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O METODO ROOD NA FISIOTERAPIA

Texto sobre o método Rood na fisioterapia: princípios neurofisiológicos; indicações clínicas (paralisia cerebral, AVE, lesões medulares, TCE); técnicas de facilitação (escovação, gelo rápido, percussão, vibração) e de inibição (pressão profunda, alongamento, calor, posicionamento); sequência de recuperação motora e integração com outras abordagens.

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O MÉTODO ROOD NA FISIOTERAPIA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS
Yago Tavares Pinheiro
Doutor em saúde coletiva. Professor do curso de Fisioterapia do UNIFSM.
INTRODUÇÃO
O método Rood é uma abordagem de reabilitação neurossensorial desenvolvida pela terapeuta ocupacional Margaret Rood na década de 1940. Este método tem como objetivo principal a facilitação da função motora por meio da estimulação sensorial controlada. Baseia-se na premissa de que o sistema sensorial tem papel fundamental na organização do movimento motor, e que, portanto, estímulos táteis, proprioceptivos e térmicos podem ser utilizados terapeuticamente para modular o tônus muscular e melhorar o controle motor em pacientes com disfunções neurológicas.
A proposta de Rood se fundamenta em quatro premissas básicas: 1) o movimento é essencial para o aprendizado motor; 2) a estimulação sensorial pode facilitar ou inibir a atividade muscular; 3) os movimentos devem ser direcionados a uma finalidade funcional; e 4) os padrões de movimento devem ser desenvolvidos em sequência, respeitando o desenvolvimento neuropsicomotor típico. O método é particularmente indicado no tratamento de pacientes com paralisia cerebral, acidentes vasculares encefálicos (AVEs), lesões medulares, traumatismos cranioencefálicos, entre outras condições que afetam o sistema nervoso central.
A técnica de Rood é dividida em duas principais categorias de intervenção: técnicas de facilitação e técnicas de inibição. As técnicas de facilitação visam aumentar a excitabilidade dos neurônios motores, promovendo a ativação muscular. Exemplos incluem a estimulação tátil rápida (como escovação da pele), a aplicação de gelo rápido, a percussão muscular, e a aplicação de vibração localizada. Essas estratégias têm como objetivo estimular receptores sensoriais específicos, como os mecanorreceptores e termorreceptores, a fim de produzir uma resposta motora desejada.
Por outro lado, as técnicas de inibição têm como objetivo reduzir o tônus muscular excessivo (hipertonia) e modular reflexos anormais. São utilizadas em pacientes com espasticidade ou rigidez muscular. Dentre essas técnicas destacam-se a pressão profunda sustentada, o alongamento prolongado, a aplicação de calor, e o posicionamento terapêutico. Estas intervenções procuram ativar mecanismos inibitórios do sistema nervoso central, promovendo o relaxamento muscular e melhorando a capacidade funcional do paciente.
Além disso, o método Rood defende que a recuperação da função motora deve seguir uma sequência de desenvolvimento neurológico: a mobilidade, a estabilidade, o movimento controlado e a habilidade. A intervenção terapêutica deve ser planejada de forma progressiva, respeitando esses estágios e promovendo o envolvimento ativo do paciente na realização de atividades motoras com propósito funcional. Essa ênfase na funcionalidade diferencia o método de abordagens puramente passivas, favorecendo a integração das habilidades motoras na vida diária do paciente.
Embora o método Rood tenha sido amplamente utilizado nas décadas passadas, atualmente é mais frequentemente integrado a outras abordagens terapêuticas, como Bobath (Neurodevelopmental Treatment - NDT), Kabat (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva - FNP), e o método Vojta. Isso se deve, em parte, à escassez de evidências científicas robustas que sustentem sua eficácia isolada, embora seus princípios ainda sejam considerados válidos e aplicáveis dentro de um plano terapêutico mais amplo e individualizado.
Em suma, o método Rood oferece um conjunto de técnicas baseadas na estimulação sensorial que podem ser úteis na reabilitação neurológica. Quando aplicado de forma criteriosa e associado a outras estratégias de tratamento, pode contribuir para a modulação do tônus muscular, a facilitação do movimento e a melhora da funcionalidade de pacientes com distúrbios neuromotores.
O método Rood é uma abordagem terapêutica neurofisiológica desenvolvida por Margaret S. Rood, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta norte-americana, nas décadas de 1940 e 1950. Baseado na estimulação sensorial para promover a resposta motora, esse método constitui uma das primeiras tentativas sistematizadas de utilizar a neurofisiologia clínica no campo da reabilitação motora. Sua proposta se destaca pela utilização de técnicas sensoriais específicas — como estímulos táteis, proprioceptivos, térmicos e vibratórios — para facilitar ou inibir a atividade muscular em pacientes com disfunções neurológicas.
PRINCÍPIOS NEUROFISIOLÓGICOS
O método Rood é fundamentado nos princípios da hierarquia do sistema nervoso central (SNC), onde o funcionamento cortical depende da integridade e maturidade das estruturas subcorticais. Assim, o controle motor eficiente emerge a partir de respostas reflexas organizadas por centros inferiores que, progressivamente, são modulados pelas estruturas superiores do SNC. Essa concepção leva à ideia de que a intervenção sensorial pode influenciar positivamente a ativação ou a inibição de padrões motores, dependendo da natureza, intensidade e duração do estímulo aplicado.
Rood classificou o tônus muscular como a base do movimento funcional e estabeleceu que a modulação do tônus é essencial para o desenvolvimento motor adequado. O método reconhece quatro fases do desenvolvimento motor: mobilidade (movimento livre e espontâneo), estabilidade (manutenção de posições), mobilidade sobre uma base estável (como o alcance com os braços em posição sentada), e habilidade (integração de movimentos coordenados com propósito funcional).
TÉCNICAS DE FACILITAÇÃO E INIBIÇÃO
As técnicas de facilitação buscam aumentar o nível de alerta neuromuscular e promover contrações voluntárias ou reflexas. Entre as principais estão:
· Estimulação tátil rápida: escovação da pele com escovas específicas para ativação dos mecanorreceptores.
· Aplicação de gelo (estimulação térmica rápida): promove resposta reflexa e aumento do tônus muscular.
· Percussão (tapotagem): realizada sobre grupos musculares específicos para estimular a contração.
· Vibração local: aplicada sobre tendões, podendo facilitar a contração muscular através do reflexo miotático.
Por outro lado, as técnicas de inibição têm como objetivo reduzir a espasticidade, hiperatividade reflexa e outros padrões motores anormais:
· Pressão profunda sustentada: aplicada sobre pontos específicos para ativar receptores de pressão e inibir a atividade muscular excessiva.
· Alongamento prolongado: ajuda a reduzir o tônus muscular por meio do alongamento dos fusos neuromusculares.
· Posicionamento terapêutico: promove alinhamento postural adequado, prevenindo deformidades e padrões de movimento compensatórios.
· Estimulação térmica lenta (aplicação de calor): tem efeito relaxante, promovendo diminuição do tônus muscular.
APLICAÇÕES CLÍNICAS
O método Rood é especialmente utilizado em contextos de reabilitação neurológica. Entre os principais quadros clínicos beneficiados pela abordagem, destacam-se:
· Paralisia cerebral (PC): facilita a aquisição de padrões motores funcionais e inibe reflexos anormais em crianças com PC espástica ou atáxica.
· Acidente vascular encefálico (AVE): utilizado para restaurar a mobilidade e o controle motor em membros afetados pela hemiparesia.
· Lesão medular: pode auxiliar na recuperação de padrões de movimento segmentares e no controle tônico postural.
· Traumatismos cranioencefálicos (TCEs): técnicas sensoriais são usadas para modular o nível de alerta e promover respostas motoras funcionais.
Em ambiente clínico, o terapeuta avalia o nível de tônus muscular, os reflexos presentes, a resposta aos estímulos sensoriais e as habilidades motoras residuais do paciente. A partir dessa avaliação, elabora-se um plano terapêutico personalizado, que integra as técnicas de Rood com outras abordagens contemporâneas.
CRÍTICAS E PERSPECTIVAS ATUAIS
Embora o método Rood tenha desempenhado papel importante na história da reabilitação neurológica, ele também tem sido objeto de críticas. A principal delas reside na falta de comprovação científicarobusta que sustente a eficácia isolada de suas técnicas. Muitos estudos disponíveis são de natureza qualitativa ou possuem baixa validade externa, o que dificulta sua generalização.
Além disso, avanços nas neurociências contemporâneas questionam a rigidez da hierarquia neurofisiológica proposta por Rood, defendendo modelos mais dinâmicos e interativos de organização motora, como a Teoria dos Sistemas Dinâmicos e a Teoria do Controle Motor Baseado em Tarefas.
Apesar dessas críticas, o método Rood continua sendo relevante, especialmente quando integrado a outras abordagens como Bobath, FNP (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva), Vojta, Treinamento Funcional e Terapia Orientada à Tarefa. O uso criterioso e baseado na individualidade do paciente, aliado à avaliação contínua dos resultados, pode tornar essa abordagem um recurso valioso na prática clínica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O método Rood permanece como uma referência clássica na reabilitação neurológica, destacando a importância da estimulação sensorial na recuperação motora. Mesmo com as limitações de evidência científica, seus princípios continuam sendo incorporados na prática clínica de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais em todo o mundo. Sua aplicação exige conhecimento técnico e sensibilidade clínica para selecionar as técnicas apropriadas às necessidades de cada paciente. A integração de Rood com abordagens contemporâneas, guiada por evidências e centrada no paciente, representa o caminho mais promissor para sua utilização eficaz na fisioterapia atual.
REFERÊNCIAS
Bordoloi, K., & Deka, R. S. (2018). Scientific reconciliation of the concepts and principles of Rood approach. International Journal of Health Sciences and Research, 8(9), 225-234. 
Metcalfe, A. B., & Lawes, N. (1998). A modern interpretation of the Rood Approach. Physical Therapy Reviews, 3(4), 195-212. 
Patel, B. R., & Kadam, N. (2019). Effect of Rood’s approach in diabetic polyneuropathy. Biomedical Research, 30(3), 469-474.

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