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1 CARDIOPATIAS CLÍNICAS 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA ................................................................................................................ 3 1. CONCEITO .............................................................................................................. 4 2. OS DIFERENTES TIPOS DE CARDIOPATIA.......................................................... 6 2.1 Sintomas de Cardiopatia .......................................................................................... 7 3. FISIOPATOLOGIA ................................................................................................... 8 3.1 Fatores de Risco ...................................................................................................... 9 4. TRATAMENTO ...................................................................................................... 15 5. CARDIOPATIAS .................................................................................................... 21 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 25 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 1. CONCEITO Figura 1 Conceito de cardiopatia As doenças que afetam o coração são chamadas de cardiopatias. O conceito é geralmente usado com referência a todos os distúrbios ligados ao coração ou sistema circulatório, estudados pela cardiologia. Existem diferentes tipos de cardiopatias. Se o inconveniente tem sua origem no desenvolvimento fetal, fala-se de cardiopatia congênita. Nesse caso, o indivíduo já sofre do distúrbio antes de seu nascimento. É possível distinguir entre cardiopatias congênitas cianóticas e cardiopatias congênitas não cianóticas, dependendo se existe ou não cianose. As cardiopatias isquêmicas, por sua vez, são patologias que afetam as artérias coronárias, responsáveis pela irrigação do miocárdio (o tecido muscular que faz parte do coração). Esse tipo de cardiopatias gera uma isquemia (um inconveniente celular devido ao nível deficiente de sangue e, portanto, oxigênio). No conjunto das cardiopatias, também encontramos cardiopatias hipertensivas. https://conceito.de/conceito https://conceito.de/sistema https://conceito.de/origem https://conceito.de/caso 5 Essas doenças estão ligadas à hipertrofia das células cardíacas devido ao esforço a que são submetidas pela hipertensão arterial. Outras classificações de cardiopatias referem-se a cardiomiopatias (problemas no miocárdio) e valvulopatias (problemas nas válvulas cardíacas). Insuficiência mitral, angina de peito e infarto do miocárdio estão entre as cardiopatias que podem afetar uma pessoa. Os cardiologistas são médicos especializados no diagnóstico e tratamento dessas doenças que podem causar a morte. Tanto para detectar os distúrbios quanto para seu possível tratamento, é possível recorrer a uma série de procedimentos. https://conceito.de/pessoa https://conceito.de/morte 6 2. OS DIFERENTES TIPOS DE CARDIOPATIA Figura 2 O termo cardiopatia abrange todas as doenças que acometem o coração. Alguns dos tipos comuns de cardiopatia são os seguintes: Cardiopatia congênita - são os defeitos cardíacos presentes desde o nascimento. Nos casos mais graves costuma ser percebida logo que o bebê nasce; nos casos menos graves pode ser diagnosticada quando a pessoa já está na idade adulta. Doenças no miocárdio - são defeitos no músculo do coração. Em muitos casos, o órgão não consegue bombear o sangue adequadamente. Infecção no coração - são causadas quando bactérias, vírus, fungos ou parasitas alcançam o músculo cardíaco. Cardiopatia de válvulas - o coração tem quatro válvulas que abrem e fecham para permitir o fluxo de sangue no órgão. Uma variedade de fatores podem danificar as válvulas, causando a doença. Cardiopatia hipertensiva - é uma consequência da pressão arterial alta, que pode sobrecarregar o coração e os vasos sanguíneos e causar a doença. Cardiopatia isquêmica - causada pelo estreitamento das artérias do coração pela acumulação de gordura, o que leva à diminuição da oferta de sangue para o órgão. A doença pode gerar anginas (dor no peito) ou, nos casos agudos, infarto. 7 2.1 Sintomas de Cardiopatia Os sintomas de cardiopatia podem variar com o tipo de problema e o quanto a função cardíaca está comprometida. Alguns sinais incluem: Cor de pele cinzenta ou azul (cianose); Inchaço nas mãos, tornozelos e pés; Falta de ar; Falta de fôlego durante atividade física; Fadiga; Batimentos cardíacos irregulares; Tonturas, vertigens e desmaios; Dor no peito. Se você desconfia que tem alguma doença cardíaca ou se você tem histórico familiar da doença, consulte um médico. A cardiopatia é mais fácil de ser tratada quando detectada precocemente. Vale lembrar que muitas formas de doenças cardíacas podem ser prevenidas com a adoção de um estilo de vida mais saudável. As doenças cardiovasculares, especificamente a doença arterial coronária, representam a causa mais freqüente de morte nos países desenvolvidos, respondendo por cerca de um milhão de mortes anualmente nos EUA; em 1990 foi a causa mais comum de morte no mundo. No Brasil, a mortalidade por essa doença é também elevada, equiparando-se à dos países com maior mortalidade, como a Finlândia e a Hungria. Em São Paulo, as doenças do coração foram responsáveis por 403,1 óbitos masculinos e 171,9 óbitos femininos por 100 mil habitantes, na faixa etária de 45 a 64 anos, no período de 1984 a 1987, enquanto na Hungria essa taxa foi de 547,3 e 229; nos EUA, 422,8 e 156,2; na Itália, 245 e 71,6 e, no Japão, 110,7 e 45, respectivamente. A apresentação clínica da doença coronária varia desde a angina estável até a morte súbita. Nesse espectro encontram-se os quadros de infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST e angina instável, atualmente catalogados como síndrome coronária aguda. 8 3. FISIOPATOLOGIA Na fisiopatologia da cardiopatia isquêmica dois processos estão implicados: a oferta e a demanda de oxigênio pelo miocárdio. A isquemia miocárdica ocorre quando há desequilíbrio na oferta e na demanda de oxigênio. Por outro lado, duas situações alteram a oferta de oxigênio para o miocárdio: a isquemia e a hipoxemia. Em algumas condições, o comprometimento da oferta de oxigênio é secundário à diminuição do fluxo sanguíneo,sendo essa a fisiopatologia da maioria dos casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e dos episódios de angina instável. Em outras situações, como a hipertrofia ventricular, o aumento na demanda de oxigênio é o principal responsável pela isquemia miocárdica. Além disso, o sinergismo desses dois mecanismos é o principal fator na determinação de isquemia noscasos de angina crônica estável. Esforço físico, estresse emocional, taquicardia ou hipertensão arterial associados à obstrução coronária alteram não só a demanda como a oferta de oxigênio, desencadeando isquemia miocárdica. A hipoxemia, por sua vez, caracterizase pela redução da oferta de oxigênio, mas com perfusão sanguínea adequada. Alguns exemplos desse quadro são as cardiopatias congênitas cianóticas, asfixia, a insuficiência respiratória hipoxêmica e a intoxicação por monóxido de carbono. Fatores que alteram a demanda e a oferta de oxigênio, portanto, são os responsáveis pela evolução do paciente para síndrome coronária aguda e angina crônica estável. O grau de obstrução da artéria responsável pelo episódio agudo, a ocorrência de lesões em outros vasos e o grau de circulação colateral são os determinantes mais importantes da diminuição da oferta; a pressão arterial sistêmica, a freqüência cardíaca e a hipertrofia e contratilidade ventricular são as variáveis mais importantes na determinação da demanda de oxigênio. Apesar da contribuição de todos esses fatores na determinação da isquemia miocárdica, a doença aterosclerótica coronária é o substrato anatômico mais importante na fisiopatogenia da cardiopatia isquêmica. A partir de estudos importantes da literatura, sabemos hoje da importância do processo aterotrombótico não só no desencadeamento da isquemia aguda como também na progressão da doença 9 aterosclerótica com relação à gravidade da obstrução da luz vascular. O processo aterosclerótico é insidioso, iniciando-se na adolescência com as placas gordurosas e progredindo para complicações trombóticas na idade adulta e na população geriátrica. 3.1 Fatores de Risco Diversos fatores, agindo sinergisticamente ou não, estão associados à presença de placas ateroscleróticas não só no leito coronário como também nos vasos cerebrais e periféricos. Só a partir dos resultados iniciais do estudo de Framingham, publicados no início da década de 1960, é que se começou a utilizar o conceito de fatores de risco para doença aterosclerótica coronária. Hoje, a partir de estudos epidemiológicos os fatores de risco convencionais para doença aterosclerótica coronária incluem tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, hiperlipidemia, diabetes melito e intolerância à glicose, resistência à insulina, obesidade, vida sedentária e estado hormonal (deficiência de estrógeno). Além desses, outros fatores também estão associados a risco elevado de eventos coronários: níveis altos de homocisteína, fibrinogênio, lipoproteína (a) (um composto de LDL, apo B-100 e apoA), fator tissular ativador do plasminogênio (t-PA), inibidor do plasminogênio ativado (PAI 1) e proteína C reativa. Tabagismo O tabagismo é um fator de risco independente para doença coronária, tanto em homens como em mulheres. Nos homens que fumam pelo menos cigarros por dia a incidência de infarto agudo do miocárdio aumenta 3 vezes em relação aos não- fumantes; nas mulheres esse risco é de 6 vezes em relação às nãofumantes. O risco aumenta linearmente com a quantidade de cigarros fumados e também é maior nos fumantes passivos. Na angina instável, recentemente demonstramos que as mulheres tabagistas, independentemente da quantidade de cigarros inalados, apresentavam risco de placa aterosclerótica coronária grave (= 70%), 4,5 vezes maior do que as não-tabagistas. O mais importante é que esse risco é completamente reversível, independente do tempo de tabagismo e da quantidade de cigarros fumados. Como conseqüência da abolição do tabagismo observa-se aumento da sobrevida e diminuição na taxa de reinfarto. 10 Hipertensão A hipertensão arterial e a hipertrofia ventricular esquerda são dois fatores de risco bem estabelecidos para doença coronária, morte por doença coronária, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral18,19. De acordo com o estudo de Framingham, a pressão sistólica é um fator de risco coronário pelo menos da mesma magnitude que a da pressão diastólica, e hipertensão sistólica isolada está sabidamente relacionada a doença coronária e acidente vascular cerebral. De todas as pressões, a que mais se associa com risco coronário é a pressão de pulso, definida como a diferença entre a pressão sistólica e a pressão diastólica. Pope et al., avaliando 10.689 pacientes com quadro de dor precordial, verificaram associação entre a pressão de pulso mais alta e os pacientes que tiveram diagnóstico final de isquemia. No estudo de Framingham, a pressão de pulso foi um preditor mais potente de eventos cardiovasculares que a pressão diastólica ou a sistólica isoladamente. Mais recentemente, Millar e Lever, estudando homens hipertensos, desenvolveram um modelo de regressão logística empírico e complexo, que levou em consideração a interação das pressões sistólica e diastólica, bem como da pressão de pulso na determinação do risco de eventos coronários. Esses autores demonstraram que a pressão de pulso foi o fator preditivo mais potente para determinação do risco cardíaco. Em nosso meio, em mulheres com angina instável ou infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (82% com antecedente de hipertensão arterial), verificamos, em uma regressão logística com todos os fatores de risco convencionais e as pressões sistólica e diastólica medidas na raiz da aorta, que a pressão que se associou a riscode lesão coronária grave (= 70%) foi a pressão sistólica maior ou igual a 165 mmHg. De acordo com o estudo de Framingham, pacientes com padrão eletrocardiográfico definitivo de hipertrofia ventricular esquerda apresentam mortalidade de 59% em 12 anos; risco três vezes maior de desenvolver insuficiência coronária grave em 14 anos; risco seis vezes maior de morte súbita nos homens e três vezes nas mulheres e aumento de dez vezes na evolução para insuficiência cardíaca em 16 anos. O risco de insuficiência cardíaca é independente da idade e diretamente relacionado ao nível pressórico, e a hipertrofia ventricular, uma resposta à hipertensão sendo demonstrada mesmo em crianças e adolescentes com hipertensão limítrofe. 11 Estudos sugerem que um sistema renina-angiotensina cardíaco contribui para o desenvolvimento da hipertrofia ventricular e que a hipertensão arterial também pode levar à fibrose intersticial, com os dois fatores determinando alterações na função diastólica ventricular. Além desse sistema, a endotelina, as proteínas G, a predisposição genética, a viscosidade sanguínea e o tipo de hipertrofia (concêntrica ou excêntrica) são fatores associados com o desenvolvimento de hipertrofia ventricular e disfunção cardíaca. Pacientes com hipertrofia da parede ventricular e sem aumento do índice de massa ventricular apresentam o mesmo risco que pacientes com aumento da massa ventricular. Além de todos esses fatores, a redução do fluxo coronário subendocárdico e da reserva de fluxo pela própria hipertrofia (elevação da pressão diastólica final); do fluxo coronário total pelo aumento do tono coronário e da relação parede/luz vascular; o aumento da resistência periférica e, portanto, da demanda metabólica são todos fatores associados com isquemia miocárdica, contribuindo também para deterioração da função ventricular nos pacientes hipertensos. A detecção desses fatores com terapêutica adequada é passo fundamental na prevenção da insuficiência cardíaca nesses pacientes. Dislipidemia O estudo epidemiológico Multiple Risk Factor InterventionTrial (MRFIT), com 361.662 homens, estabeleceu claramente que o risco de doença coronária aumenta linearmente com o aumento do colesterol total. Outros estudos demonstraram a importância das frações do colesterol na determinação do risco coronário. Pacientes com valores de LDL acima de 160 mg/dl são considerados de alto risco; de 130 a 159 mg/dl, de médio risco; abaixo de 130 mg/dl, de baixo risco. Com relação à fração HDL (lipoproteína de alta densidade) existe uma relação inversa entre o seu nível e a doença coronária. De acordo com o estudo de Framingham, uma diminuição da HDL de 5 mg/dl aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio em 25% tanto em homens como em mulheres. A relação entre a taxa de colesterol total e a fração HDLcolesterol é outro índice eficiente de estimativa de risco coronário. Nos homens, taxa de 6,4 ou mais e nas mulheres de 5,6 ou mais está relacionada à elevação do risco de evento coronário. Os triglicérides isoladamente parecem desempenhar papel mais importante nas 12 mulheres, principalmente nas mulheres diabéticas. Ao contrário dos homens, o aumento do colesterol total e da LDL (lipoproteína de baixa densidade) tem baixa correlação com doença arterial coronária em mulheres e, nestas, apenas em idade inferior a 65 anos. Na mulher, o fator mais importante é o nível de HDL-colesterol. De acordo com o estudo de Framingham, um aumento de 10 mg nos níveis de HDL reduz o risco de doença coronária nas mulheres em 40% a 50%. Além da HDL, os triglicérides e a lipoproteína a Lp(a) são fatores associados à presença de doença coronária em mulheres. Nestas, os níveis de HDL são mais elevados que nos homens e diminuem pouco durante a fase após a menopausa; a LDL é mais baixa nas mulheres e aumenta progressivamente com a idade, particularmente a partir da menopausa até os 70 anos. Diabetes melito, intolerância à glicose, resistência à insulina A doença coronária é a principal causa de morte em pacientes diabéticos (75% dos casos). Apesar dos dados conflitantes com relação ao efeito do controle glicêmico no acometimento macrovascular em pacientes com diabetes tipo 2, não há dúvida de que os pacientes diabéticos são grandes beneficiários do controle dos fatores de risco para doença coronária, já que nessa população específica existe associação de vários fatores de risco, com provável sinergismo na determinação do pior prognóstico desses pacientes em relação a todos os aspectos da doença cardiovascular. Resistência à insulina, hiperinsulinemia, hiperglicemia e intolerância à glicose são todas associadas a processo aterogênico difuso e acelerado. O diabetes melito é um fator de risco para doença coronária, tanto em homens quanto em mulheres, mas nestas é mais potente, praticamente tirando todo o benefício decorrente do sexo feminino, mesmo antes da menopausa. A coronariopatia é uma complicação maior do diabetes, tanto tipo 1 quanto tipo 2. No estudo Rancho Bernardo, 334 homens e mulheres diabéticos foram comparados com 2.137 homens e mulheres não-diabéticos e seguidos por 14 anos. Após ajuste para outros fatores de risco, o risco relativo de morte por doença coronária em homens e mulheres diabéticos foide 1,9 e 3,3 em relação aos nãodiabéticos, respectivamente. No estudo de Framingham ocorreu um aumento de 5,4 vezes no risco de um evento coronário para mulheres diabéticas versus não- diabéticas; nos homens diabéticos, esse aumento foi de 2,4 vezes em relação aos não-diabéticos. 13 Em estudo comparando mulheres diabéticas e não diabéticas com angina instável ou IAM sem supradesnivelamento do segmento ST demonstramos que as mulheres diabéticas mais freqüentemente apresentaram lesões em três e quatro vasos, artérias com obstrução total e fração de ejeção menor do que as não diabéticas. Insuficiência renal crônica A doença arterial coronária é também a principal causa de morte em pacientes renais crônicos em tratamento dialítico. Isso ocorre em parte pela idade avançada desses pacientes, bem como pela proporção de pacientes diabéticos com essa complicação. Cerca de 35% dos pacientes com insuficiência renal crônica, em diálise, têm diabetes melito. A aterosclerose acelerada desses pacientes é multifatorial. Alterações lipídicas, hipertrigliceridemia, intolerância à glicose e resistência à insulina ocorrem cedo nos pacientes renais crônicos, independentemente de serem ou não diabéticos. Outros fatores ligados ao processo aterosclerótico incluem deficiência de carnitina, hipertensão arterial, hiperparatireoidismo secundário, alterações no sistema fibrinolítico e nas plaquetas, com conseqüente aumento na formação de trombo e deposição plaquetária. Todos esses fatores contribuem para tornar essa população de alto risco para eventos coronários. Obesidade – Em países desenvolvidos, a obesidade vem aumentando sua prevalência. No Brasil, essa prevalência também tem aumentado em ambos os sexos; entretanto, nos 25% da população de maior poder aquisitivo da região Sudeste, Monteiro e Condedemonstraram que a obesidade em mulheres foi menor em 1997 do que em 1989. Na população como um todo houve aumento desse índice, especialmente nas camadas mais pobres. O estudo de Framingham, com 5.209 homens e mulheres, estabeleceu a obesidade como fator de risco cardiovascular independente42. Essa relação é mais proeminente na presença de obesidade andróide, ou seja, aquela que predomina no abdome e na parte superior do corpo, com uma razão entre as medidas das circunferências da cintura e do quadril maior do que 0,95 nos homens e 0,85 nas mulheres. Esse tipo de obesidade, descrito por Jean Vague em 1947, está associado, de forma independente, à hipertensão, dislipidemia e diabetes, caracterizando-se a síndrome de resistência à insulina quando todos esses fatores estiverem presentes. 14 Atividade física Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a atividade física habitual diminui o risco de doença coronária. Mesmo exercícios moderados apresentam efeito protetor contra doença coronária e morte por qualquer causa. O exercício físico, quando analisado objetivamente, associa-se com maior diminuição de risco no sexo feminino, sendo o sedentarismo um fator de risco independente e mais prevalente nas mulheres. O exercício físico se associa a uma série de benefícios, como elevação da fração HDL-colesterol, redução dos níveis pressóricos, da resistência à insulina e também à perda de peso. Deficiência de estrógeno A mulher após a menopausa está sob maior risco de eventos coronários. Acredita-se que isso ocorra pela deficiência de estrógeno característica dessa fase. O estrógeno atua no perfil lipídico diminuindo a fração LDLcolesterol e sua oxidação e aumentando a fração HDL-colesterol. Além disso, estudos demonstraram a ação benéfica dos estrógenos na função endotelial, em moléculas de adesão, na função fibrinolítica e no metabolismo da glicose. Apesar desse benefício, alguns efeitos indesejáveis são relatados com o uso de estrógeno por via oral em mulheres jovens: trombose venosa profunda, embolia pulmonar, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Esses efeitos ocorrem principalmente em mulheres tabagistas50. Novos fatores de risco para doença coronária Várias substâncias dosadas no sangue têm demonstrado relação com risco coronário maior. Entre essas, as mais estudadas são o valor total de homocisteína, lipoproteína (a), marcadores da função fibrinolítica (PAI-1, t-PA e d-dímero), fibrinogênio e marcadores inflamatórios (proteína C reativa, interleucina 6, fatores de adesão celular – ICAM-1 e fator de necrose tumoral – TNFα). A descrição detalhada da ligação dessas (substâncias com doença coronária) foge do escopo deste artigo; entretanto, recentemente, Ridkerrealizou uma revisão desse tópico, devendo o leitor reportar-sea esta. 15 4. TRATAMENTO A terapêutica da miocardiopatia isquêmica baseia-se no enfoque dos seguintes aspectos: orientação geral com relação ao estilo de vida e incentivo para exercícios isotônicos; tratamento e redução dos fatores de risco para doença coronária; uso de medicamentos antianginosos e antiplaquetários; tratamento de doenças concomitantes que piorem a isquemia miocárdica; e, por fim, a terapêutica invasiva com revascularização percutânea por angioplastia ou eventualmente cirúrgica com pontes de safena e anastomose mamária. O diagnóstico de uma cardiopatia é assustador em qualquer idade. Quando o paciente ainda nem nasceu, receber esse parecer médico parece ser ainda pior. Em princípio, essa é uma situação devastadoras para a família, mas por outro lado, é importante saber que a maioria das cardiopatias congênitas tem tratamento. O diagnóstico pré-natal traz grandes benefícios na evolução do bebê porque permite o planejamento do nascimento e do tratamento, favorecendo a melhor evolução pós-natal, inclusive possibilitando que a criança já nasça no próprio hospital onde ela vai ser tratada adequadamente”, conta a Dra. Simone Pedra, cardiologista fetal do HCor. Embora os números pareçam alarmantes, uma vez que as cardiopatias congênitas estão entre as malformações mais comuns – apresentam incidência estimada em 1 a cada 100 gestações e sejam responsáveis por cerca de 10% dos óbitos infantis e metade das mortes por malformações congênitas –, a tecnologia e os recursos humanos estão à favor dos bebês. “Os procedimentos intrauterinos são realizados apenas para algumas doenças específicas, e têm 3 objetivos principais: resgatar ventrículos que correm o risco de evoluir para hipoplasia, isso é ficar muito pequeno e perder a função, proteger a circulação dos pulmões contra alterações irreversíveis e tratar a falência cardíaca de fetos com anomalias da válvula aórtica que leva sangue para o corpo e que pode levar a inchaço no bebê e óbito fetal. A boa notícia é que as chances de sucesso do procedimento fetal, quando realizado por um grupo experiente, são de 90% a 95%”, tranquiliza a cardiologista. https://www.hcor.com.br/exames-e-consultas/hcor-diagnostico/ 16 “Por isso, quando nos deparamos com um caso que se beneficia do tratamento fetal, nós sentamos, explicamos detalhadamente aos pais como é a doença e o que está acontecendo no coração do bebê. O tratamento intrauterino é extremamente invasivo, uma vez que necessita fazer uma punção no próprio coração da criança através da barriga da mãe. Mas as chances de sucesso são muito altas”, conta Simone que é a responsável por conversar com os pais para que eles decidam se vão ou não autorizar o procedimento antes do nascimento do bebê. Ainda segundo ela, os médicos explicam também como é feita a intervenção – através de um pequeno furinho no ventre materno pelo qual é introduzida a agulha –, o que se espera do resultado e a possível evolução do bebê. Também explicamos os riscos e o que pode acontecer se o procedimento não for feito”, afirma e exemplifica: na estenose aórtica crítica, por exemplo, em alguns casos se nada for feito, o bebê vai ficando inchado e pode falecer. Então, a gente abre a válvula e esses nenéns, incrivelmente, quase que renascem. Além de salvar o feto, o objetivo é proporcionar que o coração, depois que o bebê nascer, funcione com suas quatro câmaras, como um órgão normal. Intervenção cardíaca fetal Veja como é feita uma intervenção cirúrgica invasiva em um bebê com cardiopatia fetal: Para que o bebê não sinta dor ou movimente-se, uma solução anestésica é injetada no cordão umbilical ou na perninha do bebê. Nesse procedimento, uma agulha é introduzida na barriga da mãe e, após atingir a cavidade uterina, é direcionada para o tórax do bebê até o interior do coração. Quando a agulha é posicionada no local desejado, um balão é introduzido através da agulha e insuflado através da estrutura a ser dilatada. O monitoramento do procedimento é feito pelo ultrassom e garante a precisão da intervenção, que tem como objetivo restabelecer as funções do ventrículo acometido do coração do bebê. https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/procedimento-intrauterino-de-alta-complexidade-assegura-qualidade-de-vida-ao-bebe/ 17 Figura 3 18 Figura 4 19 Cardiopatias fetais As cardiopatias fetais mais comuns são as que afetam o lado esquerdo do coração. “Uma doença que é bastante comum e, infelizmente, bastante grave, chama- se Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE). Além dela, temos as estenoses pulmonares, as estenoses aórticas, a transposição das grandes artérias e as atresias da valva pulmonar”, explica Simone que, além de cardiologista, é coordenadora da Unidade Fetal do HCor. Só existe uma ferramenta para a avaliação do coração do feto: o ecocardiograma fetal, que nada mais é que um ultrassom do coração do bebê realizado por um especialista. Ele deve ser feito a partir da 18ª semana até o final da gestação e pode identificar a grande maioria das anomalias fetais que tenham qualquer impacto na evolução da criança, seja ainda na vida fetal ou depois do nascimento. “Quanto aos procedimentos fetais, normalmente fazemos em idades gestacionais que vão de 22 semanas até 30. O mais comum é trabalhar entre 25 ou 26 semanas, mas quando é necessário podemos fazer mais cedo”, diz a médica. Vale a curiosidade: quando se opta pela intervenção, a mãe recebe uma anestesia semelhante àquela que é feita para uma cesariana e, em seguida, o feto é anestesiado com uma injeção de sedativos, dada normalmente na coxa do bebê, para que ele durma e pare de se mexer. “É impossível fazer os procedimentos com o bebê se mexendo”. Para saber mais sobre prevenção de cardiopatia congênita assista à esse vídeo de HCor Explica: https://www.hcor.com.br/exames-e-consultas/exames-diagnosticos/ecocardiografia/ecocardiograma-bidimensional-fetal/ 20 Figura 5 Quais doenças podem ser tratadas via cirurgia fetal: Estenose aórtica crítica. Estenose pulmonar crítica ou atresia da valva pulmonar. Hipoplasia do coração esquerdo com comunicação interatrial restritiva. Figura 6 Benefícios: Evitar insuficiência cardíaca grave. Permitir que o ventrículo abaixo da valva entupida volte a crescer. 21 Melhorar as condições de nascimento de bebês com condições cardíacas muito graves. 5. CARDIOPATIAS As cardiopatias graves acontecem quando o coração começa a perder sua capacidade funcional devido a alguma doença ou alteração congênita. As cardiopatias graves podem ser classificadas em: Cardiopatia grave crônica, que é caracterizada pela perda progressiva da capacidade funcional do coração; Cardiopatia grave aguda, que possui evolução rápida, levando à diminuição brusca das funções do coração; Cardiopatia grave terminal, em que o coração não consegue desempenhar adequadamente suas funções, diminuindo a expectativa de vida da pessoa. Normalmente quem tem cardiopatia grave terminal não responde ao tratamento com medicamentos e não são candidatos à cirurgia para corrigir a alteração cardíaca, sendo realizado, na maioria das vezes, transplante de coração. As cardiopatias graves podem resultar em grande incapacidade na vida pessoal e profissional do paciente, além de desgaste físico e emocional. A cardiopatia congênita é um dos principais tipos de cardiopatia grave e é caracterizada por defeito na formação do coração ainda dentro da barriga da mãe que pode levar ao comprometimento da função cardíaca. Saiba mais sobre as cardiopatias congênitas. Além disso, a insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão arterial,insuficiência coronariana e arritmias complexas são doenças que podem estar associadas às cardiopatias graves ou até mesmo agravar o quadro, podendo levar a uma cardiopatia grave terminal, por exemplo. https://www.tuasaude.com/cardiopatia-congenita/ https://www.tuasaude.com/cardiopatia-congenita/ 22 Figura 7 Principais sintomas Os sintomas relacionados às cardiopatias graves dependem do grau de incapacidade do coração, podendo ser: Dificuldade para respirar; Dores no peito; Desmaios, desorientação ou sonolência frequente; Cansaço após pequenos esforços; Palpitações cardíacas; Dificuldade para dormir deitado; Tosse noturna; Inchaço dos membros inferiores. A cardiopatia grave pode ainda trazer grandes limitações físicas, no desenvolvimentos das suas funções do dia a dia e no trabalho, dependendo do tipo e da gravidade da doença que esteja associada. Por isso, o governo concede benefícios às pessoas com cardiopatias graves 23 diagnosticadas, já que pode ser uma doença limitante. Para fins de aposentadoria, considera-se cardiopatia grave, os casos em que a função cardíaca avaliada pelo Ecocardiograma transtorácico, está abaixo de 40%. O diagnóstico das cardiopatias graves é feito pelo cardiologista por meio da avaliação da história clínica do paciente, além de exames, como eletrocardiograma e ecocardiograma em repouso e em movimento, teste ergométrico, raio-X de tórax e angiografia, por exemplo. Como é feito o tratamento O tratamento para as cardiopatias graves dependem da causa e é determinado pelo cardiologista, podendo ser feito por meio de: Uso de medicamentos, na maioria das vezes venosos; Colocação de balão intra-aórtico; Cirurgia para correção da alteração cardíaca. Nos casos mais graves, pode ser recomendada a realização de transplante de coração, que é mais indicado no caso das pessoas portadoras de cardiopatias graves terminais, em que, devido à perda da função cardíaca, a expectativa de vida da pessoa fica comprometida. Saiba como é feito o transplante de coração e como é a recuperação. Figura 8 https://www.tuasaude.com/transplante-de-coracao/ https://www.tuasaude.com/transplante-de-coracao/ 24 FONTE: MPAMENTAL, 2020 25 REFERÊNCIAS BORBA, Valdir Ribeiro. Administração hospitalar: princípios básicos. 3 ed. São Paulo: CEDAS, 1991. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente e moderna da administração das organizações. Ed. Compacta. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. FONSECA, A. D. et al.. A evolução da gestão hospitalar e suas intervenções no mercado atual. 2 ed., Vol. 1, 2015, p. 26-32. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2017. GIL, Antônio Carlos. Gestão de Pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2011. LORENZETTI, R. et al. Gestão em saúde no brasil: diálogo com gestores públicos e privados. Florianópolis, 2014 Abr-Jun; 23(2): 417-25. Disponível em . Acesso em: 08 ago. 2017. MELO, A. C. et al. O papel do administrador hospitalar no mundo contemporâneo. LABORO.in Faculdade Laboro, 2 ed., Vol. 1, 2015, p. 2-5. Disponível em: . Acesso em: : 08 ago. 2017. MINISTÉRIO DA SAÚDE- Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil – CNES. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2017. MINTZBERG, Henry. Managing: Desenvolvendo o Dia a Dia da Gestão. 1 ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.