Prévia do material em texto
FISIOPATOLOGIA E TERAPIA NUTRICIONAL NO SISTEMA DIGESTÓRIO AULA 6 Profª Thais Regina Mezzomo 2 CONVERSA INICIAL Fisiopatologia e terapia nutricional nas doenças do trato gastrointestinal: vesícula biliar e pâncreas Cerca de 1 L de bile é secretado diariamente em resposta ao estímulo dos alimentos no duodeno. Embora a má absorção dos sais biliares possa parecer benigna, há consequências. Se não houver reciclagem de sais biliares no íleo, a produção hepática não mantém um pool suficiente para emulsificar lipídeos. Isso pode levar à má absorção de gorduras e de vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. Além disso, a má absorção de ácidos graxos resulta na sua combinação com o cálcio, zinco e magnésio para formar sabões de ácido graxo- mineral, levando também à sua má absorção. Compondo ainda o quadro, a absorção colônica de oxalato aumenta, levando à oxalúria e ao aumento da frequência de cálculos renais de oxalato. Estudos recentes também têm demonstrado o papel dos sais biliares na melhor microbiota intestinal dos indivíduos. A bile tem ação germicina no intestino delgado, contribuindo para evitar o supercrescimento de bactérias no intestino delgado (SIBO). O pâncreas é o órgão responsável por manter a homeostasia da glicose e participa ativamente da digestão dos alimentos consumidos, por meio da secreção de enzimas digestivas. Danos no órgão comprometem o organismo, o estado nutricional e a qualidade de vida dos indivíduos. De acordo com esse contexto, estudaremos nesta aula os fatores de risco e a respectiva terapia nutricional nas doenças da vesícula biliar e do pâncreas com o objetivo de capacitá-lo na conduta nutricional dessas patologias. Em detalhes, nesta seção, iremos entender o que é colestase, colelitíase, colecistite, coledocolitíase, colangite, pancreatite aguda e crônica e a respectiva terapia nutricional. Vamos começar? TEMA 1 – RELEMBRANDO A FISIOLOGIA DA VESÍCULA BILIAR A vesícula biliar situa-se na superfície inferior do lobo direito do fígado e sua principal função é concentrar, armazenar e excretar a bile, produzida pelo fígado. A bile é composta de sais biliares e compostos endógenos e exógenos 3 excretores, ácidos graxos, colesterol, fosfolipídeos, bilirrubina, proteína e outros compostos. Os sais biliares são produzidos pelas células hepáticas a partir do colesterol e são essenciais para digestão e absorção de lipídeos, vitaminas lipossolúveis e alguns minerais. A bilirrubina, o principal pigmento da bile, provém da liberação da hemoglobina em consequência da destruição dos eritrócitos. A bilirrubina é transportada até o fígado, onde é conjugada e excretada pela bile. A bile é liberada do fígado pelos ductos hepáticos, que se unem e formam o ducto hepático comum. A bile no ducto hepático comum escoa para o ducto colédoco e desemboca no duodeno, ou entra no ducto cístico, que leva à vesícula biliar, para armazenamento da bile para uso posterior. O ducto hepático comum e o ducto cístico se unem e formam o ducto colédoco. Vejamos a representação dos ductos na Figura 1. Os sais biliares são excretados no intestino delgado pela bile e, posteriormente, são reabsorvidos no sistema porta (circulação êntero-hepática). Figura 1 – Vesícula biliar Vesícula biliar Corpo Ducto pancreático Ducto biliar comum Ducto hepático comum Vesícula biliar Ducto hepático direito Ducto hepático esquerdo Pescoço da vesícula biliar Ducto cístico 4 Créditos: Designua/Shutterstock. Durante a digestão, a presença do quimo no duodeno desencadeia a liberação de hormônios intestinais, como a colecistocinina (CCK) e a secretina, os quais estimulam a vesícula biliar e o pâncreas e relaxam o esfíncter de Oddi, possibilitando o fluxo de suco pancreático e bile para dentro do duodeno na ampola de Vater, a fim de auxiliar na digestão dos lipídeos. TEMA 2 – DOENÇAS DA VESÍCULA BILIAR 2.1 Colestase A colestase é uma condição em que ocorre pouca ou nenhuma secreção de bile ou na qual há obstrução do fluxo de bile para o sistema digestório. Pode ser observada em pacientes em nutrição parenteral prolongada. A prevenção da colestase requer a estimulação da motilidade e secreção biliares por pelo menos uma nutrição enteral mínima. Se isso não for possível, recorre-se à terapia farmacológica. 2.2 Colelitíase e coledocolitíase A colelitíase ou litíase biliar se refere a formação de cálculos biliares. Na maioria dos casos, os cálculos biliares são assintomáticos. Ocorre coledocolitíase quando os cálculos migram para os ductos biliares, produzindo obstrução, dor e cólicas. Se a passagem da bile para o duodeno for interrompida, pode haver colecistite. Na ausência de bile no intestino, há comprometimento na absorção dos lipídeos, e, sem pigmentos biliares, as fezes adquirem uma coloração clara (acolia). Já a urina tem “cor de coca-cola” (colúria), pois a bile acaba sendo eliminada da corrente sanguínea pelos rins. Se o problema não for corrigido, o retorno da bile pode resultar em icterícia e dano hepático (cirrose biliar secundária). A obstrução da parte distal do ducto colédoco pode causar pancreatite se obstruir o ducto pancreático. Os sintomas da litíase biliar incluem dor contínua em região epigástrica ou no hipocôndrio direito, irradiada para o ombro direito, esteatorreia e, em caso de coledocolitíase, acolia, colúria e icterícia. Os cálculos biliares são, em sua 5 maioria, compostos de colesterol, bilirrubina, sais biliares, fosfolipídios, eletrólitos e sais de cálcio. Os cálculos biliares se formam por solubilidade do colesterol na bile pela agregação de sais biliares e lecitinas que atuam como detergentes. Isso deixa a bile supersaturada com colesterol e culmina em cristais sólidos de colesterol (nucleação). A formação de cálculos biliares de colesterol envolve defeitos simultâneos como: a bile deve estar supersaturada com colesterol; a hipomotilidade da vesícula biliar promove a nucleação (jejum prolongado, gravidez, perda ponderal rápida, nutrição parenteral, traumatismo raquimedular); e a hipersecreção de muco na vesícula biliar aprisiona os cristais, permitindo sua aglomeração em cálculos. Os fatores de risco para a formação de cálculos de colesterol incluem sexo feminino, gestação, idade avançada, história familiar, obesidade e distribuição da gordura corporal no tronco, diabetes mellitus, doença intestinal inflamatória, fármacos (medicamentos para redução dos lipídeos, contraceptivos orais e estrogênios), rápida perda de peso e dieta hiperlipídica e pobre em fibras. Há correlação entre o aumento da ingestão calórica (> 2.500 kcal) e a prevalência de cálculos de colesterol. Sabe-se que cerca de 40% dos pacientes com litíase biliar têm consumo de colesterol > 300 mg/dia. O consumo de 40 g/dia de açúcar duplica o risco de cálculos sintomáticos. Por fim, há associação entre o aumento do índice glicêmico e o risco de colelitíase, pois há estímulo da secreção de insulina e consequentemente a síntese de colesterol. A colecistectomia refere-se à retirada cirúrgica da vesícula biliar, caso os cálculos forem numerosos, grandes ou calcificados. A colecistectomia pode ser realizada por meio de laparotomia aberta tradicional ou por um procedimento laparoscópico menos invasivo. A dietoterapia recomendada na colelitíase é dieta hipolipídica (com o 6 decorrer do tempo, de modo a permitir que a bile fique retida de modo semelhante à vesícula biliar original. 2.3 Colecistite A colecistite se refere à inflamação da vesícula biliar e pode ser aguda ou crônica. É causada por cálculos biliares que obstruem os ductos biliares, levando ao retorno da bile para a circulação sanguínea ou quando a vesícula biliar e a bile estão estagnadas (pacientes críticos). A bilirrubina apresenta afinidade pelos tecidos elásticos (como o olho e a pele) e, quando presente na circulação, provoca a pigmentação amarelada da pele e dos olhos (icterícia). A colecistite crônica é uma inflamação duradoura da vesícula biliar. É causada por episódios leves e repetidos de colecistite aguda, levando ao espessamento das paredes da vesícula biliar. O consumo de alimentos ricos em lipídeos pode agravar os sintomas da colecistite devido à necessidade de bile para digerir esses alimentos. A colecistite aguda exige intervenção cirúrgica. Sem cirurgia, a condição pode desaparecer ou evoluir para a gangrena. A dietoterapia recomendada na crise aguda de colecistite é jejum via oral. A nutrição parenteral pode estar indicada se o paciente estiver desnutrido e se houver previsão de que não irá se alimentar por via oral por um período de tempo prolongado. Quando os alimentos são retomados, recomenda-se dieta com baixo teor de lipídeos (30-45g/dia;aguda O diagnóstico médico envolve a anamnese, exame físico, exames bioquímicos (hemograma, amilase sérica, amilasúria, lipase sérica, calcemia, glicemia), exames de imagem (radiografia simples do abdômen, do tórax, ultrassonografia e até tomografia computadorizada), conforme o critério médico. O tratamento médico inclui medidas para manter as funções vitais e proporcionar repouso pancreático. Podem ser empregados a oxigenação, correção da hipovolemia, reposição hidroeletrolítica, analgesia, sonda nasogástrica para descompressão do estômago, inibidor da bomba de prótons e antibioticoterapia, conforme o estado clínico do paciente. 4.3 Terapia nutricional na pancreatite aguda Os pacientes frequentemente apresentam estado hipermetabólico (que leva a desnutrição), má digestão (e consequente má-absorção), catabolismo proteico e/ou fístula, ingestão proteica inadequada e desnutrição. A terapia nutricional recomendada para a pancreatite aguda leve envolve: jejum via oral por 2-5 dias (conforme critério médico), após iniciar alimentação via oral com líquidos claros e evoluir a consistência gradualmente conforme a tolerância (monitorar sintomas). A dieta deve ser hipolipídica (gordura estimula a secretina e a CCK que irão estimular a secreção pancreática); hiperproteica (1,5-2,5 g/kg/dia) e normoglicídica. O fator injúria recomendado é de 1,3 a 1,5 sobre o gasto energético basal. Os alimentos são mais bem tolerados se divididos em seis refeições pequenas. A terapia nutricional para casos de pancreatite aguda grave é: jejum via oral (líquidos endovenosos – prescrição médica), nutrição enteral via sonda nasoenteral (geralmente a mais de 40 cm do ligamento de Treitz) ou jejunostomia (à critério médico), dieta em bomba infusora a 20-25 ml/h, com energia recomendada de 25 kcal/kg peso ideal/dia. A dieta, quando administrada por SNE, pode ser polimérica, se bem aceita pelo paciente, hiperproteica, normoglicídica e normolipídica. Entretanto, caso a dieta seja administrada via jejunostomia, recomenda-se dieta hidrolisada, hipolipídica e hiperproteica. 11 Caso não haja tolerância de dieta enteral pelo paciente (presença de dor, aumento da inflamação, aumento dos níveis séricos de amilase e ou lipase), nutrição parenteral total (NPT), pode ser prescrita pela equipe médica. É importante monitorar o nível sérico de triglicérides. Caso esteja superior a 300 mg/dL, não se deve utilizar NPT com lipídios, apenas NPT 2:1 (glicose e aminoácidos). O desmame da NPT deve ocorrer conforme melhora na tolerância da nutrição enteral, quando esta puder suprir os requerimentos nutricionais do paciente. Normalmente, reduz-se 500 kcal de nutrição parenteral ao dia, enquanto esse teor é acrescido na nutrição enteral. A alimentação oral (realimentação) só poderá ser utilizada após o completo reestabelecimento do pâncreas. 4.4 Recomendações nutricionais sobre a pancreatite aguda Segundo a Diretriz Brasileira de Terapia Nutricional no Paciente Grave, a terapia nutricional deve ser iniciada precocemente na pancreatite. A via enteral proporciona menor custo e menos eventos adversos ao paciente. O posicionamento da sonda (pós-pilórica ou gástrica) não demonstrou benefício superior, portanto, essa decisão fica a critério da equipe multidisciplinar de terapia nutricional. Sobre a alimentação via oral, os estudos não provaram benefício de formulações pobres em gordura, como dieta líquida, sobre a dieta normal, portanto, da mesma forma, essa decisão fica a critério da equipe multidisciplinar de terapia nutricional. TEMA 5 – PANCREATITE CRÔNICA 5.1 Fisiopatologia da pancreatite crônica A pancreatite crônica é caracterizada por fibrose parenquimatosa, reduzido número e tamanho dos ácinos e dilatação variável dos ductos pancreáticos. As ilhotas de Langerhans também ficam reduzidas devido a um infiltrado inflamatório crônico em torno dos lóbulos e ductos remanescentes. Macroscopicamente, a glândula é dura, às vezes com ductos extremamente dilatados, com visíveis áreas de calcificações. O álcool aumenta a secreção pancreática exócrina que leva ao depósito ou à precipitação de rolhas proteicas e à obstrução dos pequenos ductos 12 pancreáticos. O álcool também tem efeitos tóxicos diretos sobre as células acinares, inclusive a indução do estresse oxidativo nessas células, o que leva ao dano da membrana. Doenças do trato biliar, hipercalcemia e hipertrigliceridemia também são causas de pancreatite crônica. As crises recorrentes de pancreatite aguda causam fibrose e destruição do pâncreas exócrino e, muitas vezes, do pâncreas endócrino, resultando em má digestão e diabetes mellitus. Essa condição apresenta episódios recorrentes de dor epigástrica de longa duração que pode se irradiar para as costas. A dor pode ser precipitada pelas refeições. A náusea, os vômitos ou a diarreia associados dificultam a manutenção de um estado nutricional adequado. O paciente pode apresentar também icterícia (em caso de obstrução), esteatorreia e hiperglicemia devido a insuficiente produção de insulina. 5.2 Diagnóstico e tratamento médico na pancreatite crônica O diagnóstico médico é realizado pela avaliação da história e manifestações clínicas, avaliação da função endócrina e exócrina. Exames de imagem (ultrassom e tomografia computadorizada) podem ser necessários. O tratamento médico envolve a remoção do agente etiológico, analgesia, tratamento das complicações (hiperglicemia, por exemplo), suplementação de lipase (aprox. 30.000 UI durante as refeições), inibidores de H2 ou de bomba de prótons (devido à secreção deficiente de bicarbonato) e insulina, se necessário. 5.3 Terapia nutricional na pancreatite crônica A terapia nutricional tem por objetivo evitar danos adicionais ao pâncreas, diminuir o número de episódios de inflamação aguda, aliviar a dor, diminuir a esteatorreia e corrigir a desnutrição. A ingestão dietética deve ser tão liberal quanto possível, porém podem ser necessárias modificações para minimizar os sintomas. Se a dor pós-prandial for um fator limitante, justifica-se o uso de terapias enterais alternativas que minimizam o estímulo do pâncreas. Quando a função pancreática está diminuída em cerca de 90%, a produção e a secreção de enzimas são insuficientes; por conseguinte, a má digestão e a má absorção de proteínas e de lipídeos tornam-se um problema. 13 Deve-se evitar refeições volumosas ricas em lipídeos, bem como o consumo de álcool. Recomenda-se refeições pequenas e frequentes. A dieta oral deve ser conforme o estado nutricional (de normo a hipercalórica: 25-40 kcal/kg/dia), normoglicídica (aproximadamente 50% do VET) com restrição de carboidratos simples se hiperglicemia, normo a hiperproteica (1-1,5 g/Kg/dia, e normolipídica (30% do VET), com adição de triglicerídeos de cadeia média (TCM). Caso o paciente apresente esteatorreia, sugere-se dieta oral com 40-60g de lipídios e suplementação de TCM. Os TCM melhoram a absorção de gordura e auxiliam no ganho de peso corporal. Vitaminas lipossolúveis e vitamina B12 devem ser repostos. Em casos de desnutrição e dor refratária, sugere-se nutrição por sonda no jejuno, hidrolisada, hipolipídica. Se houver dor resistente, impossibilidade da sonda no jejuno ou presença de fístulas, pode-se utilizar nutrição parenteral, no entanto, deve-se utilizá-la pelo menor tempo possível. NA PRÁTICA FG, 48 anos, sexo feminino, internada com quadro de dor abdominal e icterícia progressiva. Paciente é obesa, diabética, dislipidêmica e hipertensa controlada. Refere ter iniciado com mal-estar geral, dor abdominal em hipocôndrio direito, anorexia e icterícia progressiva há 3 semanas, associada a urina escura e fezes claras. Sem edema. Peso: 93 kg, atura: 1,63m. Ecografia: fígado e pâncreas normais, presença de cálculos na vesícula biliar e um no colédoco. 1. Quais os fatoresnutricionais relacionados à colelitíase? 2. Explique a presença de icterícia, urina escura e fezes claras. 3. Qual a orientação dietética deve ser dada a paciente após colectomia? 4. Elabore um plano nutricional (qualitativo) para um paciente com pancreatite aguda leve. 5. Qual o plano nutricional para um paciente submetido à cirurgia por pancreatite aguda necro-hemorrágica (inclua o nome comercial da fórmula pretendida)? 6. Elabore um plano nutricional para um paciente com pancreatite crônica. 7. Qual estratégia nutricional pode ser usada para um paciente com pancreatite crônica que se encontra com dor refratária e desnutrição? 14 FINALIZANDO Finalizamos esta aula, na qual estudamos as doenças da vesícula biliar e do pâncreas. Percorremos a importância da bile e da alimentação saudável no organismo, e também entendemos o que é colelitíase (presença de cálculos biliares na vesícula biliar), coledocolitíase (presença de cálculos biliares no colédoco), colecistite (inflamação na vesícula biliar), colangite (inflamação dos ductos biliares) e colestase (pouca ou nenhuma secreção de bile por obstrução), conforme ilustra a Figura 3. A Figura 4 resume a terapia nutricional hipolipídica nessas condições. Figura 3 – Doenças da vesícula biliar Créditos: Fcrevis/Shutterstock. Figura 4 – Terapia nutricional recomendada na colestase, colecistite, colangite, colelitíase e coledocolitíase Também estudamos nesta aula as pancreatites nas formas aguda e crônica, de gravidade leve e grave. A pancreatite aguda leve tem indicação de repouso do órgão, com jejum por 2-5 dias e, posteriormente, dieta de líquidos colelitíase coledocolitíase colangite colecistite 15 claros, com evolução. Com dieta sólida, recomenda-se característica hipolipídica, hiperproteica e hipercalórica. O tratamento nutricional na pancreatite aguda grave envolve jejum VO, nutrição enteral via jejunostomia, com dieta hidrolisada, hipolipídica, hiperproteica e normocalórica, inicialmente. A dieta deve correr em bomba infusora a 25 ml/h. Caso haja intolerância da nutrição enteral, recomenda-se nutrição parenteral. Na pancreatite crônica, recomenda-se alimentação via oral, hipercalórica, normoglicídica, hiperproteica e normolipídica. Caso haja esteatorreia, o teor de lipídios na dieta deve reduzir (40-60 g/dia) e suplementação de TCM é indicada. Em casos de desnutrição e dor refratária, nutrição enteral no jejuno (hidrolisada, hipolipídica) é recomendada. Caso a dor perpetue, a nutrição parenteral é indicada. Assim, passamos a compreender a importância de entender os processos fisiológicos e a patologia para poder tratar adequadamente o indivíduo. 16 REFERÊNCIAS CASTRO, M. G. et al. Diretriz brasileira de terapia nutricional no paciente grave. Braspen J., 33 (Supl 1), 1-46, 2018. HALL, J. E.; GUYTON, A. C. Fundamentos de Guyton e Hall fisiologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins: patologia básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. MAHAN, L. K.; RAYMOND, J. L. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. MENEZES, H. L. et al. Estudo randomizado para avaliação da dieta hipolipídica nos sintomas digestivos no pós-operatório imediato da colecistectomia por videolaparoscopia. Rev. Col. Bras. Cir., 40(3): 203-207, 2012. ROSS, A. C. et al. Nutrição Moderna de Shils na Saúde e na Doença. 11. ed. Barueri: Manole, 2016. SCOTT-STUMP, S. Nutrição relacionada ao diagnóstico e tratamento. 6. ed. Barueri: Manole, 2011. SOUSA, K. P. Q.; SOUZA, P. M.; GUIMARÃES, N. G. Fatores antropométricos, bioquímicos e dietéticos envolvidos na litíase biliar. Com Ciencias Saude, 19(3), p. 261-270, 2008.