há a possibilidade de agregar valores, como forma de reconhecimento ao trabalho realizado além do que estava descrito. A premissa dessa re- muneração está baseada em cargos e sua hierarquização. Vamos estudar sobre a estruturação de uma remuneração baseada em cargos? Como ocorre o passo a passo dessa estruturação? DELINEAMENTO DE CARGOS O primeiro passo é o delineamento do cargo, ou a descrição do cargo. Entendemos cargo como um conjunto de atividades e responsabilidades, que apresentam semelhanças entre si. São tarefas descritas e enumeradas, relacionadas ao cargo, tornando-o distinto dos demais cargos existentes na organização, assim como informações sobre quem é o superior imediato; nível de autonomia que o cargo detém; quais são os outros setores que o cargo se comunica, e quais são os recursos necessários para a execução das tarefas descritas. Outras informações importantes dizem respeito aos conhecimentos, habilidades e demais características neces- sárias para o desempenho adequado das tarefas. 41ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO De acordo com Pontes (2008), a especificação do cargo está dividida em quatro grandes áreas: requisitos mentais: está relacionada aos conhecimentos teóricos ou práticos de que o profissional necessita possuir para desempenhar as funções no cargo ao qual está ocupando, sendo que os requisitos mais comuns estão associados ao grau de instrução, conhecimentos relacionados à função, experiências anteriores e as soft skills; requisitos físicos: relaciona os desgastes físicos do profissional, decorrentes de ten- sões, movimentos, entre outros, onde estão relacionados requisitos de esforço físico e con- centração mental e visual; fatores ambientais: determina o ambiente de trabalho e os riscos relacionados a este, sobre os quais está exposto o profissional, mediante as condições de trabalho e riscos a ele associados; responsabilidades: estabelece os requisitos necessários ao profissional, de modo a evi- tar danos ao processo produtivo, patrimônio e à imagem da empresa. Os principais requisitos dizem respeito às responsabilidades por dados de caráter confidenciais, contatos, patrimô- nio, supervisão, numerários e erros cometidos. Para que seja possível delinear o cargo, acontecem 5 momentos: levantamento e análise de funções: é necessário que se faça um levantamento de to- das as tarefas que são de responsabilidade do cargo. Como o profissional de RH não conhece as especificidades de cada cargo, é imprescindível que busque essas informações em cam- po, através de entrevistas com profissionais que exerçam a função, bem como seus gestores, questionários, testes de verificação e observação local; estruturação de cargos: acontece em dois momentos - cargo amplo, tem uma cobertura, um número maior de funções, para que seja possível abarcar uma diversidade de tarefas, maio- res responsabilidades e desafios. Para especificá-los, de acordo com a área de atuação, descre- vemos também a função. Por exemplo: cargo auxiliar administrativo; função-comercial; titulação de cargo: nomear o cargo e suas atribuições. São os que constam nos registros funcionais e na carteira de trabalho. Pode ser de acordo com CBO (Classificação Brasileira de Ocupações); descrição de cargos: de forma organizada e padronizada. A descrição se refere ao cargo, e não ao profissional que está exercendo. Deve ser uma descrição impessoal, direcionada às necessidades do cargo; especificação de cargo: deixar explícito quais serão os requisitos mínimos que o cargo necessita, para que sejam desempenhadas todas as funções e responsabilidades. 42ADMINISTRAÇÃO DERECURSOS HUMANOS SUMÁRIO AVALIAÇÃO DE CARGOS Essa etapa tem por objetivo colocar os cargos delineados e descritos numa hierarquia, considerando o grau de importância e necessidade que eles têm para o alcance dos objetivos organizacionais e à execução do próprio negócio. Veja bem! Não significa dizer que um cargo é mais ou menos importante que outro, para esse negócio, alguns cargos terão maior ou menor responsabilidades nos processos organizacionais, nas tomadas de decisões e nas definições de estratégias. Para realizar essa hierarquização, é necessário que a empresa tenha claro qual é o seu negócio, seus objetivos e que os descritivos de cargos e funções tenha sido realizado e validado, conforme os insumos estratégicos organizacionais. A empresa e sua equipe de gestores definem os diferentes fatores que farão parte dos cri- térios utilizados para avaliar os cargos. Esses fatores devem ser aqueles que melhor caracte- rizam os cargos, ao mesmo tempo em que os diferenciam entre si e que considerem o negócio da organização e seus objetivos. Ao definir os fatores, é importante considerar os requisitos mentais, as necessidades físicas, os fatores ambientais e as responsabilidades de cada cargo. Por exemplo: a organização define que o grau de escolaridade é um dos critérios de avaliação de cargos. Aos cargos que exigirem uma escolaridade maior, será dada uma pontuação maior. A empresa entende que o requisito experiência é importante. Ela atribui um grau de im- portância para esse ponto. Depois, avalia cada cargo a partir desse requisito e lhe concede os pontos pertinentes a essa avaliação. É de extrema importância que a definição desses critérios e suas pontuações sejam rea- lizados com o máximo de profissionalismo e coerência, considerando as estratégias organi- zacionais, e não as suposições e a subjetividade dos criadores desses critérios. É importante a criação de uma “Comissão de cargos e salários” que atue desde o planejamento desse projeto até a sua conclusão e acompanhamento. PESQUISA SALARIAL A definição da política salarial deve proceder da análise de diversos fatores advindos do ambiente externo e do ambiente interno. Do mercado externo, buscamos as informações sobre o valor médio pago como salário funcional, das imposições legais e até mesmo informações so- bre a cultura de remuneração adotada na região e no tipo de negócio da empresa. Do mercado interno, as informações são sobre a saúde financeira da organização e a capacidade de inves- timentos em folha de pagamento e seus impostos. Essa pesquisa possibilita que a empresa se torne competitiva na atração e retenção de talentos, de forma saudável e sustentável. Para termos acesso a informações mais fidedignas quanto aos salários pagos pelas em- presas do mesmo segmento, concorrentes e/ou entidades parceiras da área de Rh e outras em- presas especialistas, realizamos uma pesquisa salarial com as empresas parceiras. 43ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO ESTRUTURA SALARIAL Chegamos à última etapa do projeto de plano de cargos e salários, com a compilação de todos os dados obtidos nas etapas anteriores e a organização da proposta própria da empresa, considerando sua cultura, estruturas, necessidades e possibilidades, sendo possível fazer a estruturação salarial que será aplicada na empresa. Nessa etapa, busca-se organizar e fazer a projeção e progressão salarial em consonân- cia ao plano de cargos construído pela empresa. Ela é essencial, pois completa a intenção da empresa em apresentar, de forma estruturada, sua preocupação com o reconhecimento ao trabalho realizado por cada cargo, e o equilíbrio na tomada de decisões relacionadas a futuras promoções e progressão de carreira. Outra forma de realizar a remuneração é considerá-la a partir das entregas realizadas pelo profissional e os resultados obtidos, sendo considerada remuneração estratégica. Ela tem o foco na valorização das competências técnicas e comportamentais, e suas aplicações no dia a dia laboral, com foco na construção de resultados à organização, agregando valores a ela, na progressão da sua carreira. É um tipo de remuneração comumente utilizada nas áreas co- merciais, por vezes, para cargos de gestão. A proposta é a ampliação dessa aplicabilidade para todas as demais funções. Nesse formato de remuneração, busca-se uma combinação entre a remuneração fixa e outras possibilidades de premiações e bônus, que agregarão valor à remuneração total, propor- cionando reconhecimento às entregas e motivação para que o profissional possa entregar ainda mais. Como propósito, esse tipo de remuneração visa comprometer cada um dos profissionais que a compõe, para a realização e concretização dos objetivos organizacionais, que estejam alinhados à cultura e planejamento estratégico, alinhando as expectativas organizacionais e pessoais, na busca pelo reconhecimento e desenvolvimento de competências importantes ao negócio e carreira do profissional. Para ilustrar esse entendimento, leia a fábula apresentada! 44ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO A lição do Abacaxi (autor desconhecido) Um funcionário com muitos anos de empresa estava irritado porque um jovem contratado havia pouco tempo foi indicado pelo patrão para uma vaga à qual o antigo empregado pleiteava. Essa vaga implicaria em aumento salarial e responsabilidades equivalentes. Esse funcionário se apresenta ao chefe, mas o patrão não permite que ele comece a expor o motivo de sua entrevista. Ao invés disso, o patrão faz um pedido: – Há um vendedor de abacaxis parado aí do outro lado da rua. Veja quanto está o abacaxi. A contra gosto e até um tanto indignado pelo estranho pedido, o funcionário foi e voltou quase uma hora depois, pois havia aproveitado para fumar, tomar café na padaria da esquina e conversar com conhecidos que passavam. Retornando este, o patrão perguntou: – Qual é o preço unitário do abacaxi pérola? – Não sei se era o pérola, mas o que ele tem lá custa R$3,00. – Ele fornece para a empresa? – Não sei. O chefe pediu que o funcionário mais velho aguardasse e mandou chamar o mais novo. Apre- sentando-se este, o chefe pediu para que realizasse a mesma tarefa: saber o preço do abacaxi. Ele foi e voltou em menos de dez minutos. O patrão fez a mesma pergunta: – Qual é o preço unitário do abacaxi pérola? – São R$3,00. – Ele fornece para a empresa? – Sim. Dei meu cartão e fiquei com o contato dele. – Ele oferece algum desconto? – Para compras acima de 100 unidades ele oferece 20% de desconto para o pérola e 25% para o cayenne. – Em quanto tempo ele entrega? – Até as 08:00 do dia posterior ao pedido. – Há mais alguma coisa que eu precise saber? – Ele também fornece outras frutas e dá descontos conforme a fruta, a quantidade pedida e a disponibilidade. Após essa última resposta, o chefe se dirige ao funcionário mais antigo e pergunta qual era o assunto do qual este queria tratar. O funcionário responde que não era importante e se retira, com o aprendizado desta valiosa lição. 45ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Muitas empresas apresentam resistência e dificuldade na implantação desse tipo de re- muneração, pois não apresentam ferramentas e metodologias para mensurar a real contribuição profissional na construção dos resultados organizacionais. Para minimizar essa dificuldade, é necessário que todos os subsistemas de RH e seus processos estejam plenamente construídos e alinhados com as estratégias organizacionais, e de conhecimento de todos os envolvidos. Para que seja possível a implantação dessa metodologia de remuneração, o primeiro passo é que a organização tenha claro quais são os seus objetivos, isso é, onde a empresa deseja chegar e o que ela espera alcançar. O segundo passo é definir como será feita a mensuração da contribui- ção de cada profissional ao objetivo proposto. É necessário que se crie um conjunto de indicadores que seja práticoe claro, norteadores no entendimento da contribuição de cada um nesse proces- so. Ao analisarmos os indicadores, é fundamental que a empresa tenha presente a importância do estabelecimento de uma comunicação clara e frequente, com o momento de feedback entre os envolvidos com o alinhamento das expectativas de cada um sobre o esperado. Ao estruturarmos esse tipo de plano de remuneração, planeje como serão feitos esses pa- gamentos - por qual formato, valores envolvidos e a periodicidade. Algo muito importante de se destacar nesse momento é que, embora esse processo venha ao encontro de muitas das neces- sidades da organização, no que diz respeito aos critérios de flexibilização, é necessário que te- nhamos clareza sobre quais são os aspectos da legislação trabalhista que impactam nesse tipo de remuneração. BENEFÍCIOS Dentre os pontos que compõem a remuneração total, tanto no formato tradicional, quanto no estratégico, temos os benefícios que a organização oferece ao quadro funcional. São estruturados a partir da observação das necessidades e interesses dos empregados, das determinações das legislações vigentes e do interesse da própria organização. Além de aten- der essas demandas, funcionam como um mecanismo de atração e retenção de talentos, uma forma de promover a qualidade de vida do trabalhador. Conforme Chiavenato (2009): benefícios são certas regalias ou vantagens concedidas pelas organizações, a título de pagamento adicional dos salários à totalidade ou à parte de seus funcionários. Cons- tituem, geralmente, um pacote de benefícios e serviços que faz parte integrante da remuneração do pessoal. Os benefícios e serviços sociais incluem uma variedade de facilidades e vantagens oferecidas pela organização, como assistência médico-hospi- talar, seguro de vida, alimentação subsidiada, transporte, pagamento de tempo não trabalhado, planos de pensão ou aposentaria, etc. 46ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Pode-se entender que esses benefícios compõem a remuneração total paga aos funcio- nários da organização, podendo ser considerados como remuneração indireta. Existem di- versos tipos de benefícios possíveis de serem concedidos; a literatura nos apresenta os tipos e suas subdivisões: quanto à exigibilidade legal, quanto à natureza e quanto a seus objetivos. a. Quanto à exigibilidade legal – nessa subdivisão, classificamos os benefícios que são obrigatórios, regidos pela legislação e acordos entre as categorias, e os objetivos es- pontâneos, que como o próprio nome revela, são aqueles benefícios que a organização entende ser importantes de fornecer, além do que lhe é imposto. Os benefícios designados legais são divididos naqueles que são pagos pela empresa e aqueles que são pagos pelo órgão previdenciário. São eles: II. férias; III. 13º (décimo terceiro salário); IV. aposentadoria; V. seguro de acidentes de trabalho; VI. auxílio-doença; VII. salário família; VIII. salário maternidade. Os benefícios espontâneos, segundo Chiavenato (2009), são concedidos por interesse da empresa, já que não são exigidos por lei, nem por negociação coletiva. São exemplos desses benefícios: I. gratificações; II. refeições subsidiadas; III. transporte subsidiado; IV. seguro de vida em grupo; V. empréstimo aos funcionários; 47ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO b. Quanto à natureza – alguns benefícios são concedidos em valores monetários, como o auxílio alimentação, o auxílio educação e premiações. Outros são concedidos de forma não monetária, como o fornecimento de uniformes e dia de folga na data do aniversário do funcionário. c. Quanto a seus objetivos – entra a classificação dos benefícios como benefícios assis- tenciais, benefícios recreativos e os benefícios supletivos. Os benefícios assistenciais visam prover o funcionários e seus familiares, de certas con- dições de segurança e previdência, em casos de imprevistos ou emergência, como por exem- plo, assistência médica, odontológica, financeira, serviço social, complementação da apo- sentadoria, seguro de vida em grupo, auxílio creche para os filhos, etc. Os benefícios recreativos visam proporcionar condições físicas e psicológicas de repou- so, diversão, recreação, higiene mental e lazer: clube, áreas de lazer na empresa, música am- biente, atividades esportivas e comunitárias, passeios e excursões, etc. Os benefícios suple- tivos proporcionam facilidades, conveniências e utilidades para melhor qualidade de vida, como por exemplo, transporte fretado, restaurante na empresa, estacionamento, horário móvel, convênio com supermercados, agência bancária, etc. Ao finalizar esse tópico, é oportuno refletirmos sobre a legalidade da remuneração, es- pecialmente sobre o quanto ela pode ser estratégica para o negócio e à Gestão de pessoas, con- siderando a atração e a permanência dos profissionais, ligados aos desafios organizacionais. GESTÃO DA CARREIRA Dizemos que a carreira profissional é um conceito ou um projeto que está sempre em cons- trução. Se entendêssemos que o ser humano está num processo contínuo de desenvolvimento. Se entendêssemos que as empresas estão num processo contínuo de atualização, entendería- mos que a relação estabelecida entre o profissional e as oportunidades de trabalho estarão em constante mudança, em constante evolução. É considerada uma sequência de posições ocu- padas e experiências apresentadas ao longo da vida do sujeito, envolvendo vários momentos e passagens, vinculados às necessidades momentâneas, percepções, motivos e aspirações de cada, entreposta às expectativas e imposições dos locais de trabalho e da própria sociedade. Ela pode ser vista como uma sucessão de promoções e experiências trazidas pelo profis- sional, que possibilitaram a movimentação no formato vertical, assumindo cargos de maior responsabilidade a cada promoção. Pode ser compreendida como a profissão escolhida pelo profissional, como por exemplo, fazer carreira como piloto de avião, como administrador de empresas ou como professor. Como uma sequência de trabalhos, na trajetória profissional, que considera todas as experiências tidas, independente das posições ocupadas, no nível do tipo de trabalho realizado. A carreira profissional é projetada sobre dois pontos de vista: um relacionado à forma como a organização prepara o percurso do profissional dentro das suas oportunidades, outro relacionado ao ponto de vista do próprio profissional. Nesse tópico, aprendemos e refletimos um pouquinho mais sobre esses entendimentos e como ela acontece em seu dia a dia. 48ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO CARREIRA PROFISSIONAL SOB PONTO DE VISTA DA ORGANIZAÇÃO Por muito tempo, o planejamento da carreira e a sua efetivação ficaram sob responsabi- lidade da própria organização. Ao entrar em uma empresa, o profissional dava a ela “quase o direito sobre o seu futuro no mundo do trabalho.” Era comum as pessoas permanecerem em seus locais de trabalhos por longos tempos, aguardando que a empresa lhe oportunizasse os momentos de crescimento profissional e novos desafios. Tradicionalmente, as empresas conduziam a carreira de seus empregados sem que com- partilhassem essas perspectivas. Ela acontecia com base nas oportunidades emergentes e na perspectiva dos gestores sobre as potencialidades de seus liderados. Habitualmente, essa pro- moção ocorria no formato vertical. Nesse desenvolvimento de carreira organizacional, preconiza-se que ela pode ocorrer em formatos diferentes: em linha: as posições ocupadas pelo profissional correm uma única direção, sem a opor- tunidade de ter experiências em outras áreas de atuação. O profissional inicia a sua trajetória dentro da área de marketing, sendo contratado a nível de estágio nesse setor, e, à medida que for adquirindo maiores conhecimentos e experiências, ele será promovido para cargos de au- xiliar, assistente, analista, até que assuma um cargode coordenação e gestão; 49ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO em rede: ao profissional, serão oferecidas múltiplas experiências em áreas e desafios diferentes, dentro da organização. O profissional pode assumir funções em projetos diferen- tes, com demandas diferentes, ora relacionados à área de marketing, ora à área de gestão de pessoas. Outras vezes, será oportunizado o desenvolvimento de novas competências, ao participar de projetos na área financeira e comercial. Esse tipo de carreira oportuniza maior desenvolvimento de competências generalistas, não necessariamente criando um ambiente de aprofundamento de conhecimentos, em determinadas áreas, em específico. Para esse for- mato de desenvolvimento de carreira, é necessário que se tenha a preocupação com as ques- tões trabalhistas e legais, ampliando as atribuições dadas ao cargo, no qual o profissional está sendo contratado pela organização; paralelas: é possibilitado, ao profissional, que percorra diferentes experiências na sua formação. Ele pode crescer profissionalmente, assumindo novos desafios, voltado às áreas técnicas, ou seguir para experiências na área de gestão. Pode ocorrer que, até determinado ponto, essa carreira ocorra numa única vértice, logo, em determinado ponto do caminho, será necessário o direcionamento maior às experiências profissionais, na área técnica; ou às ex- periências profissionais, na área de gestão. 50ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO CARREIRA PROFISSIONAL SOB PONTO DE VISTA DO PROFISSIONAL Nessa perspectiva, será dado ao profissional a plena responsabilidade pelo direciona- mento e pela construção da sua carreira. No mundo de trabalho atual, esse projeto de carreira individual está cada vez mais presente, uma vez que o profissional quer se responsabilizar por suas escolhas e pelo planejamento dos resultados alcançados. Ao fazer um planejamento de carreira, o profissional define qual será o objetivo que ele tem para si, e onde ele quer chegar. Ter claro qual é a direção que deseja seguir, qual é o pon- to onde gostaria de chegar, faz com que cada passo dado pelo profissional seja um passo que o aproxime desse objetivo planejado. Quando esse objetivo individual está alinhado com os objetivos da organização, as duas carreiras acontecem de forma sobrepostas, tanto a carreira planejada pelo profissional, quanto a carreira preparada pela própria organização. Não basta a empresa criar oportunidades de desenvolvimento, antes, é necessário que o próprio sujeito tenha em mente o que deseja para a sua vida profissional. Além desse planejamento, o profissional que se responsabiliza por sua carreira, entende que o desenvolvimento de competências – conhecimentos e habilidades está sobre sua deter- minação, aproveitando todas as oportunidades dadas pela organização, sem se limitar a ela. Busca, por conta própria, outras formas e recursos para o seu desenvolvimento, garantindo, como consequência, a sua trabalhabilidade, e não apenas a sua empregabilidade. A empregabilidade pode ser um conjunto de conhecimentos técnicos e comportamentos que são esperados pelo mercado de trabalho. O profissional desenvolve essas competências como forma de atender o que o mercado necessita, garantindo um emprego. Trabalhabilidade é o ato de desenvolver o potencial para gerar trabalho e conseguir renda, sem necessariamente se adequar a algum cargo numa empresa. Os profissionais, que focam na trabalhabilidade, desenvolvem as competências que o mercado necessita, mas têm o foco maior na garantia de que terá trabalho, e não necessariamente emprego. Para a trabalhabilidade, além das competências básicas, é necessário que o profissional esteja atento ao desenvolvimento das soft skeels como empreendedorismo, criatividade, resiliência, capacidade de solucionar problemas rapidamente e de pensamento crítico. 51ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Para garantir a trabalhabilidade, é importante que o profissional construa o seu Plano de Desenvolvimento Pessoal (PDP), o planejamento que cada profissional faz a partir da análise das suas competências individuais e das necessidades de mercado, alinhando ao que o próprio profissional tem como objetivo de alcance de sua carreira. Esse plano passa por um processo importante e intenso de autoconhecimento e de reflexão sobre suas próprias competências. É necessário que todo o profissional passe por esse momento antes de iniciar o seu planeja- mento de desenvolvimento. É importante que saibamos quem somos, quais recursos temos e com quais estratégias podemos contar para identificarmos e planejarmos quais competên- cias precisamos desenvolver, e quais delas são interessantes que sejam reforçadas. Além de identificarmos as competências, nesse processo de autoconhecimento e autoanálise, identi- ficaremos quais são os nossos desejos pessoais e profissionais, analisando o que construímos até o momento, e o que carregamos em nossa “bagagem de vida”. Não queremos colocar um caminho como o único para esse planejamento, mas com certeza, nos dará dicas importantes para isso. Após essa análise profunda e verdadeira, voltamos nossos olhos para o mercado de tra- balho. Fazer uma análise do cenário contemporâneo de negócios, levando em conta todas as mudanças que esse mundo VUCA tem nos impulsionado a realizar. Quais competências serão necessárias para atender as demandas atuais e futuras? Talvez, esse seja o momento mais estratégico: fazer um estudo do mercado, identificando quais caminhos o mundo do trabalho percorrerá, e quais serão as competências indispensáveis. O terceiro momento é fazer o mapeamento das competências individuais. Quais já estão desenvolvidas? Quais precisam desenvolver? Como foi o meu percurso de desenvolvimento dessas competências até o momento? Como devo me preparar para o futuro? Com essas análises do mundo externo (mundo do trabalho) e mundo interno (compe- tências pessoais), será possível tomar decisões em curto e longo prazos, verificando quais são as decisões a serem tomadas e o planejamento dos passos futuros. GESTÃO DO CLIMA ORGANIZACIONAL Fazer a gestão do clima organizacional é tão importante quanto preocupar-se com a gestão de todos os demais subsistemas de RH, assim como todos os outros processos orga- nizacionais, pois é o clima organizacional que reflete a percepção que a força de trabalho tem de tudo isso. O gestor precisa ter a sensibilidade de reconhecer qual será a percepção e o sen- timento das pessoas sobre fatos e processos relacionados à empresa. Um ponto extremamente importante, para o sucesso organizacional, é ter pessoas mo- tivadas ao trabalho, que se identifiquem com os objetivos organizacionais e queiram fazer de- les os seus objetivos profissionais, contribuindo para que o clima seja agradável e motivador à busca da excelência e da produtividade. As percepções dos profissionais dentro da e sobre a organização estão sendo consideradas a cada dia, isso significa que o entendimento sobre o 52ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO clima organizacional está ganhando forças, pois através dele fica perceptível os sentimentos em relação ao trabalho realizado e à empresa, subsidiando a organização com informações importantes sobre suas práticas de gestão. Ele surgiu do estudo sobre qualidade de vida no trabalho, onde se percebeu que algo desconhecido, influenciava diretamente no bem-estar dos funcionários e no querer desempenhar a sua função com eficiência. Ele influência e é influenciado pela cultura organizacional. São conceitos diferentes que se complementam. O clima, em uma organização, é um dos aspectos mais importantes quando falamos em qualidade de vida no ambiente de trabalho, vinculado à satisfação das pessoas, ao grau de motivação delas, à comunicação interna, à participação e colaboração entre funcioná- rios, e as emoções e sentimentos que desenvolvem. “Quanto maior o ajustamentodas neces- sidades e valores das pessoas com os da empresa, tanto maior tende a ser a motivação e, em consequência, tanto melhor o clima organizacional.” (LACOMBE, 2005). Refere-se sobre as percepções que os profissionais têm com relação à empresa e o am- biente de trabalho. Se o clima organizacional for positivo, as pessoas se tornam proativas, se relacionam melhor com superiores e colegas, se comunicam bem, geram uma boa relação no ambiente de trabalho e satisfazem suas necessidades, porém, se o clima não estiver em harmo- nia, as pessoas desenvolvem sentimentos de revolta e frustração, que podem aumentar a rota- tividade, o absentismo e os conflitos. Robbins (2010) coloca que: O clima organizacional refere-se as percepções comuns que os funcionários de uma organização tem como relação à empresa e ao ambiente de trabalho. Esse aspecto da cultura é semelhante ao espírito de equipe no nível organizacional. O clima é a qualidade do ambiente organizacional relacionado à satisfação das pessoas, percebido pelos membros da organização, influenciando no comportamento delas. Repre- senta percepções individuais referentes a valores partilhados na empresa, que influenciam na tomada de decisões. O clima organizacional possui algumas variáveis que servem como norte, para entendermos quais são os aspectos relevantes que podem gerar a satisfação, ou não, das pessoas. Vários autores descrevem esses aspectos, destacamos os indicadores compilados por Filho (2008): recompensas e benefícios: sinaliza sobre a percepção que o profissional tem em relação às recompensas e benefícios recebidos pelo trabalho realizado. É importante que o profissio- nal perceba que essas recompensas são dadas de forma justa e equitativa. Que ele entenda que a empresa está valorizando a sua entrega e, em contrapartida, recompensando por isso. Essa recompensa envolve a questão da remuneração dos benefícios das premiações, mas também envolve a questão do reconhecimento da valorização e da promoção do desenvolvimento de novas competências; relações interpessoais: como estão as relações interpessoais entre os membros das equipes e entre seus líderes? Como está o clima no ambiente de trabalho, especialmente rela- 53ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO cionado à cooperação entre os membros, à confiança estabelecida nas relações tanto pessoais quanto profissionais, na harmonia e na gestão dos conflitos existentes entre os membros e, especialmente, na confiança que cada um dos profissionais que compõem a equipe sente ao trabalhar nessa organização? Autonomia: ao ser contratado, cada profissional deve saber quais são as expectativas que a gestão, que a empresa e os próprios colegas de trabalho têm sobre sua função. O que é esperado que ele desenvolva? Quando a organização tem clareza sobre esses aspectos, pro- picia que o profissional possa desempenhar a sua função com maior autonomia. Nesse mo- mento, vale dizer que esse aspecto não tem relação com o maior ou menor grau de autonomia da função, mas está relacionado sobre a percepção que o funcionário tem da confiança que a empresa, os gestores e seus pares colocam sobre o seu desempenho. Se lhe é concedido o po- der da tomada de decisão, que seja também facultado a ele as responsabilidades sobre elas. A autonomia refere-se em saber quais são as decisões que podem ser tomadas, aceitando-as sem que seja necessário pedir autorização para isso, a todo o momento; estrutura e organização do trabalho: essa dimensão refere-se a quanto o profissional se sente confortável e confiável na realização do seu trabalho, pois tem claro quais são os pa- drões e procedimentos utilizados pela organização e aqueles que são esperados da sua função. Nesse caso, refere-se: quanto a descrição das suas atividades está clara? Quais são as relações estabelecidas? Qual é o grau de autonomia? Qual é o fluxo de comunicação? Como são os pro- cessos de solicitação de emissão de entrada e saída? Liderança: não há como falarmos sobre clima organizacional sem pensarmos sobre o papel da liderança. Ela direcionará o trabalho de cada um dos profissionais da equipe, e possi- bilitará que aconteçam as relações interpessoais. Ao identificarmos algo que possa vir a pre- judicar as relações, é papel da liderança servir como suporte na resolução desse conflito. O estilo de liderança adotado, a forma como o líder se relaciona com cada um dos membros da equipe, o quanto ele acredita e defende as regras e as normas da organização, o quanto ele está alinhado aos valores da organização e funciona como um espelho deles para a sua equipe, são alguns dos exemplos que nos deixam claro como é grande a influência do líder na percepção que os funcionários têm sobre o clima na organização; condição do trabalho: trabalhar em um espaço que proporcione o mínimo de conforto, o mínimo de segurança é o que todos os profissionais esperam. Quando você pensa que fica- rá boa parte do seu dia no seu local de trabalho; você espera que ele possa ser minimamente adequado para o desempenho da sua função. Proporcionar um local de trabalho que cuida das questões de ergonomia; que oferece os recursos necessários para o desempenho da função; que observa as questões de insalubridade do ambiente, faz com que o profissional sinta prazer no trabalho que realiza, e no local onde está; conformismo : reconhecer sobre o quanto as regras e as normas institucionais, explíci- tas ou implícitas, podem se tornar um obstáculo às práticas, para o crescimento profissional e, especialmente, para entender sobre a cultura da organização. Ao mesmo tempo que a exis- tência das normas é importante para direcionar o trabalho, proporcionando que os funcio- 54ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO nários se sintam mais confortáveis e confiantes nas suas práticas, elas podem engessar esses mesmos funcionários, colocando-os numa postura de afastamento, conformismo e tédio; padrão desempenho: o padrão de desempenho cobrado pela empresa, além de estar co- erente com as práticas organizacionais, de estarem claros e de conhecimento dos envolvidos, devem ser condizentes com aquilo que a pessoa consegue entregar e para o que foi contratado; imagem institucional: um dos fatores que mais causa orgulho no desempenho das ati- vidades laborais, é quando o profissional percebe que a empresa representa valores que são importantes e significativos para ele. Quando se percebe que trabalha em uma empresa que se envolve com ações de responsabilidade socioambiental, que é uma empresa que respeita os seus funcionários, que cuida da sua marca, faz com que se tenha facilidade e prazer em indicar profissionais para ocuparem outras funções e carregar no peito a marca da empresa. Isso faz com que, muito além de vestir a camisa, o funcionário seja capaz de suar a camiseta para que todos possam alcançar os objetivos; desenvolvimento profissional: nessa dimensão, consideram-se todas as oportunidades percebidas pelo funcionário, de desenvolvimento de novas competências e de possibilidades de assumir desafios interessantes e importantes. Quais são os programas de treinamento e desenvolvimento que a empresa tem organizado? Tem educação corporativa? Possibilita troca entre as áreas e os profissionais? Existem desafios que os convidam a sair da zona de conforto? Quando encontramos essa realidade, é grande a possibilidade de trabalharmos de forma em que o clima organizacional fique satisfatório e promova a saúde e o bem-estar. Quando o clima organizacional é satisfatório, temos resultados significativos nos indicadores, como absenteísmo, queda na produtividade, aumento nas reclamações trabalhistas, especialmente em questões pertinentes às relações, interpessoais, aumento no retrabalho e na rotatividade. Pesquisa de Clima Após falarmos sobre todas essas dimensões que influenciam diretamente no clima organiza- cional, refletiremos sobre como mensurá-los.Se o clima é a percepção que os funcionários têm das práticas, processos e formas de relacionamentos, muito está no subjetivo, difícil de ser avaliado, se não for através de um instrumento. Nesse contexto, surge a pesquisa de clima organizacional. Qual é o objetivo da pesquisa de clima? Identificar as percepções dos profissionais que traba- lham na organização, através de suas práticas de gestão, bem como as relações estabelecidas entre o profissional, a empresa e as pessoas. É importante que a ferramenta que você utilizar consiga obter exatamente o que é necessário, logo, o que é pertinente à organização. A pesquisa de clima deve ser estruturada para buscar as informações que auxiliarão a empresa a verificar como está o momento atual, planejando ações futuras. Muitas pessoas utilizam instrumentos existentes para aplicar na sua empresa, após, surpre- endem-se com o resultado, por vezes, não tão positivos em relação à participação, ou em algumas das variáveis abordadas. As pessoas não compreendem aquela pesquisa como algo que poderá aju- dar a melhorar aspectos organizacionais e, mesmo que inconscientes, acabam não se comprome- tendo com o resultado. 55ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO É importantíssimo que a empresa conheça o que pensam e como estão se sentindo seus funcionários àquelas variáveis organizacionais! Ao entendermos os nossos funcionários, como pessoas, reconheceremos que poderão ocorrer outros fatores externos, que poderão afetar a motivação profissional e, por consequência, o clima organizacional. Esses fatores estão relacionados a questões que vão além das paredes organiza- cionais, que estabelecem relação com o meio social e familiar em que as pessoas estão inseridas. Se a pessoa não está feliz, ou está com algum problema particular, provavelmente, afetará no seu labor, por isso que o clima organizacional tem relação direta com a qualidade de vida no trabalho. A pesquisa de clima é um instrumento muito utilizado para entender o clima em vários fa- tores, dentre eles, tem um custo baixo; as pessoas sentem-se diretamente participantes e ouvidas (mesmo que se conserve o anonimato na resposta); pode ser respondida em horários diferentes, durante o expediente, sem a necessidade de um espaço físico específico à aplicação. Não existe um modelo padrão, você deve estruturar a pesquisa para que traga as informações que serão necessá- rias à verificação mais fidedigna da realidade, outras, à tomada de decisão às ações futuras. Atenção! Antes da escolha do instrumento, é necessário cumprir-se outras etapas! Ao decidirmos pela aplicação da pesquisa, é necessário que todos os funcionários en- tendam e apoiem a ideia. O apoio deve partir especialmente da gestão, principalmente da alta direção. Reflita - aplicamos a pesquisa, abordamos o levantamento dos dados, e construímos um plano de ação para trabalhar o que identificamos! A direção não aprova nenhum item do plano de ação. Que sentido terá a pesquisa? Quanto as pessoas entenderão ser importante participar novamente? Se não tivermos um plano de ação e propostas aprovadas e implanta- das, a pesquisa de clima cairá no descrédito. A direção deve ser a principal apoiadora dessa aplicação. Além disso, deve realizar um acompanhamento de cada etapa, que trará maior credibilidade organizacional para o instru- mento, bem como todo o processo. Com a aprovação da direção, precisamos planejar a pesqui- sa. Quais serão seus objetivos? Quem serão os profissionais que estarão à frente do processo? Como será o instrumento utilizado? Qual a periodicidade de aplicação? Quanto tempo durará o processo de aplicação – desde o seu planejamento até a apresentação do plano de ação? As variáveis devem ser definidas no planejamento, pois são pertinentes à organização e pesquisa. Após a escolha das variáveis, partiremos à estruturação e validação do instrumento da pesquisa. Essa construção pode ser realizada pelo pessoal interno, ou também com o apoio de uma consultoria externa. A vantagem da inclusão de uma consultoria trará a expertise da construção e apresentação das questões, sobre quais pontos abordar (que poderão ficar obs- curos somente com o olhar interno), bem como um olhar mais criterioso e menos viciado so- bre os dados coletados. Sobre as questões da pesquisa, é importante escolhermos as variáveis que serão pesquisadas, e como serão abordadas, quais perguntas/questões serão feitas e como elas serão apresentadas, obtendo a resposta que mais se aproxima da realidade. Por exemplo: a variável é liderança. 56ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Questão Concordo Plenamente Concordo Discordo Discordo Plenamente Não se aplica Seu gestor é um bom gestor A pergunta é muito abrangente e não consegue verificar em quais aspectos da gestão o funcionário considera seu líder eficaz. A resposta será muito subjetiva, pois não apresenta dados que apontem o que é ser bom. Para minimizar essas dificuldades, oferecendo respostas mais próximas à realidade, para a mesma variável, devemos construir as questões com base nas informações que a empresa entende como sendo características importantes para o ges- tor: relacionamento, comunicação, metas, etc. Vamos observar a abordagem dessa variável? Questão Concordo Plenamente Concordo Discordo Discordo Plenamente Não se aplica Seu gestor orienta quanto à execução das suas tarefas Seu gestor compartilha com você sobre as metas do setor? Você recebe feedback do seu gestor com frequência? Os feedbacks que seu gestor lhe fornece, ajudam no seu crescimento profissional Ao dar o feedback, seu gestor tem o foco nas ações/ que podem ser melhorados Seu gestor resolve os conflitos do setor, assim que percebido e/ ou solicitado Seu gestor resolve os conflitos do setor, assim que percebido e/ ou solicitado 57ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Outras questões poderão ser abordadas, acarretando em respostas mais próximas e de- talhadas sobre os aspectos pesquisados. Lembre-se! São apenas algumas formas para abordar a mesma variável! A construção e apresentação das questões dependerão dos aspectos que são importantes à empresa. As questões poderão ser apresentadas em dois momentos, de formas diferentes, sendo possível observar a coerência nas respostas originadas. No caso da gestão do conflito, poderia ser abordada em duas variáveis: liderança e equipe. Liderança Questão Concordo Plenamente Concordo Discordo Discordo Plenamente Não se aplica Seu gestor resolve os conflitos do setor, assim que percebido e/ ou solicitado Questão Concordo Plenamente Concordo Discordo Discordo Plenamente Não se aplica Quando ocorre conflitos na equipe, o gestor intervém? Equipe: Chegamos a um outro ponto importante para o resultado da pesquisa: as opções de res- postas. Devemos sempre fugir de perguntas e respostas monossílabas, “SIM ou NÃO”. Elas induzem a uma polarização das respostas, e não permitem um meio termo (sempre há). Por exemplo, na variável imagem da empresa: Questão SIM NÃO Você se identifica com a marca que a empresa emprega na sociedade 58ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Se o entrevistado responder sim, não quer dizer que ele concorde plenamente, que “mor- re de amores” pelo lugar que trabalha, sem perceber aspectos que podem ser melhorados. Se responder que não, também não é um indicativo que esteja prestes a pedir demissão, e que nada na empresa é legal. As respostas não abarcaram outras opções, ele precisava se posicio- nar. Ao apresentarmos mais opções, ele poderá relativizar sua resposta, respondendo o que mais se aproxima da sua percepção. De 1 a 5, sendo 1 muito e 6 nada, responda as questões abaixo: Questão 1 2 3 4 5 6 Você se identifica com a marca que a empresa emprega na sociedade Uma observação importante é sobre o cuidado que devemos ter com a utilização de es- cala de respostas ímpares(3, 5, 7). Há uma tendência dos respondentes ficarem em cima do muro, optando pela coluna do meio. No caso do exemplo, se as opções de respostas fossem de 1 a 5, haveria uma tendência a respostas na coluna do meio, sem um comprometimento maior com o que há de positivo e/ou negativo. Se a opção da organização fosse manter a escala de respostas em números ímpares, e a maioria das respostas ocupasse a coluna do meio, poderia ser um indicador de como está o clima. É preciso estar atento! Após a escolha do modelo de instrumento, é a hora de verificarmos qual será a melhor forma de apresentá-lo. Impresso: todas as questões serão entregues através de materiais impressos, e a res- posta será preenchida no próprio instrumento, ou em uma folha de respostas. On-line: utilizam-se ferramentas como o Excel, por exemplo, ou outros sites que ofere- çam a possibilidade de construção do questionário, sem custo à empresa, onde o funcionário deverá se cadastrar. O mais conhecido e difundido é o Google formulário, mas existem muitos outros recursos possíveis. A escolha de qual recurso utilizar, dependerá do público que participará da pesquisa. Se temos muitos funcionários que não têm acesso diário à internet, e/ou não utilizam o compu- tador, a pesquisa deverá ser entregue de forma impressa, atingindo maior público. Ao contrá- rio, se a grande maioria tem acesso a tecnologias de informação e comunicação, os questio- nários on-line são uma boa opção, pois evitarão o trabalho da tabulação dos dados levantados pela pesquisa, bem como a construção de gráficos – muitos instrumentos on-line já realizam esse trabalho. Uma das formas de verificar, se o que foi planejado e executado está mais próximo do necessário, é através da realização da validação do instrumento, aplicando o questionário em um grupo de funcionários, logo, será possível identificar se as variáveis abordadas estão de acordo com a realidade; se a construção e apresentação das questões possibilitarão um resul- 59ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO tado mais fidedigno, e quais dúvidas poderão surgir na aplicação do questionário. Após essa validação, e a realização dos ajustes necessários, iniciaremos a aplicação propriamente dita. O primeiro ato é a divulgação da pesquisa, anunciando os objetivos da empresa com essa análi- se; as etapas e métodos de aplicação, e como serão divulgados os resultados, ajudando a criar um clima propício à participação de todos, de forma mais tranquila e verdadeira. Orienta-se destinar um tempo, no próprio local de trabalho, para que a pesquisa seja respondida, podendo ser no próprio posto de trabalho, desde que o funcionário sinta que suas respostas serão preservadas e que tenha disponibilidade de tempo para isso. Não é aconselhá- vel permitir que o funcionário responda o questionário em casa, pois é uma atividade laboral e merece o respeito. Destinar um horário, dentro do turno de trabalho, demostrará o quanto a organização está comprometida; levando para casa, o funcionário poderá esquecer de trazer, de responder, esquecer onde deixou a folha de respostas, afetando o prazo e a qualidade da entrega, ou sofrer influências do próprio ambiente, com a inferência de terceiros. Após a aplicação do questionário, é necessário tabular e fazer a análise dos dados cole- tados; verificar o percentual de funcionários que participaram da pesquisa; como está a per- cepção do grupo sobre cada variável; analisar a interferência do resultado de cada variável no clima organizacional; identificar pontos que estão sendo considerados como positivos e aque- les que necessitam de um olhar mais cuidadoso e apontam necessidades de melhorias. Esses estudos serão compilados e apresentados, em forma de relatórios compostos pelos gráficos e análises realizadas pela equipe responsável de aplicação da pesquisa. Esse relatório pode ser apresentado com todos os dados compilados em gráficos gerais (de todos os setores), divi- didos por áreas/turnos/equipes/unidades. É possível ter a percepção geral e detalhada, rea- lizando uma análise mais específica das necessidades de melhorias específicas, trabalhando diretamente neles. É importante que o resultado da pesquisa seja apresentado para todos os participantes. Claro que a empresa pode escolher (novamente, depende da cultura) como serão apresen- tados esses dados, e quais serão os canais utilizados. Eles devem ser reais, nunca devem ser alterados, em favor de uma ou outra situação. Ao apresentar os dados obtidos na pesquisa, positivos ou não, aumentará a credibilidade na pesquisa, favorecendo a participação de todos, em momentos futuros, já que os participantes se observarão no que está sendo apresentado. É indispensável que seja divulgado um plano de ação, que contenham práticas que melho- rem/solucionem os aspectos negativos apontados pela pesquisa, valorizando os positivos. No plano de ação, é importante observar as seguintes informações - O que será feito? Quem é o responsável? Qual será o prazo para a sua realização? 60ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SÍNTESE SUMÁRIO REFLITA! Após a contratação de profissionais habilitados, do desenvolvimento de competências estratégicas à organização, e da avaliação do desem- penho e resultados, a empresa necessitará que os profissionais permaneçam e sustentem o negócio. Um exemplo, o uso de uma remuneração estratégica, em conjunto com o planejamento e a oportunidade de carreira profissional. Essas ações, após alinhadas, possibilitarão um clima or- ganizacional saudável, onde as relações entre o profissional e a organização sejam duradouras e produtivas enquanto estiverem acontecendo. Ao gestor, cabe estar atento a esses fatores, garantindo uma de suas principais tarefas, fazer com que a gestão de pessoas aconteça da me- lhor forma. 61ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS EXERCÍCIOS SUMÁRIO 1. Faça uma análise do seu local de trabalho, propondo uma avaliação do clima organizacional: 2. Reflita e esboce um instrumento de pesquisa de clima. Se você tiver a possibilidade, converse com o gestor sobre qual aplicar. 62 PROMOÇÃO DA GESTÃO DE PESSOAS 1 Quando se tem estratégias organizacionais alinhadas com as necessidades individuais, é possível dizer que acontece a promoção e a gestão de e das pessoas. 1 Texto extraído do e-book da disciplina Administração de RH. Não pode ser uti- lizado para outros fins, se não os propostos por esta disciplina, no formato EaD. 63ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO A gestão organizacional vai muito além de fazer a gestão dos recursos tec- nológicos, financeiros e estruturais, pois, fazer a gestão das pessoas é condição indispensável para o sucesso organizacional. Quando a empresa volta seu olhar para o capital intelectual, o alcance de seus objetivos estratégicos torna-se mui- to mais real e próximo. Por este motivo, é tão importante conhecer e reflitir sobre os tópicos a se- guir, e ter como prática a observação deles no dia a dia, como funcionário, como profissional, como gestor ou, ainda, como empreendedor. Vamos lá? GESTÃO DA QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHO (QVT) Quantas vezes ouvimos e tentamos entender o que faz parte da vida pessoal e o que é considerado da vida profissional. Muita vezes ouvimos frases, como “O que é da vida pessoal, tem que deixar lá fora, não trazer para dentro da empresa” Confesso a você que, por muitos anos, tentei fazer esta divisão e, por hora, até pensava que realmente seria o melhor a ser feito, inclusive para mim. Pense só, que legal seria se pudessemos chegar no trabalho e não ter mais enxaqueca? Contas de luz e aluguel para pagar? Filho com febre? Pais precisando da nossa atenção, problemas com os vizinhos...SIM! Seria muito mais fácil se conseguís- semos, de fato, separar o que acontece nas nossas relações pessoais com o que acontece nas nossas relações profissionais. Olha só... tenho algo para contar: SOMOS UMA ÚNICA PESSOA, e exercemospapéis diferentes. Sim! Um dos papéis que ocupa grande parte do nosso dia, com certeza, é o profissional, com ques- tões relacionadas ao trabalho. Você já quantificou quantas horas do seu dia ocupa com atividades relacio- nadas, direta ou indiretamente ao seu papel profissional? Por isso, é tão importante que a empresa e você, como gestor, entenda e promova a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT). Este tema, embora atual, não é algo novo. Motivado pelos estudos e resultados do experimento de Elton Mayo e a teoria das Relações Humanas, Louis Davis, nos anos de 1970, enquanto desenvolvia um projeto sobre esboço de cargos, ampliou esta percepção, com algumas práticas de promoção de Qualidade de Vida no ambiente laboral. Vou compartilhar com vocês uma história pessoal: Quando comecei a trabalhar, o meu primeiro gestor me disse: - “Você está vendo aquela árvore ali fora? Quando você chegar ao trabalho, encoste a sua mão nela, e deixe todos os teus problemas pessoais lá. E, ao final do dia, passe por ela, e pegue-os de volta, deixando as demandas que aconteceram aqui no trabalho. Nossa! Achei aquilo o máximo! Mas.... mesmo depois do passar do tempo... nunca consegui fazer isso. 64ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO A ampliação destes estudos e sobre a promoção da QV, especialmente no trabalho, tem relação direta com própria evolução do entendimento da importância das pessoas dentre das organização. Com a evolução da área de RH, ser humano, que era considerado “Recurso”, hoje, com a ampliação do entendimento dos profissionais enquanto sujeitos que contribuem com o negócio, e que apresentam as suas necessidades de forma individual, passou a ser con- siderado na sua completude biopsicossocial. Pense você, quantas horas do seu dia você dedica ao trabalho e a tudo que envolve ele – desde o momento em que acorda, o tempo de preparação, deslocamento, intervalos, e, quan- do menos se espera, pelo menos, 10h diárias estão relacionadas ao trabalho. Então, torna-se imperativo que as empresas proporcionem possibilidades para que estas horas sejam tam- bém para a promoção da saúde. Além de gerar inúmeros outros benefícios, como a redução de custos com a saúde dos trabalhadores, diminuição do nível de estresse, menos incidências de doenças ocupacionais e aumento da produtividade. “As razões que justificam a implantação de um Programa de Qualidade de Vida [...] no local de trabalho, atendem, simultaneamente, aos interesses tanto do empregado como do empregador”. (SILVA; MARCHI, 1997, p.31). Para embasar nossos estudos, utilizaremos o Modelo de Richard Walton, estes nor- tearão as práticas de Gestão de Pessoas nas empresas nas quais trabalhamos. O modelo aponta oito categorias conceituas, no qual incluim-se os critérios de QVT. São elas: Remu- neração justa e adequada; Segurança e salubridade do trabalho; Oportunidade de utilizar e desenvolver habilidades; Oportunidade de progresso e segurança no emprego; Integração social na organização; Leis e normas sociais; Trabalho e vida privada e Significado social da atividade do empregado. Vamos falar sobre cada uma destas categorias? Mas, enquanto isso, convido vocês a re- fletirem sobre as práticas na organização, e o quanto cada uma destas categorias contribuem para a qualidade de vida dos profissionais, independente do contexto em que está inserido. A Remuneração justa e adequada é um dos fatores primeiros que auxiliam na qualidade de vida, uma vez que com a remuneração adequada, é possível que o sujeito consiga atender suas necessidades básicas de sub existência. E, quando ela é percebida como justa, o profis- sional se sente valorizado e reconhecido pelo trabalho que exerce. É importante, neste ponto, recordar que o termo remuneração é mais amplo que o salário nominal. Este, somado aos benefícios, aos prêmios e bonificações, ao clima orga- nizacional, as relações interpessoais estabelecidas no ambiente laboral e outros fatores, compõe a remuneração total. A organização que tem este olhar mais amplo abrange diferentes áreas de necessidades e interesses do sujeito, possibilitando amplamente a qualidade de vida. Um destes pontos a serem considerado quando falamos em remuneração total e qualidade de vida, refere-se à promoção da Segurança e salubridade do trabalho. O ambiente de trabalho, além de evitar o adoecimento do sujeito, seja por um ambiente perigoso ou por um ambiente insalubre, deve promover a saúde física e emocional daqueles que trabalham na organização. Desta forma, ao sentir-se cuidado, o profissional poderá se ter uma postura mais confiável para se entregar e se doar ao trabalho, as suas atividades cotidia- nas e em novos projetos. 65ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Quando isso acontece, a categoria Oportunidade de utilizar e desenvolver habilidades é evidenciada, pois, ao se sentir seguro e valorizado, o profissional encontrará ainda mais razões e possibilidades para compartilhar em equipe suas habilidades e demonstrará o in- teresse em aprender e desenvolver novas competências. Especialmente quando visualiza Oportunidade de progresso e segurança no emprego, podendo assim experimentar-se e desafiar-se frente a novas realidades apresentadas pela organização, pela chefia, pelo grupo de colegas e pela própria atividade. Esse sentimento de desenvolvimento, alicerçado na segurança, proporcionará um sentimento de bem-estar e realização pessoal que, somado a outros fatores, trará maior qualidade de vida. Destes sentimentos emergirá a percepção de pertença - de Integração social na orga- nização - que favoreça as relações pessoais, preconizando a democracia social, ascensão na carreira, companheirismo, união e comunicação aberta, evitando preconceitos. E para que isso aconteça, é importante que a empresa tenha claro e comunique, tam- bém com clareza, quais são as Leis e normas sociais que regem as relações sociais e a re- lação das pessoas com a organização, descrevendo o direito à privacidade e à liberdade de expressão de ideias, especialmente com tratamento equitativo e igualitário entre os pares com respeito entre as funções hierárquicas. Outro ponto importante é o sentido e a relação que o Trabalho e vida privada estabe- lecem. Quando o profissional perceber que, para que seja possível receber o reconhecimen- to, a promoção de carreira, precisa se sacrificar e, sistematicamente, suas relações e seu bem-estar pessoal, com o tempo, proporcionará um cansaço e um desgaste físico, emocio- nal e social, interferindo na qualidade de vida. Para que o sentimento de propósito emerja nas práticas diárias do trabalho, é impor- tante que o profissional encontre um Significado social da atividade que exerce, reconheça o propósito da sua ação, não só para questões práticas e objetivas, mas que fazem parte de algo muito maior e abrangente. Da soma dos resultados de cada uma destas categorias, surgirá um ambiente sa- lubre e promotor de qualidade de vida e motivação. Características estas que são essen- ciais para o desempenho das atividades laborais com excelência, eficiência e eficácia, bem como oportunidade para a realização plena no seu trabalho e nas escolhas profissionais que constituirão sua carreira. A QVT é a soma de vários fatores, que deverão ser preocupação constantes do gestor e da organização. 66ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO PRODUTIVIDADE E QVT Como podemos perceber até o momento, a qualidade de vida no trabalho está diretamente ligada à motivação dos profissionais, no que diz repeito às suas práticas organizacionais, seu comprometimento com a missão e com os valores da empresa. E, como consequência, quanto mais o profissional se sente valori- zado, reconhecido e requerido, mais ele se torna responsável por aquilo que está entregando, gerando maior resultado para a empresa. Pensar em QVT traz benefícios para todos os envolvidos. Para o profissio- nal, pois sente que a empresase preocupa com as suas demandas, incluindo, por muitas vezes, um olhar estendido para a família. O fato de sentir-se bem faz com que o profissional permaneça por mais tempo em uma organização, contribuindo e desenvolvendo com o seu melhor. Para a empresa que esteja atenta às práticas de QVT, como resultado, terá um profissional mais engajado e comprometido no alcance de objetivos organi- zacionais e dos objetivos compartilhados, um profissional que irá em busca de melhorias contínuas e da otimização de recursos. Este terá a possibilidade de re- conhecer suas limitações e aproveitar todas as oportunidades para minimizá-las, pois a falta de habilidades para o desempenho das atividades diárias, não se cons- tituirá uma barreira entre todos, mas sim como um impulsionador para o aperfei- çoamento e o alinhamento de objetivos. Para representar o que falamos até aqui, vou contar uma outra história para vocês: Era uma vez um empresário, dono de uma linda empresa gaiola. Ele estava sempre ligado e conectado com o que estava acontecendo no mercado. Entendia isso como algo fundamental para o sucesso da sua empresa. Num dado momento, escutou um lindo cantar de pássaro e, ao visualizá-lo, ficou encantado! Quanta beleza no seu canto... era uma sinfonia para qualquer pessoa. E que performance no seu voo... E o que falar da beleza das suas penas. Enfim! Precisava deste pássaro na sua empresa gaiola. Tinha certeza que com todas essas competências, nunca mais iria precisar preocupar-se com as concorrências. E com esse propósito, contratou o lindo pássaro! E lá ficou o pobre pássaro, trabalhando numa pequena gaiola. Sozinho. Por vezes, tentava colocar suas lindas habilidades do voo em prática. Mas logo ele se machucava. Para se prevenir, não mais voava. E como suas penas não sentiam mais as energias do vendo, começaram a ficar sem brilho e sem cor. O pássaro, ao perceber-se, sentia-se incapaz e triste com isso. Seu canto lindo e encantador passou a ser baixinho e sem sentido. O dono da gaiola, muito indignado, demitiu o pobre passo, pois ele não atendia as expectativas, dizendo que a entrega do pássaro ficou muito aquém do esperado. Enfim, estava decepcionado com o pássaro. E o pássaro, envergonhado por seu desempenho, aos poucos, foi tentando se reencontrar, e encontrar o seu propósito! Alguma semelhança com ambientes que você conhece? Percebe a relação da qualidade de vida no trabalho, para a vida e para sucesso profissional e organizacional? 67ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO A empresa que reconhece no Programa de Qualidade de Vida no Trabalho, uma estratégia importante para o alcance de seus resultados, minimizará obstáculos supérfluos e que nada contribuem para o desenvolvimento do profissional, das equipes e da própria organização. E, paralelamente, maximizará os recursos e potencialidades de todos os envolvidos, aumentan- do sua competitividade diante da concorrência e das exigências do mercado globalizado. A gestão, neste caso, tem papel importante para que estes programas tenham su- cesso. São eles que, através da sua capacidade de influenciar as equipes e seus liderados, estabelecem uma relação motivacional e de comunicação franca e clara com cada um deles e com a própria empresa. São capazes de visualizar as oportunidades de crescimento e me- lhoria, construir, junto com o liderado, meios para a promoção de sua carreira, de espaço de melhorias e de atendimentos de suas necessidades. O fato é que um profissional satisfeito com a execução da sua atividade laboral, que tenha um bom relacionamento com a equipe e com a chefia, e tem seu trabalho reconhecido, desempenhará melhor seu papel e trará um resultado muito mais signi- ficativo para a organização. Então, sempre que tivermos a oportunidade de promover QVT em nossas organiza- ções, que possamos aproveitá-las! Com certeza, estimularão o bem-estar pessoal e pro- fissional e, como resultado, visualizar-se-a uma entrega muito maior e mais qualificada ao trabalho e ao propósito da empresa. GESTÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO O ser humano é um ser social e relacional. Ao longo da sua vida, estabelece várias rela- ções, de diferentes formatos, proximidades e responsabilidades. As relações estabelecidas no ambiente de trabalho, com certeza, farão parte da maioria da vida das pessoas, e que, como já vimos, ocuparão grande parte do tempo de cada um. Estas relações são vínculos que acontecem nos ambientes laborais entre os profissionais e destes com a organização. Esta relação é construída a partir de uma troca e reconhecimento entre o profissional e a empresa. O profissional entrega seu conhecimento, suas habilidades e sua prática e a organiza- ção o remunera por isso. Normalmente (e orienta-se que sim), é regida por um contrato de tra- balho em que as partes acertam os direitos e as obrigações que estarão implicados nesta troca. Ao falarmos sobre Relações de Trabalho, precisamos considerá-las por dois vieses: o pri- meiro, como um conjunto de regras e normas que legislam este contrato, e a segunda, o formato de relação humanas estabelecido no meio laboral. Diante de tantas mudanças ocorridas nos últimos anos, advindas especialmente do acesso facilitado a informações, e da competitividade incentivada pela globalização, as organizações precisam atentar-se também para as relações com seus clientes internos, ou seja, com seu qua- dro funcional. A reorganização desta relação, acaba sendo caracterizada por formas flexíveis do trabalho se apresentou como solução efetiva (CATTANI, 2002). 68ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Algumas mudanças, como vistas no primeiro capítulo deste e-book, têm impacto direto na necessidade desta reorganização, como por exemplo, a ampliação do alcance do serviço e/ou produto ofertado pela empresa e o aumento do nível de exigência dos consumidores, o aumento do contrato de trabalho no formato temporário e/ ou terceirizado, a diversificação da força de trabalho, a diminuição da pirâmide de poder e hierarquia, a inserção cada vez maior dos sistemas informatizados, entre outros fatores, condicionam para que as relações de trabalho sofram mudanças significativas. No mundo contemporâneo, a forma como o trabalho e as entregas estão organizados, torna-se uma fonte de competitividade para as empresas, em que a participação do capital intelectual ou a força de trabalho tem espaço estratégico, e agregam valores específicos e especializados na sua entrega. Neste sentido, o diferencial está vinculado à flexibilidade de competências que o profissional coloca à dis- posição da organização, gerando o que chamamos de flexibilidade funcional. O TALENTO individual gera compe- tividade organizacional, agregando valor ao negócio. Na sua organização, você é considerado um TÁ-LENTO ou TALENTO? Para acelerar este processo, a área de RH ou Gestão de Pessoas precisa assumir um papel menos burocrati- zado e mais parceira do negócio. O papel contemporâneo deste setor, não mais se assemelha ao do século passado, quando sua principal função era de guardião das leis e das determinações, mas sim na ajuda da estruturação de um ambiente que promova o bem-estar pessoal e social, com respeito as diretrizes e, como consequência, o aumento da produtividade e competitividade organizacional, com base numa relação justa e profissional entre o sujeito e a empresa. O propósito é a manutenção da qualidade das relações sociais entre os envolvidos. Estas relações são constituídas por sujeitos que ocupam papéis dis- tintos e complementares no processo produtivo. Pode-se visualizar, em uma ponta, os profissionais que são considerados a força de trabalho e toda a capacidade produtiva agregando valor e, na outra, a organização e sua estrutura, que possuem os meios para a realização destes processos. Para que o propósito seja atingido, a participação do RH volta-se para a definição de objetivos, projetos e políticas que afetame conduzem as relações pessoais e profissionais que ocorrem no ambiente de traba- lho, consistindo seu papel, especialmente, no delineamento de estraté- gias, sob as perspectivas psicológica e técnica. Porém, estar alinhado às estratégias organizacionais e atentos às necessidades da força de trabalho requer, entre outras exigências, pro- fissionais de RH atualizados e conectados com as mudanças do mundo corporativo, tanto em aspectos da macro ambiência com da micro am- biência. Este último, refere-se a situações próprias de cada organiza- ção, que é construída através da sua cultura, do seu clima, das políticas e práticas de RH e das relações que são possibilitadas de acontecer. No ambiente macroeconômico, além de toda competição econômica, regula também as relações de trabalho, uma série de leis e normas, especificas do sistema legislativo do Brasil. 69ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO SISTEMA BRASILEIRO DE RELAÇÕES DE TRABALHO A primeira e maior legislação que rege, não só as relações de trabalho, mas todas as demais, que são estabelecidas em solo brasileiro, é a Constituição Federal, que teve a sua primeira versão em 1934, e revisada em 1988. Seu artigo 5º determina que: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à se- gurança e à propriedade... Esta constituição é a lei fundamental e suprema do Brasil, que, estando no topo do ordena- mento jurídico, serve de parâmetro para todas as demais normas e diretrizes dadas pelos diferen- tes órgãos competentes. Para as leis que regem as relações de trabalho, temos a CLT – Consolidação das Leis Tra- balhistas, de 1º de maio de 1943, que é o conjunto das leis que regulamentam as relações entre os trabalhadores e as empresas, independentemente do tipo de negócio, do tamanho da empresa, ou ainda da sua localização. A criação da CLT, como o próprio nome diz, constituiu-se a consolidação das leis e decretos exis- tentes até o momento e surgiu como um alento aos trabalhadores da época, pois lhes assegurava o di- reito a benefícios vigentes até o momento, como o recolhimento do FGTS, período de férias sem ônus na remuneração, repouso e descanso remunerado, jornada de trabalho e horas extras, entre outros direitos. Somadas a estas leis, temos as NR’s – Normas Regulamentadoras, previstas, in- clusive pela própria CLT, são um conjunto procedimentos técnicos e orientações re- lacionados à segurança e saúde do trabalhador em determinada atividade ou função. Atualmente são 36 NR’s, aprovadas e publicadas no Diário Oficial da União. Dentre as NR’s, destaco algumas delas: • NR 06 - que regulamenta a utilização dos equipamentos de proteção individual pelos profissionais; • NR-09 - que traz orientações sobre os riscos ambientais no local de trabalho. • NR-10 - que aborda a segurança nos serviços que tenham contato direto ou in- direto com eletricidade; • NR-15 - que determina quais são as condições consideradas insalubres para a legislação, descrevendo as atividades que se enquadrem nessa classificação. • NR-16 - estabelece quais atividades são consideradas perigosas, bem como as medidas preventivas que devem ser tomadas. • NR-32 - “ tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implemen- tação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos servi- ços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assis- tência à saúde em geral; • NR35 - que regulariza o trabalho realizado nas alturas. 70ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Você deve buscar e conhecer mais sobre estas leis e normas, pois, com certeza, irá perceber o quanto o seu tra- balho está envolvido por elas. Ou o quanto que algumas ideias contemporâneas não estão previstas por todas estas legislações e que são tão necessárias, considerando as demandas atuais. Para isso, trago como exemplo a necessidade emergente do trabalho híbrido, que acontece, ora no formato presencial, dentro da empresa, ora no formato online, podendo acontecer diferentes espaços e momentos. A MP 1.046/2020 traz alguns avanços neste (e outros temas), mas ainda precisa outras discussões e ampliações e, depois, vir a tornar-se lei. Também, é oportunizado aos estados e municípios a criação de outras Leis e decretos que irão reger, especifica- mente, as relações trabalhos de forma mais micro, respeitando os limites desta autarquia, como por exemplo, o horário de funcionamento dos estabelecimentos, as datas de feriado local e outros assuntos que dizem respeito às relações que acontecem nestes entes federados. E, para reforçar e complementar ainda mais estas leis federais, estaduais e municipais, existem as Convenções Coletiva de Trabalho, com negociações realizadas entre os sindicatos patronais e dos funcionários das diferentes cate- gorias, que em geral define salários, adicionais, estabilidade e outros direitos Quando não é possível realizar um acordo entre os trabalhadores e o sindicato que os representa e as empresas, é necessário que seja instaurado o dissídio coletivo, sendo uma forma de solução de divergências coletivas entre as partes. Pois bem! Muitas são as normas que regulam as relações de trabalho, mas a maior dela, ainda deve ser o respei- to mútuo e o interesse para que o sucesso de todos os envolvidos, seja um constante. Assim, construiremos empresas mais humanas, negócios mais duradouros, com profissionais confiantes e comprometidos com duas práticas e com os objetivos organizacionais. 71ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SÍNTESE SUMÁRIO REFLITA! Veja quantos aspectos são importantes para que as organizações reflitam e pratiquem na sua relação com seus empregados e todos aqueles profissionais que a constitui. Para que uma empresa tenha sucesso e se mantenha viva no mercado de socioeconômico contemporâneo, é neces- sário que, além das preocupações habituais, volte-se os olhos para estes que são o principal diferencial competitivo e que farão com que a empre- sa, além de se manterem vivas, tenham condições de serem as agentes transformacionais do ambiente em que estão inseridas. E você, como gestor, tem papel indispensável, mesmo que não atue diretamente na área de Gestão de Pessoas/RH, como Administrador, responsável por equipes e processos. Talvez esta responsabilidade seja ainda maior, fazer a gestão das pessoas que nelas estão envolvidas. Nestes meus anos na área de humanas, sei que não é fácil trabalhar com pessoas. A cada dia, a cada momento, tudo pode mudar. Mas é exatamente nesta metamorfose constante que se encontra a delícia de ser gestor. Cada contato, cada olhar, cada sucesso, cada descoberta fun- cionam como bálsamo para a gestão. Então, que possamos aprender a se deliciar com o sucesso das nossas equipes, e como consequência, com o nosso sucesso! Que, ao final desta disciplina, sejamos capazes de sermos verdadeiros gestores, especialmente das nossas carreiras e, com isso, possamos inspirar carreiras e o desenvolvimento daqueles que estão próximos a nós! 72ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS EXERCÍCIOS SUMÁRIO Com toda a bagagem de conhecimento construída ao longo da nossa disciplina, que tal conversar com um profissional da área de Gestão de Pessoas/RH e buscar com ele, através de um bate papo, o nível de conhecimento que você construiu nesta disciplina? Escolha um dos subsistemas estudados, e faça uma entrevista com este profissional, e troque muitas informações! 73ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS REFERÊNCIAS SUMÁRIO CATTANI, A. D. Dicionário Crítico sobre Trabalho e Tecnologia. Petrópolis: Vozes, 2002. CAXITO, Fabiano de Andrade. Recrutamento e Seleção de Pessoas. Curitiba: IESDE Brasil S.A, 2008. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 2000. __________, Idalberto. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal: como agregar talentos àe necessidades. Diante desse cenário, é salutar pensarmos sobre os dilemas e oportunidades vivencia- dos no mundo contemporâneo, e que estarão presentes nos próximos anos da existência de nossas empresas. Segundo Dutra (2002), são grandes os desafios que as empresas enfrentam, ambientais, organizacionais e pessoais. Abordaremos alguns pontos para pensarmos cada um desses desafios, sem esgotá-los, uma vez que vivemos em um cenário turbulento, com gran- des e contínuas mudanças. Desafios ambientais: o autor coloca que a globalização, o avanço das Tecnologias da Comunicação e Informação (TIC’s), a participação direta do estado nas relações de trabalho e de negociações; ampliação do setor de serviço e a diversificação da força de trabalho; o au- mento do nível de exigência, de forma geral, dos consumidores; flexibilidade e alteração na jornada de trabalho e o incentivo e a valorização às atividades e postura de responsabilidade socioambiental, são desafios norteadores às grandes práticas organizacionais, e devem estar presentes quando se estrutura o negócio e a visão da empresa, uma vez que fala da relação do micro para o macro. Desafios organizacionais: as empresas precisam ficar atentas aos avanços dos recursos tecnológicos, um aumento significativo na competitividade externa que impulsiona a interna; a descentralização nos processos de gestão e na tomada de decisão, bem como a integração do profissional na cadeia de valor em que a empresa está inserida; mudança na cultura organiza- cional, que tem permitido a administração dos processos e da organização, de forma virtual, possibilitando o desenvolvimento de equipes voltadas à autogestão, com menor número de membros e com competências multifuncionais, por vezes, contando com profissionais ter- ceirizados à realização de tarefas diárias. Nesse grupo de desafios, o autor nos faz refletir so- bre a forma de organização interna, onde a empresa precisa estar atenta, preparando-se para os desafios externos. Desafios individuais: alerta os profissionais da área de gestão sobre a importância de atrairmos e mantermos equipes que apresentem forte identificação com a missão e com os valores da empresa, focadas na contribuição para o aumento da produtividade e na otimiza- ção de recursos, mantendo o comportamento ético e seguro. Os profissionais contemporâneos entendem que o trabalho constitui um fator primordial para sua realização pessoal, buscando estabilidade em locais que promovam a qualidade de vida, o empowerment, a valorização dos 8ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO talentos. Nesse agrupamento de desafios, o autor nos faz refletir sobre as potencialidades hu- manas e suas contribuições para o negócio. MUDANÇAS NA GESTÃO DE PESSOAS As demandas, do contexto atual, são resultados de grandes mudanças ocorridas nas re- lações estabelecidas entre os sujeitos, seja na relação com o trabalho, ou na relação no tra- balho. Vamos viajar na história do trabalho, apreendendo sobre os momentos que passamos? Como construímos o entendimento que temos hoje quanto profissionais e força de trabalho? Passamos por momentos onde a legislação trabalhista não existia. A ordem era posta por aqueles que possuíam maior renda e exerciam algum tipo de poder. Vivíamos uma realidade de subemprego, com a contratação de crianças, idosos, homens e mulheres para o mesmo tipo de produção, mas a remuneração não seguia esse mesmo conceito – ela acontecia conforme a tua entrega, no final do dia. Como consequência, crianças, idosos e mulheres recebiam uma remuneração inferior, pois como o trabalho era bem operacional, com poucos recursos de equipamentos, exigia-se mais força física para executá-lo. Para que a produção pudesse ser maior, a carga era superior à 14hs diárias, podendo chegar à 18h, ou enquanto o sujeito tinha condições de produzir. O formato de trabalho era de métodos mais simples e repetitivos. Surgiu o termo mão de obra1. Ele representa a necessidade da época, de força física e agilidades motoras – presentes nas mãos dos sujeitos. A partir de 1930, Getúlio Vargas assumia a presidência do Brasil, com uma atuação efeti- va nas relações trabalho, bem como na ampliação dos benefícios para os trabalhadores, criou e estruturou o Ministério do Trabalho e o Ministério da Educação e Saúde Estruturou a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, legislando sobre os direitos dos trabalhadores, especialmente no que se refere à definição da carga horária máxima de tra- balho por dia, o direito às férias remuneradas, descanso no domingo, licença-maternidade e proibição do emprego a menores de 14 anos. O profissional de RH dessa época era chamado de “Guarda-livros”, pois sua principal função era a realização de apontamentos de frequência, pontualidade, absenteísmo e paga- mento do salário. Na década seguinte, através do Decreto-Lei 7.036, foi instituída a obrigatoriedade das empresas constituírem a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. A partir de 1950, aconteceu a implantação das primeiras indústrias automobilísticas, localizadas na região conhecida como ABC Paulista. Com isso, houve uma necessidade maior de profissionais com qualificação técnica, uma diferenciação na atuação de homens e mulhe- res, no que se refere à área de atuação profissional: homens – segmento metalúrgico; mulhe- res – empresas de tecelagens. 1Aqui, gostaria de abrir um parêntese para fazer uma ressalva. A utilização deste termo, naquela época era aceitável e contextualizado. Nos tempos atuais, onde valorizamos o conhecimento e a capacidade que cada profissional tem de colocá-lo a favor do negócio, este termo deve ser extinto. Podemos adotar o termo – força de trabalho que representará todas as necessidades e contribuições que cada profissional pode dar à organização. 9ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Com a maturidade da qualificação técnica dos profissionais, nos anos de 1970, o Minis- tério da Educação e Cultura autorizou a criação de instituições de Ensino Superior, atendendo à ampliação das necessidades dessas qualificações. Nessa época, há o registro da preocupação com os riscos ocupacionais e a ergonomia no ambiente do trabalho. Com a profissionalização da força de trabalho houve uma necessidade de profissiona- lizar a área de RH. Um pouco antes do ano de 1980, essa área chega aos status de gerência em algumas empresas, já como o início de entendimento da importância das pessoas para o su- cesso das empresas. Foi aprovada a Lei nº 6.297/1976, que dá às empresas, Incentivo Fiscal aos Programas de Treinamento. Nessa época também foi aprovado o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), e surgiram as primeiras Normas de Segurança e Saúde do Trabalhado (1978), através delas, a implantação dos Serviços Especializados de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT’s – NR 4/5) nas empresas maiores. Na década de 80, procurou-se um alinhamento maior entre as rotinas de pessoal, estrutura organizacional e comportamento individual, com a estruturação dos subsistemas de recrutamento e seleção; Treinamentos e cargos e salários, evoluindo os estudos sobre algumas patologias oriundas do meio laboral. A partir de 1990, entramos na era do conhecimento, da valorização do capital intelectual nas empresas, entendendo-os como o principal diferencial competitivo, frente às demandas do mercado socioeconômico do Brasil e do Mundo. A GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS Chegamos ao momento atual, entender as pessoas como parte da estratégia competiti- va da organização. Recapitulando o que vimos até o momento, podemos dizer que vivemos 4 fases diferentes em nossa área de atuação. Nessa linha do tempo, é possível perceber que o sentido e o lugar das pessoas, dentro das empresas, sofreram grande evolução, até como forma de acompanhar as necessidades que o mercado socioeconômico impunha às empresas. As pessoas deixaram de ser vistas como números –empresa. 7ª ed. Barueri, SP: Manole, 2009. __________, Idalberto. Gestão de pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 3. ed.- Rio de Janeiro: El- sevier, 2008. DUTRA, Joel Souza. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. 1 ed.. São Paulo: Atlas, 2002 EBOLI, Marisa. Educação corporativa no Brasil: mitos e verdades. São Paulo: Gente, 2004. FILHO, J.A.R. Seleção de dimensões para avaliação de Clima organizacional em ambientes de Manutenção industrial. Dissertação de mestrado em Engenharia de Produção, Universidade tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa, 2008. FRANÇA, Ana Cristina Limongi. Práticas de Recursos Humanos: conceitos, ferramentas e procedimentos. São Paulo: Atlas, 2014. LACOMBE, Francisco José Masset. Recursos Humanos: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2005. MARRAS, Jean Pierre. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2000. MAXIMIANO, Antonio Cesar A. Introdução à Administração. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004. PONTES, Benedito Rodrigues. Administração de cargos e salários: carreiras e remuneração. 13.ed. São Paulo: LTr, 2008. ROBBINS, Stephen P. Comportamento organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. SILVA, MARCO AURÉLIO DIAS DA; DE MARCHI, RICARDO. Saúde e qualidade de vida no trabalho. 1ed.. São Paulo: Best Seller, 1997.suas produções e custos – ou como como recursos, para serem entendidas de forma global, com todas as suas limitações e poten- cialidades, e tudo o que pode contribuir com o sucesso do negócio. Eis a diferença da Gestão estratégica de pessoas! Nesse formato de gestão, preconiza-se o reconhecimento de que cada 10ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO um dos funcionários que compõe o quadro ocupacional da empresa são profissionais com suas necessidades e interesses, e que terão sucesso quando estiverem alinhados com os inte- resses da organização. Quando acontece essa sinergia, encontramos um talento que precisa ser reconhecido e valorizado, para que se sinta pertencente ao negócio, contribuindo com sua expertise nas práticas organizacionais e, como consequência, ao sucesso do negócio. São vários os programas, processos e projetos possíveis de serem organizados e apli- cados na organização, que auxiliam no desenvolvimento dessa relação frutífera, e devem ser estruturados com o objetivo de auxiliar o alcance dos propósitos organizacionais, contribuin- do com a busca dos objetivos de seus funcionários. Com tantas mudanças socioculturais, os perfis dos profissionais que estão ingressando no mundo do trabalho são tão diferentes quanto importantes. Cada uma das gerações carrega características e formas de se relacionar com o trabalho, com a equipe e com a chefia. A gestão estratégica de pessoas é uma ferramenta importante da gestão organizacional, para que, ao entender as diferenças, consigam alinhá-las com os objetivos organizacionais colocando à disposição de suas práticas organizacionais, todas as competências técnicas e comportamentais, por exemplo, manter a equipe comprometida e motivada acelera o alcance das metas e objetivos da organização. Para que isso aconteça, é necessário que todos os profissionais envolvidos com a ges- tão tenham em mente que, além das orientações sobre os afazeres e responsabilidades diá- rias, é necessário que se tenha presente os termos e propostas como a motivação, o trabalho em equipe, comunicação interna de forma fluída entre os pares, as equipes com os líderes, o desenvolvimento de competências técnicas, chamadas de hard skills, como também as com- petências comportamentais, conhecidas como as soft skills, proporcionando não somente o 11ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO desenvolvimento profissional, mas o desenvolvimento pessoal. Tudo isso reforça a ideia de entendermos os sujeitos, que trabalham conosco, como seres globais e sistêmicos, não so- mente a sua “mão” como recurso para o trabalho (obra). Gestão estratégica de pessoas = desenvolvimento de hard skills e as soft skills! Diante de tudo o que lemos e refletimos, é possível afirmar que a gestão estratégica de pessoas não é realizada somente por um setor, mas por todas as pessoas da empresa, espe- cialmente por aqueles que ocupam o cargo de gestão. Você já percebeu o quão importante é esse assunto? Mesmo não atuando diretamente nas práticas de gestão de pessoas, você terá a responsabilidade de fazer gestão das pessoas que trabalham com você, independentemente de você estar numa função de gestão ou não. É necessário que tenhamos um planejamento. Entender onde estamos e para onde va- mos é essencial para qualquer negócio e para todas as carreiras. Planejar, segundo Maximiano (2004), “é o processo de tomar decisões sobre o futuro. As decisões que procuram, de alguma forma, influenciar o futuro, ou que serão colocadas em prática no futuro....” PLANEJAMENTO DE RECURSOS HUMANOS Vamos falar um pouco sobre Planejamento e planejamento em RH? Por que é importante planejar? Porque a partir dessa parada estratégica, é possível desenhar o objetivo da ação e es- truturar formas de fazer acompanhamento e validação do que foi planejado. É necessário que todas as ações organizacionais tenham como princípio, o planejamento - aquilo que a orga- nização espera para o seu negócio Para que uma empresa obtenha sucesso, alcance suas metas e se mantenha competitiva no mercado, um fator torna-se indispensável: a elaboração de uma estratégia organizacional. Nesse sentido, Dessler (2014) destaca que “O planejador estratégico pergunta: “Onde esta- mos agora como um negócio, e onde é que queremos chegar e como poderemos chegar lá?”. O gestor formulará um plano estratégico para levar a empresa de onde está agora, aonde quer chegar. É necessário que se tenha claro onde o negócio se encontra, quais são suas forças e suas fraquezas, e quais são as estruturas, recursos e diferenciais competitivos disponíveis à caminha. Nesse ponto é que entra o Planejamento de Recursos Humanos. As pessoas é que colo- carão em prática aquilo que foi proposto no planejamento da organização, e terão condições de propor melhorias para otimizar os recursos aos quais têm acesso, tornando-se o principal diferencial competitivo às organizações. 12ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO O planejamento de RH deve ser construído a partir do planejamento estratégico da empre- sa, onde será apresentado como a empresa se percebe, quais são as contribuições que ela entende ser possível de dar ao ambiente socioeconômico, bem como a sua percepção a longo prazo. Desses elementos que descrevem o negócio da empresa, teremos as informações que utilizaremos como base à construção de todas as práticas de RH, elaboradas em 3 níveis: po- líticas de RH; programa de RH e projeto de RH. As políticas de Recursos Humanos são um guarda-chuva maior, que direcionam à cria- ção de programas e de projetos na área. As políticas são documentos elaborados com o objeti- vo de esclarecer o quadro funcional e a gestão, sobre a percepção, entendimento sobre gestão de pessoas, e como ela atuará nas especificidades e nas necessidades de generalizações. Dessas políticas, estruturam-se os programas de Recursos Humanos, visualizados atra- vés dos subsistemas de RH. Alguns exemplos: programa de treinamento e desenvolvimento, programa de retenção de talentos, programa de qualidade de vida, etc. Os projetos de Recursos Humanos são propostas práticas e executáveis, com datas, pra- zos, processos e definição de pessoas acentuados. Exemplificando: Política – Bem-estar do profissional dentro da organização. Programa – Qualidade de vida no trabalho. Projeto – Conscientização contra o uso do tabaco. 13ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SÍNTESE SUMÁRIO REFLITA! As organizações têm sofrido grandes mudanças ao longo de suas vidas, mas nunca tantas mudanças significativas como nos últimos anos. Com a ascensão da globalização e o uso das redes de comunicação, a competitividade alcançou um grau como nunca visto! Para acompanhar e sustentar essas mudanças, é imprescindível que a área de RH seja vista como uma parceira do negócio, capaz de dar suporte a tudo o que é neces- sário, e que passe pela responsabilidade das pessoas. As ações de RH precisam estar alinhadas com as estratégias organizacionais e caminhar lado a lado com a gestão, no planejamento e na to- mada de decisão. Somente quando as organizações reconhecerem a importância do Capital Intelectual, como principal diferencial competitivo da organização, é que teremos empresas realmente sustentáveis e duradouras. 14ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS EXERCÍCIOS SUMÁRIO 1. No seu dia a dia, você percebe que sua empresa entende o profissional como seu diferencial competitivo? 2. Que tal propor, através uma prévia de planejamento estratégico de RH, qual política de RH a empresa poderia adotar? 3. Elabore um programa e um projeto que esteja alinhado à política estruturada e ao Planejamento de RH: 15 CAPITAL HUMANO Reconhecer que as pessoas são o principal diferencial competitivo da organização, é essencial para o sucesso de todos os envolvidos! 16ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Uma empresa é composta por vários setores e áreas com responsabilidades e práticas diferentes,que se completam e se complementam. O que cada uma dessas áreas e setores têm em comum, é que sempre terá uma pessoa ou mais pessoas trabalhando e executando as práticas esperadas. Nesse momento, entra o RH, com o importante papel de subsidiar as de- mais áreas com o capital intelectual e suas competências. Contamos com alguns subsistemas de RH, que com suas práticas e recursos, possibilitam pensar, organizar e contribuir em cada momento da experiência laboral do profissional e na sua relação com a organização. Estudaremos três subsistemas que têm como objetivo principal atrair, capacitar e acom- panhar o processo de desenvolvimento do capital intelectual na organização. O PROCESSO CAPTAÇÃO O processo de captação é o canal direto de comunicação entre a empresa e o mercado de trabalho. Através desse processo e de seus subsistemas, comunicamos à organização quais são as oportunidades e necessidades atuais e futuras da empresa, bem como atraímos e sele- cionamos o profissional que apresentar as competências que são importantes à organização. Esse processo é composto por dois subsistemas: o subsistema de recrutamento e de se- leção. Embora ouçamos falar deles como se fossem uma única ação, eles são dois subsistemas diferentes e complementares. Vamos lá? RECRUTAMENTO No primeiro momento, temos como objetivo atrair a força de trabalho, àquelas oportu- nidades que temos na empresa, anunciando para o mercado quais são as “vagas” disponíveis no momento. Chiavenato (2009) descreve esse subsistema como, um conjunto de técnicas e procedimentos que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos e oferecer competências para a organização. É basicamente um sistema de informação por meio do qual a organização divulga e oferece ao mercado de RH as oportunidades de emprego que pretende preencher. A empresa tem uma necessidade de preenchimento de uma vaga, ou carência de alguma competência específica. Ela divulga, no mercado de Recursos Humanos, essa necessidade, buscando profissionais que poderão atendê-la. Essa busca chama-se recrutamento, a fase inicial do preenchimento de uma vaga em aberto; ela pode ocorrer tanto no mercado externo, como no mercado interno, como veremos logo adiante. Para que tenha sucesso, é necessário ter um cuidadoso planejamento, respeitando pelo menos três fases: 17ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO • solicitação de abertura de vaga: o que a organização precisa em termos de pessoas; • análise de mercado: o que o mercado de RH pode oferecer; • estudo: quais técnicas de recrutamento aplicar. Para abertura da vaga, Chiavenato (2009) sugere a utilização de um modelo de Requisi- ção de Pessoal2 ou Requisição de Empregado (RE), que deve ser preenchido pelo profissional responsável pelo setor onde está sendo requerida a abertura da vaga. Na análise do mercado, é importante observar como está o mercado, qual é o nível de remuneração e benefícios pagos às vagas similares. A partir das duas primeiras fases, segui- remos para o terceiro momento, que é estudarmos e identificarmos quais técnicas e recursos utilizaremos para o processo de recrutamento. RECRUTAMENTO INTERNO Busca-se, internamente, no quadro de funcionários da empresa, profissionais que pos- sam ocupar a vaga em aberto. Essa ação proporciona motivação e desejo de crescimento, mas pode causar frustação naquele profissional que não foi selecionado. Para maximizar os efeitos positivos, minimizando os efeitos negativos, é necessário que o processo seja bem desenhado e tenha uma comunicação clara para todos os envolvidos, especialmente sobre os critérios à seleção, e às etapas propostas para esse processo. Para Chiavenato (2000), o recrutamento interno poderá apresentar algumas vantagens e desvantagens. 2Materiais complementares. 18ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Vantagens: • é mais econômico, pois para divulgar a vaga você precisará anunciar em jornais, revistas ou empresas que prestam esse tipo de serviço, tornando um gasto maior à organização; • é mais rápido: evita a demora da escolha, não precisará passar por todo o processo de recrutamento e seleção, pois o mesmo já é da organização, tendo a oportunidade de ser transferido de imediato; • apresenta maior índice de validade e segurança: como a organização já possui todas as informações do candidato, desde o dia em que ingressou na empresa, o candidato é ava- liado o tempo todo e já é conhecido dentro da empresa; à margem de erro é reduzida; • é uma fonte de motivação para os empregados: estimula o pessoal a buscar mais conhe- cimentos e a aperfeiçoar-se cada vez mais, no sentido de aproveitar as oportunidades que são oferecidas dentro da organização; • aproveita os investimentos da empresa em treinamentos do pessoal: tem retorno quan- do os empregados assumem cargos mais elevados dentro da empresa; • desenvolve um sadio espírito de competição entre o pessoal: como as oportunidades são oferecidas para todos, os funcionários buscam ser cada dia melhor para merecer a vaga. Desvantagens: • exige potencial de desenvolvimento dos funcionários: quando o funcionário demonstra interesse e desenvolvimento para ser promovido a um nível maior, ou terem motivação para alcançar seus objetivos, se a empresa não oferecer oportunidades, acaba trazendo consequências onde o mesmo começa a se desinteressar pelo que faz e pode até pedir o desligamento da organização; • pode gerar conflitos de interesse: quando a empresa oferece uma oportunidade de cres- cimento para certo funcionário, criando atitudes negativas nos que não demonstram condições de crescimento; • pode conduzir ao princípio de Peter: Segundo Laurence Peter, as empresas provém seus funcionários incessantemente. Na medida em que o funcionário demonstra certa com- petência em algum cargo, a organização premia seu desempenho e aproveita sua capa- cidade até chegar a um cargo em que o próprio funcionário demonstrará ser incompe- tente e acabará estacionando, pois não tem como retorná-lo à posição anterior; • conduz ao bitolamento de pessoas: acaba perdendo a criatividade e atitude de inovação; • não podem ser feitos em termos globais, dentro da organização: significa que quando um presidente da organização se afastar, o RH não pode simplesmente colocar um es- tagiário em seu lugar. Só pode ser feito o recrutamento interno a essa vaga quando tiver um funcionário em condições de igualar-se ao anterior. 19ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO RECRUTAMENTO EXTERNO Nesse processo, a empresa abre as informações sobre a oportunidade, para o mercado ex- terno, buscando candidatos no mercado de trabalho. A opção por esse formato deve, preferen- cialmente, ser feita após avaliação da alocação de pessoas que já estejam empregadas na empresa. Esse critério gera expectativas positivas de carreira, além do sentido de justiça pelo oferecimen- to de oportunidades aos funcionários já comprometidos e fiéis aos objetivos da empresa. Chiavenato (2000) destaca algumas vantagens e desvantagens do recrutamento externo. Vantagens do recrutamento externo: • traz sangue novo e experiências à organização: a entrada de novos funcionários para dentro da empresa pode renovar a cara do setor com atitudes e criatividades de fora; • renova e enriquece os Recursos Humanos; • aproveita os investimentos em treinamentos e desenvolvimento de pessoal efetuados em outra empresa, ou pelo próprio funcionário: o empregado que ingressar à organiza- ção já vem com uma bagagem de conhecimentos adquiridos. Desvantagens do recrutamento externo: • é mais demorado: pois depende das agências para fazer a seleção, e quando o cargo é mais elevado à demora, é maior na hora da escolha; • é mais caro: porque a empresa contrata outra para fazer o serviço de seleção; • é menos seguro: porque o funcionário que chega na organização é desconhecido pela mesma; • causa frustraçãono pessoal da casa: aqueles que já estão na empresa começam a desa- nimar por não terem uma oportunidade em relação ao crescimento profissional. A premissa do recrutamento externo é comunicar as oportunidades e necessidades da empresa ao mercado de Recursos Humanos. Essa comunicação pode ocorrer de diversas for- mas, que chamamos de fontes de recrutamento. Segundo Chiavenato (2000), eis algumas fontes de recrutamento: • arquivos de candidatos que se apresentaram espontaneamente ou em outros recruta- mentos; 20ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO • indicação de candidatos por parte dos funcionários da empresa; • cartazes ou anúncios na portaria da empresa; • contatos com sindicatos e associações da classe; • contatos com universidades, escolas, agremiações estaduais, diretórios acadêmicos, centro de integração empresa-escola, etc.; • conferências e palestras em universidades e escolas; • contatos com outras empresas que atuam no mesmo mercado, em termos de coopera- ção mútua; • anúncios em jornais, revistas, etc.; • anúncios em site de recrutamento; • site da empresa; • agências de recrutamento; e • viagens para recrutamento em outras localidades. RECRUTAMENTO MISTO Acontece tanto para o público externo como interno. É uma alternativa interessante, pois amplia as possibilidades de fechamento da vaga, abrangendo um público maior de can- didatos. Quando se realiza o recrutamento interno, um profissional ocupa a vaga, provavelmen- te, surge uma nova posição a ser preenchida por meio do recrutamento externo. O recrutamento misto pode ser adotado em três alternativas de sistema: • recrutamento externo seguido do recrutamento interno: a empresa necessita de pessoal já qualificado, a curto prazo, e precisa recrutá-lo do ambiente externo; • recrutamento interno seguido do externo: a empresa dá prioridade a seus empregados na disputa das oportunidades existentes. Não havendo candidatos à altura, se parte para o recrutamento externo; • recrutamento externo e recrutamento interno ao mesmo tempo: é o caso em que a em- presa está mais preocupada com o preenchimento da vaga existente, onde a preferência é dos candidatos internos sobre os externos. 21ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Métricas de resultados em recrutamento O uso de indicadores, nas organizações, possibilita que a gestão entenda como se deu o processo realizado, redimensionando as ações futuras. A medição da eficácia do processo de recrutamento pode ser feita por meio de alguns indicadores: • quantidade de candidatos que se apresentam após a divulgação da vaga; • qualidade dos candidatos que se apresentam; • rapidez na apresentação dos candidatos; • custo do recrutamento; • tempo médio de fechamento da vaga. Exemplo: Medir por medir não nos leva a ganho algum. Um indicador deve ser usado como apoio à tomada de decisão e o desenho dos processos. Ele deve ser construído a partir do planejamen- to estratégico da organização, com um desdobramento de metas e objetivos, que vão estabe- lecendo os indicadores dos diferentes setores e níveis hierárquicos. SELEÇÃO DE PESSOAL Seleção é a escolha dentre os candidatos que se apresentaram à vaga, aquele que apre- sentará as competências que se adequam às necessidades da organização. Antes de iniciar o processo de seleção, é necessário que se tenha todas as informações sobre o cargo, como as atividades que a pessoa desenvolverá, e as habilidades indispensáveis para sua execução. Essas informações podem vir de diversas fontes, especialmente do descri- tivo de cargo e do formulário de requisição de pessoal, preenchido pelo gestor da área, onde a vaga está sendo aberta. O contato com a área solicitante, através do gestor, deve ocorrer durante todo o pro- cesso, e a decisão sobre a contratação deve ser feita pelo gestor da área, ou pela pessoa res- ponsável pelo setor para o qual está sendo contratado o novo funcionário, pois são eles quem conhecem as atividades que serão realizadas e o perfil da equipe, acompanhando o trabalho do selecionado. Quanto maior for o envolvimento dessas pessoas, maior a possibilidade do acerto na escolha. ESTRATÉGIAS DE SELEÇÃO Chiavenato (2000) coloca que o processo de seleção é constituído por etapas, que são planejadas e executadas, dependendo da necessidade da vaga, e da própria cultura organiza- cional. 22ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO A análise de currículo é a primeira etapa do processo seletivo. A partir das informações coletadas nesse documento, o selecionador decidirá qual candidato estará capacitado para ser chamado às demais etapas do processo seletivo. Essa análise funciona como uma pré-seleção, que através de indicadores como formação, experiências, objetivos profissionais e estabili- dade poderão auxiliar nessa escolha. A segunda etapa é a entrevista de seleção com o profis- sional que está à frente desse processo. Ela é a técnica mais utilizada, e que está presente em quase/ou todos os processos. Tem como propósito obter do candidato um aprofundamento das informações apresentadas no currículo, ampliando o conhecimento sobre ele. Pode-se dizer que a entrevista é um dos instrumentos mais importantes do processo seletivo, pois é o contato direto do entrevistador com o candidato, podendo verificar todas as questões que ficaram pendentes, ou que não foram abordadas em outras etapas. É impor- tante que seja conduzida por alguém que tenha experiência, e seja capaz de identificar traços da comunicação não verbal, que possam estar sinalizando outras informações que não foram trazidas nas demais etapas, ou fatores do próprio entrevistador que possa estar interferindo no processo, como rejeição, empatia, repudio, entre outras. Além da pessoa responsável pelo processo, o gestor da área e/ou o responsável direto devem participar dessa etapa. É possível ainda que outros profissionais técnicos participem do processo seletivo. Outro recurso que temos para o processo seletivo é a aplicação de testes e provas de co- nhecimento, que nos ajudam a avaliar o nível de conhecimentos gerais e específicos dos can- didatos, e conhecimentos técnicos necessários para execução da atividade. Nessas avaliações, é possível a utilização de avaliação psicológica, que nos dará uma análise mais afinada da personalidade do candidato, e de algumas soft skills. Essa avaliação acontece através da aplicação de instrumentos próprios, que poderão ser manipulados so- mente por psicólogos. Para conhecer um pouco mais das competências técnicas, no processo seletivo, é possí- vel utilizar-se de técnicas de simulação, onde se simula uma prática cotidiana da função, ou algo bem específico, ou a utilização de uma competência comportamental. Outro formato de seleção utilizada são as entrevistas em grupos com a aplicação de técnicas de dinâmicas de grupo. Nelas, é possível analisar como o candidato comporta-se em grupo, apresentando as competências demandadas pela organização. É importante salientar que cada empresa delineia as técnicas que entender serem mais oportunas e que buscarão reconhecer as competências necessárias para o desenvolvimento das responsabilidades do cargo. MÉTRICAS DE RESULTADOS EM RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Ao finalizar o processo, é importante fazer a análise da eficácia das etapas, bem como o atingimento das metas. Os indicadores também são importantes. Uma maneira de medir se o processo atingiu a eficiência e eficácia desejada, é a análise do Quociente de Seleção: 23ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO O resultado torna-se mais positivo quando o quociente de seleção for mais baixo. Além desse quociente, outros indicadores podem ser utilizados: • números de candidatos entrevistados por vaga; • qual é a fonte dos candidatos; • custo por contratação; • duração do processo; • qualidade da contratação. O PROCESSO DESENVOLVIMENTO Após a contratação, o primeiro treinamento que o profissionalrecém-contratado re- cebe é o treinamento da integração. Durante a permanência do contrato de trabalho, outros treinamentos serão vivenciados no meio laboral. Esses momentos poderão acontecer formal- mente ou informalmente. É necessário que eles aconteçam, pois os processos de Treinamen- to e Desenvolvimento (T&D) são extremamente importantes à organização, já que é através deles que desenvolvemos as competências individuais e organizacionais que farão com que a empresa se mantenha competitiva no mercado. Os processos de T&D e os programas de educação corporativa compõem o processo de desenvolvimento . TREINAMENTO Treinar e desenvolver são termos utilizados para demonstrar um certo sinônimo, são subsistemas diferentes um do outro, apresentando objetivos e práticas diferentes. Rapida- mente, podemos dizer que o treinamento tem o foco de suas ações no presente, em capacitar o profissional para que possa executar atividades do cargo atual. O desenvolvimento tem seu olhar no futuro, em desenvolver competências para cargos vindouros ou necessidades orga- nizacionais que vão além do cargo desempenhado. França (2007) afirma que existem diferen- ças entre treinamento e desenvolvimento. Essa diferença é importante, uma vez que existem formas diversas de atingir o aprendizado. Cada pessoa carrega consigo sua história de vida e suas experiências, e isso faz com que se relacione com as informações de forma particular. Essa relação condicionará a maneira que desenvolve novas competências para desempenhar suas funções, e criar perspectivas para novas atribuições. 24ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Treinamento é um processo em curto prazo, promove a aquisição de habilidades, re- gras, conceitos e atitudes que busquem a melhoria entre a característica do empregado e a exigência da função; desenvolvimento é um processo mais longo, que visa aperfeiçoar as ca- pacidades e motivações das pessoas, com o objetivo de torná-los futuros membros valiosos à organização, visando carreira (FRANÇA, 2007). É um processo que prepara o profissional para desempenhar as tarefas que se espera que execute, como por exemplo, fazer um treinamento em Excel avançado. O profissional precisa construir planilhas que compilem dados e informações pertinentes a sua área, onde o conhe- cimento facilitará e agilizará o seu trabalho. Isso é treinamento! É considerado um meio de desenvolver competências nas pessoas, para que elas, com o conhecimento construído, se tornem mais criativas, produtivas e realizem suas atividades de forma inovadora e ágil, contribuindo para o alcance dos objetivos organizacionais. O treina- mento é uma forma de aumentar a lucratividade da organização, pois permite que as pessoas cooperem efetivamente para o alcance dos resultados esperados. É uma maneira eficiente de agregar valor ao capital intelectual e, com isso, à organização e aos clientes. Quando uma pessoa é contratada, já traz consigo uma bagagem própria de conhecimen- tos, habilidades e atitudes, e pelo que foi apresentado durante o processo seletivo, a empresa entendeu que ela poderia compor seu quadro funcional e ocupar uma função dentro da equi- pe. Na sua contratação, já apresentou algumas competências, que poderão – e deverão – ser maximizadas no processo de treinamento. Devemos entender o treinamento como um processo importantíssimo para todas as em- presas, um benefício apresentado também aos funcionários. Se bem elaborado, ele torna-se um meio estratégico à realização daquilo que a empresa se propõe. DESENVOLVIMENTO Além do olhar no presente, no que é necessário para o atingimento das metas e resulta- dos, é importante que o RH tenha claro seu papel no caminho futuro da empresa. Estar atento ao que se espera do futuro faz com que o capital intelectual da organização esteja sempre apto para enfrentar as demandas já destinadas e aquelas que surgirão. É importante que, além da estruturação de treinamentos, sejam elaborados programas de desenvolvimento, visando o incremento de novas competências no quadro funcional. O desenvolvimento de pessoas relaciona-se com a educação e com a orientação para o futuro, a longo prazo. Busca o crescimento pessoal e profissional, visualizando uma carrei- ra, cargos e funções que os funcionários poderão desempenhar no futuro, bem como com- petências imprescindíveis. Ao desenharmos um programa de desenvolvimento, é necessário considerar a missão e a visão da empresa, o seu planejamento estratégico e as necessidades de mercado que ela visualiza, tendo como propósito o aprendizado de novas atitudes, ideias e conceitos, modificando hábitos e comportamentos, tornando-se eficaz naquilo que faz, por meio de um processo que privilegie a expansão da consciência, a autonomia da ação, a liber- dade da expressão e a autoria do mundo em que cada um habita. 25ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO COMO ESTRUTURAR UM PROGRAMA DE T&D? Os processos de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) são extremamente importantes à organização, pois é através deles que desenvolvemos as competências individuais e orga- nizacionais que farão com que a empresa se mantenha competitiva no mercado. Os processos têm foco e atuação diferentes, mas a estruturação de um programa, tanto de um como de ou- tro é muito semelhante, a diferença estará nas técnicas utilizadas. Estudaremos as etapas que devemos seguir para estruturar um programa. Cada uma terá suas características, sendo importante que você as execute sempre que estruturar um progra- ma de treinamento e/ou desenvolvimento. As etapas são cíclicas e contínuas; o resultado de uma dependerá do que foi planejado e executado pela outra. a. Diagnóstico: momento importante para realizar o levantamento das necessidades de treinar e desenvolver competências profissionais, tanto do nível técnico quanto com- portamental. b. Desenho ou planejamento: é a preparação do programa propriamente dito. Devemos nos preocupar com o planejamento dos detalhes do programa, assim como os resulta- dos esperados, considerando as necessidades levantadas na etapa passada. c. Implementação: depois de planejado, está na hora de colocar em prática. Nesse mo- mento, acontece a ação de treinar ou desenvolver. d. Avaliação: é necessário que se verifique os resultados do programa, e o quanto atingiu- -se os objetivos propostos. Após fazer a avaliação, teremos um novo diagnóstico da necessidade de outro programa de T&D, por isso mencionamos que essas etapas são cíclicas, contínuas e interdependentes. Vamos estudar cada uma das etapas detalhadamente? DIAGNÓSTICO OU LEVANTAMENTO DE NECESSIDADE DE TREINAMENTO (LNT) As ações realizadas são extremamente importantes para o sucesso de um programa de T&D, pois será através das informações de necessidade de treinamento que levantaremos o que estruturaremos e desenvolveremos nas demais etapas. Se a identificação de uma necessi- dade não for assertiva, se fizermos a interpretação dos dados erroneamente, possivelmente a organização e o profissional não sentirão a relevância do treinamento realizado, entendendo que foi um tempo perdido e/ou um custo financeiro desnecessário. A importância dessa etapa tem o objetivo de analisar as deficiências que a empresa tem, ou poderá vir a ter no futuro, mas não se engane, ela não é uma tarefa simples de se fazer. Muitas vezes, é necessário ter muita atenção e discernimento para identificar as reais neces- sidades, que podem ser levantadas através de observação do próprio RH, de conversas com os líderes, com os liderados, de análise dos resultados das avaliações de desempenho, de iden- 26ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO tificar os possíveis gaps no momento da seleção. É necessário estar de olho nas mudanças do mercado externo, verificando para quais caminhos a empresa percorrerá nos próximos anos. Existem várias formas de identificarmos as necessidades de treinamento. Chiavenato(2008) coloca que devemos partir da análise de quatro grandes áreas: Análise organizacional Diagnóstico organizacional. Determinação da visão, missão e objetivos estratégicos da organização. Análise dos Recursos humanos Determinação de quais os componentes, atitudes e competências necessários ao alcance dos objetivos organizacionais. Análise dos cargos Exame dos requisitos exigidos pelos cargos, especificações e mudanças nos cargos. Análise do treinamento Objetivos a serem utilizados na avaliação do programa de treinamento. Para a realização do levantamento de necessidades, pode-se valer de um ou mais desses métodos, bem como uma mistura deles. A escolha dos métodos dependerá das características organizacionais e do perfil da área de T&D. DESENHO DO PROGRAMA DE TREINAMENTO Refere-se ao planejamento das ações que devem ser realizadas após verificar as neces- sidades do programa de treinamento. A primeira ação é a decisão da realização, ou não, do programa. Se a resposta for afirmativa, segue-se na construção do planejamento. Devemos considerar as prioridades da organização bem como os recursos disponíveis para tanto e a sua cultura. Atente-se para alguns itens do planejamento! • Qual é o objetivo do treinamento? • Qual conteúdo será trabalhado? • Quem serão as pessoas envolvidas? • Qual será a duração do programa? Será realizado de forma intensiva (em um único perí- odo), ou extensiva (em módulos e ciclos distribuídos em momentos diferentes)? • Qual método será utilizado? • Quais recursos utilizaremos? • Quem serão os treinandos? 27ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO • Quais são as características do público que será treinado? Considerando: » número de pessoas a serem treinadas; » disponibilidade de tempo para o programa de treinamento; » grau de habilidade, conhecimentos e atitudes a ensinar; » características pessoais de comportamento. • Onde será realizado o treinamento (local)? • Qual é o tempo de duração do programa? Se for o caso, qual é a sua periodicidade? • Qual será a metodologia aplicada? • Quem serão os instrutores? • Qual será o cronograma das atividades? • Qual será o custo do programa? • Qual será o resultado esperado? • Como serão avaliados o alcance desses resultados? Para desenvolver o desenho ou planejamento do treinamento, é importante a participação de todos os envolvidos, realizando um planejamento com os dados levantados e a forma de atingir os objetivos propostos. Após o levantamento das etapas descritas, chegou o momento de realizarmos a pro- gramação do treinamento - consiste em aplicarmos e coordenarmos as ações necessárias à organização, que foram levantadas no diagnóstico das necessidades de treinamento, obten- do a resolução da problemática diagnosticada. A ação possibilitará a organização, bem como melhorias em seus resultados, alcançando o objetivo proposto no planejamento do processo de treinamento. IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE TREINAMENTO É a aplicação prática de todos os pontos que foram estipulados no planejamento. Para o resultado positivo do programa de T&D, é necessário atentarmos para duas preocupações fundamentais, “a qualidade da aplicação dos módulos” e “a eficiência dos resultados”. Na qualidade da aplicação dos módulos, é importante observarmos: • didática dos instrutores – a didática de aplicação e a comunicação são itens muito im- portantes para uma fácil compreensão e assimilação das informações pelos treinandos; 28ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO • preparo técnico – o preparo do instrutor quanto ao objetivo do treinamento é primor- dial, pois é necessário que ele saiba as dificuldades enfrentadas pelos treinandos, con- seguindo realizar uma didática que se aproxime, ao máximo, do dia a dia enfrentado por eles, possibilitando o entendimento de forma mais rápida; • lógica do módulo – o módulo precisa ser bem claro, em todos os seus momentos, pos- sibilitando o imediato entendimento dos treinandos, de forma transparente; perceben- do as soluções viáveis aos problemas enfrentados; entendendo a lógica da abordagem e despertando o interesse e a motivação dos treinandos em participar do treinamento e continuar aprendendo; • qualidade dos recursos – a escolha dos recursos a serem utilizados, em cada módulo, é de suma importância, pois são eles que proporcionarão o melhor entendimento e aprendi- zado dos treinandos. Entre os recursos, podem ser utilizados computadores, trechos de filmes, vídeos, slides, Datashow, entre outros. Eles são importantes para complementar as sessões de exposição oral, buscando facilitar o entendimento e assimilação das infor- mações expostas. Outro recurso que pode ser utilizado, por exemplo, é a realização da parte prática de um treinamento diretamente na máquina, ou equipamento referente ao qual o treinamento fora elaborado. Além da qualidade da aplicação dos módulos, é importante, para a eficiência dos resul- tados, a utilização de técnicas que devem variar de acordo com a situação, objetivo do treina- mento, grupo de treinandos, entre outros. Dentre as técnicas mais utilizadas: • aulas expositivas; • estudo de caso; • dramatização; • workshop; • brainstorming (tempestade de ideias); • simulação; • painel; • simpósio; • palestra; • conferência; • rotação de cargos; • posições de assessoria; • aprendizagem prática; • participação em comissões; • centros de desenvolvimento internos; • coaching, mentoring e counseling. 29ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO A combinação dos recursos com as técnicas a serem utilizadas é que determinarão o for- mato e o objetivo do treinamento, bem como o nível de conhecimento e aprendizado que se busca atingir, possibilitando sanar as necessidades diagnosticadas, fazendo com que a orga- nização melhore seus resultados, atingindo seus objetivos de crescimento e melhoria. AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE TREINAMENTO A avaliação do programa de treinamento tem por objetivo medir os resultados atingidos em comparação ao que fora planejado. É importante verificar se o programa atingiu a eficácia necessária e as expectativas da organização, pois o processo de treinamento envolve custos e tempo, por isso, deve ser analisado se terá um retorno de custo-benefício à empresa. Essa análise pode ser realizada em três níveis: • nível organizacional: aumento da eficácia organizacional, melhoria da imagem da empresa, melhoria do clima organizacional, melhoria do relacionamento entre empresa e colaborador, facilidade na implantação de mudanças e inovação, e aumento da eficiência da organização; • nível de Recursos Humanos: redução da rotatividade de pessoal, redução do absenteís- mo, aumento da eficiência individual de cada profissional, aumento da habilidade dos profissionais e mudança no comportamento e atitude dos colaboradores; • nível de tarefas e operações: aumento da produtividade, melhoria na qualidade dos pro- dutos e serviços, redução no fluxo da produção, redução do tempo de treinamento, re- dução do índice de acidentes e retrabalho e redução no índice de manutenção de máqui- nas e equipamentos. De acordo como objetivo do treinamento, é possível utilizar-se de diferentes meios de avaliação: por reação, de aprendizagem, de comportamento. Nível de avaliação de reação: busca a reação e/ou satisfação dos treinandos com relação ao treinamento aplicado, apresentando apenas a reação ou satisfação pessoal dos participan- tes em relação ao programa, ou experiência do treinamento, avaliando o programa, instrutor, local e material utilizado. O objetivo é mensurar a reação imediata ao acontecimento do trei- namento, obtendo informações fidedignas do instrutor, da metodologia aplicada, conteúdo desenvolvido, ambiente físico, material utilizado, da infraestrutura e recursos necessários, buscando as melhorias de alguns pontos, quando da realização dos próximos treinamentos. Nível de avaliaçãode aprendizado: propõe-se verificar, na prática, o que foi assimilado durante o treinamento, em comparação ao resultado que vinha tendo antes do treinamento. É a obtenção de novas habilidades e conhecimentos, e que mudam suas atitudes e compor- tamentos. O foco será nos participantes e nos mecanismos utilizados, visando à avaliação da melhoria do desempenho individual. Para ser mais realista, o ideal é que seja realizada uma avaliação antes e após o treinamento. Podemos utilizar testes teóricos e/ou práticos, onde os profissionais treinados recebem desafios dentro de suas áreas e precisam aplicar os conheci- mentos adquiridos na sua resolução. 30ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Nível de avaliação de comportamento e/ou aplicação das habilidades aprendidas: bus- ca avaliar a aplicação do que foi aprendido durante o treinamento. Esse nível avaliativo apre- senta grau de dificuldade maior, uma vez que se torna complicado comprovar uma mudança real e duradoura de comportamento. Pode ser realizada através de pontos que a organização julga importante, que ocorram as mudanças. Nível de avaliação no impacto nos resultados do negócio: o treinamento traz um im- pacto direto nos resultados do negócio. Treinamento precisa trazer, por exemplo, a redução de custos, redução do absenteísmo, da rotatividade, aumento dos lucros, melhoria na quali- dade do trabalho. O foco está em desenvolver habilidades e competências que possibilitem a organização a alcançar os resultados planejados. Nível de avaliação do retorno sobre o investimento: é o nível onde o treinamento traz retorno financeiro à empresa. Está relacionado com os custos e benefícios envolvidos nos programa de treinamento. INDICADORES Os indicadores obtidos através das avaliações são imprescindíveis para justificar e apoiar os programas de treinamento, pois é possível mensurar que os treinamentos não são custos, mas investimentos, comprovando a sua eficiência e eficácia de maneira clara e objetiva, ad- vindas de resultados e retornos do investimento, fazendo com que os empresários compreen- dam a sua importância e aceitem, aprovem, adotem e reforcem os esforços de treinamentos. Seguem alguns indicadores possíveis de serem utilizados por suas empresas: • satisfação; • aprendizado; • investimento por pessoa; • horas de treinamento por pessoa; • recrutamento interno; • participação; • ROI. EDUCAÇÃO ORGANIZACIONAL E UNIVERSIDADE CORPORATIVA A educação corporativa é um sistema de desenvolvimento de pessoas e de aprendizagem organizacional, que tem o objetivo de adquirir, desenvolver e alinhar competências humanas individuais e organizacionais à estratégia da organização, aumentando a excelência organi- zacional através do desenvolvimento do valor das pessoas. É essencial que todos os níveis, a empresa, as lideranças e os profissionais tenham prontidão à aprendizagem contínua. 31ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO Conforme Chiavenato (2008), com a redução do prazo de validade do conhecimento, a educação corporativa ocupa um papel muito importante nas organizações, pois foca o desen- volvimento do quadro de pessoas com vistas a obter resultados imediatos nos negócios. O uso da educação corporativa democratiza a aprendizagem, oferece flexibilidade, agilidade e redu- ção de custos para as organizações. Trata-se de uma aprendizagem contínua para desenvol- ver formas de pensamentos, atitudes e competências para que as pessoas possam aperfeiçoar seu trabalho. Alguns dos objetivos esperados, com um sistema de educação corporativa, conforme afirma Eboli (2004), são: • ser o principal veículo de fortalecimento, consolidação, integração e disseminação da cultura empresarial; • conscientizar gestores e equipes sobre a importância de aceitar, vivenciar e praticar a cultura da empresa; • ser instrumento de alinhamento entre a cultura empresarial e os colaboradores em to- dos os níveis; • disseminar externamente a imagem da empresa associada a seus valores e princípios culturais, alavancando o poder da marca. A educação corporativa será o principal veículo de integração e disseminação de uma cultura empresarial de competência e resultado. A participação e mobilização das lideranças e suas equipes são essenciais para que o sistema não pare e atinja os objetivos propostos. Na visão da autora, ao analisarmos as melhores práticas de educação corporativa, fica clara a importância dos líderes e gestores assumirem seu papel de educadores, pois, atuan- do exemplarmente, eles serão percebidos e seguidos pelas suas equipes. É fundamental que eles se envolvam e se responsabilizem continuamente pela educação e aprendizagem de suas equipes, bem como se comprometam com todo o sistema. GESTÃO DO DESEMPENHO Vivemos, nos últimos tempos, grandes mudanças socioeconômicas que interferem di- retamente na gestão organizacional, tornando a alta performance uma condição indispen- sável à permanência e o sucesso da empresa. Fica evidente que quem agrega valor ao negócio tem maior possibilidade de se manter vivo no mercado de trabalho. Cabe à organização pla- nejar, propiciar, acompanhar e avaliar como está o desenvolvimento e o desempenho de seus funcionários, a fim de utilizar essas competências a favor do próprio negócio. Essa avaliação está além de verificar como estão as entregas através das competências técnicas, sendo necessário que a avaliação aconteça de forma mais ampla e sistêmica para o sucesso da organização. 32ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO O subsistema de avaliação do desempenho humano ocupou um novo espaço na empre- sa, com o objetivo de acompanhar o desempenho profissional e subsidiar a gestão de infor- mações necessárias à tomada de decisões que envolva o capital intelectual, especialmente as que asseguram o alinhamento estratégico e o alcance dos objetivos organizacionais. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO COMO UMA FONTE ESTRATÉGICA DE INFORMAÇÕES Para que seja possível fazer o acompanhamento do desempenho, é necessário que se diga o que precisa ser feito. A empresa tem que ter clareza nessa necessidade, sendo comuni- cado também ao profissional, para que ele esteja consciente do que se espera da sua entrega. Para a gestão do desempenho, é necessário que essas definições sejam realizadas a partir da estratégia organizacional, considerando a missão, visão e valores organizacionais. A partir das estratégias, desenham-se as expectativas e necessidades do capital intelec- tual, metas e resultados esperados de cada cargo e setor. Cumprido essas etapas, escolhere- mos os instrumentos a serem utilizados. Após, é possível fazer a análise e a avaliação sobre o que o profissional está entregando à organização, e o quanto essa entrega está alinhada com o proposto, contribuindo com o negócio. Essa prática chama-se avaliação de desempenho ou avaliação do desempenho humano, um subsistema de RH. A avaliação de desempenho é uma técnica antiga, que tem acompanhado as práticas de gestão de pessoas, especialmente após o período da Revolução Industrial, atualizando-se na medida em que as exigências do mercado externo e interno se modificam. Ela pode acontecer com a utilização de ferramentas e metodologias, ou informalmente, no acompanhamento di- ário do gestor e do RH com o profissional. A observação e feedbacks sistemáticos são instru- mentos importantes nessa avaliação, assim como questionários e relatórios. Esse momento, além de acompanhamento e avaliação, auxiliará na construção e visualização de um plano de desenvolvimento, tanto individual, quanto de carreira. 33ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO MÉTODOS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Há vários instrumentos e metodologias apresentadas para essa avaliação. Elas se dife- renciam, considerando o propósito da sua aplicação. Dependendo da cultura organizacional e do momento em que a empresa se encontra, será necessário aplicar uma ferramenta que tem comoobjetivo a classificação. Noutro momento, será possível aplicar ferramentas que privi- legiam a geração de informação. CENTRADAS NA CLASSIFICAÇÃO Os métodos e ferramentas priorizarão a classificação e a criação de um ranking, desta- cando aqueles que se encontram melhor desenvolvidos em determinados fatores, em compa- ração aos demais colegas. Vejamos alguns métodos! ESCALAS GRÁFICAS DE CLASSIFICAÇÃO Esse é o método de avaliação mais utilizado pelas organizações, por sua simplicidade e pelos dados possíveis de serem obtidos através dele. Buscam-se alguns fatores e competên- cias esperados para o cargo, utilizados como referência para a avaliação. A partir disso, apre- senta-se uma tabela, com graduação das respostas, para que o avaliador possa considerar o observado, definindo o grau de entrega. Ótimo Bom Regular Fraco Não se aplica. Produtividade (quantidade da entrega) Qualidade (entrega conforme o desejado) Pontualidade (cumprimento dos horários de entrada e saída) ESCOLHA FORÇADA (ESCOLHA E DISTRIBUIÇÃO FORÇADA) Para essa elaboração, é necessário que a organização defina, a priori, quais são as com- petências importantes para o negócio, como por exemplo, demonstrar capacidade analítica. As competências acontecem através de frases afirmativas, e o avaliador deve colocar "como entende que o avaliado se coloca" – respondendo positivo (+) ou negativo (-). Outro bloco de frases demonstrará comportamentos inadequados, ou não esperados pela organização, como por exemplo, “reclama de modo demasiado”. O aspecto positivo é que o avaliador é obrigado a escolher, entre frases, as que mais se aplicam ou não se aplicam ao avaliado, minimizando a possibilidade de uma avaliação, evi- tando a coluna do meio, ou a imparcialidade por parte do avaliador. 34ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO FRASES DESCRITIVAS É um método similar ao método escolha forçada. A única diferença é que ele permite a possibilidade de assinalar com o sinal +, as frases que melhor traduzem o desempenho do avaliado, e com o sinal –, aquelas que menos refletem o seu desempenho. COMPARAÇÃO AOS PARES A proposta é uma comparação entre os avaliados, de fatores definidos pela organização. Por exemplo, ao avaliar a competência da organização, entre o avaliado X e o avaliado Y, qual apresenta mais essa competência, assinala-se, não marcando nada no outro avaliado. CENTRADAS NA GERAÇÃO DE INFORMAÇÕES ÚTEIS À TOMADA DE DECISÃO Esses tipos de métodos e ferramentas têm por objetivo subsidiar a equipe gestora de in- formações relativas ao trabalho, entregues a comportamentos específicos de cada avaliado. PESQUISA DE CAMPO Preconiza-se que o avaliador – gestor ou especialista, aplique uma entrevista estrutu- rada, a fim de obter informações sobre o desempenho do avaliado. INCIDENTES CRÍTICOS Tem-se a preocupação de se fazer o registro, de forma sistemática, de fatos e situações de maior relevância no dia a dia do avaliado, sejam positivos ou negativos. A vantagem é que a anotação é realizada logo após o acontecido, gerando maior fidedignidade às competências e comportamentos do avaliado. Ao final de um período, o avaliador voltará a esses registros, analisando e pontuando os que mais merecem destaque, ou se repetem, fazendo a devolutiva ao avaliado. AUTOAVALIAÇÃO Uma parte importante da avaliação de desempenho. Consiste em propiciar que o pró- prio avaliado analise e pontue seus pontos fortes e aspectos que necessitam ser revistos e que afetam o seu desempenho. É necessário que o avaliado tenha conhecimento sobre quais são as tarefas que compõem a sua função, bem como as competências que são esperadas. AVALIAÇÃO POR OBJETIVOS Nessa metodologia, são definidos, no início do período, os objetivos esperados da fun- ção avaliada, e que estejam alinhados aos objetivos organizacionais. Considera-se a capaci- dade do cumprimento desses objetivos. 35ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO AVALIAÇÃO POR RESULTADOS Na avaliação por resultado, efetiva-se uma comparação entre o previsto e o realizado, analisando o que foi apresentado pelo avaliado, sendo alinhado com os objetivos organizacio- nais. Muitas vezes, o funcionário faz muito, e entrega pontos importantes, mas que não estão consoantes com o esperado para a sua função. Esse tipo de avaliação permite a realização de uma análise e uma devolutiva mais próxima à realidade do avaliado e da empresa. AVALIAÇÃO POR COMPETÊNCIAS A ênfase desse método é a avaliação e a percepção do quanto as competências apresen- tadas pelo avaliado agregam, ou não, valor ao negócio. Dito de outra forma: se o perfil de com- petência está alinhado às demandas do negócio, não considerando necessariamente a função desempenhada, mas, de forma mais ampla, verificando as competências individuais com os objetivos do negócio. Preconiza-se a análise do desenvolvimento e ampliação das competên- cias, almejando uma mudança de cultura ou o crescimento da empresa. AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS E RESULTADOS É um método que avalia, simultaneamente, competências e resultados, que objetiva ter uma análise mais ampla do perfil profissional do avaliado, considerando o desenvolvimento de competências individuais, e o quanto o avaliado as coloca a serviço da organização e do al- cance dos resultados almejados pela empresa. AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS A avaliação de competências pode ser realizada, independente do instrumento, em dois formatos: avaliação 180 graus: o avaliador avalia o avaliado e vice-versa. Permite que o avaliador analise as competências de seu avaliado e receba o retorno da percepção do avaliado sobre suas competências; avaliação 360 graus: inclui a participação de pares, subordinados e outros envolvidos, como clientes e fornecedores (internos e externos), além do avaliador e do próprio avaliado. É importante destacar que todos os subsistemas estudados são ferramentas importan- tes à gestão e para o alcance dos objetivos estratégicos da organização. Lembre-se que eles somente serão eficazes se o capital humano estiver envolvido em todo o processo, reconhe- cendo o seu papel, recebendo feedbacks constantes de seus pontos fortes e daqueles que ne- cessitam ser observados, como ponto de melhoria. À medida que o gestor imediato, ou o gestor de pessoas, adotar esse comportamento, demonstrará preocupação como o desenvolvimento de todos os envolvidos: sujeito, equipes e a própria organização. 36ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SÍNTESE SUMÁRIO REFLITA! Ao finalizarmos o estudo dessa unidade, tenho certeza de que reforçamos a nossa percepção de que é indispensável que as empresas reco- nheçam que as pessoas são o principal diferencial competitivo da organização, e o quanto elas poderão contribuir à otimização dos recursos, bem como a construção de fatores que levarão ao sucesso das organizações. Saber captar verdadeiros talentos e desenvolver os que já estão contratados, são estratégias importantes que proporcionarão momentos de grandes aprendizados e de construção de competências organizacionais indispensáveis. 37ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS EXERCÍCIOS SUMÁRIO Reflita! Como atrair os profissionais que apresentam as competências desejadas pela organização, como selecioná-los? Após a contratação, há a necessidade de reforçar e ampliar essas competências, avaliando-as e acompanhando-as. Analise: a. Quanto você entende que esses subsistemas são estratégicos para a organização? b. Quanto esses subsistemas são aplicados, de forma correta, nas empresas que você conhece? 38 MANUTENÇÃO DO CAPITAL HUMANO É necessário que a empresa crie condições para que os profissionais se sintam motivados a contribuir mais com o negócio. 39ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS SUMÁRIO O setor de RH também busca formas de manter os talentos dentro da empresa, para isso, existe o subsistema. Ele é responsável pela pesquisa de clima e satisfação do time, além de monitorar a