Prévia do material em texto
Aula 3: Patologia das Glândulas Anexas: Hepatopatias DOENÇAS HEPÁTICAS CRÔNICAS Hepatite viral, alcoólica ou autoimune Doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA) Cirrose hepática Insuficiência hepática As principais doenças hepáticas crônicas (DHC) compreendem: CIRROSE Pode evoluir para insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. É uma doença difusa do fígado, estágio comum de diversas doenças hepáticas (hepatites B e C, ingestão de álcool em excesso, fármacos e doença auto-imune) É a forma mais grave de dano hepático Cirrose • Distorção irreversível da arquitetura hepática normal • Anátomo-clínica expressada por uma desorganização difusa da estrutura hepática normal por nódulos regenerativos que estão rodeados de tecido fibroso. • Basicamente ocorrem 3 alterações: • Lesão hepática • Fibrose • Regeneração nodular Etiologia cirrose • Cirrose biliar primária • Cirrose biliar secundária • Obstrução do retorno venoso hepático. • Infecciosa: VHB, C, D, Toxoplasmose • Álcool. Fisiopatologia • Estágio final de muitas formas de lesão hepática caracterizadas inicialmente por necrose e fibrose. • A progressão da fibrose à cirrose e a morfologia da cirrose dependem da extensão da lesão, da presença de um dano continuado e da resposta do figado a agressão. Alterações endócrinas na cirrose • Hepatoesplenomegalia • Icterícia • Doenças digestivas • Perda de peso • Ascite • Infecções bacterianas • ALTERAÇÕES ENDÓCRINAS CIRROSE DESCOMPENSADA • Lesões hemorrágicas • Anorexia e astenia • Cirróticos alcoólicos Î desnutrição Ascite Etiologia: • Cirrose: 80%: sendo 80% por álcool • Câncer de mama, cólon, estômago ou pâncreas • Insuficiência Cardíaca • Cirróticos compensados: 50% desenvolvem ascite em 10 anos • Cirróticos com ascite: 50% não resistem em 2 anos Tratamento da ascite 1° passo: Tratar a doença de base. • Álcool com ou sem hepatite C é a causa mais comum de ascite • Abstinência alcoólica é importantíssima! • Repouso no leito: não é recomendado • Dieta pobre em sódio: 1g/dia (44mEq/dia) a 2g/dia • Diuréticos Î espironolactona 100mg/dia associada ao furosemide 40mg/dia • Restrição hídrica: 1 a 1,5l dia. Doença Hepática gordurosa não alcoólica Está associada com: desordens metabólicas (obesidade central, resistência à insulina, dislipidemia, hipertensão, hiperglicemia e síndrome metabólica) Inclui: esteatose hepática benigna e esteatohepatite não alcoólica ou NASH (Nonalcoholic Steatohepatitis) com necrose e regeneração nodular podendo evoluir para cirrose, caso não haja mudança para um estilo de vida saudável. DHGNA - termo genérico utilizado para designar várias anormalidades hepáticas relacionadas com a infiltração de lipídios no citoplasma dos hepatócitos de pacientes com consumo inferior a 20 g de etanol por dia. Esteatose hepática • Acúmulo de lipídios no citoplasma dos hepatócitos: triglicerídeos: excedendo 5% do peso do fígado. • Maioria dos pacientes são assintomáticos. 20% com desconforto epigástrico ou hipocôndrio direito. Esteatose hepática não alcoólica • Ausência de alcoolismo e hepatite viral • Prevalência: maior em obesos e pacientes com DM II • Maior prevalência em mulheres • Evolução para cirrose em 8 a 17% Esteatose alcoolica • Poucos dias após a administração de álcool a gordura aparece dentro dos hepatócitos, com aumento na síntese de triglicérides devido ao > fornecimento de ác. graxos ao fígado, 80% da função), ocasionada por agentes etiológicos como: Insuficiência hepática crônica Encefalopatia hepática É uma síndrome neuropsiquiátrica, potencialmente reversível, que cursa com alterações na personalidade, no comportamento, na redução da cognição, função motora e no nível de consciência. Síndrome caracterizada por atividade mental prejudicada → associada a Hiperamonemia. Alterações na personalidade, comportamento, ↓ cognição, função motora, nível de consciência → reversível. Cirrose hepática → Ciclo da uréia ineficiente → ↑ amônia. ↑ permeabilidade barreira hematoencefálica → Passagem amônia para cérebro → toxicidade células Sistema nervoso. • AACA: Triptofano, Tirosina E Fenilalanina • Decorar a sigla – TTF – fontes de Amônia Terapia nutricional da Encefalopatia hepática OBJETIVOS: evitar ou controlar a perda ponderal regular a produção entérica de amônia controlar o catabolismo proteico muscular. RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS -Evidências científicas demonstraram que pacientes com EH são beneficiados com a utilização de dietas entre 30 a 35 kcal/kg de peso/dia e com 1,0 a 1,5 g de proteína/kg de peso/dia, modificadas, com aumento da ingestão de proteínas lácteas (queijo, iogurte, leite) e proteínas vegetais (soja, feijão, grão-de-bico), ricas em aminoácidos de cadeia ramificada (AACR). - Tolerância da proteína animal fica em torno de 40g, completar com proteína vegetal Terapia nutricional da Encefalopatia hepática • Priorizar alimentos fontes de aminoácidos ramificados (AACR) Competem com os AACA no transporte pela barreira hematoencefálica e na síntese de falsos neurotransmissores • Fórmulas enterais suplementadas com AACR devem ser utilizadas na EH grave → garantir fornecimento de N sem prejudicar estado mental. • Estimula síntese proteica, reduz catabolismo e melhora EN. • AACR: Valina, Leucina e Isoleucina (fazem parte dos 9 aminoácidos essenciais). Terapia nutricional da Encefalopatia hepática • Cirrose hepática com encefalopatia hepática: 1.2g/kg (DITEN 2011) 1,0 a 1,5g/kg (ASPEN, 2010) 1,2 a 1,5g/Kg (ISHEN, 2013) • Lanche noturno suplementado com AACR → melhora da albumina plasmática, metabolismo energético e retenção de nitrogênio • O consumo de proteínas de origem vegetal, como as leguminosas, oleaginosas e cereais integrais, deve ser estimulado • Uso dos AACR por via oral ou enteral, na quantidade de 30 a 40g/dia Doença hepática vs desnutrição Há cerca de 20% de desnutrição presente nos pacientes com doença hepática compensada, mas a desnutrição pode chegar a 60% com doenças descompensadas. Causas : Gasto energético de repouso aumentado + Ingestão alimentar insuficiente Balanço nitrogenado negativo - Na insuficiência hepática aguda, os pacientes têm menor reserva de glicogênio hepático sendo mais suscetíveis à hipoglicemia Métodos antropométricos - Métodos como peso, altura, IMC, dobras cutâneas, circunferência e circunferência muscular do braço (CB e CMB) podem ser usados na ausência de ascite. - Recomenda-se mensurar periodicamente o peso e a circunferência abdominal, para acompanhamento de uma possível progressão da ascite. Ajuste do peso Avaliação bioquímica - Indicadores bioquímicos usados rotineiramente na prática clínica (albumina, pré-albumina, transferrina, proteína carreadora de retinol, contagem de linfócitos totais) devem ser usados com cautela, uma vez que podem refletir o grau de disfunção hepática e não necessariamente o estado nutricional. - Investigar níveis plasmáticos de ferro, ferritina, magnésio, zinco, cálcio, fósforo, vitamina B12 e folato. - Índice creatina por altura (ICA) pode ser utilizado para estimar a massa corporal magra. - Balanço nitrogenado (BN) pode ser utilizado para avaliar a eficiência da terapia nutricional. Tratamento nutricional OBJETIVOS: - Facilitar a aceitação da dieta e favorecer o aproveitamento dos nutrientes administrados. -Suprir substratos energéticos e proteicos suficientes para atender às necessidades orgânicas e favorecer o ganho de peso. • Fornecer substratos energéticos e proteicos suficientes para controlar ocatabolismo proteico muscular e visceral. - Prover a quantidade de aminoácidos adequados para manter o balanço nitrogenado e a síntese de proteínas de fase aguda. - Suprir o organismo com quantidade suficiente de aminoácidos para normalização da função e regeneração hepática sem precipitar encefalopatia. Recomendações nutricionais - Necessidades energéticas – 25 a 40 kcal/kg de peso corporal/dia. Para esse cálculo, aconselha-se utilizar o peso corporal atual ou, na presença de edema periférico e ascite, utilizar o peso “seco” para o paciente. - Carboidratos – 50 a 60 % do VET, dando preferência aos açúcares complexos. Os açúcares simples poderão ser utilizados desde que a glicemia esteja controlada. - Lipídios – até 30% do VET, para se evitar desconforto abdominal, retardo no esvaziamento gástrico e hiperlipidemias. Em pacientes com esteatorreia, acrescentar gordura na forma de TCM (máximo de 15 gramas por refeição ou 17% do VET). Recomendações nutricionais - Proteínas: - Pacientes com doença hepática compensada, a proteínas pode ser ofertada na quantidade de 1,2 g/kg de peso atual ou seco/dia. - No entanto, para melhorar a retenção nitrogenada, é necessário de 1,2 a 1,8 g/kg de peso atual ou seco/dia, dando-se preferência à proteínas vegetais. - Pacientes com doença hepática descompensada (infecção, ascite, sangramento gastrointestinal) ou desnutridos, pode ser necessário administrar pelo menos 1,5 g/kg de peso/dia. - Vitaminas e minerais – devem ser suplementados vitaminas dos complexo B (B1, B3, B6, B12 e ácido fólico), vitaminas lipossolúveis (se houver esteatorreia) e os minerais cálcio, zinco, magnésio, ferro. Recomendações nutricionais - Líquidos e sódio – líquidos devem ser restritos conforme necessidade (1 a 1,5 litro/dia – 2/3 nas refeições e 1/3 para medicamentos/sede) e a restrição de sódio está indicada quando houver retenção hídrica, de sódio e sobrecarga de fluidos (ascite e edema). Nestes casos, restringir o sódio para 2 g/dia. - Alterações no padrão alimentar – fracionar o cardápio (5 a 6 refeições/dia), evitar longos períodos de jejum, utilizar alimentos de fácil digestibilidade e de alta densidade calórica, administrar no período noturno suplementos energéticos a base de AACR e outros nutrientes. - Tais medidas são eficazes para prevenção da hipoglicemia e perda de peso. Recomendações nutricionais - Perda de peso gradativa em caso de pacientes com sobrepeso e obesidade - Aproximadamente 10% do peso corporal em 6 meses, com dieta hipocalórica em torno de 25 kcal/kg/dia e atividade física aeróbia. - Distribuição dos macronutrientes – normoglicídico, normolipídico e normoproteico. - Incentivar o consumo de soja – administração de 25 gramas de proteína de soja na dieta do pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica pode controlar a dislipidemia associada, reduzir a glicemia de jejum e aumentar a resposta à insulina, aspectos importantes no tratamento. - Suplementação de ácidos graxos ômega-3, eicosapentaenoico (EPA) e docosaexaenoico (DHA) – 1 g/dia promovem melhora do perfil lipídico. Disturbios na doença hepática • Carboidratos Hepatopatias agudas – diminuição da glicogenólise e gliconeogênese – hipoglicemia. Hepatopatias crônicas/cirrose – resistência à insulina – intolerância à glicose e hiperglicemia. • Lipídios Hepatopatias agudas e crônicas – aumento da lipogênese hepática, diminuição da oxidação hepática de ácidos graxos – esteatose hepática. • Colestase – diminuição da secreção de sais biliares – esteatorreia e má absorção de lipídios e vitaminas lipossolúveis. Distúrbios na doença hepática • Proteínas • Hepatopatias agudas e crônicas – diminuição da síntese de proteínas plasmáticas e liberação de aminoácidos teciduais – hipoalbuminemia. • Hepatopatia crônica – diminuição da captação e metabolização de aminoácidos de cadeia ramificada, diminuição do ciclo da ureia – aumento plasmático de aminoácidos amoniogênicos, aumento da síntese de falsos neurotransmissores, hiperamonemia/encefalopatia hepática REFERÊNCIAS OBRIGADO!! Slide 1: Aula 3: Patologia das Glândulas Anexas: Hepatopatias Slide 2: As principais doenças hepáticas crônicas (DHC) compreendem: Slide 3: CIRROSE Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8: Ascite Slide 9: Tratamento da ascite Slide 10: DHGNA - termo genérico utilizado para designar várias anormalidades hepáticas relacionadas com a infiltração de lipídios no citoplasma dos hepatócitos de pacientes com consumo inferior a 20 g de etanol por dia. Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17: Insuficiência hepática crônica Slide 18: Encefalopatia hepática Slide 19: Terapia nutricional da Encefalopatia hepática Slide 20: Terapia nutricional da Encefalopatia hepática Slide 21: Terapia nutricional da Encefalopatia hepática Slide 22: Doença hepática vs desnutrição Slide 23: - Métodos como peso, altura, IMC, dobras cutâneas, circunferência e circunferência muscular do braço (CB e CMB) podem ser usados na ausência de ascite. Slide 24 Slide 25: Avaliação bioquímica Slide 26: Tratamento nutricional Slide 27: Recomendações nutricionais Slide 28: Recomendações nutricionais Slide 29: Recomendações nutricionais Slide 30: Recomendações nutricionais Slide 31: Disturbios na doença hepática Slide 32: Distúrbios na doença hepática Slide 33 Slide 34: OBRIGADO!!